quinta-feira, 26 de abril de 2012

Polifenol encontrado no vinho ajuda a metabolizar gordura

Estudo constata que um polifenol encontrado no vinho tinto provoca algumas mudanças na maneira com que o corpo metaboliza os alimentos gordurosos.

Este novo estudo descobriu que uma substância química no vinho tinto pode impedir que alguns dos alimentos gordurosos que comemos sejam convertidos em tecido adiposo. A pesquisa, publicada na edição de março do Journal of Biological Chemistry, descobriu que piceatannol, um polifenol encontrado na casca da uva e no vinho tinto, efetivamente bloqueia a formação de células de gordura em laboratório.

Na pesquisa anterior, o polifenol resveratrol  havia sido associado a níveis mais baixos de gordura, mas as suas implicações clínicas são limitadas. O resveratrol é rapidamente metabolizado por seres humanos e pode passar rapidamente pelo corpo com benefícios pouco perceptíveis com relação a ingestão de gordura. O piceatannol é semelhante ao resveratrol, mas com uma diferença chave. Sua estrutura contém uma molécula adicional de hidrogênio e de oxigênio que torna mais difícil para o organismo digeri-lo, fazendo com que sua presença no corpo seja um pouco mais longa que a do resveratrol. "Um certo número de estudos anteriores indicaram que o piceatannol tem fortes atividades antioxidantes, anti-inflamatórias e anti-tumorais", disse o co-autor Dr. Kee-Hong Kim, nutricionista do departamento de Ciência Alimentar da Universidade Purdue. Mas suas interações com o tecido adiposo permanecem inexploradas. Quando o corpo humano consome gordura, as calorias ou são convertidas em energia ou são armazenados como tecido adiposo no corpo, dependendo de vários fatores. Kim e sua equipe observaram que, quando eles recriaram esse processo em laboratório, o piceatannol impediu o corpo de converter células de gordura em tecido adiposo (Kim e sua equipe obtiveram o composto químico a partir de uvas Monastrell).

Mesmo com doses menores, piceatannol foi um bloqueador eficaz de gordura, produzindo uma redução de 20% em formação de gordura. Em doses mais elevadas, a formação de gordura era quase inexistente, com 80% menos células de gordura formadas. E a boa notícia é que o piceatannol é abundante na natureza. "Você encontra piceatannol em bagas, uvas e vinho tinto, enquanto o maior teor de piceatannol pode ser encontrado no maracujá", disse Kim. 

No entanto, Kim advertiu sobre colocar o piceatannol em um plano de dieta em breve, "a pesquisa foi uma simulação de laboratório". Mais estudos em animais e humanos são necessários no futuro para apreciar a alegação de que um composto no vinho tinto pode realmente ajudar na metabolização e absorção de gordura pelo organismo", disse Kim.

Esta matéria foi originalmente publicada no site da revista WineSpectator, sendo traduzida e adaptada por mim. Se quiserem maior fidelidade, sugiro acessarem www.winespectator.com.

Até o próximo!

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Sumiço proposital

Gostaria de começar este breve post pedindo desculpas a meus poucos mas fiéis leitores. Estive ausente do blog por um período razoável e isso por si só já me deixa constrangido. Mas acontece que acabei saindo sem ao menos avisar o por que deste breve sumiço. Mas acreditem, o motivo fará valer a pena. 

Estive em um curta e proveitosa viagem pelo Chile onde consegui visitar 5 vinícolas e tive experiências únicas e, ao longo dos próximos dias pretendo colocar todo material gerado (fotos, panfletos, anotações, etc.) em ordem para que os posts surjam sobre estes assuntos. Espero que vocês compreendam e me perdoem por esta falha, que prometo, será melhorada nas próximas viagens.

Espero que continuem conosco, nos bons e maus momentos do blog!

Obrigado pela audiência!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Evoluído, terciário, vivo ou em declínio? Mas o que isso quer dizer?

Sempre que nos deparamos com descrições sobre características dos vinhos, podemos encontrar uma ou mais destas palavras sendo utilizadas, entre muitas outras, mas que as vezes podem causar certa estranheza para uma pessoa menos acostumada a estes termos "vinícolas". Mas o que eles querem dizer?

Quando um vinho é descrito como vivo (ou com os termos relacionados como vibrante, fresco, brilhante, suculento ou picante) normalmente associamos à acidez de um vinho. A acidez é um dos fatores que dá uma estrutura ao vinho e amplifica os seus sabores. É também uma forma de destacar sabores de frutas que são particularmente exuberantes. Este termo quase sempre descreve os vinhos que são jovens, antes da percepção de acidez e sabores de frutas subsequentes começarem a desaparecer.

