sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Gourmeo & Prestíssimo: a redenção!

Vocês que acompanham meu blog sabem que algum tempo atrás eu não tive uma experiência muito agradável com o site de reservas de restaurantes, e consequentes descontos nos mesmos, Gourmeo (relembre aqui). Pois algumas pessoas vieram me perguntar ultimamente o que havia acontecido depois daquilo pois até o CEO da empresa para o Brasil havia entrado no circuito e as pessoas tinham interesse em ouvir as soluções que aconteceram para o problema. Propositalmente eu havia deixado o assunto de lado (até um pouco mais do que eu havia previsto inicialmente) para que eu pudesse ter a chance de testar o serviço novamente e falar de uma vez sobre tudo que havia acontecido deste então. E só consegui finalizar esta minha vontade ontem.

Falando ainda sobre o episódio em que eu havia tido problemas com o serviço, assim que o CEO da Gourmeo entrou em contato, tanto eletrônico como por telefone, foi feita toda uma investigação sobre o assunto junto ao restaurante escolhido na época e constatou-se que a reserva havia sido passada para o restaurante e que havia acontecido uma falha individual, do garçom que havia nos atendido no dia e que talvez não estivesse muito familiarizado com o sistema ainda. Depois disso até o pessoal do restaurante na pessoa do seu sócio e também da pessoa que gerencia as hostess também entraram em contato comigo, explicaram toda a situação e se colocaram a disposição para contornar o problema em uma próxima visita minha ao local. Para finalizar a empresa Gourmeo ainda me enviou de presente uma caixa de bombons em mais um pedido de desculpas e como uma maneira de amenizar os problemas acontecidos. Ponto mais do que positivo para ambos, o Gourmeo e o restaurante (Café Journal). Mas ainda faltava o principal, que era testar o serviço mais uma vez e comprovar se este realmente funcionava.


Eu resolvi que gostaria de sair pra comer uma pizza no dia de ontem e talvez fosse a chance de utilizar o serviço do Gourmeo antes do final do ano e mostrar para vocês leitores, enfim,  qual teria sido o resultado deste novo teste. Pesquisei um pouco no site deles quais seriam as pizzarias disponíveis e optei pela Prestíssimo, dado que já tinha ouvido boas referências sobre a mesma. A Prestíssimo é uma pizzaria tradicional e que se encontra na Al. Joaquim Eugênio de Lima há mais de 25 anos. Os sobrados os quais compõe a casa mantiveram o aspecto e arquitetura de antigamente, preservando a memória do bairro.

Era chegada a hora da verdade. Feita a reserva, me dirigi ao local no horário combinado. Chegando lá, fui recepcionado pela hostess que informada da minha reserva, procurou em seu livro de reservas e, suspense, sim a reserva estava lá. O início tinha sido conforme o esperado. Fizemos então os nossos pedidos. A pizza era uma meio a meio Peruggia (uma dos carros chefe da casa, com peito de peru, milho e catupiry salpicado com muzzarela) e Peruana (atum, muzzarela, alcaparras). A pizza era de massa média e muito bem recheada. A Peruggia realmente era campeã de sabor, com o peito de peru e o catupiry em evidência. Já a Peruana trazia no atum o seu brilho, mas as alcaparras quebravam um pouco o sabor do peixe, deixando a pizza ainda mais saborosa. Para acompanhar pedi um vinho italiano, um Dolceto D´Alba da Tenuta Carretta, vinho bem feito, com uma acidez muito gostosa, taninos finos, bons aromas e retrogosto remetendo a frutas vermelhas como morango e cereja e algo leve de floral ao fundo. O vinho foi muito bem com a pizza. 


Para finalizar, um belo Petit Gateau, bolinho muito cremoso e duas bolas de sorvete com calda de chocolate e com uma bela calda de maracujá meio azedinha, que enfeita pra quebrar todo o doce do prato, uma delicia! Talvez o melhor petit gateau que eu já tenha experimentado. Era a hora do teste final e eu solicitei a conta. Quando a mesma chegou em minha mesa, a surpresa: o desconto de 30% não estava lá. Como já sabiamos que o objetivo da noite além de comer uma boa pizza era testar o serviço, perguntei ao garçom se era possível verificar se havia alguma erro e este prontamente o fez. Quando retornou, a conta já estava corrigida e o desconto estava lá. Mais de 40 reais de diferença. Valeu a pena!


Pois é pessoal, talvez ainda faltem pequenos ajustes mas ao final o serviço funciona sim e eu recomendo. Além disso, a oportunidade de sair e comer diversos tipos de cozinhas diferentes, experimentando restaurantes de alto nível em Sampa também se torna um atrativo a mais. E é claro que parabenizo todo o esforço da equipe Gourmeo pelos esforços em atrair e manter uma base de clientes.

Aproveito também este post para desejar uma excelente virada de ano a todos os leitores deixando os votos de que o ano vindouro, 2012, seja muito melhor do que este que passou (pra mim o ano foi excelente). E fica também o pedido para que continuem acompanhando e criticando meu trabalho aqui no blog, para que juntos possamos sempre trocar idéias e discutir sobre este mundo enogastronômico que tanto gostamos!

Até o ano que vem!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Ciconia 2010

Eu sempre venho confirmando uma de minhas teses de que, quando se quer um vinho bom e barato, procure entre os portugueses e normalmente você terá gratas surpresas. E como foi o caso deste vinho de hoje. Indicação de uma amiga, este exemplar alentejano não decepcionou!

Produzido pela Herdade de São Miguel, que fica ali na Vila de Redondo no Alentejo, este é um dos vinhos de entrada da Herdade e tem em sua composição as castas Aragonês, Syrah e Touriga Nacional e tem 10% do vinho produzido estagiando em carvalho francês novo. O vinho inclusive já recebera boas críticas em publicações especializadas, como Decanter e Wine Spectator. Bom, depois de tantos elogios, vamos as impressões sobre o vinho, certo?


Na taça uma bonita cor violácea escura, brilhante e de certa transparência. Lágrimas finas, incolores e bem rapidinhas escorriam pelas paredes da taça.

No nariz o vinho apresentava aromas de frutos vermelhos maduros, quase em compota, alguma coisa de floral, especiarias e um toque de café com leite ao fundo. Tudo muito elegante, sem exageros.

Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez, taninos finos, delicados e bem fundidos ao vinho. Álcool imperceptível, apesar dos mais de 13% de teor. Final de média persistência trazendo frutas e café com leite no retrogosto. Sem amargor final.

Um vinho muito bem feito, sem defeitos e que pelo preço pago (algo em torno de 29 dinheiros) é mais do que um belo custo benefício. Eu recomendo e agradeço a dica!!!

Até o próximo!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Cuvée Domaine Nigri 2008

Finalizando a série de postagens relacionadas aos vinhos do natal, temos agora este vinho de sobremesa que foge um pouco dos habituais vinhos do porto, sautérnes e afins. Mais um que eu adquiri na Cave Jado, minha importadora favorita em se tratando de vinhos franceses com boa relação custo benefício.

