quarta-feira, 30 de abril de 2014

Evidência 2007: Um vinho português "da gema"!

Continuando nossa andança pelos vinhos portugueses, viemos parar em uma das regiões, na minha opinião, mais incompreendidas e desprezadas de Portugal: o Dão. Diferentemente do Alentejo e do Douro, a região do Dão não é amplamente divulgada nem tão pouco explorada por aqui. E de lá costumam sair vinhos mais rústicos, porém de personalidade e elegância muitas vezes insuperáveis. Dizem ainda ser o berço da casta Touriga Nacional. Será? Só sei que é de lá que sai o Evidência 2007, vinho português sobre o qual iremos escrever algumas poucas linhas.


O produtor, coincidentemente, é o mesmo do vinho anterior e por isso, reproduzirei por aqui um pouco sobre eles: "Sobre o produtor do vinho, o Grupo Parras - Seleção de Enólogos, descobri que é uma empresa especializada na produção e seleção de vinhos de qualidade em diversas regiões de Portugal. A equipe de enologia residente, especializada nas mais diversas regiões vitivinícolas portuguesas, convida anualmente um enólogo de referência nacional ou internacional com quem partilha o projeto Parras. Tal equipe percorre anualmente o país e seleciona as melhores castas e as melhores uvas de cada região, sendo que em laboratório trabalha estas castas e traduz em seus vinhos as aspirações do mercado consumidor".

Voltemos então ao vinho alvo do post, que é um exemplar produzido a partir das castas Touriga Nacional e Tinta Roriz. Amadureceu em barricas de carvalho francês por 12 meses. Possui graduação alcoólica de 13%. Vamos então as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma cor rubi violáceo com alguma tendência ao granada. Lágrimas finas, rápidas e incolores complementavam o aspecto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos e toques florais. 

Na boca o vinho se mostrou com corpo médio, boa acidez e taninos macios. Retrogosto confirma o olfato e tem um final de média duração.

Mais um vinho para o dia a dia, muito honesto e que pode agradar aos mais diversos paladares. Acompanha bem um prato simples a base de carnes vermelhas. Vale a prova.

Até o próximo.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Rio Real Douro 2010: Mais um vinho português na área!

Depois de dois vinhos espanhóis seguidos, era hora de partirmos em outra direção, direção esta que os ventos nos levariam. Brincadeiras a parte, resolvemos mudar um pouco o foco, porém nem tanto: continuaríamos na Península Ibérica, só que agora visitaríamos meu ainda sonho de consumo Portugal e seu belíssimo e aclamado Douro. O vinho escolhido? Rio Real Douro 2010.

Rio Real Douro 2010

O Douro me parece ser uma das regiões mais bonitas do planeta, claro que minha experiência se dá só por fotos, videos e afins, mas mesmo assim tenho uma imensa vontade de visita-lo. A região fica ao longo do vale do Rio Douro e tem uma paisagem de tirar o fôlego. De clima Mediterrâneo, com verões bem quentes e secos mas contrastados com invernos rigorosos, o vale do Rio Douro se mostra extremamente propício para o cultivo das vinhas, cultivo este que se dá nas encostas extremamente íngremes ao longo deste vale, degrau por degrau, em um solo rochoso e com muito xisto. De lá vem também o mundialmente famoso Vinho do Porto, tipo de vinho fortificado comumente associado a sobremesas a base de chocolate mas que vai muito além disso.

Sobre o produtor do vinho, o Grupo Parras - Seleção de Enólogos, descobri que é uma empresa especializada na produção e seleção de vinhos de qualidade em diversas regiões de Portugal. A equipe de enologia residente, especializada nas mais diversas regiões vitivinícolas portuguesas, convida anualmente um enólogo de referência nacional ou internacional com quem partilha o projeto Parras. Tal equipe percorre anualmente o país e seleciona as melhores castas e as melhores uvas de cada região, sendo que em laboratório trabalha estas castas e traduz em seus vinhos as aspirações do mercado consumidor. 

Já o vinho em questão, o Rio Real Douro 2010, é um corte das uvas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz (típicas da região). Passa por 10 meses de envelhecimento em barricas de carvalho. Possui ainda 13,5% de teor alcoólico. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi violácea com toques de granada nas bordas. Lágrimas finas, ligeiramente coloridas e rápidas finalizam o conjunto visual. 

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos vermelhos maduros, toques florais e lembrança de baunilha.

Na boca o vinho mostrou um corpo médio, boa acidez e taninos finos. Retrogosto confirma o olfato. Final de média duração.

Um vinho simples, bem feito e sem defeitos, ideal para o dia a dia e para acompanhar nossas refeições mais casuais e rotineiras. Eu diria que acompanharia muito bem nosso arroz, feijão e bife. Vale a prova.

Até o próximo!

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Golán Tampesta 2009: Um vinho espanhol diferente!

O vinho espanhol alvo do post de hoje é também um vinho destes que provei no "pré-degustação" para eleição do Top 5 do Encontro de Vinhos, que aconteceu na Casa do Porto em São Paulo. Mais uma destas oportunidades que agradeço sempre por aparecer em minha vida e que tento tirar o maior proveito no tocante a novos conhecimentos.


Este vinho espanhol é muito interessante, primeiramente por ser feito com 100% de uma uva que eu nunca havia ouvido falar, a Prieto Picudo. Segundo uma breve pesquisa que fiz sobre esta variedade de uva, a mesma tem algumas semelhanças com a Tempranillo, também considerada autóctone da Espanha. A Prieto Picudo é originária da região de Valdevimbre, Los Oteros e das margens do rio Cea , em León e atualmente ocupa uma área de 3.000 hectares de vinhedos. Hoje a área é parte da Denominação de Origem Vino Tierra de León. Com esta variedade comumente se produzem vinhos frescos, frutados e leves, suaves e aromáticos (flores e frutos), com um teor médio de álcool. Na boca é frutado, seco e leve. É muito usado em cortes com a uva Mencía, uva utilizada na produção do vinho do post anterior (relembrem aqui).

Falando um pouco do produtor, a Tampesta Bodegas Y Viñedos, foi no ano de 2000, que os irmãos De Paz Tampesta decidiram concentrar-se na tradição vitícola da região de Valdevimbre, que está no sul da província de León. Esta região tem a maior quantidade de vinhedos com a uva Prieto Picudo nativa, que domina a imagem e caráter pessoal do DO Vinhos Tierra de León. Sobre o vinho em questão, como dito anteriormente, é feito 100% com uvas Prieto Picudo e passa por 12 meses em barricas de carvalho. Tem 13,5% de álcool. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi violácea de média intensidade, com ligeiro halo aquoso. Lágrimas finas, com velocidade moderada e ligeiramente coloridas complementavam o conjunto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas em compota (vermelhas), toques que lembravam aceto balsâmico e baunilha. Bastante fragrante.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, acidez na medida, taninos macios e suaves. Retrogosto confirma o olfato com muita fruta madura e lembrança mineral. Final de longa duração.

Outro grande vinho degustado, que oportunidade! Me pareceu outro vinho muito agradável para ser consumido por si, jogando conversa fora com amigos ou uma pessoa especial. Deve agradar paladares menos iniciados com o vinho também. Eu recomendo.

Até a próxima!

sábado, 26 de abril de 2014

Mercado brasileiro de vinhos: futuro depende do comércio eletrônico?

Segundo uma reportagem do Jornal da Globo, as empresas estão apostando em vendas on line de vinhos para expandir o consumo de vinho no país. Isto por que a venda on line está gerando faturamentos milionários para sites especializados. E como já cansamos de falar, até mesmo por aqui, este é um mercado que tem ainda muito a ser explorado e estão surgindo diversos sites atrás deste retorno financeiro.


Se por um lado houve aumento nos números relacionados às exportações dos vinhos brasileiros (cerca de 18%) para mais de 10 países atualmente, o mercado interno também apresentou uma melhora. Prova disso são diversos produtores de vinhos de diversos lugares do mundo que vem ao país, muitos ainda sem importadores, e se aproveitam das inúmeras feiras e eventos sobre o tema para se apesentarem. A Expovinis, que aconteceu esta semana é um grande exemplo. E a ferramenta que tem se mostrado como forte aliada nesta expansão do mercado interno é sem dúvidas a internet. 

