sábado, 30 de outubro de 2010

Vinho Valmarino Reserva da Família Orval Salton 2004

Este foi o vinho que eu resolvi abrir pra comemorar a recente conquista do meu irmão (lembre aqui). Como ele estava por aqui com a namorada resolvi que deveríamos brindar. Este vinho eu adquiri por sugestão da Dna. Cecília da loja DO Brasil (indicação do Daniel Perches, do Blog Vinhos de Corte).

Este vinho, segundo o produtor, é elaborado somente em safras especiais quando as uvas atingem altos índices de maturação, sendo selecionadas ainda no vinhedo, e é um corte de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot e Tannat cujas proporções variam de acordo com a safra e pelo feeling do enólogo. Depois passa por evolução em carvalho e por último descança em garrafa antes de ir para o mercado. Vamos as impressões.

De cor vermelho-rubi com halo granada, o que mostra envelhecimento do vinho (vale lembrar que é da safra 2004), o líquido se apresentou bastante brilhante e com bastante transparência com lágrima finas, escorregadias e incolores.

Quando levei a taça ao nariz a primeira impressão é de frutas em compota/geléia, com destaque a frutas vermelhas. Depois de algum tempo o vinho passou a apresentar também um toque de especiarias com lembrança de alcaçuz e menta, um traço de aroma de estábulo, lembrando alguma coisa animal e mais ao fundo um tostado. Ao final da primeira taça ainda pude notar algumas notas terrosas, o que me fez pensar na referência a Cabernet Franc do corte do vinho.

Ao levar o vinho a boca o mesmo se mostrou extremamente elegante, com taninos presentes porém um veludo tamanha a qualidade, sem aquela sensação de fruta verde, de amarração, sabe? De médio corpo e de grande retrogosto o vinho na boca confirmou o frutado inicial e lembrou alguma coisa de café com menta. Extremamente interessante. O álcool estava completamente integrado e completou com excelência o conjunto.O vinho harmonizou legal com uma carne assada com molho de tomate que minha mãe fez pro almoço de sábado.

Vale destacar que eu sempre tive um certo preconceito pois os vinhos nacionais de qualidade normalmente apresentam um preço acima dos seus irmãos sul americanos mas desta vez me surpreendi muito! O vinho custou algo em torno de R$ 35,00 e se mostrou de uma qualidade muito boa, valendo o preço pago! Eu recomendo!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Homenagem ao meu irmão: Luiz Fernando diretor premiado!


Este post vai ser uma homenagem a meu irmão Luiz Fernando. Talvez eu nunca tenha dito pra ele nada do que eu venha a escrever aqui. Pode ser por falta de oportunidade, por timidez ou seja por que raios, mas acho que escrevendo ficaria melhor. Deve ser por que eu não sou muito bom com palavras ou então por que eu seja insensível mesmo.  A questão é que meu irmão recebeu a dois/três dias um prêmio que para muitos pode não parecer muita coisa mas que para nós como família e para ele como profissional é muito importante. Ele recebeu o prêmio de Melhor Curta Metragem no 5º Festival de Curtas de Atibaia com seu trabalho de conclusão de curso, o curta “O Triste Fim do Pequeno Menino Ostra”, feito para filnalizar a pós graduação em cinema e fotografia da Universidade Anhembi Morumbi.



Voltemos um pouco no tempo e tentarei explicar resumidamente como ele chegou até o prêmio. Desde pequeno meu irmão sempre foi muito ligado em desenhos animados e leitura de quadrinhos e livros. Este interesse só fez com que sua curiosidade/imaginação fosse se desenvolvendo ao ponto de que quando o momento de escolha para sua profissão chegasse a escolha lhe parecesse óbvia. Foi quando ele decidiu seguir a vontade e cursar a faculdade Publicidade e Propaganda com enfase em criação. Durante este período trabalhou em uma pequena empresa de ar condicionado cuidando com muito esmero da área de marketing da mesma mas somente isto não lhe preenchia. Começou então a buscar cursos paralelos sobre cinema, roteiro,  quadrinhos e afins. Participou então de concursos de roteiros para curta metragens em alguns sites especializados tendo vencido um determinado concurso em uma oportunidade e ficado na segunda colocação em outra com um talento muito grande. Sua perseverança em trabalhar em sua área de formação fez com que após sua formatura passasse a trabalhar junto de amigos da faculdade em uma pequena agência de publicidade na cidade de Atibaia, no interior de SP. Neste ínterim conseguiu alguns bons contratos junto da agência e me parece que abriu um pouco mais o mercado para a mesma. Paralelamente a isso veio a escolha por um curso de especialização/pós graduação sobre cinema e fotografia na Universidade Anhembi-Morumbi, tema que sempre foi sua predileção,  onde nasceu o curta metragem que foi o vencedor do concurso alvo deste post.

