quarta-feira, 29 de junho de 2011

O que é um "bom vinho" para iniciantes?!

Quem de nós, que começamos a nos interessar por vinho, estudamos, fazemos cursos, lemos tudo que encontramos a respeito, participamos de eventos e degustações nunca se viu em uma discussão com alguém, conhecedor ou não de vinhos, sobre o que é um vinho bom.

Evidentemente que de maneira mais simples possível, vinho bom é aquele que você ao toma-lo tem prazer e gosta do que bebe. E isto se torna verdadeiro se seu único objetivo é beber o vinho, sem maiores implicações. Ou seja, tome um gole e deixe que você se decida sobre o gostar deste vinho. Mas se você tem uma intenção maior que simplesmente beber o vinho, e quer ao menos entender o que está bebendo, diferenciar sabores e aromas, a coisa pode ser um pouco mais complicada.

É claro que descobrir o que você gosta é sim um passo importante na degustação de vinhos, mas não é o único nem tão pouco o mais importante. Um julgamento rápido sobre vinhos não é o mesmo que compreender e avaliar o mesmo. Se você está degustando propriamente um vinho, da maneira correta, você será capaz de identificar o sabor principal do vinho, os principais aromas em qualquer vinho que você provar, você conseguirá identificar as características básica dos principais varietais de uvas e quem sabe identificar as características de alguns cortes das regiões principais no mundo. Mas, a meu ver o mais importante, você será capaz de identificar os problemas apresentados por vinhos mal feitos. 

E é ai que eu queria chegar. Basicamente apontar um vinho bem feito, de custo considerável acessível e que normalmente atende a vários paladares pode ser um indício do que os iniciantes já se dão por satisfeitos. A partir dai, começamos a experimentar mais e mais, expandir nossos paladares e o vinho bom de antes, passa a não o ser mais, e nossos conceitos mudam. Mas ai é assunto para um outro post.

E você leitor, qual sua opinião? O que é um vinho bom pra você?

Vinho para iniciantes: como identificar os aromas em um vinho?

Como iniciante e bom curioso que sou, estou sempre atrás de literatura e novas técnicas que me auxiliem a expandir minha habilidade (ou minimizar a falta desta) para degustar e compreender melhor os vinhos que bebo. Achei uma reportagem interessante na Wine Enthusiast com algumas dicas para nós iniciantes e resolvi compartilhar com vocês  juntamente com minhas experiências. Talvez eu crie mais de um post para que não fique muito longo e monótono. Tudo dependerá da aceitação do público, certo? Vamos ao que interessa.

A capacidade de "cheirar" e desembaraçar os fios que tecem sutis aromas em um vinho complexo é essencial para a degustação. Tente segurar o nariz quando você engolir um gole de vinho, você vai achar que a maior parte do sabor desaparece. Seu nariz é a chave para o seu paladar. Uma vez que você aprender a dar uma boa cheirada no vinho, você vai começar a desenvolver a capacidade de isolar sabores, perceber a maneira como eles se desdobram e interagem e, até certo ponto, atribuir linguagem para descrevê-los.

Este é exatamente o que os profissionais, aqueles que fazem o vinho, vendem, compram, e escrevem sobre o vinho são capazes de fazer. Para qualquer entusiasta do vinho, é a recompensa de todo o esforço.

Enquanto não há uma maneira certa ou errada para aprender a gosto, algumas "regras" se aplicam.

Em primeiro lugar, você precisa ser metódico e focado. Encontre a sua própria abordagem e a segui consistentemente . Nem todo copo ou garrafa de vinho que você consome deve ser analisada dessa maneira, é claro. Mas se você realmente quer aprender sobre o vinho, uma certa quantidade de dedicação é necessária. Sempre que você tem um copo de vinho na mão, torne um hábito de tomar um minuto para parar todas as conversas, excluídas todas as distrações e focar sua atenção na aparência do vinho, aromas, sabores e acabamento.

Você pode executar esta lista mental em um minuto ou menos, e vai ajudá-lo rapidamente a direcionar a bússola de seu paladar. É claro que beber um rosé gelado em um copo de papel numa festa de jardim não requer o mesmo esforço que mergulhar em um Bordeaux envelhecido servido em uma taça de cristal Riedel. Mas esses são os extremos do espectro. Tudo o que você irá encontrar provavelmente cairá em algum lugar no meio termo destas duas pontas.

Além disso, para todo aprendizado na vida é necessária bagagem para comparação. Portanto sempre que estiver na presença de flores, frutos e outros vegetais, cheire. No mercado, na feira. Crie uma biblioteca de aromas, que servirão de base para que você possa futuramente identificar os aromas. E pratique, muito mesmo!

Até o próximo.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Os vinhos europeus são superiores?

Vira e mexe esta é uma discussão que vemos acontecer por ai no mundo do vinho. De um lado, os defensores do velho mundo e seus vinhos normalmente mais elegantes, contidos e deixando transparecer mais as nuances da fruta e do outro lado os chamados vinhos do novo mundo, que normalmente apresentam aromas mais exuberantes, mais potentes em álcool e com um uso mais carregado de madeira muitas vezes sobrepujando a fruta. É claro que não podemos generalizar e separar o vinho nestes grupos mas invariavelmente acaloradas discussões saem deste balaio. E mais uma vez Matt Kramer da Wine Spectator nos brinda com um artigo brilhante sobre o assunto. Estou virando fã deste cara, pois o mesmo sempre escreve de maneira instigante sobre os assuntos que mais me interessam. Vamos a seu novo texto:

Os vinhos europeus são superiores? 

Esta questão não respondida sempre se esconde. É verdade? Devemos nos preocupar?

SALZBURG, Áustria - Enquanto me encontrava sentado em um café nesta  famosa cidade cosmopolita, bebendo um agradável vinho tinto austríaco (um Zweigelt, se você deseja saber), eu não pude deixar de refletir sobre uma questão que tem atormentado os americanos amantes do vinho  por décadas: os vinhos europeus são superiores?

Agora, antes de ficar todo irritado e com o peito cheio de orgulho nacional, permitam-me destacar que há 30 anos esta pergunta não era um pergunta de qualquer maneira. Mesmo a maioria dos produtores de vinho da Califórnia na década de 1970 concordavam que os vinhos europeus eram superiores comparados com os seus próprios esforços incipientes.

Lembro-me do recente Myron Nightingale, que era enólogo da Beringer Vineyards, bem como ex-presidente da Sociedade Americana de Enologia e Viticultura e um doce de cara também, reclamando sobre os preços cada vez mais elevados dos vinhos da Califórnia. "Se eu vou gastar 50 dólares em um vinho, que seja em um vinho europeu!" ele me disse.

