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Wednesday, November 21, 2018

Chateau Burgozone Gold Cabernet Franc 2011

No território búlgaro onde as vinhas foram plantadas na propriedade da vinícola Chateau Burgozone, havia vestígios da antiga fortaleza romana de Burgozone. Os vinhos e o complexo vitivinícola foram nomeados depois. A fortaleza situa-se na antiga via romana Via Istrum, que conectou Constantinopla com Belgrado e defendeu as fronteiras do norte do Império Romano. As provas materiais encontradas aqui, como os restos de frascos e outras cerâmicas cerâmicas, ligadas à produção de vinhos e vinhos, datam desse período específico. Esta tradição antiga teve milhares de anos de história aqui e, juntamente com o comércio ativo ao longo do rio, tornou-se a base da riqueza e prosperidade da cidade de Oryahovo no passado. Em 2002 iniciou o projeto de revitalização do tradicional para a produção de vinho, que foi suspenso durante a proibição na década de 80 na União Soviética, imposta por Gorbachov. Para este efeito, um terrão único de 150 ha foi selecionado na margem sul do rio Danúbio, perto do porto de Oryahovo, sobre a ilha do Esperanto. Durante os séculos, deu a melhor uva da região. Além da própria vinha, o complexo inclui uma adega de boutique com o equipamento mais moderno. Os primeiros resultados são mais que encorajadores - Chateau Burgozone Chardonnay, produzido lá, fez história ganhando em 2010 o primeiro da Grande Medalha de Ouro da Bulgária no Concours Mondial de Bruxelles.


Falando agora especificamente do Chateau Burgozone Gold Cabernet Franc 2011, podemos acrescentar que o vinho é feito 100% com uvas Cabernet Franc provenientes de um terroir com condições únicas, localizado nas imediações de Oryahovo, na Bulgária e estagiou por 8 meses em barricas novas de carvalho francês e descansou em garrafas nas caves antes de ser liberado ao mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea e média intensidade toques granada nas bordas, boa limpidez e brilho. Lágrimas finas, rápidas e incolores se faziam presentes também.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, especiarias, estábulo, couro e folhas secas.

Na boca o vinho apresentou corpo médio para encorpado, taninos quase mastigáveis e acidez na medida. O retrogosto confirma o olfato e adiciona um toque mineral ao mesmo, sendo que o final era de longa duração.

Um belíssimo exemplar de vinho búlgaro, mais um, que provamos por aqui. Eu recomendo a prova. Este é mais um vinho do clube de vinhos da Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

Monday, September 3, 2018

Edoardo Miroglio Cabernet Franc 2011

Em 2002, Edoardo Miroglio (produtor do vinho de hoje), um conhecido italiano produtor têxtil e de vinho , descobriu na região da Trácia, na Bulgária, o solo perfeito e ótimas condições climáticas para a produção de vinhos de qualidade na aldeia de Elenovo, 22 km a sudeste de Nova Zagora. Cercada por 220 hectares de vinhas, a Vinícola Edoardo Miroglio é uma impressionante combinação de arquitetura inspirada na antiguidade com as tecnologias modernas para a produção de vinho, combinadas naturalmente com o meio ambiente. As principais marcas produzidas pela vinícola são: Elenovo(reservas), Edoardo Miroglio(marca premium), Sant'Ilia, Soli e Sant'Ilia Estate (marcas comerciais). Acima da vinícola, existe o hotel boutique Soli Invicto (O sol invicto, do italiano), que dispõe de 10 quartos mobilados de forma única, salão de degustação de vinhos, restaurante requintado, lobby bar e piscina exterior.


Falando agora do Edoardo Miroglio Cabernet Franc 2011, podemos afirmar que o vinho é feito com uvas 100% Cabernet Franc com passagem de 10 meses em barricas de carvalho francês de 225 litros. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi violácea de grande intensidade, bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e sem cor também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, especiarias, tostado e algo de baunilha.

Na boca o vinho mostrou corpo médio para encorpado, boa acidez e taninos redondos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Mais um bom vinho búlgaro que provamos por aqui. Foi o fiel escudeiro, com honras, de um belo corte de carne (chorizo e ancho) sendo uma boa alternativa aos vinhos que costumamos provar com este acompanhamento. Tem um bom custo benefício. Este é mais um vinho do clube de vinhos Winelands, o clube que eu assino e recomendo. 

Até o próximo!

Monday, April 16, 2018

Chateau Burgozone Gold Marselan 2011

No território búlgaro onde as vinhas foram plantadas na propriedade da vinícola Chateau Burgozone, havia vestígios da antiga fortaleza romana de Burgozone. Os vinhos e o complexo vitivinicola foram nomeados depois. A fortaleza situa-se na antiga via romana Via Istrum, que conectou Constantinopla com Belgrado e defendeu as fronteiras do norte do Império Romano. As provas materiais encontradas aqui, como os restos de frascos e outras cerâmicas cerâmicas, ligadas à produção de vinhos e vinhos, datam desse período específico. Esta tradição antiga teve milhares de anos de história aqui e, juntamente com o comércio ativo ao longo do rio, tornou-se a base da riqueza e prosperidade da cidade de Oryahovo no passado. Em 2002 iniciou o projeto de revitalização do tradicional para a produção de vinho, que foi suspenso durante a proibição na década de 80 na União Soviética, imposta por Gorbachov. Para este efeito, um terrão único de 150 ha foi selecionado na margem sul do rio Danúbio, perto do porto de Oryahovo, sobre a ilha do Esperanto. Durante os séculos, deu a melhor uva da região. Além da própria vinha, o complexo inclui uma adega de boutique com o equipamento mais moderno. Os primeiros resultados são mais que encorajadores - Chateau Burgozone Chardonnay, produzido aqui, fez história ganhando em 2010 o primeiro da Grande Medalha de Ouro da Bulgária no ConcoursMondial de Bruxelles.


