quarta-feira, 26 de abril de 2017

Sam's Club vai se aventurar no Mundo dos Vinhos

Os Estados Unidos é um mercado altamente relevante quando falamos de produção, consumo e venda de vinhos, embora ainda alguns críticos torçam o nariz para todo o "capitalismo" que o envolva. A questão é que lá sempre se encontra uma maneira altamente rentável e comercial de se lançar novos produtos e alcançar o mercado consumidor. E é o caso do Sam's Club, que embora exista por aqui, não tem a dimensão nem a penetração que possui no mercado americano.


A cadeia de lojas de atacado do clube (de propriedade da Wal-Mart) vai revelar sua própria linha de vinhos este ano. O varejista provavelmente espera aproveitar o sucesso dos concorrentes, cuja venda de vinho representa 20% das vendas das lojas a cada ano. O Sam's Club já vende vinhos no momento, mas não sob sua própria marca. O primeiro vinho do Sam's Club é um Chardonnay de US $ 8 da costa central da Califórnia, de acordo com a Fortune. Em seguida, será um Cabarnet do Napa Valley e para aqueles que procuram uma maneira barata de ser chique, eles também estão desenvolvendo um Prosecco e um Champanhe.


O atacadista está atualmente passando por um processo de atualização da qualidade de seus produtos em todas as linhas. Por exemplo, eles recentemente começaram a trazer da Itália um azeite gourmet sob sua marca da casa, "Members Mark". O Sam's Club costumava ter 21 marcas próprias, mas na esperança de tornar sua mercadoria mais ágil, eles reduziram esse número para apenas um. Tudo isso faz parte de um processo de apresentar produtos mais "chiques"em suas prateleiras, a fim de atrair os clientes mais ricos. O CEO do Sam's Club chamou o movimento de um "reset para o nosso negócio." Atualmente existem 650 lojas nos Estados Unidos, geralmente perto das lojas do Wal-Mart em áreas de menor renda. A empresa quer começar a abrir mais dez por ano em comunidades mais "abastadas". As pessoas pagam uma taxa de associação esperando encontrar itens exclusivos", disse Chandra Holt, vice-presidente das marcas privadas do Sam's Club, à Fortune. Isso significa que eles estarão introduzindo 300 novos itens para suas lojas, além dos vinhos.

É uma pena que não exista, até o momento, qualquer pretensão de trazer esta nova linha de vinhos (produtos) para fora dos Estados Unidos, num futuro próximo. Estas ações no intuito de "democratizar" os vinhos sempre seriam bem vindas por aqui. Só nos resta ficar na torcida. Você, caro leitor, não concorda?

Até o próximo!

terça-feira, 25 de abril de 2017

Gimenez Mendez Alta Reserva Touriga 2013

O vinho de hoje é produzido pela Vinícola Gimenez Mendez, uma vinícola uruguaia estabelecida na mais pura área da América do Sul e totalmente pertencente e gerida pela família Gimenez Mendez. Seus vinhedos, cerca de 100 hectares, e adega estão localizados nas regiões de Las Brujas em Montevideo, Los Cerrillos e Canelón Grande, no sul do Uruguai, territórios privilegiados para a produção de vinhos. A história da família Gimenez Mendez com a viticultura data de 1929, quando produziam praticamente só vinhos de mesa. Devido a uma crise do mercado uruguaio, em meados dos anos 90, adquiriram uma outra adega mais antiga e tiveram a oportunidade de expandir seus negócios, decisão esta que se mostrou acertada com o passar do tempo. Atualmente seus vinhos podem ser encontrados no Reino Unido, Alemanha, Suíça, EUA, Brasil, Barbados e México. 


Sobre o Gimenez Mendez Alta Reserva Touriga 2013 podemos ainda acrescentar que é um vinho feito a partir de uvas Touriga Nacional da região de Las Brujas, no Uruguai, com passagem de 10 meses de maturação em carvalho francês e americano. Vamos então as impressões?

Na taça o vinho apresentou um coloração rubi violácea de grande intensidade, bom brilho e limpidez. lágrimas ligeiramente mais lentas e gordinhas, com leve coloração.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas vermelhas, especiarias, flores e leve toque mentolado.

