quarta-feira, 29 de maio de 2013

O que faz as uvas tão adequadas para a produção de vinhos?

Já cansamos de ver por ai, sejam em empórios, botecos e afins, bebidas pretensamente chamadas de vinho feitas a partir de várias frutas, não é mesmo? Mas na verdade essas bebidas não são nem de longe parecidas com vinho nem tão pouco seguem os mesmos processos efetuados com as uvas na produção dos vinhos. Então o que torna as uvas tão especiais neste processo?

Na verdade o grande diferencial das uvas em relação a outras frutas é principalmente o equilíbrio existente entre os açúcares naturais da fruta, a acidez presente em sua polpa e também a estrutura de taninos presentes principalmente em sua casca e cabo. As outras frutas podem ser muito ácidas ou muito doces e sem acidez suficientes. Quando vinho é feito com base em outras frutas, a tendência é a adição de açúcar ou água (ou ambos) para criar artificialmente este equilíbrio.

Outro fator que pesa em favor das uvas é que elas necessitam de menos auxílio quando falamos de fermentação, uma vez que elas conseguem converter naturalmente seus açúcares em álcool, enquanto outras frutas não tem nutrientes suficientes e/ou leveduras em sua composição para fazer este processo acontecer facilmente.

Diante dos fatos, sempre que você ver aquela garrafa suspeita em algum lugar, dizendo que é vinho feito a partir de qualquer outra fruta que não seja uva, desconfie. Pode ser que seja gostoso, mas não é vinho.

Até o próximo!

terça-feira, 28 de maio de 2013

Heideboden Cuvée Reserve Qualitätswein

Confesso que não sou grande conhecedor dos vinhos austríacos e que deveria me esforçar e estudar um pouco mais sobre. Contribui para meu "desleixo" a falta de opções viáveis em nosso mercado, salvo uma ou outra importadora. Enfim, nada justifica mas a questão é que hoje iremos conversar um pouco sobre um vinho vindo da região de Burgenland, na Áustria, e tentarmos juntos desenvolver o assunto.


A Áustria tem uma cultura vitivinicultora muito semelhante a da Alemanha, até pela proximidade e história comuns que ambos os países compartilharam ao longo dos tempos. Pelo que pude apurar, embora as exportações tem notado uma tendência de aumento gradativo nos últimos anos, a maior parte da produção do país é consumido no mercado interno. Outro dado interessante é que a produção de uvas e vinhos brancos ainda é maioria no país, numa proporção de 70/30 em relação às uvas e vinhos tintos, mas esta proporção tem apresentado uma tendência a mudança em direção aos tintos, mesmo que de forma tímida. 

O vinho de hoje vem da região de Burgenland,  aparentemente a segunda maior região produtora de vinho do país. Com solos propícios, boa insolação e variação de temperaturas e níveis de umidade vindos principalmente de grandes lagos na região, Burgenland é o local onde se cultiva em larga escala a uva tinta nativa Blauer Zweigelt, que juntamente com a Cabernet Sauvignon faz parte do corte deste vinho (embora não tenha conseguido determinar as proporções) e também largamente conhecido por produzir vinhos doces botritizados.

Sobre o produtor, confesso que estou um pouco confuso. O vinho aparentemente é distribuído por uma empresa vinícola alemã chamada Saffer Wine, que além de produzir vinhos de marca própria trabalha também como negociante e distribuidor de vinhos oriundos da Itália, Espanha e Áustria. O produtor por sua vez é a Vinícola Münzenrieder, localizada dentro do Parque Nacional Neusiedler. Como dito anteriormente, o vinho é um corte de uma uva nativa com uma uva internacional, sem proporções conhecidas e passa por madeira, apesar de não ter o período divulgado. Sem maiores delongas, vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor violácea de média intensidade, bom brilho e certa transparência. Lágrimas finas, rápidas e coloridas ajudavam a tingir a taça.

No nariz aromas de frutos vermelhos e negros, toques de pimenta e lembrança de madeira. Tudo bem integrado.

Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez e taninos finos e redondos. Retrogosto confirma frutas e pimenta do nariz com final de média duração trazendo ainda lembrança de baunilha.

Um bom vinho, bem feito, sem defeitos e/ou arestas. Não sei se pode ser encontrado por aqui mas foi trazido por mim em viagem a Alemanha. Vale a pena conhecer. Gostaria de poder encontra-lo por aqui. Eu recomendo.

Até o próximo!

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Chianti Leonardo 2010

Em mais uma orgia enogastronômica de finais de semana, resolvemos almoçar em uma cantina que já estamos acostumados e gostamos muito, principalmente pelo preço justo pago pelas refeições. Ainda sob o efeito "Itália" em minha cabeça, resolvi arriscar em mais um vinho italiano, afinal harmonizações regionais são sempre muito bacanas e normalmente tiro e queda. Vamos ver qual o resultado no post de hoje?


