quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Club Des Sommeliers Pinot Grigio Reserva Brasil 2011

Para fechar o domingo com chave de ouro, um jantarzinho com minha "nova" família se desenhava e eu havia sido escalado, juntamente com minha noiva, para o preparo do jantar. Os pratos consistiam em risotto de shitake, já falado aqui, e salmão ao limão siciliano e alecrim (também já comentado por aqui). E é claro que vinhos não poderiam faltar. Em minha constante busca por novas descobertas e novos vinhos, descobri a linha Club des Sommeliers, exclusiva das lojas Pão de Açúcar/Extra, e com ela diversos vinhos bacanas a preços acessíveis e é de mais um vinho desta linha que iremos falar hoje, o Club Des Sommeliers Pinot Grigio Reserva Brasil 2011. Este vinho é feito com uvas Pinot Grigio colhidas na região da Campanha Gaúcha, considerado por muitos como um dos melhores terroirs nacionais para o plantio de uvas. Como já falei muito sobre estes vinhos (aqui, aqui e aqui) vou direto as impressões.


Na taça uma bonita cor amarelo palha com muito brilho e transparência. Lágrimas finas, espassadas e rápidas também puderam ser notadas.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos brancos tais como abacaxi e outros junto com toques vegetais e algo de mineral ao fundo.

Na boca o vinho tinha corpo de leve pra médio e boa acidez. Retrogosto essencialmente de frutas com ligeiro amargor final que incomoda um pouco de início, mas que com o tempo aberto arrefece e quase desaparece.

Mais um vinho de bom custo benefício que pode agradar neste verão (wait, verão aonde?) por sua refrescância apesar do amargor final que incomoda um pouco no início. Acho que vale a prova apesar de ser dos que provei até agora desta linha, o mais fraco.

Até o próximo!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Viña Honda Monastrell 2007

E como já é de costume nos almoços de domingo, um vinho diferente pra conhecermos. Este veio no SmartBuyWine Club. Um espanhol curioso, feito com uma uva pouco conhecida e pouco consumida no Brasil mas que agrada em cheio até quem pende mais pro lado dos vinhos argentinos e espanhóis por aliar de certa forma potência e elegância, sem perder a essência da fruta. Estou falando do Viña Honda Jumilla Monastrell 2007.


O vinho é produzido pela Bodegas Silvano Garcia na Denominação de Origem Jumilla (na região de Múrcia, na Espanha) onde há a predominânia de um clima mais árido e seco, sendo que entre as regiões próximas é uma das mais importantes em qualidade e quantidade de vinhos. A bodega elevou seu patamar de qualidade quando em 2000 começa a aplicar um processo de colheita um pouco mais cedo que o previsto com o intuito de diminuir os níveis de álcool dos vinhos e obter com uma maior seleção, frutos de maior qualidade e maturação ideal. Este exemplar é um varietal feito com uvas 100% Monastrell (que também pode ser chamada de Mouvédre por ai) e não consegui descobrir se o mesmo passa ou não por madeira. Recebeu nota 90 do RP, o que para muitos pode eleva-lo a um patamar de vinhos considerados muito bons.Vamos conferir?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor rubi violácea com pouco brilho e quase intransponível com ligeiro halo aquoso nas bordas. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas tingiam as paredes da taça. Não aparentava muita evolução mesmo com a idade já avançada.

No nariz o vinho abriu com aromas de frutos escuros e toques de especiarias. Com o tempo uma lembrança de algo mineral também pode ser notada.

Na boca o vinho mostrou corpo médio, boa acidez, taninos finos e macios. Retrogosto trazendo frutas e também especiarias confirmando o olfato sem amargor final, sendo que o vinho apresentava uma duração média em boca.

Mais um vinho interessante que a SmartBuy Wines nos apresenta, e sem sombra de dúvidas não me arrependo de ser sócio de seu clube de vinhos até hoje. Espero que continuem assim. Eu recomendo.

Até o próximo! 

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Club Des Sommeliers Pinot Noir Nova Zelândia 2010

Como eu disse no post anterior, este final de semana foi recheado de vinhos e chegara a vez do sábado a noite, que depois de muita peregrinação em busca de móveis e outros para a casa que estou montando, era hora de relaxar, tomar um vinhozinho e ver um pouco de seriado na tv. Como não tinha nenhuma garrafa comigo na ocasião, passei no mercado próximo e comecei a vasculhar as prateleiras em busca de algo com algum custo benefício e que fosse um pouco diferente do que eu venho provando. A escolha então recaiu sobre este Club Des Sommeliers Pinot Noir Nova Zelândia 2010. Como já falei um pouco sobre esta linha de vinhos (relembrem aqui e aqui), irei diretamente para os detalhes do vinho em si.


Este exemplar é feito com uvas Pinot Noir plantadas em Central Otago, localizada bem ao sul da ilha sul da Nova Zelândia, uma região montanhosa e um pouco mais fria, com dias ensolarados e noites com temperaturas bem mais amenas principalmente no verão, criando condições interessantes para o cultivo desta uva. Vamos as impressões.

Na taça uma cor rubi de média intensidade, com bastante brilho e boa transparência. Lágrimas finas, rápidas e incolores complementavam o conjunto visual.

No nariz aromas de frutos vermelhos bem maduros, quase lembrando balas de morango por exemplo e toques florais. 

Na boca corpo médio, boa acidez e taninos finos e macios. Retrogosto trazendo frutas vermelhas. Final de média duração.

Mais um bom vinho desta linha exclusiva do Pão de Açúcar que custo por volta de trinta e poucos dinheiros,  e que a meu ver vale o investimento para que possamos conhecer vinhos de outras regiões. Eu recomendo.

