quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Como os incêndios na Califórnia afetarão a safra 2017?

Depois de um período ausente em virtude das merecidas férias, nós do Balaio do Victor estamos por aqui para anunciar que voltamos com as energias recarregadas e com muito pique para compartilhas nossos textos com vocês. E já começamos com um assunto bem triste para nós que amamos o vinho: os incêndios que atingiram vinhedos e vinícolas na Califórnia. Eu sei que você, caríssimo leitor muito bem informado, vai falar que também houveram casos semelhantes em Portugal mas, como eu consegui um pouco mais de informações sobre a Califórnia, eis que aqui estamos.


À medida que os incêndios florestais atravessaram Napa, Sonoma, Carneros, Mendocino e além, os vinicultores avaliam seus vinhos jovens e as uvas que ainda estão sendo colhidas. A colheita do norte da Califórnia já estava paralisada quando os incêndios floresciam em partes dos condados de Sonoma, Napa e Mendocino, obrigando os vinicultores e os moradores a fugir. Com as equipes de bombeiros ainda lutando contra as chamas e muitas áreas sob evacuação obrigatória, os vinicultores estão enfrentando desafios, pois tentam terminar o que uma vez parecia uma colheita relativamente fácil.

Quando os incêndios chegaram, os vinicultores colheram a maioria das suas uvas. Estimativas mostram que cerca de 90% das vinhas da região do condado de Sonoma foram colhidas. O Napa Valley Vintners relatou quadro semelhante enquanto o Mendocino WineGrowers estima que a maioria das uvas brancas e 75 por cento das uvas tintas da região também o estavam. A safra de 2017 foi quente e seca e os viticultores parecem muito satisfeitos com a qualidade dos vinhos nos tanques agora. Isso permitiu uma colheita precoce. Mas os vinicultores relatam que ainda há Cabernet Sauvignon e outras uvas tardias que aguardam nas videiras. Agora eles estão lutando para escolher a última das suas uvas e fermentar os vinhos enquanto lidam com evacuações, perdas de energia, fechamentos de estradas e nuvens grossas de fumaça.

Aqueles que conseguiram escolher suas uvas estão enfrentando outros desafios. Como muitos tiveram que evacuar e acabaram por perder suas casas, muitas vinícolas estão trabalhando com equipes mínimas no momento. As quedas de energia também estão criando problemas para os vinhos que fermentam em tanques uma vez que a maioria dos vinicultores tenta manter suas fermentações de vinho tinto entre 70 ° a 85 ° F e vinhos brancos entre 45 ° a 60 ° F. Se a temperatura estiver muito alta, os vinhos podem apresentar aromas e sabores cozidos ou as leveduras podem morrer antes de completar a fermentação. A utilização de gelo seco tem sido uma solução. 

Além de ser um perigo para a saúde, a fumaça grossa tem alarmado alguns viticultores. O resíduo de fumo contém altas concentrações de fenóis voláteis, como guaiacol e eugenol, que podem se acumular nas peles das uvas e podem ser liberados para os vinhos durante a fermentação. Amostras tem sido enviadas para ETS Laboratories, o principal pesquisador das vinícolas da Califórnia, mas a empresa está atualmente sobrecarregada. Como cerca de 15 por cento das uvas ainda precisam ser colhidas, o laboratório tem avaliado cada vinhedo individualmente e notificado seus clientes dos riscos. É difícil de prever o que os fumos e seus compostos podem causar e isso só se torna problemático em níveis elevados. Mas o futuro do vinho da Califórnia do Norte ainda é desconhecido. Maiores informações podem ser encontradas em www.winespectator.com .

Até o próximo!

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Divulgação: Capital paulista recebe Road Show Inovini 2017

Entre os dias 02 e 06 de outubro, a importadora Inovini realiza o Road Show Inovini - evento que segue sua segunda edição esse ano (a primeira contemplando) algumas cidades do interior paulista. Para a segunda edição 2017, as cidades escolhidas foram Vinhedo (SP), Santos (SP), São Paulo (capital), Anápolis (GO) e Brasília.



Em contramão aos megaeventos do setor, a Inovini aposta mais uma vez nos encontros mais intimistas. Uma ótima oportunidade para que parceiros de negócios e consumidores finais conheçam os produtos importados pela empresa, degustem e façam networking com os representantes das vinícolas, além de encontrarem vinhos com preços e condições especiais. Tudo em formato de bate papos e degustações descontraídas e assertivas tendo como mote um dos temas mais especiais do mercado: o mundo dos vinhos.

