terça-feira, 29 de outubro de 2013

Velhas Virgens Rockin' Beer: Cerveja e Rock n'Roll!

O domingo tinha uma cara feia, carrancuda e cinzenta. Estávamos em casa eu, minha esposa e minha enteada quando comentei com ela que eu havia descoberto um bar perto de casa que pertencia a maior banda de rock independente da cena nacional e que vendia somente cervejas artesanais brasileiras. A pergunta veio: Você quer ir conhecer? É claro que eu queria. Foi então que rumamos a Rua do Horto, 594 para conhecermos o Velhas Virgens Rockin'Beer, bar temático de cervejas especiais e loja da banda, no bairro do Tremembé em Sampa.

Chegando na porta já tivemos a melhor impressão possível: no telão um DVD do Ultraje a Rigor rolando e nas prateleiras e geladeiras muita cerveja diferente pra conhecer. Sentamos e pensamos, qual vai ser a primeira cerva para experimentarmos? Pensamos em começar mais de leve e portanto fomos de Bamberg Weizen, cerveja de trigo feita pela micro cervejaria de Votorantim de mesmo no nome, no interior de Sampa. É um estilo tradicional na escola alemã de cervejas, principalmente na Baviera. Tem o visual dourado e meio turvo por que não é filtrada e possui uma espessa camada de espuma. Aromas muito frutados com toques cítricos. Leve e refrescante, vai bem com dias mais quentes. Uma delícia, não podíamos ter começado melhor.

Pedimos uns aperitivos para acompanhar as cervas e continuamos conversando, rindo e curtindo o som. Ai a coisa começou a ficar séria. A primeira cerveja já tinha ido e era hora de escolhermos a próxima. Neste momento começou a rolar um show do Black Label Society no telão e eu falei: temos que ir pra algo mais forte. A escolha recaiu então para a Velhas Virgens Indie Rockin' Bier, uma Indian Pale Ale que carrega o nome da banda e é produzida pela Cervejaria Invicta, também no interior paulista (Ribeirão Preto). Esta de alta fermentação, coloração acobreada e espuma puxando para um bege. Sabor marcado, muito corpo e amargor final marcante. 


Precisávamos agora fechar com chave de ouro nossa primeira visita ao bar (sim, primeira de muitas eu espero). Eu havia escolhido uma outra IPA pesadona pra passar a régua, mas diante da falta da mesma pedi pro nosso atendente que desse uma dica e ele cravou: fechem com a Imperial Stout da Cervejaria Invicta. Fomos na dele e não poderíamos ter sido mais felizes: cerveja escura, quase negra, espuma âmbar e aromas de chocolate e café torrado. Na boca um monstro de corpo e muito amargor final além é claro de um café forte também. Esta porém não agradou muito minha esposa, pelo amargor final. De qualquer maneira uma baita cerveja. Quase uma sobremesa de cerveja, se isso fosse possível!


Gratificante descoberta do ladinho de casa que tende a ser visitado mais vezes. Segundo a galera por lá, hoje tem cerca de 48 rótulos nacionais que pretendem expandir para até 90. Fica a dica pra quem mora na região ou quer se aventurar e botecar um pouco. A única ressalva talvez é que poderiam ter mais opções de comes para acompanhar as cervejas. E olha que de vez em quando a galera da banda comando o balcão ou o som pra tornar a estadia ainda mais bacana. De qualquer maneira eu recomendo fortemente a visita!

Até o próximo!

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Um vinho tinto e dois espumantes: destaques do Taste & Buy da Vino & Sapore.

Um sábado com um clima que não se decidiu muito não me impediu de ir até a Granja Viana prestigiar meu amigo João Filipe e sua pequena feira brasuca em sua loja, a Vino & Sapore. E olha que ele sabe como ninguém garimpar boas oportunidades de vinhos. E pelo que vi o pessoal comentando, acho que todos tiveram boas surpresas no dia do evento. Aqui vou destacar três vinhos bem interessantes que podem compor qualquer seleção de bom custo benefício.

O primeiro vinho que venho a destacar por aqui é o Espumante Villaggio Grando Brut Rosé 2012, vindo diretamente dos campos altos de Santa Catarina. A vinícola pode ser considerada uma vinícola boutique, com produção limitada e com muito esmero. Eu ainda pouco conheço da região, eu confesso, mas cada vez mais tenho vontade de conhecer e muito tenho ouvido das boas surpresas que de lá saem. E foi assim com este espumante feito de um corte pouco usual de Pinot Noir e Merlot num processo chamado de charmat longo (quase seis meses em tanques para a segunda fermentação). Com uma bonita cor salmão e de perlage fina, o espumante possuía aromas de frutos vermelhos e toques de fermentação. Na boca uma excelente acidez, muito frescor e um corpo leve e agradável. Confirma o olfato. Delícia!



O segundo destaque que eu trago aqui é outro espumante, o Espumante Campos de Cima Brut, vindo da região mais a oeste do Rio Grande do Sul, na fronteira com o Uruguai. A cantina ficou pronta a pouco tempo e por isso muita coisa deve mudar por lá. Até aqui, no entanto, os vinhos eram vinificados na Cave Geisse (espumantes) e na Embrapa (tranquilos). De qualquer forma, o espumante em questão é um corte Chardonnay/Pinot Noir produzido pelo método tradicional (segunda fermentação em garrafa) com uvas de vinhedos próprios. De coloração amarelo palha, brilhante, com perlage fina e abundante, persistente e bonita. No nariz, aromas de frutos cítricos e toques florais. Corpo médio, excelente acidez e retrogosto confirmando o olfato. Final de longa duração. Combina demais com nosso clima.


Por fim, revisitando um vinho que eu já conhecia, o Angheben Touriga Nacional 2008, também vindo de lá do Rio Grande do Sul, porém este da região de Encruzilhada do Sul. Tive oportunidade de visitar a Cantina deles que fica em Bento Gonçalves e conversar um pouco com o Sr. Idalêncio e com o Eduardo. Eles tem uma visão pouco intervencionista no vinhos e vinhedos, trazendo vinhos muito únicos e de qualidade. Este é um exemplar 100% Touriga Nacional que tem uma cor violácea escura e quase sem transparência. Aromas de frutos vermelhos, florais e toques de baunilha. Bom corpo, acidez na medida e taninos marcados e firmes, porém de excelente qualidade. Confirma o olfato na boca e tem um final de média duração. Carnudo e encorpado, o vinho é um convite a uma boa carne. Vale ao menos conhecer.


Mais um bom evento, boas surpresas, velhos conhecidos. Parabéns João Filipe por sua perseverança em nos mostrar boas opções. Além dos vinhos, o passeio até a Granja e a visita a loja são imperdíveis, eu recomendo!

