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Monday, April 16, 2018

Chateau Burgozone Gold Marselan 2011

No território búlgaro onde as vinhas foram plantadas na propriedade da vinícola Chateau Burgozone, havia vestígios da antiga fortaleza romana de Burgozone. Os vinhos e o complexo vitivinicola foram nomeados depois. A fortaleza situa-se na antiga via romana Via Istrum, que conectou Constantinopla com Belgrado e defendeu as fronteiras do norte do Império Romano. As provas materiais encontradas aqui, como os restos de frascos e outras cerâmicas cerâmicas, ligadas à produção de vinhos e vinhos, datam desse período específico. Esta tradição antiga teve milhares de anos de história aqui e, juntamente com o comércio ativo ao longo do rio, tornou-se a base da riqueza e prosperidade da cidade de Oryahovo no passado. Em 2002 iniciou o projeto de revitalização do tradicional para a produção de vinho, que foi suspenso durante a proibição na década de 80 na União Soviética, imposta por Gorbachov. Para este efeito, um terrão único de 150 ha foi selecionado na margem sul do rio Danúbio, perto do porto de Oryahovo, sobre a ilha do Esperanto. Durante os séculos, deu a melhor uva da região. Além da própria vinha, o complexo inclui uma adega de boutique com o equipamento mais moderno. Os primeiros resultados são mais que encorajadores - Chateau Burgozone Chardonnay, produzido aqui, fez história ganhando em 2010 o primeiro da Grande Medalha de Ouro da Bulgária no ConcoursMondial de Bruxelles.


Falando sobre o Chateau Burgozone Gold Marselan 2011, podemos ainda afirmar que este vinho foi elaborado 100% com a casta Marselan, uva esta oriunda da Itália. Estagiou 8 meses em barricas novas de carvalho francês e mais 8 meses nas caves antes de ir ao mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de grande intensidade com halo granada, algum brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, rápidas e levemente coloridas também se faziam presentes.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos silvestres, carvalho, defumado e baunilha. Ao fundo, leve toque terroso também se fazia notar.

Na boca o vinho apresentou corpo médio aliado a uma boa acidez e taninos marcados, mas de boa qualidade, maduros. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Mais um belo caldo búlgaro que provamos aqui no Balaio do Victor. Eu recomendo a prova. Foi o fiel escudeiro de um belo risoto de cogumelos e uma maminha assada, fazendo bem o papel. Este é mais um vinho do clube de vinhos da Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

Wednesday, January 3, 2018

Viapiana Barricas Selecionadas Lote I

O último mês do ano de 2017 reservou diversos desafios a nós aqui do Balaio e, como consequência, estivemos um pouco ausentes como vocês já devem ter notado. Mas as coisas estão se acertando e finalmente pretendemos voltar com toda força já neste início de 2018, trazendo os vinhos que andamos provando neste período além é claro de muita informação e divulgação. Começo hoje com um vinho nacional que me foi apresentado por amigos de confraria e que deixou uma baita boa impressão. Este vinho é o Viapiana Barricas Selecionadas Lote I. Vamos conhecer um pouco mais sobre ele e sobre o produtor?


A história de vinhos na família Viapiana, cuja vinícola é homônima, chegou ao Brasil com a vinda dos primeiros imigrantes da Província de Mântova, na Itália. Datados de 1925, a família preserva o certificado e medalha recebidos pelo patriarca no primeiro concurso de vinhos em que participou, promovido no Brasil em comemoração ao cinquentenário da imigração italiana no país. Passada de geração em geração, a paixão pela produção de vinhos foi a motivação para, em 1986, ser elaborada a primeira safra da vinícola. Sempre atenta às novidades em tecnologia e processos, tanto em vinhedos quanto em vinícola, em pouco tempo a Viapiana se consolidou como sinônimo de qualidade e confiança. Em 2009, percebendo o potencial enoturístico da região, inaugurou o Enoespaço Viapiana, evidenciando diferenciação e consolidando a marca em conceito grife. O mesmo posicionamento é aplicado aos produtos, sempre elaborados em quantidade limitada. Limpos e atrativos, os rótulos de cada linha possuem um diferencial: os vinhos jovens apresentam obras de artistas renomados e as espumantes evidenciam o tempo de contato com as leveduras; já a linha premium alia elegância e descontração, através da apresentação de jogos interativos. Micro Lotes e Ícone são vinhos conceito, sinônimos de sofisticação em apresentação e complexidade de produto.