Até o próximo!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Montgras Reserva Cabernet Sauvignon - Syrah 2011

Depois de uma semana cheia, cansativa e com muita coisa finalizada, cheguei em casa na sexta e só o que eu queria era estar com o meu amor e tomar um bom vinho pra relaxar sem saber que este seria um final de semana repleto de bons vinhos, boa companhia e boas notícias. A escolha desta vez recaiu sobre um vinho que é especial desde sua origem, pois foi um presente de minha sogra em sua recente viagem ao Chile, e portanto se tornou um queridinho meu assim que chegou. Estou falando do Montgras Reserva Cabernet Sauvignon- Syrah 2011.


Sobre a vinícola, retirado do site do produtor: "Localizada na bela e elegante Palmilla, Colchagua, San José de Peralillo representa a evolução e desejo de qualidade constante e possui como filosofia a produção de vinhos chilenos de excepcional qualidade e valor. Sempre teve tecnologia de ponta em todos os seus processos, desde sua concepção se propôs a ser uma adega com os melhores vinhos premium do Chile". Como não consegui mais acessar o site deles na internet, resolvi deixar por isso e falar mais sobre a vinícola quando conhece-la pessoalmente ou quando tiver acesso ao site deles novamente. 

Falando do vinho em si, o mesmo é um corte de 60% Cabernet Sauvignon, 40% Syrah com graduação alcoólica de 14%. Infelizmente não consegui descobrir o tempo que passa por madeira, mas a certeza é de que tem algum contato com a mesma. É um vinho bem avaliado pela crítica e que teve sua safra 2009 (salvo ledo engano) pontuada em 90 pontos RP. Vamos as impressões.

Na taça apresentou uma coloração rubi violácea bem profunda e escura, quase intransponível mas com certo brilho. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas completavam o aspecto visual. 

No nariz aromas de frutas escuras, especiarias e algo que conforme descreveu minha noiva: lembrava cheese cake de frutas escuras (por causa dos toques lácteas/baunilha provenientes do contato com a madeira). Com algum tempo em taça, notas herbáceas podiam ser notadas, mas nada agressivo.

Na boca o vinho tinha bom corpo, boa acidez e taninos finos, presentes e de boa qualidade. Retrogosto trazia mais deste "cheesecake", muita fruta escura e especiarias confirmando o olfato. Final de média duração.

Um ótimo vinho que por motivos óbvios não vi o preço pois o valor sentimental aqui esteve mais presente. Foi bem com as sobras do nosso risoto de parma e gorgonzola. Eu recomendo!

Até o próximo!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Risoto de Gorgonzola com Presunto Parma e Fleur Du Cap Bergkelder Selection Chardonnay 2011

Devaneios culinários de uma quarta-feira a noite


Em mais um incursão culinária com minha noiva resolvemos arriscar mais um risoto, prato pelo qual nutrimos verdadeira paixão. E desta vez escolhemos como ingredientes o presunto parma e o queijo gorgonzola. De acompanhamento um belo medalhão de filet mignon. E é claro que como a preparação do prato pede, escolhi um vinho branco sul africano bacana por dois motivos: um para realçar o sabor do prato e dois pra mostrar pra minha noiva que existem vinhos fora do eixo Argentina-Chile que são muito interessantes. Vamos aos resultados.

O risoto é bem simples de se fazer se forem utilizados os ingredientes corretos e na sequência ideal. Primeiro  frita-se o arroz (carnaroli) com cebola picada no azeite. Em paralelo prepara-se um litro de caldo de carne para o cozimento do arroz. Coloque uma xícara de vinho branco e vá acrescentando aos poucos o caldo e provando a "textura" e cozimento do arroz. Quando o mesmo estiver próximo de al dente, você pode incluir então o presunto parma picado e o gorgonzola esfarelado e continuar a misturar na panela para que o arroz pegue o gosto dos ingredientes e para que o mesmo termine de cozer. Finalize com um pouco de manteiga e queijo grana padano. Voilá! E não é por que fomos nós que fizemos, mas o prato ficou uma delícia: arroz al dente, sal na medida, cremosidade dos queijos fundidos de dar inveja e o sabor marcante do parma: era de se comer de joelhos! E para acompanhar um delicioso medalhão de filet mignon frito no azeite, bem suculento e ainda rosado em seu interior.


Agora falarei um pouco da vinícola e do vinho. O vinho escolhido foi o Fleur Du Cap Bergkelder Selection Chardonnay 2011, produzido pela vinícola homônima que é um braço do grupo Distell, grupo este considerado líder do país na produção de vinhos e bebidas "espirituosas". A famosa adega chamada "Bergkelder" se encontra encravada nas montanhas da região de Stellenbosch, notadamente uma das mais famosas regiões vinícolas da África do Sul. Como não encontrei muito sobre o vinho e sua produção, passarei direto então as impressões.


Na taça o vinho mostrou uma coloração amarelo palha bem clara, límpida e transparente com lágrimas finas, rápidas e bem esparsadas. Ligeiro reflexo esverdeado.

No nariz o vinho mostrou aromas de abacaxi, cítricos e toques de fósforo. Leve lembrança de mel ao fundo.

Na boca uma deliciosa e salivante acidez, corpo médio, bom equilíbrio de álcool com boa estrutura geral. Retrogosto trazendo cítricos, mel e leve toque mineral (lembrando um pouco de salinidade). Final de curta pra média duração com ligeiro amargor (sem comprometer).

Uma bela combinação para uma quarta a noite junto de meu amor. Tanto o vinho como os pratos foram muito bem e deixaram a noite ainda mais prazerosa. E que venham muitas outras.

