domingo, 31 de agosto de 2014

Paula Blanco 2012: Voltando pra casa com estilo com um vinho espanhol!

Estava em uma viagem de trabalho por cerca de 15 dias e sinceramente, por mais legal e interessante que seja viajar a trabalho, chega uma hora que você quer voltar para o aconchego do lar e da família, dormir abraçando a esposa e enfim, comer uma boa comida caseira, enfim, tudo que somente nossa casa pode nos oferecer. E fui recebido com uma bela bacalhoada e tive que escolher um vinho gostoso para acompanhar. E o escolhido foi o Paula Blanco 2012.
O vinho é produzido pela Bodegas Castelo de Medina, na DO Rueda, na Espanha. A bodega foi fundada por três amantes do vinho em 1996, no coração da Denominação de Origem Rueda, em uma pequena cidade chamada Villaverde de Medina, na província de Valladolid (Espanha). Eles plantam, colhem e selecionam as uvas além de produzir e vender as garrafa de vinho no Castelo de Medina. Ano após ano, seus vinhos e serviços de excelente qualidade os tornar uma das vinícolas de maior reputação dentre outros atributos dentro da Denominação de Origem Rueda. Sua ampla gama de vinhos tintos, brancos e rosés já foram premiados nos principais concursos nacionais e internacionais, como resultado dos grandes investimentos em qualidade que veem fazendo em sua adega desde que foi fundada. A vinícola, que apresenta uma arquitetura tradicional castelhana (tijolo, pedra, ferro e madeira), é equipada com tecnologias avançadas para a produção de vinhos de alta qualidade. Embora esteja envolvida em contínuos projetos de pesquisa e desenvolvimento, é sempre mais importante a sua dedicação às tradições e princípios locais de vinificação.

Sobre o Paula Blanco 2012, um corte das uvas Verdejo, Sauvignon Blanc e Viura. Fermentou e estagiou por 3 meses em tanques de inox. Possui 13% de álcool. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor amarelo com tendências douradas, bom brilho e uma ótima transparência. Lágrimas finas, rápidas e incolores também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos tropicais como abacaxi e maracujá, leve lembrança de grama recém cortada além de um ligeiro toque empireumático de fundo (lembrando plástico).

Na boca o vinho apresentou corpo leve para médio e uma boa acidez. O retrogosto confirma o olfato e adiciona um toque mineral ao final que é de média duração.

O vinho foi bem com a bacalhoada, além de ser uma grata surpresa pelo pouco que tenho provado de vinhos espanhóis ultimamente. Recebi mais esse belo exemplar do Winelands Clube do Vinho, o clube que eu assino e recomendo.
Até o próximo!

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Caballo Loco No 13: Um vinho puro sangue chileno com estilo!

Na vida sempre temos que ver o lado bom das coisas e muitas vezes, celebrar nem que seja por um pequeno detalhe em um projeto ou realização que deu certo ou mesmo celebrar a própria vida, a família, enfim, as coisas e pessoas que nos fazem mover em frente. E como a vida é curta para bebermos vinhos ruins ou mesmo ficarmos guardando vinhos para "aquele" momento que talvez possa não vir, resolvi que era hora de tirar a garrafa do Caballo Loco No 13 da adega e colocar em nossa mesa. Agora resta nos saber o que o vinho tinha a nos mostrar.
 
 
O vinho é produzido pela Viña Valdivieso, um dos grandes produtores vitivinícolas do nosso vizinho Chile, e está neste mercado a mais de 100 anos tendo começado como uma das pioneiras na produção de vinhos espumantes. De lá pra cá, muitas linhas de vinhos se desenvolveram fazendo com que a Valdivieso se torna-se uma das maiores de seu país e produzisse ícones como o Caballo Loco e Éclat, por exemplo. Possui vinhedos em diversas áreas espalhadas pelos melhores terrenos no Chile e faz desta diversidade, seu maior trunfo.

Já sobre o vinho em si, o Caballo Loco No 13 é um blend de Cabernet Sauvignon, Malbec, Syrah e Carmenére baseado na seleção dos melhores vinhedos das melhores áreas de Chile: Do Alto Jahuel, área de Buin, no Vale do Maipo vem o Cabernet Sauvignon; de Apalta no Vale de Colchagua, vêem a Carmenére e a Syrah e finalmente Sagrada Família, no Vale do Curico é a casa das vinhas Valdivieso de La Primavera da onde vem as uvas Malbec. Enquanto o vinho não leva uma safra, ele tem um número de versão. Cada edição é única, contendo 50% da safra corrente e 50% da versão anterior, a qual é mantida para trás especialmente para a mistura (no caso do Caballo Loco 13 temos 50% da safra 2008 e os outros 50% restantes da mistura 1990-2007). Por fim, o vinho passa por 18 meses em carvalho francês. Vamos as impressões?
 
Na taça o vinho apresentou uma coloração violácea de grande intensidade, com algum brilho e quase nenhuma transparência. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas.
 
No nariz o vinho mostrou aromas de frutos vermelhos e escuros em compota, especiarias, baunilha e toques tostados. Bastante complexidade.
 
Na boca o vinho se mostrou encorpado, com uma boa acidez e taninos aveludados. Retrogosto confirma o olfato e o final é de longa e deliciosa duração.
 
Embora eu tenha dito que tinha terminado com a série de postagens sobre o Wines of Chile, mais um vinho chileno apareceu de novo em minha vida e por isso, não havia como não postar. Eu recomendo, um baita vinho.
 
Até o próximo!

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Falernia Pedro Ximenez 2013: Última e bela surpresa do #WinesofChileSP

Para fechar com chave de ouro a série de postagens que eu criei em homenagem ao evento #WinesofChileSP, restou falar de um vinho curioso feito com uma uva pouquíssimo usada fora de sua região de origem. Falaremos sobre isso daqui a pouco. Tudo isso por causa do Falernia Pedro Ximenez 2013.

