terça-feira, 31 de julho de 2012

Fiuza Merlot 2009

Voltando a falar dos vinhos degustados neste final de semana chegamos a este exemplar de nossos patrícios, os portugueses, só que diferentemente do que normalmente vemos, feito a partir de uma casta internacional, no caso a Merlot. Mais um exemplar produzido pela já famosa por aqui Fiuza & Bright, sendo a quarta postagem de vinhos deste produtor (relembrem os outros posts: Oceanus, Vinhos do Tejo e 3 Castas). Com base neste argumento, irei apenas me ater a falar do vinho, deixando de lado maiores considerações sobre o produtor, ok? Este vinho é produzido com uvas 100% Merlot plantadas na região do Tejo, em Portugal, e passa por estágio em madeira por tempo não divulgado. Vamos as impressões.

Eu como bom fotógrafo, que não sou, tirei uma foto péssima e estou usando a imagem do próprio site do produtor.

Na taça uma bonita cor violácea com boa intensidade, brilhante e com lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas.

No nariz o vinho abriu com aromas de frutas escuras, toques florais e de especiarias. No fundo de taça era possível sentir um pouco de madeira, bem integrada ao restante dos aromas.

Na boca um vinho de corpo médio, ótima acidez e taninos finos, macios e redondos. Retrogosto confirmando o nariz e trazendo frutas escuras e um pouco de chocolate com um fundo apimentado. Final de média duração.

Mais um bom exemplar português, que conta com um bom custo benefício já que foi adquirido junto a importadora Vinea por R$ 48,80. Eu recomendo.

Até o próximo!

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Nuscaa Torrontes Chardonnay 2010

Continuando pelos vinhos degustados neste final de semana, chegamos a mais um que considero um bom custo benefício. Apesar de não te-lo comprado e sim provado em um aniversário, pelo que pesquisei, pode se tornar facilmente um campeão neste quesito. 


Este vinho também é feito pela grande vinícola argentina Dominio Del Pata, em Mendoza, e não possui grandes informações em seu site. As únicas informações que aparecem no site dizem respeito a origem do nome do vinho (já comentado aqui) e que o mesmo é uma edição especial, sem dizer entretanto o que se entende por edição especial neste caso, por ser um vinho de entrada e coisa e tal. Possui graduação alcoólica de 12,5%. Enfim vamos ao vinho.

Na taça apresentou uma coloração amarelo palha com reflexos douras, lágrimas finas, rápidas e incolores e bastante brilho.

No nariz abriu com frutas cítricas, puxando um pouco de abacaxi e maracujá, toques de mel e leve toque floral. 

Na boca um vinho de corpo leve, boa acidez deixando uma agradável sensação de frescor. Retrogosto trás frutas cítricas num final de curta para média duração.

Mais um achado no quesito custo benefício, ideal para os dias quentes e para ser bebido de forma despretensiosa como aperitivo, com entradinhas e quiçá uma salada. Arrisco que até com peixes mais leves o vinho irá bem. Vale conhecer!

Até o próximo!

domingo, 29 de julho de 2012

Faugères e as novidades da Cave Jado

Ontem foi mais um dia de esbórnia enogastronômica que começou cedo, diga-se de passagem. A uns dias atrás em um das degustações que participei com o Beto (Papo de Vinho), a Dorotheé (dona da importadora Cave Jado) havia me comentado que a importadora estava trazendo diversas novidades para os próximos dias e que nos próximos sábados aconteceriam sempre degustações bem especiais para mostrar ao consumidor tais novidades. E ela não estava de brincadeira. Este sábado pude comprovar em parte o que ela havia dito.

Eu como bom blogueiro, que não sou, não tirei fotos e portanto me utilizo da foto do release da própria Cave.

As novidades deste final de semana vinham diretamente do Languedoc, mais especificamente da apelação de Faugères, ao sul da França em um dos solos mais antigos do mundo. Todos os 5 vinhos apresentados são produzidos pelo Château Des Estanilles, que está situado numa região entre o Mediterrâneo e o sopé das montanhas de Espinouse e Cévennes, na aldeia de Lenthéric, sendo parte do município de Cabrerolles, uma das sete aldeias da denominação Faugères. As vinhas se estendem ao longo de 35 hectares de encosta, a 300 metros de altitude, sobre um dos solos a denominação de melhor qualidade, o nome do domaine vem da junção do nome das parcelas Estagnols e Fontanilles. O produtor sempre se utilizou de uma agricultura limpa, orgânica e sem químicos e defensivos agrícolas sendo que a partir de 2010 seus vinhos levarão no rótulos o selo de vinhos orgânicos/biodinâmicos. Mas sem mais delongas, vamos aos vinhos.

