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Sunday, December 28, 2014

Confraria Pane, Vinum Et Caseus: Itália em pauta!

Havia algum tempo que, entre muitos entreveiros, a Confraria Pane, Vinum Et Caseus não conseguia datas para se reunir e, mais do que isso, nós também não tínhamos tido oportunidades de casar as agendas e participar das escassas reuniões do ano. Entretanto, com o advento do final do ano, sempre é gostoso reunir as pessoas que gostamos e enfim, a reunião da confraria saiu e pudemos nos juntar a ela.


O presidente da Confraria, Fábio Barnes, e seus vices sempre preparam as reuniões de forma a que um tema seja explorado, sem que haja detrimento dos demais vinhos e/ou pratos degustados durante a noite. Desta vez, o tema seria: "Uma volta pela Itália". Como já é tradição da última confraria do ano, cada um traria um "pratinho" de comida e os vinhos seriam como sempre, as estrelas principais. As escolhas dos vinhos abrangeu principalmente as "grandes regiões" da Itália, a saber: Valpolicella, Toscana e Piemonte. Diferentemente do que costumo fazer, darei maior enfoque aos vinhos em detrimento das comidas, guloseimas e outros, disponibilizados também durante a reunião.


E a viagem começou com o Chianti Classico Principe Corsini Le Corti D.O.C.G 2009, um vinho da conhecida região Toscana de Chianti Clássico, produzido pela Tenuta Villa Le Corti, do grupo conhecido como Principe Corsini. A história de Chianti e Chianti Clássico já foi comentada por aqui e portanto, pouparei-os de meus comentários repetitivos. O vinho é feito com 95% de uvas Sangiovese e os outros 5% preenchidos com as uvas Canaiolo e Colorino. O vinho envelhece parte em cubas de cimento vitrificado e parte em grandes tonéis de madeira (os famosos botti italianos). Na taça o vinho apresentou um vinho rubi de média intensidade, algum brilho e boa transparência. No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, especiarias e toques florais. Fundo de taça apresentou também madeira. Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos finos. Retrogosto confirmou o olfato e o final era de média duração. Começávamos bem a noite italiana.


Num segundo ato da noite viajamos a região do Piemonte e a irmã menos famosa da Nebbiolo, a Barbera D'Alba com o Pietro Rinaldi Bricco Cichetta Barbera D'Alba Superiore 2010. Este vinho é um varietal 100% Barbera D'Alba produzido pela Azienda Agrícola Pietro Rinaldi, com uvas provenientes de vinhedos localizados em Madonna di Como, na região de Alba, no Piemonte. Maturação de 70% do vinho em barricas novas de carvalho francês e de 30% em barricas de segundo uso durante 16 meses. Na taça coloração rubi de média intensidade com bom brilho e boa transparência. Aromas de frutos vermelhos, especiarias e ligeira lembrança mineral ao fundo da taça. Corpo médio, boa acidez e taninos macios. Retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração. E mantínhamos o alto nível da noite.


A terceira etapa da noite trouxe um vinho que, quando bem feito, é espetacular. Estávamos agora na região de Valpolicella e o vinho? Um Ripasso da Azienda Agricola Monte del Frá. O Monte del Frá Valpolicella Classico Superiore Ripasso 2009 é composto por um corte de Corvina Veronese (80%) e Rondinella (20%) e é feito pela técnica de ripasso, que consiste em o vinho obtido como Valpolicella passar por um tempo de contato com a borra de vinificação que sobra dos vinhos Amarone, obtendo assim mais estrutura, complexidade e aromas. Na taça o vinho apresentou uma cor violácea de grande intensidade, algum brilho e pouca transparência. No nariz, aromas de frutos frescos e de licor de frutas além de especiarias doces como canela e cravo da índia. Na boca um vinho encorpado, boa acidez e taninos finos. Retrogosto confirma o olfato com uma leve doçura na entrada de boca. Final de longa duração. Estávamos subindo escada a cima, bebê!


O último e derradeiro capítulo da noite reservava uma grata surpresa. Voltaríamos a Toscana e provaríamos um vinho que é dos meus preferidos: o ColdiSole Brunello di Montalcino DOCG 2008, do grande grupo Lionello Marchesi. É um dos grandes vinhos tintos da Toscana e é parte da história destes, sendo o único - em termos de tradição e regulamentos - feito exclusivamente com uvas Sangiovese. Tem passagem de 36 meses em barricas de carvalho e mais 12 meses em garrafa antes de ser liberado ao mercado. Na taça uma coloração rubi com tendência granada, algum brilho e alguma transparência. No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos silvestres, especiarias, couro e toques de baunilha. Na boca o vinho era corpulento, musculoso, taninos mastigáveis e uma acidez incrivelmente deliciosa. Retrogosto confirma o olfato e o final era de longa e saborosa persistência. O ato final não poderia ser melhor.