Nos últimos tempos temos visto que diversos grupos estrangeiros estão vindo ao país e aportando somas consideráveis de dinheiro em diversos sites nacionais de venda de vinhos on line. Até falei sobre isto a alguns posts atrás, quando comentei a cerca das mudanças que a loja virtual Evino viria a sofrer (relembrem aqui). As projeções, ainda segundo a reportagem, é que o crescimento médio de algumas lojas virtuais do setor de vinhos são da ordem de 30% ao mês (as mais novas) chegando a incríveis incrementos de 100% ao ano (algumas lojas já consolidadas). Isto prova que o mercado brasileiro ainda está ávido por crescimento e tem uma potencialidade enorme inexplorada.

Outro ponto falado na reportagem, este um pouco mais polêmico e discutível (minha opinião) é que com o incremento da renda das classes mais baixas (digamos a classe C, por exemplo), os vinhos também passaram a ser produtos desejados por estas pessoas que agora teriam poder aquisitivo para tal. Embora eu entenda que a economia realmente melhorou e que a renda começa a se distribuir para as classes mais baixas, ainda vejo que o vinho possa ser considerado supérfluo e elitizado para as classes mais baixas. Entretanto tenho esperança que com o aumento da renda destas pessoas, o vinho passe realmente a figurar em suas mesas, afinal é isto que buscamos todos (jornalistas, blogueiros, vendedores, etc.), não é mesmo?

E vocês leitores, que tal comentarem comigo quais são suas formas preferidas para compra de vinhos? A internet é amplamente usada ou a conversa tete a tete com um vendedor ainda é a pedida? Eu particularmente tenho usado a internet com alguma frequência, ainda mais quando a experiência é bem sucedida, mas não acho que passarei a usar 100% o meio eletrônico. Pelo menos não em um futuro tão próximo assim. 

Até o próximo!

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Dargo Mencía 2009: Um espanhol de sobrenome!

Toda vez que tenho a oportunidade de participar de algum evento sobre vinhos, seja este uma degustação, feira, palestra e outros, procuro aproveitar a oportunidade e absorver a maior quantidade de conhecimento possível, seja das pessoas que estão participando do evento, seja do produtor, apresentador, importador e assim por diante. E é claro que são nestas oportunidades que eu acabo por conhecer vinhos que talvez eu não iria provar por conta própria, seja por falta de conhecimento mesmo ou quaisquer outros motivos. E foi enquanto esperávamos para inciar a degustação que mais tarde elegeria o Top 5 do Encontro de Vinhos (relembrem aqui) que provei este vinho espanhol, o Dargo Mencía 2009.


O Dargo Mencía 2009 é produzido por Raúl Pérez, famoso enólogo espanhol de Bierzo. Nascido em 1973 em Valtuille de Abajo, Raúl Pérez vem de uma família de produtores de vinho em Bierzo . Ele juntou-se a vinícola da família Castro Ventosa, com pouco mais de 19 anos, e pertence à geração de enólogos que revolucionaram o Bierzo e por consequência o vinho espanhol. Raúl Pérez tem uma maneira particular de entender o vinho. A prioridade não é a adega , mas a vinha. Portanto, trabalhando em vários projetos, próprios e em colaboração, tendo apenas como ponto de partida as vinhas onde encontra as uvas que mais gosta, como no caso da Mencía, expandiu seu nome para outros lugares na Espanha e no mundo, se tornando um dos enólogos com futuro mais promissor. Para finalizarmos, sobre o vinho em questão, é feito com uvas 100% Mencía e ao que tudo indica, não passa por barrica. Tem teor alcoólico de 13,5 %. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi violácea de média intensidade, bom brilho e alguma transparência. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas complementavam o aspecto visual.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos vermelhos bem maduros (cerejas em evidência), florais e ligeiro toque mineral.

Em boca o vinho apresentou uma entrada levemente adocicada (sensação), corpo médio e acidez na medida. Retrogosto confirma o olfato. Final já mais seco de média para longa duração.

Um bom vinho, que me pareceu ser fácil de beber e que deve acompanhar bem uma boa conversa, amigos e umas boas tapas. Eu recomendo.

Até a próxima!

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Buena Vista Zinfandel 2010: Delicioso!

Ao participar da degustação que elegeu o Top 5 para o Encontro de Vinhos (relembrem aqui) eu tive a possibilidade de provar e consequentemente levar para casa um vinho cuja varietal sou um fã declarado. E olha que, ao chegar em casa e prova-lo com ainda mais calma, me apaixonei ainda mais por este vinho. Estou falando do Buena Vista Zinfandel 2010.


Já escrevi algumas poucas linhas sobre a vinícola Buena Vista por aqui, mas nunca é demais relembrar: "A Vinícola Buena Vista teve sua fundação no ano de 1857, sim a muito tempo atrás, através de um visionário para a época chamado Agoston Haraszthy e foi a pioneira em Sonoma na plantação de vinhas de uvas Zinfandel assim como na produção de vinhos de alta qualidade. De lá pra cá muita história se passou e a vinícola se encontra agora num caminho de renovação, iniciado ainda no ano de 2012 pela família Boisset, atual proprietária da vinícola".

Falando no vinho Buena Vista Zinfandel 2010, este varietal é feito única e exclusivamente com uvas Zinfandel plantadas na apelação Sonoma County. Além disso, o vinho passa por 14 meses de barricas (francesas, americanas e húngaras), sendo que destas, 10% são de primeiro uso. Atinge 14,5% de graduação alcoólica. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresenta uma bonita cor violácea de grande intensidade, com bom brilho e quase sem transparência. Lágrimas finas, um pouco mais lentas que usualmente e com alguma cor, que ajudavam a tingir as paredes da taça.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutas negras bem maduras, toques de pimentas e algo que me lembrava fumaça. Depois de algum tempo em taça, pudemos também sentir um pouco de tostado.

Na boca o vinho era encorpado, daqueles carnudos os quais nós quase podemos mastigar, sabem? Além disso estava associado a uma boa acidez e taninos macios e redondos. Retrogosto confirma o olfato. Final de média para longa duração.

Sem dúvidas está entre os melhores, se não o melhor, entre os Zinfandéis que já provei. E cada vez mais esta uva vai tomando seu lugar entre as minhas preferidas. Aqui sei que muitos irão torcer o nariz, mas eu gosto de vinhos feitos com esta casta.

Até o próximo!

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Chateau Montelena Chardonnay 2010: Final do ciclo de comemorações

Engraçado como determinadas coisas acontecem em nossa vida. A quase um ano atrás eu viria a provar este vinho pela primeira vez, e viria a saciar minha curiosidade devido a toda a história envolvendo o famoso "Julgamento de Paris", sobre o qual já teci algumas linhas por aqui (relembrem aqui). Daquela vez também passava por um bom momento na vida pessoal e, aproveitava o encejo para comemorar abrindo este vinho incrível. E não é que agora, o mesmo vinho (uma safra mais "novo"), serviu também para encerrar um novo ciclo de comemorações? A coincidência ainda foi maior pois enquanto degustávamos o vinho (eu e minha esposa), terminávamos de assistir o último capítulo de um dos seriados mais interessantes que acompanhamos nos últimos tempos (a foto denuncia qual é). Enfim, falo é claro do Chateau Montelena Chardonnay 2010.


Vale sempre relembrar que a história da vinícola começa ainda em meados de 1880 no Vale do Napa, na Califórnia, quando nasce a propriedade e as primeiras plantações de vinhas. A partir dai, muita água se passou embaixo da ponte e houveram momentos de proibição e parada na produção, mudança de posse da propriedade até que a presença de Jim e Bo Barret elevam o tom da qualidade dos produtos do Chateau Montelena e com o advento do Julgamento de Paris (em meados dos anos 70 este vinho venceu uma degustação as cegas onde os grandes Chablis franceses eram maioria), a colocam no cenário vitivinícola mundial com toda a força. Já sobre o vinho, o que dizer? É um varietal 100% Chardonnay de uvas colhidas no próprio Chateau. Não sei ao certo o tempo que passa em madeira, e se passa, mas pelo corpo do vinho e algumas nuances do olfato, deduzo que sim. Tem teor alcoólico de 13,6%. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma coloração amarelo palha com reflexos levemente dourados, bastante brilho e transparência. Lágrimas finas, rápidas e incolores fechavam o conjunto visual.

No nariz o vinho abriu com aromas de frutas em profusão: tropicais e cítricas. Depois de algum tempo, notas de fósforo e mel. Ao fundo de taça, algo de tostado. O vinho se mostrou bastante complexo olfativamente, assim como da primeira vez.

Na boca o vinho era untuoso, bem gordo e denso mesmo. Tinha uma acidez nada medida. No retrogosto confirmou o olfato. Ficava por um bom tempo no paladar mesmo quando era engolido. Realmente, um vinho para se lembrar.