Começamos então com o Château des Estanilles Blanc 2007, um vinho feito num blend de 70% de uvas Marsanne e 30% de Roussanne sendo que parte do vinho fermenta e amadurece em barricas por 9 meses. Com coloração já dourada, o vinho mostra muita evolução com aromas cítricos e de mel com própolis. Na boca tem corpo médio, certa untuosidade e apesar da idade ainda apresenta uma acidez viva e deliciosa. O segundo vinho era o Château des Estanilles Tradition 2007, primeiro tinto da tarde, um blend de cinco uvas (Grenache, Cinsault, Syrah, Mourvédre e Carignan) sendo que 3 destas são vinificadas juntas e outras duas separadamente onde finalmente 20% do vinho passa por barrica para afinamento. Vinho essencialmente frutado, com aromas de frutas vermelhas, algo de especiarias e leve toque de madeira. Na boca corpo médio, boa acidez e taninos finos e macios além de uma lembrança mentolada. A partir daqui a coisa passaria a fica séria. O terceiro vinho foi o Château des Estanilles Cuvée Prestige 2005, tinto blend de Syrah, Grenache e Mouvédre sendo que o vinho já passa por um ano em madeira. É visível a mudança aqui com aromas mais evoluídos, muita especiaria, algo terroso e animal num vinho com mais corpo, boa acidez e taninos mais marcados, porém de excelente qualidade. Já o quarto vinho Château des Estanilles Gran Cuvée 2004, um vinho basicamente feito com Syrah e com 13 meses de barrica mostrando toda sua força, muito corpo, frutas escuras e pimenta, algo de couro e toques de madeira. Suculento, um grande vinho sem dúvida. E chegamos a estrela da degustação, o Les Clos de Fou 2006, outro vinho baseado na Syrah com envelhecimento em barricas porém com uma proposta diferente, mais intenso e potente tanto em aromas (notas animais, frutas escuras e muita especiaria) como no paladar, num vinho muito musculoso, encorpado e com taninos marcados e num final longo que fica na lembrança por muito tempo. É difícil porém elencar destaques, mas pensando no custo benefício apresentado, eu ficaria com o branquinho e com o cuvée prestige.

Mas para quem pensa que as surpresas paravam por aqui, um ledo engano. Tivemos também a participação especial do chef Nicolas Barbé com suas criações gourmet. De sua parte, nos deleitamos com pastéizinhos de pato deliciosamente preparados e delicadamente saborosos e uma sopa de cenoura com toques de limão siciliano sensacional. Sinceramente, comeria ao menos uma dúzia destes pastéis num piscar de olhos! O chef dá aulas de gastronomia e faz preparações especiais. Quem quiser entrar em contato com ele, escrevam para: contato@barbegastronomia.com.br .

Sou suspeito para falar da Cave Jado e da Dorothée pois como eu não canso de dizer, além de ter popularizado o acesso aos vinhos franceses, a Dorothée por si só é um doce e uma simpatia, sendo que este conjunto com certeza transforma a Cave em uma de minhas importadoras preferidas, se não for a preferida! Vale cada visita que faço a Cave. Eu recomendo que façam a visita, principalmente aos sábado quando temos degustações especiais, e se deixem levar com a conversa e os vinhos.

Até o próximo!

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Beber moderadamente durante a gravidez oferece riscos ao bebê?

Desde que me conheço por gente, esta sempre foi uma preocupação vigente no tocante ao consumo de álcool, afinal o feto sempre sofre os impactos dos hábitos alimentares e de vida da mãe, certo? Pelo que diz uma pesquisa feita na Dinamarca, existem alguns pormenores. Esta pesquisa apontou que mães que bebiam até seis doses de bebidas alcoólicas por semana tiveram filhos tão saudáveis e inteligentes quanto as mães consideradas abstemias.

Cinco estudos abrangentes, coordenados pela Universidade de Aarhus na Dinamarca, não encontraram nenhuma evidência de efeitos adversos do consumo moderado de álcool por mulheres durante a gravidez. A pesquisa, relatada no British Journal of Obstetrics & Gynecology, descobriu que crianças cujas mães bebiam moderadamente durante a gravidez se saíram tão bem como outras crianças em inteligência e testes emocionais. Apesar das constatações, os autores foram enfáticos ao alertar que ainda recomendam às mulheres que evitem o álcool durante a gravidez.

O uso abusivo de álcool é um fator de risco para déficits do desenvolvimento neurológico e incapacidade permanente em crianças não nascidas. Mas um relatório recente dos Centros dos EUA para Controle de Doenças observou que mais de 14% das grávidas mulheres de meia idade pesquisadas ​​disseram que beberam álcool durante a gravidez. Ulrik Schiøler Kesmodel, um ginecologista e epidemiologista de saúde pública na universidade e autor principal de um dos estudos, disse que a falta de orientação clara sobre o álcool pode estressar as mulheres grávidas que podem se sentir culpadas desnecessariamente depois de ingerir alguma bebidas alcoólica. "Agora temos evidências científicas que podem fazer com que este assunto seja tratado de forma mais natural", disse Kesmodel.

Os autores dos estudos disseram que esta é a primeira vez que pesquisadores da área médica realizaram essa análise de forma coordenada e variada sobre o impacto do consumo pré-natal de álcool. Os resultados são baseados em testes de inteligência de 1.628 crianças dinamarquesas, pareados aos questionários de suas mães sobre o consumo de álcool durante a gravidez. Em um estudo, as crianças foram examinadas clinicamente e, em seguida, participaram de cinco testes verbais e cinco testes de desempenho. Em outro estudo, os ensaios foram focados no comportamento da criança sozinha e entre outras crianças.

De acordo com cada um dos estudos, as crianças nascidas de mães que consumiram de uma a seis unidades de álcool por semana eram tão inteligentes e bem desenvolvidas como os filhos de mães que se abstiverem. (Uma unidade de álcool equivale a aproximadamente a uma dose de 145 ml de vinho, embora o conteúdo de álcool irá variar.) Quanto às mulheres que relataram um consumo ocasional de até cinco doses de bebidas em uma única vez, seus filhos também se apresentaram bem nos testes de inteligência. Mas essas mulheres não tinham o hábito de beber regularmente, observaram os estudos . Outro estudo observou um impacto negativo no tempo de atenção das crianças nos casos em que a mãe bebia nove ou mais drinques por semana.

