sábado, 23 de abril de 2011

Cuvée Saint QVinis 2004

Que Provence é conhecida por seus vinhos rose, nós enófilos já sabemos. Mas é muito interessante quando encontramos vinhos diferentes destas regiões, fugindo deste tradicional. E é isso que irei descrever neste post. Este exemplar é tinto e vem da AOC Coteaux Varois en Provence e tem a seguinte composição: 50% Syrah, 40% Grenache e 10% Cabernet Sauvignon. Esta AOC cobre a porção mais central de Provence, protegida pelas montanhas de Sainte-Baume dando uma temperada no clima mediterrâneo comumente presente na Provence e diminuindo um pouco a temperatura na região. O mais curioso é que a região só ganhou status de AOC em 1993. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma cor rubi brilhante, com boa transparência e lágrimas finas, rápidas, incolores e em grande quantidade.

No nariz o vinho se mostrou bem elegante, com aromas de frutas vermelhas frescas, muita especiaria (pimenta do reino e pimenta branca) e um fundo tostado. Tudo muito discreto e em seu lugar.

No palato o vinho mostrou ainda mais sua elegância, confirmou tudo que apresentou no nariz de maneira muito integrada. Mostrou ainda taninos firmes, finos e de qualidade. Finalmente, pela idade que o vinho tinha, apresentou muita vivacidade com uma acidez muito interessante. Muito velho mundo mesmo!

Saúde!



sexta-feira, 22 de abril de 2011

Grainha Branco 2008

Normalmente a sexta feira santa é sinônimo de pratos a base de bacalhau na casa de muitas pessoas, cristãos ou não, principalmente pelo simbolismo adotado no país fundamentalmente católico. E aqui em casa não poderia ser diferente e a receita é a padrão: feita no forno, com batatas, pimentões, cebola, alho, azeitonas e muito, muito azeite de boa qualidade. E uma oportunidade única para a escolha de um bom vinho para acompanhar a refeição. Como o prato tem sotaque português, procurei um vinho de mesma ascendência para harmonizar. E o escolhido da vez foi um branco proveniente do Douro, o vinho Grainha Branco.

A região do Douro é famosa principalmente pelo vinho do Porto, mas é muito mais do que isso. Ultimamente a região tem sido reconhecida pela qualidade de seus vinhos não fortificados. De uma região improvável para o cultivo de qualquer agricultura, em virtude das grandes inclinações de seus terrenos, o Douro conseguiu transformar os terraços de vinhas em paisagens cinematográficas. E mais do que isso, se tornou uma das regiões emblemáticas de Portugal para o mundo.

Sobre o vinho, a maior curiosidade a meu ver é o nome do vinho, Grainha, que na verdade significa semente das uvas. Durante o processo produtivo as grainhas (sementes) são separadas do mosto antes da fermentação a fim de evitar que sejam extraídos proteínas, taninos, e outros componentes das mesmas. O rótulo trás ainda a palavra grainha escrita em diversos idiomas. Ainda sobre o processo produtivo, a seleção das uvas é manual em tapete de escolha, na entrada da adega. Depois disso, é feito o desengace total e prensagem direta das uvas brancas. Cerca de 50% do mosto fermenta e estagia seis meses em barricas novas de carvalho francês, sofrendo battonage semanal. O restante fermenta em inox a baixa temperatura. Finalmente o vinho tem em sua composição as seguintes castas: 25% Gouveio, 25% Viosinho, 25% Rabigato, 15% Boal, 10% Arinto. Vamos às impressões.

Na taça apresentou uma bonita cor dourada, límpida e brilhante, com poucas e lentas lágrimas incolores.

Ao nariz o vinho se apresentou tímido de começo mas com pouco tempo e mtaça mostrou toda sua complexidade. Abriram-se notas de frutas cítricas, mel, amêndoas e ao fundo, um leve tostado. Nada muito gritante mas denotando boa complexidade.

Na boca o vinho se mostrou gordo, untuoso e preenchendo bem toda a mesma. Confirmou as notas cítricas, mostrando ainda alguma coisa de mineral com um final quase salgado, se vocês podem me entender. Acidez muito viva mantém o frescor do vinho, que se mostrou um pouco quente também, de início, sensação esta que diminuiu com o tempo.Casou bem com o bacalhau preparado aqui em casa.