E assim encerrava um ciclo de comemorações em minha vida, com a certeza mais uma vez de que sou abençoado por ter uma família maravilhosa ao meu lado, por poder apreciar algumas das delícias que a vida pode nos oferecer (assim como este vinho) e enfim, por estar vivo!

Até o próximo!

terça-feira, 22 de abril de 2014

Cavino Nemea Grande Reserve 2008: mais um grego por aqui!

Ao fim de uma semana brava, com direito a muito trabalho, visitas inesperadas e afins, tudo o que queremos é chegar em casa e ter uma boa refeição ao lado da família, não é mesmo? E muitas vezes esta refeição inclui não ter trabalho para prepara-la, certo? Ai entra aquele bom e velho telefone do disque pizza para o qual apelamos vez ou outra. E para acompanhar, nada melhor do que um bom vinho. E desta vez o escolhido foi o vinho grego Cavino Nemea Grande Reserve 2008.


Como já dito anteriormente por aqui, a Cavino Winery SA é um grupo grego que tem sua fundação ainda em meados dos anos 50 na região do Peloponeso, na Grécia, mas que passou por algumas grandes modificações em todo este caminho. Aparentemente o ano de 1999 é o que detém a marca mais recente na vinícola, quando começa a introduzir no mercado local e nos mercados internacionais vinhos de alta gama no quesito qualidade. De lá pra cá contou com uma expansão forte em mais de 26 países e construiu uma linha de engarrafamento que dizem ser o estado da arte no quesito tecnologia, com capacidade de produção de 7000 garrafas por hora.

Falando um pouco do vinho alvo deste post, é mais um exemplar feito 100% com uvas Agiorgitiko da região do Peloponeso, mais especificamente dentro da Denominação de Origem Nemea. As uvas vem de vinhas com mais de 40 anos de idade e altitude média de 850 metros. O vinho ainda estagia em barricas de carvalho francês e americano por 18 meses e em seguida permanece por mais 12 meses em garrafa antes de ser liberado ao mercado. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi intensa, com ligeiro halo granada. Lágrimas finas, rápidas e quase incolores complementavam o aspecto visual. 

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos vermelhos maduros, toques de especiarias e chocolate. Ao fundo da taça também notava-se um pouco de tostado. 

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos finos e marcados. Retrogosto confirma o olfato. Final de média duração.

Um vinho correto, bom para acompanhar a pizza do dia a dia, sem defeitos. Interessante conhecer vinhos como este, que vem de países pouco usuais para nós aqui no Brasil. Eu recomendo.

Até o próximo!

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Vinhos & amigos: harmonização perfeita!

A amizade, segundo o dicionário, tem alguns significados: sentimento de estima ou de solidariedade entre pessoas, grupos etc; pessoa amiga; relação de caráter social; sentimento ou estado de entendimento entre pessoas, grupos, países etc; apego de alguns animais pelo homem e benevolência. Entretanto, em minha opinião, tais significados tem pouco importância. O que mais importa é estar entre pessoas que você gosta, se sente bem e quer sempre estar junto. Imbuído deste sentimento, aproveitei a passagem de mais uma primavera de minha vida para reunir pessoas que entendo fazerem parte deste sentimento de vários significados, reunidos ao redor de uma boa mesa, bons vinhos e boas conversas.


Naked cake de brigadeiro, foto by Cuecas na Cozinha

E para receber amigos, nada melhor do que a inspiração de minha esposa para montar um cardápio de dar inveja: das entradas com lascas de polvilho, manteigas aromatizadas e queijos aos pratos principais como cogumelos recheados e o famoso "Coq au Vin", que ficou cozinhando por 3 horas e soltava do osso com o fechamento com chave de ouro com o "naked cake de brigadeiro e coberto de frutas silvestres", tudo foi meticulosamente pensado com o intuito de fazer os amigos se sentirem em casa. E claro que tudo isso regado a vinhos muito especiais, vinhos estes que falaremos um pouco na sequência.

Estrelas do Brasil Nature Rosé Champenoise

Para brindarmos a presença de todos por aqui, o primeiro vinho a ser degustado foi o Estrelas do Brasil Nature Rosé Champenoise, obtido pelo método champenoise (segunda fermentação em garrafa), a partir de um corte das uvas Pinot Noir, Chardonnay, Viogner e Rieslig Itálico. Este espumante é encorpado e volumoso em boca, apresentou uma coloração rosa clara com perlage persistente e de bolhas minúsculas. Aromas terciários em evidência, lembrando terroso, fermentação, defumado e com frutas em segundo plano. Ótima acidez, sem se tornar agressiva, conta ainda com um final de longa duração. Às cegas diria se tratar de um bom champagne.

Ferrari Maximum Brut

Continuando a sequência de brindes, foi a vez de abrirmos um espumante que carrega um sobrenome de peso: o Ferrari Maximum Brut. Este espumante foi trazido diretamente da Itália por nossa amiga Evelyn, do blog Taças e Rolhas. A Ferrari é o maior nome italiano quando falamos da produção de espumante pelo método clássico. Possui mais de um século de história ligada a esta bebida festiva, o vinho espumante, que tem sido a base de todas comemorações e festividades em seu país, a Itália. Foi fundada em 1902 por Giulio Ferrari na região do Trento. Teve seu controle passado a família Lunelli pouco mais de 50 anos depois e vem escrevendo seu nome no mercado de vinhos de maneira brilhante desde então. Existe ainda o reforço a marca pela associação, mesmo que errônea, a famosa escuderia da fórmula 1. Voltando ao vinho, este é produzido 100% com uvas Chardonnay e passa por 36 meses de contato com as leveduras. Um espumante de cor amarelo com toques dourados, perlage fina, pequena e muito persistente. Aromas de frutos cítricos, panificação, mel e toques tostados. Na boca é cremoso, de bom corpo e com acidez refrescante. Retrogosto confirma o olfato. Final de longa duração. Um delicioso espumante, sem dúvida, um dos melhores e deve fazer frente a bons champagnes.

Canepa Finisimo Sauvignon Blanc 2012


Para fecharmos esta noite de celebração, passamos a um vinho produzido por um país vizinho e por uma cepa bem conhecida por aqui: o Canepa Finisimo Sauvignon Blanc 2012. Este vinho é produzido pela chilena Canepa, e é um exemplar 100% Sauvignon Blanc sem passagem por madeira. A Vinícola Canepa tem sua história datada de 1930, quando Giuseppe Canepa Vacarreza veio de Gênova na Itália e aportou em Valparaíso, no Chile. De lá para os dias de hoje, diversas inovações e marcos importantes fizeram a Canepa figurar entre as principais vinícolas do Chile. O vinho em questão apresentou uma coloração amarelo brilhante com reflexos verdeais. No nariz aromas de frutos cítricos, grama recém cortada e toques minerais (ok, esta discussão de que existem ou não aromas minerais pode ter me confundido um pouco, mas o que se aproxima do que senti é aquele aroma de pedra molhada, maresia e tais aromas são classificados como minerais, portanto...). Na boca um vinho de médio corpo, boa acidez e com um retrogosto que confirma tudo que o olfato nos mostrou com um delicioso e duradouro final. Não poderíamos ter fechado de melhor forma a parte "etílica" da noite.


Para rebater os vinhos (uma mera desculpa, na verdade) aproveitamos para nos esbaldar com o "naked cake" e nos despedirmos dos amigos, com a certeza de que mais encontros como esse virão. A "Confraria Ainda Sem Nome" voltará a se reunir e quem sabe até lá, poderemos chama-la pelo seu nome. 

Até o próximo!

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Mais Encontro de Vinhos: Top 5 e Novidades !