Os autores foram rápidos em notar que a abstenção de álcool continua sendo a melhor opção para as mulheres grávidas por ainda não existir um limite comprovadamente seguro de consumo. "A Autoridade de Saúde e de Medicamentos dinamarquesa recomenda às mulheres grávidas que se abstenham completamente do consumo de álcool, embora saibamos de outros estudos que cerca de metade das mulheres grávidas não fica inteiramente longe do álcool durante a gravidez", dizia o relatório. "As mulheres grávidas não devem beber uma certa quantidade de álcool uma vez que o mesmo não possui qualquer benefício associado a ele durante a gravidez", disse Kesmodel. "No entanto, também acreditamos que nosso estudo sugere que pequenas quantidades consumidas ocasionalmente podem não apresentar sérias preocupações."

E você, caro leitor(a), o que acha destas pesquisas? Tem alguma opinião ou experiência para dividir conosco?

Até o próximo!

Matéria original publicada em www.winespectator.com

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Le Difese IGT 2009

Inconscientemente, porém nem tanto, continuei minha incursão pela Itália, sonhando com suas belas paisagens, morros verdejantes e vinhedos a perder de vista. Porém agora mudamos um pouco o cenário e vamos para a Toscana, tão revisitada nos filmes e outra mídias visuais e escritas por este mundo afora. E mais uma vez não brinquei em serviço e já fui buscar minha inspiração com um produtor de renome, a Tenuta San Guido, que entre outras preciosidades é responsável pela produção do Sassicaia. Entretanto não atingi tal nível e fiquei num vinho que considero de uma linha intermediária: o Le Difese!


O vinho em questão é feito de um blend de 70% de uvas Cabernet Sauvignon e 30% de Sangiovese, fazendo com que o vinho se enquadrasse na classificação de IGT. Aliás, esta história de classificação é um tanto quanto controversa e já falei mais sobre ela aqui e portanto não irei me aprofundar agora. Após todo processo fermentativo, o vinho passa por 12 meses em barricas francesas e americanas para afinamento e finalmente por um período de3 meses em garrafa antes de ser liberado ao mercado. Vamos então as impressões.

Na taça uma bonita cor rubi violácea de média intensidade, ligeiramente transparente e com lágrimas finas, rápidas e quase que sem nenhuma cor.

No nariz o vinho abriu com aromas de frutas vermelhas (notadamente ameixas e framboesas), especiarias e ervas (pimenta e o que pareceu folhas de ervas secas). Ao fundo de taça também pude notar notas de madeira e leve toque de baunilha. Tudo muito elegante e equilibrado.

Na boca o vinho era bem encorpado com taninos finos e macios além de uma acidez bem gulosa, que te deixava sempre com a vontade para o próximo gole. Retrogosto frutado e apimentado num final de longa duração.

Outro excelente vinho, delicioso e voluptuoso que vale cada gole. Este foi comprado na Enoteca Cavatapi e custou R$ 89,00 em uma promoção do importador (Ravin) em contrapartida as famigeradas salvaguardas. Valeu cada centavo!

Até o próximo!

sábado, 21 de julho de 2012

Beni di Batasiolo Barolo Riserva 2004

Ah querida Itália, como eu sonho com você sempre que tenho contato com seus vinhos, sua gastronomia, vejo suas fotos e vislumbro todas possibilidades de visitá-la. Mas enquanto não chego nem perto de apreciar suas belezas e delícias in loco, vamos mantendo nossa relação a distância, com seus enviados para estes lados, sejam vinhos, tira gostos e gastronomia. E hoje tratamos de um rei enviado por você, ó Itália, o rei dos vinhos que também por muito tempo fora considerado o vinho dos reis. Consciente de que já falei sobre sua origem e história por aqui anteriormente, irei me ater apenas ao vinho e ao produtor.



Produzido pela gigante italiana Beni di Batasiolo, o vinho é feito com uvas 100% Nebbiolo plantadas e colhidas nos montes da região de Serralunga D'Alba. Por legislação e opção do produtor, o vinho permanece em barricas de carvalho esloveno por até 3 anos e depois disso ainda passa pelo menos mais dois anos em garrafa antes de ser liberado para o mercado. A Beni di Batasiolo por sua vez é muito conhecida do público brasileiro e tem uma extensa gama de produtos sendo produzidos em diversas apelações espalhadas pela região do Piemonte. Vamos então as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma coloração vermelho granada já com toques de cor tijolo. As lágrimas eram finas, espalhadas e finas com certa rapidez. 

No nariz o vinho se mostrou complexo, abrindo com aromas de frutas escuras secas, como uva passa e ameixa preta. Depois era possível ainda sentir aromas de flores, couro e um pouco de toques lácteos. Ao fundo de taça algo de terroso era ainda lembrado. E se deixássemos o vinho na taça, suas multi facetas poderiam aparecer, mas quem disse que o vinho durou? 

Na boca o vinho era encorpado, taninos vivos, marcantes e com uma boa acidez. Retrogosto lembrando frutas secas e chocolate. Vinho redondo e de final longo.

Enfim, o que dizer do rei? Não é possível discordar nem tão pouco dizer que não é algo além da realeza, finesse, aliando força e elegância. Se um dia o rei for visita-los, o receba de braços abertos. Eu recomendo!

Até o próximo!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Serviço de armazenagem submarina de vinhos prestes a ser lançado

É isso mesmo que você leu no título deste post. Preocupado em como armazenar e manter seus vinhos a condições ideais para que os mesmos não estraguem com o tempo? Pois um serviço inusitado será lançado em meados do próximo ano na França. Frank Labeyrie, do Chateau du Coureau em Côtes de Bordeaux Cadillac, espera abrir seu serviço de estocagem de vinhos, Vin Mille Lieu Sous les Mers - um trocadilho com o título francês do clássico de Jules Verne, o Vinte Mil Léguas Submarinas - em meados de 2013. Labeyrie acredita que as constantes temperaturas frias, a ausência de oxigênio e de luz nas profundezas do oceano ajudará a envelhecer os vinhos lentamente, mantendo assim a intensidade da fruta por mais tempo e aprofundando o sabor.

