segunda-feira, 28 de maio de 2012

Duckhorn Vineyards Merlot 2008

Cada vez mais eu fico impressionado que, além de estar em contato com ótimos vinhos nos últimos tempos, a situação, o momento e a companhia podem fazer com que a experiência seja ainda melhor. E foi exatamente o que aconteceu com este vinho, alvo do post de hoje. Considerado pela crítica como um cult, este vinho foi degustado neste último sábado.


Oriundo da AVA Napa Valey, nos Estados Unidos (muito mais famosa por seus cabernets), este vinho tem em sua composição 86% de Merlot, 9,5% Cabernet Sauvignon, 3,5% de Petit Verdot e 1% de Cabernet Franc e passa 16 meses em barricas 100% francesas de primeiro e segundo usos, fazendo com que o vinho tenha toda uma complexidade aromática e gustativa. Tem graduação alcoólica de 14,5%. Vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor rubi violáceo de grande intensidade e algum brilho, lágrimas mais espessas, separadas e bem coloridas criavam um mosaico quase intransponível.

No nariz o vinho começou a se mostrar, e era meio mutante. Explico, constantemente os aromas variavam entre frutos vermelhos, mentolado, chocolate, leve floral , pó de café e algo de alcaçuz. A primeira impressão é bem fragrante, ficando mais elegante com o tempo. O álcool espeta um pouco com o tempo, mas vai arrefecendo conforme o tempo vai passando.

Na boca o vinho é encorpado, tem boa acidez e taninos bem vivos e ligeiramente rascantes, mas integrados com o restante dos elementos do vinho. Retrogosto frutado e lembrando café. Final de média pra longa duração.

Vale ressaltar que este é mais um excelente vinho que veio na seleção bimestral da Smartbuy Wines e que, mesmo com seu preço elevado, vale a expectativa.

Até o próximo!

domingo, 27 de maio de 2012

Champagne R. Pouillon Et Fils Carte Blanche 1er Cru

A última sexta feira com certeza ficará na memória por um tempo. E já explico o por que. Tive a oportunidade de participar de mais uma degustação para o Guia Brasil às Cegas do jornalista Beto Duarte, mas mais do que isso, a noite reservaria algumas surpresas. Sem me alongar muito em tudo que aconteceu, vou enfocar o post neste belo champagne que nos foi apresentada pelo anfitrião do local, o Evandro.

Uma pequena pausa. Como vocês já devem saber, prezados leitores, o champagne é o vinho espumante mais famoso do mundo, sendo produzido na região de mesmo nome, no norte da França. Ganhou o direito exclusivo de denominar seus vinhos como champagne, criando quase um mito. Este tipo de vinho espumante é feito pelo método tradicional (segunda fermentação em garrafa) e pode ter em sua composição somente 3 uvas: Pinot Noir, Pinot Meunier e Chardonnay. 


Voltando ao vinho do nosso post, confesso que não sou muito versado em champagnes e por isso já peço desculpas antecipadamente por qualquer coisa incorreta que eu venha a falar por aqui e peço também ajuda para vocês que tem maior conhecimento, em agregarem qualquer informação que tiverem para compartilharmos aqui no blog. Inclusive, esta é a primeira postagem de um champagne aqui. Este vinho é feito com uvas 100% Chardonnay, o que faz com que possa ser chamada de "blanc de blancs". 

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor amarelo palha com alguns reflexos já tendendo ao dourado. Uma bonita perlage se formou de forma constante, com bolhas pequenas/médias.

No nariz o vinho se mostrou extremamente fresco e jovem, com aromas essencialmente frutados (maça verde, pêssego) e os típicos de panificação, fermento. Tive impressão também de aromas que lembravam um leve floral, mas não estou tão convicto disso.

Na boca o vinho confirmou as expectativas: muita acidez e frescor, um belo colchão de espuma e um retrogosto extremamente agradável num final frutado e longo.

Por não ser profundo conhecedor, evitarei quaisquer comparações. Mas o vinho me agradou muito, e seu frescor deixava sempre a sensação de que você precisava do próximo gole. Eu gostei!

Até o próximo!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Villa Antinori Toscana IGT 2007

Que o vinho serve para unir as pessoas, para celebrar bons momentos e para enfim animar o espírito estamos cansados de ouvir e vivenciar isso, mas não é que este final de semana elevou ainda mais este patamar e fez jus mais uma vez a todos estes ditados juntos. A convite de um casal de amigos muito querido (Evelyn Fligeri - blog Taças e Rolhas e Alexandre Mathias), fui apreciar um excelente jantar em sua casa também na companhia da grande fotógrafa e também muito querida Nádia Jung (do blog Mundus Vinus). Diante de tamanha hospitalidade e de uma apresentação de cair o queixo desde os menores detalhes com as entradinhas até a preparação do prato principal, risoto de gorgonzola com peras, confesso que me senti intimidado em tentar escrever quaisquer linhas sobre os pratos, aromas e sabores tão pouco consegui ter concentração para avaliar muito bem os vinhos degustados naquela noite. Resolvi apenas escrever umas poucas linhas com o que me lembrei deste vinho uma vez que ele me surpreendeu positivamente. 

A Marchesi Antinori já fora discutida em outro post de um outro vinho deles tão bom quanto o alvo de hoje, por isso não serei repetitivo neste aspecto (relembrem aqui). Também por aqui já teci algumas poucas linhas sobre a denominação de origem dos vinhos italianos e o termo IGT, se quiserem relembrar os convido humildemente a visitarem este outro post aqui.


Bom, focando agora no vinho em questão, este é um corte de 55% Sangiovese, 25% Cabernet Sauvignon, 15% Merlot e 5% Syrah. Depois das etapas de fermentação alcoólica e de fermentação malolática, o vinho segue para um estágio de 12 meses em barricas francesas, húngaras e americanas. Finalmente passa por 8 meses de estágio em garrafa antes de ser liberado para o mercado. Vamos as impressões acerca deste precioso líquido.

Na taça exibiu uma coloração violácea ainda bem intensa e com certo brilho, contrapondo com sua idade e tempo de envelhecimento, denotando que o vinho poderia ter ainda mais tempo de vida pela frente. Mas é claro que isto dependeria de outros fatores, mas já é um primeiro indicativo (vide post anterior).

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos maduros, algo de tabaco e chocolate. Tudo muito equilibrado e elegante, sem um se sobressair ao outro. Agradou em cheio.