A Cantina Leonardo da Vinci (produtora do vinho em questão) é uma espécie de cooperativa, que nasceu da união de cerca de 30 fazendeiros que tomaram esta decisão buscando enfrentar de forma mais racional e conjunta os problemas que passavam nos anos 60. A partir daí o que se viu foi o crescimento da cooperativa e a busca pela qualidade e foco em vinhos de mais alta gama. A cooperativa possui diversos vinhedos na região da Toscana sendo que a sede operacional da mesma se encontra nos arredores de Vinci, onde o famoso inventor italiano Leonardo da Vinci nasceu (dai o nome em sua homenagem). Sobre o vinho, um corte de 85% de Sangiovese seguido por 10% de Merlot e o restante de outras uvas tintas não descritas pelo produtor. Não passa por madeira, segundo ficha técnica, envelhecendo apenas em tanques com temperatura controlada até março/abril do ano seguinte a colheita. Vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor rubi violácea de média intensidade, com bom brilho e alguma transparência. Lágrimas finas, rápidas e levemente coloridas compunham também o aspecto visual. 

No nariz aromas de frutas vermelhas, notadamente cerejas e toques de especiarias, bem discretos e leves.

E o vinho vinha bem, até que na boca, a surpresa. Taninos macios e finos: confirma. Corpo de leve para médio: confirma. Mas e a acidez? Cade a acidez? Praticamente inexistente. Uma das características mais marcantes do vinhos de Chianti simplesmente estava muito abaixo do esperado. Não sei se em função da garrafa, safra, armazenamento, enfim, confesso que me decepcionei um pouco. Retrogosto essencialmente frutado, num final de média duração.

Não foi o esperado, não agradou muito nem a mim nem a minha esposa mas pretendo revisitá-lo para tirar a prova. Ainda acho que havia algo de errado com a garrafa, mas como não consegui assertivamente chegar a uma conclusão, fiquei por isso mesmo desta vez.

Até o próximo!

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Wine Gourmet Show: Meus pitacos

Estive presente na data de ontem no evento Wine Gourmet Show, evento este feito em conjunto pelas importadoras Casa Flora e Porto a Porto. Com o crescimento do portfólio de ambas, acompanhando as tendências de um mercado em ascensão, as importadoras tomaram uma importante decisão em 2011: criaram um evento exclusivo para que pudessem mostrar para imprensa, clientes e amigos o que tinham adicionado de melhor em seu portfólio até ali. E nesta segunda edição, o evento aumentou em tamanho e qualidade. De qualquer maneira, vinhos e produtores excelentes desfilaram seus produtos por lá. Evidentemente que em um evento desta magnitude, precisamos selecionar o que vamos provar e por isso o apanhado que irei postar por aqui não corresponde a nenhuma verdade absoluta, apenas alguns destaques individuais que pude levantar.


O primeiro grande destaque entretanto vai para a organização, que com a criação de uma sala exclusiva para imprensa e formadores de opinião (fui incluído nesta lista a convite da assessoria de imprensa da Nieto Senetiner através da pessoa da Thaise Cleto, a quem agradeço enormemente a oportunidade) facilitou demais a nossa vida, fazendo com que calmamente pudéssemos provar os vinhos, sentarmos e tomarmos nossas notas além de podermos discutir com amigos, produtores e representantes sobre os vinhos lá expostos.


O segundo destaque vem no gancho do primeiro, foi a oportunidade de poder conversar com o enólogo Roberto Gonzalez e com o engenheiro agrônomo Tomas Hughes, ambos da Nieto Senetiner, onde além de uma degustação guiada de seus vinhos, pudemos conversar sobre como as uvas são plantadas, colhidas, como os vinhos são feitos, como o blend é escolhido e assim por diante. Pra quem gosta de aprender, um  prato cheio. E além disso, a simpatia com que os dois nos receberam e conversaram conosco foi ímpar! Mais uma vez agradeço a Thaise a oportunidade.

Agora passamos aos vinhos. Como disse anteriormente, por ser apenas um apanhado com destaques pessoais, posso injustamente ter deixado de fora alguma coisa boa. Mas com tantos vinhos para provar, espero estar perdoado. Para começar meus destaques, irei dividir os vinhos em 4 categorias: espumantes, brancos, tintos e fortificados. Fico na esperança de que o post fique menos cansativo e mais interessante de se ler.