Falando sobre o Chateau Burgozone Gold Marselan 2011, podemos ainda afirmar que este vinho foi elaborado 100% com a casta Marselan, uva esta oriunda da Itália. Estagiou 8 meses em barricas novas de carvalho francês e mais 8 meses nas caves antes de ir ao mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de grande intensidade com halo granada, algum brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, rápidas e levemente coloridas também se faziam presentes.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos silvestres, carvalho, defumado e baunilha. Ao fundo, leve toque terroso também se fazia notar.

Na boca o vinho apresentou corpo médio aliado a uma boa acidez e taninos marcados, mas de boa qualidade, maduros. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Mais um belo caldo búlgaro que provamos aqui no Balaio do Victor. Eu recomendo a prova. Foi o fiel escudeiro de um belo risoto de cogumelos e uma maminha assada, fazendo bem o papel. Este é mais um vinho do clube de vinhos da Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

Wednesday, January 3, 2018

Viapiana Barricas Selecionadas Lote I

O último mês do ano de 2017 reservou diversos desafios a nós aqui do Balaio e, como consequência, estivemos um pouco ausentes como vocês já devem ter notado. Mas as coisas estão se acertando e finalmente pretendemos voltar com toda força já neste início de 2018, trazendo os vinhos que andamos provando neste período além é claro de muita informação e divulgação. Começo hoje com um vinho nacional que me foi apresentado por amigos de confraria e que deixou uma baita boa impressão. Este vinho é o Viapiana Barricas Selecionadas Lote I. Vamos conhecer um pouco mais sobre ele e sobre o produtor?


A história de vinhos na família Viapiana, cuja vinícola é homônima, chegou ao Brasil com a vinda dos primeiros imigrantes da Província de Mântova, na Itália. Datados de 1925, a família preserva o certificado e medalha recebidos pelo patriarca no primeiro concurso de vinhos em que participou, promovido no Brasil em comemoração ao cinquentenário da imigração italiana no país. Passada de geração em geração, a paixão pela produção de vinhos foi a motivação para, em 1986, ser elaborada a primeira safra da vinícola. Sempre atenta às novidades em tecnologia e processos, tanto em vinhedos quanto em vinícola, em pouco tempo a Viapiana se consolidou como sinônimo de qualidade e confiança. Em 2009, percebendo o potencial enoturístico da região, inaugurou o Enoespaço Viapiana, evidenciando diferenciação e consolidando a marca em conceito grife. O mesmo posicionamento é aplicado aos produtos, sempre elaborados em quantidade limitada. Limpos e atrativos, os rótulos de cada linha possuem um diferencial: os vinhos jovens apresentam obras de artistas renomados e as espumantes evidenciam o tempo de contato com as leveduras; já a linha premium alia elegância e descontração, através da apresentação de jogos interativos. Micro Lotes e Ícone são vinhos conceito, sinônimos de sofisticação em apresentação e complexidade de produto.

Já sobre o Viapiana Barricas Selecionadas Lote I, podemos ainda afirmar que o vinho é feito a partir de um corte de vinhos de diferentes castas e uvas, a saber: 60% Merlot 2012, 20% Cabernet Sauvignon 2012, 10% Cabernet Sauvignon 2011 e 10% Marselan 2012. O vinho conta ainda com estágio entre 25 a 38 meses em barricas de carvalho francesas e americanas (de acordo com a safra e/ou casta utilizada). Vamos finalmente as impressões sobre o vinho?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de média para grande intensidade com algum brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, ligeiramente mais lentas e coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, especiarias (em especial pimenta e canela/cravo da índia), coco, chocolate e algo de tostado.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos domados. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Mais um bom vinho nacional que conhecemos por aqui e que nos faz sempre questionar o por que do Brasil não conseguir criar e manter um mercado de vinhos mais sólido, tendo em vista que temos bons vinhos sendo feitos por aqui. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Wednesday, November 1, 2017

Santo Tomás Barbera - Merlot Tinta México 2011

No dia de ontem foi comemorado, especialmente nos Estados Unidos, o Halloween, mais comumente conhecido por aqui como "Dia das Bruxas". Originalmente uma tradição atribuída ao povo Celta (embora não haja uma confirmação sobre isso), foi nos Estados Unidos que a comemoração tomou o formato que vemos hoje, com fantasias, doces e travessuras, cultos aos mortos, terror (aqui entende-se como suspense, sustos, monstros, etc.), abóboras e afins tornando-se uma festa de mescla de tradições. Já no México temos a celebração do "Dia de Los Muertos" (Dia dos Mortos), que se inicia no dia 31 também mas que perdura até o dia 2 de Novembro (que coincide com o dia de finados, que celebramos por aqui). É durante esta festa mexicana que crianças e adultos se juntam para beber, cantar, dançar, se fantasiar e enfim, celebrar dias de alegria para receber as almas dos mortos que em teoria voltariam para visitar seus entes queridos. Resolvi que este ano iria aderir a comemoração mexicana e, enquanto minha filha se deleitava com a brincadeira baseada na comoração americana, tomei o vinho mexicano Santo Tomás Barbera - Merlot Tinta México 2011.


O vinho é produzido pela Bodegas de Santo Tomás, bodega esta que tem origem intrinsecamente ligada a missões dominicanas que começaram a chegar na Califórnia nos anos de 1697, como por exemplo, a missão de São Tomás de Aquino, que foi fundada em 1791. Em 1888, Francisco Andonegui e Miguel Ormart fundaram a Bodegas de Santo Tomás e desenvolveram, além da variedade da Missão que havia chegado no final do século 18, ramos de variedades espanholas como Valdepeñas, Palomino e Rosa del Perú. Em 1932, Abelardo Rodríguez comprou a propriedade fazendo o primeiro engarrafamento em 1939 (a primeira planta de engarrafamento é exibida no local). Com uma grande variedade de uvas, em 1988 sob o cuidado do vinicultor Hugo D Acosta, a produção de 300 mil caixas por ano é reduzida para 30 mil, garantindo alta qualidade. A Bodegas de Santo Tomás é atualmente uma empresa dinâmica que comemora 118 anos de vida e sua história continua agora a cargo de Santiago Cosío Pando, fortalecendo e intensificando a imagem do vinho como forma de vida. A empresa produz uma grande variedade de vinhos: Merlot, Cabernet Sauvignon e Chardonnay, entre outros. Hoje, a empresa está comprometida com seu passado, seu presente e seu futuro, é uma empresa histórica.

