sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Lupé-Cholet Chablis Château de Viviers 2009: Queijos e vinho!

A França me encanta, não somente por todo romantismo e beleza por trás de suas cidades, mas também por que tem a maioria dos vinhos mais famosos do mundo sendo produzidos por lá e eu, em minha humilde ignorância, tenho certa dificuldade de separar o bom do ruim e muitas vezes opto em não comprar/beber um vinho de lá pelo medo de errar. Sim, este é um de meus defeitos, muitas vezes tenho medo do fracasso. Mas existem vezes em que, apostamos, e ganhamos as apostas. E foi assim com o Lupé-Cholet Chablis Château de Viviers 2009. Quer saber o por que? Fiquem com agente.


Este vinho é produzido por Lupé-Cholet na região da Borgonha, em suas propriedades desde 1903. Foi neste ano que Alexandre de Mayol de Lupe e Félix de Cholet decidiram unir forças para criar a marca por trás de vinhos que foca em deixar que o solo e a safra possam encontrar sua própria expressão. Possuem 25 hectares de vinhas em Chablis e Côte d'Or, também mantendo parcerias de longa data com vários produtores de vinho em toda Borgonha. O Château de Viviers está localizado a 12 km a oeste na região de Chablis, sendo este o ponto mais alto da vinhas de lá, o que proporciona um caráter muito forte e personalidade para os vinhos oriundos destas uvas.

Sobre o Lupé-Cholet Chablis Château de Viviers 2009, podemos dizer que é o vinho de entrada da vinícola mas que nem por isso peca em qualidade, pelo contrário. É de fato um 100% Chardonnay (conforme tradição e legislação) e passa de 6 a 8 meses em barricas "sur lie" previamente ao engarrafamento. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor amarelo dourada, brilhante e límpida.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos cítricos misturados a toques minerais e florais.

Na boca o vinho se mostra untuoso, fresco e delicioso. O retrogosto amplifica os toques minerais e confirma os demais aromas encontrados no nariz. O final é longo e saboroso.

Um belo vinho francês provado por aqui, este oriundo da Borgonha (Chablis) e que realmente me encantou. Não são vinhos baratos mas a meu ver, vale o quanto custa. Eu recomendo a prova. Este é da Vinea.

Para acompanhar, brincamos mais um vez de uma noite de queijos e vinhos, desta vez tentamos inclusive buscar mais quitutes de origem francesa como Gruyére e Brie, não esquecendo entretanto do Gorgonzola e provolone, por exemplo.

Até o próximo!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Casa Marín Estero Vineyard Sauvignon Gris 2009

Eu sempre me pego tentando aprender mais e mais sobre o mundo dos vinhos bem como provando novos rótulos, novas castas, cortes, enfim, tentando me surpreender mais e mais com este incrível universo que se abre. Por isso eu acabei comprando e provando o Casa Marín Estero Vineyard Sauvignon Gris 2009. Confesso que nunca tinha ouvido falar da casta em questão (Sauvignon Gris) e fiz alguma pesquisa sobre. Vamos ver o que descobri?


A casta Sauvignon Gris, segundo o que pude apurar, é um mutação clonal da uva Sauvingon Blanc e também é oriunda da França, da região de Bordeaux. Seus bagos costumam ter uma coloração rosada. Normalmente origina vinhos menos aromáticos que sua irmã mais famosa, entretanto é conhecida pela elegância dos seus vinhos bem como a complexidade que estes podem adquirir, inclusive com envelhecimento em madeira.

O Casa Marín Estero Vineyard Sauvignon Gris 2009 é produzido pela famosa vinícola chilena Viña Casa Marín, na Provincia de San Antonio, com vinhedos muitos próximos ao oceano pacífico. A vinícola foi fundada em 2000 (uma jovem vinícola) por Maria Luz Marín, cujo objetivo principal era o de prover inovação e tecnologia aos vinhos do Chile. Desde o começo sua proposta era baseada em fazer os melhores vinhos de clima frio do mundo (ousadia e pretensão) dadas às qualidades do terroir único e as condições climáticas da região. Seu manuseio é especial e delicado. sendo que todos eles são single vineyard, ou seja, cada bloco de uvas são colhidas e vinificadas separadamente. Isso preserva as características únicas de cada bloco, resultando em muitos vinhos com personalidades marcadas e distintas. Não a toa a vinícola se tornou uma das mais premiadas no Chile desde então. Finalizando, o Casa Marín Estero Vineyard Sauvignon Gris 2009 é feito com 100% de uvas Sauvignon Gris, sendo que a fermentação de 70% do vinho ocorre em barricas por 6 meses. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração amarelo dourado, brilhante e límpida.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos cítricos, mel, flores brancas e leve toque de pimenta.

Na boca o vinho mostrou untuosidade e acidez ainda viva. Retrogosto confirma o olfato. Final de média para longa duração com algum amargor que a mim não incomodou muito.

Um vinho chileno diferente, apesar da proximidade com a Sauvignon Blanc, trouxe mais corpo e complexidade. Foi o escudeiro de um prato de espagueti integral ao molho de limão siciliano, azeite, parmesão ralado e folhas de manjericão com tilápia assada com tomates cereja. A combinação não foi a ideal, parece que a acidez e a citricidade do limão siciliano versus a do vinho brigaram um pouco. De qualquer maneira, recomendo a prova.

Até o próximo!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Montefino Reserva Tinto 2005

Mudando um pouco o foco das postagens dos últimos tempos, onde falamos em grande maioria de vinhos brancos e espumantes, buscamos um vinho tinto com carácter jovem, frutado, irreverente e sem pesar na hora de bebe-lo face as altas temperaturas que vemos por aqui nas últimas semanas. O escolhido para a tarefa é um portuguesinho do Alentejo que formam pra mim a melhor gama na relação custo x benefício, quando falamos de vinhos europeus. Casam muito bem com meu gosto pessoal, possuem muito carácter e expressão, grande vocação gastronômica e não ferem demais o meu bolso. Mas horas pois, qual o vinho no final das contas? Era o Montefino Reserva Tinto 2005.


O vinho em questão é produzido pela Herdade Monte da Penha, propriedade familiar que possui 139 hectares, dos quais apenas 22 são de vinhas. Está localizada em Portalegre, a capital do Norte Alentejano e foi adquirida por Francisco Fino e sua mulher, Verônica, em meados dos anos 1980. Um pouco da história deste projeto vitivinícola em Portugal pôde ser retirado do próprio site da vinícola: “Desde o início do século XX, altura em que Joaquim da Cruz Baptista planta as primeiras vinhas da “Tapada de Chaves”, que esta família está ligada à concepção de vinhos de elevada qualidade em Portalegre. O sucesso do projeto, iniciado por Joaquim da Cruz Baptista inspirou a sua única filha, Gertrudes, a continuar o seu legado e, de forma apaixonada, a levar este projeto mais além, tornando-se conhecida pela sua experiência e dedicação ao mundo do vinho. Em 1987, o seu filho Francisco Fino, companheiro nos seus projectos vinícolas, decide plantar uma vinha de 12 hectares na sua propriedade. Esta vinha contribuiu para fazer os vinhos, branco e tinto, do “Tapada de Chaves”. Com a venda da “Tapada de Chaves” em finais de 1998, Francisco Fino decide, juntamente com a sua família, partir para um novo projeto, o “Monte Da Penha”.

Sobre o Montefino Reserva Tinto 2005, podemos dizer que é um vinho composto por várias das uvas autóctones da região, a saber: Touriga Nacional, Aragonês, Alicante Bouschet e Trincadeira. Passa ainda um ano em pipas de carvalho francês Allier (250 e 500 litros). Por fim, estagia pelo menos 6 meses em garrafa antes de ser liberado ao mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho mostrou uma coloração rubi violácea de média para grande intensidade com tendência ao granada, mostrando halo de evolução. Lágrimas finas, rápidas e incolores também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos de frutos vermelhos maduros, leve toque floral e de especiarias.

