quarta-feira, 27 de maio de 2015

Luis Felipe Edwards Seleccion de Familia Gran Reserva Merlot 2013

Na incessante busca por vinhos que, a preços acessíveis ao consumidor médio, possam entregar qualidade e prazer, continuo meu garimpo e posts relacionados ao tema. Hoje fomos ao Chile para buscar o exemplar que será discutido. O vinho em questão é o Luis Felipe Edwards Seleccion de Familia Gran Reserva Merlot 2013. Vamos ver o que podemos falar sobre ele?


A história de Viña Luis Felipe Edwards (LFE), produtora do vinho, remonta a 1976, quando Luis Felipe Edwards Sr. adquiriu a propriedade Fundo San José de Puquillay, localizado no Vale do Colchagua. A propriedade fica situada em um vale em forma de ferradura isolado, separado do majestoso e coberto de neve Andes pelo de seus cumes, San Fernando. Naquela época, ele plantou 60 hectares de vinhas, entre elas principalmente Cabernet Sauvignon, Malbec, Merlot e Carmenère. No início dos anos noventa, Luis Felipe Sr. decidiu fazer vinho com seu próprio nome e assim construiu uma moderna adega, equipada com a mais recente tecnologia no estado da arte da vinificação. A primeira safra, Luis Felipe Edwards Cabernet Sauvignon 1994, foi lançado no mercado internacional no final de 1995. A Viña Luis Felipe Edwards tem crescido desde então com o intuito de ser a maior empresa de vinhos de propriedade 100% familiar do Chile, com 1.850 hectares de vinhedos e tendo seus produtos exportados para mais de 70 países; duas gerações estão ativamente envolvidas em manter a marca sinônimo de qualidade e os valores familiares tradicionais nos dias de hoje.

Já sobre o Luis Felipe Edwards Seleccion de Familia Gran Reserva Merlot 2013, podemos acrescentar que apesar de rotulado como varietal (conforme legislaçao local) tem em sua composição 85% de uvas Merlot e 15% de uvas Carmenere de suas propriedades no Vale do Colchágua e são envelhecidos por um período mínimo de 12 meses em barricas de carvalho francês e americano. Vamos finalmente as impressões sobre o vinho?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor violácea de grande intensidade, bom brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, rápidas, em quantidade razoável e quase incolores também se faziam notar.

No nariz o vinho apresenta aromas de frutos vermelhos maduros, toques florais, de café com leite e madeira. 

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos marcados e presentes, mas de boa qualidade. Retrogosto confirma o olfato e o final era de média e saborosa duração.

Em um mercado inundado por vinhos hermanos (Chile, Argentina e em uma pequena quantidade, Uruguai) as vezes é bom separar o joio do trigo. Considero que este Luis Felipe Edwards Seleccion de Familia Gran Reserva Merlot 2013 seja parte do trigo, ainda mais pelo valor pago (R$ 39 no Pão de Açúcar). Eu recomendo. 

Até o próximo!

terça-feira, 26 de maio de 2015

Prologo Late Harvest Moscatel de Alejandría 2012

Eu confesso que vinhos de sobremesa não são o meu forte, apesar de gostar muito deles. A verdade é que eu tenho uma certa dificuldade de parea-los com alimentos e afins por que tenho evitado comer muitos doces, afim de tentar manter o peso numa condição minimamente saudável. E com o passar dos anos, a idade tem pesado e isso tem se tornado um verdadeiro martírio. Mas, deixando de lado a parte ruim da história, vamos falar de um vinho de sobremesa que nos foi presenteado e veio diretamente do Chile para nossa mesa, o Prologo Late Harvest Moscatel de Alejandría 2012.


Este vinho é produzido pela Viña Francisco de Aguirre, cuja tradição começou há mais de 450 anos atrás, quando o conquistador espanhol Francisco de Aguirre plantou a primeira vinha na região do Valle del Limarí. As vinhas situadas em um oásis na fronteira sul do Atacama eloqüente, aproveitando os benefícios do sol e da brisa proveniente do mar do Oceano Pacífico começaram a ser adquiridas ainda em 1993, data também onde foi finalizado o projeto com a aquisição de 100 hectares no Valle del Limarí, cerca de 12 quilômetros de Ovalle. Em 1995 se iniciou a produção de vinhos finos. 

Sobre o Prologo Late Harvest Moscatel de Alejandría 2012, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito com 100% de uvas Moscatel de Alejandría, uva branca da família da Moscatel (esta mesmo que temos por aqui no Brasil), sendo que sua maior expressão se encontra na Espanha, nas regiões de Málaga e de Valência. Como o nome já diz também, a colheita das uvas é feita da maneira mais tardia possível, bem depois das outras uvas, fazendo com que as uvas sequem nas vinhas até se tornarem quase uvas passa, concentrando todos seus açúcares e idealmente mantendo sua acidez. Sem mais delongas, vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração amarelo dourado com excelente brilho, boa limpidez e lágrimas pesadas, lentas e incolores.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos cítricos e frutos cristalizados, mel e algo de flores brancas.

Na boca o vinho é gordo, acidez deliciosa e boa estrutura. Retrogosto confirma o olfato e o final é longo e saboroso.

Um delicioso vinho de sobremesa, deve acompanhar bem tortas a base de frutas ou mesmo cheesecakes. Fica na memória por um bom tempo e eu arriscaria bebericá-lo também como aperitivo por não ser tão doce e/ou enjoativo. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

José Maria da Fonseca Terras Altas Dão 2012

Hoje é dia de garimpar vinhos com bom custo benefício por aqui e começamos, vejam só, com um vinho de um país que eu sempre defendi como berço dos melhores vinhos com relação custo benefício existentes no mercado nacional, que é Portugal. Qual o vinho? O vinho escolhido é o José Maria da Fonseca Terras Altas Dão 2012.


Falar da José Maria da Fonseca é um tanto quanto difícil dado seu tamanho, importância e história no mundo do vinho de Portugal. Para se ter uma ideia, a empresa foi fundada em 1834 e a sua marca mais famosa de vinhos, a Periquita, lançada ainda em 1850. Nem mesmo a morte do fundador, o Sr. José Maria da Fonseca ainda em 1884, fez com que seu legado se perdesse e a família assumiu a empresa, desde então. A partir daí, diversas novas marcas e produtos foram lançados tanto no mercado português como também nos mercados internacionais (o Brasil incluído). Hoje é um dos líderes nas áreas da produção e comercialização de vinhos de mesa e generosos, encontrando-se as suas marcas presentes em mais de 70 países, possuindo mais de 30 marcas, distribuídas por vinhos de mesa, generosos e licorosos, e por cinco regiões: Península de Setúbal, Alentejo, Douro, Dão e Vinhos Verdes.

Sobre o Terras Altas Dão 2012, podemos ainda acrescentar que sua produção foi iniciada nos anos 50, sendo que nesta época, o engarrafamento era feito em sua adega na região do Dão, em Alcafache. Mais tarde, em 1996, todo o processo de envelhecimento e engarrafamento foi transferido para as instalações em Vila Nogueira de Azeitão. É produzido a partir das castas Jaen, Alfrocheiro e Touriga Nacional. Cerca de 10% do vinho tem uma breve passagem por carvalho francês novo. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi violácea de grande intensidade, bom brilho e limpidez. Algumas poucas lágrimas, finas, rápidas e incolores se fizeram notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, baú velho e especiarias. Ao fundo, algo de folhas secas também.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos marcados, mas de boa qualidade. Retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Agora a melhor notícia: este vinho custou exatos 23,90 dinheiros no Pão de Açúcar da Eng. Caetano Álvares, zona norte de São Paulo. Por esse preço e dada a qualidade que o vinho apresentou, existe alguma duvida de que é um vinho de bom custo benefício? Eu tenho certeza que não e recomendo a prova.