Até o próximo!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Desafio Winesave & Alto de La Ballena Merlot 2007

Com meu interesse por vinhos e a mudança de foco deste blog, o trazendo pra perto de minhas necessidades como enófilo, vi que me surgiram algumas importante e interessantes oportunidades de conhecer pessoas, vinhos, utensílios, etc. E destas oportunidades, fui agraciado com a possibilidade de teste de um utensílio muito bacana chamado winesave. Esta oportunidade surgiu através do contato do Sr. Fernando Zamboni da empresa Winelands, de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Ele muito gentilmente me contatou e perguntou sobre o interesse em testar e divulgar o produto. Aceitei e aqui estou cumprindo minha parte como me foi confiado. Só gostaria de pedir desculpas pela demora no post, mas com toda reviravolta que minha vida tem passado nos últimos tempos, algumas coisas foram ficando um pouco esquecidas e/ou adiadas.


Quem nunca teve problemas quando tomava um vinho sozinho, assim como eu o faço muitas vezes, e por muitas vezes se deparou com sobras deste vinho, sem saber ao certo o que fazer para mante-lo em condições de consumo depois de aberto? Pois bem, ao que tudo indica seus problemas foram resolvidos. Tudo que você precisa fazer é utilizar o winesave, um dispositivo que dispensa uma pequena quantidade de gás argônio dentro de sua garrafa com o resto de seu vinho e a mesma pode ser então fechada novamente (rolha, screw cap, etc.) e mantida fresca e em condições de consumo por muito mais tempo. O Argônio é um gás inerte, incolor e insípido e portanto não transfere quaisquer características diferentes ao seu vinho, tornando-se assim o gás ideal para tal tarefa. Ele ainda é quase 2 vezes e meia mais pesado que o ar, criando assim uma barreira entre o ar e o vinho quando injetado na garrafa, fazendo assim com que o processo de oxidação seja interrompido (o ar é componente essencial neste processo). Dito isto, passei a parte prática da experiência.


Fiz o teste com o vinho Alto de La Ballena Merlot 2007, adiquirido em minha visita a própria vinícola no Uruguai em algum lugar do passado (relembrem aqui e aqui o que eu falei sobre a mesma). Vamos aos resultados.

O vinho quando aberto a primeira vez apresentou uma cor ainda violácea e escura, sem muitos traços de evolução. Aromas de frutos escuros, chocolate e toques florais. Na boca bom corpo, acidez na medida e taninos finos porém presentes e de boa qualidade. Confirmou o que eu tinha tido de impressões quando o degustei na vinícola, em maio de 2011. A garrafa foi consumida até um pouco mais da metade e foi quando utilizei o winesave para mantê-la guardada na geladeira. Um segundo borrifando o gás argônio pra dentro da garrafa, arrolhada outra vez e pra geladeira.

Após uma semana inteira (7 dias) retirei o vinho da geladeira, deixei-o repousado por algum tempo na mesa até que adquirisse uma temperatura mais próxima da ideal para consumo e retirei a rolha novamente. Para minha surpresa, todas as características originais listadas no parágrafo anterior foram mantidas, inclusive o frescor e a acidez do vinho, sem quaisquer traços adicionais de evolução/oxidação no visual, olfato ou paladar. E olha que um vinho sem winesave armazenado nas mesmas condições perderia sua condição de consumo em no máximo 4 dias. Confesso que fiquei surpreso e ao mesmo tempo contente pois essa "invenção" é realmente útil e poderá ajudar muitas pessoas que gostam de vinho mas nem sempre tem companhia ou conseguem consumir uma garrafa inteira de uma vez. Apesar de ainda querer fazer um teste um pouco mais longo, eu mais do que recomendo o winesave!

Para finalizar gostaria de deixar um enorme agradecimento, mais uma vez, a Winelands e ao Sr. Fernando Zamboni pela oportunidade de testar o material que eles estão distribuindo e dizer que apesar da demora, eu  aprovei sem quaisquer ressalvas o winesave. Fico também a disposição para eventuais dúvidas e/ou sugestões que possam surgir deste post.

Para maiores informações sugiro contatar a empresa diretamente em www.winelands.com.br e se quiserem mais ler mais sobre o produto em si recomendo também o site www.winesave.com.br .

Até o próximo!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Sinal de alerta ligado: venda de vinhos importados em 2012 teve aumento ridículo

Pude notar que alguns meios de impressa (escrita principalmente) divulgaram notas nos últimos dias sobre o quão pífio foi o aumento da venda de vinhos importados no ano de 2012 (apenas 1,59% em valor e 1,01% em volume em relação ao ano anterior) enquanto que a transição 2010-2011 ficou na casa dos 13% em valor. Vejam, não sou economista nem tão pouco especialista no assunto mas comparando os números, vemos que o ano de 2012 teve algo de estranho no ar. 

Entendo que um dos principais problemas foi toda a lenga lenga envolvendo o pedido de salvaguardas para a indústria nacional, peticionado por algumas das maiores vinícolas do mercado interno. Discussão essa que tomou as mídias e as redes sociais durante boa parte do ano mas que ao final, se mostrou inócua e sem fundamentos que a sustentassem. Ao final, este pedido embora não prosperando, gerou uma série de incertezas em importadores e no público consumidor no geral, sempre com um pé atrás quando o assunto é o seu bolso (e com toda razão).