Na boca o vinho apresentou um corpo médio, boa acidez e taninos redondos, macios e bem integrados com os outros elementos do vinho. Retrogosto essencialmente frutado num final de longa duração.

Um excelente vinho, companhias melhores ainda tornaram a noite inesquecível. Tivemos outros vinhos e outros tantos sabores para comentar, mas sinceramente, depois de tudo, eu quis mais é curtir.

Até o próximo!

terça-feira, 22 de maio de 2012

Como sabemos se um vinho continuará envelhecendo bem, ou não?

Mais um pouco de curiosidades sobre o vinho. Parte deste artigo foi tirado de uma pergunta de um leitor respondida no site da revista WineSpectator e que eu achei interessante dividir com vocês por aqui. Leiam o texto e discutiremos a seguir.

Prever se um vinho irá  evoluir com o tempo ou quão bem isso poderá acontecer não é uma ciência exata, mas se você degusta muitos vinhos antigos e jovens, você pode fazer uma suposição bastante coerente. Alguns produtores têm uma reputação de fazer vinhos que envelhecem bem, e algumas regiões em particular, assim como alguns varietais e safras irão se prestar a um envelhecimento mais longo. Tenha em mente que não somente a maioria dos vinhos são feitos para consumo dentro de poucos anos, a grande maioria dos vinhos disponíveis no mercado serão apreciados melhor após sua liberação ao mercado, assim como os que são considerados dignos de guarda. Não é que um vinho é ruim e intragável de repente se transformasse em algo delicioso com o envelhecimento em adega. Uma frase interessante e que se aplica neste caso é: "A adega não é um hospital de vinhos".

Usualmente, para que um vinho envelheça bem, ele precisa de bons sabores, alguma intensidade e uma estrutura que se preste a evolução. As vezes as pessoas se concentram apenas nos taninos de um vinho (aquela sensação rascante e de secura causada por substâncias presentes na casca das uvas, sementes e pela influência da madeira). Mas se um vinho é excessivamente tânico quando jovem, mesmo que parte destes taninos possam se suavizar com o tempo em adega, este processo não é tão simples. É realmente necessário possuir um equilíbrio, mesmo em seu estado juvenil.

Entendo que é necessário que se façam renúncias típicas toda vez que entramos em uma discussão sobre o envelhecimento dos vinhos para que não caminhemos para um caminho ruim: você só deveria envelhecer vinhos se você sabe que gosta do sabor dos vinhos mais velhos, e o envelhecimento do vinho só vai funcionar se você tem uma adega/local em condições adequadas (ambiente fresco, levemente úmido e longe de flutuação da luz, temperatura, calor e vibração).

Agora a pergunta que eu lanço para vocês, meus prezados leitores(as), é a seguinte: vocês gostam de vinhos envelhecidos? Em caso afirmativo, como vocês fazem para envelhecer os seus vinhos? É, acabei me excedendo e fiz duas perguntas, mas se vocês puderem colaborar com este que vos bloga, agradeceria muito!

Até o próximo!

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Alma Negra Mistério 2009

Numa noite fria de quarta feira em que eu me encontro sozinho, aguardando ansiosamente pelo jogo do Timão, nada melhor do que escolher um vinho e abrir para aplacar um pouco de ânimo e tentar desviar a tensão. E o escolhido não poderia ter mais história e ser mais curioso do que o Alma Negra. Confesso que a tempos tinha a curiosidade de provar este vinho e não havia portanto, oportunidade melhor.


Este vinho é fruto de um corte misterioso, guardado a sete chaves por quem o concebeu, Ernesto Catena, membro da famosa família argentina que a tempos está envolvida no mundo da enologia e vitivinicultura. As uvas vem de seus vinhedos lá em Mendoza, pertencentes a sua vinícola, a Tikal, e até por toda aura que ronda este vinho, não temos maiores informações divulgadas. Sem maiores delongas, vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma cor violácea bem forte, escura e intensa, quase impenetrável e sem qualquer transparência. Lágrimas médias e bem coloridas tingiam as paredes na taça quando o líquido era agitado.

No nariz o vinho mostrou certa complexidade, frutas vermelhas e escuras, especiarias (temperos e pimenta) e chocolate. Com o tempo em taça alguma coisa de tostado também podia ser notado.

Na boca o vinho era bem encorpado, musculoso, tinha taninos firmes, ligeiramente rascantes mas que se integravam bem ao vinho e uma boa acidez. Retrogosto essencialmente frutado num final de média duração.

Mistério revelado, confesso que esperava um pouco mais. O vinho é bom e não tem defeitos aparentes mas não faz jus a todo esta história que o recobre. Pelo preço, existem opções melhores. Mas vale a pena conhecer, caso ainda não o tenha provado.

Até o próximo!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Chile: Visita a Vinícola Haras de Pirque

Já entrávamos na fria tarde chilena, e o tempo novamente se tomava de tons acinzentados, talvez compartilhando da tristeza que começava a abater nossos corações com a proximidade do fim do dia tão gostoso que vinhamos tendo e também com o final da viagem, que se aproximava. Foi quando chegamos, mais uma vez atrasados, a Vinícola Haras de Pirque. Ao que tudo indica, nossa escala não havia sido tão bem planejada quanto pensávamos. No final, no entanto, veríamos que tudo daria certo.


Como chegamos fora do horário previsto, fomos direcionados diretamente a sala de degustação dos vinhos, onde nos seriam apresentados 4 vinhos mais alguns petiscos como frutas secas, bolachas e torradinhas. A sala de degustação por si só já é um show a parte, circular, se encontra bem no centro da cave onde os vinhos são envelhecidos. Toda de vidro, da a sensação de que estamos sempre sendo observados. Antes de falar sobre os vinhos, vale dizer que a vinícola tem 3 linhas distintas de vinhos, como segue: Equus (linhas de entrada), Haras Character (vinhos de média gama), Haras Elegance e Albis (vinhos de topo de gama). Pois bem, a degustação começou com o Equus Sauvignon Blanc, um típico exemplar da cepa com aromas de frutas cítricas e maracujá maduro e grama cortada, corpo médio, excelente acidez, enfim, um excelente vinho; passamos ao Haras Character Cabernet Sauvignon/Carmenére, um blend de uvas típicas do Chile onde pudemos sentir frutas negras, especiarias (pimentas em geral) num vinho musculoso, encorpado mas com taninos redondos e prontos pro consumo; o grande personagem da degustação o Haras Elegance Cabernet Sauvignon, como o próprio nome já diz, um vinho que consegue aliar os "músculos" (característica da vinícola) com a elegância de um vinho polido e pronto, com também notas de frutos escuros e muita pimenta, o vinho apresenta ainda notas terrosas e muito corpo aliados a taninos macios, redondos e num final deliciosamente longo.