Começando pelos espumantes, o primeiro grande destaque é o Cadus Brut Nature, um blend argentino de Pinot Noir e Malbec feito pela Nieto Senetiner, com boa complexidade e acidez, cor salmão bem pálida e um delicioso final ao lados das cavas Gramona (III Lustros Gran Reserva Brut Nature e Celler Batlle Gran Reserva Brut) que embora tenham a mesma composição ( 70 % Xarel·lo, 30% Macabeo) são bem diferentes entre si, desde a cor até o corpo, o frescor e tempo em cave, mas que valem e muito conhecer. Pra finalizar, não poderia deixar de falar da já conhecida Champagne Deutz Rosé 2006, espetacularmente fresca, saborosa, complexa e extremamente suave e aveludada na boca que só faz querer mais e mais.


Passando aos vinhos brancos, meus destaques vem basicamente da frança: o Herrenweg Riesling 2009 do Domaine Barmes Buecher com seus aromas empireumáticos, florais e minerais aliados a um extremo frescor fazem com que cada gole chame o outro de maneira natural (este também é homenagem a minha amiga blogueira Evelyn Fligeri que não pode comparecer ao evento); o Blanc Fumé de Pouilly 2008 do Domaine Didier Dagueneau, muito mineral e aspargo num vinho encorpado e delicioso que me fez pensar em um dia de mais calor com frutos do mar no prato e pra finalizar o Clos Floridene 2007, um vinho feito pelo Denis Dubourdieu em Graves, e que trazia algo de plástico, animal e floral em seu vinho, tornando-o complexo e instigante para conhecer a fundo, com mais tempo.




Já no tocante aos tintos (minha declarada preferência) fui um pouco mais eclético e destaquei vinhos de lugares diferentes. Começando pela Argentina, os vinhos da Nieto Senetiner (Don Nicanor Barrel Select e Cadus Gran Vin) se mostraram muito bacanas, ainda mais podendo discutir com os produtores todo o processo. Por exemplo, o Don Nicanor tem o Barrel Select em seu nome pois só pós o envelhecimento do vinho em barrica é que o vinho final para o blend é selecionado, e nem todas as barricas entram neste jogo. O vinho é um malbec puro sangue, potente, encorpado, frutas vermelhas, talco, muito bacana ao passo que o Cadus é um corte entre Malbec, Cabernet Sauvignon e Bonarda, um vinho mais perfumado, mais aveludado e pronto pra consumo. Da Borgonha destaco o Chauvot-Labaume Mercurey Premier Cru Clos L'Eveque do Chateau Commarin que trazia no nariz cogumelos, toques animais e na boca muito frescor e taninos aveludados e finos, incrivelmente delicioso. Finalizando com a Itália, um Amarone impressionante com suas frutas passas, quase licoroso, final longevo em boca, estou falando do Bertani Amarone Clássico 2003, imperdível.


Fechando o passeio vínico, falaremos agora dos vinhos fortificados, que eram muitos e muitíssimos interessantes e por isso já peço perdão pelos equívocos que possa vir a cometer. Lá de Portugal dois belos vinhos do Porto de encher os olhos e a boca: o Porto Messias 30 Anos, envelhecido sem ser velho, frutos critalizados, amendoas, lindo e o Porto Messias Colheita 1994, deliciosamente incrível; da França o que eu poderia chamar de ouro líquido: o Château de Rayne Vigneau Sauternes 2009, mousse de maracujá no nariz, toques cítricos e enpireumáticos, denso quase como um licor e deliciosamente refrescante num final longo na boca e pra finalizar, vindo diretamente da Hungria, o Tokaji Classic Aszú 6 puttonyos 1999, deliciosamente aromático trazendo casca de laranja e damasco seco, muito encorpado e com acidez ligeiramente abaixo do que eu esperaria, mas mesmo assim um licor dos deuses.



E pra quem pensa que isso foi pouco, existiam muitas outras opções para todos os gostos, mas num Wine Show desse impossível de manter o "ritmo". Além disso, muitas comidinhas gourmet estavam também disponíveis, mas eu destaco duas pelas quais sou apaixonado: queijo da serra da estrela (diretamente de Portugal) e jamón pata negra (diretamente da Espanha). Quanta tentação!


E assim deixo vocês, caríssimos leitores, com a sensação de que este foi um dos eventos mais interessantes e recheados que eu tive oportunidade de visitar. No aguardo de outras oportunidades.

Até o próximo!

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Bonacchi Chianti Gentilesco DOCG 2011

Sábado passado bateu uma saudade danada da viagem pra Itália que fiz a pouco tempo, na ocasião de minha lua de mel, e resolvemos que seria a oportunidade para comermos uma pizza acompanhada de um dos tipos de vinho mais famosos da Itália. Não, essas primeiras linhas apesar de não serem verdadeiras também se encaixariam muito bem na situação. Acontece que sábado sai com minha esposa e minha enteada para comermos uma pizza e na hora de escolher o vinho, não tive dúvidas e optei por um vinho italiano para ser o fiel escudeiro da comida.