O Falernia Pedro Ximenez 2013 é produzido pela Viña Falernia, na região do Vale do Elqui, no Chile. Esta região está mais ao norte do Chile, praticamente dentro do Deserto do Atacama. A Viña Falernia foi fundada em 1998, quando Aldo Olivier Gramola percebeu o potencial para a produção de excelentes vinhos neste vale semi-árido. Sua família é originária de uma pequena aldeia no norte da Itália (na Região de Trentino) chamada Dimaro e localizada nos Alpes em um belo vale chamado "Val di Sole". Mas em 1951 a economia italiana estava ruim das pernas, por isso, o pai de Aldo decidiu deixar o país e rumar ao Chile, tendo uma oportunidade com o plano de desenvolvimento que o atual presidente chileno, Gabriel Gonzalez Videla, e o primeiro-ministro italiano da época, Alcide Degasperi, tratavam então. Em maio de 1951, a família chegou na região de Coquimbo, como uma das 200 famílias da colonização. Aldo tinha então 12 anos, o mais velho de seus sete irmãos. Os Olivier começaram a sua vida no hemisfério cultivando vegetais ao Sul. Em 1972, depois de se casar, ele começou a plantar vinhas para produção de Pisco (a bebida símbolo nacional chilena) e, alguns anos mais tarde, ele estabeleceu sua própria destilaria de Pisco que rapidamente se tornou o terceiro maior produtor no Chile. O projetoda Viña Falernia nasceu em 1995, depois que ele conheceu seu primo Giorgio Flessati, um enólogo que trabalhava na região de Trentino, no norte da Itália. A Viña Falernia começou como um empreendimento inovador, pois é a propriedade vinícola mais ao norte do Chile, a uma distância considerável das principais áreas vitícolas do país.
 
Como dito anteriormente, esta uva não é muito comum no Chile, sendo oriunda da região da Andaluzia, na Espanha, e é responsável em parte pelo sucesso dos vinhos Jerez, entre vinhos secos e doces. O Falernia Pedro Ximenez 2013 é portanto um varietal feito 100% a partir de uvas Pedro Ximenez que após fermentação passa por 4 meses de envelhecimento sobre as leveduras. Vamos as impressões?
 
Na taça o vinho exibiu uma bonita cor amarelo palha muito brilhante e transparente. Reflexos verdeais e lágrimas finas, incolores e rápidas também complementavam o aspecto visual.
 
No nariz o vinho apresentou aromas de frutos tropicais tais como lichia, toques florais e lembranças minerais.
 
Na boca o vinho se mostrou de corpo leve pare médio e boa acidez. Retrogosto confirma o olfato e o final é de média para longa duração.
 
E assim fechávamos com chave de ouro mais um evento e uma série de postagens especiais para o blog. Espero que tenham acompanhado e curtido.
 
Até o próximo!

sábado, 23 de agosto de 2014

Loma Larga Syrah 2009: Mais um baita vinho chileno!

Mais uma agradável surpresa garimpada pelo ilustríssimo João Filipe durante o 4o Tasting Wines of Chile em São Paulo. Desta vez falaremos do Loma Larga Syrah 2009.

Don Manuel Escudero Joaquin Diaz Alvarez de Toledo, bisavô dos proprietários da Loma Larga Vineyards, trouxe pessoalmente em sucessivas viagens a Paris e Bordeaux, cepas as quais ele plantou com consultoria de enólogos também franceses, em sua propriedade agrícola "Chacra Victoria", localizada ao leste do que hoje é a rua Santa Rosa, da cidade de Santiago. Com o sonho de manter viva essa tradição vitivinícola, o que levou seus ancestrais a produzir vinhos de alta qualidade, que foram inclusive exportados para a Europa, a família começou a plantar as vinhas que existem atualmente na Loma Larga Vineyards ainda em 1999. Anteriormente porém, ainda em 1994 se iniciaram os estudos de clima e solos para entender o potencial do "Terroir" da Loma Larga.
 
 
Falando agora do Loma Larga Syrah 2009, um vinho 100% feito com uvas Syrah colhidas da região ds DO do Vale de Casablanca que após a fermentação malolática estagiou em barricas de carvalho francês (50% novas, 35% de segundo uso e 15% de terceiro uso) por 14 meses. O vinho não foi filtrado. Vamos as impressões?
 
Na taça o vinho apresentou uma bonita cor violácea de grande intensidade com bom brilho e quase sem nenhuma transparência. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas tingiam a taça.
 
No nariz o vinho mostrou aromas de frutos escuros em compota, especiarias, café e coco.
 
Na boca o vinho se mostrou encorpado, com boa acidez e taninos firmes e marcados. Retrogosto confirma o olfato e o final é de longa duração.
 
Grande vinho chileno, complexo e elegante ao mesmo tempo. Agrada em cheio diversos paladares. Eu recomendo.
 
Até o próximo!

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Piedras Pizarras Cabernet Sauvignon 2013: Fechando o #WinesofChileSP!

Não era propriamente um fechamento do evento mas sim o encerramento da Masterclass "Os Extremos do Chile" mas mesmo assim, digamos que era o início do fim. E fecharíamos esta primeira etapa do evento com chave de ouro, um grande vinho de uma das castas que tem se mostrado muito bem em alguns vinhos e vinhedos no Chile. É claro que estamos falando do Piedras Pizarras Cabernet Sauvignon 2013.
 
 
Este vinho é elaborado pela gigante chilena Santa Carolina, que possui diversas marcas e diversas linhas de vinhos sob suas asas. Atualmente a Viña Santa Carolina é parte do grupo "Carolina Wine Brands", um dos maiores grupos de vinhos chilenos. Atualmente pertence ao grupo de agronegócios Watt’s S.A., de propriedade da família Larraín. Com mais de 135 anos de história, é uma das vinícolas mais antigas do Chile. Discorrer sobre sua história portanto pode soar cansativo e inócuo, passando então ao que interessa.
 
