sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Rock e vinho: parece que a moda pegou

Conforme eu já havia postado por aqui, os caras do AC/DC se associaram a uma vinícola australiana (aqui) e criaram rótulos de vinho que uniam sua marca e músicas com algumas varietais de uva. Agora parece que é a vez do Motörhead fazer a mesma coisa.

Ao que pude apurar, o próprio Lemmy (baixista e vocalista da banda), que entende e gosta de vinhos foi quem selecionou uma vinícola australiana e seu varietal Syrah na colheita de 2010 para estampar no rótulo o nome da banda. O próprio Lemmy ainda deu a seguinte declaração sobre o vinho escohido: "Meu conselho é usa-lo com cuidado, quero dizer, o vinho é enganoso, tudo pode acontecer." O vinho que foi cuidadosamente selecionado por Lemmy é descrito como um vinho de um aroma frutado, com presença de baunilha, amoras, ameixas, eucalipto e alcaçuz. Eles ainda ousadamente dão dicas de harmonizações, como costeletas de cordeiro ou pratos com carne vermelha. Além disso, é possível ainda encontrar acessórios e taças com o logo da banda para a venda.

Infelizmente e costumeiramente estes itens de colecionador não estão ao alcance de nós, brasileiros, por motivos de preço e distância. Atualmente o vinho é disponibilizado em alguns países da Europa somente, e através de vendas on line para outros tantos. Fiquemos na vontade.

Até o próximo!

E esta inaugurada oficialmente a Confraria do Meio!

Todos que me acompanham no blog já notaram minha paixão por vinhos. E mais do que isso, puderam perceber que percorri um longo caminho em busca de conhecimento neste mundo dinâmico e de muita história, riqueza de detalhes e fontes de informação. E foi neste mar de informações que eu comecei e terminei de fazer o curso de Sommellerie para Enófilos, disponibilizado pela renomada sommeliere Alexandra Corvo em sua escola, a Ciclo das Vinhas. Muito mais do que conhecimento tive a oportunidade de conhecer pessoas únicas, muita diversidade cultural, e mais do que isso, de manter estas amizades. E como até já comentei por aqui, destas amizades surgiu a idéia de, após o término do curso, nos juntarmos numa base mensal para relembramos temas abordados em aula, tomarmos vinho e enfim, nos divertir. Era o embrião do que mais tarde viríamos a batizar de "Confraria do Meio". O nome é inusitado e acho que no momento oportuno virei a explicar, mas para que este post não se torne longo e massante, tomei a liberdade de deixar este assunto para depois.

Depois de muitas idas e vindas, muitos encontros e desencontros, fechamos o que seria a primeira data (28/09/2011) para a confraria se reunir assim como o tema proposto: vinhos italianos. Nesta primeira reunião deixamos o tema assim um pouco mais abrangente para não dificultarmos nenhum dos participantes a adquirir seu vinho e assim por diante. Discutimos muito sobre qual seria o local ideal para nos reunirmos: salão de festas do prédio de algum dos participantes, restaurantes que não cobram rolha, o que fazer? Ao final nosso confrade Attílio conseguiu com que fossemos a Pizzaria Camelo na Rua Pamplona, zona sul de São Paulo, e que não nos fosse cobrada rolha. Estava definida a primeira reunião da confraria.

Sobre a Pizzaria Camelo, vale um adendo. A casa foi fundada em meados da década de 50 quando era conhecida por vender comida árabe. Na década de 60 foi comprada pela família que atualmente dirige o estabelecimento, mas foi com o passar do tempo que o frango a passarinho e a pizza se tornaram os carros chefe do lugar. Dentre as especialidades, a pizza Pacaembu e notadamente o frango a passarinho, são realmente uma tentação a quem não conseguimos resistir, e que juntamente com os vinhos, fizeram parte de nossa esbórnia enogastronômica. Gostaria mesmo de ressaltar que fomos extremamente bem recebidos pelo gerente da casa, o Sr. Cristiano, tomando todo o cuidado com nossos vinhos e deixando um garçom quase que exclusivamente nos servindo por todo o tempo em que estivemos por lá! Realmente o atendimento e o carisma é um diferencial da casa, a qual eu ainda não conhecia mas recomendo fortemente a quem quiser comer uma excelente pizza em um ambiente agradável e acolhedor. Mas sem maiores delongas, vamos aos vinhos. Nas próximas linhas falarei das impressões dos confrades/confreiras sobre os vinhos trazidos em ordem de preferência, de acordo com a "eleição" que fizemos na reunião.

1o lugar - Caldora Yume Montepulciano D'Abruzzo 2004 - Vinho da região de Abruzzo, no centro-sul da Itália com uma coloração bem viva contrastando sua idade já avançada. Aromas de tabaco (muito), defumado, frutas passa, ameixa e menta, mostrando muita complexidade. Na boca tinha acidez muito boa, taninos médios, firmes e ainda marcantes. Muito equilibrado, taninos, álcool e acidez se conversam muito bem. Final médio tendendo para o longo marcando um retrogosto frutado e mentolado. Recebeu 3,5 de 5 possíveis;

2o lugar - Poggio Bertachio Stucchio IGT 2006 - Um 100% Sangiovese proveniente da Úmbria com coloração já tendendo para o atijolado, denotando evolução. Aromas de café torrado, couro, frutas vermelhas, baú velho, madeira, fumo, bastante complexidade aqui também. Taninos finos, marcantes. Boa acidez. Final médio marcado pelo frutado e café. Recebeu 3,5 de 5 possíveis;

3o lugar - Fontalpino Chianti Clássico 2008 - Proveniente da lindíssima região da Toscana esse vinho feito com uvas Sangiovese mostrou uma cor rubi violácea intensa. Mostrou aromas de grama pós chuva, musgo, presunto cru, um toscano da gema. Bem estruturado, tinha taninos finos, boa acidez e final médio com frutas e algo de chocolate. Aqui vale uma ressalva: houve consenso que o segundo e terceiro lugares ficaram empatados pela qualidade apresentada por ambos. Recebeu 3 de 5 possíveis.;

4o lugar - Barbera D'Alba Batasiolo 2007 - Produzido com uvas Barbera cultivadas nas colinas dos arredores da ciadade de Alba, este vinho apresentou uma bonita cor violácea. No nariz, aromas de chiclete, plástico, pimenta, químico (que depois evoluiu para algo como merthiolate) e frutas vermelhas. Taninos discretos, bem finos com uma boa acidez. Álcool espetou um pouco no princípio mas não chegou a incomodar. Final médio com boa presença de frutas. Recebeu 2,5 de 5 possíveis;

5o lugar - Etna Rosso Tenuta delle Terre Nere 2009 - Produzido na Sicília aos pés do vulcão Etna, esse tinto tinha uma cor rubi clara lembrando muito as cores de um Pinot Noir. No nariz apresentava aromas florais (dama da noite), muita mineralidade, esmalte, bolor, e frutas como morangos e cerejas. Em boca era muito tânico e alcoólico, faltando uma acidez um pouco maior, deixando o vinho um pouco desequilibrado. Tinha um final médio que confirmava em parte o nariz. Aqui vale a ressalva de que foi o vinho mais curioso e original da noite. Recebeu 2,5 de 5 possíveis;

6o lugar - Ripasso Valpolicella Superiore Zonin 2009 - Vinho da região do Vêneto, esse exemplar tem um processo curioso de fabricação: o vinho obtido como Valpolicella passa por um tempo de contato com a borra de vinificação que sobrou do Amarone, obtendo assim mais estrutura, complexidade e aromas. Apesar disso, não foi bem o que notamos aqui. O vinho apresentou uma cor roxa, parecendo artificial. No nariz conseguimos notar apenas groselha e bala toffee. Na boca o vinho era magro, alcoólico e com pouquíssima acidez. Final curto, sem muito o que falar. Recebeu 1,5 de 5 possíveis.