Já sobre o Viapiana Barricas Selecionadas Lote I, podemos ainda afirmar que o vinho é feito a partir de um corte de vinhos de diferentes castas e uvas, a saber: 60% Merlot 2012, 20% Cabernet Sauvignon 2012, 10% Cabernet Sauvignon 2011 e 10% Marselan 2012. O vinho conta ainda com estágio entre 25 a 38 meses em barricas de carvalho francesas e americanas (de acordo com a safra e/ou casta utilizada). Vamos finalmente as impressões sobre o vinho?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de média para grande intensidade com algum brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, ligeiramente mais lentas e coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, especiarias (em especial pimenta e canela/cravo da índia), coco, chocolate e algo de tostado.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos domados. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Mais um bom vinho nacional que conhecemos por aqui e que nos faz sempre questionar o por que do Brasil não conseguir criar e manter um mercado de vinhos mais sólido, tendo em vista que temos bons vinhos sendo feitos por aqui. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Tuesday, March 22, 2016

Terragnolo Boulder Marselan 2012: O Brasil que nos enche de orgulho

Eu estive um pouco reticente em falar sobre este vinho para que não houvesse qualquer confusão com relação a política ou celebração política por aqui, dada a situação de ebulição que se encontra nosso país. E não só o país, mas cada vez mais todas as camadas do poder executivo tem demonstrado inabilidade e falta de comprometimento com seus eleitores. Deixando de lado o momento desabafo, falemos então de um lado do Brasil que nos deixa orgulhosos e esperançosos, que é o dos vitivinicultores que trabalham duro, sem muito incentivo, a fim de gerar belos caldos para nosso deleite. Hoje falaremos então do Terragnolo Boulder Marselan 2012.


A Vinícola Terragnolo está localizada no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves no Rio Grande do Sul e tem sua história ligada a vinda da família de Luigi Valduga ao Brasil em 1875, vindos de Terragnolo, província de Trento no norte da Itália (daí o nome da vinícola). Seu bisneto, Sandro Valduga, que faz parte da quarta geração da família, aliou o conhecimento herdado de seus antepassados às mais modernas técnicas de vinificação, com um cuidado especial desde o solo onde é plantada a videira até o local de venda do produto para criar a vinícola. A Terragnolo é uma empresa familiar com produção limitada, que tem como meta principal a elaboração de vinhos diferenciados.

Sobre o Terragnolo Boulder Marselan 2012, podemos ainda acrescentar que o vinho é de produção limitadíssima (apenas 5 barricas de 225 litros) e que, como diz no rótulo, é feito com 100% de uvas Marselan oriundas da região do Vale dos Vinhedos com passagem por 36 meses em barricas de carvalho francesas para amadurecimento.Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de grande intensidade, bom brilho e boa limpidez. Lágrimas mais gordinhas, lentas e em pouca quantidade se faziam ver.

No nariz o vinho deu mostras de toda sua complexidade com aromas de frutos vermelhos, especiarias, flores, terra molhada, tabaco, mentolado e baunilha.

Na boca o vinho se mostrou encorpado, taninos amaciados pelo tempo e uma boa acidez. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo e persistente.

Um belíssimo vinho nacional degustado por aqui, fica melhor com o tempo e merece uma aerada antes de servir. Foi uma dica do Fernando Schmeing, da Enoteca Vinho Expresso, loja situada no hotel Intercity em Caxias do Sul. Valeu pela dica, o vinho é muito bom mesmo. Se estiverem de passagem por lá, não deixem de conferir. Eu recomendo a prova!

Até o próximo!

