sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Stag's Leap Wine Cellars ARTEMIS Cabernet Sauvignon 2010

Dando continuidade ao post sobre o El Carajo, vamos agora falar sobre o primeiro vinho da noite. E como estávamos "na casa deles", ficou por conta do pessoal da empresa escolher o vinho a ser degustado. E os caras não brincam quando o assunto é vinhos e prontamente puxaram um "prata da casa", o Stag's Leap Wine Cellars ARTEMIS Cabernet Sauvignon 2010. 


A Vinícola Stag's Leap ficou mundialmente conhecida em 1976 em virtude do Julgamento de Paris, onde em uma prova a cegas bateu grandes Chateaux de Bordeaux e acabou se tornando o 3o melhor vinho tinto do mundo. Falei um pouco desta história por aqui no blog quando assisti o filme feito a respeito deste evento (aqui). Portanto para não me tornar cansativo nem nada, não vou falar muito sobre o produtor, talvez um dos mais famosos e maiores do EUA.

Já o vinho teve seu nome inspirado em Artemis, deusa da mitologia Grega da caça. Segundo o produtor o nome simboliza bem o que o vinho trouxe de trabalho pra eles, afinal foram buscar as melhores uvas Cabernet Sauvignon da propriedade para fazer este vinho. Uma verdadeira caça em busca das melhores uvas por assim se dizer. Apesar de por legislação poder ser considerado um varietal, tem em sua composição 86% Cabernet Sauvignon e 14% Merlot. O vinho estagia por 18 meses em barricas de carvalho francês, sendo 48% barricas novas. Vamos as impressões.

Na taça uma coloração violácea de grande intensidade, quase sem transparência e impenetrável. Algum brilho. Lágrimas finas, rápidas e coloridas tingiam também as paredes da taça.

No nariz uma mistura de frutas vermelhas e negras, toques de baunilha, flores e especiarias. Muito harmônico e balanceado, o vinho mudava de nuances com o tempo em taça.

Na boca um vinho encorpado, taninos firmes, marcados porém redondos e de excelente qualidade com uma acidez interessante. Retrogosto confirma o olfato em um final de longa duração.

Um baita vinho sem dúvida alguma. Agradeço a oportunidade de provar um vinho desses, pois aqui no Brasil seria altamente improvável que isso acontecesse. Eu recomendo!

Até o próximo!

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Dica de viagem: El Carajo International Tapas & Wines

Todos concordamos que Miami é a meca dos brasileiros nos Estados Unidos já faz um tempo. Desde a estabilização da nossa moeda e maior equiparação com a americana ao aquecimento de nossa própria economia, houve um grande boom de viagens pra lá a fins comerciais, de lazer, de compras, passeios e afins. E pensando no lado enofílico da viagem, tive a oportunidade de conhecer um lugar bem diferente onde um bom vinho pode ser apreciado e a preços convidativos. O lugar: El Carajo International Tapas & Wines.

Fotos de El Carajo, Miami
Essa foto de El Carajo é cortesia do TripAdvisor - Vista da entrada da Deli

Imagine agora você chegando a um posto de gasolina aparentemente comum e estacionando seu carro em uma das poucas vagas ali disponíveis. Depois, continue o exercício imaginando que para adentrar o wine bar é necessário ainda cruzar a loja de conveniência do posto de gasolina. É, eu sei que soou esquisito e intrigante mas se você chegou aqui, a recompensa virá, não tenho dúvidas.

Fotos de El Carajo, Miami
Essa foto de El Carajo é cortesia do TripAdvisor - Vista do interior do restaurante

O El Carajo é considerado um dos melhores wine bars de Miami e não é a toa. Lá são servidas tapas com uma variedade de sabores tradicionais e modernos com tudo que os pratos ibéricos costumam mostrar. Também contam com uma seleção de mais de 1500 rótulos de vinhos e 150 de cervejas de todos os cantos do globo, que incrivelmente estão todos disponíveis para se consumir no próprio restaurante ou comprar como se estivesse em uma loja de vinhos.