O Piedras Pizarras Cabernet Sauvignon 2013 é um lançamento da marca e ainda não possui nem um rótulo definitivo. Feito com 100% de uvas Cabernet Sauvignon colhidas no Vale do Cachapoal que após fermentado em tanques de aço inoxidável passa por 14 meses de envelhecimento em barricas de 2o, 3o e 4o uso. Atinge cerca de 12,8% de teor alcoólico. Vamos as impressões?
 
Na taça o vinho se mostrou de coloração violácea de grande intensidade, quase sem nenhuma transparência e com algum brilho. Lagrimas finas, rápidas e levemente coloridas tingiam também as paredes da taça.
 
No nariz o vinho apresentou aromas de frutas em compota, especiarias, alcaçuz e leve toque herbáceo ao fundo.
 
Na boca o vinho se mostrou com corpo médio, com uma boa acidez e com taninos presentes, mas de boa qualidade. Retrogosto confirma o olfato e o final é de longa duração.
 
Fechávamos assim a masterclass com mais um belo vinho chileno, gostoso e que pareceu bem equilibrado mas que tende a evoluir ainda. Eu recomendo.
 
Até o próximo!

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

El Insolente Carignan 2010: Outra grata surpresa do Vale do Itata!


Muito se fala em vinhos de garagem, vinhos de boutique ou coisas similares mas não existe um consenso em cima da definição desta expressão. Eu até já falei por aqui (clique aqui) sobre vinícolas boutique e discuti um pouco de conceitos, mas se vinhos com caráter é um predicado que este tipo de empreendimento deve ter, eis que surgia na Masterclass "Os Extremos do Chile" um vinho que me surpreendeu por ser de uma uva pouco usual no Chile, por ser bastante complexo e por ser de um projeto vinícola que eu não conhecia. Estou é claro falando do  El Insolente Carignan 2010.


O vinho em questão é produzido pela The Rogue Wine ou também conhecida como Itata Bush Vine Revolution, na região do Vale do Itata, no Chile. The Rogue Vine é um projeto feito entre dois amigos, Leonardo Erazo Lynch e Justin Decker, amigos estes que tiveram o desejo de fazer diferentes vinhos, vinhos com caráter. E para conseguir isso, foram em busca de diferentes vinhedos, diferentes terroirs e fazê-los de uma maneira diferente, não havendo outra opção. E as vinhas velhas em formatos de arbustos, esquecidos, quase caindo de morros graníticos íngremes no Vale do Itata foi cenário perfeito para começar este projeto.

Sobre o vinho, uvas 100% Carignan colhidas de vinhas com aproximadamente 60 anos. Processo de fermentação usa leveduras nativas. Passa por 14 a 15 meses em barricas neutras e mais um ano de maturação em garrafa. Foram produzidas 807 garrafas. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi violácea de média intensidade, bom brilho e alguma transparência. Lágrimas finas, lentas e incolores.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, azeitonas, toques animais e terrosos. Boa complexidade.

Na boca o vinho mostrou corpo médio, boa acidez e taninos finos. Retrogosto confirma o olfato. Final de média para longa duração.

Mais um belo vinho chileno, este inusitado Carignan de terroirs extremos. Que delícia de aula, quanta informação e quanto vinho diferente. Eu recomendo.

Até o próximo!

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Los Despedidos Pais 2013: Mais um resgate as origens chilenas!

Mais uma surpresa nos aguardava no Masterclass "Os Extremos dos Chile", desta vez um vinho tinto feito com uma uva pouco conhecida mundo a fora e que tem sido resgatada no Chile como uma tradição, como raízes de um povo. É o tipo de uva plantada mais antiga de que se tem notícia no Chile, e que pouco é falada e utilizada em vinhos que chegam aqui no Brasil. Estou falando é claro do Los Despedidos Pais 2013.


O Los Despedidos Pais 2013 é produzido pela Viña San Pedro, fundada em 1865, e é hoje uma das maiores e mais antigas do Chile exportadores de vinho e uma das vinícolas mais importantes do país. O vinhedo principal, adega subterrânea e a centenária adega de San Pedro estão localizados em Molina, no Vale do Curicó, a 200 km. ao sul de Santiago. Lá, a Viña San Pedro tem uma das mais extensas áreas plantadas com vinhas na América Latina, com 1.200 hectares. Enquanto isso, San Pedro tem mais de 1.500 hectares plantados no Vale Central e outros grandes vales vinícolas do Chile, como o Elqui, Casablanca, San Antonio-Leyda, Maipo, Cachapoal, Maule e Bío Bío, sempre à procura de novas e melhores fontes para os seus vinhos. A Viña San Pedro faz parte do grupo chamado VSPT Wine Group, o terceiro maior grupo de vinhos no Chile e o segundo maior exportador de vinho chileno.

Sobre o vinho em si, não resta muito a acrescentar. Feito com 100% de uvas Pais, passa por fermentação tradicional com leveduras nativas. Passa por 3 meses em barricas de terceiro e quarto usos. Foram produzidas apenas 300 garrafas. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor violácea de grande intensidade, bom brilho e alguma transparência. Lágrimas finas, coloridas e de média velocidade fechavam o conjunto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas vermelhas e notas herbáceas.

Na boca o vinho mostrou corpo médio, boa acidez e taninos macios. Retrogosto confirma o olfato Final de média duração. 

Mais um bom e curioso vinho chileno, com uma uva pouco usual por aqui mas que pode ser considerada símbolo do país vizinho, talvez mais que a própria Carmenére. Enfim, vale a prova.

Até o próximo!