Thursday, August 13, 2015

Adaga Marselan 2008: Mais um bom vinho tinto nacional

A Cave de Pedra Winery é toda construída em pedra basalto (rocha matriz da região do Vale dos Vinhedos), com arquitetura que lembra os castelos medievais, daí o nome da vinícola e o título do post. E foi construída assim pois os proprietários, além do gosto pessoal pela época e por tal arquitetura, pensaram também em uma maneira ecológica e mais barata para favorecer a manutenção de temperaturas amenas, necessárias para o amadurecimento e envelhecimento dos vinhos. A Cave de Pedra Winery tem produção limitada de vinhos e espumantes, mantendo assim a tipicidade do terroir do Vale dos Vinhedos. Sua especialidade é a elaboração de espumantes pelo processo tradicional (segunda fermentação em garrafa). Possuí diversas linhas e estilos de vinificação, produção esta que está contida em cerca 45.000 garrafas anuais, que ainda pode variar de safra para safra, dependendo da qualidade das uvas. Tem como principal meio de vendas o varejo da própria vinícola. Conta ainda com um vinhedo "didático" na entrada da sede da vinícola para fins de visitação e degustação de uvas diretamente do pé (uma deliciosa brincadeira, diga-se de passagem), além de espaços que podem ser utilizados para eventos e degustações para grupos de até 300 pessoas.


Sobre o Adaga Marselan 2008 podemos acrescentar que é feito com 100% desta variedade de uva oriunda da Itália (Marselan, que segundo consta é um cruzamento de Cabernet Sauvignon e Grenache) que passa por amadurecimento em barricas de carvalho por oito meses. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor violácea de média intensidade, com algum brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, especiarias doces, toques terrosos e tostados. 

Na boca o vinho mostrou corpo médio, acidez gastronômica e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Mais um ótimo exemplo de vinho tinto nacional a um bom custo benefício e que, mostra que também fazemos vinhos tintos decentes, que duram e que podem agregar a qualquer refeição. Eu recomendo a prova, foi o vinho que brindamos ao dia dos pais lá em casa.

Até o próximo!

Tuesday, June 30, 2015

Les Chèvrefeuilles 2013: Côtes du Rhône, agora na taça!

Em busca do prazer que o vinho e uma boa comida pode nos proporcionar, fui buscar um vinho de uma país que, apesar de ser um dos maiores produtores, tenho provado pouca coisa, que é a França. Muito se deve ao fato de que é mais complicado desenrolar bons vinhos a preços competitivos no nosso mercado. mas dia desses fiquei sabendo de um importadora, a de la Croix vinhos, que trás muita coisa boa e a preços interessantes. Fui lá com um objetivo: encontrar um vinho da região de Côtes du Rhône de um bom custo benefício para uma brincadeira de harmonização em casa. E eis que cheguei ao Les Chèvrefeuilles 2013


O vinho é produzido pelo Domaine de la Réméjeanne, que se encontra situado num ambiente natural exuberante, perto da cidade de Bagnols-sur-Cèze. Em 1960, os pais de Remy Klein se mudaram de volta para a França, vindos da Tunísia, e compraram uma pequena propriedade de 5 hectares em La Réméjeanne. Pouco a pouco, os vinhedos foram se expandindo e eles começam a engarrafar seu próprio vinho em 1975. Remy Klein assumiu os negócios em 1988 e continuou os expandindo também para oliveiras e figueiras, mantendo entretanto o foco no trabalho artesanal, tradicional e autêntico, gerando vinhos que expressam o terroir em sua plenitude. Atualmente a propriedade compreende 38 hectares de vinhas, 2 hectares de oliveiras e 0,5 hectares de figueiras. Os vinhos Côtes-du-Rhône são produzidos principalmente nas encostas orientais (Sol Nascente), entretanto, os Côtes-du-Rhône Villages são produzidos nas encostas orientais do Sul (mais quentes). Em 2007 foi iniciado o processo de conversão para agricultura orgânica, sendo que a propriedade foi certificada em meados de 2010. Em 2012, todos vinhos engarrafados já são certificados.

