segunda-feira, 30 de junho de 2014

Bargaço Recife & Muga Branco 2012: Frutos do mar, Copa do Mundo, vinho


E eis que a oportunidade, talvez única na vida, apareceu para poder acompanhar um jogo ao vivo, de dentro do estádio, nesta Copa do Mundo de 2014 que esta ocorrendo aqui no Brasil. E quis o destino que mais do que isso, a cidade escolhida fosse Recife, lugar que eu ainda não conhecia mas que, mesmo sendo quase um bate e volta, eu tentaria fazer de tudo para aproveitar cada minuto na cidade. E no intuito de deixar as coisas mais simples pedi dicas a uma amiga, também blogueira (Fabiana Gonçalves do blog Escrivinhos), que mora em Recife e poderia me ajudar a poupar esforços. E foi assim que depois de acompanhar o jogo Croácia e México na Arena Pernambuco fui jantar no Restaurante Bargaço, em Recife.

Créditos da imagem: site do Bargaço

A rede de restaurantes Bargaço foi criada em Salvador há mais de quatro décadas, oferecendo a tradicional culinária baiana que sempre caracterizou seu cardápio, em especial os pratos de peixes e frutos do mar. Na unidade de Recife, a cozinha é comandada pelo chef Rosendo Victor. Localizado na praia do Pina, o restaurante Bargaço oferece uma gostosa vista para o mar e o ambiente climatizado de seu interior é gostoso e agradável para ir a dois ou mesmo em mais pessoas. A maioria das opções do cardápio serve duas pessoas mas é melhor perguntar ao seu garçom ou mesmo mensurar o tamanho da sua fome. Existem ótimas opções de entradinhas e petiscos que podem complementar sua refeição. Com um cardápio diversificado fica até difícil escolher, mas nossa opção foi o "Grelhado Misto" que conta com lagosta, camarões, polvo e peixe (não me recordo qual era o peixe, mas varia um pouco com a sazonalidade segundo nosso garçom) em quantidades mais do que suficientes para duas pessoas. O prato acompanha ainda um arroz de açafrão. Tudo estava muito gostoso, no ponto e saboroso. O serviço é um pouco lento e confuso mas dou um voto de confiança pois neste dia muitos estrangeiros estavam no restaurante de uma única vez e talvez isto tenha atrapalhado um pouco. Por um valor bem justo pelo padrão do restaurante, uma boa opção para quem está em viagem passando por Recife.




E claro que tudo isso não poderia deixar de ser regado a um bom vinho, não é mesmo? E a nossa opção recairia sobre um vinho branco numa tentativa de harmonização com o prato escolhido. Depois de uma boa olhada sobre a carta de vinhos, que é boa e diversificada, optamos pelo Muga Branco 2012, um vinho espanhol de renome e que a tempos eu tinha a curiosidade de provar. 

A Bodegas Muga é uma das mais famosas da região de Rioja, na Espanha, e está localizada no histórico bairro de La Estación (estação ferroviária do bairro) em Haro. As instalações tem quase dois séculos de idade, construídas principalmente de pedra e carvalho. Na verdade, o carvalho é primordial na adega. Há 200 depósitos de carvalho, bem como 14 mil barris, feitos de diferentes tipos de carvalho variando de carvalho francês (Allier, Tronçais ou Jupilles), americano, húngaro, russo e até mesmo uma pequena remessa de carvalho espanhol. Os vinhedos da Bodegas Muga estão localizados no sopé dos Montes Obarenses, dentro da área chamada de Rioja Alta. O clima local é excepcional, devido, por um lado, a geografia singular e orientação das vinhas e por outro lado, os climas climas-mediterrânica, Atlântica e Continental circundantes são combinados harmoniosamente, criando assim um local de clima adequado para o cultivo da uva. Sobre o Muga Branco 2012, ele é feito com uvas Viura (90%) e Malvasia (10%). A fermentação é feita em barricas de carvalho francês e depois de finalizada, o vinho permanece sobre as lias por 3 meses antes de ser engarrafado. Vamos as impressões?


Na taça o vinho apresentou uma bonita cor amarelo dourado com reflexos verdeais, bom brilho e transparência. . Lágrimas finas, um pouco mais lentar e sem cor também faziam parte do conjunto visual. 

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos tropicais (abacaxi e pêssego), floral, além de toques de baunilha, mel e leve amanteigado. 

Na boca o vinho se mostrou ao mesmo tempo fresco (boa acidez) e untuoso (bom corpo). Retrogosto confirma o olfato. Final de longa duração.

Par perfeito para o nosso prato de frutos do mar, fechando com chave de ouro o nosso primeiro dia de estadia em Recife. E que viessem mais momentos agradáveis antes de regressarmos a São Paulo.

Até o próximo!

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Vinhedos de Barolo obtiveram o status de Patrimônio Mundial da UNESCO

Os vinhedos usados ​​para produzir os famosos vinhos italianos Barolo e Barbaresco (e suas respectivas DOCG) na região do Piemonte, na Itália, foram nomeados com o status de Patrimônio Mundial da UNESCO. O Comitê do Patrimônio Mundial das Nações Unidas, reunidos em Doha, esta semana, acrescentaram as paisagens e vinhedos do Piemonte (Langhe-Roero e Monferrato) ao seu grupo de elite de lugares e práticas culturais e naturais. A lista inclui as cidades de Barolo, Castiglione Falletto Grinzane Cavour, La Morra, Monforte d'Alba, Novello e Serralunga d'Alba na DOCG Barolo, bem como Barbaresco e Neive na DOCG Barbaresco.

Créditos da imagem: Consórcio Barolo & Barbaresco

Existem hoje 1007 lugares na lista da UNESCO e agora os vinhedos do Piemonte agora se juntam aos de Saint-Emílion em Bordeaux e aos métodos de vinificação tradicionais georgianos na representação dos vinhos por lá. Isso deve incentivar os produtores a assumir a responsabilidade por seu ambiente imediato, persuadi-los a adaptar as práticas vitícolas mais respeitadoras ao meio ambiente, de fato apontar para o cultivo/produção orgânicos. Uma parada para o uso ainda generalizado do herbicida seria um começo óbvio.