Falando agora especificamente sobre o Santo Tomás Barbera - Merlot Tinta México 2011, podemos ainda afirmar que o vinho é um blend das uvas Barbera e Merlot com passagem por doze meses em barris de carvalho francês novos, para amadurecimento. Vamos finalmente as impressões?

Na taça o vinho apresentou rubi violácea de média intensidade com halo granada. Lágrimas finas, rápidas e quase sem coloração também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos maduros, ervas, terrosos e algo de tostado.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos fininhos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Um bom achado e uma boa surpresa de um vinho vindo do México, muito bem feito, sem qualquer ponto que possa desqualificá-lo. Foi bem num rodízio de pizza. Veio na mala, diretamente do México. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Monday, April 3, 2017

Oxford Landing Estates Shiraz 2011

O post de hoje inaugura uma série de 3 postagens até certo ponto comparativas em que a estrela é a uva Syrah. Escolhemos 3 países diferentes que plantam a uva e resolvemos fazer este mini comparativo. Vale ressaltar que os três vinhos vem de países considerados Novo Mundo quando falamos de vinhos. Vamos ver o que temos por aqui hoje na postagem inicial?


A vinícola Oxford Landing Estates está situada nas margens do majestoso rio Murray, no sul da Austrália. O vinhedo Oxford Landing tem o nome de um local próximo onde os uma vez foi palco de pastoreio e criação de ovelhas. Hoje é o lar de um bando leal de pessoas da terra que se orgulham muito em fazer vinhos de qualidade, apreciado em todo o mundo. Embora possuam 650 acres de vinhas, o pessoal da Oxford Landing teima em agir como um vinícola de pequeno porte. E sabem por que? Eles micro-gerenciam 130 blocos de cinco acres cada como se fossem ecossistemas separados, por isso se tornaram intimamente familiarizados com cada bloco e podem dar as uvas exatamente o que elas precisam para alcançar o seu melhor. A abordagem de "pequena escala" continua na adega com métodos normalmente reservados para a vinificação boutique. Assim sendo, todos seus vinhos são engarrafados na adega própria, garantindo um ciclo completo do vinhedo ao engarrafamento a fim de garantir a qualidade exigida em cada garrafa.

Já sobre o Oxford Landing Estates Shiraz 2011 podemos ainda acrescentar que é um vinho feito com uvas 100% Shiraz (Syrah, como também pode ser grafada) com passagem de 12 meses em tanques de aço inox antes de ser engarrafado e liberado ao mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de grande intensidade, bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, espaçadas e coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros maduros, especiarias, flores, chocolate e leve toque defumado.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, uma suculenta acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Um ótimo vinho Syrah australiano que degustamos por aqui, que fez com que nossa série de degustações desta uva em diferente locais começasse com  o pé direito! Mal posso esperar pelos próximo capítulos.

Até o próximo!

Monday, October 31, 2016

Antichello Bardolino 2011

Fundada em 1811, a empresa vinícola Santa Sofia tem a sua sede e adegas em Pedemonte, ao norte de Verona (Itália), na vila aristocrata projetada por Andrea Palladio no século 16 e conhecida como Villa Sarego. Encontra-se em uma das zonas mais bonitas e temperadas da área de Valpolicella Classica. Em 1967 Giancarlo Begnoni, um enólogo que estudou na prestigiada escola de vinificação em Conegliano Veneto (na província de Treviso) e um grande entusiasta para as técnicas de produção de vinho, assumiu a empresa Santa Sofia, ampliando e melhorando a qualidade de seus produtos graças à introdução de elementos inovadores que combinaram a tradição com a tecnologia moderna. A Santa Sofia se define como uma "pequena empresa, mas que produz grande qualidade". Desde 1996, Villa Santa Sofia foi incluída entre os Sítios do Patrimônio Mundial da UNESCO, juntamente com as outras casas projetadas pelo arquiteto Andrea Palladio.


Falando sobre o Antichello Bardolino 2011, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito a partir das uvas Corvina, Rondinella e Molinara sem passagem por madeira, somente breve passagem de 3 meses em aço inox e depois em garrafa. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de média intensidade, bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e sem cor também se fizeram presentes.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos silvestres, flores e um certo tom de licor ao fundo.

Na boca o vinho tinha corpo médio, taninos finos e boa acidez. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Uma excelente surpresa este vinho italiano que foi comprado em uma promoção no Pão de Açúcar e que fez muito bonito acompanhando uma pizza marguerita. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Thursday, June 23, 2016

Vinhedos Capoani Tannat 2011: Brasil bem representado na Expovinis

Hoje quero trazer a vocês, caríssimos leitores, uma boa descoberta que fiz na Expovinis deste ano no tocante a vinhos tintos nacionais. Eu já venho a tempos falando que, sem discutir preço, tributação e afins, tenho visto uma guinada radical na qualidade de alguns vinhos tintos nacionais de um maneira que eu ainda não tinha visto anteriormente. E um vinho que se encaixa nesta descrição acima e que eu provei pela primeira vez na Expovinis deste ano foi o Vinhedos Capoani Tannat 2011.


A sementinha da Vinhedos Capoani data de 1973, quando Volmir Luis Capoani, plantou as primeiras mudas de videira Chardonnay, sendo pioneiro na região, seu filho Noemir Capoani observava e sonhava em montar a vinícola da família. Volmir fazia parte de uma família que imigrou da Itália, mais especificamente de Cremona, para Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul a mais de 140 anos atrás. Juntamente com seus filhos, Wilian e Renan, Noemir assume a administração dos vinhedos da família em 2009, após o falecimento do seu pai Volmir. A primeira safra passa a ser elaborada a partir de 2010, dando andamento ao projeto de renovação dos vinhedos e o sonho de construção da própria vinícola, que vem acontecendo pouco a pouco, até os dias atuais.