Na boca o vinho apresentou médio corpo, taninos finos, macios e acidez ainda viva. Retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Mais um bom vinho português provado por aqui, fez companhia a um belo salmão assado com alcaparras e tomates cereja, purê de mandioquinha e aspargos no vapor. Mais uma noite daquelas de inspiração da minha esposa na cozinha deu nisso. Eu recomendo a prova, do vinho. 

Até o próximo!

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Família Irurtia Viñagala Tannat Rosado & Torta Rústica de Ratatouille

Em mais um dia de calor senegalês, destes muitos que se multiplicaram no verão brasileiro, a única vontade que tínhamos era de tomar algo refrescante, de uma comida leve e ficar na frente do climatizador para que de alguma maneira pudéssemos relaxar. E escalamos a nossa seleção para hercúlea tarefa que se aproximava. Fomos de Família Irurtia Viñagala Tannat Rosado & Torta Rústica de Ratatouille.



Como já dito por aqui algumas vezes (mas sempre é bom relembrar), a Bodega Família Irurtia, produtora do vinho em questão, nasceu com a chegada ao Uruguai do imigrante Vasco Don Lorenzo Irurtia nos primeiros anos do século passado. Sua paixão pelos bons vinhos e a dedicação ao trabalho no cultivo da videira dão seus frutos em 1913 com a primeira vindima. A quarta geração da família Irurtia ainda está estabelecida em Carmelo e hoje administra os negócios da família. Cinco irmãos, filhos e filhas de Dante Irurtia e Estela González assumiram o legado da família e o desafio de ir junto com seus antepassados por uma ​​estrada infinita, através da melhoria da qualidade de seus vinhos com a mesma paixão e dedicação de seus antepassados e a responsabilidade de manter e aumentar o reconhecimento internacional dos vinhos Irurtia, da cidade de Carmelo e do orgulho uruguaio.

Se entendi direito o posicionamento das linhas de vinhos da Bodega Familia Irurtia, este Família Irurtia Viñagala Tannat Rosado se encaixa numa linha de entrada e é produzido somente com uvas Tannat que embora seja uma cepa notadamente robusta quando vinificada, como rosé e a temperatura controlada, dá vinhos muito agradáveis e frutados. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração rosa alaranjado, buscando quase um acobreado, brilhante e muito límpido.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos e notas cítricas.

Na boca o vinho se mostrou leve, com boa acidez e uma pequena sensação de taninos, bem fininhos e discretos. Retrogosto confirma o olfato e o final é de média duração.

Um vinho fresco, frutado e que combina bem com o verão que enfrentamos por aqui. Foi um bom companheiro para a torta rústica de ratatouille que minha esposa fez. A receita é da apresentadora Rita Lobo, que tem seu programa Cozinha Prática no canal de tv por assinatura GNT. É uma receita muito simples e deliciosa. 

O Ratatouille é um mix de legumes assados que até já virou tema de um longa metragem animado. Berinjelas em rodelas, abobrinha, pimentão amarelo, cebola, alho poró, dentes de alho, tomates cereja, azeite, sal e pimenta para o recheio. A massa? Manteiga geladíssima com farinha de trigo comum (sem fermento) e sal, fazendo uma farofa sem derreter totalmente a manteiga, um ovo e voilá!

Até o próximo!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

La Collina Dei Re Barbera d'Alba 2010

Como bom descendente de italianos que sou, adoro comer uma boa massa. E sempre estamos inovando e tentando, além disso, comer de uma maneira mais racional e saudável. E uma das ferramentas que usamos para tal é assistir programas televisivos de gastronomia e aprender dicas. Não que seja totalmente necessária pois minha esposa tem se mostrado uma cozinheira de mão cheia que deixa muito chef no chinelo. E em uma destas "noites italianas" em casa, surgiu o vinho de hoje, o La Collina Dei Re Barbera d'Alba 2010.


A origem e criação da Azienda Vitivinícola La Collina Dei Re é um pouco confusa pois quanto mais voltamos no passado da história da família de Veglio Osvaldo, mais encontramos raízes na agricultura. Ainda em idos dos anos 1900, era seu avô quem comandava a propriedade, que explorava além do cultivo de vinhas, grãos e criação de animais. Desde então, muitas transformações tecnológicas se passaram por lá mas a empresa continuou nas mãos da família e agregou novas vinhas e outras variedades aos seus Dolcetto, Barbera e Nebbiolo originais. Com a exploração de outros mercados, hoje a maior parte de sua produção se destina às importações. Sobre o La Collina Dei Re Barbera d'Alba 2010, podemos complementar dizendo que é um varietal 100% de uvas Barbera da região de Diano D’alba- Montelupo Albese, sem passagem por madeira. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi violácea de média intensidade com algum brilho e boa transparência. Lágrimas finas, rápidas e incolores também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos e leve toque de especiarias.

Na boca o vinho mostrou corpo médio, acidez deliciosa e salivante e taninos finos. Retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

O vinho foi o fiel escudeiro de uma massa integral tricolore ao molho bolonhesa, com carne moída, manjericão,tomates pelados e cogumelos paris. Sensacional. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Restaurante Avek e o Menu Degustação para clientes Personnalité

No final de semana passado tive uma oportunidade muito bacana: conhecer o restaurante francês Avek numa brincadeira de menu degustação que é preparado exclusivamente para clientes do banco Itaú Personnalité. E agora chegou a hora de contar um pouco desta experiência e dividi-la com vocês, caríssimos leitores. 

O sistema de menu degustação é muito interessante pois o o cliente experimenta, em uma só refeição, diversos pratos em porções menores do que as habituais. Em geral, as receitas são especialidades do chef, ou seja, uma amostra do melhor que a casa tem a oferecer. É como se o chef tivesse a oportunidade de mostrar todas suas habilidades. Normalmente é a oportunidade de se conhecer o trabalho autoral do mesmo. É desenvolvido em conjunto com os fornecedores de matéria prima e em geral, tem muita qualidade. No entanto é preciso disposição, pois mesmo que as porções sejam em tamanho reduzido, no final das várias etapas, você terá comido o mesmo que uma refeição "padrão" com entrada, prato principal e sobremesa.


Já o Restaurante Avek, como o próprio nome já entrega, tem inspiração na cozinha francesa do chef Alain Uzan, que cresceu no restaurante dos pais em Vendeé, balneário francês, onde começou o seu contato com a cozinha. Em 1999, durante uma viagem de férias, decidiu investir no mercado brasileiro. Desde então além de gerir seu próprio restaurante, prestou consultoria em diversos outros locais na cidade de São Paulo. Participou ainda de grandes eventos, com palestras e aulas por todo o Brasil. A casa tem ainda uma particularidade, da qual muito gostei, que é a venda de rótulos de vinho a preços muito convidativos (quase de importadora) tanto para consumo no local como para levar para casa. A carta ficou a cargo da sommeliére Luciene Carvalho, que dentre vários lugares, desfilou seu talento pela Ville du Vin. O ambiente é muito elegante, simples e convidativo, realmente inspirado nos bistrôs franceses. Tem até o tradicional menu escrito a giz num painel negro. Com um grande sofá ao longo da parede dos fundos, que cria os assentos das mesas por lá dispostas, a sofisticação está presente em tudo, até nos "abajures" ao longo das parede até o teto, criando uma agradável experiência.


Começamos a brincadeira com "Ostras a Moda de Nantes", deliciosamente quentes e servidas com um molho a base de manteiga clarificada e cebola roxa, servidas sobre uma cama de sal grosso. Sensacional! 

Depois partimos para um "Mil folhas de queijo de cabra com endívias", onde a crocância da massa mil folhas se misturava a untuosidade do queijo de cabra derretido e com a ajuda do leve amargor das endívias criava uma explosão de sabores na boca.


A coisa começou a ficar um pouco mais séria quando chegou a vez do "Mini ravióli de Brie com molho shimeji" onde a combinação perfeita dos ingredientes fazia ainda com que pudéssemos sentir ainda cada um deles de fácil modo, mostrando que a preocupação com cada detalhe fosse colocada a prova a cada garfada. 