E foi assim, com muita diversão, muita comida e bebida boa e excelentes companhias que terminamos a primeira reunião da Confraria do Meio. E é claro que já deixamos marcado para Outubro o próximo desafio da Confraria, onde o tema será: vinhos Argentinos. Aguardaremos ansiosos pelas surpresas que este dia nos revelará.

Até o próximo!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Varanda do Conde Vinho Verde 2009

O vinho de hoje vem de Portugal, da região demarcada de vinhos verdes, mais especificamente da região de Monção e Mengalço. A região de vinho verde provavelmente tem esse nome, segundo uma das lendas, em virtude da vasta e rica vegetação com esta coloração presente na região. Aliado a isso é uma região que contém muitos rios e está próxima ao oceano, o que confere características de muito frescor a seus vinhos. O vinho em questão é feito por um corte típico de uvas autorizadas, 70% Alvarinho 30% Trajadura. E este vinho foi escolhido para escoltar um prato de peixe ao molho de tomate e camarões, arroz com brócolis e batatas assadas,  o que diga-se de passagem fez com bastante louvor. Vamos as impressões.

O vinho apresentou em taça cor amarelo palha com reflexos esverdeados. Era possível também perceber a formação de pequenas bolinhas em grande quantidade. Isto ocorre, muitas vezes pela pequena adição de CO2 na produção dos vinhos com a intenção de ressaltar o frescor e a acidez dos vinhos.


No nariz era possível sentir aromas de pêssegos e maçã verde, com o cítrico realmente acentuado. Leve floral de fundo completava a paleta aromática.

Na boca o vinho apresentou corpo entre leve e médio, acidez bem marcada (com aquelas agulhadinhas na língua) gerando muito frescor e limpando o paladar sempre após ser ingerido. Confirma muito cítrico e maça verde em boca.

Cumpre bem o seu papel, simples e refrescante, acompanha bem uma refeição mais leve a base de frutos do mar e peixes ou mesmo pode ser um excelente aperitivo para alguma recepção. Custou por volta de R$ 39,00 e valeu o preço pago.

Até o próximo!

domingo, 25 de setembro de 2011

Autoridades chinesas e francesas unidas contra falsificação: eles não criaram o selo!

Numa recente discussão sobre regulamentação e falsificação de vinhos no Brasil, nosso governo resolveu retroceder e criar um selo (leia-se imposto) sobre os vinhos como uma forma de, segundo suas palavras, inibir tais práticas como contrabando, falsificação e asim por diante. Agora temos a notícia de que autoridades francesas e chinesas vão trabalhar em conjunto numa forma de combater tais práticas com outras medidas, talvez até mais efetivas. Não poderiam nossos governantes aprender um pouco? Leiam a notícia abaixo traduzida e adaptada, e tirem suas próprias conclusões.

Autoridades francesas e chinesas estão num esforço conjunto para combater a falsificação de garrafas e educar os consumidores chineses e importadores contra tais práticas. O CIVB - o Corpo de Comércio de Vinho de Bordeaux - tem feito visitas de surpresa a supermercados e lojas de vinho chinesas, a fim de elaborar um banco de dados de garrafas falsas, que fora transmitida aos investigadores chineses. "Isso é para que eles possam ver as ligações entre empresas que vendem as garrafas falsas, e onde as garrafas podem ter sido produzidos na China", disse Thomas Jullien do CIVB, o que representa cerca de 60 denominações de Bordeaux e cerca de 8.500 produtores. Jullien disse que as autoridades chinesas haviam se dirigido ao CIVB para se aconselhar sobre garrafas falsificadas. "Eles querem estabelecer ligações entre importadores e produtores, porque eles precisam provar que um produto é falso. Eles apreciam a nossa ajuda. " 

O CIVB não vai liberar dados sobre números de garrafas falsificadas, nem vai indicar quais marcas estão sendo falsificadas, embora as imagens obtidas por Decanter.com mostram garrafas apreendidas rotuladas como 'Forlatour' e um Margaux "Grande Reserva 'chamado' Chateau French Tour '. Funcionários indicaram que consideram estas suspeitas. 

Como uma indicação da escala do problema, os economistas do governo dos EUA no Departamento de Homeland Security estimam que 8% do PIB da China vem da venda de bens falsificados, de garrafas de vinho a roupas de grife. 

Garrafas falsas "continuam a ser um problema enorme, a partir do topo para o fundo da indústria", disse Marcus Ford, da boutique de vinhos Pudao em Xangai. "Há um perigo real de que os consumidores vão começar a perder a confiança em algumas das principais marcas e rótulos vendidos na China." 

À medida que o conhecimento sobre vinhos cresce na China, proteger os consumidores e as marcas de Bordeaux cada vez mais representa uma causa comum, disse Jullien. 

Para tal, o CIVB está planejando uma série de aulas e palestras sobre vinho em toda a China nos próximos três meses para ajudar os consumidores a compreenderem rotulagem e indicações de denominação. Mas a curva de aprendizagem é alta, disse Christophe Tran, um representante da organização de marketing para o vinho francês Sopexa em Xangai. "Nós começamos recentemente cursos para os importadores de explicar os rótulos de uma região francesa para a outra, mas nem todos por aqui dominam o idioma de Shakespeare ou Molière. Coloque-se no lugar deles e tente ler os rótulos de Bai Jiu [um vinho chinês de arroz] na língua de Confúcio ", disse Tran.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Dia internacional da Grenache


Hoje é o dia em que nós no Brasil celebramos (talvez celebramos não seja a palavra certa mas tudo bem) a entrada da primavera, estação comumente conhecida como a das flores, onde todas as plantas e árvores em geral fazem suas flores nascerem e mostrarem toda sua exuberância. Mas como poucos sabem, e eu me coloco entre estes, é também comemorado mundialmente o Dia Internacional da Grenache, com eventos em diversas partes do mundo. Este dia foi criado no ano passado quando diversos países se reuniram no Rhône, na França (onde a uva talvez tenha sua maior expressão) para participar de simpósios e na elaboração de projetos para divulgação e aumento do uso da uva ao redor do mundo. E o interessante é que neste ano a participação tende a aumentar, com a entrada de importadores, lojas especializadas e produtores fazendo campanhas para popularização da cepa.

Falando um pouco da Grenache em si, é uma das grandes uvas do Sul da França e da Espanha (principalmente da Catalunha), onde dá vinhos em estilos muito variados, a Grenache ou Garnacha de vinhas velhas é extremamente concentrada e complexa, com muito sabor. No entanto, também pode dar vinhos de pouca concentração, em outras circunstâncias. Ela dá origem a grandes tintos, como os famosos Châteauneuf-du-Pape e alguns outros vinhos principalmente no Vale do Rhône. Muitos produtores entretanto dizem que a palavra chave para o cultivo desta uva é o baixo rendimento, uma vez que a planta tende a ser muito vigorosa. E uma das maiores curiosidade é que mesmo não sendo tão conhecida como a Cabernet ou a Malbec por exemplo, é a segunda casta tinta mais cultivada no mundo. Evidentemente um dos maiores motivos é que normalmente ela se apresenta em cortes e não em vinhos varietais. De qualquer maneira, por ser muito versátil, tende a combinar com uma série de pratos, dependendo do estilo do vinho produzido.


Aqui no blog já degustei alguns vinhos que ora possuíam a uva sozinha, ora esta se apresentava em corte, dentre os quais vou destacar:

Alto Las Pizarras del Jalón 2005
Les Bartavelles Chateauneuf du Pape 2006
Cuvée des Templiers 2007
Gran Feudo Crianza 2006


E você, caro leitor do blog, o que pensa a respeito da Grenache (Garnacha)? Gosta de vinhos produzidos com esta uva? Tem indicações de caldos que possam fazer parte do futuro do blog? Deixem seus comentários!

