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Thursday, June 18, 2015

Becker Landgraf Riesling Trocken 2013: jantar alemão no Balaio!

Apesar de achar que o dia dos namorados é muito mais comercial do que qualquer outra coisa, é gostoso estar ao lado da pessoa amada e, de alguma forma, fazer alguma coisa diferente neste dia. Nós aqui na sede do Balaio do Victor resolvemos que ficaríamos em casa e que aproveitaríamos a oportunidade para colocar em prática um antigo anseio: faríamos um jantar com inspiração na cozinha alemã. O vinho escolhido para a noite? Foi o Becker Landgraf Riesling Trocken 2013.


A vinícola Becker Landgraf está situada no coração de Rheinhessen, na Alemanha, ao longo de suaves colinas, onde nascem suas vinhas e também seus vinhos. Seus proprietários, Julia e Johannes Landgraf, lá escolheram viver com a sua família e é claro, construir sua adega, continuando a tradição de duas famílias já bastante conhecidas no mundo do vinho alemão. Assim, um dos motivos pelos quais vemos J2 nos rótulos de seus vinhos é para celebrar esta união com as iniciais de seus nomes, mas também para celebrar suas próprias convicções e abordagem com relação a produção de vinhos. Segundo os proprietários ainda, o diferencial de seus vinhos começa nos cuidados com a videira, desde a poda até a colheita, além é claro de trabalho mais próximo do natural possível, em harmonia com o meio ambiente.

Adicionalmente, o Becker Landgraf Riesling Trocken 2013 é um vinho feito com 100% de uvas Riesling e antes de ir pra garrafa, passou por 6 meses em contato com leveduras naturais para ganhar complexidade. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita e brilhante coloração amarelo palha com reflexos dourados além de uma boa limpidez.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos como pêssego e maçã verde, toques de mel e plástico além de uma leve lembrança de flores brancas.

Na boca o vinho tinha corpo de médio com certa untuosidade e uma acidez instigante. Retrogosto confirma o olfato e o final era longo e duradouro.


O vinho era excelente e fez frente aos pratos preparados para a noite: salsichas diversas grelhadas (Viena, branca, etc), farofa de páprica, salada de batatas e chucrute, todos habilmente preparados pela minha esposa. O prato seguiu os preceitos da receita da chef Rachel Codreanschi e seu famoso pf alemão.

Até o próximo!

Tuesday, January 20, 2015

Gries Gewürztraminer Kabinett halbtrocken 2012: Deutsch Wein im Glas!

Eu estou sempre aberto a provar novos vinhos e mais do que isso, gosto sempre de ter algumas coisas diferentes na adega. Acontece que vez ou outra, acabamos indo para o óbvio e tomando mais do mesmo. Só que algumas oportunidades exigem uma busca mais minuciosa nos vinhos entocados na adega e eu acabo "descobrindo" preciosidades escondidas nas profundezas, como foi o caso deste Gries Gewürztraminer Kabinett halbtrocken 2012. Só a título de informação, aquela expressão em alemão escrita no título quer dizer: vinho alemão na taça.


Este vinho é produzido pela Weingut Gries, uma vinícola alemã de cunho familiar, onde cada tarefa é delegada a determinado membro da família que tem mais afinidade e competência para a atividade. Seus vinhedos estão localizados nas encostas da Floresta do Palatinado e se estendem até o início do Vale do Reno. A família Gries utiliza o que há de mais moderno em pesquisa e tecnologia mas consegue aliar tudo isso com a tradição na arte de fazer vinhos. 

Sobre o Gries Gewürztraminer Kabinett halbtrocken 2012, podemos acrescentar que é um varietal 100% de uvas Gewürztraminer da região do Palatinado (Pfalz) e não passa por madeira. Conforme denominação do rótulo (halbtrocken) o vinho é considerado um vinho semi seco, apresentando algum açúcar residual. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração amarelo com reflexos dourados, bem brilhante e com limpidez invejável.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos maduros (lichia em evidência) e toques florais.