O vinho em questão é feio na região sudoeste da França, na AOC Jurançon, e tem como uvas componentes a Gros Manseng (60%), vinficada e maturada em cubas termoreguladas e a Petit Manseng (40%), vinficada e maturada em toneis de carvalho, ambas uvas locais, emblemáticas e que compõe parte das permitidas dentro da regulamentação local.  Embora não se tenha mais informações sobre o vinho e o método de produção para que o vinho se torne doce, eu aposto que ao menos alguma das castas deva ter sido botrytisada. Sobre o produtor, retirado do site da importadora: "O Domaine Nigri existe desde 1685, o Jean Louis Lacoste dirige esta vinícola familiar há quase 20 anos. A vinícola está em conversão orgânica com práticas de cultura modernas no respeito ao meio ambiente. A diversidade dos solos e das uvas com um trabalho caprichado confere aos vinhos do domaine uma originalidade e uma grande complexidade na expressão aromática. A região do Jurançon tem influencias climáticas do Atlântico, dos Pireneus, temperaturas elevadas e é a região vinícola da França mais chuvosa, então o cuidado com a cobertura vegetal é muito importante para prevenir a erosão e preservar a vida orgânica dos solos, elementos essenciais da expressão dos terroirs. As uvas são colhidas separadamente e vinificadas parcela por parcela afim de revelar todo potencial aromático e expressar a diversidade dos solos". Vamos as impressões.


Na taça o vinho já impressiona pela coloração dourada com tendência âmbar, muito brilhante e bonita. Lágrimas lentas escorrem pelas paredes da taça. 

No nariz o vinho mostrava aromas de maracujá, mel e algo empireumático, lembrando plástico novo. Além disso, uma ponta de cítrico podia ser sentido no fundo da taça. 

Porém era na boca que o vinho realmente dava um show: untuoso, encorpado e com uma acidez interessante que contrapunha com a doçura do vinho, fazendo com que houvesse um delicioso equilíbrio no vinho. Retrogosto com muito mel e maracujá além de uma pitadinha de cítrico, que também aparecia por aqui. Uma delícia!

E o vinho não poderia ser melhor para harmonizar com uma torta mousse de maracujá com massa tipo podre e cobertura de chantili. Enfim, uma deliciosa combinação de Baco!! Eu recomendo!

Até o próximo!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Casa Venturini Vivere Brut

Este espumante também fez parte das festividades de natal. É um espumante simples, mas que com certeza te tudo pra agradar aqueles que gostam de uma bebida viva e refrescante, ainda mais com o calor se anuncia neste nosso verão. 

Este vinho é feito na joint venture criada entre a vinícola paulista Góes (de São Roque) e a vinícola Casa Venturini (de Flores da Cunha, no Rio Grande do Sul) através do método charmat de segunda fermentação em tanques de inox. Não consegui muitas informações sobre o vinho, até por que o site da vinícola ainda se encontra fora do ar, mas parece que foi feito com uvas chardonnay colhidas lá na região sul do país. Não encontrei por exemplo tempo em que o espumante fica em caves antes de ir ao mercado, ou coisas do gênero, e portanto vou deixar o que tenho até aqui e vamos as minhas impressões. Vale ressaltar que não sou grande conhecedor de espumantes, mas vamos lá.


Na taça o vinho apresentou uma coloração palha com reflexos esverdeados, muito límpido e brilhante. Borbulhas em boa quantidade, constantes e pequeninas. 

No nariz o vinho tinha aromas de pêssego, abacaxi, floral e algo leve de mel. Era possível também sentir um pouco de amanteigado com fermento, lembrando croissant e massa folhada. Mostrava muito frescor, pois as frutas era bem frescas no nariz!

Na boca o vinho tinha corpo leve para médio, boa acidez, e formava quase um colchão de borbulhas na boca, tudo muito agradável. Tinha um retrogosto trazendo frutas e mel e um final delicado de média duração, com um pouco de floral também.

Um belo espumante, com uma excelente relação custo benefício, e que deve agradar a todos, até aqueles que não estão muito acostumados em tomar vinhos. Eu recomendo!

Até o próximo!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Pato Rebel 2009

Este foi o vinho escolhido por mim para escoltar o jantar de natal, composto de bacalhau a gomes de sá. Eu não escondo que tenho preferência por vinhos tintos portugueses para escoltar este prato, e normalmente eu escolho um Douro ou algum alentejano mas desta vez eu tinha este vinho em casa, e como já conhecia a fama do Luis Pato de outros vinhos, resolvi arriscar. E desta vez acho que não me dei tão bem.

Como já devo ter dito algumas vezes por aqui, Luis Pato é conhecido pela revolução que ele causou nos vinhos da Bairrada, em Portugal, por apostar na uva Baga, reconhecidamente uma uva de difícil trato e que geraria vinhos normalmente intragáveis. Porém, nas mãos de Pato tivemos conhecimento de diversos vinhos cesta casta que eram extremamente palatáveis e agradáveis, por vezes até elegantes. No caso deste vinho alvo deste post, é um vinho feito com uvas 100% Baga que segundo o próprio Luis, seria um vinho jovem, fresco e para consumo rápido, provavelmente durante o ano seguinte a seu lançamento no mercado. O mesmo não passa por barrica com a intenção de se preservar todas as características da fruta. Vamos ver o que aconteceu.


Na taca o vinho tem uma bonita cor violácea de média intensidade, pouca transparência e um pouco opaca. Lágrimas finas, rápidas e com certa cor ajudavam a tingir as paredes da taça.

No nariz o vinho se apresentou muito frutado, aromas de frutas vermelhas frescas, floral abundante com destaque para pétalas de rosas secas e alguma nota animal que eu não identifiquei ao certo o que seria. Todos aromas bem elegantes, sem exagero.

Na boca é que veio a decepção. O vinho estava "mole", não apresentava tal frescor alardeado pelo produtor, não tinha muita acidez. Taninos finos, levemente rascantes mas sem incomodar, demonstrando qualidade. Final de curto para médio trazendo muita fruta e floral. E só. 

Para mim, o vinho foi uma decepção. Esperava bem mais, ainda mais tomando como exemplo outros vinhos de linhas de entrada do Pato. Este é um vinho caro para o que oferece. Provavelmente não compraria de novo. Entretanto com o prato cresceu um pouco, e até que foi bem. Mesmo assim não apagou a imagem negativa criada.

Até o próximo!

domingo, 25 de dezembro de 2011

Tamaya Carmenére Reserva 2010

E continuando a série de chilenos que eu provei nestes últimos dias, este é um carmenére (uva que se tornou a casta símbolo do Chile) que vem do Vale do Limari. Este eu já conhecia mas ainda não havia provado. E não me decepcionou, muito pelo contrário, achei um vinho bem interessante. Produzido pela Viña Tamaya, este vinho é feito com 100% de uvas carmenére colhidas manualmente e envelhece em carvalho francês e americano, de diversos usos, por cerca de 10 meses. Sem maiores delongas, vamos as impressões.


De cor violácea brilhante e quase sem nenhuma transparência, denotando toda sua juventude, o vinho deixava também lágrimas finas, moderadamente lentas e coloridas nas paredes da taça. Até aqui tudo conforme esperado.

No nariz o vinho abriu com aromas de frutas como groselha e ameixa, bastante especiaria (pimentas em geral) e algo de coco no fundo. Ainda durante a degustação, algo de tostado era possível sentir no fundo de taça.

Na boca o vinho tinha um corpo médio, boa acidez e taninos firmes, presentes, mas de muita qualidade. Trazia na boca a lembrança de frutas, principalmente groselha e com um final de média duração trazendo algo de café.

Mais um bom vinho que eu conheci durante as degustações do Beto e que gostei bastante. Eu confesso até que sou muito fã da carmenére, que quando bem cultivada e tratada gera grandes vinhos. E este, apesar de não ser grande, é muito correto e pelo custo dele (conforme pesquisa minha) é um bom custo benefício.