Sobre o Les Chèvrefeuilles 2013 podemos acrescentar ainda que é um blend de 70% Syrah, 10% Grenache,10% Mourvèdre, 5% Carignan e 5% Marselan. Segundo o produtor, somente a variedade Carignan passa por um processo de maceração carbonica. Depois de feita toda fermentação, o vinho é envelhecido em tonéis de madeira por cerca de 12 meses. Vale ressaltar que o vinho não tem adição de sulfitos e passa por leve filtração. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração violácea de média para grande intensidade, algum brilho e alguma limpidez. Lágrimas finas, lentas, em pouca quantidade e coloridas se faziam notar também.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos vermelhos e escuros e algo de grafite. Ao fundo, toques de mentolado.

Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez e taninos finos e granulares. Retrogosto confirma o olfato e ressalta um toque mineral. Final de média duração.


A brincadeira de harmonização ficou por conta de maminha assada na cama de sal grosso com batatas rústicas e, particularmente, gostei do que aconteceu. Não houve competição entre prato e vinho, mas também não houve a mítica criação de um terceiro sabor. Ambos se complementaram bem. O vinho também pode ser consumido por si só pelo carácter mais frutado sem se tornar pesado. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Thursday, October 16, 2014

Salton Intenso Marselan Teroldego 2014: Vinho tinto surpreendente!

Dando continuidade aos post relacionados ao último Winebar realizado em parceria com a Vinícola Salton, hoje vamos falar de um vinho tinto trazido por eles e que surpreendeu positivamente a todos durante a degustação virtual, se tornando nosso segundo vinho preferido dentre os 3, perdendo para o Espumante Salton Poética e vencendo o Salton Paradoxo Gewurztraminer. Hoje é dia do Salton Intenso Marselan Teroldego 2014. Como dito anteriormente também, poupando meu caríssimo leitor de me tornar retórico e cansativo, não irei mais falar sobre a Salton, suas qualidade, virtudes e etc, focando somente no vinho neste post ok? Vamos a ele.


Como o próprio nome lhe confere, o Salton Intenso Marselan Teroldego 2014 é um vinho feito a partir de uvas Marselan e Teroldego de ambos terroirs Serra Gaúcha e Campanha. Estas uvas são internacionais, e suas origens são respectivamente França e Itália, mas com um pouco de trabalho tem resgatado sua identidade a pouco esquecidas e também pouco conhecidas por aqui. Muito desse ressurgimento em terras brasilis se deu quando, as gerações mais recentes dos primeiros imigrantes que vieram da Europa e trouxeram consigo mudas destas plantas, realizaram o caminho de volta para as regiões de origem de suas famílias a fim de ter contato com sua própria história e buscar formação especializada. Para finalizar, não passa por barricas. Vamos as impressões.

Na taça o vinho mostrou uma coloração violácea de grande intensidade, quase sem transparência e com bom brilho. Lágrimas finas, rápidas, em grande quantidade e muito coloridas também tingiam as paredes da taça,

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos negros, flores e especiarias.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos macios e redondos. Retrogosto confirma o olfato e o final é de média duração.

Procurando um vinho tinto nacional para o dia a dia e por menos de 30 reais? Pode ser a pedida certa. Harmonizou bacana com um belo Risotto de Cogumelos e Carne ao vinho tinto. Provem que vocês não irão se arrepender. Eu recomendo.

Até o próximo!

Thursday, June 19, 2014

Winebar de lançamentos da Vinícola Salton & Salton Septimum 2009

Em meio a toda a agitação que vivemos no Brasil em virtude da Copa do Mundo, a Vinícola Salton mais uma vez em conjunto com o Winebar, resolveu mostrar mais alguns de seus lançamentos para o ano vigente. Como já sabemos por aqui (mas não custa relembrar), dia de Winebar é sempre mais um dia de degustação de vinhos bacanas, trocar idéias com pessoas diferentes de vários lugares deste Brasil e é claro, aprender mais sobre vinhos, neste caso sobre vinhos brasileiros e sobre a Vinícola Salton. Além dos responsáveis pelo Winebar, Daniel Perches e Alexandre Frias, tivemos por parte da Vinícola Salton o Gregório Salton (enólogo a 8 meses da empresa) e a Daiane e a Tais, do laboratório de controle da empresa.


