terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Casa Silva Chardonnay 2012

Continuando os trabalhos da noite, partimos do Brasil e buscamos um país vizinho, o Chile e uma de suas mais famosas vinícola, a Casa Silva. O vinho? O Casa Silva Chardonnay 2012.

A Viña Casa Silva é uma das vinícolas mais antigas do Valle de Colchágua em termos de tradição e história, e uma das mais modernas do Chile, tratando-se de inovação. Tem diferentes salas de barricas, túneis subterrâneos, construções antigas, entre outras. É uma vinícola 100% familiar, 100% chilena, a qual todos os membros da família participam do trabalho diário. A relação com a terra e o vinho é parte diária dos membros da família Silva. Cada um cumpre uma atividade específica, particular e profissional com o orgulho de quem viveu, vive e quer continuar vivendo uma estreita relação com a terra e o vinho como parte de uma forma de vida. Eles são pioneiros na plantação de vinhedos finos desde 1912 na região do Valle de Colchagua, Don Emilio Bouchon pertence a primeira geração da família que chegou de Boudeaux, França, no final do século de XIX no Chlile, em 1892. Foi nessa época que teve início a construção da vinícola, que é a mais antiga e tradicional do Valle de Colchagua.


O vinho em questão é um varietal 100% Chardonnay e tem cerca de 10% do vinho com fermentação malolática e envelhecimento em carvalho francês por cerca de 3 meses e os 90% restantes ficam em tanques de inox. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor amarelo palha brilhante com reflexos verdeais. Lágrimas finas, rápidas e incolores completavam o aspecto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas tropicais, mel e toques amanteigados. 

Na boca o vinho tinha uma excelente acidez e corpo médio. Retrogosto confirma o olfato com um final de média duração.

Mais um excelente vinho na relação custo benefício e que também foi muito bem com os pratos da noite. Com preço semelhante ao anterior, também foi adquirido no Záfari do Shopping Bourbon. E assim finalizamos os posts de 2013 deixando os votos de uma excelente virada de ano a todos que de uma maneira ou outra acompanharam este blog durante o ano. E que possamos estar juntos de novo durante todo o ano de 2014. 

Muito obrigado e que venha 2014!

Boscato Reserva Chardonnay 2011

Ainda imbuídos do espírito natalino e das festividades de final de ano, recebemos alguns amigos em casa para uma pequena recapitulação do ano e de nossas histórias bem como aproveitar a oportunidade de rever pessoas importantes em nossas vidas. E é claro que em ocasiões como estas, o cardápio e a escolha dos vinhos é importante. Como desfrutávamos de dias acalorados e pratos leves, a escolha recaira sobre vinhos brancos. De entrada servimos alguns amendoins e queijo brie. O prato principal seria um risoto de funghi com acompanhamento de filés de frango ao molho de mostarda dijon. A partir dai escolhemos dois vinhos, que serão tratados em posts separados. O vinho do post de hoje é o Boscato Reserva Chardonnay 2011.

Imagem dos vinhedos retirada do próprio site do produtor

A Boscato, nome fantasia para a Boscato Indústria Vinícola, foi idealizada e fundada pelos irmãos Clóvis e Valmor (enólogo e viticultor, respectivamente) em Nova Pádua, no estado do Rio Grande do Sul. Ambos porém já trabalhavam com uva e vinho ajudando seu pai quando ainda jovens. Depois de ter atuado em diversas outras vinícolas, Clóvis resolveu se unir ao irmão quando em 1983 fundaram a vinícola. As atividades da vinícola começaram em 1985, com a produção dos vinhos até então conhecidos como de garrafão. Só no ano seguinte porém começaram os trabalhos com os vinhos conhecidos como fino, com as variedades Cabernet Sauvignon, Riesling e Semillon. A partir daí com os aprimoramentos tecnológicos e enológicos, a vinícola começou a separar e categorizar seus produtos, criando linhas como a Reserva e a Gran Reserva e produzindo vinhos com cada vez mais qualidade.


Sobre o vinho em questão não há muito mais a acrescentar, somente que frisar, é feito com uvas 100% Chardonnay, não passa por madeira e possui uma graduação alcoólica de 12,5%. Vamos então as impressões.

Na taça uma bonita cor amarelo dourada, leves reflexos verdeais e com lágrimas finas e incolores descendo de forma rápida as paredes da taça.

No nariz aromas de frutas como abacaxi e toques de maçã. Ao fundo da taça pude identificar também mel bem suave.

Na boca um vinho de corpo leve, boa acidez e sem amargor. Retrogosto confirma o olfato com um final de média duração.

Um vinho de excelente custo benefício, que acompanhou bem a comida e refrescou a quente noite em que foi consumido. Pelo preço de R$ 27,00 foi uma excelente compra. Foi adquirido no Záfari do Shopping Bourbon. Eu recomendo.

Até o próximo!

sábado, 28 de dezembro de 2013

Müller-Thurgau Riesling Spätlese Feinherb 2012


O natal e o final de ano invariavelmente acabam se tornando uma perdição de comilança e as vezes é necessário em um dia no meio de tudo isso buscarmos alternativas mais leves para balancearmos nossas refeições sem esquecer, é claro, da qualidade e do prazer que esta refeição deve proporcionar. E foi exatamente pensando nisso que resolvemos nos preparar uma bela massa (vinda diretamente da Itália) com tomates cereja, abobrinha refogada com chalotas e queijo fresco despedaçado além é claro da salsa trufada. Embora não precisássemos de mais nada, resolvemos ainda incluir um peixinho a milanesa (filés de tilápia) para acompanhamento. E é claro que precisávamos de um vinho, e o escolhido foi este Riesling Spätlese Feinherb 2012. 

Foto dos vinhedos da propriedade, retiradas do site do produtor.

A Alemanha é o país com vinhedos mais ao norte dentre o grupo da Europa Central, possuindo um clima frio que marca sua produção de vinhos com características próprias. Historicamente a Alemanha sempre produziu vinhos brancos, devido à melhor adaptação das uvas brancas ao seu verão curto que impede a maturação de uvas tintas, com exceção da Pinot Noir – localmente chamada Spätburgunder – e algumas outras, que amadurecem precocemente. Entretanto, nos últimos 10 anos, os produtores de algumas regiões vêm retomando a produção de tintos, que havia sido praticamente abandonada por várias décadas. A leitura dos rótulos de seus vinhos pode ser bem confusa existindo muitas informações que não são muito utilizadas pelo consumidor em geral como, por exemplo, o nome do produtor, região, comuna, safra e nome da uva. Entretanto existe uma informação que considero uma das mais importantes para eles, que é a categorização dos vinhos baseados no estado em que a uva é colhida e que definem a qualidade/padrão do tipo de vinho.