Até o próximo!

sábado, 24 de dezembro de 2011

Gillmore Hacedor de Mundos Cabernet Franc Old Vines 2007

Este vinho foi mais um descoberto nas degustações as cegas que o Beto Duarte promove. Nesta última quinta feira, 22 de dezembro, tivemos nova oportunidade de provar mais 25 vinhos chilenos, com excelentes nomes entre estes. Desta vez vou falar de um exemplar pouco típico na região, mas que surpreendeu positivamente pela qualidade e pela apresentação visual (rótulo).

A Vinícola Gillmore é um negócio familiar, que começou em 1990 por Francisco Gillmore. Numa joint venture com a sua filha e genro, eles desenvolveram um projeto no Vale do Locomilla (Maule - Chile) que daria carácter distinto aos vinhos da linha Gillmore, apelidados de vinhos de boutique ou vinhos de autor. A linha intitulada "Haxedor de Mundos" tenta retratar o autor do vinhos, um visionário em um trabalho conjunto de Daniela Gillmore com o famoso enólogo Andrés Sánchez. O varietal é elaborado com uvas 100% Cabernet Franc e repousa por 18 meses em carvalho francês para fermentação malolática e afinamento. São produzidas em média 600 mil garrafas deste vinho. Vamos a ele.


Na taça apresentou uma bonita coloração violácea forte, com bastante brilho e pouca transparência, Lágrimas finas, coloridas e rápidas davam um tingimento às paredes da taça.

No nariz o vinho abriu com notas de frutos escuros (ameixa preta/jabuticaba) bem maduros, alguma coisa de eucalipto (aqueles que são utilizados em sauna) e leve especiado. Madeira muito bem integrada. Aromas elegantes.

Na boca o vinho tinha corpo médio, taninos finos mas presentes, de boa qualidade e boa acidez. Ataque inicial levemente adocicado, com um final de média duração trazendo de volta muita fruta. 

Um vinho de muita qualidade, que graças ao Beto tive a oportunidade de conhecer e que, pelas minhas pesquisas é vendido na faixa dos 90 reais e pode ser considerado uma boa compra. 

Aproveitando o post, gostaria de deixar registrado aqui os votos deste blogueiro de um natal cheio de luz, amor e reflexão para vocês leitores e toda a sua família, onde a essência do natal não se perca em todos os dias do ano. Um brinde a todos e que muitos bons vinhos possam ser apreciados na noite de hoje!!

Até o próximo! 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Isla de Maipo Merlot 2009

Mais um dos vinhos da degustação de chile as cegas que eu trago pro blog, este porém de uma maneira não muito satisfatória. Embora tenha gostado do vinho e atribuído boa pontuação ao mesmo no dia da degustação, ao prová-lo depois, entendo que me equivoquei.

Não encontrei muita coisa sobre o vinho ou sobre a vinícola na internet, porém pude descobrir que este vinho é trazido pela Vinho Sul, e segundo consta em seu website, a vinícola foi fundada em 1934 no Valle del Maipo, numa região que fica entre a Cordilheira dos Andes e o Oceano Pacífico. Onde hoje é o vale, antes era um braço do rio Maipo, que no início do século XX secou devido a um terremoto. Isso deu ao solo características especiais, altamente favoráveis à produção de um vinho de alta qualidade, frutado, fresco e muito expressivo. Com o sucesso a propriedade cresceu e produção se modernizou, mas a Isla de Maipo nunca perdeu sua essência de bodega familiar. Ainda segundo o importador, o vinho é feito com uvas 100% merlot e não passa por envelhecimento em barricas. Vamos as impressões.


Na taça mostrava bonita cor violácea de certa maneira escura, com leve transparência e bom brilho. Lágrimas finas, rápidas e coloridas tingiam as paredes da taça. Não apresentava halo de evolução.

No nariz o vinho tinha aromas de frutas vermelhas frescas, leve toque floral e de especiarias. Tudo muito delicado.

Na boca o vinho apresentou corpo de leve para média, boa acidez, taninos finos e quase imperceptíveis. Retrogosto frutado, lembrando cerejas e final de curta duração. Sem amargor final que incomodasse.

Vinho apenas correto, sem maiores atrativos e que, em minha avaliação mais detalhada não se saiu assim tão bem. Não sei se provaria de novo.

Até o próximo!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

MISSIONES DE RENGO GRAN RESERVA CUVÉE CABERNET SAUVIGNON 2008

Conforme comentei com vocês em um de meus post anteriores, fui convidado pelo jornalista/blogueiro/editor de filmes Beto Duarte a participar de uma degustação de vinhos chilenos muito interessante. E desta oportunidade ainda me restaram alguns vinhos na memória. É claro que talvez estes vinhos não sejam unanimidades mas dados minhas pesquisas referentes a preço, entendo que como no caso deste cabernet sauvignon, existam bons exemplares de custo benefício aceitável para o consumidor brasileiro.

Produzido pela Viña Misiones, no Vale do Rapel, apesar de apresentar em seu rótulo o título de varietal cabernet sauvignon, tem um porção de 10% de syrah e 5% de carmenére (o que é permitido pela legislação local, desde que 85% sejam da uva que dá o nome varietal ao vinho). O vinho passa por envelhecimento de 12 meses em barricas francesas e americanas e mais 12 meses em garrafa antes de sair para o mercado. Vamos as impressões.


Na taça apresentou uma bonita cor violácea muito intensa e escura, mas com certo brilho. Lágrimas finas, rápidas e bem coloridas pintavam a taça. Não apresenta qualquer halo de evolução.

No nariz apresentava aromas de geléia de frutas escuras, leve toque vegetal e notas lácteas, lembrando capucino. Ao fundo da taça também era possível notar leve tostado.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez, taninos finos porém presentes e em boa quantidade. Final de média duração lembrando frutas e chocolate. Sem amargor final.

Um vinho interessante, sem defeitos e que pode fugir um pouco daquele herbáceo/vegetal forte e verde que costumeiramente encontramos em vinhos chilenos. Este é da gama de mais qualidade da vinícola e tem boa relação custo x benefício. Eu aprovo e recomendo.

Até o próximo.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Ripasso Valpolicella Clássico Superiore Soraighe

A reunião de final de ano da Confraria Pane, Vinum Et Caseus se deu na última sexta feira e foi muito especial. Além das companhias excelentes e anfitriões fora de série, tivemos ainda uma diferença: cada um era responsável por levar um prato de comida com o intuito de promovermos a confraternização e caberia então aos organizadores da confraria escolherem vinhos bem flexíveis e que se adequassem a ocasião. E não é que eles escolheram bem? Tivemos dois vinhos, como de costume: o Conde de Los Andes Gran Reserva Cosecha 2004, já comentado aqui no blog (relembre aqui) e o Valpolicella Ripasso Superiore Soraighe. Falemos um pouco sobre o segundo.



Feito pela família Bennati na região do Veneto (famosa pelos Amarones, vinhos feitos com uvas passificadas  e normalmente com alto grau alcóolico e grande potência), na Itália, e tendo como base o processo ripasso (já explicado outras vezes por aqui) este vinho tem em sua composição as uvas Corvina, Rondinella e Molinara sem proporções definidas. Conhecido popularmente como o irmão mais novo do Amarone, estes vinhos normalmente valem a tentativa. Vamos a este.