Falar sobre a Vinícola Salton seria como, desculpem o clichê, chover no molhado. Com seus mais de 100 anos de história, é uma das principais vinícolas do Brasil, sem sombras de dúvidas, e tem uma extensa gama de produtos, dos mais simples aos mais complexos, que atendem a todos os nichos de consumidores. E é com base neste conceito que a família Salton, agora em sua 3a geração a frente do negócio, vem trazendo os resultados até aqui demonstrados. Melhor mesmo falarmos dos vinhos, não concordam? Desta vez os vinhos que seriam provados, todos lançamento da Vinícola Salton, seriam o Espumante Salton Intenso, o vinho tinto Salton Paradoxo Merlot e o vinho top da vinícola, o Salton Septimum.

Infelizmente não consegui degustar todos os vinhos e portanto falarei apenas do vinho que consegui degustar, que foi o Salton Septimun 2009. Do contra rótulo do vinho: "Há mais de um século, sete irmãos consolidaram as raízes da Vinícola Salton. Agora, a mesma sintonia faz do Septimun e suas sete castas um vinho sofisticado e harmonioso". Este vinho é um corte composto de 7 castas: Tannat, Ancelota, Merlot, Cabernet Franc, Teroldego, Cabernet Sauvignon e Marselan. Para aumentar a complexidade, o vinho foi fermentado e estagiou 18 meses em barricas de carvalho. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi violácea de grande intensidade, algum brilho e também pouca transparência. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas também complementavam o aspecto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas vermelhas e escuras maduras, especiarias, tabaco e tostado.

Na boca o vinho se apresentou encorpado e corpulento, taninos macios e redondos e uma boa acidez. Retrogosto confirma o olfato com uma madeira um pouco acentuada. Final de longa duração.

Salton Septimum 2009 e toda sua estrutura acompanhou bravamente um lombo de porco temperado, assado em forno baixo e extremamente suculento juntamente com batatas cozidas e levemente cítricas com toques de limão siciliano. Que delícia!

E assim foi mais um Winebar com parceria da Vinícola Salton. Grandes vinhos (que provei e ainda irei provar), boas notícias da vitivinicultura nacional e claro, muito aprendizado com a galera que sempre está presente. Honrados por estarmos dentro deste seleto grupo que participa destas degustações, deixamos os agradecimentos aos organizadores e a própria Vinícola Salton e nos despedimos por aqui.

Até o próximo!

Thursday, March 27, 2014

Cave de Pedra Winery: Volta ao passado!


Passada a hora do almoço, saímos de Faria Lemos e pegamos a estrada de volta ao Vale dos Vinhedos, prontos para nossa próxima parada. Embora ainda não estivesse com 100% de certeza de qual seria a próxima visita a ser feita, ao passar na porta da Cave de Pedra Winery não tinha mais dúvidas: seria lá. Confesso que a visita à vinícola estava na minha lista de afazeres, mas não sabia em que momento isso aconteceria.


A Cave de Pedra Winery é toda construída em pedra basalto (rocha matriz da região do Vale dos Vinhedos), com arquitetura que lembra os castelos medievais, daí o nome da vinícola e o título do post. E foi construída assim pois os proprietários, além do gosto pessoal pela época e por tal arquitetura, pensaram também em uma maneira ecológica e mais barata para favorecer a manutenção de temperaturas amenas, necessárias para o amadurecimento e envelhecimento dos vinhos. A vinícola tem produção limitada de vinhos e espumantes, mantendo assim a tipicidade do terroir do Vale dos Vinhedos. Sua especialidade é a elaboração de espumantes pelo processo tradicional (segunda fermentação em garrafa). Possuí diversas linhas e estilos de vinificação, produção esta que está contida em cerca 45.000 garrafas anuais, que ainda pode variar de safra para safra, dependendo da qualidade das uvas. Tem como principal meio de vendas o varejo da própria vinícola. Conta ainda com um vinhedo "didático" na entrada da sede da vinícola para fins de visitação e degustação de uvas diretamente do pé (uma deliciosa brincadeira, diga-se de passagem), além de espaços que podem ser utilizados para eventos e degustações para grupos de até 300 pessoas, senão me engano.