Até o próximo!

Champagne Maxime Blin Brut Rosé: estilo e sofisticação!

Sexta-feira foi dia de celebrar, afinal além de ser sexta feira, temos uma ótima vida, o #ChampagneDay estava ai e claro, era dia de Winebar. Desta vez foi um Winebar bem especial, afinal não é sempre que podemos provar um champagne até pelos preços por aqui praticados. Porém aproveitando a passagem do produtor pelo Brasil, o Winebar consgeuiu traze-lo para conversar um pouco com blogueiros, jornalistas, enófilos e quem quisesse acompanhar.


A Maxime Blin é uma maison pequena e de história familiar, sendo que hoje está na quarta geração de viticultores criando e modernizando seus vinhos espumantes mundialmente famosos. Estão situados em uma terra que dista 10 km de Reims, na região de Champagne, onde cultivam os 3 tipos de uvas autorizadas na região: Pinot Noir, Pinot Meunier e Chardonnay. O vinho em questão é feito exclusivamente com uvas Pinot Noir. Atualmente são importados pela Vinea. Vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor salmão, quase alaranjada, brilhante e alegre. A perlage era fina, abundante e duradoura.

No nariz o vinho mostrou basicamente aromas de frutas vermelhas bem pronunciadas e algo que lembrava a frutinha do guaraná. 

Na boca um vinho fresco, acidez moderada, perlage abundante formando um bom colchão de espuma e com um retrogosto confirmando o olfato. Final de longa duração. 

O Champagne foi harmonizado com salmão assado com pimenta e especiarias. Um bom vinho, uma grande experiência e mais um belo Winebar. 

Até o próximo!

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Toscana: um guia rápido para seus principais vinhos

Eu sempre penso com muita saudade e carinho sobre minha lua de mel no último mês de Abril, quando fiz uma viagem incrível pela Itália, mais especificamente pela região da Toscana. A região é conhecida por sua gastronomia, por seus vinhos, artistas, herança cultural, sobrenomes italianos famosos das famílias que viveram ou ainda vivem na região e pelo visual deslumbrante. Pensando nisto e com base no que vi e experimentei de vinhos por lá, resolvi fazer um pequeno apanhado dos principais vinhos da região. E esta tradição vem de muito tempo atrás, provavelmente desde a época dos etruscos na região.


Não é de hoje que não exista uma refeição, seja almoço ou jantar, na Toscana que não tem como acompanhamento uma garrafa de vinho, conforme a tradição manda. Se você não está muito familiarizado com os vinhos da região, espero que este pequeno guia lhe ajude nos primeiros passos. O mais conhecido deles são os vinhos tintos de Chianti , o Brunello di Montalcino, o Nobile di Montepulciano, e os chamados Super Toscanos, conforme veremos abaixo:

Chianti Classico : A área entre Florença até Siena, toda coberta de vinhas e olivais, é uma das mais famosas regiões vitivinícolas do mundo. Embora feito a partir da uva Sangiovese local, vinhos Chianti podem variar muito de um para o outro. Alguns produtores adicionam frequentemente outras variedades de uva com a Sangiovese , enquanto outros preferem métodos mais tradicionais . Existem alguns nomes famosos , mas a melhor coisa a fazer é explorar a região e provar vinhos diretamente de pequenos produtores de vinho.

Brunello di Montalcino : a bela cidade montanhosa de Montalcino é famosa em todo o mundo pelo seu precioso vinho vermelho rubi. Foi durante a metade do século 19 que Clemente Santi começou a fazer experiências com o plantio de clones da Sangiovese na região. Hoj , depois de mais de um século de experimentações, é um dos vinhos mais famosos e caros da Itália. Definitivamente o vinho para ocasiões muito especiais!

Nobile di Montepulciano: Este vinho vem das vinhas cênicas em torno Montepulciano, cidade maravilhosa na colina localizada ao sudeste de Siena. É feito a partir de uvas Sangiovese, com Canaiolo como opcional, e outras variedades locais da província de Siena.

Vernaccia di San Gimignano: Apesar da Toscana produzir vinhos tintos, há alguns bons vinhos brancos, como de fato o Vernaccia di San Gimignano, o primeiro vinho a ganhar a denominação DOC em 1966.

Super Toscanos: Na década de 1960 algumas vinícolas decidiram experimentar usando castas internacionais, como Cabernet Sauvignon e Merlot. Estes vinhos, como o Bolgheri, Sassicaia e Ornellaia, não podem possuir denominação DOCG (denominação de origem controlada e garantida), como aliás, tem todos os vinhos descritos acima, mas classificação entre os vinhos mais requisitados e incrivelmente caros do mundo.

Vamos a Toscana? Conhecedor de vinhos ou não, eu recomendo a viagem!

Até o próximo!

Hoje tem Winebar: Conheça o champagne Maxime Blin!

E o Winebar não para. Hoje temos, em parceria com a importadora Vinea e aproveitando a visita do produtor ao Brasil, a oportunidade de conhecer um dos grandes Champagnes que estão disponíveis no mercado brasileiro: o Champagne Maxime Blin Brut Rosé. 


E a festa comandada por Daniel Perches e Alexandre Frias terá um convidado pra lá de especial hoje: o enólogo Maxime Blin, que irá falar um pouco sobre os projetos por ele desenvolvidos na região, seus vinhos e claro, conversar com quem estiver participando do Winebar tirando dúvidas, discutindo as impressões sobre seus vinhos e assim por diante. O Champagne a ser degustado, como dito anteriormente, é o Champagne Maxime Blin Brut Rosé, feito com 100% de uvas Pinot Noir da mais famosa região de espumantes do mundo lá na França.

Lembrando que para acompanhar o Winebar você deve acessar www.winebar.com.br ou ainda pela Fan Page do Winebar no Facebook, na abinha "Ao Vivo". Eu não vou perder, meu champagne já está esperando ansiosamente! E você? Nos encontramos por lá.

Até o próximo!

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Espumante Stravaganzza Brut

Até então desconhecido por mim, o Espumante Stravaganzza Brut fez parte de minha primeira compra no site Sonoma, e diga-se de passagem, não poderia ter sido melhor. Li um pouco das opiniões dispersas no mundo enovirtual e imbuido de certo ceticismo apostei neste espumante. E não é que ele foi bem, melhor do que o esperado? Vamos conhecer um pouco mais sobre ele e sobre seu produtor, a Vinícola Don Giovanni.


A Vinícola Don Giovanni está localizada no distrito de Pinto Bandeira, no município de Bento Gonçalves. As características da região, a muito tempo, tem sido alardeadas como ideais para a produção de espumantes, produto pelo qual o Brasil tem se destacado internacionalmente. Está a aproximadamente 700 metros acima do nível do mar. Tem uma história antiga, começando ainda em meados do século XX e possuem diversas castas plantadas em sua propriedade, chamada também de Granja Don Giovanni. 