Ontem foi dia de degustação, e uma degustação especial: participamos da degustação que elegeu o Top 5 do Encontro de Vinhos. O negócio funciona mais ou menos assim: produtores e importadores selecionam amostras e encaminham para os organizadores, Daniel e Beto, que fazem mais uma seleção e chegam a um número próximo de 30 amostras (as vezes um pouco mais). A partir dai entram em cena os degustadores (blogueiros, formadores de opinião de mídias impressas e virtuais, entre outros) e cada um degusta cerca de 15 amostras dos vinhos, dando suas notas. Os cinco vinhos com maiores notas são os vencedores. As degustações para o Encontro de Vinhos normalmente acontecem na Casa do Porto, loja e importadora de vinhos muito conceituada do mercado de vinhos em São Paulo. Segue abaixo a lista dos vencedores:

Os participantes, cerca de 30 vinhos

Primeiro Lugar: H Stagnari Viejo Tannat 2011
País: Uruguai
Produtor: H. Stagnari
Importador: Cantu
Preço médio: R$ 77,00

Segundo Lugar: Alfa Crux 2007
País: Argentina
Produtor: O. Fournier
Importador: Vinci
Preço médio: R$ 223,00

Terceiro lugar: Amarone della Valpolicella Il Bosco 2006
País: Itália
Produtor: Cesari
Importador: MaxBrands
Preço médio: R$ 300,00

Quarto lugar: Acróbata 2011
País: Chile
Produtor: Acrobat Wines
Importador: Terrurares
Preço médio: R$ 168,00

Quinto Lugar: Bella Quinta Licoroso Várias Safras
País: Brasil
Produtor: Bella Quinta
Preço médio: R$ 32,00

Os vinhos vencedores do Top 5
Dentre as amostras dos vinhos que provei, estavam o segundo e quinto lugares, que também apareceram dentre os meus preferidos com 90 pontos cada. A surpresa sem dúvida foi quando o quinto lugar foi revelado: um vinho de sobremesa feito com uvas de mesa em São Roque, no estado de São Paulo. E ainda por cima da Vinícola Bella Quinta, a qual visitei a pouco tempo para uma Wine Class e onde também conheci este vinho então (relembrem aqui e aqui). Realmente uma grata e saborosa surpresa. Todos os vinhos estarão disponíveis para a prova no dia do evento, 21 de Abril, na Casa da Fazenda do Morumbi. Mas as novidades não param aqui.

Um lounge temático mostrará um pouco da cultura argentina através do que há de melhor na terra de Gardel: gastronomia, vinho e música criarão uma atmosfera de muito charme e descontração. E, por falar em gastronomia, um menu de massas, carnes e risotos foi escolhido especialmente para fazer da harmonização com os vinhos uma experiência única e inesquecível. Além disso, Minas Gerais será representada pela Queijaria d’Alagoa, que mostrará um pedacinho da cultura da região: os queijos estilo parmesão de Alagoa, vindos das terras mais altas da Serra da Mantiqueira, prometem impressionar pela qualidade no preparo desses produtos, feitos artesanalmente. Por fim, cada visitante poderá ainda adquirir os vinhos mostrados no dia a preços especiais.

Ficou curioso? Eu aposto que sim. Se eu fosse você não perderia a chance de provar estes e outros vinhos incríveis no dia 21. Eu estarei lá.

Até o próximo!

quinta-feira, 17 de abril de 2014

#MalbecWorldDay com vinhos Nieto Senetiner

Hoje é dia de comemorar mais um #MalbecWorldDay e nada melhor do que comemorar em grande estilo, com uma das vinícolas que mais entende do riscado: a Nieto Senetiner. Esta vinícola argentina, uma das pioneiras no uso da Malbec em um vinho com denominação de origem na América Latina, organizou um jantar harmonizado somente com vinhos feitos a partir da uva Malbec, jantar este que foi oferecido no espaço que a Nieto Senetiner mantém em São Paulo, chamado de Casa Nieto. O espaço Casa Nieto torna a vinícola a primeira de nacionalidade argentina a ter um espaço seu em solo brasileiro. O lugar é muito aconchegante e elegante.O jantar contou ainda com a co-organização da Casa Flora, importadora de vinhos responsável por brindar o mercado brasileiro com os vinhos da vinícola Nieto Senetiner.


Para quem não se lembra muito bem, o #MalbecWorldDay foi criado pela Wines of Argentina para celebrar esta uva que se tornou a uva símbolo dos vinhos dos nossos hermanos e que é muito apreciada por aqui. Mas a história é um pouco mais complexa. Como sabemos a uva Malbec tem seu berço na França, mais precisamente na região de Cahors. No final do século XIX no entanto, com o advento da filoxera e a quase total destruição da vitivinicultura francesa, a cepa cai no que podemos chamar de um certo ostracismo, sendo então colocada de lado em contrapartida a outras mais famosas. Neste ínterim a cepa chega a Argentina e começa a se desenvolver de forma espantosa e se adaptando de maneira exemplar ao clima e solo da região de Mendoza principalmente. E na data de 17 de abril de 1853 um projeto para criação de uma escola de agronomia e de um órgão em Mendoza em prol da vitivinicultura do país com base na expansão desta atividade cria um marco com relação muito estreita da uva Malbec e da vitivinicultura da Argentina. E foi com toda esta história levada em conta que se criou o dia Mundial da Malbec em 17 de abril.


A intenção do jantar era mostrar algumas faces que a Malbec pode assumir em determinados vinhos, mostrando também a versatilidade que esta uva pode ter. De vinhos mais leves, menos potentes e com leve teor de açúcar residual até poderosos vinhos tintos que lembram até tinta preta. Cada prato foi pensado, portanto, com este intuito.



De entrada, uma saladinha verde com crispy de jamon serrano. Todos esperávamos um vinho branco (embora fosse o dia da Malbec) para acompanhar. Mas em uma excelente sacada do pessoal da Casa Flora, resolveram colocar o Emília Malbec 2012 para tentarmos harmonizar e checar o resultado. E não é que ficou bom? O amargor das folhas com a crocância e leve gordura do jamon harmonizaram de forma interessante com a leve sensação de doçura que o vinho tinha em boca, aliada a taninos macios e uma boa acidez (até certo ponto incomum em vinhos Malbec). O vinho apresentava ainda aromas de compota de frutas, toques florais e algo de especiarias. Começávamos com o pé direito.


Seguimos então ao primeiro prato, um Risoto de Funghi Porcini bem cheiroso e saboroso. A escolha para harmonização já ficaria mais séria a partir daqui. E o vinho apresentado então foi o Don Nicanor Malbec 2010, um vinho já mais elegante, que descansou em barricas de carvalho por 18 meses. Aromas de frutas escuras bem maduras, algo de frutos secos (ameixa preta, uva passa) e baunilha em segundo plano. Bom corpo, taninos finos e macios e acidez bem postada. Complexo e equilibrado ao mesmo tempo, este vinho caiu bem com o risoto.


Chegamos na hora do segundo prato, e aqui a coisa era pra profissa. Massa com ragú de Ossobuco e o vinho para acompanhar? Nada mesmo que o Cadus Malbec Blend of Vineyards 2010, ou Tri Malbec para os íntimos. Este vinho é denominado desta forma pois as uvas Malbec utilizadas para produzi-lo vem de 3 vinhedos diferentes, que contam com solos e climas diferenciados ajudando na criação de um vinho complexo e elegante. Passa ainda por 12 meses em barricas novas de carvalho francês. Tudo isso resulta num vinho incrível, frutos vermelhos e negros em sintonia juntamente com aromas de madeira, baunilha e toques de flores e especiarias. Em boca é encorpadão, taninos redondos e boa acidez. Confirma a complexidade olfativa também em boca. Fica por muito tempo no paladar. Um vinho especial, sem dúvidas. E claro, na minha opinião, o campeão da noite. Combinou divinamente com a massa e o ossobuco.


Fica o agradecimento especial a Nieto Senetiner, sua assessoria de imprensa, Casa Flora e demais organizadores pelo convite e pela chance de participar do jantar. Uma maneira estilosa de comemorarmos o #MalbecWorldDay.

Até o próximo!

terça-feira, 15 de abril de 2014

Encontro de Vinhos OFF - São Paulo 2014

Como meus leitores mais assíduos já devem saber, o Encontro de Vinhos é um evento itinerante que visita diversas capitais brasileiras, e outras cidades menores, divulgando muito mais do que vinhos, divulgando toda cultura que o envolve além de gastronomia e oportunidades imperdíveis de dividir o conhecimento com outras pessoas, formadores de opiniões, jornalistas e muito mais. E o evento está de volta agora à São Paulo. A data se aproxima, dia 21 de abril, próxima segunda-feira, e o evento estará armado no Casa da Fazenda, no Morumbi, das 14 as 22h. E o melhor de tudo, o dia é feriado (Tiradentes) e a cidade estará tranquila e sem trânsito? Quer mais incentivo que esse?


Agora para quem não conhece ou quer relembrar sobre o assunto, o evento funciona mais ou menos assim: você chega, faz o credenciamento, pega uma taça e percorre as mesas em que os expositores terão o maior prazer em conversar contigo, mostrar os vinhos e claro degustar e aprender muito. E para quem estiver em busca de bons preços e boas oportunidades, diversos expositores aproveitarão o evento e venderão seus vinhos a preços especiais. Confira abaixo um resumo das informações:

Encontro de Vinhos OFF São Paulo 2014
Data: 21 de abril (feriado!)
Local: Casa da Fazenda – Av. Morumbi, 5594 – Morumbi, SP
Horário: das 14h as 22h
Convite: R$ 60,00

Os convites serão vendidos na hora por R$ 60,00 mas poderão ser comprados com antecedência aqui no site com desconto exclusivo. E lembre-se: se você é associado da SBAV ou da ABS, tem 50% de desconto. Não perca esse evento. Venha provar vinhos espumantes, brancos, rosés, tintos de dezenas de produtores e importadores.