Terminada a degustação, conversamos um pouco com a menina que nos auxiliou e ela gentilmente disse que se quiséssemos, poderíamos então finalmente fazer o tour pela vinícola e conhecermos um pouco do trabalho deles. Não exitamos e prontamente aceitamos o convite. 

Mesa vibratória para seleção manual de uvas
É interessante ver como a vinícola nasce da união de duas paixões de seus donos: cavalos e vinhos. Tanto é que desde o nome da vinícola, tudo relacionado a ela faz a correlação entre ambos. Vejam por exemplo o formato único do prédio da vinícola: é uma enorme ferradura, e cada etapa da produção do vinho vai passando ali de uma ponta a outra. Existe também o uso de modernas tecnologias, seja na separação das uvas em mesas vibratórias até o emprego da gravidade no transporte do vinho durante as etapas de produção e modernos tanques de aço inoxidável para fermentação e guarda do vinho produzido. Se bem entendi, são 600 hectares de vinhedos entre Syrah, Cabernet Sauvignon, Carmenére, Chardonnay, Sauvignon Blanc, etc, bem distribuidos aos pés da Cordilheira dos Andes. Há ainda a possibilidade de visita ao haras com direito a passeio de cavalo, algo que pelo tempo escasso não pudemos fazer.


Nos despedimos então fazendo a famosa visita a lojinha da vinícola já com o dia começando a se esvair para dar lugar a um belo anoitecer com a certeza de que havíamos cumprido nossas metas da viagem. Aliás, recomendo cada visita destas que fizemos. E que venham as próximas viagens!

"Planta" da vinícola, retirada do próprio site da mesma

Até o próximo!

terça-feira, 15 de maio de 2012

Chile: Visita a Vinícola El Principal

Já nos aproximávamos do meio do dia e a próxima vinícola de nossa visita havia sido incluída no roteiro por indicação de um amigo, portanto não conhecíamos muito sobre eles, somente que era uma vinícola de produção modesta em se tratando de Chile e que segundo este amigo, os vinhos eram bem legais e depois de alguma pesquisa na internet, ao que parecia a vista da vinícola era muito bacana, tanto que também optamos por fazer um almoço/picnic nesta visita. Ainda com o auxílio do Pablo, sommelier da vinícola Pérez Cruz, tivemos acesso a Pamela, que viria a ser nossa guia durante a visita na El Principal.


E quis o destino que o dia cinzento e frio ficasse para trás ao passo que nos aproximávamos da El Principal, nos deixando com a certeza de que havíamos feito a escolha certa. O visual da vinícola aos pés da Cordilheira do Andes era simplesmente incrível! Embora estivéssemos atrasados, fomos recebidos de braços abertos e com um belo sorriso no rosto pela Pamela, nos trazendo ainda mais segurança sobre os prazeres que nos esperavam nesta visita.


Começamos então nossa visita com um pouco da explanação sobre o conceito da vinícola de se fazer vinhos, sua localização privilegiada em relação a Cordilheira dos Andes, seu solo aluvial e conceito para a plantação dos vinhedos em relação Vale do Rio Maipo e assim por diante.. São aproximadamente 50 hectares de vinhas de uvas tintas plantados para atender a demanda pelos vinhos da El Principal em suas 3 linhas: Calicanto (vinho de entrada), Memórias (vinho de média gama) e El Principal (vinho ícone). Aqui também são utilizados conceitos de pouca intervenção de máquinas na colheita e seleção das uvas ao passo que para a movimentação do mosto/vinho é utilizado a gravidade sempre que possível. Além disso são utilizadas barricas francesas para envelhecimento dos vinhos. E seria ali, na adega onde os vinhos são envelhecidos, é que a degustação dos vinhos se daria.


Antes de começarmos a degustação propriamente dita, a Pamela nos trouxe uma caixa com aromas em pequenos frascos, para que treinássemos nosso olfato antes de provarmos os vinhos. Confesso que a brincadeira foi interessante e só fez aguçar ainda mais os sentidos. Nesta degustação provamos dois vinhos, como segue: Calicanto 2010, um corte onde a atriz principal é a Cabernet Sauvignon, seguidos de Carmenére, Cabernet Franc e Syrah, um vinho de corpo médio, muito equilibrado e frutado, onde a fruta é a dona do pedaço; Memórias 2007, um corte Cabernet Sauvingnon e Carmenére, mais encorpado e denso, taninos presentes e redondos, equilíbrio entre fruta e aromas de especiarias, tabaco, maior complexidade num final gostoso e longo.


E para quem pensava que acabou, agora viria a parte aventura da visita. Subimos num 4x4, munidos de nosso dois vinhos, e fomos em direção ao pé da cordilheira, já iniciando a subida por uma estradinha tortuosa até chegarmos a um platô em meio aos vinhedos, palco de nosso pic nic! Durante o trajeto entretanto, paradas para colher uvas diretamente dos vinhedos que serviriam de sobremesa para nosso almoço. E que visual era aquele, chegava a entorpecer os sentidos tamanha a beleza e magia do lugar. E lá estavam preparados a nossa mesa, nossos deliciosos sanduíches de pesto com muzzarela de búfala e salada, crisps de vegetais e batata e de sobremesa, deliciosas amêndoas cobertas de chocolate. E assim curtimos nosso começo de tarde e era como se tivéssemos sido enfeitiçados, dormentes que estávamos diante de tamanho prazer visual e sensorial.


E assim seguíamos nosso dia, que ainda estava longe de terminar.

Até o próximo!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Cava Freixenet Cordón Negro

Este espumante foi o escolhido para celebrar o dia das mães em casa, junto da família e de minhã querida mãe, evidentemente. Um dia festivo a se agradecer a minha mãe, e por que não, a todas as outras mães do mundo que estão ai para criar, educar e suportar seus filhos diante das dificuldades que a vida nos impõe e ainda tem tempo de trabalhar, arrumar a casa, ser esposa e mulher! Portanto, um brinde a elas.

