quinta-feira, 28 de junho de 2012

Crios Syrah/Bonarda 2008 by Susana Balbo

Ontem, a noite foi de muita tensão pra mim, que sou Corinthiano, como muitos aqui já devem saber. Se não sabiam, sim, esta pode ser uma de minhas grandes virtudes ou um de meus maiores defeitos. Cada um interprete como quiser. De qualquer maneira, voltando ao assunto principal, com o intuito de diminuir a tensão e aliviar o stress, escolhi um vinho (argentino) para me acompanhar no sofrimento. 


Não vou me prolongar muito sobre a vinícola (Dominio Del Plata) ou sobre a enóloga Susana Balbo, pois é chover no molhado. Inclusive, já comentei outro vinho desta linha por aqui (relembrem: Susana Baldo Crios Torrontés). Além disso, também falei um pouco sobre outros vinhos da vinícola, o Nuscaa Cabernet/Malbec e o Ben Marco Cabernet. Vou direto ao assunto, então.

O vinho apresentou uma cor rubi violácea de grande intensidade, quase intransponível, com lágrimas finas, espaçadas, mas que ajudavam a tingir as paredes da taça.

No nariz, o vinho apresentou aromas de frutas escuras, muita pimenta, toques de chocolate e tostado. Com tempo em taça, também senti um pouco de chá preto. Nada muito fragrante, mas os aromas estavam em constante mudança, cada hora podia-se sentir um de maneira bem clara.

Na boca, o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos finos, porém marcados e de boa qualidade. Retrogosto lembrando pimenta e chocolate. Final de curta duração.

Mais um vinho honesto desta grande enóloga, que se encontra na faixa dos R$ 40,00 e pode ser considerado um vinho para o dia a dia. Este foi comprado no supermercado Extra. Valeu a compra.

Até o próximo!

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Encontro de Vinhos Campinas: alguns destaques pessoais Parte II

Continuando com os destaques da feira, chegamos à importadora Península, que só trabalha com vinhos espanhóis. Aliás, a curiosidade é que os donos desta importadora são a atriz Pepita Rodrigues e seu marido, e ambos estavam presentes na feira. Mas, voltando aos vinhos, três foram os destaques que achei interessante compartilhar com vocês: a cava Juvé y Camps Cinta Purpura Reserva 2008, com aromas cítricos e de nozes, um belo colchão de bolhas na boca e uma acidez que te deixa com água na boca a cada gole; o elegante Abadia Retuerta Selección Especial 2006, vinho tinto blend da Tempranillo com Merlot e Cabernet, que passa por 18 meses de barrica e tem aromas muito ricos de frutas vermelhas, mentolado e muita especiaria, dando um show de classe na boca com todos elementos muito integrados; e, para finalizar, o Pago de Carraovejas Crianza 2006, mais opulento, carnudo e com frutas maduras, chocolate e especiarias, num final longo e delicioso. Aliás, se depender de achar algo ruim nesta importadora, você poderá perder tempo.



A velha conhecida Cave Jado trouxe algumas surpresas diretamente de Bordeaux: primeiro, uma dupla do Château Lamothe de Haux, um branco 2010 de corte tradicional e muito frutado, com aromas de plástico (empireumáticos), toques florais de bom corpo e acidez deliciosa, da apelação geral Bordeaux, e um tinto 2008 da apelação Premiéres Côtes de Bordeaux, de corpo médio e taninos marcantes, frutas em balanço com toques de especiarias e terrosos que ficam um tempo em nosso paladar de maneira encantadora. Por fim, outro tinto do Château Queyret-Pouillac, da apelação Bordeaux Supérieur, uma reserva particular com intensos aromas de frutas vermelhas e toques de baunilha, elegantes e sedutores. E o melhor de tudo é que estes vinhos orbitam na faixa de preços de até 90 reais, sem dúvida um excelente custo-benefício.


Mudando um pouco de ares, chegamos à vez da importadora MS Import, que tem em seu portfólio diversos produtores de países diferentes. Mas irei me focar em apenas 2 deles, diretamente da Itália: primeiro, um belo representante da Toscana, o Le Potazzine Gorelli Brunello di Montalcino 2005, potente, encorpado, com muita fruta madura no olfato e uma acidez suculenta no palato. Depois, o Barolo Vignarionda 2007 do produtor Pira Luigi, uma ode ao rei dos vinhos, com uma cor já puxando para o acastanhado, aqueles aromas de frutos secos e flores inundando o olfato, mas sem descuidar daqueles taninos ainda um pouco jovens, mas maravilhosamente em harmonia com os outros elementos do vinho. Além disso, tiveram também o 2º colocado no Top 5, o portuga  Lima Mayer, feito de um corte de uvas portuguesas e internacionais, encorpado e sedoso ao mesmo tempo, cativando desde o primeiro gole. Opa, acho que acabei comentando 3 vinhos deles, mas vocês me desculpam o equívoco, não é mesmo?