Os outros termos que dão título ao post de hoje - evoluído, terciário e em declínio - são normalmente utilizados para um vinho com alguns anos de garrafa, e que normalmente suportam tal envelhecimento. E cada vinho tem o momento em que estas notas começam a se mostrar, mas normalmente podemos dizer que um vinho tenha perdido a sua vida por volta da marca de 10 anos, se não mais cedo. Isto é o que eu chamaria de um vinho evoluído.

Enquanto um vinho continua a envelhecer, a cor desbota ou torna-se marrom e se o mesmo é um vinho de guarda e tenha sido bem armazenado, seus aromas de frutas passam a ficar em um segundo plano enquanto outras notas tornam-se mais evidentes. As notas que se desenvolvem durante o envelhecimento são chamadas de notas "terciárias" e incluem aromas florais, de terra, especiarias e sabores minerais que se desenvolvem mais tarde na vida de um vinho.

Quando um vinho passa seu pico - os sabores de frutas perderam seu frescor e as notas terciárias são menos proeminentes, dizemos que um vinho está em declínio.

Espero que esta matéria possa ajudar um pouco a elucidar tais termos utilizados nas descrições dos vinhos que encontramos por ai e é claro, deixo este canal aberto para que os meus queridos leitores possam colocar sugestões, descrições e significados para estes e outros termos com os quais nos deparamos no dia a dia vinícola. Lembrando que este texto foi retirado, traduzido e adaptado do site da revista WineSpectator.

Até o próximo!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Santa Julia Malbec Reserva 2009 - #MalbecWorldDay

Ontem foi dia de comemorar a uva Malbec em todo mundo, esta uva que é oriunda da região de Cahors na França mas que aparentemente desenvolveu grande fama na Argentina, na província de Mendoza com seus vinhos opulentos, alcoólicos e escuros. Evidentemente que em seu berço normalmente os vinhos são mais complexos, elegantes e normalmente mais difíceis de se compreender ao passo que os de nossos hermanos se tornaram quase que uma preferência nacional principalmente pelos iniciantes no mundo do vinho, dada a sensação de doçura que estes vinhos propiciam pelo excesso de extração, uso de madeira em demasia e graduação alcoólica elevada. É claro que existem boas exceções, mas em geral essa é a impressão que temos de tais vinhos.


Voltando ao vinho do título, o mesmo é produzido pela Bodega Santa Julia, um dos braços de negócios da Família Zuccardi, um grande nome vitivinícola argentino e que já teve outros vinhos comentados por este que vos escreve (relembrem as postagens anteriores aqui e aqui). É produzido com 100% de uvas Malbec colhidas em Maipú, Mendoza, a 650 metros acima do nível do mar e passa por afinamento em barricas de carvalho por 10 meses. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma coloração violácea com traços azulados bem escura, quase sem transparência e com lágrimas finas, rápidas e bem coloridas, tingindo todas as paredes da mesma.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas negras, baunilha e algo de especiarias. Leve lembrança de tabaco ao fundo. O álcool pode ser notado no começo da degustação, mas se arrefeceu no decorrer da mesma.

Na boca o vinho tinha corpo médio, acidez um pouco baixa, taninos firmes e bem presentes. Retrogosto com muita fruta e ligeiro amargor e álcool sobrando um pouco. Final de média duração.

Na média um bom vinho, nada espetacular mas que pode ser considerado um bom dia a dia.

Até o próximo!

terça-feira, 17 de abril de 2012

Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo Grande Reserva 2007

Eu não canso de dizer que os vinhos portugueses são realmente meus objetos de desejo. Eu acho que apesar de eu estar desenvolvendo um afeição especial pelos americanos, os portugueses sempre serão meus queridinhos. Bom, mas sem maiores afetações falemos um pouco deste vinho, de seu produtor e da região na qual é produzido.


O Douro é uma região fantástica, visualmente falando. Vinhas crescem ao longo do rio que dá nome a região e mais do que isso, a grande inclinação que os terrenos tem na região fazem com que as plantações em patamares e socalcos se tornem vislumbrantes para o ser humano, além de um grande desafio. O clima quente e seco acaba se tornando propício para a maturação das mais variadas castas da região, que normalmente eram plantadas todas juntas, sem divisões (as famosas vinhas velhas portuguesas) e que geram vinhos curiosos,  e de qualidade e caráter únicos. Por isso que eu digo que um de meus sonhos de consumo é viajar pra conhecer esta região. Enfim.