Hoje, naturalmente, este tipo de aposta não é mais valida. Isso não é notícia. Mas eu não acho que estou sozinho entre os americanos (ou entre os australianos, neozelandeses, chilenos ou argentinos neste assunto) que viajaram para a Europa e descobriram-se encantados mais uma vez pela profunda cultura européia do vinhdo. Afinal, é a Europa que deu  a todos nós não apenas vinhas, mas também um vocabulário ("terroir", alguém?) e uma variedade de vinhos de referência que ainda estão por ai nos dias de hoje. De crédito onde é devido e estamos quites.

No entanto, a questão de saber se os vinhos europeus permanecem superiores ainda se esconde entre os amantes do vinho, mesmo aqueles cuja fidelidade está firmemente ligado à sua produção local, seja ele da Califórnia, da Austrália, do Chile, não importa. Em todos os lugares, há sempre a questão incômoda: "Não conseguimos melhorar?"

Então, enquanto eu me sentei naquele café em Salzburg, comecei a imaginar categorias possíveis, as melhores para se medir, como um fã de beisebol pesando os méritos individuais de uma equipe campeã em comparação com outras, se os vinhos europeus permanecem superiores. E se sim, onde eles se sobressaem? E se não, onde eles deixam a desejar? Por exemplo:
 
Variedade. Esta foi a primeira categoria que me veio à mente, mesmo porque a resposta esta tão facilmente à mão: os vinhos europeus são muito superiores quando se trata da enorme variedade. Como não poderia ser? Afinal, a Europa existe no jogo do vinho há milhares de anos. Eles desenvolveram um número incontavel de cepas Vitis vinifera. Eles tiveram igualmente inúmeras culturas altamente localizadas, que por sua vez criaram vinhos muito peculiares. Por exemplo, a Itália sozinha supera o resto do mundo combinado quando se trata de variedades de uva. Se é variedade de vinhos que você procura, você não pode bater a Europa.
 
Originalidade. Agora, aqui você acha que a Europa seria novamente o vencedor com um pé nas costas. Não tão rápido. Verdade, se levarmos apenas em conta os números absolutos, os vinhos europeus ganhariam em originalidade só por causa da variedade (veja acima). Mas se você permitir uma desvantagem, eles fazem isso no golfe, então porque não vinho? Você vai ver que os candidatos não-europeus estão definitivamente no jogo quando se trata de originalidade.

Na Austrália, por exemplo, você tem shirazes totalmente originais, Rieslings secos e Semillons, para citar apenas três. A Nova Zelândia veio com um Sauvignon Blanc que tomou o mundo pela tempestade com sua, você adivinhou, originalidade. Os Malbecs da Argentina são como nenhum outro em qualquer lugar. Comparados com os de Argentina, Malbecs franceses tomam um distante segundo lugar.

A Califórnia por sua vez também tem uma enorme quantidade de originais, começando com a Zinfandel e depois ampliando para uma gama de Cabernet Sauvignon que têm sido consistentemente, mesmo que de maneira contraditória, considerados indistinguíveis, até mesmo superiores, ao melhor de Bordeaux. E hoje, por mais improvável que isto possa parecer, a Califórnia agora entrega com profunda originalidade Pinot Noir de classe mundial. Vinte anos atrás ninguém, e certamente viticultores de fora da Califórnia, teria pensado que tal afirmação seria possível ou mesmo plausível contra a glória de Borgonha. No entanto, hoje é um fato. Ponto final. Idem devo observar para os  Syrah da Califórnia  em comparação com o benchmark original do Rhone.

A lista pode ser estendida para muitos outros locais (Washington, Oregon, Ontário, Colúmbia Britânica, Chile), mas você entendeu o cenário proposto.

Sim, os vinhos europeus ganham em originalidade graças à sua vantagem em enorme variedade. Mas a diferença não é tão grande quanto os "eurocentricos" possam imaginar.
Tecnologia de ponta. Este é o lugar onde a Califórnia e a Austrália simplesmente esmagam a concorrência europeia. Enquanto viticultores europeus de hoje são quase pródigos quando se trata de competência técnica, as tradições seculares da Europa  têm sido um empecilho para o emprego de tecnologia de ponta até muito recentemente.
Muitas das inovações técnicas agora são consideradas essenciais ou desejáveis para a boa vinificação em todos os lugares, tais como temperatura controlada, tanques de aço inoxidável e de irrigação por gotejamento, foram  utliizadas em primeira mão na Califórnia e na Austrália ou demonstradas em maior escala nos dois lugares. Da mesma forma que dispositivos de maior tecnologia como máquinas de osmose reversa, cones giratórios e concentradores a vácuo foram similarmente ou nascidos ou utilizados primeiramente em países não-europeus.

Até mesmo o emprego generalizado de pequenas barricas novas de carvalho, que são indiscutivelmente européias, tomou um grande baque por causa da Califórnia. Antes da década de 1980, produtores de vinho franceses raramente, e a contragosto, comprovam barricas novas de carvalho. Produtores de vinho italiano nunca as usaram em seus vinhos. Angelo Gaja abriu o caminho em Barbaresco e tem repetidamente dito que foi a Califórnia, e não a França, que inspirou o uso de barricas novas de carvalho francês.

Até a década de 1990, apenas a Alemanha dentre os países vitivinicultores europeus estava na vanguarda tecnológica, graças a proficiência do alemão com tecnologias como sistemas de filtragem, linhas de engarrafamento, centrífugas e similares.

Ainda hoje, existe a falta de tecnologia em certas partes da Europa. O Sul da Itália, por exemplo, só recentemente melhorou o seu jogo comparado com os produtores mais progressistas do norte. Grécia e Espanha são recém chegadas no uso generalizado de tecnologia na sua produção. E eu recentemente participei de uma comissão julgadora onde um número alarmante de vinhos tintos da Hungria provaram ser tecnicamente inadequados.

Finesse. Esta é uma categoria bastante pessoal, tanto no sentido de que é difícil, talvez impossível, de provar finesse, bem como no sentido de que é um atributo que eu valorizo ​​de forma desproporcional.

Os vinhos europeus possuem mais sutileza? Sim, eles possuem. Não universalmente, é claro. E não em todos os lugares, incluindo lugares que antes eram elogiados pelo que de muita qualidade , como Bordeaux. Muitos tintos modernos de Bordeaux são agora tão irregulares e flácidos como compradores de sábado no shopping.
No jogo de tabuleiro Ouija de escolher um vinho (para qual lado sua mão vai?), acho que quando eu escolher um vinho europeu, é porque eu estou procurando finesse. Por exemplo, eu amo Pinot Noirs californianos e os tenho elogiado constantemente. Mas os tintos da Borgonha coletivamente ainda ganham em finesse (os Pinot Noirs de Oregon admiravelmente vem em segundo, de qualquer maneira).