Ainda restam dúvidas? Acessem www.encontrodevinhos.com.br e façam contato. Eu recomendo e estarei por lá! Quem sabe não nos encontramos?

Até o próximo!

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Degustar taças? Como assim?

É esse o desafio que meu amigo João Filipe, da Vino & Sapore e do blog Falando de Vinhos, está propondo a nós, enófilos de plantão. E como isso funciona? Vejamos a seguir.


Todos já estamos carecas de saber que um bom vinho, quando degustado em uma taça de boa qualidade, tem suas virtudes amplificadas. Mas é evidente que só a taça não faz o vinho. Entretanto, se um determinado vinho é degustado em uma taça considerada ideal e em outro "recipiente" qualquer, há uma diferença notória. Esta é a proposta do evento "Desmistificando Enochatices: Taças de Vinho, Necessidade ou Frescura?". A Vino & Sapore se associou a famosa marca de taças Riedel para promover um tira teima sobre o assunto, também conhecido como Riedel Tasting. No evento serão provados 4 tipos de vinhos em 4 tipos específicos de taças Riedel (que correspondem a casta do vinho a ser degustado. A partir daí será possível descobrir se a taça realmente faz a diferença quando degustamos um vinho.

Ao final da degustação será servido também um menu degustação especial, criado em conjunto com o restaurante Escondidinho, da Granja Viana. No ato de sua reserva você poderá escolher o prato que vai querer juntamente da entrada disponível. 

Ficou interessado? Entre em contato com contato@vinoesapore.com.br ou pelo telefone (011) 4621-6343. Se eu fosse você faria isso rápido, as vagas (em torno de 50) costumam se encerrar rapidamente.

Até o próximo!

Bodas de Papel com Orus Pas Dosé Rosé de Adolfo Lona

Dizem que quando comemoramos o primeiro aniversário do nosso casamento, estamos comemorando as "Bodas de Papel". E isso se deve pois se atribui ao papel, características de fragilidade do material, assim como na relação, pois o primeiro ano seria o período mais conturbado, mais frágil do casamento, onde se cria a aceitação do outro numa convivência em comum. Existem ainda outras atribuições menos usadas, como o papel se relacionar com o "contrato" assinado no casamento, os planos do casal que saem do papel, enfim, muitas são as possibilidades. A verdade é que, independentemente do que o papel significa, é uma data muito especial quando se tem certeza de que está ao lado da pessoa certa, a pessoa que você escolheu para estar sempre ao seu lado. E para comemorar esta data especial eu escolhi o vinho espumante Orus Pas Dosé Rosé de Adolfo Lona, que eu trouxe de lá em recente visita à diversas vinícolas do Rio Grande do Sul (lembrem aqui).


Não sou profundo conhecedor de vinhos espumantes, eu reconheço, mas dos que eu tenho provado ultimamente e de tudo que já provei até hoje, posso afirmar com toda a certeza de que os vinhos espumantes produzidos por Adolfo Lona estão no top da categoria no Brasil. Este espumante é um Extra Brut Rosé que não recebe adição de açúcar no licor de expedição (por isso o Pas Dosé) e foi elaborado com uvas Chardonnay, Pinot Noir e Merlot. Passa 24 meses em contato com as leveduras. É feito em lotes de aproximadamente 628 garrafas anuais e o lote do qual este vinho espumante faz parte foi liberado em Setembro de 2013 ao mercado. A garrafa que abrimos era a de número 88. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor rosa alaranjada, lembrando aquela pele de cebola roxa, sabe? Borbulhas minúsculas, persistentes e bastante barulhentas. Forma uma coroa elegante na taça.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas cítricas e vermelhas, toques de mel e panificação (fermento). Bastante complexidade e ao mesmo tempo todos aromas facilmente identificáveis.

Na boca o vinho tinha bom corpo, boa cremosidade e uma acidez extremamente refrescante. Retrogosto confirmando o que haviamos sentido no nariz. Final longa, refrescante e delicioso!

A comemoração não poderia ser melhor. Eu, minha esposa, muito amor e um belo vinho espumante para acompanhar. De qualquer forma, eu recomendo o vinho para qualquer ocasião, vale e muito. E que venham as próximas bodas.

Até o próximo!

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Vinho & Rock n'roll: Capítulo Megadeth!

Parece que a moda de associar uma banda e/ou artista famoso a uma marca de bebida, no nosso caso vinho, pegou de vez e depois de muitos outros como Motorhead, Kiss, Whitesnake, AC/DC e outros, chegou a vez do Megadeth. E parece que o Megadeth decolou feito um foguete a sua vendagem de vinhos, desde o seu lançamento no mês passado. De acordo com o enólogo Vernon Kindred, da Vinícola Fallbrook, o Mustaine Vineyards Cabernet Sauvignon já é um sucesso.


Dave Mustaine e sua esposa, Pam Casselberry, compraram uma casa perto de Fallbrook, em San Diego County, e há alguns meses durante um passeio até a calçada da vinícola, resolveram se apresentar. O que começou como uma conversa casual, rapidamente se transformou em um projeto de vinhos muito real, e o Mustaine Vineyards Cabernet Sauvignon California Symphony Interrupted Select 2012, com preço sugerido de 40 dólares a garrafa, vendeu todas as 59 caixas produzidas em menos de 72 horas.

Tanto Dave quanto a Pam estiveram totalmente envolvidos na escolha do blend, e eles entraram de cabeça no processo produtivo, ajudando inclusive a engarrafar o vinho. E o resultado acabou gerando um vinho realmente muito bom. O vinho foi apresentado como uma harmonização ao próximo show de Mustaine, Sinfonia Interrompida, em conjunto com a Orquestra Sinfônica de San Diego em 12 de abril (também  já esgotado). Ainda segundo o enólogo Kindred, tanto Dave quanto Pam conseguiram ganhar muito conhecimento acerca do processo de vinificação e devem continuar com muito projetos sobre vinhos no futuro.

Uma pena que por aqui este tipo de vinho não chega com tanta facilidade, a não ser que algum leitor viaje pra fora do país e traga uma garrfa na mala. Imaginem degustar este vinho e deixar rolar um "Symphony of Destruction" no som? Todo o peso dos riffs de guitarra e a voz potente de Mustaine junto ao corpo que normalmente encontramos nos Cabernet Sauvignon junto a seus taninos rascantes fariam sem dúvida, um bom conjunto! É ou não é uma bela harmonização?

Até o próximo!

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Restaurante Per Paolo & Amarone della Valpolicella Classico Zenato 2007

Comemorando os 3.4 em grande estilo!


Existe maneira melhor do que comemorar mais uma primavera vivida ao lado de pessoas que você ama, boa comida e bom vinhos? Pois foi partindo dessa premissa que eu comecei a comemorar meu aniversário no dia 04 passado, escolhendo o restaurante Per Paolo para a missão. E a escolha se deu por uma série de fatores: sou fã de carteirinha do proprietário do restaurante, o Carlos Bertolazzi; adoro cozinha italiana; observando o menu on line, os preços me pareceram justos; tem uma taxa de rolha amigável (onde você pode levar seu próprio vinho e pagar R$ 25,00 pelo serviço adicional) entre outros. 

Carlos Bertolazzi é descendente de italianos e filho de uma grande chef de cozinha que, mesmo tendo sua formação inicial em administração, resolveu seguir os passos da mãe além de sua vontade e vocação, que era cozinhar. Já passou por diversos restaurantes de peso, dentro e fora do país, em sua carreira desde a formação em gastronomia e tendo inclusive ganho alguns concursos por ai. Além disso é um grande empreendedor e desde que assumiu os negócios da mãe, também entrou como sócio do Zena Caffé e atualmente é dono da rede de restaurantes Per Paolo. Por fim, tem um programa de culinária chamado "Homens Gourmet" no canal Fox Life (anteriormente no canal Bem Simples, também do grupo FOX) onde junto com outros três chefs, ensina a arte de cozinhar e receitas bacanas para o público em geral.

