quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Fatos interessantes sobre vinhos

Nem todos somos enófilos aficionados por conhecer todos os pormenores dos vinhos que consumimos. Estudar o vinho é muito menos divertido do que bebê-lo, mas algumas pessoas se sentem culpadas em sua ignorância de seus detalhes aparentemente infinitos. Entretanto, trago aqui alguns fatos que podem ser de conhecimento comum e que podem fazer uma certa diferença da próxima vez que você sacar sua próxima rolha, sem entretanto fazer você parecer um enochato.


Harmonizações Perfeitas são exçeções

A próxima vez que você estiver preocupado com a possibilidade de beber um Riesling ou um Gewürztraminer junto a sua comida tailandesa, tenha em mente que harmonizações terríveis (vinho e ovos, por exemplo) e harmonizações transcendentais (Sauternes e foie gras) são pontos fora da curva. Aqui está um guia/regra simples sobre harmonizações: a maioria das combinações de vinho e comida são minimamente agradáveis.

O safra pode não ser o mais importante

O clima em regiões vinícolas afeta o gosto do vinho, mas não tanto quanto quem o fabrica. Uma garrafa de uma boa safra feito por um enólogo ruim poderá ser diminuido se comparado a um vinho feito numa safra não tão boa por um enólogo de prestígio. A dica aqui é encontrar produtores que você goste e que tenham algum renome e montar seleções com eles.

As uvas que compõe um blend nem sempre são importantes

Nem sempre é claro quais uvas compõe um vinho, de qualquer maneira. Nos Estados Unidos, por exemplo, vinhos rotulados como varietais (como Cabernet Sauvignon) podem conter legalmente até 25 por cento de qualquer outra uva (como Merlot, Moscato, ou alguma coisa obscura como Malvasia Nera). Em alguns dos grandes vinhedos do mundo, que foram plantadas muito antes dos testes genéticos permitiram aos cientistas determinar quais uvas eram quais, os vinicultores podem nem sequer ter 100% de certeza sobre as variedades. Também, as uvas podem produzir uma larga escala de aromas e sabores: um Chardonnay rico, amanteigado da Califórnia não lembra em nada um Chardonnay elegante e fino de Chablis, por exemplo.

O preço nem sempre é um indicativo de qualidade

Há uma abundância de vinhos ruins que custam mais de 100 reais. E há uma abundância de grandes vinhos que custam cerca de 100 reais que, no contexto errado, podem ser taxados como piores que vinhos que custam a partir de 20 reais. Em um dia de verão de 40 graus, qual seria sua preferência entre um encorpado Cabernet Sauvignon do Napa Valley ou um refrescante Vinho Verde português? E eu não acho que isso seja verdade apenas para paladares inexperientes. Quando os sommeliers terminam seus turnos em restaurantes sofisticados, onde passaram as últimas 8 horas degustando os vinhos supostamente brilhantes e complexos, a última coisa que desejam é um Bordeaux de $ 3.000. A maioria busca saciar sua "sede"em direção à bebidas mais leves e refrescantes, como a cerveja por exemplo.

Até o próximo!!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Beni di Batasiolo Barbaresco 2010

O vinho é produzido pela gigante Beni di Batasiolo, que possui vinhedos em todas regiões localizadas dentro da premiada área vitícola de Barolo: Batasiolo, Morino, Cerequio e Brunate em La Morra; Boscareto e a histórica Briccolina em Serralunga d'Alba; Bricco di Vergne e Zonchetta em Barolo; Tantesi e Bussia Bofani em Monforte d'Alba. Decidindo dar um novo nome à propriedade, os irmãos Dogliani se inspiraram na vinha onde estão localizadas as sedes da propriedade. Foi assim que a nova vinícola, situada no meio dos contornos suaves da vinha de Batasiolo, passou a chamar-se "Beni di Batasiolo". No antigo dialeto local a palavra "beni" significa uma propriedade, e é essa idéia do vínculo indissolúvel existente entre o agricultor e a sua vinha, que é encapsulado no nome "Beni di Batasiolo". Produz todos os vinhos mais famosos cultivados nesta região, incluindo Barolo, Barbaresco, Barbera d'Alba Sovrana e Dolcetto d'Alba Bricco di Vergne, bem como grandes brancos como Moscato d'Asti Bosc dla Rei, Langhe Chardonnay Morino e Gavi del Comune di Gavi mas, sempre lembrando que o Barolo é o símbolo máximo da vinícola.