Na taça uma bela cor violácea sem halo de evolução aparente. Lágrimas finas, lentas e com alguma cor. Aqui a avaliação pode ter tido alguma alteração pois a iluminação não permitiu maior avaliação.

No nariz o vinho exibia aromas francos de frutas escuras em compota, terra, madeira em ótimo balanço com o vinho e um pouco de coco mais ao fundo. Tudo bem franco mas ao mesmo tempo muito elegante. Álcool espetou de início mas arrefeceu com o tempo de vinho aberto.

Na boca o vinho mostrou toda sua potência com muito corpo, bons taninos e excelente acidez. Um pouco alcoólico, esquentou no primeiro ataque. Com o tempo porém o álcool baixa e deixa um gostoso retrogosto de média duração lembrando frutas e iogurte de coco.

Um grande vinho, elegante e potente na medida, e que pode não agradar a todos por esta entrada quente e potente na boca mas que realmente casa bem com carnes e comidas com molho. Caiu bem com uma costela de porco ao molho barbecue e até com bacalhau no forno com gratinado de provolone. Enfim, ponto positivo pro pessoal da confraria!

Até o próximo!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Gran Tarapacá Reserva Cabernet Sauvignon 2010

Eu já disse alguma vez aqui no blog que eu prefiro sempre falar de coisas boas e vinhos interessantes. Mas nem sempre a gente acerta na escolha. E foi o que aconteceu desta vez. Estava buscando um vinho pra tomar pois me deu uma repentina vontade e eu fui então a um local que eu sei que tem boas opções por aqui. Depois de muito olhar, decidi arriscar em um vinho que ainda não conhecia. E desta vez não funcionou.

Este vinho vem do Chile, da região do Vale do Maipo e é feito com uvas 100% cabernet sauvignon passando por 6 meses de envelhecimento em barricas. Aparentemente não é a linha mais simples ou de entrada da vinícola, mas é bem simplesinho mesmo. 


Na taça apresentou uma cor rubi violácea brilhante, escura e pouco transparente. Lágrimas finas e rápidas ajudavam a tingir as paredes da taça.

No nariz o vinho abriu com frutas vermelhas maduras, muito herbáceo tendendo a pimentão verde e algumas notas lácteas. Depois de um tempo porém só o herbáceo dominou a taça, se tornando até desagradável em determinados momentos. No fundo da taça ainda era possível sentir certo tostado.

Na boca o vinho tinha taninos médios, acidez razoável e pouco corpo. Final curto trazendo algo que lembrava café com leite frio e frutas. Um amargor final chegava a incomodar. O vinho me pareceu bem desequilibrado, talvez pela pouca idade, porém não dava sinais de que iria sofrer qualquer evolução com o tempo. 

A única sorte é que o vinho não era caro. Mas agente não consegue acertar sempre não?

Até o próximo!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Degustando Chile as Cegas

Este post aqui não terá muitos detalhes técnicos sobre vinhos ou descrição de aromas, sabores, texturas, etc, pois isto eu vou deixar pros feras. Na verdade servirá um pouco mais de agradecimento pelo oportunidade de aprendizado.

Na última terça feira tive uma grande oportunidade de junto a muitos outros blogueiros, jornalistas e entusiastas de participar de uma degustação as cegas de vinhos chilenos preparada pelo jornalista e blogueiro Beto Duarte (do blog Papo de Vinho), que servirá de base de dados para um guia que o mesmo está escrevendo junto ao Cristiano Orlandi (do blog Vivendo Vinhos), em uma sala cedida pela importadora Ravin em seu novo endereço na Vila Mariana. Nesta oportunidade foram degustados 25 rótulos de vinhos passando por brancos frescos até tintos mais encorpados. E olha que dentre os vinhos, diversos vinhos considerados tops e com grandes pontuações. A lista de vinhos é extensa, mas alguns destaques pessoais: William Cole Sauvignon Blanc Columbine Special Reserve 2010, Vernus Pinot Noir 2009 (Santa Helena), Polkura Syrah 2007 (já falado aqui), Chamán Syrah Gran Reserva 2006, Medalla Real Gran Reserva Syrah 2007, Rayun Cabernet Sauvignon 2008, Viu 1 Vintage 2007 e Parinacota Limited Edition Carignan Syrah 2009.

A foto foi tirada pelo Evandro, e espero que ele não se importe de eu te-la usado aqui.

Confesso que fiquei um pouco intimidado diante de tanta gente que entende do assunto e que já estava a mais tempo participando das degustações mas não poderia deixar de lado esta oportunidade de entrar em contato com estas pessoas, e de aprender sempre. Aliás este é meu lema em relação ao vinho, aprender sempre! Além dos já citados acima, ainda pude conhecer e compartilhar estes momentos de prazer e conhecimento com o Evandro do Confraria2Panas , a Vanessa Sobral do Falando sobre Vinhos, o Walter Tommasi que entre outras atividades (editor de revistas, consultor, etc.) tem o blog Tommasi no Vinho , o Fabio Barnes sócio proprietário da VinhocClic e editor do blog Vinhos por Barnes, o Rogério da Ravin e algumas outras pessoas que eu infelizmente não guardei os nomes/atividades (minha memória só me faz passar vergonha mesmo). Entretanto a oportunidade de estar entre estas pessoas me fez apenas relaxar e aproveitar cada momento, ficar atento a cada comentário e tentar adquirir conhecimento nesta noite agradável e de bons vinhos.

Espero que uma nova oportunidade como esta surja pois será sempre muito bem vinda. Aos participantes e organizadores, o meu muito obrigado pela oportunidade e pela receptividade, e me coloco a disposição, caso seja de interesse, de participar de futuras degustações.

Até o próximo!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Como o Malbec se tornou o vinho das pessoas comuns?

Achei este artigo interessante e quis compartilhar com vocês! Eu traduzi e editei livremente, caso queiram ler o artigo na íntegra, procurem o site do The Wall Street Journal ou mesmo edições impressas do mesmo (para quem tiver acesso). Evidentemente reflete mais o mercado americano do que o nosso propriamente, mas com alguma imaginação e extrapolação é possível se situar num mercado como o nosso. Espero que gostem.


Um artigo publicado recentemente no "The Wall Street Journal" tenta explicar o por que da Malbec ter se tornado um vinho com apelo populista o qual todos podem usufruir e pagar.

"Alguns vinhos são tão populares que é praticamente impossível se lembrar de quando não eram. A Malbec, por exemplo, era apenas uma outra uva francesa descartada antes de se tornar o astro de cada loja de vinhos dos EUA e um sinônimo verdadeiro para a Argentina ", destacou o relatório publicado pelo "The Wall Street Journal".

"2006 foi o ano em que os americanos finalmente começaram a reconhecer a uva, de acordo com Nick Ramkowsky, um importador de vinhos argentinos. Ele tinha começado a enviar Malbec argentino para os EUA há cinco anos, através da empresa de importação Vine Connections, e seu primeiro obstáculo foi explicar o que a uva era e não era".

"Muita gente pensava que Malbec era apenas outro nome para o Merlot chileno", disse Ramkowsky. Às vezes, ele tinha que ensinar geografia a seus clientes também, pois muitos consumidores (incluindo-se também vendedores de vinhos) achavam que o Chile e a Argentina eram dois lados de um mesmo país. Para este fim, a equipe de vendas da Vine Connections se oferecia inclusive para para pendurar avisos de ambos "Chile" e "Argentina" nas lojas de vinho apenas para se certificar os vinhos fossem devidamente localizados (e cerca de 50 lojistas aceitaram tal oferta).