E assim nos despedíamos de mais um grande encontro da Confraria Pane, Vinum Et Caseus onde pudemos além de conhecer vinhos novos, rever pessoas tão queridas e que já estávamos sentindo muitas saudades. E que venham as próximas reuniões.

Até o próximo!

Monday, December 19, 2011

Ripasso Valpolicella Clássico Superiore Soraighe

A reunião de final de ano da Confraria Pane, Vinum Et Caseus se deu na última sexta feira e foi muito especial. Além das companhias excelentes e anfitriões fora de série, tivemos ainda uma diferença: cada um era responsável por levar um prato de comida com o intuito de promovermos a confraternização e caberia então aos organizadores da confraria escolherem vinhos bem flexíveis e que se adequassem a ocasião. E não é que eles escolheram bem? Tivemos dois vinhos, como de costume: o Conde de Los Andes Gran Reserva Cosecha 2004, já comentado aqui no blog (relembre aqui) e o Valpolicella Ripasso Superiore Soraighe. Falemos um pouco sobre o segundo.



Feito pela família Bennati na região do Veneto (famosa pelos Amarones, vinhos feitos com uvas passificadas  e normalmente com alto grau alcóolico e grande potência), na Itália, e tendo como base o processo ripasso (já explicado outras vezes por aqui) este vinho tem em sua composição as uvas Corvina, Rondinella e Molinara sem proporções definidas. Conhecido popularmente como o irmão mais novo do Amarone, estes vinhos normalmente valem a tentativa. Vamos a este.

Na taça uma bela cor violácea sem halo de evolução aparente. Lágrimas finas, lentas e com alguma cor. Aqui a avaliação pode ter tido alguma alteração pois a iluminação não permitiu maior avaliação.

No nariz o vinho exibia aromas francos de frutas escuras em compota, terra, madeira em ótimo balanço com o vinho e um pouco de coco mais ao fundo. Tudo bem franco mas ao mesmo tempo muito elegante. Álcool espetou de início mas arrefeceu com o tempo de vinho aberto.

Na boca o vinho mostrou toda sua potência com muito corpo, bons taninos e excelente acidez. Um pouco alcoólico, esquentou no primeiro ataque. Com o tempo porém o álcool baixa e deixa um gostoso retrogosto de média duração lembrando frutas e iogurte de coco.

Um grande vinho, elegante e potente na medida, e que pode não agradar a todos por esta entrada quente e potente na boca mas que realmente casa bem com carnes e comidas com molho. Caiu bem com uma costela de porco ao molho barbecue e até com bacalhau no forno com gratinado de provolone. Enfim, ponto positivo pro pessoal da confraria!

Até o próximo!

Sunday, December 4, 2011

Cesari Ripasso Bosan 2007

Os vinhos italianos tem sua posição reservada entre os meus preferidos, apesar de seus preços normalmente um pouco acima do que consideraríamos bom custo benefício. Acontece que eles tem sua potencia e sua vocação gastronômica, de maneira que eu sempre tenho algum exemplar em minha adega pra acompanhar um almoço especial nos finais de semana. E não é diferente no caso deste exemplar.

Feito pela técnica de ripasso, que consiste em o vinho obtido como Valpolicella passar por um tempo de contato com a borra de vinificação que sobrou da vinificação dos vinhos Amarone, obtendo assim mais estrutura, complexidade e aromas. Este vinho é composto por um corte de Corvina Veronese (80%) e Rondinella (20%), uvas típicas da região, e passa por aproximadamente 12 meses de amadurecimento em barricas de carvalho francês. Vamos as impressões.
Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi com borda tendendo ao granada, lágrimas finas e rápidas sem quase nenhuma cor, já demonstrando um pouco de sua idade. Tudo muito límpido e com alguma transparência.

No nariz o vinho apresentou aromas de ervas secas, fumo (tabaco), café e frutas vermelhas. Todos aromas muito bem integrados e indo e voltando na taça, a cada vez que colocava a taça no nariz parecia um outro vinho. Alguma coisa de baunilha também podia ser sentido.

Na boca o vinho tinha taninos firmes, rascantes, que secavam um pouco a boca. Mas tudo muito elegante e integrado com uma boa acidez (o vinho tinha uma boa vocação gastronômica) e sem álcool aparente. Final de média para longa duração com lembrança de frutas e chocolate amargo. Bastante complexidade.

Mais um bom vinho, com um preço um pouco mais alto do que um vinho do dia a dia, mas que valeu o quanto foi pago!

Até a próxima!