Acompanhei um pouco sobre o desenvolvimento deste curta metragem e pude perceber o quanto meu irmão penou para que isso saisse do papel e que tomasse a forma que tem hoje. Batalhou por um espaço para filmagem em Atibaia, conseguiu e negociou o empréstimo/aluguel de equipamentos, figurinos, utensílios, etc. e mais, conseguiu que um talentoso amigo fosse o ator principal do curta (infelizmente não me lembro o nome e peço desculpas ao ator, mas quando alguém me lembrar desta informação eu edito o post). Não esqueçamos é claro que suas colegas de grupo também foram de grande ajuda, afinal ambas participaram também do desenvolvimento e filmagem do curta.  E com todo esforço emplacado o resultado ficou muito profissional e digno de filmes com orçamentos e incentivos muito maiores.

Sobre o 5º Festival de Curtas de Atibaia, fiquemos com uma breve descrição retirada do site www.atibaia.com.br : “Começa nesta sexta-feira, 22 de outubro, a quinta edição do Curta Atibaia, festival que tem por objetivo estimular o desenvolvimento e a produção audiovisual municipal e regional, além de promover intercâmbio cultural. As exibições são gratuitas e acontecem no Centro de Convenções Victor Brecheret. O Curta Atibaia é o único festival do segmento na região. Serão distribuídos R$ 13 mil em prêmios. O curta vencedor, além da premiação em dinheiro, conquista uma vaga no Festival de Atibaia Internacional do Audiovisual, uma das principais mostras competitivas do segmento no Brasil e que reúne os melhores curtas-metragens produzidos no País”. 

Ao final do Festival, dentre os mais de trinta participantes, o juri confirmou que o curta do Luiz se sagrara vencedor do evento. Esta escolha só viria a coroar seu comprometimento e vontde de fazer o melhor com o video criado como um trabalho de graduação que se transformara em um curta muito bom. Com muita humildade e até supresa, meu irmão subiu ao palco para agradecer e dizer o quanto estava satisfeito com o resultado obtido, como via em Atibaia e no evento uma porta de entrada para um mercado tão complicado como o do cinema nacional e que a chance de participar agora dum evento internacional seria muito benéfica ao seu trabalho.

Gostaria de deixar ao final um singelo parabéns, esta homenagem em forma de post e dizer pra ele que mesmo estando um pouco afastado, de não ter estado junto a ele no evento que nós (eu, meu pai, minha mãe) sempre acreditamos no seu talento, no seu trabalho, que sempre estaremos na torcida por seu sucesso e que, mesmo no caso de um fracasso estaremos de braços abertos para levantá-lo a ajuda-lo a seguir em frente. Conte sempre conosco e continue com seu trabalho e perseverança que você vai longe.

Grande abraço do teu irmão e de tua família!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Um Olhar no Paraíso

Um filme triste. Um filme bonito. Uma história emocionante. Estes seriam alguns dos predicados que eu poderia dar a “Um Olhar do Paraíso” mas eu acho que seria simplista demais descrever o filme desta maneira. Seria mais para algo como uma história que toca muitos de nós, brasileiros acostumados a tantos atos de barbárie corriqueiramente nos noticiários diários, principalmente envolvendo crianças e sua inocência. Ao menos, foi isso que eu achei.

O filme, baseado na obra literária Uma Vida Interrompida de Alice Sabold e conta a história de Susie Salmon, menina tímida e pacata de uma cidadezinha interiorana dos EUA que como toda pré-adolescente  tem seus sonhos por realizar: o primeiro namorado, o primeiro beijo, ser popular na escola, etc. mas que vê sua história de vida abreviada por um serial killer inescrupuloso que vive na vizinhança. A partir daí passa a observar de um paraíso/pourgatório o rumo que a vida das pessoas que conviviam ao seu redor tomam a partir de sua morte e passa também a fazer com que estas vidas tomem o rumo que ela imagina, mas que nem sempre é o rumo certo.

