segunda-feira, 24 de abril de 2017

Cantine Povero Priore Barolo DOCG 2010

Desde o plantio da primeira vinha, a família Povero, proprietária da Cantine Povero, sentiu um forte vínculo emocional e de posse em direção à sua própria terra, juntamente com o orgulho de poder continuar a tradição de seus ancestrais cujas raízes remontam a 1837. Hoje, mais de 150.000 vinhas, mais de 140 km de linhas que cobrem 45 hectares de vinhas situadas em Cisterna d'Alba, Canale d'Alba e San Damiano D'Asti (entre as áreas de Monferrato e Roero no Piemonte - Itália) são o mote da empresa, que evoluiu em termos de distribuição e seus vinhos se tornaram hoje "experiências engarrafadas para o mundo.


Sobre o Cantine Povero Priore Barolo DOCG 2010, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito a partir de uvas Nebbiolo com passagem de 36 meses em barricas de carvalho. Sem mais delongas vamos as impressões sobre este grande vinho.

Na taça o vinho apresentou coloração rubi de média intensidade com reflexos granada, algum brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, rápidas e incolores.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos secos, flores, alcatrão, fumo, especiarias, terroso e chocolate. Muito complexidade já demonstrada no nariz.

Na boca o vinho apresentou corpo de médio para encorpado, boa acidez (o que o tornou um belo amigo para comida) e taninos marcados mas de boa qualidade. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

O vinho é elegante, complexo e poderoso, como um Barolo que se preze, contando com um bom fator custo benefício em relação a outros irmãos da "sua raça". Se você quer conhecer um Barolo (ou já conhece e gosta), recomendo que prove este. Foi um dos vinhos que embalou as comemorações de abril por aqui.

Até o próximo!

terça-feira, 18 de abril de 2017

Degustar vinho engaja, e muito, o seu cérebro!

Em seu mais recente livro publicado, Neuroenology: How the Brain Creates the Taste of Wine, Gordon Shepherd, um neurocientista de Yale, argumenta que a degustação de vinho realmente estimula o seu cérebro mais do que atividades que supostamente exercitam o cérebro como ouvir música ou até mesmo lidar com um problema complicado de matemática.

Foto propriedade de Wines of Chile & Ch2A.

De acordo com Shepherd, degustar vinho "envolve mais do nosso cérebro do que qualquer outro comportamento humano". Seu livro - essencialmente uma extensão enológica de sua publicação anterior, Neurogastronomia: Como o cérebro cria sabor e por que importa - mergulha neste processo com detalhe extremo, a partir da dinâmica fluida de como o vinho é manipulado em nossas bocas ao efeito de sua aparência, cheiro e sensação na boca para o modo como nossos cérebros processam e compartilham toda essa informação. Ele sugere que, ao contrário de algo como matemática, que utiliza uma fonte específica de conhecimento, degustação de vinho envolve o cérebro mais completamente. Ele explicou como mesmo etapas básicas de degustação de vinho podem ser mais complicadas do que parecem. "Você não apenas coloca vinho em sua boca e deixa-o lá", disse Shepherd. "Você movê-lo e depois engoli-lo é um ato motor muito complexo."

No entanto, possivelmente a parte mais complexa da degustação de vinhos - um dos pontos centrais de Shepherd e o subtítulo de seu livro - é o argumento do que quando bebemos vinho, nossos cérebros são realmente necessários para criar os sabores para que desfrutemos totalmente a experiência. "A analogia que se pode usar é a cor", explica Shepherd. "Os objetos que vemos não têm cor própria, a luz atinge-os e ai a cor surge. É quando a luz atinge os nossos olhos que ativa sistemas no cérebro que criam cores a partir desses diferentes comprimentos de onda. Da mesma forma, as moléculas no vinho não têm aroma ou sabor, mas quando estimulam nossos cérebros, o cérebro cria sabor da mesma forma que cria cor ".

É uma filosofia bastante complexa para envolver nossa cabeça mas, ao final das contas, ao que tudo indica ainda não sabemos do total potencial que nosso cérebro possui. Quem sabe o que o vinho pode nos fazer?

Até o próximo!

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Pitars Cuvée Prestige Extra Brut

A história da Pitars, produtora do vinho espumante de hoje, é a história de uma família, de seu amor pelo vinho, uma história indissociavelmente ligada à terra e vinhedos que cultivou durante décadas. A vinícola Pitars está localizada em San Martino al Tagliamento, na DOC Friuli Grave. A atual geração de família Pittaro em Friuli, na Itália, chamados de "Pitars", está a frente da empresa hoje, mantendo viva a tradição da família. A filosofia da empresa sempre foi sinônimo de qualidade: viticultura e enologia são pilares de uma unidade percebida por sua excelência. A responsabilidade ambiental, pesquisa e vanguarda tecnológica e o desenvolvimento da área a torna um símbolo de qualidade do Made in Friuli, uma qualidade que se renova a cada colheita.


Sobre o Pitars Cuvée Prestige Extra Brut, podemos ainda acrescentar que é um vinho espumante elaborado com as uvas Glera , Ribolla Gialla e Verduzzo Friulano provenientes do Friuli, na Itália. Se entendi bem, a segunda fermentação ocorre em tanques de inox, ou seja, pelo método charmat. Vamos as impressões?

Na taça o vinho espumante apresentou coloração amarelo palha com reflexos dourados, ótimo brilho e limpidez. Boa formação de perlage, fina, constante e em boa quantidade.

No nariz o vinho espumante apresentou aromas de frutos cítricos e tropicais e leve lembrança floral.

Na boca o vinho espumante era cremoso e fresco, com o retrogosto confirmando o olfato. O final era de média duração.

Uma boa surpresa este vinho espumante vindo da Itália. Elaborado com uvas pouco conhecidas do público brasileiro (exceção a Glera, conhecida pelos vinhos Prosseco), deve harmonizar bem com comidas mais simples e leves, com uma boa conversa ou pode ser bebido sozinho mesmo, especialmente em dias de calor intenso. Mais um vinho do clube de vinhos da Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

quarta-feira, 12 de abril de 2017

El Enemigo Chardonnay 2015

Como alguns já devem ter notado em minhas redes sociais, cujos links se encontram em outra aba aqui do blog, este mês é meio carregado de comemoração e emoções para minha pessoa, afinal é o mês em que comemoro minha passagem de primaveras e também, dois dias depois, comemoro o aniversário de casamento. Em virtude disso, sempre tentamos aproveitar as oportunidades e tomar alguns bons vinhos, comer boas refeições, enfim, brindar a tudo e a todos. E foi numa destas comemoração que tomamos o vinho alvo do post de hoje, o El Enemigo Chardonnay 2015.


A Bodega El Enemigo foi fundada em 2007 e se encontra aos pés dos Andes, com vinhedos espalhados por Mendoza, especialmente em Luján de Cuyo, se utilizando das altitudes favoráveis e de clima propenso a produção de uvas de grande qualidade. É também um projeto de dois nomes de peso no cenário argentino: o enólogo Alejandro Vigil, um dos mais talentosos enólogos argentinos da atualidade, e Adrianna Catena, filha de ninguém menos que Nicolás Catena, dois românticos no que fazem e que nutriam uma paixão em comum que veio a uni-los ao redor do vinho. Uma curiosidade é que o nome El Enemigo faz referência ao inimigo que todos temos que lidar no dia a dia: nós mesmos. Tendo à sua disposição uma ampla gama dos melhores vinhedos da região de Mendoza — pertencentes à família CatenaAlejandro Vigil selecionou parcelas específicas das uvas que pudessem dar origem a vinhos com uma personalidade distinta dos talhados por ele em Catena Zapata

Falando um pouco mais do El Enemigo Chardonnay 2015 em si, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito 100% com uvas Chardonnay com passagem de 12 meses em carvalho francês (35% novo). Sem mais delongas, vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração amarelo dourado muito brilhante e límpido. Lágrimas finas, de média velocidade e sem cor também compunham o aspecto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos cítricos e tropicais, fósforo, manteiga, mel e toques minerais. 

