quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Susana Balbo Crios Torróntes 2010

É difícil falar em vinhos argentinos e não falar de Susana Balbo, uma das mais importantes enólogas da Argentina e quiçá do nosso Novo Mundo. E é engraçado como, apesar de já ter provado muito vinho argentino, eu ainda só havia provado um único vinho dela. E me aproveitando de todo o calor que fez no final de semana passada em Sampa resolvi apostar em mais um vinho desta grande enóloga, para conhece-lo melhor. Tudo bem que este vinho faz parte da linha de entrada da vinícola, mas tem feito sucesso principalmente no quesito custo beneficio e para quem quer se aventuar pelo mundo vinícola sem medo de errar.

Conforme ela mesma descreve em seu site, a linha Crios foi criada com o intuito de expressar que estes vinhos não "cresceram" o suficiente para alcançar a maturidade e qualidade superior de seus outros vinhos, porém recebe o mesmo carinho e atenção em seu processo produtivo. Ainda por definição, os vinhos da linha Crios são vinhos com maior expressão frutada e foram elaborados pensando em um consumo mais rápido, ainda jovens. A última curiosidade que podemos falar sobre a linha Crios é que em seus rótulos existe uma figura que representa 3 mãos entrelaçadas que além de fazer alusão a um antigo artefato Maia, faz também menção a própria Susana e seus três filhos. Vamos então as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma cor amarelo palha com leve tendência ao dourado, com lágrimas finas e rápidas sem cor alguma.

No nariz o vinho abriu com muita lichia e floral, lembrando jasmins, e alguma coisa cítrica. Além disso tinha alguma "picância" no nariz que eu acho vinha do álcool porém não consegui identificar ao certo. Com mais tempo em taça apresentou também mel com própolis e a picância permaneceu.

Em boca o vinho mostrou corpo médio, boa acidez, álcool imperceptível (fiquei confuso com a sensação ao nariz mas não cheguei a uma conclusão) e confirmou frutas cítricas e muita lichia. Final de média duração com um "quê" mineral, deixando o fim de boca seco e salivando, pedindo mais gole. Aliás, a garrfa parecia que tinha água dentro, pois acabou tão rápido!

Um bom vinho, especialmente para o dia a dia e com um bom custo benefício (encontrado na rede Pão de Açúcar em Sampa por R$ 39,00 aproximadamente). Acompanhou um belo filé de Saint Peter ao molho de tomate e camarões sem maiores problemas. Eu recomendo.

Até o próximo!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Mudanças a vista nos Rosso di Montalcino?


Uma discussão vem agitando o mundo vinícola italiano: reuniões tem sido feitas pelos produtores que participam do Consórcio de Monatalcino, que tem por objetivo a idéia de mudar as regras de produção do Rosso di Montalcino, aprovando o uso de outras variedades de uvas internacionais na produção de seus vinhos. Especialistas dizem que isto é uma tentativa de alavancar as vendas do vinho, pela possibilidade de que o Rosso di Montalcino possa vir a ser “supertuscanizado" e se tornar mais competitivo do que atualmente o é.

Enquanto se aguarda mais uma reunião convocada por membros do consórcio, marcada para Setembro agora, muitas personalidades do mundo vinícola internacional com forte ligação ao vinho de Montalcino (ou mesmo grandes conhecedores e apreciadores) tem fincado posições claramente em oposição a essa mudança. Muitos alegam que tanto o Rosso di Montalcino quanto o Brunello di Montalcino criaram para si uma personalidade forte nos mercados de vinhos internacionais com base em grande parte, ao fato de serem um vinho varietal puro de uva autóctone. E hoje em dia num mundo onde muitos países produzem vinhos, a busca por uma identidade é sempre muito bem vinda.

Por outro lado, os produtores em geral tem muita simpatia pela mudança, afirmando que apenas uma pequena porcentagem de uvas como Merlot e/ou Cabernet e/ou Syrah farão parte dos cortes dos futuros Rossos frente aos atuais 100% de Sangiovese do vinho. Além disso, o fato de que o vinho considerado o irmão “feio” dos famosos Brunellos, amarga baixíssima vendagem e tem um custo de produção elevado devido às atuais regras apertadas de produção. Evidentemente que não se pode inclusive deixar de lado o fato de que tais varietas como Merlot/Cabernet/Syrah tem excelente carácter e agregariam um carácter mais “mundial” ao paladar do vinho italiano. Além disso, outro argumento é de que estas uvas poderiam melhorar o vinho em anos de colheitas irregulares ou fracas de Sangiovese.

Particularmente eu entendo que em um mundo em mudança, que após a padronização dos paladares, há uma busca muito grande por pureza e autenticidade geográfica, uma mudança deste nível seria um retrocesso. Além disso, comparados aos altos preços cobrados pelos grandes Brunellos, muitas vezes os Rossos podem ser considerados um bom custo benefício oferecendo vinhos únicos a preços muito inferiores (não leiam baratos e/ou acessíveis ao dia a dia). Mas a discussão está posta e em Setembro agora poderemos ter, ou não, novidades sobre o assunto. E você leitor, o que acha que deve acontecer?