A violência em si já é despresível,  e mais ainda quando aplicada a uma criança. Susie teve sua vida bruscamente interrompida e só isso já toca. Mas a obra mostra o drama e as consequências que as vidas ao redor de Susie passam a enfrentar a partir e sua morte. A desconstrução que a família passa quando seu pai tenta a todo custo descobrir que cometera tamanha atrocidade ou quando sua mãe não consegue aceitar sua morte e não consegue seque entrar em seu quarto vazio só vem a mostrar o quão impactante um crime desta espécie pode ser nas nossas vidas. O desenrrolar da história é pesaroso e só é mesclado em determinados momentos pela investigação a cerca da morte da garotinha. A magnífica fotografia que retrata a época em que a história se passa e a descrição deste purgatório  onde a menina se encontra são outros pontos altos do filme. Talvez um dos poucos pontos negativos, se não o único, é que o filme acaba ficando um pouco longo demais e algumas cenas poderiam ser descartadas. Mas nada que atrapalhe o filme no final das contas.

No final o filme acaba se tornando uma grande reflexão sobre o que é a vida, como a levamos e aonde queremos chegar. Pelo menos esta a mensagem que o filme passou pra mim. E pra você, caso tenha visto o filme, o que ficou na lembrança?

Vinho Argentino Terza Volta Cabernet Sauvignon 2006


Dando início às minhas postagens sobre os vinhos que eu costumo beber aos finais de semana, vou começar com este exemplar da vizinha Argentina, mais especificamente em Luján de Cuyo, Mendoza. Este vinho é elabora na Bodega Terza, de propriedade de Flavio Senetier, já conhecido por outros empreendimentos no mundo vinícola argentino.

Este exemplar é composto 100% de uvas cabernet sauvignon colhidas manualmente durante as duas primeiras quinzenas de abril em Mendoza. 

O vinho apresentou em taça uma coloração  púrpura bem viva com reflexos rubi bem interessantes. Era bem escuro e brilhante, porém com uma consideravel transparência. Exibia lágrimas abundantes, finas e escorregadias.

O primeiro ataque ao nariz foi bem frutado, que me remeteu a morangos frescos e também uma lembrança de álcool (13,8%). Com um tempo descansando em taça e com a garrafa aberta foi possível ainda notar aromas vegetais que lembravam pimentão e alguma coisa de especiarias, eu suponho que fosse alcaçuz porém não tenho certeza. Ainda ao fundo da taça era possível notar um tostado, provavelmente de sua passagem por madeira francesa (o site da bodega não precisa o tempo que esta passagem leva).

A boca só fez confirmar o paladar, extremamente frutada com um leve dulçor final. Taninos estavam presentes porém sem amarrar a boca mostrando qualidade. O álcool também se fez sentir inicialmente na boca, mas arrefeceu com o tempo.

Enfim o vinho fez valer o preço pago (algo em torno de R$ 45,00) e se mostrou um bom exemplar de cabernet do novo mundo sem se mostrar aquela bomba amadeirada que convencionalmente temos encontrado nos vinhos mais comerciais.

Boa pedida!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O Mundo do vinho em minha vida


Já devo ter falado deste assunto por aqui mas como o post acabou ficando no esquecimento e como na época não tinha o conhecimento que tenho hoje (não sei de tudo não, antes que venham as críticas), resolvi voltar com o assunto ao blog, uma vez que este é um dos hobbies que tenho em minha vida, se não for o maior atualmente.

Fazem uns dois anos eu comecei a beber vinho descompromissadamente pois gostei muito da bebida. Desde então meu interesse por ela cresceu muito e eu senti que deveria buscar mais conhecimento sobre o assunto. Descobri que eu estava diante de um mundo fascinante e que se eu quisesse haveria muita informação a garimpar. Comecei pesquisando na internet em blogs e páginas afins, mas como leigo ficava muito difícil filtrar o que era informação boa de informação ruim.

O próximo passo foi então buscar literatura mais especializada e o que encontrei foram revistas e livros, de renomados escritores/editores nacionais e estrangeiros. Segui lendo e tentando absorver o máximo de informação possível. É claro que isto é deveras difícil uma vez que existe muita coisa pra se estudar e não é simplesmente o vinho em si, mas geografia, história, agronomia, entre outros aspectos. E como não sou autodidata a melhor maneira de assimilar e discutir as idéias recebidas que encontrei foi as visitas a eventos, feiras e degustações onde pude além de conversar com quem entende do assunto pude conhecer pessoas que estão no mundo do vinho e que vem me dando uma forcinha em conhecer o que estou bebendo.