Na boca o vinho se mostrou untuoso e guloso mas com uma ótima acidez. O retrogosto confirma o o olfato e o final era longo e saboroso. 

Um grande vinho branco argentino sem dúvidas, tem aquela pegada da madeira mas que não sobrepõe a fruta e não a deixa em segundo plano. Ao mesmo tempo entrega um frescor que trabalha muito bem para a limpeza do palato. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

terça-feira, 11 de abril de 2017

Cusumano Syrah Terre Siciliane IGT 2013

Finalizando a série de posts sobre a uva Syrah, temos um intruso de última hora e vejam só, do Velho Mundo. Hoje falaremos de um Syrah curioso, vindo diretamente da Sicília, na Itália. Estamos falando do Cusumano Syrah Terre Siciliane IGT 2013


A Cusumano é uma vinícola familiar que tem em torno de sessenta anos. Originalmente apenas um produtor de uvas em diversas regiões da Itália, o foco começou a mudar em 1993 e a primeira safra da vinícola foi lançada em 2000. Hoje a vinícola está em sua segunda geração sob a orientação de dois irmãos Alberto e Diego Cusumano. Alberto tem formação em enologia e dirige a produção na adega. Diego com seu background em negócios e propaganda controla o marketing e as vendas da empresa. Contam ainda com a consultoria do enólogo. A Cusumano possui várias vinhas em diferentes áreas da Sicília. A região de Ficuzza está no norte e é aproximadamente 220 m acima do nível do mar. Esta área é mais adequada para vinhos brancos. No centro da Sicília, onde os solos são brancos e calcários, a uva mais popular da Sicília, a Nero d'Avola é cultivada. Esta região é conhecida como San Giacomo. Além disso, a Cusumano está criando vinhos que representam uma perspectiva moderna e inovadora para os vinhos da Sicília. Eles estão fazendo grandes vinhos aos pés do Monte Etna e seus solos vulcânicos ao mesmo tempo que está transmitindo o importante papel da uva Nero d'Avola na cultura do vinho italiano e aproveitando as uvas internacionais de maneira inteligente e deliciosa.

Falando agora especificamente do Cusumano Syrah Terre Siciliane IGT 2013, podemos ainda acrescentar que este é um vinho feito 100% com uvas Syrah da região de Presti e Pegni, em Monreale, sendo que estas vinhas tem idade média de 13 anos. após a fermentação o vinho fica em contato com as borras envelhecendo em tanques de inox por aproximadamente 5 meses antes de ser engarrafado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de média para grande intensidade com bordas levemente atijoladas. Bom brilho e limpidez somam-se a lágrimas finas e quase incolores.

No nariz o vinho se mostrou mais austero, com aromas de frutos vermelhos, especiarias, azeitonas e toque terrosos. Algo de fumaça ao fundo também apareceu com algum tempo do vinho em taça.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos marcados mas de boa qualidade. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Chegamos ao fim destas postagens com vinhos feitos a partir da uva Syrah e a sinceramente, não sei ao certo dizer qual mais me agradou. Este último tem um tom mais austero, aquela lembrança terrosa que normalmente me remete a vinhos italianos ao passo que os outros do novo mundo aquela pujância e força. Cada um tem sua ocasião e nenhum deles foi um vinho ruim. Eu recomendo a prova de todos.

Até o próximo!

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Lote "d" Syrah 2013 by Polkura

Inicialmente este seria o terceiro e último post dos Syrahs do Novo Mundo mas, de última hora, apareceu um Syrah do Velho Mundo e este será então o derradeira post sobre o assunto. Voltando hoje as postagens sobre o assunto, vamos falar do Lote "d" Syrah 2013 by Polkura.


A Viña Polkura é um projecto vitivinícola, iniciado em 2002 pelas famílias Muñoz e Bruchfeld, com o objectivo de fazer um vinho excepcional, baseado na excitante variedade Syrah. Marchigue, o extremo ocidental do Vale de Colchagua no Chile foi escolhido como o local ideal, porque mostrou o potencial enorme produzir este varietal.O nome Polkura remete a uma montanha na extremidade mais ocidental do Vale do Colchágua onde os vinhedos estão localizados, e está escrita na língua Mapuche, povo antigo do Chile. Polkura significa "pedra amarela" e faz também menção ao solo granítico da região que possui coloração amarelada. Apesar da proximidade com o oceano, a cadeia montanhosa segura um pouco das brisas marítimas mais frescas, fazendo com que o micro clima da região se torne algo temperado.

Sobre o Lote "d" Syrah 2013 by Polkura, podemos ainda dizer que é um vinho feito a partir de uvas 100% Syrah de uma parcela 100% voltada para o norte, o que significa que o vinhedo recebe mais sol.O solo é ligeiramente diferente do restante dos vinhedos, com mais calcário do que argila. O vinho amadurece em tanques de inox, sem madeira. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e coloridas. 

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, especiarias, chocolate amargo, defumados, herbáceos e toques de tostado.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos redondos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de curta para média duração. Talvez um dos pontos fracos deste vinho.

Mais um bom exemplar de Syrah degustado por aqui. Vamos aguardar o próximo e derradeiro final para darmos um veredicto sobre qual deles mais agradou.

Até o próximo!

terça-feira, 4 de abril de 2017

Guaspari Syrah Vista do Chá 2014

O vinho de hoje já despertava minha curiosidade a algum tempo mas, por uma série de motivos que não vem ao caso agora, eu ainda não tinha conseguido a oportunidade de prova-lo. Até agora. A segunda parte da nossa incursão na uva Syrah nos leva ao estado de São Paulo (quem diria) com o Guaspari Syrah Vista do Chá 2014. Vamos ver o que este vinho nos reserva? Mas antes, um pouco de história, diretamente do site do produtor.


Uma família de origem ligada ao campo, com espírito inovador e empreendedor, chega em 2001 a uma região tradicionalmente cafeeira e identifica condições muito favoráveis à viticultura. Era o começo do sonho que se transformaria na Vinícola Guaspari. As terras altas de Espírito Santo do Pinhal se tornaram sinônimo da convivência em família e do prazer de estar junto. A paixão pelo vinho e o desejo de retribuir à região toda a alegria proporcionada foram acentuados por uma rica e curiosa combinação de fatores: a semelhança da paisagem da fazenda com a da Toscana, a origem italiana da maioria da população local e da família, o terreno granítico, a oportunidade de adquirir videiras de uma estação experimental e o desenvolvimento de uma nova tecnologia por um pesquisador brasileiro radicado em Bordeaux. Em 2006, foram plantadas as primeiras videiras, que ocuparam seis hectares. Eram mudas de diversas variedades francesas, escolhidas em virtude das características do terroir da região. Dois anos após o primeiro plantio, a vinícola foi construída. Tendo nascido em uma antiga tulha de café, com projeto que preservou o estilo arquitetônico das antigas fazendas da região, integrou-se à cultura e à estética locais. O primeiro vinho foi produzido em 2008, de maneira artesanal. Foram apenas 30 garrafas, que reforçaram o potencial do projeto. A partir desse momento, não se mediram esforços para trazer para a Guaspari o que havia de melhor no mercado mundial. Gradualmente a área de plantio de parreirais veio sendo ampliada. Hoje são 50 hectares de vinhedos próprios a partir dos quais todo o vinho é produzido.

Já sobre o Guaspari Syrah Vista do Chá 2014, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito 100% com uvas Syrah de vinhedos próprios da região de Espirito Santo do Pinhal e que passa por envelhecimento por 24 meses em barricas de carvalho francês. Sem mais delongas, vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi violácea profunda, escura mas brilhante e límpida. Lágrimas finas, rápidas e coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros bem maduros, especiarias (principalmente as picantes), flores, cacau e chocolate. Ao fundo da taça ainda foi possível sentir leve tostado. 

Na boca o vinho apresentou corpo médio, muita suculência e taninos redondos. O retrogosto confirmou o olfato e o final era longo e bem saboroso.

Um bela e grata surpresa em se tratando de vinho brasileiro que pode ser comparado a alguns bons vinhos da mesma casta produzidos mundo a fora. Ainda questiono um pouco o preço mas, vale e muito a prova.