O vinho em questão é classificado como Spätlese, que quer dizer que o vinho é de colheita tardia, sendo que as uvas utilizadas em sua produção são colhidas no mínimo sete dias ou mais após a colheita principal, contendo grande conteúdo de açúcar. São vinhos intensos e concentrados em versões doce ou seco. Além disso, o mesmo é oriundo da região de Pfalz, uma das regiões mais secas e ensolaradas da Alemanha. O produtor em questão, Weingut Heinz Pfaffmann, é de grande tradição é prestígio na região. Sua história data ainda do século 17. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor dourada com reflexos ligeiramente verdeais com muito brilho, lágrimas finas e sem cor.

No nariz aromas de frutos tropicais como pêssego e lembranças de mel e especiarias. 

Na boca um vinho untuoso, excelente acidez contrastando com um ligeiro dulçor inicial. Retrogosto confirma o olfato e trás também um toque mineral (aspecto salgado) no final, que é de longa duração.

Um belo vinho, com muita qualidade e de excelente custo benefício (custou cerca de 45 dinheiros) e entregou o quanto custou. Escortou bem a comida e trouxe alegrias e frescor a uma noite destas, quente e entre festas. Eu recomendo.

Até o próximo!

Ps.: Usei como fontes de pesquisa os sites: Sonoma, Academia do Vinho e o site do produtor.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Sibaris Undurraga Reserva Especial Cabernet Sauvignon 2011

Ah o natal deve ser a época do ano em que eu mais gosto do ano, só a oportunidade de reunir a família e as pessoas que amamos já traz um excelente sensação. Aliado a isso temos também a oportunidade de comer e beber muitos alimentos que não fazemos ao longo do ano, o que deixa a data ainda mais especial. E eu venho aqui falar de um vinho bem especial deste natal. Estou falando do Sibaris Undurraga Reserva Especial Cabernet Sauvignon 2011.

Foto dos vinhedos do Vale do Maipo da Undurraga, retirado do próprio site do produtor

A Viña Undurraga foi fundada em 1885 sendo que a primeira colheita se deu em 1891. Dai pra frente, só alcançou o sucesso, sendo inclusive a primeira vinícola chilena a exportar para o exigente mercado americano em 1903. Desde então muitas visitas ilustres e lançamentos de vinhos de alta qualidade fizeram da vinícola um símbolo de prosperidade no Chile. Possui vinhedos espalhados nas melhores zonas vinícolas do 
Chile e são dedicadas exclusivamente ao cultivo e produção de vinhos.


A linha de vinhos Sibaris se dá em homenagem a cidade homônima, reconhecida na antiguidade pelo refinamento de seus habitantes que gostavam de luxo e do prazer dos sentidos. Hoje ela é chamada Sibaritas e aquelas pessoas os Bon Vivant. Para esses virtuosos que veêm a vida como uma busca incessante do prazer, foi dedicado este extraordinário Undurraga Gran Reserva. A colheita das uvas foi realizada manualmente. O envelhecimento ocorreu em barricas de carvalho francês e americano por 8 meses para conferir maior estrutura e complexidade. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração rubi violácea de grande intensidade, quase sem transparência e com pouco brilho. Além disso, lágrimas finas, coloridas e bem rápidas compunham o conjunto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, especiarias e toques de chocolate. Ao fundo da taça lembranças de madeira tostada. 

Na boca o vinho se mostrou bem encorpado, com taninos marcados e firmes mas de excelente qualidade além de uma boa acidez. Retrogosto confirmou o olfato com um final de longa duração.

Um grande vinho, trazido diretamente do Chile pela minha sogra, que acertou em cheio. O vinho foi sem dúvida um dos destaques da noite. Eu recomendo e muito.

Até o próximo!

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

El Quintanal Verdejo 2012

Com a chegada do natal e do final do ano todos nós ficamos mais inspirados e gostamos de comer e beber muito bem. Mesmo que seja nas refeições mais corriqueiras do nosso dia a dia. E foi mais ou menos assim que num dia desses qualquer resolvemos fazer uma receitinha um pouco mais elaborada para o nosso jantar. O cardápio seria massa com molho de blue cheese e salsa trufada com iscas de frango empanadas com ervas finas. E é claro que pensamos em um vinho que estivesse a altura de tudo isso. O escolhido foi o El Quintanal Verdejo 2012.


O vinho é produzido pela Cillar de Silos, um produtor de vinho espanhol de propriedade familiar, dedicada à nobre uva de Ribera del Duero, a Tempranillo. Princípios de vinificação intransigentes fizeram da Cillar de Silos um produtor "cult" na região - o Oxford Companion to Wine, o mais completo livro de vinhos, editado atualmente pela respeitada Jancis Robinson, a chama de "principal candidata" para o título de fabricante dos melhores vinhos de Ribera del Duero. Entretanto com a expansão dos negócios com relação as suas linhas de vinhos e regiões vinícolas, temos este típico exemplar branco da região de Rueda e sua uva mais famosa, a Verdejo, talvez a maior exceção da família com relação a seus Tempranillos. Este varietal é feito com 100% de uvas Verdejo da região de Rueda sem passagem por madeira. Vamos as impressões?

Na taça uma bonita cor amarelo palha com alguns reflexos verdeais e bastante brilho. Lágrimas finas, rápidas e incolores também fazem parte do conjunto visual.

No nariz aromas que remetem a lichia e frutos de polpa branca, toques florais e lembrança de mel. Um vinho bem aromático.

Na boca o vinho tinha corpo médio e uma excelente e refrescante acidez. Retrogosto confirma o olfato com muita fruta e toques de mel. Final de média para longa duração.

Mais um bom vinho, refrscante e companheiro de uma boa mesa. Este foi comprado no site Sonoma e valeu o quanto custou (R$ 49,00 se não me engano). Eu recomendo.

Até o próximo!