E, para fechar o giro pelas importadoras, esta, até então desconhecida pra mim, trouxe gratas surpresas hermanas. Estou falando da La Cristianini, que tem em seu portfólio vinhos argentinos e portugueses pouco conhecidos por aqui. E eles chegaram bem e com dois destaques: o primeiro, o Gradum Carmenére Reserva 2008, mais maduro que muitos exemplares chilenos e sem aqueles aromas herbáceos enjoativos, com muita fruta e chocolate e uma bela potência. E o grande astro deles, o argentino Invasor Gran Reserva 2009, feito de um corte de Malbec (típica uva argentina) e uma desconhecida até então, a Aspirant Bouchet, que, por ser de difícil cultivo e pouco rendimento, não tem sido muito explorada, mas traz um vinho opulento, saboroso, com aqueles toques florais e frutados da Malbec misturados ao mentolado e especiado da Aspirant e do terroir, criando um conjunto muito bacana. Não é à toa que o vinho apareceu no Top 5 logo de cara, com o 4º lugar.




Finalizando o post, queria só falar rapidamente sobre o Top 5. Na minha opinião, o vinho vencedor, o Casa Valduga Gran Raízes 2009, não é o vinho que deveria ostentar o primeiro lugar, apesar de ser um vinho bem feito e sem defeitos aparentes. Entretanto, respeito e nunca irei desprezar a sabedoria das degustações às cegas, muito menos dos jurados que lá estavam. Mas, a meu ver, e tendo em vista que degustei todos os vinhos de maneira aberta e, alguns deles, depois de saber o resultado da eleição, a ordem seria:

1 - Undurraga T.H. Carignan 2009
2 - Lima Mayer 2007
3 - Invasor Gran Reserva 2009
4 - Vega Saúco Tó 2004
5 - Casa Valduga Gran Raízes 2009



Espero que tenham tido a oportunidade de visitar a feira e, caso contrário, que possam se utilizar de uma ou outra dica por aqui postada. Estou ansioso para o próximo evento. Espero encontrá-los por lá!



Até o próximo! 

terça-feira, 26 de junho de 2012

Encontro de Vinhos Campinas: alguns destaques pessoais Parte I

Conforme eu havia comentado em um de meus posts anteriores, neste último sábado estive visitando um dos eventos que considero um dos mais bacanas no mundo dos vinhos que acontecem pelos lados do Estado de São Paulo, o Encontro de Vinhos. Desta vez, a edição aconteceu na cidade de Campinas e, mesmo com a distância em relação a Sampa e em virtude de não ter conseguido participar da última edição na capital, resolvi que deveria participar. E não me arrependi. Agora, nas próximas linhas, vou falar de alguns destaques que encontrei por lá e comentar um pouco a minha percepção do Top 5.

O primeiro destaque vai para os vinhos da Áustria, que estiveram presentes através da importadora "The Special Wineries". Unindo o clássico com o local, vinhos feitos com a uva branca autóctone Gruner Veltiner ou com a tinta autóctone Blaufränkisch foram os astros, em contrapartida aos já conhecidos Gelber Muskateller (Moscato Amarela) e Pinot Noir de produtores austríacos. Vinhos mais frescos, de boa acidez e que lembravam bem vinhos para o nosso verão de temperaturas mais altas. Vale conhecer.

Agora, o próximo destaque vem da importadora Vinho Sul que, dentre seu extenso portfólio, trouxe um vinho que me chamou a atenção, sendo um de meus primeiros achados na feira: o Château Les Hautes Tuileries 2007, um belo Bordeaux da região de Lalande de Pomerol, carnudo, evoluído, com notas de estábulo, frutas vermelhas opulentas e uma bela acidez aliada a taninos macios e redondos. Está em uma faixa intermediária de preço, por volta de R$ 130,00 e vale o quanto custa.



Passando agora a uma importadora com a qual eu já tive bastante contato e que sempre trouxe excelente vinhos desde suas linhas de entrada, a abflug (nome com letras minúsculas mas vinhos maiúsculos) resolveu apostar e reposicionar toda a linha da vinícola chilena Undurraga, tendo como meus destaques pessoais a linha "Terroir Hunter". No lado dos vinhos tintos, o rei foi o T.H. Carignan, um varietal pouco conhecido e utilizado para vinhos 100% feitos com esta uva. Este vinho surpreende desde os aromas de frutas, especiarias, toques terrosos e de madeira bem integrados e fragrantes até seu corpanzil e final delicioso e duradouro que, inclusive, figurou na 3ª posição do Top 5 da feira. Já no tocante aos vinhos brancos, apesar de ter provado dois excelentes vinhos, fico com o T.H. Riesling do vinhedo Lo Abarca, com aqueles aromas petroláceos e empireumáticos característicos (embora controversos no mundo dos vinhos) e algo de citricidade enchendo a boca de mineralidade. Vale a menção honrosa também ao espumante Brut da Undurraga, que impressiona pela qualidade, maciez e por deixar a vontade de beber mais e mais. Meu amigo Marcelo, sócio da importadora, é um apaixonado e nunca brinca em serviço!



