sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Qualidade x Quantidade: é possível compatibilizar?

Uma das grandes discussões que eu penso existir no mundo dos vinhos é a de que fica quase impossível compatibilizar produção de vinhos de qualidade com produção em larga escala consistente. Imaginemos uma produção de 100.000 caixas de um determinado vinho, ou mais, em um ano. Criar um blend 100% consistente pode ser uma tarefa hercúlea, dado o tamanho dos tanques necessários e por outras restrições produtivas. Este seria então um dos motivos que iria conduzir a uma larga variabilidade do vinho de garrafa para garrafa, gerando também uma variabilidade na classificação deste mesmo vinho. Certo?

Nem sempre. Fazer um vinho de qualidade em grandes volumes não é tarefa fácil, e eu admiro quando é bem feito. Lendo uma matéria para a WineSpectator, encontrei o que dizem alguns enólogos a este respeito. Leiam o que o pessoal da revista disse e comentem ai no blog as opiniões de vocês, prezados leitores.

O enólogo de uma famosa vinícola californiana disse que para misturas maiores eles preparam "misturas base", que são mantidas em tanques separados, e a soma total de todas as misturas base que virão a constituir a mistura final, chamada de "mistura mestre". Ele disse ainda que, normalmente, quatro ou cinco misturas base entram para a mistura mestre. O processo de engarrafamento se dá quando a mistura mestre final está pronta e a vinícola tenta manter a proporção desta mistura ao longo da temporada de engarrafamento, garantindo que mesmo que possam ser engarrafados em um horários diferente, todos os vinhos sejam essencialmente o mesmo quando se faz cada mistura mestre para engarrafamento.

Já outros dizem que o que basta para que se possa aliar a qualidade numa produção massificada é o que certas vinícolas fazem, que é ter um sistema de produção organizado e controlado além de não ter medo de um pouco de matemática no tocante as proporções usadas nos blends.

E ai leitor, o que você acha que pode ajudar neste caso?

Até o próximo!

Matéria original publicada em www.winespectator.com.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Assobio 2009

Confesso que não costumo com frequência revisitar muitos rótulos que já consumi, mas quando isso acontece é por que o mesmo valeu a pena e por que existiu uma situação para que isso acontecesse. No caso do vinho de hoje, além de te-lo provado apenas em um evento (relembrem aqui) e ter ficado curioso para vê-lo como este se sairia sozinho em casa, acompanhando uma boa refeição e com uma boa companhia do lado, o preço promocional aplicado num dia desses no supermercado Pão de Açúcar me animou a fazer uma segunda prova.


O vinho em questão é produzido pela Herdade do Esporão na sua propriedade Quinta dos Murças e é trazido ao Brasil pela Qualimpor, empresa especializada em produtos portugueses. Este representante do Douro é feito com as castas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca sem proporções conhecidas (aliás, em Portugal isso também nem é muito importante dado que as vinhas velhas tão comumente utilizadas na produção de seus vinhos quase nunca tem divisões por castas). Além disso, o vinho tem cerca de 20% de sua produção estagiando por cerca de seis meses em barricas francesas e americanas. Sem maiores papas na língua, vejamos o que vinho apresentou nesta revisita.

Na taça uma cor violácea de média intensidade, com lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas tingindo as paredes da mesma.

No nariz aromas frescos de frutas vermelhas, especiarias e algo de madeira (bem discreto) num equilíbrio muito gostoso entre os aromas.

Na boca o vinho apresentou taninos finos e macios, boa acidez e corpo médio. Retrogosto trazia frutas vermelhas frescas e leve lembrança de especiarias. Final de média duração.

O vinho realmente reforçou a tese de ser um bom vinho, muita qualidade e escoltou bem um prato de bacalhau, feito ao estilo gomes de sá porém com as postas de bacalhau fritas ligeiramente seladas antes de irem pro forno. Confirmou também a tese de que eu realmente tenho uma queda pelos vinhos de nossos patrícios. Pelo preço de R$ 55,00 pagos na época da promoção, é uma escolha certa.