Na boca o vinho mostrou corpo médio, boa acidez e taninos redondos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Mais um excelente vinho uruguaio que provamos por aqui, que tem mostrado, ao menos pra mim, que o Uruguai conseguiu domar a difícil Tannat e ir além desta casta, com belos caldos fugindo do estilão fruta bombada e muito álcool. Eu recomendo a prova. É mais um vinho trazido pelo Clube de Vinhos Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Cantine Povero Priore Barolo DOCG 2010

Desde o plantio da primeira vinha, a família Povero, proprietária da Cantine Povero, sentiu um forte vínculo emocional e de posse em direção à sua própria terra, juntamente com o orgulho de poder continuar a tradição de seus ancestrais cujas raízes remontam a 1837. Hoje, mais de 150.000 vinhas, mais de 140 km de linhas que cobrem 45 hectares de vinhas situadas em Cisterna d'Alba, Canale d'Alba e San Damiano D'Asti (entre as áreas de Monferrato e Roero no Piemonte - Itália) são o mote da empresa, que evoluiu em termos de distribuição e seus vinhos se tornaram hoje "experiências engarrafadas para o mundo.


Sobre o Cantine Povero Priore Barolo DOCG 2010, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito a partir de uvas Nebbiolo com passagem de 36 meses em barricas de carvalho. Sem mais delongas vamos as impressões sobre este grande vinho.

Na taça o vinho apresentou coloração rubi de média intensidade com reflexos granada, algum brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, rápidas e incolores.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos secos, flores, alcatrão, fumo, especiarias, terroso e chocolate. Muito complexidade já demonstrada no nariz.

Na boca o vinho apresentou corpo de médio para encorpado, boa acidez (o que o tornou um belo amigo para comida) e taninos marcados mas de boa qualidade. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

O vinho é elegante, complexo e poderoso, como um Barolo que se preze, contando com um bom fator custo benefício em relação a outros irmãos da "sua raça". Se você quer conhecer um Barolo (ou já conhece e gosta), recomendo que prove este. Foi um dos vinhos que embalou as comemorações de abril por aqui.

Até o próximo!

terça-feira, 18 de abril de 2017

Degustar vinho engaja, e muito, o seu cérebro!

Em seu mais recente livro publicado, Neuroenology: How the Brain Creates the Taste of Wine, Gordon Shepherd, um neurocientista de Yale, argumenta que a degustação de vinho realmente estimula o seu cérebro mais do que atividades que supostamente exercitam o cérebro como ouvir música ou até mesmo lidar com um problema complicado de matemática.

Foto propriedade de Wines of Chile & Ch2A.

De acordo com Shepherd, degustar vinho "envolve mais do nosso cérebro do que qualquer outro comportamento humano". Seu livro - essencialmente uma extensão enológica de sua publicação anterior, Neurogastronomia: Como o cérebro cria sabor e por que importa - mergulha neste processo com detalhe extremo, a partir da dinâmica fluida de como o vinho é manipulado em nossas bocas ao efeito de sua aparência, cheiro e sensação na boca para o modo como nossos cérebros processam e compartilham toda essa informação. Ele sugere que, ao contrário de algo como matemática, que utiliza uma fonte específica de conhecimento, degustação de vinho envolve o cérebro mais completamente. Ele explicou como mesmo etapas básicas de degustação de vinho podem ser mais complicadas do que parecem. "Você não apenas coloca vinho em sua boca e deixa-o lá", disse Shepherd. "Você movê-lo e depois engoli-lo é um ato motor muito complexo."

No entanto, possivelmente a parte mais complexa da degustação de vinhos - um dos pontos centrais de Shepherd e o subtítulo de seu livro - é o argumento do que quando bebemos vinho, nossos cérebros são realmente necessários para criar os sabores para que desfrutemos totalmente a experiência. "A analogia que se pode usar é a cor", explica Shepherd. "Os objetos que vemos não têm cor própria, a luz atinge-os e ai a cor surge. É quando a luz atinge os nossos olhos que ativa sistemas no cérebro que criam cores a partir desses diferentes comprimentos de onda. Da mesma forma, as moléculas no vinho não têm aroma ou sabor, mas quando estimulam nossos cérebros, o cérebro cria sabor da mesma forma que cria cor ".

É uma filosofia bastante complexa para envolver nossa cabeça mas, ao final das contas, ao que tudo indica ainda não sabemos do total potencial que nosso cérebro possui. Quem sabe o que o vinho pode nos fazer?

Até o próximo!