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Casa do Porto Vinhos e sua "feirinha" de final de ano

Na última quarta feira rolou o que deve ter sida a última "feira" de vinhos que fui em 2013 e provavelmente a última que foi feita no ano também. E a feira apesar de pequena em quantidade, tinha muito de qualidade. Basicamente a mesma estava dividida entre produtores espanhóis e franceses, tais como: Bodegas Tampesta, Rodrigo Mendes, Bodega Bernebaleva, o famoso enólogo espanhol Raul Perez e uma linha de Bordeaux do maestro Jean-Luc Thunevin. Muita coisa diferente, lugares e castas que eu nunca havia provado, enfim, muito aprendizado. Os espanhóis, por exemplo, vinham da DO Madrid principalmente e traziam muita Garnacha e a branca Albillo como carros chefe. Além disso, alguns outros brancos da casta Alvarinho se destacaram em vinhos mais jovens e outros nem tanto. E teve ainda vinho que fica no fundo do mar envelhecendo! Incrível.

Confesso que diante de tanta coisa diferente e de vinhos considerados tão top me senti um pouco intimidado e por que não, ignorante no sentido de que me faltavam informações para degustar e discutir sobre eles. Entretanto a simpatia com que o Péricles, da importadora, e o Francisco apresentavam os vinhos tornaram a feira algo mais palatável e suave. Não vou discorrer sobre todos os vinhos que degustei por lá até por que seria muito cansativo e eu não teria argumentos reais para todos mas resolvi selecionar dois que me chamaram a atenção, um branco e outro tinto.

Do lado dos vinhos brancos o Cantocuerdas Albillo de Bernabeleva 2007, um branco da Bodega Bernebaleva que é feito com 100% de uvas Albillo (branca autóctone) e muito diferente. Na taça uma coloração palha com reflexos verdes e com muito brilho. No nariz aromas de frutas tropicais, fósforo, borracha e toques cítricos. Na boca acidez pronunciada, corpo médio e final prolongado com toques minerais. Interessantíssimo!


Já no lado dos tintos, um Bordeaux considerado de entrada mas que me fez sorrir, o Chateau Compassant Bordeaux 2004. Corte de Merlot 80%, Cabernet Franc 15% e Cabernet Sauvignon 5% típico de Bordeaux com um custo benefício incrível. Na taça uma cor rubi com tendência atijolada já nas bordas. No nariz frutas escuras maduras, especiarias e toques terrosos e animais. Boa acidez, taninos marcados e firmes mas de excelente qualidade. Encorpado, retrogosto confirma o olfato e um final de longa duração. Não sou muito escolado em Bordeaux mas este me pareceu um bom e típico exemplar. Até foi comentado na hora que degustávamos o vinho que este seria facilmente identificável num painel as cegas.


Um evento com grandes vinhos, ótimas companhias, anfitriões impecáveis e tudo que uma boa feira pede. Além disso tudo, muito aprendizado. E que 2014 traga muito mais eventos.

Até o próximo!

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Dica de viagem para enófilos: Mendoza Holidays

Já que estamos em uma época do ano que muito falamos em viajar, férias e assuntos correlatos, aproveito para deixar uma dica aos muitos enófilos que compõem a nossa audiência: procurem a agência especializada Mendoza Holidays.


A Mendoza Holidays é uma agência de turismo especializada em passeios privativos pelas regiões vinícolas de ambos Chile e Argentina. E quando você lê privativo, tenha em mente que não existem pacotes pré selecionados para você escolher. Lá o objetivo é que o pacote seja montado de acordo com as preferências, conhecimentos, disponibilidade, valores que o cliente dá como condições entre outros aspectos. E nestes pacotes estão incluídos os melhores hotéis, transportes, as melhores vinícolas e os melhores vinhos, como não poderia deixar de ser. E o melhor de tudo isso é que o atendimento deles também se dá em português, uma grande vantagem para você, que assim como eu, não tem qualquer facilidade com o idioma hispânico. 

A empresa tem sede em Mendoza, meca do vinho na Argentina, além de ser também conhecida como a terra do sol. Possui inclusive brasileiros trabalhando em seu staff, o que pode também facilitar qualquer tipo de comunicação. 

Se interessou? Sugiro entrar em contato com a agência em uma de suas muitas formas de contato e começar a trocar idéias sobre seu próximo destino. Além de contarem com o site na internet (www.mendozaholidays.com) eles ainda disponibilizam um telefone brasileiro (+55 11 304266350) e um endereço de skype para que você não gaste nada pelo menos neste primeiro contato (mendozaholidays). A dica: tentem conversar com a Andrea Vilaronga, pois a mesma é brasileira, apaixonada por vinhos e poderá te dar toda a informação necessária. Comentem com ela que leram a matéria aqui e quem sabe não rola um desconto?

Eu ainda não fechei meu pacote, mas já penso nas possiblidades de um futuro próximo. E você, o que está esperando? Conheça logo o mundo vinícola que nossos vizinhos tem e se encante com suas belezas e sabores!

Até o próximo!

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Identificando o terroir através de microrganismos nas uvas!

Sempre houve uma grande discussão a cerca da definição da palavra "terroir" no mundo vinícola bem como suas implicações na plantação, amadurecimento, produção e no vinho propriamente dito. E esta discussão passa por entender melhor qual o papel de cada elemento (clima, solo, etc.) na composição deste senso de "lugar" que é transmitido ao vinho e que podemos sentir quando degustamos uma determinada garrafa de vinho. Pois ao que parece agora, os primeiros passos "científicos" foram dados para que possamos precisar de forma mais acurada como isto afeta os vinhos de uma forma geral. Estes passos compreendem um estudo sobre os microrganismos específicos de cada vinhedo. Este estudo foi conduzido recentemente pelo Prof David Mills e seu laboratório na Universidade da Califórnia, em Davis. 

Para conduzir tal experimento, o professor e sua equipe colheram amostras de cerca de 273 mostos de uvas de 4 regiões diferentes da Califórnia, em duas safras diferentes, sendo que foram  observados todo tipo de microrganismos, como fungos, bactérias e leveduras em um determinado ecossistema , em lotes que representavam blocos individuais de vinhedos. Eles analisaram essas amostras para caracterizar a sua composição de comunidades de fungos e bactérias. Ao sequenciar os genes desses microbiotas, eles descobriram que as diferentes regiões, diferentes variedades de uvas e climas diferentes exibiam padrões microbianos distintos.

