terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Clos de Los Siete 2008

E seguindo as postagens fruto de minha participação nas degustações, segue agora um argentino de grife. Feito por uma joint venture de uma família francesa e o famoso flying wine maker Michael Roland em terras mendocinas, este vinho é um blend de sete vinhedos (como o nome sugere) todos no Vale do Uco, em Mendoza e com as seguintes proporções: 48% Malbec 28%Merlot 12% Cabernet Sauvignon 12%Syrah.  Não encontrei maiores informações sobre maturação em barricas ou coisas do gênero, mas enfim, vamos as impressões.


Na taça uma cor violácea viva, brilhante e bem escura com lágrimas finas, rápidas e levemente coloridas. Sem halo de evolução.

No nariz, aromas de frutas vermelhas e escuras e ligeiro toque lácteo, não identificado ao certo. Ao fundo, algo de floral. Um pouco tímido, em minha opinião.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, acidez na medida, taninos finos e ligeiramente rascantes, bem integrados com o restante. Retrogosto frutado. Final de média duração.

Um bom vinho, sem defeitos e com pedigree. Porém pelo preço que eu andei pesquisando, talvez existam opções melhores. De qualquer maneira, fica a dica.

Até o próximo!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

DFE Premium 2007

E como não poderia deixar de ser, mesmo eu me tornando chato e insistindo em dizer que os vinhos portugueses são decididamente meus favoritos, eis que mais uma vez comprovo a tese. Também sem me tornar devidamente repetitivo, tenho participado das degustações a cegas que o Beto Duarte tem promovido para o guia que o mesmo está escrevendo e é dai que tem surgido vinhos muito interessantes. E como já dizia o ditado: juntando a fome com a vontade de comer (algo assim, confesso que minha memória não é das melhores mesmo), vamos a mais um exemplar vindo da terrinha.

A Douro Estates Family, produtora do vinho de hoje, é uma associação, criada em 2007, formada por quatro famílias produtoras de vinhos de quinta, no vale do Douro, a mais antiga região demarcada do mundo. Os produtores são proprietários das Quinta dos Poços, Quinta do Soque, Quinta das Bajancas e Brites Aguiar. Os vinhos DFE Premium são vinhos de perfil contemporâneo, intensos, elegantes, generosos, criados para refletir a versatilidade e a atualidade apaixonante dos vinhos do Douro. São produzidos de vinhas velhas da região, sem distinção de quais uvas são constituintes destes vinhedos passando depois por maturação em madeira, porém não consegui descobrir quanto tempo nem qual tipo de madeira utilizada. Enfim, vamos as impressões.


Na taça o vinho apresentou uma cor rubi violácea com ligeiro halo aquoso, sem muitos traços de evolução, apesar dos seus quase 5 anos de vida. Lágrimas finas, rápidas e quase incolores fechavam o conjunto visual.

No nariz o vinho abriu com muita fruta negra, notadamente groselha e ameixa preta. Depois pouco tempo, um pouco de figo também era possível de se notar. Em outras camadas, aromas de chocolate, flores e algo de animal (lembrando estrebaria) também se faziam presentes. Ao fundo da taça, fechando o conjunto olfativo, um toque de tostado. No nariz o vinho já agradou em cheio, muito complexo e interessante.

Na boca o vinho mostrava num primeiro ataque quase doce taninos finos, presentes e de excelente qualidade, boa acidez e um corpo médio. Trazia no retrogosto muita fruta e notas lácteas. Um final deliciosamente de média para longa duração. 

O vinho é excelente, me encantou no dia da degustação e permaneceu assim por mais dois dias em geladeira. Espetacular, eu recomendo.

Até o próximo!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

27 de Janeiro - Dia Internacional do Vinho do Porto

Com o intuito de celebrar esta bebida anciã, foi anunciado que 27 de janeiro será o "Dia Internacional do Vinho do Porto." O evento incentiva a celebração inaugural deste vinho verdadeiramente único, que só vem de Portugal. Consumidores de todo o mundo são incentivados a participar na celebração deste vinho autêntico e aumentar a conscientização sobre a necessidade de proteger o nome do Porto.

Participar é fácil. Os consumidores podem participar on-line do Dia do Porto pelos blogs, twittar, postar e compartilhar seus pensamentos sobre este vinho excepcional, usando o hashtag # PortDay. Ou, eles podem participar de numerosos eventos e degustações em lojas de varejo e restaurantes que estão sendo planejados em diversos locais dos Estados Unidos (infelizmente para nós brasileiros não vi nenhuma movimentação a cerca de se fazer algum evento por aqui. Caso você leitor saiba e queira compartilhar, esteja a vontade de usar o blog como ferramenta).

Existem muitos vinhos fortificados e de sobremesa de qualidade, mas o verdadeiro vinho do Porto só vem da denominação de origem do Porto, em Portugal, uma das mais antigas do regiões vinícolas do mundo a ser regulamentada e demarcada. As uvas utilizadas na produção do vinho do Porto são cultivadas no Vale do Rio Douro, localizado a aproximadamente 60 milhas da cidade do Porto, onde o vinho recebe o seu nome. O Vale do Douro é cercado por cadeias de montanhas escarpadas que produzem um clima quente e seco. Enquanto o solo árido apresenta desafios únicos para os viticultores que constroem fileiras de terraços, é a combinação de clima e solo que faz do Porto um vinho diferente de qualquer outro. É por isso que seu nome só pode ser usado em um rótulo, se as uvas e o vinho são produzidos, sob rigoroso controle, na denominação do Porto.

Infelizmente, hoje o nome do Porto é mal utilizado em garrafas de vinho em todo o mundo e particularmente nos Estados Unidos. Vinhos não produzidos a partir de uvas cultivadas no Vale do Douro induzem os consumidores a acreditar que o que eles estão consumindo é vinho do Porto indevidamente por colocar o nome no rótulo.