Na K & D Vinhos em Manhattan, o consumidor Tim Finch observou que quando ele entrou na loja pela primeira vez há oito anos havia apenas 10 rótulos de vinhos argentinos, hoje são quatro vezes mais e quase todos Malbecs.

Então por que a Malbec finalmente alcançou tamanho sucesso? A teoria do Sr. Ramkowsky era: tudo se devia ao apelo popular. "Eu acho que a Malbec tornou-se popular porque as pessoas pediam tais vinhos", disse ele. "Foi um vinho descoberto por pessoas comuns e não por sommeliers ou especialistas em vinho".

E há uma abundância de razões pelas quais a Malbec poderia apelar para "pessoas comuns": normalmente não é caro ou difícil de encontrar. Seus sabores são simples, com notas de especiarias e frutas vermelhas. Os melhores Malbecs também tem uma acidez viva e taninos menos agressivos. As vezes são comparadas a versões mais carnudas de Merlot.

Lettie Teague, jornalista do "The Wall Street Journal, disse:" Mas o quão bom são os vinhos nas prateleiras? Eu não tinha provado um Malbec fazia algum tempo e estava ansioso para descobrir". "Eu colecionava algumas garrafas de diferentes safras, incluindo 2010 (um ano muito bom, embora os rendimentos eram baixos) e 2009 (também uma safra muito boa), mais algumas da safra de 2008 (um ano muito inconsistente no geral ). Os preços variavam entre USD 10 a USD 45, embora a maioria estivesse bem abaixo de US$ 20 por garrafa ". Ele continuou: "Os resultados foram mistos. A boa notícia foi que eu encontrei apenas alguns vinhos verdadeiramente desagradáveis ou mal feitos, com madeira em excesso, marcadamente adstringentes ou simplesmente com falta de fruta. Por outro lado, não havia um vinho que eu chamaria de profundo. Havia, em vez disso, uma série de vinhos deliciosos com preços bons".

Mas o sucesso da Malbec não esta nas garrafas mais caras. É um vinho, afinal, com um apelo popular, um vinho que todos podem usufruir e pagar. Como para o Sr. Ramkowsky, agora que a Malbec não é mais um mistério, ele está pronto para um novo desafio ou dois.

Ele acha que "existem outros vinhos com uma grande promessa, como a Torrontés, uma uva argentina que alguns têm até mesmo chamado de "a próxima Malbec", não importando que seja uma uva branca bastante exótica. Na verdade, ele acredita que a Torrontés será ainda mais fácil de se popularizar do que a Malbec, agora que todos sabem onde está localizada a Argentina."

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Viagem a Bento Gonçalves (Vale dos Vinhedos) - Parte Final

Bom, é com muito orgulho e com muita felicidade que eu finalizo hoje minha série de postagens sobre minha recente viagem ao Rio Grande do Sul, mais especificamente ao Vale dos Vinhedos em Bento Gonçalves. Eu sei que foi apenas por um feriado, mas acho que juntei bastante histórias e dicas para quem ainda não se aventurou a ir para lá com o intuito de conhecer mais sobre o vinho brasileiro.

Mas neste post especificamente quero dar duas dicas bem interessantes que fogem um pouco dos vinhos. Primeiro, sobre hospedagem. E neste quesito, ultimamente tenho feito questão de que o lugar o qual vou me hospedar possa reunir algumas qualidades, como por exemplo: boa localização, fácil acesso tanto na ida/volta quanto no dia a dia para os passeios, conforto, hospitalidade, etc. E eu acho que desta vez eu acertei em cheio escolhendo o Zamek Hotel Boutique. De grande apelo visual além de ser um atrativo turístico natural, o hotel se encontra localizado bem na entrada do Vale dos Vinhedos, entre Garibaldi e Bento Gonçalves, bem aos pés da rodovia que faz o acesso entre as cidades e o Vale dos Vinhedos. Com muito requinte e bom gosto, o hotel é temático e cria a sensação de volta a idade média pois o mesmo utiliza elementos arquitetônicos das construções medievais europeias de séculos atrás, com portas grandes, acabamento em pedra, uso de madeira em diversas partes do local, além de ter uma torre que emula as masmorras dos castelos medievais. Além disso todos os quartos são nomeados de acordo com cidades polonesas e as pessoas que lá trabalham estão sempre prontas a te atender e a te ajudar, não importa se faça parte de sua hospedagem ou não. Além disso, você ainda tem o restaurante Casa di Paolo logo ao lado, fazendo com que você possa matar sua fome sem ter que ir muito longe caso não esteja com vontade. Enfim, o hotel em si já é uma atração. 




Já no tocante a passeio alternativos, eu fiz um passeio interessantíssimo que é a visita ao parque temático Epopeia Italiana e um passeio de Maria Fumaça entre as cidades de Bento Gonçalves e Carlos Barbosa. O passeio começa com a visita ao parque temático, que conta de maneira divertida e próxima ao espectador como foi a vinda dos primeiros imigrantes italianos ao Rio Grande do Sul (mais especificamente em Bento Gonçalves) desde sua partida da Itália, passando por uma longa e difícil viagem de navio até as terras brasileiras e suas primeiras impressões sobre o país (que naquela época não passava de muita mata, pouca infraestrutura, etc). Depois disso pegamos o trem (Maria Fumaça) na estação de Bento Gonçalves e rumamos a Carlos Barbosa (com uma parada também em Garibaldi). O trajeto conta com aproximadamente 23 Km que são percorridos em aproximadamente 1:30h a 2hs, sendo que a velocidade média da composição é 20km/h. Dentro do trem somos brindados com diversas atrações folclóricas italianas e gaúchas, com destaques para música típica local, encenações teatrais e danças italianas. Ao final somos recepcionados por atrações musicais italianas, degustação de vinhos e sucos de uva e muita alegria. Se você estiver com a família, com certeza não irá perder. 




E eu fico por aqui, espero que tenham gostado dos meus relatos desta viagem e continuem acompanhando o blog.

Até o próximo!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Viagem a Bento Gonçalves (Vale dos Vinhedos) - Vinícola Pizzato

Neste ponto eu já estava até ficando triste, sabendo que a viagem estava chegando ao final. E eu tinha que escolher bem qual seria a última vinícola a ser visitada, pois a oportunidade não viria sempre. Pensei bastante e optei por visitar a Pizzato, famosa por seus Merlots de grande qualidade (pelo menos era o que eu conhecia e tinha ouvido dizer até aqui). E acho que acertei em cheio. Além do visual que temos do alto da "sacada" da sede da vinícola, muitos vinhos surpreendentes por sua qualidade!!


Chegando a sede fomos recebidos pelo Guilherme, um simpático rapaz com muito conhecimento sobre vinhos e entusiasta, com o qual fora possível gastar um bom tempo conversando e degustando vinhos. Fomos levados ao piso inferior onde ficam a área de recepção das uvas e os tanques de fermentação, todos em inox com temperatura controlada de tamanhos um pouco maiores que o convencional, e que se entendi bem, ainda não operam a plena capacidade de produção. Após uma excelente explicação sobre todo o processo desde a colheita, em vinhedos próprios diga-se de passagem, com a seleção das uvas de acordo com o produto ao qual serão direcionadas e a passagem então por todo o processo produtivo (que não iriei descrever aqui por motivos óbvios), fomos levados a uma área logo ao lado, área na qual se encontram os processos de engarrafamento e envelhecimento em carvalho, além do processo de envelhecimento em garrafa ao qual os espumantes são submetidos. Ainda segundo o Guilherme, nem todos os vinhos passam por carvalho pois existe também um trabalho de diferenciação de segmentos de produtos e mercados alvo. Era hora então de voltarmos ao pavimento principal, nos sentarmos e começarmos a degustação que contou com diversos vinhos, muitos de qualidade, mas como de praxe aqui no blog vou colocar os que mais me surpreenderam.