Até o próximo!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Confraria Pane, Vinum Et Caseus: Vinho e Feijoada combinam?

E chegamos a mais um dia de encontro da confraria com muita curiosidade, afinal o desafio deste sábado seria realmente grande: como harmonizar este prato tipicamente brasileiro, a feijoada, com vinhos e ainda mais contando com o calor fora de época que vinha fazendo em São Paulo nestes últimos dias? Mas é assim que aprendemos e é o que torna o mundo do vinho tão surpreendente. E não é que tivemos boas surpresas?

O cenário mais uma vez era o receptivo ambiente externo do prédio da confreira Lucinéia, que faz questão de ser mais amável a cada vez que nos recebe em sua residência. Com o dia lindo que se formava no sábado, a escolha pelo ambiente externo se fez mais do que acertada, afinal estávamos em uma mesa única e grande, onde todos poderiam se sentar juntos e dividir as impressões sobre a tarde que se desenhava. Como já é de praxe, fomos recepcionados com uma repleta seleção de entradinhas entre patês (destaque para o já conhecido e imbatível patê de bacalhau), salgadinhos e outros. Para acompanhar as entradinhas nos foi servido o espumante nacional Casa Valduga Arte Elegance, um demi-sec com leve açúcar residual, essencialmente frutado e com uma deliciosa e refrescante acidez. O primeiro tiro foi no alvo!


Conforme o pessoal ia chegando e se acomodando, se aproximava a hora do grande desafio da tarde. Nosso "presidente", o Fabio (também blogueiro do vinhos-por-barnes.blogspot.com), competente e conhecedor que é nos presenteou então com uma pequena palestra sobre os vinhos e os tipos de harmonização que seriam testados na tarde que viria. Como sabemos, a feijoada é um prato com um peso grande, muita gordura, sal e pimenta em evidência. É portanto um prato de difícil harmonização com vinhos. E devido as características do prato, alguns vinhos foram escolhidos: o espumante Casa Valduga 130, o Terraza Isula Rosé, Anakena Single Vineyard Pinot Noir, Antonio Dias Tannat e finalmente o Sottano Gran Reserva Cabernet Sauvignon. Características como acidez, taninos e corpo foram levados em conta para tal desafio. 

Vale ressaltar que mais uma vez a Néia, nossa confreira e cozinheira da tarde, se superou e conseguiu entregar uma feijoada espetacular. Carnes tenras, sal na medida, gordura balanceada e acompanhamentos de tirar o fôlego de qualquer glutão, era de se imaginar que independentemente do vinho escolhido, o prazer seria garantido. E olha que os acompanhamentos eram também barra pesada: bistequinha frita bem sequinha e deliciosamente suculenta, couve cozida com bacon na medida (sem ficar seca nem tão pouco dura) e torresminhos de cair o queixo. E com tantos vinhos a escolher e provar juntamente com a feijoada, cada um tinha o seu preferido e a harmonização não gerou unanimidade. Desta vez, sem pretensão ou egoismo, irei falar por mim. Meu vinho preferido com a feijoada foi o Sottano Gran Reserva Cabernet Sauvignon, devido a sua estrutura, o tripé taninos, acidez e corpo fez com que o vinho não sumisse junto com a comida e ainda que não criasse o famoso terceiro sabor, fez bonito e acompanhou bravamente o prato. Ponto pros hermanos!

E para aqueles que acham que é pouco, ainda teríamos a sobremesa!! Mais uma vez fomos divinamente presenteados com um pudim de tapioca que me deixou numa sinuca de bico dada a falta de palavras para elogiar o prato tamanho o deleite causado pelo mesmo. Fico com o simples: que delícia! E a brincadeira só se encerrou quando provamos um vinho de sobremesa fortificado, estilo porto, feito em Santa Catarina que eu, como bom blogueiro que não sou, esqueci de tomar notas ou tirar fotos da garrafa. Uma pena que faltava um pouco de acidez ao vinho, mas tornou mais doce o final da reunião.