Lembre-se de participar em # PortDay online ou offline no seu bar de vinhos preferido ou restaurante com os amigos. Um brinde ao vinho do Porto!

E ate o próximo!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Almaúnica Reserva Syrah 2010

Para quem me acompanha aqui no blog não é surpresa nenhuma que minha relação com os vinhos nacionais mudou um pouco desde minha viagem ao Vale dos Vinhedos em Novembro do ano passado. E por isso temos visto também uma aumento no número de vinhos nacionais degustados e postados por aqui. E é o caso do exemplar do post de hoje, que veio em minha mala na volta de viagem lá do Rio Grande do Sul. Não vou falar muito sobre a vinícola pois dediquei um post exclusivo a ela quando fui lá (relembrem aqui).

Falando um pouco sobre o vinho, este Syrah já foi muito comentado pela mídia nacional, tendo sido eleito inclusive um dos melhores tintos já produzidos no país por diversas revistas especializadas. É elaborado com uvas 100% Syrah, sendo produzido e depois envelhecido por 12 meses em barricas francesas e americanas, de primeiro e segundo uso. O vinho ainda permanece em garrafa antes de ser liberado ao mercado. Vamos as impressões.


Na taça mostrou uma bonita cor rubi violácea bem forte, com algum brilho e com pouquíssima transparência. Lágrimas finas, moderadamente lentas e pouco coloridas ajudavam a tingir as paredes da taça.

No nariz o vinho se mostrou bem complexo, abrindo com frutas escuras (amoras e ameixa preta), muita especiaria (pimenta principalmente), couro e algo de côco. Depois de um tempo em taça, a medida que a temperatura subiu um pouco, foi possível ainda sentir um toque de estrebaria e um fundo tostado na taça. O vinho era realmente interessante no nariz.

Na boca o vinho apresentou-se volumoso e com bom corpo, boa acidez, taninos finos e bem integrados ao vinho e com álcool na medida, sem sobressair. Retrogosto trazia muita pimenta, fruta e algo de alcaçuz. Final de médio para longo sem amargor final. 

Confirmando as expectativas e a degustação feita na própria vinícola, o vinho se mostrou com muita qualidade,   muito saboroso e sem defeitos aparentes. Bem equilibrado, parece que o tripé acidez/taninos/álcool estava bem integrado com a fruta e a madeira fora usada de forma coerente. Eu recomendo!

Até o próximo!

domingo, 22 de janeiro de 2012

Villa Montes Cabernet Sauvignon 2009

Normalmente em shopping não é muito fácil se tomar vinhos bons, seja pela escassez de boas cartas de vinho dos restaurantes ou pelos preços praticados em muitos deles. Entretanto de vez em quando eu tenho vontade de me arriscar em alguns e os resultados nem sempre são ruins. E foi o caso deste vinho de hoje.

Feito pela gigante Viña Montes, umas das responsáveis pela modernização e melhora significativa da qualidade dos vinhos chilenos com os famosos Montes Alpha e Montes Folly, por exemplo, nosso exemplar é o vinho de entrada da vinícola. Não encontrei muitas informações disponíveis sobre o mesmo, mas ao que pude verificar é feito com uvas 100% cabernet sauvignon do Vale do Colchágua e segundo consta não passa por barrica. Vamos ao vinho.


Na taça uma bonita cor rubi violácea, brilhante e de leve transparência. Lágrimas finas, levemente coloridas e rápidas completam o aspecto visual.

No nariz aromas de frutas vermelhas frescas, pimentão puxando um pouco pro assado e um leve toque de especiarias doces como canela e cravo. Mesmo sem a passagem em carvalho (a confirmar) eu pude sentir um leve aroma de baunilha no vinho.

Na boca um vinho de corpo médio, taninos bem finos e delicados e uma acidez que poderia ser um pouco melhor. Retrogosto frutado e um final de ligeira para média duração. 

Um vinho correto, sem defeitos e que pode agradar aqueles que não estão habituados ao consumo de vinho. Serviu para a função: uma refeição despretensiosa em um shopping.

Até o próximo.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Mais uma pesquisa em prol do screw cap!

Mulheres e jovens preferem o uso de screwcap em detrimento a rolha de cortiça/sintética

Esta conclusão foi tirada do último relatório divulgado pela Wine Intelligence, que também afirma que este tipo de fechamento também tem ganhado terreno como um produto líder nos Estados Unidos e Reino Unido.

O relatório da Wine Intelligence também revela que a aceitação geral da tampa de rosca  entre consumidores americanos de vinho, medidos como a combinação daquelas pessoas que dizem que gostam deste tipo de "rolha" e aqueles que são neutros sobre o screwcap, subiu para uma nova alta de 70%, acima dos 59% em 2008, sugerindo que o screw-caps esta a caminho de se tornar um produto mainstream em um dos maiores mercados do mundo de vinhos.

As mulheres e os consumidores entre 18 e 34 têm mais probabilidade de achar a compra de uma garrafa de vinho com tampa de rosca aceitável, enquanto que os homens e os consumidores entre 45 e 54 anos são os menos propensos a aceitar este tipo de fechamento em suas garrafas.

Apesar do crescimento da aceitação da tampa de rosca , a cortiça natural mantém o seu domínio como o fechamento de vinho mais aceito  entre os consumidores americanos de vinho, e a cortiça sintética também permanece amplamente aceita, com ambos os fechamentos mostrando níveis consistentes de afinidade e aceitação ao longo dos últimos quatro anos.

A questão dos mercados

No caso do Reino Unido, a aceitação da tampa de rosca subiu para 85% em relação aos últimos oito anos entre a população consumidora de vinho. E isto comparado com apenas 41% dos consumidores que aceitavam a idéia deste tipo de fechamento das garrafas em 2003. No mesmo período, a afinidade com a tampa de rosca foi de apenas 6% a 42%, de acordo com o relatório da Wine Intelligence.