Até o próximo!

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Oxford Landing Estates Shiraz 2011

O post de hoje inaugura uma série de 3 postagens até certo ponto comparativas em que a estrela é a uva Syrah. Escolhemos 3 países diferentes que plantam a uva e resolvemos fazer este mini comparativo. Vale ressaltar que os três vinhos vem de países considerados Novo Mundo quando falamos de vinhos. Vamos ver o que temos por aqui hoje na postagem inicial?


A vinícola Oxford Landing Estates está situada nas margens do majestoso rio Murray, no sul da Austrália. O vinhedo Oxford Landing tem o nome de um local próximo onde os uma vez foi palco de pastoreio e criação de ovelhas. Hoje é o lar de um bando leal de pessoas da terra que se orgulham muito em fazer vinhos de qualidade, apreciado em todo o mundo. Embora possuam 650 acres de vinhas, o pessoal da Oxford Landing teima em agir como um vinícola de pequeno porte. E sabem por que? Eles micro-gerenciam 130 blocos de cinco acres cada como se fossem ecossistemas separados, por isso se tornaram intimamente familiarizados com cada bloco e podem dar as uvas exatamente o que elas precisam para alcançar o seu melhor. A abordagem de "pequena escala" continua na adega com métodos normalmente reservados para a vinificação boutique. Assim sendo, todos seus vinhos são engarrafados na adega própria, garantindo um ciclo completo do vinhedo ao engarrafamento a fim de garantir a qualidade exigida em cada garrafa.

Já sobre o Oxford Landing Estates Shiraz 2011 podemos ainda acrescentar que é um vinho feito com uvas 100% Shiraz (Syrah, como também pode ser grafada) com passagem de 12 meses em tanques de aço inox antes de ser engarrafado e liberado ao mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de grande intensidade, bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, espaçadas e coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros maduros, especiarias, flores, chocolate e leve toque defumado.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, uma suculenta acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Um ótimo vinho Syrah australiano que degustamos por aqui, que fez com que nossa série de degustações desta uva em diferente locais começasse com  o pé direito! Mal posso esperar pelos próximo capítulos.

Até o próximo!

sexta-feira, 31 de março de 2017

La Celia Pioneer Reserva Malbec 2014

A Finca La Celia nasceu em 1890, quando Eugenio Bustos, depois de adquirir terras no Vale de Uco, começou a construir a sua vinícola. Sua filha, Celia Bustos, herdeira da propriedade após muito trabalho transformou a terra em prósperos vinhedos. A Finca La Celia foi a primeira vinícola a instalar-se no Vale do Uco, zona considerada uma das melhores de Mendoza. Seus vinhos estão presentes em mais de 35 países e são divididos em categorias que satisfazem as necessidades, preferências e exigências dos diversos consumidores.


Sobre o La Celia Pioneer Reserva Malbec 2014, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito 100% com uvas Malbec oriundas de San Carlos, Vale de Uco, em Mendoza na Argentina e cerca de 80% do vinho estagia por 9 meses em barricas de carvalho francês antes de ser liberado ao mercado. Sem mais delongas, vamos então às impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de grande intensidade com bom brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, em grande quantidade e coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos bem maduros, especiarias, flores e toques de chocolate e tostado.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, ótima acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Um bom Malbec para o dia a dia, mais fresco e menos pesado do que comumente e que surpreendeu positivamente. Foi comprado em um promoção no Pão de Açúcar e valeu a prova, eu recomendo que provem.

Até o próxima!

quinta-feira, 30 de março de 2017

Clos des Fous Pinot Noir Latuffa 2014

O vinho de hoje é de um projeto de autor, a vinícola Clos des Fous, um até certo ponto novo e pequeno produtor independente, com sede em Maule, no sul do Chile e que surgiu em 2008. Os 'fous' (tolos) no nome da vinícola são quatro amigos, incluindo o enólogo François Massoc e Pedro Parra, o gênio do terroir do Chile, que se reuniram na Borgonha. Somam-se a eles ainda Paco Leyton (enólogo e viticultor) e Albert Cussen (o "portador da sabedoria"). A filosofia da Clos des Fous é de explorar grandes vinhedos fora das áreas vinícolas tradicionais chilenas, especialmente aquelas nas condições extremas mais ao sul e no leste - descritas como "loucura" por seus pares no país. Além disso, Pedro Parra acredita que os solos rochosos resultam em menor vigor da videira e raízes mais profundas, o que ele acredita dá um melhor equilíbrio e mais finesse aos vinhos. A Clos des Fous opera segundo o princípio da intervenção minimalista, inspirado nas experiências dos parceiros na Borgonha.


Já sobre o Clos des Fous Pinot Noir Latuffa 2014 podemos ainda acrescentar que é um vinho 100% Pinot Noir com uvas oriundas do vinhedo conhecido como Traiguen, localizado em Malleco D.O., a denominação de vinho mais ao sul e mais frio no Chile. O clima é continental, frio, nublado, com 900 a 1.200 mm de precipitação por ano. As videiras não são irrigadas. Passagem de 24 meses em carvalho. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de média intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e incolores também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos bem frescos, flores e algo de baunilha ao fundo. Com algum tempo em taça notas de folhas e ervas também se apresentam.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, taninos finos e uma acidez refrescante. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Um bom vinho feito a partir da casta Pinot Noir no Chile, que tem mostrado especial aptidão para o cultivo desta uva em seus climas mais frios, trazendo boa tipicidade. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

terça-feira, 28 de março de 2017

Enrique Mendoza La Tremenda Monastrell Alicante 2014

Apesar de ter fundado a vinícola em 1989, Enrique Mendoza deixou seu filho Pepe assumir o negócio com a ajuda do irmão caçula Julián. Pepe é o responsável pela produção do vinho, enquanto Julián trata do setor comercial da companhia. Pepe Mendoza certamente tem a paixão e o conhecimento para pôr a vinícola de sua família no lugar que merecem, que é no topo das propriedades do Mediterrâneo. A Bodegas Enrique Mendoza está localizada perto da cidade de Alfàs Del Pi, cerca de 45 quilômetros da cidade de Alicante, na Espanha, e está rodeado por jardins paisagísticos. A maioria dos vinhedos estão localizados perto de Villena em uma média de 1200 metros de elevação, com algumas parcelas de até 2100 m. As plantações tradicionais incluem Monastrell e Moscatel, embora recentemente Pepe Mendoza tenha experimentado variedades internacionais como Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah. A agricultura natural é priorizada na bodega Enrique Mendoza. Leveduras indígenas são usadas, e inseticidas, herbicidas e fertilizantes são evitados em favor das práticas biodinâmicas. Pepe Mendoza também enfatiza colocar suas videiras sob o nível ótimo de estresse hídrico para produzir uvas pequenas e concentradas; Ele usa sensores computadorizados para monitorar os níveis de umidade na vinha, ajustando a irrigação de acordo.


Sobre o Enrique Mendoza La Tremenda Monastrell Alicante 2014 podemos ainda acrescentar que o nome "La Tremenda" faz referência ao nome da vinha de onde as uvas para este vinho são cultivadas e colhidas manualmente, uvas estas 100% Monastrell cultivadas na paisagem áspera e árida de Alicante. O vinho passa então por amadurecimento de seis meses em barricas de carvalho com mais um ano em garrafa antes de ser liberado ao mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresento coloração rubi violácea de média para grande intensidade, bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e quase sem cor também compunham o conjunto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros e vermelhos, chocolate amargo, tabaco e algo de especiarias. Notas de tostado no fundo de taça.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos marcados mas de boa qualidade. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Um ótimo vinho espanhol que provamos por aqui cujo custo benefício se mostra bem coerente. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

segunda-feira, 27 de março de 2017

Divulgação: González Byass e sua Noite Espanhola no Vino Restaurante

Embaixador da vinícola González Byass no Brasil, Antonio Palácios comanda a Noite Espanhola promovida pelo Restaurante e Wine Bar Vino, em parceria com a Inovini - importadora exclusiva do grupo no Brasil, no dia 29 de março. A noite, que contará com reservas limitadas, apresentará um menu especial, elaborado para oferecer aos clientes uma experiência sensorial diferenciada.