Para que este post não fique grande demais e maçante para a leitura, vou incluir um último destaque e deixar o resto para o próximo post. Agora, a importadora Ravin, que apesar de ter trazido seus velhos conhecidos, ainda não havia sido comentada nenhuma linha sobre eles por mim aqui. O primeiro é o Monstessu IGT, um italiano da região da Sardenha que é um baita vinho, blend de uvas tintas internacionais e que é um caldo frutado, encorpado, carnudo e com final delicioso. O segundo, outro figurante do Top 5 (5ª posição), é o Vega Saúco Tó, um tinto da uva Tempranillo da região de Toro muito frutado, especiado e com finos toque de baunilha e tostado em um final cativante, um dos irmãos mais velhos de uma família que vale ser conhecida.



E fico por aqui hoje. Volto amanhã com mais alguns vinhos que encontrei por lá e que eu gostaria de comentar e recomendar!

Até o próximo!

segunda-feira, 25 de junho de 2012

1o Granja Viana Wine Fest

Prezados leitores(as), vocês sabem que eu não costumo fazer aqui propaganda de eventos os quais eu ainda não confirmei a qualidade nem trazer press releases copiados, mas desta vez estou abrindo uma exceção pois conhecendo  quem está por trás do evento, mesmo que pouco, posso garantir que será sucesso absoluto. O João Clemente é dono da loja Vino & Sapore lá na Granja Viana, além de ser profundo conhecedor do assunto, blogueiro e uma pessoa muito bacana que o mundo do vinho me fez o favor de apresentar. E ele está montando um grande evento na loja dele para nós enófilos e eu fiz questão de ajudá-lo na divulgação. Segue o release:


Olá, hoje tomamos seu tempo para o convidar a participar de um evento único Granja Viana para os amantes do vinho e seus prazeres. Um Festival de Vinhos e Produtos Gourmet na Vino & Sapore, a ser realizado numa área coberta de 100m² adjacente à loja na charmosa Estação do Sino, Rua José Felix de Oliveira 866, no bucólico centrinho da Granja Viana no km24 da Rodovia Raposo Tavares, com suas lojas (presentes, moda feminina e infantil) cervejaria e restaurantes. Como acreditamos em diversidade, teremos mais de 60 vinhos em prova, 15 expositores, mesas de degustação de frutos do mar defumados direto de Santa Catarina (Marithimus), Strudels salgados e doces, mesa de antepastos artesanais, , chás especiais da IntiZen, etc.. Um evento imperdível para os amantes do vinho, seus sabores e seus mistérios, já que teremos á prova vinhos da África dos Sul, Austrália, Líbano, Uruguai, França, Espanha, Argentina, Portugal, Estados Unidos, Alemanha, Itália e Chile. Já ouviu falar das uvas Saint Macaire e Albarossa? E um blend de Tannat com Pinot Noir, já tomou? Vinhos do Líbano, você sabia que por lá também se fazem bons vinhos? Faça uma viagem sensorial por novos e diversos sabores, tente harmonizar alguns desses vinhos com alguns dos "petiscos" também disponíveis para degustação, você poderá ter agradáveis surpresas no processo e descobrir que existem coisas bem mais interessantes neste mundo de Baco que vão bem além da maioria das obviedades disponíveis no mercado.


Afora na Vino & Sapore, você também poderá comprar seus convites, que lhe dão acesso a toda os produtos em prova em São Paulo; no Morumbi (Shopping Open Center, Av. Dr. Guilherme D. Vilares 1210 Loja Claudete Gil das 9 às 20 horas exceto Sábado quando abre ás 10:00) e av. Paulista (Café do Ponto: Shopping Center 3 - av Paulista 2064 piso Augusta – 3262-1551); em Embu (Café do Ponto: av Domingos de Pascoal, 35 centro -4704-0132) e em São Roque (Bella Quinta Vinhos Estrada do Vinho Nº 9611 Kn 9,9 Canguéra, São Roque - tel. (11) 4711-1903) opcionalmente ligue-nos (011 - 4612.6343 ou 1433) ou envie-nos um e-mail para comercial@vinoesapore.com.br que daremos um jeitinho de fazer o convite chegar até você lembrando que pelo custo de investimento você ainda receberá um crédito na compra de qualquer dos vinhos provados! Melhor que isso, só dois disso, concorda? rs Aguardamos você e não demore para garantir a compra de seu convite, pois as vagas são limitadas! Para embalar tudo isso um Jazz Trio ao vivo. Enfim, um evento que não dá para perder e não esqueça de convidar os amigos e colegas que, como você, também curtem um bom vinho. Para maiores detalhes do evento, inclusive com a lista de expositores e rótulos em prova, visite nosso site > www.vinoesapore.com.br.


Lendo o press release, já deu água na boca não? Bem eu já reservei a data e estarei lá com certeza. E você, vai perder mais esse grande evento?

Até o próximo!

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Dunamis Cor Cabernet/Merlot 2011

Mais uma grata surpresa nacional que pude conhecer graças as degustações as cegas promovidas pelo Beto  Duarte. Este exemplar também vem lá da Campanha Gaúcha, mais precisamente do distrito de Dom Pedrito, no Rio Grade do Sul. 

