segunda-feira, 28 de março de 2011

Rosso Di Verzella Etna Rosso DOC

Acho que já comentei em algum post perdido aqui no meu blog que eu gosto muito de experimentar vinhos diferentes. E por diferentes entenda-se uvas pouco conhecidas, viticulturas diferentes, etc. E é mais ou menos isso que aconteceu com o vinho que eu provei neste final de semana. Este exemplar é oriundo da Sicília, ao sul da Itália e é composto pelas uvas Nerello Mascalese, também conhecida como Negrello, e pela Nerello Cappuccio, também conhecida por Mantellato. Além disso, outra curiosidade bem interessante sobre este vinho é que todas as vinhas que produziram as uvas constituintes deste corte estão nas encostas do vulcão Etna, geralmente de solos arenosos, vulcânicos,  extremamente ricos em minerais e produtos de reações ácidas.

A ligação da Sicília com a vitivinicultura remonta ainda na época dos gregos, quando fundaram cidades como Siracusa e Agrigento porém o auge se deu no século XVIII, quando os ingleses criaram o Marsala. Hoje em dia, estamos assistindo ao renascimento da Sicilia como importante produtor de vinhos de qualidade. Só que desta vez, os méritos se devem aos vinhos secos, brancos, rosês e tintos extremamente particulares. A Sicília é a maior região vinícola da Itália e conta com 17 denominações de origem controladas (DOC) mas por incrível que isto possa parecer, estas correspondem por pouco mais d 2% do total da produção da ilha, fazendo com que haja uma maior predominância dos vinhos conhecidos como IGT.

Segundo o site do produtor, as uvas colhidas para a produção deste vinho  provém de vinhas de mais de 40 anos, podendo assim serem consideradas vinhas velhas. Ainda segundo o mesmo, as uvas são colheitas ligeiramente mais tarde que as demais, por volta da segunda metade do mês de outubro e após a fermentação malolática o vinho estagia de 8-10 meses em barricas de carvalho para afinamento. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma cor cereja clara, quase como a cor de um pinot noir tradicional (minha opinião). Apresentou ainda diversas lágrimas, finas, rápidas e incolores.

Ao nariz o vinho apresentou-se timidamente fechado de início. Após algum tempo em taça frutas vermelhas maduras levemente temperadas com alguma coisa picante, tipo pimenta mesmo, e leve fundo de baunilha. Tudo muito suave e discreto.

Na boca o vinho apresentou corpo leve, taninos rascantes que secavam a boca e chegavam a incomodar no início, boa acidez e persistência média. Final lembrando leve frutas vermelhas com um que de pimenta muito picante e leve tostado. Com comida os taninos melhoravam sensivelmente, mas ainda incomodavam um pouco.

Vinho diferente do habitual, incomodava um pouco por possuir taninos de certa forma agressivos, me pareciam até meio verdes, como se tivesse havido super extração ou mesmo prensagem com engaços. Enfim, não é um vinho que me agradou muito e não sei se repetiria a experiência. Mas fica registrado.

Saúde.

terça-feira, 22 de março de 2011

Forcadas Douro DOC 2007

Desta vez vou comentar este exemplar que vem direto da terrinha de nossos antepassados, mais precisamente da região do Douro, em Portugal. Esta região é famosa também por um vinho muito conhecido por nós, o vinho do Porto. Produzido pela Quinta da Pedra Alta, o vinho é composto pelas castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca. Não encontrei maiores informações do vinho no site da produtora, então vamos direto as impressões.

O vinho apresentou em taça uma cor rubi muito viva, escura e brilhante, quase sem transparência. Muitas lágrimas coloridas, rápidas e finas compunham o conjunto.

No nariz o vinho começou muito tímido, mas tinha leves aromas frutados, lembrando figos e goiaba. Depois de um tempo abriu também lenbranças florais e algum especiado sem grande definição.

Na boca o vinho se apresentou melhor, com corpo médio, taninos finos e em grande quantidade e qualidade com bom extrato. Mostrava boa acidez e leve amargor final que causava ligeiro incomodo no começo mas que depois sumiu. Retrogosto frutado.

Um vinho simples, para o dia a dia, honesto e sem grandes aspirações.