Mas um bom vinho, de um país que eu já devo ter comentado por aqui ser um de meus preferidos, pelo excelente custo benefício que sempre apresenta em seus vinhos. Este foi adquirido na importadora Vinea por meio de suas degustações semanais aos sábados. Valeu a compra.

Saúde.



Expovinis está ai!

Enófilos de plantão, preparai-vos! De 26 a 28 de abril teremos o maior evento de vinhos na América Latina que já está em sua 15a edição aqui no Brasil.

Como já é sabido e está sendo amplamente divulgado em diversos meios de comunicação, em especial na internet, o evento é sem dúvida um dos maiores que acontecem do setor. O crescimento do mercado de vinhos no Brasil é dado a passos tímidos é verdade, mas sempre pra frente. E é inegável que eventos como este são catalisadores para impulsionar este mercado. Afinal de contas, em um mesmo local teremos profissionais do setor, importadores, apreciadores, mídia especializada, e por ai vai. Além disso, é uma oportunidade única de passearmos por todas regiões vinícolas do mundo e seus grandes representantes.Finalmente as oportunidades de negócio são imensas!!

Algumas informações básicas são:

1 - O evento se dará no Expo Center Norte – Pavilhão Vermelho;

2 - Os horários de visitação são:

26 de Abril
Profissional → 13h00 – 21h00

27 de Abril
Profissional → 13h00 – 21h00
Consumidor → 18h00 – 21h00

28 de Abril
Profissional → 13h00 – 20h00
Consumidor → 18h00 – 20h00

3 - Preços:
Entrada sem Taça*: R$ 40,00
Entrada com Taça*: R$ 50,00
Entrada Estudante sem Taça*: R$ 20,00
Taça* Avulso: R$ 30,00

Eu ainda não tive a oportunidade de ir a este evento em nenhuma das edições anteriores e infelizmente não poderei comparecer de novo mas, gostaria de ouvir a opinião de todos sobre, como foi a visita, valeu a pena, destaques, etc.

Para aqueles que forem, boa visita e para aqueles que como eu não poderemos ir, só resta aquela pontinha de inveja, mas invejinha boa ok?

Saúde!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Educated Guess Cabernet Sauvignon 2006

Desde que comecei a me envolver mais no mundo dos vinhos eu descobri os clubes de vinhos. Sim, quase como confrarias, você se associa a um deles e em determinados períodos (mensalmente, bimestralmente, etc.) recebe de duas a seis garrafas de vinho (depende do clube ao qual se associou, sua possibilidade de pagar por mais ou menos, etc.) escolhidas pelo enólogo da loja/importadora/gestora do clube, geralmente por preços promocionais tendo em vista os preços praticados no mercado de uma forma geral. Depois de muito pensar e estudar um pouco sobre resolvi me associar ao SmartBuy Club, da importadora SmartBuy Wines. Já recebi duas remessas, que são bimestrais e constam de três vinhos cada mas ainda não havia provado os vinhos, até este final de semana. E é sobre um deles que gostaria de falar.

Primeiramente gostaria de falar um pouco sobre a importadora, que tem como diferencial o foco principalmente em vinhos californianos, mas que também trabalha com algumas vinícolas de outras regiões do mundo. O fato é que os vinhos por ela trazidos são normalmente muito bem vistos pela crítica mundial (inclusive com boas pontuações, geralmente 90 ou mais pontos) e normalmente com preços relativamente competitivos se levarmos em conta os preços praticados em nosso mercado. Além de tudo a importadora se utiliza de muito bom humor e relembra a época da lei seca nos EUA, brincando com o fato de que seus vinhos possuem preços mais camaradas por serem fruto de contrabando, utilizando inclusive embalagens disfarçadas de embalagem de material de escritório para a entrega dos vinhos em nossa residência. Por enquanto, tenho tido boas experiências com eles.