Assim como nos EUA, onde os maiores propulsores desta aceitação parecem ser os consumidores de vinho do sexo feminino na faixa entre o 30 e os 40anos, que compram vinhos regularmente em supermercados para beber em casa. Há também um forte apoio para as screw caps entre os consumidores mais jovens que entraram recentemente na categoria de vinho.

Richard Halstead, COO da Wine Intelligence e autor do relatório, disse: "Este ano, a visão do consumidor sobre o screw cap mudou fundamentalmente nos últimos 8 anos. De um mercado que estava ativamente céticos e em alguns casos hostil para com as tampas de rosca, agora temos uma situação onde eles são a norma e não a excepção ".

E você, leitor do meu balaio, o que acha? Encara com normalidade e tranquilidade quando um vinho que lhe foi oferecido/indicado usa screwcap ou ainda tem algum preconceito com este tipo de encapsulamento? Deixem suas opiniões!


Até o próximo!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Domaine Jean Bousquet Pinot Noir Reserva 2009

Como eu já havia comentado, nestes últimos dias tivemos um desfile de vinhos argentinos no blog. Em parte em decorrência da degustação que participei na semana passada mas também por que eu tenho alguns bons exemplares em casa e quis degustá-los. Ao final, o saldo que eu obtive é mais do que positivo. 

O vinho de hoje é orgânico e feito em Tupungato, em Mendoza na Argentina por um francês que se mudou da França para a Argentina  em 1997, dizendo que havia encontrado os melhores terroirs do mundo para obtenção de vinhos de qualidade. Se isto é verdade, eu não vou dizer que sim nem que não, mas que ele tem feito um trabalho bom e consistente por lá não há duvida. Feitos com uvas 100% pinot noir o vinho ainda passa por 10 meses de envelhecimento em carvalho e 4 meses de garrafa antes de ser comercializado. Vamos as impressões.


Na taça uma bonita cor rubi, brilhante e com boa transparência, um pouco mais escura do que os pinots do velho mundo apresentam. Lágrimas finas, incolores e rápidas.

No nariz o vinho abriu com notas de frutos vermelhos bem frescos como morango e cerejas. Depois abriu um pouco de especiarias, tabaco doce e um leve tostado ao fundo da taça.

Na boca o vinho tinha um corpo de leve para médio, boa acidez e taninos finos, delicados e bem integrados com o vinho. Retrogosto frutado num final deliciosamente longo com um leve amargor que não atrapalha em nada a degustação.

Um excelente Pinot Noir argentino, corretíssimo e a um preço que vale o quanto custa. Como sou fã de tintos, este foi bem com filé de Saint Peter ao molho de camarão, tomate e queijo parmesão. Eu mais do que recomendo!

Até o próximo!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Temático Reserva Malbec 2006

Continuando a série de argentinos o blog, passamos a este vinho que é produto de uma linha alternativa do já conhecido enólogo Maurício Lorca, que trabalha principalmente com vinhedos no Vale do Uco, em Mendoza. Como vocês verão inclusive na foto abaixo, o vinho foi um grande acompanhante para a pizza nossa de todo sábado, aguentando bem inclusive a com recheio de calabresa moída com mozarela. 

Apesar de conter apenas a descrição malbec no rótulo o vinho é feito com um corte com as seguintes proporções: 90% Malbec, 7% Cabernet Sauvignon, 3% Syrah. O vinho tem uma produção limitada e passa por 12 meses em barricas francesas e americanas. Vamos as impressões.


Na taça uma bonita cor violácea com ligeiro halo de evolução nas bordas. Lágrimas finas, rápidas e com ligeira cor ajudavam a tingir as paredes da taça. Apesar da idade ainda possui certo brilho.

No nariz o vinho apresentava aromas de frutas vermelhas em compota, pimenta e algo de floral. Discreto mentolado no final. Vale ressaltar que os aromas eram bem elegantes e integrados, mostrando bom equilíbrio.

Na boca o vinho tinha corpo médio, acidez ainda presente e taninos finos, redondos e elegantes. Retrogosto lembrando fruta em compota e algo de chocolate ao leite. Final de média duração. Sem amargor final e álcool imperceptível apesar dos mais de 14%.

Bom vinho, sem defeitos e representante da linha mais "comportada" dos malbecs argentinos. Eu gostei.

Até o próximo.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Santa Julia Cabernet Sauvignon Reserva 2008

Continuando a série de vinhos argentinos provados, mais um bom exemplar vindo de Mendoza, mas desta vez não era um malbec. Outro grande achado no tocante ao custo benefício, eu diria que este caso poderia se tornar um vinho para o dia a dia sem problema nenhum.

A Bodega Santa Julia é parte do grupo Zuccardi, e foi criada nos anos 90 como uma forma de homenagem a filha de José Zuccardi, Julia. Este vinho é composto de uvas 100% cabernet sauvignon colhidas em Maipu e no  Vale do Uco, em diferentes composições de solo em Mendoza. Passa por amadurecimento de 10 meses em carvalho francês de primeiro, segundo e terceiro usos. Sem maiores delongas, vamos a ele.


Na taça o vinho tinha uma cor rubi violácea bem escura, com alguma transparência e leve halo de evolução, contando ainda com lágrimas finas, ligeiramente lentas e com certa cor. 

No nariz o vinho já mostrava uma complexidade interessante, abrindo com aroma de frutas negras, algo de especiaria (pimenta), leve herbáceo de fundo com baunilha e um toque animal fechando o conjunto. Muito interessante, sem mostrar aquele herbáceo agressivo e verde que normalmente encontramos em alguns cabernets sulamericanos.

Na boca o vinho tinha um corpo médio, taninos finos e ligeiramente rascantes mas integrados ao conjunto e talvez faltasse um pouquinho mais de acidez, mas que não comprometia o vinho. Retrogosto frutado com alguma coisa de baunilha num final de média duração bem gostoso.

