terça-feira, 27 de março de 2012

Kunde Zinfandel 2007

E como de praxe, nos finais de semana acabo escolhendo um vinho especial para acompanhar os pratos feitos por meus pais aos domingos, sempre diferentes e feitos com amor e carinho. Desta vez o prato é a já famosa costelhinha de porco ao molho barbecue, mas com um detalhe, tudo é feito em casa (inclusive o molho), nada destes preparados industrializados. O prato tem uma forte tradição americana de consumo, e como combinar então um vinho com este prato? Procurando em minha adega resolvi arriscar na harmonização e escolhi um vinho também emblemático americano para esta tarefa, um Zinfandel. E acho que consegui um bom casamento.

A Kunde Family State é uma vinícola tradicional da região de Sonoma, na Califórnia e por mais de um século e cinco gerações da família tem cultivado vinhas e vem deixando um legado para a vitivinicultura da região. Diz a lenda que foi esta família a responsável por trazer as primeiras mudas de videiras dos grandes chateaux de Bordeaux no começo do século 19. Sobre o vinho, o mesmo é feito com uvas 100% Zinfandel num blend ente distintos vinhedos da propriedade. Depois da fermentação, passa por 16 meses em carvalho francês, americano e húngaro, sendo que destes, 26% são de primeiro uso. Vamos as impressões.


Na taça uma bonita cor rubi violácea de média intensidade, com certo brilho e pouca transparência. Ligeiro halo aquoso não denota muita evolução. Lágrimas finas, lentas e com alguma cor tingiam as paredes da taça.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas vermelhas, chocolate, algo de aniz, especiarias e leve tostado no fundo da taça. Bastante complexidade com algumas mudanças ao longo do tempo na taça. Depois de algum tempo também mostrava aroma animal, sem que eu distinguisse ao certo o que era. O álcool espetou um pouco no começo mas arrefeceu logo.

Na boca o vinho tinha corpo médio,boa acidez e taninos finos, macios e redondos. Traz no retrogosto lembrança de achocolatado (tipo toddy no leite) e muita fruta vermelha doce, madura. O álcool não se fazia notar, ao contrário do olfato inicial. Final de média duração.

Mais um grande vinho desta que vem se tornando uma de minhas uvas preferidas. Além disso, a doçura das frutas maduras mais o teor alcóolico casavam bem com o molho barbecue, além das especiarias se aliarem legal com a leve picância do molho. Além disso, taninos e álcool limpavam bem o palato depois do consumo da gordura da carne. Em suma, um casamente que eu achei muito bom e recomendo!

Até o próximo!

segunda-feira, 26 de março de 2012

Confraria Pane, Vinum Et Caseus: mais uma noite de gala

E foi neste final de semana que aconteceu o encontro mais esperado de todo mês, o encontro da Confraria Pane, Vinum et Caseus. E eu digo isso por que estes encontros são recheados de boas companhias, excelentes vinhos e muito comida de primeiríssima linha, sem nos esquecermos é claro dos anfitriões que sempre nos recebem maravilhosamente bem em sua casa. E não foi diferente neste final de semana.

As vezes, os confrades que normalmente tem o costume de chegar mais cedo, bem próximos ao horário marcado são recepcionados com um vinho especial. O desta noite foi um espanhol, o Dueto de Fontana 2004, um representante da região de La Mancha feito num corte 50/50 Cabernet Sauvignon e Merlot., vinhaço que trazia aromas marcantes de couro, frutas escuras e algo de tostado. De muita complexidade, mostrava também ótimo corpo e acidez, ainda com taninos finos e presentes. Já dava indícios que a noite seria uma beleza!


A partir dai entre a chegada de um confrade e a conversa sendo derramada por todos os cantos, alguns vinhos já conhecidos da confraria começaram a ser abertos e as taças começaram a trabalhar bastante nesta noite. Foi quando o primeiro escolhido para a noite fora desarolhado: o Montaia IGT Sangiovese 2006, vinho frutado, de corpo leve e boa acidez. Um vinho simples mas muito gostoso, e que abria com alegria a reunião da confraria. Mas o melhor ainda estaria por vir.