Saúde.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Reserva Milantino Ancellotta 2005

Este vinho foi uma grata surpresa dentre os vinhos nacionais. Eu tenho lido muito e estou tendendo a concordar que o Brasil deve apostar em uvas pouco cultivadas/conhecidas no restante do mundo, com exceção claro de seu local de origem, para surpreender neste imenso mar de vinhos que temos acesso no mundo inteiro. Vejamos o exemplo da uva ancellotta, oriunda da Itália e usada em cortes e na elaboração do famoso Lambrusco. É claro que os vinhos com ela como atriz principal não são vinhaços, vinhos de guarda nem nada mas fogem do habitual cabernet sauvignon/merlot/malbec novo mundistas e trazem um prazer agradável para quem os consome, ao menos em minha opinião.

A vinícola Milantino por sua vez está localizada no Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul – na famosa Serra Gaúcha. A área plantada é de 7 hectáres, sendo cultivadas as seguintes variedades: Cabernet sauvignon, Merlot, Malvasia de Cândia, Ancellotta, Tannat, e Teroldego. Me parece que tem trabalhado em vinhos de muito boa qualidade e que tem tido boa aceitação. Este exemplar me foi indicado pela Dna. Cecília, da loja DO Brasil e ela mais uma vez acertou em cheio. Vamos as impressões.

Na taça apresentou uma coloração rubi bem forte, escura e brilhante com quase nenhuma transparência. Lágrimas abundantes, finas, rápidas e com muita cor. Veja que estamos falando de um vinho 2005 e pelo visto este ainda poderia envelhecer um pouco mais em garrafa sem maiores prejuízos.

No nariz o vinho era exuberante e franco, logo ao abrirmos a garrafa já era possível sentir os aromas de frutas vermelhas frescas, muito herbáceo e ao fundo ainda um pouco de café.

Na boca o vinho tinha taninos finos, elegantes, aveludados, quase doces. Boa acidez, trouxe de volta muita fruta, lembrando quase um chiclé tutti frutti. Final de média persistência com bom extrato.

Um vinho honesto, sincero, entrega o que se propõe e não apresenta defeitos aparentes. Sinceramente, achei muito bom e vale conhecer e ter alguns em casa.

Saúde!

quarta-feira, 16 de março de 2011

(Des) Complicando o mundo dos vinhos

Quem é que adora vinhos e nunca passou por uma situação como a que vou descrever a seguir: quando você começa a se interessar pelo um assunto e começa numa busca por informações, fontes confiáveis, literatura disponível e afins mas se depara com palavras e expressões muito rebuscadas, técnicas e sem a mínima vontade de disseminar a informação junto as pessoas mais leigas no assunto? Pois é, eu já passei por isso algumas vezes desde que me iniciei neste mundo e nos meus estudos.

Quase que invariavelmente no mundo dos vinhos é assim: sites na internet, blogs de pessoas que entendem (ou não) do assunto entre outras mídias (impressas inclusive) usam sempre de expressões deveras complicadas e que muitas vezes nós brasileiros médios não estamos acostumados. E minha surpresa foi maior ainda quando li, acho que a umas duas semanas, no caderno Paladar do jornal O Estado de SP sobre este assunto numa reportagem de Eric Asimov para o The New York Times e traduzida pelo jornal, que relatava este tipo de situação.
A reportagem trazia em linhas gerais um comentário de Eric dizendo que este tipo de situação criada pela midia estava afastando as pessoas do consumo da bebiba pois muitas vezes na busca por informações de um determinado vinho, vinícola, produtor, etc a pessoa se deparava com termos e expressões relatando as sensações olfativas ou gustativas de críticos (ou pretensos críticos) do produto com as quais não estava acostumada e se afastava pois não tinha a segurança devida para efeuar a compra. Além disso a reportagem questionava também a utilidade das informações muito técnicas dadas pelos críticos em geral, pois além do já citado acima existe ainda a divergência das descrições entre dois ou mais críticos, gerando ainda mais dúvida no consumidor em geral. Por fim, segundo Eric, uma descrição mais sucinta, falando de textura, densidade, e complexidade ajudariam muito mais.

Outro ponto que me fez pensar neste assunto foi quando eu li de um cara que eu admiro muito, o Luiz Horta, que o vinho está se afastando demais do prazer que ele proporciona ao ser consumido. Ainda segundo sua nota em seu blog, Luiz Horta fala que ele tem percebido com toda sua experiência que os consumidores de vinho não querem mais tanto saber sobre fermentação, barricas de primeiro e segundo uso entre outros termos técnicos. Ele até compara este tipo de leitura, que tem seus fãs obviamente (e eu sou um deles), a leitura de um manual de um eletro doméstico por exemplo, onde estão descritos potência, comsumo, etc.

