segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Valdehermoso Roble 2011: a Espanha em sua plena forma!

A Bodegas Y Viñedos Valderiz, produtora do vinho em questão, teve início em 1980, quando Tomás Esteban, estudando as propriedades da família em Roa, no coração de Ribeira del Duero, percebeu que as condições climáticas e geológicas eram ideais para a plantação de videiras de alta qualidade, configurando atualmente um das mais reconhecidos vinhedos da região. Desde então, a família dedica-se totalmente à vinícola, elaborando vinhos de alta qualidade, fiel reflexo da filosofia da família Esteban e de seus vinhedos. A vinícola aposta na simplicidade do processo através de práticas ecológicas e biodinâmicas e acredita que a uva deve transmitir e oferecer todas as suas virtudes intrínsecas. Atualmente, a área plantada da Bodegas Y Viñedos Valderiz é composta de 60 hectares plantados por Tomas Esteban e 10 hectares de vinhas que conseguiu preservar plantadas por seu pai, criando um conjunto de mais de 35 parcelas localizadas em diferentes solos.


Sobre o Valdehermoso Roble 2011, podemos acrescentar que é um vinho feito com 100% de uvas Tempranillo (chamada também de Tinta Del País, por lá) e tem passagem por 8 meses em barricas de carvalho francês e americano (80% e 20% respectivamente), além de um período em garrafa antes de ser colocado no mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração rubi violácea de média intensidade, algum brilho e boa limpidez. Leve halo com tendência granada. Lágrimas finas, rápidas e incolores se faziam presentes também.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, especiarias, baunilha e leve lembrança de tostado ao fundo de taça.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos sedosos. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo, delicado e saboroso.

Um elegante e saboroso vinho espanhol, que foi um belo escudeiro para uma maminha assada em cama de sal grosso e mandioca frita. Foi uma bela harmonização que deixou saudades no paladar. Eu recomendo a prova do vinho. Ah, e a harmonização deixo a cargo de vossa imaginação, mas a sugestão fica aqui também: carnes vermelhas assadas.

Até o próximo!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Dica de Leitura: “Gastronômade Brasil – Vinhos e Espumantes”

Prezados leitores, hoje venho aqui utilizar este espaço que criei para curtirmos e discutirmos mais sobre o mundo do vinho para divulgar o trabalho de uma pessoa que, graças a este mundo do vinho, tive a oportunidade e a honra de conhecer. E agradeço muito por isso, pois ela entende muito do assunto e é sempre muito bacana quando o assunto é compartilhar conhecimento. Estou falando da Alessandra Esteves, autora também dos livros “Vinhos da Austrália” e “Vinhos da Itália”, editora do site www.alessandraesteves.com e apresenta um podcast de vinhos gravado em português e atualizado semanalmente. Ela ainda lançou o aplicativo para smartphones “Dama do Vinho”, que reúne informações diversificadas para os amantes do vinho num mesmo lugar, como dicas de harmonização, notícias, vídeos e uma biblioteca com boas sugestões de livros sobre o assunto.


A Alessandra Esteves, especialista em vinhos, está envolvida em mais um trabalho interessante, no qual apresenta um verdadeiro guia sobre os melhores vinhos e espumantes produzidos no Brasil. Alessandra é autora do livro “Gastronômade Brasil – Vinhos e Espumantes”, em parceria com Renata Runge, que escreve sobre gastronomia na publicação. O livro será lançado no próximo dia 16 de março, com autógrafos e coquetel, na Livraria da Vila, no shopping JK Iguatemi (Av. Presidente Juscelino Kubitschek, 2041), em São Paulo (SP), das 18h30 às 21h30. No coquetel, mais de 10 vinícolas nacionais de peso, como Chandon, Miolo e Cave Geisse, entre outras, apresentarão seus vinhos aos convidados.