Finesse é um negócio complicado, eu garanto. Às vezes é uma função de leveza pura (eu amo os tintos da Áustria por causa deste elemento); às vezes é uma questão de acidez aparente. Grandes vinhos não importa de onde vêm, geralmente lhes falta finesse. Não me lembro da última vez que celebrei um italiano Amarone della Valpolicella Recioto por causa de sua finesse.
Vocabulário. O trabalho de minha vida é escrever, então você vai ter que me perdoar por criar esta categoria. Mas eu acredito profundamente que não há tal coisa como isto que os acadêmicos chamam de "determinismo lingüístico", ou seja, que molda a linguagem do pensamento. Citar uma coisa é torná-lo real. Palavras realmente importam.
Até recentemente, o vocabulário de um bom vinho era exclusivamente europeu, mais especificamente francês. (A língua da cerveja é o alemão, da música o italiano, ect). Vinte anos atrás eu teria declarado sem um momento de hesitação que os vinhos europeus tiveram um bloqueio no vocabulário do vinho fino.
Hoje, eu declararia um empate. Imperceptívelmente, ou mesmo surpreendente, o poder do vocabulário cada vez mais tem se afastado da Europa. Em parte, isso reflete o domínio do Inglês, entre pessoas educadas em quase toda parte do mundo. (Um amigo austríaco que viaja pelo mundo me disse com naturalidade, "Alemão agora é apenas um dialeto, em comparação com Inglês.").

Mas não é apenas uma questão de escolha de idioma. A maior parte da discussão de um bom vinho é hoje expressa em Inglês, em parte, porque agora é a língua universal da ciência (anteriormente era alemão). Mas também porque a moda agora é em grande parte guiada para o inglês graças a filmes, música e empresas internacionais de mídia.

Acima de tudo, muitas das mudanças no vinho hoje, tanto para melhor como para pior, ou são gerados em lugares como os Estados Unidos ou na Austrália ou são amplificadas pelo poder de marketing dessas culturas. Hoje, o vocabulário de um bom vinho não é mais dominado pela Europa.

Assim  os vinhos europeus são superiores? Você acha que eles ganham em todas as categorias citadas acima? Há ainda outros elementos que você consideraria? O que você procura, e acima de tudo, por quê?

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Novas criações de Luis Pato

Luis Pato é muito conhecido no mundo vinícola por seus vinhos feitos a partir da uva baga na região da Bairrada, em Portugal. Além disso, não é muito ligado a tradições, e gosta muito de "criar" vinhos extremamente diferentes e autênticos. Recentemente inclusive teve seus vinhos muito bem avaliados pela crítica/sommeliére inglesa Jancis Robinson. E eis que agora chegam ao mercado uma nova leva de suas criações. O texto a seguir foi retirado do catálogo de inverno da Mistral, que tem os direitos sobre o mesmo.

Não satisfeito com seus inventivos lançamentos recentes, o incansável Luis Pato acaba de criar mais dois tintos e três espumantes que vêm reconfirmar seu epíteto de "Revolucionário da Bairrada". Entre os tintos, o moderno Rebel é a interpretação do enólogo para o que deveria ser um vinho oposto ao padrão para a casta Baga: um tinto repleto de fruta, com um estilo mais leve, que pode acompanhar até peixes!! Ou mesmo bebido sozinho, como um delicioso aperitivo de inverno. Seu baixo teor alcoólico e grande frescor deixam o vinho muito palatável e apetitoso. O BTT, por sua vez, é um corte de partes iguais de Baga, Touriga Nacional e Tinto Cão, vinificadas separadamente. Esta inusitada combinação de castas deu origem a um tinto que é um verdadeiro coringa, combinando com uma grande variedade de prato - dos peixes mais gordurosos até carnes de caça. Os três novos espumantes de Luis Pato também são ótimas surpresas. O Espumante Informal é elaborado em pequenasquantidades com uvas Baga colhidas no final de agostodo famoso vinhedo Vinha Pan. Sem adição de licor de expedição, é uma vinho bastante seco, com um sofisticado toque tostado. A apresentação é realmente inusitada e moderna, com garrafas fechadas om a mesma tampa utilizada pelas casa de Champagne enquanto o vinho descança nas caves antes da degola - semelhante a uma tampa de cerveja, que aguenta toda a pressãodo espumante dentro da garrafa. O Duet Bruto por sua vez, nasceu de uma experiência de Pato, que combinou em partes iguais as castas Baga e Maria Gomes, dando origema apenas 3500 garrafas de um espumante que combina a acidez da Baga com a delicadeza aromática da Maria Gomes. Como uma sugestão diferente, Luis Pato sugere adicionar gotas de seu Abafado Molecular rosado para dar origem a um delicioso aperitivo. O Vinha Formal, elaborado com as castas Bical e Touriga Nacional do minusculo vinhedo Vinha Formal, é o melhor espumante já criado por Luis Pato e promete ser o melhor de Portugal. É um dos poucos espumantes - incluindo os champagnes - fermentados em barricas de carvalho, sendo bastante rico e complexo. São belas novidades para o já impressionante portfólio do produtor.

Eu particularmente admiro muito Luis Pato e seus vinhos, mesmo tendo apenas provado dois deles, pois é impressionante seu trabalho quase artesanal com uma uva de difícil cultivo e vinificação, além é claro da reputação que reuniu com o tempo e trabalho árduo.

Até o próximo!

Bell Napa Valley Cabernet Sauvignon 2006

Desde que comecei a me interessar por vinhos, vi que diversas importadoras criaram clubes de vinhos, confrarias, e projetos afins com o intuito de em determinados períodos de tempo e por quantias de dinheiros que iriam de mais ou menos 150 a 300 reais, enviassem duas a quatro garrafas de vinhos para seus associados para que estes pudessem descobrir alguns bons vinhos escolhidos por elas. Depois de muito pesquisar acabei me associando ao Smart Buy Wine Club e posso dizer que até agora não me arrependi. E o exemplar alvo deste post é mais uma prova disso.

Oriundo da Califórnia, nos EUA, este vinho é produzido num corte quase ao estilo bordales, com 84% de Cabernet Sauvignon, 7% de Petit Verdot, 5% de Mertlot, 3% de Cabernet Franc e 1% de Merlot. Foram produzidas 22048 garrafas deste vinho e a minha era a de número 7086. Conforme notas do produtor, este vinho teve suas uvas colhidas entre 10 de setembro e 2 de novembro de 2006. Passou por 20 meses em carvalho (70% francês e 30% americano) sendo que 43% das barricas eram novas. Vamos as impressões.
 
Na taça apresentou uma bonita cor rubi violáceo, levemente transparente, brilhante com algum halo granada nas bordas denotando um pouco de evolução e ainda apresentou lágrimas lentas, finas e ligeiramente coloridas.
 