Confira as harmonizações selecionadas para o jantar:

1. Carpaccio de Salmão Gravlax harmonizado com o vinho Altozano Verdejo-Sauvignon Blanc (da Finca Constancia), um branco leve, refrescante, sutilmente perfumado e elegante, que, por não amadurecer em contato com carvalho, é a mais pura e atraente expressão das uvas que o compõem.

2. Agnolotti de ricota com creme de espinafre harmonizado com o vinho Altozano Tempranillo (da Finca Constancia), um tinto seco produzido com a tradicional uva espanhola Tempranillo; possui um perfil frutado, jovem e moderno.

3. Cozido de coelho com legumes harmonizado com o vinho Beronia Crianza (da Bodegas Beronia), um tinto seco clássico espanhol, no qual a fruta límpida e intensa se encontra em harmonia com o carvalho, resultando em sabores e aromas equilibrados, com textura macia e delicioso frescor.

4. Assado de tiras com risotto de cogumelos harmonizado com o vinho Finca Constancia (da Finca Constancia), um tinto seco potente, límpido e de ampla complexidade, lembrando frutas vermelhas e negras maduras.

5. Pudim de Chocolate para fechar a noite!

Serviço:
Data: 29 de março
Local: Restaurante Vino (Rua Prof. Tamandaré de Toledo, 51 – Itaim Bibi)
Preço: R$ 129,00 + taxa de serviço - por pessoa
Reservas:(11) 3078-6442

terça-feira, 21 de março de 2017

Shabo Saperavi 2014: Mais um vinho ucraniano por aqui

A empresa industrial e comercial Shabo, localizada a 70 km de Odessa e 5 km do resort Zatoka, na Ucrânia, cria bebidas finas da mais alta qualidade desde 2003, respeitando a tradição da vinificação, mas também aplicando as tecnologias mais avançadas. Com isso, os vinhos Shabo incorporam as melhores propriedades naturais de uvas, preservando o sabor e aroma das mesmas, recém-colhidas, as suas características varietais brilhantes. O nome da empresa é derivado de um dos mais antigos terroirs na Europa - Shabo. Os progenitores da vinificação em Chabot são considerados os gregos antigos, que nos séculos VI-II eram baseados na aldeia da costa do Mar Negro de Tiro e as primeiras videiras plantadas por lá, há 2500 anos atrás. No século XVI nesta região começou o "período turco". O assentamento turco foi nomeado "Asha-Abaga", que se traduz em "abaixar as vinhas". O nome não foi escolhido por acaso - geograficamente localizado abaixo dos vinhedos de Ackerman (mais tarde Belgorod-Dniester). Existem diferentes variedades de uvas cultivadas, mas entre elas havia uma que até hoje cresce em Chabot, e é considerada autóctone - "Teltow Kuruk", que em turco significa "cauda raposa". Para salvar estas videiras únicas na empresa "Shabo", um programa especial foi criado.


Já sobre o Shabo Saperavi 2014 é feito, como o próprio nome sugere, a partir de uvas Saperavi, cujas características principais é ser de amadurecimento tardio e nativa da República da Georgia, onde é uma das mais cultivadas. Tem estágio em madeira antes de ser engarrafa e liberado ao mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de grande intensidade com bom brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, coloridas e em boa quantidade também se faziam presentes.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas vermelhas, chocolate amargo, flores e algo de ervas.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Um bom vinho tinto para o dia a dia, diferente do que estamos acostumados e que surpreende pelo pouco conhecimento a respeito da uva, ao menos meu conhecimento. Eu recomendo a prova. Este é mais um vinho do clube de vinhos da Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

segunda-feira, 20 de março de 2017

Castellani Chianti Classico 2014

O negócio da vinícola Castellani foi estabelecido em Montecalvoli no final do século 19 quando Alfredo, viticultor de longa data, decide começar o engarrafamento e venda de seu vinho próprio. O filho de Alfredo, Duilio, juntamente com seu irmão Mario, começa o período de expansão da empresa. A vinha mais importante é a de Santa Lucia, no fértil Vale do Arno, onde um vinho tinto, apto para o envelhecimento é produzido e engarrafado em frascos típicos cobertos de palha, ganhando o interesse dos mercados transalpinos. Em 1966, uma inundação causa grandes danos à adega de Montecalvoli. É então decidido transferir temporariamente o negócio para a Burchino Estate, nas colinas de Terricciola. A compra da vinha de Poggio al Casone coincide com a ampliação da adega da Fazenda Travalda em Santa Lucia. Durante a noite de ano novo de 1982, um incêndio queima quase completamente para baixo as premissas da empresa. Parece ser o fim, mas dentro de poucos meses os irmãos Castellani compram o Campomaggio Estate e, graças à contribuição de Piergiorgio, filho de Roberto, o negócio reúne forças novamente para prosperar.


Já sobre o Castellani Chianti Classico 2014, podemos ainda afirmar que é vinho feito com uvas Sangiovese e Cabernet Sauvignon (90% e 10% respectivamente) especialmente selecionadas cultivadas nas vinhas da denominação Chianti Classico, a mais antiga zona de Chianti. Passa por envelhcimento de um ano em madeira. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de média para grande intensidade com bom brilho, boa limpidez e um toque granada nas bordas. Lágrimas finas, em pouca quantidade e quase sem cor se faziam notar também.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos silvestres com toques de tabaco e de especiarias mais picantes.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos redondinhos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Mais um bom vinho italiano trazido pelo Grupo Pão de Açúcar e que deve agradar à todos os paladares. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

quinta-feira, 16 de março de 2017

Divulgação: Road Show INOVINI 2017

Essa vai para o pessoal do interior de Sampa que normalmente fica meio afastado dos eventos do mundo do vinho mas que, vejam só, foram lembrados pela importadora Inovini este ano. Entre os dias 03 e 07 de abril, a importadora Inovini realiza o Road Show Inovini, evento que esse ano terá como novidade a realização de duas edições. Com estreia no próximo mês, o Road Show percorrerá as cidades de Sorocaba, Jundiaí, Botucatu, Araraquara e Ribeirão Preto.


Durante o evento, o público poderá interagir e conhecer um pouco mais sobre cada vinho apresentado, por meio de degustações e debates com representantes de cada vinícola - vinhos premiados produzidos em importantes regiões que estarão com preços e condições especiais.

Nomes como Los Vascos (Chile); González Byass (Espanha); Doña Paula (Argentina), Undurraga (Chile), Achaval – Ferrer (Argentina); Hardy´s (Austrália) e Kumala (África do Sul) marcam presença, e serão apresentados pelos representantes das vinícolas. Casos de Antonio Palacios Gonzalez, da González Byass, Juan Pablo Mozo de LosVascos, Nicolas Farias Torres, da Undurraga, Patricia Lambert da Achaval-Ferrer, Luis Alejandro Peres, da Doña Paula e Luis Enrique Izquierdo, de Hardys/Kumala. “A escolha das cidades do Road Show é sempre uma decisão estratégica da Inovini. Ano passado realizamos na região sul do país e foi um grande sucesso! Em 2017 resolvemos fazer dois Road Shows, um em cada semestre, sendo o primeiro em cidades do interior de São Paulo. Sabemos que ainda temos muito trabalho para fazer nesse mercado e o Road Show será o pontapé inicial de parcerias promissoras com as lojas de vinhos ícones da região”, diz a gerente da divisão de vinhos da Importadora Aurora, Rita lbañez.

