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Tuesday, April 1, 2014

Colomé Reserva 2003 - #CBE

Em mais uma oportunidade de participar da Confraria Brasileira de Enoblogs, CBE para os mais íntimos, cá estamos com nosso post de todo dia primeiro de cade mês. O tema deste mês foi do amigo Luiz Cola: Vinhos Evoluídos! Degustando da Safra 2004 pra trás... Vinhos com pelo menos 10 anos de idade. Confesso que me senti um pouco intimidado de começo, pois confesso que não sou profundo conhecedor de vinhos mais evoluídos. Mas depois que me acalmei, olhei com calma minha adega e eis que surgiu um nome: Colomé Reserva 2003. Este vinho me foi agraciado como presente de casamento. Vamos ver o que nos aguardava. 



Direto do site do produtor, um pouco de história acerca desta antiga vinícola: "A Vinícola Colomé foi fundada no ano 1831, provavelmente a cargo do governador espanhol de Salta, Nicolás Severo de Isasmendi e Echalar. No ano 1854, sua filha Ascensión, unida em matrimonio com José Benjamín Dávalos, introduziu em Colomé as videiras francesas Malbec prefiloxera e Cabernet Sauvignon. Três vinhedos de 4 hectares cada um, os quais datam daqueles tempos, ainda produzem uvas que formam parte de nosso vinho Colomé Reserva. Colomé pertenceu às famílias Isasmendi-Dávalos ao longo de 170 anos. Em 1969, a família Rodó adquiriu a estância e adega, e a conservou durante 13 anos. Raúl Dávalos, descendente direto da família Isasmendi-Dávalos, recuperou a antiga granja da família no ano 1982 e a conservou até que o Grupo Hess a adquiriu em 2001. A partir de então plantaram vinhedos até chegar às 140 has atuais distribuídos em 4 Estâncias, edificaram novas instalações para a Vinícola com a última tecnologia e equipamento. Na atualidade a Vinícola Colomé colhe e elabora mais de meio milhão de litros e exporta seus vinhos a mais de 25 países do Mundo".

Sobre o vinho alvo deste post, é o ícone da vinícola e é elaborado com uvas provenientes dos vinhedos mais antigos da Colomé, que possuem idades entre 60 e 150 anos, além de estarem a altitudes que podem chegar a mais de 3000 metros. Consiste em um corte com 80% de uvas Malbec e 20% de Cabernet Sauvignon. Além disso, passa por 24 meses em barricas franceses, 100% novas. Por fim, fica ainda por 12 meses em garrafa antes de ser liberado ao mercado. Vamos as impressões?


Na taça o vinho apresentou uma cor violácea de grande intensidade, praticamente negra, impenetrável e com pouco brilho. Lágrimas finas, ligeiramente mais lentas e com bastante cor. O vinho nem de longe mostra sua idade quando pensamos em evolução da coloração.

No nariz o vinho se mostrou extremamente complexo, abrindo com aromas de frutos escuros e depois partindo para especiarias, tostado e leve mentolado. Ao fundo, notas de azeitona tomam conta. Por fim algo de chocolate amargo.

Na boca o vinho mostra todo seu peso, extremamente encorpado, denso, taninos finos e redondos e acidez na medida. Retrogosto confirma o olfato e o vinho persiste com um final longo e saboroso.

Um grande vinho, complexo, parrudo, quase mastigável. Estilo inconfundível do novo mundo. Eu recomendo. Acompanhou bravamente um carré de cordeiro grelhado, temperado somente com sal grosso e alecrim. 

Até o próximo!