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Pitars Cuvée Prestige Extra Brut

A história da Pitars, produtora do vinho espumante de hoje, é a história de uma família, de seu amor pelo vinho, uma história indissociavelmente ligada à terra e vinhedos que cultivou durante décadas. A vinícola Pitars está localizada em San Martino al Tagliamento, na DOC Friuli Grave. A atual geração de família Pittaro em Friuli, na Itália, chamados de "Pitars", está a frente da empresa hoje, mantendo viva a tradição da família. A filosofia da empresa sempre foi sinônimo de qualidade: viticultura e enologia são pilares de uma unidade percebida por sua excelência. A responsabilidade ambiental, pesquisa e vanguarda tecnológica e o desenvolvimento da área a torna um símbolo de qualidade do Made in Friuli, uma qualidade que se renova a cada colheita.


Sobre o Pitars Cuvée Prestige Extra Brut, podemos ainda acrescentar que é um vinho espumante elaborado com as uvas Glera , Ribolla Gialla e Verduzzo Friulano provenientes do Friuli, na Itália. Se entendi bem, a segunda fermentação ocorre em tanques de inox, ou seja, pelo método charmat. Vamos as impressões?

Na taça o vinho espumante apresentou coloração amarelo palha com reflexos dourados, ótimo brilho e limpidez. Boa formação de perlage, fina, constante e em boa quantidade.

No nariz o vinho espumante apresentou aromas de frutos cítricos e tropicais e leve lembrança floral.

Na boca o vinho espumante era cremoso e fresco, com o retrogosto confirmando o olfato. O final era de média duração.

Uma boa surpresa este vinho espumante vindo da Itália. Elaborado com uvas pouco conhecidas do público brasileiro (exceção a Glera, conhecida pelos vinhos Prosseco), deve harmonizar bem com comidas mais simples e leves, com uma boa conversa ou pode ser bebido sozinho mesmo, especialmente em dias de calor intenso. Mais um vinho do clube de vinhos da Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

quarta-feira, 12 de abril de 2017

El Enemigo Chardonnay 2015

Como alguns já devem ter notado em minhas redes sociais, cujos links se encontram em outra aba aqui do blog, este mês é meio carregado de comemoração e emoções para minha pessoa, afinal é o mês em que comemoro minha passagem de primaveras e também, dois dias depois, comemoro o aniversário de casamento. Em virtude disso, sempre tentamos aproveitar as oportunidades e tomar alguns bons vinhos, comer boas refeições, enfim, brindar a tudo e a todos. E foi numa destas comemoração que tomamos o vinho alvo do post de hoje, o El Enemigo Chardonnay 2015.


A Bodega El Enemigo foi fundada em 2007 e se encontra aos pés dos Andes, com vinhedos espalhados por Mendoza, especialmente em Luján de Cuyo, se utilizando das altitudes favoráveis e de clima propenso a produção de uvas de grande qualidade. É também um projeto de dois nomes de peso no cenário argentino: o enólogo Alejandro Vigil, um dos mais talentosos enólogos argentinos da atualidade, e Adrianna Catena, filha de ninguém menos que Nicolás Catena, dois românticos no que fazem e que nutriam uma paixão em comum que veio a uni-los ao redor do vinho. Uma curiosidade é que o nome El Enemigo faz referência ao inimigo que todos temos que lidar no dia a dia: nós mesmos. Tendo à sua disposição uma ampla gama dos melhores vinhedos da região de Mendoza — pertencentes à família CatenaAlejandro Vigil selecionou parcelas específicas das uvas que pudessem dar origem a vinhos com uma personalidade distinta dos talhados por ele em Catena Zapata

Falando um pouco mais do El Enemigo Chardonnay 2015 em si, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito 100% com uvas Chardonnay com passagem de 12 meses em carvalho francês (35% novo). Sem mais delongas, vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração amarelo dourado muito brilhante e límpido. Lágrimas finas, de média velocidade e sem cor também compunham o aspecto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos cítricos e tropicais, fósforo, manteiga, mel e toques minerais. 

Na boca o vinho se mostrou untuoso e guloso mas com uma ótima acidez. O retrogosto confirma o o olfato e o final era longo e saboroso. 