Até o próximo!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Trio Reserva Merlot/Carmenere/Cabernet Sauvignon 2007

Este vinho é produzido pela gigante chilena Concha Y Toro e é um velho conhecido por terras brasilis. Apesar de não ser da linha de entrada da vinícola propriamente dito, eu diria que é a segunda linha, pois abaixo do Casillero del Diablo já fica um pouco complicado se falar em qualidade, em minha opinião. Apesar disso goza de um excelente custo benefício.

O vinho é um blend de 70% Merlot, 15% Carmenere e 15% Cabernet Sauvignon que passa em média 12 meses em barricas de carvalho francês e americano. Suas uvas são colhidas em vinhedos localizados no Vale do Rapel. Vamos as impressões.



Na taça o vinho apresentou uma coloração violácea intensa apesar da idade, com halo levemente aquoso. Lágrimas finas, rápidas e muito coloridas chegavam inclusive a manchar a taça. 

No nariz o vinho mostrou aquela pancada típica sulamericana: aromas intensos de compota de frutas, groselha, baunilha. Depois de pouco tempo alguns aromas mais evoluídos como especiarias, alcaçuz e aquele aroma que lembra estábulo também se fazia sentir, entretanto sem ser desagradável. 

Na boca o vinho tinha corpo médio, taninos finos e bem integrados, boa acidez, álcool imperceptível. Confirma em boca frutas e especiarias. Final de médio para longo lembrando chocolate meio amargo e capuccino.

Sem muita novidade o vinho mostra qualidades, é encontrado na faixa dos R$ 35,00 - 40,00 e pode ser considerado uma boa compra. Tente bebe-lo de forma despretenciosa, acompanhando uma pizza num sábado a noite (como eu o fiz) e seja feliz.

Aé o próximo!

domingo, 28 de agosto de 2011

Degustação Empório Húngaro 27.08.2011

Neste sábado tive uma oportunidade muito interessante: o Empório Húngaro fez uma degustação especial com vinhos de seu portfólio, e como grande protagonista do dia um Ice Wine. Como não tenho litragem nenhuma em vinhos húngaros tão pouco em Ice Wines, não deixei a oportunidade passar e vou descrever nas próximas linhas minhas impressões. Agradeço também a Letícia que com toda sua paciência explicou algumas curiosidades sobre os vinhos degustados, regiões húngaras, uvas autóctones e por ai vai.

O Empório Húngaro se encontra na zona sul de São Paulo, num pequeno e aconchegante espaço onde estavam disponíveis 5 vinhos para degustação e também uma linguiça apimentada, um exótico rocambole de papoula com recheio de chocolate além de alguns patês para acompanha-los. Irei descrever brevemente os vinhos degustados e os dois que mais me chamaram a atenção e que eventualmente pude inclusive apostar em trazer para casa para degustar com mais calma em oportunidade futura.

Começamos a descoberta com um bom espumante (Törley Tokaji) doce, fresco, leve, com boa perlage e persistência em boca, lembrando muito frutas secas e cítricas que apesar de não estar na minha lista de vinhos preferidos, é uma excelente opcão para fugir do óbvio. Depois uma das primeiras surpresas do dia que, apesar de não ser muito do meu agrado não deixou de surpreender: um Pinot Noir suave (Mátrai Pinot Noir 2007), com leve doçura final e 11% de álcool. Visualmente e no nariz entretanto parecia um pinot típico, rubi clarinho e transparente, com aromas de cerejas, leve especiado e algo floral. Final curto e acidez que ajudava a não torná-lo enjoativo. Seguindo com as degustações pude provar um vinho branco de sobremesa (Mátrai Muskotály Somló), um moscatel com uma boa dose de açúcar residual porém leve que me pareceu uma boa opção para acompanhar o rocambole de papoula.

Agora vou falar das duas estrelas da degustação, em minha humilde opinião: primeiro um tinto muito elegante e que trás muito da escola européia de vinhos, o Vesztergombi Kékfrankos Barrique 2006, tinto de corpo leve, cor rubi tendendo ao granada, aromas um pouco tímidos de início (talvez pela temperatura um pouco mais baixa que o ideal e também pelo pouco tempo de garrafa aberta) mas que mostrou algo vegetal, terroso com fruta ao fundo (me lembrou muito um Cabernet Franc apesar de ser feito com as uvas autóctones Kékfrankos) além de algo tostado. Eu achei o vinho de uma elegância incrível e fiquei encantado; e o gran finale que foi o Jég Bor Ice Wine, vindo da região de Mátra é um vinho feito a partir de uvas Zenit (congeladas óbviamente), vinho muito complexo e com aromas que lembravam plástico (como aquele aroma típico de botritis), frutas secas, mel com aquele corpo gordinho que preenche muito bem a boca. Talvez lhe falte um pouco de acidez mas sinceramente o vinho era muito além.



Momentos agradáveis, pessoas agradáveis e muita aprendizagem com vinhos diferentes: tudo que eu peço para que meus finais de semana possam ter sempre! E este começou bem. Espero que o restante seja tão bom quanto ou ainda melhor. Recomendo que quando tiverem a oportunidade, visitem o Empório Húngaro, conversem com a Letícia que eu tenho certeza que sairam encantados com os vinhos lá disponíveis.

Até o próximo.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Onde devo guardar as minhas garrafas então?