A Dunamis é uma vinícola relativamente nova, fundada em 2001, sendo umas das pioneiras da região. Desde então tem aplicado tecnologias modernas e sustentáveis no desenvolvimento de vinhos principalmente jovens e frescos, para consumo rápido. Este vinho é composto por um corte de 50% de Merlot, 40% de Cabernet Franc e 10% de Cabernet Sauvignon. Não tive a confirmação mas me parece que passa 3 meses em barricas para afinamento. Vamos as impressões.


Na taça uma bonita cor rubi violácea de média intensidade, certo brilho e com muitas lágrimas finas, rápidas e com bastante cor.

No nariz um vinho essencialmente frutado, com frutas vermelhas bem maduras (lembrando frutas bem docinhas) e toques de flores e baunilha ao fundo. Bastante perfumado.

Na boca um vinho de corpo leve/médio com uma agradável acidez, taninos finos e redondos e com um retrogosto essencialmente frutado. Final de média duração. 

Pelo que pesquisei na internet, não é um vinho caro e pode perfeitamente ser um daqueles pra ser ter em casa e servir em qualquer ocasião, num papo animado, pra uma pizza e por ai vai. Despretensioso sabe? Mas vale o quanto custa. Sem defeitos e bem feitinho, eu recomendo.

Até o próximo!

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Casa Valduga Premium Raízes Sauvignon Blanc 2012

Mais uma daquelas noites em que participo das degustações para o Guia Brasil de vinhos degustados às cegas, que está sendo preparado e escrito pelo jornalista Beto Duarte do Blog Papo de Vinho. E destas degustações sempre saem algumas gratas surpresas e vinhos que eu não conhecia mas que realmente são interessantes. Este é o caso do vinho de hoje. A parte com quaisquer discussões sobre as malfadadas salvaguardas aos vinhos nacionais, tenho ficado bem contente em perceber o quanto temos evoluído em questão de qualidade e diversidade dos vinhos nacionais. E acho que ainda podemos chegar mais longe. Mas isso vai ser assunto pra outro dia.


A linha raízes da gigante nacional Casa Valduga tem como foco os vinhedos que se encontram na Campanha gaúcha, gerando vinhos de qualidade neste que tem sido um dos mais celebrados terroir em terras brasilis. O vinho é feito com uvas 100% Sauvignon Blanc vindos de vinhedos próprios desta região fronteiriça com outros países do cone sul e que tem se mostrado extremamente interessante para o cultivo de vinhas e a produção qualitativa de vinhos. Sem maiores delongas, vamos ao que interessa.

O vinho apresentou uma coloração amarelo palha límpida, brilhante com ligeiros traços esverdeados. 

No nariz aromas de frutas como pêssego e maracujá e leve toque de grama cortada. Muito perfumado.

Na boca o vinho tinha corpo leve, deliciosa acidez e um retrogosto que trazia muita fruta, confirmando o nariz, e toques minerais, lembrando maresia. Final de médio para longo.

Um grande vinho nacional, sem defeitos e extremamente agradável. Embora combine mais com dias de calor e comidas leves, pode ser tomado a qualquer tempo. Não sei de valores nem de locais de venda pois tive o primeiro contato com o mesmo na degustação, porém eu recomendo!

Até o próximo!

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Confraria Pane, Vinum et Caseus: Uma tarde italiana

Domingo passado foi dia para mais um encontro da confraria, que se utilizando das dependências do prédio do confrade Luiz, criou mais um dia daqueles em que nada mais importa, apenas o prazer e a companhia de pessoas agradáveis. O tema deste encontro foi Itália, tanto na comida como nos vinhos, e a organização e preparação dos quitutes a cargo do Luiz. E ele se superou!


Fomos recebidos no salão do prédio com uma entrada composta de pão italiano fatiado e uma bela caponata composta de berinjela, azeitonas bem graúdas, uvas passas e muito azeite. Estávamos começando bem, eu diria. O confrade John, como bom americano nos apresentou um belo exemplar de seu país, e discutimos um pouco sobre o mesmo. Como o assunto era Itália, talvez eu fale sobre este em outro post.

A medida que o tempo passava, mais e mais confrades chegavam. E a confraria começou a disponibilizar então os vinhos da tarde. O primeiro deles é um IGT Toscano, o Dogajolo 2009, chamado também de um baby super toscano pelo próprio produtor (Carpineto), um vinho feito com até 70% de Sangiovese e um mix de Cabernet Sauvignon e outras uvas tintas de até 30% (esta proporção pode variar de safra para safra) sendo que os vinhos são vinificados separadamente e depois feito o blend e envelhecidos em carvalho já na proporção final. Um vinho de corpo médio, acidez na medida, taninos finos e pouco presentes, extremamente frutado com toques de baunilha e especiarias. Agrada embora simples, mas nada mais do que isso.