Um grande vinho branco argentino sem dúvidas, tem aquela pegada da madeira mas que não sobrepõe a fruta e não a deixa em segundo plano. Ao mesmo tempo entrega um frescor que trabalha muito bem para a limpeza do palato. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

terça-feira, 11 de abril de 2017

Cusumano Syrah Terre Siciliane IGT 2013

Finalizando a série de posts sobre a uva Syrah, temos um intruso de última hora e vejam só, do Velho Mundo. Hoje falaremos de um Syrah curioso, vindo diretamente da Sicília, na Itália. Estamos falando do Cusumano Syrah Terre Siciliane IGT 2013


A Cusumano é uma vinícola familiar que tem em torno de sessenta anos. Originalmente apenas um produtor de uvas em diversas regiões da Itália, o foco começou a mudar em 1993 e a primeira safra da vinícola foi lançada em 2000. Hoje a vinícola está em sua segunda geração sob a orientação de dois irmãos Alberto e Diego Cusumano. Alberto tem formação em enologia e dirige a produção na adega. Diego com seu background em negócios e propaganda controla o marketing e as vendas da empresa. Contam ainda com a consultoria do enólogo. A Cusumano possui várias vinhas em diferentes áreas da Sicília. A região de Ficuzza está no norte e é aproximadamente 220 m acima do nível do mar. Esta área é mais adequada para vinhos brancos. No centro da Sicília, onde os solos são brancos e calcários, a uva mais popular da Sicília, a Nero d'Avola é cultivada. Esta região é conhecida como San Giacomo. Além disso, a Cusumano está criando vinhos que representam uma perspectiva moderna e inovadora para os vinhos da Sicília. Eles estão fazendo grandes vinhos aos pés do Monte Etna e seus solos vulcânicos ao mesmo tempo que está transmitindo o importante papel da uva Nero d'Avola na cultura do vinho italiano e aproveitando as uvas internacionais de maneira inteligente e deliciosa.

Falando agora especificamente do Cusumano Syrah Terre Siciliane IGT 2013, podemos ainda acrescentar que este é um vinho feito 100% com uvas Syrah da região de Presti e Pegni, em Monreale, sendo que estas vinhas tem idade média de 13 anos. após a fermentação o vinho fica em contato com as borras envelhecendo em tanques de inox por aproximadamente 5 meses antes de ser engarrafado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de média para grande intensidade com bordas levemente atijoladas. Bom brilho e limpidez somam-se a lágrimas finas e quase incolores.

No nariz o vinho se mostrou mais austero, com aromas de frutos vermelhos, especiarias, azeitonas e toque terrosos. Algo de fumaça ao fundo também apareceu com algum tempo do vinho em taça.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos marcados mas de boa qualidade. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Chegamos ao fim destas postagens com vinhos feitos a partir da uva Syrah e a sinceramente, não sei ao certo dizer qual mais me agradou. Este último tem um tom mais austero, aquela lembrança terrosa que normalmente me remete a vinhos italianos ao passo que os outros do novo mundo aquela pujância e força. Cada um tem sua ocasião e nenhum deles foi um vinho ruim. Eu recomendo a prova de todos.

Até o próximo!

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Lote "d" Syrah 2013 by Polkura

Inicialmente este seria o terceiro e último post dos Syrahs do Novo Mundo mas, de última hora, apareceu um Syrah do Velho Mundo e este será então o derradeira post sobre o assunto. Voltando hoje as postagens sobre o assunto, vamos falar do Lote "d" Syrah 2013 by Polkura.


A Viña Polkura é um projecto vitivinícola, iniciado em 2002 pelas famílias Muñoz e Bruchfeld, com o objectivo de fazer um vinho excepcional, baseado na excitante variedade Syrah. Marchigue, o extremo ocidental do Vale de Colchagua no Chile foi escolhido como o local ideal, porque mostrou o potencial enorme produzir este varietal.O nome Polkura remete a uma montanha na extremidade mais ocidental do Vale do Colchágua onde os vinhedos estão localizados, e está escrita na língua Mapuche, povo antigo do Chile. Polkura significa "pedra amarela" e faz também menção ao solo granítico da região que possui coloração amarelada. Apesar da proximidade com o oceano, a cadeia montanhosa segura um pouco das brisas marítimas mais frescas, fazendo com que o micro clima da região se torne algo temperado.

Sobre o Lote "d" Syrah 2013 by Polkura, podemos ainda dizer que é um vinho feito a partir de uvas 100% Syrah de uma parcela 100% voltada para o norte, o que significa que o vinhedo recebe mais sol.O solo é ligeiramente diferente do restante dos vinhedos, com mais calcário do que argila. O vinho amadurece em tanques de inox, sem madeira. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e coloridas. 

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, especiarias, chocolate amargo, defumados, herbáceos e toques de tostado.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos redondos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de curta para média duração. Talvez um dos pontos fracos deste vinho.

Mais um bom exemplar de Syrah degustado por aqui. Vamos aguardar o próximo e derradeiro final para darmos um veredicto sobre qual deles mais agradou.