Pegando o gancho com a pergunta final do post anterior (relembre aqui) dou continuidade as dicas de armazenamento de vinhos em seu local escolhido. Vale ressaltar que são apenas algumas dicas indexadas e que cada um, dependendo da disponibilidade de local, capital entre outros poderá improvisar sua própria adega. Espero que gostem do texto de hoje.

Se você não foi abençoado com um porão fresco e não muito úmido que pode utilizar como uma adega, você pode improvisar com alguns racks simples em um lugar seguro. Descarte a sua cozinha, lavanderia ou sala das caldeiras, onde as temperaturas quentes podem afetar os seus vinhos, e procure um local não diretamente em linha com a luz que vem de alguma janela. Você também pode comprar uma adega climatizada pequena e seguir as mesmas diretrizes: mantenha sua adega climatizada em um lugar fresco onde ela não terá que trabalhar duro, mantendo sua conta de energia baixa.

Talvez haja um armário pouco usado ou outras áreaz de armazenamento vagas que poderiam ser reutilizadas para armazenar o vinho? Se você tem um espaço adequado, escuro e estável, que não é muito úmido ou seco, mas é muito quente, você pode considerar investir em uma unidade de refrigeração autônoma projetada especificamente para o vinho. Existem alguns sistemas de baixo custo para pequenos espaços, mas na maioria dos casos, isso está ficando para armazenamento profissional de vinho.

Quando é hora de atualizar as suas condições de armazenamento? Pergunte-se: Quanto você gastou no ano passado com seus hábitos de vinho? Se uma unidade de resfriamento de $1.000 representa menos de 25 por cento de seu orçamento anual de compra de vinho, é hora de pensar nisso com mais cuidado. Pode vir a proteger o seu investimento.

Um outro conselho dos colecionadores: qualquer número que você está pensando quando se trata de capacidade de garrafas, dobre-o. Uma vez que você começou a acumular vinhos para beber mais tarde, é difícil parar.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Como guardar seu vinho? 7 dicas interessantes

Este é uma assunto um tanto quanto batido, mas sempre valem dicas, ainda mais quando vem de fontes bacanas e normalmente confiáveis como a Wine Spectator. Há quem discorde de suas pontuações e coisas do gênero, mas o seu staff na grande maioria são de pessoas sérias, competentes e que entendem um pouco sobre o que estão falando. As dicas foram traduzidas e adaptadas por mim. Espero que gostem.

Primeiro, é útil lembrar que apenas uma pequena parte dos vinhos disponíveis no mercado se benefícia de um longo período de envelhecimento. A maioria dos vinhos são melhor apreciados logo após o seu lançamento ou poucos anos depois. Se você estiver pensando em comprar vinhos para envelhecer, você realmente deve considerar investir em níveis mais profissionais de armazenamento. Para todos os outros, no entanto, seguindo algumas orientações simples você conseguirá manter seus vinhos seguros até o dia em que você decida por consumi-los.

1. Mantenha-os refrescados

O calor é o inimigo número um para o vinho. Temperaturas superiores a 21°C irão envelhecer um vinho mais rapidamente do que normalmente é desejável. E se a temperatura ficar muito mais quente, o vinho pode ficar "cozido", resultando em aromas e sabores indesejáveis. A faixa de temperatura ideal é entre 7°C e 18°C (13° C e é frequentemente citado como próximo da perfeição), embora isso não seja uma ciência exata. Não se preocupe muito se o seu armazenamento atingir temperaturas levemente mais elevadas, enquanto você está abrindo as garrafas após pouco anos de seu lançamento.

2. Não os deixe gelados demais

Manter os vinhos em seu refrigerador doméstico é bom para até alguns poucos meses, mas não é uma boa aposta para o longo prazo. A temperatura média de um refrigerador normalmente é bem abaixo de 7°C para armazenar com segurança os alimentos perecíveis, e a falta de umidade pode eventualmente secar rolhas, que poderia permitir o ar a infiltrar-se nas garrafas e danificar o vinho. Além disso, não mantenha o seu vinho em algum lugar em que ele possa congelar (uma garagem sem aquecimento no inverno, esquecido por horas no congelador). Se o líquido começa a se transformar em gelo, pode expandir o suficiente para empurrar a rolha para fora.

3. Mantenha as temperaturas constantes

Mais importante do que se preocupar com a obtenção de uma temperatura perfeita (13°C) é evitar os problemas vindos de mudanças bruscas de temperatura extremas ou freqüentemente. Além dos sabores "cozidos", a expansão e contração do líquido dentro da garrafa pode empurrar a rolha ou causar infiltração de ar. O objetivo deve ser consistência, mas não se torne paranóico com flutuações pequenas de temperatura; vinhos podem passar por mudanças piores no trânsito da vinícola para a loja. (Mesmo que o calor faça com que o vinho escoe para fora passando a rolha, isto nem sempre significa que o vinho está arruinado. Não há nenhuma maneira de saber até que você resolva abri-lo - ele ainda pode estar delicioso).

4. Apague as luzes

A luz, especialmente a luz solar, pode representar um problema potencial para armazenamento de longo prazo. Os raios UV do sol podem degradar prematuramente o vinho apesar de sua idade. Seria esta uma das razões pelas quais os viticultores usam garrafas de vidro colorido? Elas são como óculos escuros para o vinho. A luz das lâmpadas de casa, provavelmente não irá danificar o vinho em si, mas podem apagar os rótulos no longo prazo. Lâmpadas incandescentes podem ser um pouco mais seguras do que as lâmpadas fluorescentes, que emitem quantidades muito pequenas de luz ultravioleta.