Era chagada a hora da estrela principal da noite. O jantar estava para ser servido e era composto de uma salada verde com peras e queijo gorgonzola, divinamente combinados com um molho honey mustard deixando a entrada já deliciosa. O sabor mais forte e salgado do queijo se contrapunha a leve doçura da pera e ao ácido do molho, formando um belo conjunto. Já o prato principal seria um Magret de Canard com Risoto de Abobrinhas e batata palha. O risoto estava divino, al dente e suculento ao mesmo tempo, ao passo que o pato estava realmente no ponto, sem ficar ressecado e com um sabor incrível! Mas e o(s) vinho(s) escolhido(s) para acompanhar tamanho banquete? A não poderia ser outra opção a não ser dois belos exemplares hermanos da Bodega Sotano: os Reserva da Família Cabernet Sauvingon e Malbec. A Bodega é conhecido por trabalhar no estilo boutique, com pequenas produções e foco na qualidade. E ambos os vinhos comprovaram a história: O Malbec mais potente, com aromas típicos de ameixas pretas, floral, toques achocolatados ao passo que o Cabernet um pouco mais sóbrio, herbáceo um pouco mais evidente, frutas em segundo plano e leve toque de baunilha. Muita tipicidade em ambos. E o casamento perfeito, a meu ver, foi do prato com o Malbec.




















Mas quem pensa que este era o gran finale da esbórnia enogastronomica se enganou completamente. Ainda havia espaço para a sobremesa e mais uma surpresa na noite. A sobremesa era uma bela torta mousse de chocolate e nozes, divinamente acompanhada por salada de frutas e calda de groselha. Nem preciso dizer que dava água na boca e que a torta combinava a maciez do mousse com a crocância das nozes em sabores intraduzíveis para palavras. E para acompanhar a sobremesa, uma surpresa: um vinho de sobremesa francês, o Domaine Bordenave-Coustarret Jurançon 2008, feito a partir das uvas Petit Manseng e Gros Manseng, o líquido que lembrava ouro derretido tinha aromas cítricos, florais e algo empireumáticos, lembrando por vezes vinhos oriundos de uvas botritizadas (não sei se isso acontece neste vinho). Preenchia a boca e era quase mastigável, com sua doçura e corpo contrabalanceados a uma boa acidez. Mais um casamento delicioso.


Depois disso ainda ficamos ao som de nossos confrades ao karaoke, com muita conversa por vir e mais vinhos. Mas a partir daqui meu senso de discernimento não estava mais funcionando 100% e eu só guardo na memória os bons momentos que tive, aguardando os próximos encontros!

Até o próximo!

quinta-feira, 22 de março de 2012

Novidades do blog !!!

Bom pessoal, este é um post curtinho para explicar pra vocês algumas novidades que eu estou implementando aqui no blog já fazem alguns dias e ainda não havia tido tempo de comentar estas coisas com vocês em mais detalhes.

Estou implementando uma fan page do blog no Facebook com o intuito de tentar deixar nossa experiência e troca de informações o mais dinâmica possível, e acho que isso pode ser obtido desta forma. Com esta fan page, vocês leitores podem postar vinhos que tomaram por lá e pedir minha opinião, podem sugerir vinhos a serem degustados, criar discussões sobre assuntos que foram ou não postados no blog e muitas outras oportunidades que eu possa estar deixando de lado agora. A ideia é que o leitor tome junto comigo as rédeas do rumo que o blog venha a tomar, fazendo com que cresçamos juntos neste nosso mundo fascinante que é o da bebida de baco. O endereço da fan page é www.facebook.com/BalaioDoVictor .

Além disso, inclui na própria página do blog um botãozinho para que mesmo quem não tenha visto ainda a fan page no Facebook possa curti-la e ter mais uma forma de ficar por dentro das atualizações e de tudo que está rolando por lá.

Evidentemente que para que tudo isso funcione é importante a participação de vocês, caríssimos leitores. Portanto desde já fica o meu pedido para que vocês realmente participem, sugiram, critiquem, mostrem problemas seja co o blog seja com a fan page, enfim, interajam que eu prometo estar sempre disposto a troca de idéias e a aprender. O resto, só o tempo dirá!

A todos desde já o meu muito obrigado, pois todas essas idéias não iriam aparecer se não fosse pelo reconhecimento do meu esforço por vocês!

Até o próximo!

quarta-feira, 21 de março de 2012

Pezzi King Vineyards Zinfandel 2009

E lá vamos nós com mais um exemplar americano oriundo das degustações promovidas pelo Beto Duarte. Desta vez um vinho feito com a casta Zinfandel, considerada como a uva símbolo norte-americana que embora não seja originária do país, encontrou por lá boas condições de se desenvolver gerando vinhos muito intensos, carnudos e normalmente muito potentes. E este não fugiu muito a regra, como iremos ver a seguir.

