sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Qual é o país que mais consome vinho no mundo?

Alguma vez você já se perguntou qual é o país que consome mais vinho per capita (por pessoa por ano)? Você provavelmente sabe que não é os EUA. Talvez a França, a Espanha, ou Itália? Também não. Pense menor: é notório que o tamanho importa na realização de um estudo como este, razão pela qual a pequena cidade-estado soberana da Cidade do Vaticano ganha o primeiro lugar aqui.


A Cidade do Vaticano consome, em média, 62,2 litros de vinho por pessoa, por ano de acordo com Instituto do Vinho da Califórnia. Isso equivale quase a 83 garrafas. A França vem em quinto, com 45,6 litros de vinho por pessoa a cada ano. A Itália, em nono lugar, consome modestos 37,6 litros per capita . E os Estados Unidos, você poderia perguntar? Apenas 10,5 litros por pessoa.

No caso da taxa de consumo do Vaticano, é de se esperar que nenhuma pequena parte desse valor anual está relacionada à comunhão com vinho (vinho usado nas missas e outros eventos religiosos). Mas, como qualquer professor de análise estatística irá dizer-lhe, quanto menor o grupo, maior a chance de distorções ocorrerem. Com uma população de apenas 836 pessoas em 2011, juntamente com um calendário cheio de eventos para entreter visitantes dignitários, o vinho da comunhão acima mencionado, e um único homem branco e mais velho, sem filhos contabilizados ..bem, esses números realmente fazem muito sentido.


Matéria originalmente publicada em www.winespectator aqui traduzida e adaptada.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Cline Cellars Zinfandel 2011


O que eu vejo por ai no mundo do vinho é que normalmente os vinhos feitos com a uva Zinfandel tendem a ser amados ou odiados, não existem meio termos em se tratando deles. Eu, não sei se para o bem ou para o mal, me encaixo no grupo de consumidores que amam a uva e os vinhos feitos com ela, muito em função de um clube de vinhos que assino e que me apresenta bons e excelentes exemplares desta casta tida como "americana". E em mais uma viagem ao "mundo" Zinfandel trouxe a minha mesa o Cline Cellars Zinfandel 2011.


A Cline Cellars, como já discutido por aqui em outras oportunidades, é uma vinícola fundada inicialmente em Oakley na California que depois teve sua sede levada para Carneros, no Sonoma. Existe desde meados dos anos 80 sendo que, segundo pude apurar, é uma das pioneiras no cultivo de uvas oriundas do Vale do Rhône na região, fazendo uso do clima um pouco mais ameno em Carneros. Conta hoje com vinhedos em ambas regiões (Carneros e Oakley) além de Pentaluna, também em Sonoma. Conta ainda com acomodações para turismo além de um museu cujo tema principal é as Missões Espanholas na região conhecida como El Camino Real.

Sobre o vinho em destaque, o Cline Cellars Zinfandel 2011, 82% das uvas vem do Vale de Lodi e o restante vem da região da Costa e outras partes da Califórnia. Com a ascensão de Lodi no mapa do vinho de qualidade, cada vez mais produtores de diferentes regiões se abastecem no vale para garantir e melhorar a qualidade de seus vinhos. É feito com 100% de uvas Zinfandel sendo que 35% do vinho passa por madeira para envelhecimento e arredondamento. Atinge 14% de graduação alcoólica. Vamos as impressões.


Na taça uma bonita cor violácea de grande intensidade, bom brilho e quase sem transparência. Lágrimas finas, rápidas, em bom número e incolores completavam o conjunto visual.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos escuros em geléia, chocolate e toques de especiarias bem sutis.

Na boca o vinho se mostrou encorpado, carnudo, com boa acidez e taninos macios e redondos. Retrogosto confirma o olfato e o final é de curta para média duração.

Mais um bom vinho apresentado pela Smart Buy Wines com um único porém, o vinho poderia ter um final um pouquinho mais longo, mas de qualquer forma não atrapalha a qualidade geral do mesmo. Acompanhou bem uns bifes grelhados e temperados com sal, pimenta, alho desidratado e ervas. Eu recomendo.

Até o próximo!

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Cirque du Vin Red Wine 2010: Descobrindo a magia de Paso Robles

Como é bom poder estar em casa com a família, ter uma refeição simples e caprichosa ao mesmo tempo, para um jantar de um dia comum e mesmo assim sentir como se fosse da realeza não é mesmo? Pois é assim que tentamos fazer em nossa casa, aproveitando cada oportunidade que a vida nos da para comermos bem, bebermos bem e saudarmos mais um dia que a vida nos proporciona. E foi seguindo este lema que o Cirque du Vin Red Wine 2010 saiu da adega e foi pra nossa mesa.


O Cirque du Vin Red Wine 2010 é produzido pela Peach Canyon, uma pequena vinícola, familiar, de Paso Robles, na região da Costa Central da Califórnia. A Peachy Canyon se especializou em vinhos Zinfandel. Desde sua criação em 1988 é propriedade da família Beckett que mantem-se na gerencia dos vinhedos e vinícola. Os Becketts tentam gerenciar seus vinhedos de forma sustentável. São bem conscientes com o futuro como qualquer americano moderno de hoje. As montanhas suaves de Paso Robles (rolling hills) são também convidativas para uma visita devido a beleza das paisagens e o charme da pequena cidade que cheira e respira vinhos, das mais diferentes variedades.

O vinho em questão é um corte de 66% de Cabernet Sauvignon, 14% de Cabernet Franc, 11% de Malbec, 7% de Merlot e 2% de Petite Sirah que passa por envelhecimento e afinamento por 18 meses em barril de carvalho Americano. Atinge 13,8% de álcool. Vamos as impressões?