Voltando um pouco pro vinho propriamente dito, este exemplar veio diretamente do Napa Valley, na Califórnia e produzido pela Vinícola Roots Run Deep. Fundada em 2005, a vinícola se propõe a fazer vinhos sem paralelos produzidos na região mas que possuem preços mais módicos e de maior acessibilidade do que suas concorrentes. A linha Educated Guess é a linha de lançamento da vinícola e também já pode ser considerado sua linha mais icônica. Uma curiosidade é que o nome vem da expressão mais ou menos como “chute aproximado”, ou seja, quando você não tem muita certeza da decisão mas levando em conta alguns parâmetros, pode fazer um chute mais certeiro por assim se dizer. Dizem na vinícola que esta idéia veio pelo enólogo que dizia que muitas variáveis podem afetar a qualidade de um vinho e que desta maneira ele fazia alguns chutes aproximados quando formulava os vinhos. Outro destaque é o rótulo do vinho, que trás algumas fórmulas e equações químicas advindas do processo produtivo do vinho, induzidas ou naturais, e que mostram onde muitas vezes o enólogo pode fazer seu “educated guess”. Sem mais lenga lenga, vamos ao vinho.
O vinho tem uma composição deveras curiosa. Apesar de ostentar o nome da cabernet sauvignon no rótulo (85%), possui ainda 12% de merlot, 3% de Petit Verdot e 3% de Cabernet Franc. Esta composição varia de acordo com a safra. Preciso verificar se existe alguma legislação sobre isto nos EUA. Além disso o vinho estagiou por 12 meses em carvalho francês e americano, sendo que destes 60% eram novos.

Na taça mostrou uma coloração rubi violácea bem concentrada, levemente transparente, muito brilhante e bonita. Lágrimas finas, abundantes e coloridas tingiam a taça mostrando ainda muita potência frente aos 5 anos do vinho.

No nariz o vinho se mostrou deveras exuberante. Abriu com um belo aroma de frutas, lembrando cereja e cassis. Depois de um tempo podia-se sentir um toque de especiarias, detacando-se pimenta e também um pouco de baunilha. Aliás, depois de mais um tempo em taça esta baunilha evoluiu para algo perto de capuccino e abriram ainda um leve tostado e lembrança de alcaçuz. Muito interessante este nariz!

Na boca o vinho se mostrou com bom corpo, taninos finos, aveludados, de muita qualidade. Acidez e álcool balanceados, sem que qualquer um dos dois se mostrasse mais que o outro. Confirmou na boca o frutado, a baunilha e o final tostado, bem leve e sem apresentar qualquer amargor residual. Muita personalidade que só foi melhorando com o tempo em que passou em taça. Casou lindamente com uma rabada preparada neste domingo em casa, reduzida também num molho de tomate e vinho.

Excelente início com os vinhos da SmartBuy e mais ainda com os cabernet californianos, pois ainda não tinha tido a oportunidade de provar. Mais do que aprovei e recomendo! Estou muito curioso com os demais vinhos enviados pela importadora. Assim que prová-los, conto a experiência pra vocês.

Saúde!

domingo, 17 de abril de 2011

Collines de Granit Gewurztraminer

Aproveitando um final de semana extremamente quente em sampa, mesmo fora de época, aproveitei pra experimentar um vinho branco que estava em minha adega. Desta vez o escolhido foi um exemplar alsaciano, feito 100% com uva gewurztraminer.

A Alsácia talvez seja, juntamente com Chablis (na Borgonha), uma das mais conhecidas áreas de produção de vinhos brancos do mundo. O fato curioso sobre a região é que a mesma foi alvo de intensas disputas entre França e Alemanha por seu domínio e talvez até hoje os habitantes da região ainda não tenham muita certeza de qual lado eles pertençam. É possível notar a influência alemã, por exemplo, no formato das garrafas, nas variedades de uvas plantadas e nos sobrenomes locais. A produção de vinhos da Alsácia se diferencia da produção das outras regiões da França pois os vinhos são, na grande maioria varietais, e tem o nome da viariedade das uvas utilizadas no rótulo, como o exemplo deste que é Gewurztraminer.