O governo da Itália alega que pólen de vinhas foi encontrado na área datando do século 5 AC. O Piemonte ainda era visto como uma das melhores áreas de cultivo de vinha, na Itália, durante o Império Romano. E tem mais, Pietro Ratti, presidente do Consórcio local para Barolo e Barbaresco, disse que a listagem dá "reconhecimento adequado" para os produtores de vinho que têm preservado a paisagem da região e respeitando suas tradições.

A indicação e posterior "eleição" do Piemonte é um bom augúrio para ambos Champagne e Borgonha, que eram foram indicados no início deste ano para também adquirirem o status de Patrimônio Mundial da UNESCO pelo governo francês. Uma decisão é esperada para 2015.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Pol Clément Rosé Sec: A hora e a vez da França na taça

Em nossa tour pelos vinhos que representam os países participantes da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, chegamos na vez do representante francês. E como o clima é de festa neste mês, acabei optando por um espumante para tal. Eu confesso que o mundo vinícola Francês não é de total domínio por minha parte e que, quando saímos de Champagne, pouco conheço dos espumantes de lá. Mas como esta oportunidade apareceu para que pudéssemos provar este vinho, vamos a ele. Estou falando é claro do Pol Clément Rosé Sec.

Pol Clément Rosé Sec

Este vinho é produzido no Vale do Loire pela gigante CFGVCompagnie Française des Grands Vins. A CFGV foi fundada em 1909 por Eugêne Charmat, inventor do método de produção que leva seu nome, Charmat, onde a segunda fermentação ocorre em tanques de inox (autoclave). Líder e historicamente conhecida como um dos precursores no desenvolvimento do mercado de vinhos espumantes francês (com mais de 80 milhões de garrafas por ano e que representam mais de 18% das vendas de vinhos espumantes), a CFGV exporta seus produtos para mais de 50 países ao redor do mundo, gerando cerca de 25% do seu volume de negócios em exportação. No Brasil, o Pol Clément é um dos espumantes mais vendidos e surpreende a todos pelo seu incrível custo x benefício.

Já sobre o vinho espumante em questão, o Pol Clément Rosé Sec, podemos dizer que é produzido com as uvas Cabernet Franc, Gamay e Pinot Aunis (casta tinta autóctone da região do Vale do Loire) e cuja a segunda fermentação ocorreu em tanques também chamados de autoclave além de repousar nas caves por mais 6 meses antes de ir ao comércio. Vamos as impressões?

Na taça o vinho espumante apresentou uma coloração laranja acobreada com bom brilho. Borbulhas em quantidade média, pequenas e bem persistentes.

No nariz o vinho espumante mostrou aromas de frutos vermelhos como morango e cereja além de pão e tostado.

Na boca o vinho espumante é bem fresco em virtude de sua boa acidez, com um corpo médio e uma leve cama de espuma a se formar. Retrogosto confirma o olfato em um final de média duração.

Um vinho espumante correto, ideal para paladares menos iniciados no mundo vinícola e que deve ir bem com entradas, canapés e beliscos para os dias de jogos da copa. Vale conhecer. Eu recomendo!

Até o próximo!

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Domus Dei Reserva 2007: Vinho espanhol na taça

Em homenagem ao selecionado espanhol que decepcionou na Copa do Mundo 2014 no Brasil, resolvi tomar um vinho espanhol. E como em minha adega não tinha muitas opções, o vinho que veio parar em minha mesa foi o Domus Dei Reserva 2007

Domus Dei Reserva 2007

Pelo que entendi, a Bodega Domus Dei faz parte de um conglomerado de vinícolas espanholas, o Familia Belasco, que está no mundo do vinho desde 1881, vinícolas estas que estão espalhadas por diversas regiões da Espanha tais como Navarra, Toro, Rioja, Rueda e mais recentemente até na Argentina. Tais vinícolas se destacam em suas regiões por investirem em tecnologia e produzirem vinhos muito bons para o mercado nacional e internacional. Já sobre o vinho, o mesmo é feito com 100% de uvas Tempranillo da DO Rioja, sendo que passa por amadeurecimento de 18 meses em carvalho francês e mais 18 meses de descanso na garrafa antes de ser liberado ao mercado (segundo legislação e critérios da própria bodega). Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor rubi violácea com reflexos granada. Lágrimas finas, rápidas e sem cor escorriam pelas paredes da taça.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos vermelhos e escuros bem maduros, especiarias, toques de baunilha e coco. Ao fundo da taça algo de tostado também.

Na boca o vinho se mostrou encorpado, com taninos redondos e macios e uma boa acidez. Retrogosto confirma o olfato. Final de longa duração.

Um belo vinho espanhol que, ao contrário do selecionado de futebol de seu país, não decepciona e entregou muita qualidade. Eu recomendo.

Até o próximo!

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Lovico Gamza Reserve 2009: Muita história na taça!

Não é sempre que conseguimos provar iguarias e bebidas que nos remetem a nossos antepassados e quando isso acontece, é um momento especial. Para quem não sabe, tenho antepassados do leste europeu, mais especificamente da Bulgária e Romênia. E qual não foi minha surpresa quando, ao receber minha remessa da Winelands Clube do Vinho deste mês, me deparei com vinhos oriundos da Bulgária. Sim caríssimo leitor, vinhos raros de se encontrar por aqui e diferentes do que estamos acostumados. E resolvi ainda compartilhar com vocês este fato hoje aqui com os relatos sobre Lovico Gamza Reserve 2009.


O vinho é produzido pela Vinícola Lovico Suhindol, na região de Suhindol, especificamente ao norte dos pés do montes das Balcãs e na parte sul da Planície do Danúbio, na Bulgária. O terreno é do tipo planície -montanhosa simples, com superfícies polifaciais e exposição do sudeste e do leste do sul, com inclinação de 2 a 6 graus e altitudes de 230-350 metros acima do nível do mar. Em termos de clima, esta região é abrangida pelo domínio climático continental europeu. A Vinícola Lovico Suhindol possui cerca de 300 hectares de vinhedos próprios na região, dentre os quais se destacam as castas Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay, Mavrud, Syrah, Cabernet Franc, Muscat, Sauvignon Blanc, entre outras, bem como a Gamza - uma casta emblemática autóctone do país. Foi fundada em 1909 e é uma das mais antigas do país além de ser um dos principais exportadores de vinhos da Bulgária, com a história das exportações datando desde 1914 e com destinos em mais de 40 países em 5 continentes. Hoje a vinícola é um dos principais nomes na indústria produtora de vinho da Bulgária. A implementação de métodos de vinificação moderna, aliada à tradição e experiência de mais de 100 anos de prática de negócios, garantem a criação de vinhos com o verdadeiro caráter búlgaro e de muita qualidade. Sobre o vinho, o Lovico Gamza Reserve 2009, não resta muito a dizer a não ser que é feito com 100% de uvas Gamza e que passa 6 meses em carvalho para amadurecimento. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi de média para grande intensidade com toques granada. Lágrimas finas, rápidas, em grande quantidade e incolores também compunham o conjunto visual. 