Até o próximo achado!

segunda-feira, 25 de maio de 2015

King Estate: Ainda falando sobre o Oregon e o seus vinhos incríveis

Há alguns dias atrás, comentei sobre um Pinot Noir que havia provado de uma região que até então eu não conhecia, o Oregon, nos Estados Unidos (relembrem aqui). Coincidentemente na semana passada, tive a oportunidade de participar de um almoço com o pessoal da vinícola King Estate e conhecer um pouco mais sobre seus vinhos, sua filosofia e mais sobre a região em que se encontram. O almoço degustação foi promovido pela Cantu Importadora, que agora trás os vinhos para o Brasil, na pessoa do seu sommelier consultor Manuel Luz e contou ainda com a presença do VP de de vendas da vinícola, Rick Durette, no gostoso restaurante Baby Beef Rubayat, na região dos Jardins em São Paulo. Vamos ver o que mais eu pude descobrir?

Relembrando um pouco sobre a King Estate: "Embora tendo sua terra sido descoberta em meados de 1990 por Ed King, a Vinícola King Estate foi fundada em 1991 pela família King e continua a ser uma propriedade familiar, administrada e operada pela mesma desde então. Em 1994, mais de 100 hectares foram plantados para se criar o mais diverso vinhedo em relação ao solo e climas disponíveis na região. Mais do que uma adega, a King Estate é tratada como um eco-sistema orgânico. Dispõe de pomares, jardins com vegetais e frutas exuberantes, um restaurante gourmet e a vinícola propriamente dita que é considerada o estado da arte no aspecto tecnológico e de concepção do processo de vinificação."


Somam-se às informações acima o fato de que a propriedade e a maioria de seus vinhedos próprios se encontram na mesma latitude que os vinhedos e vinícolas da região da Borgonha, na França, que é conhecida por sua produção de Pinot Noir e Chardonnay. Estão também na região mais fria e mais ao norte do EUA com relação a produção de vinhos, o que também cria uma atmosfera favorável ao cultivo de Pinot Noir e outras uvas mais sensíveis e de difícil trato. A curiosidade fica por conta de que, embora reconhecidamente produza bons Pinot Noir, são especializados em outra uva, também delicada só que branca: a Pinot Grigio. A intenção aqui é possuir o vinhedo com o maior diversidade de clones possível disponível nos EUA, todos de maneira orgânica. E a curiosidade é que, diferentemente de outros produtores, aqui os Pinot Grigio tem algum contato com madeira para afinamento, ganho de complexidade e longevidade. Diante de tudo isso, só nos resta falar um pouco sobre os vinhos degustados durante o almoço, não é mesmo?


Acrobat Pinot Gris 2013: Da linha de entrada da vinícola, este Pinot Grigio passa por 3 meses em barricas e é fresco, cítrico, leve e macio. Me parece excelente companhia para comida. Testei com frutos do mar e foi bem demais;

King Estate Signature Pinot Grigio 2013: Este Pinot Grigio já é da linha mais intermediária da vinícola e passa 5 meses em barricas de madeira. Um pouco mais gordo que o anterior, já denota aromas de evolução como mel e flores brancas também. Entretanto continua fresco e muito gastronômico;


King Estate Signature Pinot Grigio 2007: Embora seja o mesmo vinho (técnicamente falando) do que o anterior é de uma safra bem mais antiga, mostrando o potencial que a vinícola tem desenvolvido com esta casta lá pelos lados do Oregon. Apresentou uma bonita cor dourada, aromas de mel e flores em contraponto com fruta cítrica bem madura. Untuoso e saboroso, o vinho ainda mantém uma acidez viva e bastante gulosa não demonstrando a idade;


NxNW Red Blend 2012: Começamos os tintos com este blend de diversas uvas tintas ( Merlot, Syrah, Cabernet Sauvignon, e Cabernet Franc) da região de Washington, nos EUA. Também um vinho de entrada, trás aromas de frutas vermelhas e escuras, toques de especiarias e baunilha. Corpo médio, boa acidez e um bom companheiro para carnes em geral. 


NxNW Cabernet Sauvignon 2012: Apesar de ser rotulado como varietal (de acordo com regulamentação local), o vinho conta com a adição de 10% Merlot, 4% Malbec e 1% Petit Verdot no blend para ganho em complexidade, aromas juntamente com envelhecimento de 12 meses em barricas. Um vinho elegante, com aromas de frutos escuros, especiarias, mentolado e chocolate. Médio corpo e taninos macios. Foi um ótimo escudeiro dos cortes de carne que o Baby Beef Rubayat tem a oferecer.


Acrobat Pinot Noir 2012: Pinot Noir de entrada vinícola, assim como o seu irmão Pinot Grigio. Também passa por 6 meses em barricas. É um vinho fresco com frutas vermelhas em evidencia aliadas a toques terrosos e animais. Não é leve mas também não é pesado, assim como muitos Pinots do novo mundo. Boa opção para se conhecer a uva.


King Estate Signature Pinot Noir 2012: Já provado e comentado no post anterior sobre a vinícola, portanto não irei comentar.


Domaine King Estate Pinot Noir 2007: Para fechar, um vinho que, embora não seja trazido para o Brasil, foi a estrela do evento. Somente uvas em perfeito estado de maturidade e sanidade entram neste vinho. Passa por 15 meses de envelhecimento em barricas de carvalho. Um vinho mais corpulento e com taninos mais marcados e presentes. Acidez extremamente viva. Aromas de frutos vermelhos, animais, especiarias, enfim, muita complexidade e elegância. Final longo e saboroso. Um vinho incrível.


Belos vinhos, ótimas companhias e claro, agradabilíssimo local e serviços. A Cantu Importadora acerta em cheio ao trazer tais vinhos para o nosso mercado. Uma boa opção para se conhecer novos lugares produtores. Vai dar o que falar.

Até o próximo!

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Beni di Batasilo Barbera D'Asti 2012: A vez da Itália na taça

Hoje é dia de um clássico por aqui. Um vinho amplamente encontrado no mercado nacional e que, como um autêntico representante italiano, tem suas características e qualidades bem desenhadas para um vinho do dia a dia. E é produzido por uma gigante do mundo vitivinícola. Pois bem, falaremos hoje do Beni di Batasilo Barbera D'Asti 2012.


O vinho é produzido pela gigante Beni di Batasiolo, que possui vinhedos em todas regiões localizadas dentro da premiada área vitícola de Barolo: Batasiolo, Morino, Cerequio e Brunate em La Morra; Boscareto e a histórica Briccolina em Serralunga d'Alba; Bricco di Vergne e Zonchetta em Barolo; Tantesi e Bussia Bofani em Monforte d'Alba. No antigo dialeto local a palavra "beni" significa uma propriedade, e é essa idéia do vínculo indissolúvel existente entre o agricultor e a sua vinha, que é encapsulado no nome "Beni di Batasiolo". Produz todos os vinhos mais famosos cultivados nesta região, incluindo Barolo, Barbaresco, Barbera d'Alba Sovrana e Dolcetto d'Alba Bricco di Vergne, bem como grandes brancos como Moscato d'Asti Bosc dla Rei, Langhe Chardonnay Morino e Gavi del Comune di Gavi.

Sobre o Beni di Batasilo Barbera D'Asti 2012 podemos acrescentar que é um vinho feito com uvas 100% da DOCG Barbera D'Asti, que após fermentado em tanques de inox por entre 10 a 12 dias, por lá permanece até a fermentação malolática acontecer e posteriormente até ser engarrafado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi violácea de média intensidade com tendências granada. Lágrimas finas, espassadas e incolores também se faziam notar.

No nariz o vinho era essencialmente composto por aromas de frutos vermelhos silvestres, algo de canela e toques terrosos.

Na boca o vinho tinha corpo de leve para médio, acidez gulosa e que fazia salivar de forma constante além de taninos fininhos e delicados. Retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Um bom vinho para o dia a dia, bom companheiro de comida (como a maioria dos vinhos italianos o são) e que caiu super bem com uma massa ao molho bolonhesa. Foi comprado no Pão de Açúcar por R$ 49,99 e por este valor achei uma boa compra.

Até o próximo!

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Spettacolo Syrah 2012: Um espetáculo de vinho brasilerio!