Ao nariz o vinho se mostrou de certa maneira complexo, com aromas de frutas vermelhas em compota, côco, chocolate, pimentão e algo de especiarias. Tudo muito potente, exuberante.

Na boca o vinho apresentou corpo médio para cheio, boa acidez, taninos médios, integrados e quase mastigáveis. Confirmou o nariz lembrando geléia de groselha, chocolate meio amargo e pimentão. Ao fundo algo de tostado também.

O vinho foi harmonizado divinamente com uma rabada reduzida em vinho, com tomates frescos e uma polenta cremosa com queijo parmesão. Mais uma bela escolha da Smart Buy Wines e seu clube de vinhos. Não é um vinho barato mas que valeu o quanto foi pago por ele.

E até o próximo gole.

domingo, 26 de junho de 2011

Chateau Du Donjon Grande Tradition 2008

Eu não me canso de dizer a Cave Jado realmente democratizou o acesso ao vinho francês em São Paulo. E isso se deve a diversos fatores mas principalmente aos grandes vinhos que eles trazem de pequenos e médios produtores, os preços acessíveis que eles praticam (geralmente até R$100,00) e é claro a simpatia dos sócios da empresa, sempre promovendo degustações aos sábados, conversando com você e mostrando muito empenho em te explicar todos os vinhos que distribuem. E é deles o exemplar comentado hoje.

Produzido na AOC Minervois, dentro do Languedoc, mais ao sul da França, este vinho já se mostra diferente dos usuais lá da França por um motivo: seu grau alcoólico é um pouco mais elevado (14,5%). Isto se deve em parte ao clima mediterrâneo da região, muito quente no verão e com alguma influência oceânica que auxilia também a alta maturação das uvas. Composto por um corte de uvas Syrah, Grenache e Carignan sem proporções conhecidas. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma bela cor violácea bem escura com um leve halo granada nas bordas. Lágrimas finas, rápidas e incolores completam o conjunto visual.

No nariz o vinho se mostrou muito elegante e vibrante com aromas de ameixa, mas daquela mais azedinha, com a casca sabe? Juntamente com a fruta era possível sentir muita especiaria, do tipo pimenta e das doces como cravo e canela. Ao fundo ainda era possível sentir um pouco de coco.

Na boca o vinho continuou muito bem, com corpo médio, taninos finos e integrados, confirmou o nariz com a ameixa e as especiarias bem evidentes além de uma ótima acidez que convidava ao próximo gole. Leve lembrança de uma madeira tostada ao final, que era de média persistência.

Enfim, mais uma grande vinho, um ótimo custo x benefício que por volta dos R$ 55,00 , valeu cada centavo!

E que venham os próximos.

Abraços!

sábado, 25 de junho de 2011

Conselhos para iniciantes no mundo do vinho

Vi este texto escrito por Matt Kramer para o site da revista americana Wine Spectator e achei muito interessante pois dá duas dicas bem legais para nós, que estamos começando no mundo do vinho, relacionadas com pontuações e a diferenciação entre degustar um vinho e simplesmente bebe-lo. Se tiverem curiosidade, acessem o site da revista e leiam a reportagem orginal. Espero que gostem!

"É um mantra do jornalismo que você sempre tenta enfatizar o positivo. E eu me incluo nisso também. Mas, ocasionalmente, chega o momento, no interesse dos seus leitores, você tem que abordar o que só pode ser chamado de o lado sombrio de seu assunto.

Por exemplo, quando nós escribas oferecemos conselhos aos novatos vinho, geralmente é toda a doçura: tente isso, faça investigar isso. Isso faz sentido. Afinal de contas, enfatizar o que poderia ser chamado de "buracos na estrada" seria pouco animador, não é?

No entanto, há momentos em que os novatos devem ser informados, ouso dizê-lo?-Algumas verdades. Claro, não há tal coisa como uma "verdade", mas acredito que algumas afirmações merecem uma análise.

Então, se você é um novato vinho, permita a alguém com um pouco de milhagem, para oferecer algumas observações sobre "direção
defensiva no vinho". Eu gostaria de pensar que o sua vida no vinho, e sua carteira, merecem o melhor. Você me diz.

Não olhe para a pontuação, olhe para o degustador

Dentre as muitas seduções da pontuação, uma das mais vazias é a impressão de ventríloquo de que uma pontuação de alguma forma existe independentemente de o degustador que a atribui. Grande erro. A pontuação é o degustador.

Tudo isso é para dizer que se você usar pontuação na decisão de compra de seus vinhos, e eu acho que você deveria, então é melhor prestar atenção às particularidades do paladar que promulgou essa pontuação. É por isso que Wine Spectator sempre especifica o degustador. (E é por isso que você deve evitar "painéis de degustação", como a praga que eles são.) Notas não surgem do nada. Elas vêm de alguém.

Em qualquer campo onde há um elevado grau de subjetivismo estético, seja arte, música ou vinho, você sempre será bem aconselhado a considerar quem está fazendo a avaliação.

Normalmente, as pessoas perguntam: "Será que ele ou ela é qualificada?" Eles querem uma garantia de que não serão obrigados a pensar, para que eles se apoiem em credenciais como Master of Wine ou outro qualquer "prova" de tal forma que alguém sabe sobre o assunto que está sendo discutido.


Lamento informá-lo que se você investir sua confiança em tais credenciais, não importa qual, então você será enganado. Muitas vezes as pessoas que adquirem tais credenciais são modelo de teste-compradores. Eles são muito bons, realmente excepcionais, a dominar apenas o tipo de trivia que estes testes os especializam. As reivindicações de auto-engrandecimento dos órgãos de credenciamento, não obstante, eles não são indicadores de julgamento.

O julgamento é a palavra chave aqui. Uma degustação muito boa não é sobre a capacidade de identificar um vinho as cegas (no entanto este
truque de magia pode ser impressionante), mas sim, como o degustador é perspicaz. Seu trabalho é tentar ter uma noção não de acuidade do degustador, mas de suas prioridades estéticas. Será que elas correspondam às suas próprias? São consistentemente aplicadas? Você pode triangular a partir destas sensibilidades e valores para o seus próprios? As pontuações por si só não te dizem nada disso.

Conclusão: Preste menos a atenção para a pontuação e mais para o degustador.

Nunca confunda
degustação com beber

Em seu livro Os Problemas da Filosofia Bertrand Russell fez a famosa distinção entre o que ele chamou de "conhecimento por descrição"(lendo notas de degustação) e "conhecimento direto"(o que nós garimpamos em uma degustação). De nossa própria maneira, nós os amantes do vinho lidamos com o desafio o qual os filósofos chamam de epistemologia - a natureza do conhecimento.