Falando um pouco mais sobre o produtor, o fato curioso é que desde 2001 o Domaine Frey se utiliza de técnicas biodinâmicas em seus vinhedos/vinhos, tendo especial cuidado com o solo e o cultivo das uvas com pouca ou nenhuma interferência humana e muito menos de produtos químicos em geral. Além disso, fatores como a luz, temperatura e outros são levados em conta em cada etapa do processo de plantio, colheita, produção do vinho e assim por diante. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma linda coloração amarelo dourado bem claro, límpida e muito brilhante. Lágrimas bem viscosas, lentas e grande quantidade.

No nariz o vinho se mostrou exuberante. Abriu com um aroma floral muito intenso, seguido por frutas como lichia e manga. Para finalizar, aromas de mel com própolis, aqueles iguais aos dos sprays que utilizamos para tosse, sabem? Tudo muito intenso!

Na boca o vinho se mostrou untuoso, gordo, preenchendo cada espaço da boca. Confirmou o nariz e teve um toque especiado, lembrando ainda mais a picância do mel com própolis detectado no nariz. A única ressalva porém eu faria com relação a acidez, que a meu ver ficou devendo um pouco para aumentar por exemplo a permanencia em boca, que foi de média para menos com final quase doce.

Mais um bom exemplar francês trazido pela Cave Jado, que mostra a cada vinho que eu experimento que tem excelentes mãos para garimpar vinhos honestos a preços honestos para nosso padrão de consumo. 

Saúde!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Em busca da casta perdida (ou não)

Ultimamente tenho lido muito que no mundo do vinho é incessante a busca por uma casta que se torne emblemática daquele país ou região como forma de alavancar vendas/marketing de um determinado país. E este assunto começou a me intrigar/instigar e comecei a ler muito, pesquisar e também discutir com amigos sobre quais suas opiniões sobre o assunto. Achei que daria assunto pra um post e aqui estamos. Eu sei que o trocadilho do título ficou horrível mas, estou tentando!

Quando este assunto vem a mente, não podemos deixar de citar três casos que pra mim são emblemáticos no quesito sucesso quando se fala do uso de uma casta como representante maior de um país e/ou região, que são eles: a malbec na Argentina, a carmenére no Chile e a pinotage na África do Sul. Muitos incluiriam um quarto caso ai, mas eu ainda não consegui reunir suficiente conhecimento/informações para julgá-lo então deixarei ele um pouco de lado, neste caso a história do Uruguai e a uva tannat. Nos três primeiros casos é nítido que todo o esforço para a celebração em torno de uma uva como icônica do país gerou um retorno, tanto de qualidade em alguns vinhos mas também de público que comprou a idéia e já tornou tais países sinônimos de “suas” respectivas uvas. Na Argentina, a malbec surgiu depois de ter sido devastada na Europa após a filoxera, caso semelhante ao da carmenére, que muitos diziam estar extinta. Já a pinotage é fruto de um cruzamento entre pinot noir e cinsault, tendo se adaptado muito bem no continente africano e gerado vinhos muito interessantes. Nestes casos, entendo que a escolha de uma uva símbolo é benéfica, porém com ressalvas. Ou você nunca provou um excelente cabernet sauvignon argentino, um fresco e cítrico sauvignon blanc chileno e assim por diante?

Por outro lado vejo uma discussão acalorada e, até o momento sem vencedores, sobre Portugal e a touriga nacional. De um lado aqueles que defendem que esta casta deva ser usada para mostrar ao mundo o quanto os vinhos de Portugal saltaram em qualidade, de outro os defensores dos “terroirs” portugueses, como o Dão, Bairrada, Alentejo e assim por diante. E acho que desta vez eu estou do lado dos que defendem a diversidade para Portugal. Como poderíamos deixar de lado os potentes vinhos de Bairrada da uva baga? Ou os lindos e aromáticos cortes utilizados pelos produtores do Alentejo? Ou mesmo como esquecer das muitas (e ponha muitas nisso) outras castas autóctones portuguesas que tem se mostrado muito ricas e gerado excelentes vinhos? E o que dizer dos vinhedos de vinhas velhas, onde é muito difícil que se possa separar qual uva está plantada no local?