O próximo prato foi um "Salmão com purê de mandioquinha". O peixe estava no ponto, cozido e úmido por dentro com uma leve crosta crocante por fora e o purê, sem muito segredo, servia de fiel escudeiro.


Agora, antes da sobremesa, surgiu sobre nossa mesa um belo "Medalhão de filé ao molho poivre". Suculento, no ponto (rosa por dentro e levemente tostado por fora) o filé era escortado por gostosas batatas assadas. Delícia.


E o gran finale ficou por conta de um delicioso "Profiterolle com sorvete de creme e caldo de chocolate". Por fora uma crocante massa de carolina e por dentro um gostoso sorvete de creme com toques de chantili e calda quente de chocolate, tudo no capricho e com uma apresentação incrível!


Vocês devem estar se perguntando que, num blog de vinhos, ainda não falamos do vinho não é mesmo? Mas é claro que teve vinho para acompanhar toda a esbórnia relatada por aqui. Procurávamos um vinho branco fresco, corpo médio e que acompanhasse os pratos de forma serene, sem sobressair nem competir com os mesmos. Com a ajuda do sommelier chegamos ao Château Saint Maurice Côtes du Rhône Les Parcellaires Branco 2013. Este vinho é feito em Côtes du Rhône com as variedades Grenache e Roussane (50% de cada). Vamos as impressões?

O vinho tinha uma coloração amarelo palha com reflexos dourados, límpido e brilhante. No nariz o vinho mostrou aromas de frutos cítricos, flores e mel. Na boca o vinho tinha corpo médio e acidez na medida. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração. Foi um grande companheiro de toda a refeição, e deixou o dia ainda mais saboroso.

Para quem é cliente do referido banco, recomendo provar o menu degustação do Restaurante Avek. Conciso, saboroso e muito bem elaborado, irá agradar aos mais refinados paladares. Enquanto isso iremos provar outras opções que ofereçam tais serviços e compartilharemos por aqui.

Até o próximo!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Vinícola Neo Zelandesa Kim Crawford lança pipoca com sabores de vinho!

Em uma ação colaborativa com a empresa de pipoca gourmet Populence, sediada em Nova York, a Vinícola Neo Zelandesa Kim Crawford está trabalhando no lançamento de dois novos sabores de pipoca gourmet: Pinot Noir Chocolate Drizzle e Sauvignon Blanc Kettle, sendo que estas pipocas foram pensadas para serem degustadas em conjunto com os seus vinhos correspondentes: Kim Crawford Marlborough Pinot Noir e Kim Crawford Marlborough Sauvignon Blanc. Enquanto os snacks doces pretendem espelhar as notas gustativas encontradas os vinhos Pinot Noir e Sauvignon Blanc, os mesmos não possuem álcool em sua formulação.

Imagem retirada do site The Drink Business

A idéia surgiu quando a fundadora da Populence, Maggie Paulus, se deu conta de que pipocas tem sido snacks comumente encontrados em vários eventos e degustações no mundo do vinho. E ela se rendeu a esta idéia quando teve o apoio de uma vinícola muito conceituada como a Kim Crawford e de seus vinhos considerados de topo de gama .

A pipoca de Sauvignon Blanc é brilhante, alegre e cheia de sabor enquanto a Pinot Noir, por sua vez, usa a harmonização clássica de vinho e chocolate para aproveitar os sabores do vinho e criar uma ameaça indulgente ao consumidor. Ambos os sabores são feitos in-house na loja da Populence em West Village, Nova York.

Esta não é a primeira incursão de pipocas estilo gourmet com sabor de bebidas: a empresa de pipocas gourmet Pub-Corn, baseada no Missouri, tem produzido pipoca com sabor de cerveja sem álcool e cocktail desde 2008.

Não vá achando entretanto que os snacks são baratos não: 1 lata com aproximadamente 4 litros custará em média mais de 90 reais (valores/unidades convertidas grosseiramente e na data do post). E me parece óbvio que pelo menos a principio, nós meros brasileiros só poderemos provar tais iguarias em viagens ao exterior.

A idéia parece inusitada e para falar a verdade, ainda não tive a oportunidade/vontade de provar pipocas com sabores diferentes (destas ditas gourmet que se vendem aqui no país). Mas esta modinha gourmet (costumam falar "raio gourmetizador") tem atingido níveis impensáveis e até certo ponto, exagerados, em minha opinião. Se você, caríssimo leitor, provar a iguaria dia desses, deixe sua opinião aqui embaixo nos comentários e divida conosco.

Até o próximo!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Rodney Strong Russian River Valley Pinot Noir 2012

Como nem só de vinhos brancos é feita a adega de um homem, mesmo com as portas dos fornos dos céus abertas sobre nossas cabeças, resolvi arriscar um vinho tinto. A aposta não poderia ser sobre vinhos mais pesados, alcoólicos e tânicos mas vinhos mais leves e, por que não, refrescantes. Eis que surgiu o Rodney Strong Russian River Valley Pinot Noir 2012 em nossa pequena história de hoje. 


Quem produz este vinho é a Rodney Strong Vineyards, vinícola considerada uma das pioneiras da região de Sonoma County e que, segundo palavras do importador (SmartBuy Wines), é reconhecida por ser visionária nos estudos dos solos da região e variedades a serem plantadas. Por lá se estabeleceu a mais de 50 anos atrás através de seu fundador, Rod Strong até passar as mãos da família Klein em meados dos anos 1980. Possui vinhedos nas mais famosas apelações de Sonoma, tais como Alexander Valley, Russian River Valley, Chalk Hill e Sonoma Coast. Atualmente a vinícola conta em suas linhas com vinhos Chardonnay, Sauvignon Blanc, Pinot Noir, Zinfandel, Cabernet Sauvignon e alguns blends e single vineyards. Adicionalmente, sobre o Rodney Strong Russian River Valley Pinot Noir 2012, podemos dizer que é um vinho 100% feito com uvas Pinot Noir da AVA Russian River Valley e que o vinho, após fermentado, passa por 10 meses em barricas francesas de carvalho para envelhecimento/amadurecimento. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor rubi de média intensidade, bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e incolores.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, toques florais, especiarias e baunilha.

Na boca o vinho se mostrou de médio corpo, boa acidez e taninos macios. O vinho era muito sedoso e elegante. Retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Para acompanhá-lo minha esposa fez uma bela torta de frango com massa podre, seguindo receita da apresentadora Rita Lobo e o seu programa Cozinha Prática, no canal de tv pago GNT. Ficou divino e o vinho veio bem a calhar. Casamento gostoso. Eu recomendo a prova do vinho e da torta!

Até o próximo!

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Gries Gewürztraminer Kabinett halbtrocken 2012: Deutsch Wein im Glas!

Eu estou sempre aberto a provar novos vinhos e mais do que isso, gosto sempre de ter algumas coisas diferentes na adega. Acontece que vez ou outra, acabamos indo para o óbvio e tomando mais do mesmo. Só que algumas oportunidades exigem uma busca mais minuciosa nos vinhos entocados na adega e eu acabo "descobrindo" preciosidades escondidas nas profundezas, como foi o caso deste Gries Gewürztraminer Kabinett halbtrocken 2012. Só a título de informação, aquela expressão em alemão escrita no título quer dizer: vinho alemão na taça.


Este vinho é produzido pela Weingut Gries, uma vinícola alemã de cunho familiar, onde cada tarefa é delegada a determinado membro da família que tem mais afinidade e competência para a atividade. Seus vinhedos estão localizados nas encostas da Floresta do Palatinado e se estendem até o início do Vale do Reno. A família Gries utiliza o que há de mais moderno em pesquisa e tecnologia mas consegue aliar tudo isso com a tradição na arte de fazer vinhos. 

Sobre o Gries Gewürztraminer Kabinett halbtrocken 2012, podemos acrescentar que é um varietal 100% de uvas Gewürztraminer da região do Palatinado (Pfalz) e não passa por madeira. Conforme denominação do rótulo (halbtrocken) o vinho é considerado um vinho semi seco, apresentando algum açúcar residual. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração amarelo com reflexos dourados, bem brilhante e com limpidez invejável.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos maduros (lichia em evidência) e toques florais.

