sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Dicas para comprar melhor seu vinho

De vez em quando algumas pessoas me perguntam como eu faço pra comprar meus vinhos e pedem dicas de como proceder quando querem se iniciar no mundo dos vinhos. Acontece que nem sempre eu sei ao certo como responder tal pergunta. Evidentemente que sempre que possível eu digo: "siga seu gosto e prove o vinho antes de levá-lo pra casa". Evidentemente que nem sempre isto é possível, mas em minhas andanças virtuais encontrei um pequeno apanhado de dicas que eu acho que podem ser úteis e resolvi compartilhar. Se vocês, prezados leitores, quiserem concordar, discordar ou acrescentar algo, por favor insisto para que façam, que tornem este post bem interativo. Seguem as dicas:


1. Sempre provar antes de comprar. Não fique preso comprando o que os seus amigos ou os críticos chamam de melhor. Confie no seu próprio paladar. Prove uma garrafa antes de comprar seis garrafas ou uma caixa de determinado vinho;

2. Diversifique sua coleção. Você pode ter paixões por um determinado tipo de vinho ou outro, mas a variedade é o tempero da vida com vinho, então faça suas compras sempre de maneira diversificada;

3. Busque sempre o bom custo benefício. Mude sua maneira de encarar determinados vinhos e procure sempre aquele que lhe dê mais prazer gastando uma menor quantia de dinheiro;

4. Beba os seus vinhos antes que eles fiquem demasiadamente velhos. Até mesmo os vinhos tintos com maior capacidade de envelhecimento (alguns dignos representantes de Bordeaux, por exemplo) atingem um ápice de prazer com 10 anos ou pouco mais que isso. Afinal de contas, você pagou um bom dinheiro por seus vinhos, não os deixe estragar;

5. Mantenha os custos em perspectiva. Alguns vinhos finos são caros, mas muitos vinhos bem feitos a preços razoáveis ​​são ignorados porque eles não têm a imagem e o prestígio dado a vinhos mais caros;

6. Comprar vinho em caixas. A maioria dos varejistas oferecem descontos ou garrafas extras quando você adquire quantidades maiores. Caso não vá consumir uma grande quantidade de determinado vinho, se junte a amigos, parentes e outros para efetuar a compra;

7. Cuidado com a estrela do ano passado. O herói do ano passado pode vir a ser o bode deste ano;

8. Estoque um determinado vinho que você mais gosta de modo que você não fique sem ou hesite em abrir a última garrafa;

9. Investir no mercado futuro pode ser um negócio (muito) arriscado;

10. Reúna seus vinhos com rima e da razão. Pense sobre suas necessidades antes de partir para a farra com o seu dinheiro.

E então, prezados leitores, o que acharam da lista? Enviem suas sugestões também!

Até o próximo!

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Câncer de mama x consumo de vinho: inimigos?

Normalmente eu vinha colocando por aqui diversas notícias discorrendo sobre os benefícios do consumo de vinho para a saúde (em maior ou menor grau) mas me parece que esta notícia vai trazer um ponto controverso e que pode colocar em cheque muitos outros estudos. Leiam trechos da reportagem original, publicada no site da revista WineSpectator.

Um novo estudo da Associação Americana para Pesquisa do Câncer desafia a noção de que o consumo de álcool por si só é um fator de risco para o câncer de mama em mulheres pós-menopáusicas. O risco aumenta substancialmente quando as mulheres realizam terapia de reposição hormonal: o estudo encontrou um risco 60 por cento maior para as mulheres que consomem bebidas alcoólicas ao se submeterem a terapia em comparação com as mulheres que bebem álcool de forma responsável e não estão na reposição hormonal.

"Tanto a terapia hormonal combinada, particularmente o estrogênio e progesterona (EPT) quanto o álcool têm sido relacionados ao câncer de mama", disse a principal autora do estudo, Pamela Horn-Ross, pesquisadora do Instituto de Prevenção do Câncer da Califórnia. E os pesquisadores notaram um "aumento não-significativo no risco" entre as mulheres que nunca usaram terapia hormonal, mas ainda consumiam álcool. "O EPT aumenta muito mais o risco do que o consumo moderado de álcool (cerca de uma dose por dia) e o nosso estudo sugere que o consumo moderado de álcool não tem um impacto negativo no risco de câncer de mama na ausência de EPT", disse Horn-Ross.