Sobre a vinícola, retirado do site da mesma: "A Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, com 120 hectares, 85 dos quais plantados com vinha classificada com a Letra A, situa-se junto do Pinhão e está integrada na Região Demarcada do Douro desde a sua instituição, em 1756. Ao longo dos tempos, todo o patrimônio histórico da quinta tem sido cuidadosamente preservado - a casa senhorial oitocentista, hoje hotel do vinho, a capela de estilo barroco datada de 1795, a capela do século XVII que se situa junto ao rio, os pomares, a azenha e a adega de 1764. Renovamos as tradições, mas respeitamos a autenticidade da paisagem. O nome "Quinta Nova" tem origem na nova quinta que foi criada após a junção de duas quintas. Nossa Senhora do Carmo relaciona-se com a santa padroeira da capela que foi construída no século XVII, junto à margem do rio Douro. Naquela perigosa zona do rio, os tripulantes dos barcos rabelos eram vítimas de frequentes naufrágios, suplicando pela proteção daquela santa. Assim, durante o séc XVII, na sequência de uma promessa dos mareantes, foi construída a pequena capela, albergando uma imagem em pedra desta padroeira e renomeando a propriedade para Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo".


Bom, sobre o vinho o mesmo é feito com 70% Touriga Nacional e 30% vinhas velhas e Estagiou 17 meses em barricas novas de carvalho francês e 6 meses em cave. Sem mais enrolação, vamos as impressões.


Na taça o vinho apresentou cor violácea intensa e quase sem transparência, com lágrimas finas, rápidas e com ligeira cor.

No nariz aromas de frutos negros, floral em abundância, couro, baú, tudo muito integrado sem uma nota se sobressaindo mais que as outras. Alguma coisa de ervas pode ser sentido após algum tempo assim como um tostado no fundo de taça. Bastante complexidade.

Na boca o vinho tinha corpo médio para encorpado, boa acidez, taninos bem presentes, marcantes mas devidamente integrados com os demais elementos do vinho. Retrogosto com frutas e floral, confirmando o nariz, num final elegante de média para longa duração.

Mais um grande exemplar duriense trazido pela Vinea que eu recomendo. 

Até o próximo!

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Rodney Strong Cabernet Sauvignon 2008

Voltando a falar de vinhos americanos no blog, hoje é dia de Cabernet Sauvignon de Sonoma, uma das regiões consideradas mais cults, junto ao Napa Valley, quando se trata deste tipo de vinho. Particularmente estou desenvolvendo um gosto muito peculiar com estes vinhos, pois todos tem me agradado muito. Uma pena que estes vinhos sejam todos numa faixa de preço um pouco superior e não posso considerá-los vinhos para o dia a dia. De qualquer maneira, vamos a algumas informações sobre o vinho.

Quem produz este vinho é a Rodney Strong Vineyards, vinícola considerada uma das pioneiras da região e que, segundo palavras do importador, é reconhecida por ser visionária nos estudos dos solos da região e variedades a serem plantadas. Possui vinhedos nas mais famosas apelações de Sonoma, tais como Alexander Valley, Russian River Valley, Chalk Hill e Sonoma Coast. Atualmente a vinícola conta em suas linhas com vinhos Chardonnay, Sauvignon Blanc, Pinot Noir, Zinfandel, Cabernet Sauvignon e alguns blends e single vineyards. Sobre o vinho de hoje, o mesmo é feito com uvas 100% Cabernet Sauvignon da AVA de Sonoma County e passa 17 meses em caravalho, sendo que destes 76% americano e 24% francês. Vamos as impressões.


Na taça o vinho apresentou uma cor rubi brilhante com alguma transparência, lágrimas finas, quase incolores e bem rápidas. 

No nariz o vinho abriu com aromas de frutas negras, alguma coisa de especiarias e leve toque herbáceo. Com um pouco de tempo em taça, notas de baunilha e tostado também puderam ser notadas. Não é um vinho explosivo, mas os aromas apareciam de maneira bem marcada.

Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez e taninos firmes, marcantes mas muito bem integrados ao restante do vinho. Retrogosto trazia algo de groselha junto com baunilha. Leve amargor ao final que tinha média duração. 

Mais um bom vinho americano, trazido pela SmartBuy Wines e que fez parte de uma das seleções do clube de vinhos deles, do qual faço parte e recomendo fortemente a quem quiser participar, pois sempre vem muito boa opções. Eu recomendo!