Ainda segundo o professor, o conteúdo microbiota da uva na colheita, em certo sentido, é um registro da história de vida da uva. Em outras palavras, os vários micróbios que vivem numa uva são reflexos do seu território, as suas características genéticas e as condições ambientais em que a mesma residiu durante todo este processo. Assim sendo, poderiam-se prever por exemplo determinados microrganismos que necessitam de tratamento com SO2, ou não, e se ajustar os níveis de seu uso. Também levando-se em conta tais microrganismos, poderia-se prever a qualidade do vinho de acordo com os padrões saudáveis, e os não saudáveis, identificados através deste estudo.

O fato é que com a existência destes padrões microbiotas é o primeiro passo a fazer com que nós possamos saborear o terroir com mais conhecimento em uma taça de vinho. Se eles realmente afetam de forma perceptível o vinho ao final das contas, ainda está sob estudo. E segundo o professor, muito ainda precisa ser feito nesta área.

Matéria original em www.winespectator.com

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Dominio Cassis Cabernet Franc 2008

A importadora Dominio Cassis começou apenas importando vinhos de sua própria família, vindos do Uruguai, mas com a expansão dos negócios, começou também a comercializar vinhos Chilenos e Argentinos. Sendo assim todos seus vinhos são importados com exclusividade, o que lhes dá a segurança de que ao menos o trabalho com seus vinhos é feito da melhor forma possível. Foi concebida e se tornou realidade nas mãos de Carlos Tomasi e tem o objetivo de produzir vinhos de alta qualidade. A primeira plantação foi no ano de 1999 na zona de "Lomas de La Paloma - Departamento de Rocha", a 10Km do Oceano Atlântico e a 4Km da "Lagoa de Rocha". E é de lá que vem este Dominio Cassis Cabernet Franc 2008.


O vinho em destaque é feito com uvas 100% Cabernet Franc e tem uma produção que podemos considerar baixa, de apenas 2200 garrafas (segundo o próprio produtor). Para envelhecimento e afinamento, o vinho passa por 9 meses em barrica americana e 6 meses em garrafa antes de ser liberado ao mercado. Sem maiores delongas, vamos as impressões sobre o vinho.

Na taça uma bonita cor rubi violácea de média para grande intensidade, alguma transparência e bom brilho. Lágrimas finas, rápidas e praticamente incolores compunham também o conjunto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos negros, especiarias, baunilha e algo de floral. Ao fundo da taça, toques de tostado. Um vinho bem aromático.

Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez e taninos macios e redondos. Retrogosto confirma o olfato principalmente com frutas e baunilha num final levemente apimentado de média para longa duração.

Mais um excelente vinho de custo benefício incrível. Equilibrado, aromático e macio, muito fácil de beber e que vai bem com comida também. Sinceramente nem esperava tudo isso, mas pude confirmar com meu próprio paladar que o vinho é realmente muito gostoso. Foi comprado no site Sonoma por 40 dinheiros e valeu cada centavo. Eu recomendo.

Até o próximo!

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Churrasco, vinho e amigos: sempre uma ótima combinação!

Como eu já vinha falando, o final de ano é sempre muito bom pois estamos sempre nos reunindo com pessoas queridas que fazem parte de nossas vidas para celebrar mais um ano que se passou, mais um ano de amizades, de risos, de choros, de encontros e desencontros, enfim, mais um ano de vida! E foi num destes encontros na casa do Barão que aconteceu um churrasco épico com direito a uma "adega open", brincadeira que criamos para dizer que basicamente vários vinhos por lá guardados estariam disponíveis para a tarde inesquecível que iria acontecer. Aí é que surge a dúvida, por que destacar vinhos num mar de preciosidades é bem complicado, mas eu vou destacar dois vinhos que eu gostei muito e que me trazem diversas lembranças da vida. Sim, já peço desculpas antecipadamente pois eu estou um pouco emotivo nestes  últimos dias do ano e minhas escolhas invariavelmente poderão recair sobre acontecimentos marcantes de minha vida neste ano.


A primeira escolha foi para um vinho branco diferente e que eu nunca havia tomado nada semelhante, um branco esloveno! Sim, um vinho que veio da Eslovênia queridos leitores. A Eslovênia está localizada no Leste Europeu e segundo conta a história, lá se produzem vinhos a mais de 2500 anos. Existem cerca de 24 mil hectares plantados nos país sendo que são produzidos mais de 20 variedades de vinhos brancos e 12 de vinhos tintos. Ainda segundo minha pesquisa, o país está dividido em 3 regiões vitivinícolas: Primorje (ou Primorska), Posavje e Podravje. O vinho em destaque aqui, o Edi Simčič Triton Lex 2007, é produzido pela vinícola Edi Simčič na subregião de Goriška Brda (Primorje), notóriamente conhecida por seus vinhos brancos. O Triton Lex é um blend de Chardonnay, Sauvignon Blanc e Ribolla Gialla (em porporções iguais) sendo que ao que me parece, não passa por envelhecimento em barricas. Um branco untuoso e fresco, de coloração dourada e com aromas de frutas tropicais, toques minerais e lembranças de madeira que fica no palato por um bom tempo. Acompanhou bem alguns queijos e o início do churrasco. Curioso e saboroso!


Pra não dizer que não falei das flores..opa, não era bem esta a frase mas, como vocês que me acompanham por aqui já sabem, tenho uma predileção por vinhos tintos e eu tinha que falar sobre um dos que provamos nesta tarde de churrasco e amizades. E a escolha recaiu sobre o Tenuta Friggiali Brunello di Montalcino DOCG 2004, e explico o por que. Os vinhos toscanos e especialmente os de Montalcino afloram as ainda muito vivas memórias de meu casamento e lua de mel na Itália. Escolha óbvia. Nem é preciso falar muito da vinícola aqui pois é uma das gigantes e mais famosas do coração de Montalcino o que cada vez mais comprovamos com seus vinhos de excelente qualidade. Este um típico brunello de coloração rubi, aromas de frutos silvestres, florais e toques terrosos. Grande corpo, taninos domados e um final de longuíssima duração. Vai mais do que bem com carnes assadas e boas amizades!