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos vermelhos maduros com leve balsâmico de fundo. 

Na boca o vinho apresentou taninos finos, macios e redondos com uma boa acidez e corpo médio. Retrogosto confirma o olfato. Final de média duração.

Um vinho no mínimo diferente, evoluido e que agrada paladares um pouco mais exigentes e acostumados com o mundo do vinho. Vale conhecer e provar. Eu recomendo um tempo de aeração prévio ao consumo. 

Até o próximo!

sábado, 21 de junho de 2014

Esquina Mocotó & Primeira Estrada Syrah 2010: um ode a brasilidade!

Em meio a toda reação nacionalista que uma Copa do Mundo no Brasil conseguiu criar em mim, nada mais interessante que aproveitar a oportunidade de conhecer um restaurante que a tempos ouvia falar a respeito e mais do que isso, aproveitar também a oportunidade de provar um vinho que também a tempos despertava minha curiosidade. Assim surgiu a minha visita ao Esquina Mocotó, restaurante de comida nordestina que fica localizado na Zona Norte de São Paulo.

O Esquina Mocotó é o irmão mais novo, por assim se dizer, do seu vizinho, o Mocotó. Rodrigo Oliveira, chef e dono de ambos os restaurantes, busca no seu filho mais novo, o Esquina Mocotó, criar suas próprias receitas baseadas em produtos nordestinos e locais, aliados a uma alta gastronomia de ponta. Podemos dizer que são receitas modernas que exaltam o paladar brasileiro. O cardápio é sucinto e variado ao mesmo tempo, com destaque para as porções e aperitivos sem deixar de citar, é claro, as entradas e os pratos principais de cair o queixo.


Nossas escolhas não foram simples, mas certeiras e deliciosas. Começamos a petiscar com um prato de petiscos chamado "Porcaria", composto por terrina da casa, embutidos da família Cinque, presunto Salamanca, porco na lata, dadinho de porco e conservas de cebolas. Incrivelmente saboroso, cheio de nuances e texturas, que juntas se tornam um deleite para os paladares mais ávidos. Para acompanhar estas iguarias ainda vem junto uma cesta de pães artesanais e azeite. Para muitos isso já seria suficiente mas como estávamos lá e muitas outras iguarias estavam prontas para serem degustadas, resolvemos provar um pouco mais e nos focamos nas entradas do menu. Fomos então de "Cróque", que nada mais é do que uma paçoca de pato, ovo de gema mole com suspiro de jiquitaia por cima e fomos também de "Tartare de carne-de-sol" com carne curada por três dias, conservinhas da casa (picles de abóbora) e torradas amanteigadas. Comer de joelhos seria um insulto, pois a cada porção que colocava na boca parecia que flutuava rumando ao céu, tocando diretamente o meu coração. Que refeição dos sonhos. Provavelmente umas das melhores refeições que já fiz na vida.


Ai vocês me perguntariam, pela lógica, qual foi o vinho escolhido para acompanhar tal refeição, certo? Como esse nosso Brasil é cheio de surpresas, a carta de vinhos do Esquina Mocotó também apresenta boas opções de vinhos brasileiros até aqui desconhecidos por mim. Eis que o destino sorriu para nós e a oportunidade que eu tanto queria apareceu: eu iria provar o vinho Primeira Estrada Syrah 2010! Este vinho é feito em Minas Gerais, mais precisamente na região cafeeira de Três Corações pela Vinícola Estrada Real. Lá, em virtude do clima e da localização, a Vinícola Estrada Real inova aplicando a técnica de inversão do ciclo de vida da videira, uma vez que a maturação das uvas acontece na época do Outono/Inverno ao invés do que normalmente acontece na Primavera/Verão. Isto ocorre devido a este período ser mais seco e ensolarado na região, criando condições propícias para se obter uvas mais maduras e sãs. A safra 2010 é a inicial e contou apenas com cerca de 10 mil garrafas. Passa 12 meses em barrica de carvalho. Vamos ver o que este vinho mostrou para nós?


Na taça o vinho mostrou uma cor violácea de grande intensidade, com bom brilho e pouca transparência. Lágrimas finas, rápidas e bem coloridas. Já no nariz o vinho abriu com aromas de frutos escuros maduros, pimentas e toques de baunilha e tostados. Na boca o vinho mostrou corpo médio, boa acidez e taninos finos e macios. Retrogosto confirma o olfato. Final de média para longa duração. Um perfeito acompanhante para este refeição brasileira do começo ao fim.

Se eu recomendo? É preciso mesmo dizer? Acho que quem me lê e está em São Paulo, não pode perder a oportunidade. E para visitantes ocasionais, uma dica de passeio que irá fazer valer o paladar e seu bolso, pois os preços não são tão altos assim. Já estou armando uma outra visita, pois há muito a desbravar por lá. Quem sabe não nos encontramos por lá?

Até o próximo!

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Winebar de lançamentos da Vinícola Salton & Salton Septimum 2009

Em meio a toda a agitação que vivemos no Brasil em virtude da Copa do Mundo, a Vinícola Salton mais uma vez em conjunto com o Winebar, resolveu mostrar mais alguns de seus lançamentos para o ano vigente. Como já sabemos por aqui (mas não custa relembrar), dia de Winebar é sempre mais um dia de degustação de vinhos bacanas, trocar idéias com pessoas diferentes de vários lugares deste Brasil e é claro, aprender mais sobre vinhos, neste caso sobre vinhos brasileiros e sobre a Vinícola Salton. Além dos responsáveis pelo Winebar, Daniel Perches e Alexandre Frias, tivemos por parte da Vinícola Salton o Gregório Salton (enólogo a 8 meses da empresa) e a Daiane e a Tais, do laboratório de controle da empresa.