Até o próximo!

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Tatachilla Partners Cabernet Shiraz 2004

E nossa jornada enogastronômica nos levou agora para o outro lado do mundo, mais precisamente para o continente da Oceania. Se formos destrinchando a região, chegamos então a South Austrália e sua proximidade ao oceano Índico e a cidade de Adelaide, uma das mais importantes do país. E pronto, chegamos ao McLaren Valley, onde fica situada a Tatachilla Winery, produtora do vinho de hoje e uma das principais regiões vinícolas da Austrália.

Sobre o vinho, a primeira curiosidade que eu descobri é que o nome dado a ele (Partners) é dado em homenagem aos fundadores da vinícola, o que por si só já mostra que não é um vinho qualquer. Além disso não possui proporções divulgadas das duas uvas utilizadas no blend mas não passa por carvalho. Outra boa curiosidade, que já não é assim mais tão novidade, é o fechamento do vinho com screwcap (e viva a sustentabilidade). Sem maiores delongas vamos as impressões.


Na taça, ao contrário do que a idade nos fazia crer, uma cor rubi com pouco traço de evolução atijolada nas bordas, com lágrimas finas, rápidas e já sem cor.

No nariz um vinho guiado pelas frutas, num mix de cerejas e ameixa preta incrivelmente vivido, apesar da idade do vinho e uma lembrança de pimenta e um toque de herbáceo, mas sem ser agressivo ou verde em demasia (talvez pela parte da Cabernet bem maturada). 

Na boca o vinho surpreendeu a todos, mostrando ainda boa vivacidade, taninos firmes e presentes e um corpo que preenchia bem a boca. Retrogosto estritamente frutado e um final de média duração.

O vinho foi surpreendente, manteve o nível dos outros degustados ao longo do feriado e me despertou a curiosidade de provar safras mais jovens. Eu recomendo!

Até o próximo!

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Villa San Juliette Merlot 2008

Como vimos até aqui o final de semana tinha sido de bons vinhos e não poderíamos deixar a peteca cair justamente agora que já havíamos passado da metade dos vinhos e a coisa ficava cada vez mais séria. Desta vez cruzamos novamente o oceano e viemos parar na América do Norte, mais especificamente em Paso Robles na região da Central Coast americana, entre São Francisco e San Luis Obispo. Esta região pode não ser tão conhecida como Sonoma ou mesmo Napa, mas produz vinhos interessantíssimos sem cobrar pelo "nome". Enfim, curiosidades vinícolas.

O vinho é feito pela Villa San Juliette Vineyard and Winery e possui em sua composição 86% Merlot, 8% Cabernet Sauvignon e 6% Tempranillo sendo que o vinho descansa após a vinificação, 14 meses em barricas novas de carvalho francês. Sem maiores enrolações, vamos as nossas impressões sobre o vinho.


Na taça o vinho já surpreendeu por sua coloração violácea bem escura, quase impenetrável com certo brilho, lágrimas finas e com alguma cor e quase nenhuma transparência. 

No nariz o vinho foi um arroubo de puro prazer: complexidade mudando entre frutas escuras, chocolate amargo, leve floral e café torrado faziam um rodízio interessante, hora um aroma mais evidente, hora outro. A expectativa crescia a cada "cafungada" na taça. Era hora então de confirmar, ou não, tais expectativas na boca.

Na boca o vinho mostrou corpo médio, acidez na medida e taninos macios, redondos porém firmes e se fazendo presentes. Retrogosto trazia algo que eu traduzo como um bombom de chocolate amargo com licor de frutas escuras. Final delicioso e de média para longa duração. Confirmou tudo que esperávamos dele.

Outro grande vinho degustado em companhia de amigos e que vale o quanto custa. Este veio também no SmartBuy Wine Club e como eu já havia dito anteriormente, não decepcionou, ao contrário, só aumentou as expectativas sobre os outros vinhos. Eu recomendo!

Até o próximo!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Cem Reis 2009 - Um português com cara "moderna"

Mais uma mudança de país nos vinhos do final de semana, que diga-se de passagem foram incríveis, desta vez indo para a terra de nossos patrícios portugueses, mais precisamente para o Alentejo, uma das regiões mais incríveis e fascinantes no mundo e claro uma das minhas preferidas. Não escondo de ninguém que morro de vontade de ir pra lá conhecer este lugar, juntamente com o Douro, e suas paisagens incríveis, vinhos sempre muito bons (salvo exceções), facilidade de comunicação pela língua entre outros mil motivos que eu poderia ficar elencando aqui pra vocês, mas não vou ser chato e ficar fazendo melodrama não.