Já sobre o Vinhedos Capoani Tannat 2011, podemos ainda acrescentar que é um vinho elaborado 100% com uvas Tannat provenientes de vinhedos próprios no Vale dos Vinhedos, sendo que permanece em barricas de carvalho por cerca de 18 meses antes de ser liberado ao mercado. Foram produzidas cerca de 2700 garrafas. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração violácea de grande intensidade, bem densa, com algum brilho e limpidez.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas negras bem maduras, quase como em compota, especiarias doces, flores e leve toque de baunilha.

Na boca o vinho se mostrou encorpado com boa acidez e taninos marcados porém de boa qualidade. O retrogosto confirma o olfato e o final é de longa duração.

Um belíssimo exemplar da nova safra de vinhos tintos brasileiros que sem dúvida tendem a impressionar até os mais céticos. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Monday, June 13, 2016

Punta de Flechas Malbec 2011

A paixão pelo vinho que corre no sangue francês da família Rothschild nasceu em 1868, quando James de Rothschild comprou o Château Lafite. Depois de mais de um século de história da família ligada ao mundo do vinho, Baron Edmond de Rothschild (bisneto de James) levou a aventura ainda mais adiante em 1973 com a aquisição de dois vinhedos Cru Bourgeois em Listrac e Moulis-en-Médoc: Château Clarke e Château Malmaison. Em seguida, ele fundou a Compagnie Vinicole Baron Edmond de Rothschild. Com cuidadosa atenção aos detalhes, as propriedades foram restauradas e modernizadas, as videiras foram replantadas, mantendo ao mesmo tempo uma sensação familiar. Desde então, a Compagnie Vinicole se abriu para o mundo sob a liderança do Barão Benjamin de Rothschild. Em particular, estabeleceu parcerias estratégicas com outras famílias que têm o mesmo espírito empreendedor e paixão pelo vinho. A Compagnie Vinicole comprou 250 hectares na Argentina, em 1999, perto da Cordilheira dos Andes para produzir vinhos de qualidade. As vinhas foram plantadas gradualmente a partir de 1999 em diante. A adega foi construída em 2003 e está em operação desde a colheita de 2004, que marcou o nascimento da Flechas de los Andes. A construção da adega foi um empreendimento ambicioso. A sua decoração e layout foram concebidos pelo artista de ficção científica Philippe Druillet e sua arquitetura é única. O uso de setas é a característica marcante da concepção, ecoando a marca visual da família Rothschild, ao mesmo tempo, honrando o estilo das fazendas tradicionais da Argentina. As estruturas e os detalhes arquitetônicos (pátio, galeria, portões, etc.) foram todos feitos por maçons locais, marceneiros, serralheiros e artesãos com ênfase em materiais regionais. Hoje, a adega em Flechas de los Andes é bem conhecida em toda a província de Mendoza.


Já sobre o o Punta de Flechas Malbec 2011, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito com 100% de uvas Malbec da região de Vista Flores, em Mendoza, na Argentina, com passagem de 14 meses em barricas de madeira. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou cor violácea de grande intensidade com bom brilho e boa limpidez. Lágrimas ligeiramente mais lentas e gordinhas, além de coloridas, também compunham o conjunto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos frescos, flores, baunilha e leve toque especiado.

Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Um bom Malbec argentino, fresco e bem fácil de beber. Vai bem num dia desses de frio, como os que tem feito por aqui. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Wednesday, May 4, 2016

Doña Paula Selección de Bodega Malbec 2011

Mais um achado diretamente da festa em celebração ao Dia Internacional da Malbec, ou simplesmente #malbecworldday, este Doña Paula Selección de Bodega Malbec 2011 pode se dizer que é uma bela expressão da casta em solo argentino, além de aliar muita elegância e frescor.


Fundada em 1997, a bodega Doña Paula (produtora do vinho), é considerada uma vinícola "Estate" por ter 100% das uvas utilizadas para produzir seus vinhos provenientes de vinhedos próprios. O cuidado minucioso para todos detalhes em suas vinhas garantem uma qualidade constante e um estilo próprio em seus vinhos, que mostram a expressão mais clara de cada terroir. A Doña Paula tem atualmente 703 hectares de vinhedos localizados nas melhores áreas de Mendoza, procurando em cada propriedade, o clima ideal e a combinação de solo para cada variedade.

Sobre o Doña Paula Selección de Bodega Malbec 2011, podemos acrescentar que é um vinho feito 100% com uvas Malbec, sendo o resultado de um blend de 3 terroirs distintos: Finca El Alto, cujos solos são principalmente argilosos; Finca Alluvia, que tem minerais e solos rochosos; e por fim Finca Los Indios, que tem solos calcários e arenosos. Estas vinhas velhas são plantadas em altitudes que variam entre 1.050 e 1.350 metros acima do nível do mar. O envelhecimento se dá por 16 meses em barricas de carvalho francês de primeiro e segundo usos. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de grande intensidade com algum brilho e limpidez. Lágrimas ligeiramente mais gordinhas e lentas, além de coloridas, também se faziam presentes.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, flores, tabaco, couro e algo de especiarias. Depois de um tempo também apareceu um pouco de baunilha e tostado.

Na boca o vinho era encorpado, muito fresco e com taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e adiciona um toque que me lembrou algo mineral, sem conseguir identificar ao certo o que era. O final era longo.

Mais um belo vinho argentino postado por aqui, que se destaca pela elegância e pelo frescor ante o mar de vinhos hermanos desta uva que povoam o nosso mercado. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Wednesday, March 2, 2016

Villa Masti Chianti Classico 2011

Sempre que me vejo as voltas com um vinho italiano da região da Toscana, muitas boas recordações me vem a mente e eu fico a sonhar com o dia em que eu possa voltar aquele solo sagrado e poder sentir mais uma vez aquele clima indescritível, ver aquelas paisagens de tirar o fôlego e me fartar em sua deliciosa culinária, sem falar é claro de me ver envolto naqueles vinhos que se tornaram queridinhos pra mim. E é diante de toda essa magia que eu trago hoje aqui no blog o Villa Masti Chianti Classico 2011.