Na taça uma bonita cor rubi violácea de grande intensidade, algum brilho e pouca transparência. Lágrimas finas, rápidas, espassadas e incolores complementam o aspecto visual.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos escuros, chocolate, especiarias e toques mentolados. Bastante fragrante e perfumado.

Na boca o vinho apresentou bom corpo, acidez na medida e taninos macios e suaves. Retrogosto confirma o olfato, colocando mais frutas e chocolate e menos especiarias do que no nariz, no entanto. Final de longa duração.

Mais um grande vinho apresentado pela Smart Buy Wines, e foi acompanhado de um belo bife de contra filé, corte mais alto, com cebolas caramelizadas e temperadas com molho inglês e salada. Combinação perfeita para um fim de mais um dia. Eu recomendo.

Até o próximo!

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Vinho x Câncer: Novo estudo, novos benefícios?

O vinho tinto conseguiu eliminar células cancerosas em testes laboratoriais


Pesquisadores canadenses descobriram que o vinho tinto é mais eficaz do que o branco no tocante a se parar o crescimento das células cancerosas. O câncer de pulmão é a principal causa de morte entre os cânceres de homens e mulheres nos Estados Unidos. E menos de 17 por cento das pessoas que desenvolvem a doença sobrevivem por cinco anos ou mais. Agora, um grupo de pesquisadores canadenses estão olhando para o vinho buscando melhorar essas chances.

Os pesquisadores, das Universidades de Brock e McMaster, em Ontário, observaram em seu estudo, previsto para impressão na publicação Cancer Cell International, que em estudos in vitro utilizando células cancerosas, e até mesmo alguns estudos epidemiológicos, indicam que o vinho tinto possui propriedades anti -câncer. Muitas vezes, essa habilidade é creditada ao vinho tinto por este ser uma rica fonte de polifenóis, em especial o resveratrol, por isso a maioria dos estudos emprega formas sintéticas de resveratrol. Os autores no entanto deixam claro que tal estudo ainda tem resultados um tanto quanto limitados quando se trata dos efeitos do vinho num aspecto geral. Para esta pesquisa, a equipe decidiu medir o impacto dos vinhos tintos e brancos em células de câncer de carcinoma de pulmão. Eles expuseram amostras de células de câncer de pulmão  vinhos Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir e Riesling. Todos os vinhos foram adquiridos de produtores de Niagara e Ontário.

Eles descobriram que ambos os vinhos tintos e brancos conseguiram parar a propagação do câncer de pulmão, mas os tintos foram mais eficazes. O vinho tinto parou de forma mais eficaz a propagação de células de câncer, quando comparado com o grupo de controle, a 2 por cento de concentração. Para o vinho branco, resultados semelhantes não aconteceram em até 5 por cento de concentração. Os resultados demonstraram que, embora ambos os vinhos tintos e brancos são capazes de inibir o crescimento de células de câncer do pulmão e do potencial oncogênico, existe uma diferença na potência dos vinhos pois estes efeitos só foram observados com doses mais elevadas de vinho branco. A hipótese é que o teor de fenólicos totais, que é muito maior no vinho tinto, pode ser o responsável por tal diferença.

O estudo mostrou que o vinho tinto faz parar o crescimento e a sobrevivência das células de câncer de pulmão. Mas também advertiu que a equipe não pode fazer recomendações sobre o consumo de vinho, porque os testes foram realizados em células de câncer de pulmão humano em um ambiente de laboratório. O próximo passo é usar doses de vinho que correspondem ao consumo moderado de vinho, em seres humanos, uma ou duas taças por dia, e examinar o efeito sobre o crescimento do tumor em ratos. Se houver uma redução significativa no crescimento do tumor com o consumo de vinho então teremos fortes indícios de que teremos justificar a necessidade de um ensaio clínico, um estudo em pacientes com câncer.


Matéria traduzida e adaptada de www.winespectator.com

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Cavino Patras Roditis 2012: um grego diferente

E quando chega aquele dia que você aperta aquele botãozinho na vida em que você não se importa mais com as reações e consequências e só quer saber do momento? O famoso botão foda-se. Pois é, no quesito gastronômico eu costumo dizer que isso acontece quando você come aquilo que tem vontade e se refastela todo, não importa se a comida seja fritura, se você vai ter que ralar pra gastar as calorias a mais e coisas do gênero. E ontem foi um dia desses, um dia em que tivemos um jantarzinho em forma de petisco que apesar de leve, "agrega" muitas calorias: lula frita, vinda diretamente de Ilha Bela, fresquinha delícia. E claro que este clima praiano merecia um bom vinho pra acompanhar. O escolhido: Cavino Patras Roditis 2012, mais um grego de nossa adega que veio para a mesa.


A Cavino SA é um grupo grego que tem sua fundação ainda em meados dos anos 50 na região do Peloponeso, na Grécia, mas que passou por algumas grande modificações em todo este caminho. Aparentemente o ano de 1999 é o que detém a marca mais recente na vinícola, quando começa a introduzir no mercado local e nos mercados internacionais vinhos de alto gama no quesito qualidade. De lá pra cá contou com uma expansão forte em mais de 26 países e construiu uma linha de engarrafamento que dizem ser o estado da arte no quesito tecnologia, com capacidade de produção de 7000 garrafas por hora.