Sobre o vinho, o que eu pude especular um pouco é que ele é feito na região de Dry Creek Valley, no Condado de Sonoma, considerada a melhor região norte americana para a a criação deste varietal seja por sua diversidade de climas e solos ou ainda pelas altitudes em que alguns vinhedos estão plantados com a influência da costa criam condições consideradas excelentes para o amadurecimentos das uvas Zinfandel. Ao que me parece possui pequenas parcelas de Syrah e Cabernet Sauvignon para contrastar um pouco com a doçura gerada pela Zinfandel. Estagia em barricas de carvalho francês, 20% dos quais de primeiro uso. Sem mais delongas, vamos as impressões.


Na taça uma bonita cor violácea  intensa, brilhante e de pouca transparência era combinada a lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas que escorriam pelas paredes da mesma.

No nariz o vinho mostrou uma boa complexidade e agradou desde o início, com aromas de frutas vermelhas, especiarias, chocolate e leves toques florais e mentolados. Um buque aromático e tanto, que confesso, me encantou.

Na boca o vinho mostrou corpo médio, acidez um pouco baixa (considero normal e comumente encontrada em vinhos desta varietal) mas que não chegava a deixar o vinho sem graça e enjoativo, taninos finos e macios porém presentes e os incríveis 15,8% não se fizeram sentir em nenhum momento. Um final de média duração trazia as lembranças acentuadas do chocolate e frutas em abundância.

Mais um excelente vinho degustado por este que vos fala e que realmente me encantou. Eu recomendo principalmente para aqueles que gostam de vinhos potentes, com muita fruta e bom corpo. Não sei sinceramente qual a faixa de preço, mas se puderem, conheçam e não irão se arrepender.

Até o próximo!

terça-feira, 20 de março de 2012

Como podemos definir vinhos biodinâmicos?

E mais uma vez trazemos ao blog um post da série curiosidades do vinho. Desta vez, trago uma ligeira discussão sobre como definir, ou não, vinhos biodinâmicos. Com certeza você que é um pouco mais antenado no mundo dos vinhos invariavelmente já deve ter ouvido esta expressão e como eles tem ganhado destaque tanto com a crítica de um modo geral, mas também entre os consumidores. E é óbvio que em ambos os casos, a busca é sempre por vinhos de qualidade, sejam estes orgânicos ou não, mas como no caso a cultura biodinâmica é por definição muito mais atenciosa com a terra e com o fruto em si, é de se esperar que tenhamos experiências saborosas com este tipo de vinhos.

Mas a maneira mais fácil de descrever o cultivo biodinâmico pode ser a referência a práticas orgânicas (embora a maneira como as pessoas usam o termo "orgânico" possa variar um pouco). A maioria das pessoas está familiarizada com o termo "orgânico" como sendo uma forma de se evitar aditivos sintéticos e produtos químicos na cultura de qualquer natureza.

Já a cultura "biodinâmica" leva essa ideia um passo adiante, pois a agricultura biodinâmica incorpora idéias do vinhedo como um ecossistema, e também se vale das influências astrológicas e dos ciclos lunares no comportamento do ciclo vegetativo das videiras. Um vinho biodinâmico é feito de uvas cultivadas biodinamicamente, e significa que o produtor não utilizará quaisquer manipulações comuns, tais como adições de levedura ou ajustes de acidez. Um vinho rotulado como "feito de uvas biodinâmicas" significa que o vinicultor se utilizou de uvas cultivadas biodinamicamente mas seguiu uma lista de regras menos rigorosas em seu processo de vinificação.

Evidentemente estamos falando aqui de maneira simplificada para que pessoas leigas, e eu me incluo nesta lista, possam entender o básico de como funciona a cultura biodinâmica. Agora se você leitor conhece mais a fundo o assunto, seja praticante ou estudioso do assunto e queira dividir conosco seus conhecimentos, sinta-se a vontade de deixar comentários tanto aqui no blog como em nossa página no Facebook. Conto com a colaboração de todos.

Até o próximo!

segunda-feira, 19 de março de 2012

Mandolin Central Coast Syrah 2008

Mais um vinho advindo das degustações as cegas promovidas pelo Beto Duarte para a elaboração do seu guia  de vinhos. Entramos numa etapa destas degustações onde a presença mais efetiva é de vinhos norte americanos e embora não tenha podido participar das todas as degustações, é importante ter este mix de uvas e locais diferentes, pois me ajuda a desenvolver o paladar.

Bom, falando um pouco do vinho em si, este exemplar é produzido pela Mandolin Wines, que está presente no Condado de Monterrey, na Califórnia. Produz além deste Syrah, Chardonnay, Riesling, Pinot Noir, Merlot e Cabernet Sauvignon. Segundo o site do produtor, o vinho é feito com 100% de uvas Syrah e depois do processo de fermentação malolática (feito em carvalho francês) o vinho ainda permanece por 14 meses em barricas antes do engarrafamento. Vamos então as impressões sobre o vinho.