O vinho é produzido pela Fattoria San Pancrazio, cuja sede está situada na prestigiosa Villa de San Pancrazio, no domínio de San Casciano Val di Pesa e na cidade de onde tira o seu nome, situado nas colinas suaves de Chianti, imerso no coração da Toscana e perto de Florença. A pequena e simpática propriedade familiar nasceu em 1388 como uma pequena horta com alguns pares de videiras e oliveiras plantadas pelos campos. Em 1978, a propriedade foi comprada e a partir dai que os vinhos começaram a ser o carro chefe por lá. Desde então a paixão e a filosofia de se fazer grandes vinhos se encontra enraizada nos alicerces da vinícola.

Sobre o Villa Masti Chianti Classico 2011 podemos ainda acrescentar que é um vinho feito a partir das uvas Sangiovese (90%) , Colorino e Canaiolo (10% juntas). O vinho passa então por 12 meses de envelhecimento em barricas de carvalho francês e ainda, mais 6 meses em garrafa antes de ser liberado ao mercado. Vamos finalmente as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi violácea de média intensidade com bom brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, rápidas e incolores também se faziam presente.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos frescos, ervas, flores e toques de madeira. 

Na boca o vinho apresentou corpo médio para encorpado, taninos sedosos e muito frescor em virtude de uma acidez gulosa, sempre convidativa ao próximo gole. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

O que mais posso dizer? Mais um belo vinho italiano da toscana degustado por aqui. Serviu de fiel escudeiro para uma bela pizza em família e fez muito bonito. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Monday, February 29, 2016

Valdehermoso Roble 2011: a Espanha em sua plena forma!

A Bodegas Y Viñedos Valderiz, produtora do vinho em questão, teve início em 1980, quando Tomás Esteban, estudando as propriedades da família em Roa, no coração de Ribeira del Duero, percebeu que as condições climáticas e geológicas eram ideais para a plantação de videiras de alta qualidade, configurando atualmente um das mais reconhecidos vinhedos da região. Desde então, a família dedica-se totalmente à vinícola, elaborando vinhos de alta qualidade, fiel reflexo da filosofia da família Esteban e de seus vinhedos. A vinícola aposta na simplicidade do processo através de práticas ecológicas e biodinâmicas e acredita que a uva deve transmitir e oferecer todas as suas virtudes intrínsecas. Atualmente, a área plantada da Bodegas Y Viñedos Valderiz é composta de 60 hectares plantados por Tomas Esteban e 10 hectares de vinhas que conseguiu preservar plantadas por seu pai, criando um conjunto de mais de 35 parcelas localizadas em diferentes solos.


Sobre o Valdehermoso Roble 2011, podemos acrescentar que é um vinho feito com 100% de uvas Tempranillo (chamada também de Tinta Del País, por lá) e tem passagem por 8 meses em barricas de carvalho francês e americano (80% e 20% respectivamente), além de um período em garrafa antes de ser colocado no mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração rubi violácea de média intensidade, algum brilho e boa limpidez. Leve halo com tendência granada. Lágrimas finas, rápidas e incolores se faziam presentes também.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, especiarias, baunilha e leve lembrança de tostado ao fundo de taça.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos sedosos. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo, delicado e saboroso.

Um elegante e saboroso vinho espanhol, que foi um belo escudeiro para uma maminha assada em cama de sal grosso e mandioca frita. Foi uma bela harmonização que deixou saudades no paladar. Eu recomendo a prova do vinho. Ah, e a harmonização deixo a cargo de vossa imaginação, mas a sugestão fica aqui também: carnes vermelhas assadas.

Até o próximo!

Thursday, January 21, 2016

Altaïr Sideral 2011: Belo vinho vindo do Chile!

De vez em quando olhamos fundo em nossa vida e, por mais ordinária que ela tenha sido ultimamente, existem momentos em que precisamos celebrar, levantar o moral e olhar também para a metade cheia do copo. E são nestes dias que você procura abrir rótulos um pouco mais sofisticados. Em foi em um dia desses que o Altaïr Sideral 2011 saiu da adega.


O vinho é produzido pela gigante chilena Viña San Pedro, fundada em 1865, e é hoje uma das maiores e mais antigas do Chile exportadores de vinho e uma das vinícolas mais importantes do país. O vinhedo principal, adega subterrânea e a centenária adega de San Pedro estão localizados em Molina, no Vale do Curicó, a 200 km. ao sul de Santiago. Lá, a Viña San Pedro tem uma das mais extensas áreas plantadas com vinhas na América Latina, com 1.200 hectares. Enquanto isso, San Pedro tem mais de 1.500 hectares plantados no Vale Central e outros grandes vales vinícolas do Chile, como o Elqui, Casablanca, San Antonio-Leyda, Maipo, Cachapoal, Maule e Bío Bío, sempre à procura de novas e melhores fontes para os seus vinhos. A Viña San Pedro faz parte do grupo chamado VSPT Wine Group, o terceiro maior grupo de vinhos no Chile e o segundo maior exportador de vinho chileno.Em 2002 fechou um projeto com o proprietário do Château Dassault em Saint-Emillion, Bordeaux, França que viria a ser a Viña Altaïr. De um lado, o francês Dassault já tinha vasta experiência na produção de vinhos ultra premium, como os Grand Cru Classé de Saint-Emilion e, na outra ponta, a vinícola San Pedro, detentora de grande conhecimento do terroir chileno. É claro que o resultado só poderia ser um sucesso: nasceram ali dois vinhos ícones, o Altaïr e o Sideral, que já em sua primeira safra foi aclamado pela crítica internacional.

Falando sobre o Altaïr Sideral 2011, podemos dizer que é um vinho moderno e arrojado. Este vinho é considerado a porta de entrada para o exclusivo grupo de cinco vinhos ultra-premium da Viña San Pedro, chamada Grandes Vinhos de San Pedro. As cinco cepas cultivadas na propriedade de 72 hectares de vinhas localizada no Valle del Cachapoal (Cabernet Sauvignon, Carmenere, Syrah, Cabernet Franc e Petit Verdot) são misturadas em proporções variáveis, criando um vinho com uma personalidade única a cada safra. Finaliza com passagem de 12 meses em barricas de carvalho francês. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração violácea de grande intensidade, bom brilho e limpidez. Lágrimas mais gordinhas, lentas e coloridas também tingiam as paredes da taça.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros em compota, toque balsâmico, chocolate e leve mentolado.