O que é preciso ter em mente num primeiro momento é que existem pelo menos dois tipos de público que buscam este tipo de informação, os que querem as informações mais técnicas por seus motivos e os que simplesmente querem ter maior segurança enquanto consumidores. Além disso fatores como por exemplo o local, hora, temperatura e contato com que determinada pessoa teve com um vinho e durante toda a sua vida com outros produtos que possuem aromas semelhantes aos descritos no vinho podem fazer toda a diferença. Eu por exemplo nunca vi uma fruta chamada pomelo, mas a mesma já apareceu em diversas descrições aromáticas de vinhos que li por ai.

Ainda assim eu penso que para que possamos ter um aumento expressivo no consumo de vinhos em nosso país, uma das barreiras a serem derrubadas é esta da mistificação e complexidade criada em torno dos vinhos (é claro que existem muitas outras, mas não são objetivo deste post) para que o consumidor médio tenha acesso a informação que venham a auxiliá-lo em suas decisões de compra atuais e futuras. Talvez ajudaria bem mais se falássemos mais sobre como as safras foram conduzidas, se as uvas foram de boa qualidade, se o vinho é complexo ou mais simples e por ai vai. E a partir daí criássemos consumidores mais informados e ai sim avidos por informações mais técnicas e com mais base para dissernir o quão relevante cada informação pode ser.

E você, o que acha deste assunto?

terça-feira, 15 de março de 2011

Chateau Camplong Cuvée Grande Pièce 2005

Aproveitei minha última aula do curso de sommellerie para enófilos da Alexandra Corvo, na qual falamos e aprendemos sobre os vinhos do Rhône e do Languedoc – Roussilon, para provar um vinho da região neste final de semana. E por sorte eu tinha um vinho desta região em minha adega. O escolhido vem de uma AOC chamada Corbiéres, uma das maiores na França. Este vinho passou por 9 meses de amadurecimento em carvalho e depois um ano em garrafa, antes de ser comercializado.  Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou cor rubi escura com borda granada, muito brilhante e com alguma transparência. Exibia também muitas lágrimas, finas de média velocidade e com alguma cor.

No nariz o vinho se apresentou timido logo de início, mostrando leve aroma de frutos vermelhos. Aos poucos o vinho foi se mostrando, apresentando também algo de especiarias e leve mentol.

Na boca o vinho apresentou taninos presentes, finos, elegantes. Acidez na medida para acompanhar um bom prato. Confirmou o nariz com o frutado e também algo de tostado ao fundo. Persistência de curta para média.

Um vinho elegante, complexo e que merece decantação pois foi mostrando mais qualidade com o tempo em taça. Aprovado.

Saúde.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Boccantino Nero D’Avola Shiraz 2008

E vamos a mais um vinho comentado no blog. Mais do que qualquer coisa, estes meus comentários aqui tem sido de grande ajuda a mim mesmo. Explico: como estudante do curso de sommellerie para enófilos da Alexandra Corvo, de passagem uma baita professora e conhecedora do assunto, uso o blog como um meio de treinar e fixar conceitos aprendidos nas aulas. É claro que sou muito inexperiente no assunto mas enfim, vale a pena.

Voltando ao assunto principal do post, este exemplar é um IGT (Indicação Geográfica Típica – um meio termo entre o vinho de mesa e as DOCs propriamente ditas que possuem regras menos rígidas porém com indicação de procedência) da Sicília e quanto ao produtor, estou numa dúvida pois na garrafa aparece que foi feito pela Cantina Bocantino mas quando pesquiso um pouco mais na internet no site do importador (Casa Flora) o mesmo me fala que é produzido pelo braço italiano do Grupo Schenk, um gigante dos negócios europeu que atua em diversos ramos, inclusive o de produção e distribuição de vinhos. Quem souber com exatidão e puder me ajudar eu agradeço! Mas na verdade o que me parece é que uns dos braços deste mega empresa européia seria a Boccantino. De qualquer maneira este vinho me foi indicado por um senhor dono de uma loja de vinhos em Atibaia, a qual já deixei umas linhas sobre aqui no blog, e por isso eu resolvi comprá-lo uma vez que ele nunca deu bola fora. Pelo pouco que pude apurar sobre o vinho a produção acontece no Valle del Belice, na Sicília e como o próprio nome já diz, é feito de um corte de Shiraz e Nero D’Avola (uva tinta autóctone italiana da região da Sicilia) sem proporções definidas. Vamos as impressões.