É claro que tivemos muitos outros excelentes vinhos, afinal o Barão não brinca em serviço. Mas pra que ficar falando e escrevendo sobre cada uma deles se o mais importante foram os momentos que passamos juntos de pessoas que gostamos, comemos bem e nos divertimos? É pra isso que servem as amizades e estes momentos especiais. 

Até o próximo!

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Salton Gerações Paulo Salton 2009: Um tinto de respeito!

Para terminarmos as impressões sobre os vinhos degustados no Winebar com os vinhos da Vinícola Salton, vou falar agora de um vinho tinto que ao menos pra mim, foi uma bela surpresa. Muito se fala que os vinhos tintos nacionais tem uma certa dificuldade de que suas uvas amadureçam corretamente dado o clima e relevo da região do sul do país (da onde vem a maioria dos vinhos ainda hoje) mas eu tenho visto e provado cada vez mais vinhos sem aquelas arestas de amargor, toques herbáceos muito verdes e coisas do gênero. Me parece que estamos sim, evoluindo em qualidade e também em distribuição de regiões produtoras ao longo do país. Se vamos competir de igual pra igual com outros países em regiões mais privilegiadas, só o tempo irá dizer.


Voltando ao assunto principal do post de hoje, o último vinho que provamos no Winebar da Salton foi este Salton Gerações Paulo Salton 2009, fruto de um corte de 40% de Cabernet Sauvignon, 40% de Merlot e 20% de Cabernet Franc de uvas colhidas na Serra Gaúcha. Após os processos fermentativos, o vinho é colocado em barricas novas de carvalho francês onde permanece por 18 meses. Além disso, antes de ser liberado ao mercado permanece mais um ano em garrafa para estabilização. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma cor rubi de média intensidade, algum brilho, pouca transparência e halo ligeiramente atijolado. Lágrimas finas, rápidas e praticamente incolores completavam o conjunto visual.

No nariz aromas de frutos vermelhos e escuros, toques de chocolate e tostado. Com tempo em taça algo de tabaco também aparece. Bastante complexidade neste vinho.

Na boca o vinho tinha corpo médio, acidez na medida e taninos redondos e maduros. Retrogosto confirma o olfato e tem um final de longa duração.

Um vinho de respeito, que se mostra evoluido e no ponto de consumo. Se a Salton continuar a produzir grandes vinhos a preços acessíveis (este custa 85 na loja virtual deles e acho que briga bem em sua faixa de preços) vai melhorar ainda mais seu posicionamento no mercado nacional. Foi bem com carne de porco assada com ervas finas e massa italiana ao molho de tomates secos e mussarela de búfala. Eu recomendo!

Até o próximo!

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Winebar c/ vinhos Salton: Boas opções de espumantes para o fim de ano!

Na última terça feira, 10 de dezembro, participamos de mais um Winebar com os vinhos da Vinícola Salton e entre os destaques, as apostas da vinícola para o final do ano. Contamos ainda com a participação do enólogo da vinícola, Lucindo Copat, para nos contar mais detalhes sobre os vinhos degustados. O grande mote da degustação, a meu ver, foi a apresentação dos vinhos espumantes que normalmente fazem parte da mesa do brasileiro nas festividades de final de ano (natal e reveillon) que se aproximam.

Fachada da vinícola Salton em Bento Gonçalves, retirada do próprio site do produtor

Falar sobre a Salton seria como, desculpem o clichê, chover no molhado. Com seus mais de 100 anos de história, uma das principais vinícolas do país sem sombras de dúvidas e que tem uma extensa gama de produtos, dos mais simples aos mais complexos, que atendem a todos os nichos de consumidores. E é com base neste conceito que a família Salton, agora em sua 3a geração a frente do negócio, vem trazendo os resultados até aqui demonstrados. Melhor mesmo falarmos dos vinhos, não concordam?


O primeiro espumante degustado foi o Salton Prosecco Espumante Natural Brut, produzido com uvas 100% Prosecco (Glera) de clones trazidos da Itália pelo método charmat (segunda fermentação em autoclaves). Um vinho de coloração quase transparência, com toques prateados e esverdeados (normalmente atribuídos a vinhos produzidos com esta uva) e uma bela perlage bastante abundante e bem branca. Aromas de frutos tropicais, mais pêssego que outras frutas e toques de flores brancas. Corpo leve, acidez refrescante e bem cremoso. Ideal para os dias quentes de sampa e nosso verão. Deve acompanhar bem saladas e pratos leves, mas segundo nosso amigo blogueiro Cristiano Orlandi, ele harmonizaria o Prosecco com Prosecco, pois este espumante por si só já faz a nossa alegria! E não é que ele tem razão?


O próximo espumante que colocamos na taça foi o Salton Gerações Antonio Domenico Salton Espumante Nature, este já parte de uma linha exclusiva e de série limitada (13000 garrafas) produzido com as uvas Pinot Noir e Chardonnay (50% cada) pelo método tradicional. Passa por 3 anos de contato com as leveduras. Já na taça mostra uma coloração amarelo dourada mais austera e evoluida com uma perlage bonita e menos intensa que o anterior, porém mais elegante. No nariz aromas de panificação, fermento, frutas cítricas e mel. Na boca ótima acidez, confirmação do olfato e belo corpo. Um bom colchão de espumas também na boca. Final longo e saboroso Acompanhou magistralmente uma boa bacalhoada!

Em suma, está procurando opções pra brindar o seu final de ano? Então procure pelos produtos Salton e sua extensa gama de opções pois tenho certeza de que irá achar algo que case com seu gosto e que caiba no teu bolso. Eu recomendo!

Até o próximo!

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

É hoje, Winebar com vinhos Salton!

Hoje é dia de mais um Winebar com vinhos da vinícola Salton, desta vez com destaques e lançamentos para este final de ano. E olha que eles não estão de brincadeira. A partir das 20:00hs em ponto (horário de Brasília), se iniciará a transmissão de um bate-papo com o Daniel Perches (blogueiro e publicitário, não nesta ordem) e o enólogo da Vinícola Salton, Lucindo Copat.


Para quem nunca participou e tem duvidas, é muito fácil. É só acessar a transmissão ao vivo, que será no endereço: http://www.winebar.com.br/aovivo/

O Winebar é sempre uma degustação descontraída onde provamos juntos com os convidados e o mediador, na nossa casa, alguns ótimos vinhos das vinícolas participantes, no caso, a Salton. Se quiser ainda preparar um prato que goste para acompanhar os vinhos durante a degustação, faça vontade nos outros participantes, é sempre muito divertido.