Enfim, mais um bom vinho feito por nossos hermanos e que agrada pela faixa de preço, fugindo um pouco do malbec pesadão e quase doce que costumamos encontrar por ai. Eu recomendo.

Até o próximo!

sábado, 14 de janeiro de 2012

Zuccardi Serie A Malbec 2010

Na última quinta feira tive a oportunidade de participar de mais uma degustação da série que tem sido promovida pelo jornalista Beto Duarte, e que farão parte da base de dados para o guia de vinhos do mercado nacional degustados às cegas que ele está escrevendo. Agora o tema era vinhos argentinos. E como sempre entre destaques e boas oportunidades, vou falar sobre alguns dos vinhos que eu considerei muito bons e que são uma boa opção de compra.


A Família Zuccardi já tem muita tradição e goza de muito prestígio quando falamos de vinhos argentinos e de Mendoza, tendo chegado por lá em meados dos anos 50, e tendo passado por diversas mudanças em seus negócios até chegarem na atual configuração em meados dos anos 80. Eles trabalham com uma boa diversidade de produtos, sendo que a linha Serie A se situa como a linha de entrada da vinícola, e nem por isso  perde em qualidade. O vinho é elaborado com uvas 100% Malbec vindos de 3 vinhedos diferentes em Mendoza sendo que após o processo de vinificação, 70% do vinho passa por carvalho de primeiro, segundo e terceiro usos por aproximadamente 10 meses antes de ser engarrafado. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresenta uma bonita cor violácea profunda, com pouca transparência. Lágrimas finas, de certa maneira lentas e levemente coloridas completam o aspecto visual.

No nariz o vinho mostrou aromas de figo, chocolate ao leite, leve pimenta e um toque floral. Todos aromas muito intensos porém sem serem agressivos. Boa complexidade.

Na boca o vinho tinha um corpo médio, boa acidez, taninos finos, redondos e bem fundidos ao vinho. Trazia muita fruta e chocolate no retrogosto  tinha um final com certo dulçor, bem prolongado (o vinho tem 14,8% de álcool, imperceptível a não ser por este dulçor final).

Começamos bem esta série de vinhos argentinos com este belo exemplar da uvas símbolo argentina. É sinal de que nem sempre os vinhos desta uva são aqueles monstros amadeirados e de certa maneira cansativos e pesados, podendo também existir vinhos de excelente qualidade a preços não tão altos. Eu recomendo.

Até o próximo!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Mais polêmicas sobre as pesquisas envolvendo vinho e saúde!

Durante anos, Dipak Das, professor e pesquisador da Universidade de Connecticut , publicou estudos sobre os benefícios para a saúde com o consumo de vinho tinto. Agora, a universidade o acusa de falsificar dados e está tentando a sua demissão. Não está claro, porém, se os estudos podem estar comprometidos.

O Centro de Saúde da universidade está citando uma extensa má conduta durante a pesquisa nos estudos de Das depois de uma investigação de três anos na pesquisa publicada em 11 revistas científicas. "Temos a responsabilidade de corrigir o registro científico e informar os pesquisadores em todo o país", disse Philip Austin, vice-presidente interino para assuntos de saúde da Universidade de Connecticut.

Das, professor do departamento de cirurgia e diretor do centro de pesquisa cardiovascular, conduziu os estudos ao longo de um período de sete anos. Em um de seus estudos, ele credita ao resveratrol e as antocianinas, ambos os compostos encontrados na casca da uva, os benefícios cardiovasculares observados no vinho tinto. Outro estudo descobriu que o resveratrol ajuda a reparar danos às células tronco do coração (embora ainda não seja claro qual dos estudos de Das são suspeitos). Aparentemente, os estudos parecem legítimos, com todos os protocolos apropriados seguidos. A pesquisa, no entanto, deveria ter passado por um duplo check, antes de sua publicação.

Mas uma denúncia anônima em 2008 para a universidade sobre irregularidades na pesquisa desencadeou a investigação, de acordo com o porta-voz Chris DeFrancesco. "O relatório completo, que totaliza aproximadamente 60.000 páginas, conclui que Das é culpado de 145 acusações de fabricação e falsificação de dados", disse DeFrancesco, em um comunicado. "Como resultado da investigação, o centro de saúde congelou todas as pesquisas com financiamento externo para o laboratório de Das e se recusou a aceitar 890.000 dólares em verbas federais concedidos a ele." Contactado pela Wine Spectator, Das recusou a comentar as alegações. Os processos de destituição contra ele estão em andamento.

"Enquanto nós estamos profundamente decepcionados com o flagrante desrespeito do código de conduta da universidade, tivemos o prazer de verificar que os sistemas de supervisão utilizados foram eficazes e trabalharam como pretendido", disse Austin."Estamos gratos que um indivíduo optou por fazer a coisa certa, alertando as autoridades competentes."

Austin disse que os erros de Das são isolados para seu laboratório, apesar da universidade não revelar detalhes. A universidade acredita que Das esta em plena conformidade com os protocolos de investigação em curso e não tinha suspeitas anteriores sobre a veracidade de seu trabalho.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O que se deve fazer para ser um sommelier?

Eu estava lendo um artigo sobre, na opinião de um renomado dono de redes de restaurantes no exterior, quais deveriam ser as principais características e/ou os principais pontos de uma pessoa para que essa possa exercer bem a função de sommelier em um restaurante considerado de ponta. E eu resolvi abrir a discussão aqui no blog, citando as opiniões registradas no texto e tentando tecer alguns comentários meus de forma conjunta, e esperando que os leitores possam também dar suas opiniões. Vamos lá.

Primeiramente o fundamental, em meu ponto de vista pessoal, é a paixão da pessoa pelo mundo do vinho, suas entranhas e particularidades. Por exemplo, você deve ao menos saber o momento exato (ou o mais próximo disso) em que você se virou para o mundo do vinho e quais os motivos para tal. Além disso, você deve ter algumas preferências no mundo do vinho, mas estas não poderão afetar seu cotidiano profissional. E é claro que se você já tiver tido a oportunidade de visitar regiões vinícolas distintas do planeta, melhor ainda. A primeira dica é: seja apaixonado pelo assunto.