Falar sobre a Vinícola Salton seria como, desculpem o clichê, chover no molhado. Com seus mais de 100 anos de história, é uma das principais vinícolas do Brasil, sem sombras de dúvidas, e tem uma extensa gama de produtos, dos mais simples aos mais complexos, que atendem a todos os nichos de consumidores. E é com base neste conceito que a família Salton, agora em sua 3a geração a frente do negócio, vem trazendo os resultados até aqui demonstrados. Melhor mesmo falarmos dos vinhos, não concordam? Desta vez os vinhos que seriam provados, todos lançamento da Vinícola Salton, seriam o Espumante Salton Intenso, o vinho tinto Salton Paradoxo Merlot e o vinho top da vinícola, o Salton Septimum.

Infelizmente não consegui degustar todos os vinhos e portanto falarei apenas do vinho que consegui degustar, que foi o Salton Septimun 2009. Do contra rótulo do vinho: "Há mais de um século, sete irmãos consolidaram as raízes da Vinícola Salton. Agora, a mesma sintonia faz do Septimun e suas sete castas um vinho sofisticado e harmonioso". Este vinho é um corte composto de 7 castas: Tannat, Ancelota, Merlot, Cabernet Franc, Teroldego, Cabernet Sauvignon e Marselan. Para aumentar a complexidade, o vinho foi fermentado e estagiou 18 meses em barricas de carvalho. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi violácea de grande intensidade, algum brilho e também pouca transparência. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas também complementavam o aspecto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas vermelhas e escuras maduras, especiarias, tabaco e tostado.

Na boca o vinho se apresentou encorpado e corpulento, taninos macios e redondos e uma boa acidez. Retrogosto confirma o olfato com uma madeira um pouco acentuada. Final de longa duração.

Salton Septimum 2009 e toda sua estrutura acompanhou bravamente um lombo de porco temperado, assado em forno baixo e extremamente suculento juntamente com batatas cozidas e levemente cítricas com toques de limão siciliano. Que delícia!

E assim foi mais um Winebar com parceria da Vinícola Salton. Grandes vinhos (que provei e ainda irei provar), boas notícias da vitivinicultura nacional e claro, muito aprendizado com a galera que sempre está presente. Honrados por estarmos dentro deste seleto grupo que participa destas degustações, deixamos os agradecimentos aos organizadores e a própria Vinícola Salton e nos despedimos por aqui.

Até o próximo!

terça-feira, 17 de junho de 2014

Como ou quando se iniciou o uso do termo "Novo Mundo" para vinhos?

O termo "Novo Mundo" (ou "Mundus Novus", em latim) foi usado pela primeira vez pelo explorador italiano Amerigo Vespucci (Américo Vespúcio) e seus contemporâneos no final dos anos 1400 e início de 1500. Desde então, os termos "Velho Mundo" e "Novo Mundo" têm sido usados ​​como uma maneira de dar contexto a diferenças encontradas entre o Velho Mundo (Europa basicamente) e em toda a parte, especialmente quando se trata de plantações e animais. As lentilhas são uma cultura do Velho Mundo; lhamas são um animal do Novo Mundo, por exemplo.

É verdade que tem se produzido vinho nas Américas do Norte e do Sul, Austrália e Nova Zelândia por centenas de anos, mas não foi até a industrialização da produção de vinho e sua subseqüente exportação que o uso dos termos "vinhos do Novo Mundo" e "vinhos do Velho Mundo" realmente começou a decolar.

Estes termos começaram a ser usados como uma maneira de, não só descrever a origem de um vinho, mas também para definir um estilo baseado em expectativas climáticas, ou seja, que os vinhos do Novo Mundo eram cultivados/produzidos em climas tipicamente mais quentes, com aromas e sabores mais maduros. Mas nos dias de hoje, os termos estão mais tortuosos do que nunca, com um conjunto mais diversificado de regiões, enólogos, métodos e mudanças climáticas, estas definições se fazem cada vez mais confusas. Uma definição interessante que li recentemente é que as regiões de vinho do Velho Mundo tem plantado principalmente uvas autóctone enquanto as regiões do Novo Mundo dependem principalmente de uvas importadas. Isso coloca a Grécia, por exemplo, no Velho Mundo, mas Israel no Novo Mundo, mesmo que isso possa parecer contra-intuitivo.

O que é importante ressaltar é que o mundo do vinho tem se tornado cada vez mais diversificado. Eu entendo como é tentador rotular vinhos em diferentes categorias para tentar dar sentido a todas as nossas escolhas. Mas com novos enólogos, novos métodos, as regiões emergentes e mudanças climáticas, eu percebo que cada vez mais o mundo do vinho se tornou complexo e cheio de nuances para o dividirmos em apenas duas grandes regiões. E para você leitor, qual sua opinião sobre o assunto?

Até o próximo!

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Estrelas do Brasil Brut Riesling Itálico: Embalando a Copa do Mundo!

Lágrimas nos olhos, emoções a flor da pele. Eu sei que é difícil explicar para quem não é um torcedor fanático por futebol, como eu, o que aconteceu no dia de ontem. Ainda mais por ser corinthiano, e ver que nosso estádio finalmente saiu do papel e abriu uma Copa do Mundo. Além disso comemorávamos o "Dia dos Namorados", o segundo ao lado de minha esposa. Mas focando no assunto do blog, para embalar e comemorar a vitória brasileira ante a seleção da Croácia, nada melhor do que um espumante brasileiro. O escolhido: Estrelas do Brasil Brut Riseling Itálico ISV1 2013. E para acompanhar e nos deleitar os quitutes: mussarela de búfala a milanesa e brusquetas de presunto parma e mussarela de búfala. 


A Estrelas do Brasil foi fundada em 2005 tendo como objetivo principal de atuação focado na elaboração e comercialização de vinhos espumantes finos de qualidade. O nome ESTRELAS DO BRASIL é uma homenagem especial ao descobridor Dom Pérignon que no ano de 1670 na região de Champagne, França, após desvendar esta magnífica bebida saiu gritando "Estou Provando Estrelas". Além do emprego de novas tecnologias, como o uso de leveduras encapsuladas que fazem com que o processo de remuage não se faça necessário na produção de seus vinhos espumantes ou mesmo a produção de um belo Proseco através de um método de única fermentação ao melhor estilo Asti, prezam pelo meio ambiente e saúde de seus consumidores. Conta com quase que único meio de vendas seu website na internet.