Até o próximo!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Gran Feudo Crianza 2006

Este exemplar espanhol é produzido na DO Navarra, localizada mais a noroeste do país, em uma região moderna, que atualmente é conhecida por muita experimentação e utilização de cortes de uvas como Tempranillo e Garnacha em conjunto com uvas internacionais, sabidamente Cabernet Sauvignon e Merlot entre outras. No caso específico deste vinho, o corte tem as seguintes proporções: 70% Tempranillo, 25% Garnacha, 5% Cabernet Sauvignon. Após sua produção passa por um período de 12 meses em barricas americanas de carvalho para envelhecimento e afinamento. Vamos as impressões.


Na taça o vinho apresentou uma cor rubi violácea já tendendo ao granada, com borda atijolada. Lágrimas finas, rápidas e incolores completavam o conjunto.

No nariz o vinho se mostrou muito frutado, notadamente frutos escuros como amoras e ameixas. Madeira muito presente apresentando também aromas de "cheese cake" e chocolate. Ao fundo, alguma coisa me lembrava especiarias doces como cravo e tabaco. Muito complexo e interessante o vinho.

Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez levando em conta sua idade já avançada, taninos finos mas presentes, devidamente integrados. Confirma em boca frutas escuras e alguma coisa de baunilha/chocolate. Final de média duração.

Um vinho interessante, fácil de beber e que vai bem sozinho, porém deve acompanhar também alguma carne assada sem muito tempero e massas mais leves com molhos vermelhos. Bom custo benefício e como eu gosto de frisar, vai me ajudando a expandir o paladar.

Até o próximo!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Polêmica: Afinal vinho tinto faz bem ou não para saúde do coração?

Depois de serem divulgados diversos estudos dizendo dos benefícios do vinho tinto para a saúde, muito em consequência da presença da substância antioxidante resveratrol, como por exemplo auxílio na perda de peso, efeitos anti-inflamatórios, aumento de massa óssea e muscular, aparece agora um novo estudo feito por um grupo australiano que viria para contrariar esta teoria. Particularmente nunca fui muito partidário destas pesquisas relacionadas a saúde por não conseguir ver resultados paupáveis, mas segue a notícia adaptada e traduzida para que vocês possam tirar suas próprias conclusões.

Um grupo de organismos de saúde australiano atacou o que chamou de "mito" de que o vinho tinto pode ter propriedades terapêuticas e auxiliar na manutenção da saúde dos indivíduos. A Coalizão Política de Álcool, cujos membros incluem a Fundação de Medicamentos da Austrália e a Fundação do Coração, desafiou o corpo de pesquisa recente que informou que o consumo com moderação de vinho tinto reduz o risco de doenças cardíacas coronarianas. O relatório "Desmascarando o mito: vinho tinto não é remédio mágico para doenças do coração" foi lançado hoje para coincidir com a reunião das Nações Unidas sobre as doenças não transmissíveis. 

Começando com a estatística que mais da metade de todas as mortes relacionadas ao álcool no mundo são de doenças cardiovasculares, câncer ou cirrose hepática, o relatório cita estudos de todo o mundo que mostram que os perigos do álcool superam quaisquer benefícios para a saúde. Globalmente, 545.000 pessoas morreram de doenças cardiovasculares relacionadas com o álcool em 2004, e na Austrália 5% de todos os cânceres são causados ​​por álcool, incluindo um em cada cinco cânceres da mama, diz um comunicado de imprensa da APC.

"Depois de analisar todas as evidências científicas, os indícios são de que quaisquer efeitos positivos do álcool na redução do risco de doença cardiovascular têm sido imensamente superestimadas", diz Kathy Bell, CEO of the Victoria Heart Foundation. "Em particular, o vinho tinto não possui qualidades especiais e protetoras quando se trata de doença cardiovascular."

A APC está chamando a atenção para uma ação do governo na forma de um "imposto de álcool eficaz," disse Todd Harper, CEO da APC e membro do Conselho de Câncer de Victoria. "O vinho é tributado pelo valor e não pelo teor de álcool. Então, quando os australianos podem comprar uma garrafa de vinho por menos do que uma garrafa de refrigerante, não é surpresa nenhuma que tenhamos um problema com a bebida de mais de AUS $ 15 bilhões em nossas mãos ", disse ele. "Mas há algo que o governo pode fazer para ajudar a resolver o problema - com uma taxação eficaz do álcool , a Austrália pode mostrar ao mundo como reduzir as doenças relacionadas com o álcool, incluindo doenças cardíacas e câncer."

Há um corpo formidável de pesquisa demonstrando que o álcool, e no vinho tinto em particular, quando tomado com moderação, reduz o risco de certos tipos de câncer e doenças coronárias e aumenta expectativa de vida em homens e mulheres. Em particular, é geralmente reconhecida por um amplo espectro de especialistas médicos que fenóis presentes na casca das uvas tintas têm benéficas propriedades anti-oxidantes. Dr Thomas Stuttaford, colunista médica para o ex-Times, disse que "não há dúvida de que o álcool ajuda você a viver mais tempo. Enquanto aumenta o risco de certos cânceres, como câncer de cólon ou da mama, você fica menos meno propensos a ter outros tipos de câncer e doenças cardíacas. Existem inúmeros estudos que confirmam isso." Stuttaford deixou claro que ele estava falando sobre beber quantidades moderadas de álcool.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Milantino Reserva Malvasia de Cândia 2008

Como já comentei em um de meus posts anteriores, no sábado tive a oportunidade de visitar mais uma vez a loja D.O. Brasil, originalmente focada em vinhos brasileiros mas que segundo a proprietária, por falta de apoio e parcerias com os produtores nacionais, resolveu ampliar seu portfólio e buscar amparo em vinhos importados. Já discuti sobre isso neste mesmo post anterior e portanto vou me focar no assunto principal deste, que é o vinho do título. Pedi a Cecília que me indicasse um branco diferente, fresco, sem madeira, para acompanhar um peixe e risoto de camarões no final de semana. E a indicação dela foi o Milantino Reserva Malvasia de Cândia, um branco aromático, muito fresco, e surpreendente. E como eu gosto muito de vinhos diferentes e de expandir meu paladar, não pensei duas vezes pois até aqui todas indicações feitas pela dona Cecília foram excelentes! Vamos as impressões.



Na taça o vinho apresentou uma bonita cor dourada, com lágrimas finas, abundantes e sem cor.

No nariz o vinho abriu com um delicioso aroma de lichia. Logo depois era possível sentir abacaxi e algo cítrico que eu identifiquei mais tarde como limão. No final da taça a impressão era de mel com própolis. Surpreendentemente aromático.

Na boca o vinho apresentou corpo leve e acidez marcante, sempre pedindo o próximo gole. Confirmou na boca abacaxi e limão, sendo que o final era quase "salgado" de tão cítrico, porém junto com a acidez criavam uma refrescância muito grande. Final médio para longo.

Um vinho extremamente interessante, despretensioso, que pode ser servido para recepções, acompanhar entradinhas como saladas e comidas mais leves, além de peixes sem muito condimento. Valeu cada centavo pago por ele, afinal saiu por 10 reais na promoção. Aprovado.

Até o próximo!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Altos Las Hormigas Malbec 2009

Complementando meu último post sobre o Restaurant Week (este aqui) vou falar do vinho escolhido para acompanhar a refeição. Um típico Malbec da Argentina, afinal de contas estava comendo em um restaurante argentino. Este exemplar é feito em Mendoza, com uvas de diversos vinhedos da região, inclusive compradas pela vinícola. Ao que tudo indica, 50% do vinho estagia em madeira para envelhecimento e afinamento. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma cor violácea bem intensa, com lágrimas grossas e com média velocidade, bastante coloridas e tingindo a taça.