Era chegada a hora do prato principal, e olha, não estávamos pra brincadeira. O confrade Luiz havia preparado um belo fuzili ao molho de calabresa especial! A massa se encontrava al dente e o molho com aquela picância característica da calabresa criando um casamento muito interessante. Para este prato a confraria apresentara dois vinhos, e sem maiores delongas, vamos a eles. O primeiro era um Dolceto D'Alba Arsigà 2008 da Batasiolo, um gigante player italiano. Este vinho é feito com uvas 100% Dolceto de 4 vinhedos na região de Alba e de Arsigà, criando um vinho único. Termina a fermentação em carvalho e passa por 4 a 5 meses em garrafa antes de ser comercializado. Mais encorpado do que comumente os Dolcetos os são, este vinho possuía aromas de frutos escuros com toques de baunilha,com taninos finos e domados mas com uma acidez deliciosamente refrescante, fazendo um casamento perfeito com o prato principal; o segundo vinho era um Barbaresco Batasiolo, o famoso vinho primo dos Barolos lá do Piemonte. Este vinho feito de uvas Nebbiolo, é envelhecido por um ano em carvalho antes de passar um ano em garrafa para ser então liberado para o mercado. Um vinho já com traços evoluídos, aromas de frutos secos com alguma coisa floral. Bom corpo, acidez e taninos presentes em quantidade perfeita, enfim, um belo vinho. Infelizmente porém, não foi o mais feliz com a comida apresentada.

Chegávamos então na hora da sobremesa e a esposa do nosso confrade, a Débora não queria deixar por menos e caprichou no doce: camada de pão de ló, frutas cristalizadas e uma camada de chocolate amargo por cima para dar o toque final. E assim terminávamos mais um encontro de forma deliciosa aguardando com ansiedade a próxima reunião.

Até o próximo!

sábado, 16 de junho de 2012

Miolo Cuvée Giuseppe 2009

Eu pensei muito sobre se deveria ou não escrever sobre este vinho, em meio a uma avalanche que atendem pelo nome de salvaguardas aos vinhos brasileiros. Mas, em respeito a meus leitores, que tem se mostrado fiéis e tem me dado cada vez mais força pra continuar com este trabalho, resolvi que deveria comentar sobre o vinho. Entretanto, prometo que não irei me alongar sobre a vinícola ou sobre amenidades.


Este vinho é feita pela gigante Miolo Wine Group, com uva cultivadas no Vale dos Vinhedos no Sul do país. Não tem divulgado quais as proporções de cada uma das uvas constituintes do corte (Merlot e Cabernet Sauvignon) sendo que cada vinho é envelhecido separadamente por aproximadamente doze meses em carvalho antes de ocorrer o blend. Sem mais delongas, vamos as impressões.

Na taça o vinho mostrou uma cor rubi violácea de grande intensidade com lágrimas finas, abundantes, rápidas e até que bem coloridas, ajudando a tingir as paredes da taça.

No nariz o vinho abriu com aromas de frutas vermelhas, alguma coisa de especiarias, floral e tostado. Aromas pouco expressivos, melhorando um pouco com o tempo.

Na boca corpo de leve para médio, acidez baixa e taninos bem finos e quase inexistentes. Retrogosto essencialmente frutado num final de curta duração.

Sinceramente um vinho que até certo ponto me decepcionou, principalmente na boca. A falta de acidez me faz imaginar se mesmo tão jovem o quanto este vinho aguentaria em garrafa. Foi comprado num mercado perto de casa numa promoção de final de ano por R$ 41,00 e até por esse valor, não sei se repetiria a compra. Não acrescentou muito.

Até o próximo.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Encontro de Vinhos: próxima parada Campinas

É isso mesmo caros leitores, o evento mais interessante no circuito enofílico brasileiro (sim, brasileiro por que o evento já passou por Rio de Janeiro, cidades no estado de São Paulo e assim por diante), tem uma nova edição em um local até aqui inédito para o evento: a cidade de Campinas, no interior do estado de São Paulo. No dia 23 de junho próximo poderemos nos reunir com produtores, importadores, enófilos, jornalistas, blogueiros e afins para celebrarmos, discutirmos e provarmos (ora essa, a parte mais aguardada por muitos) diversos vinhos de várias regiões do planeta e dos mais variados tipos existentes.


O evento se dará no Casarão Campinas, um local amplo, aconchegante e sinônimo de requinte e qualidade no tocante a eventos na cidade, e por que não, na própria região. Entre os expositores podemos destacar alguns tais como: Ravin, Cantu, Casa Valduga, Miolo Wine Group, MS Import, La Cave Jado, abflug, Wine Lovers e muitos outros.

Este ano uma das novidades do evento serão as degustações especiais, dirigidas por famosos sommeliers internacionais, com temas variados. Já estão fechadas duas degustações temáticas até agora: Volta a Portugal numa Taça e Ícones da Viticultura Italiana. 

Sou suspeito para falar pois os eventos promovidos pelo Daniel Perches (www.vinhosdecorte.com.br) e pelo Beto Duarte (http://papodevinho.blogspot.com) são sempre sucesso absoluto e de uma qualidade incomparável. Portanto eu aconselho a você, que curte um bom vinho, a não perder a oportunidade. Eu sei que se conselho fosse bom a gente não dava, vendia, mas esse realmente é um conselho de amigo.