Na boca o vinho era gordo, encorpado mas com taninos sedosos e acidez na medida. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa e deliciosa duração.

Um belo vinho chileno provado, faz jus a toda sua fama e, comprado em uma promoção da importadora, foi um bom custoxbenefício. Não é um vinho para o dia a dia. Mas vale conhecer, eu recomendo.

Até o próximo!

Wednesday, October 28, 2015

Prahova Valley Special Reserve Feteasca Neagra 2011

Estava passeando os olhos pela minha adega a fim de escolher um vinho para um almoço em família, sem grandes pretensões quando me deparei com uma garrafa que estava a algum tempo por lá e eu sempre acabava por preteri-la escolhendo outros rótulos. Mas, não sei exatamente o porque, desta vez algo me guiou até a garrafa deste vinho e acreditem, não poderia ter feito melhor escolha. Hoje falaremos do Prahova Valley Special Reserve Feteasca Neagra 2011.


O vinho é produzido pela Halewood Wines, fundada em 1978 por John Halewood. A empresa logo se tornou o maior produtor nacional independente de vinhos e bebidas alcoólicas no Reino Unido. A empresa passou a deter participações em áreas-chave da indústria de bebidas em todo o mundo. Com um volume de negócios anual superior a 500 milhões de Euros, a Halewood International Ltd. distribui mais de 1.400 produtos no Reino Unido e 30 países mundo a fora. Quatro das marcas do grupo Halewood International Ltd. podem ser encontradas nas dez melhores marcas em sua categoria no Reino Unido. Hoje, depois de um investimento de 10 milhões de euros, a empresa possui quatro subsidiárias na Romênia. O principal objetivo da empresa era comercializar vinhos romenos às expectativas internacionais. A Halewood Romênia atualmente vende seus vinhos para mais de 40 países e se tornou o maior exportador de vinho engarrafado romeno. Tais países incluem China, Japão, Coréia do Sul, México, Peru e, claro, o Reino Unido e os Estados Unidos. A Halewood Romênia utiliza castas internacionais, como Merlot, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Chardonnay, Pinot Gris, Sauvignon Blanc, Gewürztraminer, e as incríveis variedades autóctones como a Feteasca Neagra, Feteasca Alba, Feteasca Regala e Iordana. Com tal diversidade, a Halewood Romênia é capaz de fornecer ao mercado nacional e internacional vinhos de alta qualidade, os quais têm personalidades bem definidas.

Sobre o Prahova Valley Special Reserve Feteasca Neagra 2011, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito com 100% de uvas Feteasca Neagra, uva autóctone romena da região de Dealurile Munteniei, com maturação 6 meses em barricas novas com posterior envelhecimento em garrafas (sem período determinado). Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração rubi violácea de média intensidade com algum brilho e boa limpidez. Ligeira tendência ao granada nas bordas. Lágrimas finas, rápidas e incolores fazem parte do conjunto visual também.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, tabaco, especiarias e flores. 

Na boca o vinho se mostrou de médio corpo, boa acidez e taninos finos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Mais um bom vinho romeno provado por aqui, este que é mais um vinho que me foi apresentado pelo Winelands Clube do Vinho, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

Friday, September 11, 2015

Vinhos do Alentejo em SP: Herdade do Gamito

Ontem foi dia de provas alguns vinhos portugueses que ainda não conhecida e claro, de revisitar alguns outros tantos que já conheço e gosto. Mas me chamou atenção uma casa que, segundo o representante presente no stand, ainda não tinha importador para o Brasil e que, provando seus vinhos, acho um desperdício. Estou falando da Herdade do Gamito.

Do site do produtor: "A Herdade do Gamito está situada no Nordeste Alentejano, a 4 quilômetros do Crato, vila histórica que foi sede da Ordem de Malta em Portugal. Com 27 hectares de vinha, é propriedade de descendentes de uma antiga família tradicional, com raízes centenárias na região. Histórias e personagens deste passado áureo habitavam a imaginação de Gonçalo Sá da Bandeira, que em criança sonhava recuperar as terras ancestrais para delas viver. Um querer, que aliado ao amor pela terra e à paixão pelo vinho, o levou a comprar a seu pai uma pequena parcela de terreno, que restava de um patrimônio agrícola familiar. Foi com muito trabalho, persistência e ajuda da mulher e dos amigos, que alargou as fronteiras da sua propriedade e iniciou-se na arte de fazer vinho. Primeiro de forma artesanal, mais tarde adaptando a tradição às exigências da enologia moderna".


Durante o evento eles trouxeram 3 vinhos para degustação, mas nos parágrafos abaixo gostaria de destacar dois, na verdade um único, mas me pareceu que ficaria um post meio vazio e de última hora resolvi incluir o segundo. Em ordem de preferência, começarei com o intruso de última hora e fecho com meu preferido da Herdade do Gamito, se não o preferido da feira.

O primeiro vinho que destaco é o Herdade do Gamito 2009, considerado quase topo de gama da vinícola, este vinho é um corte de uvas Syrah, Alicante Bouschet, Trincadeira e Merlot com estágio de 12 meses em barricas francesas. Resulta em um vinho de cor violácea de boa intensidade, algum brilho e limpidez. Trás no nariz aromas de frutos escuros, algo floral e de especiarias. Na boca é gordo, encorpado e de taninos firmes com boa acidez. O retrogosto confirma o olfato e o final é um pouco curto. Bom vinho.