Falando um pouco sobre o vinho espumante em questão, o Estrelas do Brasil Brut Riseling Itálico ISV1 2013, ele é o primeiro vinho espumante elaborado no Brasil com uvas 100% do clone Riesling Itálico ISV1, e a tomada de espuma se deu com levedura especial (encapsulada) através do método Charmat, em um período de quatro meses desde o início da fermentação até o engarrafamento. Vamos as impressões?

Na taça o vinho espumante apresentou uma coloração amarelo palha com reflexos verdeais, muito brilho com um perlage bem fino, delicado e persistente.

No nariz o vinho espumante apresentou aromas de frutas tropicais principalmente, tendendo ao pêssego e abacaxi. 

Na boca o vinho espumante se mostrou com muita cremosidade, boa acidez e corpo leve. Retrogosto confirma o olfato. Final de média duração.

E assim, com a vitória da seleção, a família, petiscos e um bom vinho espumante, fechamos o dia com chave de ouro. Que venham os outros jogos e datas a se comemorar.

Até o próximo!

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Espumante Montchenot Extra Brut 2012: Borbulhas vindas da Argentina

A Bodegas Y Viñedos Lopez representa um caso excepcional na indústria do vinho na Argentina pois começou em 1898 e continua até hoje nas mãos da família fundadora, sendo mais de 116 anos de tradição. Seu fundador, José López Rivas, chegou em 1886 vindo da aldeia de Algarrobo em Málaga, na Espanha, onde se dedicou juntamente com sua família as videiras e oliveiras. Ele decidiu instalar seus vinhedos no país (Argentina) e escapar de uma praga devastadora, a filoxera, que afetou as vinhas por toda a Europa. Em 1898, ele estabeleceu-se definitivamente em Mendoza, e o peso da tradição vinícola da família Lopez não tardou a surgir. No mês de março deste mesmo ano começou a fazer os seus próprios vinhos nas melhores áreas da província, produzidos até os dias atuais com vinhas próprias e um princípio que permanece desde então: controlar todas as etapas da produção dos vinhos, cuidando e supervisionando cada detalhe.

Espumante Montchenot Extra Brut 2012

Falando um pouco sobre o vinho espumante alvo do post, o Espumante Montchenot Extra Brut 2012, podemos dizer que o mesmo é feito a partir das uvas Chardonnay, Semillon e Pinot Noir de vinhedos localizados em  Stone Cross (Alto Vale do Rio Mendoza), departamento de Maipú e Campo Vidal em Tupungato, ambos na província de Mendoza. O processo de segunda fermentação acontece em tanques de aço inox. Vamos as impressões?

Na taça o vinho espumante apresentou uma coloração amarelo palha com alguns reflexos dourados. Borbulhas bem pequeninas, abundantes e persistentes, formando uma bonita coroa. 

No nariz o vinho espumante mostrou aromas de frutos tropicais como abacaxi e pêssego e toques florais e de mel.

Na boca o vinho espumante apresentou boa cremosidade, certa untuosidade e uma gostosa e refrescante acidez. Forma bom colchão de espuma. Retrogosto confirma o olfato com muita fruta. Final de média para longa duração. 

Um bom vinho espumante para o dia a dia, bem feito e sem defeitos. Acompanha uma boa conversa ou mesmo uma refeição rápida e despretensiosa. Convida ao próximo gole. Realmente não é só de Malbec que vivem os nossos hermanos. Eu recomendo.

Até o próximo!

terça-feira, 10 de junho de 2014

Champagne Gosset Excellence Brut: Harmonizando amizades!

A amizade pode ter diversos significados, mas entre eles, alguns se destacam: sentimento de amigo, afeto que liga as pessoas, reciprocidade de afeto e amor. Esse sentimento e essa relação social criam oportunidades ideais para juntarmos as pessoas que nos fazem bem e celebrarmos a vida em qualquer ocasião, não importando o que acontece ao redor. E foi em uma destas oportunidades que juntamos os amigos e degustamos o Champagne Gosset Excellence Brut, e em tamanho família, aliás 3 litros de pura alegria.


A Maison Gosset Champagne é a mais antiga e tradicional casa de Champagne, mantendo seu know how desde 1584. Por mais de quatro séculos, um grande cuidado foi tomado para preservar este know-how da família na confecção de seus vinhos de Champagne. Em 1584, Pierre Gosset, vereador de Ay e viticultor, fazia vinhos tranquilos, principalmente tintos, com as uvas colhidas de suas próprias vinhas. Naqueles dias, dois vinhos disputavam um lugar de destaque na mesa dos reis da França: o vinho de Ay e, a partir de várias centenas de léguas mais ao sul, os vinhos de Beaune. Ambos eram feitos das mesmas variedades de uva: Pinot Noir e Chardonnay. Em seguida, no século 18, os vinhos feitos em Ay e no seu entorno começou a borbulhar. Hoje, os vinhos da Maison Gosset ainda são apresentados na garrafa antiga, idêntica a utilizada desde o século 18. Em 1994, a casa foi vendida ao grupo Renaud-Cointreau (propriedade familiar e também os proprietários de Cognac Frapin). Sob a nova gestão, a Gosset conseguiu aumentar a sua produção para um milhão de garrafas em 2005. A maison é agora liderada por Jean-Pierre Cointreau e exporta 65% de sua produção para mais de 70 países. Em 2009, enquanto se preparava para celebrar o 425o aniversário de Gosset, Jean-Pierre Cointreau tomou a decisão de comprar novas instalações em Epernay: 2 hectares de parque com construções que datam do século 19, mais 1,7 km de caves com uma capacidade de armazenamento de 2, 5 milhões de garrafas e uma cuverie de 26.000 hectolitros. Este novo domínio é uma casa perfeita para a imagem e a reputação da Maison Gosset. Parte da produção ainda está em Ay que permanece sede da Gosset.


Falando um pouco mais sobre o Champagne Gosset Excellence Brut, o mesmo é feito a partir das uvas Chardonnay (36 %), Pinot Noir (45 %) e Pinot Meunier (19%). Pelo que pude apurar, o vinho base amadureceu por pelo menos dois anos em barricas. Não consegui identificar no entanto o período em que o vinho fica em contato com as leveduras na garrafa. Enfim, vamos as impressões.

Na taça o champagne apresentou uma coloração amarelo dourada límpida e brilhante. Borbulhas em abundância, de tamanho bem pequenino e com muita persistência. 