Estive recentemente em uma degustação de vinhos onde estavam disponíveis 150 ou  mais vinhos, muitos deles de produtores notáveis. Isso me fez pensar sobre as distinções de Russell sobre conhecimento.

Com vinho, na verdade existem três categorias: "conhecimento por descrição" (ler notas de prova), "conhecimento direto" (o que nós amostramos em uma degustação), e o que poderia ser chamado "conhecimento pela exposição" (o que podemos aprender de verdade  bebendo um vinho, de preferência com comida e com outros amantes do vinho).

Hoje, estas distinções estão turvadas. "Degustação Virtual" tem enganado alguns amantes do vinho fazendo-os pensar que eles "sabem" de um vinho por causa de notas de
degustação de outros, disponíveis em chats, blogs, revistas e boletins informativos.

É fácil ver como esse tipo de conhecimento artificial não faz sentido. O que é muito mais difícil de reconhecer é que mesmo quando você realmente provou um vinho, seu conhecimento pode ser do tipo mais superficial. Sim, você pode fazer um julgamento sobre um vinho em grandes degustações. Todos nós fazemos isso.

Mas aqui está o obstáculo: seu conhecimento de um vinho é mínima em degustações desse tipo. A maioria das pessoas olha para o número de vinhos provados e conclui que a quantidade é o problema. Pode ser, com certeza. Mas o problema real vem do que poderia ser chamado de "distorção do contexto."

Eu ensinei um monte de
classes de degustação de vinhos  e estou aqui para testemunhar que eu (e qualquer outro professor) pode manipular uma série de vinhos que irá convencê-lo, sem um pingo de dúvida, que um vinho é melhor do que o outro.

Mesmo os grandes vinhos podem ser feitos parecer menores com base no contexto de outros vinhos da degustação. Grandes vinhos são geralmente criaturas de
considerável sutileza. Eles podem parecer, digamos, finos ou insignificantes, quando comparados a outros vinhos mais potentes, menos sutis.

Aqui está o ponto:. Nunca confiar plenamente no"conhecimento direto", isto é, o que você separar a partir de uma amostra em uma degustação. É algo que vale a pena, com certeza Mas na maioria, das vezes é apenas um guia para o que você deve investigar mais e melhor para alcançar o "conhecimento pela exposição."

Degustar inúmeros vinhos pode ser, na verdade normalmente o é, decepcionante. Você acha que  adquiriu profundidade somente por causa da quantidade. Mas muitas vezes, o resultado é uma distorção. Mesmo os melhores degustadores profissionais, pessoas que estão acostumadas a degustar vinhos em quantidade substancial e tem prática em compensar tal distorção, devem lutar conscientemente contra esse efeito.

Conclusão: Não há nenhum substituto para o conhecimento profundo e verdadeiro adquiridos através de exposição prolongada. Um monge artista marcial no livro
encantador de Mateus  Polly, American Shaolin, aponta de forma melhor: "Eu não temo os 10.000 chutes que você praticou uma  única vez; temo o chute que você tem praticado 10.000 vezes."

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O importante papel do vinho no restaurante

Já que meu último post foi relacionado ao serviço do vinho no restaurante e hoje tive a oportunidade de mais uma vez almoçar fora e poder avaliar de maneira um pouco mais consciente o mesmo resolvi que poderia falar mais sobre o assunto. E qual não foi minha supresa quando o correio foi entregue hoje em casa e eu vi que havia um catálogo de inverno da Mistral que trazia um pequeno texto na seção de dicas do Mr. Al sobre o assunto? Como concordei em grande parte com o texto, vou reproduzi-lo aqui com a intenção de que discutumaos o assunto, pedindo portanto para que vocês leitores do blog me dêem suas opiniões sobre o assunto.

"O papel do vinho no sucesso dos restaurantes é muito maior do que suspeitam vários restauranteurs. Quantas vezes um bom vinho, servido à temperatura ideal não savou um jantar no qual a comida ou o serviço não estavam tão bons? E quantas outras vezes um jantar onde a comida estava boa não fora arruinado por um vinho fraco, medíocre? Estamos convencidos que existem quatro aspectos que, em conjunto, fazem o sucesso ou o fracasso de um jantar em um restaurante: a comida, o vinho, o ambiente e o serviço (nota do blog: eu incluiria também o  preço cobrado, pois este a meu ver influencia demais a sua sensação sobre o que é bom e ruim). Basta um deles ser muito ruim para que a noite fracasse, mesmo que os outros estejam bons. Por outro lado, basta um deles estar excelente para que os erros nos outros aspectos sejam muito amenizados. Além disso, é importante que o cliente consiga se encontrar na carta de vinhos. Todos sabemos como é horrível ter que escolher um prato em um restaurante cujo cardápio é escrito em uma língua que não dominamos bem. Da mesma forma, nada pior para o cliente do que não encontrar nomes conhecidos na carta de vinhos. O que acaba acontecendo é que o cliente não arrisca pedir um vinho mais caro de um produtor que não conhece, e acaba escolhendo um vinho mais barato. E, claro, um vinho fraco é um passo certo para estragar a noite. Existem restauranteurs que dão total importância a alguns dos quatro aspectos citados, mas esquecem um ou dois, sem se dar conta de que, fazendo isso, estão condenando seus restaurantes a serem só medianos."

Eu ainda acrescentaria que uma carta de vinhos ideal deveria conter breves informações e/ou descrições do vinhos nos quesitos frescor/acidez, taninos (nos casos dos tintos), teor alcóolico, quase como nas fichas técnicas dos vinhos para que pudéssemos ter mais uma idéia do que estamos bebendo. Claro que isto é um passo um pouco maior, mas que a discussão acima já nos ajudaria de forma enorme.

E vocês leitores do blog, contmém experiências boas, e também ruins, que tiveram com serviço de vinhos em restaurantes. Vamos compartilhar informações para que possamos crescer como consumidores conscientes mas também possamos fazer com que os donos de restaurante se conscientizem que fazemos parte de um grupo de consumidores que estuda e conhece um pouquinho do assunto e que quer no mínimo, ser bem atendido.

Até o próximo.

Devolvendo o vinho no restaurante

Esta é uma situação pela qual ainda não tive o desprazer de passar mas que já fora objeto de muitas discussões, seja com meus colegas de curso, professora e alguns profissionais do ramo que conheci. A verdade é que eu não tenho uma opinião fechada sobre o assunto, mas entendo que se o produto (no caso o vinho) estiver estragado e isto for notado não há conversa e temos que faze-lo. Diante disto, quais seriam as principais razões para se devolver um vinho no restaurante? 