Para maiores detalhes referentes a preços, locais de venda, horários e afins, eu sugiro que vocês acessem o site do evento (www.encontrodevinhos.com.br) e entrem em contato direto com os organizadores. Eu já reservei a data e preparei a viagem. O que você está esperando?

Até o próximo!

quinta-feira, 14 de junho de 2012

O que fazer quando te pedem uma indicação de vinho "docinho"?

Normalmente pessoas que estão começando ou pretendem entrar no mundo dos vinhos vêem até nós, que temos uma "litragem" ligeiramente maior que a deles, e na maioria dos casos já chegam pedindo uma indicação de vinho tinto que tenha o paladar doce, com normalmente os vinhos de garrafão o são. E ai, o que fazer? Tenho certeza que muito de meus amigos bloggers, especialistas, enófilos mais experimentos e outros já se depararam com esta situação. Eu particularmente já e apesar de já ter discutido um pouco isto com outros amigos, resolvi postar aqui no blog e expandir a discussão a vocês, meu caros leitores, pois li o mesmo questionamento em um site americano e além de me utilizar de certas explicações de lá, vou colocar minhas próprias opiniões.

A principal reclamação dos que se iniciam no mundo dos vinhos, em especial os tintos, é o possível "sabor" que os taninos conferem. Evidentemente é preciso primeiro esclarecer que mais que sabor os taninos, aqueles compostos químicos presentes na pele e nas sementes das uvas principalmente (nas barricas de carvalho que normalmente são usadas para envelhecimento dos vinhos também), transmitem a sensação de secura quando você começa a beber vinhos tintos.

Em contra partida as sensações "desagradáveis" que os taninos possam causar, a idéia aqui é buscar vinhos mais suaves, taninos mais aveludados como por exemplo vinhos feitos com Pinot Noir, Merlot e em certas escalas, por que não, Grenache. Obviamente que toda generalização é burra, mas temos que partir de algum preceito, e eu entendo que este seja um deles.

Outra coisa que precisamos deixar claro é que por vinhos doces normalmente se compreendem vinhos que possuem açúcar residual ao passo que vinhos secos, não. Isto parece bastante óbvio mas existem outras maneiras de se obter a sensação de doçura em um vinho: o paladar de frutas maduras, grau alcoólico, etc. E normalmente estas sensações são as que devemos buscar quando uma pessoa procura um vinho dito "doce" ao invés de buscarmos vinhos mais complexos e mais envelhecidos, onde sensações de tabaco, pimentas, ervas e terrosos que podem ser confundidas com amargor. Generalizando de uma forma até meio "burra" poderíamos dizer para buscar vinhos do novo mundo, onde normalmente temos teores alcoólicos mais elevados, maior extração e frutas maduras.

E se nada disso funcionar, é claro que podemos passar a vinhos como Rieslings e Moscatos, que possuem algum açúcar residual, espumantes (exceção feitas aos extra brut e brut) e alguns vinhos de sobremesa. Mas e vocês, prezados leitores, que dicas dariam a amigos que viessem com tal pergunta? Esta aberta a discussão.

Até o próximo!

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Le Bérne Ada Vin Santo de Montepulciano 2003

O blog como você já devem ter notado não tem muitos posts sobre vinhos de sobremesa em virtude deste que vos fala não degustar com tanta frequência os mesmos, seja por falta de oportunidade ou por outro motivo qualquer, e por isso já peço desculpas antecipadamente se falar alguma besteira sobre o vinho de hoje. Faz parte de mais uma experiência quase inenarrável do final de semana que passou.

O vinho santo é um vinho de sobremesa tradicional italiano, principalmente da região da Toscana, normalmente feito com uvas passas (Trebbiano ou Malvasia), secas sob esteiras de palha ao ar livre ou penduradas em racks para secagem em ambientes internos.  No caso do vinho de hoje, o mesmo é feito com um blend de uvas Malvasia Bianca e Pulcinculo , sem maiores informações a este respeito. Estes vinhos também passam por envelhecimento em barricas de carvalho, normalmente por 3 anos (mínimo) sendo que muitos produtores podem deixar o vinho por até 10 anos envelhecendo. Embora seja considerado um vinho de sobremesa, assim como os famosos Jerez espanhóis, o vinho santo pode orbitar entre vinhos quase sem doçura residual a vinhos extremamente doces. Bom, acho que falei muito já né? Vamos as impressões.



Na taça o vinho apresentou uma bonita cor âmbar com reflexos dourados, lágrimas grossas, lentas e incolores se esparramando pelas paredes da taça.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas secas (figos em sua maioria e uvas passas), amêndoas, nozes e toques de mel.

Na boca o vinho era gordo, untuoso, preenchia cada espacinho da boca, quase sendo possível morde-lo ao passo que apresentava uma gostosa e agradável acidez para balancear a doçura que o vinho passava. Tinha um retrogosto delicioso de frutas secas e amêndoas e ficava na boca por um longo tempo até que fosse embora.

Mais outra grande oportunidade de provar um vinho incrível, saboroso e que com certeza deixará uma marca em minha vida. Eu recomendo!