Ainda senti que faltava alguma coisa e foi então que uma idéia mais ousada me veio a cabeça: eu deveria fazer algum curso para ampliar meus horizontes e conhecimentos sobre o assunto. Depois de uma certa pesquisa cheguei a escola Ciclo das Vinhas, capitaneada pela experiente sommelière Alexandra Corvo. Uma escola composta somente por mulheres extremamente competentes e que com muita simpatia de toda a equipe, ficava difícil não aprender um pouco. Comecei então pelo curso para iniciantes. O curso, como o próprio nome já diz, é bem básico mas capaz de nos dotar de uma noção do que e como é feito os diversos tipos de vinhos e mais, nos dava também um embasamento mínimo para aprendermos a degustar e harmonizar vinhos. Foi o empurrãozinho que me faltava!

E quais são os planos futuros? Bem, já fechei o contrato de um curso bem mais arrojado: diploma de sommelier para enófilos. Ou seja, passarei por um treinamento semelhante aos que os sommeliers passam porém num enfoque para amantes de vinho e não com o intuito de trabalhar profissionalmente como tal. E claro que na hora de escolher a escola, nem tive dúvida e fui de Ciclo das Vinhas mais uma vez. Além disso irei me utilizar de meu blog para tentar descrever os vinhos que venho degustando com o único intuito de divulgar a minha impressão sobre o assunto. Sei que serei crucificado e axincalhado por profissionais e outros ramos de pessoas que trabalham com vinhos por não ter experiência nem capacidade técnica suficiente para tal mas, como eu mesmo disse a pouco, só estarei divulgando minha opinião. E é claro, continuarei a beber meus  vinhos! Com o andar do curso irei também descrever o que venho sentindo e aprendendo com o mesmo, recomendando ou não o curso para quem estiver disposta a tal.
 
Saúde!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Do que Dilma tem medo?

Advocacia-geral faz manobra e blinda Dilma em processo militar
 
Para blindar a candidata Dilma Rousseff, a Advocacia-Geral da União (AGU) conseguiu ontem impedir o Superior Tribunal Militar (STM) de decidir sobre a liberação ou não do acesso ao processo aberto contra a petista durante o governo militar.

Após o julgamento já ter começado, o STM atendeu a um pedido da AGU para consulta aos autos, adiando o julgamento por três sessões - ou seja até o dia 28.

Como o segundo turno será no dia 31, aumentou a chance de ocorrer sem que os dados se tornem públicos. Representante do Ministério Público, Roberto Coutinho alertou o tribunal: 'Parece mais uma tentativa da AGU para tentar procrastinar esse julgamento para depois do segundo turno.'

Está sob análise do STM um mandado de segurança no qual o jornal Folha de S. Paulo pede acesso ao processo que levou Dilma à prisão. O presidente do STM, Carlos Alberto Soares, negou o acesso alegando que os dados podem ter uso político. O julgamento, que começou dia 5, foi interrompido por pedido de vista da ministra Maria Elizabeth Rocha.

Ontem, a ministra reclamou que a imprensa divulgou a informação de que ela assessorou Dilma na Casa Civil. Antes que Maria Elizabeth lesse o seu voto, o relator do caso, Marcos Torres, anunciou que na véspera tinha recebido um pedido da AGU para ter vista nos autos. Ele propôs o adiamento por três sessões.

A advogada do jornal Taís Gasparian contestou: 'O julgamento já teve início. É completamente intempestivo o pedido de vista de um processo que já entrou neste tribunal há mais de mês. É importantíssimo que seja julgado com a devida celeridade.'

Após a decisão do STM de adiar o julgamento, Taís Gasparian afirmou que houve 'clara negativa de prestação jurisdicional'. 'Houve um pedido de ingresso da AGU sob a alegação de que há interesse da União envolvido. É estranho que se pense que possa haver interesse da União', disse.

'Celeuma'. Em Goiânia, Dilma afirmou que os arquivos estão disponíveis na Universidade de Campinas Unicamp, ao ser questionada sobre processo aberto contra ela durante o regime militar. 'Estão criando celeuma onde não existe', disse. 'Não tenho qualquer problema com essa questão.