Serviço: Road Show Inovini 2017 – primeira edição

Data: 03 de abril
Cidade: Sorocaba
Local: Padaria Real - Av. Engenheiro Carlos Reinaldo Mendes, 2.650 – Alto da Boa Vista, Sorocaba.
Horário: 20h às 23h
Preço: R$ 150,00 (o ingresso dá direito ao crédito de R$ 50,00 para compra de vinhos do evento).
Telefone para reservas e informações: (15) 3333-2500 

Data: 04 de abril
Cidade: Jundiaí
Local: Espacio La Fiesta - Av. Comend. Gumercindo Barranqueiros, 2121 - Malota, Jundiaí.
Evento em parceria com Empório Pirana.
Horário: 18h às 22h
Preço: R$ 150,00 (o ingresso dá direito a crédito de R$ 150,00 para compra de vinhos do evento).
Telefone para reservas e informações: (11) 4815-2230

Data: 05 de abril
Cidade: Botucatu
Local: Adega Paratodos - R. José Benedito Nogueira, 8 - Jardim Tropical, Botucatu.
Horário: 19h às 22h30
Preço: R$ 125,00 (o ingresso dá direito ao crédito de R$ 70,00 para compra de vinhos do evento).
Telefone para reservas e informações: (14) 3815-1000 / 3814-3699

Data: 06 de abril
Cidade: Araraquara
Local: Novo Hotel Municipal - R. São Bento, 734 - Centro, Araraquara.
Evento em parceria com Casa Deliza.
Horário: 19h às 23h
Preço: R$ 125,00 (o ingresso dá direito ao crédito de R$ 70,00 para compra de vinhos do evento).
Telefone para reservas e informações: (16) 3331-3100 (Casa Deliza)

Data: 07 de abril
Cidade: Ribeirão Preto
Local: Empório Sta. Therezinha (Shopping Iguatemi). O evento será no espaço em frente ao Empório.
Horário: 18h às 22h
Preço: R$ 90,00 (o ingresso dá direito ao crédito de R$ 50,00 para compra de vinhos do evento).
Telefone para reservas e informações: (16) 3904-3665

Se você é de uma destas cidades, aproveite a oportunidade.

Até o próximo!

terça-feira, 14 de março de 2017

Café & Vinho: Para aquele que precisa de Energia para Descansar

Se o café ajuda a abastecer o seu dia e vinho ajuda a terminá-lo, prepare-se para uma combinação destas bebidas que poderia ser verdadeiramente, como se diz hoje em dia, lacradora. A Forbes relata que a empresa Molinari Caffe, com sede no Napa Valley, liberou silenciosamente ao mercado uma linha de café com infusão de vinho. O mestre em torrefação artesanal John Weaver (ex-mestre torrador da Peet's Coffee) fornece os grãos para a sua nova bebida favorita que é descrita como "rica" e "encorpada" com notas de pequenos frutos escuros.


De acordo o seu site do produtor, "os grãos de café encorpados relaxam em um belo lote de vinho artesanal, absorvendo todo seu nariz e a história. O café é cuidadosamente seco e torrado manualmente em pequenos lotes".

Embora a adição de álcool ao café não é certamente nada de novo (os italianos têm dominado a arte com grappa, à base de uva, durante anos), parece que esta é a primeira vez que os grãos de café expresso foram embebidos em vinho antes de serem preparados. E isso soa como a melhor maneira de acordar de manhã, ou ir para a cama a noite (a escolha é sua). Por enquanto, a distribuição será local com quantidades limitadas vendidas on-line, mas não ficaríamos surpresos ao ouvir histórias de conhecedores de café tentando fazer mais barato, imitações caseiras. 

As únicas perguntas que podemos fazer são sobre como esta bebida é melhor apreciada. Será que funciona bem com leite? Açúcar? Espuma extra? Seremos repreendidos se ele se fizer presente nas garrafas térmicas do escritório para que possa ser consumido o dia inteiro? Devemos ser esnobes e procurar uma "taça de cristal" adequada?

Basta pensar sobre as inúmeras "utilidades" deste café com infusão em vinho que já vem uma vontade de irmos para um café para uma xícara de um bom expresso ou uma taça de Cabernet. Ou ambos.

O fabricante recomenda que para liberar o melhor sabor que este café tem para oferecer, seja utilizada água filtrada ou engarrafada em uma prensa estilo francesa, embora uma infusão por gotejamento também funcione.

E você caro leitor, ficou com vontade de provar este café? Embora não esteja disponível no mercado nacional, como uma viagem para os EUA é bastante comum por aqui, que tal trazer uma amostra em sua próxima excursão? Se você o fizer e provar o café, volte por aqui e conte-nos sua experiência.

Até o próximo!

segunda-feira, 13 de março de 2017

Quando o vinho encontra o cinema: King Kong!

Eu gosto bastante de cinema, embora não seja profundo conhecedor e nem tenha conseguido ir tanto as salas em Sampa como eu gostaria, mas enfim, eu gosto. E é sempre bacana ver quando este mundo do cinema cruza com o mundo dos vinhos (outra de minhas paixões), mesmo que nem sempre estes cruzamentos estejam disponíveis em nosso mercado, como é o caso deste novo lançamento de Francis Ford Coppola, o King Kong Cabernet, que veio a tona junto com o lançamento mundial do novo filme do macacão nos cinemas.


A arte de fazer vinhos está na família Coppola por muitas gerações, faz parte da tradição. Agostino Coppola, avô de Francis Coppola, fazia seu próprio vinho nos porões de seu apartamento em Nova Iorque em tanques de concreto. A família Coppola decidiu construir uma nova vinícola em Sonoma County para que pudessem produzir suas mais populares coleções. Os vinhos que Francis Coppola produz hoje em dia não são os mesmos de Agostino, mas são produzidos dentro do mesmo espírito – para compartilhar com família e amigos.

O King Kong Cabernet nada mais é do que o icônico vinho do produtor/diretor, o Directors Cabernet Sauvignon, com uma pequena diferença no blend e com um rótulo fabuloso. As duas maiores paixões de Coppola são o vinho e os filmes, de modo que combiná-los era natural, criando a série Great Movies. Ele encomendou ao artista Laurent Durieux para re-imaginar o cartaz do filme original como um rótulo para os lançamentos de edição limitada. Já na garrafa, Coppola adicionou frutos Cabernet Sauvignon excepcionalmente maduros de San Luis Obispo aos já presentes no vinho frutos de Sonoma, atualmente fonte das uvas para o Directors Cabernet Sauvignon. Segundo Coppola, os frutos de Sonoma dão estrutura e frutas maduras suculentas, enquanto os frutos San Luis Obispo fornece notas florais e sabores de frutas vermelhas. O King Kong Cabernet é um vinho 100% Cabernet Sauvignon com 14 meses em carvalho francês e húngaro.

Mais do que uma bebida, o King Kong Cabernet é um colecionável impressionante que qualquer enófilo e fã de cinema deveria ter em sua coleção. Uma pena que não aparecerá por aqui, portanto se você viajar ao exterior e tiver a oportunidade, traga o vinho. Já provei dois rótulos do produtor (confiram aqui e aqui) e atesto que são vinhos bacanas.

Até o próximo!

sexta-feira, 10 de março de 2017

Sans Souci Bistrô: surpreendente e não-convencional

Eu gosto muito de dividir minhas experiências enogastronômicas com vocês, leitores aqui do blog, mesmo que eu não seja especialista no assunto (apesar dos cursos na área do vinho). De qualquer maneira, sei que ando em falta com o blog. Ando um pouco desanimado é verdade e as vezes falta inspiração para escrever. Mas, vez ou outra, aparecem oportunidades que reacendem, ainda que timidamente, a paixão por compartilhar algumas maravilhas que descobrimos por ai, como no caso do Sans Souci Bistrô, em Campos do Jordão, cidade da Serra da Mantiqueira no interior paulista muito conhecida pelo frio, pelas malhas vendidas por lá e é claro pela gastronomia.

O restaurante fica encrustado no prédio da malharia Genève (vejam só) onde os clientes se deparam primeiro com um pequeno café que mostra em suas vitrines pãezinhos, croissant e doces que parecem muito apetitosos, e depois com o salão onde fica o bistrô propriamente dito. A decoração do Sans Souci Bistrô é exagerada, fantasiosa, sentimental, em meio a xícaras, bibelôs e bichinhos de pelúcia, em sua maioria garimpados em antiquários e lugares afins. A filosofia da comida foi trazida com o chef e é conhecida como slow food, claramente num objetivo de que possamos saborear grandes pratos com uma maior apreciação da comida, valorização dos ingredientes e dos produtores da mesma.