Sobre este vinho, primeiro uma curiosidade: a Roditis é uma casta tinta autóctone grega, que nesse caso foi vinificada em branco onde as cascas não permanecem junto do mosto durante a vinificação. Tais uvas são provenientes de vinhas de 20 anos e são colhidas em meados de setembro, no último momento possível para que as uvas estivessem bem maduras e pudessem passar para o vinho toda a complexidade e riqueza de aromas, sabores e tipicidade de seu terroir. As vinhas estão situadas na costa Peloponesa na denominação de origem Patras. As bagas são selecionadas e colhidas à mão onde posteriormente fermentam com o auxílio de leveduras selecionadas. Antes de ser engarrafado na propriedade o vinho estagia em tanques de inox por 6 meses sob temperatura controlada e não passa por barricas de madeira. Vamos as impressões?

Na taça uma bonita cor amarelo palha brilhante com alguns reflexos verdeais. Límpido, transparente e brilhante. Lágrimas finas, rápidas e sem cor.

No nariz o vinho se mostrou extremamente frutado, com aromas de frutos cítricos (me lembrou limão siciliano) e frutos de polpa branca. Ao fundo um que de empireumático.

Na boca o vinho se apresentou com ótima e refrescante acidez, corpo médio e retrogosto confirmando o olfato com muita fruta cítrica. No final, um toque salino lembrando praia e mar que ficava por um bom tempo em boca. 

Um vinho interessante, curioso e diferente que calhou muito bem com o clima praiano das lulas fritas. Mais um dos vinhos que vieram no clube de vinhos da Winelands. Eu recomendo, o vinho e o clube.

Até o próximo!

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Sobre a uva Agiorgitiko

Aproveitando o gancho que a postagem de um vinho grego trouxe aqui pro blog, resolvi falar um pouco sobre esta casta tinta de nome diferente e que nasce bem longe daqui de nossa terras brasilis. Obviamente pesquisei nas fontes que possuo (livros e internet) e quaisquer informações incorretas, peço que me ajudem a corrigir.

Agiorgitiko (em grego: Αγιωργίτικο, também conhecida como Aghiorghitiko, Mavro Nemeas e São Jorge) é a casta tinta que, a partir de 2012, era a variedade mais plantada na Grécia , à frente de Xynomavro . A uva tem sido tradicionalmente cultivada na região de Neméia do Peloponeso, mas pode ser encontrada em todo o país, incluindo a região de Ática e da Macedônia.

Uma das variedades autóctones gregas mais importante comercialmente, ela pode apresentar uma grande variedade de características, de um vinho suave a um vinho muito tânico, dependendo de fatores nos processos de desenvolvimento das uvas e da produção do vinho. É normalmente utilizada para vinhos varietais muito embora seja notadamente cortada com Cabernet Sauvignon em uma região em torno de Metsovo para a produção de um vinho de mesa amplamente consumido por lá e tradicionalmente chamado Katoi . Na região de Neméia é muitas vezes utilizado em vinhos rosés. Os vinhos são conhecidos por seu alto nível de aroma/sabore frutado, mas tendem a falta de alguma acidez e corpo.

A Agiorgitiko é geralmente plantada em solo seco, infértil, para incentivar a produção de menos e mas mais concentrados frutos, amadurecendo depois de meados de setembro.

Ao que parece, nem só de deuses e mitologia vivem os gregos. Bons vinhos, uvas curiosas e uma gastronomia de fama mundial. E você leitor do blog, tem alguma curiosidade grega para dividir conosco? Use o espaço de comentários e/ou a fan page do blog e enriqueça o assunto!

Até o próximo!

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Terras do Demo Touriga Franca 2008

Um final de semana agitado. É assim que eu posso descrever o nosso último final de semana. E é claro que depois de todo vai e vem, nada melhor que tomar um bom vinho para fechar a noite de domingo, não é mesmo? E o escolhido para a árdua tarefa deste final de semana foi o Terras do Demo Touriga Franca 2008, mais um portuga por aqui.


Este vinho é produzido pela Cooperativa Agrícola do Távora CRL, que fica situada na Região Demarcada do 'Távora - Varosa', inserida entre a região do Douro e do Dão, em Portugal e é feito com 100% de uvas Touriga Franca. Estagiou em barricas de carvalho francês de primeiro uso por 12 meses e após descansou por mais 6 meses em garrafa para criar complexidade. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor rubi violácea de média para grande intensidade, algum brilho e pouca transparência. Lágrimas finas, rápidas, espassadas e ligeiramente coloridas.

No nariz o vinho apresentou aroma de frutos escuros, toques florais e leve lembrança de baunilha. Ao fundo de taça ligeiro tostado podia ser sentido.

Na boca o vinho teve uma entrada um pouco quente e se mostrou de corpo médio para encorpado, acidez na medida e taninos marcados e rascantes, mas de boa qualidade. Álcool arrefeceu com o tempo em taça. Retrogosto confirma o olfato principalmente no tocante aos frutos escuros e flores. Final ligeiramente amadeirado de média para longa duração.

Mais um bom vinho apresentado pela Winelands e seu clube de vinhos. Recomendo abrir o vinho um pouco antes para diminuir a sensação alcoólica e domar um pouco os taninos. Eu recomendo.

Até o próximo!

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Espumante Aliança Reserva Bruto 2010: Harmonizando um bom portuga com peixe!

Retomando a fase borbulhante aqui do blog, hoje é dia de colocarmos no ar um vinho e sua respectiva harmonização. Veja, antes é necessário relembrar que harmonização não é ciência exata e o que eu transcrevo aqui é o que fizemos em casa e gostamos, simples assim. E claro que a vontade de compartilhar com meus poucos e fiéis é que motiva a isso. Enfim, hoje é dia de espumante luso por aqui, o Aliança Reserva Bruto 2010.