Eu não consegui uma foto legal e retirei esta daqui do  próprio site do produtor.

Este produtor já teve outro vinho (outra cava) comentado aqui no blog em outra ocasião (relembrem aqui) e portanto não irei me estender muito com relação ao que são as cavas, um pouco de história e métodos de produção, deixando o espaço abaixo menos cansativo para a leitura e vocês e também indo direto a minhas impressões. Esta cava é feita com as uvas Parellada, Macabeo e Xarel-lo sem proporções definidas. Envelhece entre 18 e 24 meses em garrafa e tem 12% de álcool. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor amarelo palha brilhante, com toques esverdeados. Tinha um bom colar de borbulhas, que se mantinha constantemente abastecido pelas mesmas.

No nariz o vinho era essencialmente frutado, com notas cítricas e de frutas mais tropicais. Ao fundo, leve aroma de panificação, o que certamente é fruto da segunda fermentação em garrafa.

Na boca o vinho tinha um corpo leve, ótima acidez e formava um gostoso colchão de bolhas na boca, mantendo o aspecto espumante do vinho. Retrogosto confirma o nariz e principalmente as notas cítricas num final de média duração.

Um vinho jovem, refrescante e de certo charme que harmonizou bacana com uma feijoada e o tempo frio que se encontrava em sampa, além de deixar o dia das mães mais alegre. Eu recomendo!

Até o próximo!

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Chile: Visita a Vinícola Pérez Cruz

Era próximo das 8h da manhã e eu já estava de pé e tomando café da manhã neste dia que seria bem agitado, afinal havíamos marcado visitas em três vinícolas diferentes, começando pela Pérez Cruz. A manhã estava com bastante neblina e fria, quase nos impossibilitando de ver a cordilheira do quarto do hotel. Nem por isso desanimamos, afinal o dia estava cercado de expectativas. Todo o agendamento fora feito com o auxílio do sommelier da Pérez Cruz, o simpático Pablo, que eu já havia conhecido na ocasião de um evento da vinícola na loja Bacco's (relembrem aqui) e que quis o destino, estivesse aqui no Brasil duas semanas antes da viagem para um outro evento em que minha amiga Roberta estaria presente e a partir dai tudo fluiu com mais facilidade. E assim partimos, chegando nos portões da vinícola pouco mais de um hora depois.


Fomos recebidos pontualmente pela simpática María José, que seria nossa guia pela visita as instalações e posteriormente degustação dos vinhos da vinícola. A Viña Pérez Cruz é considerada uma vinícola boutique por ter uma produção considerada de pequena para médio porte para os padrões chilenos e com uma curiosidade: quase não é conhecida em seu país de origem tendo focado a quase totalidade de sua produção para exportação. Sua história se inicia com a aquisição das terras onde hoje se encontram a vinícola por Don Pablo Pérez Zañartu, um empresário chileno muito conhecido, e posteriormente com a criação da vinícola por sua família após seu falecimento. Segundo a María, Don Pablo nunca chegou a ver o projeto da vinícola funcionando já que esta teria sido fundada em 2002. Ainda segundo nossa guia, dada as condições do clima e de terreno do lugar (alguém lembrou do termo "terroir") a vinícola tem sua produção exclusivamente de vinhos tintos, tendo como grande estrela a casta Cabernet Sauvignon e depois a casta emblemática do Chile, a Carmenére. Podemos dividir seus vinhos em 3 linhas: a de entrada com um Cabernet mais básico, a intermediária com os varietais Limited Edition Malbec (aqui chamado de côt), Carmenére e Syrah além do recém lançado Chaski (Petit Verdot) e a linha top com os blends Liguai e o Quelén.

A vinícola é muito moderna e sustentável, se utilizando das mais recentes técnicas relativas tanto a edificação da vinícola quanto a produção dos vinhos. O prédio da vinícola é feito de madeira e tem o um formato de duas barricas juntas, com os telhados meio que abaulados, o que segundo a própria María facilitam a circulação do ar, fazendo com que a temperatura interna do prédio seja regulada e se mantenha amena com a subida do ar mais quente e menos denso, e mantendo o ar mais refrescado. Grande parte da movimentação do mosto/vinho é feita por gravidade desde o recebimento das uvas num andar mais superior até a fermentação nos tanques de inox e posterior malolática e envelhecimento em carvalho francês e americano. A vinícola está em fase de testes de mais varietais plantadas em seus vinhedos, tais como Grenache e Mouvédre e além disso está finalizando a construção de uma cave subterrânea que será utilizada para o envelhecimento de seus vinhos, desocupando o prédio atual para aumentar sua capacidade produtiva.


Chegamos a hora mais ansiosamente aguardada por todos: a degustação dos vinhos. Fomos direcionados a uma sala misto de cave de envelhecimento e sala de degustações onde já nos aguardavam os vinhos. Aqui degustamos o Cabernet Sauvignon de entrada, muita fruta escura, especiarias, baunilha e leve herbáceo num vinho de corpo médio com uma boa acidez e taninos ainda bem vivos e marcantes (senão me engano o vinho era 2010) e depois um excelente Carmenére Limited Edition muito encorpado, carnudo, notas de frutas vermelhas, pimenta preta com leve mineralidade. Fresco, vivo e com taninos redondos, o vinho realmente chamava atenção. Segunda a María, este último fora eleito o melhor Carmenére do Chile. De qualquer forma, ambos tinham muita qualidade.

Encerrávamos a primeira visita do dia felizes e com a sensação de que o dia seria longo e delicioso!

Até o próximo! 


quinta-feira, 10 de maio de 2012

Como escolher um vinho para cozinhar?!

Esse é pra quem gosta de cozinhar, principalmente utilizando vinho para molhos e reduções. Espero que ajude!

"O melhor conselho que se pode dar é nunca cozinhar com qualquer vinho que você não beberia feliz. Isso inclui vinhos ruins, vinhos estragados ou uma garrafa que tenha sido aberta sabe se Deus quando. Evidentemente que não vamos cozinhar com Brunellos, Chateauneufs e assim por diante nem tão pouco com vinhos de garrafão.