A Cantina Bonacchi colhe as uvas para este vinho e faz seu vinho em Montalbano, bem no coração da área demarcada como Chianti (não a clássica, diga-se de passagem). O vinho é um corte de Sangiovese (85%) e Canaiolo (15%), uvas permitidas pela legislação. Possui teor alcoólico de 12,5%. Vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor rubi violácea de média intensidade, com bastante brilho e alguma transparência. Lágrimas finas, rápidas e levemente coloridas completam o conjunto visual.

No nariz o vinho se mostrou extremamente frutado, como normalmente se apresentam os Chiantis. 

Na boca uma deliciosa acidez, corpo médio e taninos aveludados. Retrogosto confirma fruta pujante e tem um final de média duração.

Um bom vinho, que realmente me trouxe saudades da viagem e que me fez querer pensar em uma volta a Itália e a uma visita a região de Chianti, que desta vez ficou de fora do roteiro. Escortou com bravura uma pizza metade quatro queijos e metade calabresa coberta com mussarela e alecrim. Eu recomendo.

Até o próximo!

terça-feira, 21 de maio de 2013

A inflação das pontuações dos vinhos e a preocupação dos consumidores

Prezados leitores, façam comigo o seguinte exercício. Vejam publicações especializadas, sites na internet e outros meios de comunicação relacionados ao mundo do vinho e me respondam: em geral, o que é destacado (principalmente nos anúncios), o nome do vinho/produtor ou a pontuação que o vinho obteve segundo alguma publicação/órgão específico? E mais, notadamente esta pontuação tem sido sempre acima dos 90 pontos (independentemente de quem julga), certo?


Pois bem, venho acompanhando a algum tempo e notei que houve uma certa "inflação" no quesito pontuações aos vinhos mais comumente comercializados/encontrados em nosso mercado principalmente. O que isso significa? Será que realmente estamos diante de vinhos de maior qualidade e muitas vezes perfeitos (100 pontos)? É importante ressaltar que embora existam aspectos básicos nesta avaliação, alguns pontos subjetivos podem aparecer e ressaltar uma ou outra qualidade de determinado vinho.

É claro e evidente que os vinhos atualmente produzidos podem ser considerados melhores se comparados às suas gerações passadas dado o atual estágio de desenvolvimento das técnicas vitivinícolas, da especialização dos enólogos, da mão de obra disponível, da tecnologia empregada e assim por diante e consequentemente, por reflexo natural, as notas sobre estes vinhos tendem realmente a subir. As coisas postas desta maneira simplista nos colocam diante de mais vinhos com notas acima dos 90 pontos. 

Mas ainda existem outros fatores a serem analisados. Os pontos direcionados a um determinado vinho, quando superam os 90 pontos (ou quando chegam nos 100) atraem as atenções para este determinado vinho assim como para o produtor e para o crítico que os gerou, em geral. Com esta atração, a demanda por determinado vinho, produtor ou mesmo o aumento de consultas/trabalho "extra" ao critico tende a aumentar. E pela lei de mercado, com o aumento destas demandas, os preços tendem a subir. É importante então atentarmos para o aspecto financeiro intrinsecamente ligado a estas pontuações sobre determinados vinhos. Já tivemos casos de escândalos relacionados a críticos de vinhos e determinadas vinícolas/instituições com relação a propinas e outros. Mas a princípio, prefiro confiar na honestidade de todos os envolvidos neste processo.

Outro aspecto interessante é o que se refere aos importadores/comerciantes dos vinhos. Todos sabemos que com a economia mundial da maneira que se dispõe hoje em dia, fortalece uma inundação de rótulos de vinhos em nossas prateleiras, fazendo com que a competição em determinadas faixas de preços se torne predatória. Uma maneira de diferenciar um produto do outro é sem duvida lançar mão destas pontuações obtidas por determinados vinhos em catálogos, exposições e afins. Isto torna os sistemas de pontuação uma referência, mas não um item mandatório quando escolhemos um vinho em uma determinada loja/supermercado/etc. Este sistema de pontuação não pode servir como uma maneira de comprar o consumidor. 

Estes sistemas de pontuação também estão tornando alguns grupos de consumidores em pessoas preguiçosas e um pouco amedrontadas de confiar em seu próprio paladar, uma vez que estão comprando vinhos como se fossem números. Não se importam mais nos descritores do vinho e confiam cegamente quando veem um número 95 ao lado do vinho, por exemplo. A sensação é de que o propósito inicial destes sistemas se perdeu ao longo do tempo. Mais do que isso, perdeu-se o sentido nas avaliações.