E que venha a próxima! O tema: ficará em segredo até o relato da reunião!

Cheers!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Quer ter uma propriedade no Napa Valley?

É isso mesmo, se você dispor da pequena quantia de 35 milhões de dólares. O famoso ator hollywoodiano Robin Williams, responsável por grandes sucessos do cinema internacional tais como The Birdcage, Patch Adams, Jumanji, Aladdin e outros, colocou a propriedade de sua família a venda. 

Villa Soriso, a propriedade de 653 hectares situada nas montanhas Mayacamas, pode ser sua por US $ 35 milhões; regalias incluem uma casa de 20 mil metros quadrados no estilo de vila italiana, sala de cinema com 12 assentos em casa, uma piscina com borda infinita de 65 metros de comprimento, adegas com temperatura controlada para seus muitos vinhos e artes, instalações equestres, as vinhas e o conhecimento de que você compartilhou uma banheira com Mrs. Doubtfire, algo no qual você realmente não pode precificar. 

Williams recentemente se casou em uma propriedade vinícola, o Resort Meadowood em Santa Helena. Além disso, supõe-se que agora que Williams cumpriu alguns de seus desejos, sobriedade ("Eu fiz reabilitação no país de vinho, para manter minhas opções em aberto", disse à CBS), um casamento sob as treliças entre outros, não há muito que o Napa possa oferecer-lhe. Presumi-se agora que ele deva voltar a alguma de suas antigas propriedades.

E ai, algum de meus leitores se habilita?

Até o próximo!

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

O resveratrol presente nos vinhos tintos pode ajudar na mobilidade dos idosos

Um estudo descobriu que o composto reduziu os riscos de quedas com roedores de laboratório mais velhos. Os pesquisadores acreditam que o resveratrol, um composto químico presente no vinho tinto, pode ajudar a reduzir o risco de quedas entre os idosos, de acordo com um relatório apresentado no Encontro Nacional e Exposição da American Chemical Society. O estudo, realizado na Universidade de Duquesne, em Pittsburgh, descobriu que ratos de laboratório mais velhos cresceram de forma mais coordenada quando o resveratrol foi incluído em suas dietas e que o tecido nervoso resistiu melhor aos efeitos da idade.

Um em cada três americanos com mais de 65 anos têm dificuldade para andar e manter o seu equilíbrio, de acordo com a American Geriatrics Society. Estas quedas podem levar a lesões e visitas hospitalares, de acordo com o principal autor do relatório, Jane Cavanaugh, um professor assistente de farmacologia da universidade. Embora existam tratamentos farmacêuticos para condições que causam problemas de equilíbrio e movimento, tais como a doença de Parkinson, não há nenhum tratamento comparável ​​para adultos saudáveis, disse Cavanaugh.

Estudos anteriores mostram que o composto químico do vinho tinto, o resveratrol, encontrado na casca da uva tinta, mirtilos e outras plantas, pode ajudar a combater a inflamação e melhorar a saúde do coração. Ele pode até mesmo reduzir o risco de certos tipos de câncer.

Para testar se o resveratrol pode ajudar contra o desequilíbrio relacionado à idade, a estudante de pós-graduação Erika Allen alimentou ratos de laboratório jovens e velhos com uma dieta contendo doses de resveratrol por oito semanas. Ela também testou a estabilidade dos roedores usando uma viga de aço, observando cada passo em falso e tropeços. No início, Allen observou que os camundongos mais velhos encontraram dificuldades em atravessar a barra com equilíbrio. Na quarta semana de resveratrol, no entanto, os ratos mais velhos erravam muito menos e conseguiam acompanhar os ratos jovens.