Na boca o vinho tinha boa untuosidade e acidez na medida. Leve sensação de dulçor, mais na entrada de boca. Retrogosto confirmava o olfato e o final era de longa duração. 

Um vinho delicioso e que caiu bem, mais uma vez com o nosso calor senegalês. Pelas palavras de minha esposa: "Eu tomaria um barril desse vinho". Daí já da pra ver que vale a pena ao menos provar, não é? Eu recomendo.

Até o próximo!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Degustando as novas safras dos vinhos da Vinícola Góes & Venturini!

Em recente viagem a São Roque, no interior paulista, aproveitei a oportunidade e (re)visitei a sede da Vinícola Góes. Eu sei que muitos que leram até esta linha já torceram o nariz quando leram vinho e São Roque na mesma frase. Mas eu já adianto que os vinhos que provei e irei comentar aqui não são feitos no interior paulista, com uvas não viníferas e coisas do gênero. São feitos por uma joint venture entre a vinícola paulista (Góes) e a gaúcha (Casa Venturini), que aos poucos, com produtos de entrada e de média gama, a empresa tem trazido alguns bons caldos pro mercado. 


Como já comentei algumas vezes sobre esta joint venture e inclusive já falei sobre alguns de seus produtos, vou poupar o tempo precioso que vocês, leitores do blog, dispõe e vou direto ao ponto e irei comentar os vinhos que provei e as novidades encontradas.


Comecei a degustação pelo Espumante Vivere Brut, feito a base de 80% Chardonnay (Campanha Gaúcha), 20% Pinot Noir (Serra Gaúcha) pelo método champenoise. Um vinho espumante de coloração palha com reflexos esverdeados, muito límpido e brilhante. Borbulhas em boa quantidade, constantes e pequeninas. No nariz o vinho tinha aromas de pêssego, abacaxi, floral e algo leve de mel. Era possível também sentir um pouco de amanteigado com fermento, lembrando croissant e massa folhada. Na boca o vinho tinha corpo leve para médio, boa acidez com boa formação de borbulhas. O retrogosto confirma o olfato. Final de média duração. Um bom espumante para o dia a dia.


O vinho seguinte da degustação foi o Casa Venturini Chardonnay Reserva 2013, um varietal 100% Chardonnay de uvas provenientes da região da Campanha Gaúcha sem passagem por madeira. Coloração típica amarelo com reflexos dourados, bom brilho e transparência. No nariz frutos cítricos e tropicais marcados: abacaxi e pêssego; com algo de floral. Na boca corpo médio, boa acidez e retrogosto confirmando o olfato. Final de longa duração. Um bom vinho e de custo benefício interessante. 


Passamos então ao Casa Venturini Merlot Reserva 2011, este uma novidade pra mim. O vinho é um varietal 100% de uvas Merlot provenientes de Campos de Cima da Serra, no Rio Grande do Sul e tem passagem por madeira. Na taça o vinho apresentou coloração violácea de média para grande intensidade, algum brilho e pouca transparência. No nariz o vinho mostrou aromas de frutas vermelhas com toques de especiarias e baunilha. Na boca corpo médio, boa acidez e taninos finos e em boa quantidade. Retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração. Grata surpresa, vinho honesto e sem defeitos, deve ir bem com comida.


O próximo da degustação foi o Casa Venturini Cabernet Sauvignon Reserva 2012, este por sua vez um varietal 100% Cabernet Sauvignon de uvas cultivadas nas regiões da Serra Gaúcha, e Campanha Gaúcha e passa por envelhecimento em barricas de carvalho francês. Vinho de coloração violácea de grande intensidade, algum brilho e com pouca transparência. No nariz aromas de frutos vermelhos e escuros com toques especiados e herbáceos. Leve lembrança de baunilha. Na boca corpo médio, boa acidez e taninos macios. Retrogosto confirma o olfato e o final é de média duração. Leve amargor que chega a incomodar um pouco. Não figura entre os meus favoritos.


Ficou reservado para o final um vinho que eu gosto muito, o Casa Venturini Tannat Reserva 2012. É um varietal 100% de uvas Tannat cultivadas na região da Campanha Gaúcha e passa por envelhecimento em barricas americanas de carvalho. O vinho apresenta uma bonita cor violáceo de grande intensidade, pouca transparência e brilho médio. No nariz mostra aromas de frutas vermelhas e escuras, toques de especiarias e lembrança de aromas animais. Na boca um vinho de corpo médio, boa acidez e taninos secos, rústicos e marcantes mas de boa qualidade. Retrogosto confirma o olfato com frutas e especiarias em evidência marcando um final de média para longa duração. Esse vinho se tornou um xodó pra mim, dado que é vinho muito barato e que sempre propicia bom prazer. 

Para quem ainda não conhece estes vinhos nacionais, recomendo que o façam. Se você estiver em um final de semana de bobeira, estiver em Sampa ou proximidades e quiser fazer um passeio bacana e descompromissado com a família, visite a sede da Vinícola Góes em São Roque, aprecie a vista muito bacana, o lago das carpas, almoce em seu restaurante e claro, deguste os vinhos da Casa Venturini, eu recomendo.

Até o próximo!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Montchenot Blanco 2013: Vinho hermano para arrefecer o calor!


E mais uma tentativa de amenizar o calor que assola o verão brasileiro, busquei nas profundezas da minha adega algum vinho branco que pudesse ser refrescante e de alguma forma acompanhasse refeições leves e desse aquela sensação de prazer que buscamos quando bebemos vinho. E foi assim que resgatei o Montchenot Blanco 2013 e coloquei-o em nossa mesa. 


O vinho é produzido pela Bodegas Y Viñedos Lopez, que representa um caso excepcional na indústria do vinho na Argentina, pois começou em 1898 e continua até hoje nas mãos da família fundadora, sendo mais de 116 anos de tradição. Seu fundador, José López Rivas, chegou em 1886 vindo da aldeia de Algarrobo em Málaga, na Espanha, onde se dedicou juntamente com sua família as videiras e oliveiras. Ele decidiu instalar seus vinhedos no país (Argentina) e escapar de uma praga devastadora, a filoxera, que afetou as vinhas por toda a Europa. Em 1898, ele estabeleceu-se definitivamente em Mendoza, e o peso da tradição vinícola da família Lopez não tardou a surgir. No mês de março deste mesmo ano começou a fazer os seus próprios vinhos nas melhores áreas da província, produzidos até os dias atuais com vinhas próprias e um princípio que permanece desde então: controlar todas as etapas da produção dos vinhos, cuidando e supervisionando cada detalhe.

Sobre o Montchenot Blanco 2013, podemos dizer que é um vinho elaborado a partir de uvas Chenin Blanc cuidadosamente selecionadas,  de vinhas da propriedade localizada em Los Carolinos, em Luján de Cuyo, Mendoza. É fermentado em tanques de inox, onde permanece até ser engarrafado, não passando por qualquer envelhecimento em barricas de carvalho. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração amarelo palha com reflexos verdes, bom brilho e bastante limpidez. 

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas cítricas e toques florais.

Na boca o vinho apresentou corpo médio e uma ótima acidez, se mostrando bastante gastronômico também. Retrogosto confirma o olfato e o final é de média para longa duração.

Um bom vinho branco para o dia a dia, bem feito e sem defeitos. Acompanha uma boa conversa ou mesmo uma refeição rápida e despretensiosa. Convida ao próximo gole. Realmente não é só de Malbec que vivem os nossos hermanos. Recebi mais esse bom vinho do Winelands Clube do Vinho, o Clube que eu assino e recomendo. Eu recomendo.

Até o próximo!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Lovico Chardonnay Reserve, Rolinhos de Berinjela e Suflê de Frango!