Em taça o vinho apresentou cor violácea,brilhante e bem transparente com lágrimas espassadas, finas e sem qualquer coloração.

No nariz o vino se mostrou muito frutado sobre um fundo de especiarias que lembravam cravo da índia e pimenta do reino. Ao fundo pude notar leve tostado.

Em boca o vinho se mostrou bem leve, trazendo de novo muita fruta e leve tostado. Taninos presentes, finos, redondos e bem equilibrados com uma acidez que pedia por comida. Final de curta/média persistência.

Um vinho simples, bem para o dia a dia e barato. Valeu para conhecer. Além de ser de um blend pouco usual, pelo menos do que eu tenha conhecimento.

Saúde!

sábado, 12 de março de 2011

Runaways - Garotas do Rock

Que a adolescencia é uma época de rebeldia todos já estamos cansados de escutar. Mas o que dizer então de um período (década de 70) onde ouvir rock n’roll, usar roupas de couro e coisas do gênero era considerado um ato de extrema rebeldia e pior, dado o machismo preponderante da época, considerado coisa de homem, macho, aquele que coça a genitália e faz careta, toma porres de cerveja e por ai vai?

Tome como cenário de fundo este desenhado por mim ai em cima e some-se a isso uma garota que tenta se reinventar e invadir este mundo machista montando uma banda somente com garotas? Pois esta é Joan Larkin, que depois se auto intitula Joan Jett (nome mais artístico, mais pujante). Sem medo de buscar seus objetivos Joan frequenta boates e inferninhos regados a muito rock em busca de sua sorte grande. E é em uma dessas “baladas” que conhece o produtor musical Kim Fowley e tentar convence-lo de que sua idéia é boa. Fowley, fisgado pela novidade, apresenta Joan para Sandy, futura baterista do Runaways, e a partir dai a tragetória da primeira banda feminina de sucesso é contata.

Paralelamente ao desenvolvimento da carreira das meninas, o desabrochar da sexualidade (tenha em em mente que as meninas são ainda muito novinhas, nos seus 15 – 16 anos) na adolescencia, os primeiros contatos com álcool e drogas, paixões, vida familiar conturbada sem falta de exemplos sólidos (pai alcóolatra, mãe fujindo com namorado pra Indonésia, etc.) entre outros fatores somam-se nesta aventura musical para compor um enredo muito interessante.

Uma excelente trama, bem amarrada e com personagens fortes amparados por uma boa história. Uma cinebiografia da primeira banda feminina a fazer sucesso. Boas atuações de Dakota Fanning e Kristen Stewart (sim as menininhas cresceram e colocam uma forte dose de emoção em suas personagens) e personagens secundários que conseguem criar histórias paralelas para ambientar o filme. Enfim, uma boa aposta para quem gosta de cinema de qualidade e musica, principalmente.

Está dada a dica! Bom filme a todos!

sexta-feira, 11 de março de 2011

Taburno Falanghina DOC 2006

Desta vez trago ao blog um exemplar italiano de primeiríssima, em minha modesta opinião, que é produzido na região de Torrecuso, na província de Benevento, próximo da Campania italiana com uvas falanghina, até então desconhecidas por mim. Diz a lenda que esta uva apareceu primeiramente na Grécia e que era muito apreciada por romanos e seus gladiadores, sendo os primeiros responsáveis por levá-la para a Itália, espalhando o cultivo destas uvas por todo o centro sul da mesma.

A história da Fattoria La Rivolta, produtora do vinho, data de 1812 desde quando a família Cotroneo começou a possuir propriedades na região, que mesmo após a morte das gerações mais antigas e posteriores divisões dos terrenos/vinhedos entre herdeiros mais novos, surgiu forte no mundo vitivinícola em meados dos anos 90 con a unificação dos vinhedos e propriedades. A partir dai, com muito esmero e dedicação, em 2001 a vinícola obtém o título de produção biológica, aderindo aos conceitos mais atuais deste tipo de produção. Embora ainda não tenha muito conhecimento sobre este assunto, do pouco que pude compreender, a produção biológica tem como premissas o não uso de agrotóxicos e produtos químicos para plantação/tratamento dos vinhedos, colheita manual, entre outras. Quando tiver mais conhecimento e confiança, escreverei mais sobre aqui no blog, fiquem ligados.