Como havia comentado no post anterior, durante esta viagem dois chardonnays haviam me chamado atenção, um na Lídio Carraro e o outro ainda não havia sido revelado. Pois a primeira estrela da degustação foi o Pizzato Chardonnay 2010, que apesar de não passar por carvalho, tinha um belo corpo, aromas de frutas brancas, mel e tinha aquele amanteigado na boca que junto com as frutas traziam um final longo e saboroso; depois a segunda boa surpresa foi o Fausto de Pizzato Merlot Rosé com todo seu frescor, exalando frutas vermelhas, lembrando festa e calor, enfim, delicioso; e para finalizar, dois tintos excelentes: o Pizzato Reserva Alicante Bouschet, uva que tem sua maior fama em Portugal mas que aqui gerou um vinho bacana, elegante e de bom corpo e o Pizzato Gran Reserva Concentus, ícone da casa que alia força e elegância num corte de Merlot, Tannat e Cabernet Sauvignon que variam de acordo com a safra.

E chega ao fim meu relato das visitas as vinícolas no Vale dos Vinhedos, com a sensação de que a viagem foi muito interessante e me revelou uma gama de bons vinhos nacionais que eu ainda não conhecia, por preconceito (seja por qualidade seja por preço) ou mesmo pela falta de canais de distribuição. De qualquer maneira fico feliz de ter tido esta oportunidade e recomendo a todos enófilos de plantão que façam uma viagem como esta. Sei que deixei de fora muitas outras vinícolas, mas elas ainda estão em meus planos para uma viagem futura.

Mas ainda tenho um post final com mais algumas dicas interessantes por lá que não sejam relacionados as vinícolas necessariamente.

Fiquem conosco e até lá!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Viagem a Bento Gonçalves (Vale dos Vinhedos) - Vinícola Miolo

Mais uma vez eu decidi que era hora de ser guloso e de conhecer uma gigante do mundo vitivinícola nacional, a Vinícola Miolo. A vinícola dispensa apresentações, mas supondo que alguém que nos lê ainda não conheça, a Miolo Wine Group é lider do mercado nacional no segmento de vinhos finos (segundo a própria) com cerca de 40% de share. A empresa tem projetos em diversas regiões, dentro e fora do Brasil, e produz uma grande gama de rótulos/produtos. Sua história, em minha humilde percepção, se confunde com parte da vitivinicultura no Brasil, e também acaba se tornando referência de qualidade dentro do mercado nacional.





A estrutura da vinícola no Vale dos Vinhedos é enorme, e eles já tem "roteiros" prontos para recepção de turistas. Os grupos são divididos e de tempos em tempos levados para a visitação. Nós fomos selecionados no grupo que seria acompanhado pelo enólogo Vinícius. O tour se iniciou num local onde eles mantém diversos parrerais que eu apelidei de "didáticos" pois os mesmos não são de grandes proporções e não são utilizados para vinificação, somente para explicações aos turistas durante a visitação. Depois fomos levados a área de produção propriamente dito, onde nos fora apresentado os antigos tanques de madeira utilizados para fermentação, que atualmente foram substituídos por modernos tanques de inox com temperatura controlada e assim por diante. Se compreendi corretamente nesta planta são produzidos em sua maioria espumantes pelo método tradicional (na proporção de 80%) enquanto que os vinhos tintos são responsáveis pelos outros 20% da produção, mas que as demais unidades do grupo seriam responsáveis pelos demais vinhos. A seguir fomos apresentados as caves de envelhecimento, onde ainda segundo o Vinícius, as barricas tem uma vida útil de 5 anos para utilização do envelhecimento de vinhos e depois são utilizadas para outras finalidades (outras bebidas). Uma última informação interessante é que a vinícola também não vinifica seus vinhos mais top em anos em que não considera a safra satisfatória.


Após todo o passeio pelas instalações, fui surpreendido com a parte mais diferenciada da visitação: iríamos participar de um rápido curso de degustação orientado pelo próprio Vinícius. Durante esta aula, o Vinícius nos mostra como segurar a taça, quais os sentidos usar em cada etapa da degustação e assim por diante. Não vou comentar sobre todos os vinhos que degustamos, como de costume, vou colocar alguns destaques que me surpreenderam positivamente: o espumante Brut Cuvée Tradition, bastante cremosidade e persistência na boca, muita fruta branca e excelente acidez e frescor, tem a cara dos dias de mais calor, de festa e de comemorações e o tinto Quinta do Seival Castas Portuguesas, bastante corpo, taninos domados, muita fruta, flores e especiarias, muita qualidade e aparentemente de bom custo benefício (a confirmar). Para finalizar a visita, passamos na lojinha da vinícola e trouxemos algumas coisinhas de volta.




Era hora de mais uma despedida, a viagem estava acabando, mas algumas boas surpresas ainda estavam nos aguardando. Fiquem conosco.


Até o próximo!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Viagem a Bento Gonçalves (Vale dos Vinhedos) - Vinícola Lídio Carraro

O próximo capítulo de minhas visitas ao Vale dos Vinhedos se deu na Vinícola Lídio Carraro, famosa principalmente no exterior pela qualidade e particularidade de seus vinhos. Fundamentados no conceito de vinícola boutique (já discutido aqui no blog), seus vinhos tendem a expressar o "terroir" no qual são plantados através da busca pela integridade e quebra de paradigmas, de maneira sustentável e pouco ou nenhum uso de recursos externos para controle dos vinhedos/vinhos (baixo uso de defensivos químicos, não utilização de carvalho para correção dos vinhos, etc).


Na sede, fomos recepcionados pelo Alexandre (na verdade eu não sou muito bom com nomes e portanto já peço desculpas caso o nome não seja este), futuro enólogo da casa e muito empolgado quando o assunto é vinhos, gostando muito de conversar por muito tempo sobre o assunto e responsável pela condução da degustação dos vinhos. Com certeza gastei um bom tempo durante a degustação conversando com ele. Por exemplo, soube através dele que a vinícola está investindo pesado no "terroir" de Encruzilhada do Sul, na Serra do Sudeste, onde eles tem obtido excelentes resultados com uvas mais delicadas como Pinot Noir por exemplo (apesar de possuir clima parecido com o Vale dos Vinhedos, os solos são mais pobres e tendem a gerar uma maior qualidade das uvas cultivadas), além disso ele me informou também que dado a filosofia da vinícola, eles acabam optando por não vinificar determinados varietais em anos de colheita considerada abaixo do padrão esperado, o que demonstra também um grande comprometimento com a qualidade de seus produtos. Depois de toda esta conversa, era hora de irmos pra degustação. Tivemos grande parte da linha deles disponível para degustação, em torno de uns 7 a 8 vinhos. No parágrafo abaixo, como já de costume, irei colocar minhas impressões sobre os vinhos que mais me chamaram atenção. 