A unidade de Perdizes (a nossa escolhida) do restaurante Per Paolo é pequena porém bem aconchegante, contanto com uma lotação que não deve exceder aos 40 lugares, sendo que além de poder consumir os pratos ali no local, estão a vendas diversos tipos de massas frescas e secas, molhos de tomate e afins e outras coisitas mais para quem quer se aventurar pela cozinha. O cardápio conta do que há de mais tradicional na cozinha italiana com toques modernos criados pelo próprio chef e proprietário. Pode-se encontrar várias opções de bruschettas, quiches, risottos, nhoques, massas frescas, secas e recheadas, além de carnes e peixes. E ai residia o problema: o que escolher? Como eu havia levado um vinho de casa, o Amarone della Vapolicella Classico Zenato 2007, restringi um pouco mais minhas opções.


Escolhidos os pratos, não houve qualquer decepção! Fomos de Ossobuco, divinamente braseado e suculento ao extremo, junto a um risotto de açafrão e parmesão al dente e cremoso, sem ficar "pegajoso" demais e medalhões de filé mignon ao molho de cogumelos (ao ponto para mal passado) com gnocchi ao molho de gongonzola; o filé estava desmanchando na boca ao passo que o gnocchi se mostrava ao mesmo tempo tenro e bem cozido aliando leveza a pegada mais forte do gorgonzola.


















Como eu já havia comentado anteriormente, o vinho que eu escolhi para acompanhar o jantar especial foi o Amarone della Valpolicella Classico Zenato 2007. A Vinícola Zenato se encontra em uma propriedade na região de Costalunga, na Itália. Lá são plantadas as uvas Corvina, Rondinella e Oseleta, que dão origem ao vinho que tem grande reputação mundial: o Amarone. Este vinho é produzido com as seguintes proporções: 80% Corvina, 10% Rondinella, 10% Oseleta e Croatina. Passa por um mínimo de 36 meses em barricas de carvalho antes de ser engarrafado. De coloração rubi tendendo ao granada, este vinho se mostrou deveras fragrante e perfumado. Notas de frutos escuros secos em primeiro plano, toques florais, madeira e especiarias muito bem integrados e se revezando na taça numa segunda etapa. Corpo denso, boa acidez e taninos marcados, porém de excelente qualidade e prontos para ser bebidos. Mostra estrutura para evoluir ainda em garrafa. Retrogosto confirma o olfato e o final fica por muito tempo no palato. Um vinho incrível, pra chamar de meu!

E você acha que iríamos parar por aqui? Já que era dia de "festa e alegria"(dizia a música), por que não fecharmos a noite com uma bela sobremesa? E eis que a idéia vingou e fomos de Tiramisu, delicioso, não muito doce com o café na medida deixando aquele gostinho de quero mais e também de Semifreddo, um delicioso creme de chocolate branco e preto congelado com uma calda quente de chocolate incrível! 

Depois de toda esta orgia gastronômica e felicidade repartida com as pessoas que fazem parte da minha vida, era hora de nos despedirmos e rumarmos em direção a nossa casa, satisfeitos e muito felizes por tudo que havia sido aquela noite especial. O restaurante Per Paolo realmente possui uma comida muito boa e com sua taxa de rolha amigável, é possível fazer uma refeição interessante a preços convidativos. Eu recomendo.

Até o próximo!

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Vinícola Angheben: fechando o ciclo!

Finalizando hoje a série de relatos de visitas a vinícolas que fizemos em nossa última viagem a Serra Gaúcha, como não poderia deixar de ser, vamos falar um pouco da Vinícola Angheben. Esta já estava no radar antes mesmo de partirmos rumo ao Vale dos Vinhedos, em virtude de já ter passado por lá outra vez e além de contar com vinhos muito bons, o seu Idalêncio e seu filho Eduardo são pessoas fantásticas e que eu ansiava por revê-los e ouvir mais um pouco de histórias do mundo do vinho.

Lá chegando fomos prontamente recebidos pelo seu Idalêncio, que com aquele sorriso no rosto cativa desde o primeiro contato. O Eduardo, mais atarefado, corria de um lado pro outro só aguardando a chegada de mais uma leva de uvas para produção dos belos caldos. São ainda exemplos de produtores artesanais que levam muito amor e dedicação aos vinhos. Eduardo curiosamente chama seu Idalêncio de irmão mais velho, mostrando como a relação deles transcende a família e o trabalho. Como já conhecia um pouco da história deles, a conversa rolou descontraída sobre assuntos diversos. Mas vale relembrar um pouco sobre eles.


O seu Idalêncio trabalhou por 20 anos na Chandon, famosa fabricante de espumantes, mas que em determinado momento da vida decidiu que queria prosseguir com um negócio que pudesse chamar de próprio, fundando assim em 1999 a Vinícola Angheben. A vinícola não possui vinhedos próprios, pois entenderam que no momento a prestação de assessoria em vinhedos de terceiros traria maior vantagem e tempo/investimento dedicados a elaboração dos vinhos, com a ajuda de seu filho. Há controvérsias, mas me parece que no caso a decisão fora acertada dada a qualidade dos vinhos por lá produzidos. Aliando técnicas modernas de enologia com produções limitadas e de alta qualidade além do uso moderado e consciente da madeira (em média de 4 a 6 meses) os resultados demonstrados tem sido excelentes lembrando em muitas ocasiões mais vinhos do velho mundo do que do novo mundo.

Dito isso, passamos então a parte sensorial da visita: a degustação. Fomos apresentados a praticamente toda a linha de vinhos que eles possuem. Entre vinhos espumantes, brancos e tintos, pode-se dizer que a Vinícola Angheben tem um portfólio deveras interessante. A seguir vou destacar dois vinhos, seguindo mais ou menos a linha de postagem usada até aqui para falar sobre as visitas que fizemos.


O primeiro vinho que destaco é um branco, varietal e feito com 100% com a uva Gewürztraminer, que é o Angheben Gewürztraminer 2012. Tais uvas encontraram no terroir de Encruzilhada do Sul condições ideais para seu cultivo. E as impressões não poderiam ser melhores: um vinho de cor amarelo palha com tendência ao dourado, aromas de frutos tais como lichia e damasco com toques florais intensos sendo que em boca apresenta corpo médio, boa acidez e um final que deixa lembranças por um longo período. Sem dúvida um branco impressionante. 


Por fim, como não poderia deixar de ser, sem dúvidas meu vinho preferido: Angheben Teroldego 2008. Este vinho varietal é elaborado com uvas 100% Teroldego, originária da região de Trentino na Itália e que, segundo o produtor, também se adaptou bem ao terroir de Encruzilhada do Sul. Passa por algo entre 6 a 8 meses em barricas para afinamento e depois ainda um pouco nas caves antes de ser comercializado. Possui coloração violácea de grande intensidade. Nos aromas frutos escuros bem maduros, tons de baunilha, couro, tabaco e toques terrosos. Na boca tem corpo médio, boa acidez e taninos marcados, porém macios e de boa qualidade. Confirma em boca tudo que foi encontrado no olfato. E mais do que isso, continua tão bom quanto minhas memórias acusavam.

O que dizer quando fechamos assim, com chave de ouro, nossas visitas as vinícolas no Vale dos Vinhedos? Oportunidades de conhecer e rever pessoas incríveis, grandes vinhos provados, vistas e paisagens deslumbrantes e a certeza de que o Brasil me parece no rumo certo no tocante a produção de vinhos em solos gaúchos. Eu recomendo a você leitor que nunca teve oportunidade de estar por lá, ou mesmo para quem já esteve, de visitar o local, é interessante para toda a família!

Até o próximo!

terça-feira, 8 de abril de 2014

Primeiro Tour Oficial à Bourgogne em português e com certificado!

Imaginem a oportunidade de visitar uma das regiões vinícolas mais famosas da França e do mundo (para não se dizer a mais famosa), provando seus míticos vinhos produzidos principalmente com a uva Pinot Noir, conhecendo alguns dos mais peculiares terroirs no mundo, tendo como guia o cara escolhido para ser o embaixador da região e de tais vinhos no Brasil, com tudo falado em português e o melhor, com certificado ao final de tudo? Esta é a proposta aqui.


O Comitê Regional de Turismo da Bourgogne, junto a École des Vins da Bourgogne, o Hotel LE CEP e Jean Claude Cara, embaixador dos vinhos da região no Brasil, convidam a todos para o Primeiro Tour Oficial à Bourgogne.