No nariz o vinho mostrou muitas notas de frutos vermelhos maduros, alguma coisa de floral, baunilha e chocolate. No fundo da taça alguma coisa de café também. 

Na boca o vinho mostrou corpo médio, boa acidez, taninos firmes, presentes, deixando o vinho até um pouco rústico. O álcool espetou um pouco de princípio, mas do meio pro final da meia garrafa arrefeceu e não foi mais problema. Final médio com lembrança de frutas e chocolate. Algum tostado podia ser sentido também.

Um vinho interessante, potente, como o padrão mendocino tem se mostrado nos últimos tempos. De qualquer maneira é um bom vinho, que acompanhou muito bem a refeição. Pretendo comprar uma garrafa para experimentar com mais calma em casa e confirmar minhas percepções. Mas vale a pena!

Até o próximo!

domingo, 18 de setembro de 2011

São Paulo Restaurant Week Parte II: Estación Sur

Esta semana que terminou trouxe algumas boas surpresas pra mim. Tive a oportunidade de ganhar alguns prêmios em promoções, coisa que raramente acontece. E um destes prêmios foi duas cortesias para aproveitar o São Paulo Restaurant Week no Estación Sur, um restaurante argentino nos Jardins. Não exitei e assim que retirei o voucher do restaurante, reservei a noite do sábado para aproveitar o prêmio junto da minha namorada. Como eu já falei num post anterior sobre o evento (aqui), eu sempre gosto de visitar o evento e procuro escolher muito bem, baseado nos cardápios apresentados, mas neste caso não teria opção. Sem maiores delongas, vamos as impressões.

Chegando ao local na hora agendada (20:30h) fomos recepcionados por uma hostess que falava castelhano, então supus que era argentina. A casa tem uma decoração que remete as casas parrileiras argentinas, com uma bela grelha com todos os cortes de carne assando. Ainda possui também uma bela adega que prioriza rótulos de vinho de nossos hermanos argentinos e chilenos. Tudo estava muito organizado até aqui, nossa mesa estava devidamente arrumada e separada. A garçonete que veio retirar os pedidos no entanto, não parecia estar num bom dia e pouco conversou ou foi atenciosa, se limitou somente a anotar os pedidos e sair, nem o couvert foi oferecido. E não foi por causa de lei de couvert nem nada, simplesmente falta de atenção mesmo. Entretanto eu vi que um rapaz "a paisana", que parecia ser algo mais no restaurante, começou a tomar conta dos pedidos e entregas nas mesas e a coisa começou a fluir melhor. Ainda, um outro garçom veio nos atender e muito mais simpático fez a coisa ficar melhor, equilibrando o " jogo". Entretanto talvez seja interessante rever um pouco a sistemática de serviço do local, que parecia um pouco atrapalhada no noite em questão.

Quanto aos pratos, realmente a comida estava muito boa, desde o couvert delicioso, que tinha salame, mussarela de búfala, patê, pães e azeitonas. As opções de entrada eram empanada (queijo ou carne) e salada verde. A campeã nas escolhas, sem dúvida foram as empanadas, uma de queijo pra ela e uma de carne pra mim.Os pratos principais eram cortes de carne típicos argentinos (baby beef, bife de chorizo e frango) sendo que os escolhidos foram baby beef pra ela e chorizo pra mim. A carne era tenra e macia, muito suculenta. Apesar de minha namorada ter pedido a carne um pouco mais passada, não aconteceu. No entanto aquele garçom simpático se ofereceu para passar a carne um pouco mais, o que acabou não sendo necessário. Ponto positivo pra eles no quesito melhora no atendimento. De acompanhamento ainda tínhamos purê de batatas pra ela e batatas insufladas pra mim. Como vocês podem notar, deixei de fora a escolha das bebidas pois escolhi um vinho argentino para acompanhar a refeição, que será alvo de um post individual posterior. 

Era chegada a hora do gran finale: a sobremesa. As opções eram panqueca de doce de leite ou charlote. Aqui vai uma confissão: mesmo não sabendo o que era charlote, estávamos tão hipnotizados pela panqueca de doce de leite que não tivemos nem a curiosidade de saber do que se tratava. E toda a expectativa se fez em forma de panqueca! Que doce de leite era aquele! Delicioso! Não tenho nem muitas palavras pra descreve-lo, era sem dúvida um grande desfecho para uma grande refeição.

No geral a refeição foi excelente, se por um lado tivemos um pouco de falta de atenção por parte da primeira garçonete, depois tudo se encaixou nos eixos e o jantar foi muito agradável. Agradeço ainda a Anexo Comunicação pelo voucher pois tudo transcorreu muito bem. Vale a visita!

Até o próximo!

sábado, 17 de setembro de 2011

Sozo Pinot Noir Reserva 2009

Hoje tive a oportunidade de ir a uma degustação na loja D.O. Brasil, sob a batuta da dona Cecília, para conhecer um vinho que já tinha ouvido certo burburinho pela internet, tanto para o bem como para o mal. Evidentemente estou falando do Sozo Pinot Noir Reserva, como já diz o título da minha postagem.

Mas antes de falar do vinho em si, gostaria de comentar um assunto que tive o prazer de discorrer com a dona Cecília, uma pessoa incrível diga-se de passagem. Ela sempre foi uma grande entusiasta do vinho nacional, mas segundo ela os produtores nacionais são os que menos suporte dão a lojas de pequeno porte como é o caso da D.O. Brasil. Além disso, ainda dão a entender que se utilizam destes lojistas de pequeno porte para desovar produção antiga encalhada, mas que procuram canais de venda maiores para novas safras. No final das contas, a dona Cecília teve que reduzir o trabalho com vinhos nacionais e invariavelmente apelar para os importados. Para finalizar, ela além de recomendar o vinho pela qualidade, disse que o Sr. Sozo tem sido um grande parceio, portanto ponto positivo pra ele.

Num país onde temos sim bons vinhos, entretanto a preços nem sempre condizentes com o que entregam, com produtores que muitas vezes apresentam uma soberba exagerada, fica difícil que se consiga trabalhar com tais vinhos. E ainda mais agora com o tal selo que implementaram para a venda dos vinhos, sinceramente eu não sei aonde podemos chegar.  Fico até constrangido da forma como alguns produtores insistem em serem resilientes a mudanças, a trabalhar o corpo a corpo junto com os lojistas, e de se apoiarem neles para popularizarem seu produtos. Enfim, chega do momento desabafo e vamos ao que interessa.



Proveniente da região de Vacaria, no rio Grande do Sul, próximo a divisa com Santa Catarina (São Joaquim), lugar onde os vinhedos se encontram a aproximadamente 1000 metros acima do mar, sendo assim chamados de vinhedos de altitude. Normalmente nestas regiões, se valendo destas "vantagem", é possível o plantio de uvas mais delicadas como a própria Pinot Noir, tendo em vista que existe uma maior insolação, variabilidade térmica, noites mais frias, gerando frutos de qualidade muito grande. 

Na taça apresentou um cor rubi violácea bem clarinha, muito transparente, brilhante, bem típica de um pinot noir.

No nariz aromas leves e elegantes de frutas vermelhas, notadamente morangos e cereja, alguma coisa de herbáceo e discreto toque floral. Não notei no nariz passagem por madeira, mas segundo o produtor o vinho envelhece seis meses em barricas novas. Ponto positivo para a sobreposição da fruta.