O Espumante Stravaganzza Brut é feito pelo método tradicional, onde a segunda fermentação ocorre dentro da garrafa. Feito a partir de vinhos base de Chardonnay e Pinot Noir (75% e 25% respectivamente) onde o vinho passa aproximadamente 12 meses em contato com as leveduras (no mínimo). Possui teor alcoólico em torno de 12,%5. Vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor amarelo com alguns reflexos esverdeados e muito brilho. Perlage fina e persistente.

No nariz aromas de frutas cítricas e muito abacaxi. Ao fundo aromas de panificação. 

Na boca um vinho com bastante volume, boa acidez, muito refrescante e com bom colchão de espumas. Retrogosto confirma olfato. Final de média para longa duração.

Mais um bom espumante brasileiro que descobri e gostei, estou numa fase de espumante e novas descobertas nacionais que tem me animado bastante. Acho que é o calor e alegria de celebrar a vida. Vamos ver o que acontece daqui pra frente. Eu recomendo.

Até o próximo!

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Salton Intenso: show de custo benefício!

Ontem foi mais uma noite de Winebar, desta vez com vinhos nacionais da Vinícola Salton. O Daniel Perches  (blogueiro, publicitário e idealizador do projeto Winebar juntamento com o Alexandre Frias) e o sommelier da Salton, Vinícius nos apresentaram alguns vinhos da linha Salton Intenso, comentando sobre o posicionamento da linha de vinhos em relação ao portfólio da casa e assim por diante. Devo confessar que o tema me animou bastante, não por patriotismo nem nada disso, mas eu vivo batendo na tecla de que o vinho nacional tem certa qualidade e se trabalhado em linhas de preço em pé de comparação com os seus equivalentes importados, tem tudo para vender. O que falta na verdade é uma divulgação decente, produtos de qualidade a preços mais acessíveis e por ai vamos. E acho que a Vinícola Salton acerta em cheio com esta nova linha e com a participação no Winebar. 

Segundo o Vinícius, a linha Salton Intenso se posiciona paralelamente a linha Salton Volpi, e em alguns casos irá substitui-la (em alguns pontos específicos de venda) porém com uma proposta um pouco mais jovem, mais fácil. Ele disse ainda que alguns dos vinhos degustados eram ainda "testes" e que não tem confirmação de entrada em produção de escala. Vamos falar um pouco sobre eles.

O primeiro vinho degustado foi o espumante Salton Intenso Brut, uma espumante feito pelo método charmat (segunda fermentação em tanques) e com uvas Malvasia (pouco comum diga-se de passagem) vindas diretamente da Serra Gaúcha. O vinho apresentou em taça uma bonita cor amarelo palha com toques esverdeados. Boa formação de borbulhas e espuma, boa persistência. Nariz floral e cítrico. Bastante fresco, bom colchão de espuma na boca porém com um final um pouco curto. Correto e agradável. Eu aproveitei e harmonizei o vinho com um salmão assado no forno com pimenta, temperos e cobertura de champignons. Ficou bom!


O segundo vinho da noite foi o Salton Intenso Marselan/Teroldego 2011, um corte inusitado de uvas de ascendência italiana e francesa assim por dizer, vindas de ambas a Serra Gaúcha e da Campanha Gaúcha. Edição limitada, vendas na loja física e virtual Salton somente. Passa pouco por barrica. Na taça uma aparência bem violácea, escura e com lágrimas finas e levemente coloridas. Nariz de frutas vermelhas, muito animal e toques terrosos. Taninos finos e redondos, corpo médio, boa acidez e final de média duração. Potência e alegria. Este foi harmonizado com uma fraldinha assada e se deu bem também.


O terceiro e último vinho foi o Salton Intenso Merlot/Tannat 2011 (50% cada uva) também das regiões da Serra e Campanha. Passa por barrica, um pouco mais de tempo (em torno de 6 meses). Na taça uma cor intensa e escura, lágrimas finas e bem coloridas. No nariz frutos escuros, chocolate amargo e algo de especiarias. Na boca corpo médio, acidez moderada e taninos firmes, marcados e de ótima qualidade. Final de média duração. Excelente vinho, mais uma belezura. Meu preferido principalmente quando harmonizado com uma bela paleta de cordeiro com alecrim e sal grosso.


Ao final, a sensação de que o famoso jargão do bom custo benefício se aplica diretamente a esta linha de vinhos fica evidente. Não que sejam vinhos espetaculares e sem precedentes. Longe disso, mas a qualidade associada ao preço os coloco no topo da lista das indicações nesta faixa de preços, o que mostra que podemos sim tomar vinhos nacionais a preços muito bons. Aliás falei, falei e não disse quanto custam, não é mesmo? Todos na faixa entre 28 a 30 reais. Testes ou não, os vinhos foram mais do que aprovados e eu sinceramente gostaria de vê-los em produção.

Até o próximo!

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Descobrindo cervejas artesanais brasucas

Estaria eu num momento patriota? Não, não chega a tanto. Confesso que nem só vinho me atrai quando falamos de bebidas alcoólicas e a cerveja, apesar de estarmos falando daquele bebia insossa e com adição de cereais não maltados, foi a primeira bebida que experimentei e comecei a tomar. Agora, com um pouco mais de conhecimento sobre vinhos, surgiu também o interesse pelas cervejas de verdade, artesanais, feitas com ingredientes de ponta, e que acrescentam alguma coisa quando bebemos. Mas ainda estou engatinhando no assunto. De qualquer forma resolvi falar hoje de duas experiências maltadas e lupuladas que fiz com minha esposa no último sábado. 


Estávamos decidindo o que faríamos de janta e decidimos por algo simples e saboroso: costelinha suina com sal grosso no grill, acompanhada de batatas assadas, arroz branco e uma saladinha mista. O clima estava agradável (nem muito quente nem muito frio) quando nos lembramos que tínhamos duas cervejas diferentes em casa e que iríamos experimentá-las nesta noite.

De uma lado teríamos a Baben Baden Chocolate Beer, uma edição especial da cervejaria paulista Baden Baden, que foi lançada em maio deste ano. Apesar de fazer parte da família das cervejas Ales (basicamente o que diferere a família é o tipo de fermentação quente/fria, alta/baixa), não se enquadra em nenhum estilo específico de cerveja e foi lançada então como uma specialty beer. No copo uma cor marrom bem escura (lembrando um café), com uma espuma densa e levemente colorida, puxando pro âmbar. De aromas claro destaque pro chocolate, mas também notam-se toques tostados e de café. Na boca o corpo é leve, ataque inicial levemente adocicado e final bem seco com certo amargor. Gostosa porém um pouco enjoativa se for tomar uma garrafa sozinho e sem acompanhar nada para se comer. Apesar da sugestão de acompanhar sobremesas, não fez feio com a refeição.