Da linha de entrada da vinícola o destaque ficou com o Dádivas Chardonnay, vinho de muito frescor e com muita fruta de polpa branca em destaque nos aromas contrapondo um pouco de mel também, com corpo médio e excelente acidez; já numa linha mais intermediária meu destaque seria o Elos Tannat/Touriga Nacional com coloração muito forte, aromas florais dominando com compota de frutas em segundo plano, tudo isto aliado a taninos muito domados e redondos e uma excelente acidez; para fechar com a linha mais top o Quorum Grande Vindima, que contém em seu corte Merlot/Cabernet Franc/Cabernet Sauvignon e Tannat (todas uvas do Vale dos Vinhedos diferenciando o vinho dos anteriores, com uvas vindas de Encruzilhada do Sul) ainda com muito aroma floral, frutos e muita especiaria num vinho bem mais encorpado e de final longo e saboroso.

Era hora de dizer tchau e seguir em frente em nossas visitas e degustações. Após uma foto tirada ao lado da placa na entrada na vinícola saímos satisfeitos de que havíamos feito uma excelente escolha em mais uma visita. Mas ainda tinha mais por vir. Fiquem ligados nos próximos posts.

Até o próximo! 

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O "maior" winemaker do Napa: Yao Ming

A estrela da NBA lançou o Vinhos Família Yao, e seu Cabernet do Napa poderia elevar o vinho americano no mercado chinês.

No mercado de rápido crescimento para os vinhos de luxo na China , Bordeaux simboliza grandeza há vários anos. Mas o Napa Valley tem agora um novo embaixador para o mercado de vinhos premium - e um embaixador muito grande. Yao Ming, o recém aposentado e oito vezes All-Star da NBA e a mais proeminente lenda do esporte em sua China natal, diz a Wine Spectator que está lançando seus próprios rótulos de vinho, o Vinhos Família Yao. Yao vai lançar a safra inaugural de Yao Ming Napa Valley Cabernet na China em 28 de novembro (provavelmente já o fez dado que estamos em dezembro).

O pivô de 2,13m do Houston Rockets tornou-se um fã e um reforço do Cabernet da Califórnia durante seu tempo na NBA." Os vinhos do Napa Valley são os vinhos pelos quais me apaixonei quando eu morava nos EUA ", disse Yao, 31 anos, a Wine espectador. "Enquanto eu estava na estrada com os Rockets, os jogadores saíam para jantar juntos e alguns deles sabiam muito sobre o vinho, e eu aprendi com eles."

Há dois anos, Yao e sua equipe decidiram agir com o seu entusiasmo, na esperança de criar um bom vinho para representar o Napa Valley no crescente mercado chinês. Esta semana, a vinícola irá liberar o Cabernet Sauvignon 2009 em Pequim, Guangzhou e na cidade natal de Yao, Xangai. Um Reserva da Família Cabernet Sauvignon vai estrear no próximo ano. A vinícola também começará as vendas no mercado dos EUA no próximo ano.

Para a América, o maior impacto do vinho poderá ser como um símbolo de Napa Valley no crescimento do negócio do vinho no mercado chinês. "A China é o mercado prioritário" para o vinho, de acordo com Con Constandis, presidente e diretor-gerente da Pernod Ricard China, que está importando os vinhos para a República Popular."A California como uma região vinícola goza de prestígio bastante elevado entre os consumidores chineses, e, em particular, vinhos premium do Napa Valley tem uma imagem muito boa e estão gradualmente a se tornando bem aceitos pelos amantes do vinho sofisticado na China."

De acordo com funcionários da empresa, o Yao Ming Napa Valley Cabernet será vendido a 289 dólares uma garrafa, no segmento de mercado ultra premium, onde os rótulos de status de Bordeaux e Champagne residem. Quando a nova classe rica da China começou a beber os vinhos importados, clássicas regiões francesas, como Bordeaux, Champagne e, mais recentemente, Borgonha, foram suas primeiras aquisições. Os produtores do Napa têm trabalhado para ganhar uma posição na China nos últimos anos, mas pode ser um mercado difícil de entrar. Segundo dados alfandegários da China, a França possuía 47 por cento do mercado de vinho engarrafado importados em 2010. Os EUA veio em sexto, com uma participação de 6,4 por cento.

Yao Ming fez uma parceria com o enólogo Tom Hinde para criar seu rótulo de Cabernet do Napa. Yao tem observado o crescimento vigoroso da cultura do vinho na China nos últimos anos e vê potencial para um maior consumo de vinhos da Califórnia entre os consumidores. "Enquanto os vinhos franceses já criaram uma boa impressão até agora, as pessoas estão começando a descobrir os vinhos da Califórnia", disse ele. "A Califórnia tem uma boa reputação na China por seu estilo de vida, como um ótimo lugar para férias e para se divertir. Eu não só quero compartilhar [os vinhos] com o povo chinês, mas também compartilhar a cultura e a beleza do Napa Valley."

Para esse fim, Yao contratou o enólogo Tom Hinde para supervisionar a produção.Hinde trabalhou anteriormente como gerente geral da Estates Kendall-Jackson Wine, bem como presidente da Flowers Vineyard and Winery de Sonoma. (Yao é o principal acionista no projeto, enquanto Hinde e quatro outros investidores têm participações minoritárias.). A vinícola atualmente recorre a uvas de vários vinhedos do Napa Valley, incluindo Sugarloaf Mountain Vineyard, Turmalina Vineyard e Broken Rock Vineyard."Temos diversos inputs a maneira como as uvas são cultivadas nestas fazendas, por isso não estamos simplesmente comprando estas uvas", disse Hinde. O 2009 Napa Valley é uma mistura de 82 por cento Cabernet Sauvignon com Merlot, Cabernet Franc e Petit Verdot. É envelchecido por cerca de 18 meses em carvalho. De acordo com Hinde, o Família Yao produziu cerca de 5.000 caixas do Napa Valley e menos de 500 caixas do Reserva da Família para a safra de 2009. O último é envelhecido de 22 a 24 meses em carvalho antes do lançamento. 

Yao, que disse que seu estilo favorito é de grandes tintos (ele também gosta de vinhos doces), adaptou seus vinhos para o seu gosto. "Yao direciona o estilo do vinho", disse Hinde, e ele participa ativamente no blend do vinho. "Ele não é um especialista em vinho, mas ele é um aficionado pelo vinho e muito apaixonado. Yao é muito consciente das sutilezas texturais no vinho, a sensação na boca e a uniformidade, fruta e carvalho."

Agora, algumas uvas para a safra de 2011 ainda estão em cubas de fermentação, e os próximos meses continuarão a ser movimentados. Após as promoções de lançamento na China, haverá celebrações mais ligados ao Ano Novo Chinês no final de janeiro. Além disso, Hinde espera que o empreendimento possa comprar ou construir uma vinícola no Napa de maneira permanente. A produção permanecerá no mesmo nível para as safras de 2010 e 2011, mas podem haver muitas oportunidades para a expansão.Por agora, disse Yao, "Nosso objetivo é fazer vinhos de classe mundial no Napa Valley."

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Salton Desejo Merlot 2006

Este domingo foi um dia tomado de emoções. Acordamos cedo com a triste notícia do falecimento do Dr. Sócrates, ídolo corinthiano e brasileiro da década de 80 no futebol, além de personagem ativo no processo de democratização da política e voto no Brasil. Mas era só o começo. Tínhamos também a última rodada do Brasileirão em que o Corínthians, meu time de coração, disputava o título com o Vasco da Gama. E para alívio geral da nação corinthiana, o Timão se sagrou campeão. Nada mais justo do que comemorar com estilo e o vinho escolhido tinha que ser um brasileiro. E o Salton Desejo Merlot fez as honras da comemoração.