Mas como irá funcionar tal serviço? O vinho será fixado em caixas de aço inoxidável reforçado, capaz de suportar pressões de até uma tonelada por metro cúbico, preso ao fundo do oceano, e cada caixa equipada com câmeras e um dispositivo de rastreamento, e com um selo de cera sobre as rolhas e cápsulas originais das garrafas. O armazenamento será de no máximo de 10 anos, e as garrafas serão retiradas para provas a cada dois anos, quando o proprietário decidirá se deseja continuar com as mesmas armazenadas ou não. O próprio Labeyrie tem mantido 10.000 garrafas do seu próprio vinho na Baía de Arcachon, nos últimos cinco anos, a uma profundidade de 5m apenas, mas é quase certo que os benefícios irão aumentar com o aumento da profundidade.

E como esta idéia surgiu e é financiada? Labeyrie fez uma parceria com empresa de manutenção de serviços marinhos, Jifmar Offshore Services, que ajuda a financiar os estudos de Labeyrie e fornece barcos e os robôs submarinos necessários para enviar e recuperar as garrafas. Foad Zahedi, diretor de Jifmar, disse que a pesquisa está em andamento a uma profundidade de 250m. "Os testes foram bem sucedidos, embora tenhamos tido problemas com algumas poucas rolhas. Temos uma equipe de 10 pessoas que trabalham meio período com a logística e os desafios desta pesquisa".

Mas eu acho que vocês leitores devem estar se perguntando: e quanto isto iria custar para o usuário final? Bem, esta pergunta também foi respondida na reportagem e eu acho que não é um negócio para nós, meros mortais não. O serviço, que deverá custar cerca de 17 € por garrafa por ano, com um número mínimo de garrafas por container, será oficialmente lançado em Junho de 2013.

E ai, vai encarar? Até o próximo.

Matéria originalmente publicada em www.decanter.com

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Qual a melhor maneira de limpar, cuidar e armazenar taças de vinho?



Para começar, se você armazenar suas taças de vinho em um armário, é melhor deixá-los na posição vertical. Se você virar de cabeça para baixo, você pode correr o risco de lascá-los na região onde são mais delicadas, que é a boca da taça. Deixe o máximo de espaço possível entre as taças , para que elas não se choquem frequentemente. Se você tiver espaço disponível, racks sob medida para as taças são realmente incríveis. Manter as taças mais frágeis nas caixas de papelão em que elas vêm também pode ser uma boa pedida, mas então você terá que prepará-las antes de usar, porque elas começam a absorver o cheiro da caixa de papelão.


Quando o assunto é a lavagem das taças de vinho, a água quente é sua melhor amiga e o sabão, que deixa resíduos, o seu inimigo. Tente lavá-las (ou pelo menos enxágue-as) logo que possível antes que manchas sejam fixadas, e caso isso aconteça ao final de uma longa noite de folia, você pode deixar as taças de molho em água morna durante a noite. Enxague uma, duas, quantas vezes for necessário com água quente. Para as manchas mais difíceis, seguem sugestões de produtos que podem ajudar: bicarbonato de sódio, escovas de espuma especialmente projetadas para uso em cristal e outras esponjas ​​brancas descartáveis com a palavra "borracha" no nome. Conheço ainda algumas pessoas que usam produtos para limpeza de dentadura. Se você precisar limpar as impressões digitais gordurosas ou traços de batom, use o mínimo de sabão possível, e depois enxague até que você não veja mais formação de espuma.


Realmente é melhor lavar as taças à mão, apesar de algumas taças de vinho virem com a inscrição "podem ser levadas à máquina de lavar louça". Eu já ouvi de alguns amantes do vinho relatos impressionantes sobre tentativas de leva suas taças a máquina de lavar louça e os resultados desastrosos que isto ocasionou. Se apesar de tudo você quiser ignorar este conselho, então por favor, certifique-se há bastante espaço entre as taças, que elas estão seguras, lave-as sozinhas no ciclo e então abra a porta para deixar o vapor sair após o término do ciclo. Você está avisado: se você misturar as taças com outros utensílios na máquina de lavar louças você poderá se dar mal.


A secagem das taças de vinho é uma das partes mais difíceis, e onde estamos mais propensos a quebrar uma taça. Nunca use movimentos de torção: se você torcer o bojo da haste, você pode simplesmente acabar com a taça na mão e a haste em outra. Secar e polir com uma toalha que não solte fiapos (que nunca se deve lavar ou secar usando qualquer tipo de amaciante de roupas) é a sua melhor aposta. Um rack de secagem também é uma boa idéia.


E vocês leitores do Balaio, tem mais alguma sugestão a acrescentar quando o assunto é lavagem, secagem e armazenar suas taças de vinho?


Até o próximo!

Fonte: Site da revista WineSpectator

terça-feira, 17 de julho de 2012

Apanhado sobre benefícios a saúde com o consumo de vinho


Sei que vários estudos têm sido realizados ao redor do mundo sobre o efeito positivo de beber vinho tinto com moderação. Inclusive aqui no blog já discuti alguns deles com vocês e agora estou fazendo um apanhado geral de alguns dos principais resultados obtidos. Todo ano, há uma enxurrada de manchetes sobre os benefícios para a saúde com o consumo de vinho. Mas consumir moderadamente vinho pode realmente fazer a diferença? É o que veremos a seguir. Deve-se considerar que, para usufruir dos benefícios, o consumo de vinho deve ser moderado ou seja, uma a duas taças por dia, conforme definido pela American Heart Association.