A primeira delas, e a mais "famosa", é quando o vinho se encontra " bouchoné", ou seja, com gosto da rolha. Este tipo de defeito pode atingir qualquer vinho, desde os mais baratos aos mais caros, e o mesmo se dá pela contaminação da cortiça da rolha por um fungo, trazendo aromas e gosto desagradáveis ao vinho de pano molhado, muita umidade e mofo, mas daquela desagradável mesmo. Embora não cause mal a saúde, a sensação desagradável que proporciona por si só já é motivo mais do que suficiente para a devolução. Estudos mostram que o problema ataca uma porcentagem muito pequena de garrafas frente aos números de garrafas produzidas pelo mundo. Se ainda estiver em dúvida quando detectar estes aromas, aguarde alguns poucos minutos quando o odor desagradável tende a se acentuar ou consulte gentilmente o profissional responsável pelo serviço no local em que você se encontra.

Um outro fator para a devolução de vinhos nos restaurante é aquele sabor " avinagrado" que o vinho pode apresentar quando em estágio avançado de oxidação, seja este por contato em demasia com oxigenio ou ainda por mal condicionamento das garrafas sendo estas expostas a luz e temperaturas excessivas, trepidações elevadas e afins.

Não esqueça de ser sempre educado e dialogar da melhor maneira com o profissional que cuida do serviço no resturante em que você se encontra, pois ele irá invariavelmente reagir da mesma maneira com a qual for abordado. Traga o profissional para seu lado e seja humilde.

No entanto, evite a devolução de vinhos somente para impressionar ou tentar demonstrar conhecimento que não tem. Esta não seria a atitude de um consumidor consciente, pois os restaurantes também se resguardam destas situações se utilizando do sobre preço sobre as garrafas que vende com o intuito de minimizar prejuizos. 

Só assim poderemos continuar com este prazer nos restaurantes, em harmonia com os profissionais que lá trabalham.

Até o próximo.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Gourmetizando II: muito mais do que uma experiência enogastronômica


Neste sábado tive o prazer de participar do evento elaborado pelo sommelier Daniel Perches do blog Vinhos de Corte e pelo chef Lucio Carlos, tendo como local o espaço para eventos da loja de bebidas Andina, no centro de São Paulo. Alías, é preciso dizer que o Daniel tem o dom para a elaboração de eventos, uma vez que desde o primeiro Encontro de Vinhos que pude participar até este gourmetizando, nunca me decepcionei, pelo contrário, a supresa pela qualidade cada vez maior é uma constante a cada evento.
O chef Lucio e o sommelier Daniel checando os detalhes
Para este evento o tema, como não poderia deixar de ser dada a época do ano, era ingredientes comumente usados em guloseimas tradicionais de festas juninas tais como batata doce, abóbora, pinhão, etc utilizados em pratos um pouco mais elaborados ao melhor estilo gourmet e a sua harmonização com vinhos portugueses, trazidos pela Qualimpor que também patrocinava o evento. No entanto, aliado ao estilo gourmet dos pratos a maneira despojada e simples com que tanto o chef quanto o sommelier se dirigiam e interagiam com o público presente tornava a experiência mais agradável ainda. Some-se a isto a possibilidade de conhecer novas pessoas, conversar sobre os assuntos que interessam (neste caso vinhos e vejam só, futebol!) também criavam um ambiente pra lá de aconchegante.
 
Chegando ao local fomos recepcionados com uma taça do espumante .Nero Brut, nacional da Domno do Brasil, composto por uvas chardonnay, pinot noir e riesling e elaborado por método charmat. A primeira grande surpresa do dia. Digo surpresa pois os que me acompanham sabem que eu não sou muito fã nem tão pouco grande conhecedor de espumantes mas este já marcou seus pontos comigo. De linda cor amarelo palha com aromas de frutas brancas, maçã verde, algo de floral e lembranças de croissant, já me encantou. E era só o começo.

Passamos então por uma rápida palestra de Daniel Perches e Lara Magalhães, esposa do chef Lucio, que contaria um pouco de como seria nossa tarde, quais as idéias por trás dos pratos e quais vinho seriam servidos. O evento fora dividido da seguinte maneira: 7 vinhos (já contando com o espumante de boas vindas) e 9 pratos dispostos em 3 entradas, 3 pratos principais e 3 sobremesas. A partir dai seria por nossa conta as harmonizações e escolhas dos melhores do dia.

Mesa com os primeiros vinhos

Para as entradas foram escolhidos os seguinte pratos: um creme de batata doce com queijo branco e amendoin, mini cuzcuz de frango e uma saladinha de folhas verdes com milho, croutons de maçã e mandioca na manteiga. Juntamente com estes pratos foram servidos dois vinhos: Esporão Reserva Branco 2008 e Defesa Rosé 2008; o primeiro um alentejano com show de aromas com frutas brancas, pêssego, floral e algumas notas lácteas (fermenta em barricas de carvalho) com uma excelente acidez e belo corpo, que preenchia toda a boca; já o segundo um vinho muito fresco, muita fruta vermelha (cereja e morango em evidência), muito fácil de ser tomado e elaborado de um corte inusitado entre uvas Aragones e Syrah. Nesta primeira sequência confesso que o Esporão deu um show e foi muito bem tanto com o caldinho de batata doce e com o cuzcuz. Já o Defesa ficou interessante quando tomado com o milho, mandioca e os croutons de maçã, talvez por seu leve dulçor final ter interagido bem os açúcares provenientes destes alimentos.

Partimos então para os pratos principais, dentre os quais estavam: fogueira de frango ao quentão com salada de feijão picante, mini Abóbora com carne Seca e requeijão e carret de cordeiro com risoto de pinhão. Confesso que mais do que gostosos os pratos estavam ainda visualmente incríveis num trabalho excepcional do chef Lucio.. Nesta hora também foram servidos então os vinhos tintos: Crasto 2008, um tinto da região do Douro que apresentou aromas de frutas vermelhas maduras e algo de floral, porém não tão interessante em boca, com taninos um pouco espetados, álcool com uma ponta de sobra e final curto; Assobio 2009, a segunda grande surpresa do evento pois é um vinho novo, recém trazido pela Qualimpor e também representante do Douro, mais encorpado, apresentando também especiarias além de frutas vermelhas, o vinho era realmente muito interessante e mostra o compromisso com a qualidade da importadora e finalmente o vinhaço do dia, o Crasto Superior 2009, vinho proveniente das famosas vinhas velhas portuguesas, aromas de frutas escuras, tostado, chocolate e algo de floral, encorpado, realmente muito potente. Dentre os eleitos, as mini abóboras com carne seca e requeijão e o risoto de pinhão estavam divinos e seriam meus escolhidos sem sombra de dúvida além do que deixando de fora o Crasto Superior que roubou a cena, outro que se saiu bem fora o Assobio, não fazendo feio diante de nenhum dos pratos.
 