Feito com uvas 100% Merlot colhidas e escolhidas manualmente, o vinho passa por maturação de 12 meses em carvalho francês e americano (50% - 50%) além de um ano em garrafa antes de ir para o mercado. Sem mais delongas, vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma cor rubi violácea ainda muito viva e brilhante, com lágrimas finas e coloridas ajudando a tingir as paredes da taça. Leve halo aquoso não denotava a idade, apesar dos já 5 anos do vinho.

No nariz o vinho abriu com aromas de compota de frutas escuras, côco, tabaco doce e algo de especiarias. Com o tempo em taça algo de alcaçuz pode ser notado também. Certa complexidade, pois o vinho mudava bastante com o tempo. Porém os aromas pareciam integrados, sem exagero.

Na boca o vinho apresentou bom corpo, acidez um pouco a desejar, taninos finos e fundidos no vinho, tudo muito integrado e harmônico de qualquer maneira. Retrogosto de longa duração trazia compota de frutas e chocolate com leve amargor no final sem comprometer. Realmente um vinho com muita qualidade.

Quem me acompanha por aqui sabe que não sou fervoroso defensor do vinho nacional, mas fui surpreendido positivamente por este exemplar. Fez bem o papel para o qual foi escolhido e ainda escoltou bem uma maminha assada recheada de farofa e linguiça. Fiz uma inevitável comparação ao Salton Talento, o qual provei em outra oportunidade e este se mostrou com mais qualidade, mais harmônico e integrado. Além disso, valeu o preço pago (R$ 58,00). Recomendo.

Até o próximo!!

domingo, 4 de dezembro de 2011

Colonia Las Liebres Bonarda 2009

Eu já comentei anteriormente sobre este vinho no blog, quando o havia escolhido para o segundo encontro da Confraria do Meio (relembre aqui). Naquela noite porém o vinho não agradou a maioria dos presentes (e a mim também não) e por isso como tinha mais uma garrafa por aqui, resolvi fazer uma nova tentativa. Mas não houve muita diferença, infelizmente. Vale ressaltar que este vinho foi considerado por muitos críticos um best buy, tendo recebido inclusive 89 pontos do RP. Só para lembrar que o vinho é feito com uvas 100% bonarda vindas de vinhedos com mais de 30 anos na região de Rivadavia, em Mendoza na Argentina e não passa por madeira. Vamos as impressões.


Na taça o vinho apresentava uma bonita cor violácea, escura e brilhante. Lágrimas finas e rápidas ajudavam a tingir as paredes da taça.

No nariz o vinho apresentou aromas de compotas de frutas escuras, especiarias (pimenta/cravo), lembrança de algo lácteo e alguma nota animal. Depois de um tempo em taça notas de menta também podiam se fazer sentir. Álcool espetava um pouco no nariz e não arrefeceu muito com o tempo.

Na boca o vinho tinha corpo leve para médio, boa acidez e taninos finos, quase imperceptíveis. Mesmo assim faltava um pouco do meio de boca, um pouco de estrutura. Trouxe no retrogosto fruta e especiarias com um final curto e com leve amargor.

Não é um vinho ruim mas também não apresenta tantos atributos e sinceramente me pergunto o por que de ter sido tão aclamado pela crítica e recebido altas pontuações e recomendações. Particularmente, não é a minha.

Até o próximo!

Cesari Ripasso Bosan 2007

Os vinhos italianos tem sua posição reservada entre os meus preferidos, apesar de seus preços normalmente um pouco acima do que consideraríamos bom custo benefício. Acontece que eles tem sua potencia e sua vocação gastronômica, de maneira que eu sempre tenho algum exemplar em minha adega pra acompanhar um almoço especial nos finais de semana. E não é diferente no caso deste exemplar.

Feito pela técnica de ripasso, que consiste em o vinho obtido como Valpolicella passar por um tempo de contato com a borra de vinificação que sobrou da vinificação dos vinhos Amarone, obtendo assim mais estrutura, complexidade e aromas. Este vinho é composto por um corte de Corvina Veronese (80%) e Rondinella (20%), uvas típicas da região, e passa por aproximadamente 12 meses de amadurecimento em barricas de carvalho francês. Vamos as impressões.
Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi com borda tendendo ao granada, lágrimas finas e rápidas sem quase nenhuma cor, já demonstrando um pouco de sua idade. Tudo muito límpido e com alguma transparência.

No nariz o vinho apresentou aromas de ervas secas, fumo (tabaco), café e frutas vermelhas. Todos aromas muito bem integrados e indo e voltando na taça, a cada vez que colocava a taça no nariz parecia um outro vinho. Alguma coisa de baunilha também podia ser sentido.

Na boca o vinho tinha taninos firmes, rascantes, que secavam um pouco a boca. Mas tudo muito elegante e integrado com uma boa acidez (o vinho tinha uma boa vocação gastronômica) e sem álcool aparente. Final de média para longa duração com lembrança de frutas e chocolate amargo. Bastante complexidade.

Mais um bom vinho, com um preço um pouco mais alto do que um vinho do dia a dia, mas que valeu o quanto foi pago!

Até a próxima!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Fragulho 2008 Douro Reserva

Meus prezados leitores, sei que ando em dívida com vocês pois o blog deu uma diminuída no ritmo das postagens. A desculpa acaba sendo a já batida falta de tempo. Mas o lado positivo de tudo isso é que me sinto um privilegiado pois esta falta de tempo tem me feito enxergar que tenho um trabalho bacana, convivo com pessoas muito especiais mas também gerou algumas boas histórias pra eu contar aqui, mesmo que com atraso, haja visto que tenho postado minhas impressões sobre minha viagem a Bento Gonçalves, tenho tido a oportunidade de conhecer e conviver com pessoas diferentes e o vinho de hoje também é fruto disso. Já devo ter dito alguma outra vez que participo de duas confrarias, uma com o pessoal que se formou comigo no curso de sommellerie e outra com pessoas que conheci através de uma amiga em comum. A questão é que a última reunião desta confraria que me juntei com esta amiga foi muito bacana e especial. Além do tema ter sido um de meus favoritos (comida e vinhos portugueses) tivemos toda preparação feita por portugueses e ingredientes vindos diretamente de lá. Vamos então ao vinho.
Este típico exemplar do Douro não é trazido ao Brasil por nenhuma importadora (eis ai uma grande oportunidade) é produzido pela Casa dos Lagares, que está localizada em Cheires, no Douro. A produção é de em média 3000 garrafas e o vinho custa ao redor de 10 a 12 euros em Portugal. Em seu corte são usadas as uvas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca sem proporções divulgadas. Estagia por seis meses em carvalho. 

Na taça o vinho apresentou uma cor violácea bem intensa e forte. Lágrimas finas e coloridas tingiam as paredes da taça.

Ao nariz, o vinho abriu com muito aroma floral, frutas vermelhas muito maduras e algo de terroso, lembrando solo molhado. 

Na boca o vinho apresentou taninos finos, redondos e bem integrados, boa acidez que pedia sempre o próximo gole e final de média duração trazendo frutas e algo de tostado. 

Um belo vinho, uma noite excelente com companhias muito interessantes. Sem dúvida, pra se lembrar por muito tempo. Uma pena que o vinho não seja vendido por aqui no Brasil.

Até o próximo!