Particularmente não sou muito fã destes sistemas de pontuação e não costumo me basear neles. Procuro sim saber um pouco sobre a região, sobre o produtor, provar e muitas vezes acreditar em recomendações de amigos e pessoas que conheço, e devo dizer que também erro em determinadas situações. Mesmo assim, desenvolvo meu paladar e meu nível critico em relação a determinados vinhos. E você, o que faz para se guiar? Segue os números cegamente? Compartilhe comigo suas experiências.

Até o próximo!

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Bodega Andina Merlot 2011

Era uma sexta feira como outra qualquer mas eu e minha esposa não tínhamos muita idéia do que iríamos fazer e comer no jantar. Foi quando ela veio com uma idéia muito legal: por que não fazemos um fondue de carne no vinho, parecido com um outro que comemos um outro dia num restaurante especializado aqui de Sampa? Eu topei na hora, afinal sou carnívoro inveterado. Eu também queria aproveitar a oportunidade e o tempinho frio para tomar um vinho, mesmo não estando 100% recuperado de uma gripe que me afligira na ultima semana. Pois bem, este vinho vinha marcando sopa em cima do balcão da cozinha a alguns dias e resolvi que ele seria a vítima do dia. E acho que fiz uma boa escolha, como vocês irão julgar por si mesmos nas linhas abaixo.


Pouco encontrei sobre a vinícola ou sobre o vinho em uma rápida pesquisa pela internet, portando deixo o canal de comentários do blog disponível a quem tiver mais informações e queira dividir comigo e com meus queridos e estimados leitores. Creio que se trate de um vinho mais "doméstico" do que propriamente exportado e divulgado aos quatro cantos do mundo. Este veio diretamente do Chile. Sem mais delongas, vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor rubi violácea com bom brilho e boa transparência. Lágrimas finas, rápidas, abundantes e incolores complementavam o conjunto visual.

No nariz aromas marcados de frutos negros e muito mentolado. Não notei aromas oriundos de estágio em madeira, suponho que o vinho não passe por envelhecimento em carvalho.

Na boca o vinho tinha corpo leve, boa acidez, taninos finos, redondos e extremamente sedosos. Retrogosto confirma olfato num final de curta para média duração.

Um vinho simples, bem feito e sem defeitos, ideal para o dia a dia, podendo ser tomado sozinho ou para acompanhar refeições despretensiosas. Acompanhou bem o fondue e a noite fria.

Até o próximo!

terça-feira, 14 de maio de 2013

A primeira vez: conselhos de como se portar em degustações/eventos de vinho

Todos já tivemos dúvidas a este respeito, não importa o quanto conheçamos de vinho. Será um local mais formal, onde somente conhecedores de vinho estarão presentes ou algo mais informal onde a maioria das pessoas que lá estará tem o mesmo nível de conhecimento que você? Como devo me portar uma vez que pouco conheço sobre vinhos e sou normalmente um consumidor de vinhos "doces" ? Inspirado num artigo que li, resolvi colocar algumas informações de lá retiradas e opiniões próprias sobre o assunto. Primeiramente será  preciso separar dois assuntos: o comportamento durante as degustações e eventos de vinho e depois a transição para o mundo dos vinhos finos. 


Com relação a como se portar na degustação/evento a primeira dica é relaxar, pois é muito provável que a grande maioria do público do local (e até alguns expositores) não serão experts no assunto e estarão lá para provar um pouco de muitos vinhos "diferentes" aos que usualmente estão acostumados e irão querer conversar sobre eles. É altamente improvável que alguém lhe coloque em uma sinuca de bico ao perguntar sobre um determinado vinho e sua opinião sobre o mesmo além de encoraja-lo a provas este e outros vinhos e tecer sua opinião, seja ela leiga ou não, sobre o que você acabara de provar.

Para ajudá-lo a se concentrar e degustar uma vasta gama de vinhos a dica é sorver pequenos goles de cada vinho ou mesmo apenas fazer com que o vinho "passeie" em sua boca, cuspindo-o na sequência nos vasilhames disponíveis no local. A dica é observar e ver os que tem um pouco mais de experiência no assunto e tentar "imitá-los" neste quesito. Esta prática de cuspir o vinho é recomendável pois mesmo em pequenas quantidades, os "goles" de vinho vão se somando e o seu grau alcoólico subindo rapidamente. Não exagere. 

Outra dica é, escolha a mesa/stand que irá visitar e tente seguir a sequência proposta pelo expositor. Sinta os aromas, o gosto. Compare os vinhos. Gostou mais do primeiro, segundo? Passe a próxima mesa/stand. Dessa maneira você irá começar a criar "litragem" para efeitos de comparação e finalmente encontrar e retornar ao vinho que mais lhe agradou. 