Para conseguir sobreviver com este calor senegalês que assola nossa terras brasilis somente com comidinhas mais leves e muito vinho branco. E essa tem sido a tocada desde a época das festas de final de ano por aqui, no reduto do Balaio. E não foi diferente com a combinação descrita ali em cima no título do nosso post de hoje. O vinho que participou de mais esta orgia foi o Lovico Chardonnay Reseve 2011


O vinho é produzido pela Vinícola Lovico Suhindol, na região de Suhindol, especificamente ao norte dos pés do montes das Balcãs e na parte sul da Planície do Danúbio, na Bulgária. O terreno é do tipo planície -montanhosa simples, com superfícies polifaciais e exposição do sudeste e do leste do sul, com inclinação de 2 a 6 graus e altitudes de 230-350 metros acima do nível do mar. Em termos de clima, esta região é abrangida pelo domínio climático continental europeu. A Vinícola Lovico Suhindol possui cerca de 300 hectares de vinhedos próprios na região, dentre os quais se destacam as castas Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay, Mavrud, Syrah, Cabernet Franc, Muscat, Sauvignon Blanc, entre outras, bem como a Gamza - uma casta emblemática autóctone do país. Foi fundada em 1909 e é uma das mais antigas do país além de ser um dos principais exportadores de vinhos da Bulgária, com a história das exportações datando desde 1914 e com destinos em mais de 40 países em 5 continentes. Hoje a vinícola é um dos principais nomes na indústria produtora de vinho da Bulgária. A implementação de métodos de vinificação moderna, aliada à tradição e experiência de mais de 100 anos de prática de negócios, garantem a criação de vinhos com o verdadeiro caráter búlgaro e de muita qualidade.

Sobre o Lovico Chardonnay Reserve 2011, podemos acrescentar que é um varietal 100% Chardonnay com uvas da região de Suhindol, na Bulgária e que passa 4 meses em carvalho. Uma curiosidade é que a fotografia do rótulo retrata as vinhas ancestrais que foram plantadas em 1909 quando a vinícola foi fundada. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração amarelo palha com reflexos tendendo ao dourado, muito límpido e com um bom brilho.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos cítricos e tropicais, toques de mel e leve lembrança de baunilha.

Na boca o vinho mostrou corpo médio e boa acidez. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Como nem só de bebidas vive o homem, minha mulher preparou iguarias deliciosas: rolinhos de berinjela grelhada recheada com ricota temperada, tomate seco e manjericão além de um delicioso suflê de frango sem glúten. A untuosidade da preparação, o leve amargor da berinjela e o toque fresco do manjericão casaram bem com o vinho. O suflê também não apresentou maiores dificuldades e foi um bom aliado da refeição. Recebi mais esse bom vinho do Winelands Clube do Vinho, o Clube que eu assino e recomendo. Me parece que irá acompanhar bem esse nosso verão senegalês. Eu recomendo.

Até o próximo!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Champagne Montaudon Brut: Energia positiva no ano que se inicia!

Revirando meus alfarrábios percebi que ainda tenho bastante coisa bacana pra falar por aqui e, mesmo não sendo o primeiro na lista, resolvi falar hoje de um vinho espumante que eu gostei muito e que foi degustado ainda durante o período das festas (como muitos que ainda estão em minhas notas). Estou falando do Champagne Montaudon Brut.


A Maison Montaudon foi fundada em 1891 por Louis Auguste, e é uma tradicional casa de Champagne com fama e reconhecimento internacional. Desde dezembro de 2008, a empresa pertence à Moët Hennessy, do grupo LVMH, responsável por mais de 25% de todas as vendas e exportações dos vinhos desta famosa região francesa. Sua história tem início em Epernay, mas atualmente está localizada na região de Reims, onde mais de 45 hectares de vinhas estão plantadas.Embora as instalações sejam históricas, o processo de produção conta com o melhor da tecnologia disponível no setor de vinificação.

O Champagne Montaudon Brut é feito com o corte típico da região de Champagne: Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier sendo ainda que 20% do vinho base envelhece por vários meses em barricas de carvalho. Tem por volta de 12% de graduação alcoólica. Vamos as impressões?

Na taça o champagne apresentou uma bonita cor amarelo palha com reflexos verdes, bom brilho e um perlage persistente e abundante de pequeninas borbulhas.

No nariz o champagne apresentou aromas de frutas cítricas e de polpa branca, toques florais, mel e panificação.

Na boca o champagne se mostrou muito fresco e cremoso, mas ainda assim leve. Retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração. Boa formação de espuma também.

A cada dia que passa e com o aumento da "litragem" com relação aos champagnes, posso dizer que me torno mais e mais fã desta bebida. Este foi provado no dia primeiro de janeiro, pós virada de ano e arrebentou na mesa. Se você é também fã desta bebida, não deixe de provar este que está no mercado nacional por um super preço abaixo dos 100 dinheiros. Eu recomendo.

Até o próximo!

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Vila Don Patto: Pedacinho de Portugal em São Roque-SP!

A pouco mais de 50km da cidade de São Paulo fica situada a cidade de São Roque, conhecida principalmente no passado por abrigar mais de uma centena de vinícolas coloniais, daquelas que se produziam litros e litros de "vinhos" de garrafão. Isso se deu devido ao fato da vinda de imigrantes italianos e portugueses para a região, que cobriram as encostas dos morros com vinhedos, instalaram suas adegas e transformaram São Roque na famosa "Terra do Vinho". Depois de uma fase de decadência, hoje ainda existem algumas vinícolas por lá, muitas das quais a despeito do trabalho hercúleo para produzir algo com qualidade além dos vinhos de garrafão, firmaram negócios com vinícolas no sul do país e tem crescido de forma consistente e trazendo novidades ao mercado. E junto com este trabalho de resgate da história do vinho paulista, existe um grande investimento em turismo, com pousadas, hotéis, restaurantes, atrações, etc. E é sobre um desses locais que iremos falar aqui hoje, A Vila Don Patto.


A Vila Don Patto se intitula como um centro de gastronomia e diversão para toda a família, numa região muito verde e de muito contato com a natureza, na Rota do Vinho de São Roque. Claro que grande parte do fator gastronômico é focado na cozinha portuguesa, principalmente quando falamos do Restaurante Don Patto. Entre outras atrações disponíveis no complexo estão: adega onde você encontra vinhos nacionais e importados, além das exclusivas linhas de vinhos Don Patto com mais de cem anos de tradição em São Roque: Vinhos Pattão e Don Patto, vinhos exclusivos engarrafados na região do Douro em Portugal; empório com sua tradicional linha de produtos "gourmet"como doces, temperos, queijos e biscoitos; cafeteria onde você pode provar uma boa linha de cafés gourmet, onde você mesmo é responsável por coá-lo "old style"; sorveteria e chocolateria que oferece bombons, trufas, barras de chocolate e é claro, sorvetes em suas mais variadas formas; e por fim espaço kids e fazendinha, onde a criançada pode se divertir e visitar alguns bichinhos que não comumente encontrados em nossa vida urbana.


Mas gostaria mesmo é de focar no restaurante, pois foi onde escolhemos para fazermos nosso jantar. Como dito anteriormente, podemos encontrar a maioria dos pratos considerados tradicionais da culinária portuguesa, pelo menos em solo brasileiro: alheira, linguiça de bacalhau na chapa, bolinhos e pastéis de bacalhau, sardela ou alichela além dos deliciosos pratos à base de bacalhau, como o tradicional Bacalhau da Vila, Zé do Pipo, postas Don Patto e postas às natas entre outros. Optamos por algo um pouco mais ousado e, sem conhecermos muito bem, pedimos o Leitão da Bairrada a moda Don Patto. Apesar de me parecer não muito fiel a receita tradicional, confesso que o prato apresentado era muito gostoso. A carne de porco estava muito perfumada (graças em parte ao alecrim que fazia parte do tempero) e, embora crocante por fora, estava tenra e suculenta por dentro. Acompanhava ainda batatas assada e brócolis com azeitonas pretas. Era um banquete e tanto e servia com propriedade duas pessoas.