Na taça apresentou uma cor violácea intensa, quase sem nenhuma transparência e sem halo de evolução. Lágrimas finas, rápidas e coloridas tingiam as paredes da taça.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros (ameixa preta/amora), pimenta e leve toque de baunilha. Depois de um tempo me pareceu que esta baunilha evoluiu um pouco e lembrava mais chocolate ao leite.

Na boca o vinho tinha corpo de leve para médio, boa acidez e taninos finos e macios, quase imperceptíveis. Trazia no retrogosto a fruta e a pimenta do nariz. Final curto.

Um vinho correto, sem defeitos mas que dependendo do seu preço (confesso que fui um pouco preguiçoso e não procurei saber de valores) pode não ser uma boa opção a outros Syrahs do novo mundo. Mas foi aprovado, de qualquer maneira vale conhecer.

Até o próximo!

quinta-feira, 15 de março de 2012

Os aromas dos vinhos e as mais diferentes percepções

E chegamos a mais um post com curiosidades sobre o vinho. Mais uma vez o texto foi retirado e adaptado do site da revista WineSpectator, caso queiram ler o mesmo na íntegra ou prefiram o original. Espero que gostem, pois o assunto é muito interessante, ao menos pra mim.

Conforme um vinho evolui, seus aromas de frutas irão evoluir, e como nós os descrevemos irá também refletir isso. Por experiência própria, aromas de frutas desaparecem ao longo do tempo ou assumem características de frutas secas ou cozidas (notas de cerejas frescas podem se tornar mais parecidas com compota ou mesmo kirsch de cereja, por exemplo). Ou eles simplesmente tendem a ir para o fundo da taça trazendo outras características para a superfície do vinho, como temperos ou aromas terrosos.

E quando lemos duas descrições diferentes sobre um mesmo vinho, feitas por pessoas diferentes? Como por exemplo quando um descreve o vinho com aromas de frutas vermelhas e a outra com aromas de frutos negros? Neste caso, não é apenas uma questão de um vinho em evolução, mas também de duas pessoas diferentes que descrevem o mesmo vinho. Cada um de nós irá utilizar o seu próprio vocabulário e pontos de referência para descrever o vinho, fazendo com que os "frutos vermelhos" de um possam se tornar os "frutos negros" do outro, e ainda assim nenhum deles estar errado. Se você provar regularmente com alguém (ou ler as suas opiniões regularmente), você pode encontrar uma maneira para triangular o seu vocabulário.

Um exemplo vem do próprio jornalista, que cresceu com uma árvore de sassafrás no seu quintal, então ele tem uma memória forte associada com essa nota olfativa ao passo que uma de suas colegas de degustação de vinhos sabe o que ele tenta transmitir descrevendo a tal nota de sassafrás, mas não é uma nota que ela esteja emocionalmente ligada, e ela não pensa nisso como muitas vezes ele o faz. O que ele quer dizer é que a nota olfativa de "sassafrás" para ele pode vir a se tornar uma nota de "root beer" ou "cola" para nós. Note que estaríamos descrevendo o mesmo detalhe, apenas com nossas próprias palavras.

E você, caro leitor, quando lê notas de degustação de vinhos normalmente concorda com as descrições olfativas ou por muitas vezes não as entende e associa a outros aromas totalmente diferentes? Deixem suas contribuições nos comentários do blog.

Até o próximo!

quarta-feira, 14 de março de 2012

Cave Antiga Reserva Marselan 2006

E voltamos a falar de vinho nacional no blog. Já comentei diversas vezes que não sou ufanista e nem ferrenho defensor dos vinhos nacionais, mas que teno acompanhado uma boa evolução dos mesmos desde que comecei a me interessar por vinhos. Mas eu ainda acho que o vinho nacional precisa de tempo e mais atenção, e não protecionismos e selos fiscais. Mas esta já outra história.

O vinho de hoje tem uma história curiosa e eu tive acesso a ele através de uma promoção feita no Facebook. Eu particularmente não conhecia a vinícola e confesso que tive certa dificuldade em conhecer mais a seu respeito pois o website da empresa não funciona e existem comentários picados aqui e acolá a respeito da mesma. De qualquer forma descobri que a Cave Antiga é uma vinícola do Rio Grande do Sul, mais especificamente de Farroupilha na Serra Gaucha. Este exemplar é feitos com uvas Marselan e pelo que eu consegui descobrir tem um período de 6 meses de afinamento em barrica. Enfim, vamos as impressões.