Em 70 páginas do livro – de um total de 175 -, Alessandra avalia vinhos e espumantes de várias regiões brasileiras, incluindo novas áreas de produção, como o interior de São Paulo, o Rio Grande do Sul na fronteira com o Uruguai e até o Nordeste. Além disso, também harmoniza as bebidas com todas as receitas apresentadas na publicação. Inspirado no conceito do famoso festival gastronômico norte-americano “Outstanding in the Field”, a proposta do Gastronômade é de ser um “restaurante sem paredes”, uma vitrine itinerante da sustentabilidade, conectando gastronomia de qualidade, gourmands e produtores locais. Com 48 edições já realizadas e quase 5.000 pessoas servidas, o grupo retorna em março a cinco estados do Brasil para mais uma rodada de eventos e aproveita a temporada para lançar o livro “Gastronômade Brasil – Vinhos e Espumantes”, um marco para comemorar o quinto ano do projeto no País e celebrar os prazeres de criar, preparar e desfrutar de boa comida. O livro teve o apoio da Tozzini Freire Advogados, através da Lei Rouanet .

Só me resta dizer que estarei presente no dia do lançamento, tietando e aplaudindo mais este excelente trabalho desta pessoa incrível que tem se dedicado aos vinhos com muito esmero e que tem colhido os frutos de tal dedicação. Ficam aqui meus votos de sucesso, cada vez mais.

Até o próximo!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Woodbridge Zinfandel 2013 By Robert Mondavi

Sabe aquele dia em que você quer somente chegar em casa, tomar um vinho e ficar ao lado de quem lhe faz bem? Então, nestas ocasiões costumamos não escolher um vinho que te faça pensar, um vinho complexo e sim aquele vinho que te da prazer, que lhe trás saciedade e que te conforta. Foi nesta vibe que eu tirei o Woodbridge Zinfandel 2013 da adega. Vamos conhecer um pouco mais sobre o ícone (Mondavi) e sobre o vinho?


No início de 1900, Cesare e Rosa Mondavi, recém-casados ​​vieram de Sassoferrato no norte da Itália, estabelecendo-se em Minnesota, nos Estados Unidos. Em 1919, a Lei Nacional de Proibição foi aprovada, proibindo a venda de álcool. Isso parecia incompreensível para famílias italianas, a quem o vinho foi era um elemento imprescindível da vida diária. Felizmente, uma brecha na lei permitiu que as pessoas produzissem 200 litros de vinho por ano para o consumo familiar. Cesare envolveu-se no negócio de transporte de uvas para vinho da Califórnia para os locais onde as mesmas seriam vinificadas e notou que a maioria das uvas estavam vindo de um lugar chamado "Lodi" na Califórnia. Percebendo uma oportunidade ele mudou com sua família, que neste momento também incluía um Robert Mondavi, começando seu próprio negócio de envio de uvas rumo ao leste do país para famílias ítalo-americanos. O primeiro trabalho de Robert foi pregar os caixotes que seriam utilizados para o transporte das uvas. Depois de estudar negócios e química na Universidade de Stanford e tendo um curso intensivo em viticultura e enologia na Universidade da Califórnia em Berkeley, Robert Mondavi mergulhou em todos os aspectos da indústria do vinho. Foi então que, mais de trinta anos atrás, Robert Mondavi estabeleceu uma cultura do vinho na América do Norte, colocando grandes vinhos da Califórnia na mesa de cada cidadão americano. Em 1979 ele estabeleceu a Woodbridge Winery perto de sua casa de infância de Lodi, Califórnia, para fazer vinhos com foco no consumo diário.

Sobre o Woodbridge Zinfandel 2013, podemos ainda acrescentar que é um  vinho que, embora seja rotulado como varietal, tem uma série de outras uvas em pequenas porcentagens incluídas em sua composição final. Por fim, o vinho passa por algum tempo de maturação em carvalho francês e americano. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de grande intensidade com algum brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, rápidas e coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, especiarias (pimentas e canela) e leve toque de ervas.

Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração. 

Mais uma boa opção de vinho americano a um bom custo considerando o mercado brasileiro (em torno de 50 dinheiros, comprado no Spani Atacadista). Eu recomendo a prova.


Até o próximo!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

De Perrière Blanc de Blancs Brut: Borbulhas diretamente da Borgonha!