Monday, January 13, 2014

Terras do Demo Cinquentenário Superior 2003

Novamente nos aventurando por terras portuguesas, resolvemos que iríamos preparar mais um belo prato português a base de bacalhau, o famoso "Bacalhau à Brás", basicamente um bacalhau cozido, feito em lascas e refogado em azeite com cebola que depois é misturado a uma mistura de gemas com creme de leite fresco, finalizado com alho frito, salsinha e coberto de batata palha. Nada melhor do que um vinho português para acompanhar o prato e como vocês bem me conhecem, um tinto, e o escolhido foi o Terras do Demo Cinquentenário Superior 2003. Eu também recebi este vinho junto com outros portugueses através do clube de vinhos da Winelands.


Este vinho é produzido pela Cooperativa Agrícola do Távora CRL, que fica situada na Região Demarcada do 'Távora - Varosa', inserida entre a região do Douro e do Dão, em Portugal, e é feito a partir das uvas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz. Passou por estágio de 12 meses em barrica de carvalho. Ainda lendo o rótulo, o produtor diz que apesar do vinho ser de colheita 2003, só foi liberado ao mercado em 2005, na época de cinquentenário do mesmo. Vamos as impressões.

Na taça o vinho já mostrou seu lado mais evoluído, dado sua idade, com uma cor rubi já tendendo ao granada, com bordas atijoladas. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas.

No nariz o vinho mostrou seu lado animal: couro, tabaco, frutas escuras e toques defumados. Ao fundo podíamos notar também notas de chocolate.

Na boca o vinho se mostrou de médio corpo para encorpado, boa acidez e taninos finos e suaves. Retrogosto confirma o olfato e mostrou um final de longa duração.

Mais um grande vinho, esse mais austero e evoluído, com muita qualidade. Casou bem com o bacalhau e fez a alegria da nossa noite. Eu recomendo.

Até o próximo!

Thursday, July 4, 2013

Cuvée Hommage 2003

Estava eu trocando umas mensagens com minha esposa, como de costume e foi quando ela me disse que havia preparado uma jantinha surpresa bacana pra gente. Curioso que sou, fiquei remoendo pra saber o que era mas esperei chegar em casa. Neste meio tempo comecei a pensar em possíveis harmonizações com os vinhos que tinha em casa, afinal janta especial e surpresa merece o que temos de bom em termos de vinho, vocês não acham? Chegando em casa vi que ela tinha feito um belo escondidinho de carne seca a base de purê de mandioquinha, carne seca dessalgada e um bom catupiri para completar, além de parmesão ralado pra gratinar. Coloquei meu pouco conhecimento a prova na hora de escolher o vinho, consultei meus alfarrapos e cheguei a conclusão: iria tentar um Bordeaux.


Confesso que não sou profundo conhecedor de vinhos franceses, ainda mais quando lidamos com a enormidade de particularidades que envolvem Bordeaux e Borgonha, mas o vinho escolhido por mim é um vinho produzido na região de Côtes de Bourg, situada na margem direita do rio Gironde. Tendo em vista este cenário e levando em conta também o clima e solo, a uva Merlot é a que se encontra em maioria plantada por ali em virtude da mesma ter um ciclo de maturação mais demorado que as outras tintas permitidas dentro das apelações de Bordeaux. 

Sobre a vinícola e o vinho em sim, podemos dizer que é uma vinícola um tanto quanto nova, sendo que o Château Lamblin (produtor do vinho) viria a ser criado em 1998 e a partir dai, técnicas orgânicas de vitivinicultura foram aplicadas para que se atingisse a qualidade de que hoje desfrutamos de seus vinhos. Por lá, 80% das vinhas plantadas são de uvas Merlot, seguidas de 10% de vinhas de Cabernet Sauvignon e 10% de Malbec sendo que no vinho, a proporção se altera um pouco para 60% Merlot, 20% Cabernet Sauvignon e 20% Malbec. Além disso, o vinho passa por maturação de 14 meses em tonéis de carvalho. Vamos as impressões.

Na taça uma coloração rubi violácea de média intensidade com ligeiro halo granada nas bordas. Lágrimas finas, ligeiramente mais lentas e sem cor compunham o conjunto visual também.