Diretamente do site do produtor, um pouco de sua história: "Foi em 1927 que 11 associados liderados por Domingos Silva e Ângelo Neves decidiram fundar, em Sangalhos (Anadia), a Aliança, que conta já com mais de 80 anos de vida. Esta iniciou a sua atividade exportando de imediato para o Brasil, África e Europa e hoje, mais de 50% da sua produção destina-se à exportação, sobretudo de vinhos, espumantes e aguardentes, imagem de marca da Aliança em Portugal e nos cerca de 60 países para onde exporta. Em 2007, a Bacalhôa Vinhos de Portugal adquiriu o capital maioritário da Aliança, passando esta a pertencer ao Grupo Bacalhôa, tendo sido a designação social das Caves Aliança S.A alterada para Aliança Vinhos de Portugal S.A., momento em que se procedeu igualmente a uma mudança da imagem institucional". Como vemos, história é o que não falta por aqui e claro que toda essa tradição veio junto com nosso colonizadores e se enraizou por aqui nestes longos anos de descobrimento até o que a então colonia se tornou hoje.

Já falando um pouco do espumante, um corte inusitado de 65% Bical, 25% Baga e 10% Arinto, todas vindas da região da Bairrada, em Portugal e elaborado pelo método tradicional (segunda fermentação em garrafa) com direito a 15 meses de contato com as leveduras. Atinge 12,5% de graduação alcoólica. Vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor amarelo palha com reflexos verdeais, bastante brilho e boa transparência. Borbulhas pequenas, abundantes e bem persistentes formando uma boa coroa na taça.

No nariz aromas de frutos cítricos e brancos, toques florais e leve lembrança de fermentação.

Na boca excelente acidez, corpo médio, boa cremosidade gerada pelo colchão de bolhas e bem refrescante. Retrogosto confirma o olfato com muita fruta e com um final de longa duração.

E para acompanhar? Se preparem para as delícias que vem na sequência. Minha esposa preparou magnificamente um filé de Saint Peter enrolado com farofa a lá Buddy Valastro (do programa televisivo Kitchen Boss no canal de tv pago Travel and Living Channel) numa cama de abobrinha refogada com anchovas. Vamos ao preparo.

A farofa a la Buddy Valastro é simples: pegue pães amanhecidos e faça uma farinha de rosca, acrescente salsinha, queijo pecorino ralado, alho desidratado, ervas finas e voilá, está pronto. Reserve. Pegue os filés de peixe, passe um fio de azeite em cada um e coloque uma quantia generosa de sua farofa. Enrole o peixe com a farofa dentro, fazendo um rocambole. Prenda com um palito e reserve. Prepare uma assadeira untada com um pouco de azeite, coloque rodelas de limão siciliano e ajeite um peixe enrolado encima de cada fatia de limão siciliano. Regue cada peixe com um pouco de azeite e cubra com mais uma pequena quantidade da farofa. Acrescente uma xícara de chá de vinho branco na assadeira. Coloque a assadeira em um forno pré aquecido por vinte minutos. 

Já a abobrinha também é bastante simples. Pegue quantas abobrinhas quiser (para servir as pessoas que estarão contigo) e corte em fatias nem muito finas nem muito grossas, quase como se fosse a espessura de um macarrão talharim (um pouco mais). Depois tempere-as um pouco com pimenta do reino e reserve. Pegue dois dentes de alho e amasse. Coloque um pouco de azeite em uma panela, acrescente o alho amassado e um pouco do óleo que vem junto com os filés de anchova. Quando começar a fazer o barulhinho característico de que o óleo já está quente acrescente os filés de anchova (a gosto) e faça com que eles desmanchem. Acrescente a abobrinha e refogue, sempre provando até que a mesma esteja cozida. Ajuste o sal, caso necessário.


A montagem do prato é interessante. Faça uma cama com a abobrinha recheada primeiro e depois acrescente o filé de peixe por cima, retirando o palito. Está pronto pra servir! O casamento entre o espumante e o prato foi perfeito. Tentem fazer em casa.

Até o próximo!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Cavino Nemea Agiorgitiko 2011: Vinho grego e pizza pode Arnaldo?!

Respondendo de antemão o título da postagem, pode sim. Ao menos este vinho combinou legal com uma pizza despretensiosa em uma noite de sábado por ai. De qualquer maneira, brincadeiras a parte, vamos a algumas informações sobre a vinícola e o vinho. Lembrando que vinho na Grécia, apesar de pouco difundido por aqui, é coisa séria e tem produção que data de épocas bem antigas.


A Cavino SA é um grupo grego que tem sua fundação ainda em meados dos anos 50 na região do Peloponeso, na Grécia,  mas que passou por algumas grande modificações em todo este caminho. Aparentemente o ano de 1999 é o que detém a marca mais recente na vinícola, quando começa a introduzir no mercado local e nos mercados internacionais vinhos de alto gama no quesito qualidade. De lá pra cá contou com uma expansão forte em mais de 26 países e construiu uma linha de engarrafamento que dizem ser o estado da arte no quesito tecnologia, com capacidade de produção de 7000 garrafas por hora.

Sobre o vinho em questão, o Cavino Nemea Agiorgitiko 2011, é feito com 100% de uvas Agiorgitiko (autóctone) com denominação de origem Nemea. As vinhas estão plantadas em altitudes que variam entre 300 a 500 metros acima do nível do mar. Não passa por madeira. Vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor rubi violácea de média intensidade, com algum brilho e pouca transparência. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas complementavam o conjunto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas vermelhas basicamente, trazendo toques florais ao fundo. 

Na boca um vinho de corpo leve para médio, acidez na medida e taninos macios e fininhos. Retrogosto confirma o olfato num final de curta para média duração.

Um vinho simples, bem feito e sem defeitos. É assim que eu o definiria. Caiu bem com uma pizza num final de noite em um sábado qualquer. Eu recomendo.