O restaurante é um tanto quanto intimista, acolhedor e pequeno, mas a seleção de vinhos e os pratos (frios e quentes) são excelentes e fazem valer a visita ao lugar. A proposta despojada e com um toque intrigante só faz crescer a curiosidade. Além disso, existe toda uma lenda e mito sobre a história de como possivelmente o lugar possa ter surgido que vale a leitura e está disponível a todos. Se você estiver visitando a cidade, faça sua reserva e visite-os pois não irão se arrepender. Eu deixo aqui duas dicas de tapas: combinação de queijos e embutidos e tábua de carnes. Bem servidos e no ponto, agradam em cheio. 

Para contata-los, seguem o endereço e telefone: 2465 SW 17th Ave, Miami, FL 33145. Telefone: 305.856.2424. Eu recomendo. Nos próximos posts falarei um pouco sobre alguns dos vinhos por lá degustados. 

Até o próximo.

Ps.: Como não tirei fotos do lugar, só dos vinhos, peguei algumas fotos disponíveis para uso no Trip Advisor.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Cuvelier Los Andes Colección Malbec 2009

Noite fria em uma viagem de trabalho, uma ocasião bacana de juntarmos todos em um bom jantar descontraído e por que não, regado a um bom vinho, não é mesmo? E a escolha do vinho do jantar ficou a cargo do pessoal da empresa que, fãs de vinhos argentinos e chilenos, optaram pelo Cuvelier Los Andes Colección Malbec 2009.


A Bodega Cuvelier Los Andes é uma aventura de franceses de Bordeaux em Mendoza, criada com inspiração no famoso Michel Rolland e seu projeto Clos de Los Siete. A partir dai, colheita após colheita a Cuvelier Los Andes tem mostrado todo o potencial do terroir de Mendoza e seus vinhos interesantes.

O vinho é um varietal 100% Malbec com uvas colhidas no Valle do Uco em Mendoza, na Argentina. Os vinhedos estão localizados a aproximadamente 1000 metros acima do nível do mar. O vinho atinge incríveis 15,3% de graduação alcoólico. Para envelhecimento, cerca de 60% do vinho passa por mais ou menos 11 meses em carvalho francês. Vamos as impressões.

Na taça uma cor rubi violácea de grande intensidade, pouca transparência e lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas.

No nariz, aromas de frutos negros, especiarias e toques florais. Ao fundo era possível notar também chocolate amargo e tostado.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos marcados porém redondos e de boa qualidade. Retrogosto confirma olfato com frutos negros e chocolate principalmente, num final de média para longa duração.

Para acompanhar o vinho, aproveitei a oportunidade e provei uma carne de costela desossada sobre uma cama de polenta mole muito gosotosa e suculenta, com toda a cremosidade que a polenta e a gordura da carne poderiam proporcionar. O vinho, com seus taninos e acidez perfeitos, casou muito bem e foi um grande escudeiro.

Uma grande noite, um bom vinho e boas risadas. E isso por que a viagem estava apenas começando. 

Até o próximo!

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Santovino Ristorante: Comendo e bebendo bem e a preços justos

Este final de ano tem sido de boas notícias e por isso, sempre existe um motivo e um momento para celebrarmos. Imbuídos desta certeza resolvemos experimentar um restaurante que a tempos tenho ouvido e lido excelentes comentários pelo mundo virtual, o Santovino Ristorante. Um dos principais elogios feitos ao estabelecimento se deve ao fato de que seus vinhos são vendidos a preço de importadora, facilitando então o nosso acesso a esta bebida, normalmente tão cara em outros estabelecimentos do gênero.

Além disso o Santovino Ristorante, como o nome já denuncia, tem  seu foco na tradicional cozinha italiana, mesclando clássicos italianos com toques de ingredientes e pratos autorais do chef. Aliás, o chef tem uma larga experiência em trabalhar em restaurantes italianos aqui em sampa e inclusive já foi diplomado pela academia italiana de culinária. 