Nada como estarmos em um país tropical, no verão, para darmos um motivo a mais para aumentarmos o consumo de espumantes, não é mesmo? E como, apesar de conhecer a qualidade dos espumantes brasileiros, nada como buscar alguma alternativas e conhecer novos vinhos. E foi assim que cheguei ao espumante De Perrière Blanc de Blancs Brut.


O espumante é produzido pela Boisset La Famille Des Grands Vins, fundada por Jean-Claude Boisset em 1961 em Gevrey-Chambertin, como uma empresa familiar mas que hoje se tornou um nome internacional, invocando os fortes valores de suas origens Borgonha. Eles foram uma das primeiras casas a produzir Crémant de Bourgogne e possuem muita experiência no cultivo e vinificação da uva Chardonnay. Ao longo do tempo outras regiões e AOC foram incorporadas.

Sobre o De Perrière Blanc de Blancs Brut, podemos ainda acrescentar que o espumante foi produzido com as uvas Chardonnay, Ugni Blanc e Colombard pelo método tradicional, onde a segunda fermentação ocorre em garrafa. Vamos as impressões?

Na taça o vinho espumante apresentou uma bonita coloração amarelo palha com reflexos dourados, bom brilho e limpidez. Perlage com formação persistente com borbulhas bem pequeninas e em grande quantidade.

No nariz o vinho espumante apresentou aromas de frutos cítricos, frutos tropicais, flores brancas, fermento e panificação além de alguma lembrança de mel. 

Na boca o vinho espumante se mostrou gordo, untuoso, cremoso e extremamente fresco. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo e saboroso. 

Um delicioso vinho espumante francês que embora não seja seu primo rico (Champagne) mostrou muita qualidade e vai bem tanto sozinho num bom bate papo como com alguns queijos e entradas a base de frutos do mar. Eu recomendo a prova. Mais um vinho do clube de vinhos da Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Titular Reserva Tinto 2012: Portuga de bom custo benefício!

O vinho é produzido pela Caminhos Cruzados, que nasces pela iniciativa e vontade de Paulo Santos, natural de Nelas, que, determinado a regressar às suas origens para investir no mundo do vinho, decide transformar uma antiga empresa agrícola numa moderna empresa produtora e engarrafadora de vinhos. A filosofia da empresa baseia-se na produção de vinhos de qualidade, com uma vertente de tradição aliada ao modernismo e constante diferenciação que o mercado exige. Os seus vinhos são feitos a partir de uvas de produção própria e de produtores selecionados, reconhecidos pela sua qualidade e excelência de castas, todos na região do Dão. A Caminhos Cruzados resulta da união de ideias e projetos, e promete ajudar a voltar a pôr no mapa o nome de Nelas como terra de vinhos de qualidade. Sua propriedade, chamada de Quinta da Teixuga, é uma propriedade com cerca de 30 hectares. Está situada em pleno coração da Região do Dão, sendo rodeada por maciços montanhosos, como a Serra da Estrela e Caramulo. Composta por várias parcelas de floresta e vinha, a propriedade é um espaço onde o contacto com a natureza é privilegiado. Nas parcelas de vinhas da “Teixuga”, algumas com idades médias de 50 anos, podemos encontrar as melhores castas da região do Dão como as tintas Touriga Nacional, Tinta Roriz, Jaen e Alfrocheiro; além das brancas Malvasia-Fina, Encruzado e Bical.


Sobre o Titular Reserva Tinto 2012, podemos ainda acrescentar que é um vinho produzido a partir das castas autóctones Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz com estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês (50% novas e 50% 1º ano e 2ºano). Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi violácea de média para grande intensidade. algum brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, rápidas e incolores também se fizeram presentes.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos escuros, flores, baunilha e leve toque mineral ao fundo. Toques tostados com algum tempo em taça.