Felizmente deverão existir maneiras de tomar notas sobre cada vinho degustado, o que invariavelmente irá te ajudar muito a organizar suas idéias e lembranças de cada vinho degustado. Aqui a dica é: escreva tudo que vier a mente sobre determinado vinho (principalmente no começo de suas aventuras no mundo do vinho). O vinho te lembrou um chicle de frutas? Aromas de fezes? Não faz mal, anote tudo e depois compare e leia as notas de degustação do produtor e/ou de especialistas. Assim você poderá criar um banco de dados de termos para degustações futuras. Lembre-se que todo consumidor de vinhos tem seu próprio estilo para descrever um vinho, não existe o certo e errado.

Passando agora ao aspecto da transição dos vinhos considerados "doces" para os vinhos ditos "finos", você provavelmente irá descobrir vinhos mais complexos, mais "pesados" em boca, irá sentir uma secura principalmente na parte frontal da boca quando se tratarem de tintos e que estes vinhos demandam uma atenção maior pra poder entende-los. A dica aqui é começar com vinhos mais leves, mais jovens, com tendência a serem mais frutados e frescos pois a transição será mais suave. Alguns brancos e espumantes ajudam também. Se a sensação de secura na boca começar a pesar, tome um pouco de água e coma alguma coisa como um biscoito de água e sal ou pão, por exemplo. Mas sempre coisas leves, que não influenciem no gosto do vinho quando estiver degustando. 

A dica final é busque sempre vinhos e sensações que lhe deem prazer e continue degustando e tomando notas. Só assim irá evoluir seu paladar e aprenderá a lida com as mais diferentes sensações que os vinhos podem te passar no paladar. Ao longo do tempo você terá uma base de dados de aromas, gostos e tipos de vinho que mais lhe agradam e que você pode se enveredar cada vez mais. Além disso, cursos rápidos e básicos podem lhe dar informações importantes, desde que você escolha a instituição ou professor com cuidado. De resto escolha o vinho que mais te agrada, abra-o e deguste com pessoas com as quais você gosta de estar. Garanto que a experiência será sempre prazerosa.

Até o próximo!

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Vinho & Futebol: combinação perfeita!

Depois da parceria anunciada a um bom tempo atrás entre o time inglês Manchester United e a gigante chilena Concha Y Toro (já discutido aqui), mais uma parceria envolvendo o esporte do povo e a bebida de Baco parece que vai sair do papel, e coincidentemente envolvendo também (mesmo que de forma indireta) os Red Devils (apelido dado ao time do Manchester United em virtude da cor de seu uniforme).


Segundo os boatos da vez, quem parece querer investir em vinhos é o agora aposentado Sir Alex Ferguson, treinador do time vermelho por nada menos que 27 anos, colecionando muitas glórias e alguns fracassos contundentes. E seu alvo seria a compra de vinhedos no sul da França, num investimento que giraria ao redor dos 2 milhões de libras. 

A paixão do até outrora treinador pelos vinhos já é bem conhecida da imprensa mundial,uma vez que em determinada entrevista ele fez questão de comparar o jogador Cristiano Ronaldo (com quem trabalhou por alguns anos no Manchester) a um Petrus 1961.

Entretanto especialistas em prospecção e vendas de vinhedos na França e em outras localidades advertem que a mudança de apreciador para produtor de vinhos requer alguns cuidados especiais, como a escolha do tamanho da propriedade e a apelação a qual esta pertence. Pode-se juntar a isso o impacto de uma crise economica principalmente na Europa e a capacidade do retorno do investimento com o final da mesma, números difíceis de serem medidos/previstos.

Enfim, para os que apreciam tanto o esporte como a bebida, pode ser uma oportunidade de juntar duas paixões e de repente acrescentar algo a uma coleção ou mesmo uma maneira de continuar seguindo um ídolo, por exemplo. E você, caro leitor, o que acha desta mistura com cara brasileira? Deixem suas opiniões nos comentários do blog e vamos debater este assunto!

Até o próximo!

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Zuccardi Q Tempranillo 2009

Mais uma noite dessas qualquer ao lado da família, friozinho rondando, comidinha caseira, o que fazer? Abrir um vinhozinho e comemorar a essas "pequenas"coisas que tornam a vida realmente válida, com um sentido pra seguir em frente não é mesmo? E para a tarefa da noite narrada acima, o escolhido foi este argentino de estirpe, o Zuccardi Q Tempranillo, da famosa vinícola argentina Família Zuccardi. 