Assim que possível a pessoa deve procurar uma instituição de ensino que possa oferecer-lhe uma educação teórica sólida e uma parte prática que possa lhe mostrar os primeiros passos e os atalhos para a profissão. Evidentemente que quanto mais séria e profissional a instituição escolhida, melhor para o profissional que optar por seus cursos e formação. As vezes o ideal é pesquisar muito antes da escolha e se possível conversar com profissionais da área. Alguns de vocês vão dizer que existem muitos bons profissionais que não tiveram acesso a tal tipo de formação, e eu vou concordar com vocês. Mas a intenção aqui é mostrar um mundo mais próximo do ideal possível. A dica aqui é a mesma para uma porção de profissionais, desta e de áreas diversas: estude sempre.

Isso porém não muda a necessidade de experiência e trabalho no chão do restaurante, desenvolvendo também habilidades que vão desde a negociação e aquisição dos vinhos junto aos revendedores/importadores até o momento de servir as pessoas no salão, entre muitas outras obrigações e deveres. Muitas vezes também o sommelier tem que ser um bom ouvinte quando em atendimento ao público, não devendo impor suas vontades e percebendo o momento ideal para indicar uma bebida diferente da que a pessoa está pensando em consumir. E a percepção de que o cliente não irá mudar sua opinião, não importe qual esforço o sommelier fizer também é importante para manter o clima de cordialidade. Aqui o importante a ressaltar é que a atividade requer habilidade de lidar com público em geral.

Pensando no convívio com os demais membros da staff do restaurante, a pró atividade conta muito neste emprego também, uma vez que o sommelier precisa da ajuda do restante do staff do restaurante para impulsionar a venda dos vinhos. O sommelier deve (ou normalmente é recomendado que se faça), sempre que possível, fazer degustações em conjunto com os outros atendentes do restaurate afim de que as harmonizações propostas sejam testadas e que sua carta de vinhos seja posta em prova. Além disso, a opinião de alguns que possam ser leigos tende a fazer pequenos ajustes finos com  as vontades dos consumidores regulares, ainda mais num mercado que ainda não consome tanto vinho assim como o brasileiro. Esta última dica tem haver com o ambiente de trabalho e respeito a todos e suas funções dentro da cadeia que envolve o atendimento no restaurante.

É claro que estas dicas acima são apenas algumas dentre as muitas que um sommelier deve se basear ao longo de sua carreira. Gostaria de contribuições para que o assunto possar ser enriquecido e criemos aqui uma lista em que um futuro profissional possa basear ao menos sua escolha para entrada ou não no mercado. E então prezado e querido leitor, quais são as suas dicas/diretrizes para quem quer se aventurar no mercado como sommelier?

Até o próximo!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Angheben Teroldego 2005

Depois de visitar a vinícola no final do ano passado (relembrem aqui) era chegada a hora de tirar da adega a garrafa que eu trouxe de lá a fim de verificar e confirmar todas minhas impressões obtidas naquele dia. E eu ainda lembro como se fosse hoje, tamanha foi minha satisfação com esta visita. 

Falando um pouco do vinho com mais detalhes, este varietal é elaborado com uvas 100% Teroldego, originária da região de Trentino na Itália e que, segundo o produtor, se adaptou bem ao terroir de Encruzilhada do Sul (aonde inclusive também a Vinícola Lídio Carraro tem obtido resultados muito bons). Passa por algo entre 6 a 8 meses em barricas para afinamento e depois ainda um pouco nas caves antes de ser comercializado. Vamos as impressões, para ver se as mesmas se confirmam desde a última vez em que provei o vinho. 


Na taça uma cor violácea profunda, escura e brilhante. Apesar da idade não apresentava halo de evolução. As lágrimas era lentas, finas e com certa cor também. 

No nariz o vinho se mostrou complexo, abrindo com notas de frutas escuras (ameixa preta), algo de couro, tabaco e especiarias. Tudo muito austero, elegante, aquela sensação de vinho do velho mundo. 

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez, taninos finos e algo rascantes, mas de boa qualidade. Final médio com lembrança de ameixa preta e algo de chocolate amargo. O vinho se mostrou muito gastronômico e pedia comida a cada gole. 

Confirmadas as expectativas, o vinho é realmente muito bom. Infelizmente só trouxe uma garrafa. Mas vale dizer que nada melhor do que degusta-lo lá no Vale dos Vinhedos com o pessoal da Vinícola. Eu recomendo! E ele casou maravilhas com risoto de shitake, alho poró e queijo grana padano e carré suino. 

Até o próximo!

domingo, 8 de janeiro de 2012

Miolo Seleção Cabernet/Merlot 2009

É com grande satisfação o que eu vou dizer nas palavras a seguir: os vinhos nacionais estão realmente subindo de patamar. E isto, vindo de um cético como eu, é de se considerar. Vejam, eu sempre disse por aqui que não acreditava muito nos vinhos nacionais, em grande parte pelos preços por eles praticados. Mas atualmente eu tenho aprendido muito e degustado algumas boas opções de vinhos nacionais em diversas faixas de preço e me surpreendido, na maioria das vezes positivamente, em relação a qualidade dos vinhos. Acho que agora podemos falar em competição com alguns outros mercados, como o argentino, chileno e sul africano, para começarmos. Os de velho mundo eu ainda acho que só em linhas mais top conseguimos alguma competição, mas estamos no caminho certo. Isto é uma opinião pessoal, é claro, mas se quiserem discordar, por favor comentem e troquemos idéias por aqui, vocês são mais do que bem vindos.