Começo pedindo perdão pelo trocadilho infame, como vocês já devem me acompanhar a um tempo, meu forte realmente não é rimar ou criar títulos dos mais chamativos. Mas, o que está feito, está feito. Segue o jogo. Hoje iremos falar de um vinho brasileiro que surpreendeu muita gente, inclusive numa degustação as cegas que elegeu os 5 melhores vinhos do Encontro de Vinhos de São Paulo. Estou falando do Spettacolo Syrah 2012.


O vinho é produzido pela LPG Wines, que fruto do amor pelo vinho, foi fundada por três amigos, um renomado Enólogo Português e dois brasileiros, outro Enólogo e um Engenheiro Agrônomo. O trabalho iniciou em 2008, com a implantação do projeto de Agricultura de Precisão e Segmentação de Colheita com alguns produtores parceiros na região de Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha. O projeto de produção utiliza o mesmo sistema adotado em mais de 15 países do velho mundo, tendo como foco a melhoria da qualidade da uva para a produção de um bom vinho. São produções únicas e exclusivas com a baixa tiragem por hectare.

Sobre o Spettacolo Syrah 2012, podemos ainda acrescentar que é um varietal 100% Syrah cuja colheita das uvas foi efetuada de forma manual com cuidadosa seleção dos grãos, estagiou em barricas de carvalho americano com tampas de acácia por 24 meses e mais um ano em garrafa antes de ser liberado ao comércio. Vamos as impressões?

Na taça o vinho mostrou uma coloração violácea de grande intensidade com bom brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, rápidas, em grande quantidade e coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos vermelhos bem maduros, especiarias (pimenta se sobressai), toques de chocolate e tostado. 

Na boca o vinho se mostrou encorpado, com boa acidez e taninos presentes e marcados, mas de boa qualidade. Retrogosto confirma o olfato e o final era longo e saboroso.

Um belo vinho brasileiro, que como eu já disse e volto a repetir, tem mostrado que a qualidade dos vinhos tintos nacionais tem crescido de maneira muito interessante. Vale a prova, eu recomendo. Deve aguentar alguns pratos mais elaborados e mais gordos. Mais um vinho do clube de vinhos da Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até a próxima!

terça-feira, 19 de maio de 2015

Otaviano Bodega & Viñedos em festa: 10 anos de Penedo Borges

A vida sempre é marcada por etapas e quando vencemos mais uma, existem sempre comemorações não é mesmo? Por isso mesmo que que, ao completar 10 anos de existência, a linha de vinhos argentinos Penedo Borges, da Otaviano Bodega & Viñedos, localizada em Mendoza, apresenta circuito comemorativo com palestras e harmonizações em restaurantes renomados, de 25 de maio a 05 de junho, em São Paulo e no Rio de Janeiro. 

Foto retirada do web site da própria vinícola

É claro que, ocasiões como estas, são deveras importantes e devem ser comemoradas ao lado de parceiros, amigos e pessoas que fizeram com que tudo se tornasse possível, não é mesmo? Para comemorar a importante data, em parceria com a importadora Wine Lovers, todos os sócios da Bodega participam e vêm para o circuito. Um deles, Euclides Penedo Borges (que dá nome à linha de vinhos), um apaixonado por esse universo e professor-diretor da ABS-RJ, fará palestras. Acontecerá também um festival de menus harmonizados em São Paulo e Rio de Janeiro.

O circuito, que acontece de 25 de maio até 05 de junho, apresenta jantares harmonizados em restaurantes renomados, como Terraço Itália, Casa Santo Antônio e Templo da Carne, em São Paulo; MiamMiam, Prosa na Cozinha e Depósito Gourmet no Rio de Janeiro, entre outros. O lançamento do evento acontece no Terraço Itália, no dia 27 de maio, e terá um coquetel para recepcionar convidados e clientes. Ainda contará com um bate-papo com o sócio-diretor Euclides Penedo Borges sobre a bebida. Em seguida, será servido um jantar harmonizado a quatro mãos, pelo chef Pasquale Mancini do Terraço Itália e pelo chef da Bodega Otaviano, o mendocino Jesus Cahiza, que vem ao Brasil especialmente para a semana de eventos. Ao som de jazz, também será realizado um pocket show com artistas selecionados.

Restaurantes participantes:

Bassi - Templo da Carne http://www.marcosbassi.com.br/site/
Casa Santo Antônio http://www.casasa.net/novo/
La Cuccina (Alphaville) http://lacucinapiemontese.com.br/
Depósito Gourmet (RJ) http://www.depositogourmet.com.br/
Prosa na Cozinha (RJ) http://www.prosanacozinha.com.br/

Empórios participantes:

Depósito Gourmet (RJ) http://www.depositogourmet.com.br

Os eventos se estendem para o Rio de Janeiro. Os ingressos para os jantares harmonizados podem ser adquiridos nos restaurantes participantes, no hotsite do circuito www.penedoborges10anos.com.br ou pelas hashtags #CircuitoPenedoBorgesSP e #winelovers_oficial. Basta seguir!

Até lá!

segunda-feira, 18 de maio de 2015

King Estate Pinot Noir Signature Collection 2012: O Oregon em forma!

Falando um pouco mais sobre o Cantu Day que aconteceu no último dia 12 de maio, no galpão da própria importadora Cantu na zona oeste de São Paulo, hoje é dia de vinho tinto, para acompanhar este tempo friozinho que tem feito pela cidade. E este um baita vinho de uma região que eu ainda não havia provado nada, que é a região do Oregon, nos Estados Unidos. O vinho: King Estate Pinot Noir Signature Collection 2012. Vamos ver o que podemos falar dele?


Embora tendo sua terra sido descoberta em meados de 1990 por Ed King, a King Estate foi fundada em 1991 pela família King e continua a ser uma propriedade familiar, administrada e operada pela mesma desde então. Em 1994, mais de 100 hectares foram plantados para se criar o mais diverso vinhedo em relação ao solo e climas disponíveis na região. Mais do que uma adega, a King Estate é tratada como um eco-sistema orgânico. Dispõe de pomares, jardins com vegetais e frutas exuberantes, um restaurante gourmet e a vinícola propriamente dita que é considerada state-of-the-art no aspecto tecnológico e de concepção do processo de vinificação.

Falando agora do King Estate Pinot Noir Signature Collection 2012, podemos dizer que é um vinho 100% Pinot Noir com uvas cultivadas organicamente provenientes de vinhedos cultivados de forma sustentável em todo Oregon sendo envelhecido 8 meses em carvalho francês (25% Novo, 25% um ano, 25% dois anos, 25% neutro). Vamos finalmente as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma cor rubi violácea de média intensidade, bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, espassadas e incolores também se faziam notar.

No nariz o vinho mostrou um mix de frutos escuros e vermelhos, notas terrosas, chocolate e algo que lembrou tabaco. Com algum tempo, especiarias doces também apareceram na taça. Muita complexidade e constante mudança nos aromas na taça. 

Na boca o vinho se mostrou de médio corpo, boa acidez e taninos macios e aveludados. Retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração. E que final!

Um baita vinho, sem dúvida nenhuma um dos melhores Pinot Noir que já provei até então. Tem corpo, é opulento sem se tornar alcoólico e cansativo. Tem fruta, mas tem complexidade também. enfim, eu recomendo.

Até o próximo!

sábado, 16 de maio de 2015

Champagne Lanson e Cantu Importadora: Dupla de peso!

Na última semana tivemos o Cantu Day etapa de São Paulo, um evento da Cantu Importadora que apesar de primariamente focado no trade, apresentou também para imprensa e formadores de opinião o lançamento de grandes nomes que passam a compor seu catálogo, como os rótulos da King Estate e Sutter Home, além do tradicional champagne francês Lanson, foco do nosso post de hoje.