Já do outro lado teríamos a Karavelle IPA, também de uma cervejaria paulista (de mesmo nome, Karavelle), também parte da família das Ales, esta por sua vez uma "India Pale Ale", cerveja carregada em lúpulo, criada pelos ingleses para aumentar o tempo de conservação da cerveja que seria levada para as viagens pela Índia. No copo uma cor atijolada, âmbar com a espuma densa e de coloração puxando pro bege. Aromas de caramelo. Na boca corpo médio, algum dulçor inicial e bom amargor final. Estou começando a gostar deste estilo de cerveja. Vai bem com a carne de porco, na minha opinião. O amargor a torna refrescante e limpa a boca. Eu gostei.

Estou tentando diversificar os assuntos por aqui e tentando entender um pouco sobre a cerveja, bebida pela qual também tenho muito interesse. Dividam vocês comigo também suas experiências, eu os convido.

Até o próximo!

Winebar brasuca: é hoje, com vinhos Salton Intenso!

Hoje dia 22 de Outubro teremos mais um Winebar interessantíssimo com vinhos brasucas! Desta vez quem colabora com o Winebar é a vinícola Salton com sua mais recente linha de vinhos, a linha Salton Intenso. Esta é a oportunidade para aqueles, que assim como eu, não conhecem esta linha de vinhos da vinícola, possam degustar vinhos e espumantes juntamente com jornalistas, blogueiros, formadores de opiniões e quem mais quiser participar já que durante a degustação você poderá enviar perguntas, comentários e tirar suas dúvidas sobre estes produtos ao vivo e on line.


Segundo a Salton, a linha de vinhos Intenso faz parte do que eles chamam de contamporaneo, onde o frescor no conceito e descomplicação são as expressões desta linha. Ao mesmo tempo apresentam uma modernidade que vai de encontro aos anseios de consumo do jovem adulto brasileiro. Desta linha serão degustados os seguintes vinhos: Salton Intenso Brut, Salton Intenso Merlot / Tannat e por fim o Salton Intenso Marselan / Teroldego.

Sobre a Vinícola Salton, sua história é muito conhecida e amplamente difundida por aqui pois já passa dos 100 anos. Segundo o próprio produtor: "Essa história começa na Itália, em 1878, quando Antonio Domenico Salton partiu da cidade de Cison di Valmarino, na região do Vêneto, à procura de oportunidades melhores no Brasil. Um século depois, a Salton é reconhecida como uma das principais vinícolas do país. Na extensa lista de conquistas destes maios de 100 anos de história comemora o fato de ser familiar e 100% brasileira. Com a terceira geração à frente da empresa, tanto na Unidade em Bento Gonçalves quanto em São Paulo, revela em seus quadros a quarta geração Salton, que promete o mesmo empenho e dedicação com que a empresa foi comandada até agora".

E só pra relembrar, o Winebar "é um novo serviço criado para os apaixonados pelo vinho, onde serão realizados eventos e degustações virtuais através das redes sociais. Além de assistir o evento AO VIVO pela web, você poderá também participar da degustação, enviando perguntas aos convidados. Um jeito fácil de conhecer novos vinhos, conversando diretamente com o produtor, só que no conforto de sua casa". Para acompanhar as degustações acesse: www.winebar.com.br ou pelo Facebook.

Você não vai ficar de fora, vai? Eu estarei lá!

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Granja Viana se prepare: Taste & Buy Brasil na Vino & Sapore

A parte mais bacana deste mundo dos vinhos que sempre estamos por descobrir são as pessoas que conhecemos e as amizades que fazemos. Sempre encontramos pessoas que querem ajudar passando informações, te incluindo em grupos de discussão ou mesmo conversando e mostrando o quanto ainda temos por aprender todos os dias. E coloco o grande João Filipe, dono da loja Vino & Sapore, no hall destas pessoas que eu conheci neste mundo enofílico. Descendente de portugueses, além de ser uma bíblia de vinhos patrícios, gosta como ninguém de conversar e passar informações nas visitas que fazemos a sua loja localizada na Granja Viana, numa rua bucólica que me faz esquecer que estamos numa região metropolitana de São Paulo. E ele está com um evento bacana para acontecer por lá, que vamos divulgar nas linhas abaixo.


Taste & Buy Brasil dia 26 de Outubro na Vino & Sapore, das 16 às 20 horas, um evento especial para você quebrar, ou confirmar, seus preconceitos para com os vinhos e espumantes brasileiros. Para sair da mesmice de sempre quando o assunto é vinho e em especial brasileiros, garimpamos alguns rótulos, produtores, uvas e regiões diferenciadas que possuem uma ótima relação Qualidade x Preço x Prazer e gostaríamos de compartilhar esses achados com vocês. Por apenas R$30,00 você é nosso convidado para vir provar mais de 15 vinhos tranquilos e espumantes e tirar a prova dos nove! Se gostar, teremos algumas garrafas para venda também e você terá um crédito de R$10 para compras dos rótulos em degustação. Ainda estamos trabalhando para trazer mais duas vinícolas para este evento, mas eis a previsão de produtores participantes:

Aracuri Vinhos Finos (Campos de Cima/RS), Bela Quinta (Flores da Cunha/Serra Gaúcha), Vinícola Campos de Cima (Campanha Oriental/RS), Identidade (Encruzilhada do Sul/RS), Valmarino & Churchill (Pinto Bandeira/Serra Gaúcha), Villaggio Grando (Caçador/SC) e ainda por confirmar a Angheben (Encruzilhada do Sul/Serra Gaúcha) com suas uvas pouco cultivadas por aqui como a Touriga Nacional, Terroldego e Barbera. Também suco de uva natural que é uma das especialidades das Serras Gaúchas!

Teremos vinhos elaborados com Tannat, Viognier, Cabernet Franc, Marselan, Arinarnoa, Guewurztraminer, Blends, Espumantes e os Merlots e Cabernet Sauvignon só que com um tempero diferente e com preços acessíveis versus a qualidade apresentada. As vagas são limitadas a 40, então não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje e já garanta seu lugar. Envie seu e-mail com solicitação de reserva para comercial@vinoesapore.com.br ou passe na loja onde teremos o maior prazer em recebe-los.

Até o próximo!