Em boca corpo leve, taninos finos e presentes mas bem integrados, acidez bem marcante, sempre convidando ao próximo gole e confirmando o frutado do olfato. O único ponto negativo que eu destaco é que o final é bem curto, mas não acho que estraga a proposta do vinho.

Um vinho interessante, para ser bebido jovem e despretensiosamente mas que chamou minha atenção por destacar dois pontos: tipicidade brasileiro da fruta e da cor e corpo de um pinot tradicional. Vale o quanto custou, cerca de R$45,00. 

Até o próximo!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Parceria Bordeaux - Beijing para ensino no mundo do vinho

Uma notícia polêmica foi veiculada no mundo vitivinícola por estes dias: um grande Chateau de Bordeaux fez uma parceria inédita com uma escola na China para ensinar enologia a seus alunos. Vejam os detalhes e tirem suas conclusões.

Os alunos irão primeiro passar seis meses em Pequim, tendo formação sobre os princípios básicos do vinho, assim como aprendendo Francês e Inglês. Após os primeiros exames, eles vão passar um ano na propriedade em Sauternes, aprendendo técnicas de degustação de vinhos, serviço do vinho e da cultura do vinho.

O objetivo é incentivar um elevado nível de conhecimento do mundo do vinho para potenciais profissionais do vinho e sommeliers chineses, para preencher uma lacuna de conhecimento que existe atualmente na cultura do vinho que se desenvolve de maneira rápida na China.

A escola pretende usar palestrantes convidados de restaurantes internacionais e escolas de sommellerie, bem como o seu corpo docente já existente, os proprietários de chateaux de Bordeaux e comerciantes de vinho.

O nome da escola chinesa será lançada em 23 de Setembro, no momento da assinatura do contrato, que acontecerá em La Tour Blanche.

Depois das discussões de Montalcino, Chianti!

Nos últimos dias muito se discutiu em torno da votação dos produtores de Rosso de Montacino a cerca do uso ou não de outras variedades em um blend que estaria um degrau abaixo dos atuais Rosso 100% Sangiovese. Finalmente a votação ocorreu e a maioria dos produtores não aprovou o uso destas outras variedades no blend, continuando assim ambos Brunello e Rosso 100% Sangiovese. 

Por outro lado, gostaria de apresentar uma discussão que li em uma revista de grande porte e que tem alguma relação com o assunto do primeiro parágrafo. Como podemos então aceitar que tenhamos Chiantis e Chiantis Clássicos com até 20% de outras variedades em seus blends? E quando eu digo a gente evidentemente estou generalizando e fazendo com que a pergunta se volte para os produtores e participantes do consórcio também. A mudança de legislação em Chianti e Chianti Clássico é recente, de 1996, mas é uma das mais sem sentido no final das contas, em minha humilde opinião, uma vez que temos alternativas de outras DOCs ou mesmo os IGTs e super toscanos que já contam com muitas variedades internacionais em sua composição.

Já foi amplamente discutido inclusive pelo pessoal de Montalcino que a uva Sangiovese é de difícil cultivo e nem todos os terrenos na Toscana e Itália central se mostram ideais para seu plantio. Mas também é de conhecimento que quando apreciamos um vinho tão particular, é evidentemente que o que buscamos nele sejam estas especifidades que as dificuldades de cultivo trazem com ele. E é por isso que o enófilo existe. Para buscar expandir o paladar, descobrir vinhos, uvas, cortes e regiões novas.

É uma discussão que não deve acabar tão cedo, mas que com o NÃO de Montalcino poderia ser trazido a tona também em Chianti e quem sabe não tenhamos aqueles vinhos de carácter únicos, onde a busca pelo terroir, pelo cuidado no cultivo e pela não padronização dos paladares possa sempre satisfazer os mais exigentes! E para vocês leitores, quais suas opiniões sobre o assunto? Dividam comigo seus pensamentos e opiniões e vamos fomentar a discussão saudável do assunto!

E até o próximo!


terça-feira, 13 de setembro de 2011

60% das vinícolas Argentinas se encontram na web


Que a internet e a febre das redes sociais sofreram um boom nos últimos anos todos temos certeza. E também temos a certeza de que atualmente muitas empresas se utilizam destas ferramentas para estreitar laços com os consumidores em geral, prospectar tendências, fazer promoções e muitas outras coisas. E é sobre isso que a notícia que eu trago hoje trata: mais da metade das vinícolas argentinas se utilizam destas ferramentas sociais para interagir com seus consumidores. Infelizmente não consegui achar alguma coisa semelhante sobre as vinícolas nacionais, mas eu creio que já existe algum estudo no mesmo sentido. Vejam um pouco da notícia traduzida e adaptada.

Estes dados são derivados de uma pesquisa realizada pela WineSur, analisando 300 empresas de exportação da Argentina. No entanto, apenas 6,3% delas oferecem serviços de e-business e apenas 25% estão presentes no Twitter.

Com o objetivo de saber mais sobre a realidade das vinícolas argentinas na web, a equipe da WineSur analisou 300 sites da Argentina, em termos de comunicação, design, presença em redes sociais e da programação.

Dentre estas vinícolas em análise na pesquisa, 100% delas são empresas voltadas para exportações. Gonzalo Merino, diretor de WineSur explicou: "toda empresa persegue objetivos diferentes ao criar uma página web, dependendo de suas necessidades. De acordo com os resultados provenientes da pesquisa, observou-se diferentes categorias: a web usada como uma apresentação da empresa, meios de contato, canal de marketing e espaço de interação com os consumidores".

Apresentação da empresa

Um dos primeiros usos é como uma apresentação da empresa. "Em outras palavras, é um espaço virtual onde os usuários podem aprender sobre sua história, localização, produtos, entre outros", sublinhou Merino. "Para este fator-continuou- recursos visuais são adicionados, como fotos e vídeos, sendo também fundamentais".

Meio de contato

Um dos dados positivos derivados deste estudo é que 94% dos sites analisados ​​mostram uma maneira de entrar em contato com a adega, através do guia "fale conosco", incluindo os dados da vinícola, bem como o seu telefone e e-mail, ou através de uma caixa para enviar uma mensagem através de um sistema de e-mail.

Além disso, outro dado avaliado pelo WineSur foi o número de vinícolas que oferecem dados de contato de seus distribuidores e importadores. Neste caso, apenas 31% das vinícolas liberam este conteúdo na web. "Deve-se ter em mente que 100% das vinícolas analisadas ​​estão presentes no mercado externo", destacou Gonzalo Merino.

Canal de comercialização

Claramente, a internet se transformou em um espaço onde milhares de empresas de todo o mundo comercializam seus produtos. O estudo revelou que apenas 19 vinícolas (6,3%) desenvolvem e-commerce.

Embora o grupo de vinícolas que oferecem serviços de comércio eletrônico no seu site é pequeno, foi encontrado uma concentração de vinícolas de volumes baixos de produçao e altos preços médios de seus produtos.

Interação com os usuários

Além de ser uma ferramenta usada por uma empresa como uma forma de comunicação, a Internet lhe permite interagir com os consumidores. "Assim, queríamos identificar a presença adegas e ações através de redes sociais", sublinhou Merino.

Segundo o estudo, 61% das vinícolas estão no Facebook (usando um perfil individual ou grupo, ou uma página de negócios). Isto significa que existem 183 vinícolas com presença no Facebook atingindo cerca de 338 pessoas (este número resulta de o número total de amigos, membros de um grupo ou fãs de uma página, no Facebook).Além disso, "foram analisados ​​os níveis de atualização e interação de cada conta vinícola Facebook. Os resultados mostram que 43% (79 no total) de vinícolas no Facebook interagem com seus usuários e apenas 33% (61 no total) mantem seus perfis atualizados com conteúdo novo ", explicou Rocío Acosta, responsável das redes sociais da WineSur.