O Champagne Lanson é uma casa de localizada em Reims. Desde 2006 é de propriedade do grupo Lanson-BCC, liderada por Bruno Paillard. A Lanson foi fundada em 1760 pelo magistrado François Delamotte. Ele foi sucedido por seu filho, Nicholas-Louis, em 1798 e formou uma parceria com Jean-Baptiste Lanson, que, em 1837, deu à empresa o nome de Lanson et Cie. A empresa nasceu focada, como ainda é hoje, na exportação de champanhe para mercados estrangeiros. Até o final do século 19, a Lanson fornecia champanhe por nomeação real para os tribunais do Reino Unido, Suécia e Espanha. A Lanson continua a ser um fornecedor de champanhe para a família real britânica e apresenta o brasão de armas de Elizabeth II em suas garrafas. Algumas curiosidades: usa na maioria de seus champagnes um maior proporção de Pinot Noir e Chardonnay pois entende que é o estilo mais puro de fazer tais vinhos espumantes, fazem a vinificação sem a fermentação malolática no intuito de manter o frescor da fruto em seus vinhos base e utiliza períodos de envelhecimento maiores do que os comumente aplicados por lá no intuito de obter vinhos mais prontos e com maior refino. 

No evento foram apresentados dois rótulos aos que estiveram presentes: Black Label Brut e Brut Rosé. Mas, tem sempre um mas! Alguns poucos privilegiados tiveram acesso a uma degustação especial que mostrou também um rótulo mais top deles, o Extra Age Brut. Vamos ver o que cada um deles mostrou ?

Falando primeiro do Champagne Lanson Black Label Brut, que é um champagne elaborado com Chardonnay (35%), Pinot Noir (50%) e Pinot Meunier (15%), ficando 3 anos em contato com as leveduras pós segunda fermentação, antes do disgorgement. Apresentou coloração amarelo palha, brilhante, límpida e com perlage de pequeno pra médio tamanho e bastante duradouro. No nariz apresentou aromas típicos de frutos cítricos tais como abacaxi, mel, floral e algo de panificação. Um champagne muito fresco e cremoso em boca, que deixa sempre um gostinho de quero mais.


Em seguida provamos o Champagne Lanson Brut Rosé, este elaborado com 32% Chardonnay, 53% Pinot Noir e 15% Pinot Meunier também ficando 3 anos em contato com as leveduras. Este apresentou um conita cor salmão claro, límpida e brilhante. Formação de uma fina perlage, constante e duradoura. No nariz apresentou aromas de frutos vermelhos como morango e cereja e toques de panificação. Em boca tem bom frescor e é mais leve que seu antecessor. De qualquer forma é de muita qualidade e muito saboroso.


Como não poderia deixar de ser, o gran finale ficou por conta do Champagne Lanson Extra Age Brut. Este champagne é um blend especial para celebrar o 250º aniversário da Lanson onde o enólogo Jean-Paul Gandon selecionou as melhores safras disponíveis na casa combinando as melhores uvas de Champagne (Grands Crus e Premiers Crus) para elabora-lo. Este champagne também passa por um período "extra" de envelhecimento (pelo menos 5 anos). Na taça uma cor amarelo palha com tendência dourada, brilhante e límpido. Formação muito abundante de pequenas borbulhas que duram muito tempo. No nariz aromas de frutos tropicais e secos, mel, tostado, panificação. Na boca é muito cremoso e mantém acidez ainda viva, refrescante e deliciosa. 

Belos vinhos, ótimas companhias e claro, não poderia deixar de citar a condução da degustação especial a cargo do sommelier Manuel Luz, o qual dispensa apresentações. E tem muito mais a vir por aqui, fiquem conosco.

Até o próximo!

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Bella Quinta Cabernet Sauvignon Reserva 2006

Eu gosto de ser surpreendido e quando isso acontece com um vinho que eu provo, é melhor ainda. Sabe que este vinho estava guardado em minha adega a algum tempo pois eu queria testar o envelhecimento do mesmo. E como o tempo deu uma boa esfriada nos últimos tempos aproveitei para fazer o teste. O vinho testado: Bella Quinta Cabernet Sauvignon Reserva 2006. Vamos ver no que deu?


A história do vinho em São Paulo se confunde com a história de São Roque, uma vez que a cidade já chegou a contar com mais de 100 vinícolas em sua época de fartura. É claro que quando falamos em vinho por lá, e até no Brasil de uma forma geral, muito vinho de garrafão (uvas não viníferas) está inserido nestes números, o que não descaracteriza no entanto o trabalho deste vinhateiros desde meados dos anos 20 / 30. E a Vinícola Bella Quinta não foge destas características. Chegando a quarta geração da família e em mais uma bem sucedida associação a vinícolas do sul do país (mais especificamente em Flores da Cunha) começam então em 2005 a fazer vinhos finos com uvas Cabernet Sauvigon. Mas o projeto é mais ousado e o Gustavo Borges, o proprietário da vinícola, e as pessoas que lá trabalham já fazem experimentos com uvas viníferas em solo paulista.

Sobre o Bella Quinta Cabernet Sauvignon Reserva 2006, podemos acrescentar ainda que passou aproximadamente 8 meses  em barricas de carvalho e mais um tempo em garrafa. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor rubi violácea de grande intensidade com ligeiro halo granada. Lágrimas finas, em pouca quantidade e incolores também se faziam notar.

Na nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos bem maduros em primeiro plano. Depois especiarias e leve toque herbáceo.

Na boca o vinho apresentou o tripé acidez, taninos e corpo muito equilibrado, sendo macio e fácil de beber. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Um bom vinho para o dia a dia, que mostra boa evolução e que envelheceu de forma muito boa durante seus quase 10 anos de vida. Eu gostei bastante e recomendo a prova.

Até o próximo!

terça-feira, 12 de maio de 2015

Dia dos namorados: Kit de vinhos bem bacana para seu par enófilo!

Eu costumo receber muitos emails com promoções, releases de imprensa e coisas do gênero. De vez em quando, percebendo que o e-mail é interessante tanto pra mim como para meus leitores, resolvo divulgar por aqui. E hoje é um caso desses. Para o Dia dos Namorados, a Evino, criou um kit composto por dois vinhos italianos, duas taças e uma linda caixa de madeira envernizada e com fecho de metal envelhecido. Seguem abaixo mais informações sobre o produto.


"Que tal no dia mais romântico do ano presentear quem se ama com um belo conjunto de vinhos? Para o Dia dos Namorados, a Evino, um dos principais e-commerces de vinhos do País, preparou uma superpromoção para celebrar a data. Trata-se do “Kit Premium Dia dos Namorados Evino”, composto por dois vinhos tintos italianos, o Barolo Contea di Castiglione DOGG 2010 e o Le Ciliegie Dolcetto d'Alba DOC 2012, além de duas taças de 385ml. Tudo vem embalado em uma linda e exclusiva caixa de madeira escura envernizada, com fecho de metal envelhecido.

O tinto Barolo Contea di Castiglione DOGG 2010 é um nome legendário de um vinho fabricado na região de Piemonte que é conhecida como “o rei dos vinhos”. De visual vermelho granada, este exemplar apresenta os tradicionais aromas terrosos, com notas de cerejas, alcaçuz e rosas secas. No paladar é bem estruturado, com taninos firmes que pedem a companhia de um prato de carnes grelhadas, preferencialmente com molho funghi ou de cogumelos.

Também da região de Piemonte, o Le Ciliegie Dolcetto d'Alba DOC 2012 possui aromas florais e licorosos, bem integrados à boa presença de frutas como cereja e amora. Em boca é denso, e ainda assim, fresco. Com ele, a harmonização ideal é com uma boa tábua de queijos e embutidos, carnes vermelhas ou pratos mais apimentados.

O kit estará disponível no site www.evino.com.br a partir da segunda quinzena de maio, com desconto de 50%, de R$ 439,80 por R$ 229,90."

Eu achei a oferta deveras interessante, com dois vinhos de boa qualidade, embalagem de luxo e ainda um par de taças. Vou aguardar pra comprar o meu kit, de presente pra mim mesmo. E vocês, meus queridos leitores, o que acharam da promoção?

Até o próximo!

Ferrari Maximum Brut: Um espumante italiano que é uma "máquina"!