Na boca o vinho tinha corpo médio, excelente acidez e taninos macios e sedosos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Para acompanhar, minha esposa aprontou um belo jantar com direito a medalhão de miolo de alcatra ao molho de vinho tinto e cogumelos puxados no azeite e manteiga. Que delícia, estou salivando só de lembrar. A inspiração para esta receita veio com o Chef Guga Rocha, que dentre outras atribuições, faz parte do programa Homens Gourmet

Enfim, precisa falar mais alguma coisa? Bom vinho português para o dia a dia que acompanhou dignamente o jantar. Eu recomendo a prova. Em tempo, o vinho é trazido pelo Oba Hortifruti e foi indicação do amigo Alexandre Frias, do blog Diário de Baco.

Até o próximo!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Octavio Café: Ajudando você a aprender mais sobre café e vinhos!

Você, prezado leitor, que está sempre em busca de mais conhecimento neste mundo maravilhoso que é o mundo do vinho ou mesmo o mundo do café, tem um aliado de peso para facilitar esta busca, o Octavio Café, localizado no coração da avenida Faria Lima em São Paulo, considerado um templo do café e a maior cafeteria da América Latina, proporciona aos clientes uma experiência gastronômica por meio da cultura do café. O Octavio Café oferece diversos cursos na cafeteria e também em suas fazendas, a profissionais e apaixonados por café e possui três salas para reuniões e treinamentos, além dos espaços “Latte" e “Deck” para grandes eventos. 


O Octavio Café está com inscrições abertas para os cursos Coffee Lovers e Barista, que têm suas primeiras edições do ano neste mês. Indicado para todas as pessoas com interesse em aprofundar seu conhecimento sobre o mundo do café, o Coffee Lovers será realizado no dia 19 de fevereiro, sexta-feira. Os temas possibilitarão aos participantes aprender técnicas para melhorar o paladar e o olfato, identificar o melhor café na gôndola do supermercado, conhecer o processo produtivo – da semente à xícara -, degustar cafés das espécies robusta e arábica de diferentes regiões produtoras, além de conhecer variados métodos de preparo. Já o Barista tem duração de dois dias e ensina técnicas de regulagem de moinho, extração de espresso e para o preparo de bebidas à base do grão. Capacita o interessado para a profissão de barista, que ganhou força com o crescimento do consumo de cafés especiais. Será realizado nos dias 27 e 28, das 9h às 17h. A supervisão é da barista e gerente de atendimento e qualidade da casa, Tabatha Creazo. Inscrições e mais informações pelo telefone (11) 3074-0110 ou e-mail cursos@octaviocafe.com.

Além dos tradicionais cursos acima, o Octavio Café recebe, em fevereiro, o curso WSET Nível 2 em Vinhos e Destilados da Eno Cultura – escola credenciada pelo Programa de Provedor Aprovado da WSET (WSET Approved Program Provider). O curso será ministrado por Thiago Mendes, diretor da Eno Cultura, Educador Certificado pela WSET, embaixador e juiz do International Wine Challenge para Brasil e México. A Certificação de Nível 2 em vinhos e destilados aborda a característica das principais uvas e seus países e regiões de origem, além de ensinar técnicas de degustação WSET, serviço de vinho e harmonização. São degustados mais de 50 vinhos e destilados. O curso acontece de 24 a 27 de fevereiro, de quarta a sexta no período das 18h às 22h30, e no sábado das 9h às 17h. O valor do investimento é de R$ 2.950. Mais informações: info@enocultura.com.br.

Se você estava procurando obter mais conhecimento sobre estes dois temas fascinantes, café e vinho, a hora é essa. Tudo em um mesmo lugar e com profissionais conceituados.

Até o próximo!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Santoro Primitivo Puglia IGT 2013

A Feudi di San Marzano encontra-se na região de Salento, na Puglia, situada na região denominada antigamente como Greci Enotria (terra do vinho) – da Magna Grécia. A vinícola iniciou suas operações em 2003 e tem como característica o contraste do cuidado manual do vinhedo, seguindo as mais antigas tradições, e a aplicação da modernidade no seu processo de vinificação. Isso, para exprimir em seus vinhos, o máximo das qualidades e características de suas uvas (informações retiradas do site do importador, World Wine).