Mas toda esta introdução foi para descrever a experiência que eu tive ontem com o vinho alvo deste post em uma pizzaria sem muitas opções em sua "carta de vinhos". Eu nem estava com muita esperança, mas como já tinha ouvido falar muito bem deste vinho, resolvi apostar. E me dei muito bem. O vinho serviu bem de escolta para as fatias de pizza que vinham na sequência do rodízio.Pesquisei um pouco no site da vinícola Miolo mas não encontrei em que proporção as uvas cabernet sauvignon e merlot entram no corte, uvas estas provenientes  do terroir da Campanha Gaúcha, no Rio Grande do Sul no projeto intitulado Seival Estate. Este pode ser considerado o vinho de frente da vinícola, mas mesmo assim 10% do mesmo permanece por um ano em carvalho para afinamento. Vamos as impressões.


Na taça o vinho mostrou cor rubi violácea com algum brilho e certa transparência. Lágrimas finas, abundantes, rápidas e ligeiramente coloridas ajudavam a tingir um pouco mais as paredes da taça.

No nariz o vinho tinha aromas de frutas vermelhas frescas, leve floral e alguma lembrança de baunilha. Tudo bem integrado e agradável.

Na boca o vinho tinha um corpo de leve para médio, boa acidez e taninos finos, macios e bem integrados com o restante do vinho. Trazia na boca bastante fruto e algo de baunilha. Final de curta para média persistência. 

Uma boa opção de vinho para o dia a dia, sem defeitos e que pode agradar até quem não é um grande apreciador de vinhos. Eu recomendo.

Até o próximo!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Alta Vista Premium Malbec 2009

Sabe aqueles dias que depois de tudo que você já fez, sente aquele pequeno tédio e a vontade de somente relaxar, tomar um vinho e relaxar? Pois foi nessa toada que este malbec argentino apareceu em minha vida. Estava eu, após um dia de trabalho, academia, notícias, sentado em minha cama pensando na vida quando me bateu uma vontade de tomar um vinho e coincidentemente não tinha nenhuma garrafa comigo. Resolvi ir até um local perto de casa que tem algumas coisas razoáveis a preços razoáveis para pegar algo. Chegando lá resolvi que iria escolher obviamente um vinho que ainda não havia provado, o que me deixou com algumas opções ilustremente desconhecidas. E ai optei pelo Alta Vista Premium, o que se mostraria mais tarde uma excelente opção e descoberta.

A Bodega Alta Vista é de uma família francesa que se estabeleceu em Mendoza em 1998, plantando as uvas ícones argentinas, Torrontes e Malbec, e desde então vem colhendo os frutos de todo seu empenho com vinhos de reconhecida qualidade, desde as suas linhas de entrada. O vinho é feito com uvas 100% malbec provenientes dos vinhedos de Mendoza e passam por afinamento de 12 meses em carvalho francês e americano. Vamos as impressões.


Na taça o vinho tinha uma cor violácea muito profunda, quase negra, que em conjunto com suas lágrimas extremamente coloridas tingiam as paredes da taça de uma maneira impressionante. A expectativa é de um vinho com muita potência, muita juventude, como a maioria dos malbec argentinos tem se mostrado.

No nariz o vinho demonstrou uma boa complexidade aromática, começando com frutos vermelhos frescos (morango/cereja) passando por café torrado, caramelo, um pouco de couro e carne defumada e leve toque de especiarias. O vinho mudava muito a cada instante na taça, o que eu achei interessante tendo em vista que o vinho não é nenhum topo de gama.

Na boca o vinho perde um pouco desta potência toda demonstrada até aqui, mas tinha corpo médio, boa acidez e taninos finos mas presentes e em boa quantidade. Trazia no retrogosto muita fruta e alguma coisa de chocolate. Final de média duração. 

Um vinho que me surpreendeu positivamente, pois eu não nutria quaisquer expectativas sobre ele. Não tem defeitos e apresenta boa relação custo benefício. Sinceramente, um vinho para se ter na adega e para beber no dia a dia. Eu recomendo!

Até o próximo!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Retrospectiva 2011 - Parte II - Final

Continuando com nossa retrospectiva, principalmente nos assuntos voltados ao blog e seu foco, o que será que o segundo semestre nos reservou?

Julho: a principal conquista aqui foi ter me formado no curso de sommellerie, tendo a oportunidade não somente de desfrutar de muito conhecimento e informação com pessoas tão singulares com as quais tenho tentado manter o contato vivo até hoje e mais do que isso, ter tido a oportunidade de aprender junto de uma das mais renomadas sommelières do país, a Alexandra Corvo. Além disso, uma marca impressionante para o blog, que rapidamente atingira a marca de 10 mil acessos em 11 meses (uma marca muito boa pra mim) e que fez com que eu me empenhasse ainda mais para que o blog conseguisse angariar novos leitores. Estes assuntos foram retratados no post "Motivos para Comemorar". No tocante a vinhos, um bom exemplo de custo benefício vindo da Nova Zelândia (relembrem aqui o Yealands Way Sauvignon Blanc).

Agosto: este foi um mês bem agitado o que fez com que eu conseguisse gerar muitos posts interessantes pro blog. A primeira coisa que eu achei interessante foi minha primeira experiência, altamente positiva diga-se de passagem, com compras coletivas para jantares em restaurantes (relembrem meu jantar no iBistrot aqui). Depois disso, tiveram alguns bons eventos que participei mas um em especial sempre foi meu favorito, uma vez que já havia comparecido em outras edições (relembrem o Encontro de Vinhos aqui). Tiveram muitos bons vinhos, mas para não tornar o mês uma compilação de posts escolhi um argentino de peso para esta retrospectiva (relembrem o Zuccardi Q Cabernet Sauvignon aqui). Eu ainda convidaria você que não acompanhou de perto o blog na época a dar uma revisitada nos posts, eu acho que você irá encontrar postagens que possam te interessar.