No nariz o vinho abriu com aromas terciários de couro e estrebaria, seguido de aromas mentolados e frutos escuros. Ao fundo da taça era possível ainda identificar aromas tostados.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, acidez ainda viva e taninos marcados, mas elegantes e de boa qualidade. Retrogosto trazendo frutas negras e mentolado, confirmando o olfato. Final de longa duração.

Um belo vinho sem dúvida, que cresce com a comida e precisou de um tempo aberto pra respirar no decanter antes de servir. Foi bem com o escondidinho. Eu recomendo.

Até o próximo!

Wednesday, June 13, 2012

Le Bérne Ada Vin Santo de Montepulciano 2003

O blog como você já devem ter notado não tem muitos posts sobre vinhos de sobremesa em virtude deste que vos fala não degustar com tanta frequência os mesmos, seja por falta de oportunidade ou por outro motivo qualquer, e por isso já peço desculpas antecipadamente se falar alguma besteira sobre o vinho de hoje. Faz parte de mais uma experiência quase inenarrável do final de semana que passou.

O vinho santo é um vinho de sobremesa tradicional italiano, principalmente da região da Toscana, normalmente feito com uvas passas (Trebbiano ou Malvasia), secas sob esteiras de palha ao ar livre ou penduradas em racks para secagem em ambientes internos.  No caso do vinho de hoje, o mesmo é feito com um blend de uvas Malvasia Bianca e Pulcinculo , sem maiores informações a este respeito. Estes vinhos também passam por envelhecimento em barricas de carvalho, normalmente por 3 anos (mínimo) sendo que muitos produtores podem deixar o vinho por até 10 anos envelhecendo. Embora seja considerado um vinho de sobremesa, assim como os famosos Jerez espanhóis, o vinho santo pode orbitar entre vinhos quase sem doçura residual a vinhos extremamente doces. Bom, acho que falei muito já né? Vamos as impressões.



Na taça o vinho apresentou uma bonita cor âmbar com reflexos dourados, lágrimas grossas, lentas e incolores se esparramando pelas paredes da taça.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas secas (figos em sua maioria e uvas passas), amêndoas, nozes e toques de mel.

Na boca o vinho era gordo, untuoso, preenchia cada espacinho da boca, quase sendo possível morde-lo ao passo que apresentava uma gostosa e agradável acidez para balancear a doçura que o vinho passava. Tinha um retrogosto delicioso de frutas secas e amêndoas e ficava na boca por um longo tempo até que fosse embora.

Mais outra grande oportunidade de provar um vinho incrível, saboroso e que com certeza deixará uma marca em minha vida. Eu recomendo!

Até o próximo!

Thursday, October 27, 2011

Confraria do Meio: Segundo Ato!

Depois de uma fantástica reunião inaugural (relembre aqui) chegava a hora da Confraria do Meio se reunir pela segunda vez. Parentese. Desde o começo imaginamos a confraria com reuniões mensais e com temas pré definidos e passado um mês, cá estávamos outra vez. Fecha parentese.  Como havíamos definido, o tema desta reunião era Argentina, e portanto os confrades foram instruídos a levar vinhos do país para celebramos a noite. Evidentemente que tentamos também escolher um restaurante que pudesse casar com o tema, mas depois de muito pensarmos, discutirmos opções, chegamos a conclusão de que o local escolhido para o encontro da confraria (também conhecido como esbórnia enogastronômica) nesta reunião seria o Garcia e Rodrigues, localizado no Shopping Vila Olímpia, na Zona Sul de Sampa. A escolha do local também leva em conta os contatos que algum dos confrades tenha, a não cobrança de rolha e se possível, a temática do local.