Horn-Ross e sua equipe contaram com dados do California Teachers Study, que acompanhou mais de 130 mil mulheres pós-menopausa por um período de 10 anos. O estudo, previsto para publicação na Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention, puxou os dados de 40.000 dessas mulheres. Destas, 660 foram diagnosticadas com câncer de mama invasivo durante os 10 anos. Os dados sobre os seus hábitos de consumo também foram anotados, bem como a participação na terapia de substituição hormonal, a qual é utilizada como um tratamento para os sintomas associados com a menopausa. Horn-Ross também sugeriu que o consumo responsável de álcool pode ter benefícios outros para as mulheres. "O consumo moderado de álcool pode reduzir o risco de doença cardíaca, o que é mais comum entre as mulheres do que câncer de mama é", disse ela.

O tema do papel do álcool na patologia do câncer de mama é muito disputado na indústria médica. O estudo mais recente não vai diminuir as chamas. Dr. Harvey Finkel, oncologista da Universidade de Boston Medical Center, analisou o estudo como parte do trabalho crítico com o Fórum Internacional Científico sobre Pesquisa de Álcool. "O papel do álcool na gênese do câncer de mama continua a ser confuso, mesmo em conflito", disse ele. "Devem haver subconjuntos de indivíduos ainda não precisamente dissecados que contribuem para as diferenças entre os resultados dos estudos epidemiológicos", acrescentou. "Pode-se esperar que estudos como o presente vai ajudar, embora claramente não são quase pronto para escrever uma teoria padrão."

Até o próximo!!

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Casa Marin Riesling Miramar Vineyard 2009

Como já é de praxe aos domingos, um almocinho diferente e gostoso costuma ser preparado por meus pais.  E não foi diferente neste final de semana. Um belo salmão feito no forno, coberto de alcaparras, tomate, cebola e champignons numa cama de cebola, levemente temperado com pimenta e sal. Como acompanhamento, um arroz com brócolis. Eu sempre me deparo então com a pergunta clássica: que vinho eu vou abrir pra acompanhar estes pratos? E foi ai que a resposta veio quase que instintivamente, tendo em vista que dias atrás havia comprado alguns vinhos brancos da Casa Marin e estava doido pra prová-los. Foi então a escolha do dia: Casa Marin Riesling Miramar Vineyard 2009.


Sobre a vinícola, falei um pouco sobre no blog em outra ocasião (relembrem aqui) e por isso vou tentar me manter somente no vinho, para não tornar a postagem cansativa. O vinho é feito com uvas 100% Riesling colhidas no vinhedo chamado Miramar, no Vale do Santo Antonio no Chile. Possui 12,5% de grau alcoólico e não passa por madeira. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma coloração amarelo palha com reflexos dourados de média intensidade. Lágrimas finas, rápidas e incolores também fazem parte do aspecto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas lembrando plástico, flores e frutos de polpa branca. Todos bem misturados e se alternando na taça. Uma delícia.

Na boca o vinho tinha corpo médio, ótima acidez e trazia notas minerais acentuadas, deixando o final do retrogosto frutado com aquela sensação salgada numa boa dose de duração.

Mais um grande vinho produzido por esta vinícola, que vale o quanto custou (algo em torno de R$ 70 reais). Este é trazido pela Vinea. Combinou muito bem com os pratos deste domingo. Eu recomendo!

Até o próximo!

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Haras Elegance 2007

Já faz algum tempo eu tempo eu venho contando os dias para que a semana se acabe rápido, mas especialmente nesta última semana que foi pesada, corrida e cansativa, eu contei não somente os minutos mas os segundos e quando eu cheguei em casa na sexta feira, queria mesmo é relaxar. E nada melhor do que comer uma comidinha gostosa e um bom vinho pra acompanhar. O prato da noite era um macarrão do tipo "fusili" de várias cores com molho parecido com carbonara (ovos, presunto e queijo) que depois de cozido foi ao forno para uma espécie de gratinada. Para acompanhar, eu escolhi o vinho do título. Eu sei que a maioria de vocês irá torcer o nariz e dizer que minha escolha não iria harmonizar muito bem, e digo que vocês tem razão, mas eu olhei este vinho na adega, ele olhou pra mim e quis vir pra mesa, não tive muita opção.


Não vou falar muito sobre a vinícola (Haras de Pirque) por que contei bastante sobre a mesma na oportunidade de minha visita ao Chile em abril deste ano (relembrem aqui). Sobre o vinho, o mesmo é elaborado com 85% de uvas Cabernet Sauvignon, 12% de uvas Syrah e 3% de Cabernet Franc, mas por legislação é considerado um varietal Cabernet Sauvignon. Após a fermentação o vinho passa por 16 meses em carvalho francês para afinamento e maturação. Tem percentual de álcool de 14,5% . Vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor violácea escura, densa e quase impenetrável. Lágrimas mais grossas com muita cor completam o conjunto visual, não denotando a idade já mais avançada deste vinho.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutas escuras, muita especiaria (pimentas e folhas de tempero), madeira, toques mentolados e algo terroso. Bastante complexidade sem no entanto perder a harmonia.