Antes de mais nada eu tenho que pedir desculpas pelo trocadilho infame do título do post. Eu até tentei ser engraçado e fazer uma associação de marcas, mas eu acho que no final não funcionou direito. Entretanto, na falta de uma opção melhor, ficamos assim. Bom, voltando com mais um vinho espumante que me chamou a atenção no stand da Decanter durante a Expovinis, vamos hoje falar de Ferrari Maximum Brut.


A Cantine Ferrari de Trento é o maior nome italiano quando falamos da produção de vinhos espumantes pelo método clássico (tradicional, champenoise e outros nomes associados ao método). Possui mais de um século de história ligada a esta bebida festiva, o vinho espumante, que tem sido a base de todas comemorações e festividades em seu país, a Itália. Foi fundada em 1902 por Giulio Ferrari na região do Trento. Teve seu controle passado a família Lunelli, comerciantes de vinhos na Itália, pouco mais de 50 anos depois e vem escrevendo seu nome no mercado de vinhos de maneira brilhante desde então. Existe ainda o reforço a marca pela associação, mesmo que errônea, a famosa escuderia da fórmula 1 e a marca de carros de luxo também italianos. A curiosidade fica ainda por conta da comparação de tais vinhos, os vinhos espumantes Ferrari, com os champagne franceses, pois os italianos são comumente conhecidos no mercado como os "champagne italianos".

Sobre o Ferrari Maximum Brut podemos ainda acrescentar que é um vinho espumante feito 100% com uvas Chardonnay de vinhedos em Trento, Val d'Adige, Val di Cembra e Valle dei Laghi, entre 300 e 700m de altitude. É um espumante feito com foco para o mercado de restaurantes, dado seu aspecto gastronômico. A segunda fermentação é feita em garrafa e o líquido sagrado fica em contato com as leveduras por 36 meses. Sem maiores delongas, vamos as impressões?

Na taça o vinho espumante apresentou uma coloração amarelo palha com reflexos dourados, bom brilho e boa limpidez. Formação de perlage com pequenas borbulhas, fino e duradouro.

Na nariz o vinho espumante trouxe aromas de frutos frescos tais como maça verde, abacaxi e outros frutos tropicais e cítricos. Toques de mel, nozes e fermento também estão presentes.

Na boca o vinho espumante se apresentou cremoso e muito fresco. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa e saborosa duração.

Um belo vinho espumante, trazido ao Brasil pela Decanter e que é sempre uma boa pedida, embora seu preço possa ser um fator complicador para seu consumo. De qualquer jeito eu recomendo a prova, vale a pena conhece-lo.

Até o próximo!

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Ovo e Uva: um excelente experiência enogastronômica!

Dia desses resolvi experimentar um restaurante que já estava em meu radar a algum tempo e devo dizer que, sem sombras de duvidas foi uma escolha acertada. O local escolhido foi o Ovo e Uva, um local que é um misto de restaurante, rotisseria, empório, mercearia e casa de vinhos, tudo em um mesmo ambiente.

O Ovo e Uva nasceu da união da vontade de dois sommeliers, João Renato da Silva e Fernando Perazza, com objetivos em comum: servir boa gastronomia aliada a bons vinhos. Lembro que quando o burburinho em torno da inauguração do lugar começou, eu lia o nome de um deles, João Renato da Silva, e sabia que existia algo de familiar. Depois de um tempo lembrei que costumava acompanha-lo pelas redes sociais e este foi mais um dos motivos pelos quais queria muito conhecer o local.


O Ovo e Uva fica num espaçoso salão em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo. Os rótulos de vinhos ficam expostos numa prateleira a sua esquerda, enquanto que um balcão onde são feitas massas frescas e os queijos, embutidos e afins ficam ao lado direito. Aliás este alinhamento da bebida com a comida é o que se sobressai logo que você entra no local. Quem aparecer por lá terá a disposição 220 rótulos de vinhos de treze importadoras e além de consumir as garrafas no recinto você poderá leva-las para casa também. Existe ainda a opção de vinhos em taças e outras bebidas como cervejas, sucos, etc. No tocante ao cardápio, podemos sentir a influência da culinária italiana e espanhola em sua maioria com uma pegada contemporânea, sem grandes floreios ou reinvenções. É um cardápio enxuto na medida, com opções de entradas e pratos que podem ser divididos, sem porções exageradas. O serviço é um show a parte, muito atencioso e preza por orientar e deixar o cliente a vontade. Aliás, no final do texto vou contar um episódio de minha visita que me surpreendeu positivamente.

Risotto de Agrião com Bombom de Rabada

Depois de tudo que falamos sobre o local, nada melhor do que saber o que comemos e bebemos naquela agradável tarde, não é mesmo? Começando com os pratos, eu escolhi um "risotto de agrião com bombom de rabada" com grãos bem al dente e uma untuosidade e sabores inigualáveis no bombom; já minha esposa optou pelo "risotto de aspargos e jamon crocante", que também estava com os grãos bem al dentes mas um pouco mais cremoso que o de agrião, com o jamon dando outra dimensão de textura e adicionando um toque mais salino, deixando a mistura deveras interessante. Ambos muito bem executados e incrivelmente deliciosos, com bastante atenção aos detalhes e a decoração. O único ponto negativo ficou por conta da sobremesa, um tiramisu que não empolgou tanto quanto os pratos anteriormente discutidos aqui.

Risotto de Aspargos e Jamon Crocante

Para acompanhar escolhemos o vinho Montirius Les Violettes VdP 2009, um vinho biodinâmico da região mais ao sul do Vale do Rhône, e é produzido pelo Domaine Montirius. A vinícola possui 58ha de vinhas compreendidas nas AOCs  Vacqueyras, Gigondas e Côtes du Rhône tendo convertido toda sua plantação/produção para biodinâmica desde 1996. O Montirius Les Violettes VdP 2009 é feito com uvas Syrah totalmente plantadas/cultivadas de maneira biológica e biodinâmica de vinhas com aproximadamente 60 anos de idade. Passa por envelhecimento em cubas de cimento de 6 a 12 meses, em seguida, em garrafa sem qualquer passagem por madeira. Tem um coloração rubi violácea de média intensidade com bom brilho e boa limpidez. No nariz apresentou aromas de frutos vermelhos maduros, especiarias e toques florais. Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez e taninos finos e suaves. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração. Um belo casamento com a comida, eu ouso dizer!

Agora o causo que fiquei de contar ali em cima: como dito anteriormente, o serviço é muito cortes e tem como linha de conduta deixar o cliente a vontade, explicando tudo que acontece. Pois bem, quando escolhi o vinho e o atendente foi abri-lo, a rolha estava seca e se partiu, obrigando o pessoal a fazer de tudo pra salvar a garrafa e o precioso liquido. Explicaram que iriam empurrar a rolha pra dentro, decantar e filtrar para evitar contaminação. Confesso que fiquei apreensivo. Mas depois que o vinho veio pude verificar que não houve comprometimento com do líquido. Mas a surpresa positiva foi que, para "compensar" os problemas e o pequeno "stress" causado por toda a situação, no momento da sobremesa nos foi oferecido duas taças de vinho de sobremesa como cortesia da casa. Achei a atitude muito nobre e com certeza souberam agir para cativar o cliente. Ponto positivo com certeza!

Enfim, a experiência teve um saldo super positivo. Comida excelente, ótimos vinhos a preço justo, várias opções de vinho em taça, ambiente e serviço agradabilíssimos. Voltarei sempre que der!

Até o próximo!

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Angels Tears Merlot Cabernet Sauvignon 2013: Lágrimas sul africanas!

Em mais um de nossas incursões ao mundo vitivinícola em busca de diferentes vinhos e regiões pouco faldas por aqui, viemos parar na África. Você poderá dizer, e eu não tiro a sua razão, de que a África do Sul já é sim comentada por aqui, em nosso mercado. Eu concordo com você, ao mesmo tempo que discordo ligeiramente. Sempre que pensamos em África do Sul, a primeira coisa que se vem a cabeça são vinhos da uva Pinotage, o que não é o caso aqui. E mais, eu ainda vejo que a oferta de vinhos da África do Sul é pequena, se compararmos a outras regiões do mundo como Argentina, Chile, Itália, França e por ai vai. Enfim, tudo isso pra falar que hoje é dia de Angels Tears Merlot Cabernet Sauvignon 2013 por aqui.