Ainda do lado das discussões intermináveis e sem vencedores, eu poderia citar o Brasil também. Muitos defendem que seríamos o país da Merlot, pois segundo especialistas (ou nem tanto) a uva tem se adaptado de forma muito interessante em alguns locais principalmente do Rio Grande do Sul e por isso, poderíamos nos basear nisto para alçarmos esta casta como a mais emblemática no Brasil. Mas, pensem comigo, e no caso do nosso clima extremamente tropical, muito calor ao longo do ano e nossos espumantes de muito boa qualidade? Seriam simplesmente esquecidos em virtude da Merlot? Eu, como consumidor e estudioso, entendo que não. Creio que o salto de qualidade e os investimentos devem sim estar direcionados na confecção de espumantes cada vez melhores e por que não no desenvolvimento de novos “terroirs” como São Joaquim, em Santa Catarina que tem se mostrado um excelente local para elaboração de vinhos de qualidade, na minha opinião.

O post pode parecer meio “sabonete” e não pender pra lado nenhum. Mas este é mesmo o intuito deste “artigo”. Eu quero mesmo é sucitar a discussão e a troca de informações com meus leitores, amigos, visitantes, etc. E vocês, qual suas opiniões sobre o assunto?

Viva a diversidade!

terça-feira, 12 de abril de 2011

Domaine Ellevin Chablis 2008

Esta é minha primeira incurssão pelo mundo de Chablis, na Borgonha (os vinhos provados e usados nas aulas de sommellerie não contam). Talvez este seja um dos mais famosos vinhos brancos do mundo, se não o mais famoso. E preciso dizer que, como iniciante e munido de grande curiosidade, não me decepcionei.

Falando um pouco sobre a região em si, a Borgonha pode ser considerada uma das regiões vinícolas mais elegantes do mundo e Chablis, a mais emblemática para vinhos brancos. A uva utilizada se resume na Chardonnay. Solos calcários, muito limestone e clima continetal com seus verões secos criam um ambiente rico em drenagem, auxiliando a maturação das uvas. Por outro lado,alguns percalços tem que ser combatidos, dependendo da safra, como as geadas no inverno e as constantes variações nas quantidades de sol e chuva durante as demais estações. De qualquer maneira, podemos dizer que ao lado de Bordeaux, a Borgonha (e por que não Chablis) é uma das mais conhecidas regiões vinícolas do mundo e a variação do terroir (inclinação dos terrenos, exposição ao sol, etc é quem dita as características mais marcantes em seus vinhos. Além disso, a classificação de seus vinhos é também bastante vasta, variando de uma denominação comunal Chablis até seus vinhos tops nos grand crus e premier crus (qualquer dia faço um post tentando explicar como funciona estes critérios de classificação na França).

Deixando de lado um pouco da teoria, vamos as impressões sobre este vinho. Na taça ele apresentou uma linda cor amarelo tendendo para dourado, com lágrimas finas, abundantes e incolores.

No nariz o vinho começou a se mostrar. Bastante complexidade abrindo com aromas de pêssego, muito mel e alguma coisa de amendoas, nozes, não sei ao certo. Como pano de fundo muito mineralidade, lembrando giz e arreia de praia. Muito interessante, me deixou muito otimista para o que viria na sequência.

Na boca o ataque inicial foi de muita fruta, lembrando o pêssego do nariz, mas também alguma coisa cítrica, que eu não consegui identificar. Depois o mel apareceu e deixou o final com muita mineralidade, como se eu tivesse comendo areia de praia. Muito engraçada a sensação, mas ao mesmo tempo espetacular. Acidez muito bacana, fazendo com o que o final fosse de média duração. Vinho bastante untuoso, preenchia bem a boca como um todo. Pedia sempre o próximo gole.

Não sei se foi sorte, falta de conhecimento ou seja lá o que for mas a verdade é que eu gostei muito desta minha primeira incurssão no mundo de Chablis e seus vinhos. Este exemplar foi adiquirido na Cave Jado, e como sempre, valeu e muito o investimento!!

Saúde.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Bottle Shock

Continuando com meus estudos relacionados ao mundo do vinho era de se esperar que eu procurasse alguns filmes que se tornaram “must see” para os aficcionados pela bebida. Depois de  ter visto Sideways e Blood into Wine (ambos comentados anteriormente por aqui) era a vez de Bottle Shock. E foi o que eu fiz. Agora, compartilho com vocês minhas opiniões.