Por outro lado, no caso do Twitter, o percentual de presença foi muito menor, revelando que apenas 25% (75 vinícolas) estão presentes lá, atingindo cerca de 499 seguidores cada. Destas 75 vinícolas, apenas 28 delas mantém suas contas atualizadas e interagem com os leitores.

"As vinícolas com presença ativa no Twitter são pouco mais de 20. Por esta ferramenta, estes adegas realizam concursos, ofertas promocionais e atualizam os seus seguidores sobre eventos. Elas não só fornecem informações sobre a vinícola, mas também compartilham conteúdos sobre outras vinícolas, páginas e blogs relacionados ao vinho ", concluiu Acosta.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Polkura Syrah 2006

Este vinho é produzido em Marchigue, no Vale do Colchágua no Chile e segundo o produtor tem a seguinte composição 92% Syrah, 4% Malbec, 2% Viognier e 2% Tempranillo / Mourvedre / Grenache Noir, um corte um tanto quanto inusitado eu diria. Para afinamento, o vinho passa por 12 meses em barricas francesas e americanas, de primeiro, segundo e terceiro usos.

O nome Polkura remete a uma montanha na extremidade mais ocidental do Vale do Colchágua onde os vinhedos estão localizados, e está escrita na lingua Mapuche, povo anciente do Chile. Polkura significa "pedra amarela" e faz também menção ao solo granítico da região que possui coloração amarelada. Apesar da proximidade com o oceano, a cadeia montanhosa segura um pouco das brisas marítimas mais frescas, fazendo com que o micro clima da região se torne algo temperado. Sem maiores delongas, vamos as impressões.



Na taça o vinho apresentou uma bonita cor rubi violácea com bordas alaranjadas, pouca transparência, lágrimas finas, lentas e bem coloridas, tingindo bem a taça.

No nariz apresentou aromas de frutas como figo, ameixa preta e jabuticaba, todas muito maduras. Em segundo plano apresentava muita especiaria (pimenta branca e preta), couro, carne defumada e leve aroma de côco. Muita complexidade e exuberância aromática marcavam o vinho.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez, uma pontinha de álcool no início (que logo sumiu apesar dos incríveis 14,8%), taninos firmes e presentes, marcantes. Cofirmou muita fruta, especiarias e côco em final longo e saboroso. Muito potente também no palato.

Um bom vinho, acompanhou carne assada (contra filet) rechedo com linguiça levemente apimentada sem maiores problemas. Uma boa compra e valeu os R$ 85,00 pagos por ele.

Até o próximo!

domingo, 11 de setembro de 2011

Hamburguer e vinho combinam? Mas é claro!

Ontem estávamos eu e minha namorada saindo do cinema e pintou aquela vontade de comer um hamburguer. Tirando o Fifities e Applebee´s, invariavelmente não temos grandes e saborosas opções quando falamos em shopping certo? Foi ai que me veio na cabeça visitarmos o PJ Clarkes, que mesmo já connhecendo o lugar, a satisfação seria muito maior, afinal são reconhecidos, inclusive internacionalmente, por seus hamburgueres de qualidade. Já receberam prêmios da revista Veja e do Guia Quatro Rodas, ou seja, não estão pra brincadeira quando o assunto é hamburguer.

Outra mania que eu tenho é que eu gosto de acompanhar minhas refeições com vinho, independentemente do prato em questão. Confesso que as vezes é meio difícil mas eu sinceramente não tenho medo de tentar. E foi o que eu fiz desta vez, de novo.

Chegando ao local, não tivemos dúvida que havíamos feito a melhor escolha. E o escolhido do dia para o desafio foi o hamburguer " The Cadillac" , composto de 200g de carne deliciosamente grelhada e tenra, ainda rosada por dentro, do jeito que eu gosto, acompanhada de bacon, queijo americano, alface e tomate. Um prato de força, com a carne e o bacon puxando a gordura e o queijo a cremosidade. Aliado a isso o acompanhamento era composto de cebola frita, bem picante.

Por outro lado, a casa não tem uma carta de vinhos muito elaborada, com poucas opções inclusive de meia garrafa. Por sorte, vislumbrei na lista um velho conhecido e curinga para situações como essa: o chileno Los Vascos Cabernet Sauvignon em taça!! Pensei comigo que era o ideal para enfrentar com bravura a gordura da carne tendo em vista seus taninos presentes e potentes e a cremosidade do queijo com sua acidez bem viva e muita fruta tanto no nariz como na boca. Para fechar o conjunto o fundo de especiarias, pimenta e pimentão que o vinho apresentava batiam de frente com a picancia da cebola frita, fazendo um conjunto interessante. Foi dito e feito. Os dois tiveram um casamento muito harmonioso, não criaram um terceiro sabor como reza o mantra da harmonização, mas cresceram e fizeram um conjunto mais saboroso no geral. E tive ainda a ajuda do catchup, que por indicação do Daniel Perches (do blog Vinhos de Corte), fez um bom par para a fruta do vinho!!

Fica a dica, quem quiser provar ou já tenha provado, me conte o que achou! Eu fiquei muito satisfeito com a refeição, ainda mais por ter provado pra mim mesmo que a combinação funciona e que vinho não precisa de nada muito requintado para acompanhar. Só o prazer da refeição já basta!

Até o próximo!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Sangiovese Cancelli 2009

Aproveitando a deixa do restaurant week e da inspiração italiana dos pratos, não pude deixar de tomar um belo exemplar daquelas terras para acompanhar minha refeição a base de massa fresca. E o escolhido foi este IGT Toscano, o Cancelli 2009. Blend de 30% de Syrah com 70% de Sangiovese, o vinho tem as duas variedades fermentadas separadamente em cubas de inox, sendo que o corte é feito antes do engarrafamento, onde ocorre o afinamento, sem contato com barricas.

O sistema de denominações de origem italianos passou a contar com os IGTs na década de 90 aproximadamente, mas a idéia sobre esta regulamentação surge em meados dos anos 80 quando o vinho italiano em sua maioria é muito "aguado" e "ralo", sendo engarrafado como vino de tavola. A partir da criação da lei que instituia o IGT, cria-se uma legislação que embora mais branda que uma DOC ou DOCG, dá aos vinhos algum senso de origem. Alguns produtores mais espertos porém, tendo em vista que esta regulamentação é menos restritiva, começam a utilizar a denominação para suas experimentações, utilizando uvas internacionais e criando seus melhores e mais cultuados vinhos, no caso até mesmo os super toscanos. Mas sem maiores delongas, vamos ao vinho.



Na taça apresentou uma bonita cor rubi violácea quase azul de tão forte. Lágrimas finas, rápidas e levemente coloridas completavam o aspecto visual.

No nariz o vinho se mostrou bem franco, com aromas de frutas vermelhas bem maduras (como se sentíssemos a sua doçura no aroma), toques de pimenta e cravo. Ao fundo algo que me lembrava couro, mas não consegui confirmar.

Na boca o vinho era uma seda, corpo médio com taninos presentes, marcantes mas bem integrados com a acidez, que sempre convidou ao próximo  gole. Um pouco quente de início, arrefeceu durante a refeição. Confirmou frutas e especiarias em boca com final um pouco curto mas saboroso.

Acompanhou bem os pratos de massa e alegrou a refeição. Trazido pela Mistral, me parece uma boa compra ao redor dos R$ 50,00.

Até o próximo!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

São Paulo Restaurant Week Parte I: Cantina La Grassa

Eu confesso que gosto do Restaurant Week, e sempre que posso, tento participar uma ou mais vezes em cada edição. Evidentemente que estudo um pouco os cardápios e procuro alguns que me pareçam bastante agradáveis, suficientemente diferentes e que se encaixem nas preferências de quem me acompanha, geralmente minha namorada e minha mãe. E como já tinha esboçado a vontade de conhecer a Cantina La Grassa, achei que seria uma boa oportunidade.