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Tara Red Wine 1: Vinho Base Pinot Noir 2012: Do deserto para a taça!


Imaginamos sempre o deserto como uma paisagem desolada, sem fim e sem maiores atrativos, salvo quando alguns Oásis podem ser vistos a longa distância. Mas não é que até vinhos estão saindo de lá? Bem, quero dizer, estão plantando uvas lá pelos lados do Deserto do Atacama, no Chile, e os vinhos feitos com estas uvas estão ficando interessantes. Dúvida? Vamos ver o que o Tara Red Wine 1: Vinho Base Pinot Noir 2012, produzido pela Viña Ventisqueiro, pode nos mostrar então.


Só relembrando que a Viña Ventisqueiro é uma velha conhecida do público brasileiro, seja pela grande variedade de vinhos disponíveis mas também por uma inegável qualidade associada a estes. A vinícola começou suas atividades em 2000 e desde então com o lançamento de cada novo vinho, vem se consolidando como um grande player no mercado. Hoje a vinícola possui vinhedos em todas as grandes regiões vitivinícolas do Chile: Maipo, Casablanca, Leyda e Colchágua. Já o projeto "Tara Atacama" é uma linha de vinhos extremos, que nasce deste mundo misterioso e silenciosoque é o Deserto do Atacama, um desafio tão complexo como a sua geografia, um convite para deliciar-se com o sabor do desconhecido, uma viagem para a fonte.


Sobre o vinho destaque do post de hoje, o Tara Red Wine 1: Vinho Base Pinot Noir 2012, é um vinho produzido com 100% de uvas Pinot Noir da DO Atacama onde o mosto foi então fermentado com leveduras nativas em tanques abertos pequenos, 300 quilos sem quaisquer aditivos. No final do processo de fermentação, não havia uma única adição de SO2. O vinho foi então envelhecido em barris do tipo Borgonha(228 litros) de quinto uso,  por 14 meses. O vinho não foi nem clarificado nem filtrado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma cor rubi de média intensidade, bom brilho e excelente transparência. Lágrimas finas, incolores e rápidas também estavam presentes.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos vermelhos frescos, toques terrosos e algo que lembrava champignon.

Na boca o vinho apresentou uma entrada ligeiramente adocicada, boa acidez, corpo de leve para médio e taninos finos e delicados. Retrogosto confirma o olfato e adiciona um certo elemento mineral que lembra salinidade. Final de curta para média duração. 

Um belo e diferente vinho chileno feito a base de uvas Pinot Noir, mas que é delicioso e se não tomar cuidado, bebe-se uma garrafa num piscar de olhos. Eu recomendo.

Até o próximo!

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Outer Limits Old Roots Cinsault 2013: Mais do Vale do Itata na taça!


Talvez em decorrência da localidade de nascimento do nosso querido Héctor Riquelme ou mesmo por ser uma região até então pouco explorado pelo Chile ou mesmo nenhuma destas opções. Eu acho mesmo é que muitas coisas boas estão vindo desta região e muitas novidades desta região foram mostradas na Masterclass "Os Extremos do Chile" do 4o Tasting Wines of Chile em SP. E este também é o caso do Outer Limits Old Roots Cinsault 2013, produzido pela gigante Viña Montes.


Foi em 1987 que Aurelio Montes e Douglas Murray, dois fundadores originais, ambos profissionais do vinho altamente experientes, quiseram realizar seu sonho de produzir vinhos chilenos com qualidade muito superior aos padrões da época. Em 1988, eles se juntaram aos outros dois fundadores, Alfredo Vidaurre e Pedro Grand, que trouxeram suas próprias habilidades e experiências complementares para o empreendimento. E assim nasceu a Viña Montes, primeiramente com o nome de Discover Wine. O primeiro vinho feito por lá, ainda nos anos 80 (final) foi um Cabernet Sauvignon que logo ganhou notoriedade mundo a fora como primeiro vinho chileno premium a ser exportado. E a partir dai cada um dos grandes vinhos da Montes fez seu nome. Já o projeto "Outer Limits" é muito interessante, pois busca exatamente mostrar estes "extremos do Chile", buscando terroirs pouco explorados até então seja pela localização ou pela geografia apresentada ou mesmo redescobrindo vinhas antigas.

O Vale do Itata, no sul do Chile, a 450 quilômetros de Santiago, é um importante local histórico, uma vez que nele foram plantadas as primeiras mudas de vinha, há aproximadamente 500 anos. Hoje, seu passado tem sido redescoberto e mais uma vez seu potencial vinicultor tem sido explorado. A região atualmente é o retrato do novo e do velho: colinas recém-cultivadas dividem a paisagem com vinhedos veneráveis, sem qualquer irrigação, crescendo à moda antiga. O vale é cortado pelo rio Itata, e nessa latitude o clima é frio e as chuvas são abundantes (700mm em um ano normal). Ventos constantes vindos da costa moderam a temperatura durante os dias mais quentes do verão. Solo profundamente vermelho, granítico e com quartzo abundante.


Para finalizar, sobre o vinho, um exemplar que apesar de ter em seu rótulo a denominação de varietal, leva além da Cinsault, 15% de Mourvédre para complementar. Passa por 4 meses de envelhecimento em barricas de terceiro uso para arredondamento e atinge 14% de álcool. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou cor rubi violáceo de média intensidade, bom brilho e pouca transparência. Lágrimas finas, de média velocidade e em pouca quantidade. 

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos vermelhos e toques herbáceos. 

Na boca o vinho se mostrou de corpo médio, boa acidez e com taninos finos. Retrogosto confirma o olfato. Final de curta para média duração.

Mais um grande vinho chileno, gostoso, vibrante e que vai muito bem por si só. Eu estava adorando a Masterclass até ali. E recomendo a prova.

Até o próximo!