Já comentei um pouco sobre esta vinícola por aqui, em virtude de já ter degustado alguns de seus vinhos, e sempre tive boas surpresas. E não poderia ser diferente. A história desta vinícola que remonta a meados dos anos 60 e a sua incessante busca pelo aprimoramento e pelo mais alto grau de qualidade corroboram pra isso também. Sobre o vinho, um exemplar 100% Tempranillo de uvas colhidas em Santa Rosa, na região de Mendoza na Argentina, de parreiras com mais de 30 anos de idade e que se encontram a mais de 600 metros acima do nível do mar, podemos ainda afirmar que o mesmo passa por 12 meses em carvalho e mais 12 meses em garrafa antes de ser liberado ao mercado.  Sem maiores delongas, vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma cor rubi intensa e quase negra, com certo brilho e de pouca transparência. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas também completam o aspecto visual.

No nariz o vinho abriu aromas de frutos escuros e vermelhos, especiarias, baunilha e toques de madeira. Todos muito bem integrados e variando com o tempo em taça.

Na boca o vinho tinha uma acidez muito agradável, taninos finos e macios e corpo médio. Retrogosto confirma o olfato e trás também toques de coco. Final de média duração.

Mais um grande vinho da Zuccardi, degustado em companhia de bifes de alcatra ao molho madeira e que foi muito bem. Vale a pena. Este foi um presente de meu grande amigo Perci e eu agradeço demais, acertou em cheio! 

Até o próximo!

terça-feira, 7 de maio de 2013

Champagne Laurent-Perrier Brut

Ainda sem ter organizado minhas idéias da viagem a Itália, muito pela falta de tempo e pela preguiça que venho enfrentando nos últimos tempos, e mais uma vez venho pedir desculpas aos leitores mais usuais aqui do blog. Mas enquanto isso resgato um post que ficou perdido um tempo comigo e que só agora resolvi coloca-lo no ar. Em mais uma das várias comemorações que fiz na época do meu casamento e aniversário (por que afinal, o importante é comemorar) tomei este champagne e não postei minhas impressões, o que ocorre agora com este post.


A Laurent Perrier é uma casa tradicional na região de Champagne na França e já passou por algumas reinvenções ao longo de sua história, desde sua fundação em 1812. O que eles mesmos dizem por lá é que houve um renascimento da casa depois da segunda grande guerra, quando um dos herdeiros da propriedade na época começa a se interessar pelo negócio e aprender técnicas de vinificação, passando então a gerir o negócio. É ai então que a marca começa sua expansão para outros lugares no mundo, chegando hoje a marca de ser exportada para mais de 140 países ao redor do globo.

Sobre esta garrafa em especial, o que podemos dizer sobre ela é que é feita com 50% de uvas Chardonnay, 35% de uvas Pinot Noir e 15% de uvas Pinot Meunier, a primeira fermentação acontece em tanques de aço inox (a segunda é em garrafa, de acordo com o processo permitido na região) e que passa por 3 anos de envelhecimento em garrafa antes de ser liberada para o mercado (mesmo que apenas 18 meses sejam necessários por legislação). Vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor amarelo palha com reflexos verdeais, extremamente límpida e brilhante. Bolhas pequenas, constantes e que formam um belo colchão na parte superior da taça formam também o conjunto visual.

No nariz o vinho apresenta aromas de frutas cítricas e brancas, lembrança de panificação e fundo com toques florais. Muita suavidade e frescor.

Na boca o champagne apresentou um acidez incrível e deliciosamente refrescante, corpo médio e borbulhas persistentes. Retrogosto que confirma o olfato e final de longa duração.

Mais uma comemoração em grande estilo, mais um grande vinho provado e aprovado. E assim vamos seguindo, por que a vida é feita pra celebrar.

Até o próximo!

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Confraria Panem, Vinum Et Caseus: Uma noite portuguesa com certeza!

Todos já sentiam falta das reuniões da confraria, que via de regra deveriam acontecer uma vez ao mês mas que por motivos diversos, ficou dois meses sem acontecer. E é claro que a confraria não poderia voltar em melhor estilo do que com um jantar com o tema "bacalhau". Isso mesmo prezados leitores, todos os pratos (petiscos, entrada e prato principal) eram baseados nesta iguaria, que apesar de não ser originária da região, fez sua fama na cozinha portuguesa.