Na boca o vinho tinha boa untuosidade e acidez na medida. Leve sensação de dulçor, mais na entrada de boca. Retrogosto confirmava o olfato e o final era de longa duração. 

Um vinho delicioso e que caiu bem, mais uma vez com o nosso calor senegalês. Pelas palavras de minha esposa: "Eu tomaria um barril desse vinho". Daí já da pra ver que vale a pena ao menos provar, não é? Eu recomendo.

Até o próximo!

Saturday, May 3, 2014

Weinkeller: O lugar para se comprar vinhos alemães!

Confesso que estou um pouco atrasado em relação aos assuntos que quero falar por aqui, mas é que devido aos feriados, eventos e muitos vinhos que tenho provado ultimamente, somado ao trabalho que tem me consumido mais tempo do que eu gostaria, os posts acabam ficando um pouco encavalados e os assuntos vão passando. Mas com o tempo as coisas vão se acertando.


No mês de Abril passado, tive a oportunidade de visitar o Encontro de Vinhos, evento muito bacana que sempre apresenta novidades interessantes pra nós, enófilos de plantão. E dentre estas novidades, ao menos pra nós aqui do Balaio, foi a oportunidade de conhecer uma importadora bacana e que trás vinhos difíceis de se encontrar por aqui, que são os vinhos alemães de qualidade e a preços competitivos. E esta novidade não poderia ter vindo em melhor hora, uma vez que para participar da Confraria Brasileira de Enoblogs deste mês, precisava de um vinho feito a partir da uva Riesling (relembrem aqui). Estou falando da importadora Weinkeller.

Pois bem, apesar do estande deles estar muito cheio em todos os momentos da feira, consegui me aproximar e provar alguns néctares bem interessantes. O portfólio de vinhos da Weinkeller passeia pelos vinhos alemães de maneira muito interessante entre brancos e tintos, desde os vinhos doces, semi-doces, chegando aos vinhos secos de muita personalidade e qualidade. Além de muitos vinhos feitos a base da casta Riesling, muita coisa interessante de Spärtburgunder (Pinot Noir), Gewürztraminer, chegando até a Pinot Grigio e Silvaner.

Depois de alguma pesquisa na internet e em publicações especializadas, descobri que quem está por trás desta importadora é a Vivien Kelber (que infelizmente ainda não pude conhecer), que é sommelière entre outras muitas atribuições, e com toda experiência na Alemanha, não poderia trazer outros vinhos se não os alemães. 

Se você ainda não conhece a importadora Weinkeller e seu portfólio, recomendo que o façam, uma vez que vinhos alemães de qualidade e com boa relação custo benefício são difíceis de se encontrar, mesmo aqui em Sampa. Depois, se quiserem, peço que compartilhem suas experiências com a importadora aqui nos comentários do blog.

Até o próximo!

Thursday, May 1, 2014

Kloster Heilsbruck Riesling 2009: vinho alemão para a #CBE

É dia de Confraria Brasileira de Enoblogs (#CBE) aqui no blog hoje. E o tema deste mês ficou a cargo da nossa querida amiga Evelyn (do blog Taças e Rolhas): "Depois de receber o convite eu pensei bastante no tema que escolheria, mas percebi que não posso fugir da minha essência. Quem me conhece sabe eu sou aficionada por vinhos elaborados com a casta Riesling. Se eu encontro um rótulo diferente, lá estou eu comprando-o. Por isso, o tema da CBE deste mês é um vinho elaborado com a querida Riesling, de qualquer região e em qualquer faixa de preço!" E cá estamos nós com o Kloster Heilsbruck Riesling 2009.


A uva Riesling é originária da Alemanha e já era cultivada pelos Romanos nos vales do Mosel e do Reno, muito embora também tenha suas origens ligadas a Alsácia (França) e algumas regiões da Áustria. Normalmente associada a uma acidez marcante e de grande personalidade, tem sido empregada numa vasta gama de vinhos que vão desde brancos secos aos licorosos de sobremesa com doçura proeminente. Costuma adaptar-se muito bem aos climas frios.