Setembro: o mês em questão também foi deveras agitado. Como eu havia comentado na seção de julho, tenho tentado manter contato com o pessoal que se formou comigo no curso de sommellerie e uma das maneiras que encontramos para tal foi a criação de uma confraria com alguns dos alunos, sendo que em setembro tivemos a primeira reunião do grupo (relembrem a inauguração da Confraria do Meio aqui). Outro evento de que sou muito fã deu início em Sampa nesta época, o Restaurant Week, e eu tentei visitar alguns restaurantes durante este evento e postei minhas impressões no blog (relembrem aqui minha visita a Cantina La Grassa). Quando o assunto é vinho, desta vez eu pude provar meu primeiro Barolo, o vinho dos reis e o rei dos vinhos (relembrem  o Beni di Batasiolo Barolo aqui).

Outubro: Apesar de não parecer, este foi um mês mais do que agitado, eu diria deveras especial, pois foi aqui que um grande acontecimento em minha vida pessoal aconteceu: meu irmão casou e eu fui padrinho dele (relembrem minha singela homenagem aqui). Foi neste mês também que eu tomei conhecimento de um serviço inovador de reservas em restaurantes on line, o Gourmeo, e eu resolvi testa-lo postando no blog minhas primeiras impressões (relembrem aqui). Foi um mês também de grande vinhos e foi difícil separar um único, mas resolvi trazer um belo exemplar francês da região de chateauneuf du pape nesta retrospectiva (relembrem o Laurus Châteauneuf du Pape aqui).

Novembro: este mês trouxe pra mim um oportunidade incrível: eu fiz uma viagem ao Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, onde pude visitar várias vinícolas nacionais e tomar conhecimento de que nossa vitivinicultura está em franca evolução e nos reserva boas surpresas. Para a retrospectiva, eu trouxe uma das minhas visitas a vinícolas que mais me satisfez em termos de conhecimentos (relembrem minha visita a Vinícola Angheben aqui). Aqui também pude ir mais uma vez a mais um de meus eventos favoritos, a Expo São Roque (relembrem aqui). Para finalizar, com relação a vinhos, um dos que eu trouxe de minha viagem ao Uruguai foi a escolha (relembrem o Alto de La Ballena Tannat Viognier aqui).

Dezembro: com a correria do final de ano, fechando últimos problemas no trabalho e as festas se aproximando, dezembro é sempre um mês especial. Foi aqui que eu comecei a frequentar as degustações as cegas dirigidas pelo Beto Duarte, do Papo de Vinho, que farão parte de um guia editado por ele e tive a oportunidade de, além de degustar muitos bons vinhos, conhecer muitas pessoas do mundo enoblogueiro e trocar muitas idéias (relembrem aqui meu primeiro post sobre o assunto). Além disso, eu não citei anteriormente, mas em alguma parte deste ano eu comecei também a frequentar uma outra confraria, a Pane Vinum Et Caseus, da onde vem o vinho do mês que apesar de ter sido degustado em novembro, só entrou no blog em dezembro (relembrem aqui o Fragulho Douro). Pra finalizar a retrospectiva, um fato que eu considero também relevante é que apesar de uma primeira experiência ruim com o serviço do Gourmeo, tive motivos para voltar atrás e indicar o serviço, o que eu expliquei aqui o por que.

Espero ter trazido o que de mais interessante o blog nos brindou neste ano, mas caso eu tenha deixado algo de fora, é por um bom motivo ou simplesmente por que em respeito a você leitor, não quis tornar esta retrospectiva cansativa ou sem graça. Eu realmente espero que vocês tenham gostado e que neste 2012 que se abre na nossa frente vocês possam continuar acompanhando o blog e me dando a força necessária para que o blog continue desta maneira e evolua sempre! Deixo aqui o meu muito obrigado!

Até o próximo!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Retrospectiva 2011 - Parte I

Bom, depois de muito pensar e relutar a idéia de fazer uma retrospectiva do ano de 2011, resolvi que era hora de contar um pouco do que de melhor aconteceu comigo este ano e do que eu produzi para este humilde blog. Vou tentar separar um pouco por mês a fim de tentar não esquecer algum fato positivo. E também na medida do possível, separar um ou dois posts por mês. Espero que vocês, meus poucos mas fiéis leitores, apreciem a leitura.

Janeiro: o ano começou de maneira lenta mas eu consolidava a idéia de dividir com vocês minhas impressões, meu aprendizado e tudo que eu lia, ouvia e degustava com relação a vinhos. Foi uma decisão difícil e ousada pois eu já tinha uma idéia do oceano de blogs (bons) a respeito de vinhos. Foi nesta época também que comecei a escrever sobre minhas experiências gastronômicas no blog. No quesito vinhos, acho que o mais interessante foi ter provado um Beaujolais Nouveau de um bom produtor (relembrem o Beaujolais Nouveau Joseph Drouhin 2010 aqui).

Fevereiro: aqui as coisas começaram a mudar. Foi quando eu comecei meu curso de sommellerie para além de ampliar meus horizontes, poder falar com um pouco mais de propriedade sobre os vinhos que eu escolhia e degustava. Afinal de contas, é necessário um mínimo de credibilidade e conhecimento se você quer começar a se embrenhar em um novo "mercado". Além disso, neste mês eu acompanhei a despedida do esporte de um de meus maiores ídolos, Ronaldo Fenômeno (relembrem aqui). No tocante aos vinhos acho que o mais interessante foi um Bordeaux que eu provei, talvez o primeiro com alguma qualidade (relembrem o Chateau Piron 2004 aqui).

Março: foi neste mês que comecei também a ter mais contato com pessoas do mundo enoblogueiro e vitivinícola, tendo a oportunidade até de participar de uma degustação interessante de apresentação de uma vinícola chilena em uma grande loja de vinhos em sampa (relembrem a Apresentação da Vinícola Pérez Cruz na Loja Pérez Cruz aqui). No quesito vinhos, nenhum grande vinho mas um destaque pela relação custo benefício de um bom brasileirinho (relembrem o Milantino Ancelotta Reserva 2005 aqui).