Entrando no clima da epópeia italiana que se aproximava, resolvi escolher um vinho vindo de lá, reascendendo inclusive memórias recentes de minha viagem de lua de mel para um dos lugares mais fantásticos que já visitei: a Toscana. O vinho escolhido então foi o Santa Cristina 2012, um IGT Toscano e um dos primeiros vinhos a fugir das regras de produção de vinhos da região por misturar uvas francesas em sua composição. Em pouco tempo, se tornou uma referência na região e muitos produtores tentarem imitá-lo. O Santa Cristina 2012 é um vinho feito com 60% Sangiovese e 40% de um blend entre Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah, sendo que metade tem passagem em barricas francesas e a outra metade em inox. Na taça o vinho mostrou uma cor rubi violácea de média intensidade e pouca transparência. No nariz aromas de frutas vermelhas, flores e um toque terroso muito interessante. Na boca um corpo médio, taninos redondos e macios e uma excelente acidez (característica dos vinhos da região e que os torna excelentes companheiros de uma boa refeição). Final longo e confirmando o olfato.


Para acompanhar o vinho, os pratos que escolhemos foi o Tortelloni Di Ricotta e Pecorino Al Tartufo Nero e o Brasato Di Vitello Al Vino Rosso, o primeiro uma massa recheada com a mistura dos dois queijos (um mais suave e que dá cremosidade e o outro mais forte e que acrescenta sabor) num delicioso molho com toque trufado e o outro uma carne de vitelo marinado e assado lentamente em vinho tinto e acompanhado de um purê de batatas com toques também de trufas, ambos deliciosos, frescos e preparados com todo capricho que o restaurante se propõe. De se comer de joelhos. Para fechar, nada melhor que um autentico Tiramisu italiano de cair o queixo e pedir mais.


O Santovino Ristorante faz jus a fama que tem sido disseminada no mundo virtual e nas publicações especializadas, e mais do que isso, o atendimento a atenção despendidos por toda equipe é louvável, tivemos até de lambuja uma visita a adega deles, que fica no subsolo e é totalmente climatizada para a conservação ideal dos vinhos lá disponíveis. Eu diria mais, um exemplo a ser seguido. Eu recomendo.

Até o próximo!

sábado, 16 de novembro de 2013

Um estilo, duas cervejas: Karavelle Weiss & Los Dias Golden Ale

Não sendo profundo conhecedor de cervejas, tenho tido algumas aulas com um amigo que conheci em São José dos Campos e que possui um empório de cervejas artesanais/gourmet (o Celso, beer sommelier do Empório Hopfields). Dia desses atrás estive no empório procurando uma cerveja para aplacar o calor e ele me sugeriu uma cerveja que embora não indicasse claramente no nome, era uma Weissbier "disfarçada", a cerveja Los Dias Golden Ale. Como tenho tomado algumas dessas cervejas ultimamente e curtido, resolvi apostar. E comparando esta cerveja com uma outra que tomei recentemente, a Karavelle Weiss, resolvi comentar por aqui as diferenças que senti e o que achei de ambas.

Pausa para explicar: Weissbier é uma cerveja feita a base de trigo e característica do sul da Alemanha, região da Baviera. Normalmente seguem um padrão de fabricação criado pelos bávaros. São cervejas claras e opacas, onde sobressai o trigo com o qual foram produzidas, bem como sabores frutados (banana e maça), cravo e florais. Bastante refrescantes e de graduação alcoólica moderada (entre 5 e 6%), são opacas e normalmente não filtradas. Produzem, em geral, um creme denso e persistente (retirado do site www.brejas.com.br). Dito isso, vamos as impressões sobre ambas.


A Karavelle Weissbier me pareceu uma típica Weissbier, já copo mostrando aquela cor amarelo opaco e turvo, creme denso e espesso com aromas de banana e especiarias doces como cravo, por exemplo. Já na boca um corpo médio, pouco amargor e muito refrescante. Possui teor alcoólico ao redor dos 5%. É produzida de forma quase industrial nos dias de hoje e não se encaixa mais no rótulo de cervejas artesanais, mas ainda produz cervejas de qualidade muito superior as mais antigas do nosso mercado.


De outro lado tinha a Los Dias Golden Ale, que apesar de ser chamada desta forma é também uma Weissbier só que puxando para um estilo American Wheat Beer, onde desde sua coloração amarelo mais acobreada e quase sem turbidez até seus aromas mais cítricos e frutados, diferia em mundo da cerveja do parágrafo anterior. Era também bastante refrescante e tinha um amargor final um pouco mais pronunciado que a anterior. Esta cerveja é produzida na região do Vale do Paraíba, mais especificamente em Taubaté na cervejaria de mesmo nome, Los Dias. Também possui teor alcoólico em torno dos 5%.