5. Não vacile na umidade

A sabedoria convencional diz que os vinhos devem ser armazenados em um nível de umidade ideal de 70 por cento. A teoria diz que o ar seco vai secar as rolhas, que poderia deixar o ar adentrar a garrafa e estragar o vinho. Sim, isso acontece, mas a menos que você viva em um deserto ou em condições árticas, isto provavelmente não vai acontecer com você. (Ou se você está guardando garrafas de 10 ou mais anos, mas então estamos de volta para a questão do armazenamento profissional). Em qualquer lugar entre 50 por cento e 80 por cento de umidade é considerado seguro, e colocando uma panela de água em sua área de armazenamento pode melhorar as condições. Por outro lado, condições extremamente úmidas podem promover mofo. Isso não afetará um vinho devidamente selado, mas pode danificar os rótulos. Um desumidificador pode corrigir isso.

6. Veja as coisas lateralmente

Tradicionalmente, garrafas foram armazenadas horizontalmente, a fim de manter o líquido contra a cortiça, o que teoricamente deve manter a rolha umida. Se você está pensando em beber essas garrafas no curto e médio prazo, ou se as garrafas têm maneiras alternativas de vedação (tampas de rosca, de vidro ou rolhas de plástico), isso não é necessário. No entanto, lembre-se: armazenamento horizontal é uma forma eficiente de organizar o espaço para armazenar suas garrafas, e definitivamente não pode prejudicar os seus vinhos.

7. Não faça de suas garrafas uma escola de samba

Há teorias de que a vibração pode danificar o vinho, a longo prazo, acelerando as reações químicas no líquido. Alguns colecionadores mais sérios se preocupam mesmo com as vibrações mais sutis causadas ​​por aparelhos eletrônicos, embora haja pouca evidência documentando os impactos disso. Vibrações significativas poderiam perturbar o sedimento em vinhos mais velhos e impedi-los de sedimentar, tornando-os potencialmente desagradáveis no aspecto visual do negócio. A menos que você viva acima de uma estação de trem ou estão hospedando concertos de rock, a vibração pode ser um provável problema para o seu armazenamento a curto prazo? Não. (Mas não vá chacoalhando os seus vinhos como um MVP do Super Bowl prestes a estourar uma garrafa de champanhe em todo o vestiário).

Espero que as dicas sejam úteis, mas ai vem a pergunta: Onde diabos vou manter minhas garrafas então?

Esta eu deixo para um próximo post! Ou se quiserem, mandem suas dicas através dos comentários do blog.

Até o próximo!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Mondovino

Eu sei que vocês devem estar pensando que eu estou um pouco atrasado, pois o filme já é um pouco antigo e eu ainda não havia visto. Na verdade o documentário foi produzido e lançado em 2004, portanto praticamente 7 anos me separam dele. Mas tem um desconto, a gente sempre acha um, pois na época eu ainda não tinha o interesse por vinhos que tenho hoje, somente bebia sem maiores aspirações. Mas, deixando de lado o sentimentalismo e a pieguice, vamos ao que interessa que é falar um pouco sobre o documentário em si, que é o que eu pretendo fazer nas linhas seguintes.

Em linhas gerais o documentário trata da dualidade largamente discutida no mundo vitivinícola, que é a relação das tradições culturais com as inovações tecnológicas, a busca pela particularidade de cada vinho contra a padronização mundial dos paladares, as pequenas propriedades vinícolas versus os grandes conglomerados mundiais de produção vinícola, e assim por diante, se utilizando de personalidades (conhecidas ou não) do mundo vinícola que expõe suas opiniões sobre o assunto. Quase como uma investigação, o diretor Jonathan Nossiter percorre o mundo em países como França, Itália, Argentina e Estados Unidos colhendo entrevistas com pequenos e grandes produtores, consultores de negócios do vinho, mostrando as realidades de cada um e os bastidores de uma indústria que move milhões de dinheiros ao redor do mundo.



A grande discussão do filme se baseia na forte influência americana no mundo vinícola, principalmente através da família Mondavi, do uso indiscriminado das barricas de carvalho e a padronização do gosto de baunilha nos vinhos modernos, o emprego cada vez maior das tecnologias em contraponto a manipulação do homem e claro a acenssão dos críticos, principalmente Robert Parker e suas notas que vem a tempos comandando a onda de preços no mundo vinícola, especialmente em Bordeaux. 

Outro exemplo dos tempos modernos e da globalização vinícola é a presença de Michel Rolland, famoso consultor vinícola (mais conhecido como flying winemaker, já discutido aqui) que é um exemplo crasso destes tempos de mudança da indústria vinícola, pois o mesmo não possui vinculo com qualquer vinícola mas presta consultoria em diversos lugares ao redor do mundo, criando o mesmo tipo característico de vinho seja na Argentina, seja na França em Bordeaux ou Languedoc.

O contraponto é mostrado no entanto quando pequenos produtores do Languedoc em conjunto com o prefeito local vetam a entrada de Robert Mondavi no mercado local, com medo da destruição da paisagem local, da concorrência do mercado local, da padronização dos vinhos e do abandono ao desenvolvimento dos terroirs e pequenas extensões de vinhedo que produzem vinhos tão particulares. 