Por Mariângela Gallucci / BRASÍLIA, estadao.com.br, Atualizado: 20/10/2010 1:2

Do resgate dos mineiros a contraação do técnico Tite

Estive um pouco afastado do blog nestes últimos dias/semanas é verdade, mas andava sem muita inspiração para ir aqui e colocar em palavras e idéias coesas tudo que eu gostaria. Porém hoje senti uma grande necessidade de desabafar sobre algumas coisas que venho acompanhando e que por si só talvez eu não conseguisse montar posts individuais e resolvi fazer um pout pourri de comentários dos assuntos que eu entendo que sejam interessantes.

Primeiramente gostaria de agradecer a deus e parabenizar ao governo chileno pelo resgate dos mineradores que passaram quase 70 dias soterrados a quase 700 metros de profundidade. Não vou entrar em detalhes da história pois a mesma já foi amplamente discutida na mídia porém o que fica, ao menos pra mim, é a impressão de um povo extremamente unido, sofrido com seus problemas tais como terremotos, desmoronamento de minas, etc. porém com grande poder de superação e extremamente patrióticos (não como brasileiro acha que é, mas só em época de grandes eventos esportivos). É claro também que não se pode isentar o governo das falhas na legislação referente à atividade de mineração no país. Enfim, a emoção que eu senti, e acho que muita gente ao redor do mundo também, com a chegada a superfície de cada um dos mineiradores era algo indescritível e ainda por cima ter a certeza de que todos sairam de lá bem de saúde e acompanhados de seus entes queridos foi uma recompensa e me fez pensar em o que é realmente importante em nossas vidas. Acho que histórias como essas deveriam ser eternizadas de alguma forma.

Depois o que podemos falar desta nossa eleição presidencial? De um lado temos a candidata Dilma Roussef, inventada por um governante arrogante e que bate no peito dizendo que é (foi algum dia?) trabalhador e que representa o partido do povo, honrado e compromissado com a verdade. Conversa para boi dormir é claro. Acompanhando os dois primeiros debates entre os candidatos fica claro que esta mulher não tem o mínimo preparo para assumir um país como o Brasil, que não tem firmeza em suas palavras, que não consegue manter uma mínima linha de raciocínio coerente quando fala "de improviso" e que se apega a imagem de Lula para dizer que fez alguma coisa em sua vida pública. Soma-se a isso diversos escandalos do atual governo, escandalos estes inclusive que aconteceram com sua sucessora e no mais importante ministério do governo, que é a casa civil. Precisa dizer mais alguma coisa? De outro lado temos um candidato que já provou seu valor para São Paulo, Brasil e para o mundo, uma vez que quando esteve a frente do ministério da saúde foi eleito pela ONU como o melhor do mundo. Além disso fez parte de um governo que conseguiu controlar a inflação, fortaleceu a moeda nacional, quebrou patente do coquetel anti AIDS, criou o medicamento genérico, embrionou programas sociais utilizados e aperfeiçoados até hoje, enfim que tem gabarito para assumir um cargo como o de presidente da república. Existe realmente escolha? Pensem e votem certo..

E por último porém não menos importante, a crise instaurada no meu time do coração, o Corínthians. Desde a saida de Mano Menezes para a seleção, tivemos uma verdadeira reviravolta no Timão. De postulantes ao título a meros lutadores por vaga na Copa Libertadores com direito a uma troca de treinador. Adilson Batista não deu liga com o Corínthias e isto é fato. Os jogadores não entravam em campo motivados e jogando as vidas pelo técnico, em processo de fritura. Os episódios com a torcida e o penultimo capítulo do ano com a contratação de Tite. Todos estes ingredientes somados me fizeram deixar de acreditar no campeonato mas ainda mais complicado que isso, me deixaram ainda mais desgostoso com o futebol em si, a maneira como os dirigentes lidam com o futebol e com a paixão do torcedor, em como este meio virou apenas negócios não importando quantas pessoas estão envolvidas (torcedores) e podem sair extremamente machudas disso tudo. E como me dói dizer tudo isso. Quem me conhece sabe que sou um torcedor apaixonado e defensor com unhas e dentes deste clube, que me completa como pessoa. Mas minha alma se sente vazia com tudo que eu tenho visto e nem mais Ronaldo, meu ídolo desde a infância praticamente, pode fazer com que isto se resolva uma vez que mal entrou em campo neste ano e já se fala em poupá-lo diante do Flamengo, seu time de coração. E que ele não venha mais me dizer que é corinthiano, pois não sabe o que é ser corinthiano fazendo o que tem feito no nosso timão.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Carta-resposta do Juiz Ruy Coppola ao Presidente Lula publicada no Estadão