No nariz o champagne mostrou aromas de frutos tropicais e cítricos, como pêssego, maçã verde e abacaxi. Notas de panificação também podem ser notadas. 

Na boca o champagne se apresentou cremoso, encorpado e com uma acidez viva e gulosa. Retrogosto confirma o olfato. O final é de longa duração, muito refrescante.

Agradecer aos amigos e a oportunidade de degustar essa maravilha seria o mínimo. Impressionante o tamanho da garrafa. Torcer e sonhar com outras reuniões como esta é o que me resta. E levantar as mãos para os céus e pedir que as amizades durem para sempre!

Até o próximo!

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Valmarino Cabernet Franc XIII 2008: Um vinho brasileiro de sobrenome

Sexta feira cansativa, cidade caótica com manifestações, greves, confrontos, chuva e tudo para tornar um dia convencional em uma verdadeira maratona combinam com uma pizza e um bom vinho em casa, não é mesmo? E foi assim que demos início aos trabalhos numa sexta feira qualquer, sacando o telefone do disque-pizza e vasculhando a adega em busca de algo interessante. E foi assim que o Valmarino Cabernet Franc XIII 2008 saiu da adega e foi parar nas nossas taças.


A Vinícola Valmarino está localizada em Pinto Bandeira, distrito do município de Bento Gonçalves, em uma região também conhecida como vinhos de montanha, dada que a altitude média dos vinhedos está ao redor dos 700 metros acima do nivel do mar. Apesar de ter sido fundada por Orval Salton, neto de Antonio Domenico Salton, esta vinícola nada tem de relação com a gigante Salton, a não ser o sobrenome. Esta inclusive era uma confusão que eu fiz algumas vezes, e peço desculpas agora que conheço um pouco melhor sua história. O nome da vinícola, Valmarino, remete ao local de origem dos antepassados da família, em Treviso, na Itália. A vinícola tem uma linha mais simples de vinhos para o dia a dia em bag in box (Tre Fraddei) seguidos de vinhos varietais e uma linha reserva bem interessante.

Já falando sobre o vinho, o Valmarino Cabernet Franc XIII 2008 é da linha reserva e por ser considerado top da vinícola sempre foi alvo de minha curiosidade. Este vinho foi criado para comemorar os 13 anos da vinícola e é um deleite em boca, mesmo pra pessoas como eu, que como sabem não sou profundo conhecedor nem fanático pela uva. Elaborado portanto com 100% de uvas Cabernet Franc de vinhedos próprios, passou cerca de 17 meses em barricas (70% do vinho) e ainda algum tempo em garrafa antes de ser comercializado. Sem mais delongas, vamos ao que interessa, as impressões sobre o vinho.

Na taça o vinho apresentou rubi violácea de média intensidade, bom brilho com lágrimas finas, rápidas e quase incolores.

No nariz o vinho mostrou aromas de especiarias, frutos vermelhos e toques lácteos e herbáceos. 

Na boca o vinho se mostrou encorpado e com taninos marcados, porém é equilibrado e com pouco álcool, o que o torna leve e fácil de beber também por sua agradável e refrescante acidez. Final de longa duração.

Mais uma prova de que os vinhos brasileiros podem apresentar qualidade aliada a preços competitivos. Fechou com chave de ouro o que tinha tudo pra ser um dia para ser apagado. Eu recomendo.

Até o próximo!

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Re Velado 2009: um vinho chileno que nasceu de um acidente

Pablo Morandé é o nome de um dos mais famosos enólogos chilenos, sendo da nona geração da família Morandé, que manejava a viña em Peñaflor e da quinta geração dos Lavín e Urrutia, com extensos vinhedos no Maule. Vale lembrar ainda do pioneirismo de Don Pablo na descoberta do Vale do Casablanca em 1982, hoje ocupado por inúmeras vinícolas que contestaram à época o seu potencial vitícola, e da sua crença nos velhos vinhedos de Carignan chilenos do Vale do Maule. Depois de toda esta experiência vitícola, veio então a decisão de produzir vinhos com a família, os filhos Macarena, Piedad e Paul tornam-se profissionais em viticultura e enologia, culminando em 2008 com a criação da Bodegas RE.


O conceito por trás da Bodegas RE é o de se produzir vinhos de carácter único, baseado em REcriar, REinventar e REvelar vinhos ancestrais desde relatos bíblicos até vinhos produzidos pela família em antigas e belas ânforas de argila. REnascem os vinhos de Belleza. Assim sendo,  preserva a história por trás das antigas ânforas da família ao mesmo tempo que demonstra que excelentes vinhos podem surgir se empregando técnicas ancestrais de produção dos mesmos. Desta maneira os vinhos são produzidos de maneira natural, se utilizando de leveduras indígenas e deixando o mosto em contato com as cascas dentro das "tinajas" (ânforas).

Já sobre o vinho em si, várias curiosidades. Por exemplo, o que é interessante é que este vinho vem de uma variedade de uva tinta, como a Pinot Noir, que é vinificada como rosé e posteriormente submetido a uma guarda oxidativa causada por uma vela de levedura, que o tornou incrivelmente rico e profundo. Mais do que isso, é uma raridade sobrevivente do terremoto de 2010 onde, ao contrário do que todos ao seu redor diziam, Pablo Morandé levou adiante o vinho, mesmo depois da quebra de muitas "tinajas" e do contato "excessivo" com o oxigênio. Depois disso tudo, acho que devemos falar sobre as impressões sobre o vinho, certo?

Na taça o vinho apresentou uma coloração âmbar com reflexos dourados, denso, viscoso e que parecia grudar nas paredes da taça.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos secos, mel, nozes, toques picantes e aquelas notas oxidativas, características do processo pelo qual o vinho passou. Enfim, é um vinho muito complexo e difícil de descrever aromaticamente.

Na boca o vinho se mostrou gordo, untuoso, preenchendo cada pedacinho do palato ao mesmo tempo que tinha uma acidez cativante. Embora tenha uma entrada "adocicada" o vinho é seco e confirma o olfato de maneira incrível. Tem um longo e delicioso final. 

O que mais posso dizer? Um vinho instigante, cativante, interessante e incrivelmente complexo e difícil de se descrever, mas que é um deleite para quem gosta de vinhos e quer sempre elevar seu paladar a outro nível. Provei este vinho graças ao Barão, a quem agradeço demais. Bom para se beber em boas companhias (amigos e família, como foi o caso). Eu mais do que recomendo!