Com base nisso, são 8 os benefícios comumente associados ao consumo de vinho:

1 - Promove a longevidade

Os consumidores de vinho têm uma taxa de mortalidade de 34% menor do que os bebedores de cerveja ou  outras bebidas alcoólicas. Este resultado foi apresentado em um estudo finlandês promovido entre 2.468 homens ao longo de um período de 29 anos, publicado nos jornais de Gerontologia.

2 - Reduz Risco de ataque cardíaco

Os consumidores moderados de vinho que sofrem de pressão alta são 30% menos propensos a ter um ataque cardíaco do que os abstêmios. Este resultado foi concluído através de um estudo de 16 anos da escola de Saúde Pública de Harvard, feito com cerca de 11,711 homens, publicado no Annals of Internal Medicine.

3 - Diminui o risco de doença cardíaca

Os taninos do vinho tinto contêm procianidinas, que protegem contra doenças cardíacas. Os vinhos da Sardenha e do sudoeste da França têm mais procianidinas do que outros vinhos, de acordo com um estudo realizado na Universidade Queen Mary, em Londres, publicado na revista Nature.

4 - Reduz o risco de diabetes tipo 2

Baseado em uma pesquisa sobre a 369862 indivíduos estudados durante uma média de 12 anos cada, no VU  University Medical Center de Amsterdã, publicado no Diabetes Care, concluiu-se que os consumidores moderados de vinho têm um risco 30% menor do que os abstêmios de desenvolver diabetes do tipo 2.

5 - Reduz o risco de AVC

A possibilidade de sofrer um derrame de relacionado a um coágulo sanguíneo cai em cerca de 50% em pessoas que consomem quantidades moderadas de álcool, segundo um estudo da Universidade Columbia, realizado com 3.176 indivíduos por um período de oito anos, publicado em Stroke.

6 - Diminui o risco do surgimento de cataratas

Os consumidores moderados de vinho tem 32% menos probabilidade de desenvolver catarata do que os abstêmios; aqueles que consomem vinho tem 43% menos probabilidade de desenvolver catarata do que aqueles que consumiam principalmente cerveja. Esta conclusão foi tirada de um estudo com cerca de 1.379 indivíduos realizado na Islândia e publicado na revista Nature.

7 - Diminui o Risco de câncer de cólon

"O consumo moderado de vinho (especialmente tinto) reduz o risco de câncer no cólon em 45%", segundo um estudo da Universidade de Stony Brook, realizado com 2.291 indivíduos em um período de quatro anos, publicado no American Journal of Gastroenterology.

8 - Diminui o declínio da atividade cerebral

Um estudo da Universidade Columbia com 1.416 pessoas, publicada na publicação Neuroepidemiology, revelou que o declínios funcional do cérebro se dá a uma taxa significativamente mais rápida em abstêmios do que nos consumidores moderados.

Fontes: http://www.winesur.com/news/8-health-benefits-of-drinking-wine & http://www.foodandwine.com/articles/8-health-benefits-of-drinking-wine

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Domaine Les Goubert Beaumes de Venise 2007

Depois de um final de semana agitado, nada melhor do que chegar em casa e tomar um vinhozinho. O clima também era propício, com a queda de temperatura que assombrou São Paulo neste final de semana. Não procurava nada especial, simplesmente um vinho pra me dar um pouco de prazer e acompanhar minha refeição. O escolhido foi este francês que já a um tempo habitava minha adega. 


Este vinho é produzido pelo Domaine Les Goubert na região do Vale do Rhône, região onde possuem vinhedos em diversas apelações espalhadas por lá. Feito a partir de uvas Grenache, Syrah e Cinsault (sem proporções conhecidas) este vinho não passa por madeira e é fermentado e envelhecido em cubas de concreto. Sofre uma leve filtração e não passa nem por afinamento em garrafa antes de ser liberado ao mercado. Vamos as impressões.

Na taça o vinho mostrou uma coloração rubi com alguns traços granada, mostrando alguma evolução. Lágrimas finas, de média velocidade, abundantes e sem cor completavam o conjunto visual.

No nariz, aromas de frutas vermelhas frescas (cereja era a mais presente) com leves toques de especiarias ao fundo.

Na boca o vinho tinha corpo leve, boa acidez e taninos finos, macios e bem redondos. Leve ataque doce no primeiro contato. Retrogosto essencialmente frutado. Final de curta para média duração.

Um bom vinho para o dia a dia, apesar de custar por volta de R$ 59,00. Leve, gostoso, delicado e vai bem como aperitivo ou comidas mais leves. Eu recomendo!

Até o próximo!

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Sexta feira 13 e as superstições do mundo do vinho

Hoje é sexta-feira 13, mas a má sorte não está conosco, ao menos eu espero. O vinho é produzido há milhares de anos então naturalmente existem muitas superstições e tradições associados a ele. Aqui estão algumas delas. Desobedecer a estas é por sua conta e risco.

Na Itália, se você derramar o vinho, você deve esfregar um pouco do vinho derramado atrás de cada orelha. Esta superstição deve ter sido propagada pelos Romanos, que pensavam que derramar o vinho era um mau presságio.

Em Varnhalt, na Alemanha, as últimas uvas colhidas em cada estação devem ser trazidas por um carro de bois, ou a colheita toda da temporada vai azedar. Também na Alemanha, quando uma pessoa morre, o vinho na sua adega deve ser agitado o mais rapidamente possível.

Os romenos tradicionalmente derramam um pouco de vinho no chão, como uma libação para que os seus amigos mortos possam beber junto a eles.

No antigo Egito, membros da realeza eram enterrados com cinco frascos de vinho para levar com eles na vida após a morte. Isto acontecia para que eles tivessem boa sorte na passagem e para que pudessem usar o vinho para divertir-se na presença de outros membros da realeza.