Chegamos então ao meu preferido, o Gamito Alicante Bouschet 2011, primeiro vinho monocasta da Herdade do Gamito (ALicante Bouschet, just in case). Também passa por 12 meses de estágio em barricas de carvalho francês. Resulta num vinho violáceo de grande intensidade com ligeiro halo granada com boa limpidez e algum brilho. Aromas de frutos escuros, chocolate e tostado. Em boca é cheio, encorpado, taninos macios, redondos e de ótima acidez. O retrogosto confirma o olfato e o final é longo e saboroso. Vinhaço!

Como dito anteriormente, ainda não tem importador aqui pro Brasil. Candidatos? Não percam a oportunidade, eu recomendo.

Até o próximo!

Friday, August 21, 2015

Familia Cassone Obra Prima Maximus 2011: Obra de arte engarrafada!

A Bodega Familia Cassone foi criada em 1998 por seu patriarca, Eduardo Cassone, sua esposa mais seus três filhos. E esta veia pelo negócio vitivinícola se deu em Eduardo em consequência do empreendedorismo de seu pai, que começou a elaborar vinhos ainda em meados dos anos 50. E grande parte desta tradição veio ainda de seus antepassados, que chegaram na Argentina em meados do século XIX, vindos do Piemonte e arredores (Itália). Todos estes fatores em conjunto somados ainda a muito trabalho e dedicação colocaram esta bodega familiar no hall das mais importantes da Argentina. A Bodega Familia Cassone esta localizada no departamento de Luján de Cuyo e segue os padrões da região, sem deixar de lado entretanto os cuidados com o meio ambiente.


O Obra Prima Maximus 2011 é um corte cuja composição é: 66% Malbec, 17% Cabernet Franc e 17% Syrah de vinhedos em Lujan de Cuyo e Tupungato, em Mendoza. Passa ainda por 18 meses em barricas novas de carvalho francês para envelhecimento e afinamento. O vinho pode ser considerado o topo de gama da vinícola, sua maior expressão. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração violácea de grande intensidade, bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, lentas, em grande quantidade e coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho já mostra toda sua complexidade, com notas de frutas vermelhas, especiarias, mentolado, chocolate e tostado.

Na boca o vinho se mostrou encorpado, taninos firmes e potentes mas de alta qualidade e uma acidez deliciosa, mantendo o vinho vivo no palato. O retrogosto confirma o olfato e o final é levemente apimentado, longo e muito saboroso.

Um baita vinho argentino sem dúvidas! Adimito que sou fã da vinícola de longa data, mas ainda não tinha tido a oportunidade de conhecer sua maior estrela. E é claro que este encontro não me decpcionou, pelo contrário, só me fez ficar ainda mais fã do trabalho da Família Cassone. Eu recomendo.

Até o próximo!

Tuesday, August 18, 2015

Bursôn Etichetta Blu 2011: Um curioso vinho italiano

A Azienda Agricola Randi, produtora do vinho de hoje, foi fundada no final da II Guerra Mundial, e consiste hoje de propriedades distribuídas nos municípios de Fusignano e Alfonsine, todos na região de Ravenna, na Emilia Romagna, Itália. Atualmente as vinhas que se estendem por quase 30 hectares tem como seus principais cultivares as uvas autóctones Trebbiano, Longanesi, ​​Malbo e a internacional Chardonnay. Desde 2000, a empresa está associada ao consórcio "Il Bagnacavallo" para a produção e exploração de uvas Longanesi, chamadas de Burson (nome e marca registrada do consórcio que gere a imagem e certifica a qualidade e adequação para a comercialização). Esta uva antiga deve seu nome a Antonio Longanesi, apelidado gentilmente de Burson, que salvou entre suas videiras os últimos espécimes desta uva, que atualmente leva seu nome. Esta vinha, o vinho, estão inextricavelmente ligadas ao território de Bagnacavallo e a planície vizinha Romagna. Não se sabe como tal uva chegou até lá, existindo várias teorias mais ou menos plausíveis, mas é certo que foi lá que ela encontrou o seu habitat. E a descoberta feita por Antonio Longanesi foi quase acidental. Sempre que passeava por sua propriedade e se deparava com esta até então desconhecida uva, ficava intrigado com sua capacidade de se manter longeva e saudável nos cachos mais tardiamente que as outras variedades comumente encontradas por lá. Algum tempo depois, para assegurar a prosperidade desta variedade antiga, sua família resolveu multiplicar sua área plantada mas foi com a fundação do consórcio "Il Bagnacavallo" que a uva foi finalmente reconhecida e seu produto percorreu o país.


Sobre o Bursôn Etichetta Blu 2011, só resta acrescentar que é feito com 100% de uvas Longanesi (Burson) e passa por envelhecimento de pelo menos 8 meses em tonéis de madeira. Vamos finalmente as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor rubi de média intensidade com ótimo brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas, espassadas e sem cor também compunham o conjunto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, floral, ervas secas e chá preto.

Na boca o vinho se mostrou de médio corpo, acidez na medida e taninos finos e granulares. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Uma bela surpresa este vinho italiano, bem diferente dos padrões comumente encontrados por aqui e que me fez lembrar do quanto é bom descobrir este nosso mundo vínico. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Monday, August 3, 2015

Columbia Crest Syrah 2011: A vez da Syrah na #CBE

E não é que hoje, com dois dias de atraso, chegamos àquele dia que sempre esperamos com entusiasmo todos os meses, que é quando os membros da #CBE - Confraria Brasileira de Enoblogs - numa gostosa brincadeira, postam todos sobre um mesmo tema relacionado ao vinho. Neste mês, o tema foi dado pela Fabiana Gonçalves do blog Escrivinhos, sem dó nem piedade: "um vinho feito com a uva Syrah/Shiraz, de qualquer nacionalidade e faixa de preço". E cá estamos nós do Balaio do Victor com o nosso Syrah americano, o Columbia Crest Syrah 2011. Vamos ver o que pudemos descobrir sobre ele?