O vinho de hoje é produzido pela Herdade da Maroteira, que segundo o site da própria: "propriedade agrícola  pertencente a uma das famílias Anglo-Portuguesas estabelecidas na Região do Alentejo, Portugal, há mais de cinco gerações. Abrangendo uma área de 540 hectares, no sopé da Serra d'Ossa, 20 km a sul de Estremoz e 35 km a norte de Évora, a Herdade da Maroteira dedica-se à preservação do montado de sobro e azinho, numa lógica de sustentabilidade agro-silvo-pastoril. Mais recentemente, a Herdade da Maroteira diversificou a sua oferta produtiva a novas áreas de negócio: ao turismo, através de duas unidades de Alojamento Local (AL), e à vitivinicultura, produzindo as uvas que dão corpo ao reconhecido vinho Cem Reis.

A Herdade da Maroteira tem vindo a fomentar o seu potencial produtivo através do desenvolvimento de actividades complementares à silvicultura, tendo plantado, em 2003, 10 ha de vinha, numa zona de vale aberto. A escolha das castas recaiu sobre a Alicante Bouschet, Aragonêz, Touriga Nacional e Syrah. Grande parte da produção vitícola é vendida; apenas uma pequena selecção - as uvas de qualidade superior -, é aproveitada para a produção de vinho da Herdade da Maroteira. A grande referência vinícola da Herdade da Maroteira é a marca Cem Reis, e em 2011 foi lançada uma nova marca, denominada 10 GULDEN".

Voltando ao vinho, o mesmo é feito com uvas 100% Syrah e estagia por cerca de 14 meses em carvalho francês e americano (70 - 30%) para afinamento/envelhecimento. São produzidas apenas entre 13 e 15 mil garrafas e para nossa infelicidade não encontramos o vinho por aqui, o que é uma pena dada sua qualidade. Mas opa, ainda nem descrevi as sensações sobre ele. Bom, sem mais delongas, vamos a elas.

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor violácea intensa, escura, quase sem nenhuma transparência nem halo de evolução. Lágrimas finas, rápidas e coloridas compunham também o conjunto visual. 

No nariz o vinho abriu com notas de frutos escuros maduros bem evidentes e muita especiaria (pimenta em geral) também marcantes. Uma leve lembrança de coco também podia ser sentido. Ao fundo de taça um leve toque de tostado. Tudo muito exuberante, lembrando vinhos do novo mundo.

Na boca o vinho tinha corpo de médio para encorpado, boa acidez e taninos finos, presentes porém extremamente macios e redondos. Retrogosto que trazia muita fruta e um final de longa duração que sempre pedia o próximo gole.

Um grande vinho, trazido diretamente de Portugal e que gentilmente foi aberto pela minha amiga Roberta, a quem não canso de agradecer pela experiência inenarrável. Se você, caro leitor, estiver por Portugal e encontrar alguma garrafa deste vinho, eu recomendo que compre e traga pois não irá se arrepender.

Até o próximo!

terça-feira, 10 de abril de 2012

Vallon des Sources 2007 - Mais um achado francês

Continuando com a esbórnia enofílica do feriado e final de semana aportamos agora na França, com um representante do Vale do Rhône. Este vinho me foi apresentado pela importadora Smartbuy Wines, e devo dizer que até hoje não consegui me decepcionar com nenhum dos vinhos deles que provei, e cada vez mais tenho certeza de ter feito a coisa certa ao me filiar ao clube de vinhos que eles criaram. Já devo ter falado sobre ele aqui, por isso não irei me tornar repetitivo e dizer tudo novamente neste post.

Bom, sobre o vinho e a vinícola, retirei do site da própria importadora algumas curiosidades, conforme segue: "Vinicultores de Personalidade é o nome da cooperativa que produz este vinho (Vignerons de Caractere), criada em 1956 após um tenebroso inverno que devastou a região de Vacqueyras em Cotes du Rhône. Os vinicultores resolveram juntar seus esforços, para decidir sua sorte, e o destino de seus vinhedos. Hoje são mais de 80 famílias com propriedades espalhadas pelo Rhône, em Vacqueyras, Gigondas e Beumes de Venise. Seus vinhos tem sido muito bem pontuados e a vinícola é a que tem o maior número de vinhos na lista de Top French Values da WineSpectator em 2008".