É claro que, para acompanharmos o prato, a escolha óbvia recaiu sobre um vinho português, ora pois. E o escolhido foi o EA Vinho Regional Alentejano Tinto 2012, produzido pela gigante e famosa Adega Cartuxa, parte do grupo Fundação Eugênio de Almeida, com sede em Évora, no Alentejo. A Instituição é também herdeira de uma longa história no setor vitivinícola, pois desde o final do século XIX que a cultura da vinha faz parte da tradição produtiva da Casa Agrícola Eugénio de Almeida. É um vinho feito a partir de um corte de Aragonez, Trincadeira, Alicante Bouschet e Castelão sem passagem por madeira. Vamos ver o que ele nos mostrou?


Na taça o vinho apresentou aquela coloração rubi violácea de grande intensidade, algum brilho e pouca transparência. As lágrimas eram finas, rápidas e em boa quantidade, mostrando também alguma cor. Já no nariz o vinho mostrou aromas de frutos escuros em compota e algo floral. Na boca o vinho mostrou médio corpo, taninos finos e em boa quantidade além de uma gostosa e refrescante acidez. O nariz se confirma na boca e o final era de média para longa duração. Acompanhou bem o leitão sem qualquer sombra de dúvida, foi uma boa pedida. Me pareceu um vinho com todas as características próprias de vinhos jovens, fáceis de beber e para consumo rápido acompanhando comida ou mesmo em um dia um pouco mais friozinho, em uma boa companhia. Já havia provado a versão branca dele na safra 2009 (aqui) e as impressões também foram boas. Enfim, recomendo a prova.


E assim nos despedimos de um dia sensacional e nos dirigimos para o merecido descanso, agradecendo a vida e brindando a cada momento. Se você estiver passando por São Roque e região, ou mesmo se quer um fazer um passeio em família, eu recomendo a visita a cidade e aos atrativos turísticos da Rota do Vinho. Desprenda-se das amarras e preconceitos, não vá em busca de vinhos do primeiro escalão da qualidade mas sim de diversão, boa comida e momentos perto da natureza que eu tenho certeza que fará um bom negócio.


Até o próximo!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Vinhos, picnic, vinhedos & amigos: Quer harmonização melhor?

Se tem algo que eu não fazia a muito tempo era um picnic. E o mais engraçado disso tudo é que, quando éramos mais novos, talvez não déssemos tanta importância para determinadas coisas, como um picnic. Eu sempre fui muito agitado e desde pequeno, não gostava de ficar muito tempo parado e tal. E um picnic nem era uma das minhas atividades preferidas por este motivo. Mas com o passar do tempo, percebemos que há coisas que precisam de tempo, de calmaria, enfim, estar em meio a natureza, com amigos, boas comidas e claro, muitos vinhos, é sempre gostoso. E foi isso que fizemos este final de semana, na Vinícola Bella Quinta, em São Roque, no interior paulista.


O dia se desenhava azul, ensolarado e quente. Os amigos chegavam. O local era verde, colorido e a relva estava até meio úmida. Ao estendermos as toalhas e alinharmos em colorido todos os "comes e bebes", a tarde já mostrava que seria especial. O tema da tarde seria vinhos brancos e comidinhas. Como o blog é de vinhos, vou comentar um pouco sobre os vinhos degustados por lá. Espero que se deliciem e capturem a essência do lugar, assim como nós fizemos.


Para abrirmos os trabalhos e fazermos o primeiro brinde de 2015, nada poderia ser mais emblemático que um Champagne. E o escolhido para tal foi o Champagne Aubry Brut Premier Cru, feita pelos irmãos Pierre e Philippe Aubry em uma área de cinco hectares compostos por mais de sessenta parcelas. Esta gama de solos, exposições, diferentes variedades de uvas, permite que os dois irmãos perpetuem o estilo que o nome Aubry ajudou a criar. O interessante destes irmãos é que usam todas as uvas permitidas em Champagne para elaborar seus espumantes e não se prendem somente as 3 principais. No caso desta especificamente 45% Pinot Meunier, 25% Pinot Noir, 25% Chardonnay e 5% das variedades antigas Arbanne, Petit Meslier e Fromenteau. Fica de 18 a 24 meses em contato com as leveduras. Todo esse esmero gera um champagne de coloração amarelo com reflexos dourados, boa formação de perlage, com borbulhas bem pequenas e persistentes. Era "barulhenta"! Aromas cítricos, de frutos tropicais, florais, minerais e de panificação faziam parte do olfato. Em boca é cremosa, fresca e confirma toda complexidade. A lembrança fica muito tempo na boca. E esse era só o começo.


Para continuarmos em alto nível passamos ao espumante Domno .Nero Blanc de Blancs, do grupo Famiglia Valduga, que co-investe neste projeto com uma nova empresa, a Domno do Brasil. Este é um espumante nacional 100% Chardonnay feito pelo método charmat. Apresentou coloração amarelo palha com reflexos esverdeados, perlage persistente e bem delicado. Aromas de abacaxi e frutas tropicais. Na boca é fresco, refrescante e com boa formação de espuma. Confirma o olfato e o final é de média duração.


Depois era hora de começarmos com curiosidades, com o Nomad Pinot Grigio 2012, diretamente da Romênia, produzido por Domeniile Sahateni, vinícola romena de propriedade de Aurelia Visinescu (enóloga). Falei mais sobre ela e a vinícola aqui. Um varietal 100% Pinot Grigio. Coloração palha clara, com reflexos verdes, brilhante e de boa transparência. Aromas discretos de frutos tropicais. Corpo leve, acidez na medida. Retrogosto confirma o olfato. Final curto e discreto.


Continuamos a agradável tarde em companhia do vinho americano Cline Viognier North Coast 2012 da Cline Cellars, uma vinícola fundada inicialmente em Oakley na California que depois teve sua sede levada para Carneros, no Sonoma. Aqui um 100% Viognier. Cor amarelo dourado com toques meio rosados, bastante brilho e ótima transparência. Aromas de fruta tropicais (abacaxi e pêssego), frutas cítricas e toques florais. Me lembrou um pouco de lichia também. Corpo médio, boa untuosidade e acidez moderada. Retrogosto confirma o olfato num final de longa duração.


Nos aproximávamos do final do nosso encontro, mas ainda tínhamos um vinho para degustar. O escolhido para fechar com chave de ouro nosso dia foi o Sibaris Undurraga Reserva Especial Chardonnay 2012. A Viña Undurraga foi fundada em 1885 sendo que a primeira colheita se deu em 1891. Dai pra frente, só alcançou o sucesso, sendo inclusive a primeira vinícola chilena a exportar para o exigente mercado americano em 1903. Possui vinhedos espalhados nas melhores zonas vinícolas do Chile e são dedicadas exclusivamente ao cultivo e produção de vinhos. A linha de vinhos Sibaris se dá em homenagem a cidade homônima, reconhecida na antiguidade pelo refinamento de seus habitantes que gostavam de luxo e do prazer dos sentidos. É um vinho 100% Chardonnay com uvas provenientes do vinhedo chamado Fundo de Santa Ana no Vale do Maipo, fermentado e maturado por 9 meses em barricas de carvalho francês. Sua coloração se mostrou de um amarelo com tendências douradas, bom brilho e muita limpidez. Nos aromas encontramos frutas como abacaxi e pêssego, com toques de mel, baunilha e algo que lembrava fósforo. Na boca é um vinho untuoso, fresco e que encanta. O retrogosto confirma o olfato e o final é de longa duração.


Depois de algum papo, muitos bons vinhos, reencontros, era hora de nos despedirmos com a vontade de que encontros como este aconteçam cada vez mais e sejam frequentes no ano que se inicia, mesmo com as agendas cheias de todos nós.

Até o próximo!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

KM 0 Río de La Plata Reserva Sauvignon Blanc: Para combater o calor!

Eu tenho ouvido muito a respeito dos vinhos uruguaios nos últimos tempos dada a qualidade que eles tem apresentado e muitas vezes, fugindo do estigma da uva Tannat, como é o caso de hoje. Falaremos então de um vinho branco, mas que também tem mostrado sua força por lá. Qual é o vinho? O KM 0 Río de La Plata Reserva Sauvignon Blanc.