O Garcia & Rodrigues é um misto de restaurante, delicatessen e confeitaria que, há 14 anos no Rio de Janeiro e um em São Paulo, oferece o melhor dos grandes clássicos tanto da gastronomia francesa quanto da cozinha brasileira, combinando ingredientes, aromas e temperos europeus e locais. Alguns de seus pratos já viraram referência, além da enorme variedade de tortas e cheesecakes, e de clássicos da pâtisserie francesa como tarteletes, éclairs, financiers e madeleines. Os pães são um destaque à parte. Com fabricação própria, são feitos na padaria e confeitaria do restaurante.

Vale ressaltar que toda a equipe da casa nos deixou muito a vontade desde a nossa chegada, mas em especial o sommellier Alex foi show de bola. Além de nos separar a melhor mesa da casa, fez questão de nos trazer uma taça para cada vinho degustado (e olha que foram 6 vinhos) e ainda fez questão de que recebêssemos o couvert por conta da casa. O destaque do couvert é uma espécie de fogaça de azeitonas num formato inusitado, mas que é uma delícia, além é claro do patê e dos pães, todos confeccionados na casa e na hora (chegavam ainda quentes na mesa). Enquato abríamos os trabalhos, tomamos um vinho branco para acompanhar o couvert e as entradinhas,que consistiam em um mix de antepastos com berinjela  cogumelos, batatinhas em conserva, fundo de alcachofra e outros. O vinho era o Mairena Sauvignon Blanc 2009, bem fresco e aromático com muita tipicidade: maracujá, algo vegetal, aspargos, muita mineralidade (lembrando areia de praia) e bom corpo. A mistura de cozinhas é o forte da casa e como o tema era Argentina, escolhemos pratos que tinham carne como atriz principal: uma canela de vitelo que era de se comer ajoelhado e um belo bife de chorizo. O vitelo desmanchava a cada garfada e o chorizo derretia na boca, e para acompanha-los, um risoto muito bem feito. Agora, passemos as impressões dos confrades sobre os vinhos e como é de praxe, na ordem em que foram eleitos na noite de ontem.


1o Lugar - Monteagrelo Bressia Malbec 2008 - Um vinho 100% malbec que conseguia aliar força e elegância, numa mistura de velho e novo mundo. Aromas de frutas vermelhas maduras, muito floral, carne de caça, chocolate amargo todos harmônicos e sem aquela porrada na cara. Taninos médios, corpo cheio, final muito longo e acidez bacana criavam um belo conjunto. Elogiadíssimo por todos, foi unanimidade;

2o Lugar - Fabre Montmayou Grand Vin 2003 - Um blend com 85% Malbec, 10% Cabernet Sauvignon e 5% Merlot de uma empreitada francesa em Mendoza com muito estilo velho mundo, o vinho apresentava aromas de fruta escura, baú velho, mentolado com um pouco de álcool sobrando no início, mas que arrefeceu durante a degustação. Boa acidez, taninos firmes e ainda presentes mesmo com a idade do vinho, uma bela surpresa da noite;

3o Lugar - Ben Marco Cabernet Sauvignon 2008 - Apesar de ser rotulado como varietal, apresenta 15% de malbec em sua composição. Este vinho faz parte das linhas premium da cultuada enóloga hermana, Susana Balbo. O vinho a princípio se mostrou fechado, necessitando de um tempo em decanter. Quando se abriu, aromas de frutas maduras, pimenta, cassis, alguma coisa de tostado e tabaco doce. Álcool sobrando durante toda a degustação. Boa acidez, taninos firmes e algo de rascantes e álcool sobrando um pouco também em boca num final de média duração. Os confrades, e eu me incluo, achamos que o vinho ainda era muito novo e que deve melhorar com mais um ou dois anos de garrafa;

4o Lugar - Colonia Las Liebres Bonarda 2009 - Apesar de ter recebido 89 pontos de Robert Parker e ser considerado um best buy, este vinho não agradou muito os confrades. Aromas de compota de furtas (framboesa), goiabada, mentol e especiarias o vinho tinha corpo de leve para médio, taninos finos e boa acidez com um final um pouco curto. Um vinho correto e mais para o dia a dia e só.