Na boca o vinho se mostrou encorpado, com taninos finos, redondos e de excelente qualidade aliadas a uma acidez ainda bem viva e gostosa. Retrogosto trazia frutas e especiarias num final de longa duração. 

Mais um grande vinho vindo de nossos vizinhos chilenos, que alia aquele poder do novo mundo com certa elegância do velho mundo (dai o nome do mesmo). Foi comprado no varejo da vinícola e infelizmente o valor se perdeu, mas eu recomendo que provem. E sobre a harmonização, realmente não foi das melhores. Mas quem se importa, tanto a comida como o vinho são fantásticos!!

Até o próximo!

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Château des Estanilles Blanc 2007

Com o calor quase senegalês que vinha fazendo aqui em sampa, nada melhor do que um bom vinho branco para acompanhar um almoço leve, tendo como prato principal peixe, não é mesmo? E depois de pensar um pouco, acabei optando por este bom exemplar francês, trazido pela Cave Jado. Aliás, quando o vinho foi trazido e apresentado ao público no próprio show room da importadora, eu estive presente e lá já havia constatado sua qualidade (relembrem aqui). Agora com mais tempo, só pude comprovar o que eu havia notado naquele dia.


Este vinho vem da região de Côteaux du Lanquedoc, mais ao sul da França. Colando do post anterior: o vinho é produzido pelo Château Des Estanilles, que está situado numa região entre o Mediterrâneo e o sopé das montanhas de Espinouse e Cévennes, na aldeia de Lenthéric, sendo parte do município de Cabrerolles, uma das sete aldeias da denominação Faugères. As vinhas se estendem ao longo de 35 hectares de encosta, a 300 metros de altitude, sobre um dos solos a denominação de melhor qualidade, o nome do domaine vem da junção do nome das parcelas Estagnols e Fontanilles. O produtor sempre se utilizou de uma agricultura limpa, orgânica e sem químicos e defensivos agrícolas sendo que a partir de 2010 seus vinhos levarão no rótulos o selo de vinhos orgânicos/biodinâmicos. O vinho em questão é feito com uvas Marsanne e Roussane (70/30) onde ambas as variedades são vinificadas juntas  e maceradas com as cascas sendo decantando a frio posteriormente. 80% da combinação é fermentada em tanque, 20% em barris novos.
Amadurecido em tanque e barril sobre borras finas, por nove meses. Bom, vamos as impressões sobre o vinho.

Na taça uma bonita cor amarelo dourada, com lágrimas finas, lentas e sem cor.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos cítricos e brancos, mel e algo amanteigado. Ao fundo de taça era possível notar um pouco de madeira tostada. 

Na boca o vinho corpo médio com certa untuosidade, acidez ainda muito viva, gostosa e com leve toque mineral. Retrogosto trazia ainda muita fruta e mel num final de média duração.

Mais um grande vinho trazido pela Cave Jado, que mesmo com certa idade ainda mostra estar em forma. Custou cerca de R$ 60,00 e vale o quanto custa! Eu recomendo.

Até o próximo!

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Queijo da Serra da Estrela & Vinho do Porto: combinação de cair o queixo!

Para quem achava que a única surpresa da degustação de segunda feira seria o Toro Loco (vide post anterior), continue lendo, se surpreenda e veja que não foi só isso. Nosso anfitrião da noite, o João Clemente da Vino & Sapore, ainda nos brindaria com dois tesouros vindos diretamente de Portugal. Confesso que não sabia muito o que esperar destes tesouros, afinal ainda sou um iniciante na arte de apreciar tais iguarias. Mas confesso que foram momentos de êxtase! 

Créditos da foto para o Evandro, do blog Confraria 2 Panas

O primeiro tesouro apresentado na noite foi um vinho do porto, o Fonseca Guimaraens Porto Vintage 1995.  Como já contei por aqui uma vez, vinhos do Porto são vinhos fortificados e possuem um método peculiar de produção (relembrem aqui). Em adição a esta explicação temos um porto vintage, ou seja, é a classificação mais alta que pode ser atribuída a um vinho do Porto, sendo considerado um Vintage o vinho do Porto obtido da colheita de um só ano, e é uma denominação atribuída apenas em anos considerados de excepcional qualidade. Sofrem um envelhecimento em casco por um período máximo de dois anos e meio, sendo posteriormente envelhecidos em garrafa. O seu potencial de envelhecimento é enorme sendo por isso recomendável a sua guarda por um período nunca inferior a 3 a 4 anos em garrafa. Este vinho deve-se tomar só depois das refeições e pequenas quantidades. Vamos as impressões.