Na Lituânia, existe a crença de que, exatamente à meia-noite na véspera de Natal a água se transforma em vinho e  os animais  começam a falar quando os  humanos  não  estão em torno para ouvir.

Durante uma tempestade, os pescadores tem o costume de derramar vinho no mar para acalmar as águas. Ou ainda durante os casamentos judaicos, o noivo dá vários pisões em um copo de vinho, a fim de trazer um casamento feliz.

E você querido leitor, tem alguma superstição ligada a sexta feira 13 que inclua vinhos? Compartilhe conosco!

Até o próximo!

Curiosidade sobre vinho & rock n'roll!

Para os que não se atentaram ou mesmo não são muito chegados em música, a data de hoje pode passar despercebida. Acontece que hoje, 13 de julho, é o Dia Mundial do Rock. E eu sou muito grato por ter vivido na transição da década de 80 para a de 90, onde o rock vivia praticamente o auge. Bandas como Guns n'Roses, AC/DC, Iron Maiden, Metallica e por aí vai ainda estavam com uma pegada firme e criando verdadeiros hinos que eram entoados ao redor do mundo. E não é que, lendo alguns artigos sobre a data, acabei descobrindo uma curiosidade que envolve o mundo dos vinhos? Você, caro leitor, sabia que a música Night Train, do Guns n'Roses, faz referência a uma bebida que era considerada um vinho? Sim, a música não diz respeito a drogas, aventuras sexuais ou algo do gênero, comumente retratadas nas letras da banda. 


O tal "Night Train" era um vinho fortificado vagabundo e barato, que continha tipicamente grau alcoólico entre 13% e 20% e, entre seus elementos constituintes principais, estavam o açúcar e colorantes/aromatizantes artificiais. Esse vinho teria surgido na década de 30, com o advento da grande depressão e da lei seca nos EUA, uma vez que as matérias-primas eram mais fáceis de serem adquiridas pelos produtores. A partir daí, surgiu uma vasta gama desses vinhos fortificados, que foram se tornando cada vez mais populares devido aos preços acessíveis e à escassez de outros tipos de bebidas. Mais tarde, em meados dos anos 2000, algumas dessas marcas foram banidas do mercado, uma vez que se comprovaram diversos malefícios para a saúde de seus consumidores. Além disso, grandes movimentos de organismos da área da saúde engrossavam a campanha contra eles. Hoje, ainda existem algumas poucas marcas à venda, mas muitos entendidos no assunto dizem que é apenas uma mudança de aromatizantes das marcas que foram banidas do mercado.

E vocês, caríssimos leitores, conhecem mais alguma lenda do rock que possa ser confundida com vinhos, para comemorarmos a data de hoje?

Até o próximo!

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Agradecimentos do Balaio!

Para não tornar chata a leitura, prometo que serei rápido. Não garanto porém que não seja muito emocionado. Este blog começou de uma maneira totalmente diferente, enveredou pelo mundo do vinho, e ao que parece vem se firmando entre os leitores como uma fonte interessante de registros, matérias e de dividir com o leitor, que é quem mais importa, opiniões e idéias sobre este incrível mundo que é o do vinho. E eu posso dizer que me sinto feliz, lisonjeado e orgulhoso do trabalho e tempo dedicado a este blog. 

Em uma análise de tráfego feita em conjunto pelo site Enoeventos e o site americano Alexa - The Web Information Companyé possível notar a evolução deste blog nos últimos dois anos. Em 2011, foram rankeados por volta de 70 sites/blogs relacionados ao mundo do vinho e este que vos fala ocupou a posição de número 37. Já no levantamento deste ano, em que foram rankeados mais blogs/sites ainda (por volta de 80), este que vos fala escalou 11 posições e se encontra a posição de número 26. Pode parecer pouco, mas  para este que vos escreve, que desde o começo tenho tentado primar pelo conteúdo e imparcialidade entre outros atributos, é muito gratificante. É a certeza de que o trabalho foi bem feito e de que você leitor tem sido fiel, voltando ao site e oxalá tem o recomendado a amigos e conhecidos e estes também fazem o mesmo. No site deles, com link algumas linhas acima, é possível também verificar os rankings de sites de importadoras e de confrarias.


Fica aqui o meu mais sincero agradecimento a todos que de maneira direta ou indireta fazem parte deste blog, que me ajudaram ao longo deste tempo e que entendem o trabalho que tenho feito por aqui. A você meu leitor, um agradecimento ainda maior e também um pedido, de que volte e continue a nos acompanhar, divulgando nosso humilde blog a quem lhe for de direito. É realmente um prazer estar aqui com vocês! além disso deixo também um grande parabéns a todos que tentam, de uma maneira ou de outra, divulgar o mundo do vinho usando de sua paixão, dedicação, estudos e conhecimentos para ensinar e compartilhar com o outro o que tem de melhor.

Segue abaixo a tabela de tráfego deste ano:


Até o próximo!!

terça-feira, 10 de julho de 2012

CascinAdelaide Barbera D'Alba Superiore Vigna Preda 2007

Já vi, algumas vezes, uma espécie de "ditado" rondando em emails e redes sociais e dizendo, talvez não com estas exatas palavras, que "a vida é muito curta para bebermos vinhos ruins". Eu tento, na medida do possível, seguir este mantra e descobrir, além de vinhos que caibam no meu orçamento, vinhos que me deem prazer e satisfação. E, mais uma vez, pude encontrar tais atributos no vinho-alvo deste post.