Outro fator a se discutir é a desvalorização do real frente ao dólar, principal moeda em se tratando de importações. Durante todo o ano de 2012 muito se discutiu se o governo deveria intervir ou não quando o real se valorizou e, segundo especialistas, se mostrava uma moeda forte (ainda que artificialmente). Depois de muitos pedidos e reclamações principalmente dos setores exportadores, o governo mexeu um pouco os pauzinhos e conseguiu com que o patamar de 1 dólar comprando 2 reais fosse estabelecido, criando assim um cenário mais favorável as exportações nacionais em detrimento as importações. Com isso, tivemos um aumento (significativo em determinados casos) nos preços dos produtos importados. 

Pra mim existe ainda um terceiro fator que é o preço brasil associado a ambição de algumas empresas importadoras de tais produtos. Evidentemente não podemos descartar o impacto que os impostos e demais taxas que são cobradas para a importação de determinadas mercadorias importadas é desumano mas ao mesmo tempo, a ambição e a voracidade com que as empresas querem obter seus lucros faz com que o vinho ainda se torne uma bebida elitizada no país (embora este cenário tenha mudado significativamente nos últimos anos).

O grande X da questão é que sempre o mais prejudicado nesta história toda acabando sendo a gente, o público consumidor que acaba arcando com custos mais altos quando queremos comprar nossa bebida preferida. Sinceramente fico preocupado com o futuro do mercado e se terei ou não condições de sustentar meus prazeres daqui pra frente, mas enfim, este é apenas um desabafo pessoal.

E você, caro leitor do Balaio, qual sua opinião sobre este assunto?

Até o próximo!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Risoto de Shitake e Aurora Reserva Chardonnay 2011: Par perfeito!

Numa dessas noites em que estava em casa com minha noiva, resolvemos fazer mais uma incursão pela cozinha onde há tempos planejávamos fazer um risoto, que seria o prato da noite. Foi então que surgiu o embrião para o post de hoje.


O risoto consistia basicamente em refogar o shitake juntamente com tomate picadinho sem pele/caroço e cebola por um curto período de tempo e após, fazer o preparo normal do arroz (tipo Carnaroli) frito previamente com cebola e azeite, adicionando vinho branco, caldo de legumes, juntar o cogumelo refogado, finalizando com manteiga e queijo grana padano ralado. E olha que o prato ficou maravilhoso, com arroz al dente, cremosidade e aquele toque final do sabor do queijo pra se comer de joelhos! O cogumelo ficou também com uma ótima consistência, sem ficar mole demais ou apresentar aquele consistência borrachuda. Ponto pra nós, nosso primeiro risoto havia saído como o planejado.


O vinho escolhido para se juntar a receita e ser bebido depois, o Aurora Reserva Chardonnay 2011, foi uma grande surpresa. Explico: procurava um vinho com um bom custo benefício para integrar a receita ao mesmo tempo que pudesse escortar o prato e dar o prazer típico de se degustar um bom vinho. Apesar de já ter ouvido comentários muito positivos sobre este vinho, confesso que o tiro foi meio no escuro mas sinceramente, acho que foi um tiro mais que certeiro.

O que falar sobre a Vinícola Aurora? A maior e mais antiga Cooperativa e Vinícola do Brasil, conta hoje com mais de 1000 famílias associadas e produtoras de uvas, sejam estas para vinhos finos, doces, sucos e espumantes. Hoje tem sede bem no coração de uma das mais famosas cidades vitivinícolas do Brasil, Bento Gonçalves, e possui uma vasta gama de produtos, tendo alcançado uma posição de destaque no mercado vinícola brasileiro em virtude de seus recentes investimentos em modernização e reposicionamento de algumas marcas. Sobre o vinho em si, é feito com uvas chardonnay e tem rápida passagem por carvalho. Vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor amarelo com reflexos dourados me chamou atenção, apesar da pouca idade do vinho. Exibia ainda muito brilho e boa transparência. 

No nariz o vinho mostra aromas de frutas maduras como pêssego e abacaxi. Com algum tempo em taça se notam também toques de baunilha e mel. 

Na boca o vinho tinha um bom corpo, mostrando certa untuosidade e preenchendo bem o palato, aliada a uma boa acidez e um retrogosto que confirma as frutas e a baunilha do olfato. Final de média duração. 

Um bom vinho para o dia a dia tendo em vista que os pouco mais de 20 dinheiros pagos por ele foram bem investidos. Sua untuosidade casou muito bem com a cremosidade do risoto e seu frescor deixava a água encharcada e pronta para a próxima garfada. Eu recomendo.

Até o próximo!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

E para o calor: sorvete de vinho!

Está certo que o clima mudou um pouco nos últimos dias, mas estávamos vivendo as voltas com o calor senegalês que vinha nos castigando durante nosso verão. E, aparentemente atrasado, me deparei com uma matéria inusitada: foi lançado nos EUA sorvetes com "sabores" de vinho.

Imagem retirada do site do fabricante

Ao que tudo indica, uma antiga fábrica de sorvetes dos EUA chamada "Merce's Dairy", resolveu inovar e resolveu unir sorvetes a vinhos, criando assim a sua linha de sorvetes "wine ice cream". As uvas são colhidas a mão, e após a fermentação são misturados aos demais ingredientes que constituem formando esta inovadora forma de sobremesa. E nem pensem que isso é brincadeira de criança, afinal o sorvete tem em média 5% em volume de álcool.


Os sabores são descritos assim pelo fabricante:  cherry merlot (conhecida por conter os aromas/sabores de ameixas e cerejas escuras, a uva merlot foi escolhida e enriquecida com cerejas especialmente vindas de Bordeaux), chocolate cabernet ( a união de uma uva que normalmente é associada a aromas/sabores de cereja seca e notas de cassis com chocolate meio amargo), peach white zinfandel (zinfandel vinificado em branco com açúcar residual numa mistura com pêssegos bem maduros), port (bem encorpado e final suave e agradável), red raspberry chardonnay (chardonnay envelhecido em barrica com toques de baunilha no nariz e final amanteigado misturado com framboesas vermelhas bem frescas) e finalmente o riesling (com sua fruta fresca e qualidade "quase efervescente").