Sobre o Santoro Primitivo Puglia IGT 2013 podemos ainda acrescentar que é um vinho feito 100% com uvas Primitivo sem passagem por madeira. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi violácea de grande intensidade com um bom brilho e boa limpidez. Lágrimas mais gordinhas, coloridas e lenta também apareceram quando rodávamos a taça.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros e vermelhos e chocolate.

Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez e taninos macios e sedosos. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo e saboroso.

Mais um bom vinho italiano degustado por aqui, que deve agradar todos os paladares, do mais experientes aos recém iniciados no mundo do vinho. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Speciale Merlot 2012: Mais do vinho tinto brasileiro!

O vinho é produzido pela LPG Wines, que fruto do amor pelo vinho, foi fundada por três amigos, um renomado enólogo português e dois brasileiros, outro Enólogo e um Engenheiro Agrônomo. O trabalho iniciou em 2008, com a implantação do projeto de Agricultura de Precisão e Segmentação de Colheita com alguns produtores parceiros na região de Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha. O projeto de produção utiliza o mesmo sistema adotado em mais de 15 países do velho mundo, tendo como foco a melhoria da qualidade da uva para a produção de um bom vinho. São produções únicas e exclusivas com a baixa tiragem por hectare.


O Speciale Merlot 2012, apesar de ser rotulado como varietal, tem uma pequena porcentagem de Alicante Bouschet em sua composição. Curioso ver esta uva de ascendência portuguesa aparecendo por aqui. Além disso, passa por 24 meses em barricas de carvalho americano para amadurecimento. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de grande intensidade, pouco brilho e alguma limpidez. Ligeiro halo granada indica alguma evolução. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, capuccino, tabaco e toques animais. Ao fundo de taça algo de tostado também se fazia notar.

Na boca o vinho se mostrou de corpo médio, boa acidez e taninos redondos e macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Mais um bom exemplar de vinho tinto nacional, o que reforça a tese que estamos no caminho certo, apesar dos pesares. Eu recomendo a prova. Mais um vinho do clube de vinhos da Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Vinheria Percussi & Tascante Ghiaia Nera 2011: Gratas Surpresas!

A tempos vinha com a intenção de visitar a Vinheria Percussi, mas por um motivo ou pelo outro, acabava sempre postergando. Acontece que no final do ano passado eu acabei conseguindo concretizar esta minha vontade e agora tive tempo de organizar minhas idéias e, finalmente vou compartilhar com vocês minha impressão.

O restaurante possui um ambiente pequeno porém muito bem organizado, requintado e intimista além de muito bem decorado e agradável. A cozinha italiana contemporânea prima pela qualidade de seus ingredientes e na execução dos pratos. O atendimento é muito cordial e, na medida do possível, bem afável e quase personalizado. Além do já dito anteriormente, possui ainda uma bela carta de vinhos e uma seleção de azeites de cair o queixo, todos italianos e de qualidade indiscutível. Surpreende ainda que em meio a tanta tradição e apreço por pratos clássicos, alia ainda o uso de tecnologia (tablets) em seus cardápios/carta de vinhos o que facilita muito a vida do consumidor.

Ravioles duplos com recheio de ossobuco e burrata em molho aveludado de carne

Falando de nossas opções, ao me deparar com o cardápio logo me encantei por um prato de ossobuco, mas infelizmente segundo o maitre, o mesmo não estava disponível no dia. Prontamente porém, o maitre já me sugeriu um substituto a altura e fui de Ravioles duplos com recheio de ossobuco e burrata em molho aveludado de carne. Escolha perfeita, prato em quantidade mais do que satisfatória com uma massa fresca cozida a perfeição, untuosidade na medida e recheio incrivelmente saboroso. Ponto pra Vinheria Percussi. Minha esposa por sua vez foi de risoto de lulas, com arroz al dente e uma quantidade muito boa de lula, o que tornou a experiência inesquecível.


O vinho escolhido para acompanhar a refeição foi outra grata surpresa. Depois de passear um pouco sobre as opções disponíveis, achei por bem escolher um vinho italiano para tentar criar uma harmonização regional por assim se dizer. E a escolha recaiu sobre o Tascante Ghiaia Nera 2011, proveniente da Sicília. Vamos ver o que descobrimos sobre ele?