A vinícola Cascina Adelaide se encontra na região do Piemonte, contando com diversos vinhedos em regiões famosas, como Barolo, La Mora, Castiglione Falletto, Costafiore in Diano D'Alba, Ravera e Le Pernici in Novello, dentre os quais se encontram alguns dos melhores Crus da região. Em se tratando do vinho do post, os vinhedos da uva Barbera, responsável por 100% do vinho, estão localizados na região de Preda, onde existe uma predominância de argila e areia no solo, com uma elevação de 340 metros acima do nível do mar. Além disso, o vinho, após a fermentação, tem uma porção transferida para barricas, onde acontece a fermentação malolática. Finalizando o processo, todo o vinho passa por 12 meses de afinamento em barricas. Vamos ao vinho.

Quando colocado na taça, o vinho apresentou uma cor violácea de grande intensidade, bastante brilhante e quase sem transparência. Lágrimas finas, esparsas e lentas com ligeira cor ajudavam a colorir levemente as paredes da taça.

No nariz, o vinho apresentou aromas de frutas vermelhas maduras, quase sendo possível sentir uma "doçura" das mesmas, um bolo de natal (sabe aquele aroma da massa em harmonia com frutas secas/cristalizadas?) com toques de flores e baunilha. Muita elegância e harmonia neste conjunto olfativo.

Na boca, o vinho apresentou corpo médio, boa acidez, taninos finos, redondos e macios. O retrogosto lembra bolo de natal e chocolate aliado a frutas secas. Final de longa duração.

Com o perdão da palavra, mas é um puta vinho! Redondo, macio, pronto pra beber, um conjunto harmonioso, enfim, muita qualidade mesmo. Sei que é trazido pela abflug vinhos, entretanto desconheço valores. Vale degustar, eu recomendo! Esse Marcelo Toledo, como eu já disse algumas vezes, é um apaixonado pelo que faz e não brinca em serviço!

Até o próximo!

domingo, 8 de julho de 2012

Pizzato DNA 99 Single Vineyard Merlot 2005

Ontem a noite seria longa devido a espera para a luta do Anderson Silva. Eu, como fã de esportes, estava muito ansioso pois além de tudo que normalmente envolve uma luta destas, o oponente havia se mostrado um cara totalmente sem carácter e que havia desrespeitado não somente o próprio Anderson e sua família, mas os brasileiros em geral. E para acompanhar esta espera e comemorar a vitória do nosso Spider (sim eu já estava contando com esta vitória) eu escolhi este vinho nacional para a tarefa. E olha que ele tirou de letra a tarefa imposta.


A Pizzato Vinhas & Vinhos é mais uma das grandes produtoras nacionais do caldo de Baco e possui uma vasta linha de produtos, desde os mais simples até este, que pode ser considerado um dos top da vinícola, se não um dos top nacionais. Conta a história que em 1999 foi a primeira safra vinificada pela Pizzato de um vinho feito com a uva Merlot e que desde então, quando o mesmo fora liberado ao mercado, o vinho viria a se tornar uma referência de potencial da uva no Vale dos Vinhedos. Foi ai que veio a idéia de então lançar um novo vinho ícone da vinícola, a partir do mesmo vinhedo utilizado em 1999 em uma safra que seria considerada histórica para a vitivinicultura nacional, a de 2005. Este vinho então é feito com uvas 100% Merlot de um único vinhedo, passa por fermentação e maceração em tanques de aço inoxidável e por período de 9 meses de amadurecimento em barricas de carvalho francês de primeiro uso. Deste vinho foram  produzidas 6800 garrafas e eu pude degustar a de número 6214. Vamos as impressões sobre o vinho.

Na taça, em contra partida a sua idade (7 anos) o vinho ainda apresenta uma cor violácea intensa, brilhante e quase intransponível. Lágrimas finas, lentas e ligeiramente coloridas completam o conjunto visual.

No nariz o vinho se mostrou muito elegante e de certa complexidade, abrindo com aromas de frutas vermelhas quase como geléia, baunilha, couro, um pouco de madeira e leve toque de especiarias. Todos aromas muito fáceis de se identificar e bem integrados.

Na boca o vinho mostrou ser bem encorpado, taninos finos, macios e redondos com uma acidez extremamente agradável, mostrando que o vinho ainda está bem vivo e aguenta mais um tempo em garrafa. Retrogosto trazendo frutas e algo de especiarias e baunilha num final de média para longa duração.

Realmente, dentro de minha opinião, é sem dúvida o melhor vinho nacional que já provei. Muita qualidade, sem defeitos, componentes integrados e muito saboroso. Eu recomendo!

Até o próximo!

sábado, 7 de julho de 2012

Salton Volpi Chardonnay 2009

É sempre gostoso quando em uma degustação as cegas você se surpreende positivamente com um vinho. E foi o que aconteceu com este escolhido para o post de hoje. Primeiro por que é muito bom ver que os vinhos nacionais tem se mostrado de boa qualidade, sejam eles de linhas de entrada ou de linhas mais elaboradas, e que estes vinhos podem ser opções baratas num mar de vinhos caros nos supermercados/lojas especializadas.


A Salton é uma gigante do vinho no mercado nacional e tem uma vasta gama de produtos. A linha Volpi, apesar de acessível, pode ser considerada de vinhos já intermediários nesta vasta gama de produtos. O vinho é feito com 100% de uvas Chardonnay plantadas na Serra Gaúcha e que após a fermentação, 20% deste vinho passa por 6 meses em contato com as leveduras em barricas de carvalho. Vamos as impressões.

Na taça o vinho mostrou uma bonita cor dourada muito brilhante, com lágrimas lentas, abundantes e sem coloração.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas tropicais tais como abacaxi e pêssego, mel, manteiga e algo que me lembrava gás.

Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez e trazia muita fruta e lembranças de mel e toques minerais. Final de média duração.

Um vinho cujo custo x benefício é inegável, sem defeitos e bastante interessante. Eu recomendo!