Na taça um vinho de coloração violácea ainda muito intensa tendo em vista sua idade, com ligeiro halo de evolução nas bordas. Lágrimas finas, lentas e com pouca cor também faziam parte do conjunto visual. 

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas escuras e vermelhas, notas de mel, café e toques de madeira. Tudo muito delicado e harmonioso entre si.

Na boca o vinho mostrou ser bem encorpado, untuoso, álcool quase imperceptível (apesar do elevado grau alcoólico), acidez ainda em excelente forma e aquele toque tânico sem exageros. Retrogosto frutado e com toques de mel num final longo e delicioso. 

E é claro que a combinação com o segundo tesouro, o Queijo da Serra da Estrela da Quinta da Lagoa, não poderia ser melhor. O queijo com aquele seu sabor mais forte e ligeiramente mais salgado tem em toda volta  uma casca mais grossa e forte e dentro um queijo extremamente cremoso, com toda sua intensidade  que combinou perfeitamente com o vinho e todo seu vigor, ainda que já tivesse uma certa idade. Fizeram um belo casal! E assim nos despedíamos de uma degustação que ficará marcada na memória dos participantes, com certeza.

Até o próximo!

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Degustando as cegas: o Toro Loco realmente surpreende!!!

Ontem foi um dia para lá de especial. Estávamos diante da última degustação preparada pelo Beto Duarte para o seu guia Brasil as cegas e a saudade já começava a bater, afinal mesmo não tendo participado de todas estas degustações, pude fazer parte deste grupo de pessoas que muito me ensinaram ao longo deste período. E desde já agradeço por dividirem um pouco de seu conhecimento comigo, isso me ajudou muito. E a noite marcaria também por algumas surpresas durante a degustação. E a principal delas atendia pelo nome de Toro Loco Tempranillo 2011.


Para quem não esteve muito por dentro da história deste vinho, nas últimas semanas (talvez meses?) criou-se um hype em cima do mesmo pois durante umas das muitas degustações as cegas promovidas pelo International Wine and Spirit Competition este vinho acabou sendo preferido sobre outros "montros" como Costa di Bussia Barolo Riserva DOCG 2005 e o renomado Stag’s Leap Wine Cellars Artemis Cabernet Sauvignon 2009, isso levando em conta a diferença de preços entre eles: o Toro Loco custa pouco mais de 4 euros e os outros dois com preços dez vezes maiores. Além disso, ganhou nesta mesma competição uma medalha de bronze. Tudo isso somado ao fato de que este vinho é um vinho produzido para venda em uma rede de supermercados britânica, a rede Aldi,  gerou uma mídia muito forte na internet e outras. Produzido na região de Valência, na Espanha, o vinho é feito com 100% de uvas Tempranillo (uva típica espanhola) e não consegui descobrir se o mesmo passa ou não por madeira. Vamos a algumas impressões sobre o vinho.

Na taça ele apresentou uma cor violácea de média pra grande intensidade, pouco transparência e brilho mediano. Lágrimas finas, rápidas e com alguma cor ajudavam a tingir a taça.

No nariz o vinho é essencialmente frutado, com aromas de frutas vermelhas em evidência (cereja principalmente).

Na boca um corpo leve para médio, acidez na medida e taninos finos e macios, de boa qualidade. Retrogosto confirma o nariz num final de média duração. 

O engraçado de tudo isso é que o vinho realmente vale os R$ 25,00 pelo que é vendido, é bem feito e não possui defeitos aparentes mas, o que mais surpreendeu é que nesta degustação fora o preferido de muitos dos participantes e, para "piorar", no meu caso empatou na nota com o franco-argentino Cheval des Andes 2007 (já tendo comentado a safra 2005 aqui). Mais do que uma jogada de marketing, menos do que um ícone, o vinho cumpre e muito bem o seu papel. Em se tratando de vinho para o dia a dia, eu com certeza mais do que recomendo! 

Até o próximo!

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Miolo Lote 43 2008

Ultimamente tenho procurado vinhos que, além de me darem prazer, possam sempre trazer boas lembranças ou compactuar com momentos de felicidade. E é por isso que tenho aberto garrafas que, apesar de não serem vinhos espetaculares, muitas vezes também não podem ser considerados do dia a dia, ao menos para mim. E desta vez o escolhido foi este vinho que eu trouxe de minha viagem ao Vale dos Vinhedos, já distante quase um ano, que estava adormecido em minha adega desde então.