Já cometei algumas vezes por aqui sobre a vinícola e sua história, mas não custa nada relembrar: "A Bodega Irurtia, produtora do vinho em questão, nasceu com a chegada ao Uruguai do imigrante Vasco Don Lorenzo Irurtia nos primeiros anos do século passado. Sua paixão pelos bons vinhos e a dedicação ao trabalho no cultivo da videira dão seus frutos em 1913 com a primeira vindima. A quarta geração da família Irurtia ainda está estabelecida em Carmelo e hoje administra os negócios da família. Cinco irmãos, filhos e filhas de Dante Irurtia e Estela González assumiram o legado da família e o desafio de ir junto com seus antepassados por uma ​​estrada infinita, através da melhoria da qualidade de seus vinhos com a mesma paixão e dedicação de seus antepassados e a responsabilidade de manter e aumentar o reconhecimento internacional dos vinhos Irurtia, da cidade de Carmelo e do orgulho uruguaio". Já sobre o KM 0 Río de La Plata Reserva Sauvignon Blanc, só acrescentando que é um varietal 100% e que não passa por qualquer envelhecimento, seja em barrica, seja em garrafa. Vamos então as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração amarelo palha com reflexos verdes, bom brilho e bastante limpidez.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos como maracujá e pêssego, seguidos de leve toque herbáceo. 

Na boca o vinho apresentou corpo leve e acidez muito refrescante. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Recebi mais esse bom vinho do Winelands Clube do Vinho, o Clube que eu assino e recomendo. Me parece que irá acompanhar bem esse nosso verão senegalês. E que o Uruguai se prepare, finalmente irei visitá-lo e a algumas de suas bodegas! 

Até o próximo!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Artisan Feteasca Alba Barrique 2012: Ouro líquido romeno!

Antes de mais nada, só quero esclarecer que o título do post faz alusão a coloração do vinho e não sobre a sua qualidade. Não quero criar caso com a patrulha virtual que logo irá me crucificar dizendo que estou endeusando um vinho quando na verdade o trocadilho se refere tão somente a sua cor.

Passada esta etapa, vamos ao que interessa. Minha esposa gosta muito de cozinhar, muito mesmo. E nós, além disso, somos bons comedores e gostamos também de um bom programa de culinária na tv, afinal de onde iríamos tirar tantas receitas novas não é mesmo? Enfim, minha esposa viu em um destes programas uma receita de macarrão à carbonara, segundo o tal programa a receita "original" italiana. E nesta receita iria um pouco de vinho branco, que depois obviamente teria o restante do conteudo da garrafa consumido por nós mesmos. Foi ai que, revirando minha adega achei o Artisan Feteasca Alba Barrique 2012. Exitei por um momento mas, pensei sobre a receita e sua untuosidade, resolvi arriscar. E o resultado final foi bom! Vamos ver o que descobrimos sobre o vinho na sequência?


O vinho em questão é produzido por Domeniile Sahateni, vinícola romena de propriedade de Aurelia Visinescu, uma respeitável enóloga romena, e seu sócio. A vinícola é baseada na região Dealu Mare, onde o "terroir" provou que vinhos excepcionais podem ser alcançados, sendo composta por 70 ha de videiras. Investimentos da ordem de até 5 milhões de Euros foram feitos e dedicados ao plantio e replantio de vinhas, modernização da adega, ampliação de capacidade e outros. A capacidade total de produção é de 1.000.000 garrafas por temporada. Uma parte dos vinhos é envelhecido em barricas de carvalho romeno e também envelhecidos em garrafa na adega. As principais variedades de uvas são: Feteasca Neagra, Merlot, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir - para os vinhos tintos e Feteasca Alba, Chardonnay, Riesling, Sauvignon Blanc, Tamăioasă Romaneasca e Muscat Ottonel para os vinhos brancos. O que vemos aqui é a utilização de castas internacionais mas também um grande uso de uvas autóctones romenas e pouco conhecidas por nós brasileiros, o que torna provar o vinho por si só já uma descoberta. São 3 linhas de vinhos: Nomad, Artisan e Anima. A primeira (Nomad), segundo a enóloga é focada em vinhos mais ao estilo novo mundo e visa àqueles que gostam se aventurar por tal estilo; já a segunda (Artisan) é uma linha mais dedicada às uvas autóctones romenas e a região de Dealu Mare; por fim, a terceira linha (Anima) é a linha de vinhos exclusivos, considerados os tops da vinícola.

Sobre o Artisan Feteasca Alba Barrique 2012, só nos resta acrescentar que é um exemplar feito 100% com as uvas Feteasca Alba dos ensolarados vinhedos de encosta Naeni Village, no condado de Buzau. Passa por cerca de 4 meses em barricas. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração dourada, brilhantes e límpida. Lágrimas finas, rápidas e incolores também puderam se fazer notar.

No nariz o vinho mostrou aromas de pêssegos e melões bem maduros (davam aquela sensação de doçura), além de toques de manteiga e baunilha. 

Na boca o vinho se mostrou gordo, untuoso mas com uma boa acidez para balancear. Retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Mais um bom vinho romeno provado por aqui, este que é mais um vinho que me foi apresentado pelo Winelands Clube do Vinho, o clube que eu assino e recomendo. Acompanhou bem o macarrão à carbonara e fez a noite fluir mais tranquila.

Até o próximo!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Herdade do Arrepiado Velho Tinto 2012: Versatilidade e bom custo!

Fazia tempo que eu não falava por aqui dos vinhos que, em minha humilde opinião pessoal, são os que consistentemente apresentam as melhores relações custo benefício em se tratando do mercado brasileiro de vinhos finos, que são os vinhos portugueses e mais especificamente, dos vinhos do Alentejo. E eis que voltamos hoje com mais um exemplar que se encaixa perfeitamente nesta categoria, o Herdade do Arrepiado Velho Tinto 2012. Vamos ver o que sabemos sobre ele?


A Herdade do Arrepiado Velho, produtora do vinho, se encontra em Sousel, a cerca de 40 km de Portalegre, no Alto Alentejo e integra a Rota de São Mamede - um dos três caminhos da rota dos vinhos do Alentejo. Foi no ano de 2002 quando os 33 hectares de vinha foram plantados, num terroir que combina, de forma rara, solos xistosos de acentuados declives com temperaturas amenas e abundância de água, características naturais indicadoras de grande potencial. David Both, então o viticultor na época, e António Maçanita, enólogo, juntaram os seus conhecimentos, inovação e dedicação, selecionaram as castas e criaram a já apelidada "Vinha dos 100 pontos". A partir de 2012, a vinha passa a ficar a cargo de Nuno Ramalho, viticultor atual. Apesar de já haver o projeto para uma adega nova, a já existente está equipada com a mais avançada tecnologia disponível e devidamente dimensionada para a atual produção de vinhos, que nascem a partir de enologia moderna combinada de forma sublime, com a tradição portuguesa.

Sobre o Herdade do Arrepiado Velho Tinto 2012, podemos ainda incluir que é um vinho 1005 Touriga Nacional que passa por cerca de oito meses de envelhecimento em barricas de carvalho francês (porcentagem do vinho apenas, pelo que entendi). Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de grande intensidade, bom brilho e quase nenhuma transparência. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas também podiam ser notadas nas paredes da taça.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos escuros em compota e toques florais. Leve lembrança de tostado ao fundo da taça.

Na boca o vinho se mostrou de corpo médio para encorpado, acidez viva e taninos macios. Retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Esse vinho foi adquirido no Horti Fruti Oba e foi uma boa pedida por cerca de 40 dinheiros. Acompanhou bem um prato de filé mignon ao molho de páprica (não muito picante) com batatas. Eu recomendo.

Até o próximo!

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Kendall-Jackson Vintner's Reserve Chardonnay 2012 & War: Harmonização?