Gallardía Del Itata Cinsault 2013: O primeiro tinto do #WinesofChileSP

E começávamos a saga dos vinhos tintos chilenos durante a Masterclass do 4o Tasting Wines of Chile, vinhos estes selecionados por Héctor Riquelme, o afamado enólogo chileno que organizou e selecionou os vinhos da degustação. E o primeiro vinho tinto é o Gallardía Del Itata Cinsault 2013, da Viña De Martino.


A Viña De Martino foi fundada em 1934 por Pietro De Martino Pascualone, que veio da Itália em busca de satisfazer sua paixão pela produção de vinhos. Em sua busca pelo lugar perfeito, ele encontrou a Isla de Maipo, localizada no Vale do Maipo, entre a Cordilheira dos Andes e o Oceano Pacífico. O lugar tem o nome da cidade que, até o início do século XX, estava no meio de vários braços do rio Maipo. Depois de um forte terremoto estas ramificações secaram, deixando apenas um grande braço do rio. Seus vinhedos estão localizados exatamente onde costumava passar um destes braços do rio, que lhe dão características únicas e especiais para área de produção de vinho. Hoje a propriedade cresceu dramaticamente, aumentando para 300 hectares sob manejo orgânico, mantendo a essência de uma vinícola familiar. A terceira e quarta gerações da família De Martino estão atualmente trabalhando na viña.

Sobre o Gallardía Del Itata Cinsault 2013, é um vinho feito com 100% de uvas Cinsault vindas de Guariligüe, no Vale do Itata no Chile, lugar onde ainda se conservam técnicas ancestrais de cultivo das videiras, com manejo sustentável e manutenção das tradições. O vinhedo que da origem a estas uvas está localizado a 22 km do Oceano Pacífico e 500km ao sul de Santiago, numa região montanhosa de solos graníticos e vinhas velhas. Na fermentação, os grãos inteiros passam por tal processo em tanques de aço inox com leveduras nativas sendo que a maceração total do mosto é de 40 dias. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma cor rubi violácea de média intensidade com um excelente brilho e uma linda transparência. Lágrimas finas, rápidas, incolores e em grande quantidade.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos vermelhos frescos.

Na boca o vinho se mostrou de corpo leve para médio, uma boa acide e taninos finos. Retrogosto confirma o olfato. Final de média duração.

Um vinho que me pareceu simples, despretensioso mas muito agradável e delicioso, daqueles que a garrafa se vai facilmente. Me parece que o vinho não sofre maceração carbônica porém me lembrou muito um beaujolais. Eu recomendo.

Até o próximo!

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Marius Syrah 2010: Um vinho espanhol diferente!

Uma uva pouco usual na Espanha e uma região de lá pouco explorada por aqui, pronto, esta somatória é o que nos mostra quando degustamos o  Marius Syrah 2010.


Este vinho é produzido pela Bodegas Piqueras, em Almansa na Espanha. Foi fundada em 1915 e desde então permaneceu como um negócio familiar. Almansa é uma Denominação de Origem (DO) espanhola, conhecida por seus vinhos tintos. Está localizada no sudeste da província de Albacete (Castyla-La Mancha, Espanha), na zona de transição entre o planalto central alto (La Mancha) e o Mar Mediterrâneo. As vinhas estão principalmente em torno das cidades de Almansa, Alpera, Bonete, Corral-Rubio, Higueruela, Hoya-Gonzalo, Pétrola e El Villar de Chinchilla. Quanto ao  Marius Syrah 2010, é um varietal 100% feito com uvas Syrah que amadureceu por 6 meses em barrica de carvalho americano. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma cor tubi violácea de média para grande intensidade, algum brilho e pouca transparência. Lágrimas finas, rápidas e sem cor completam o aspecto visual.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos escuros,toques mentolados e de especiarias.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, uma boa acidez e taninos redondos. Retrogosto confirma o olfato. Final de média duração.

Um vinho espanhol inusitado com uma boa relação custo benefício e que foi bem com fondue de carne ao vinho. Recebi esse belo exemplar do Winelands Clube do Vinho, o Clube que eu assino e recomendo.


Até o próximo!

Los Patricios Chardonnay 2010: Outro belo vinho branco do Chile

Ainda lembrando da Masterclass e do 4o Tasting Wines of Chile, finalizamos os vinhos brancos com mais um belo exemplar vindo do vale do Itata, no Chile. O vinho? Desta vez o Los Patricios Chardonnay 2010.


Este vinho é feito pela Viña Pandolfi Price,  um projeto familiar que até alguns anos atrás não tinha nada a ver com uvas e vinho. Sua história começou em 2002, quando chegaram a Santa Inês, um vinhedo único nas margens do Larqui com uma vinha de Chardonnay, plantada em 1992, refletindo o potencial do terroir da região, a magia de seu entorno e a força do Vale do Itata. A viticultura da empresa é feita com o máximo de respeito ao meio ambiente, com o maior respeito com as uvas e a busca pela pureza do terroir no seu melhor. Os vinhedos que originam este vinho são plantados em solos de cinzas vulcânicas sobre materiais argilosos glaciais. 

Já o vinho é um varietal 100% Chardonnay com uvas colhidas à mão e fermentadas em barricas de carvalho de 225 litros. Estagiou em barricas de carvalho francês durante 20 meses. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor amarelo palha com reflexos verdeais, transparente e com um bom brilho.

No nariz o vinho mostrou aromas de flores brancas, mel, frutas tropicais maduras e algo que me lembrou pão na chapa.

Na boca o vinho se mostrou de corpo médio para encorpado e uma boa acidez. Retrogosto confirma o olfato e adiciona um carácter mineral ao vinho. Final de longa duração.

E assim finalizávamos os vinhos brancos da Materclass e partíamos aos tintos. 

Até o próximo!