Mini abóbora com carne seca e requeijão
Era chegada a hora das sobremesas, e para tal, os escolhidos foram: tapioca de chocolate com geléia de malbec, cupcake de pé de moleque e sorvete de abóbora com coco. Para deleite de todos o vinho escolhido para levar a árdua missão de degustar estas tentações fora o Quinta do Crasto LBV 2005, outra grande surpresa pois apesar dos seus 20% de grau alcóolico era impossível de se notar tamanha sua integração com o dulçor e com a acidez do vinho, aliados ainda aos seus aromas de frutos secos como ameixa preta, uva passa, figos, untuosidade e corpo em boca e final pra lá de longo. Evidentemente era até covardia mas ele casou deliciosamente com o cupcake e com a tapioca! Finalizamos ainda com um cafézinho feito na hora pelo chef Lucio e sua trupe.

E era o fim de uma tarde onde o objetivo principal do evento, comer e beber bem, fora mais do que atingido e pudemos nos despedir dos participantes e ir para casa com a lembrança de momentos inesquecíveis.

E que venham os próximos eventos!

Vale da Mina 2008

Eu não canso de dizer queos vinhos portugueses são os melhores exemplos de vinhos para o dia a dia com o melhor custo benefício. E mais uma vez neste final de semana eu comprovei minha tese. Diante de um almoço de domingo com direito a massa recheada com presunto parma e mussarela com molho de tomate nem arrisquei muito, bebi um exemplar alentejano que mais uma vez não fez feio. Veja, não estou aqui dizendo que bebi o melhor vinho do mundo e sim que somente o vinho tem o preço justo, entrega o que promete e me dá prazer.

Este Alentejano é feito pelo corte de Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon, sem que eu saiba exatamente as proporções deifinidas. Estagia em barricas de carvalho por nove meses. E é só o que eu consegui de informações adicionais, portanto sem maior enrolação, vamos às impressões.

Na taça apresentou uma bonita e brilhante cor rubi, com lágrimas finas, abundantes e levemente coloridas.

No nariz abriu com aromas de frutos vermelhos maduros, muito floral e especiarias mais ao fundo. Seus 14% de álcool se encontram integrados e imperceptíveis no nariz.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, taninos finos e presentes em boa quantidade, acidez viva e devidamente integrado com o álcool. Confirmou o frutado e floral em boca, deixando o final quase doce. Média persistência.

Vinho agradável, almoço agradável e companhia agradável tornaram a experiência rica e completa. Valeu cada minuto e centavo!

Até o próximo.

domingo, 19 de junho de 2011

O que esperar da safra 2011 na América do Sul? Parte II

Neste segundo post da série, trago o report feito a respeito do Chile e sua colheita 2011. Parece que a safra não foi de toda muito fácil não mas podemos esperar uma qualidade alta ao final. Esta parte da reportagem da WineSpectator é assinada por James Molesworth.

Após a colheita, longa e lenta que se estendeu até maio, viticultores chilenos estão ficando cada vez mais otimistas sobre seus vinhos 2.011. Uma safra que amadureceu de forma constante e uniforme durante uma temporada de temperaturas mais amenas na maioria das principais regiões de vitículas do Chile.

"Tivemos uma primavera fria e longa, o verão começou de forma tardia e tivemos alguma chuva ao final dele, mas nada que pudesse me preocupar", disse Sven Bruchfeld, proprietário e enólogo na boutique Agricola La Viña, localizado na extremidade oeste do Vale de Colchagua. O tempo frio levou a uma colheita menor, mais pobre. "Os rendimentos foram abaixo de 22 por cento”.

Pedro Parra, de Clos des Fous disse que foi um ano muito nublado, mas as uvas em boas áreas foram capazes de amadurecer gradualmente. "As variedades de maturação tardia em terroirs ruims vão sofrer", disse ele. "Estou feliz com o fruto das zonas costeiras e as unidades mais próximas aos Andes [ao contrário da média dos vales]”.

Com as temperaturas mais baixas durante a temporada, muitos produtores relataram um grau alcóolico mais baixo também. "Nós estamos vendo Sauvignon Blanc maduro aos 11 ou 11.5 [grau potencial de álcool], em oposição aos 12 ou 12,5 usuais", disse Adolfo Hurtado, enólogo da Viña Cono Sur, um top produtor de Pinot Noir localizado no Vale de Casablanca. "O grau de maturação está lá, por isso estamos confiantes na qualidade. Gostamos dos aromas edo frescor que estamos vendo nos vinhos ".


Apesar da temporada mais fresca, as uvas vieram saudáveis e limpas, graças aos rendimentos mais baixos, que produziram uvas com boa concentração, cor e acidez fresca. "A safra de 2011 foi um pouco estranha, mas não tão diferente da de 2010", disse Aurelio Montes, fundador e produtor-chefe da Viña Montes, um dos maiores produtores do país. "Em geral, o pH está mais baixo e os níveis de álcool estão em melhor equilíbrio".


"Com o frescor, obviamente, 2011 será um ano elegante", disse Patrick Valette, enólogo da Viña Neyen de Apalta.


Mas esta pequena queda na safra 2011 provavelmente tenha algum efeito econômico sobre a indústria. Após o terremoto em fevereiro de 2010 que destruiu 125 milhões de litros de vinhos e, em seguida, esta pequena queda em 2011, pequenos produtores já adimitem que a pressão de preços para as uvas já está em ascensão.


"Estas vinícolas que estão vendendo a preços muito baixos terão problemas com fluxo de caixa", disse Montes. "Se você adicionar a fraqueza do dólar, o aumento nos custos de energia e trabalho, o meu sentimento é que os preços do vinho chileno terá que aumentar".


"Com a expansão da economia chilena no lado mineiro, houve uma escassez de trabalho [para as vinícolas]. Assim, a logística da colheita foi mais difícil do que no passado ", disse Ed Flaherty, enólogo da Viña Tarapacá, localizada no Vale do Maipo.


É difícil ser demasiado pessimista com bons frutos colhidos. "No geral, 2011 é uma safra de boa para excelente, dependendo da variedade", disse Flaherty.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O que esperar da safra 2011 na América do Sul?

Estes dias atrás estive lendo um breve report da Wine Spectator sobre como foi a safra 2011 e o que esperar dos vinhos nos países considerados novo mundo, e resolvi destacar aqui em meu blog alguns pontos interessantes. Neste primeiro post destaco o report feito sobre a Argentina, numa tradução livre do artigo. Se tiverem interesse, acessem o site oficial da revista (www.winespectator.com) e leiam a reportagem original, na seção wine news. Esta parte da matéria tem créditos de Nathan Wesley.