Voltando a falar um pouco sobre o vinho, este exemplar é produzido com uvas 100% falanghina colhidas manualmente em meados de outubro. Após a colheita são fermentadas em cubas de inox por aproximadamente 15 dias em temperaturas na faixa de 14 a 17º C. Não existe informação sobre envelhecimento em barricas, mas alguns aromas ao menos sugerem que isto tenha ocorrido. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor dourada, quase âmbar muito brilhante já se mostrando ser um jovem senhor. Lágrimas grossas, espassas e sem cor alguma.

No nariz o vinho se mostrou muito complexo. Abriu com uma nota muito gostosa de frutos brancos em calda, alguma coisa também defrutos secos tamanha sua maturidade. Logo em seguida pude ainda sentir aromas de mel, amendoas e manteiga derretida. Tudo muito exuberante e fragrante! Mais algum tempo em taça e era possível sentir algo floral. Prometia muito!

Na boca o vinho confirmou toda sua complexidade e evolução. Era gordo, untuoso e preenchia cada espaço da boca. Possuia uma acidez muito boa e viva em desparate com sua idade, o que demontra muita qualidade do vinho. Trazia na boca lembranças das frutas em calda quase doces e ainda um toque floral. Final de média persistência muito agradável, quase doce mas sem exageros.

Um belo vinho, comprado em uma promoção na D’Olivino (provavelmente por que a safra estava no seu final e o vinho provavelmente já entraria em uma curva descendente de evolução) o que fez valer a pena. Se tiver este vinho em casa eu recomendaria consumi-lo logo, pois não existe perspectiva para evolução positiva e você pode correr o risco de que o vinho venha a se deteriorar daqui pra frente. Mais do que recomendado. Pretendo procurar a safra mais jovem (2009) para comparação.

Saúde!

quinta-feira, 10 de março de 2011

Viu Manent Carmenére Reserva 2008

 Destaque na foto para a Milena, minha namorada, que posou de fundo para a foto.


Desde minha última experiência de um vinho chileno desta uva com costelinhas de porco ao barbecue resolvi fazer um tira teima e verificar se realmente era um casamento perfeito. Mas desta vez acabei por me decepcionar. É bom reforçar que não existe qualquer legislação vigente nos países do novo mundo com relação a inscrição “reserva” no rótulo e que isto não é indicativo de qualidade. Talvez o vinho realmente não tenha a qualidade do degustado anteriormente mas enfim, vamos as impressões deste exemplar, produzido com uvas 100% carmenére do Vale do Colchágua, no Chile.

O vinho apresentou em taça uma cor violácea bem forte, impenetrável e brilhante com quase nenhuma transparência. Lágrimas finas, abundantes e sem qualquer cor.

No nariz o vinho apresentou um aroma químico, que lembrava acetona. No fundo havia um lembrança de frutas vermelhas frescas e ligeiro especiado, lembrando pimentas. Alguma coisa de tostado apareceu depois de um tempo. O vinho parecia estar muito fechado. O álcool (14,5%) também sobressaiu um pouco, dificultando um pouco a identificação aromática. Talvez o vinho precisasse ser decantado/aerado por um período a fim de mostrar todos seus aromas.

No palato o vinho se apresentou um pouco melhor, mostrando mais fruta e extrato. Final com leve tostado aparecendo. Apesar disso, o vinho pareceu deveras ligeiro, com persistência de curta para média. Taninos finos, de boa qualidade e álcool sobrando um pouco também na boca, sensação esta que foi diminuindo com o tempo, talvez comprovando a tese de que a decantação/aeração fizessem bem a este vinho.

Enfim, o vinho não foi o que eu esperava e por isso, espero ter outra oportunidade de prová-lo pois sempre ouvi muita coisa boa a respeito da Viu Manent como uma das principais vinícolas chilenas. Mas desta vez não me agradou. Tentarei uma próxima com mais cuidado, aeração/decantação e vamos ver o que acontece.

Saúde.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Cumbres Andinas Carmenére 2005 Reserve

Mais um chileninho pro blog, este degustado no último final de semana em conjunto com uma bela costelinha de porco ao molho barbecue. E vou dizer uma coisa, meu gosto pessoal, ficou show de bola. Preciso testar mais alguns carmenéres pra ter a certeza de que funciona, mas especificamente falando deste vinho, foi que foi uma beleza.

