quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Simi Cabernet Sauvignon 2008

Estando nos Estados Unidos e não provar um cabernet californiano soa como um pecado, não é mesmo? Bom, eu não queria incorrer neste erro e eu tive que provar um cabernet californiano. Como não estou tendo muito tempo e degustado muitos vinhos, resolvi escrever este curto post sobre um vinho que provei. E o escolhido foi este exemplar que vem do Alexander Valley, um lugar marcado por intensa atividade geológica e que possui uma variação muito grande de solos em geral. 

Este vinho foi degustado quase a cegas, com pouquíssima informação sobre ele, mas no final acabou por se mostrar um excelente custo benefício. Não é dos mais tops nem dos mais caros, mas para o dia a dia (levando em conta os preços praticados por aqui) vale muito a pena. Feito num corte com mais de 90% de uvas cabernet sauvignon e envelhecido em carvalho francês e americano, vamos ao vinho.


De cor violácea escura, o vinho se mostrou bem vivo e brilhante, apesar de ser quase impenetrável.

No nariz, aromas de especiarias, frutas negras e algo de mentolado. Lembrança de baunilha podia ser identificado também.

Na boca bom corpo, taninos finos mas presentes e ligeiramente rascantes mas muito redondos e uma acidez interessante. Traz no retrogosto algo de chocolate e frutas negras assim como muito pimentão (assado).

Vinho interessante e bom pro dia a dia, aprovado!

Até o próximo!!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Gouguenheim Malbec 2009

Sei que ando em falta com vocês, meus caros leitores, mas é que estou viajando a trabalho e o tempo disponível para escrever pra vocês é mais escasso. Sei também que vocês querem é material novo, não importa qual a desculpa, mas de qualquer jeito, peço realmente desculpas. Voltando aos vinhos degustadados para o Guia Brasil as Cegas, eis que surge mais um bom malbec argentino para o dia a dia. Evidentemente que não pesquisei o preço nem nada, mas diria que cai bem para o dia a dia. Vamos a ele.


Produzido pela Bodega Gouguenheim em Tupungato, no Vale do Uco em Mendoza, este vinho leva 100% uvas malbec em sua composição. Tem também um período de 4 meses de envelhecimento em carvalho americano e francês para amadurecimento e afinamento. Vale ressaltar que esta região é de uma secura incrível, mas também com vinhedos de altitude, uma combinação que quando bem trabalhada, pode trazer grandes vinhos. Vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor violácea, intensa e quase impenetrável. Lágrimas finas, coloridas e rápidas ajudavam a manter a taça deveras tingida durante a degustação.

No nariz o vinho apresentou aromas de flores lembrando violetas, especiarias/temperos em pó e muita fruta escura. Ao fundo da taça ainda podíamos sentir leve achocolatado e algo de tostado. Bem interessante no nariz.

Na boca o vinho apresentou taninos finos, redondos e levemente rascantes. Boa acidez e corpo médio compunham o tripé de sustentação do vinho. Trazia no retrogosto muita furta escura e especiarias em um final de média duração. Algo lácteo pode ser sentido também. 

Vinho honesto que mesmo sem saber o preço, valeu a pena ao menos conhece-lo. Se estiver numa faixa de até 50 reais, creio que seja uma boa compra.

Até o próximo!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Da onde vem a palavra "sommelier" ?

Mais um capítulo da série sobre curiosidades do mundo vinícola. Hoje, iremos desvendar (ou não) a origem da palavra sommelier, que todos nós enófilos e envolvidos neste universo estamos sempre em contato. Matéria original retirada do site da revista WineSpectator.

Da onde é que a palavra "sommelier" vem? É a partir da palavra francesa "someil", que significa "dormir"? Afinal, o vinho amadurece e "dorme" na adega. O sommelier deve cuidar dela.

Teoria interessante (e romântica), mas parece que "sommelier" vem da do palavra do francês "saumalier", ou "soumelier", que era alguém que estava encarregado do transporte de suprimentos, ou a cargo de animais de carga. Estas palavras foram, provavelmente, alterações da palavra "somier" ou "sauma" que eram os animais de carga em si.

Tão linda como a primeira versão da etimologia, depois de todas as horas organizando minha adega me levaram a crer que a palavra tem mais sentido quando comparamos a pastoreio de animais do que assistir ao sono de alguém!

E vocês, prezados leitores, tem mais alguma teoria sobre a origem da palavra "sommelier" ? Caso tenham, utilizem o espaço de comentários do blog e deixem as suas!

Até o próximo!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Os vinhos realmente sofrem um "tranco" com a viagem?