Mais uma vez fomos recebidos pelos queridos anfitriões Anna e Luiz (mais conhecido como comandante), que sempre nos tratam com tanto carinho que as vezes nem percebemos se estamos em casa ou fora. A cozinha ficaria a cargo da confreira Lucinéia, e mais uma vez só teríamos elogios a fazer. Desde o patê de bacalhau, delicioso com muito azeite e salsinha que criava uma perfeita combinação com os pães e torradinhas dos petiscos, passeando pela salada de grão de bico com bacalhau que só fazia a fome aumentar e chegando ao arroz de bacalhau, incrivelmente saboroso com pedaços de queijo coalho que escortavam um ao outro de forma magistral. Ah, e eu não posso esquecer de um dos petiscos que eu mais gosto: o bolinho de bacalhau, que estava sequinho e com muito recheio, que a vontade era de ficar comente os comendo a noite toda. E as sobremesas então, o que falar da dupla Pudim de Claras com Papo de Anjo? A dupla perfeita para fechar um verdadeiro banquete! Um deleite para glutão nenhum botar defeito.


Mas qual é mesmo o motivo de todos os encontros além da comida e da boa companhia? Os vinhos é claro! E como o tema era voltado a Portugal, nada mais óbvio do que provarmos vinhos portugueses não é mesmo? E o confrade Fábio caprichou, nos apresentando 4 tintos vindos das terras de nossos patrícios. Nas próximas linhas vou comentar um pouco sobre os mesmos. O primeiro vinho apresentado foi o Reserva das Côrtes 2010, um vinho regional de Lisboa feito a partir das uvas Castelão, Tinta Roriz e Alicante Bouschet sem passagem por madeira, básico e frutado, com acidez bacana que deve ser consumido jovem; depois provamos o Reserva do Paço 2010, outro regional de Lisboa, também feito com as mesmas uvas mas envelhecido por 6 meses em barricas o que já lhe confere uma complexidade um pouco maior, onde além de frutas também podemos identificar um pouco de especiarias e toques de baunilha. De corpo médio também tem boa acidez e pode ser consumido tanto sozinho como acompanhando comida; já no terceiro vinho a brincadeira começava a ficar mais séria, o Udaca Touriga Nacional 2008, um vinho feito com a mais famosa casta portuguesa oriundo do Dão e com envelhecimento de 12 meses em madeira, o que já o torna um vinho mais encorpado, complexo e rico. Aromas de frutos escuros, especiarias, flores e toques de madeira. Acidez e taninos equilibrados num final de média duração; e para fechar a noite o último vinho foi o Leo d'Honor 2008, um vinho feito com uvas Castelão vindas de Palmela, um região portuguesa pouco conhecida aqui no Brasil. Um vinho encorpado, opulento com toques de frutos negros e especiarias em evidência, com leve lembrança de madeira ao fundo. Acidez bacana aliada a taninos redondos e macios faziam com que o vinho ficasse por um bom tempo na lembrança, um baita vinho com certeza.


E assim mais um agradável reunião da confraria se acabava com a certeza de que a demora só fez a vontade de que as reuniões aconteçam com mais frequência aumentasse e com a certeza cada vez maior de que os anfitriões, nossa costumeira confreira e chef e o presidente, quem escolhe os vinhos, são pessoas incríveis que fazem com que o encontro e os vinhos fiquem eternizados em nossas mentes e corações. Obrigado Luiz, Anna, Lucinéia e Fábio por mais este encontro delicioso e que venham os próximos!

Até lá!

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Trivento Tribu Malbec 2011

Enquanto eu não consigo um tempo pra organizar as dicas e experiências italianas para o blog, vou brindar meus queridíssimos leitores com um post sobre um vinho que considero um dos grandes custos benefícios disponíveis em nosso mercado, e que pode ser apreciado por iniciantes e pessoas mais "experientes" no mundo do vinho de forma descompromissada, acompanhando uma refeição do dia a dia e por ai vai.


A vinícola Trivento é um braço da gigante Concha Y Toro tendo sido fundada em meados dos anos 90, produzindo uma vasta gama de vinhos de marca própria. Com uma rápida extensão, a marca logo se tornou uma das grandes exportadoras de vinho argentino para o mundo, marcando também o mercado brasileiro. O vinho em questão é feito com uvas 100% Malbec colhidas em Tupungato, em Mendoza, não passando por envelhecimento em barricas ou na garrafa. Por ter este aspecto jovem, convêm consumi-lo em no máximo 2 anos. Vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor violácea de média intensidade, com ligeira transparência e brilho. Lágrimas finas, rápidas e praticamente incolores completam o aspecto visual.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutas vermelhas e especiarias. Simples e direto.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos finos e redondos. Retrogosto confirma o olfato e o vinho tem um final de curta para média duração.

Conforme dito no início do texto, um bom vinho e que se torna melhor ainda quando vemos seu preço no mercado nacional. Foi um presente de minha querida mãe, e por isso se torna ainda mais especial. Foi apreciado num dia desses qualquer em conjunto com minha esposa, acompanhando bife a milanesa e batata assada.

Até o próximo!