O vinho em destaque hoje é produzido pela vinícola Kloster Heilsbruck na região de Pfalz (também conhecida aqui como Palatinado), mais precisamente em Einzellage, dentro dos muros de um convento, o convento Heilsbruck, na Alemanha. Com cerca de 23.461 hectares (57.970 acres) sob cultivo até 2008, a região é a segunda maior região vinícola da Alemanha após Rheinhessen. Há cerca de 6.800 viticultores que produzem cerca de 2,5 milhões de hectolitros de vinho por ano. É uma das regiões vinícolas da Alemanha mais quente, ensolarada e seca. Voltando ao produtor em si, a vinícola Kloster Heilsbruck produz vinhos exclusivos de alta qualidade. Suas videiras encontram-se protegidas de tempestades entre muros do convento de Heilsbruck. Em 2005 a vinícola ganhou ainda do governo alemão o certificado de "Bio-Betrieb" (empresa que produz produtos biodinâmicos avaliada e controlada pelo governo) sob o registro de n°D-RP-006-15179-ABD.

Finalmente, tecendo breves linhas sobre o vinho em si, o Kloster Heilsbruck Riesling 2009 é elaborado com 100% de uvas Riesling e embora seja seco, suas uvas são de colheita tardia. Não encontrei qualquer indício de que o vinho passe por madeira, o que não é muito comum de qualquer maneira quando falamos de vinhos produzidos a partir desta casta. Tem teor alcoólico de 13,5%. Vamos então as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor amarelo palha já com alguns reflexos tendendo ao dourado. Lágrimas finas, rápidas e incolores escorriam de forma abundante pelas paredes da taça.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos como pêra e lichia, toques de plástico novo e algo de mel ao fundo.

Na boca o vinho mostrou corpo médio para mais, acidez na medida e ligeira sensação de dulçor na entrada. Retrogosto confirmou o olfato. Ficava por um bom tempo no palato, um final bem seco e de longa duração.

Um grande vinho, delicioso e intrigante que faz a garrafa secar rapidamente. Acompanhou bem um fondue de queijo e o frio que começou a aparecer lá pelos nossos lados. Eu recomendo. Este é trazido pela Weinkeller, da qual falarei mais tarde em outro post.

Até o próximo!

Saturday, December 28, 2013

Müller-Thurgau Riesling Spätlese Feinherb 2012


O natal e o final de ano invariavelmente acabam se tornando uma perdição de comilança e as vezes é necessário em um dia no meio de tudo isso buscarmos alternativas mais leves para balancearmos nossas refeições sem esquecer, é claro, da qualidade e do prazer que esta refeição deve proporcionar. E foi exatamente pensando nisso que resolvemos nos preparar uma bela massa (vinda diretamente da Itália) com tomates cereja, abobrinha refogada com chalotas e queijo fresco despedaçado além é claro da salsa trufada. Embora não precisássemos de mais nada, resolvemos ainda incluir um peixinho a milanesa (filés de tilápia) para acompanhamento. E é claro que precisávamos de um vinho, e o escolhido foi este Riesling Spätlese Feinherb 2012. 

Foto dos vinhedos da propriedade, retiradas do site do produtor.

A Alemanha é o país com vinhedos mais ao norte dentre o grupo da Europa Central, possuindo um clima frio que marca sua produção de vinhos com características próprias. Historicamente a Alemanha sempre produziu vinhos brancos, devido à melhor adaptação das uvas brancas ao seu verão curto que impede a maturação de uvas tintas, com exceção da Pinot Noir – localmente chamada Spätburgunder – e algumas outras, que amadurecem precocemente. Entretanto, nos últimos 10 anos, os produtores de algumas regiões vêm retomando a produção de tintos, que havia sido praticamente abandonada por várias décadas. A leitura dos rótulos de seus vinhos pode ser bem confusa existindo muitas informações que não são muito utilizadas pelo consumidor em geral como, por exemplo, o nome do produtor, região, comuna, safra e nome da uva. Entretanto existe uma informação que considero uma das mais importantes para eles, que é a categorização dos vinhos baseados no estado em que a uva é colhida e que definem a qualidade/padrão do tipo de vinho.