Vinhedos nos EUA e Europa estão começando a florescer, mas já existe mosto fermentando nos tanques mais ao sul, no hemisfério sul mais precisamente. A temporada 2010-2011 de crescimento das uvas foi fresca e nublada na América do Sul. Uma geada precoce reduziu os rendimentos na Argentina, e o tempo chuvoso fez de Fevereiro, um mês estressante. Do outro lado da Cordilheira dos Andes, enólogos chilenos só esperavam que as uvas pudessem aguentar nas vinhas tempo suficiente para seu amadurecimento. Aqui segue um preview da safra que vem por ai:

Argentina


Uma geada precoce muito severa em Mendoza, região vinícola líder da Argentina, deu o tom para uma safra 2011 desafiadora para os enólogos, que também tiveram de enfrentar períodos de ventos fortes, granizo, seca e chuva pesada.


Temperaturas baixas durante toda a estação retardaram a maturação das uvas, mas um verão Indiano amadureceu as uvas momentos antes da colheita. Os vinicultores estão esperando vinhos com estilo elegante, com níveis de acidez maiores do que o habitual.

"Os níveis de álcool estão entre 0,1 e 0,2 por cento superior ao normal", disse Luis Reginato, diretor da Bodega Catena Zapata. "A razão para isso é que tivemos os meses de março e abril extra-secos. O que é notável é a alta acidez em 2011 em comparação com safras normais."


Achával Santiago, presidente da Achával-Ferrer, disse que a geada precoce, que atingiu a segunda semana de novembro, foi a pior do tipo desde 1992 e causou a perda de flores nas vinhas e as fez experimentar frutos pobres. O dano foi intermitente, com a Mendoza Ocidental e o Vale do Uco, ao sul, sendo os mais atingidos.


Segundo Laura Catena, presidente da Catena Zapata, o gelo poupou o vinhedo La Pirâmide em Agrelo, enquanto o vinhedo Angélica Sur localizado no Valle de Uco perdeu o fruto em 288 de seus 360 hectares. José Manuel Ortega, dono da Bodegas y Viñedos de O. Fournier no Vale do Uco, disse que perdeu colheita em 60 por cento de seus 312 hectares de vinhedos.


Após a geada, o clima frio e seco persistiu até fevereiro, com as condições de seca exacerbada por um inverno seco em 2010, o que significou degelo limitado para a irrigação. A chuva finalmente chegou ao final de fevereiro, mas em seguida continuou até a primeira semana de março. Alguns viticultores estavam prevendo um fracasso. Felizmente o tempo finalmente melhorou, com abundância de dias ensolarados com duração até abril.


"Na verdade, este poderia ser um ano excepcional para toda Mendoza. Os rendimentos foram naturalmente reduzidos pela geada de novembro ", disse Achával, que diz também que em seus vinhedos foram necessárias menos colheitas verdes que o usual.

No norte da província de Salta, o enólogo Randle Johnson da Bodega Colomé disse que houve clima quente de novembro a janeiro, mas, "em Fevereiro, os céus se abriram e quase não havia um dia ensolarado. Uma grande quantidade de chuva de um lado a o outro do vale”. Johnson disse que a Bodega Colomé recebeu de 12 a 14 polegadas de chuva, quase o triplo da quantidade normal.
Granizo também atingiu vinhedos de altitude, prejudicando ambos folhas e frutos. Salta também se beneficiou de um verão indiano, mas as vinícolas tiveram que analisar cuidadosamente as uvas colhidas para manter a qualidade.

Na região sul da Patagônia, Piero Incisa della Rocchetta, que produz um dos mais bem cotados Pinot Noir engarrafados no país em sua propriedade, a Bodega Chacra, relatou condições de verão leve seguido por um clima mais quente levando a colheita. "No geral, para a variedade Pinot, foi uma grande safra", disse ele. "Nosso amadurecimento foi bom, sem pragas ou outros problemas na vinha. Nossos níveis de pH são elevados e álcool um pouco mais baixo, mas ainda superior à da safra anterior".

No próximo post tratarei das espectativas para a colheita no Chile.
Até lá!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Bouza Merlot 2009


Nada melhor que um vinho uruguaio para acompanhar o primeiro jogo da final da Libertadores entre Santos e Peñarol. O jogo em si foi bem ruinzinho, então nos concentremos no vinho. Este exemplar é feito pela Bodega Bouza, considerada uma bodega boutique, nos arredores de Montevideo. Composto por uvas 100% Merlot vindas de suas vinhas em Las Violetas, Canelones, o vinho passa por seleção manual de bagos de uvas, fermentação a 26 º C, 40% em tanques de inox e 60% em cuba de carvalho francês e ainda estagia 8 meses em barricas de carvalho francês e americano. Segundo o produtor, foram produzidas  9161 garrafas, sendo que a minha era a de número 8172. Este vinho foi comprado no supermercado Tienda Inglesa, em minha recente viagem a Punta Del Este, por aproximadamente R$ 35,00. Vamos as impressões.
Detalhe do rótulo mostrando o número de produção da garrafa

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor rubi bem violácea quase instransponível, limpida e brilhante. Lágrimas finas, incolores e bem rápidas podiam ser notadas também.

No nariz o vinho se mostrou um pouco tímido, com aromas de ameixa, alcaçuz e alguma coisa parecida com aqueles fumos doces para cachimbo. Nada muito exuberante. Discrição elegante.

Em boca o vinho mostrou corpo médio, taninos finos, em grande quantidade porém quase doces , boa acidez e álcool integrado (14%). Confirmou frutas vermelhas na boca, leve tostado ao fundo e algum amargor final que incomodou um pouco. Persistência de curta para média, poderia ser um pouco mais longo.

Bom vinho para o dia a dia, porém creio que encontrado aqui no Brasil por preços que não justificaria sua compra. De qualquer maneira, valeu conhecer este uruguaio! E que venham outros.

Até o próximo.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Le Orme Barbera d'Asti 2007

Este foi o vinho escolhido para acompanhar o jantar do dia dos namorados. Aliás, eu estava propenso a escrever um post sobre o restaurante escolhido porém eu pretendo experimentar o lugar mais uma vez antes de tecer quaisquer opiniões precipitadas. Voltando ao vinho, este é um exemplar italiano da região do Piemonte e composto com uvas 100% Barbera. Passa por 8 meses em barricas e mais 4 meses em garrafa antes de ser liberado para o mercado. Vamos as impressões.



Na taça apresentou uma bonita cor rubi, transparente e brilhante. Lágrimas finas, rápida e incolores.

No nariz abriu aromas de frutas vermelhas, notadamente cereja, e fundo especiado (pimenta do reino). Leve toque tostado.

Na boca mostrou corpo leve, excelente acidez e taninos finos, fundidos. Retrogosto confirmou o nariz com o frutado, lembrando um pouco de groselha e especiarias. 

Foi uma boa indicação do sommellier local, que ainda indicou um prato que acompanharia com sucesso o vinho: saltimboca com massa na manteiga. Tudo muito gostoso. 

Até o próximo.