Pelas descrições, fiquei até com água na boca, mas ao que parece os mesmos não estarão disponíveis em territórios fora dos EUA. Para quem quiser mais informações sobre o produto, sugiro acessar o site do fabricante em http://www.mercersdairy.com/Wine_Ice_Cream_home_page.php .

Até o próximo!

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Vinho alentejano e sopa: combinação inusitada porém saborosa!

Ainda curtindo o frio que o final de semana nos proporcionou em sampa, minha noiva e eu fizemos uma refeição um pouco mais light no domingo, e fomos de sopa no jantar. E para acompanhar, procuramos um vinho simples, para o dia a dia, mas que pudesse nos gerar algum prazer. E o escolhido da vez foi o Club Des Sommeliers Regional Alentejano 2010. Conforme já comentei sobre esta linha de vinhos em outro post (relembrem aqui), o vinho em questão é feito em Portugal mas rotulado sobre etiqueta exclusiva do Grupo Pão de Açúcar. Este é elaborado pela Cavipor , na região do Alentejo com uvas típicas. Não vou me estender mais sobre este assunto.


Na taça o vinho apresentou coloração violácea de média intensidade e certa transparência. Lágrimas finas, rápidas e de pouca cor complementavam o aspecto visual.

No nariz, aroma de compota de frutas e leve toque de especiarias.

Na boca o vinho tinha corpo de leve para médio, taninos finos e acidez um pouco baixa mas sem comprometer. Retrogosto confirma o nariz num final de curta duração.

Um vinho para o dia a dia, acompanha bem comidas fáceis ou uma pizza de final de semana. Pelo preço pago (cerca de 17 dinheiros) vale  o investimento. Estou começando a olhar com outros olhos para esta linha de vinhos do Pão de Açúcar. Acho que vou provar mais exemplares. Eu recomendo.

A sopa por sua vez continha feijão cozido com bacon, cebola e folhas de louro, batida no liquidificador (feijão e bacon), pedaços de queijo estepe e azeite. A combinação ficou interessante e acalentou uma noite que acabou no sofá com cobertor e episódios de House no DVD. 

Até o próximo!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Fondue & Vinho para aquecer!

Aproveitando este frio fora de época em Sampa e de um cupom de desconto que eu havia adquirido no ano passado, resolvi conhecer um lugar que a tempos ouço falar muito bem e sempre tive curiosidade: Era Uma Vez um Chalezinho. A idéia era comer um fondue salgado e outro doce, conforme a promoção nos daria condições. E é claro, tomar um vinhozinho pra acompanhar, afinal ninguém é de ferro. 


O local é bem aconchegante e romântico, com arquitetura lembrando os bons e velhos chalés suiços. Entre ambientes diversificados, aquecedores, lareiras, luzes baixas e outros, casais e grupos se fartam com comida de bom gosto. Além disso, o menu tenta reconstruir (com sucesso) um grande número de receitas de fondue presentes na gastronomia mundial. A casa de São Paulo é uma filial da homonima nascida em Minas Gerais e está situada em um ponto bem alto no bairro do Morumbi, dando a sensação de estarmos no topo de uma montanha suiça.


Nossa opção de fondue salgado recaiu sobre o que eles chamam de flexível, um fondue que leva carne vermelha e de aves, feito ao vinho (ao invés do tradicional óleo) que deixa a carne mais tenra e suculenta, dando um toque especial em companhia de molhos como cogumelos, poivre, alho, queijo entre outros. Confesso que nunca havia provado um fondue feito ao vinho, mas a impressão não poderia ser melhor. Para acompanhar, o simpático garçom que nos atendia sugeriu uma Batata Röesti (batata, cebola, queijos e bacon). Sugestão aceita e que espetáculo! O queijo gratinado e a untuosidade do bacon aliado a cebola deram um sabor todo especial a batata e servem de escudeiros fiéis a carne tenra do fondue.

Por um descuido, não fotografei a garrafa. Esta imagem foi retirada do site www.viavini.com.br

Para a acompanhar este fondue, o vinho escolhido foi o Casajus Splendore Tempranillo 2008, um autêntico Ribeira Del Duero, considerado por muitos como um excelente custo benefício. Vinho com visual violáceo bem forte com ligeira transparência, lágrimas finas e ligeiramente demoradas ainda bem coloridas. No nariz aromas de especiarias, menta, frutas silvestres e madeira em harmonia. Taninos firmes, presentes mas de muita qualidade aliados a um bom corpo e uma acidez convidativa. O retrogosto confirma o olfato e deixa um delicioso sabor em seu longo final. Escortou bem a carne do fondue!

E pra quem ainda achava pouco, chegara a hora do fondue doce. A escolha recaiu sobre o fondue chamado  Lausanne, que leva em sua preparação chocolate amargo e ... segredos, conforme o pessoal lá do Chalezinho gosta de dizer. Para acompanhar além da tradicional seleção de frutas, bolachas waffer que faziam da mistura uma tentação. E nos deleitamos até o final daquele potinho de chocolate derretido!

Vale ressaltar que, mesmo portando um cupom promocional a atenção dispensada por toda equipe do restaurante é de tirar o chapéu. E olha que estavam lidando com uma grande fila de espera! Pontos mais do que positivos pra eles! Quem ainda não teve a oportunidade de conhecer o lugar, não sabe o que está perdendo. Eu recomendo.