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Safra 2014 de vinhos em perigo no Chile

Produtores de vinho chileno atingidos por geadas


Muitos botões de Pinot Noir e Chardonnay foram danificados por noites de intensa geada por duas vezes na sequência, mas os enólogos ainda acham cedo para entrar em pânico. Tais geadas deixaram os enólogos chilenos de fronte a uma pequena colheita para a safra 2014, meses antes deles começarem a colheita e escolha das primeiras uvas. Mas eles estão cautelosamente otimistas de que a qualidade (das uvas) será boa, mesmo se houver menos vinho, e acreditando que a indústria possa resistir aos danos. "Vai ser um ano difícil para os pequenos agricultores, e o governo já pensa a cerca de um resgate para eles", disse Aurélio Montes de Viña Montes. " As vinícolas maiores terão uma colheita menor em 2014 que será totalmente coberto pelo excedente em estoque".

As geadas podem ter sido as piores em 80 anos, de acordo com estimativas iniciais do departamento de agricultura do país. No período compreendido entre 20 e 30 de setembro, as temperaturas giravam em torno de congelamento nas regiões vinícolas desde Coquimbo, no norte, até Bio Bio, mais ao sul. As regiões costeiras de Casablanca e Leyda tiveram os piores danos, mas o Vale Central também fora atingido. "No nosso caso, os danos causados ​​pela geada no Vale de Casablanca afetou nossas plantações de Chardonnay e Pinot Noir, onde teremos uma redução na colheita ao redor de 30% ", disse Rodrigo Soto, diretor da vinícola Veramonte no Chile. "Outras variedades com a Sauvignon Blanc, Merlot e outros não apresentaram qualquer dano até o presente momento". Chardonnay e Pinot brotam mais cedo do que as outras variedades, muitas vezes em setembro em vez de outubro, então estas variedades estavam mais vulneráveis.

Enquanto os relatórios de outras regiões mostrou que os rendimentos poderiam ter uma queda de 20 a 30 por cento, os produtores alertam que é muito cedo para saber até que os sarmentos comecem a crescer. Outras árvores frutíferas, outras culturas importantes para o Chile, sofreram perdas muito piores. "Neste momento , apesar de estarmos trabalhando em uma avaliação, é realmente impossível quantificar as perdas", disse Marcelo Papa , enólogo da Concha y Toro. "Em novembro vamos ver flores e vamos ver o que acontece então". Vários enólogos dizem que tiveram grande colheita em 2013 de modo que eles não esperam sofrer muito com a falta de vinho.

No entanto todos estão cautelosos e não estão despreocupados. "O risco de geada no Chile normalmente termina em Novembro, por isso estamos em alerta", disse Papa . "Estamos cruzando os dedos".

Matéria original em www.winespectator.com

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A mais nova ação da Wines of Argentina: "The Wine Caption"

Quem lê meu blog de vez em quando já percebeu que gosto muito de acompanhar as redes/mídias sociais no que diz respeito aos vinhos e toda discussão que os mesmos geram. É verdade que acompanho também outros assuntos, mas hoje vou falar sobre uma campanha muito bacana que vi ontem enquanto dava a minha "fuçada" diária no mundo enovirtual. A Wines of Argentina apresenta nova campanha nas redes sociais: “The Wine Caption”.

Imagem retirada do site oficial da entidade

A Wines of Argentina, é a entidade responsável pela marca vinho argentino no mundo. A organização promove a imagem dos vinhos locais no exterior, além de ajudar a orientar a estratégia exportadora da Argentina, estudando e analisando as mudanças que ocorrem nos mercados de consumo. Seu objetivo é colaborar na consolidação da Argentina entre os principais países exportadores de vinho no mundo e contribuir para o sucesso global da indústria vitivinícola, procurando elevar a percepção positiva no trade, nos líderes de opinião e nos consumidores.

Com o objetivo de posicionar na mente dos consumidores a marca “vinho argentino”, a Wines of Argentina, entidade responsável pela imagem do vinho argentino no mundo, lançou no dia 11 de Outubro (estou atrasado já!) nos Estados Unidos, Canadá, México, Colômbia, Peru, Brasil, Reino Unido e Países Baixos, “The Wine Caption”, um concurso fotográfico especialmente desenhado para as redes sociais e focado especialmente no Instagram. O vencedor ganhará uma viagem de cinco dias para duas pessoas à Argentina. Além disso, a foto ganhadora será a imagem da campanha 2014 da Wines of Argentina.

Os interessados devem tirar e compartilhar uma ou mais fotos no Instagram, usando o hashtag #thewinecaption. Também devem escrever uma legenda que transmita aquilo que a Argentina, seus vinhos e o “ser argentino” representa para eles. Em seguida, devem somar “likes” e compartilhar a foto com os amigos. As 10 fotos que tiverem mais “gosto” serão avaliadas por um júri formado por quatro renomados fotógrafos: Irina Werning (Argentina), Lee Towndrow (EE.UU.), Federico Garcia e Pablo Betancourt do Estudio García&Betancourt (Argentina), que escolherá o ganhador. São requisitos ter uma conta no Instagram, seguir a Wines of Argentina nessa rede social, ter mais de 18 anos e não morar na Argentina. 

A primeira etapa do concurso começa hoje mesmo e termina em 26 de novembro de 2013. A segunda etapa, de avaliação e seleção feita pelo júri, começa em 27 de novembro e termina em 18 de dezembro de 2013. Se você é um enófilo e curte os vinhos argentinos e gosta de tirar fotos, não deixe de participar. A Wines of Argentina sabe muito bem usar as redes sociais em seu favor, acho que poderíamos aprender algo com isso também (quando digo nós, digo o vinho brasileiro e a divulgação ainda letárgica que o mesmo tem por aqui no mercado interno). Vamos gerar uma participação legal de brasileiros e ganharmos um destaque com a Wines of Argentina? Infelizmente estou fora da disputa pois não participo desta rede social, mas quem sabe esse concurso não seja um empurrãozinho para que eu possa entrar não é mesmo?

Até o próximo!

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Cline Viognier North Coast 2012

De repente um calor ainda um pouco fora de época ainda aplacou Sampa em plena segunda feira e a vontade de comer uma comida leve e tomar um vinho refrescante surgiu com a minha esposa, e eu prontamente aceitei. A idéia foi fazer um fusilli com abobrinhas e tomates cereja salteados em azeite com cebola roxa. Para dar um toque especial, um pouco de salsa trufada. E para acompanhar, alguns nuggets crocantes seriam fiéis escudeiros. Ai viria a dúvida: qual vinho escolher para acompanhar? Minha esposa jogou no ar que queria um vinho branco e pensando bem, era a escolha ideal. Vasculhei minha adega e encontrei este curioso Cline Viognier North Coast 2012 e resolvi que ele seria o responsável pela "hercúlea" tarefa.