Até o próximo!

terça-feira, 12 de junho de 2012

Avignonesi Desiderio 2006

Com o frio de São Paulo no último feriado, nada de melhor do que aquela velha combinação já manjada aqui do blog: vinho x boa comida x boas companhias. E esta relação se torna cada vez mais interessante quando o vinho apresentado é diferenciado, vindo diretamente da vinícola produtora e por ai vai.

Primeiro falemos um pouco da vinícola que produz tal vinho, a Avignonesi. A mesma se encontra na região de Montepulciano, na Toscana, e tem uma tradição familiar apesar de recentemente ter mudado de mãos. A partir dai, o emprego de técnicas de cultivo orgânico tem sido empregadas de maneira a buscar a expressão mais pura do terroir onde as vinhas estão plantadas.


O vinho propriamente em questão tem duas curiosidades: primeiramente vem de uma DOC pouco conhecida para nós, Cortona, uma pequena cidade Toscana, situada em uma colina verdejante com plantação de oliverias, vinhas e outras plantas ciprestes ao redor, criando uma paisagem singular e apaixonante; em segundo lugar o nome dado ao vinho, Desiderio, nome este dado ao vinho em homenagem a um touro multipremiado da região. Em seu corte, 85% é de uvas Merlot e 15% de uvas Cabernet Sauvignon colhidas de vinhas com idades entra 10 e 20 anos. Após o processo de fermentação, o vinho passa 24 meses em barricas francesas de primeiro e segundo uso. São produzidas em média 28 mil garrafas do vinho. Vamos as impressões.

Na taça, e apesar da idade, o vinho apresentou uma cor rubi violácea bastante forte e quase impenetrável, com lágrimas que tingiam todas as paredes da taça quase que num conjunto único. Ligeiro halo aquoso.

No nariz o vinho se mostrou fechado no início, mas quando foi vertido no decanter e passou lá um tempo se mostrou muito perfumado, com aromas de flores e frutas escuras. Depois de algum tempo um aroma meio "medicinal" podia ser sentido, lembrando vicky (eu supus que era algo mentolado, como aqueles aromas de sauna) num fundo de especiarias. 

Na boca o vinho apresentou um corpo de médio para encorpado, boa acidez e taninos finos porém presentes mas macios e redondos. Retrogosto trazia muita fruta e lembrança floral com leve toque tostado e de chocolate amargo. Final de média para longa duração.

Um grande vinho sem dúvida, muito saboroso e deliciosamente concentrado sem se tornar enjoativo. Vale a prova e deve ser degustado com tempo. Para quem gosta de pontuações, esse vinho recebeu 91 pontos da Wine Spectator e 88 pontos da Wine Advocate. Eu recomendo.

Até o próximo!

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Dios Ares Crianza 2007

Voltando a falar de vinhos espanhóis aqui no blog, já que estão em voga por ai, resolvi provar um que tinha por aqui e foi muito bem recomendado. Não decepcionou, mas também não foi tudo isso que alardearam por ai. Acho que os 90 pontos RP são um pouco exagerados mas enfim, segue o jogo.

Este vinho é feio pela Bodegas Pujança, de Rioja, região vinícola mais famosa da Espanha. Pujança tem ligação com força, poder, e talvez esse seja o sentido que o produtor quis implicar em seus vinhos. Mas não sei bem se o atingiu. Este pode ser considerado um vinho de entrada, apesar de por legislação ter a necessidade de passar determinado em madeira e em garrafa antes de ser liberado ao mercado (eis o por que do crianza no rótulo). Não achei entretanto os tempos específicos utilizados pela bodega, então ficaremos só com a informação de que o vinho é feito com uvas Tempranillo. Vamos as impressões.


Na taça uma cor rubi violácea com alguma tendência ao grená. Lágrimas finas, ligeiramente lentas e quase sem cor complementam o aspecto visual.

No nariz aromas de frutos vermelhos, leve toque de especiarias e alguma coisa de baunilha. Frutas em evidência.

Na boca o vinho apresentou um corpo médio, boa acidez e taninos finos, macios e redondos. Retrogosto frutado com alguma coisa de láctea, lembrando danone. Final de curta duração.

Um bom vinho, sem grandes atrativos, porém também sem defeitos. Custou cerca de R$ 55,00 numa promoção da Via Vini (loja on line) e pelo preço, acho que pode ser uma boa compra.

Até o próximo!

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Nuscaa Cabernet Sauvignon - Malbec 2010

Sempre estamos na busca por um vinho que seja um bom custo benefício para o dia a dia. E me parece que seja o caso deste vinho de hoje. É produzido pela gigante Dominio del Plata, em Mendoza, na Argentina. Segundo o site do produtor, seria uma "edição especial" sem maiores informações. Vale sempre lembrar que a bodega é dirigida pela enóloga considerada símbolo da enologia moderna da Argentina, Susana Balbo. 

Uma curiosidade, se é que podemos considera-la assim, é que o nome do vinho é uma expressão Maia que significa "Terra Nova" e segundo o produtor, seria uma alusão a técnicas sustentáveis que a vinícola emprega em prol das gerações futuras. Interessante não? Bom, como não consegui maiores informações sobre vinho, vamos as impressões.