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Viagem com o expert: Mendoza 21/08 - Uma experiência Enogastronomica!

Quem me conhece sabe que não costumo divulgar qualquer coisa por aqui mas não poderia deixar de informar meus leitores sobre essa viagem aqui. Se você gosta de vinhos argentinos, de conversar sobre eles e aprender muito, não deveria perder a oportunidade. O João Filipe Clemente da loja Vino & Sapore e do blog Falando de Vinhos está organizando "A" viagem para Mendoza, o oásis do vinho na Argentina (parafraseando o próprio João Filipe). Além de conhecer muito sobre vinhos, este cara é um dos mais legais e que mais gosta de compartilhar conhecimento que tive a oportunidade de conhecer ao longo deste tempo que tenho procurado me envolver mais com vinhos. Além de tudo isso, este projeto dele, o Wine & Food Travel Experience, é um projeto de viagens internacionais buscando experiências sensoriais diferenciadas através da boa enogastronomia retoma as atividades com esse pacotão. Confira abaixo o press release dele e boa viagem!


"Bom dia amigos, quem sabe faz a hora não espera acontecer já dizia Vandré e é chegada a hora de você se dar um presente. Em 21 de Agosto pretendo levar um grupo de 12, máximo 15 pessoas a Mendoza.

Saímos Quinta de madrugada de Guarulhos em vôo direto para Mendoza onde chegaremos por volta das 4:30 de la matina. Direto para o hotel, café da manhã e um tempinho para descansar no quarto ou esticar as pernas nas gostosas ruas e praças que circundam o hotel 4* escolhido no centro da cidade.

Depois, visitas a oito vinícolas para degustar vinhos (Melipal, Dominio del Plata, Achaval Ferrer, Catena, Atamisque, Vina Alicia, Lagarde e Carmelo Patti. Em stand by, Finca la Celia para uma degustação só de Cabernet Franc) sendo que em três delas almoçaremos com um menu degustação devidamente harmonizado. Visita a um lagar de azeites, e um jantar de despedida na última noite antes de seguirmos para o aeroporto onde embarcaremos na Segunda (25/08) ás 00:20 chegando em Sampa ás 4:20 da manhã.

O pacote custará um total de 1.600 Dólares, com 30% de entrada e o restante em cinco vezes no cartão. Quem estiver interessado, fale comigo e lhe enviarei mensagem com o roteiro completo com todos os custos envolvidos e condições de pagamento que, a principio, terá uma entrada na reserva e o restante em seis vezes no cartão.

Tirar dois dias do trabalho (Quinta e Sexta) e de seus afazeres diários para se dar alguns dias de puro deleite enogastronomico não é assim tão complicado né, então junte os amigos e vem nessa viajem comigo! Afinal, de que adianta tanto trabalho e dedicação se não for para aproveitar um pouco de vez em quando?


Abraço e fico no aguardo de seu contato através do email wineandfoodtavelexperience@gmail.com ou ainda pelos contatos abaixo:

Falando de Vinhos / Wine & Food Travel Experience
falandodevinhos.wordpress.com
wineandfoodtravelexperience@gmail.com
Tel. (011) 4612-6343 / 4612-1433"

Solicite já a a programação completa e boa viagem!

Talinay Chardonnay 2012: Para o norte do Chile e avante!

Seguindo com a degustação guiada da Masterclass "Os Extremos do Chile" rumamos agora quase 1000km e nos encontramos na costa fria do Norte do Chile, onde a Viña Tabalí tem alguns de seus vinhedos, no Vale do Limarí e produz o seu Talinay Chardonnay 2012.


A Viña Tabalí iniciou suas plantações de vinhas em 1993, no promissor Vale do Limarí (norte do Chile). Sua proximidade com o deserto do Atacama e também a proximidade do Oceano Pacífico (apenas 29 km), o céu claro e puro, dias quentes e noites frescas, os quase 180ha de solo muito calcário, juntamente com argila e pedras resultam em um terroir excepcional para a elaboração de vinhos Premium e Super Premium.

Já o vinho Talinay Chardonnay 2012 é constituído de 100% de uvas Chardonnay colhidas de um vinhedo único do Chile, situado em um pequeno vale e quase dentro do mar. Segundo o produtor, o solo onde está tal vinhedo é único no Chile: é plantado sobre solos calcários e de pedra calcária. Existe ainda a presença quase constante de brias marítimas (dada sua proximidade do mar) sendo a região dentro do Vale do Limarí com as menores temperaturas fazendo com que se retarde um pouco a colheita destas uvas. A colheita é feita manualmente e uma criteriosa seleção de cachos é empregada para que somente as melhores uvas passem pelo processo fermentativo. Tais uvas são fermentadas em barricas de carvalho francês. Em seguida, o vinho passa por 11 meses em tais barricas para afinamento. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração amarelo palha com reflexos verdeais, bom brilho e muita transparência. 

No nariz o vinho mostrou aromas de abacaxi, manteiga, pimenta e fósforo.

Na boca o vinho se mostrou de corpo médio para encorpado, boa untuosidade e excelente acidez. Retrogosto confirma o olfato e adiciona um toque mineral. O final é de média para longa duração.

Outro grande vinho branco chileno, desta vez feito com a casta Chardonnay, que como disse o sommelier Héctor Riquelme (não exatamente com estas palavras): "os vinhos com a uva Chardonnay no Chile estão deixando de ser aquela mesmice, muita extração e muita madeira, para se tornarem novamente curiosos e interessantes". Eu endosso e recomendo a prova. 

Até o próximo!

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Lago Ranco Sauvignon Blanc 2013: Da patagônia chilena para a taça!