O Vallon des Sources é composto de uvas Mourvédre, Syrah e Grenache (embora não tenha encontrado as proporções exatas) e não passa por carvalho, fazendo com que a fruta expresse suas qualidades explicitamente. Além disso recebeu 89 pontos da WineSpectator e de Robert Parker. Vamos as impressões dos que degustaram o vinho no final de semana.


Na taça uma cor rubi com tons violáceos, ligeiro halo aquoso e lágrimas finas, rápidas e incolores. Apesar da idade ainda era muito vivo e brilhante.

No nariz o vinho abriu com um aroma animal muito presente, que depois foi lembrando carne defumada. Depois o vinho apresentou aromas de frutas escuras e muita especiaria. Tudo muito elegante e sem saltar na cara.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez, taninos firmes, presentes e ligeiramente rascantes porém muito bem integrados ao restante do vinho. Retrogosto trouxe de volta as frutas com um que de chá preto. Final de média duração.

Em suma, mais um belo exemplar francês de uma das regiões que tem se tornado uma de minhas favoritas, pois ainda não provei um vinho ruim de lá. Evidentemente isso se deve e muito ao responsável pela escolha dos vinhos da SmartBuy Wines, que tem um belo dedo para pinçar belos vinhos de lá. Eu recomendo!

Até o próximo!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Nieto Senetiner Reserva Rose 2010

A sexta feira foi de muito calor, e depois de ter começado o almoço com um belo branco, alvo do post anterior, a noite seria marcada por surpresas. Tinha marcado uma reuniãozinha com amigos para decidirmos detalhes de uma viagem que faremos ao Chile para visitarmos algumas vinícolas. Será uma viagem curta, mas proveitosa. E como não poderia ser diferente, a reunião fora regada a muitos vinhos. E o que intitula o post de hoje foi um deles. 

A história da Bodega Nieto Senetiner data de 1888, quando as primeiras vinhas foram trazidas e plantadas por imigrantes italianos, na província de Luján de Cuyo em Mendoza. Desde então, ainda que de maneira familiar, a bodega prosperou e fora adiquirada em 1969 pela família Senetiner, atual proprietária da bodega. A bodega atua nos mais diversos segmentos de vinhos, sempre tendo algum destaque seja quando falamos de espumantes, vinhos brancos, rosés e/ou vinhos tintos. 

No caso do vinho que dá título ao post de hoje, o mesmo é elaborado com uvas 100% Malbec colhidas em Vistalba, em Luján de Cuyo. Uma curiosidade é que cerca de 30% do vinho, após fermentação, passa por cerca de 3 meses em barricas de Acácia francesas, ocorrendo o posterior blend com o restante do vinho e rápido engarrafamento para se manter as características de frescor da fruta. Vejam que não é um método muito tradicional para se produzir um vinho rosé, passando por uvas que não são comumente utilizadas para esta finalidade passando pelo afinamento e blend nada comuns. Só me resta então mostrar a vocês minha percepção sobre ele.

Na taça o vinho tinha uma cor rosada de média intensidade, mais escura que normalmente se encontra por ai. Brilhante e com lágrimas finas, incolores e bem rapidinhas.

No nariz aromas florais, mas diferentes daqueles comumente encontrados nos Malbecs tintos, não é aquela violeta costumas, creio que em muito em função das barricas de acácia. Frutas vermelhas e escuras num mix com muito frescor, lembrando frutas bem frescas, recém colhidas. Um vinho de muito perfume, e que já encanta no nariz.

Na boca o vinho apresentava corpo médio, excelente acidez e taninos presentes, finos e macios. Retrogosto muito frutado confirmando o nariz. Final de média duração.

Uma excelente opção de vinho para aperitivo, principalmente em dias quentes, mas que possui um corpo que deve aguentar comida. Eu gostei e recomendo!

Até o próximo!

domingo, 8 de abril de 2012

Da'divas Chardonnay 2011

Este final de semana foi mais um com muitos vinhos provados desde a sexta feira, e eu vou precisar de alguns posts pra falar sobre todos. Mas eu confesso que dado todo o barulho em cima das salvaguardas propostas ao mercado vinícola nacional (notem que eu não falei nada no blog sobre este assunto pois considero muito baixo astral e não é minha intenção aqui, mas quem me conhece e me segue nas redes sociais sabe muito bem qual é minha opinião a este respeito) eu fiquei muito na duvida se deveria ou não postar este vinho por aqui. Enfim, depois de muito pensar sobre resolvi postá-lo pois eu acho que uma vez que o vinho tem qualidade, deve ser dividido com as pessoas com as quais você se importa e vocês, meus leitores, fazem parte das pessoas pelas quais me importo e é por isso que estamos aqui.