Até o próximo. 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Espumante Chandon Réserve Brut

Finalizando a trinca das borbulhas aqui no blog esta semana, trago mais um brasuca largamente conhecido e apreciado no mundo enofílico por sua qualidade e grande disponibilidade no mercado. É claro que estou falando do Chandon Réserve Brut. 


Um pouco de história. Em 1973, a Maison Moët & Chandon decide apostar no potencial vitivinícola brasileiro e inaugura a Chandon em Garibaldi, no Rio Grande do Sul. O investimento cresce e se consolida. Atualmente, a empresa é líder absoluta no segmento de vinhos espumantes naturais de luxo. Além do Brasil, a Chandon também é produzida na Austrália, Califórnia e Argentina, sendo estas as 4 subsidiárias especializadas em espumantes naturais da Moët Hennessy, a divisão de vinhos e destilados do grupo francês LVMH (Moët Hennessy Louis Vuitton). Em seus vinhedos, são cultivadas variedades nobres das cepas Chardonnay e Pinot Noir, a partir de mudas importadas da França e ali aclimatadas. O Riesling Itálico, já cultivado na região, foi melhorado e incorporado aos assemblages. Falando um pouco do espumante em si, é produzido com uvas Chardonnay, Pinot Noir e Riesling Itálico todas plantadas e colhidas na Serra Gaúcha em vinhedos próprios, mais precisamente em Garibaldi. Vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor amarelo palha com reflexos dourados, límpida e brilhante. Perlage fina, abundante e persistente formando uma boa coroa na taça. 

No nariz o espumante apresentou aromas de frutos cítricos e toques florais. Leve lembrança de panificação depois de algum tempo em taça.

Na boca um vinho refrescante, com acidez na medida. Bom colchão de espuma na boca, bom corpo e um retrogosto essencialmente frutado. Final de média duração.

Mais um bom espumante nacional, confiável e consistente com  fama outrora recebida. Eu recomendo.

Até o próximo!

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Espumante Don Laurindo Brut & Talharim com Camarões ao molho de Espumante!

Ao final de um dia estressante e cansativo, nada melhor do que ir pra cozinha com quem você ama e preparar um jantarzinho diferente e acompanha-lo de um belo espumante, certo? E foi desta maneira que o espumante Don Laurindo Brut saiu da adega para a nossa mesa.

Foto de arquivo pessoal mostrando a fachada da Vinícola Don Laurindo

A Vinícola Don Laurindo recebeu este nome e se estabeleceu como produtora e comercializadora de vinhos em 1991, porém sua história data de muito antes, quando as primeiras gerações da família Brandelli sairam do norte da Itália e vieram aportar na Serra Gaúcha, mais precisamente em Bento Gonçalves. Desde então o cuidado com as uvas desde os vinhedos até o envelhecimento, ou não, dos vinhos em madeira tem feito com que o prestígio e a qualidade da vinícola tenham subido e muito na consideração dos consumidores. O espumante em questão é um corte das uvas Chardonnay e Riesling Itálico, sendo que o processo de elaboração é o tradicional, com a segunda fermentação acontecendo dentro da garrafa. Sem maiores delongas vamos as impressões.


Na taça uma bonita cor amarelo palha com toques verdeais, muito límpido e brilhante. Perlage longa, borbulhas pequenas e abundantes. 

No nariz aromas de frutas tropicais com abacaxi em evidência com leve toque de evolução.

Na boca uma deliciosa e refrescante acidez e um corpo médio. Forma bom colchão de borbulhas na boca também com um retrogosto confirmando o olfato. Final de média para longa duração.

Um belo espumante, de uma vinícola tradicional brasileira que com certeza só tem a crescer com seus produtos de qualidade confirmada aqui pelo blog. Aliás, março estarei por terras gaúchas e com certeza a Don Laurindo estará entre as vinícolas que vou visitar. 


De acompanhamento para o espumante fizemos uma massinha bem gostosa, um talharim com um molhinho de camarões ao espumante maravilhoso. Vejam como é fácil:

Limpe os camarões (aproximadamente 400 a 500g daqueles menores) e prepare uma marinada com 1/2 garrafa de espumante, o suco de duas laranjas, um dente de alho e pimenta do reino a gosto. Coloque os camarões de molho nessa marinada por pelo menos 1 hora enquanto prepara os demais ingredientes. Antes de começar o preparo do prato, retire os camarões da marinada e escorra em uma peneira, reservando a marinada.

Em uma frigideira grande, derreta margarina com 2 colheres de azeite extra-virgem e refogue uma cebola picada, alho poró picado e mais um dente de alho, em fogo médio para não tostar. Quando a cebola estiver transparente, aumente o fogo, adicione um a um os camarões e frite-os por 5 minutos. Retire-os com uma escumadeira e reserve-os.



Junte a marinada aos sucos restantes na frigideira e reduza a 1 terço no fogo baixo, mexendo de vez em quando. Quando o molho estiver mais consistente, junte os camarões novamente, misture, acerte o sal e desligue o fogo. Adicione creme de leite, incorpore, salpique com salsa e cebolinha picadas e cubra a massa. Voilá.

Até o próximo!

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Espumante Amalia Brut: borbulhas diretamente da Grécia para o blog!

O mais legal do mundo do vinho com certeza é ter a oportunidade de provar e conhecer vinhos de diversas partes do mundo e poder trocar idéias, por aqui ou pessoalmente, sobre o que achamos do vinho e coisas do gênero. Aproveitando ainda que dia desses minha esposa, em meio a um diálogo pós refeição, que dentre os tipos de vinhos que vinhamos provando, provavelmente os espumantes eram os que faziam a sua cabeça. Somando por fim o fato de que a remessa do clube de vinhos da Winelands era de vinhos gregos e tinha um espumante dentre estes, o que fazer se não tirar da adega o Amalia Brut?