Já no tocante a como um vinho influencia um prato ou como o sabor do vinho é afetado no processo de cozimento, depende da quantidade de vinho que você está adicionando e quanto tempo você o deixará cozinhando. Mas não importa se você está usando apenas um respingo de vinho para deglaze no final de um sauté ou uma garrafa inteira de reduzir um molho por exemplo, cozinhar com vinho normalmente traz duas coisas para um prato. A primeira é que alguns componentes de sabor nos alimentos se dissolvem melhor em álcool do que em água, trazendo riqueza para os sabores. Em segundo lugar, você está adicionando o sabor do vinho em si. Quanto mais você cozinhar com vinho, mais concentrados os sabores se tornarão, até um determinado limite é claro.

Quando o álcool evapora de um vinho durante o processo de cozimento, tudo o que resta são os sabores do vinho, especialmente os sabores de frutas. Aqui a sugestão é focar em vinhos cujo foco seja da fruta ao invés das notas de carvalho e especiarias pelo simples motivo que as notas de carvalho podem vir a se tornar sabores amargos quando cozidas. Normalmente, quando falamos de vinhos tintos, as sugestões vão de jovens Grenache, Syrah ou Zinfandel com frutos vermelhos maduros, já em se tratando de vinhos brancos, nada como  um bom Sauvignon Blanc com abundância de citrinos e sabores de frutas."

E vocês, caros leitores, alguma dica de vinho para ser utilizado quando se trata de cozinhar com o mesmo? Mandem sugestões ou mesmo me contem quais são os vinhos que vocês tipicamente utilizam para este propósito! Estou aguardando!

Até o próximo!!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Oceanus 2009

Como é bom poder descobrir novos vinhos, degustar novos sabores e ter contato com os mais variados tipo de vinhos não? Pois é isso e mais um monte de outras coisas legais que as degustações as cegas que o Beto Duarte, jornalista e blogueiro do Papo de Vinho, tem promovido proporcionam pra mim que sou um iniciante neste mundo tão fascinante que é o da bebida de Baco. E o vinho alvo do post de hoje também apareceu em uma destas degustações.


Vinho de entrada da vinícola portuguesa Fiuza & Bright que já teve outro vinho comentado por este que vos escreve (relembrem aqui), este exemplar é uma associação da casta francesa Cabernet Sauvignon com a portuguesa Touriga Nacional sem proporções divulgadas. O vinho não passa por madeira e tem a intenção de mostrar um carácter único que a expressão da fruta pode apresentar. Sem maiores delongas, vamos ao vinho.

Na taça uma bonita cor rubi violácea de média intensidade, quase não apresentando qualquer transparência. Lágrimas finas, rápidas e coloridas tingiam as paredes da taça denotando toda a jovialidade do vinho. 

No nariz o vinho apresentava aromas de frutas vermelhas em compota e ligeiro floral. Notas especiadas apareciam e sumiam constantemente. Álcool espetando um pouco no início (mais em virtude da temperatura eu creio) mas logo arrefeceu.

Na boca um vinho de corpo leve para médio, acidez bem viva e taninos finos mas marcantes e presentes. Retrogosto essencialmente frutado com um final de curta para média duração.

Um bom vinho para o dia a dia que não fará feio diante de carnes sem muito molho e pratos corriqueiros. Eu gosto do trabalho da Fiuza e acho que vale a pena ser degustado. Este é trazido pela Vinea.

Até o próximo!

terça-feira, 8 de maio de 2012

Chile: Almoçando no Winebar Concha Y Toro

Conforme eu disse no post anterior, depois do Tour Marques da Casa Concha, resolvemos fazer uma parada para o almoço e escolhemos propositalmente o restaurante/winebar da vinícola Concha Y Toro para isto. Ainda portávamos nossas tábuas com as sobras de queijos/pães e torradinhas da degustação final do tour e fomos procurar uma mesa para nos sentarmos. O dia era bonito, apesar de um pouco frio quando batia um vento. Resolvemos nos sentar na parte interna do restaurante pois o sol atrapalhava um pouco a vista. No entanto, caso seja de sua preferencia, existem mesas ao ar livre cobertas com guarda-sóis para se aproveitar também a vista. O restaurante se encontra num lugar que fica entre a saída das caves e a lojinha.

Como ainda tínhamos alguns petisquinhos conosco, resolvemos que não iríamos pedir nenhuma outra entrada. Pedimos então a carta de vinhos e demos uma passada de olhos sobre o menu, enxuto e com opções de carnes, massas e alguma coisa de pescados. Como todos optariam por pratos a base de carne (que irei comentar mais pra frente neste post), passamos então a escolha do vinho. E resolvemos que esta seria uma oportunidade para provarmos um vinho mais top, optando assim pelo EPU 2009. Este é o segundo vinho da Vinícola Almaviva, tanto que seu nome na língua Mapuche (indígenas chilenos) quer dizer dois em alusão a este fato e se beneficia da joint venture da Concha Y Toro com a Baronesa Philippine de Rothschild para criar um vinho nos mesmos padrões dos segundos vinhos dos Château de Bordeaux, se aproveitando da fama do "primo rico". Produzido a partir dos mesmos vinhedos do Almaviva, de Puento Alto e Alto Maipo, o EPU 2009 é um corte de Cabernet Sauvignon e Carménère, com a predominância da primeira, entretanto não encontrei informações precisas quanto a porcentagens, tempo de carvalho, etc. Uma linda cor violácea, intensa e brilhante podia ser observada no decanter e posteriormente nas taças. Aromas de frutas vermelhas e escuras, baunilha e especiarias. Encorpado, carnudo e potente, o vinho tem taninos presentes e firmes, boa acidez e um final marcante e longo, confirmando os aromas. Um belo vinho sem dúvida.


Ah, e quanto a comida vocês devem estar se perguntando. É que eu me empolguei falando do vinho que até me esqueci de qual foi o prato que acompanhou tanto deleite. Não poderia escolher qualquer prato para fazer frente a este vinho, e todos na mesa optaram por escolher um belo cordeiro ensopado com batatas gratinadas de acompanhamento. A carne, forte e levemente gordurosa, foi preparada no ponto e se encontrava tenra e suculenta ao passo que as batatas formavam quase uma "mini-lasanha" juntamente com o queijo e demais ingredientes do gratinado, contrabalanceando a força e dando um toque de requinte ao prato. Tudo delicioso, diga-se de passagem. Era de se comer ajoelhado!


Depois do cafezinho, fechávamos a visita a Concha Y Toro, com a certeza de que a viagem havia começado com chave de ouro! Eu realmente recomendo que façam esta visita com tempo e que ao menos desfrutem um petisco e vinhos no wine bar da vinícola, que ainda conta com tábuas de queijos e frios, tapas e vinhos em taça, além de menus degustação e outros. Se nos balizarmos pelo prato que comemos, fechem os olhos e agucem os sentidos pois não irão se arrepender. Vale o dinheiro e o tempo investido com certeza!