Quanto ao evento em si, nunca é demais lembrar que a idéia é que cada restaurante faça um cardápio fechado (entrada  + prato principal + sobremesa) por valores pré definidos (geralmente um valor no almoço e outro no jantar). Além disso, todo consumidor é convidado a contribuir com mais um real para entidades assistenciais, escolhidas a cada edição do evento. A insituição da nona edição é a "Associação Comunitária Monte Azul". Vale lembrar que é necessário estudar um pouco o cardápio de cada restaurante para não se decepcionar com o que vai consumir, afinal nem todos são suficientemente honestos e apresentam cardápios que sejam diferenciados para o evento. Além disso a idéia é de que o consumidor possa conhecer o serviço da casa e volte outras vezes caso tenha se sentido satisfeito.

Já a casa está localizada em Moema, numa esquina bem fácil de ser encontrada. Tem um ar meio bucólico, com decoração que nos remete a algum lugar fora de São Paulo, provavelmente uma cidade italiana de menor porte, por exemplo. E não poderia ser diferente, afinal a cantina conta com antepastos típicos italianos, pratos de massas frescas por eles mesmo produzidas no andar de cima da construção e receitas tradicionais, inclusive nas sobremesas. No lado de dentro, uma decoração simples e funcional deixa a casa com ar elegante e um detalhe singular chama a atenção: no teto existem muitos guardanapos de pano pendurados formando vários "cones" em linhas. 

Quando chegamos ao local, fomos prontamente encaminhados a nossa mesa (havíamos reservado) quando o garçom chegou, se apresentou e brevemente comentou sobre a casa, suas diretrizes e como o evento se desenrolava por lá. Depois fomos apresentados aos cardápios e nos deixou a vontade para fazermos nossas escolhas. Tudo de maneira muito acolhedora e cordial, sem fazer qualquer distinção entre nós e os demais clientes, aproveitando o evento ou não, o que por si só já foi um grande ponto positivo. Enfim, vamos ao que interessa, que são os pratos e as impressões.

Para a entrada, as opções eram: uma salada de frisada, bresaola, pupunha temperada com azeite e limão ou brusqueta de parmesão com cogumelos; como estávamos em três, pudemos experimentar ambos os pratos e sem dúvida nenhuma a brusqueta foi a campeã, bem crocante com bastante cogumelos com molho shoyu e parmesão com um molho no prato que lembrava o tarê, agridoce oriental. Já para os pratos principais, as opções eram ravioli de queijo, pesto de manjericão e tomatinhos ou tagliatelle ao ragú de calabresa e rúcula. Neste caso todos fomos unânimes em escolher o ravioli, que estava uma delícia, com massa al dente, em boa quantidade, bem fresca e generosamente recheada de queijo e com um pesto com muito azeite muito bem integrado. Um sucesso. Por fim a sobremesa, cujas opções eram creme mascarpone, café e chocolate ou tortinha de maçã, sorvete de baunilha. Mais uma vez nos valendo de estarmos em três, pudemos escolher um de cada para provarmos e desta vez, a tortinha de maçã se saiu vencedora, estava deliciosamente caramelizada com aqueles amendoins "coquinho" por cima com o sorvete de creme, formando uma combinação maravilhosa.

Com o sentimento de que tinhamos acertado na escolha do restaurante e plenamente satisfeitos era a hora de nos levantar, dar nosso lugar a outros que aguardavam anciosamente suas vezes de provas uma comida muito bem feita, em boa quantidade e que valeu o valor pago. E que venham os outros.

Até o próximo!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Concha Y Toro eleita a marca de vinho mais admirada pela revista Drinks International

A publicação Drinks International, fundada em 1969 e conhecida como a única revista dedicada exclusivamente às bebidas alcoólicas, vinhos e cervejas do mercado, lançou "Marcas Mais Admiradas do Mundo do Vinho", uma pesquisa da indústria do que se pode considerar o melhor do vinho do mundo.

A Concha y Toro foi nomeada a marca mais admirada por voto secreto, tendo mais indicações no
painel de Drinks International, que contou com 60 membros julgadores, do que qualquer outra marca.

A comunidade mundial de vinho foi representada por masters of wine, consultores, enólogos, críticos, varejistas, educadores, consumidores e analistas.

Os jurados foram convidados a escolher até cinco marcas de vinhos - com a qual eles não tinham associação - com os seguintes critérios:

- Vinhos devem ser de qualidade consistente ou melhorar sempre;

- Eles devem refletir sua região ou país de origem;

- Eles devem responder às necessidades e gostos de seu público-alvo;

- Eles devem ser bem comercializados e embalados;

- Eles devem ter forte apelo para uma larga faixa demográfica
.

Os dez primeiros da lista do Mundial de 50 fortes de Vinhos Mais Admiradas composta por:

Concha y Toro; Torres;  Jacob's
Creek; Antinori; Penfolds; Cloudy Bay; Chateau Lafite; Vega Sicilia; Marqués de Riscal e Château Latour (nesta ordem).

Mais um grande "prêmio" conquistado por esta gigante do mundo vinícola e que tem o Brasil como um de sesu mercados principais, se não o principal e que invariavelmente quase todo brasileiro que já tomou vinho alguma vez conhece. Nada mais merecido, dada a qualidade que seus vinhos apresentam consistentemente (tirando de lado os "Reservados" por que ai é outra estória). E que venham outras premiações.

Até o próximo! 

Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo LBV 2006 Porto

Apesar de não ser minha primeira experiência com um vinho do Porto, acho que no blog é a primeira postagem a respeito. O vinho do Porto leva este nome em virtude da cidade onde é produzido, em Portugal. Normalmente as vinhas que dão origem a estes vinhos fortificados vem das margens do rio Douro e após sua produção, vão para a cidade de Vila Nova de Gaia para envelhecimento. Seu método de produção é curioso eu diria, e consiste em parar a fermentação das uvas utilizadas em determinado momento pela adição de aguardente vínica, o que faz com que o vinho possua uma certa quantidade de açúcar residual (não fermentado) e um elevado teor alcoólico. Após este processo o vinho passa por diversos transportes na adega a fim de se buscar uma evolução ideal para o mesmo, o que chamamos de trasfegas. Normalmente são utilizados grandes tonéis para o armazenamento e envelhecimento dos vinhos em Vila Nova da Gaia. Na produção dos vinhos do Porto são diversas as uvas permitidas, mas no exemplar em questão foram usadas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Amarela, Tinto Cão, Souzão e Tinta Barroca. A última curiosidade a cerca deste vinho é que ele é um LBV - Late Bottled Vintage, vinhos produzidos em safras consideradas excepcionais e que tem um período de envelhecimento entre 4 e 6 anos. Vamos as minhas impressões.


O vinho apresentou uma cor violácea púrpura muito intensa na taça, manchando todas as paredes da mesma. Lágrimas lentas, coloridas e em abundância fechavam o aspecto visual.

No nariz o vinho mostrava aromas de frutas secas/passas como ameixa preta e uva, algo floral, leve amendoado e chocolate ao fundo. Álcool quase imperceptível levando em conta os potentes 20%. Tudo muito exuberante, mostrando ainda muita jovialidade.

Na boca o vinho foi um show, muito corpo, preenchia a boca com maestria. Acidez em abundância contrabalanceando com a doçura do açúcar residual, muita fruta passa/seca e um final longo com muito chocolate. Um delírio. Casou com maestria com um brigadeirão feito pela Milena, minha namorada, uma verdadeira delícia!!!