Na taça uma cor tendendo ao atijolado já mostrando toda a sua evolução, afinal já é um vinho de 6 anos de idade. Lágrimas finas, rápidas e incolores também puderam ser notadas nas paredes da taça.

No nariz o vinho abriu com discreto aroma de frutas escuras, muita especiaria doce (lembrando nitidamente canela) e algo de tostado ao fundo. Discreto mas eu diria que elegante.

Na boca o vinho apresentou taninos finos, discretissimos mas ainda presentes. Acidez baixa, como era de se esperar mas não deixando o vinho pesado e/ou enjoativo. Retrogosto que lembrava aquelas balinhas redondas de canela, muito interessante. Algum tempo depois frutas escuras já meio passas eu diria. Final médio.

Enfim, ao que parece o vinho passou um pouco de seu apogeu e já estaria em declínio, porém mostrou qualidade e é uma boa opção para se conhecer, embora não tenha mais notícias sobre a vinícola e safras mais recentes. De qualquer maneira, gostei de ter conhecido.

Até o próximo!

terça-feira, 13 de março de 2012

El Descanso Estate Cabernet Sauvignon 2010

Ultimamente tenho provado vinhos de bom custo benefício e fácil de serem encontrados no mercado de São Paulo. Isso me deixa ate feliz pois como consumidor de vinhos, consumidor em geral eu diria, no mercado brasileiro, é muito difícil que se consiga pagar o preço justo que um produto está sendo cobrado. E acho que em parte por que também o consumidor também tem aprendido a comprar melhor. De qualquer forma, tenho encontrado boas soluções para o dia a dia sem gastar o que tenho e o que não tenho para ter o prazer de se tomar uma boa garrafa de vinho.

O vinho do post de hoje vem de uma das mais renomadas vinícolas do Chile, pertencente a família Chadwick (ou Grupo Chadwick, como preferirem). Entre outras propriedades o grupo é também proprietário da Vinícola Errazuriz tem um projeto em conjunto com a gigante americana Robert Mondavi. Em suma, um monstro do vinho chileno. A Viña El Descanso está localizada no Valle do Curicó, popularmente conhecido como o coração do vinho chileno e possui parreiras plantadas desde 1949. Sobre o vinho, o mesmo é feito com uvas cabernet sauvignon , colhidas manualmente e fermentadas parte em tanques de inox e parte em barricas de carvalho francês com o intuito de se afinar e arredondar o vinho e sua entrada em boca. Vamos as impressões.


Na taça o vinho apresentou uma bonita cor rubi violácea brilhante e com ligeira transparência sem traços de evolução presentes. Lágrimas ligeiramente coloridas, finas e rápidas ajudavam a forma o aspecto visual do vinho.

No nariz o vinho abriu com aroma de frutas vermelhas e escuras misturadas, como numa geléia mista digamos assim. Depois, notas herbáceas podiam ser notadas com algo que lembrava marshmallow ao fundo. Ao final da taça, leve tostado apareceu para dar o ar da graça.

Na boca o vinho possuía corpo médio, acidez viva e taninos macios, redondos mas presentes. Retrogosto trazia lembrança de fruta e notas lácteas. Final de média duração.

Mais um bom vinho para o dia a dia trazido pela abflug, e que vale o quanto custa. Eu recomendo.

Até o próximo!

segunda-feira, 12 de março de 2012

Degustando Itália na Vinea - Parte Final

Bom, conforme eu havia comentado no post anterior, além de uma degustação muito interessante na loja de Alphaville da importadora Vinea, resolvemos que ficaríamos e experimentaríamos o almoço do Restaurante Vinea, opção gastronômica que fora inaugurada a pouco tempo e que conta com grandes chefes sejam estes consultores ou residentes. Como eu havia também iniciado a contar, o local possui ainda um Wine Bar, que fica dividido do restaurante por um jardim muito bonito e uma varanda, que segundo a consultora presente no momento da degustação, ainda é possível acompanhar música ao vivo e curtir noites quentes ao ar livre.

O menu do almoço é composto geralmente de duas opções de entrada, três opções de pratos principais e duas opções de sobremesa para quem opta pelo menu completo, ou pode-se ainda combinar entrada+prato principal ou prato principal+sobremesa. Eu depois de muito pensar, acabei optando pela opção entrada+prato principal. No sábado, as opções de entrada são salada verde com lascas de bacalhau, grão de bico e damasco ou salada verde com tomate cereja e lascas de parmesão. Quem me conhece sabe que apesar de fraquejar por queijo, não resisti ao bacalhau e acabei ficando com esta opção. A salada estava deliciosa e a mistura do damasco com o bacalhau fez com que aquele gosto mais forte que normalmente o bacalhau apresenta ficasse um pouco mascarado, deixando a combinação ainda mais agradável. Já para o prato principal a escolha foi um pouco mais difícil, pois das 3 opções, duas me faziam brilhar os olhos: risoto de shitake com costelinha de porco ao molho de vinho branco e escalope de mignon ao molho poivre-vert com gratin de batatas. Existia ainda a opção de bobó de camarão com arroz branco. Depois de queimar um pouco os neurônios, a opção escolhida foi a do risoto de shitake, delicioso, no ponto sem se tornar enjoativo ou forçar no gosto do cogumelo e a costelinha de porco que estava divinamente macia, soltando do osso com extrema facilidade e derretendo na boca, com gordura na medida certa. E não é que no final todos fomos com as mesmas opções?