Até o próximo!

domingo, 6 de maio de 2012

Vesztergombi Kékfrankos Barrique 2006

Este é um vinho bem interessante. Já havia provado ele uma vez durante uma degustação direcionada para vinhos húngaros e ele foi um de meus destaques, tanto é que trouxe uma garrafa dele pra casa para fazer a prova depois de um tempo e verificar se realmente eu tinha acertado na escolha. E eu acho que sim!

Este vinho é feito com a uva autóctone Kékfrankos pelo produtor Vesztergombi Pince (um dos mais conceituados do país, pelo que pude apurar) na região de Szekszárd na Hungria. Se entendi direito, passa de 15 a 20 meses em barrica antes de ser engarrafado e liberado ao mercado. Como as poucas informações que tinha sobre o vinho vem do site da vinícola, somente em húngaro, vou deixar somente estas informações por aqui e vamos as impressões.


Na taça o vinho apresentou uma cor rubi com forte tendência ao grená, com lágrimas finas, rápidas e incolores.

No nariz, um vinho fechado de início mas que depois abre aromas vegetais, terrosos e de frutas escuras com ligeira lembrança de tostado. Tudo bem discreto e integrado, sem que um aroma se sobrepusesse aos outros.

Na boca um vinho de corpo leve para médio, acidez um pouco carente (até por que o vinho já era um pouco velho e talvez já estivesse numa curva descendente de vida) e taninos finos porém presentes e marcantes. Retrogosto com frutas escuras e vegetal. Final de curta para média duração.

Um bom vinho, que ajuda a expandir o paladar e a conhecer novas uvas e regiões vinícolas do mundo. Eu recomendo que você experimente, caso encontre uma safra mais nova talvez!

Até o próximo!

sábado, 5 de maio de 2012

Novy Syrah 2009

Continuando com os vinhos do final de semana/feriado prolongado, chegou a vez de um americano, não tão famoso quanto seus irmãos Zinfandel e Cabernet Sauvignon mas que costumam obter alguns bons resultados, dependendo da onde são plantandas por lá. Estou falando de um exemplar da uva Syrah, que juntamente com a Zinfandel tem se tornado as minhas uvas preferidas ultimamente. 

Este vinho é produzido por uma pequena vinícola familiar localizada no Napa Valley, na Califórnia. De origem Checa, esta família nomeou a vinícola como Novy, que em checo quer dizer novo, simbolizando que apesar de virem de um país do velho mundo, produzem vinhos no novo mundo e tentam passar todo seu amor através destes. Aparentemente não possui outras uvas no corte, mas não obtive confirmação nem tão pouco de envelhecimento em carvalho. Um detalhe, que hoje nem é mais curioso, é que o vinho vem com vedação de tampa de rosca. De qualquer forma, vamos as impressões.


Conforme eu havia comentado a luz não estava permitindo uma avaliação mais precisa, mas este vinho apresentava uma cor violácea muito escura, densa, quase negra com lágrimas finas, espassadas, rápidas e bem coloridas.

No nariz o vinho abriu com muita fruta escura, café com leite, notas terrosas e de pimentas. Tudo muito opulento e vibrante, num vinho que mudava constantemente. 

Na boca o vinho mostrou-se muito encorpado com taninos finos e presentes, em muita quantidade. Acidez gostosa e convidativa. Retrogosto confirma frutas e algo de chocolate. Final delicioso de média para longa duração.

Mais um grande vinho, talvez o melhor da noite desta vez, trazido pela SmartBuy Wines, que tem acertado em quase todas as escolhas para quem faz parte do seu clube de vinhos. Eu recomendo!

Até o próximo!

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Chile: Visita a Vinícola Concha Y Toro

Eu sei que a primeira coisa que virá a sua cabeça, caro leitor, é que esta é uma visita mais comercial e turística do que qualquer outra coisa, e eu vou concordar com você. Só que pelo fato de você estar a primeira vez no Chile, visitando vinícolas e num domingo, você não terá muita opção e a visita parecerá algo inevitável. Confesso também que não fui com muita expectativa, esperando algo deveras mecânico e pouco simpático àqueles que buscam algo mais em uma visita direta a fonte produtora do vinho. E devo dizer a vocês que estava um pouco errado. Vale lembrar que é bom reservar sua visita com antecedência, pois a procura é muito grande e você pode ser surpreendido, caso vá direto a vinícola.

Chegar a vinícola saindo de Santiago é muito fácil e em determinado momento o caminho se torna muito bem sinalizado, além do que a região tem ruas e avenidas que remetem a vinícola e a sua família fundadora. Já na entrada da vinícola você apresenta sua reserva e em determinados casos, pode ainda optar pelo tour tradicional ou pelo tour Marques da Casa Concha, que conta com uma degustação dos vinhos desta linha ao final, e seleciona a linguagem a qual quer ouvir o tour: espanhol ou inglês. Optamos então pelo tour Marques da Casa Concha, em inglês e mesmo atrasados em 5 minutinhos, não perdemos muito.










O tour se inicia pelos jardins, bosque e os entornos da residência de verão da família Concha, onde nos é passado um pouco da história dos fundadores e de como se deu o início de uma das maiores companhias vinícolas do mundo. Feito isso passamos aos vinhedos da onde saem os vinhos das linhas de entrada da companhia, os Casillero Del Diablo e de onde temos uma bela vista do Vale do Maipo e da Cordilheira dos Andes, mais ao fundo (segundo a guia temos quase que todas as variedades de uvas plantadas aqui). Como ainda existiam uvas que ainda não haviam sido colhidas, nós visitantes fomos convidados então a escolher o varietal que quiséssemos e a provar as uvas diretamente dos pés. Sonho realizado. De lá fomos guiados então a primeira degustação do dia, um Casilleiro Del Diablo Chardonnay 2011, fresco, jovem, aromas de mel, abacaxi e maçã verde. Muita jovialidade e acidez para um vinho recém liberado ao mercado e que somente 35% do vinho passa por barricas, entre 6 e 8 meses. 