Caminhar pelo interior das construções da vinícola é literalmente se transportar para uma época em que tínhamos homens sobre cavalos empunhando espadas, disputas por princesas, moedas de ouro como dinheiro vigente e por ai vai. A medida que passamos para os locais mais internos, a temperatura realmente cai de maneira rápida. Caves de envelhecimento, racks para remuage, tudo isso está presente no interior do "castelo". Depois desta viagem no tempo, era hora de fazermos o que de melhor fizemos em todas as visitas, degustar. Como existiam diversas linhas de vinhos, focarei em dois que foram nossos preferidos, como já de costume por aqui no blog. Vamos a eles.


O primeiro deles, um vinho espumante, é o Cave de Pedra Extra Brut. O vinho em questão é um espumante "blanc de noir", ou seja, um espumante feito com uvas tintas (no caso a Pinot Noir) só que vinificada em base para espumante branca (deixando o contato do mosto com as cascas e substâncias coloríficas o menor possível). As uvas para o espumante são todas de vinhedos próprios localizados no Vale dos Vinhedos. Como dito anteriormente, o espumante é feito pelo método Champenoise. De coloração amarelo dourada, tem uma perlage fina, persistente e elegante. Aromas de frutos secos, panificação e toque de nozes ao final. Bom corpo e bastante cremosidade. Acidez pronunciada. Retrogosto confirmando o olfato num final de longa duração. Belo espumante sem dúvidas.


Por fim, o segundo vinho destacado aqui é o Adaga Marselan. Feito a partir desta casta italiana, este vinho é um deleite. Boa estrutura, acidez, taninos e corpo em harmonia. Cor violácea de média intensidade com ótimo brilho, lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas. Aromas de frutas, pimenta e toques terrosos. Na boca bom corpo, boa acidez, taninos macios e prontos pra ser consumido. Final de longa duração. Me pareceu um vinho bem gastronômico. Interessante e com uma casta não muito comum por aqui.

E chegávamos ao fim de mais uma visita incrível. Um lugar fantástico esse tal de Vale dos Vinhedos não? Difícil não se encantar. Mas o mais difícil era se despedir, algo que já começávamos a pensar. 

Até o próximo!

Wednesday, October 23, 2013

Salton Intenso: show de custo benefício!

Ontem foi mais uma noite de Winebar, desta vez com vinhos nacionais da Vinícola Salton. O Daniel Perches  (blogueiro, publicitário e idealizador do projeto Winebar juntamento com o Alexandre Frias) e o sommelier da Salton, Vinícius nos apresentaram alguns vinhos da linha Salton Intenso, comentando sobre o posicionamento da linha de vinhos em relação ao portfólio da casa e assim por diante. Devo confessar que o tema me animou bastante, não por patriotismo nem nada disso, mas eu vivo batendo na tecla de que o vinho nacional tem certa qualidade e se trabalhado em linhas de preço em pé de comparação com os seus equivalentes importados, tem tudo para vender. O que falta na verdade é uma divulgação decente, produtos de qualidade a preços mais acessíveis e por ai vamos. E acho que a Vinícola Salton acerta em cheio com esta nova linha e com a participação no Winebar. 

Segundo o Vinícius, a linha Salton Intenso se posiciona paralelamente a linha Salton Volpi, e em alguns casos irá substitui-la (em alguns pontos específicos de venda) porém com uma proposta um pouco mais jovem, mais fácil. Ele disse ainda que alguns dos vinhos degustados eram ainda "testes" e que não tem confirmação de entrada em produção de escala. Vamos falar um pouco sobre eles.

O primeiro vinho degustado foi o espumante Salton Intenso Brut, uma espumante feito pelo método charmat (segunda fermentação em tanques) e com uvas Malvasia (pouco comum diga-se de passagem) vindas diretamente da Serra Gaúcha. O vinho apresentou em taça uma bonita cor amarelo palha com toques esverdeados. Boa formação de borbulhas e espuma, boa persistência. Nariz floral e cítrico. Bastante fresco, bom colchão de espuma na boca porém com um final um pouco curto. Correto e agradável. Eu aproveitei e harmonizei o vinho com um salmão assado no forno com pimenta, temperos e cobertura de champignons. Ficou bom!