Era necessário portanto um vinho para acompanhar esta esbórnia gastronômica, e a decisão pairou sobre um italiano (vejam só que coincidência) : Dolcetto D'Alba Valfieri 2009, um vinho intenso, médio corpo, fresco e bem frutado, que acompanhou bem a refeição no geral. Uma escolha que veio a calhar com o tema da degustação anterior.

Para fechar o dia, um cafézinho nespresso e muita conversa enquanto uma pesada chuva caia na cidade.

Para quem ainda não conhece o Restaurante Vinea, fica a dica. Vela a pena uma refeição por lá.

Até o próximo!

domingo, 11 de março de 2012

Degustando Itália na Vinea

Já devo ter comentado por aqui inúmeras vezes que algumas importadores/lojas de vinho costumam fazer degustação de alguns rótulos aos finais de semana e que estas degustações além de nos apresentarem a novos vinhos acabam se tornando boas oportunidades para conhecermos lugares novos e além disso podermos comprar alguns bons rótulos a preços promocionais (não necessariamente baratos, diga-se de passagem). Pois bem, recebi o emailmarketing da importadora Vinea sobre uma degustação que eles iriam promover nesta sexta e sábado com vinhos italianos. Até o momento não tinha dado muita importância, mas o convite de uma amiga pra nos reencontramos após muito tempo e a possibilidade de degustar um Barolo, o rei dos vinhos, fizeram com que eu mudasse de idéia. O local escolhido seria a unidade Alphaville da importadora, uma vez que eu já conhecia a outra unidade no Paraíso e a curiosidade sobre esta nova localização também fazia parte do pacote.

A Vinea possui ainda uma área externa muito bonita e aconchegante onde funciona um restaurante, que normalmente conta com um menu fechado por dia, com em geral 3 opções de entradas, pratos principais e sobremesas. Além disso possui algumas enomatics onde o cliente pode se servir de alguns vinhos em taças, podendo assim ampliar seu leque de opções pós degustação, por exemplo. E foi o que decidimos fazer, após a degustação, nos encostamos em uma mesa e almoçamos por lá mesmo. Depois conto mais sobre isso.

Voltando a degustação temática que constava de 4 vinhos italianos, nas próximas linhas irei descrever um pouco sobre os vinhos provados. O primeiro vinho foi um branco muito bacana e ue chamou a atenção de todos, o Cortese Alto Monferrato DOC 2007, feito 100% com a uva Cortese do Piemonte, com muita fruta branca e floral delicado, lembrando ainda algo empireumático e mineral. Frescor era a palavra chave para este vinho, apesar da idade. Final médio longo, enfim um branco muito legal; depois passamos para um vinho tinto mais simples, o Rosso Toscano IGT 2009 um vinho 100% sangiovese sem passagem por madeira, com lembranças de alcaparras e carne defumada, porém com um corpo leve para médio, acidez na medida e taninos ainda bem vivos e rascantes; a coisa começava a se tornar séria com o Stucchio IGT 2006, velho conhecido do blog e que já participou de uma das reuniões da Confraria do Meio (relembrem aqui). Vinho sério, 100% sangiovese, aromas de evolução como baú velho, torrefação, fumo, tudo aliado a uma boa fruta e estrutura de dar inveja; e tudo isso nos preparava para um gran finale, o rei dos vinhos, o Barolo DOCG Lecinquevigne 2004, evoluido, cor âmbar, aromas de frutas passas, fumo e cacau com uma grande estrutura, boa acidez e taninos ligeiramente rascantes, impressionante e de uma persistência incrívelmente deliciosa!!! Realmente uma oportunidade incrível de conhecer vinhos realmente de alto nível!

E ainda teve o almoço, que eu conto pra vocês outro dia. Mas em suma, eu recomendo muito a visita a Vinea, seja no Paraíso ou em Alphaville, pois é uma empresa séria e que trás vinhos diferenciados. Podem não ser muito para o dia a dia (como os desta degustação) mas vale a pena.