É claro que todas estas histórias se contrapõe e formam um grande comédia humana, com toques de humor e aspereza, mas mostrando o quão complexas estas relações podem se tornar. Outro aspecto que gera certa apreensão é a política e a guerra entre a diversidade e a padronização da produção. Nesta batalha entre os pequenos produtores versus grandes industriais, apontar heróis e vilões é uma tarefa mais difícil do que podemos imaginar. Mas vale a pena colocar no dvd e tomar uma taça de um bom bordeaux para acompanhar.

Até o próximo!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Alto Las Pizarras del Jalón 2005

Eu gosto muito de conhecer vinhos diferentes, e nada melhor do que o Smart Buy Wines Club, que sempre traz excelentes vinhos, geralmente bem vistos pela crítica em geral, e que tem trazido grandes surpresas positivas pra mim. O vinho alvo deste post vem da Espanha, da DO de Catalayud, próximo a Valência, uma região relativamente mais nova de produção de vinhos na Espanha. O produtor, Bodegas Y Vinedos Del Jalón, se utiliza de vinhedos que estão em altitudes variando entre 700 e mil metros, e vinhedos com idade média de 80 anos e produz este tinto com uvas 100% Garnacha. Vamos as impressões.

O vinho mostrou na taça uma cor rubi tendendo ao granada com halo aquoso, lágrimas finas, rápidas, em número razoável e com alguma cor completam o aspecto visual.



No nariz o vinho abriu muito floral (lembrando pétalas de rosa), com aromas também de chá, ameixa vermelha meio azedinha e leve toque especiado. Pouca lembrança de caramelo com um pouco mais de tempo, denotando sua passagem em barricas por 11 meses (segundo produtor).

Na boca o vinho apresentou corpo médio, excelente acidez (que convidava sempre ao próximo gole), taninos bem fininhos e fundidos no vinho, muita erva de chá e o "azedinho" da ameixa vermelha com um final longo e macio. Uma delícia.

Mais um excelente vinho trazido pela Smart Buy Wines, teve 91 pontos por Robert Parker (não que isso queira dizer muita coisa mas fica a informação), e fez valer o valor pago por ele, em torno de R$ 100,00. Que venham os próximos.

Até mais!

domingo, 21 de agosto de 2011

Portas de Lisboa 2008

Mais uma final de semana com frio e chuva em sampa, e eu impossibilitado de sair de casa, resolvi aproveitar para experimentar este vinho que eu já tinha ouvido certo burburinho. Ele participou daquela campanha/concurso de comida de buteco, em mais uma estratégia de sua importadora, a abflug, em democratizar o consumo de vinho.

Aliás, em um outro post relacionado a importadora esqueci até de comentar que cheguei a conhecer, de maneira um pouco rápida é verdade, um dos sócios da importadora, o Marcelo Toledo, e pelo pouco que conversei com ele senti que ele tem muita sinceridade e vontade de fazer a coisa acontecer, ao menos no discursso. Desejo realmente que tenham sucesso na empreitada.

Falando um pouco sobre o vinho em si, trata-se de um vinho regional de Lisboa, produzido pela Casa Santos Lima e tem em sua composição as uvas Castelão (mais conhecida aqui como periquita), Touriga Nacional e Syrah. Passa por envelhecimento em carvalho, porém não encontrei detalhes sobre quanto tempo, porcentagem do vinho que passa por carvalho e coisas do gênero. Vamos as impressões.

Na taça apresentou uma bonita cor violácea com ligerio halo aquoso, lágrimas finas e levemente coloridas, rápidas e em grande quantidade.
 

No nariz abriu com muita fruta vermelha madura, aquela sensação de doçura quase, com algo de especiarias e fundo levemente floral. Depois de um tempo mostrou ainda algo de baunilha. Mais complexo até do que eu poderia esperar.

Em boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez, taninos finos mas presentes e álcool bem integrado. Confirmou fruta e especiarias em boca e tinha ainda um final de média duração lembrando ainda caramelo e/ou bala toffee. Bem interessante.

Enfim, mais uma bela tentativa para se democratizar o consumo de vinho no país sendo que este vinho custou algo em torno de R$ 25,00, salvo engano, na rede Sam´s Club e valeu o investimento.

Atá o próximo.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A colheita de 2011 na França será maior que a de 2010

A colheita de uvas na França está prevista para exceder os 47 milhões de hectolitros (hl) este ano - um aumento de 6% em relação a colheita de 2010.

De acordo com dados divulgados pelo ministério francês da agricultura e da pesca, as vinhas do país produzirão 47.9m hl de frutas, um pequeno aumento em relação a colheita do ano passado.

A estimativa inclui 23m de hectolitros de vinhos geograficamente delimitado por denominação (AOP), e 13.6m hl de vinhos classificados como IGP, a categoria de vinhos anteriormente conhecido como vin de pays.

No entanto, o ministério admitiu que ainda havia tempo para a diminuição nestes números devido ao mau tempo durante a colheita e surtos de doenças.

Seu relatório advertiu, "ataques de fungos, estão sob controle no momento, mas podem afetar as próximas semanas se o tempo úmido continuar."