O espumante em questão é produzido pela Tselepos, uma vinícola situada na região do Peloponeso, Arcádia para ser mais preciso, e gerida pela família de mesmo nome. A propriedade foi fundada ao pé do Monte Parnon no final dos anos 80 sendo que hoje conta com mais de 40 hectares de vinhedos próprios e outros tantos de vinhedos de cooperados. A uva branca carro chefe da vinícola, e da região por assim se dizer, é a autóctone Moschofilero. Plantadas a uma altitude média de 750 metros acima do nível do mar, tais vinhas possuem idade média superior a cinquenta anos. 

Foto retirada do site do produtor que mostra os vinhedos da onde vem as uvas Moschofilero

Sobre o espumante propriamente dito, como já escrito anteriormente, é um espumante cujo vinho base é feito com uvas 100% Moschofilero e segundo o método tradicional de produção de espumantes, com a segunda fermentação em garrafa. Sem maiores delongas vamos às impressões.

Na taça uma bonito cor amarelo palha, límpida, brilhante e com uma boa formação de borbulhas. Perlage longo.

No nariz o vinho se mostrou extremamente floral, com leve toque de mel ao fundo. Não notei aromas característicos de leveduras apesar do método tradicional ter sido utilizado na produção deste espumante.

Na boca um vinho extremamente fresco (acidez excelente) e com uma leve dulçor num primeiro momento. Retrogosto confirma o floral. Final de média para longa duração.

Interessantíssimo esse espumante, por ser de uma uva que até então não conhecia e de um país que não temos o costume de provar seus vinhos, a Grécia. Vale lembrar que a Grécia é por excelência um país de vinhos com a viticultura sendo uma das primeiras atividades desde a antiguidade. Acompanhou algumas carnes grelhadas e o fim de noite de uma sexta feira pra lá de cansativa. Eu recomendo.

Até o próximo!

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Características básicas do vinho: Desenvolvendo o paladar

Sempre com o intuito de ajudar meus leitores a se embrenhar no mundo do vinho, gosto de trazer aqui de maneira sucinta e adaptada alguns artigos que julgo interessantes e que encontro por ai em minhas constantes "viagens" enovirtuais. E este é o caso do artigo a seguir, embasado e inspirado em outro que li dia desses e que vem muito a calhar principalmente para iniciantes do mundo do vinho mas que também pode relembrar alguns princípios básicos a outros tantos que tem a ideia que sabem tudo e que não é preciso evoluir. Trataremos aqui de algumas características básicas que conseguimos observar em todo e qualquer vinho que provamos e que podem nos ajudar a entende-los de uma forma mais simples. Espero que gostem.

Doçura: também identificável e tratada como o nível de "secura" que um vinho pode apresentar. Nossa percepção de doçura começa na ponta de nossa língua. Muitas vezes, a primeira impressão de um vinho é o seu nível de doçura. Acreditem ou não muitos vinhos secos também possuem certa percepção de doçura. Como sentimos tal sensação? Sensação de formigamento na ponta da sua língua, ligeira sensação oleosa no meio de sua língua que perdura por alguns momentos ou ainda uma maior viscosidade. Um vinho muito seco pode também ter esta sensação confundida com a sensação causada pelos taninos.

Taninos: uma das características mais confundidas no vinho e também das mais complicadas de ter sua sensação explicada. Muitas vezes confundida com a secura de um vinho, a sensação dos taninos se presta a este papel por causar uma sensação de secura em sua boca. Na verdade, no entanto, os taninos são agentes fenólicos presentes no vinho e que agregam certa "amargor" ao vinho. Podem ser oriundos das cascas/sementes das uvas ou do aporte que o carvalho trás ao vinho. Mas qual a sensação afinal? Secura, amargor, travamento, aquele sabor herbáceo e adstringente que lembra banana verde. Apesar de tudo isso, o tanino é um dos pilares e é muito benéfico ao vinho adicionando complexidade, harmonia e equilíbrio ao vinho. Sentido principalmente na parte da frente da boca e nas gengivas.

Acidez: normalmente acrescenta elementos azedos e picantes a comida/bebida. Normalmente é confundida com o teor um pouco mais elevado de álcool. Vinhos que tem acidez mais alta normalmente tem a percepção de serem mais leves e refrescantes. Como a sentimos? Sensação de formigamento principalmente nas laterais da língua e bochechas com o aumento da salivação também.

Corpo: é o resultado de muitos fatores - desde a variedade do vinho, de onde vem, safra, nível de álcool e como ele é feito. O corpo é um retrato instantâneo da percepção geral sobre o vinho. A melhor ferramenta é a comparação. Compare o vinho que estiver provando a água e depois a azeite e me responda: ele se parece mais, em termos de viscosidade e peso, a qual dos dois? A água é totalmente fluida (leve) ao passo que o azeite mais viscoso (encorpado). E claro, existe o intermédio. 

"Frutosidade": normalmente são como os vinhos são caracterizados, principalmente os mais novos, por seus aromas e sabores frutados. Isso, entretanto, varia muito desde a casta utlizada para produção do vinho, método de produção, região da onde as uvas são colhidas, e assim por diante. Procure por aromas/sabores de frutas vermelhas/negras em vinhos tintos; frutas tropicais/cítricas e/ou de polpa branca/amarela em vinhos brancos por exemplo.  