A história da Grande Provence Heritage Wine State, produtora do vinho, é muito bonita e comovente, como a história da África do Sul em geral. A aproximadamente 300 anos atrás, um francês protestante de nome Pierre Joubert escondeu sua bíblia dentro de um filão de pão e botou o pé na estrada, fugindo de perseguição religiosa chegando a um lugar chamado de Elephant's Corner, na África do Sul, mais tarde rebatizado de Franschhoek. Se casou durante a viagem e prosperou em sua fazenda, a Grande Provence Herritage Wine State, com vinho e outras culturas. Após seu falecimento seu legado continuou até que em 2004 a propriedade foi adquirida por homens de negócios da Bélgica e Holanda, que com seu interesse por comida e vinhos finos, mantiveram acesa a chama do negócio. 

A linha de vinhos Angels Tears tem seu nome relacionado a uma lenda local que diz que no século 17, entre as vinhas exuberantes da Cidade do Cabo, a colheita havia produzido um notável safra. Foi ai que anjos adentraram a adega e derramaram lágrimas de alegria quando este belo vinho tocou seus lábios. E cada gota deste vinho Angels Tears é um testemunho a esta lenda e a Grande Provence Wine State orgulhosamente abriga o legado de tal história. Sobre o Angels Tears Merlot Cabernet Sauvignon 2013, podemos acrescentar que é um blend baseado nas uvas Merlot e Cabernet Sauvignon sem envelhecimento em barricas. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor violácea de grande intensidade, muito brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, rápidas e coloridas também tingiam as paredes da taça.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos e toques de especiarias. 

Na boca o vinho se mostrou de corpo médio, boa acidez e taninos macios. Retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Uma boa opção de vinho para o dia a dia, que pode substituir as opções mais conhecidas (Argentina, Chile) e que vem a somar qualidade numa linha de vinhos de entrada disponíveis no mercado nacional. Eu recomendo a prova. Mais um vinho do clube de vinhos da Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

p&f wineries trouxe uma Eslovênia desconhecida à #Expovinis

Entendo que a importadora p&f wineries foi uma das grandes novidades da última edição da Expovinis, que aconteceu no final do mês de Abril passado. Percebi que muita gente que entendia do assunto, entre jornalistas e formadores de opinião em geral, "perdeu" um pouco do seu tempo na feira ouvindo o que eles tinham a dizer sobre a linha de vinhos que estavam trazendo, e a maioria gostou do que ouviu, viu e degustou. Vamos ver o que eu tenho pra passar pra vocês?

A história da p&f wineries se confunde com a da família Puklavec. Afinal de contas, a importadora só existe por que o vinho surgiu antes, com a família Puklavec. Seus vinhedos estão localizados na região de Podravje, na Eslovênia, e são de propriedade da família Puklavec. Na década de 1930, Martin Puklavec foi nomeado secretário na cooperativa dos agricultores do vinho em Ljutomer-Ormož, onde se tornou a força motriz por trás da construção da adega atual. Em parte, através de seus esforços a área tornou-se uma das melhores regiões vinícolas do mundo. Vladimir Puklavec e suas duas filhas, Tatjana e Kristina, todos trabalham juntos ao lado dos outros viticultores com a determinação de continuar a busca da sua (grande) visão do pai: fazer os melhores vinhos possíveis juntos. A p&f wineries oferece uma vasta gama de vinhos em mais de 20 mercados para diferentes canais. Atualmente produzindo 6,5 milhões de litros de vinho, são o maior exportador de vinhos na Eslovênia. 

A Eslovênia, possui condições peculiares, com suas florestas e montanhas, e está localizada na Europa Central, fazendo fronteira com Áustria, Itália, Croácia, Hungria e com o Mar Adriático. Embora a nação não possa ser imediatamente considerada como uma região vinícola de renome, tem produzido vinhos a mais de 2.400 anos. Diz a lenda que os cruzados, em seu caminho para a terra santa, pararam em uma das mais belas colinas na área para descansar. Ali foram recebidos por moradores hospitaleiros, onde beberam vinho e decidiram nunca mais sair.


Para a Expovinis, a p&f wineries trouxe duas linhas de vinhos distintas entre si: puklavec & friends, uma linha de vinhos frescos, jovens e mais acessíveis a paladares menos experimentados. Aqui as uvas brancas Sauvignon Blanc e Furmint brilham juntas, em cortes inusitados (SB/Furmint ou SB/Pinot Grigio), trazendo muita fruta e frescor, aliás, segundo os próprios produtores, estão na única região autorizada a plantar e engarrafar vinhos com a uva Furmint na Eslovênia; já a linha Gomila pode ser considerada a linha topo de gama e carro chefe deles, com vinhos single vineyard feitos com as melhores uvas de determinadas parcelas. Estas parcelas estão distribuídas numa área de 18ha de terras e são colhidas manualmente. Aqui tanto a uva Furmint como a Sauvignon Blanc brilham de forma separada, em vinhos varietais únicos, minerais, longos e gordos em boca. Uma curiosidade aqui fica por conta de um espumante feito exclusivamente com Sauvignon Blanc que é bem bacana também.


A dica aqui é: se cruzar com algum destes vinhos por ai, prove, tenho certeza que não irá se arrepender. Soma-se a tudo dito até aqui o fato de que esta vinícola foi eleita a melhor da Eslovênia no ano de 2014 e de que a região de Podravje (onde se encontra a vinícola) ser conhecida como a Toscana do oriente. Então, se eu fosse você deixaria os preconceitos de lado e me jogaria no mundo do vinho esloveno.

Até o próximo!

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Cims Del Montsant Garnatxa I Samsó 2010

A cada vinho espanhol que tenho provado ultimamente, mais tenho me surpreendido e ficando com mais vontade de conhecer esse país e suas regiões vinícolas. Os vinhos que tenho provado em contra partida aos que conhecia até então pouco se parecem: os de hoje em dia tem muito mais classe, mais sabor e qualidades muito superiores. Não é a toa que tenho encontrado mais e melhores opções em todos os lugares que tenho frequentado, sejam feiras, degustações, lojas e afins. E hoje é dia de falarmos por aqui do Cims Del Montsant Garnatxa I Samsó 2010.


O vinho é produzido pela Cellers Baronia del Montsant, em uma região de paisagens difíceis e tortuosas, embrulhado pelo maciço Montsant. A bodega nasceu em agosto de 1998 na bonita vila de Cornudella de Montsant, em Tarragona. Esta área é reconhecidamente no mundo vitivinictultor como uma área de vinhos tintos, complexos e aveludados, sendo que a orografia característica da região, com inclinações acentuadas, torna difícil e duro o trabalho dos agricultores. Entre as variedades que mais aparecem por lá, podemos citar a Cabernet Sauvignon, Syrah, Merlot, Tempranillo (Ull de Llebre), Cariñena (Samsó) e Garnacha.

Sobre o vinho em si, Cims Del Montsant Garnatxa I Samsó 2010, podemos acrescentar que o nome Cims del Montsant remete ao topo de uma das mais emblemáticas cadeias montanhosas da Cordilheira de Montsant, cujos os picos tendem a atingir mais de 1.000 metros acima do nível do mar. É um blend das castas Grenache e Carignan com passagem de 5 meses em barris franceses e americanos. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi violácea de média intensidade, bom brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, rápidas e incolores faziam parte do conjunto visual também.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, vermelhos, especiarias, flores e algo de tostado.

Na boca o vinho se apresentou com médio corpo, boa acidez e taninos finos e macios. Retrogosto confirma o olfato e o final é de média para longa duração.

Mais um belo vinho espanhol que degustamos por aqui. Complexo e elegante, tem no equilíbrio e na harmonia de seus aromas e características sua principal característica. Recomendo a prova.

Até o próximo!

terça-feira, 5 de maio de 2015

Sugestões Cantu Importadora para o Dia das Mães!