Apesar de medidas no Languedoc-Roussillon que levaram a uma redução de 4% na área plantade de vinhas da região, é esperada um aumento potencial na colheita de mais de 1 milhão de hectolitros para 13.1m hl.

Perigo em embalagens alimentícias? Existe BPA no meu vinho?

Uma notícia que a princípio preocupa mas, carece ainda de mais pesquisa e discussão em torno do assunto. Foi divulgado recentemente que um produto químico normalmente presente em plásticos, inclusive os utilizados em embalagens alimentícias, pode causar um pequeno desequilíbrio hormonal quando presente em grandes quantidades. Leiam e tirem suas conclusões. Se tiverem mais informações sobre o assunto, os convido a compartilhar comigo e com os leitores do blog através das caixas de comentários ao final da postagem. Notícia esta retirada do site da revista Decanter.

Especialistas em saúde estão preocupados com um produto químico encontrado em muitos materiais de embalagem alimentícias.


BPA está voga, mas isso não significa que a maioria das pessoas entendam o que é e por que eles deveriam evitá-lo. Existe o risco desta substância química encontrada em plásticos do cotidiano estar em seu vinho? A resposta é complicada. Pedimos aos especialistas que esclareçam o que você deve saber a respeito do assunto.


O que é o BPA?


Bisfenol A, ou BPA, é um produto químico utilizado na fabricação de plásticos e resinas epóxi. BPA pode ser encontrado em qualquer coisa, desde garrafas de água até em papéis recibo de compras, daqueles que saem das caixas registradoras.Muitos produtos de alumínio, como latas de refrigerante, são revestidas com um epóxi contendo BPA. O composto foi aprovado pelo FDA para o uso em produtos que contenham alimentos desde 1960.


Porque as pessoas estão tão preocupados com este produto químico?


BPA é um disruptor endócrino com atividade estrogênica. "Este composto engana as células do corpo e o sistema de sinalização do corpo, fazendo-o acreditar que está sendo estimulado por um estrogênio quando ele na verdade não está", explicou Stuart Yaniger, vice-presidente de pesquisa e desenvolvimento da PlastiPure, uma empresa dedicada à criação de plásticos livres de BPA. Embora BPA tem se colocado no centro das atenções, os plásticos podem ser feitos de outros produtos químicos que têm efeitos semelhantes. "Você não quer tomar estrogênio sintético em seu corpo", disse Yaniger.


Um relatório do Programa Nacional de Toxicologia expressa "algumas preocupações" sobre os efeitos do BPA no desenvolvimento em fetos, bebês e crianças. "São necessárias pesquisas adicionais para avaliar mais completamente os impactos funcionais de longo prazo da exposição a bisfenol A no desenvolvimento e comportamento do cérebro."


Existe BPA no vinho?


Nenhum estudo confirmou a presença de BPA no vinho, mas um estudo recente descobriu atividade estrogênica em rolhas sintéticas. Liderados por George Bittner da Universidade do Texas, uma equipe de cientistas estudaram centenas de plásticos para a possibilidade de existência de atividade estrogênica. Uma marca não especificada de cortiça sintética foi embebido em água por 72 horas e a atividade estrogênica foi alta. Uma grande gama de produtos químicos, incluindo o BPA , poderia estar causando esses resultados.


Tampas de rosca e tanques de fermentação são uma história diferente. A maioria das tampas de rosca contém um revestimento plástico livre de BPA, embora não houve nenhum estudo para testar produtos químicos similares. Tanques de fermentação, ambos os modelos em aço inoxidável e concreto, podem ser forrado com um composto epóxi. Ninguém testou esses revestimentos de epoxy até agora.


Como você pode dizer que um produto é livre de BPA?


Algumas empresas como a Alcan, fabricante de tampas de rosca, e Tetra Pak, cujas embalagens são usadas em vinhos de caixinha, declaram recentemente que seus produtos são livres de BPA. Não há meios concretos para determinar se um produto é livre de atividade estrogênica, a menos que uma empresa divulgue esta informação.
 
Até o próximo!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O paladar preconceituoso no mundo do vinho

Matt Kramer nos brinda com um novo editorial discutindo agora os preconceitos que existem no mundo vinícola, e que não são poucos. Evidentemente que ao adaptarmos o artigo para o nosso mercado, podemos ver algumas coisas meio fora de sintonia. E podemos também incluir algumas coisas mais. Mas a verdade é que sempre exisitiram alguns "dogmas"no mundo do vinho e que permanecem pouco ou quase nada inalterados nos dias de hoje. Leiam o artigo (traduzido e adaptado por mim) e depois poderemos discutir sobre o tema, dizendo quais seriam, na sua opinião, os temas que mais sofrem preconceito no tocante ao mercado vinícola brasileiro. Espero vocês!

Estariam todos cada vez mais tendenciosos quando nos referimos a vinhos hoje em dia?