Quando pensamos em harmonização de vinhos, logo nos vem a mente que estamos falando de comida. Mas nem sempre é isso que estamos querendo dizer. Harmonizar, de forma mais simples, quer dizer conciliar, fazer com que duas coisas concordem, enfim, que se obtenha um casamento (perfeito) na situação proposta. E o vinho, como alimento versátil que é, muitas vezes é ligado também a música, a situações emocionais e muitas outras coisas. Desta vez, em casa, propusemos uma "brincadeira" diferente. Resolvemos que, enquanto passaríamos momentos agradáveis em família jogando o famoso jogo de tabuleiro "War", iríamos "harmonizá-lo" com um vinho. O vinho? Foi o Kendall-Jackson Vintner's Reserve Chardonnay 2012.


Fundada em 1982, a Kendall-Jackson viu, entretanto, sua história começar ainda no começo dos anos 70, quando Jess Jackson começou o cultivo de pêras em sua propriedade na Califórnia. E logo no início dos anos 80, quando havia começado o cultivo e comercialização de uvas para outras vinícolas quando se viu as voltas com uma grande compra cancelada e uma enorme quantidade de uvas nas mãos. Foi então que sua primeira garrafa foi produzida. Agora, quase três décadas depois, a vinícola Kendall-Jackson produz uma variedade de vinhos super-premium cuja qualidade, sabor e integridade encarnam o espírito da missão de seu fundador. A Kendall-Jackson é uma vinícola familiar, e como tal, se utiliza de condições mais favoráveis a experimentações, estratégias de longo prazo e afins. Um exemplo desta forma de pensar é o cultivo de uvas em vinhedos sobre encostas das montanhas da Costa da Califórnia, que torna mais difícil todo seu manejo, mas que tem melhor insolação e sanidade, entre outros atributos. As gerações futuras da família, normalmente já envolvidas no processo, ficam incumbidas de gerar os frutos de tais riscos corridos, sobrepondo-se por exemplo aos ganhos monetários imediatos.

Sobre o Kendall-Jackson Vintner's Reserve Chardonnay 2012, podemos acrescentar que, apesar de ser um varietal 100% Chardonnay, suas uvas vem de diferentes regiões da Califórnia, conforme descrito a seguir: 36% de Monterey County, 33% de Santa Barbara County, 14% de Mendocino County, 14% de Sonoma County e 3% de San Luis Obispo County. Além disso o vinho é fermentado e envelhecido sur lie em barricas de carvalho francês e americano, sendo que passa por battonage mensal. Vamos finalmente as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração amarelo palha com tendência douradas, um bom brilho e uma ótima transparência.

No nariz o vinho apresentou aromas de abacaxi e pêssego. Além disso apareceram também aromas de baunilha, mel, manteiga e uma leve lembrança de fósforo.

Na boca o vinho era untuoso, gordo mesmo, mas com uma ótima acidez. Retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

A brincadeira de harmonização funcionou e o vinho era incrível. O jogo durou umas 4 horas mas o vinho se foi bem antes disso. Este foi trazido na mala durante uma viagem aos EUA. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Intipalka Extra Brut: O Natal borbulhante chegou ao Peru!

Da série dos vinhos espumantes consumidos durante as festividades do Natal, surgiu (mais) uma grata surpresa vinda do Peru. Desta vez falaremos do Intipalka Extra Brut. Vamos ver o que descobrimos e percebemos dele?


Um dos maiores produtores de Pisco (bebida destilada a base de uvas) do mundo, o Peru também começa agora a figurar entre os países produtores de vinho, ainda que em uma menor escala. E um produtor que tem apostado e alto neste mercado, e claro, coincidentemente é o produtor do vinho de hoje, Santiago Queirolo, nas cercanias de Lima, no Peru. Sua fundação se deu em 1880, com a fabricação de Pisco e de vinhos coloniais (ou de garrafão) feitos a base de uvas de mesa. Entre mudanças da localização dos vinhedos à modernização da bodega, a terceira geração da família assume o controle da vinícola e o grande salto qualitativo acontece. E esta modernização inclui a aquisição e plantio de vinhas na região do do Vale do Ica, região mais ao sul de Lima, da onde vem as uvas Chardonnay que compõe o vinho espumante de hoje. É feito pelo método Charmat e fica 4 meses em tanques, em contato com as leveduras após a segunda fermentação, para posterior engarrafamento.

Na taça o vinho espumante apresentou uma coloração amarelo palha com reflexos tendendo a um verde claro, bom brilho, boa transparência e formação consistente de pequenas borbulhas com consequente boa formação de coroa.

No nariz o vinho espumante apresentou aromas de frutos cítricos (abacaxi em destaque), toques florais e leve lembrança de mel.

Na boca o vinho espumante se mostrou leve, com excelente acidez e boa formação de espuma. Retrogosto confirma o olfato e o final é de média para longa duração.

Uma ótima opção de vinho espumante, diferente do usual que estamos acostumados por aqui. Serviu para dar continuidade as comemorações de Natal de forma brilhante. Recebi esse belo exemplar do Winelands Clube do Vinho, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

sábado, 3 de janeiro de 2015

Prosecco 1000 Bolle Treviso DOC: Ainda sobre o natal e seus vinhos

Passadas as festividades de natal e ano novo, após uma pequena folga, este que vos fala tenta colocar em dia a grande quantidade de vinhos que provamos por aqui, juntamente com as comidas especiais que provei e o carinho de todos que estiveram curtindo a nosso lado este momento tão especial. É difícil até começar o texto sem me emocionar com tudo que passei, afinal a família é tudo que precisamos nesta vida e quando podemos dividir nossos interesses e hobbies então, tudo fica melhor ainda. Hoje falaremos de mais um dos vinhos espumantes que provamos na noite de natal, o Prosecco 1000 Bolle Treviso DOC.


Até pouco tempo atrás, Prosecco era o nome da uva e do vinho espumante (branco) oriundo desta mesma uva, nativa da Itália, mais precisamente nas regiões de Valdobbiadene e Canegliano, no Vêneto. Só que não havia legislação nenhuma, ao contrário de Champagne, que protegesse o vinho espumante italiano de ser copiado mundo afora, desde que se usasse a uva Prosecco. No entanto a Itália deu um passo a frente a poucos anos e, além de proteger seu vinho espumante, passou a utilizar o nome ancestral da uva, agora se chamando Glera, reservando o nome Prosecco para a região demarcada e controlada. O método de produção é o Charmat, onde a segunda fermentação ocorre em grandes tanques de aço inox e não na própria garrafa (como Champagne, por exemplo).

O Prosecco 1000 Bolle Treviso DOC é produzido pela Tenuta Carretta, derivada da palavra carro, que incrivelmente significa pedra, e naturalmente veio a denominar a vinícola uma vez que existe um banco de giz que existe nas proximidades da entrada da Tenuta. A história aqui não é precisa, mas existem registros que datam do início do século XII como o início do cultivo das terras hoje existentes na propriedade. Duzentos anos mais tarde novas parcelas foram adicionadas e as propriedades expandiram. No entanto só em meados dos anos 1980 houve um revival da propriedade se inspirando nas belezas das encostas e o imediato início na produção de vinhos, com respeito as tradições mas com o olho voltado as novidades e tecnologias mais recentes existentes no mercado enológico atual. Finalizamos sobre o vinho espumante, um corte de Glera e Chardonnay. Vamos as impressões?

Na taça o vinho espumante mostrou uma coloração bem clara, tendendo a um prata quase incolor. Bom brilho, ótima transparência, boa formação de perlage, com bolhas pequenas e persistentes, formando boa coroa.

No nariz o vinho espumante apresentou aromas de frutos brancos e cítricos com leve lembrança floral ao fundo.

Na boca o vinho espumante apresentou corpo leve, acidez deliciosa e refrescante e leve dulçor em sua entrada. Retrogosto confirma o olfato e adiciona algo de mel no final, que é de média duração.

Uma ótima opção de vinho espumante, diferente do usual que estamos acostumados por aqui. Deve combinar bem com pratos leves e entradinhas, sendo que se tomado só também seca a garrafa de maneira rápida. Serviu para o início da noite de Natal, com muito papo bom e alguns aperitivos. Recebi esse belo exemplar do Winelands Clube do Vinho, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!