Sobre a Vinícola Miolo, a pouco a acrescentar, afinal todos sabemos que é uma das gigantes do Brasil e que se não é a maior, provavelmente está entre as maiores produtoras em volume de vinhos do nosso país. Veja o que a própria Miolo diz em seu site sobre o vinho: "O Miolo Lote 43 é uma homenagem ao italiano Giuseppe Miolo, patriarca da família. O vinho leva o nome da terra recebida pelo imigrante na época. Sua elaboração adapta o conceito do "cru", que se refere ao pedaço especial de terra cultivada com um vinhedo dentro de uma área de denominação de origem controlada. Elaborado somente em safras excepcionais, é um corte de Cabernet Sauvignon e Merlot, reunidos em um corte harmônico selecionado pelo enólogo da família, Adriano Miolo. Utilizando-se das melhores tecnologias de produção, a Miolo, através do Miolo Lote 43, lança seu "ícone", e ao mesmo tempo ajuda a consolidar a imagem do Brasil como produtor de vinhos de alta qualidade. É um vinho que apresenta características próprias para o envelhecimento e possui estrutura suficiente para suportar muitos anos de garrafa". Complementando as informações, o vinho é um corte de 50% de Cabernet Sauvignon com 50% de Merlot porém não descobri se teve passagem por madeira e qual o período. Enfim, vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor violácea de boa intensidade, brilhante e quase impenetrável, com pouca transparência. Lágrimas finas, rápidas e coloridas tingiam as paredes da taça.

No nariz o vinho abriu com notas de frutas escuras bem maduras, quase secas, grafite, especiarias, flores e toques de madeira, apresentando boa complexidade e harmonia.

Na boca o vinho tinha corpo médio, talvez faltasse um pouco mais de acidez mas com taninos finos e macios. Retrogosto com muita fruta escura e toques mentolados. Final de média para longa duração.

Mais um bom vinho, talvez só precisasse de um pouco mais de acidez, ainda mais por ser o vinho ícona da vinícola. Mesmo assim, recomendo que provem o vinho. Foi comprado no varejo da vinícola por R$ 89,00 e poderia ser um pouco mais barato. 

Até o próximo!

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Chaski Petit Verdot 2008

Com mais um final de semana recheado de emoções, reinícios e descobertas, cheguei a conclusão de que um vinho bacana precisava ser aberto para acompanhar o almocinho de domingo. Digo isso pois além de domingo ser o dia em que sempre temos uma comidinha delicinha em casa, esta semana contamos com visitas de pessoas especiais e importantes em minha vida e nem hesitei em escolher a dedo mais um vinho na adega. E desta vez a escolha veio do Chile, vindo de minha viagem pra lá em Abril deste ano, quando pude visitar a vinícola Pérez Cruz (relembrem aqui). Sendo assim, não irei me ater muito a discutir sobre a vinícola mais uma vez, indo direto ao vinho propriamente dito.


Este vinho apesar de ser considerado um varietal Petit Verdot (por legislação), existe uma pequena adição de Carmenére, que na safra de 2009 foi algo em torno de 9% (não achei informação da quantidade adicionada na safra 2008, degustada). É um vinho que pode ser considerado intermediário dentre as linhas da vinícola, passando por envelhecimento em barricas francesas e americanas. Vamos as impressões.

Na taça uma cor rubi violácea de grande intensidade, brilho e transparência moderadas mas bem bonita. Lágrimas finas, rápidas, bem coloridas e em grande quantidade ajudam a tingir as paredes da taça.

No nariz o vinho abriu com aromas de frutas escuras, notas mentoladas, chocolate, especiarias e uma toque animal que não consegui identificar ao certo o que seria. Um vinho que apresentou boa complexidade aromática.

Na boca o vinho se mostrou encorpado, com boa acidez e taninos finos, redondos e devidamente integrados ao restante dos elementos do vinho. O retrogosto trazia a tona muita fruta escura e chocolate com menta. Um final de longa duração nos brindava com a lembrança do vinho.

Eu sou suspeito pois gosto dos vinhos da Pérez Cruz, e acho que este aqui já está num nivel acima dos demais falados até hoje por aqui. Valeu a visita e a compra lá na vinícola! E além disso, foi bem com a lasanha e a carne assada feita no final de semana!! 

Até o próximo!