Sobre o Beni di Batasiolo Barbaresco 2010, podemos ainda acrescentar que é um vinho que é feito a partir de uvas Nebbiolo e é envelhecido em barris de carvalho eslavo e francês durante um mínimo de doze meses e, posteriormente, por mais doze meses em tanques de aço inoxidável. Após este período o vinho é engarrafado, onde continuará seu refinamento até a liberação ao mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi com reflexos granada, começando nas bordas e indo em direção ao corpo do vinho com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, espaçadas e sem cor também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos secos como ameixas e uvas passas, toques de flores, chocolate amargo, tostado e algo de amendoado.

Na boca o vinho apresentou corpo de médio para encorpado, boa acidez e taninos redondos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Um belo vinho italiano e um ótimo companheiro de comida (como a maioria dos vinhos italianos o são). Foi comprado no Pão de Açúcar em uma daquelas promoções de últimos itens (embora não lembre o valor) e achei uma ótima compra. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Vulcanus Alpha Tempranillo 2014

A Ecomienda de Cervera, produtora do vinho de hoje, está localizada no coração do maciço vulcânico de Calatrava Estate, a uma altitude entre 750 e 850 metros acima do nível do mar, no final da cidade nobre e cultural de Almagro, que faz fronteira com a Serra de Arzollar e a Cañada Real Soriana, entre vales e colinas cobertas de carvalhos e zimbros, alecrim, tomilho, e muito mais. Há a vista do solo preto de origem vulcânica e ocre vermelho (Almagre) que, segundo alguns historiadores, dão a cidade de Almagro seu nome, bem como calcários e áreas rochosas. Tudo isso localizado sob o relógio detalhado do Vulcão Maar de la Hoya de Cervera, declarado Monumento Natural em 1993, e ainda águas de uma das principais correntes do rio Guadiana, o rio Jabalón. A Encomienda de Cervera Estate foi criada em 1758 como resultado da fusão entre Hacienda de Cervera, Cañada de Zentinar, Heredad de Vilena, Hoya de la Cruz e Coto del Marqués de Cervera. Mais tarde, Barranco del Puerco, nativo da Mesa Maestral da Fazenda Calatrava, une a fusão com 1.200 hectares. Naquela época, a propriedade já tinha olivais com duas mil trezentas e setenta e cinco oliveiras, uma prensa de óleo, uma casa de campo e um bosque com cerca de dez mil álamos pretos e brancos. No final do século XIX, havia uma vinha de 22 hectares e uma adega de 200.000 litros.


Sobre o Vulcanus Alpha Tempranillo 2014 em si, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito a partir de uvas Tempranillo plantadas em solo de origem vulcânica, com passagem de 3 meses em madeira antes do engarrafamento. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de média para grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, baunilha, especiarias e leve toque de grafite.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, excelente acidez e taninos macios e sedosos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Um ótimo vinho espanhol, trazido pela importadora mineira Casa Rio Verde, que também possui um clube de vinhos bem interessante que estou conhecendo e recomendo. Para ter mais informações sobre o vinho acessem: VinhoSite e VinhoClube.

Até o próximo!!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Espumante do mar: Miolo é a pioneira no mercado nacional

Temos visto nos últimos tempos o emprego de diversas novas tecnologias e métodos para a produção de vinhos mas, nem sempre o estado da arte tecnológico é o que faz um bom vinho. Um bom exemplo disso é que, depois de muito tempo utilizando inox e barricas novas de madeira para envelhecimento para alguns vinhos, muitas vinícolas ao redor do mundo, e principalmente no velho mundo, voltaram a usar tanques de cimento e receptáculos de argila para esta tarefa, por exemplo. Me parece que a "moda" agora é utilizar o fundo do oceano para tal tarefa. Embora ainda não tenhamos um histórico sobre a ação do fundo do mar no envelhecimento dos vinhos, algumas situação advindas deste processo fazem algum sentido: a temperatura mais amena e controlada no fundo do oceano, a quase que total ausência de luminosidade dada a profundidade que se utiliza, a pressão que existe nas profundidades e alguns outros pormenores.


E olha só que bacana, uma vinícola nacional, a Miolo, também vai fazer uso de tal recurso. Para celebrar o sucesso de vendas do espumante Miolo Cuvée Tradition Brut em terras francesas, o Grupo Miolo aposta em sistema único de envelhecimento e estabilização do produto: a imersão de garrafas em caves submarinas.

Há pouco mais de dois meses, um lote do espumante celebrado no mercado externo foi imerso no mar da província de Bretagne, no Atlântico Norte, na França. Toda a operação foi realizada em caves submarinas, criando condições ideais, não apenas para envelhecer, mas também para conferir características singulares aos vinhos submetidos a este processo. Estrategicamente mergulhadas na ilha de Ouessant, na região conhecida como Baie du Stiff, as garrafas do Miolo Cuvée Tradition Brut estão em contato com as temperaturas do mar (entre 11 e 13 °C) e do ar (de 8 a 10 °C), além de receberem as influências benéficas da constante e suave agitação marítima. As garrafas do Miolo Cuvée Tradition Brut estão dispostas horizontalmente em container especial e repousarão durante um ano na cave submersa. Os espumantes serão retirados do mar em novembro deste ano e comercializados no Brasil e na França em uma edição especial.