Ficam ai duas dicas interessantes de cervejas nacionais que, mesmo sendo do mesmo tipo, diferem bastante no paladar e no prazer em se degustar. Se tivesse que apostar em uma das duas, ficaria com a Karavelle pois faz mais o meu estilo.

Até o próximo!

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Curiosidade: O que são os taninos?

Os taninos são um tipo de biomolécula de ocorrência natural encontrada em certas madeiras e outras plantas, como o chá, nozes, especiarias e frutas. O vinho recebe seus taninos a partir da casca e das sementes da uva, bem como a partir dos barris de carvalho. Mesmo que os taninos estejam presentes em todos os tipos de vinhos, eles estão em um nível mais elevado e, portanto, mais perceptíveis nos vinhos tintos do que nos vinhos brancos, porque os vinhos tintos são fermentados com suas peles e sementes (e os vinhos brancos são fermentados sem - usualmente).

Os taninos não têm um gosto específico mas sim muito mais como uma sensação que eles conferem quando os "degustamos". Eles são responsáveis por aquela "pegada" que sentimos principalmente em nossa gengiva e parte frontal do maxilar bem como uma sensação de tração em nossa língua. Se você reparar bem, quando ingerimos algum alimento e/ou bebida que faz com que tenhamos aquela sensação de amarramento na boca e automaticamente franzirmos o rosto, esta pode ser a sensação dos taninos.

Os taninos são apenas uma parte da estrutura de um vinho, juntamente com o glicerol, álcool e a acidez. Dependendo da quantidade de tanino de um vinho tem e sua relação com os outros elementos, os taninos podem ser descritos como empoeirados, aveludados, em borracha, firmes, redondos ou mesmo maduros.

Matéria original em www.winespectator.com

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Mettler Family Vineyards Epicenter Old Vine Zinfandel 2010: revisitando o passado!

Sábado é aquele dia que tem que ser desprovido de compromissos e horários, onde você aproveita a família, se distrai e enfim, descansa do dia a dia agitado que levamos. Só que não. O último sábado foi bem corrido com ida ao supermercado, apresentação da minha enteada na escola e outras coisitas mais. Pois bem, quando a noite caiu sobre nossas cabeças, queríamos mesmo era relaxar e nada melhor do que uma boa pizza, vinhozinho e uma tvzinha no sofá, certo? E o vinho escolhido para esta tarefa foi o Mettler Family Vineyards Epicenter Old Vine Zinfandel 2010, vinho este que eu já havia provado outra safra e que seria a oportunidade de confirmar ou não sua qualidade, até então percebida.


Relembrando um pouco sobre a uva Zinfandel e o vinho de hoje: "Muito utilizada principalmente em vinhos norte-americanos, como no caso do vinho em questão, esta uva é dada como parente das uvas Primitivo (italiana da Puglia) ou ainda da uva croata Crljenak Kasteljanski, sendo a segunda teoria a mais aceita hoje em dia, após exames de dna em ambos os frutos. Com esta uva são produzidos uma infinidade de estilos de vinhos, desde rosés claros e levemente adocicados até tintos encorpadões, escuros, tânicos e de boa estrutura de envelhecimento. O vinho de hoje está mais para a área dos tintos escuros e encorpados. Proveniente da AVA Lodi, tida como a melhor nos EUA para plantação de zinfandel e com terrenos menos caros que Napa Valley porém com tanta qualidade quanto a prima mais famosa, o vinho é produzido pela Mettler Family Vineyards, uma vinícola com mais de 100 anos de tradição e cultivo de uvas nos EUA e que vem passando a arte de geração a geração. Sem mais delongas vamos as impressões".

Na taça uma bonita cor violácea bem escura, densa e com pouca transparência mas bom brilho. Lágrimas finas, rápidas e levemente coloridas também ajudavam a tingir as paredes da taça.

No nariz aromas de frutos escuros em compota, coco, toques de especiarias e lembrança floral. Um vinho bem fragrante. Palavras de minha esposa: "um vinho diferente, não"?

Na boca o vinho mostrou corpo médio para encorpado, boa acidez e taninos firmes, marcados mas de excelente qualidade. Retrogosto confirma o olfato com frutas escuras e coco principalmente num final longo e levemente picante.