Por motivos profissionais e pessoais, a reunião da confraria foi um pouco esvaziada. Mesmo assim pudemos aproveitar, conversar muito, dar risadas além de comer e beber bem e em excelentes companhias. E é claro, decidimos os temas para as duas últimas reuniões do ano, anotem ai: em novembro o tema será vinhos portugueses e para dezembro, uma reunião especial com vinhos TOP, onde cada confrade levará o vinho que achar que tem um que a mais, aquele considerado vinhaço e aclamado pela crítica.

Que venham as próximas reuniões, até lá!

Tuesday, October 18, 2011

Quinta do Farfão Reserva 2003

E hoje é dia de falar dos meus vinhos preferidos, os portugueses. E eu digo preferidos pois comparativamente, no quesito custo x benefício, dificilmente vinhos do velho mundo conseguem bater os portugueses, quando falamos de mercado brasileiro. E temos também laços ancestrais, certo? Este exemplar em questão vem do Douro, região amplamente conhecida por dois fatores principais: as plantações de vinhas em socalcos/patamares em virtude da inclinação dos terrenos e pelo vinho do Porto, que apesar do nome é feito por lá. Eu ainda incluiria um terceiro fator: o intenso calor, quase desértico, principalmente no verão quando as temperaturas beiram os 50oC.

Falando um pouco sobre o vinho em si, as uvas são pisadas em lagares de granito, como era feito no passado. É composto por um corte de Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Barroca, Tinto Cão, como também é costume na região. Evidentemente que não se sabe bem quais as proporções uma vez que as uvas normalmente eram plantadas todas misturadas, as famosas vinhas velhas portuguesas, e tudo era vinificado junto. não consegui confirmar tempo de estágio em madeira, mas pela evolução do vinho eu creio que deve ter passado algum tempo. Vamos as impressões.


Na taça o vinho apresentou uma cor rubi granada, com bordas atijoladas. Lágrimas finas, incolores e rápidas também eram notadas. O vinho pede decantação, pela idade e por não ser filtrado, apresentando grandes quantidades de borra e precipitados. O vinho já mostra aqui toda sua evolução e eu acho que ele já atingira seu auge, sendo que agora só lhe restaria o declínio.

No nariz, aromas bem complexos de ervas secas, chá preto, barrica de carvalho, mato e alguma coisa de solo molhado. Bem vinoso, tinha também um pouco de frutas vermelhas bem maduras a fundo. Tudo muito elegante e um pouco fechado de início.

Na boca o vinho tinha corpo médio, acidez ainda bem viva e taninos finos e bem integrados. Confirma chá e ervas em boca. Final de média duração sem amargor final.

O vinho foi comprado em uma ponta de estoque na D'Olivino e valeu o quanto foi pago na época, embora acho que deveria ter sido consumido um pouco mais cedo. Mas sabe quando temos um vinho e acabamos por esquece-lo na adega? Foi mais ou menos isso que aconteceu. De qualquer maneira, é um típico vinho velho mundo e agradou pela complexidade. Cresceu ainda com comida.

Até o próximo.

Monday, June 6, 2011

Morkel Atticus 2003

Neste final de semana desenterrei um exemplar sul africano de minha adega um pouco cético quanto ao que o vinho poderia oferecer, afinal de contas já tem seus quase 8 anos de vida. É claro que sua composição e bom acondicionamento me deram um pouco de esperança, mesmo por que quando o degustei no final do ano passado ainda estava muito vivo e saboroso. Sem mais delongas vamos a ele.

Elaborado pela Bellevue Estate Wine da África do Sul, este vinho é um corte de 49% de Cabernet Sauvignon, 34% Pinotage e 17% de Petit Verdot. Passou por afinamento em barricas de carvalho francês e americano por 12 meses sendo que destes, 25% eram barricas novas. Possui 13% de álcool.