O aluno vai aprender tudo sobre os vinhos da Bourgogne neste tour combinado com curso certificado em português na École des Vins da Bourgogne, tanto na teoria como na prática através de várias degustações em sala de aula e em visitas às melhores vinícolas da região, além de almoços e jantares harmonizados. Finalizaremos a viagem com uma aula de Gastronomia Bourguignonne, em um Château especialmente reservado para o evento, em que o prato principal será "cortejado" pelo Grand Cru de Romannée Saint-Vivant do mítico Domaine de la Romannée Conti, safra 2000.

Se houve interesse, eu recomendo que se apressem pois são somente 16 vagas. Ah, e tem um must: os 4 primeiros a efetuar a reserva terão o upgrade de seu quarto no hotel, uma cortesia do Hotel LE CEP. Quer mais informações?

Acessem: http://www.windowstravel.com.br/eletters/franca_bourgogne_oficial/franca_bourgogne_oficial5_resumo.html

Até o próximo!

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Confraria Pane, Vinum Et Caseus: Santa Catarina em destaque!

Depois de um longo e tenebroso recesso, a Confraria Pane, Vinum Et Caseus estava as voltas com mais uma reunião. E desta vez, apesar dos inúmeros vinhos que provamos, histórias que dividimos e amizades que celebramos, resolvi contar a história de uma maneira um pouco diferente do habitual. Espero que gostem.

O presidente da Confraria, Fábio Barnes, e seus vices sempre preparam as reuniões de forma a que um tema seja explorado, sem que haja detrimento dos demais vinhos e/ou pratos degustados durante a noite. Desta vez coube ao Confrade John a escolha do tema e seleção dos vinhos. E ele não teve dúvida: dada suas andanças por terras catarinenses, ele nos brindou e apresentou vinhos de Santa Catarina. No lado gastronômico, nosso eterno "chef" italiano Luiz Grandisoli nos proporcionou agradáveis momentos de esbórnia com pães caseiros com azeite e massa com molho de linguiça. Divinos!

Nos últimos anos, Santa Catarina tem se colocado como um dos melhores terroirs do Brasil para a produção de vinhos de qualidade. E motivos para tal não faltam. Ser uma região que conta com altitudes entre 900 e 1300 m, com temperaturas mais baixas e um comportamento peculiar do clima são apenas alguns deles. Lá é possível ainda observar uma maturação mais tardia das uvas, com a colheita se estendendo por meados de abril e as vezes começo de maio, ou seja, fora das chuvas do final da estação e já no início do outono, que naquelas altitudes já traz noites bem frias. Dentre as vinícolas mais conhecidas e já com pé fincado no mercado de vinhos nacionais, podemos citar a Quinta da Neve, Sanjo e mais recentemente a Abreu & Garcia, que serão alvos também dos vinhos comentados neste post.


Começamos então com a Vinícola Quinta da Neve e seu Quinta da Neve Cabernet Sauvignon/Merlot/Touriga Nacional 2011. Esta vinícola foi uma das pioneiros no investimento e produção de vinhos na região da Serra Catarinense, sendo que o início do plantio de uvas viníferas na propriedade começou no ano de 2000. Tem hoje em produção uma área de 15 hectares plantados com os cultivares Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Chardonnany, Merlot, Sangiovese e Sauvignon Blanc além de mais de uma dezena de outras variedades ainda em teste. Apostando nesta nova tendência e no crescimento da região, a Quinta da Neve acredita ainda no plantio de mais 20 hectares de uvas bem como expansão da área produtiva e no número de garrafas produzidas por ano para os próximos anos. Sobre o vinho provado na reunião da confraria, confesso que não guardei muita informação sobre o mesmo, mas vamos as impressões. De cor violácea de média intensidade, mostrou também lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas. Aromas florais, frutos maduros e especiarias. Na boca é redondo e macio, fácil de beber, acidez na medida. Retrogosto confirmando o olfato. Final de média duração. Na minha opinião, entre os catarinenses provados na reunião, o melhor. 


Passamos então a Vinícola Sanjo, que faz parte da Cooperativa Agrícola de São Joaquim, sendo que a implantação de vinhedos para a produção de vinhos finos se deu em 2002, com o auxílio das mais recentes tecnologias existentes até então. Provamos o vinho ícone da vinícola, o Sanjo Maestrale Cabernet Sauvignon 2007. Este vinho é produzido com uvas selecionadas cultivadas nos vinhedos mais altos, que ultrapassam os 1300 metros de altitude. Depois passa por amadurecimento em barris de carvalho francês durante doze meses, sedo que depois de engarrafado, segue o seu ciclo de maturação nas caves até estar pronto a ser liberado ao mercado. Já apresentava uma cor um pouco mais evoluída, tendendo a um rubi com halo granada. Aromas de frutos escuros, especiarias e toques herbáceos. Notas de tostado e baunilha também se faziam presentes. Corpo médio, boa acidez e taninos marcados, porém de boa qualidade. Retrogosto confirmando o olfato num final de média duração. Um vinho elegante, sem exageros e/ou defeitos, que vale conhecer.


Finalmente chegamos a Vinícola Abreu & Garcia. Movida pelo ideal e pelos sonhos de todos empreendedores que trabalham e vivem o vinho, a família Abreu Garcia escolheu sua propriedade em Campo Belo do Sul para o que esta se tornando mais uma vinícola de destaque no mercado brasileiro de vinhos. São empregados por lá o uso de moderno maquinário italiano na vinificação e o tratamento de resíduos, entre outras iniciativas. O vinho provado na reunião foi o Abreu & Garcia Cabernet Sauvignon/Melort. Este exemplar catarinense é produzido em um corte de 90% de uvas Cabernet Sauvignon e 10% Merlot, envelhecido por 12 meses em barrica. Cor violácea de grande intensidade. Aromas de frutos escuros, especiarias e toques florais. Coco em evidência, acaba dominando os aromas depois de determinado tempo. Taninos macios, corpo médio e acidez na medida. Retrogosto confirma o olfato. Final de média duração. Dos três vinhos provados na noite, a meu ver, o mais fraco. Madeira em demasia. Deve agradar o paladar médio do brasileiro, entretanto.

E assim nos despedíamos de mais um grande encontro da Confraria Pane, Vinum Et Caseus onde pudemos além de conhecer vinhos novos, rever pessoas tão queridas e que já estávamos sentindo muitas saudades. E que venham as próximas reuniões.

Até lá!

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Epicerie agora é Evino & recebe aporte financeiro internacional

Fundo alemão investe R$ 1,6 milhão em loja online de vinhos no Brasil

Uma das maiores lojas online de vinho do Brasil, a Epicerie anuncia uma série de novidades em 2014 para enriquecer ainda mais a experiência de descoberta e compra de vinhos pela internet. A empresa, que nasceu em 2013 com a proposta de democratizar o consumo de vinho no Brasil, entra em 2014 com novo aporte de capital e aposta na renovação da marca, em sua importação própria e no lançamento de novos serviços e produtos para se consolidar ainda mais no mercado.


A primeira mudança anunciada é no nome da empresa, que a partir de março passou a se chamar evino. “A alteração é resultado da percepção de dificuldade, por parte de nosso consumidor, em assimilar o conceito de nossa antiga marca. O vocábulo francês Epicerie, que significa empório ou mercearia, não era facilmente compreendido por todos e frequentemente gerava dificuldade para pronunciá-lo. A estratégia foi conceber uma marca global, curta e moderna, de rápida associação ao universo dos vinhos e de fácil memorização”, explica Ari Gorenstein, cofundador da evino.

O recente aporte para os avanços na empresa veio da Project-A, fundo de investimento alemão cujo foco é investir em empreendimentos de rápido crescimento nas áreas de internet e mobile. Em janeiro deste ano, o evino recebeu um investimento de R$ 1,6 milhão, que se soma aos R$ 3 milhões recebidos em setembro passado. A empresa, que em 2013 contabilizou mais de 20 mil pedidos e vendeu mais de 100 mil garrafas, tem expectativa de encerrar o ano de 2014 com faturamento de R$ 15 milhões.

A evino atua em um modelo focado em descoberta e conforto, e vai seguir ampliando sua gama de produtos exclusivos, fruto de importações próprias e curadoria de sua equipe de sommeliers. Além disso, continuará oferecendo rótulos com descontos entre 15 e 60%, e está expandindo seu sortimento com alguns dos vinhos mais renomados do mercado.

Em paralelo à mudança do nome, a nova evino lança o seu clube de assinaturas: o Lote evino. O processo é simples: o cliente escolhe o plano de assinatura que quer fazer e uma vez por mês os rótulos são entregues em sua casa, com comodidade e rapidez. A cada mês os sommeliers da casa vão garimpar dois rótulos de vinhos exclusivos para os membros do lote, que escolhem quantas garrafas querem receber dos dois selecionados. Os preços dos lotes variam entre R$ 99 e R$ 279 por mês de acordo com a quantidade de garrafas.