A Cantu Importadora está sempre inovando e trazendo um extenso portfólio (com muita qualidade, diga-se de passagem) para o nosso mercado de vinhos. Além disso, contando ainda com a habilidade do seu sommelier e consultor, Manuel Luz, fez uma seleção especial de vinhos para o Dia das Mães que se aproxima a fim de regar as refeições desta data especial e, porque não, presentear as mães apaixonadas por vinhos. O Dia das Mães é sempre uma data especial que pede cuidado redobrado nos presentes e no almoço de domingo. A principal escolha de Manuel Luz é, até com a simbologia que esta escolha tem, um rótulo de Susana Balbo, mãe e enóloga que faz uma homenagem a seus dois filhos, que hoje trabalham na vinícola ao seu lado. Esta seleção serve como sugestão para escolher seus vinhos. Vamos a ela.


O primeiro da lista, como dito anteriormente e que não poderia faltar, é o argentino Crios Rosé Malbec, da famosa enóloga e mãe, Susana Balbo. “O Crios, da Susana, é um dos raros casos de vinho que foi feito em homenagem aos filhos de uma viticultora. O desenho do rótulo mostra o contorno da mão da Susana em volta de duas pequenas mãos de seus dois filhos, hoje executivos da vinícola Domínio del Plata, ao lado da mãe”, explica Manuel Luz. Além dessa bonita história, a versão Rosé Malbec do rótulo – que também vem em versões Torrontes, Malbec tinto e Cabernet Sauvignon - é ideal para celebrar a data porque é delicado e ideal para harmonizar com saladas, peixes e carnes brancas.

Os franceses também estão na lista de vinhos sugeridos por Manuel para o Dia das Mães. Entre eles estão o Blason de Bourgogne Chardonnay e o Blason de Bourgogne Pinot Noir. Ambos são sugestões elegantes para mães mais tradicionais. “Os vinho dessa região, Bourgogne, são alguns dos mais icônicos da França e favoritos dos mais diversos sommeliers” ressalta Manuel Luz, apreciador do rótulo ele mesmo. Para harmonizar com o almoço de domingo, ele sugere peixe grelhado com molho de branco para combinar com o Chardonnay e galeto ao forno com alho poró e purê de batata doce, e lasanha de berinjela para uma refeição regada à Pinot Noir.


Para finalizar a seleção a recomendação de Manuel Luz é o, também francês, Vive La Vie Rosé. De baixo teor alcoólico e bem macio é ideal para quem não costuma beber muito, mas ainda assim gosta de apreciar um bom vinho. Frutado e leve é certo de cativar as mães que preferem algo mais suave. O rótulo combina muito bem com queijos suaves e carne branca grelhada.

E vocês caríssimos leitores, tem alguma dica para acrescentar? Estamos sempre abertos a elas. É só deixar um comentário na caixinha ai embaixo do post! 

Até o próximo!

Chozas Carrascal trouxe ótimos vinhos espanhóis no #EncontrodeVinhos

Ainda tentando colocar em dia todo o o material que eu consegui juntar em épocas de Expovinis, Encontro de Vinhos e por ai vai, achei em meus "papéis de pão" um pouco do que vi e degustei desta ótima Bodega espanhola, a Chozas Carrascal, que estiveram no Encontro de Vinhos e mostraram muita coisa bacana por lá. Vamos lá?

A Chozas Carrascal é uma vinícola que fica nas cercanias de Valência, mais precisamente localizado em San Antonio de Requena a meio caminho entre as cidades de Requena e Utiel. A Chozas Carrascal surigu em 1990, de um ambicioso e excitante projeto da Família Lopez-Peidro: fazer vinhos de qualidade a partir de um único e exclusivo terroir. De lá até a construção da sede, recuperação dos vinhedos e a primeira vinificação se passaram dez anos. A partir de então, houve ainda a ampliação da bodega, criação de museu de rótulos e certificações para que o trabalho decolasse. Os vinhedos estão situados no topo de uma pequena colina entre 750 e 850 metros acima do Mar Mediterrâneo. É surpreendente como sendo tão perto do mar (60 km), o clima característico é claramente continental. Somados a estes fatores temos ainda o terreno calcário que aporta muita personalidade aos vinhos. Como possuem vinhos em diversas linhas em algumas DOs tais como D.O. Pago Chozas Carrascal, D.O.P. Utiel Requena e D.O. Cava, escolhi 3 vinhos que me chamaram a atenção para comentar aqui, como já estou acostumado. Vamos a eles?


O primeiro que irei comentar por aqui é o LAS DOSCES, el blanco joven de Chozas Carrascal, um vinho feito a partir das castas Macabeo e Sauvignon Blanc. Achei curioso o blend e as uvas utilizada, uma vez que costumamos ver a Macabeo sempre no corte de um bom Cava e a Sauvignon Blanc reinando em Bordeaux o no Chile, em menor número na Espanha. De qualquer forma é um vinho para ser consumido jovem e não passa por barricas. Na taça tinha uma bonita coloração amarelo palha com reflexos verdes, bom brilho e boa limpidez. Nos aromas, muita fruta tropical e flores brancas com um toque de mineralidade ao fundo. Na boca tinha corpo médio mas com uma certa untuosidade aliada a um bom frescor. Retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração. Delicioso e refrescante, um vinho perfeito para o verão e para acompanhar alguma refeição sem muito peso ou condimentos.


Depois passamos ao LAS DOSCES, el tinto barrica de Chozas Carrascal, um vinho feito a partir das castas Bobal, Tempranillo e Syrah sendo que depois da fermentação tanto o vinho base de Tempranillo como o Syrah passam por envelhecimento (separadamente) de 5 meses em barricas de segundo e terceiro uso culminando com o corte final pré engarrafamento. Na taça uma bonita cor violácea de média para grande intensidade com um bom brilho e boa limpidez. No nariz aromas predominantemente de frutas vermelhas com algo de especiarias e notas de madeira. Na boca tem corpo médio, boa acidez e taninos macios. Retrogosto confirma o olfato e o final era saboroso e longo. Belo vinho para o dia a dia. Beberia de caixas!


Para fecharmos com chave de ouro passamos ao LAS OCHO, cujo nome faz menção as oito variedades de uva neste corte, cuja proporoção entre elas é variável de acordo com a safra. Tais castas são: Bobal, Monastrell, Garnacha Tinta, Tempranillo, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Syrah e Merlot. É um vinho de uma gama superior onde cada variedade é fermentada em separado e depois do corte, 75% do vinho passa por 14 meses em barricas francesas e os outros 25% ficam nos tanques. Após este período, o corte final (das duas partes do vinho) é feito e o mesmo descansa por 12 meses em garrafa antes de ser liberado ao mercado. Na taça o vinho mostrou uma coloração rubi violácea de média para grande intensidade, ligeiro halo de evolução com um bom brilho e bastante limpidez. No nariz percebemos aromas de frutos escuros e vermelhos, baunilha, especiarias e algo de tostado. Na boca é volumoso, taninos marcados mas de boa qualidade, integrados com o vinho e uma acidez que aporta muito frescor ao vinho. Retrogosto confirma o olfato e adiciona algo de capuccino. Final de longa duração. Um belo e complexo vinho, sem dúvidas.

Saldo final? Bons vinhos, boas opções para pessoas que assim como eu, ainda precisam descobrir mais sobre este país, no caso a Espanha, e seus encantadores vinhos que tem aparecido no mercado brasileiro. Eu recomendo.

Até o próximo!

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Espumante Peneca Rebula Brut: Eslovenia & espumantes combinam?

Eis que volto aqui no blog para falar de um vinho espumante, no mínimo diferente. A começar por sua origem, vindo da Eslovênia, um lugar do qual não se fala muito quando o assunto são vinhos espumantes. Depois, o que falar de uma casta bem pouco difundida por aqui mas que compõe o vinho espumante, que é a Ribolla Gialla. Enfim, novidades, curiosidades não faltam e portanto, vamos falar sobre elas por aqui?