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Visita a Fábrica da Baden Baden

Aproveitando minha última viagem a Campos do Jordão, programei uma visita a Cervejaria Baden Baden para conhecer um pouco mais sobre esta cerveja. Vejam bem, não sou muito conhecedor do assunto e sei que esta não é a vertente principal do blog, mas achei por bem brindar meus leitores com meus pontos de vista sobre a visita.

O agendamento é super simples e é feito por telefone (que pode ser encontrado no site da cervejaria http://www.badenbaden.com.br/). Evidentemente que fiz este tour fora de temporada e não sei ao certo com quanto tempo de antecedência deve ser feito o agendamento. A questão é que eu fiz com dois dias antes da visita e mesmo com bastante gente, consegui minha vaga. O preço é fixo de R$ 15,00 por pessoa, o que considerei justo. Agora um pouco de história. 

Em meados do ano de 1999, alguns amigos se juntaram e resolveram por em prática um antigo sonho: produzir cervejas artesanais e gourmet no Brasil. Desta união surigu então a Baden Baden. A primeira produção (chopp) se deu já em abril de 2000 sendo que a primeira cerveja apareceu em 2001. A partir dai diversas linhas de cervejas foram sendo lançadas e o público brasileiro começou a descobrir o verdadeiro sentido da harmonização de cervejas e comidas. A cervejaria já teve inclusive suas cervejas participando e ganhando prêmios internacionais do segmento, o que mostra a força e a qualidade desta empresa. Pra finalizar, em meados de 2007 a cervejaria passou a fazer parte do grupo Schincariol.


A visita em si é curta já que o parque fabril é pequeno e o processo até certo ponto bem artesanal. A cerveja nasce da combinação de quatro itens essenciais: água, malte, lúpulo e fermento. A partir dai, variações no tipo do malte, cereal que transfere sabor ao líquido final, modificam aromas/cores e sabores, a adição de outros itens tais como essências de frutas, processo adicionais de fermentação e assim por diante é que fazem com que se criem outras linhas de cervejas. O lúpulo é uma erva e em grande parte é responsável por conferir o amargor característico das cervejas. Grandes tanques de inox são os responsáveis pela guarda e armazenamento da cerveja durante as etapas do processo, que depois é bombeado para a área de engarrafamento e expedição. Evidentemente existem etapas intermediárias como filtrações, maturação, etc mas esta parte não é tão detalhada assim na visita (talvez devesse).


Passada esta parte fomos direcionados a sala de degustação, onde pudemos provar dois tipos diferentes de cerveja: a Cristal,  pilsen comum porém mais leve e saborosa; e a bock, cerveja escura feita com malte tostado, trazendo aromas e sabores que lembravam tostados e nozes num final levemente adocicado. Ambas deliciosamente cremosas e saborosas, devem ser degustadas em ocasiões diferentes.


Finalizamos a visita dando aquela rápida passadinha pela loja da cervejaria onde além de podermos adquirir toda a linha de cervejas, existem acessórios e roupas todas estilizadas pela marca. Os preços das cervejas não diferem tanto assim de outros lugares, a única diferença é a facilidade de encontrarmos uma maior variedade e tanto cervejas mais frescas. 

Para quem estiver de passeio marcado para Campos do Jordão e ainda não tiver conhecido a cervejaria, eu recomendo a visita. É um atrativo a mais na cidade e um programa gostoso pra se fazer mesmo em família. Eu recomendo!

Até o próximo!

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Stellenzicht Golden Triangle Pinotage 2010

E eu já via o final do meu ótimo final de semana se aproximando quando cheguei em casa, domingo a tardezinha, já no poente do sol para seu merecido descanso após tanto nos aquecer durante ambos o sábado e o domingo. E como eu estava radiante, só encontrava motivos para comemorar, resolvi que iria abrir mais uma garrafa de um bom vinho para acompanhar o jantar, fosse este qualquer. E não é que chego em casa e descubro que tinha polenta e ossobuco pra comer? O deleite foi completo e o escolhido na hercúlea tarefa de escortar estes pratos foi o sul africano que dá titulo ao post, oriundo da região de Stellenboch.


A região de Stellenboch se caracteriza como uma das mais importantes, se não a mais importante, em termos vitivinícolas sul africanos e é de lá que saem alguns dos mais famosos vinhos do país. E é nesta região que se encontra o chamado "Golden Triangle", segundo especialistas um terroir diferenciado e com muito potencial, demarcado entre o Monte Stellenboch, o Monte Helderberg e uma estrada, e que dá nome ao vinho em questão. A produtora, Stellenzicht Vineyards (o que curiosamente quer dizer "Vista de Stellenboch") tem suas vinhas plantadas nesta região, bem próximos ao mar e em elevações que variam de 100 a 400 metros acima do nível do mar. Todos estes fatores somados a uma variedade de solos característicos da região fazem com que as uvas ali plantadas e colhidas sejam de muita qualidade, qualidade esta repassada aos vinhos da vinícola. 