Realmente um bom vinho, mas sei que muitos irão arremessar pedras dizendo que vinhos Zinfandel geralmente não tem muito a apresentar mas eu sou um fã e acho que o vinho é muito curinga, indo bem em diversas situações, principalmente as mais despretensiosas. Eu recomendo.

Até o próximo!

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Santa Chiara Vernaccia di San Gimignano 2011: lembranças eternas!

Na última sexta feira fui surpreendido com um jantar especial preparado carinhosamente por minha esposa: uma bela bacalhoada à portuguesa com muito azeite, batatas, cebola, pimentão, azeitonas pretas e ovos cozidos. Haviam inúmeros motivos para comemorarmos, e não irei aqui listá-los por não ver a necessidade. Só que a ocasião pedia é claro um vinho mais especial. Confesso que diante deste prato eu  sempre gosto de ter um bom vinho tinto português a mão, um alentejano ou duriense, mas que na hora por falta de um e pela vontade de trazer boas memórias a tona (logo falarei mais sobre isso), optei por este branco Santa Chiara Vernaccia di San Gimignano.


Este vinho é feito na comuna de San Gimignano, na Toscana, centro sul da Itália. A uva Vernaccia di San Gimignano não é muito conhecida por aqui nem tão pouco é muito difundida mundo a fora, se concentrando basicamente em fazer vinhos para o mercado interno italiano principalmente por não ser largamente plantada. Entretanto este produtor, a Tenute Niccolai, é um grupo grande que possui vinhedos e vinícolas em alguns lugares estratégicos na Itália e principalmente na Toscana, fazendo desde vinhos brancos que podem ser considerados mais simples até os potentes Brunellos de Montalcino. Dito isto, tem distribuição no Brasil pela importadora Vinea.

Sobre o vinho em si, como dito anteriormente, é feito com uvas 100% Vernaccia di San Gimignano de vinhedos com altitude média de 300 metros acima do nível do mar e que passam apenas por envelhecimento e afinamento nos tanques de inox e na própria garrafa, por um mínimo de 6 meses antes de ser liberado ao mercado. Se maiores delongas, vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor amarelo palha com reflexos verdeais, muito brilho e transparência. Lágrimas finas e rápidas também podiam ser notadas.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas cítricas, florais e toques de pedra molhada. Um vinho extremamente fragrante. 

Na boca um vinho fresco com boa acidez, corpo médio e com um retrogosto que confirma o olfato trazendo muita fruta cítrica e toques salinos que lembram água do mar. Um final longo e saboroso.

Realmente o vinho confirmava minhas expectativas. E além disso trouxe memórias, agora descritas, pois foi com este vinho que brindei meu casamento em meio aos vinhedos da vinícola, em San Gimignano. O único arrependimento, por assim se dizer, é não poder e não ter trazido mais do vinho em minha mala. 

Até o próximo!

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Barbera D'Alba DOC Annunziata 2009

Mesmo não tendo a oportunidade de conhecer os lados do Piemonte e proximidades quando estive pela Itália, sempre que provo um bom vinho de lá já fico com saudades da vez que estive por lá. E a cada vinho daquele país que provo, fico cada vez mais apaixonado por ele. Como um país pode ser tão encantador como a Itália? Eu realmente não consigo explicar só em palavras. Mas voltando ao vinho alvo do post de hoje, em um jantar com colegas de trabalho tinha a missão de escolher algo que agradasse a todos e o escolhido na oportunidade foi o Barbera D'Alba DOC Annunziata 2009.


O produtor se chama Rocche Costamagna e está situado na região de Las Moras, no Piemonte. Sua história remonta meados do século 19, quando Luigi Costamagna, filho do fundador Francesco Antonio Costamagna, recebeu a licença para comercializar seus vinhos produzidos em La Morra. Dai pra frente só se fez crescer a reputação de seus vinhos com prêmios e afins. Teve um período de baixa quando se passaram algumas gerações até que em meados da década de 60 o negócio foi retomado com força, novos vinhedos plantados e com uma boa modernização da vinícola. Com a expansão das vendas a o redor do mundo, a Roche Costamagna ficou então conhecida como um dos grandes produtores do Piemonte. O vinho em questão é um 100% produzido com uvas Barbera da região da La Morra. Passa cerca de 12 meses em carvalho esloveno e francês para afinamento. Vamos as impressões.