Durante a transmissão, todos os convidados estarão trocando ideias e enviando perguntas através de um bate-papo, que fica no quadro ao lado do video. Então se você tiver perguntas, é só enviar pelo bate-papo que as mesmas serão repassadas ao Daniel e serão respondidas ao vivo, junto com o convidado.
Eu estou pronto e apostos com meus vinhos, e me sinto muito contente em ser um dos convidados. E você ai, vai perder?

Até lá!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Cline Cashmere 2011


Quando juntamos amigos com interesses iguais para almoços ou confraternizações fica muito difícil prestarmos atenção a detalhes de um ou outro vinho, não é mesmo? Afinal de contas tudo acaba se tornando mais importante do que degustar o vinho, prestar atenção a suas nuances e coisas do gênero. Mas eu resolvi que a cada encontro deste com o pessoal do mundo do vinho, iria tentar ao menos focar e  falar sobre um dos vinhos bebidos no encontro. E desta primeira vez o vinho escolhido foi o Cline Cashmere 2011 pois eu já estava curioso sobre ele dado a sua composição e da onde o mesmo vinha. Vamos ver o que descobrimos sobre o mesmo.

Foto dos vinhedos em Carneros, tirada do site do produtor

A Cline Cellars é uma vinícola fundada inicialmente em Oakley na California que depois teve sua sede levada para Carneros, no Sonoma. Existe desde meados dos anos 80 sendo que, segundo pude apurar, é uma das pioneiras no cultivo de uvas oriundas do Vale do Rhône na região, fazendo uso do clima um pouco mais ameno em Carneros. Conta hoje com vinhedos em ambas regiões (Carneros e Oakley) além de Pentaluna, também em Sonoma. Conta ainda com acomodações para turismo além de um museu cujo tema principal é as Missões Espanholas na região conhecida como El Camino Real.


Sobre o vinho em questão, o Cline Cashmere 2011, o mesmo é um blend de Mouvédre, Syrah e Grenache e Petit Syrah de uvas colhidas do condado de Contra Costa, na Califórnia. Cerca de 25% do vinho passa por 6 meses de envelhecimento em barricas de carvalho francês. A história bacana por trás deste rótulo é também que o mesmo foi feito para suportar a causa da Living Beyond Cancer. Vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor violácea de média intensidade, alguma transparência e bom brilho. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas também tingiam as paredes da taça.

No nariz o vinho trouxe aromas de frutas vermelhas e escuras, toques de especiarias e chocolate. Muito fragrante e perfumado.

Na boca um vinho de corpo médio, boa acidez e taninos redondos. Retrogosto confirma o olfato e tem um final de média duração.

Mais um bom vinho trazido pelo Smart Buy Club, que sempre surpreende com novidades e vinhos diferentes principalmente vindos dos EUA. Eu recomendo.

Até o próximo!

sábado, 7 de dezembro de 2013

Procurando presentes para um enófilo? Dê um livro!

O natal está chegando e você pretende presentear alguma pessoa aficionada por vinhos sem querer ser óbvio e vir com uma garrafa? Que tal presentear com livros? Vou deixar uma dica aqui para quem quiser buscar um bom livro para dar de presente. A Livraria da escola Ciclo das Vinhas, capitaneada pela Sommelière Alexandra Corvo, tem bastante coisa legal. Segue abaixo um flyer com algumas dicas:



Ficou interessado? Então pegue maiores informações em www.alexandracorvo.com.br/ ou visite pessoalmente a escola que tenho certeza de que você não irá se arrepender. A livraria fica na rua Maria Figueiredo 305, Paraíso - SP Tel: 3284-3626.


Até o próximo!

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Os EUA e a Lei Seca

Enquanto passeava pelo mundo virtual no dia de ontem, 05 de Dezembro, descobri que esta é a data que se comemora a "abolição" da Lei Seca nos EUA pois é quando a imenda constitucional que tratava do assunto fora superada por outra que tornava então legal a produção e venda de bebida alcoólica em todo os EUA. Mas o que foi e como aconteceu a Lei Seca?

Na história dos Estados Unidos, a Lei Seca, também conhecida como The Noble Experiment, caracteriza o período de 1920 a 1933, durante o qual a venda, fabricação e transporte de bebidas alcoólicas para consumo foram banidas nacionalmente como estipulou a 18°. Aditamento da Constituição dos EUA. Na teoria esta lei viria como um salvamento para o povo norte americano da pobreza e da violência que assolava o país. Num primeiro momento houve grande apoio de diversas partes do povo norte americano, mas com o passar do tempo a fabricação e o comércio ilegal começou a criar uma guerrilha urbana sob as vistas grossas do governo americano. É ai que surge também a máfia e o contrabando. 

Mas tudo isso não passou de um grande fiasco e aos poucos, os próprios defensores da luta anti-álcool se decepcionaram com seus resultados. Argumentando ainda que a legalização das bebidas levaria a um aumento no nível de emprego e uma elevação da economia os opositores do então presidente na época o convenceram a ir ao Congresso e batalhar pela legalização das bebidas alcoólicas. O primeiro passo foi dado com a cerveja e, em 1933, o Congresso americano aboliu por inteiro a Lei Seca.

É claro que existiram muitas outras motivações por trás desta lei, desde religiosas até mesmo xenófobas e anti imigrantes. Mas espero que este pequeno resumo apresentado aqui possa servir de começo para uma discussão saudável. No entanto, só se for regada a muito vinho.

Até o próximo!

Pedroncelli Mother Clone Zinfandel 2009

Certo dia estava lendo o blog do jornalista (e amigo) Beto Duarte quando vi um vídeo por ele postado referente a uma pesquisa sobre o mercado de vinhos no Brasil e as oportunidades que nele existem. Uma frase me chamou a atenção pois é como eu penso e tenho agido nos ultimos tempos: o vinho não deve ser encarado como uma bebida de comemoração, para dias especiais e coisas do gênero mas sim como uma bebida para o dia a dia, sem maiores complicações. Apesar disso o consumidor brasileiro ainda compra vinhos basicamente para ocasiões ditas especiais. Eu falei tudo isso só pra exemplificar o por que de lá em casa sempre tomarmos bons vinhos, não importando o motivo. E o vinho da vez foi este Pedroncelli Mother Clone Zinfandel 2009.