Falando um pouco sobre a vinícola Butron Budinic(produtora do vinho), a mesma possui 5 grupos de vinhedos no Vale do Cachapoal, no Chile e estes diferem entre si quanto a distância que se encontram da cordilheira(onde a influência das correntes marítimas vindo do pacífico e as frias vindas da cordilheira tem mais ou menos ação sobre eles), tipo de solo, condições climáticas, etc, podendo então dizermos que possuem 5 “terroirs” diferentes criando condições muito boas de diferença de temperatura entre o dia e a noite, bons para a obtenção de uma melhor maturação das uvas e vinhos de qualidade. A vinícola é uma propriedade familiar que já está na terceira geração de “vitivinicultores” no mundo do vinho chileno, e além de muita experiência possuem grande apreço pelo que fazem.

Sobre o vinho em questão, o mesmo tem suas uvas constituintes colhidas manualmente de vinhas de aproximadamente 15 anos de idade (90% carmenére, 6% malbec e 4% cabernet sauvignon), em solos de aluvião com muitas pedras, proporcionando boa drenagem, retenção de calor entre outros pontos positivos além de contar com um clima mediterrâneo amplamente influenciado pela cordilheira. Além disso passa por envelhecimento em carvalho americano novo. Vamos as impressões sobre ele.

Na taça o vinho apresentou uma cor vermelho rubi bem escura com bordas atijoladas. Muitas lágrimas, lentas e incolores.

Ao nariz o vinho se mostrou bem complexo abrindo com aromas de frutas vermelhas maduras destacando-se um toque de cereja no álcool, quase como um licor e morango. Ao fundo, muita especiaria com estaque para pimenta branca e um leve toque animal (embora não tenha conseguido decifrar ao certo) completavam os aromas.

Em boca o vinho apresentou taninos finos e de qualidade, quase doces e elegantes. Trouxe de volta o frutado no retrogosto e alguma coisa de canela/cravo da índia. Leve tostado ao final completavam o vinho. Longa persistência do bom extrato e sem presença de amargor.

Mais um bom vinho trazido pela Vinea, que compõe aquele quadro para o dia a dia pois não são caros. Valeu a dica.

terça-feira, 1 de março de 2011

Apresentação Viña Pérez Cruz na Bacco's

Nesta segunda feira alagada em São Paulo fui agraciado com uma oportunidade excelente: recebi um convite através do Marcelo Di Morais, blogueiro e apresentador do programa bomdivinho, para participar da apresentação da vinícola chilena Perez Cruz na loja Bacco’s. Os vinhos estão sendo trazidos ao Brasil agora pela importadora abflug, cujo portfólio ainda restrito mostra que o trabalho é galgado em vinhos de muita qualidade. A oportunidade de conversar com muitas pessoas que conhecem vinhos, que trabalham na área e mais, com o enólogo que trabalha na vinícola é inexplicável. Graças a deus consegui chegar ao local alguns minutos antes do horário marcado, sendo recebido com uma bela taça de prosseco di baco e uma bela mesa de frios. Falarei um pouco sobre o evento e sobre a viña nos próximos parágrafos.

A vinícola Pérez Cruz é um projeto de família, imaginada em memória ao patriarca por sua esposa e seus onze filhos. Os vinhedos da Perez Cruz se encontram no Vale do Maipo, a 45 km a sudeste da capital Santiago aos pés da Cordilheira dos Andes. O clima pode ser considerado mediterrâneo onde temos chuvas no inverno com temperaturas baixas moderadas e um verão quente e seco. A influência da cordilheira se faz sentir nas correntes mais frias que ajudam a resfriar os vinhedos durante o verão principalmente, onde podemos ter deltas de temperatura de até 15o C. Solos aluviais provenientes de águas de degelos dos Andes, muito pedregosos e de boa drenagem fecham o “pacote” do terroir envolvido. Todas essas características fazem com que a propriedade consiga uma excelente maturação de suas uvas. A bodega optou por trabalhar somente com uvas e vinhos tintos, o que se mostrou acertado dada a qualidade de seus vinhos.