A Cline Cellars é uma vinícola fundada inicialmente em  Oakley na California que depois teve sua sede levada para Carneros, no Sonoma. Existe desde meados dos anos 80 sendo que, segundo pude apurar, é uma das pioneiras no cultivo de uvas oriundas do Vale do Rhône na região, fazendo uso do clima um pouco mais ameno em Carneros. Conta hoje com vinhedos em ambas regiões (Carneros e Oakley) além de Pentaluna, também em Sonoma. Conta ainda com acomodações para turismo além de um museu cujo tema principal é as Missões Espanholas na região conhecida como El Camino Real. 

O vinho escolhido, Cline Viognier North Coast 2012, por sua vez é produzido a partir de 100% de uvas Viognier colhidas tanto em Carneros como Sonoma Coast. Não passa por envelhecimento em barricas e tem 15% de teor alcoólico. Vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor amarelo dourado com toques meio rosados, bastante brilho e ótima transparência. Sim, também achei meio estranho mas olhando o vinho contra um fundo branco era possível ver toques rosados em contrapartida a coloração amarela do vinho. Lágrimas finas, rápidas e incolores complementavam o aspecto visual.

No nariz o vinho abriu com aromas de fruta tropicais (abacaxi e pêssego), frutas cítricas e toques florais. Me lembrou um pouco de lichia também. Parecia um perfume engarrafado, tamanho o nível de fragrância que o vinho desprendia quando abri a garrafa.

Na boca um vinho de corpo médio, boa untuosidade e acidez moderada. Retrogosto confirma o olfato num final de longa duração. 

Mais um grande vinho apresentado a mim pela Smart Buy Wines através de seu clube de vinhos. Casou muito bem com o clima e com a comida mais leve. Eu recomendo.

Até o próximo!

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Como o vinho pode ter aromas/sabor de baunilha, caramelo ou canela?

Começo afirmando que é bom que tenhamos em mente: o enólogo não adiciona canela, baunilha ou outros aditivos para atingir tais aromas/sabores (pelo menos os sérios). Depois é necessário entender que o processo de envelhecimento do vinho em barricas de carvalho, principalmente, tem grande impacto nos aromas e sabores que o vinho virá a apresentar quando abrirmos a garrafa.


Devemos entender que existe muita química por trás do que faz com que o vinho tenha determinado aroma/sabor. Primeiramente cada tipo de uva terá um tipo de sabor intrínseco e quando a mesma for fermentada e transformada em vinho estas características olfativas e organolépticas serão ampliadas. É portanto durante o processo de fermentação que os compostos químicos conhecidos como ésteres são formados. Se você sentir cheiro de pétalas de rosa em um vinho, pode ser porque você está sentindo os aromas dos ésteres que estão nas rosas também. Os vinhos podem ser feitas por dezenas destes compostos químicos, e a pessoa que descreve o vinho ou está sentindo estas notas de maneira mais evidente ou está tentando encontrar um jeito de diferenciar determinado vinho por uma dada característica aromática.

As barricas de carvalho podem ser grandes constituintes do perfil aromático de um vinho. Um barril pode infundir no vinho armazenado nele, sabores diferentes, dependendo da origem da madeira e de como é feita a tosta além de é claro, quanto tempo o vinho fica na mesma. Assim, um vinho que passa apenas alguns meses em um barril levemente tostadas vai ter um perfil diferente de um mesmo o mesmo vinho que fica por 18 meses em um barril altamente tostado. Um enólogo pode até querer fazer as duas coisas e, em seguida, misturar os dois para chegar a uma mistura complexa.

Devemos também sempre lembrar que cada decisão que um vinicultor faz ao longo do caminho vai ter algum tipo de efeito sobre a forma como os aromas e sabores em vinho se apresentam ao consumidor. Isso depende não só do tipo de uvas, mas como e onde estas uvas são cultivada, a variação decorrente da safra (ano) e quem sabe uma das maiores decisões tomadas ainda no vinhedo: quando são colhidas as uvas.

Um vinho tinto pode ser fermentado de diferentes maneiras, alguns enólogos resfriam o mosto das uvas enquanto fermentam, alguns utilizam os cachos inteiros e outros usam, por exemplo, leveduras nativas. O regime de envelhecimento em barricas, o envelhecimento em garrafa e a outra grande decisão - o corte - podem ter um enorme impacto sobre o produto final.

E você, caríssimo leitor, o que acha a respeito destes aromas que sentimos no vinho? Deixem seus comentários e idéias no blog ou na fan page.

Até o próximo!

Os vinhos franceses se encontram no olho do furacão

Notadamente quando falamos de vinhos, a maioria das pessoas logo cita a França como o país produtor mais conhecido no mundo vinícola. E não é para menos, eu cito aqui pelo menos quatro das mais famosas regiões vinícolas do mundo e que se encontram na França: Bordeaux, Bourgogne, Provence e Champagne. E claro que não está limitada a estas regiões, mas fica claro a importância do país quando falamos de vinhos. Só que recentemente os produtores do país tem recebido duros golpes vindos de autoridades e de estudos recentes. Vejamos o que eles tem enfrentado.

Em um estudo recente, uma revista de consumo francesa em conjunto com um renomado laboratório de enologia levantou sérias questões relacionadas ao uso de pesticidas e o efeito de seus resíduos em grandes rótulos franceses (incluindo ai Mouton Cadet e outros 7 vinhos do produtor Castel). Este estudo analisou cerca de 92 vinhos franceses em relação a 165 produtos químicos utilizados no tratamento das vinhas. E a primeira vista os resultados foram preocupantes. Trinta e três produtos químicos encontrados em fungicidas, inseticidas e herbicidas apresentaram-se nos vinhos e cada vinho apresentavam algum traço detectável de produtos químicos. Pior, alguns compostos proibidos para uso na França e não aprovados em outros países para uso alimentício também foram detectados em algumas amostras.

Analisando com mais parcimônia porém, suspeitas foram levantadas sobre o estudo uma vez que o mesmo aconteceu em paralelo a organização de uma feira de vinhos franceses promovida por supermercados do país e os vinhos analisados variavam de 2 a 20 euros e eram vendidos em larga escala nos mesmos supermercados. O laboratório responsável pelo estudo logo se prontificou a desmistificar os resultados. Segundo o enólogo responsável pelo estudo, os consumidores devem ficar calmos pois o resultado, salvo raras exceções, era mais do que satisfatório. O traço residual era muito leve e mesmo nos casos extremos e mais altos, ainda dentro da legislação. Mesmo assim, muitos leitores, consumidores e pessoas do meio entendem que algo deva ser feito na direção da diminuição dos níveis de químicos nas vinhas por entenderem que mais do que o vinho, existem as terras vizinhas, as pessoas que trabalham nos vinhedos e as comunidades que circundam tais vinhedos e que podem estar recebendo cargas mais altas de exposição aos químicos.