Até o próximo!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Memorias 2007: Para confirmar (ou não) impressões passadas

Em meados do ano passado (abril/maio) fiz uma viagem curta e rápida ao Chile no intuito de visitar algumas vinícolas próximas a capital, Santiago. Dentre essas, a vinícola El Principal fora incluída por ter sido a indicação de um amigo que entende do assunto e disse que valeria a pena tanto pelos vinhos interessantes como pelo visual deslumbrante do lugar. Pois bem, de lá pra cá se passou um bom tempo e eu estava procurando um bom motivo para abrir uma garrafa do vinho Memorias, que eu havia trazido de lá. E foi neste final de semana que eu achei que era hora de abri-lo para confirmar(ou não) as impressões na época.


Como dediquei um post exclusivamente a vinícola e afins (relembrem aqui), não irei mais entedia-los com isso. O foco passará a ser então o vinho, astro maior do blog ultimamente. O vinho é um corte de 80% Cabernet sauvignon e 20% Carmenére sendo que estas uvas são colhidas em Pirque, nos arredores de Santiago, dentro do Vale do Maipo com altitudes variando em até 780 metros acima do nível do mar. Passa por envelhecimento de 14 meses de carvalho francês, mais um ano em garrafa antes de ser liberado ao mercado. Possui ainda 15% de teor alcoólico. Vamos finalmente as impressões.

Na taça uma bonita cor violácea com halo ligeiramente aquoso. Lágrimas finas, ligeiramente mais demoradas  e ainda com bastante cor. Apesar de já ter quase 6 anos, o vinho não denota estar envelhecido, pelo menos em sua cor.

No nariz o vinho abre com aromas de frutos escuros e especiarias. Depois de algum tempo, notas de tabaco  e madeira podem ser também encontradas. 

Na boca o vinho se mostrou encorpado, com boa acidez e taninos finos e macios. Retrogosto confirma o olfato, com ligeiro toque herbáceo ao final, sendo este de média para longa duração.

O vinho confirma as impressões adquiridas no dia da visita a vinícola, mostrando ainda potencial de guarda e que apesar da degustação na vinícola ter sido muito bacana, o vinho tem suas qualidades e vale a pena ser conhecido. Eu recomendo.

Até o próximo!

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Terrunyo Carmenere 2007

Para quem achava que os vinhos e as comemorações de final de ano haviam se findado, ledo engano. Para o almoço de ano novo, no dia primeiro de janeiro, eis que eu tirei um belo chileno que estava em minha adega aguardando uma ocasião especial para ser degustado. E foi assim que o Terrunyo Carmenére 2007 saiu da adega e foi pra mesa.


Falar sobre a vinícola Concha Y Toro é chover no molhado e por isso irei poupar meus queridos leitores de um post comprido desnecessariamente. Sobre o vinho, o que podemos dizer é que a linha Terrunyo tem suas uvas selecionadas de blocos específicos de alguns dos melhores vinhedos da vinícola, no caso deste em que estamos falando do bloco 27 no vinhedo denominado Peumo no Vale do Rapel. É fruto de um corte de 85% de uvas Carmenére com 15% de uvas Cabernet Sauvignon (sendo permitido no entanto ser identificado como varietal Carmenére pela legislação chilena) e passa por 19 meses em carvalho francês (70% novo). Sem mais delongas, vamos ao vinho.

Na taça uma bonita cor violácea, ainda sem reflexos alaranjados denotando ainda um vinho com poder de envelhecimento. Lágrimas finas, ligeiramente demoradas e coloridas tingiam as paredes da taça.

No nariz o vinho abriu com aromas que misturavam frutas vermelhas e frutas escuras, especiarias (pimenta em destaque) e toques de chocolate. Depois de um tempo em taça um ligeiro tostado também podia ser notado.

Na boca o vinho se mostrou muito encorpado, taninos presentes, marcados mas de muita qualidade e boa acidez. Retrogosto confirma o nariz com frutas e especiarias. Ligeiro toque mineral ao fundo. Final de longa duração.

O vinho confirma a qualidade que lhe é atribuida, muita elegância aliada a muita potência. Infelizmente não é muito acessível para nós aqui no Brasil, embora este tenha sido comprado no free shop e custou cerca de 85 reais o que lhe atribuiria uma excelente compra. Mesmo assim, recomendo a prova!

Até o próximo!

domingo, 6 de janeiro de 2013

Cave Antiga Brut Rosé: para celebrar o Ano Novo!

Em complementação ao post anterior, não poderíamos deixar de brindar a chegada do novo ano com algumas borbulhas não é mesmo? E o escolhido da noite foi este curioso espumante nacional, o Cave Antiga Brut Rosé. E explicarei o por que do curioso, ao longo do texto.

Para falar um pouco da vinícola, como não a conheço pessoalmente e pouco provei de seus vinhos, segue um descritivo diretamente do site deles: "A Vinícola Cave Antiga nasceu de um sonho dos mais destacados enólogos da Serra Gaúcha e tem orgulho de estar entre as vinícolas que revolucionaram a vitivinicultura brasileira. Fundada em 1998, a Cave Antiga está situada no 3o Distrito de Farroupilha, ocupando um conjunto predial que foi concluído em 1948, localizado numa belíssima região, que tudo faz lembrar a história dos imigrantes italianos." Para maiores informações e complementação desta leitura, sugiro a vocês caros leitores que acessem: www.caveantiga.com.br . 

Será que estava difícil de abrir a garrafa?