Situada ao longo do rio Columbia, no leste de Washington (Estados unidos), a Columbia Crest Winery abriu as suas portas no coração do aclamado Horse Heaven Hills, em 1983. Ano após ano, a vinícola mantém seu compromisso com a qualidade, tradição e inovação no cultivo da uva e produção excepcional de vinhos artesanais. O estado de Washington e o Columbia Valley representam o terroir perfeito para o cultivo de uvas , desde o clima ao solo onde estão plantados os vinhedos. Estas condições de cultivo, juntamente com práticas de viticultura em circulação e de vinificação, permitem a Columbia Crest Winery criar vinhos de alta qualidade que são fiéis ao seu caráter varietal.

Sobre o Columbia Crest Syrah 2011, podemos ainda acrescentar que o vinho possui cerca de 1% de uvas Primitivo em sua composição (os outros 99% são Syrah) e que estagiou durante 14 meses em 60% de  barricas de carvalho francês e 40% de barricas de carvalho americano. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração violácea de grande intensidade com bom brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente colorida também se faziam notar.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos vermelhos frescos, especiarias, defumado,algo de folhas secas e toques de coco.

Na boca o vinho se mostrou de médio corpo, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

O vinho se mostrou mais fresco e elegante do que eu esperava pra um Syrah, o que foi uma agradável constatação pois o vinho não se torna pesado nem chato para se beber. Acompanhou bem um fondue de carne ao vinho. Eu recomendo a prova. E mais uma tarefa para a #CBE - Confraria Brasileira de Enoblogs concluída.

Até o próximo!

Thursday, July 23, 2015

Goedverwacht Private Cellar Triangle 2011: África do Sul na taça!

Hoje, a Goedverwacht Wine Estate está situada no belo vale a partir do qual a pequena cidade Bonnievale leva seu nome, próximo a parte ocidental da cidade do Cabo, na África do Sul. O centro de degustação de vinhos foi projetado por Derek Van Zyl e a adega/casa da fazenda recém-construídas se assemelham a um celeiro centenário renovado com características holandesas da cidade do Cabo, como vigas expostas e acabamentos rústicos. Na década de 1960, Gabriel Hendrik du Toit, um engenheiro civil, seguiu o seu sonho de se tornar um viticultor através da compra de duas fazendas vizinhas, totalizando 70 ha, no belo Breede River Valley, entre Robertson e Bonnievale. Ele acrescentou uma terceira propriedade para começar uma fazenda de gado leiteiro e chamou-lhe Soek Die Geluk, uma vez que ele acreditava firmemente que ele iria encontrar a felicidade neste empreendimento. Entre 1989 e 2003, Jan du Toit, o atual proprietário, acrescentou mais três fazendas para as propriedades originais e, atualmente, as duas fazendas cobrir um total de 220 ha. Desse total, 180 ha estão sob irrigação.


Sobre o Goedverwacht Private Cellar Triangle 2011, podemos acrescentar que tem em sua composição um típico corte bordales com 57% de Cabernet Sauvignon, 35% de Cabernet Franc e 8% de Merlot. Passa por envelhecimento de 14 meses em barricas de carvalho francês. Vamos as impressões? 

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor rubi violácea de média intensidade com algum brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, isoladas e sem cor também se faziam notar.

No nariz o vinho se mostrou de boa complexidade num mix de frutos vermelhos e escuros, especiarias, tabaco, chocolate e um fundo de tostado.

Na boca o vinho se mostrou de corpo médio, boa acidez com taninos redondos e macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Outra grata surpresa vinda da África do Sul, tão pouco explorada por nós enófilos brasileiros. As razões são muitas e já bati bastante nesta tecla e por isso nem vale repetir. de qualquer maneira, se estiver buscando boas experiências com vinhos sul africanos, eu recomendo que provem o Goedverwacht Private Cellar Triangle 2011.

Até o próximo!

Wednesday, July 8, 2015

Barbera d’Alba Cascina Ballarin Pilade 2011

Curioso saber que em La Morra todos os chamam de Ballarin, mas o nome correto da família é Viberti. Entretanto, Ballarin tem sido o apelido da família por gerações. O ano de 1928 marca a história da família, pois é quando o bisavô e avô da atual geração, cansados do trabalho em outras propriedades, começam a construir sua própria adega e casa. E por muitos anos, as atividades da empresa foram centradas no cultivo de frutas, uvas, cereais, avelãs, bem como na criação de gado e produção de vinho. A grande transformação e especialização em viticultura começou há 25 anos. Algumas das antigas culturas foram substituídos por vinhas, o armazém foi renovado e em sintonia com uma adega de vinhos, o estábulo e o celeiro, após reformas significativas, tornaram-se quartos de hóspedes e, finalmente, foi construído o que costuma-se chamar de agroturismo para os clientes que quisessem desfrutar da paisagem e mergulhar na natureza.


Hoje na Cascina Ballarin são cultivadas uvas em vinhedos próprios em regiões como La Morra, Monforte d'Alba, Novello e a produção de vinho acontece também em adega própria. O Barolo é o vinho principal, sendo que diferentes tipos de Barolo são produzidos separadamente a partir de diferentes vinhas, a fim de preservar as nuances dos diferentes tipos de solo. Além disso, são produzidos também Barbera d'Alba, Dolcetto d'Alba, Langhe Rosso e Langhe Bianco.

Sobre o Barbera d’Alba Cascina Ballarin Pilade 2011, podemos ainda acrescentar que é um vinho 100% Barbera sendo que passa por envelhecimento de 6 meses em carvalho e posteriores 6 meses em garrafa antes de ser liberado ao mercado. A curiosidade fica por conta do nome Pilade, que é o nome do vinhedo de onde as uvas são oriundas: o nome é homenagem ao antigo dono desta parcela de vinhas. Vamos as impressões?

Na taça o vinho mostrou coloração rubi violácea de média para grande intensidade, ligeiro halo granada, algum brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, espassadas e sem cor também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas vermelhas maduras, café, especiarias (principalmente doces como cravo e canela) e ago de tostado ao fundo.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos extremamente macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Mais um vinho italiano delicioso, daqueles pra ficar na memória. Para acompanhar a brincadeira aqui em casa sempre tem uma comidinha, e desta vez fomos de risoto de funghi com medalhão de filé mignon delicinha. Combinação perfeita e mais uma noite de sono com os anjos.

Até o próximo!