Em experimentos adicionais, os cientistas também descobriram que os neurônios tratados com resveratrol sobreviveram apesar de serem tratados com dopaminas indutoras de morte celular. A administração de dopamina causa desgaste semelhante ao que é observado com a idade, Cavanaugh disse. Este esforço causa a morte dos neurônios. "Nós acreditamos que o resveratrol ou removeu os subprodutos do metabolismo da dopamina, que são prejudiciais para as células neurais, ou aumentou a resistência das células em si", disse Cavanaugh. 

No entanto, o nível de resveratrol utilizado nas experiências com os ratos era muito alta. Cavanaugh estima que para os seres humanos absorverem quantidades semelhantes de resveratrol, uma pessoa de 150 quilos teria de beber cerca de 700 copos de vinho tinto por dia. Mas ela também pensa que algumas porções ainda podem ajudar os idosos. Além disso, Cavanaugh não acha que um suplemento de resveratrol pode ser tão eficaz. "Nós pensamos que o resveratrol é melhor adquirido através da dieta", ela disse. "Na verdade, fizemos uma comparação entre um suplemento de resveratrol com uma dieta de mirtilo e nossos dados preliminares sugerem que a fruta inteira pode ser mais eficaz em reverter déficits motores relacionados à idade".


Matéria originalmente publicada em www.winespectator.com.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Portugal Enogastrocultural, quem topa?!

Eu sei que tenho alguns leitores, que assim como eu, tem uma quedinha pelos vinhos dos nossos patrícios, não é mesmo? Pois é para vocês, e para todos os outros que tiverem interesse em viagens, enogastronomia e afins, enfim a todos os meus leitores, que deixo esta dica imperdível. Meu amigo João Filipe, dono da loja Vino & Sapore, profundo conhecedor de vinhos e um grande pessoa esta organizando mais uma turma para uma viagem rumo a Portugal para enófilos com visitas a vinícolas, lagares e muitas outras atividades relacionadas. Segue abaixo o press release enviado pelo próprio:

" Meus caros, depois do estrondoso sucesso que foi nossa primeira viagem por Portugal em Fevereiro, para quem não acompanhou pode acompanhar pelos posts do Ricardo Gaffée em seu delicioso blog de gastronomia e viagens, posts de Fevereiro a inicio de Março http://www.amigogourmet.com/#!/2012/02/portugal-dao-casa-de-santar.html, eis mais uma viagem, com alguns ajustes sobre a primeira, uma oportunidade que você não pode perder. Quinze dias, de 6 a 20, numa viagem de descobrimentos pelo que Portugal tem de melhor. A época é propicia, final da colheita das uvas e inicio da de azeitona o que vem a calhar para nossa visita a um dos principais produtores de azeite do Alentejo. Mais do que ficar aqui contando vantagens e tentando "dourar a pílula" deste saboroso roteiro de Norte a Sul de Portugal, sugiro ler o programa de viagem anexo. Quinze dias com quase tudo incluso e um preço abaixo dos quatro mil Euros, uma oportunidade que tem que ser aproveitada. Garanta logo seu lugar ligando para a operadora parceira que escolhemos para mais este projeto da Inês e meu, desta feita a Primordial Turismo (dados de contato no roteiro). O legal é que dá para usar milhagem!

Abraço, espero poder ter vossa companhia em Outubro e fico ao vosso inteiro dispor para sanar qualquer eventual duvida que possam ter lembrando que nessa eu embarco junto!"

Infelizmente não tenho como aproveitar a oportunidade, mas quem me conhece um pouco sabe que um de meus grandes sonhos é conhecer um pouco deste Portugal vinícola e que eu não costumo fazer propagandas aqui no blog, a não ser de eventos e similares que valham a pena, como é caso deste post. Para maiores informações, sugiro que acessem o blog do João Filipe, o  Falando de Vinhos, ou entrem em contato com o mesmo através dos telefones: (011) 4612.6343/1433.

O que você está esperando? Entre em contato.

Até o próximo!