É aqui então que o tour tem seu lado mais "sombrio": fomos levados a conhecer as adegas onde os vinhos são envelhecidos nas barricas de carvalho e a famosa adega do Casillero Del Diablo, onde o próprio capeta vem para nos contar a origem da lenda, que segundo ele, fora criada para afugentar quem quisesse roubar o vinho de Dom Melchor. Passado este momento "assustador" somos guiados para a última degustação do tour comum com um Trio,  blend de 70% Merlot, 15% Carmenere e 15% Cabernet Sauvignon. Um vinho mais complexo, frutas vermelhas e escuras, especiarias mas com uma ponta de álcool sobrando. De qualquer forma, um vinho honesto e bom para sua faixa de mercado já sendo inclusive comentado pelo blog (relembrem aqui).


Finalizando a visita, somos acompanhados por uma sommeliére da empresa para a degustação de alguns varietais da linha Marques da Casa Concha: Chardonnay, Carmenére, Syrah e Cabernet Sauvignon  (embora tenha me esquecido de anotar as safras) acompanhados de queijos, pães e torradas para brincadeiras de harmonização. Todos vinhos muito bons, denotam qualidade superior aos demais e bem característicos. O que mais me agradou no final foi o Syrah, cor de tinta quase preto, encorpado, toques de defumado, carne e frutas escuras com boa acidez e taninos bem domados em contrapartida a sua jovialidade. Mas eu recomendo todos os vinhos provados!


E assim terminávamos nossa primeira visita a uma vinícola em terras chilenas. Mas havia muito mais por vir: fizemos uma parada estratégica para um almoço no restaurante/wine bar da Concha Y Toro, que será alvo de um post mais pra frente aqui no blog.

Até lá!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Herderos Del Marqués de Riscal Reserva 2006

Com a chegada do frio e o feriado que tivemos no começo desta semana, nada melhor do que juntarmos coisas que gostamos de fazer: encontrar amigos e beber um bom vinho. E como não poderia deixar de ser, participei de mais um bela esbórnia enogastronômica neste final de semana e feriado prolongado. Começamos a noite com um velho conhecido de nós consumidores brasileiros, o Marques de Riscal Reserva, aquele mesmo da telinha dourada entrelaçada na garrafa. Só que esta garrafa veio diretamente da Espanha.

O vinho é produzido pela gigante espanhola Marqués de Riscal, cuja história de sua inauguração data de 1858 na região de Rioja, mais ao norte da península Ibérica e se confunde com a própria criação da DO da região, muito tempo depois. Conforme legislação vigente, tem em sua composição maior porcentagem (90%) de uvas Tempranillo de vinhas com mais de 15 anos e o restante (10%) complementados por uvas Graciano e Mazuelo. Por ter em seu rótulo a denominação reserva, passa 24 meses por envelhecimento em barricas de carvalho americano e depois mais 12 meses em garrafa antes de ser liberado para o mercado. Vamos então as impressões.


Na taça uma cor rubi violácea de média intensidade, com ligeiro halo de evolução nas bordas. Lágrimas finas, rápidas e abundantes também se faziam presentes. Confesso também que a luz não era a mais adequada para esta análise, mas caso já tenham degustado o vinho e discordem da minha análise, por favor estejam a vontade para comentar.

No nariz o vinho abriu com aromas de frutos escuros, algo de pimentas e ligeiro tostado ao fundo. Leve lembrança terrosa. Tudo muito discreto e em seu lugar, como os vinhos do velho mundo costumam se mostrar.

Na boca é que o vinho decepcionou um pouco. Corpo de leve para médio, boa acidez e taninos finos, macios e bem redondos. Ao que parece, faltava um pouco de extrato e força no meio da boca. Retrogosto essencialmente frutado, confirma os frutos escuros do nariz. Final de curta duração.

Um vinho correto mas que decepciona um pouco pela aparente fama que possui, criando uma expectativa um pouco maior. De qualquer forma não possui defeitos que fariam com que eu me negasse a prova-lo de novo.

Até o próximo!

7 Erros comuns que podemos cometer ao consumir vinho

Todos sabemos que vez ou outra, ainda mais quado iniciantes, cometemos certos erros quando vamos consumir/servir vinho. E é claro que, sem estes erros, o prazer deste consumo seria muito maior. Ainda mais se levarmos em conta que, normalmente os vinhos em nosso mercado são considerados itens de luxo e tem preço elevado, fazendo com que tenhamos uma necessidade ainda maior de tirarmos maior proveito de cada garrafa que bebemos. Seguem abaixo elencados 7 erros mais comuns que nós consumidores médios cometemos, vez ou outra, em nosso histórico de vinhos consumidos/servidos.

1 - Servir o vinho muito gelado: neste caso, há uma solução simples e rápida que é deixar seu vinho aquecer um pouco, seja na própria garrafa enquanto fica aerando, ou na sua taça. Quando servimos o vinho muito gelado pode torná-lo mais refrescante porém você irá inibir sabores e aromas no vinhos brancos e acentuar a sensação tânica em vinhos tintos, além do mesmo efeito com relação a aromas e sabores;

2 - Servir o vinho muito quente: aqui o problema se acentua pois sabemos que a temperatura elevada nunca é amiga do vinho, e pior, sabemos que exposição prolongada a temperaturas elevadas tende a envelhecer precocemente o vinho, mudando suas cores e aromas, chegando até um limite de literalmente cozinhar seu vinho. As temperaturas mais elevadas auxiliam também na evaporação do álcool e compostos mais voláteis, irritando o nariz e deixando o vinho mais "mole" em boca;

3 - Não deixar o vinho respirar: um pouco controversa, esta afirmação em minha humilde opinião tem bastante de verdade. Imagine que o vinho normalmente é produzido com alguma expectativa de durabilidade, em ambientes com pouco ou nenhum teor de oxigênio. O vinho precisa então de algum respiro, estimulando assim aromas, sabores e suavizando taninos (no caso dos vinhos tintos);

4 - O tipo certo de taça: sim, isso realmente influi na degustação de seu vinho. Evidentemente que não devemos procurar uma taça para cada tipo/variedade de vinhos (ainda mais aqueles que consumimos corriqueiramente), mas existem alguns vinhos específicos que normalmente tem um algo a mais para nos passar, e nestes casos, todo o cuidado com a taça utilizada também acrescenta um prazer maior na degustação;

5 - Deixar ou não um vinho "descansar" após o transporte/viagem: outro ponto controverso mas que, por experiência própria, tem fundamento. É o famoso bottle shock, já tratado por aqui. Por este motivo não irei me estender neste tópico, mas entendo que um descansinho não fará qualquer mal a sua garrafa de vinho;