O vinho em questão, o Tascante Ghiaia Nera 2011, é produzido pela Tasca d'Almerita, fundada em 1830 na privilegiada localização de um antigo domínio feudal siciliano, a Tasca d’Almerita é um dos mais famosos e históricos produtores da Itália. Seus vinhos cheios de sabor e tipicidade são elaborados na famosa propriedade Regaleali, muito bem localizada no coração da Sicília, em uma alta colina. A propriedade dá o nome a seus vinhos mais emblemáticos, que fizeram a história do vinho de qualidade na Sicília. É feito com 100% de uvas Nerello Mascalese de vinhedos plantados a 600 metros no declive norte do vulcão Etna. envelhece em grandes tonéis de carvalho por 12 meses. Vamos as impressões?


Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração rubi de média intensidade, bom brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, rápidas e incolores também se faziam notar. No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, especiarias, tabaco e toques animais de couro. Bastante complexidade. Na boca o vinho apresentou corpo médio para encorpado, salivante acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo de inesquecível. Um belíssimo vinho italiano, sem sombra de dúvidas.

Depois de uma refeição como esta, tive todas minhas vontade satisfeitas. Valeu o tempo da espera para visitar a Vinheria Percussi. Eu recomendo o lugar, o vinho, enfim, aproveite sem moderação. Não é barato, mas vale o quanto cobra.

Até o próximo!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Anas Tinto 2014: Mais uma preciosidade vinda do Alentejo

A Herdade do Sobroso, produtora do vinho em questão, nos seus 160 hectares de terras, concilia a produção de vinho com a fruição do espaço e da natureza, utilizando-os enquanto centro de lazer. Situada no região do Alentejo, mais especificamente na Vidigueira, a Herdade do Sobroso está delimitada pela Serra do Mendro ao norte, pelo Guadiana a leste e a sul pela enorme planície que se estende até perder de vista. A Herdade do Sobroso caracteriza-se por apresentar solos franco-argilosos e arenosos apostando na implantação de vinhas de acordo com critérios que visam a produção de uvas com elevada qualidade. No que diz respeito ao clima esta região é conhecida pelos seus Invernos frios, seguidos por Verões longos e quentes. As castas tintas dominantes são Aragonez, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon, Syrah, Alfrocheiro e Trincadeira, enquanto os vinhos brancos provêm essencialmente das castas Antão Vaz, Arinto e Perrum.


Sobre o Anas Tinto 2014, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito a partir das castas alicante Bouschet, Syrah e Aragonez estagiando por cerca de 3 meses em barricas de carvalho americano (uma parcela do vinho somente). Como curiosidade, o vinho tem suas uvas plantadas junto ao Rio Guadiana, onde Anas foi o nome com que batizaram este rio, que significa "dos patos". Daí o nome e a ilustração no rótulo do vinho. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração violácea de média para grande intensidade, bom brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente colorida faziam parte do quadro visual também.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas vermelhas frescas, flores e ervas.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Um bom vinho português para o dia a dia, para se beber despretensiosamente e sem pensar muito a respeito. Sempre chama o próximo gole. Vale a prova.

Em casa harmonizamos o vinho com escondidinho de carne seca com mandioca e olha, vou te dizer que ficou bom pacas.

Até o próximo!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Casa Perini Solidário Cabernet Sauvignon Merlot 2014