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Cuvée des Drilles 2009

Mais uma vez tenho que começar uma postagem me desculpando por um período de ausência. Sei que meus leitores não são culpados e que eu tenho que me programar melhor para dar continuidade as postagens mas compromissos e viagens profissionais fizeram com que eu me afastasse um pouco do blog. Espero que entendam. 

Bom, de volta ao mundo dos vinhos, este final de semana foi de celebração: voltei de uma viagem proveitosa de trabalho, revi as pessoas que gosto tanto lá como aqui, enfim, muitos motivos para me sentir feliz. E nada melhor do que acompanhar a refeição especial de domingo com um bom vinho. O escolhido desta vez foi um francês simples, porém muito saboroso trazido pela mais do que competente e amplamente discutida aqui, a Cave Jado. Este vinho é oriundo da região francesa de Sud-Ouest, região vizinha a Bordeaux mas que segundo diz a história, mais antiga. É conhecida por possuir vinhas velhas de uvas autóctones francesas e pouco conhecidas/cultivadas fora de lá. Especificamente este vinho pertence a AOC Gaillac e é composto de um corte das uvas 80% Duras, 10% Fer Servadou e 10% Gamay. Sem maiores delongas, vamos as impressões sobre o vinho.


Na taça apresentou uma bonita coloração vermelho violácea de média intensidade, com ligeiro halo aquoso. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas ajudavam a tingir as paredes da taça.

No nariz apresentou aromas de frutas vermelhas e escuras, toques de especiarias e ligeiro tostado no fundo de taça.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos finos e macios. Retrogosto confirma o nariz trazendo muita fruta fresca e toques de especiarias. Final de média duração.

Mais um bom vinho apresentado pela Cave Jado, num bom custo benefício (a nova safra, 2011, está saindo por R$ 59,00). Vinho fresco, alegre, frutado que tende a agradar o paladar até dos pouco iniciados no mundo do vinho. Eu recomendo!

Até o próximo!

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Consumo moderado e regular de vinho diminui o risco de artrite

Mulheres que consomem quantidades moderadas de álcool durante uma década mostraram um risco muito menor de apresentar artrite reumatoide. Um estudo sueco relata que a longo prazo, o consumo de álcool, reduz de maneira significante o risco de desenvolvimento de artrite reumatoide. As mulheres que bebiam mais de três doses de álcool por semana eram 37% menos propensas a desenvolver artrite reumatoide (AR) do que as mulheres que não bebiam. Mulheres que bebem uma ou duas doses por semana tinham o risco de apresentar tal doença reduzido em 14% quando comparadas a outras mulheres abstemias.

O estudo, publicado recentemente no site do British Medical Journal, acompanhou as mulheres suecas de 1987 a 1997, examinando-as sobre seus hábitos de vida. Os hábitos de consumo foram comparados aos ataques de inflamação articular. Pesquisas subsequentes de acompanhamento foram realizadas com as mais de 34 mil mulheres remanescentes entre 2003 e 2009, com resultados semelhantes.

Os autores do estudo indicaram, e confirmaram com seus próprios dados, que a curto prazo o consumo de álcool pode reduzir imediatamente a possibilidade de inflamação RA. Mas os pesquisadores queriam saber se a longo prazo o consumo regular e responsável de álcool também ajudaria a impedir a resposta auto-imune que provoca surtos de RA. Segundo a principal autora do estudo, Daniela Di Giuseppe, uma estudante Ph.D. da divisão de epidemiologia nutricional no Instituto Karolinska, em Estocolmo, tudo indica que sim. "Observamos que o maior benefício foi para o longo prazo do consumo de álcool", disse Giuseppe. "Portanto, eu acho que nossos resultados são de interesse para todos, não só os idosos".

Giuseppe disse que o álcool age contra a doença, regulando as respostas auto-imunes, diminuindo a produção de produtos químicos que causam a inflamação. Giuseppe e sua equipe acreditam que o álcool ajuda a reduzir a atividade de citocinas, proteínas usadas na comunicação intercelular. Giuseppe acrescentou que, embora a maioria das mulheres preferia vinho ou cerveja, é provável que o próprio álcool forneça a proteção contra a artrite. "Quando analisamos os tipos de álcool separadamente, não observamos qualquer diferença", disse Giuseppe, advertindo contra a mudança de hábitos de consumo. "No entanto, é melhor ser cauteloso até que outros estudos prospectivos confirmem nossos resultados".