Na taça o vinho apresentou uma forte cor violácea, com algum brilho e quase sem transparência. Lágrimas finas, rápidas e de ligeira cor também tingiam as paredes da taça.

No nariz o vinho abriu com um mix de frutas vermelhas e escuras, leve toque de especiarias e baunilha. Tudo bem integrado e colocado em seu lugar.

Na boca um vinho de corpo médio, boa acidez e taninos finos porém bem presentes e de qualidade. Retrogosto essencialmente confirmando as frutas do nariz e um final de curta para média duração.

Um vinho simples, sem defeitos e que pode sim ser um vinho do dia a dia para acompanhar aquelas refeições mais simples, uma pizza, ou simplesmente uma conversa entre amigos. Eu recomendo!

Até a próxima!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Beronia Reserva 2007

Pelo que tenho lido e acompanhado, me parece que os vinhos espanhóis estão na moda nos dias de hoje. E tem toda razão de ser, pois de um tempo pra cá pudemos observar um salta na qualidade dos vinhos e na divulgação destes vinhos no mercado internacional. E é justamente de lá que vem o vinho que será alvo deste post. 

Rioja pode ser considerada a região vinícola mais famosa da Espanha e é de lá que vem a maioria dos mais afamados vinhos. Atualmente também temos a região do Priorato com grande barulho no mercado internacional, mas isto é assunto para outro post.


Segundo o produtor, as uvas utilizadas neste vinho (Tempranillo 90% - Mazuelo 5% - Graciano 5%) são colhidas de suas vinhas mais velhas e passam por um estágio de envelhecimento em madeira por mais de 20 meses, sendo que esta madeira é um mix entre madeira francesa e americana. Além disso passa por um período de 18 meses em garrafa nas caves da bodega, antes de ser liberado para o consumo. Vamos as notas da prova.

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor violácea de média pra grande intensidade, pouca transparência e lágrimas ligeiramente espassadas, mais grossas e com certa cor.

No nariz o vinho abriu com aromas de frutas vermelhas e escuras em compota, num mix bem balanceado e fragrante. Ao fundo, notas de chocolate e madeira bem integradas e não mais presentes que a fruta. 

Na boca o vinho mostrou um corpo médio, boa acidez e taninos finos, macios e bem integrados com o restante do vinho. Retrogosto com muita fruta e chocolate num final de longa duração.

Um ótimo vinho, me parece em seu auge mas provavelmente deva ainda permitir um tempo em garrafa. Eu recomendo!

Até o próximo!

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Vino Nobile di Montepulciano Gattavechi 2008

O outono é a estação do ano que mais me agrada, os dias são ensolarados mas não são quentes e as noites costumam ter temperaturas mais baixas e são muito amigas de um bom vinho, boas companhias e é claro, uma boa gastronomia associada. Quando conseguimos unir todos estes elementos, posso dizer que a satisfação é completa. Sim, falei tudo isso com o intuito de introduzir o vinho do post de hoje. Ele era um dos elementos discutidos acima, e em conjunto com os demais, pode fazer a noite mais agradável.


Este exemplar vem da região de Montepulciano, na Toscana e é feito com uvas Sangiovese (Prugnolo) 90% e um blend de uvas tintas nativas de região para completar os 10% restantes. A região de Montepulciano por vezes é um pouco desprezada pelos consumidores de vinhos, seja pelas comparações errôneas feitas com os vinhos de Montepulciano D'Abruzzo e com os potentes Sangioveses de Montalcino. Em ambos os casos, os vinhos são ora diferentes por concepção ou pela casta  utilizada. De qualquer maneira este vinho passa ainda por afinamento em madeira eslovena e francesa por dois anos e depois por um tempo em garrafa que gira entre 6 a oito meses antes de ser disponibilizado ao mercado. Vamos as impressões sobre o vinho.

Na taça uma cor rubi de média intensidade e boa transparência, lágrimas finas, rápidas e incolores completavam o aspecto visual.

No nariz o vinho se mostrou bem elegante, abrindo com aromas frutados lembrando cerejas e algo de terroso, lembrando cogumelos. Ambos aromas bem integrados e com um fundo de madeira, sem atrapalhar.

Na boca o vinho tinha um corpo leve, boa acidez e taninos finos, redondos e macios. Retrogosto frutado, confirmando o nariz e num final delicado, delicioso e de média para longa duração.

Um grande vinho, me deu impressão de boa tipicidade italiana e que foi harmonizado de forma graciosa com um fondue de queijo. Sei que a maioria irá torcer o nariz e normalmente os vinhos recomendados para esta harmonização são brancos, mas eu achei a combinação fantástica. Uma pena que não é vendido aqui no Brasil.

Uma curiosidade é que cheguei a conhecer o produtor deste vinho em uma passagem sua pelo Brasil no programa BomdiVinho, do Marcelo Di Morais. Apesar do curto espaço de tempo, ele me pareceu muito simpático e apaixonado pelo que faz, além de ter uma esposa brasileira que é chefe de cozinha. Enfim, que arrume logo um importador pro Brasil.

Até o próximo!