Até o próximo!

quarta-feira, 7 de março de 2012

Total Wine & More - A rede americana do vinho fino

Apesar de não ter tido tantas experiências e oportunidade enofílicas quantas eu gostaria e previa, a minha ultima viagem a trabalho aos EUA me proporcionou algumas boas informações para que eu pudesse compartilhar com vocês, prezados leitores. A primeira eu já até postei enquanto estava por lá que é um vinho californiano bacana, que provavelmente não existe por aqui ou que se o fizer, deve ser considerado mais caro (como normalmente todos os vinhos americanos o são), que era o Simi Cabernet Sauvignon (relembrem aqui). Mas o motivo do post de hoje é relacionado a uma rede de lojas de vinhos com a qual eu tive contato, ainda que rápido, por lá e que me pareceu ser uma excelente oportunidade para quem estiver em viagem por aquelas bandas. Falemos um pouco sobre a mesma.

A Total Wine & More, como o próprio nome já diz tem seu foco principalmente no vinho) mas também trabalha com outros tipos de bebidas, como cervejas e destilados por exemplo (os chamados "spirits" por eles). É considerada a maior rede de lojas independente dos EUA quando falamos de vendas de vinhos finos. Começou no estado de Delaware em 1991 mas vem crescendo a taxas rápidas e atualmente possui mais de 80 lojas espalhadas por mais de 11 estados americanos. 

A loja está dotada de uma vasta gama de opções de vinhos, que variam de acordo com as uvas pelas quais são feitos e por seus países de origem. Evidentemente a maior seleção é de vinhos americanos, com grandes destaques de Cabernets, Zinfandéis e Chardonnays. Além disso, a sessão voltada a Bordeaux e Borgonha me impressionaram pela quantidade e diversidade de rótulos. Além disso, nossos hermanos Chile e Argentina estão muito bem representados, com diversas linhas e ainda seus vinhos tops sendo ostentados pelas diversas prateleiras espalhadas pela loja. 

Um diferencial da rede entretanto é que eles possuem um espaço dedicado para educação e degustações, onde cursos e degustações são ministradas para que o pessoal em geral tenha contato com este mundo maravilhoso. E estes cursos e degustações vez ou outra são direcionadas também a outros tipos de bebidas que não só o vinho, o que é muito legal afinal de contas pois cultura e conhecimento adicionais nunca são demais, certo?

A dica esta dada e quem tiver a oportunidade de visitar uma das lojas da rede depois deixe seu comentário e sua opinião pra mim aqui no blog.

Até a próxima!

terça-feira, 6 de março de 2012

Kuleto Estate Zinfandel 2007

Confesso que apesar de não ser um grande conhecedor dos vinhos norte americanos, sou um apreciador, sempre que entro em contato com eles. Normalmente, e principalmente os oriundos da Califórnia e do Vale do Napa, são vinhos potentes, alcoólicos (faz muito calor na região, com pouca pluviosidade), carnudos, corpulentos, enfim, vinhos bem ao estilo novo mundo e que agradam uma grande parcelo do mercado consumidor por passarem uma falsa impressão de doçura no paladar. Sobre a uva zinfandel, comentei anteriormente sobre as curiosidades que envolvem sua origem e portanto não irei falar sobre isso de novo para não me tornar repetitivo. Quem quiser ler um pouco sobre isso, acesse este post aqui.

A Kuleto Estates tem a história datada de 1992, e nasceu nas mãos de apaixonados por culinária e vinicultura em geral. Aliado ao potencial vinícola da região, criaram um verdadeiro ícone vinícola na região. Sobre o vinho, o mesmo é feito com uvas 100% zinfandel plantadas entre 1200 e 1400 metros acima do nível do mar, o que gera condições únicas de amadurecimento mais lento e progressivo das uvas. Além disso, o vinho passa por um período de 9 meses em carvalho francês para amadurecimento. Mesmo assim o vinho atinge incríveis 14,9% de álcool. Vamos as impressões.


O vinho apresentou na taça uma bonita coloração rubi violáceo sem halo de evolução e com moderada transparência. Lágrimas finas, rápidas e com pouca cor completam o aspecto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas escuras cozidas numa espécie de licor, algo de terroso e leve lembrança de violetas ao fundo. Com um tempo em taça, algo de lácteo pode ser identificado. Tudo muito integrado e delicado, sem aquela pancada que eu esperava.

Na boca o vinho tinha corpo médio para cheio, boa acidez e taninos finos, redondos e extremamente domados. Retrogosto trazia licor de frutas escuras e algo de chocolate. O álcool podia ser sentido durante toda a degustação, como esperado, mas não prejudicou a degustação.