O filme em linhas gerais mostra a história, baseada em fatos reais, do evento chamado “Julgamento de Paris”, ocorrido na metade da década de 70 quando o especialista britânico Steven Purier, dono de loja e escola de vinhos em Paris, resolve voltar os olhos do mundo vitivinícola para o chamado novo mundo, mais especificamente para a produção norte americana de vinhos, e resolve criar um desafio ás cegas entre vinhos cabernet sauvignon e chardonnay franceses e americanos. Como resultado os vinhos americanos acabam vencendo a competição e uma grande revolução no mundo vitivinícola acontece. Finalmente o mito do solo sagrado francês havia sido derrubado.

Mas é claro que todo o filme fica permeado também por cenas mostrando como ainda era insípida e recente a produção de vinhos de qualidade nos EUA, mais precisamente em Sonoma e no Napa Valley.  Cientes de suas limitações, muitos produtores americanos na época até ficaram de certa forma até resignados e incomodados quando o britânico aparece em suas propriedades com o intuito de provar seus vinhos e fazer a seleção dos que irão integrar a competição.

Além disso, a história de Bo e Jim Barret é destrinchada, mostrando além da dedicação de Jim por seus vinhedos e produção de vinhos de altíssima qualidade dentro do Chateau Montelena, onde seu perfeccionismo quase os leva a falência até sua difícil relação com o filho Bo. Seu empreendimento vinícola é sua paixão e vida atualmente porém seu lado humano é muitas vezes marginalizado, fazendo com que quaisquer relações humanas que ele tente não saiam do papel.  Mas tanta dedicação acaba por ser recompensada com a vitória no julgamento.

Finalmente mas não menos importante, o filme é muito bem feito, conta com atuações consistentes e é claro, cria algumas hitórias paralelas a fim de entreter aqueles que não estam intimamente ligados ao mundo do vinho. E como funciona como conjunto! Acaba por nos entregar um drama convincente sobre superação, dedicação e a eterna busca pela perfeição.

Recomendo!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Salt

Estava procurando um bom filme de ação, para diversão mesmo sabe? E acho que encontrei. Final de semana passado tive a oportunidade de assistir a Salt, filme com mote de espionagem encabeçado pela bela Angelina Jolie e a boca mais conhecida no mundo do cinema atual.

Em linhas gerais o filme mostra um momento na vida de Salt, agente da CIA altamente respeitada na corporação e por seus superiores sendo resgatada da Coréia do Norte. Trabalhando normalmente depois de um tempo, uma revelação bombástica pode mudar para sempre sua vida e relação com todos que a cercam.  Um agente secreto russo se entrega para a corporação americana e comunica que um atentado ao presidente russo, em visita aos EUA, seria realizada por um agente secreto infiltrado e seu nome era Evelyn Salt. Preocupada com seu marido, Salt começa então uma fuga desesperada atrás de provar que é inocente. Ai cabe ao público assistir e juntar as peças pra dizer se ela é ou não inocente.

O filme é cercado de clichês do gênero, como por exemplo os russos como os bad boys pós guerra fria, a Coréia do Norte como nova ameaça ao mundo, traições e agentes secretos infiltrados, fantasmas da Guerra Fria, EUA como salvadores do mundo e por ai vai. Mas nem por isso deixa de ser interessante. A ação é recheada de tomadas rápidas, movimentos bruscos e cenas dignas de Missão Impossível. Mas é justamente isso que procuramos num filme pra nos divertirmos. E a dúvida com relação a inocencia ou não de Salt te prende ao filme.

Vale alugar e ter pouco mais de uma hora e meia de diversão.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

A Rede Social: O filme

Só agora tive oportunidade de ver o filme que mostra em parte a história por trás do que houve quando da fundação do fenômeno das redes sociais na internet, o Facebook. E só tenho uma coisa a dizer, o filme é muito bom, aliando a complexidade do personagem de Zuckerberg com as histórias que permeiam as suas relações humanas. O filme em linhas gerais mostra como surgiu a idéia da montagem da rede social Facebook, quem foram as pessoas envolvidas, os problemas que surgiram desta formação e os como os relacionamentos podem ser alterados com a percepção do que é bom e o que é ruim em determinados momentos de nossas vidas.