Matéria original publicada em www.winespectator.com

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Sabor Real Viñas Centenarias 2007

Continuando no velho mundo, cruzando a fronteira da península ibérica, caímos agora na Espanha (mais especificamente na região de Toro), que já teve vinhos degustados e apresentados por aqui em outras oportunidades. Como não deveria deixar de ser, um típico vinho espanhol  é feito com a uva Tempranillo, e isto parece ser levado a um grau extremo neste vinho, que segundo diz o produtor se utiliza de uvas Tempranillo (ou Tinta de Toro, seu "apelido" nesta região) colhidas em vinhas com mais de 100 anos de vida. Além disso tem envelhecimento em carvalho por 12 meses para envelhecimento. Uma curiosidade a mais neste vinho é que apesar de ter um preço bastante razoável para nosso mercado (fora adquirido por R$ 49,00 na Via Vini) o mesmo recebeu 91 pontos do Robert Parker e já foi considerado por ele um bom custo benefício. Não sei se a nota é exagerada, mas o vinho realmente merece o "selo" best buy. Sem mais enrolação, vamos ao vinho.


Na taça, contrapondo a sua idade, o vinho apresentou uma cor rubi violácea bastante intensa e quase intransponível, com ligeiro halo aquoso na borda. Lágrimas finas, lentas e quase sem cor completava o conjunto visual.

No nariz o vinho abriu com notas de frutas vermelhas maduras, tabaco e toque de especiarias deixando o aroma apimentado. Bem exuberante, o vinho ainda apresentou um pouco de chocolate e madeira.

Na boca o vinho era encorpado, tinha uma boa acidez e taninos marcados, presentes e de excelente qualidade. No retrogosto o vinho confirmou o nariz trazendo fruta madura (entrada de boca quase doce) e final apimentado de média para longa duração.

O vinho confirmou as expectativas e é realmente interessante e sem defeitos, para quem gosta de um estilo mais novo mundo ("pancadão"), este vinho irá agradar em cheio. Opulento e carnudo, o vinho realmente enche a boca. Eu recomendo!

Até o próximo!

domingo, 5 de agosto de 2012

Fiuza 3 Castas Branco 2010

Mais um dia de calor e a vontade de tomar um vinho refrescante me levou a procurar em minha adega algo que se encaixasse na descrição. Foi quando me deparei com este vinho do já discutido por aqui Fiuza & Bright. Eu considero este e o tinto (já comentado aqui) como vinhos curiosos pela "mistura" de uvas típicas portuguesas com uvas internacionais que acabam por se complementar. No caso deste vinho, especificamente, é composto pelas uvas Chardonnay, Arinto e Vital, sem proporções identificadas. Vinho que tem apelo jovem e que deve ser consumido resfriado. Vamos as impressões.


Um bonita cor amarelo dourado com reflexos ligeiramente esverdeados compunham o aspecto visual juntamente com lágrimas finas, rápidas e incolores.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutas tais como pêssego e abacaxi, toques de mel e flores além de algo que lembrava um pouco de fósforo. Tudo muito bem integrado e sem se tornar enjoativo.

Na boca um vinho de corpo médio, uma boa acidez e retrogosto que confirma as frutas e flores do nariz num final de média duração.

Mais um vinho bacana de bom custo benefício que pode ser adiquirido na Vinea por aproximadamente R$ 40,00. Eu recomendo.

Até o próximo!

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Marimbondos e vespas podem ajudar no processo de fermentação?