Embora muito trabalho tenha sido feito na direção do uso zero de químicos nos tratamentos dos vinhedos, sabemos que ainda estamos muito longe disso. Não existe ainda uma legislação clara e específica sobre o uso de tais produtos em tratamentos das vinhas e por isso, ainda pouco pode ser dito. Mas a discussão já começou.

Por outro lado, um novo projeto de lei no senado francês pede o aumento dos impostos sobre as bebidas alcoólicas e também avisos mais fortes de saúde em rótulos e novas restrições à publicidade e marketing dos mesmos. Seria o vinho francês uma parte da identidade nacional e um contribuinte importante para a economia ou um perigo para a saúde pública? Esta proposta irritou em demasia os vinicultores franceses que, em contrapartida, criaram uma campanha para contra atacarem sob o mote de não serem tratados como traficantes de drogas uma vez que o vinho faz parte de sua cultura e gastronomia desde sempre, gerando uma pressão popular contra o que intitulam uma "pressão moral e financeira".

A nova lei de saúde , defendida pelo ANPAA ( Associação Nacional para a Prevenção do Alcoolismo e da Toxicodependência ) , propõe um "imposto de comportamento", o que é permitido em um produto considerado perigoso para a sua saúde e destina-se a impedir o consumo. O projeto de lei de saúde também propõe mudar o aviso governamental atual nos rótulos de vinho e outras bebidas alcoólicas de "o abuso de álcool é perigoso para a saúde" para "o álcool é perigoso para a sua saúde". A polêmica medida ainda segue e o ANPAA também quer pôr fim ao uso das mídias sociais , citando o Twitter, Facebook e blogs (pô, você tá de sacanagem né?), para falar e promover o vinho, principalmente quando ele é associado com temas como o sucesso, esportes e sexo. 

 Alguns médicos e especialistas defendem que o consumo de álcool é algo não necessário, todo e qualquer consumo traz risco (mesmo que em pequenas proporções) a saúde dos consumidores. Além disso, afirmam ainda que existe o custo social envolvido com tratamentos para alcoólatras pelo governo entre outros. Recentemente porém, depois de muito lobby do setor, o governo recuou em parte desta medida e retirou do projeto de lei a parte relacionada ao controle de mídia. Existem porém políticos que são contro, como o ministro da agricultura e o prefeito de Bordeaux, por exemplo, afirmando que o setor é um monstro quando se refere a criação de empregos e também nos números positivos gerados ao dinheiro vindo das exportações. Há quem defenda que mais do que criar novos impostos, o governo deva ainda usar o que arrecada com mais sabedoria (qualquer semelhança com a bananalândia que vivemos é merca coincidência).

Medidas polêmicas, publicidade contrária, tudo isso em cima de um gigante produtor e consumidor de vinhos. Imagino que, dadas as devidas proporções, a maneira como tratamos o vinho no Brasil é quase a mesma que querem implementar lá, taxando o vinho como bebida alcoólica (impostos mais altos), sem publicidade (ou falta de, como vemos por aqui) e sem os devidos incentivos. O que você acha, prezado leitor? É uma dicussão no mínimo interessante. Deixem seus pensamentos e idéias a respeito nos comentários do blog ou na fan page do blog no Facebook. Nos vemos por lá.

Até o próximo!

Fonte: www.winespectator.com

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Ormanni Borro Del Diavolo Chianti Classico Riserva 2008

Tem dias que depois de muita tensão, correria, desgastes, você só quer chegar em casa, comer uma boa comida ao lado de sua companheira e tomar um vinho? Além disso, 6 meses se passavam desde que a grande mudança em minha vida aconteceu. Por isso, resolvi tirar este da adega, vindo diretamente da Toscana em nossas malas da lua de mel, o Ormanni Borro Del Diavolo Chianti Classico Reserva 2008.


A Vinícola Ormani é como muitas na região, parte de uma grande propriedade que possui também outras atividades, entre as quais se destacam a agricultura, turismo e claro, vinicultura. Fica entre Poggbonsi e Castellina in Chianti, sendo que possuem mais de 60 hectares de uvas plantadas dentro da DOC que compreende a região de Chianti Classico. 

O vinho em questão é um exemplar puro sangue 100% Sangiovese com uvas colhidas na região de Chianti Classico. Ainda segundo o produtor passa por cerca de 12 meses em barricas de carvalho, quando é engarrafado e passa ainda cerca de mais 6 a 8 meses em garrafa antes de ser liberado para o mercado. Possui 14,5% de álcool. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor rubi violáceo com poucos toques atijolados nas bordas. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas completam o aspecto visual.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutas vermelhas, toques de coco e leve lembrança de bosques. Um vinho bastante fragrante eu diria.

Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez e taninos redondos e macios. Um vinho muito equilibrado e harmônico. Retrogosto confirma o olfato. Cresceu ainda mais com a comida. Final de média duração.

Um grande vinho associado a uma grande lembrança e que só confirmou a qualidade percebida quando o provei lá na Itália. Eu recomendo. Uma pena não existir por aqui.

Até o próximo!

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Um pouco de história: sabragem, o que é e como surgiu.

Tomando um gancho em meu último post sobre a Confraria Pane, Vinum et Caseus (aqui), resolvi explicar melhor a técnica usada por nosso presidente para a abertura de uma das garrafas de espumante durante nosso encontro.


A sabragem consiste basicamente em uma técnica para a abertura de garrafas de espumante com a ajuda de um sabre, um tipo de espada que normalmente tem uma única lâmina curva e com empunhadura bem grande e vistosa que cobre a mão e os nós dos dedos. Usando esta técnica, a pessoa deve primeiramente remover a cápsula e a gaiola do espumante, deslizar o sabre por sobre o corpo da garrafa no lado em que a garrafa possui uma ranhura com força moderada a fim de quebrar o pescoço da garrafa com o impacto do sabre. Desta maneira, a pressão interna que o espumante possui ajuda a expelir o gargalo da garrafa bem como eventuais cacos de vidro que possam ter se desprendido na operação. Fisicamente falando, o motivo pela escolha do garagalo na região da ranhura da garrafa é que ali existe um grande ponto de tensão que diminui a resistência do vidro em mais da metade. Note que, se por algum motivo seu sabre estiver com o fio afiado, você deverá utilizar o lado contrário para efetivar a sabragem. 

Mas como surgiu esta técnica? Segundo a história, esta técnica surgiu e se tornou popular principalmente na França quando o exército napoleônico, logo após a revolução francesa, visitava as várias propriedades dos aristocratas da região e para celebrar as vitórias do exército, utilizavam sua espada (arma escolhida para a cavalaria leve das tropas de Napoleão) para a abertura das garrafas de champagne. Existem ainda lendas a respeito desta técnica, como por exemplo a que diz que os soldados de Napoleão visitavam com frequência a Madame Clicqout (um dos sobrenomes mais fomosos da região) e sua vinícola, que ela herdara do marido com apenas 27 anos, e para impressioná-la, se utilizavam também desta técnica para a abertura de suas garrafas de champagne.