Começando a ser um pouco mais específico com os vinhos apresentados na Masterclass "Os Extermos do Chile", vamos falar sobre o primeiro vinho apresentado. Para isto, dispa-se de qualquer pensamento que encontra em sua cabeça neste exato momento e viajemos até o extremo sul do Chile, onde se encontra a Patagônia chilena. É de lá que saem as uvas para este excelente Lago Ranco Sauvignon Blanc 2013, produzido pela Viña Casa Silva.


A Viña Casa Silva dispensa maiores apresentações, mas de qualquer forma vale umas linhas para ressaltar. É uma das vinícolas mais antigas do Valle de Colchágua em termos de tradição e história, e uma das mais modernas do Chile, tratando-se de inovação. Tem diferentes salas de barricas, túneis subterrâneos, construções antigas, entre outras. É uma vinícola 100% familiar, 100% chilena, a qual todos os membros da família participam do trabalho diário. A relação com a terra e o vinho é parte diária dos membros da família Silva. Cada um cumpre uma atividade específica, particular e profissional com o orgulho de quem viveu, vive e quer continuar vivendo uma estreita relação com a terra e o vinho como parte de uma forma de vida. Eles são pioneiros na plantação de vinhedos finos desde 1912 na região do Valle de Colchagua. Don Emilio Bouchon pertence a primeira geração da família que chegou de Boudeaux, França, no final do século de XIX no Chlile, em 1892. Foi nessa época que teve início a construção da vinícola, que é a mais antiga e tradicional do Valle de Colchagua.

Já o vinho em questão, o Lago Ranco Sauvignon Blanc 2013, tem suas uvas (100% Sauvignon Blanc) oriundas do Viñedo de Futrono, na Região Austral da Patagônia chilena, no extremo sul do país. Localizado no paralelo 40º 21'de latitude sul e a mais de 900 km de Santiago, capital do Chile, Futrono é irrigado pelas águas do que é até então o terceiro maior lago do Chile, o Lago Ranco (dai o nome do vinho), águas estas muito cristalinas e que tem origem do degelo da Cordilheira dos Andes. A colheita é feita de maneira manual e as uvas são prensadas inteiras, sendo que fermentam e permanecem em tanques de aço inox até o vinho ser engarrafado (aproximadamente 5 meses). Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração amarelo palha com reflexos verdeais muito claro, brilhante e transparente. Lágrimas finas, rápidas e incolores também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de limão siciliano, maracujá (mousse) e aspargos. 

Na boca o vinho mostrou corpo médio com uma acidez extremamente elétrica, cortante e salivante. O retrogosto confirma o olfato e adiciona um carácter mineral ao vinho, como se lembrasse a salinidade marinha (imagine-se engolindo uma boa porção de água do mar e você começa a ter uma idéia do que eu quero dizer). O final é de média duração.

Um vinho delicioso e saboroso, deixa a sensação de quero mais na boca e que deve ser uma delícia com frutos do mar e pratos a base de peixes. Eu adorei e recomendo. Começavamos bem mais este evento.

E que venham os próximos!

Masterclass #WinesOfChileSP 2014: "Os Extremos do Chile"

Na tarde de ontem tive a oportunidade de participar de mais um evento muito interessante para os amantes do vinho, o 4º Tasting Wines of Chile em São Paulo, cuja a programação também incluía a Masterclass "Os Extremos do Chile". O premiado sommelier chileno Héctor Riquelme veio ao Brasil exclusivamente para conduzir a Masterclass, que contou também com a participação dos enólogos responsáveis pelos vinhos selecionados, que fizeram os comentários sobre seus vinhos e os mais extremos terroirs do Chile.


Como todos sabemos, o Chile tem uma vasta extensão territorial no sentido norte-sul, mesmo que a leste-oeste seja bem estreita, o que acarreta numa grande variedade de terrois a serem explorados, dadas condições climáticas, ambientais e geográficas que mudam constantemente ao longo deste território. Além disso, a presença da Cordilheira dos Andes de um lado e o Oceano Pacífico de outro também ajudam a criar lugares muito específicos e únicos para o cultivo de vinhas de diversas cepas. O Chile possui 14 regiões vinícolas em seu território, distintas e espalhadas por mais de 1200 km de extensão. Todos estes fatores em conjunto com a proximidade com o mercado nacional e os preços competitivos fazem com que o Chile siga sendo o líder no consumo de vinhos no Brasil.


O mais interessante, tendo como pano de fundo os vinhos apresentados, é notar que hoje em dia o Chile é muito mais do que Cabernet Sauvignon e Carmenére. Talvez já o fosse a mais tempo, mas o trabalho da Wines of Chile em conjunto com as vinícolas e os enólogos no quesito divulgação tem sido fundamental para mudar o conceito do mercado consumidor de vinhos, que atualmente é inundado com muita informação e muito vinho vindos de vários lugares do mundo. Daí hoje vemos hoje o resgate da cepa País em terras chilenas, bem como uma profusão de vinhos feitos com uvas Carignan, Pedro Ximenez, Cinsault e outras mais incomuns.

E este foi o tom adotado por Héctor Riquelme, tentando exaltar as qualidades e os extremos terrois que o Chile apresenta e os feitos do enólogos e das vinícolas com relação a isto. A partir de agora e nos próximos posts irei falar um pouco sobre cada vinho/vinícola apresentado e o terroir a qual pertencem. Continuem conosco nesta série imperdível.

Até o próximo!

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Cientistas usam a química das uvas para prever o "gosto" do vinho

Pesquisadores na Austrália acreditam que eles podem ser capazes de influenciar o sabor e o aroma de um vinho através da manipulação da composição química das uvas, enquanto ainda na videira. Cientistas da Universidade de Adelaide e agência de pesquisa nacional da Austrália, CSIRO, estão procurando compreender como as mudanças na composição das uvas Cabernet Sauvignon podem afetar seu potencial de sabor. Pesquisas anteriores já haviam identificado vários compostos em uvas viníferas que podem influenciar o sabor.