Na nossa adolescência é comum querermos ser aceitos nos grupos que se formam, seja na escola, na rua, no prédio e assim por diante. Nasce então uma necessidade de mostrarmos algo que muitas vezes não o somos. E é assim que surge a imagem de Zuckerberg, na primeira cena do filme, verborragicamente citando pessoas famosas que se fizeram notar dentre os muitos universitários frequentadores da Universidade de Harvard e de suas fraternidades para sua namorada até então. É claro que ele não é nem um pouco sutil e quer se fazer notar por seu QI muito acima do normal, o que acaba por irritar sua parceira. Depois de tomar um fora da mesma, existe uma cadeia de fatos que levam Zuckerberg a imaginar a tal rede social. Mas é claro que nada é tão simples quanto parece.

As fraternidades são muito comuns nas universidades americanas e dentro delas, cada grupo tem afinidades em comum. Existe aquelas que reunem grupos de poder aquisitivo semelhante, as dos atletas, dos nerds, etc. Independentemente do tipo, o aluno deve sempre passar por provações para que seja aceito e a rivalidade entre elas faz com que a palavra bulying, tão atual, venha a minha mente. Além disso, cada fraternidade quer sempre provar que seus membros são melhores que os das outras, sejam se aproximando de garotas, vencendo competições, etc. E é também neste cenário em que Zuckerberg se encontra.

Ainda na adolescência e começo da vida universitária passamos por muitas transições físicas e psicológicas que podem afetar para sempre a formação de nosso carácter. Então é comum que os frequentadores destas fraternidades estejam sempre em busca de sexo fácil e de mostrar suas conquistas para os colegas. Neste cenário uma grande aliada é a internet, onde a disseminação de informação, seja ela boa ou  ruim, acontece de forma muito rápida. É por exemplo o que acontece quando Zuckerberg sai do bar em que se encontrava com a agora ex-namorada e vem para seu dormitório bloggar e dividir suas “experiências” com os colegas, criando inclusive uma rede para que as garotas da universidade fossem comparadas e recebessem notas.

Por último porém não menos importante, o fator “grana” entra na jogada. E todos sabemos que muito dinheiro está envolvido em empreendimentos como este e que, por este motivo muitas mudanças podem ocorrer em antigas amizades, sociedades, ou mesmo na cabeça dos mais fracos e gananciosos. E isto também se mostra presente quando o empreendimento Facebook começa a crescer e investidores começam a se mostrar interessados em aportar grandes quantias de dinheiro em troca de ações e valorização de suas marcas.

E é neste mix de emoções, narrativas, reflexões e muita, mas muita informação rápida e dispersa (assim como na internet) que o filme se desenvolve e paralelamente a tudo isso, vemos também a disputa judicial por trás dos direitos para os co-fundadores do Facebook. A trama é muito bem amarrada por David Fincher e os personagens e atores ajudam a tornar a atmosfera muito intrigante, fazendo com que fiquemos ligados até o último minuto, tentando então descobrir qual será  o próximo passo.

Eu recomendo!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Brunello de Montalcino Camigliano 2003

Como não é todo dia que fazemos aniversário (ainda bem, levando em consideração ainda se pensarmos nesta possibilidade depois dos 30 anos) resolvi que seria hora de abrir um vinho que vinha guardando a tempos em minha adega e que havia ganhado de presente, por coincidência, no meu amiversário do ano passado. Sempre tive muita expectativa a respeito deste vinho pois desde que comecei a me interessar pelo assunto sempre ouvi falar muito dos emblemáticos Brunellos de Montalcino e a ocasião era especial e eu queria enfim coloca-lo a prova.