Tudo começou com um almoço que tive com um vinicultor. Basta dizer que este homem não era californiano. Ele era um cara afável, inteligente e faz vinhos muito bons. A conversa foi em torno da Pinot Noir. "Eu não gosto dos Pinot Noir californianos", ele declarou. Fiquei um pouco surpreso quando ouvi isso. Descartar todos os Pinot Noirs da Califórnia de uma só vez é um pouco demais. Vamos ser realistas: é um preconceito. E não é a primeira vez que eu ouvi esse tipo de preconceito em particular. Perdi a conta do número de vezes que eu ouvi viticultores oriundos de Oregon ou apreciadores de Pinot Noirs de Oregon ser igualmente desprezíveis, declarando (sem cerimonia) que os Pinot Noirs da Califórnia simplesmente não são a "coisa real." Felizmente, eu fui capaz de fazer tal vinicultor engolir suas palavras, por assim dizer, depois de perceber um Peay Vineyards Pinot Noir 2008 na carta de vinhos. Nós pedimos este vinho e ele descobriu em um só gole que o vinho era tudo o que ele tinha certeza que um Pinot Noir californiano não poderia ser: delicado, perfumado e até mesmo etéreo. Termos como "Chambolle-Musigny" e "Volnay" simplesmente pairavam no ar.


Agora, há uma série de Pinot Noirs californianos que não são para o meu gosto pessoal, muito alcoólicos, muito extraídos, muito uso de carvalho e também voluptuosamente excessivos. Tenho certeza que você pode elaborar sua própria lista facilmente.


Um bom vinho sempre causou divisões. Por exemplo, existe há muito tempo uma tensão entre aqueles que encontram um maior mérito em Bordeaux sobre Borgonha e vice-versa. Nada de novo lá. Tem sido assim por séculos. Mas atualmente num mundo vinícola completamente novo deveríamos ter passado desta fase, certo? Aparentemente não. A existência, ainda hoje, de um paladar preconceituoso é surpreendente. Nós deveríamos ter passado por todos estes antiquados esnobismos uma vez que o vinho se tornou mais "normal", lembra-se?


Apesar de inúmeras iterações da famosa Prova de Paris em 1976 (com quase todos resultados replicando o original), um número surpreendente de pessoas não consegue assimilar em seus cérebros (não importa seu paladar) o fato indiscutível que a Califórnia pode criar um baita Cabernet Sauvignon. Mas o paladar preconceituoso não pára por aí. Quantas vezes você já ouviu alguém dizer que ele ou ela não gosta de vinhos italianos? Qualquer vinho italiano. "Eu não gosto de vinhos italianos," eles começam. "Eles são muito ácidos, tânicos, muito estranhos. Simplesmente não me agradam." A lista continua. Por exemplo, quantas vezes você já ouviu vinhos alemães classificados como "muito doces"? Ou Cabernet Francs descartados como excessivamente "verdes" ou "vegetais?". O que é ainda mais surpreendente é a forma como muitas vezes se ouve profissionais do vinho dizerem tais coisas.

Existe então uma parte mais bizarra deste preconceito onde o paladar das pessoas é ridicularizado. Você se importaria de me dar um dólar para cada vez que você tenha ouvido alguém dizer que um degustador tem um "estilo californiano de paladar”? Eu não penso assim. "O preconceito hoje assumiu uma coloração diferente, mais comum para os fãs raivosos de esportes. As pessoas agora torcem a favor ou contra uma ou outra variedade de uva ou região vinícola."


Existe um "paladar Costa Leste"? Já ouvi muitas viticultores da Califórnia afirmarem que existe e que seus vinhos são sujeitos a um preconceito eurocêntrico, por causa de tais "paladares Costa Leste." Será que eles existem? Você me diz, especialmente se você for da Costa Leste. Agora, muito desta discussão é apenas uma abreviação. Mas não se enganem, o paladar preconceituoso existe. Na verdade prospera de uma maneira e em um grau nunca antes visto.


Antigamente -o que quer dizer, 20 ou 30 anos atrás - só os vinhos europeus eram bons. Todo o resto era para consumo "doméstico". Já houve um termo mais desprezível? Felizmente, nós não ouvimos mais esse termo, que é uma medida de quão longe chegamos. Graças a Deus (e do falecido Robert Mondavi) por isso. Seria isto algo tão terrível assim? Provavelmente não, mas pode ter um efeito inibidor. Muitas variedades de uva ainda são vistas como "menores" como a Gamay Noir, Muscat, Lambrusco, Noir Baco, Zweigelt e toda uma lista de outras variedades que são pouco ou quase nunca respeitadas, nunca atingindo um preço adequado. E que, por sua vez, faz com que os produtores fiquem menos dispostos a produzir ou celebrar tais vinhos.


Aqui, o paladar preconceituoso se faz sentir. Amantes da Pinot Noir, por exemplo, muitas vezes olham com desprezo para a Gamay Noir, assim como fazem muitos produtores de Pinot Noir. As melhor as áreas de Pinot Noir na América do Norte poderiam criar Gamays soberbos. Mas há um preconceito contra ele. Idem para a Pinot Blanc vs. Chardonnay. Claro, o mercado tem um papel poderoso. Mas o preconceito o alimenta ainda mais.


A questão aqui não é uma obrigação de amar ou tratar tudo de maneira não crítica. Em vez disso, a questão é um novo tipo de "dispensar" que substituiu o esnobismo de tempos atrás com uma pitadinha do escárnio de “A Laranja Mecânica”. Estamos vendo isso com o desprezo aos vinhos australianos, por exemplo. Não se importa de me entregar outro dolar para cada vez que você ouviu alguém desprezar vinhos tintos australianos os chamando de grandes, brutais, excessivamente extraídos, com excesso de carvalho e exagerados? Claro, esses vinhos existem. Demais, mesmo. Mas há mais nos vinhos australianos do que esse preconceito admite.