O vinho em questão é classificado como Spätlese, que quer dizer que o vinho é de colheita tardia, sendo que as uvas utilizadas em sua produção são colhidas no mínimo sete dias ou mais após a colheita principal, contendo grande conteúdo de açúcar. São vinhos intensos e concentrados em versões doce ou seco. Além disso, o mesmo é oriundo da região de Pfalz, uma das regiões mais secas e ensolaradas da Alemanha. O produtor em questão, Weingut Heinz Pfaffmann, é de grande tradição é prestígio na região. Sua história data ainda do século 17. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor dourada com reflexos ligeiramente verdeais com muito brilho, lágrimas finas e sem cor.

No nariz aromas de frutos tropicais como pêssego e lembranças de mel e especiarias. 

Na boca um vinho untuoso, excelente acidez contrastando com um ligeiro dulçor inicial. Retrogosto confirma o olfato e trás também um toque mineral (aspecto salgado) no final, que é de longa duração.

Um belo vinho, com muita qualidade e de excelente custo benefício (custou cerca de 45 dinheiros) e entregou o quanto custou. Escortou bem a comida e trouxe alegrias e frescor a uma noite destas, quente e entre festas. Eu recomendo.

Até o próximo!

Ps.: Usei como fontes de pesquisa os sites: Sonoma, Academia do Vinho e o site do produtor.

Friday, May 20, 2011

Aromas de petróleo da Riesling seriam defeitos?

Semana passada estávamos estudando Alemanha e Áustria na aula de sommellerie e nos deparamos com os famosos vinhos brancos alemães elaborados a partir da casta Riesling, quando chegamos na discussão dos aromas normalmente encontrados em vinhos desta uva, aromas estes provenientes em sua maioria da própria uva.  Especialmente em sua maturidade, vinhos desta casta tem grande potencial de expressar o solo em que são plantadas e comumente mostram também aromas químicos de derivados de petróleo (querosene, por exemplo).

Acontece que pouco depois desta aula, me deparei com um artigo escrito por Adam Lechmere para o site Decanter.com (um dos mais conceituados em se tratando de vinhos no mundo) onde ele dizia que segundo Michel Chapoutier, famoso produtor do Vale do Rhone (França), tais aromas de petróleo e derivados nos vinhos produzidos com uvas Riesling seria um grave erro de viticultura/enologia na elaboração dos mesmos. Segundo Chapoutier defeitos históricos do vinho estão se tornando características intrisecas dos vinhos, sem o devido cuidado na vinificação dos mesmo.

O principal problema, ainda segundo Chapoutier, é que estes aromas de petróleo e derivados vem da decomposição de veios internos da pele da uva (“casca”) , proavelmente por prenssagem em demasia dos bagos nas vinícolas em geral. O detalhe principal na vinificação da uva Riesling, continua o artigo (e Chapoutier é claro) é a prensa de modo o mais gentil possível , sem a dilaceração das película (“casca”) externa, nem das sementes/cabinhos para a produção destes vinhos.

Apesar disso, existem correntes que defendem ainda que estes aromas devem estar presentes principalmente em vinhos considerados mais maduros, até pelo potencial de envelhecimento que a uva tem apresentado. Além disso, a qualidade está também relacionado aos baixos rendimentos aplicados por produtores de maior qualidade. Além disso, devemos prestar atenção também ao local de origem do vinho, uma vez que a maturidade das uvas tem muito a ver com o clima, exposição ao sol, calor, etc. Enfim, diversos aspectos tem que ser considerados nesta discussão.

Evidentemente não possuo conhecimento suficiente para me colocar de um lado ou de outro mas a questão é que muitos vinhos desta uva, principalmente no velho mundo e de aclamados produtores apresentam estes aromas, e por mais que se fale em massificação da produção, alguns deles possuem muita qualidade. A questão está aberta e gostaria de contar com a discussão de todos neste aspecto. Qual é a sua opinião?