No Sans Souci Bistrô somos recebidos com pequenos mimos como uma pipoca "gourmet", coberta de queijo parmesão e salsa trufada além de um pequeno "shot" de uma gelatina feita a base de vinho espumante com aquela pedrinhas de laranja que explodem na boca. Tudo isso já deixa a imaginação solta e o paladar muito aguçado.


Com o menu conciso do Sans Souci Bistrô, não foi muito difícil até de imaginar o que cada um de nós pediríamos neste jantar especial que estava só se iniciando. Eu como de costume optei pelo "Bourguignon de cordeiro com legumes da horta e couscous marroquino", já minha esposa foi de "Filé Mignon com molho de cogumelos, purê de batata com paris fresco e azeite trufado" ao passo que a baixinha foi na segurança com o "Ravioli com mussarela de búfala, molho de tomate fresco e manjericão". O que dizer? As carnes estavam no ponto em que foram solicitadas, tenras e muito saborosas. A massa perfeitamente al dente, cozida a perfeição e com um molho delicioso. Notava-se ainda que os sabores e os ingredientes eram harmônicos entre si e formavam pares muito elegantes (cordeiro e o couscous, filé mignon e os cogumelos além do ravioli o molho fresco, por exemplo).


Para acompanhar a refeição, não poderíamos fugir de um vinho, no caso o vinho português Porta 6 Tinto, um vinho produzido pela Vidigal Wines a partir das castas Aragonez, Castelão e Touriga Nacional, rotulado como um vinho regional de Lisboa e com ligeira passagem em madeira. Apresentava coloração violácea de grande intensidade, bom brilho e limpidez. Nos presentou com um nariz de frutos vermelhos frescos, toques florais e algo de nozes. Na boca mostrou corpo médio e uma ótima acidez, escoltada por taninos macios e sedosos. A escolha foi muito boa, caiu bem com os pratos sem sobrepujar ou sumir, na medida certa.


Uma bela refeição e um belo vinho para fechar uma noite de passeio em família de maneira magistral. Eu recomendo a prova, do Sans Souci Bistrô e do Porta 6. Quem ainda não foi, deve ir . Penso que não se arrependerá. Mas vá preparado, a conta não será barata. Entretanto, valerá cada centavo.

Até o próximo!

quarta-feira, 8 de março de 2017

Guadalmare Morellino di Scansano 2014

O negócio da vinícola Castellani foi estabelecido em Montecalvoli no final do século 19 quando Alfredo, viticultor de longa data, decide começar o engarrafamento e venda de seu vinho próprio. O filho de Alfredo, Duilio, juntamente com seu irmão Mario, começa o período de expansão da empresa. A vinha mais importante é a de Santa Lucia, no fértil Vale do Arno, onde um vinho tinto, apto para o envelhecimento, é produzido e engarrafado em frascos típicos cobertos de palha, ganhando o interesse dos mercados transalpinos. Em 1966, uma inundação causa grandes danos à adega de Montecalvoli. É então decidido transferir temporariamente o negócio para a Burchino Estate, nas colinas de Terricciola. A compra da vinha de Poggio al Casone coincide com a ampliação da adega da Fazenda Travalda em Santa Lucia. Durante a noite de 1982 o dia de ano novo um incêndio queima quase completamente para baixo as premissas da empresa. Parece ser o fim. Mas dentro de poucos meses os irmãos Castellani compram o Campomaggio Estate e, graças à contribuição de Piergiorgio, filho de Roberto, o negócio reúne força.


Já sobre o Guadalmare Morellino di Scansano 2014, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito a partir das uvas Sangiovese (85%), Cabernet Sauvignon (10%) e Merlot (5%) de vinhas provenientes da região de Maremma na região mais ao sul da Toscana entre os rios Ombrone e Albegna e ao que tudo indica, sem passagem por madeira. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de média para grande intensidade, bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e incolores.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos e escuros, toques florais e leve tom especiado.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média a longa duração.

Um bom vinho italiano para aquele almoço de domingo com uma boa massa, mas que deve ir bem com carnes vermelhas também. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

terça-feira, 7 de março de 2017

Malma Finca la Papay Malbec 2014

A Bodega Malma nasceu como parte do novo desenvolvimento do projeto vitivinícola em San Patricio del Chañar, província de Neuquén, na Patagônia Argentina, uma região que desponta no mapa vitivinícola e destaca por seus vinhos de alta qualidade. A adega introduziu seus vinhos no mercado no ano 2004 e continua exportando seus produtos para o mundo desde esse momento. A Bodega Malma pertence às famílias Viola e Eurnekian, que adquiriram a adega no ano 2009, para continuar com o crescimento da região vitivinícola patagônica e se afirmar no negócio do vinho de alta gama no nível mundial. Junto com seu Enólogo, Sergio Pomar, e o Enólogo Consultor Roberto de la Mota, foi desenhado o portfólio de produtos e trabalhamos na pesquisa do potencial de cada micro-parcela de terra para as diferentes variedades.


Sobre o Malma Finca la Papay Malbec 2014, podemos afirmar que o mesmo faz parte de uma linha composta por vinhos mais jovens, com envelhecimento parcial em barricas o que pode conferir alguma complexidade. Em suma, um vinho 100% Malbec onde cerca de 20% do vinho permanece em barricas de carvalho francês e americano por 8 meses para envelhecimento. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, de média velocidade e coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, flores, chocolate e toques minerais.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos redondos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Um bom Malbec argentino, fresco e bem fácil de beber. Foi bem com uma boa pizza em família. Eu recomendo a prova. 

Até o próximo!

sexta-feira, 3 de março de 2017

Ação beneficente em prol dos vinhateiros chilenos

Veja que ação super bacana que está sendo desenvolvida pela escola Eno Cultura em prol dos vinhateiros chilenos que foram afetados no começo com as queimadas que dizimaram vinhas centenárias. Toda a renda obtida com a venda dos ingressos será repassada aos prejudicados, no Chile. A Eno Cultura promove em São Paulo no próximo dia 28 de março aula/degustação sobre terroir, castas e vinhas centenárias chilenas em prol dos vinhateiros que tiveram seus vinhedos incendiados.


No inicio deste ano um incêndio de grandes proporções atingiu a cidade costeira de Valparaíso, no Chile. Com ele, tragicamente, mais de dez vidas foram ceifadas, centenas de casas foram destruídas e muitos vinhedos que fazem parte da herança do vinho chileno foram perdidos.

De lá para cá, grupos da iniciativa privada em conjunto com o Ministério da Agricultura, a Associação de Enólogos do Chile e a Organização Barra Solidária, dentre outros, vem unindo forças para ajudar as famílias afetadas. No Brasil quem capitaneia a ação colaborativa é a escola de vinhos Eno Cultura com seus parceiros locais.


Foram prejudicados micro e pequenos produtores de uvas, e de vinhos, que mantém produtivas videiras - muitas destas centenárias - em algumas das mais históricas e tradicionais regiões produtoras chilenas, tal como a província de Cauquenes no Maule e no Vale de Itata, em Bio-Bio-, o berço do vinho chileno.


Responsáveis por manter o patrimônio vinícola chileno, em especial, foram afetadas vinhas da casta País, simbólica por ser a primeira variedade de uva trazida ao território, ainda no século XVI. Tão importante quanto, videiras de Carignan certamente também contarão com ao menos um vinho representativo na aula especial que será ministrada por Paulo Brammer. Como tema, o sócio da escola de vinhos Eno Cultura, contará a história do vinho chileno, focando nas vinhas centenárias e seus defensores.