Até o próximo!

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Já se imaginou dono de vinhedos na Borgonha?

É exatamente isso que um grupo de investimentos brasileiro está oferecendo, uma grande oportunidade, para investidores interessados. A propriedade se localiza na Côte Chalonnaise e seus vinhedos são da AOC Mercurey, fazendo divisa com 1ers Crus como o Mercurey Clos du Roi. A propriedade é um belo solar com parque e vinhedos no coração da Côte Chalonnaise. Propriedade típica do século XIX, estilo império, situada na cidade de Mercurey à 20 minutos de Chalon-sur-Saône e da Estrada A6.


Dentro da propriedade encontra-se um Clos de vinhedos de 2,5 ha AOC VILLAGE – Mercurey Rouge. E ainda: 

• Superfície total: 3,5ha;
• Superfície habitável: 350 m2 em dois andares;
• Térreo: Hall de entrada, cozinha, sala de jantar, 2 grandes salas de estar com lareira e decoração estilo Império;
• 1° andar: 7 quartos (dois deles com lareira);
• 2° andar: sótão que pode ser reformado e transformado em área habitável;
• Sob a casa, existem 3 grandes caves voutées.

 No imponente parque arborizado que circunda a habitação, encontra-se uma linda capela de estilo gótico com seus magníficos vitrais.

Sobre a localização: 

• à 10 minutos de CHAGNY, conhecida por seu marché e pelo seu restaurante estrelado “Maison Lameloise” (três estrelas no guia Michelin e eleito pelo Tripadviser como melhor restaurante do mundo em 2014);
• à 20 minutos de CHALON-SUR-SAÔNE;
• à 30 minutos de BEAUNE;
• à 50 minutos de DIJON.

Para maiores informações assista ao vídeo do link que contém a apresentação do projeto: 


Ou entre em contato pelo email: contato@vinhoetc.com.br

Até o próximo!

Château d'Orval 2009: Um vinho francês surpreendente!

Quando entramos no mundo do vinho, muito ouvimos dizer de Bordeaux na França, como a meca dos vinhos tintos mais encorpados e tal. Acontece que quando começamos a nos aprofundar no assunto, vemos que não é bem assim e que a diversidade de climas, solos e cortes (com as uvas permitidas por legislação em cada Apelação de Origem Controlada) gera uma infinidade de vinhos, desde os mais ordinários para o dia a dia até os mais famosos e considerados top do mundo vitivinícola. Mas, a parte mais legal disso é quando conseguimos encontrar vinhos que são para o dia a dia mas que ao mesmo tempo conseguem mostrar qualidades que nos satisfaçam enquanto consumidores de vinhos. E foi o caso deste Château d'Orval 2009.


O Château D'Orval é uma pequena propriedade no banco direito de Bordeaux, próximo a Saint-Émilion. Na prática, o que isso nos diz é que provavelmente no corte existe o predomínio da uva Merlot, uma vez que a mesma amadurece mais rapidamente e prefere climas e solos mais frescos. E isso se confirma quando checamos a ficha técnica do vinho: 80% de Merlot e 20% de Cabernet Sauvignon.  Além disso passou por nove meses de barricas de primeiro uso e mais seis meses de envelhecimento em caves antes de ser liberado ao mercado. Depois da teoria, que tal irmos a parte prática com as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi de média intensidade com halos violáceos, bom brilho, lágrimas finas, espassadas, rápidas e praticamente incolores.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas vermelhas maduras e ligeiro toque tostado. Ao fundo, algo de especiaria.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos finos, redondos e bem harmônicos com o restante. Retrogosto confirma o olfato. Final de média para longa duração. Um vinho ao mesmo tempo guloso e elegante.

Mas vocês devem estar me perguntando o por que do título, onde chamo o Château d'Orval 2009 de surpreendente, certo? Bem, um vinho com seu preço vindo de Bordeaux não se pode esperar muito mais do que o ordinário. Mas este é diferente! Delicioso, instiga a um novo gole após o outro e caiu bem demais com um risoto de alho poró e medalhões de filé mignon. Eu recomendo!

Até o próximo!

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Sottobosco Rosso di San Gimignano 2007: Vinho Italiano com saudades


É com lágrimas nos olhos e muito sentimento bom de saudades no peito que começo a escrever este post. Explico: este vinho veio na bagagem de minha viagem de lua de mel à Itália, e mais do que isso, é produzido na vinícola na qual celebrei meu casamento em plena Toscana. O Sottobosco Rosso di San Gimignano 2007 só me trás boas recordações e achei que era hora de tira-lo da adega e curtir uma noite com minha esposa e um bom fondue de carne ao vinho, afinal todo dia é dia de celebrar a vida.


Este vinho, conforme comentado acima, é produzido pela gigante italiana Tenute Niccolai em seu braço situado em San Gimignano, na Toscana, a Il Palagetto. A Tenute Niccolai tem seus vinhedos espalhados por diversas regiões da Itália. Falando especificamente deste vinho e da região em que foi produzido, dizem por lá que a Il Palagetto é o "coração" da Tenute Niccolai, também do ponto de vista emocional, sendo a primeira empresa adquirida pelo Comandante Luano Niccolai, fundador da empresa. Em torno da adega moderna, o potencial de produção de 5.000 hectolitros, um moinho e nada menos que 44 hectares de vinhedos plantados com Grenache, Chardonnay, Sauvignon Blanc, Vermentino, Sangiovese, Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah. San Gimignano é conhecida há séculos por seus vinhos brancos, mas sua vocação para os tintos pode ter ligação com sua localização, por estar no coração da Toscana. O "Sottobosco" é a expressão típica: ricos aromas inconfundíveis que só podem vir de sua origem toscana, mas ao mesmo tempo tão peculiar que pode ser ligado apenas a esta área.


Falando um pouco do vinho propriamente dito, o Sottobosco Rosso di San Gimignano, é um corte das uvas Sangiovese, Cabernet Sauvignon e Syrah de vinhas com idade média de 15 anos. Depois do processo de fermentação, passa por 16 meses em barricas de carvalho para afinamento/amadurecimento. Por fim ainda passa um ano em garrafa antes de ser liberado ao mercado. Atinge 14% de graduação alcoólica. Vamos às impressões? 