Com estas características um pouco mais explicadas, cabe a nós agora nos atentarmos a elas enquanto degustamos os vinhos. E claro, continuar sempre a estudar e a entender melhor cada nuance destas características. Espero que tenha sido útil.

Até o próximo!

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

4 Dicas úteis para melhorar seu conhecimento sobre vinhos!

Não existe uma regra única nem tão pouco um livro ou conjunto de passos especificados para que você possa se tornar um especialista em vinhos, primeiro por que isso é de certa maneira utópico e depois por que é ai que reside a diversão em aprender sobre vinhos. Cada um pode utilizar seus próprios métodos de aprendizado e nada melhor do que a litragem para tal. Uma idéia inicial é começarmos a explorar o vinho em duas óticas diferentes, comparação e perspectiva. Quando você prova um vinho em uma circunstância isolada, é difícil entender como ele se relaciona com outros vinhos. Quando você bebe um vinho e é capaz de compará-lo com outros vinhos, você irá desenvolver um paladar mais aguçado. Já no tocante a perspectiva, sabemos que o vinho é mais do que o suco de uvas fermentado apenas, é história, cultura, localização e personalidade, tudo embrulhado em uma garrafa. A próxima vez que você beber um vinho, tome um momento para descobrir onde ele foi feito em um mapa.


Baseados no parágrafo acima, especialmente na sua segunda metade em diante, separamos algumas dicas que pode ser úteis quando você estiver aprendendo ou tentando expandir seu conhecimento sobre vinhos. Vamos a elas:

1 - Tente o mesmo tipo de vinho de duas regiões diferentes (Malbec Cahors x Malbec Argentina, por exemplo). Prove-os lado a lado. Comparando vinhos idênticos de diferentes regiões irá te dizer muito sobre como a região afeta o sabor do vinho;

2 - Experimente um vinho que é semelhante (mas diferente) do que o seu favorito. É importante diversificar o seu paladar. Felizmente, você não tem que alterar as suas preferências ao tentar algo novo que você vai adorar. Comece por encontrar alternativas para os vinhos que você já ama;

3 - Leia, se informe sobre alguma região vinícula pequena e peculiar e depois prove um vinho de lá. Comece com uma pequena região. Saiba onde a região se situa no mapa, um pouco de sua história e, em seguida, compre e prove um vinho que é a especialidade da região. Não há nada mais gratificante do que ser capaz de saborear os despojos de seus conhecimentos a cerca do vinho;

4 - Seja o anfitrião de uma pequena degustação em sua casa ou local de sua preferência. O vinho é para ser compartilhado, ele é do tamanho ideal para se desfrutar com 3 a 4 pessoas. Com isso em mente, organize uma pequena degustação de vinho em sua casa e desafie os seus amigos para trazerem um vinho com base nos temas acima citados, por exemplo.

O que acharam das dicas? Tem mais alguma coisa que vocês gostariam de acrescentar? Usem o espaço de comentários ou a Fan page no Facebook e vamos discutir o assunto!

Até o próximo!

Matéria original em www.winefolly.com

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Club Des Sommeliers Bordeaux Branco 2011: Noite de calor, vinho e uma bela maminha!

Popularizar o vinho, tirar aquela aura elitista. Muito disso é discutido em nosso mercado seja por importadores, produtores, mídia especializada e afins, mas ações palpáveis e de alguma maneira mais concretas são escassas. Mas eu acho que esta linha de vinhos da rede de supermercados Pão de Açúcar se encaixa muito bem neste assunto e acerta em cheio na proposta, conforme já comentei por outras tantas vezes por aqui. Hoje é vez do Club Des Sommeliers Bordeaux Branco 2011.


Veja o que o Grupo Pão de Açúcar diz a respeito destes vinhos: "Club des Sommeliers é uma marca de vinhos exclusiva do Grupo Pão de Açúcar. Lançada em 2000, a linha possui mais de 60 rótulos de 10 países selecionados pelo enólogo e consultor de vinhos Carlos Cabral. Os vinhos Club des Sommeliers são selecionados nas melhores regiões vinícolas do mundo: França, Itália, Portugal, Espanha, Chile, Argentina, Brasil, África do Sul, Nova Zelândia e Austrália. Em 2011, lançamos a linha Reserva Club des Sommeliers, com vinhos que passam por um processo de envelhecimento em barricas de carvalho. O contato da bebida com a madeira torna-a mais saborosa e encorpada. A grande variedade de rótulos oferece a você vinhos de qualidade a preços acessíveis, com opções para o dia a dia e também para grandes celebrações. Confira nossos rótulos em diversas lojas do Extra e Pão de Açúcar com a garantia e exclusividade do Grupo Pão de Açúcar. Uma marca de vinhos especialmente selecionados para você".

Dito isso passamos ao vinho. O Club Des Sommeliers Bordeaux Branco 2011 é feito a partir de uvas Sauvignon Blanc e Sémillon colhidas na região de Bordeaux, na França. Você leitor mais perspicaz vai me dizer que isso é muito genérico e eu, entendendo sua colocação direi que você está correto. Porém dentro da proposta de ser um vinho mais simples, para apresentar a região ao consumidor não costumeiro, entendo que esteja de bom tamanho. Sem maiores informações sobre o vinho, vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor amarelo palha brilhante com alguns reflexos dourados. Lágrimas finas, rápidas e incolores completavam o aspecto visual.

No nariz o vinho trazia aromas de frutas cítricas, toques florais e leve lembrança empireumática, algo como plástico novo.

Na boca o vinho tinha um corpo de leve para médio, ótima acidez e trazia no retrogosto a confirmação do olfato. Pude sentir também um toque salino, lembrando água salgada, conchas (eu diria que é mineral, mas como existe uma discussão a cerca do assunto, deixemos assim mesmo. Final de média duração.