6 - Harmonizar é preciso: embora soe um pouco snobe, e invariavelmente busquemos vinhos que por si só já nos deem prazer, é inegável que alguns vinhos funcionam muito melhor quando consumidos com um determinado prato de comida em detrimento a outro, e assim por diante. É só lembrar de experiências com peixes e tintos mais tânicos, onde se gera aquela impressão de se mastigar alumínio, por exemplo;

7- Dar uma segunda chance a um vinho que você não gostou de primeira: eu entendo que existem vinhos que realmente são ruins, mas existem alguns fatores que podem ter influenciado sua primeira impressão sobre determinado vinho, como por exemplo rolhas contaminadas, armazenamento incorreto de determinada garrafa, taças sujas, serviço ruim e até seu paladar não estar num bom dia. Por isso a dica é, não culpe o vinho logo em seu primeiro contato com ele, você ainda poderá se surpreender!

Eu sei que existem ainda muitos outros erros que cometemos e por isso convoco vocês, caros e fiéis leitores, a me ajudarem elencando erros que vocês já cometeram ou que já viram acontecer, e que venham a se somar nesta lista e auxiliem outros leitores a que não cometam estes mesmos erros. Está lançado o desafio!

Até o próximo!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Marchese Antinori Chianti Classico Reserva 2006

De vez em quando temos que nos dar ao direito de provar vinhos um pouco mais legais, certo? Este por exemplo foi provado com uma pizza especial da 1900 num sábado desses , em conjunção com um clima frio e agradável, que criou condições típicas para que a harmonização fosse perfeita.

A Marchesi Antinori é uma das gigantes italianas, famosa por seus vinhos IGT Toscanos e entre eles podemos citar o Tignanello, só pra mostrar a força deles. Entre todas estas preciosidades é que nasce o Chianti Classico Riserva, segundo eles somente produzido em anos de colheitas excepcionais e que possui em sua composição 90% de uvas Sangiovese proveninentes de vinhedos espalhados entre Tignanello, Badia a Passignano, and Pèppoli, na comuna de Mercatale Val di Pesa que são complementadas com outros 10% de Cabernet Sauvignon e alguma outras uvas tintas, dependendo de cada colheita, todas plantadas na região de Chianti Clássico. Além disso, os vinhos são fermentados separadamente, completando a fermentação malolática em barricas de segundo e terceiro uso, permanecendo ainda por 14 meses em barricas para envelhecimento. O vinho finaliza sua vida na adega em mais 12 meses de envelhecimento em garrafa antes de ser liberado ao mercado. Vamos as impressões.


Na taça uma bonita cor rubi de média intensidade, brilhante e com lágrimas finas, rápidas e quase sem cor. 

No nariz é um vinho muito frutado, remetendo a cerejas e morangos, além de exibir notas de café com leite e algo levemente herbáceo ao fundo. Tudo muito elegante e integrado entre si.

Na boca um vinho encorpado, de boa acidez e com taninos macios, suaves e bem redondos. Confirma o frutado e o café do nariz num final de longa duração.

Sem dúvida um excelente vinho, que vale o quanto custa e que com certeza degustaria mais vezes.


Até o próximo!

terça-feira, 1 de maio de 2012

Restaurante El Giratorio & Santa Rita Medalla Real Sauvignon Blanc 2010

Começamos nossa curta visita por Santiago na hora do almoço, e nada melhor do que começar já com o pé direito. E o restaurante escolhido foi o El Giratorio, situado no charmoso e elegante bairro de Providencia (lá chamado de comuna). O bairro e seus arredores é composto por uma população e moradias de classe média alta e é muito arborizado e num estilo europeu não tão clássico, me remetendo imediatamente a Londres. 

A principal curiosidade do restaurante El Giratorio é que o mesmo está situado no topo de um edifício, 18o andar, muito bem localizado numa área central do bairro e com vista privilegiada da cidade e da Cordilheira dos Andes e como seu próprio nome já diz, tem um piso central que faz com que as mesas girem em torno do eixo do prédio e você tenha uma vista em 180o de quase toda a cidade de Santiago. Seu menu é baseado na cozinha mais internacional mas com ênfase nos pescados e frutos do mar obtidos ao longo da costa pacífica do país. Assim sendo, eu não poderia optar por outro prato que não um dos mais famosos do Chile: a Centolla! 

Ali no topo deste edifício se encontra o El Giratorio

Uma pequena vista de dentro do restaurante.


Mas o que vem a ser uma centolla? Também conhecido como caranguejo rei (king crab), este crustáceo é valorizadíssimo na culinária internacional e pode custar pequenas fortunas dependendo do lugar em que você possa provar a iguaria. São seres normalmente imensos e habitam as profundezas do oceano, talvez dai uma das dificuldades de se obter tais crustáceos e fazer com que se torne uma iguaria de preços normalmente elevados.

Voltando ao almoço, meu prato era composto de centolla ao molho thermidor, uma deliciosa combinação da carne tenra e saborosa da centolla (que se assemelha a carne da lagosta, mas um pouco mais forte e saborosa) com o molho branco e os queijos que ajudam a gratinar o prato e o conhaque que dá um toque ligeiramente quente ao prato. Divino. Meus amigos ainda escolheram um prato de camarões com queijo de cabra e arroz perla. Segundo a opinião de todos, os pratos estavam espetaculares, bem servidos e bem preparados. Ai a questão era, qual o vinho a escolher. Passado os olhos pela carta, decidimos tomar algo fresco para acompanhar os pratos e aplacar um pouco o calor. E o escolhido foi o Santa Rita Medalla Real Sauvignon Blanc 2010, vinho conhecido de todos nós aqui e que possui uma boa qualidade em relação a seu custo, principalmente em terras chilenas. 


O vinho tinha uma cor amarelo palha bem clara, bom corpo e uma bela acidez, que deixava a boca salivando para o próximo gole ao mesmo tempo que ajudava a limpar as papilas para a próxima garfada do prato. Além disso, aromas típicos de maracujá, cítricos, grama recém cortada e algo de mineral ao final. Retrogosto confirma o nariz e o final é de média duração. Um belo vinho.

E assim começávamos com chave de ouro nosso primeiro dia no Chile. Mas muita coisa ainda estaria por vir!

Até o próximo!