A aula abordará: 

- Sub-regiões do Sul do Chile
- Vinhas centenárias 
- Projeto Vigno
- Os protetores do terroir
- Oito vinhos serão degustados

Serão degustados vinhos das vinícolas:

De Martino, Torres, Bodegas Re, Undurraga, Clos de Fous, Odfjell, dentre outros

Serviço

Local: 
Praça São Lourenço
Rua Casa do Ator, 608, Vila Olímpia
São Paulo, SP

Horário: 
19h30 receptivo
20h00 às 22h00 evento

Valor: R$ 250


*O valor arrecadado será repassado integralmente aos afetados.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Arco do Esporão Tinto 2014: Do Alentejo para a #CBE

Depois de um mês tumultuado e sem conseguir postar para a #CBE - Confraria Brasileira de Enoblogs, eis que o Balaio do Victor volta com tudo com o vinho do mês. E o tema proposto desta vez foi feito pelo nosso confrade Ewertom Cordeiro (Blog Vinhos de Minha Vida): "Como admirador dos vinhos portugueses e preferir os tintos sugiro um tinto alentejano com 3 ou mais castas". E como por aqui missão dada é missão cumprida, chegamos com o Arco do Esporão Tinto 2014.


A pouco mais de 170 km a sudeste de Lisboa, junto à histórica cidade de Reguengos de Monsaraz, deparamo-nos com uma típica paisagem do Baixo Alentejo. É lá, por entre suaves planícies e vales pouco profundos escavados por ribeiras intermitentes, campos de cereais, vinhas e olivais que encontramos a Herdade do Esporão (produtora do vinho de hoje). Situada então no coração do Alentejo e integrada na Rota dos Vinhos da região, a Herdade do Esporão apresenta condições únicas para a agricultura e para o Enoturismo. Com cerca de 700ha de vinhas,olivais e outras culturas potenciadas pelo Modo de Produção Biológico e Produção Integrada. Neste território estão plantadas cerca de 40 castas, 4 variedades de azeitona, pomares e hortas.

Sobre o Arco do Esporão Tinto 2014, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito a partir das castas Aragonez, Syrah e Touriga Nacional com uma breve passagem por barricas de carvalho americano. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e com certa coloração também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas vermelhas, flores, chocolate, especiarias e tostado.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, excelente acidez e taninos macios. Álcool um pouco proeminente de início mas que arrefece durante a degustação. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Um bom vinho para o dia a dia, um bom custo benefício e que pode ser encontrado na rede Pão de Açúcar por cerca de R$ 50,00 e que a meu ver, vale o investimento. Mais um vinho degustado para #CBE - Confraria Brasileira de Enoblogs. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Fatos interessantes sobre vinhos

Nem todos somos enófilos aficionados por conhecer todos os pormenores dos vinhos que consumimos. Estudar o vinho é muito menos divertido do que bebê-lo, mas algumas pessoas se sentem culpadas em sua ignorância de seus detalhes aparentemente infinitos. Entretanto, trago aqui alguns fatos que podem ser de conhecimento comum e que podem fazer uma certa diferença da próxima vez que você sacar sua próxima rolha, sem entretanto fazer você parecer um enochato.


Harmonizações Perfeitas são exçeções

A próxima vez que você estiver preocupado com a possibilidade de beber um Riesling ou um Gewürztraminer junto a sua comida tailandesa, tenha em mente que harmonizações terríveis (vinho e ovos, por exemplo) e harmonizações transcendentais (Sauternes e foie gras) são pontos fora da curva. Aqui está um guia/regra simples sobre harmonizações: a maioria das combinações de vinho e comida são minimamente agradáveis.

O safra pode não ser o mais importante

O clima em regiões vinícolas afeta o gosto do vinho, mas não tanto quanto quem o fabrica. Uma garrafa de uma boa safra feito por um enólogo ruim poderá ser diminuido se comparado a um vinho feito numa safra não tão boa por um enólogo de prestígio. A dica aqui é encontrar produtores que você goste e que tenham algum renome e montar seleções com eles.

As uvas que compõe um blend nem sempre são importantes

Nem sempre é claro quais uvas compõe um vinho, de qualquer maneira. Nos Estados Unidos, por exemplo, vinhos rotulados como varietais (como Cabernet Sauvignon) podem conter legalmente até 25 por cento de qualquer outra uva (como Merlot, Moscato, ou alguma coisa obscura como Malvasia Nera). Em alguns dos grandes vinhedos do mundo, que foram plantadas muito antes dos testes genéticos permitiram aos cientistas determinar quais uvas eram quais, os vinicultores podem nem sequer ter 100% de certeza sobre as variedades. Também, as uvas podem produzir uma larga escala de aromas e sabores: um Chardonnay rico, amanteigado da Califórnia não lembra em nada um Chardonnay elegante e fino de Chablis, por exemplo.

O preço nem sempre é um indicativo de qualidade

Há uma abundância de vinhos ruins que custam mais de 100 reais. E há uma abundância de grandes vinhos que custam cerca de 100 reais que, no contexto errado, podem ser taxados como piores que vinhos que custam a partir de 20 reais. Em um dia de verão de 40 graus, qual seria sua preferência entre um encorpado Cabernet Sauvignon do Napa Valley ou um refrescante Vinho Verde português? E eu não acho que isso seja verdade apenas para paladares inexperientes. Quando os sommeliers terminam seus turnos em restaurantes sofisticados, onde passaram as últimas 8 horas degustando os vinhos supostamente brilhantes e complexos, a última coisa que desejam é um Bordeaux de $ 3.000. A maioria busca saciar sua "sede"em direção à bebidas mais leves e refrescantes, como a cerveja por exemplo.

Até o próximo!!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Beni di Batasiolo Barbaresco 2010

O vinho é produzido pela gigante Beni di Batasiolo, que possui vinhedos em todas regiões localizadas dentro da premiada área vitícola de Barolo: Batasiolo, Morino, Cerequio e Brunate em La Morra; Boscareto e a histórica Briccolina em Serralunga d'Alba; Bricco di Vergne e Zonchetta em Barolo; Tantesi e Bussia Bofani em Monforte d'Alba. Decidindo dar um novo nome à propriedade, os irmãos Dogliani se inspiraram na vinha onde estão localizadas as sedes da propriedade. Foi assim que a nova vinícola, situada no meio dos contornos suaves da vinha de Batasiolo, passou a chamar-se "Beni di Batasiolo". No antigo dialeto local a palavra "beni" significa uma propriedade, e é essa idéia do vínculo indissolúvel existente entre o agricultor e a sua vinha, que é encapsulado no nome "Beni di Batasiolo". Produz todos os vinhos mais famosos cultivados nesta região, incluindo Barolo, Barbaresco, Barbera d'Alba Sovrana e Dolcetto d'Alba Bricco di Vergne, bem como grandes brancos como Moscato d'Asti Bosc dla Rei, Langhe Chardonnay Morino e Gavi del Comune di Gavi mas, sempre lembrando que o Barolo é o símbolo máximo da vinícola.


Sobre o Beni di Batasiolo Barbaresco 2010, podemos ainda acrescentar que é um vinho que é feito a partir de uvas Nebbiolo e é envelhecido em barris de carvalho eslavo e francês durante um mínimo de doze meses e, posteriormente, por mais doze meses em tanques de aço inoxidável. Após este período o vinho é engarrafado, onde continuará seu refinamento até a liberação ao mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi com reflexos granada, começando nas bordas e indo em direção ao corpo do vinho com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, espaçadas e sem cor também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos secos como ameixas e uvas passas, toques de flores, chocolate amargo, tostado e algo de amendoado.