Na taça uma cor rubi violácea de média intensidade, toques atijolados nas bordas e alguma transparência. Lágrimas finas, rápidas e incolores compunham também o conjunto visual.

No nariz aromas de frutas vermelhas, toques de especiarias e lembrança de aromas terrosos. 

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos finos e macios. Retrogosto confirma o olfato com frutas e toques apimentados. Final de média a longa duração.

Mais um grande vinho italiano, interessantíssimo e que foi muito bem com um risoto parmigiano e medalhões de filé ao gorgonzola. Eu recomendo que provem. Pelo que pude averiguar, é trazido ao Brasil pela Ravin.

Até o próximo!

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Cervejas Artesanais: Brutus Beer 101

Eu acho fascinante como este mudo de bebidas e afins pode guardar tantas surpresas. Dia desses estava eu aqui comentando opiniões leigas sobre umas brejas que eu venho tomando e curtindo que de repente aparecem novas oportunidades. Não é que chegou a minhas mãos a Brutus Beer 101?


Primeiro é preciso dizer que a missão do produtor é: Oferecer uma nova cerveja, que visa acima de tudo a satisfação de nossos clientes e parceiros. A excelência bem como o crescimento consistente e sustentável da empresa. Esta cerveja é feita de maneira artesanal por um conhecido e que, tomando conhecimento através do blog de que eu e minha esposa estávamos também descobrindo este mundo de cervejas "diferentes" das convencionais, resolveu apresentar-nos seu produto. Vamos às impressões?

A cerveja Brutus Beer que chegou a minhas mãos faz o estilo IPA, ou seja, cerveja de alta fermentação, adição de lúpulo selecionado, bem como o malte, e que tem um típico amargor final característico, além de um teor alcoólico normalmente entre os 8%. 

No copo a cerveja apresentou uma cor âmbar avermelhado, com uma camada de creme mediana e persistente de cor puxando para bege.

No nariz pude sentir aromas cítricos, tostados e toques caramelados. Muito interessante e bem fragrante.

Na boca um corpo médio, bastante refrescante e um amargor um pouco mais leve do que esperado, mas presente. Final deliciosamente equilibrado, confirmando o olfato com bastante citricidade além é claro do amargor. Acompanhou um estrogonofe de frango e foi descendo de maneira suave e de forma harmônica.

Mais uma bela descoberta do blog que a cada dia que passa se diverte conhecendo novos horizontes além do vinho. Para maiores informações sobre a cerveja recomendo que acessem o site www.brutusbeer.com.br e falem diretamente com o produtor. Eu recomendo.

Até o próximo!

Encontro de Vinhos: a hora e a vez de Curitiba!

O Encontro de Vinhos, um dos maiores eventos itinerantes sobre o assunto, está chegando agora a cidade de Curitiba, depois de ter passado por São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte (pra ficarmos só nas capitais). Este é o evento que costuma mostrar para nós, enófilos, todas as novidades que o mercado de vinhos tem a oferecer para os brasileiros. São várias importadoras, produtores nacionais e argentinos, que vem ao evento exclusivamente para mostrar as suas novidades. Esta inclusive será a segunda vez que a cidade irá sediar o evento.


A feira acontecerá no Hotel Bourbon, e contará com um salão amplo e climatizado para que as pessoas possam circular pelas mesas com o maior conforto possível. Assim sendo, você que irá visitar o evento terá a oportunidade de calmamente conversar com produtores e expositores numa clara oportunidade de conhecer novos rótulos, novas uvas, novos países, etc. Além disso, os vinhos mostrados durante o Encontro serão comercializados com preços diferenciados aos visitantes, o que aumenta ainda mais o apelo da feira. As informações detalhadas seguem abaixo:

Data: 09 de novembro (sábado)
Local: Hotel Bourbon – Rua Cândido Lopes, 102 - Curitiba
Horário: das 14h as 22h

E se quiser garantir seu ingresso antecipado, é só acessar a página de venda de ingressos do Encontro de Vinhos (aqui). Lá você tem um desconto especial, pagando somente R$ 50,00 (no dia do evento o ingresso custa R$ 60,00). Associados da ABS e SBAV pagam somente meia entrada, bem como os estudantes dos cursos de Sommelier e de Enogastronomia.
Eu infelizmente não poderei participar, mas com experiência anterior de visitas em outros locais só tenho uma dica: não perca!