Estimado presidente, assisti na televisão, anteontem, o trecho de seu discurso criticando o Poder Judiciário e dizendo que V. Exa. e seu amigo Tarso, ministro da Justiça, há muito tempo são favoráveis ao controle externo do Poder Judiciário, não para "meter a mão na decisão do juiz", mas para abrir a "caixa-preta" do Poder... Vi também V. Exa. falar sobre "duas Justiças" e sobre a influência do dinheiro nas decisões da Justiça.

Fiquei abismado, caro presidente, não com a falta de conhecimento de V.Exa., já que coisa diversa não poderia esperar (só pelo fato de que o nobre presidente é leigo), mas com o fato de que o nobre presidente ainda não se tenha dado conta de que não é mais candidato.

Não precisa mais falar como se em palanque estivesse; não precisa mais fazer cara de inconformado, alterando o tom da voz para influir no ânimo da platéia. Afinal, não é sempre que se faz discurso na porta da Volks. Não precisa mais chorar. O eminente presidente precisa apenas mandar, o que não fez até agora. Não existem duas Justiças, como V. Exa. falou. Existe uma só. Que é cega, mas não é surda e costuma escutar as besteiras que muitos falam sobre ela. Basta ao presidente mandar seu amigo Tarso tomar medidas concretas e efetivas contra o crime organizado. Mandar seus demais ministros exercer os cargos para os quais foram nomeados. Mandar seus líderes partidários fazer menos conchavos e começar a legislar em favor da sociedade. Afinal, V. Exa.. foi eleito para isso.

Sr. presidente, no mesmo canal de televisão, assisti a uma reportagem dando conta de que, em Pernambuco (sua terra natal), crianças que haviam abandonado o lixão, por receberem R$ 25,00 do Bolsa-Escola , tinham voltado para aquela vida (??) insólita simplesmente porque desde janeiro seu governo não repassou o dinheiro destinado ao Bolsa-Escola.

Como se pode ver, Sr. presidente, vou tentar lembrá-lo de algumas coisas simples. Nós, do Poder Judiciário, não temos caixa-preta. Temos leis inconsistentes e brandas (que seu amigo Tarso sempre utilizou para inocentar pessoas acusadas de crimes do colarinho-branco) . Temos de conviver com a Fazenda Pública (e o Sr. presidente é responsável por ela, caso não saiba), sendo nossa maior cliente e litigante, na maioria dos casos, de má-fé. Temos os precatórios que não são pagos. Temos acidentados que não recebem benefícios em dia (o INSS é de sua responsabilidade, Sr. presidente). Não temos medo algum de qualquer controle externo, Sr. presidente. Temos medo, sim, de que pessoas menos avisadas, como V. Exa. mostrou ser, confundam controle externo com atividade jurisdicional (pergunte ao seu amigo Tarso, ele explica o que é). De qualquer forma, não é bom falar de corda em casa de enforcado. Evidente que V. Exa. usou da expressão "caixa-preta" não no sentido pejorativo do termo.

Juízes não tomam vinho de R$ 4 mil a garrafa. Juízes não são agradados com vinhos portugueses raros quando vão a restaurantes. Juízes, quando fazem churrasco, não mandam vir churrasqueiro de outro Estado. Mulheres de juízes não possuem condições financeiras para importar cabeleireiros de outras unidades da Federação, apenas para fazer uma "escova". Cachorros de juízes não andam de carro oficial. Caixa-preta por caixa-preta (no sentido meramente figurativo), sr. presidente, a do Poder Executivo é bem maior do que a nossa.

Meus respeitos a V. Exa. e recomendações ao seu amigo Márcio.

P.S.: Dê lembranças a "Michelle". (Michelle é cachorrinha do presidente que passeia em carro oficial)

Ruy Coppola, juiz do 2.º Tribunal de Alçada Civil do Estado de São Paulo, São Paulo.

Deixo a todos que interpretem e tirem suas próprias conclusões.