Na boca o vinho apresentou corpo de médio para encorpado, boa acidez e taninos redondos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Um belo vinho italiano e um ótimo companheiro de comida (como a maioria dos vinhos italianos o são). Foi comprado no Pão de Açúcar em uma daquelas promoções de últimos itens (embora não lembre o valor) e achei uma ótima compra. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Vulcanus Alpha Tempranillo 2014

A Ecomienda de Cervera, produtora do vinho de hoje, está localizada no coração do maciço vulcânico de Calatrava Estate, a uma altitude entre 750 e 850 metros acima do nível do mar, no final da cidade nobre e cultural de Almagro, que faz fronteira com a Serra de Arzollar e a Cañada Real Soriana, entre vales e colinas cobertas de carvalhos e zimbros, alecrim, tomilho, e muito mais. Há a vista do solo preto de origem vulcânica e ocre vermelho (Almagre) que, segundo alguns historiadores, dão a cidade de Almagro seu nome, bem como calcários e áreas rochosas. Tudo isso localizado sob o relógio detalhado do Vulcão Maar de la Hoya de Cervera, declarado Monumento Natural em 1993, e ainda águas de uma das principais correntes do rio Guadiana, o rio Jabalón. A Encomienda de Cervera Estate foi criada em 1758 como resultado da fusão entre Hacienda de Cervera, Cañada de Zentinar, Heredad de Vilena, Hoya de la Cruz e Coto del Marqués de Cervera. Mais tarde, Barranco del Puerco, nativo da Mesa Maestral da Fazenda Calatrava, une a fusão com 1.200 hectares. Naquela época, a propriedade já tinha olivais com duas mil trezentas e setenta e cinco oliveiras, uma prensa de óleo, uma casa de campo e um bosque com cerca de dez mil álamos pretos e brancos. No final do século XIX, havia uma vinha de 22 hectares e uma adega de 200.000 litros.


Sobre o Vulcanus Alpha Tempranillo 2014 em si, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito a partir de uvas Tempranillo plantadas em solo de origem vulcânica, com passagem de 3 meses em madeira antes do engarrafamento. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de média para grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, baunilha, especiarias e leve toque de grafite.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, excelente acidez e taninos macios e sedosos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Um ótimo vinho espanhol, trazido pela importadora mineira Casa Rio Verde, que também possui um clube de vinhos bem interessante que estou conhecendo e recomendo. Para ter mais informações sobre o vinho acessem: VinhoSite e VinhoClube.

Até o próximo!!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Espumante do mar: Miolo é a pioneira no mercado nacional

Temos visto nos últimos tempos o emprego de diversas novas tecnologias e métodos para a produção de vinhos mas, nem sempre o estado da arte tecnológico é o que faz um bom vinho. Um bom exemplo disso é que, depois de muito tempo utilizando inox e barricas novas de madeira para envelhecimento para alguns vinhos, muitas vinícolas ao redor do mundo, e principalmente no velho mundo, voltaram a usar tanques de cimento e receptáculos de argila para esta tarefa, por exemplo. Me parece que a "moda" agora é utilizar o fundo do oceano para tal tarefa. Embora ainda não tenhamos um histórico sobre a ação do fundo do mar no envelhecimento dos vinhos, algumas situação advindas deste processo fazem algum sentido: a temperatura mais amena e controlada no fundo do oceano, a quase que total ausência de luminosidade dada a profundidade que se utiliza, a pressão que existe nas profundidades e alguns outros pormenores.


E olha só que bacana, uma vinícola nacional, a Miolo, também vai fazer uso de tal recurso. Para celebrar o sucesso de vendas do espumante Miolo Cuvée Tradition Brut em terras francesas, o Grupo Miolo aposta em sistema único de envelhecimento e estabilização do produto: a imersão de garrafas em caves submarinas.

Há pouco mais de dois meses, um lote do espumante celebrado no mercado externo foi imerso no mar da província de Bretagne, no Atlântico Norte, na França. Toda a operação foi realizada em caves submarinas, criando condições ideais, não apenas para envelhecer, mas também para conferir características singulares aos vinhos submetidos a este processo. Estrategicamente mergulhadas na ilha de Ouessant, na região conhecida como Baie du Stiff, as garrafas do Miolo Cuvée Tradition Brut estão em contato com as temperaturas do mar (entre 11 e 13 °C) e do ar (de 8 a 10 °C), além de receberem as influências benéficas da constante e suave agitação marítima. As garrafas do Miolo Cuvée Tradition Brut estão dispostas horizontalmente em container especial e repousarão durante um ano na cave submersa. Os espumantes serão retirados do mar em novembro deste ano e comercializados no Brasil e na França em uma edição especial.

Vale ressaltar que o Miolo Cuvée Tradition Brut é elaborado no Vale dos Vinhedos (RS) com uvas Chardonnay e Pinot Noir pelo Método Tradicional (com a segunda fermentação na própria garrafa). O que será que podemos esperar desta técnica para o futuro e será que o mercado nacional irá aderir a esta nova "técnica"? Sintam-se a vontade de deixar suas opiniões nos comentários do blog.

Até o próximo!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Viajando? Não beba a água, beba o vinho!

Uma nova pesquisa que está circulando no meio especializado mostrou que o álcool e a acidez características do vinho podem matar os patógenos transmitidos por alimentos antes que estes possam arruinar sua viagem. Para muitos, e eu me incluo nessa, o álcool (o vinho principalmente) e as viagens andam de mãos dadas. Mesmo quando eu não estou em um país cuja bebida símbolo seja o o vinho, eu costumo comemorar meu tempo de descanso com uma taça ou duas. E embora sempre passemos do limite com relação a comida durante as nossas viagens, podendo inclusive causar uma pane em nosso sistema imunológico, estudos têm mostrado que consumir álcool poderia realmente ser uma das melhores maneiras de evitar algumas das mais desagradáveis doenças que podem arruinar nossas ​​férias.


Os males estomacais como a listeria, a salmonela e a E. coli são armadilhas comuns para os viajantes que visitam áreas onde os padrões de saneamento são mais baixos do que aqueles a que estão habituados (e seus sistemas imunológicos). Felizmente para os amantes do vinho, estudos têm demonstrado que quando o álcool é consumido, o risco de sucumbir a doenças transmitidas por alimentos diminui significativamente. A acidez elevada do álcool torna mais fácil para a acidez natural do estômago matar tais patógenos.

O cientista baseado no Reino Unido, Richard Conroy, é um fervoroso defensor quando o assunto é o consumo de bebias alcoólicas nas férias por esta mesma razão. "Se alguém estiver viajando para um lugar onde a salmonela (por exemplo) é mais comum, você pode ser protegido por ter consumido vinho ou alguma outra bebida com o jantar", disse ele a revista Wine Spectator. Ele citou resorts all inclusive como alguns dos lugares mais prováveis ​​para pegar doenças transmitidas por alimentos durante uma viagem ao exterior, especialmente quando os buffets estão envolvidos, uma vez que os alimentos podem ficar sob uma lâmpada de calor por horas a fio. As fontes de água mal tratadas são outros exemplos de vilões para a ruína da viagem de muitos.

Como fundador de uma empresa que trabalha com doenças relacionadas a férias, a SickHoliday.com, Conroy vê casos de doenças relacionadas com viagens diariamente. No ano passado, de acordo com Conroy, sua companhia ajudou mais de 15.000 indivíduos que tiveram intoxicação alimentar quando estavam de férias ou viajando. Enquanto ele disse que estava feliz em incentivar os viajantes a desfrutar de uma bebida "para fins médicos", ele brincou dizendo que repassar tal dica adiante para minimizar o risco de doenças não fará ao seu negócio qualquer favor.

Entretanto, evitar intoxicação alimentar não é tão simples como desfrutar de uma taça de vinho no seu quarto de hotel no final do dia. De acordo com Randy Worobo, professor de microbiologia de alimentos na Universidade de Cornell, a fim de inativar os patógenos, o álcool deve ser consumido tanto ao comer o alimento contaminado ou muito pouco tempo depois. A quantidade que você bebe importa, também. "Quanto maior o percentual de álcool, mais inativação você terá dos patógenos transmitidos pelos alimentos", disse Worobo. "Assim, seu vinho de 14 por cento de álcool vai ter mais efeito em termos de matar os patógenos transmitidos pelos alimentos, em comparação com menor percentual de álcool, como a cerveja." Naturalmente, Worobo não recomenda beber excessivamente, o que poderia levar a sentir-se doente por uma razão diferente.

Por fim, vários estudos encontraram evidências de que o vinho pode matar potentes bactérias. Em 2007, alguns vinhos tintos se provaram úteis na inibição do crescimento de bactérias, e um relatório de 2004 constatou que as cascas da uva, sementes e caule que sobram após a produção do vinho se mostraram mortais para a E. coli, a salmonela e o estafilococo.

Até o próximo!

Matéria originalmente postada em www.winespectator.com