Mais um artigo que pode entrar para facilmente para o marcador de curiosidades do vinho. Eu achei até certo ponto interessante, mas eu ainda fico um pouco cético quando a mudanças no vinho ou no seu método de fermentação, pelo menos a curto prazo. Vejamos o que diz este estudo retirado originalmente do site www.thedrinksbusiness.com .



Pesquisadores da Universidade de Yale descobriram que as vespas e marimbondos transportam a levedura responsável pela fermentação da cerveja, do vinho e do pão.

O estudo, publicado recentemente na revista Proceedings of National Academy of Sciences Journal, constatou que a levedura pode viver no intestino da vespa enquanto ela hiberna durante o inverno. Quando as vespas mordem as uvas na videira, deixam para trás traços da levedura Saccharomyces cerevisiae, o que ajuda a iniciar o processo de fermentação dos bagos. Os pesquisadores usaram o sequenciamento de DNA para analisar os genes da levedura, rastreando-os de volta ao intestino das vespas.

Outros insetos e pássaros também carregam o fermento, mas as vespas desempenham um papel especial, uma vez que o transportam a levedura durante o inverno e podem transmiti-la aos seus descendentes. O estudo descobriu que as vespas também introduzem outros microorganismos para as uvas, que adicionam sabores ao vinho. De acordo com Duccio Cavalieri, professor de microbiologia da Universidade de Florença e um dos autores do estudo, o vinho não teria o mesmo sabor sem o fermento deixado para trás.

"As vespas são os melhores amigos de um amante do vinho", disse Cavalieri, que vem de uma família de produtores de vinho em Chianti. "O estudo mostra que é fundamental olhar para a conservação e o estudo da biodiversidade - tudo está ligado", acrescentou.

Os antigos romanos pareciam conhecer o papel que os insetos desempenham no processo de vinificação. Eles freqüentemente plantavam jardins ao lado de seus vinhedos para atrair vespas e outros insetos que gostavam de uvas para as vinhas.

E você leitores do Balaio, o que pensam a respeito? Deixem seus comentários e impressões sobre o assunto depois de lerem este artigo!

Até o próximo!

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Pedroncelli Three Vineyards Cabernet Sauvignon 2009

Finalizando os posts dos vinhos degustados neste final de semana, falaremos agora de mais um belo exemplar americano, digno da fama que os vinhos feitos com a uva Cabernet Sauvignon tem por lá. Este é mais um vinho que me foi apresentado pelo clube de vinhos da SmartBuyWines, o qual já devo ter falado por aqui outras vezes. 


A vinícola Pedroncelli está localizada em Dry Creek Valley, no condado de Sonoma (nos EUA) e pertence a família de nome que dá origem a mesma, Pedroncelli, desde meados dos anos 20. A propriedade e a plantação, como de costume na região, se iniciou com o plantio de vinhedos de uvas Zinfandel. Depois porém houve a expansão e outras variedades foram adicionadas ao portfólio da vinícola. Como o próprio nome do vinho sugere, uvas de três vinhedos foram utilizadas neste blend, a saber: Cabernet Sauvignon (78%), Cabernet Franc (15%) e Merlot (7%). A parcela de Cabernet Sauvignon passa ainda por envelhecimento em carvalho americano (70%) e francês (30%) por 12 meses. Para finalizar, possui 14,3% de grau alcoólico. Vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor rubi violácea de grande intensidade e pouca transparência, com lágrimas finas, coloridas e ligeiramente lentas tingindo as paredes da taça.

No nariz o vinho se mostrou bem aromático, com frutas vermelhas em destaque num primeiro plano, seguidos de pimenta e toques de madeira. Depois de um tempo, pude sentir também um pouco de baunilha. De qualquer maneira os aromas estavam bem integrados.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos presentes, marcados porém de excelente qualidade. Retrogosto lembrando frutas vermelhas e chocolate. Final de média duração.

Mais um grande vinho, acompanhou com grandeza um belo medalhão de filet mignon com risoto de palmito.  Custou cerca de R$ 90,00 e valeu cada centavo. Eu recomendo!

Até o próximo!