Até o próximo!

sábado, 2 de novembro de 2013

Um soco no estômago: Cerveja Invicta Imperial India Pale Ale 1000 IBU!

Começo o post explicando o que é IBU, tirando a explicação da própria garrafa da cerveja: International Bittering Units é a unidade usada para mensurar o grau de amargor de uma cerveja. Para comparação, o Imperial India Pale Ale (estilo mais amargo entre as cervejas)costuma marcar por volta dos 100, e não é por acaso, afinal o paladar humano não consegue detectar amargor muito além disso. Diremos então que 1000 IBU é uma marca teórica e que, muito mais que o valor em si, o que tem por trás disto é muita mídia e atenção que a cerveja atraiu.


Pronto, dito isto agora voltemos ao que interessa. A Cervejaria Invicta se encontra em Ribeirão Preto, no interior de Sampa e acabei por descobrir e provar alguns de seus produtos recentemente quando visitei o Bar Velhas Virgens Rockin'Beer (veja aqui minhas impressões). E como estava ouvindo o burburinho a respeito desta cerveja amarguíssima e a encontrei simplesmente atravessando a rua, resolvi experimentar. O responsável por isso foi o Celso, do Empório Hopfields aqui de São José dos Campos. 

A cerveja é feita num processo de alta fermentação com adição de vários tipos de lúpulo, o que resulta por este alto índice de amargor residual (por favor cervejeiros de plantão, estou aprendendo, portanto se eu falar besteira por favor me corrijam!), entre outros pormenores. O grau alcoólico também é mais elevado do que cervejas consideras "comuns" e está em 8%.  Vamos as impressões.

No copo a cerveja mostrou uma cor ambar bem escura, quase marrom com um creme de cor bege, alto, bem espesso e duradouro.

No nariz aromas de ervas e de frutas lembrando maracujá. Tostado de fundo.

Na boca uma cerveja encorpada, suculenta e que confirma o burburinho: o amargor é intenso e duradouro, porém a meu ver integrado com a cerveja em si. Com comida até melhora. 

Confesso que não é uma cerveja simples e nem para se beber no dia a dia. Mais do que números (IBU, grau alcoólico, etc.) o que se sobressai é que a Invicta conseguiu equilibrar a cerveja de uma maneira que a "drinkability" da mesma se mantém num nível interessante. Eu recomendo fortemente para quem curte o estilo de cerveja.

Até o próximo! 

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Terras do Pó Tinto 2012

Em mais um jantar em família num dia qualquer, resolvi abrir um vinho simples para alegar ainda mais a nossa mesa. Desta vez voltaria a um de meus países favoritos no quesito vinhos: Portugal e este Terras do Pó Tinto 2012. Este também faz parte de minha primeira compra junto ao site Sonoma.


Este vinho é produzida pela gigante Casa Ermelinda Freitas, que possui diversas linhas de vinhos feitos com uvas colhidas em sua própria propriedade, localizada na região de Palmela, em Portugal. É uma região pouco conhecida no Brasil embora o produtor tenha diversos de seus produtos disponíveis por aqui. É um corte de 50% Castelão (Periquita), 30% Syrah e 20% Touriga Nacional que passa por 4 meses de envelhecimento em "meias pipas" de carvalho francês antes de estar disponível no mercado. Vamos as impressões.

Na taça o vinho tinha uma cor rubi violácea de média intensidade, algum brilho e pouca transparência. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas completavam o conjunto visual.

No nariz aromas de frutos vermelhos, algo de especiarias e toques de baunilha. Fruta em primeiro plano e mais fragrante.

Na boca o vinho tinha corpo leve, boa acidez e taninos finos, marcados e de boa qualidade. Retrogosto confirma o olfato num final de curta duração.

Um vinho simples, cumpre sua função e só. Talvez tenha me decepcionado um pouco, esperando encontrar meus bons e velhos companheiros portugueses. Mas vale conhecer.

Até o próximo!