Os imigrantes Antonio e Giuseppe Perini chegavam ao Brasil trazendo da Itália a arte de transformar a uva em vinho há mais de 130 anos atrás, no entanto, a produção vinícola teve início mais tarde, com João Perini em 1928, quando a partir daí começou a expansão e, gradativamente, o aprimoramento do processo de elaboração em todos os aspectos, desde o cultivo de novas variedades viníferas até o produto final. Foi em 1970 que Benildo Perini, neto de Giuseppe e atual diretor da vinícola, iniciou a transformação do pequeno empreendimento familiar em empresa, engarrafando seu vinho com a marca Jota Pe em homenagem ao seu pai João Perini. Já em Garibaldi, as atividades têm início em 1996, quando a Perini terceiriza uma infraestrutura para elaborar seus Espumantes Casa Perini e no mesmo ano, a marca Casa Perini é lançada também para os Vinhos Finos da Vinícola. Atualmente, a Vinícola Perini conta com 12 hectares de vinhedos localizados em Garibaldi e 80 hectares em Farroupilha, agregando uma área total de 92 hectares. (retirado do site do próprio produtor). Hoje com uma linha muito diversificada, a Vinícola Perini aposta em descomplicar o vinho e trazer para o mercado em todas suas linhas produtos de excelente custo benefício e que tendem a agradar uma vasta gama de paladares do brasileiro.


Sobre o Casa Perini Solidário Cabernet Sauvignon Merlot 2014 podemos ainda acrescentar que é uma ação filantrópica da Vinícola Perini, na qual os produtos vendidos dedicarão R$1,00 por garrafa de doação direta dividida entre as entidades envolvidas, no caso, a Federação Brasileira de Hemofilia e ao Instituto da Mama do Rio Grande do Sul. Assim, a cada compra, você atua diretamente nos processos de educação, reabilitação, articulação e mobilização social em favor da saúde dos pacientes vinculados à tais instituições. Além disso, é um vinho feito a partir das castas supracitadas, numa proporção 50% para cada e cerca de 5% do vinho tem passagem em barrica de carvalho francês por 6 meses. O vinho permanece ainda 4 meses em garrafa antes de ser comercializado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de media intensidade, bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e incolores se faziam presentes.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos e escuros, especiarias, floral e leve baunilha.

Na boca o vinho apresentou corpo leve para médio, acidez na medida e taninos fininhos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Mais um bom vinho tinto brasileiro para o dia a dia e que, ainda por cima, tem uma bonita ação social por trás. Eu recomendo a prova  e por consequência, a ajuda a quem precisa.

Até o próximo!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Westend Estate Down Under Shiraz 2014

Apesar de ser portador de uma rara alergia causada pelos ácidos no vinho que o impede de engolir esta bebida, a visão e determinação de Bill Calabria colocam-no no topo da lista dos produtores que elevaram enormemente a qualidade dos vinhos elaborados em Riverina nos últimos anos. Estabelecida em 1945 por seus pais, imigrantes italianos, em Griffith, no coração de Riverina, que é a segunda maior região produtora da Austrália. De lá saem 70% dos vinhos do Estado de Nova Gales do Sul e a região é famosa por seus vinhos de sobremesa estilo Sauternes. O reconhecido crítico James Halliday concedeu quatro estrelas e meia à vinícola em seu Australian Wine Companion 2015.


Sobre o Westend Estate Down Under Shiraz 2014, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito 100% com uvas Syrah da região de Riverina, na Austrália, e passa por 6 meses de envelhecimento em barricas de carvalho francês e americano. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração violácea de grande intensidade, bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas também se faziam presentes.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas escuras, especiarias (pimenta em evidência), baunilha e leve toque animal ao fundo.

Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez e taninos suaves. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Um gostoso vinho australiano que foi um belo escudeiro para uma boa pizza de sexta feira. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Waiki Cabernet Sauvignon Barrel Selection 2013