Cada vez mais estamos vendo os efeitos do preconceito, podem chamá-lo de uma ignorância maligna se preferir, moldando o que está sendo cultivado, o que está sendo oferecido e o que está sendo elogiado. Ou não. O fato é que o preconceito está se infiltrando no discurso vinícola nos dias de hoje. Você não acha? Ou estou imaginando algo que é apenas uma idéia de "boa diversão” para outras pessoas?


Até o próximo!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Comprar vinhos pela internet é mais fácil?

Todos sabemos que a compra de mercadorias pela internet, sejam estas vinho ou não, são tanto uma benção como uma maldição. Enquanto não existe algo mais fácil e prazeroso do que não ter nem a necessidade de se trocar de roupa para fazer uma compra via internet, os percalços para nós brasileiros ainda é grande quando se trata de vendas pelos ditos canais eletrônicos. Ou vai dizer que você nunca teve um desgosto, por menor que seja, quando lidava com um portal de compras via internet? Existe ainda o problema da massificação quando você precisa encontrar alguma coisa mais especial, sabe aquele presente difícil e que vez ou outra o deixa extremamente irritado? Pois é, a internet nem sempre é a solução. Mas e em se tratando de vinhos, a esperiência pode valer a pena? E acessórios? A dica mais importante, para começarmos é tenha sempre em mente que vendedores idôneos e outros nem tanto, existem em qualquer mercado e/ou canal de vendas, sendo isto o fator principal na escolha do estabelecimento que você pretende efetuar compras.

Pensemos agora se você se decide por comprar uma daquelas adegas climatizadas pela web, como fazer? Afinal de contas apesar do número crescente de lojas que vendem tais produtos e grandes ofertas por ai, nem sempre se pode confiar em fotos para escolher produtos de determinado valor agregado. Minha dica neste caso é ao menos tentar visitar uma loja física primeiro, a fim de ver pessoalmente os principais aspectos do produto que você quer adiquirir. Mas e no caso de você não ter ainda se decidido? A maioria dos sites apresenta ferramentas de busca que muitas vezes juntam as adegas climatizadas com pequenos racks e outros acessórios que recebem o mesmo nome nestes mecanismos. E ai começam seus problemas. Portanto a dica é decidir antes e "visitar" o produto em uma loja física antes de apostar cegamente. Existe também a possibilidade de uma indicação de uma pessoa de confiança, como um amigo enófilos, um professor ou mesmo profssional do mercado, que pode ajudar nesta escolha.

Partimos então para a compra de garrafas de vinho propriamente dito e ai, na minha opinião, é que existem mais dificuldades. E vou explicar o por que. Evidentemente existem um número enorme de importadores/distribuidores/lojas que possuem seus canais de venda também pela internet, dificultando sobremaneira quem está indeciso sobre qual(is) rótulo(s) comprar. Aliado a isso, não existem muitas opções de sites que contem com um atendimento onde você possa conversar com algum especialista e tirar suas dúvidas. Existe ainda a falta de sites que consolidem pedidos, uma vez que você pode pretender pegar rótulos de diferentes importadores/revendedores, muitas vezes aumentando o preço pois precisamos nos utilizar de lojas, que irão também acrescentar seus lucros ao preço final. O valor do frete surge as vezes proibitivo e/ou aumenta sobremaneira o valor que você pretendia gastar em garrafas, principalmente para compras menores. Mas existem vantagens, certamente. A possibilidade de pesquisa e comparação de preços fica facilitada e somente a um clique. A existência de muitas opiniões de enófilos, as vezes ao redor do mundo, pode também facilitar na hora de optar por um ou outro rótulo. E sem dúvida nenhuma os sistemas de pontuações dos críticos da atualidade podem ajudar no balizamento de suas compras. A dica é pesquisar, ter em mente com antecedência o que pretende adiquirir e se possível fazer pedidos maiores, mesmo que em conjunto com outras pessoas, para diluir o frete ou mesmo usufruir de promoções do tipo "frete grátis".

Existe ainda uma outra opção de compras via internet, que são os chamados grupos de compra ou confrarias. Normalmente importadoras e/ou lojas disponibilizam este tipo de "associação" para nós, onde a cada período pré determinado o cliente recebe em seu endereço uma caixa contendo de dois a quatro vinhos, de valores estabelecidos conforme o nível de associação. Neste caso você não tem muita escolha e está sujeito a seleção do importador/loja. Evidentemente quando você finalmente opta por um serviço destes já está ciente destas regras, mas mesmo assim pode ser decepcionante vez ou outra. 

Particularmente já me utilizei de todas as opções descritas no post e posso dizer que já tive mais satisfação do que decepção e por isso recomendo que, depois de alguma pesquisa, efetuem suas compras pela internet, principalmente se você é daqueles que não tem muita paciência para sair de casa, enfrentar trânsito e dificuldade de estacionamento. Por outro lado, nada substitui o contato com as pessoas quando você vai em lojas físicas, encontra outros enófilos, vendedores idôneos e pessoas que além de aumentarem seu network podem lhe proporcionar bons momentos. E você leitor, qual sua opinião sobre o assunto?

Até o próximo!