Vale ressaltar que o Miolo Cuvée Tradition Brut é elaborado no Vale dos Vinhedos (RS) com uvas Chardonnay e Pinot Noir pelo Método Tradicional (com a segunda fermentação na própria garrafa). O que será que podemos esperar desta técnica para o futuro e será que o mercado nacional irá aderir a esta nova "técnica"? Sintam-se a vontade de deixar suas opiniões nos comentários do blog.

Até o próximo!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Viajando? Não beba a água, beba o vinho!

Uma nova pesquisa que está circulando no meio especializado mostrou que o álcool e a acidez características do vinho podem matar os patógenos transmitidos por alimentos antes que estes possam arruinar sua viagem. Para muitos, e eu me incluo nessa, o álcool (o vinho principalmente) e as viagens andam de mãos dadas. Mesmo quando eu não estou em um país cuja bebida símbolo seja o o vinho, eu costumo comemorar meu tempo de descanso com uma taça ou duas. E embora sempre passemos do limite com relação a comida durante as nossas viagens, podendo inclusive causar uma pane em nosso sistema imunológico, estudos têm mostrado que consumir álcool poderia realmente ser uma das melhores maneiras de evitar algumas das mais desagradáveis doenças que podem arruinar nossas ​​férias.


Os males estomacais como a listeria, a salmonela e a E. coli são armadilhas comuns para os viajantes que visitam áreas onde os padrões de saneamento são mais baixos do que aqueles a que estão habituados (e seus sistemas imunológicos). Felizmente para os amantes do vinho, estudos têm demonstrado que quando o álcool é consumido, o risco de sucumbir a doenças transmitidas por alimentos diminui significativamente. A acidez elevada do álcool torna mais fácil para a acidez natural do estômago matar tais patógenos.

O cientista baseado no Reino Unido, Richard Conroy, é um fervoroso defensor quando o assunto é o consumo de bebias alcoólicas nas férias por esta mesma razão. "Se alguém estiver viajando para um lugar onde a salmonela (por exemplo) é mais comum, você pode ser protegido por ter consumido vinho ou alguma outra bebida com o jantar", disse ele a revista Wine Spectator. Ele citou resorts all inclusive como alguns dos lugares mais prováveis ​​para pegar doenças transmitidas por alimentos durante uma viagem ao exterior, especialmente quando os buffets estão envolvidos, uma vez que os alimentos podem ficar sob uma lâmpada de calor por horas a fio. As fontes de água mal tratadas são outros exemplos de vilões para a ruína da viagem de muitos.

Como fundador de uma empresa que trabalha com doenças relacionadas a férias, a SickHoliday.com, Conroy vê casos de doenças relacionadas com viagens diariamente. No ano passado, de acordo com Conroy, sua companhia ajudou mais de 15.000 indivíduos que tiveram intoxicação alimentar quando estavam de férias ou viajando. Enquanto ele disse que estava feliz em incentivar os viajantes a desfrutar de uma bebida "para fins médicos", ele brincou dizendo que repassar tal dica adiante para minimizar o risco de doenças não fará ao seu negócio qualquer favor.

Entretanto, evitar intoxicação alimentar não é tão simples como desfrutar de uma taça de vinho no seu quarto de hotel no final do dia. De acordo com Randy Worobo, professor de microbiologia de alimentos na Universidade de Cornell, a fim de inativar os patógenos, o álcool deve ser consumido tanto ao comer o alimento contaminado ou muito pouco tempo depois. A quantidade que você bebe importa, também. "Quanto maior o percentual de álcool, mais inativação você terá dos patógenos transmitidos pelos alimentos", disse Worobo. "Assim, seu vinho de 14 por cento de álcool vai ter mais efeito em termos de matar os patógenos transmitidos pelos alimentos, em comparação com menor percentual de álcool, como a cerveja." Naturalmente, Worobo não recomenda beber excessivamente, o que poderia levar a sentir-se doente por uma razão diferente.

Por fim, vários estudos encontraram evidências de que o vinho pode matar potentes bactérias. Em 2007, alguns vinhos tintos se provaram úteis na inibição do crescimento de bactérias, e um relatório de 2004 constatou que as cascas da uva, sementes e caule que sobram após a produção do vinho se mostraram mortais para a E. coli, a salmonela e o estafilococo.

Até o próximo!

Matéria originalmente postada em www.winespectator.com