Já falei sobre a Lidio Carraro em outras oportunidades aqui no blog e eu considero que é uma das melhores vinícolas do Brasil (sem levar em conta preço e coisas assim, pois neste quesito eu ainda a questiono um pouco) e este vinho realmente não foge muito a regra. Vale lembar que este vinho é feito com uvas Chardonnay colhidas em Encruzilhada do Sul, um terroir que tem sido motivo de muitas discussões como um dos possíveis melhores dentre os do Rio Grande do Sul e por que não, do Brasil. Não sou profundo conhecedor deste assunto e por isso não irei dizer nem que sim nem que não, mas que tenho provados vinhos muito interessantes vindos de lá, isso não posso negar. Outra característica marcante da vinícola é que eles não utilizam madeira em seus vinhos, com a intenção de que os mesmos expressem todo os aromas e sabores das uvas por eles plantadas, colhidas e vinificadas. Atitude louvável e confesso que torna ainda mais interessante e desafiador a degustação de tais vinhos. Sem mair enrolação, vamos as minhas impressões.

Na taça o vinho apresentou uma cor amarelo palha , bem clara, límpida e brilhante. Lágrimas finas, rápidas e incolores também tingiam as paredes da taça.

No nariz o vinho abriu com aromas cítricos e de frutas brancas como abacaxi e melão. Alguma coisa de mel também apareceu com o tempo em taça e o ligeiro aumento da temperatura. O vinho é muito perfumado.

Na boca o vinho tinha corpo de leve pra médio, uma excelente acidez sem nenhum amargor final. Retrogosto muito frutado com um final de média duração. 

Um ótimo vinho, fresco, saboroso, e que combinou bem com o calor que fazia e um belo macarrão ao molho branco com sardinhas fritas. Eu recomendo!

Até o próximo!

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Valpolicella Superiore Zenato 2007

Finalizando os vinhos do final de semana, temos um clássico italiano. Oriundo da região que dá nome ao vinho, este clássico já foi mais influente e notório no mundo vinícola porém com a massificação de produção e perda de qualidade, acabou por perder parte do espaço que ocupava até então. Mas atualmente a Itália vem buscando em suas origens a volta da produção de qualidade e estes vinhos tem sido gratas surpresas, com produções de baixo rendimento, foco em qualidade e cuidados na vinificação. Da região também temos os famosos vinhos Amarones, que um dia ainda irão aparecer por aqui no blog. Mas isso é assunto pra outro dia.

Voltando ao vinho alvo do post, é feito com uvas 80% Corvina, 10% Rondinella e 10% Sangiovese (todas uvas italianas) e passa por 12 meses em barricas eslovenas em sintonia com as legislações vigentes pela DOC. Normalmente é um vinho pronto para o consumo. Vamos ver quais foram as impressões.


Na taça, a cor rubi de média intensidade e brilhante era complementada por lágrimas finas, rápidas e sem coloração aparente. Não possuía halo de evolução visível.

No nariz o vinho apresentava aromas de frutas vermelhas frescas e algo que lembrava violetas. Um pouco de madeira ao fundo da taça. Tudo muito discreto e em seu lugar.

Na boca o vinho tinha corpo médio, excelente acidez e taninos finos e macios, bem redondos. Confirmava frutas já descritas no olfativo. Final de média duração.

Um bom vinho, bem feito e que vale conhecer. Em nada se parece com aqueles vinhos insossos que invadiram as prateleiras dos supermercados se dizendo Valpolicellas. Eu recomendo.

Até o próximo!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Marques da Casa Concha Merlot 2007

Bom este vinho dispensa maiores apresentações e normalmente está numa faixa considerada best buy se encontrado por um valor de até uns 70 reais. É feito pela gigante chilena Concha Y Toro e por ser considerado de uma gama intermediária da vinícola. 

Feito com uvas Merlot colhidas do vinhedo de Peumo no Vale do Rapel, o vinho passa por envelhecimento de 18 meses em barricas de carvalho francês antes de ser liberado ao mercado. Vale ressaltar que midiaticamente, o Chile alardeou aos 4 cantos que 2007 foi considerada uma safra histórica, o que normalmente quer dizer que os vinhos desta safra podem ter atingido uma qualidade superior comparados aos outros anos. Entretanto, um conselho que vem da experiência própria em degustações,  não leve isto tão a sério assim e tire suas próprias conclusões. É o que eu farei a seguir.