A vinícola portuguesa Herdade do Perdigão, da região do Alentejo, será um dos grandes destaques e lançamentos durante os cinco dias de evento. Ao lado de vinícolas conceituadas, como a Los Vascos (Chile); González Byass (Espanha); Doña Paula (Argentina), Undurraga (Chile), Hardy´s (Austrália); Kumala (África do Sul), Barone Ricasoli (Itália) e Nino Franco (Itália). “O Road Show já virou um marco para o setor de vinhos. A cada edição temos a preocupação de selecionar cidades importantes e que muitas vezes estão fora do eixo dos destinos de eventos do mercado de vinhos. Estamos felizes por sermos pioneiros nesse novo formato de evento, escolhendo regiões pouco exploradas e com um grande potencial de negócios”, diz a gerente de marketing da Inovini, Rita Ibanez. Degustações comentadas com representantes de vinícolas e lançamentos do portfólio da importadora também são alguns dos destaques. 

Serviço:

Data: 04 de outubro
Cidade: São Paulo, SP
Local: Jd. Aurélia - Rua Tabapuã, 838.
Horário: 18h às 22h
Preço: Antecipado R$ 120,00. Crédito de R$ 100,00 em compras no dia do evento. Crédito não cumulativo.
Onde comprar: Para participar adquira seu convite no Hortisabor.
Telefone para informações: (11) 2307-2000

Até o próximo!

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Tellus Syrah 2015

O vínculo entre a Família Cotarella e o mundo do vinho tem sua origem nos anos sessenta, quando Antonio e Domenico Cotarella, produtores em Monterubiaglio, fizeram a primeira adega para produzir seu próprio vinho. Os irmãos Renzo e Riccardo Cotarella, ambos vinicultores cresceram em uma terra de longas tradições vinícolas, impulsionada pela paixão de seu pai Domenico, fundando em 1979 a atual Vinícola Falesco, produtora do vinho de hoje, transformando o que era um pequeno negócio familiar em uma empresa de sucesso. Os investimentos feitos desde então, sem dúvida, têm sido de grande importância, mas hoje, após mais de trinta anos, pode ser considerado amplamente recompensado, especialmente em termos afetivos. Na empresa familiar, de fato, atualmente trabalham suas filhas Dominga, Marta e Enrica, com o mesmo entusiasmo e envolvimento de seus pais. A quarta geração de netos, então, sugere um futuro tão importante quanto, para a marca Falesco.


Falando agora sobre o Tellus Syrah 2015, podemos dizer que é um vinho feito com 100% de uvas Syrah de vinhedos localizados no Lazio a 300 metros de altitude, com posterior amadurecimento de 5 meses em carvalho francês de segundo uso. Como curiosidade, podemos ainda citar que Tellus é a deusa romana da terra. A garrafa do vinho, inspirada nas antigas garrafas do império romano, é diferente e chama a atenção por ser mais baixa e bojudinha que as convencionais e seu rótulo criado em 2009, é o quarto ganhador de um concurso com artistas no Castel Sant’Angelo, em Roma, para a criação da nova imagem do produto. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e coloridas também se faziam presentes. 

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos bem maduros, especiarias, baunilha e leve lembrança de tostado.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Um ótimo vinho italiano provado por aqui que tende a agradar os mais variados paladares. Eu recomendo a prova. Este vinho é trazido pela Winebrands e vale o quanto custa. 

Até o próximo!

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Angel Cabernet Sauvignon 2013

A Angelus Estate, produtora do vinho de hoje, está localizada perto da barragem de Zhrebchevo, em Nova Zagora, na Bulgária. Possui 106,5 ha de vinhas que incluem as seguintes variedades: Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Syrah, Petit Verdot, Chardonnay, Sauvignon Blanc, Traminer e Viognier. A sala de fermentação está sob o solo, com escotilhas de acesso no chão. Desse modo, as uvas chegam aos tanques de fermentação usando apenas gravidade.Existem duas caves para envelhecimento de vinhos em barricas tonéis e com níveis controlados por temperatura. Tudo isso resulta em alguns dos mais emblemáticos vinhos oriundos deste país do leste europeu.


Falando agora do Angel Cabernet Sauvignon 2013, podemos ainda acrescentar que o vinho é produzido a partir de uvas 100% Cabernet Sauvignon com amadurecimento de alguns meses em barricas de carvalho. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e com alguma cor também se faziam presentes.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos maduros, especiarias, chocolate e algo de tostado. 