Sobre o espumante, o que achei curioso primeiro é que não existe um consenso em minhas fontes de pesquisa sobre quais uvas compõe o corte de vinhos base e segundo, existe a certeza apenas que fora utilizada uma uva tinta (cabernet sauvignon ou merlot) juntamente com a pinot noir e a chardonnay, na elaboração do mesmo. Depois também não descobri qual o método de produção (tradicional ou charmat) do mesmo mas enfim, vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor salmão com boa transparência e brilho. Perlage intensa e com bolhas de pequeno porte, com boa duração.

No nariz o espumante mostrou aromas de frutas vermelhas, toques de especiarias e eu posso estar muito enganado, mas senti leve toque animal ao fundo.

Na boca o vinho se mostrou bastante fresco, com boa acidez, perlage fazendo um bom colchão de borbulhas no palato, bom corpo e com retrogosto trazendo muita fruta. Final de certa maneira persistente.

O vinho é interessante e eu recomendo a prova. Tem preço relativamente baixo no mercado (por volta de 30 dinheiros) embora eu tenha ganho esta garrafa, mas que rivaliza com os espumantes nacionais de mesmo valor. E este corte pouco usual de uvas faz a diferença, adicionando um pouco mais de corpo à bebida.

Até o próximo!

sábado, 5 de janeiro de 2013

Casa Marin Laurel Vineyard Sauvignon Blanc 2009, Risoto de Lulas e Camarões e Salmão ao Limão Siciliano e Alecrim: Foi A noite de Réveillon!

E passada a celebração do natal e todas as novidades que eu venho atravessando em minha vida, mais uma data comemorativa se aproximava, a virada do ano. E com ela, mais emoções e surpresas estavam reservadas pra mim. A ocasião seria especial: pela primeira vez eu iria reunir meus pais, irmão e cunhada com minha noiva e sua mãe além do "primo" português (percebam que já o adotei como da família mesmo) e mais uma ou duas pessoas que falaremos em outras oportunidades.

O combinado foi que meus pais se encarregariam de preparar um risoto de lulas e camarões e eu e minha noiva faríamos uma receitinha de salmão para acompanhar. Com isto decidido, fiquei a pensar em qual vinho eu poderia harmonizar com a comida, e na busca em minha adega encontrei duas garrafas deste Sauvignon Blanc, o Casa Marin Laurel Vineyeard 2009 que me pareceu uma boa pedida também em virtude dos dias quentes que tínhamos na ocasião. Tudo decidido era hora de curtir.


Fomos muito bem recebidos, como de costume, por minha sogra que além de ter preparado um delicioso patê de alho, nos colocou a disposição croutons, bolachinhas e outros quitutes para nos entretermos enquanto conversávamos sobre os mais variados assuntos. Além disso seus dotes como coqueteleira foram colocados a prova enquanto ela fazia deliciosas caipirinhas de Sagatiba, diga-se de passagem muito bem dosadas e carinhosamente preparadas. Mas a hora de nos embrenharmos na cozinha estava chegando.

Decidimos abrir o vinho um pouco antes de começarmos a cozinhar, e veja só, as duas garrafas quase não foram suficientes para chegarmos ao prato principal. Sobre a Casa Marin já comentei um pouco em outros posts deste blog e não irei tecer mais nenhuma linha para não me tornar repetitivo (relembrem aqui e aqui). Sobre o vinho, é um varietal 100% Sauvignon Blanc colhidas no vinhedo denominado Laurel localizado na DO San Antonio Valley, no Chile e até onde pude observar, não passa por madeira. Vamos as impressões sobre ele.

Na taça o vinho mostrou uma cor amarelo palha com alguns reflexos já dourados, com lágrimas finas, rápidas e incolores. Já no nariz o vinho abriu com notas características de grama cortada, maracujá e pêssego em abundância e leve toque mineral ao fundo. Finalmente ao paladar o vinho mostrou corpo médio, excelente acidez e um retrogosto frutado e mais mineral do que mostrava o olfato. Um belo vinho sem dúvida nenhuma, mostrando o quão consistente é a produção da Casa Marin e suas linhas de vinhos.

Logo o risoto ficara pronto, com o arroz al dente e a lula e camarão se encontrando no ponto, sem estarem nem duras nem moles demais, casando perfeitamente com o salmão feito no forno com rodelas de limão siciliano e ramos de alecrim e ainda com o vinho, que estava no fim. Aliás, a esta altura o primo Vitor ainda nos presentou com mais garrafas de Monte Velho 2011 (já comentado por aqui no post anterior), que também foi bem com a comida e serviu para escortar este final de jantar. Aliás, tanto os pratos estavam de se comer de joelhos como os vinhos se mostraram extremamente alegres e combinando perfeitamente com a ocasião.

De sobremesa, para aquela rebatida básica no álcool e na umidade, uma bela cassata (sorvete italiano com calda de chocolate) e quindim além das tradicionais frutas características desta época do ano. E assim nossa noite de ano novo ia se passando de maneira deliciosa e acalentada.

Até o próximo!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Ora Pois Restaurante, Tinto da Talha 2010 & Monte Velho 2011: Um trio português com certeza!

Ainda como consequência de "ganhar" uma família nova (já explicado no post anterior) fui convidado juntamente com minha noiva pra uma noite dessas conhecer o restaurante português (acho que ainda sob o efeito Vitor, também explicado no post anterior) "Ora Pois"localizado na charmosa e aconchegante Serra da Cantareira.


O restaurante é uma filial de uma casa já aclamada que existe até hoje na Vila Madalena, bem junto ao burburinho característico da região. Fundada por dois Lisboetas sonhadores, a casa conta com pratos típicos a preços competitivos e uma carta de vinhos honesta e com algumas opções interessantes.