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea com reflexos granada e algum brilho. Lágrimas finas, rápidas, em abundância e coloridas complementavam o aspecto visual.

No nariz o vinho se mostrou muito aromático, com frutos vermelhos em primeiro plano, toque de pimenta, animal e algo terroso além de uma leve lembrança de coco.

Na boca o vinho se mostrou muito equilibrado, com taninos macios e redondos, acidez gulosa e bem presente e bem encorpado. Retrogosto confirma o olfato. Final de longa e deliciosa duração.

Um grande vinho sem dúvidas, que trás algumas das melhores lembranças de minha vida. Só confirmou tudo que eu já pensava sobre ele e sobre a vinícola. Eu mais do que recomendo.

Até o próximo!

terça-feira, 3 de junho de 2014

Driopi Classic Nemea Agiorgitiko 2011: Mais vinho grego por aqui!

O vinho em questão, o Driopi Classic Nemea Agiorgitiko 2011, é produzido pela Tselepos, uma vinícola situada na região do Peloponeso, Arcádia para ser mais preciso, e gerida pela família de mesmo nome. A propriedade foi fundada ao pé do Monte Parnon no final dos anos 80 sendo que hoje conta com mais de 40 hectares de vinhedos próprios e outros tantos de vinhedos de cooperados. A vinha da qual as uvas utilizadas neste vinho, a Agiorgitiko, são colhidas se encontra em uma propriedade de 8,5 hectares e fica na maior região de Koutsi (Nemea, Grécia), a uma altitude de 350 metros. O solo é de argila com declives, proporcionando boa drenagem. A colheita geralmente começa no final de setembro e termina em outubro.

Falando sobre o vinho em questão, é um varietal produzido a partir de uvas 100% Agiorgitiko de vinhas de mais de 40 anos proveniente da micro região de Koutsi dentro da denominação de origem Nemea na costa ocidental Peloponesa. A colheita é toda feita à mão para que as bagas possam ser muito bem escolhidas e a partir daí são vinificadas através da utilização de leveduras selecionadas. Antes de ser engarrafado na propriedade, o Driopi Classic Nemea Agiorgitiko 2011 estagia em barricas de carvalho francês de média tosta durante 10 meses e permanece por mais 5 meses em garrafa adquirindo complexidade antes de ser comercializado. Vamos as impressões.


Na taça o vinho mostrou uma coloração rubi violácea de média intensidade e bom brilho. Lágrimas finas, rápidas, em grande quantidade e ligeiramente coloridas.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas vermelhas frescas e toques de baunilha. 

Na boca o vinho mostrou corpo médio, boa acidez e taninos finos e macios. Retrogosto confirma o olfato. Final de média duração.

Um vinho interessante, saboroso e que vai bem para bate papos descontraídos com amigos ou com a esposa, com ou sem a companhia de comida. Vale conhecer.

Até o próximo!

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Os 10 posts mais lidos de Maio!

Segue abaixo a listagem dos 10 posts mais lidos no mês de Maio por aqui. A lista servirá para que você, intrépido leitor, relembre algum texto que mais gostou ou para você, visitante eventual que não acompanhou algum deles. A lista não está em ordem crescente e/ou decrescente de acessos, propositalmente, para não induzir a leitura de um post específico:











Até o próximo mês!

Pizzato Legno Chardonnay 2013: Um vinho brasileiro de respeito #CBE

E chegamos a mais um post da #CBE - Confraria Brasileira de Enoblogs, este para o mês de junho. E por coincidência ou não, eu fui o blogueiro designado a escolher o tema deste mês. E o mais engraçado é que eu já havia comentado com minha esposa que estava em dúvida sobre qual tema escolheria caso me fosse solicitado. E eis que ela, baseada na nossa viagem ao vale dos vinhedos, me deu a idéia que faltava: "Um vinho branco, de qqer casta e pais, com passagem por carvalho". E eis que chegamos aqui com o Pizzato Legno Chardonnay 2013.

Pizzato Legno Chardonnay 2013

A tradição da família Pizzato na elaboração de vinhos vem desde sua Itália natal, mesmo que em pequenas quantidades. Desembarcando no Brasil ainda no século XIX, a paixão pela vitivinicultura falou mais alto e começou-se então o processo de plantio e cultura de vinhos em solo brasileiro. Entretanto somente em 1998 o sonho da produção de vinhos para comercialização começou a sair do papel. Naquele ano a Vinícola Pizzato é constituída juridicamente e materialmente a partir de investimentos familiares. Estabelecido o negócio e, a partir da produção de uvas de parreirais próprios, inicia-se a vinificação no ano de 1999 com a elaboração do Pizzato Merlot em quantidade final de 15.500 garrafas de 750 ml. Nos anos subseqüentes, a excelência na elaboração de Merlots foi mantida, além de incorporar outras castas na elaboração: Cabernet Sauvignon, Tannat, Egiodola, entre outras. E a partir dai, muitos lançamentos depois, chegamos ao Pizzato Legno Chardonnay 2013.

O Pizzato Legno Chardonnay 2013 é um vinho produzido com uvas 100% Chardonnay de vinhedos próprios da Pizzato, em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, fruto da primeira incursão da vinícola aos vinhos brancos com passagem por madeira (este passa cerca de 8 meses em barricas de carvalho francês). É um vinho com o selo D.O. Vale dos Vinhedos, portanto, as uvas provêm exclusivamente dos vinhedos nessa região demarcada. Já estamos em sua terceira safra. Bem, deixando a "teoria" de lado, vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita e brilhante cor amarelo dourada. Lágrimas finas, rápidas e sem cor.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutas como abacaxi e pêssego em calda, mel, manteiga e um toque que depois de muito debater com minhas esposa, chegamos a conclusão que era algo como champignons.

Na boca o vinho se apresentou gordo, untuoso mas com uma acidez interessante que equilibrava bem. Retrogosto confirma o olfato. Final de média para longa duração que apesar das notas provindas da madeira, não era enjoativo ou pesado, muito pelo contrário, deixava ainda a sensação de quero mais.

Mais um grande vinho nacional que provei, de novo da Pizzato Vinhas & Vinhos, o que só demonstra a dedicação com que esta família trata a vitivinicultura no Brasil. Foi adiquirido no varejo da vinícola na ocasião de nossa visita em março deste ano. Eu recomendo!

Até o próximo!