O vinho espumante é produzido pela Vinícola "Vinska Klet Goriška Brda", um dos produtores de vinho esloveno mais renomados e importantes, continuando e melhorando a tradição da produção de vinhos de séculos com sucesso. A "Vinska Klet Goriška Brda" foi fundada em 1957 como uma cooperativa e ainda hoje é completamente propriedade de seus membros. Desde o seu início a vinícola teve um grande impacto sobre o desenvolvimento econômico da região e do estilo de vida do povo local. A "Vinska Klet Goriška Brda" possui 1.000 hectares de vinhas que se espalham a meio caminho entre o mar Adriático e os Alpes. Em média, cada viticultor cooperado cultiva menos de 2 hectares e, portanto, cuida de cada videira com devoção.

Sobre o espumante Peneca Rebula Brut, conforme dito anteriormente, é feito com 100% de uvas Ribolla Gialla, uva oriunda da região norte da Itália, no Friulli, mas que também é utilizada pelos eslovenos em seus vinhos, como este por exemplo. Os vinhedos se encontram nas encostas da fronteira com a Eslovênia, numa região viticultura chamada Goriška Brda. As duas fermentações acontecem em tanques de inox, onde o vinho, após a segunda fermentação, passa 3 meses em contato com a leveduras. Vamos as impressões?

Na taça o vinho espumante apresentou uma bonita coloração amarelo palha com nuances verdes, bom brilho e boa limpidez. A perlage era fina, abundante e persistente.

No nariz o vinho espumante apresentou aromas de frutas cítricas, leve lembrança de pão na chapa e algo de pêssego também.

Na boca o vinho espumante era fresco, volumoso e saboroso. Retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Um bom vinho espumante para o dia a dia, principalmente quando quisermos fugir do comum. Me parece que vai bem sozinho, só com um bom papo ou uma boa companhia (ou mesmo ambos). Se quiser harmonizar, entradas e pratos leves fariam um bom par. Eu recomendo. Mais um vinho do clube de vinhos da Winelands, o clube que eu assino e recomendo. Ah, eu já ia esquecendo: respondendo a pergunta do título do post, acho que combinam sim!

Até o próximo!

sábado, 2 de maio de 2015

Esteva Douro 2011 & Costelinha Suína ao Barbecue do Outback!

Dia desses em que a vontade de fazer uma refeição mais simples e rápida, sem ter que cozinhar em casa nem nada disso, resolvemos fazer uma visita ao Outback, famosa rede de steak houses americana que se espalhou pelo mundo e que possui várias lojas em São Paulo e região. A questão seria: será que encontraríamos algum vinho que pudesse acompanhar a refeição e que pudesse proporcionar algum prazer por si só? Eis que nos deparemos com o Casa Ferreirinha Esteva Douro 2011.


O vinho em questão é produzido pela Sogrape Vinhos, uma gigante do mundo do vinho Português. A Sogrape Vinhos nasceu da vontade e ousadia de um grupo de amigos que, no difícil ambiente econômico e político de 1942, decidiram apostar forte no talento de um homem visionário para criar e desenvolver uma empresa de vinhos diferente, inovadora, capaz de divulgar e impor os vinhos portugueses nos mercados internacionais. A verdadeira dimensão da Sogrape dos nossos dias exprime-se na amplitude e no peso do seu portfólio, onde desde logo sobressaem as duas grandes marcas de vinhos portugueses no mundo – Mateus Rosé e Sandeman –, para além dos prestigiados Vinhos do Porto Ferreira e Offley, a que se juntam marcas especialistas de renome representativas das principais denominações de origem: Barca Velha, orgulho da Casa Ferreirinha (Douro), Quinta dois Carvalhais (Dão), Herdade do Peso (Alentejo), nos frescos Vinhos Verdes Quinta de Azevedo e Gazela, e no multi-regional Grão Vasco, isto só para citar os mais renomados.

Sobre o Casa Ferreirinha Esteva Douro 2011, podemos acrescentar que é um vinho jovem, honesto produzido com as castas típicas do Douro como Tinta Roriz, Tinta Barroca, Touriga Franca e Touriga Nacional. Passam a época do inverno maturando nos tanques de inox e depois são engarrafados. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração violácea de média intensidade, bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, espassadas e sem cor também podiam ser notadas nas paredes da taça.

No nariz o vinho apresentou aromas essencialmente de frutos vermelhos, toques florais e algo de tabaco.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos macios. Retrogosto confirma o olfato e o final é de média duração.

Um bom vinho para o dia a dia e que claro, foi um bom parceiro para uma bela costelinha suína ao molho barbecue, afinal, este é o prato carro chefe da casa e também o nosso preferido. Eu recomendo.

Até o próximo!

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Lafleur Mallet Sauternes 2007 & crème brulée: É harmonização pra #CBE

E chegamos àquele dia que sempre esperamos com entusiasmo todos os meses, que é o primeiro dia do mês quando os membros da #CBE - Confraria Brasileira de Enoblogs numa gostosa brincadeira postam todos sobre um mesmo tema. Neste mês, o tema foi super desafiador, proposto pelo Gil Mesquita, do blog Vinho para Todos, e foi "qualquer vinho de sobremesa, mas com uma dica de harmonização no post (de preferência com foto)". E digo que o tema foi desafiador por que, apesar de gostar muito de vinhos de sobremesa, eu consumo muito menos do que eu gostaria de consumir e não tinha pensado muito sobre harmonizações com eles. Até que este dia chegou. O vinho escolhido por aqui foi o Lafleur Mallet Sauternes 2007 e o escudeiro, o creme brulée. Vamos ver o que aconteceu?


O vinho em questão é produzido pelo Cheval Quancard, que possui diversas propriedades ao longo da região de Bordeaux. Desde 1844, a história da família Quancard tem sido associada as vinhas de Bordeaux. Nos anos anteriores a famosa classificação de 1855, Pierre Quancard criou o seu negócio de comércio de vinhos em Sainte-Antoine, localizado no coração das vinhas de Saint-André de Cubzac. Em 1985, orgulhosa do seu rico patrimônio, a empresa mudou seu nome para Cheval Quancard, em homenagem ao seu fundador e para afirmar a sua longa tradição familiar. Hoje, Cheval Quancard é uma das principais empresas de gestão familiar no mercado de Bordeaux. O seu envolvimento na região é reforçada pela personalidade e qualidade excepcional dos vinhos das 10 fazendas de propriedade familiar, que abrangem mais de 500 hectares de vinha das denominações de Sainte-Estèphe, Haut-Médoc, Lalande-de-Pomerol, Montagne -Saint-Émilion, e Bordeaux Supérieur. A sua gama de qualidade é ainda reforçada pelo afiliações de longa data com quintas e castelos, que dão lugar ao preço de qualidade - que combina tradição com técnicas de vinificação que são o estado da arte.

Sauternes, especificamente, fica a 65 km aproximadamente da cidade de Bordeaux e é uma região reconhecida por seus vinhos doces. O Lafleur Mallet Sauternes 2007 é um vinho feito da seleção dos mais nobres grãos de uvas das variedades Sémillon, Sauvignon Blanc e Muscadelle (50%, 20%, 30%) que foram "atacados"pela "podridão nobre". O vinho foi fermentado e envelhecido em tanques de inox. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma linda cor amarelo palha com reflexos dourados, brilhante e límpida.

No nariz, entretanto, é onde o vinho começou a se revelar. Aromas cítricos de casca de laranja, toques de damasco seco, mel e toques de madeira. Um verdadeiro perfume engarrafado.

Na boca o vinho foi outro deleite. É untuoso e com uma deliciosa acidez. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo, saboroso e sem dulçor excessivo.

Como dica de harmonização, buscamos fazer um emparelhamento com uma receita francesa. E o escolhido foi o crème brulée. A receita é a base de ovos, baunilha e creme de leite fresco. A untuosidade do creme foi um bom par para o vinho e a citricidade do vinho combateu a doçura da sobremesa. Por fim, a textura da "casquinha" de açúcar queimado que recobre o creme dava um "que" a mais. Eu gostei. De qualquer forma foi uma ótima experiência e mais uma missão cumprida com louvar para a #CBE.

Até o próximo!