Mais uma da série curiosidades sobre o vinho. Todos já nos deparamos com esta questão, ao menos uma vez, seja por experiência própria ou leituras sobre o assunto. Seria realmente necessário colocarmos os vinhos para um período de descanso após traze-los em uma viagem ou mesmo quando compramos on-line ou por telefone e os mesmos são entregues seja pelo modal terrestre, aéreo ou marítimo? Bom, outro dia estava lendo uma revista especializada em sua seção de perguntas e respostas e veja o que eles disseram:

"Consideramos o "Bottle Shock" (às vezes chamado de "bottle sickness") uma preocupação legítima para os vinhos que acabaram de ser engarrafados, ou que apenas viajaram, ou ambos. Há uma abundância de evidências anedóticas e histórias de amantes do vinho que tenham sofrido com um vinho que parecia flácido/mole por um período de tempo após uma viagem. Mais frágeis, os vinhos mais velhos parecem ser mais suscetíveis a esta condição, ao passo que os vinhos mais jovens e mais robustos seriam menos suscetíveis. O que uma viagem pode fazer a um vinho? É quase como o jet lag que judia dos amantes do vinho quando viajam de avião e mudam muito de fuso horário, por exemplo. Realmente não há qualquer evidência científica sobre o assunto, apenas uma teoria de que o movimento e o calor podem destacar todos os elementos diferentes do vinho, como os compostos fenólicos e os compostos químicos e tal. Esperamos que você possa deixar os vinhos que foram recentemente enviados para você descansar por alguns dias ou algumas semanas antes de abri-los.

Como não há maneira científica para medir como um vinho vai se mostrar pra o consumidor ou se houve algum efeito do bottle shock, este é o máximo que podemos te esclarecer. Uma vez que o vinho chega à sua casa, faça o seu melhor para mantê-lo imóvel e nas condições ideais de armazenamento como temperaturas constantes e frias, longe da luz, calor e vibração. Mesmo nos casos mais graves de bottle shock que já vivenciamos, o vinho estava bom duas semanas depois."

Agora deixo para vocês leitores me relatarem suas experiências e opiniões sobre o bottle shock.

Até a próxima!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O que realmente acontece quando você decanta um vinho?

Quando você abre uma garrafa de vinho, duas coisas começam a acontecer: a oxidação e a evaporação. Nenhuma delas entretanto fazem com que os taninos se suavizem por si próprios (pelo menos, não nesse período de tempo). Mas outras coisas podem acontecer para fazer com que o vinho pareça mais harmonioso e seus taninos mais integrados com o restante do vinho.

A primeira coisa que acontece é a evaporação. Depois que um vinho é vertido em um decanter, os componentes altamente voláteis irão se mover para o novo espaço disponível para eles e, em seguida, dissolvem-se na superfície do vinho. Quanto mais você girar ou derramar um vinho mudando a superfície de contato vinho-ar, mais isso pode acontecer. Tipicamente, os compostos voláteis de um vinho tendem a ser as notas menos desejáveis, de modo que a evaporação vai ajudar notas como a de palitos de fósforo queimados ou álcool, por exemplo, a se dissiparem tornando o vinho mais suave e mais atraente.

Quando se trata de vinho, os efeitos da oxidação acontecem durante horas e dias, não segundos ou minutos. Claro, a oxidação pode rapidamente transformar uma maçã cortada para uma tonalidade marrom, mas  não é provável que você venha a sentir todas as alterações efetivas dos taninos do vinho após apenas poucas horas em um decanter. Eu verifiquei com o professor Roger Boulton, da U.C. Davis,  sobre isso e ele diz: "Não há nenhuma evidência que qualquer um dos componentes do tanino sejam alteradas por tal exposição ao oxigênio dissolvido. Os compostos fenólicos menores que reagem muito mais rápido, e podem ser consumidos, mostram uma mudança insignificante na concentração. Nenhuma delas pode explicar as mudanças que são atribuídas ao ar como "suavização dos taninos."

Isso não quer dizer que os taninos não mudem sua estrutura ao longo do tempo. Certamente, durante a vida de um vinho na garrafa, taninos formarão ligações químicas com o oxigênio, serão formados polímeros de tanino e estes deverão cair para fora do líquido, criando sedimentos e fazendo com que a cor de um vinho tenda a ir clareando ou mesmo desapareça. Mas isso leva anos para acontecer.

Eu acho que a maioria das pessoas vai concordar que 2 ou 3 horas em um decanter, como normalmente fazemos quando decantamos um vinho,resultam em um vinho diferente e, normalmente, para melhor. Ambas a oxidação e evaporação parecem suavizar arestas, e elas podem fazer um vinho parecer mais expressivo, mais aromático e melhor integrado. Nós simplesmente não podemos dizer que os taninos se tornam mais suave.

Matéria original retirada do site da WineSpectator, seção "ask dr. vinny"