A Viña Pérez Cruz, produtora do vinho, é considerada uma vinícola boutique por ter uma produção considerada de pequena para médio porte para os padrões chilenos e com uma curiosidade: quase não é conhecida em seu país de origem tendo focado a quase totalidade de sua produção para exportação. Sua história se inicia com a aquisição das terras onde hoje se encontram a vinícola por Don Pablo Pérez Zañartu, um empresário chileno muito conhecido, e posteriormente com a criação da vinícola por sua família após seu falecimento. Don Pablo nunca chegou a ver o projeto da vinícola funcionando já que esta teria sido fundada em 2002. Dada as condições do clima e de terreno do lugar (alguém lembrou do termo "terroir"), a Viña Pérez Cruz tem sua produção exclusivamente de vinhos tintos, tendo como grande estrela a casta Cabernet Sauvignon e depois a casta emblemática do Chile, a Carmenére. Podemos dividir seus vinhos em 3 linhas: a de entrada com um Cabernet mais básico, a intermediária com os varietais Limited Edition Malbec (lá chamado de côt), Carmenére, Syrah além do Chaski (Petit Verdot) e a linha top com os blends Liguai e o Quelén. A vinícola é muito moderna e sustentável, se utilizando das mais recentes técnicas relativas tanto a edificação da vinícola quanto a produção dos vinhos. O prédio da Viña Pérez Cruz é feito de madeira e tem o um formato de duas barricas juntas, com os telhados abaulados, de modo a facilitar a circulação do ar, fazendo com que a temperatura interna do prédio seja regulada e se mantenha amena com a subida do ar mais quente e menos denso, e mantendo o ar mais refrescado. Grande parte da movimentação do mosto/vinho é feita por gravidade desde o recebimento das uvas num andar mais superior até a fermentação nos tanques de inox e posterior malolática e envelhecimento em carvalho francês e americano.


Sobre o Waiki Cabernet Sauvignon Barrel Selection 2013 podemos acrescentar que é um vinho feito 100% com uvas Cabernet Sauvignon de vinhedos mais jovens da vinícola. Além disso, ao menos 50% do vinho passa por estágio de 10 meses em barricas de carvalho usada. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea intensa, profunda e com bom brilho. Lágrimas finas, coloridas e ligeirinhas também se fizeram notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas vermelhas, especiarias, florais e leve toque herbáceo, dando sensação de frescor em detrimento aquele herbáceo verde comumente desagradável.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos maduros e elegantes. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Mais um bom vinho vindo da Pérez Cruz, uma vinícola que eu aprendi a apreciar e admirar ainda mais, quando visitei a vinícola em 2012. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Tolentino Winemaker's Selection Malbec 2014

Nós brasileiros já estamos mais do que acostumados com os vinhos provenientes tanto de Argentina como Chile, mas quando nos deparamos com alguns exemplares que fogem do usual, costumamos comentar por aqui. E por fugir do usual podemos entender que temos vinhos tintos mais elegantes, menos bombados e que entregam por vezes qualidade condizente com o preço, um pouco maior do que os vinho considerados de entrada. E foi o caso deste Tolentino Winemaker's Selection Malbec 2014.


O vinho é produzido pela Bodega Cuarto Dominio, localizada em La Consulta, Valle de Uco, bodega esta pertencente e operada pela quarta geração de produtores de Mendoza. Tudo começou há mais de um século atrás, quando a primeira geração viajou para a Argentina da Europa com a esperança de transformar o seu vinho tornando sonhos em realidade em Mendoza. Mais de 110 anos depois, o legado vive e está prosperando com as seguintes gerações dos produtores continuando a cultivar e produzir vinhos de distinção, qualidade e autenticidade nas vinhas de alta elevação do Vale do Uco.

A curiosidade fica por conta do sobrenome do presidente da bodega, o Sr. Javier Catena, que é membro da conhecida família produtora de vinhos argentinos, muito embora não utilize este nome para divulgar seus vinhos, o motivo eu realmente não sei. De qualquer maneira, um nome de peso a frente da bodega e a presença do gene enólogo no dna parece ter ajudado a criar belos caldos.

Sobre o Tolentino Winemaker's Selection Malbec 2014 podemos acrescentar que é um vinho que, apesar de rotulado como varietal (de acordo com a legislação argentina) possui cerca de 5% de Cabernet Franc em sua composição, além é claro da Malbec do rótulo. O vinho permanece de 6 a 8 meses em barricas de carvalho francês para afinamento e envelhecimento. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor violácea de grande intensidade, bom brilho e limpidez. Lágrimas gordas, mais lentas e coloridas tingiam as paredes da taça.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, café com leite, flores e leve tostado ao fundo.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, acidez alta e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Um belo e elegante vinho argentino, que se diferencia dos demais justamente por esta elegância e por ter arestas muito bem aparadas, sem exageros de álcool ou extração das frutas. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!