Vista primaveril da vinícola, retirada do próprio site do produtor.

A Vinícola Predoncelli está localizada no Dry Creek Valley, no condado de Sonoma, na Califórnia tendo sido fundada em 1927 quando os primeiros vinhedos foram plantados. Passou pelos tempos difíceis da Lei Seca americana alcançando bom crescimento na década de 60 e posteriormente experimentando o boom vinícola na região nos anos de 80. Atualmente conta com a 4a geração da família no comando e direção da vinícola. 


O vinho em destaque, Pedroncelli Mother Clone Zinfandel 2009, apesar de ser tratado como um varietal, possui em sua produção cerca de 8% de Petit Syrah. O interessante no entanto, vem do nome do vinho "Mother Clone". E a história é que fora descoberta na propriedade vinhas de Zinfandel com mais de 100 anos e da onde todos os outros clones derivam, explicando o por que do nome. Passa ainda por envelhecimento de 12 meses em barricas de carvalho americano. Vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor violácea de média para grande intensidade com pouca transparência. Ligeiro halo granada. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas também complementam o aspecto visual.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos escuros e vermelhos em compota, pimenta e toques de baunilha.

Na boca o vinho tinha corpo médio, acidez até acima da média para um Zinfandel e taninos macios e redondos. Retrogosto apimentado confirma o olfato. Final de média para longa duração.

Mais um bom vinho apresentado pela Smart Buy Wines e seu clube de vinhos. Fez a alegria de mais uma noite em nosso lar. Eu recomendo.

Até o próximo!

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Quer ter um esperma mais saudável? Beba vinho!!

O título desta postagem parece piada, mas a coisa é séria. Muitas pesquisas são feitas constantemente colocando em evidência os benefícios do consumo de vinho para a nossa saúde e agora, pesquisadores poloneses divulgaram que o estilo de vida pode influenciar na saúde reprodutora masculina.


O papel que as nossas escolhas de estilo de vida desempenham na nossa saúde reprodutiva é uma área de considerável debate na literatura científica. Um novo estudo sobre o tema, publicado na última edição da Biologia de Sistemas em Medicina Reprodutiva, provavelmente vai adicionar mais pimenta ao assunto. Uma equipe de pesquisadores do Instituto de Medicina Ocupacional Nofer em Lodz, Polônia , descobriu que os homens que bebem vinho até três vezes por semana criam um esperma mais forte. As conclusões contradizem pesquisas recentes no Reino Unido que descobriram que as escolhas de estilo de vida modificáveis​​, tais como consumo de álcool e tabaco, não afetariam a saúde do esperma.

No estudo polonês , os espermatozoides eram mais fortes, com pescoços mais poderosos, quando os homens bebiam vinho com moderação e regularmente. Para efeitos de comparação, o esperma mais forte é o melhor nadador, aumentando a chance de fecundação. Mais tempo de lazer, consumo moderado de café e o uso de bermudão também melhoraram o vigor reprodutivo, de acordo com este mesmo estudo. No entanto, a utilização de um telefone celular continuamente por mais de 10 em sequencia, pode diminuir a mobilidade do esperma. Os cientistas são claros em suas conclusões: " Os resultados do estudo sugerem que os fatores de estilo de vida podem afetar a qualidade do sêmen".

E você caríssimo leitor, o que acha deste e outros estudos relativos aos benefícios do consumo do vinho para a saúde humana? Deixem seus comentários ali em baixo!

Até o próximo!

Vistalba Corte A 2008

Já de volta ao lar, nos braços de minha família, com muitos motivos para comemorar o ano que está perto de se acabar, resolvemos abrir um grande vinho para a ocasião. Cansado também desta convivência americanizada dos últimos dias (mentira, adoro vinhos americanos) abri minha adega (que esta meio pobrinha ultimamente) e resolvi tirar de lá este Vistalba Corte A 2008, um presente vindo diretamente da Argentina.


A vinícola Vistalba foi construida em 2002, no coração de Luján de Cuyo, em Mendoza, na Argentina pelo famoso enólogo Carlos Pulenta. Seguindo sua descendência e se utilizando das técnicas vinícolas trazidas por ambos italianos e espanhóis para Mendoza, Carlos desenvolveu toda sua linha de vinhos e cortes se baseando ainda na família, especialistas em solo da região e assim por diante. Possui uma arquitetura bela e imponente, estilo Criollo, ou como dizem por lá, no estilo nativo. 

O vinho em destaque é um corte composto de 64% Malbec, 29% Bonarda e 7% de Cabernet Sauvignon. É envelhecido em barricas francesas por 18 meses. Depois passa ainda por 12 meses em garrafa antes de ser disponibilizado ao mercado. Atinge graduação alcoólica de 14,8%.  Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor violácea de média para grande intensidade, com lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas compondo o aspecto visual.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutas vermelhas, chocolate e toques de eucalipto. 

Na boca um vinho encorpado, taninos redondos e acidez na medida. Retrogosto confirma o olfato com frutas e toques mentolados. Final de longa duração.

Mais um grande vinho hermano, que fez companhia para mais uma noite de comemoração em casa. Que venham outras.

Até o próximo! 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Chalk Hill Estate Red 2009

Estávamos para encerrar a noite agradável que tivéramos no El Carajo e mais uma vez, a patriotada tomou conta da escolha do vinho e nos deparamos com mais um vinho americano, desta vez um blend tinto de Sonoma chamado de Chalk Hill Estate Red 2009.

Vista geral dos vinhedos, retirada do site do produtor.

A apelação Chalk Hill, da onde este vinho é oriundo, é uma das 13 dentro do condado de Sonoma e conta com abundante produção agrícola, lindas paisagens e muitos vinhos vindos de lá. Situada (a região) entre um vale e um rio, o clima pode ser considerado perfeito para a produção vinícola. Existem ainda as elevações montanhosas e a pobreza do solo como fatores contribuintes para a plantação de vinhedos com alta qualidade. A propriedade é antiga e sua aquisição se deu na década de 70 quando começaram o plantio e as primeiras safras. Desde então, seus vinhos vem demonstrando qualidade safra após safra.