O objetivo é oferecer rótulos de vinho de altíssima qualidade, proporcionar mais comodidade e ainda garantir uma excelente relação custo/benefício. O cliente pode escolher não receber a seleção do mês, cancelar a assinatura quando quiser e o frete égrátis para alguns estados do Brasil, como São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná.

A “experiência Lote evino” segue com outra novidade: todo mês o apreciador vai receber um aroma típico do vinho para ampliar o repertório olfativo e o conhecimento do mundo vitivinícola. São 15 aromas e no primeiro mês de assinatura o cliente recebe uma caixa de madeira, o primeiro aroma e café para neutralizar odores. “Desde que criamos a marca, buscamos seguir um conceito de desmistificação do mundo do vinho. O kit de aromas é mais uma forma de reiterarmos nossa missão e contribuirmos para o conhecimento de quem está se iniciando, além de enriquecer a experiência daqueles com mais rolhas na bagagem”, finaliza Marcos Leal, cofundador da empresa.

Só nos resta torcer por empreendimentos deste porte por aqui, uma vez que a difusão do consumo do vinho no Brasil precisa crescer. Sorte a nova evino.

Até o próximo!

Guia do Vinho Brasil às Cegas 2014

Caro leitor, você consumidor costumas de vinho, se imagine na seguinte situação: estais sempre em busca de referenciais para sua compra e as sistemáticas de pontuação dos críticos famosos sempre aparecem quando procuramos por tais referências, certo? E todos sabemos que tais referências, podendo ou não estarem agrupados em um livro, por exemplo, normalmente vem de um autor-degustador ou equivalente. Agora imagine se você pudesse ter um livro onde os avaliadores foram convidados a participar das degustações sem nenhum tipo de informação prévia. Era só receber uma ligação e lá estavam os degustadores a avaliar uma média de 25 vinhos por sessão. Além disso, o grupo de degustadores raramente se repetia. E que ao final, mais de 800 vinhos disponíveis no mercado estavam avaliados, vinhos para todos os gostos e bolsos. Pois bem, é disso que eu estou falando, bebê!


Este livro, lançado a pouco no mercado tem os dedos de Beto Duarte (wine blogger e jornalista), Cristiano Orlandi (wine blogger) e Mauricio Tagliari (wine blogger entre outras muitas atribuições). E é o pioneiro de sua "espécie", ao menos lançado no nosso mercado. A sistemática de avaliação leva em conta o sistema da OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho) de 100 pontos como nota máxima para cada vinho. Dentre os avaliadores do guia temos jornalistas, wine bloggers, sommeliers, lojistas e afins. E é claro, sinto me honrado e muito feliz de ter feito parte de um número destas degustações e ter contribuído para que mais pessoas possam entrar para o mundo dos vinhos com algum direcionamento, algo que não tive na minha época de iniciação (não que eu seja um expert agora, aliás, longe disso). 

A última informação que obtive é que o livro ainda não se encontra em venda nas editoras e livrarias, mas você pode conseguir um exemplar contatando os autores/editores através do endereço eletrônico: brasilascegas@hotmail.com. Eu, se fosse você, escreveria neste momento. Mais do que recomendado!

Até o próximo!

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Espumantes Adolfo Lona: Dedicação e paixão!

Retomando mais uma vez nosso pequeno apanhado das visitas que fizemos às vinícolas do sul do país na semana do carnaval, chegou a vez de contar sobre uma visita que eu tinha muita ansiedade sobre, que era visitar a Adolfo Lona Vinhos Espumantes. E minha ansiedade se dava ao fato de já ter provado um baita vinho espumante por ele produzido mas também pelo número de histórias que ouvia falar a respeito. Será que toda ansiedade se traduziu numa visita "pra se lembrar"? É o que veremos a seguir.


Antes de prosseguirmos porém, um parenteses para respondermos a pergunta: mas afinal, quem é Adolfo Lona? Adolfo Lona nasceu na Argentina (Buenos Aires) e se formou em enologia na meca do vinho argentino, Mendoza. Chegou ao Brasil como contratado para assumir a direção técnica da Martini e Rossi no tocante a novos projetos relacionados a vinhos e espumantes, onde permaneceu por 30 anos. Ao fim deste relacionamento tão duradouro e frutífero, Adolfo Lona partiu para a realização de um sonho pessoal, o de possuir sua própria produtora de vinhos. Fecha parenteses.

Quando pensamos em vinícolas, mesmo as que já vinhamos visitando ao longo de nosso passeio, sempre pensamos em ao menos um grupo de pessoas trabalhando no local. Nossa surpresa foi quando, ao chegarmos a sede de produtora de vinhos, em Garibaldi, fomos carinhosamente recebidos pelo Roberto, que seria nosso anfitrião durante a visita. Na sala de recepção, pediu que aguardássemos um momento, pois estava terminando outra atividade e logo nos receberia, atividade esta que mais tarde entenderíamos que era engarrafar os vinhos espumantes. Sim, queridos leitores, o Roberto é o faz tudo da produtora de vinhos e braço direito do seu Adolfo Lona (que infelizmente não se encontrava por lá no dia). E era isso, esses eram os funcionários da vinícola, seu Adolfo e o Roberto.

Falando um pouco da companhia em si, a Adolfo Lona Vinhos Espumantes é uma pequena produtora de espumantes na cidade de Garibaldi, no Rio Grande do Sul. Sua produção artesanal é extremamente limitada. Produz vinhos espumantes tanto pelo método tradicional como pelo método charmat. Adolfo conseguiu criar um lugar único quase que na "garagem" do lugar, gerando condições propícios para a produção de seus vinhos. E isso sem o auxílio de equipamentos ultra modernos e grandes. Tais condições vieram a se mostrar ideais para a produção de espumantes da mais alta qualidade. Quando falamos de produção pelo método charmat, no entanto, a coisa muda um pouco de figura e o seu Adolfo utiliza instalações e equipamentos de terceiros, não deixando porém de acompanhar um só segundo, o ciclo de vida de sua cria. 

A medida que passeávamos pelas instalações, era possível ver onde cada etapa da produção era executada, desde o engarrafamento, colocação da rolha, remuage, congelamento do bico, enfim, cada etapa com as explicações do Roberto (que inclusive mostrava na prática algumas etapas) se tornava uma aula. Mas é claro que depois de tudo isso, vinha sempre a parte organoléptica da visita: a degustação. E foram escolhidos dois vinhos espumantes para provarmos, sobre os quais falarei um pouco a seguir.


O primeiro deles foi o Adolfo Lona Brut Rosé, espumante elaborado pelo método charmat e que possui em sua composição Chardonnay e Pinot Noir. Este vinho é mais fresco, fácil de beber e entender. Tinha uma coloração salmão puxando casca de cebola roxa com borbulhas minúsculas, extremamente abundantes e persistentes. No nariz o vinho alternava frutos vermelhos frescos com toques cítricos, lembrando um pouco de abacaxi e limão siciliano. Na boca tem boa cremosidade, aliando ainda boa acidez e e estrutura média. Retrogosto confirma olfato e o final é de média para longa duração. Sem dúvida um belo vinho espumante. 


O último deles foi o Adolfo Lona Nature Pas Dosé, este um vinho espumante produzido pelo método tradicional e que já apresentava maior complexidade e merece mais atenção ao ser degustado. Este vinho tem uma curiosidade. Além de conter em sua composição Chardonnay e Pinot Noir, tem uma pequena parcela de Merlot vinificado em branco, a qual se atribui uma certa diminuição na acidez a fim de tornar a experiência com o espumante mais agradável. Outro aspecto importante a ressaltar é que esse espumante não tem adição de açúcar. Por fim passa 18 meses em contato com as leveduras. De cor amarelo dourada, possui também borbulhas incrivelmente pequenas e persistentes. Já apresenta aromas de fermentação, mel, manteiga e toques de damascos secos. Na boca é muito cremoso, acidez na medida e complexidade incrível. Confirma o olfato sem dúvida e deixa uma incrível e agradável lembrança no palato por um bom tempo. Sem dúvida, um grande vinho espumante. De se beber e refletir sobre a vida, sem dúvidas.

Com certeza uma visita para permanecer na memória. O único porém foi não ter cruzado com o seu Adolfo Lona para ouvir suas histórias incríveis sobre o mundo dos vinhos. Motivo mais do que suficiente para voltar em outra oportunidade. E assim, deixávamos pra trás mais esta visita.

Até o próximo!