Abril: mês de aniversário é sempre interessante e acaba por nos reservar ao menos boas companhias, pequenas comemorações e coisas do gênero, não é verdade? Pois bem, um ano antes, mesmo sem conhecer direito sobre vinhos, eu tinha uma ambição: degustar um Brunello de Montalcino. E foi em 2010 que eu ganhei um dinheiro de presente de meus pais e resolvi comprar um representante destes vinhos, de boa qualidade e que pudesse me saciar tal vontade. E foi justamente em 2011 que eu viria a degustá-lo (relembrem o Brunello de Montalcino Camigliano 2003 aqui). Aqui neste mês eu também comecei a acompanhar outras mídias relacionadas a vinhos e pude assistir um filme interessantíssimo sobre o grande julgamento de Paris (relembrem o filme Bottle Shock aqui). Não foi exatamente neste mês que me associei a um clube de vinhos, mas foi aqui que eu degustei um de meus primeiros bons vinhos californianos, que viera em uma das remessas deste clube de vinhos (relembrem o Educated Guess Cabernet Sauvignon 2006 aqui). E pra fechar com chave de ouro, foi em abril que eu fiz minha viagem de férias para um lugar animal: Punta Del Este, no Uruguai, tendo a oportunidade de conhecer bons restaurantes, curtir uma boa piscina, descansar e claro, tomar bons vinhos tendo inclusive visitado uma vinícola boutique que se encontrava por lá. Os posts sobre esta viagem foram feitos todos em maio, quando retornei da viagem.

Maio: foi um mês em que eu consegui aumentar o ritmo de postagem do blog e comecei a colher tais frutos, com aumento no número de visitantes porém sem maiores agitos. Os posts da viagem foram colocados no ar, mas o que mais me chamou a atenção foi a oportunidade de provar um vinho grego retsina, que tem um curioso processo de fabricação, e que obviamente me ajudou a expandir ainda mais meu conhecimento e meu paladar (relembre aqui).

Junho: estávamos chegando ao meio do ano e com este, as festas juninas. E foi neste ano que eu tive a oportunidade de participar de um evento gastronômico diferente, que misturava ingredientes típicos das festas com vinhos, e que eu considero como um dos melhores eventos do gênero que eu participei (relembrem o Gourmetizando II aqui). No quesito vinho pura e simplesmente, tenho um destaque da minha importadora favorita, a Cave Jado e seus vinhos franceses acessíveis (relembrem o Chateau Du Donjon Grande Tradition 2008
 aqui).

Para evitar que o post se estenda demais, vou parar aqui e deixar pro próximo post os detalhes dos meses de julho em diante. Espero que estejam gostando e em caso negativo, deixem os comentários com suas sugestões. Continuem nos acompanhando!

Até o próximo!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Palácio da Bacalhôa 2007

Nada como começar bem um ano novo, não é verdade? Eu ainda nem parei pra fazer uma retrospectiva do blog ainda, mas pretendo faze-lo ao longo desta primeira semana do ano. É que eu acho que isto deve ser feito com calma, de forma bem pensada e não somente por quer o ano acabou. Mas voltando ao tema deste post, resolvi que deveria começar o ano em grande estilo e já que o almoço seria igualmente em grande estilo, com direito a paleta de cordeiro, salpicão e batatas assadas com parmesão, o vinho não poderia decepcionar. E eu escolhi um vinho que já estava a algum tempo em minha adega e que sempre dava uma piscadinha pra mim mas que eu vinha guardando para uma ocasião como esta, que é o Palácio da Bacalhoa, um grande vinho português feito por uma das mais conceituadas vinícolas de Portugal, a Bacalhôa Vinhos de Portugal.  A vinícola existe desde 1922 mas ganhou um grande impulso com a parceria com o Grupo Francês Lafitte Rothschild e a aquisição de propriedades como a Quinta do Carmo, por exemplo. O Grupo Bacalhôa possui adegas nas regiões mais importantes de Portugal: Alentejo, Península de Setúbal (Azeitão), Lisboa, Bairrada, Dão e Douro, produzindo uma grande variedade de vinhos, dos mais simples aos topo de gama.


O vinho alvo do post é um dos topo de gama da vinícola, sendo produzido na região da Península de Setúbal (Azeitão) com uvas francesas, sendo que destas a composição se dá da seguinte forma: 70% Cabernet Sauvignon, 25% Merlot e 5% Petit Verdot. O vinho é então fermentado e após a separação das parte sólidas (cascas, sementes, etc.) o mesmo é transferido para barricas de carvalho francês onde passa cerca de 18 meses para maturação. Depois desta etapa há ainda o envelhecimento de 12 meses em garrafa antes da liberação ao mercado. Vamos então as impressões sobre o vinho.

Na taça uma bonita cor rubi violácea profunda, brilhante e pouco transparente. Lágrimas finas, ligeiramente coloridas e até certo ponto rápidas completam o conjunto visual.

No nariz o vinho abriu com aromas de frutos vermelhos maduros, notas de chocolate, especiarias (pimenta) e leve herbáceo. O vinho mostrava bastante complexidade, e ia mudando de acordo com o tempo que ficava na taça. Era difícil dizer que apenas estes ou aqueles aromas estavam ali.

Na boca o vinho tinha bom corpo, acidez viva, taninos finos e macios, redondos e totalmente integrados ao vinho. Na boca trazia de novo muita fruta e chocolate com leve lembrança mentolada no final, que era de longa duração.

É como eu sempre digo, os portugueses vivem me surpreendendo positivamente. Este sem dúvida é um vinhaço!! Está entre os melhores, se não o melhor, que já provei. Não é barato, principalmente aqui no Brasil (este foi comprado no free shop) mas vale cada centavo!!

Até o próximo!