Enfim, apesar da pouca idade do vinho, se mostrou muito complexo e harmônico, pronto para o consumo. Como comprei duas garrafas na época,vou deixar uma descansando um pouco mais na adega pra ver se haverá alguma evolução. Depois revisitarei o post e comentarei a evolução.

Até o próximo!

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Beni di Batasiolo Barolo DOCG 2006

Quando a gente começa a se interessar por algum assunto, seja ele qual for, buscamos primeiramente os passos mais simples, as maneiras mais fáceis para compreende-lo e a maneira mais gostosa de desfrutarmos dos novos conhecimentos adiquiridos. Só que chega uma hora em que você começa a se forçar a conhecer mais e mais, e buscar particularidades e a buscar informações e sensações mais elaboradas por assim se dizer. E é assim também quanto tratamos de vinho, quando começamos com os famosos "Reservados" hermanos (chilenos e argentinos) e vamos apurando nosso paladar sempre buscando mais qualidade. E passamosa gastar um pouco mais, começamos a tomar vinhos mais elaborados, mais famosos, e assim por diante. E foi o que eu fiz este final de semana. Minha primeira incurssão no "Mundo de Barolo"!

Conhecido como o rei dos vinhos e o vinho dos reis, o Barolo é feito a partir das uvas Nebbiolo na região do Piemonte, mais precisamente nas proximidades da colinas de Langhe (e na própria) se extendendo por 5 comunas italianas. Um vinho de grande extração, em solos argilo calcáreos com mais ou menos presença de ferro em sua composição. Passa por pelo menos dois anos em tonéis de madeira e um ano em adega antes de ser comercializado e atualmente já vem quase pronto ao mercado, diferentemente do passado onde ainda precisava de muito tempo em garrafa para demonstrar seu potencial. Não que isso não ocorra ainda hoje, mas muitos destes vinhos já estão bem mais macios e redondos quando de seu lançamento. Vamos as impressões.


O vinho apresentou cor rubi tendendo ao granada com bordas atijoladas, légrimas finas, lentas e incolores.

No nariz o vinho se mostrou tímido, com aromas fechados a princípio mas que foram se abrindo com um pouco de tempo em taça. Recomendo aeração prévia. Enfim, aromas florais (pétalas de rosa), leve frutado (ameixa vermelha daquelas azedinhas) e fundo com tabaco e couro.

Na boca o vinho apresentou um corpo médio, taninos firmes, marcantes e em bastante quantidade mas com muita qualidade, excelente acidez,o que mostrou um carácter muito gastronômico do vinho. Aliás, conforme foi acompanhando a refeição (rabada com polenta cremosa) o vinho foi crescendo e ficando mais saboroso. Depois de um ataque inicial até meio adocicado, o vinho confirma muito floral e leve frutado na boca, com final um pouco curto lembrando também chocolate amargo.

Um grande vinho sem dúvida, ainda jovem, pode sinceramente aguentar pelo menos uns 5 anos de garrafa e tende a crescer. Minha primeira vez com um Barolo, apesar de ter sido um belo vinho não confirmou toda minha expectativa. De qualquer maneira o vinho vale o quanto custa.

Até a próxima.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Chuva artificial em Mendoza? Nossos hermanos inovando!

Todos sabemos que a região de Mendoza é um grande deserto, com pouca chuva durante o ano. Evidentemente a vinha é uma planta resistente, mas é necessário a criação de métodos de irrigação em regiões como a de Mendoza. Além disso a variação ano a ano dos índices pluviométricos dificulta a consistência das safras. E eis que chega uma notícia um tanto quanto inusitada: um grupo de pesquisadores da "Universidade Tecnológica Nacional" da Argentina está criando uma maneira de fazer com que caia chuva artificial dos céus de Mendoza. 

Este problema fez com o Dr. Raúl Pérez (da  universidade referenciada acima) criasse um projeto de engenharia que faria com que se elevasse os níveis pluviométricos da região por meios tecnológicos artificiais. O projeto tem recebido apoio, além é claro do da Universidade Tecnólogica, do Ministério da Ciencia, Tecnologia e Inovação produtiva e da prefeitura de San Martín em Mendoza.

O método utilizado para modificação dos processos metereologicos é conhecido como semeadura das nuvens, técnica esta que consiste em introduzir nas nuvens determinados compostos químicos com o intuito de se aumentar o tamanho e a quantidade de gotas de chuva fazendo com que estas caiam e atinjam o solo. Evidentemente alguns estudos sobre a metereologia e quantidade de chuva local ainda precisam ser feitos, mas o estudo é promissor. 

Ainda segundo o professor, o projeto contém quatro fases distintas com duração aproximada de seis meses cada uma, dentre as quais estudo de viabilidade e aplicabilidade, processo de aumento de nuvens, processo operacional propriamente dito e finalmente a avaliação do projeto. 

O processo terá início quando a previsão do tempo determinar a existência de nuvens carregadas de líquidos e água realmente gelada na região da semeadura. Depois com o auxílo de geradores e compostos químicos, haverá o que é chamado de captura das nuvens e posteriormente a semeadura aérea com ajuda de aviões. Estes processos serão feitos preferencialmente durante a primavera e verões mendocinos.

Se o projeto tiver sucesso, poderá ser inclusive exportado e utilizado em outras regiões com problemática semelhante. E não deixa de ser muito bom vermos países com economias similares a nossa (dadas as devidas proporções) criando maneiras de melhorar uma de suas culturas símbolo, o que vai muito além de subsídios e guerra cambial.

E você leitor, qual sua opinião?

Até o próximo!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Dióxido de enxofre bom para as uvas? O que diriam os biodinâmicos?

Um recente estudo australiano aponta que o dióxido de enxofre, comumente apontado como um dos vilões pelas técnicas de cultivo biodinâmicas, poderia ser sim um grande aliado no cultivo de uvas, ao invés de somente ter esta conotação nociva a saúde. A seguir vem a matéria traduzida e adaptada da original, para que vocês leitores possam tirar suas próprias conclusões. Eu particularmente não tenho conhecimentos suficientes para taxar de que lado eu ficaria, mas gostaria de suscitar a discussão.

Pesquisadores australianos teriam descoboberto que o dióxido de enxofre poderia beneficiar as uvas.

Um estudo da University of Western Australia descobriu que o dióxido de enxofre poderia realmente ter um efeito positivo sobre a composição de uma baga da uva. O produto químico é amplamente utilizado na produção de vinho em todo o mundo para uma variedade de propósitos, e é muito mal visto pelo movimento crescente de vinho natural, que o considera desnecessário.

O professor assistente da universidade, Michael Considine, disse ao site Decanter.com: "O interessante é que o dióxido de enxofre aumenta os níveis de antioxidantes e níveis de antifúngicos na baga, além de melhorar suas respostas próprias de defesa. Ele deixa a planta ajudar a si mesma".

Considine admitiu porém que há "evidências irrefutáveis de que o dióxido de enxofre causa problemas de saúde nos seres humanos" incluindo aí problemas de pele e respiratórios. Mas, segundo ele, existe um entendimento sobre vinhas e dióxido de enxofre onde seria possível se encontrar uma alternativa viável.

"Se pudermos entender um pouco melhor como a planta está respondendo ao dióxido de enxofre do que pudermos costurar alternativas, não existiriam conotações relativas a problemas de saúde neste caso".

Considine sugeriu que o ozônio poderia ser uma alternativa possível, bem como a lisozima, que algumas vinícolas já usam, em vez de dióxido de enxofre para inibir a fermentação maloláctica. A pesquisa foi realizada em uvas de mesa, mas poderia gerar conseqüências de longo prazo para os produtores de vinho em sua busca para reduzir ainda mais os níveis de enxofre empregados hoje em dia em suas produções.