Na taça o vinho apresentou uma cor já tendendo para um granada, mostrando toda sua evolução. Lágrimas lentas e incolores. Entretanto o vinho se apresentou límpido e até certo ponto brilhante, com boa transparência.

No nariz a primeira surpresa: o vinho estava bem complexo e apresentava ainda muitos aromas. Abriu com alguma coisa de groselha e ameixa preta, depois mostrou ainda fundo de especiarias e um toque de animal, lembrando carne defumada. No final ainda era possível sentir um pouco de baunilha, proveniente de seu estágio em barricas. Muito interessante.

Já em boca a segunda surpresa: o vinho se mostrou muito vivo ainda, com certa acidez, taninos finos e fundidos com o conjunto do vinho. Confirmou em boca ameixa e baunilha com um leve toque de chocolate ao final. Persistência média.

O vinho estava excelente, ainda vivo mas já apresentando sinais de entrada em declínio. Quem tiver alguma garrafa deste vinho sugiro toma-lo logo. Foi uma grata surpresa para se fugir um pouco do convencional, e por convencional entenda américa do sul e/ou cortes estilo bordalês. Enfim, um vinho recomendado, comprado em um “bota fora” da D’Olivino que valeu cada centavo!

Até o próximo.

Monday, April 4, 2011

Brunello de Montalcino Camigliano 2003

Como não é todo dia que fazemos aniversário (ainda bem, levando em consideração ainda se pensarmos nesta possibilidade depois dos 30 anos) resolvi que seria hora de abrir um vinho que vinha guardando a tempos em minha adega e que havia ganhado de presente, por coincidência, no meu amiversário do ano passado. Sempre tive muita expectativa a respeito deste vinho pois desde que comecei a me interessar pelo assunto sempre ouvi falar muito dos emblemáticos Brunellos de Montalcino e a ocasião era especial e eu queria enfim coloca-lo a prova.

Oriundo da Toscana, região mais famosa da Itália na produção de vinhos e quiçá dentre as mais famosas do mundo, este vinho é feito com uvas 100% sangiovese (ou brunello, como são chamadas na região, sendo clones selecionados da sangiovese) dos melhores vinhedos da propriedade de Camigliano, que estão em terrenos que combinam floresta, montanhas e os vinhedos propriamente ditos, contando ainda com um clima mediterrâneo, quente e seco, e solo arenoso com uma boa porcentagem de lodo que ajudam a criar toda a atmosfera ideal para a cultivo e maturação das vinhas. Finalmente o vinho passa ainda por afinamento de 24 meses em barricas de carvalho e mais dois anos entre maturação em inox e garrafa antes de serem liberados para o mercado. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma cor bonita violácea já com alguns reflexos e bordas atijoladas, brilhante, límpido e de certa trasnparência já denotando alguma evolução. Lágrimas lentas, espaçadas e sem cor completavam o aspecto visual.

No nariz o vinho começou a se mostrar. Abriu com aroma de ameixas pretas, passando logo a seguir a exibir gostoso aroma de alcaçuz. Depois de mais algum tempo era ainda possível sentir algo de couro e muito herbáceo. Finalmente algo como carne defumada fechava o buquet aromático. Muito interessante. Detalhe principal é que deixei o vinho aerando por aproximadamente uma hora antes do consumo.

Na boca o vinho se mostrou muito elegante, corpo médio, taninos finos, presentes, de ótima qualidade, redondos e quase doces com uma acidez muito boa, dando sustentação ao vinho em boca. Confirmou ainda a ameixa preta, herbáceo e um leve tostato ao final.

Mesmo não sendo um vinho top dos tops se mostrou muito elegante, equilibrado, redondo e muito pronto para o consumo. Mostrou boa complexidade e fiquei extremamente satisfeito pois atingiu minhas expectativas. Um dos grandes vinhos que eu já tive oportunidade de provar. Fez a comemoração do meu aniversário ficar em grande estilo! Recomendo!