Oriundo da Toscana, região mais famosa da Itália na produção de vinhos e quiçá dentre as mais famosas do mundo, este vinho é feito com uvas 100% sangiovese (ou brunello, como são chamadas na região, sendo clones selecionados da sangiovese) dos melhores vinhedos da propriedade de Camigliano, que estão em terrenos que combinam floresta, montanhas e os vinhedos propriamente ditos, contando ainda com um clima mediterrâneo, quente e seco, e solo arenoso com uma boa porcentagem de lodo que ajudam a criar toda a atmosfera ideal para a cultivo e maturação das vinhas. Finalmente o vinho passa ainda por afinamento de 24 meses em barricas de carvalho e mais dois anos entre maturação em inox e garrafa antes de serem liberados para o mercado. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma cor bonita violácea já com alguns reflexos e bordas atijoladas, brilhante, límpido e de certa trasnparência já denotando alguma evolução. Lágrimas lentas, espaçadas e sem cor completavam o aspecto visual.

No nariz o vinho começou a se mostrar. Abriu com aroma de ameixas pretas, passando logo a seguir a exibir gostoso aroma de alcaçuz. Depois de mais algum tempo era ainda possível sentir algo de couro e muito herbáceo. Finalmente algo como carne defumada fechava o buquet aromático. Muito interessante. Detalhe principal é que deixei o vinho aerando por aproximadamente uma hora antes do consumo.

Na boca o vinho se mostrou muito elegante, corpo médio, taninos finos, presentes, de ótima qualidade, redondos e quase doces com uma acidez muito boa, dando sustentação ao vinho em boca. Confirmou ainda a ameixa preta, herbáceo e um leve tostato ao final.

Mesmo não sendo um vinho top dos tops se mostrou muito elegante, equilibrado, redondo e muito pronto para o consumo. Mostrou boa complexidade e fiquei extremamente satisfeito pois atingiu minhas expectativas. Um dos grandes vinhos que eu já tive oportunidade de provar. Fez a comemoração do meu aniversário ficar em grande estilo! Recomendo!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Blood into Wine

Descobri este documentário recentemente e embuido de muita curiosidade consegui assisti-lo ontem. Posso dizer que o filme é muito bom e além do que instiga muito a quem é apaixonado por vinhos e por música, a sempre querer mais. Além disso, rolou uma “química” comigo e com o filme pois desde que comecei a me interessar por vinhos, estudar e me aprofundar no assunto, vez em sempre bate uma vontade louca de trabalhar com isto. E este documentário fala sobre isso também. Vamos as impressões.

Em linhas gerais o documentário mostra as mudanças paulatinas na vida de Maynard James Keenan, músico vocalista de bandas de rock que começa a dividir seu tempo entre gravações, turnês e concertos e a fabricação de vinhos no estado do Arizona, nos EUA. Além disso o filme retrata todas as dificuldades que o mesmo enfrenta quando toma esta decisão e a curva de aprendizado de Maynard ao longo dos anos até a primeira produção comercial de seus vinhos.

Mas o documentário esconde outras camadas: o preconceito da população em geral com o consumo de vinhos (visto através do programa televisivo em que Maynard é entrevitado durante o documentário), a maneira como críticos e enófilos tratam a bebida, todo o ritual envolto no consumo de vinhos, falta de incentivo para o cultivo e produção da bebida em determinados locais, as pontuações e as alterações no valor agregado ao vinho que estes “números” trazem, etc.

Primeiramente Maynard busca terras no deserto do Arizona para cultivar suas uvas viníferas, o que por si só já soaria como loucura. Depois, sem qualquer conhecimento de viticultura, busca se associar a um cara, a quem ele chamar de mentor, que com seu conhecimento e experiência prévia com cultivo de frutas e viticultura, dá suporte a empreitada de Maynard. Some a isso a mudança de rockstar para viticultor na vida de Maynard, que faz com que ele sofra preconceitos com relação a isso. Por fim, a falta de incentivos do governo local até que o empreendimento progrida são mostrados ao longo do documentário.

Mas muito além de tudo descrito acima, o documentário quer é mostrar a paixão de uma pessoa pelo vinho, suas nuance e processos, toda a cultura e conhecimento envolvido no processo produtivo e a crença de que a uva é um fruto diferenciado e que depois da fermentação, sua complexidade não pode ser facilmente explicada. E quais são as dificuldades e consequências de levar para a frente este sonho. Vale a pena ver.