Falando um pouco sobre o vinho, o mesmo é feito de uvas 100% Pinotage colhidas manualmente e fermentadas em tanques de inox e parte em barricas de carvalho. Depois da fermentação, o vinho final passa por um período de 16 meses de maturação em carvalho americano e francês. Possui ainda 14,5% de graduação alcoólica. Vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor violácea profunda e brilhante quase sem nenhuma transparência. Lágrimas finas e relativamente lentas mas com muita cor tingiam as paredes da taça e complementavam o aspecto visual.

No nariz o vinho abriu com aromas de frutas escuras passando depois por aromas de madeira, canela, toques herbáceos e de pimenta. Um vinho deveras complexo e elegante, os aromas se mostravam harmônicos e exuberantes.

Na boca o vinho se mostrou encorpado, carnudo, com taninos marcados porém com muita qualidade e uma boa acidez, tornando o vinho bem suculento. Retrogosto trazia muita fruta escura e lembrança de canela. Final de longa duração.

Realmente um baita vinho, foi muito bem com a comida e serviu ainda pra fechar com chave de ouro o final de semana. Foi comprado no free shop do aeroporto de Guarulhos por cerca de R$ 40,00 e se fosse encontrado por este preço, seria uma compra certa. Eu recomendo.

Até o próximo!

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Foppiano Vineyards Estate Bottled Pinot Noir 2009

Ocasiões especiais merecem sempre vinhos especiais, não é mesmo? O cenário era muito favorável: friozinho, serra, lua cheia, lareira, boa companhia, enfim muitos aliados para a ocasião. E foi assim que, para celebrar o início de um novo relacionamento, a companhia da pessoa que se gosta, enfim, para brindar a nossa felicidade, este foi o vinho escolhido. E acredito que a escolha não poderia ter sido melhor.


Este vinho é proveniente do Russian River Valley, AVA até certo ponto recente dos EUA, e responsável por um novo hype quando falamos desta uva nos EUA, localizada mais precisamente no condado de Sonoma. A Foppiano Vineyards é uma vinícola cuja propriedade está na mesma família a um século e quem cuida deste vinho já faz parte da quinta geração da mesma, o que segundo os produtores faz com que a mesma qualidade de frutas tenha sido plantada e colhida ao longo deste anos. Segundo a critica especializada, a colheita de 2009 foi uma das melhores já vistas na região. A colheita das uvas deste vinho especificamente foi feita a noite para se fazer valer das temperaturas mais amenas e ainda para evitar a oxidação das uvas. Depois da fermentação o vinho passa por 14 meses em barricas novas e usadas de carvalho francês. Vamos as impressões sobre o vinho. 

Na taça uma linda cor rubi, bastante brilhante e transparente, fazendo lembrar todas características dos vinhos mais típicos da casta. Lágrimas finas, rápidas e incolores complementavam o aspecto visual.

No nariz aromas de frutas vermelhas abundavam, seguidos de leves toques de baunilha e flores. Todos devidamente em seu lugar, sem sobreposições e/ou agressividade, mais uma vez trazendo a tona a leveza e a característica suavidade atribuída aos vinhos feitos com a uva Pinot Noir.

Na boca um corpo médio, acidez na medida e taninos finos, suaves e bem macios. Retrogosto frutado confirmando o nariz num final de média para loga duração. 

Mesmo não sendo um expert em Pinot Noir, esse vinho me chamou muito a atenção por aliar este estilo novo mundista de vinho com a austeridade própria dos vinhos considerados mais velha guarda. Além disso foi delicioso em acompanhar uma refeição composta por truta ao molho de alcaparras e massa ao molho carbonara. E como não ressaltar que foi um excelente parceiro na celebração da felicidade, ah e como foi! Eu recomendo! E que venham muitas outras celebrações!

Até o próximo!

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Quais fatores afetam os preços dos vinhos?

Estava lendo a coluna de perguntas e respostas do site da WineSpectator quando me deparei sobre uma discussão sobre esse assunto e resolvi compartilhar com vocês pra discutirmos o assunto. Tirando o fato do mercado brasileiro ser bem peculiar, carregar um ônus enorme de impostos e taxas, falta de incentivo, etc, quais seriam os fatores que encarecem (ou não) os preços do precioso líquido de Baco que tanto apreciamos? Vejam o que o colunista do site disse a respeito:

"Primeiro, há uma grande variação nos preços das uvas, barris, vinificação e embalagens. Alguns vinhedos são cultivadas para ter rendimentos muito mais elevados do que os outros, colheita a máquina é mais barata do que colheita manual, e se você não quiser arcar com os custos de barris de carvalho, você pode usar chips de carvalho, mais acessíveis.