Na boca o vinho apresentou corpo médio a encorpado, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Mais uma boa opção de vinho búlgaro que tivemos o prazer de provar por aqui. Mais um vinho apresentado pelo clube de vinhos da Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Enobrasil 2017: O vinho nacional que surpreende

Como eu já disse a alguns posts atrás, o mercado de vinhos nacionais tem evoluído com uma velocidade muito interessante, transformando regiões até então impensáveis em produtores de vinho. Reforçando o que eu disse por lá, deixemos de lado ainda o termo terroir, empregado a locais "seculares" e que possuem toda uma cultura ancestral quando falamos de cultivo de uvas e produção de vinhos, coisa que o Brasil ainda não tem a curto e médio prazo. E não existe uma maneira melhor de ter contato com este "novo" mercado nacional de vinhos do que um evento como o Enobrasil 2017 que ocorreu no último mês de agosto e que tive a oportunidade de visitar.

A sommelière Mikaela Paim que dentre outras atividades, é sommelière desde 2007, Presidente da Confraria Vinhos do Brasil, colaboradora da Osteria Generale há 15 anos e ainda trabalha com consultorias e Eventos Enogastronômicos além de guiar grupos de viagens enoturísticas com a Agência Stell Tour Turismo, acerta novamente em trazer a um mesmo espaço produtores nacionais de vinhos, queijos, azeites e outros alimentos/bebidas que vem surgindo por todos os cantos do nosso país. Para se ter como base, tivemos vinhos que vinham do Sul (Rio Grande do Sul e Santa Catarina), Nordeste (Pernambuco), Sudeste (São Paulo e Minas Gerais) e por ai vai. E esse foi o mote do evento: a diversidade de produtos e regiões que o país produz e que ainda não temos acesso.


Mantendo o padrão que tenho aplicado por aqui, pretendo apontar vinhos e vinícolas que mais me surpreenderam durante o evento (afinal, somos um blog de vinhos). O maior exemplo que tive neste evento foi uma pequena vinícola do interior de São Paulo (mais especificamente de Amparo), a Vinícola Terrassos. O surgimento deste empreendimento em solos paulistas se deu em 2003 com o início da plantação das vinhas (cerca de 20 variedades viníferas foram testadas) e as primeiras garrafas começaram a sair em 2010. Existe ainda o curioso uso da casta Máximo, desenvolvida em solos paulistas pelo cruzamento de uvas Seibel 11342 e Syrah. O vinho apresentado, um blend de Syrah e Máximo, se mostrou rústico e instigante, com aromas de frutos vermelhos e especiarias, além de um certo toque terroso. Em boca corpo médio e taninos marcados. Pareceu bem gastronômico. 


Outro destaque positivo vem do nordeste com a Vinícola Rio Sol e o seu Rio Sal Gran Reserva Alicante Bouschet (não poderia ser diferente, afinal a empresa pertence a Global Wines, com sede na região do Dão, em Portugal, e usar uma casta portuguesa faz sentido aqui, dadas as devidas ponderações). O vinho resultante é de médio corpo, boa acidez e taninos macios. Aromas de frutos vermelhos, especiarias, flores, chocolate e algo de tabaco. Tende a agradar paladares diversos.


Por fim, do Rio Grande do Sul (Campanha Gaúcha) vem o Cordilheira de Sant'Ana Tannat 2005. A vinícola homônima (Cordilheira de Sant'Ana) está localizada numa mesma latitude de grande áreas vinícolas de nossos hermanos mais reconhecidos mundialmente, o que já dá uma dica de que coisas boas podem vir daqui. Foi fundada em 1999 e os proprietários são o casal de enólogos Rosana Wagner e Gladistão Omizzolo. O vinho é muito escuro e denso, mesmo com tanto tempo em garrafa. Trouxe aromas de frutos escuros em compota, especiarias, flores, cacau e toques de minerais e animais. Em boca é encorpado com taninos domados e acidez na medida. Evoluído e elegante, um vinho que empolga.

E como era de se esperar, o Enobrasil 2017 cumpriu seu papel de forma magistral, apresentando o consumidor brasileiro aos produtos disponíveis em seu próprio país e que devem ser consumidos por aqui. Incrível é quebrar paradigmas e verificar que o Brasil pode sim fazer bons vinhos, em diversas regiões do país, e que pode sim competir com alguns de nossos vizinhos. O evento tende a crescer de tamanho e "conteúdo" já para o próximo ano, segundo a Mikaela. É o que nós esperamos. Vale a pena esperar até lá.

Até o próximo!