Outro excelente vinho americano de uvas zinfandel, que apesar de não ser barato, pode ser considerado boa compra em sua faixa de preço. Eu recomendo.

Até o próximo.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Casa Venturini Le Bateleur 2008

Eu já devo ter comentado por aqui que gosto muito e até admiro a Vinícola Góes e Venturini, uma joint venture entre uma vinícola paulista e uma gaúcha, pois aos poucos, com produtos simples e de média gama, a empresa tem trazido alguns bons caldos pro mercado. E como tenho frequentado São Roque, no interior de Sampa, a um bom tempo (sede da Vinícola Góes), tenho tido contato com muitos de seus produtos. E é sobre um de seus produtos que eu vou falar aqui hoje.


O vinho de hoje é feito com uvas 100% Cabernet Sauvignon plantadas em Santana do Livramento (segundo consegui apurar), no Rio Grande do Sul e tem a intenção de ser um vinho de entrada da vinícola. Não tem passagem por madeira e tem grau alcoólico de 13%. Vamos as impressões.

Na taça apresentou uma cor violácea de média para grande intensidade, alguma transparência com lágrimas finas, levemente coloridas tingindo o corpo da taça.

No nariz o vinho apresentou frutas vermelhas, um herbáceo lembrando algo um pouco verde e algo meio adocicado que eu não consegui distinguir.

Na boca o vinho tinha um corpo leve, boa acidez, taninos bem discretos e um único detalhe que incomodou um pouco: tinha um certo amargor final. Nada porém que pudesse penalizar o vinho.

Um vinho correto, cumpre seu papel de ser um vinho de entrada e que, pode ser usado para fazer uma transição entre as pessoas que ainda gostam de vinhos "docinhos" para os vinhos finos. E é só.

Até o próximo.

domingo, 4 de março de 2012

Domaine Jean Bousquet Cabernet Sauvignon 2010

Mais um bom vinho desta família francesa que se radicou em Mendoza e que vem tirando bons néctares, de maneira orgânica da região do Vale do Tupungato (o outro foi um Pinot Noir Reserva, que vocês podem conferir aqui). As uvas 100% Cabernet Sauvignon são colhidas de vinhedos a mais de 1000m acima do nível do mar, sendo que o caldo passa  6 meses por envelhecimento em carvalho francês e americano, para afinamento. Vamos as impressões.


Na taça o vinho apresentou uma bonita cor violácea de média intensidade, pouca transparência e com lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas. 

No nariz o vinho abriu com frutas vermelhas maduras, um pouco de pimentas doces e ligeira lembrança láctea ao fundo, algo como chocolate ao leite.

Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez, taninos macios e ligeiramente rascantes. Retrogosto trazendo de volta frutas e um pouco de baunilha. Final de curta para média duração.

Mais um excelente opção de vinho para o dia a dia, que não tem defeitos e que vai agradar a maioria por ter esse ataque adocicado no começo.

Até o próximo.

sábado, 3 de março de 2012

Santa Rita Reserva Carmenére 2007

Depois de um longo e tenebroso inverno o blog volta a suas atividades e espero que, com todo o gás! E volta com um bbb (vulgo bom, bonito e barato) no mundo dos vinhos, pois eu considero uma ótima opção nos vinhos de entrada. E olha que no Chile existem muitos "santas" que são bem ruinzinhos. No caso deste aqui, eu entendo que é um dos melhores desta categoria. De qualquer forma, opinião é opinião. Feito pela gigante Viña Santa Rita (umas das maiores vinícolas chilenas), este vinho é o vinho de entrada da vinícola, feito com uvas 100% Carmenére do Vale do Rapel, no Chile e passa por envelhecimento de 8 meses em barricas de carvalho americanas e francesas de primeiro, segundo e terceiro usos. Vamos as impressões.


Na taça uma cor rubi violácea bem intensa e escura, com certo brilho e lágrimas finas, rápidas e levemente coloridas.

No nariz muito aroma de frutas escuras frescas, especiarias tendendo para pimentas e algo de baunilha e chocolate ao fundo.

Na boca corpo leve-médio, boa acidez, taninos redondos e macios com um retrogosto que remete as mesmas frutas escuras e chocolate sentidos no nariz. O final é um pouco curto, mas já era um pouco esperado

O vinho é bem feito, não tem defeitos e serve perfeitamente para o dia a dia ou mesmo para alguma comemoração sem muita formalidade. Deve ir bem com carnes vermelhas e massas sem muita condimentação, com molho de tomate. Eu gosto e não nego.

Até o próximo.