A indústria vinícola da Austrália, incluindo o novo órgão regulador do país, Agwa, são os co-financiadores das pesquisas. Basicamente, estão tentando ver se conseguem prever atributos sensoriais do vinho através da medição de compostos químicos e outros parâmetros nas uvas. Nesse caso, pode ser possível orientar o caráter de um vinho antes mesmo das uvas serem colhidas, embora muitos enólogos diriam que as técnicas na adega também tem uma forte influência sobre o vinho produzido. Definitivamente , cria-se um potencial para que no futuro possamos ter algumas intervenções "em tempo real" na vinha para alterar a composição das frutas e, portanto, as propriedades do vinho.

Um exemplo destes compostos é o methoxypyrazine, que geras os aromas de pimentão nas uvas Cabernet Sauvignon. Tal composto é produzido no início do desenvolvimento do fruto e que a maior exposição à luz pode reduzir seu desenvolvimento. Pode ser possível medir os níveis destes compostos apenas algumas semanas após a frutificação e prever se a safra teria um "alto"ou "baixo"teor de methoxypyrazine por exemplo e gerenciar a poda ou a folhagem da videira para que você obtenha o nível desejado deste composto no vinho que você está produzindo.

Matéria traduzida e adaptada de www.decanter.com

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Castello D'Alba Tinto 2012: Um vinho português bom para o dia a dia

Em mais um excelente final de semana rodeado de família, tive a oportunidade de provar mais um vinho português interessante, entrando logo para o hall daqueles que certamente poderia indicar como um vinho de bom custo benefício para que as pessoas bebam no seu dia a dia. Estou falando do Castello D'Alba Tinto 2012, produzido na região do Douro, pelo enólogo Rui Roboredo Madeira.

Por um descuido não fotografei a garrafa, então vou usar uma imagem retirada do site da vinícola.

Rui Roboredo Madeira nasceu em uma região situada entre o Douro Superior e a Beira Alta, sendo que foi no seio da família que descobriu o interesse pelas uvas e pelo vinho. Teve contato e trabalhou com a cultura do vinho em diversas regiões do mundo, mas a vontade de fazer vinhos de qualidade em sua terra natal e mostrar que para todos que o Douro tem o potencial para fazer dos melhores vinhos do mundo, que fez com que ele regressasse pra lá criasse sua própria adega. E ele escolheu as regiões "banhadas" pelo rio Douro, que nasce na Espanha e atravessa o norte de Portugal, para a produção de seus vinhos, a saber: Douro e Porto, Beira Interior, Vinhos Verdes e Alvarinho.

Sobre o vinho alvo do post, o Castello D'Alba Tinto 2012, ele nasce na adega de Rui Madeira em São João da Pesqueira sendo que sua primeira safra foi lançada em 2000. O vinho é feito a partir das uvas Tinta Barroca, Tinta Roriz, Touriga Franca e Touriga Nacional. Passa por estágio de 8 meses em aço inox. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração violácea de média intensidade, bom brilho e alguma transparência. Lágrimas um pouco mais gordinhas que o usual, coloridas e rápidas compunham o aspecto visual também.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos maduros, toques de especiarias e lembrança floral. 

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos finos e macios. Retrogosto confirma o olfato. Final de média duração.

Uma ótima opção de vinho português para o para o dia a dia e que fez bonito acompanhando um belo bacalhau assado com muito azeite, cebolas e batatas aos murros. Eu recomendo.

Até o próximo!

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Lidio Carraro Elos Cabernet Sauvignon Malbec 2009: É dia de #CBE!

E chegamos ao primeiro dia do mês, e consequentemente a primeira postagem do mês, sempre com o vinho da #CBE - Confraria Brasileira de Enoblogs, que desta vez nos trás de volta a terras brasilis com o tema escolhido pelo confrade Evandro Vanti Gonçalves: "um tinto nacional sem passagem por carvalho e sem limite de preço". E como missão dada é missão cumprida, hoje falaremos do Lidio Carraro Elos Cabernet Sauvignon Malbec 2009.


Falar sobre a Vinícola Lidio Carraro é chover no molhado, pois já comentei sobre eles em diversas outras oportunidades aqui no blog. Mas vale relembrar neste post especial. A Vinícola Lídio Carraro é fundamentada no conceito de vinícola boutique (já discutido aqui no blog), seus vinhos tendem a expressar o "terroir" no qual são plantados através da busca pela integridade e quebra de paradigmas, de maneira sustentável e pouco ou nenhum uso de recursos externos para controle dos vinhedos/vinhos (baixo uso de defensivos químicos, não utilização de carvalho para correção dos vinhos, etc). A Vinícola Lidio Carraro tem investido pesado no "terroir" de Encruzilhada do Sul (de onde vem as uvas que foram utilizadas na vinificação deste exemplar), na Serra do Sudeste, onde eles tem obtido excelentes resultados com uvas mais delicadas como Pinot Noir, por exemplo. Lá, apesar de possuir clima parecido com o Vale dos Vinhedos, os solos são mais pobres e tendem a gerar uma maior qualidade das uvas cultivadas. Já sobre o vinho, um corte de Cabernet Sauvignon e Malbec, sem proporções divulgadas. Como não passa por madeira, vamos aos finalmentes.

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi violácea de média para grande intensidade, bom brilho e alguma transparência. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas tingiam também as paredes da taça. 

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos vermelhos em compota, especiarias e notas florais.

Na boca o vinho mostrou corpo médio para encorpado, boa acidez e taninos sedosos e macios. Retrogosto confirma o olfato e tem um final de longa duração.

Mais um bom vinho brasileiro que, embora discorde da política de preços da vinícola Lidio Carraro, entendo ser um dos melhores feitos em solo brasileiro. Eu recomendo a prova. E assim cumprimos a tarefa da #CBE.

Até o próximo.