O vinho apresentou uma bela cor violácea escura e  quase sem nenhuma transparência. Lágrimas finas, levemente coloridas e de média velocidade também podiam ser notadas.

No nariz o vinho abriu com aromas de frutas escuras maduras, baunilha e leve floral. Em seguida, notas de couro também se fizeram presentes. Tudo muito explosivo, aquela costumeira pancada no nariz.

Na boca, taninos médios, ligeiramente rascantes e marcantes, boa acidez e corpo médio. Confirma frutas e baunilha do nariz. Final de média duração.

Enfim, bom vinho que merece ser degustado. Vale o quanto custa. Apesar de ter ficado atrás do espanhol alvo do post anterior, não fez feio! Eu recomendo.

Até o próximo.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Campillo Reserva 2004 - Uma surpresa espanhola

Continuando com os vinhos provados este final de semana, vamos agora para a Espanha e a região de Rioja, uma das mais famosas (senão a mais famosa) região vinícola de lá. Aliás, a Espanha tem criado um certo "hype" no mudo vinícola atualmente por ter aumentado significantemente sua qualidade dos vinhos, além de ter melhorado também sua presença em diversas partes do mundo e atingido preços mais elevados nos mercados mais expressivos. E este exemplar é ainda mais especial pois veio diretamente de lá, dentro da mala de viagem do irmão de uma amiga. 

A Bodegas Campillo, pelo que pude pesquisar, é uma empresa 100% familiar com boa reputação no exterior. Além de vinhedos em Rioja, possui também plantações em Ribeira Del Duero, Navarra e La Mancha, todas DOs espanholas de grande reputação vinícola. O vinho é feito com uvas Tempranillo e passa não menos que 20 meses em barricas americanas, além de passar por afinamento em garrafa antes de ganhar o mercado. Vamos as impressões sobre o vinho.


Na taça em contrapartida a sua idade avançada ainda possui uma cor violácea escura com algum halo de evolução. Lágrimas finas, sem cor e rápidas preenchiam as paredes da taça.

No nariz o vinho se mostrou muito frutado (um mix de frutas vermelhas e escuras bem maduras), com algum quê de especiarias e muito coco, com um final tostado. Tudo bem marcado e de fácil identificação.

Na boca é que o vinho realmente se mostrou. De bom corpo, acidez na medida e taninos macios, redondos mas se fazendo presentes, o vinho trazia de volta a fruta identificada no nariz com um quê especiado em um final longo e saboroso.

Não a toa, em minha humilde opinião, o vinho foi o melhor da noite. Não encontrei menções a ser importado por aqui, mas quem conhecer e puder provar, eu mais do que recomendo!

Até o próximo!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Cuvée F de Frédginac 2007

Este foi o primeiro dos vinhos degustados este final de semana, com um grupo de amigos em algum lugar de Ibiúna. Aliás, a cidade e o clima tem tudo a ver com vinhos, afinal, que friozinho gostoso que faz a noite na região! 

Este francês da região de Bordeaux é feito com uvas 100% Merlot vindas da sub-região de Cotes de Blaye, na margem esquerda do Rio Garonne, onde se tem uso em maiores proporções desta uva por motivos climáticos e de maturação das mesmas. Além disso, o relevo da região ajuda também na exposição ao sol, criando vinhos aromáticos e agradáveis de se beber. Não consegui descobrir se o vinho passa ou não por madeira, mas eu acredito que não dadas as características do mesmo, que irei comentar mais abaixo. Vamos a elas.


Na taça o vinho apresentou uma cor rubi violácea de média transparência e bem brilhante. Lágrimas finas, incolores e rápidas também se fizeram notar.

No nariz o vinho se mostrou fechado de começo, abrindo com aromas de frutas escuras, leve floral e muita pimenta. Tudo muito sutil e sem muita força. Assim como era de se esperar.

Na boca o vinho tinha corpo de leve para médio, um boa acidez e taninos macios, redondos e finos. No retrogosto lembrança de pimenta se acentuava. Faltou um pouco de força da fruta aqui. Final de curta para média duração. 

Vinho simples e fácil de se beber, que pode servir para desmistificar o conto de que vinho de Bordeaux é encorpado e difícil de se beber, além de ser caro. Trazido pela Cave Jado, vale conhecer!

Até o próximo!