Antes de qualquer escolha de pratos, o pessoal já se adiantou e pediu porções de bolinhos de bacalhau, belamente dourados pelo processo de fritura, bem sequinhos e com bastante recheio de bacalhau.  O  próximo passo foi então a escolha do vinho, que primeiramente ficou a cargo do "primo" e xará de Portugal, que optou por um Alentejano interessante, o "Tinto da Talha 2010", aromas de frutos vermelhos e algo de especiarias, corpo médio, taninos finos e domados e acidez um pouco baixa, mas sem prejudicar o vinho. Só pela entrada já previa que a noite seria mais uma daquelas de esbórnia gastronômica.


Como previa o script e por eu ser muito previsível, quando passei os olhos sobre o cardápio, minha escolha seria um pouco óbvia: iria de bacalhau, afinal sou doido por este "peixe" misterioso. Brincadeiras a parte, um dos motivos também pelo qual escolhi um prato baseado em bacalhau era por que o mesmo servia duas pessoas e eu iria apreciá-lo em conjunto com minha noiva. A escolha seria então o modo de preparo do mesmo, e acabamos por optar pelo "bacalhau com natas", preparado de forma deliciosa com bacalhau desfiado em profusão num molho branco de natas e batatas palha gratinado no forno com queijo deixando aquela camadinha crocante por cima do prato. Era de comer lambando os dedos!

Como o vinho tinha acabado, recaiu sobre mim a escolha da próxima garrafa e eu vi na carta um velho conhecido, o "Monte Velho 2011" e optei pela segurança. E não é que o vinho agradou? Um pouco mais potente que o anterior e mais frutado, o vinho tinha um pouco mais de corpo e taninos e acidez mais equilibrados, caindo no gosto até das pessoas que não são grande apreciadores de vinhos. Para quem achava que era pouco, ainda optamos por um pastelzinho de Santa Clara de sobremesa para "rebater a umidade" e acalentar o coração. 

E a noite entre pessoas especiais, amor, família, foi se findando com o se aproximar da madrugada. E isso era só o começo das festividades de final de ano!

Até o próximo!

Ps.: Como vocês, meus caros leitores, devem ter percebido, a qualidade das fotos mudou. É que eu contratei uma nova fotógrafa, minha noiva Carolina, e ela tem feito um ótimo trabalho. Obrigado, amor!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Ginja D'Óbidos Frutóbidos & Descobertas de final de ano

Primeiramente meus caríssimos leitores, seguidores, visitantes esporádicos, enfim, todos que por algum motivo vieram aqui neste site uma única vez ao menos, meus mais sinceros pedidos de desculpas, pedidos estes motivados por minha ausência por aqui no final do ano. Confesso que além do corre e corre característico que a época nos impõe eu precisava de um tempo e de um pequeno período de férias ("abstinência") de tudo que eu vinha de maneira quase frenética fazendo, o que inclui também este blog. Eu me encontrava em um estado de cansaço misturado a stress que tudo que eu fazia se tornava uma dificuldade muito grande. Feito isto, aproveito para anunciar que o Balaio está de volta com a corda toda e cheio de novidade, começando pelo post de hoje.


Como vocês já devem saber, em meio a tudo isso acabei ficando noivo e dentre todas as consequências que isto nos acarreta, "ganhar" uma família nova também entra para esta lista. E foi com esta nova família que conheci um "primo" vindo diretamente de Portugal (acho que ele não irá se importar se eu assim o chamar) que além de ser meu xará (seu nome é Vitor), é um grande apreciador/conhecedor de vinhos e me apresentou a esta curiosa bebida que irei tratar no post de hoje, uma espécie de licor de uma fruta (Ginja) pouco conhecida por aqui mas que faz muito sucesso em Portugal.

A Ginja é uma pequena fruta, parente próxima da cereja, e pode variar de coloração entre o vermelho e o preto, sendo também conhecida em muitos lugares como cereja ácida (em contraponto a nossa velha e conhecida cereja, que é doce). Esta fruta pode ser utilizada para se fazer, além do licor do post de hoje, ginjas em calda, doces e outros. No caso do licor alvo deste post, a Ginja é cultivada em Óbidos, uma região localizada no centro oeste de Portugal. Quem produz o licor é a empresa chamada Frutóbidos, que foi inicialmente fundada com o objetivo da produção exclusiva de licor de Ginja e que passou de uma pequena produção familiar a uma empresa de porte no país quando de sua aquisição por um conglomerado maior em 2001. O processo produtivo envolve a colheito e seleção dos frutos, infusão em meio alcoólico por tempo prolongado e posterior mistura dos frutos com a infusão e com as caldas de açúcar, gerando um produto com o teor alcoólico de 18% e muito açúcar. Vamos as impressões sobre o licor (vejam, não sou especialista e este é meu primeiro contato com a bebida, portanto já peço desculpas caso fale alguma bobagem por aqui).


No copo o licor apresentou uma coloração cereja com toques  âmbar, extremamente viscoso que demorava muito para escorrer pelas paredes do mesmo.

No nariz o licor apresentava aromas de mel, frutos silvestres e álcool bem presente (mesmo com temperatura mais baixa). Lembrava também jabuticaba quando o álcool arrefecia no copo. Interessante mistura eu diria.

Na boca o licor era muito denso, quase como um óleo, tinha uma acidez muito interessante para contrabalancear com o açúcar presente (um pouco excessivo ainda assim) e trazia no retrogosto muita fruta, mel e ligeiro amargor no final.

Uma bebida que pode ser servida como aperitivo ou digestivo, deve agradar em cheio quem gosta de licores e bebidas mais doces, mas já alerto, tome com moderação pois quando você menos esperar o teor alcoólico pode fazer efeito. Apesar de ser um pouco doce em demasia para meu gosto pessoal, recomendo que experimentem.

Até o próximo!