O vinho em questão é um blend de 43% de Cabernet Sauvignon, 19% de Merlot, 15% de Malbec, 12% de Petit Verdot, 10% de Syrah e 1% de Carménère. Passa por fermentação malolática com battonage e por envelhecimento de 22 meses em carvalho francês. Atinge 14,8% de graduação alcoólica. Vamos as impressões?

Na taça uma bonita cor violácea de grande intensidade, quase sem transparência e com pouco brilho. Lágrimas finas, rápidas e coloridas tingiam as paredes da taça. 

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos negros, baunilha, tabaco e especiarias. Ao fundo da taça, toques de tostado.

Na boca um vinho encorpado, taninos firmes e marcados e boa acidez. Retrogosto confirma o olfato com frutas, especiarias e baunilha. Final de longa duração.

E finalizamos então com um ótimo vinho. Aliás esta aventura em Miami rendeu ótimos vinhos e excelentes experiências. 

Até o próximo!

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Achaval Ferrer Quimera 2010

Continuando com os trabalhos no El Carajo, em determinado momento fui "convidado" a escolher o próximo vinho da noite e como não gostaria de baixar o nível da brincadeira mas eu queria também mostrar que aqui pelos lados da América do Sul se faziam bons vinhos, fui para as prateleiras de Argentina e Chile para ver o que encontrava. E me deparei com o Achaval Ferrer Quimera 2010, aclamado por estes lados com um dos bons vinhos que saem da Argentina e resolvi nele apostar.

A Achaval Ferrer foi fundada em 1998 no distrito de Perdriel, região de Luján de Cuyo (província de Mendoza), por seis amigos sonhadores e apaixonados por vinho. A direção técnica é assinada por um enólogo italiano que é especialista em pequenas produções de alta qualidade. Apesar de muito jovem, a Achaval Ferrer já é considerada uma das melhores vinícolas das Américas. Suas propriedades estão localizadas na província de Mendoza entre 700 e 1.100 metros acima do nível do mar. Esta região oferece condições privilegiadas de solo, clima e irrigação, ideais para o cultivo da uva Malbec. A grande amplitude térmica (dias quentes e noites frias), o clima desértico, a má composição do solo e das águas de irrigação do degelo intocada fora dos Andes incentivam o processo de maturação das uvas, que se convertem em vinhos com caráter, profunda estrutura e complexidade. Sua primeira colheita se deu em 1999 e desde então, com muito trabalho e dedicação, grandes vinhos dali saíram.

Vista da vinícola, retirado do próprio site da mesma.

O vinho em destaque é um blend de 40% de uvas Malbec (vinhas velhas) de Medrano e de Luján de Cuyo, 22% de Merlot de Tupungato, 20% de Cabernet Sauvignon (também de vinhas velhas) de Medrano e de Tupungato, 14% de Cabernet Franc de Tupungato e 4% de Petit Verdot. Após a fermentação em tanques, o vinho passou por um processo de fermentação malolática e envelhecimento em barricas francesas, 40% novas e 60% de primeiro uso por aproximadamente um ano. Atinge um total de 14% de graduação alcoólica. Vamos as impressões.


Na taça o vinho apresentou uma bonita cor violácea profunda e bem escura, quase sem transparência e com pouco brilho. Lágrimas finas, rápidas e coloridas ajudavam a tingir as paredes da taça.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos negros, flores, especiarias,toques de tabaco e animal e um leve tostado ao fundo de taça. Muita complexidade aromática e muitas nuances na taça. Confesso que tive até um pouco de dificuldade de identificar os aromas.

Na boca o vinho mostrou ser encorpado, com boa acidez e taninos marcados e firmes, mas redondos e de excelente qualidade. Retrogosto confirma o olfato principalmente com os frutos negros e especiarias além de uma lembrança de chocolate amargo. Final de longa duração.

E era mais um grande vinho que ia pra conta. E a América do Sul encontrou um desafiante a altura para a noite que ainda não havia chegado ao fim.

Até o próximo!

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Renato Ratti Barolo Marcenasco 2008

Continuando os trabalhos da noite no El Carajo, a "brincadeira" começava a se tornar cada vez mais séria. Desta vez a escolha cairia sobre uma das regiões vinícolas mais famosa do mundo, o Piemonte. O vinho: Renato Ratti Barolo Marcenasco  2008. O que será que este vinho guardava pra gente?

Foto retirada do site do produtor que mostra alguns de seus vinhedos do Piemonte, sonho de viagem!

Pesquisando um pouco sobre a história da Cantina enato Ratti, descobri que a mesma está intrinsecamente ligada ao Brasil. Seu fundador, Renato Ratti nasceu na Itália mas um pouco após se formar em enologia imigrou ao Brasil para chefiar a produção de vermute e vinhos espumantes para a Cinzano em São Paulo. Depois de adiquirir tamanha experiência com sua passagem por aqui, ele retorna ao Piemonte onde compra seu primeiro vinhedo em Marcenasco, na região de La Morra. E foi ai que surgiu seu primeiro grande vinho, o Barolo Marcenasco. Desde então a vinícola permaneceu nas mãos da família, mesmo com o falecimento de Renato e a continuidade com seu filho Pietro. 


O que dizer do vinho então? Feito com uvas 100% Nebbiolo, obviamente, e que após todo processo fermentativo (inclusive malolático) passa por dois anos de envelhecimento e afinamento em barricas de carvalho e mais dois anos em garrafa antes de ser liberado ao mercado. Dizem que o vinho é um dos mais longevos em termos de tintos e que pode durar até 20 anos em garrafa dadas condições ideais de armazenagem. Vamos ver o que vinho tinha para nos apresentar?

Na taça uma bonita cor rubi com traços granada, boa transparência e pouco brilho. Lágrimas finas, rápidas e incolores completavam o conjunto visual.

No nariz aromas de flores, frutos secos e toques terrosos. Ao fundo da taça, aromas de tostado também se faziam presentes. Muita elegância e harmonia nos aromas.

Na boca um vinho de corpo médio para encorpado, boa acidez e taninos firmes, marcados e de excelente qualidade. Retrogosto confirma o olfato num final de longa duração.

Um baita vinho, que sem duvidas entre para o hall dos melhores que já provei até hoje. Além disso é extremamente gastronômico e cada gole chama um pouco de comida e te arrasta pro próximo. Eu recomendo.

Até o próximo.