O segundo vinho da noite foi o Salton Intenso Marselan/Teroldego 2011, um corte inusitado de uvas de ascendência italiana e francesa assim por dizer, vindas de ambas a Serra Gaúcha e da Campanha Gaúcha. Edição limitada, vendas na loja física e virtual Salton somente. Passa pouco por barrica. Na taça uma aparência bem violácea, escura e com lágrimas finas e levemente coloridas. Nariz de frutas vermelhas, muito animal e toques terrosos. Taninos finos e redondos, corpo médio, boa acidez e final de média duração. Potência e alegria. Este foi harmonizado com uma fraldinha assada e se deu bem também.


O terceiro e último vinho foi o Salton Intenso Merlot/Tannat 2011 (50% cada uva) também das regiões da Serra e Campanha. Passa por barrica, um pouco mais de tempo (em torno de 6 meses). Na taça uma cor intensa e escura, lágrimas finas e bem coloridas. No nariz frutos escuros, chocolate amargo e algo de especiarias. Na boca corpo médio, acidez moderada e taninos firmes, marcados e de ótima qualidade. Final de média duração. Excelente vinho, mais uma belezura. Meu preferido principalmente quando harmonizado com uma bela paleta de cordeiro com alecrim e sal grosso.


Ao final, a sensação de que o famoso jargão do bom custo benefício se aplica diretamente a esta linha de vinhos fica evidente. Não que sejam vinhos espetaculares e sem precedentes. Longe disso, mas a qualidade associada ao preço os coloco no topo da lista das indicações nesta faixa de preços, o que mostra que podemos sim tomar vinhos nacionais a preços muito bons. Aliás falei, falei e não disse quanto custam, não é mesmo? Todos na faixa entre 28 a 30 reais. Testes ou não, os vinhos foram mais do que aprovados e eu sinceramente gostaria de vê-los em produção.

Até o próximo!

Wednesday, March 14, 2012

Cave Antiga Reserva Marselan 2006

E voltamos a falar de vinho nacional no blog. Já comentei diversas vezes que não sou ufanista e nem ferrenho defensor dos vinhos nacionais, mas que teno acompanhado uma boa evolução dos mesmos desde que comecei a me interessar por vinhos. Mas eu ainda acho que o vinho nacional precisa de tempo e mais atenção, e não protecionismos e selos fiscais. Mas esta já outra história.

O vinho de hoje tem uma história curiosa e eu tive acesso a ele através de uma promoção feita no Facebook. Eu particularmente não conhecia a vinícola e confesso que tive certa dificuldade em conhecer mais a seu respeito pois o website da empresa não funciona e existem comentários picados aqui e acolá a respeito da mesma. De qualquer forma descobri que a Cave Antiga é uma vinícola do Rio Grande do Sul, mais especificamente de Farroupilha na Serra Gaucha. Este exemplar é feitos com uvas Marselan e pelo que eu consegui descobrir tem um período de 6 meses de afinamento em barrica. Enfim, vamos as impressões.


Na taça uma cor tendendo ao atijolado já mostrando toda a sua evolução, afinal já é um vinho de 6 anos de idade. Lágrimas finas, rápidas e incolores também puderam ser notadas nas paredes da taça.

No nariz o vinho abriu com discreto aroma de frutas escuras, muita especiaria doce (lembrando nitidamente canela) e algo de tostado ao fundo. Discreto mas eu diria que elegante.

Na boca o vinho apresentou taninos finos, discretissimos mas ainda presentes. Acidez baixa, como era de se esperar mas não deixando o vinho pesado e/ou enjoativo. Retrogosto que lembrava aquelas balinhas redondas de canela, muito interessante. Algum tempo depois frutas escuras já meio passas eu diria. Final médio.

Enfim, ao que parece o vinho passou um pouco de seu apogeu e já estaria em declínio, porém mostrou qualidade e é uma boa opção para se conhecer, embora não tenha mais notícias sobre a vinícola e safras mais recentes. De qualquer maneira, gostei de ter conhecido.

Até o próximo!