Fora dos custos reais de se fazer um vinho, o preço às vezes é definido pelo valor percebido. Alguns vinhos são precificados num máximo o qual o mercado irá suportar. E alguns amantes do vinho estão dispostos a pagar mais por uma garrafa de vinho, porque eles estão inseridos no conceito e na expressão de garrafas particulares. Você pode usar este mesmo argumento sobre carros caros, sapatos, móveis ou arte. Em algum nível você está pagando pelos componentes de maior qualidade, mas você também está pagando pela propriedade intelectual e pelo design que faz um produto ser mais valioso em sua mente do que o outro".

Sinceramente eu tenho que concordar com o colunista, pois o vinho assim como outros artigos acaba se tornando objeto de desejo e a famosa lei da oferta e procura entra em jogo. E como eu disse no começo, o Brasil tem um mercado ainda mais peculiar, e muitos outros fatores causam maior ou menor influencia sobre o preço ao consumidor do vinho. Depois de ler o artigo, o que vocês leitores acham do assunto? Concordam com as colocações do colunista? Tem algo a acrescentar? Conto com a sua ajuda!

Até o próximo!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Ruffino Chianti 2010

Sabe um dia daqueles em que você chega em casa, cansado e um pouco incomodado com a semana que não fluiu legal, com fome e pensando em comer algo gostoso, não se importando com calorias e afins? Pois é, minha última quinta feira foi assim. E chegando em casa vi que tinha um pedaço de pizza ainda quente e não pensei duas vezes, decidi que iria come-lo. E eu queria um vinho para acompanha-lo, mas não iria abrir uma garrafa inteira e não tinha uma meia garrafa a mão. É nessas horas que se tem sorte de ter um mercado razoável perto de casa, que embora não tenha preços muito convidativos, pode fazer a diferença. E foi lá que eu encontrei este Chianti e como já tinha ouvido falar coisas boas a respeito, resolvi arriscar. E vocês vão conferir abaixo se valeu a pena.


Um pequena pausa para um pouco de história. Chianti, o mais famoso de todos os vinhos italianos, é produzido na região central da Itália, mais precisamente na Toscana, nas cercanias das cidades históricas de Florença e Siena. Os vinhedos de Chianti estão espalhados por toda a região, sendo que em 1932 foram definidas por lei sete zonas produtoras, dentro da apelação. São elas: Chianti Clássico, Colli Aretini, Colli Fiorentini, Colli Senesi, Colline Pisane, Montalbano e Rufina. Mesmo com a introdução das normas de DOC ( Denominazione di Origine Controlata) e DOCG (Denominazione di Origine Controlata e Garantita), estas subdivisões permaneceram inalteradas.

O Chianti tem um lugar especial no coração da vinícola Ruffino. Ele foi o primeiro vinho produzido por Ilario e Leopoldo Ruffino, os fundadores da empresa, e sempre foi referência de qualidade para toda a categoria de Chianti. Para muitos consumidores, Chianti Ruffino são duas palavras inseparáveis. O Ruffino, de fato, influenciou significativamente a percepção de quem gosta de um bom Chianti. Esses vinhos eram tradicionalmente famosos pela garrafa coberta de palha, mas que a partir de 1975 a Ruffino buscando uma nova imagem para os Chianti, substituiu essa tradicional garrafa por uma nova garrafa tipo "Florentina".

Voltando ao vinho, o mesmo é composto por 70% de uvas Sangiovese e o restante de uvas aprovadas no consórcio tais como Canaiolo e Colarino. O vinho passa por madeira, sem período ou tipo de madeira divulgados. Sem mais delongas, vamos a minhas impressões sobre o vinho.

Na taça o vinho apresentou uma cor rubi bonita, brilhante e com certa transparência. Lágrimas finas, rápidas e incolores complementam o aspecto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas vermelhas, terra e notas florais. Todos aromas muito harmônicos e elegantes, com muita qualidade.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez, taninos finos e macios. Retrogosto trazendo de novo frutas e flores num final de média para longa duração.

Um vinho bacana, acompanhou bem a pizza e que eu pretendo revisitar para uma comparação, até por que o preço pago pela meia garrafa realmente era um pouco aquém do esperado. Mas eu recomendo!

Até o próximo!