Até o próximo!

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Cheval des Andes 2005 e a realização de um sonho

Irei começar este post com um humilde pedido de desculpas pois além de ter me afastado um pouco aqui do blog, sei que este post não irá agradar muito a todos. Este post estará carregado de emoções e de sentimentos que talvez nada tenham de ligação com o vinho e seu incrível mundo mas é que ontem foi um dia especial pra mim. Depois de muito pensar e tentar escolher palavras, achei que a melhor maneira de escrever por aqui seria deixar as idéias fluírem e simplesmente escrever, sem maquiagens.

Como já devem ter percebido ou visto eu comentar por aqui, sou corintiano de coração e alma e por mais que tentasse abstrair ou não pensar sobre o assunto, a noite de ontem era especial, afinal perseguíamos o bendito título da Libertadores da América a muito tempo. Sim, muito mais do que títulos, o simples fato de ver o Corínthians já afaga o coração. Mas que este campeonato estava entalado na garganta, a isto estava. Estava, no passado, pois ontem tudo isso mudou. E evidentemente que a comemoração tinha que ser a altura. Eu já havia prometido pra mim mesmo que se esse título viesse, não iria pensar muito e iria simplesmente pegar um dos melhores vinhos que tinha em minha adega e iria tomar. E o escolhido foi o Cheval des Andes 2005. Vamos falar um pouco sobre ele agora.


O Cheval des Andes nasce de uma joint venture criada entre o mítico produtor francês Château Cheval Blanc, de Saint-Emilion, e a tradicional vinícola argentina Terrazas de Los Andes, de Mendoza. Do primeiro se resgata toda a expertise adquirida ao longo dos anos na produção de Grand Crus em Bordeaux, quase que de forma artesanal desde o plantio e cuidado com as vinhas até o blend do vinho e seu amadurecimento. Já da segunda, todo o poderio do terroir e a escolha uma a uma das variedades que melhor se adaptavam a ele. E chegaram a um vinho que alia potência e fineza de maneira excepcional, focado no mercado internacional, seduzindo os consumidores mundo a fora. O vinho é um blend de Cabernet Sauvignon, Petit Verdot e Malbec cujas proporções exatas não consegui apurar, sendo que este vinho passa de 15 a 18 meses em barricas novas de carvalho francês. Vamos as impressões.

Na taça o vinho tinha uma bonita cor violácea escura, profundo e quase sem transparência. Lágrimas finas, abundantes e ligeiramente lentas com muita cor ajudavam a tingir as paredes da taça.

No nariz o vinho foi um show, muita complexidade e aromas que se alternavam na taça de maneira muito harmônica. Começando com frutas escuras maduras, passando por especiarias, tabaco, couro, baunilha e um toque de grafite. Tudo de maneira muito elegante.

Na boca o vinho se mostrou mais elegante ainda. Os taninos apesar de marcados e presentes, eram redondos e macios. A acidez presente fazia a boca salivar e o vinho era encorpado e musculoso. O retrogosto trazia frutas e algo de chocolate e o final era delicioso e demorado, ficava por muito tempo na boca. 

Apesar de novo, o vinho já se mostrava pronto para o consumo mas também dava idéia de que poderia durar ainda alguns anos na garrafa. Enfim, um baita vinho que fechou com chave de ouro uma das melhores noites de minha vida. Este foi comprado no Free Shop e custou 70 dólares. Eu recomendo!

Até o próximo e Vai Corínthians!

domingo, 1 de julho de 2012

Hobo Dry Creek Zinfandel 2008

Chegou o final de semana e com ele aquela vontade de provar bons vinhos. E tudo conspira a favor, afinal o clima estava bacana (nem quente nem frio), uma pizza gostosa pra acompanhar e por ai vai. Foi então que resolvi escolher este vinho do título deste post para curtir todo este cenário.


Oriundo da AVA Dry Creek, em Sonoma County na Califórnia (EUA), este exemplar é o que podemos chamar de típico em relação aos vinhos deste varietal na região. Aliás, Dry Creek é considerado o berço e melhor local para cultivo desta uva nos EUA, sendo que sua origem ainda é um tanto quanto nebulosa: seria este varietal um primo distante da uva italiano Primitivo, ou parente direto da uva croata Crljenak Kastelanski ou ainda todas seriam parte da mesma família? Dúvidas a parte o que vale dizer é que a Zinfandel acabou por virar uma das uvas símbolo dos vinhos americanos e tem conquistado fãs ao redor do mundo, como é o meu caso também. Complementando o corte, neste vinho, temos ainda uma parcela de 10% de Petit Syrah. Além disso o vinho passa 9 meses em barricas (40% novas) e tem graduação alcoólica de 14,7%. Vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor violácea bem viva e brilhante, quase sem transparência. Lágrimas finas, abundantes e sem cor completavam o aspecto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas escuras bem maduras, especiarias, alguma coisa de fumaça, chocolate e leve tostado no fundo de taça. Entretanto, diferentemente do que eu esperava, todos aromas eram bem integrados e elegantes, com nenhum deles com mais força e se sobressaindo aos outros. Interessante!

Na boca o vinho tinha corpo médio, acidez presente e na medida certa e taninos marcados porém redondos e bem macios, prontos para beber. Outro ponto positivo para este vinho é que, diferentemente de outros exemplares por ai, a acidez se faz presente e não deixa o vinho mole, enjoativo. Retrogosto marcado por frutas maduras e toques apimentados e tostados. Final de média duração.

Outro grande vinho disponibilizado pelo Smart Buy Wines Club por R$ 108,00 e que vale o quanto custa! Foi uma delícia com a pizza ou mesmo sozinho. Eu recomendo!

Até o próximo!