Um vinho correto, que entrega o que se propõe e que vale o quanto custou (cerca de R$ 45,00). Acompanhou bem uma maminha cozida e o calorão que vem assolando terras brasilis. A maminha foi feita de modo bem simples, como descrito abaixo:

Coloque numa panela azeite abundante e ervas (tomilho, alecrim, louro, etc.) e acrescente por cima a carne e uns dois dentes de alho amassados ainda com a casca. Acrescente cerca de 100 ml de vinho branco e uma cebola cortada em rodelas. Salgue e coloque pimenta a gosto. Tampe e cozinhe por uma hora em fogo lento. Retire do fogo e corte em fatias. Voilá! Eu recomendo.

Até o próximo!

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Terrunyo Carmenére 2007: revisitando um clássico!

Como vocês já devem ter visto por aqui, não costumo repetir um mesmo vinho por mais de uma vez. Entretanto, algumas oportunidades ainda são interessantes para compararmos nossas impressões passadas, observarmos a evolução de nosso paladar e por fim, confirmar ou não boas e más impressões. E o vinho de hoje se coloca neste contexto, uma vez que a mais de um ano atrás fora degustado por aqui e minhas impressões postadas. O vinho? O afamado Terrunyo Carmenére 2007, da gigante vinícola chilena Concha Y Toro.


Falar sobre a vinícola Concha Y Toro é chover no molhado e por isso irei poupar meus leitores de um post comprido desnecessariamente. Sobre o vinho, o que podemos dizer é que a linha Terrunyo tem suas uvas selecionadas de blocos específicos de alguns dos melhores vinhedos da vinícola, no caso deste em que estamos falando do bloco 27 no vinhedo denominado Peumo no Vale do Rapel. É fruto de um corte de 85% de uvas Carmenére com 15% de uvas Cabernet Sauvignon (sendo permitido no entanto ser identificado como varietal Carmenére pela legislação chilena) e passa por 19 meses em carvalho francês (70% novo). Sem mais delongas, vamos ao vinho.

Na taça uma bonita cor violácea de grande intensidade com algum brilho e nenhuma transparência. Lágrimas finas, rápidas e coloridas tingiam as paredes da taça.

No nariz o vinho mostrou um mix de frutas vermelhas e escuras, toques de especiarias, chocolate e tostado. Com o tempo algo que lembrava mentolado também pude sentir.

Na boca o vinho se mostrou encorpado, taninos aveludados e boa acidez. Retrogosto confirma o olfato em um final de longa duração.

Bom o que mais dizer do que atestar a qualidade do vinho. A meu ver, muita elegância aliada a muita potência. Acompanhou um "churrasco de apartamento". Explico, pegamos alguns espetinhos de carne bovina, coração de galinha e linguiça e colocamos no grill e comemos até nos fartar. Eu recomendo.

Até o próximo!

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Abel Pinchard Beaujolais-Villages 2011 - #CBE

O desafio do mês para a Confraria Brasileira de Enoblogs era degustar e postar um vinho produzido a partir da uva Gamay. Confesso que não é muito fácil encontrar diversas opções quando falamos de Gamay e por isso, acabei recorrendo a uma opção pouco criativa porém mais segura. Optei então por este Abel Pinchard Beaujolais-Villages 2011.

Foto retirada do site winefoodpleasures

Beaujolais é uma região vinícola francesa que se encontra ao norte da cidade de Lyon, região esta cheia de colinas e de solo basicamente granítico, lugar onde a uva Gamay atinge seu esplendor e se torna sua embaixadora. É lá também que um método todo peculiar de vinificação é utilizado, a maceração carbônica, método este onde os grãos das uvas não são esmagados e a fermentação se inicia no interior das uvas. De seus vinhos que chegam ao Brasil, provavelmente o Beaujolais Noveau deve ser o mais conhecido (inclusive já degustei um por aqui), entretanto existem muitos níveis de vinho dentre os 10 crus que compõe a região. Podemos dizer que o Beauolais-Villages se situa em uma posição intermediária, não tão simples como os Noveau e nem tão complexo como um vinho vindo de um cru específico.


Sobre o produtor, Abel Pinchard, sua história começou em 1821, quando Jean-Marie Loron Chénas fundou uma empresa de transporte de vinho entre Beaujolais e Borgonha. Posteriormente em 1852, seu filho Jacques, o seu sucessor, fez uma fusão com a empresa do seu padrasto, da família Charlet que eram tradicionalmente vitivinicultores em Saint-Amour e Juliénas. Hoje, a empresa familiar está na sua sexta geração e é especializada na comercialização de vinhos de Beaujolais e Macon. A qualidade de seus produtos são reconhecidos internacionalmente, exporta para vários países. Dito isso, pouco se restou a falar sobre o vinho a não ser nossas impressões.

Na taça o vinho apresentou uma cor bonita rubi violáceo bem claro, transparente e muito brilhante. Formava lágrimas esparssas, rápida e incolores.

No nariz o vinho apresentou aromas frutados, frutas vermelhas principalmente (morango e cereja), trazendo aromas florais num segundo momento.

Na boca um vinho de corpo leve para médio, taninos sedosos e uma gostosa e refrescante acidez. Retrogosto confirma o olfato e deixa um final de média duração.

Um vinho simples, para o dia a dia, muito agradável e que pode alegrar ainda mais nossas refeições. E por falar em refeição, nosso cardápio do dia para acompanhar foi um belo estrogonofe de frango perfeitamente executado pela minha esposa acompanhado de batata palha fresca e caseira, além é claro de um arrozinho branco. A vida é bela, não?

Até o próximo!