Eu particularmente nunca tentei esta técnica mas presenciei e achei muito interessante e divertido. E claro que brindamos com o espumante aberto desta maneira. E vocês, já fizeram alguma vez? Se não fizeram, espero que as informações aqui contidas sejam úteis. Se sim, mandem suas opiniões, comentários e dividam conosco.

Até o próximo!

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Vallon des Sources 2007

Voltando com a corda toda, fazia algum tempo que queria provar este vinho que estava relaxando em minha adega já faz algum tempo. Este é um exemplar Francês da região do Rhône, mais especificamente da apelação Côtes du Rhône Villages.

Como a minha garrafa se encontrava com o rótulo bem danificado, optei por uma foto do site do produtor.

Este vinho é fruto de uma cooperativa francesa de mais de 80 famílias, que tem em comum o amor pela viticultura e a passagem de geração para geração do ofício de enólogo. A cooperativa foi fundada bem no coração do Vale do Rhône aos pés das cadeias montanhosas de Dentelles de Montmirail. É produzido a partir de um corte tradicional de Grenache, Syrah, e Mourvèdre sem proporções conhecidas. Depois, é envelhecido em tonéis de madeira de 6 a 8 meses. Vamos as impressões.

Na taça uma cor rubi já com toques granada e ligeiro halo aquoso. Lágrimas finas, rápidas e sem cor também fazem do conjunto visual.

No nariz, o vinho apresenta aromas de frutos escuros, especiarias e leve lembrança balsâmica. 

Na boca o vinho apresentou corpo médio, acidez viva, taninos finos e macios. Retrogosto confirma o olfato e tem um final de média duração.

Mais um bom vinho, apresentado pela Smart Buy Wines a algum tempo atrás. Não me recordo o preço da época nem tão pouco tenho marcado por aqui. Vale de qualquer jeito e é uma opção aos vinhos do novo mundo pois desfila elegância quando colocado na taça. Eu recomendo.

Até o próximo!

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Confraria Pane, Vinum et Caseus: "un buon pranzo italiano"

Apesar da volta as atividades enofílicas, o domingo amanheceu cinzento, triste, lacrimoso, como se quisesse nos tirar a vontade de sairmos para mais uma orgia enogastronômica que se aproximava. Confesso que nem isso era suficiente pois além da saudade do pessoal, dos bons pratos e bons vinhos, minha recente "abstinência" em virtude da saúde (falta de) só fazia crescer a animação. Era dia de mais um encontro da Confraria Pane, Vinum et Caseus! E um encontro especial, afinal nossos anfitriões da tarde Marcelo e Rosangela faziam aniversário de casamento na mesma data.


Já comentei por aqui que no quesito receptividade e amabilidade nossos anfitriões fizeram pós graduação e costumam dar aula, o que não foi diferente desta vez. Fomos também recepcionados com alguns beliscos enquanto esperávamos a chegada dos demais membros. Entre estes beliscos amendoins, uvas passa, pães e uma bela caponata de berinjela que logo se tornou sucesso. 



Antes que passássemos então ao almoço em si e aos vinhos porém, uma surpresa: iríamos brindar ao aniversário do casal anfitrião da tarde. E o presidente da confraria, Fabio, e seu faro apurado em garimpar vinhos nos trouxe a oportunidade de conhecermos a linha de espumantes Brut e Brut Rose da Vinícola Santa Augusta, que fica situada em Santa Catarina, no Sul do país. O mais curioso destes vinhos é que ambos possuem em sua composição grande porcentagem de uvas tintas como Cabernet Sauvignon e Merlot. Ambos muito frescos, cada qual com seus aromas de frutos (o brut puxa mais para as frutas brancas e o rosé para as vermelhas) com boa perlage e persistência, muito equilibrados e que agradam em cheio mesmo aos que não estão tão acostumados com o vinhos espumantes. Uma ressalva ainda para a sabragem feita pelo nosso presidente, mostrando que sabe tudo e mais um pouco de vinhos!



Depois deste começo sensacional passamos então a conhecer quais seriam os vinhos e os respectivos pratos para sua possível harmonização. O primeiro vinho da tarde era um Chianti simples porém ordinário, daqueles para se beber despretensiosamente acompanhando uma refeição. Era o Ponte Vecchio Chianti DOCG, contando com Sangiovese, Canaiolo entre as mais tradicionais uvas de seu corte, o vinho se mostrou alegre, com boa acidez, corpo leve e saborosamente agradável. Detalhe para a garrafa entrelaçada de palha uma homenagem aos produtores de antigamente. E o negócio começava a ficar sério quando o presidente mostrou o San Biagio Rosso di Montalcino, vinho produzido pela já conhecida Vinícola Camigliano e que se mostrou bem típico, feito com 100% de Sangiovese (seu clone grosso ou Brunello) e com seus aromas terciários florescendo, com toques animais e terrosos além de um tradicional floral. Pra mim, o preferido da tarde sem dúvida nenhuma. E quem achava que tinha acabado se deu mal, pois eis que o presidente tira da cartola o Podere Il Pozzo Canto Lupo 2007, um supertoscano interessante, com uvas francesas em corte com a Sangiovese e que trás um quê de novo mundo aos vinhos Toscanos. Toques de frutos escuros maduros e baunilha são os mais percebidos aqui. Outro grande vinho só que com outra proposta. De lambuja ainda abrimos um Barbaresco Batasiolo 2006, incrivel como este vinho sempre surpreende com frutas secas, floral e um final longo e saboroso.


Aqui você deve estar se perguntando quais os pratos para tanto vinho, certo? E não é que fomos de salada mista de folhas verdes, couscous marroquino, lasanha a bolonhesa com um toque de molho branco, penne aos quatro queijos e/ou molho de linguiça. Tudo incrivelmente preparado pela ala "italiana"da Confraria, capitaneados pelo nosso vice presidente Luiz. Massa al dente, molhos polpudos e recheados, tudo que não pode faltar em uma típica cozinha ítalo-brasileira. Confesso que do lado da minha família, a lasanha fez sucesso!

Já estávamos perto do final de mais uma tarde agradável em meio a pessoas amáveis, bons pratos e grandes vinhos quando fora servida a sobremesa: naked cake com ganache de chocolate e frutas e sorvete de queijo com calda quente de goiabada. E para surpresa geral da nação o presidente deu o golpe de misericórdia: um espumante Moscatel Santa Augusta, que feito pelo método Asti, acabou por deixar a todos em êxtase. Era o fim, mas, precisávamos de mais? 

Até o próximo!