A palestra foi marcada por uma breve apresentação da vinícola por parte do enólogo Pablo Fuentes, que falou sobre a vinícola, localização, uvas plantadas, a propriedade e afins. Depois, entrou na linha de vinhos com a qual a vinícola trabalha, fazendo uma degustação crescente, desde a linha mais básica aos vinhos ícones da vinícola, no caso o Liguai e o Quelen. A medida com que degustávamos os vinhos tinhamos espaço para trocar idéias e impressões entre nós e com o enólogo. Além disso, Rodrigo o sommellier da loja, sempre muito solícito esteve presente a todo momente e fez questão de degustar junto conosco os vinhos, mesmo já os conhecendo. O ambiente era muito agradável e todos participaram ativamente da degustação.

Os vinhos eram, na ordem da degustação:

1 – Perez Cruz Cabernet Sauvignon: composto por 91% de uvas cabernet sauvignon, 6% merlot, 2% Syrah e 1% de Carmenere (apesar de ser vendido como varietal cabernet) este vinho é um pouco diferente dos cabernets sulamericanos tradicionais, mais leve e muito frutado, lembrando ainda pimenta e leve tostado ao fundo ainda com seus taninos muito redondos. Apesar dos 14,5% de álcool esta potência não era sentida em boca;

2 – Perez Cruz Limited Edition Côt: composto por 91% de uvas cot (malbec) , 4,4% de carmenére e 4,3% de Petit Verdot este vinho também é diferente de seus parentes argentinos e não é aquela porrada na boca. Com lembranças de especiarias e frutos negros mais maduros, tem aquele aroma de violeta característico da casta tendo ainda uma excelente acidez, que dava sustentação pro extrato em boca;

3 – Perez Cruz Limited Edition Carmenére: composto de 92% de uvas carmenére, 5% de Syrah e 3% de Petit Verdot este vinho apresentou aquela picância característica da casta no nariz, lembrando pimenta, além do fundo especiado e frutas vermelhas quase em compota. Mais encorpado que os anteriores, se mostrou muito gastronômico também de seu frescor proveniente de sua boa acidez e leve mineralidade, atrelada ao terroir (segundo o enólogo). Aliás, todos vinhos apresentaram em maior ou menor intensidade, traços minerais. Foi um dos pontos altos da noite, em minha modesta opinião;

4 – Perez Cruz Limited Edition Syrah: composto por ....este vinho não estava previsto na degustação, mas atendendo a pedidos do enólogo foi incluido. Este vinho recebeu 92 pontos de Robert Parker e mostrou a potência da casta. Muito gastronômico este vinho trazia lembrança de frutos negros maduros sobre um fundo especiado me lembrando pimenta branca e ainda chocolate. Final longo e extremamente elegante este vinho também agradou muito;

5 – Liguai: composto por uvas Syrah (43,5%), cabernet sauvignon (34,8%) e carmenére (21,7%) este corte é o primeiro vinho top da casa. Trás no nariz aromas de frutos vermelhos maduros, pimenta, algo vegetal e chocolate/café. Muito corpo, taninos sedosos, redondos e com um final longo e persistente mostram um vinho pronto pra beber mas tb com certo potencial de guarda;

6 – Quelen: composto por uvas petit verdot (44%), carmenére (29,7%) e cot (25,9%) este corte pouco usual por possuir maior porcentagem de petit verdot quase lembra um bordeaux tamanha sua elegância. Mesmo tendo ficado no decanter por duas horas, seus aromas começam de forma muito discreta. Aos poucos se revelam nuances de  frutas vermelhas, especiarias, um pouco de tabaco e claro aquele toque mineral característico da vinícola. Tudo muito sutil e elegante, assim como os taninos finos e sedosos, quase doces. Final longo, persistente e muito frutado. Claro que foi o mais aclamado ao final da noite. Detalhe: este vinho recebeu 94 pontos Parker.

Vinhos de muita qualidade, pessoas muito bacanas e um local extremante elegante fizeram da noite chuvosa e alagada de segunda feira uma noite muito agradável e de aprendizado, como o vinho deve ser. Mais uma vez gostaria de agradecer ao Marcelo pela dica e a Luiza, gerente da Bacco’s, pela atenção durante a degustação. Espero ter a oportunidade de muitas outras pois a loja é muito séria, conta com excelentes profissionais e trata o cliente de uma forma muito agradável.

Quem quiser maiores informações sobre a loja, a vinícola ou do próprio Marcelo, os links seguem abaixo:
www.baccos.com.br
www.marcelodimorais.com.br
www.perezcruz.com

Saúde!