Até o próximo!

terça-feira, 4 de abril de 2017

Guaspari Syrah Vista do Chá 2014

O vinho de hoje já despertava minha curiosidade a algum tempo mas, por uma série de motivos que não vem ao caso agora, eu ainda não tinha conseguido a oportunidade de prova-lo. Até agora. A segunda parte da nossa incursão na uva Syrah nos leva ao estado de São Paulo (quem diria) com o Guaspari Syrah Vista do Chá 2014. Vamos ver o que este vinho nos reserva? Mas antes, um pouco de história, diretamente do site do produtor.


Uma família de origem ligada ao campo, com espírito inovador e empreendedor, chega em 2001 a uma região tradicionalmente cafeeira e identifica condições muito favoráveis à viticultura. Era o começo do sonho que se transformaria na Vinícola Guaspari. As terras altas de Espírito Santo do Pinhal se tornaram sinônimo da convivência em família e do prazer de estar junto. A paixão pelo vinho e o desejo de retribuir à região toda a alegria proporcionada foram acentuados por uma rica e curiosa combinação de fatores: a semelhança da paisagem da fazenda com a da Toscana, a origem italiana da maioria da população local e da família, o terreno granítico, a oportunidade de adquirir videiras de uma estação experimental e o desenvolvimento de uma nova tecnologia por um pesquisador brasileiro radicado em Bordeaux. Em 2006, foram plantadas as primeiras videiras, que ocuparam seis hectares. Eram mudas de diversas variedades francesas, escolhidas em virtude das características do terroir da região. Dois anos após o primeiro plantio, a vinícola foi construída. Tendo nascido em uma antiga tulha de café, com projeto que preservou o estilo arquitetônico das antigas fazendas da região, integrou-se à cultura e à estética locais. O primeiro vinho foi produzido em 2008, de maneira artesanal. Foram apenas 30 garrafas, que reforçaram o potencial do projeto. A partir desse momento, não se mediram esforços para trazer para a Guaspari o que havia de melhor no mercado mundial. Gradualmente a área de plantio de parreirais veio sendo ampliada. Hoje são 50 hectares de vinhedos próprios a partir dos quais todo o vinho é produzido.

Já sobre o Guaspari Syrah Vista do Chá 2014, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito 100% com uvas Syrah de vinhedos próprios da região de Espirito Santo do Pinhal e que passa por envelhecimento por 24 meses em barricas de carvalho francês. Sem mais delongas, vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi violácea profunda, escura mas brilhante e límpida. Lágrimas finas, rápidas e coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros bem maduros, especiarias (principalmente as picantes), flores, cacau e chocolate. Ao fundo da taça ainda foi possível sentir leve tostado. 

Na boca o vinho apresentou corpo médio, muita suculência e taninos redondos. O retrogosto confirmou o olfato e o final era longo e bem saboroso.

Um bela e grata surpresa em se tratando de vinho brasileiro que pode ser comparado a alguns bons vinhos da mesma casta produzidos mundo a fora. Ainda questiono um pouco o preço mas, vale e muito a prova.

Até o próximo!

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Oxford Landing Estates Shiraz 2011

O post de hoje inaugura uma série de 3 postagens até certo ponto comparativas em que a estrela é a uva Syrah. Escolhemos 3 países diferentes que plantam a uva e resolvemos fazer este mini comparativo. Vale ressaltar que os três vinhos vem de países considerados Novo Mundo quando falamos de vinhos. Vamos ver o que temos por aqui hoje na postagem inicial?


A vinícola Oxford Landing Estates está situada nas margens do majestoso rio Murray, no sul da Austrália. O vinhedo Oxford Landing tem o nome de um local próximo onde os uma vez foi palco de pastoreio e criação de ovelhas. Hoje é o lar de um bando leal de pessoas da terra que se orgulham muito em fazer vinhos de qualidade, apreciado em todo o mundo. Embora possuam 650 acres de vinhas, o pessoal da Oxford Landing teima em agir como um vinícola de pequeno porte. E sabem por que? Eles micro-gerenciam 130 blocos de cinco acres cada como se fossem ecossistemas separados, por isso se tornaram intimamente familiarizados com cada bloco e podem dar as uvas exatamente o que elas precisam para alcançar o seu melhor. A abordagem de "pequena escala" continua na adega com métodos normalmente reservados para a vinificação boutique. Assim sendo, todos seus vinhos são engarrafados na adega própria, garantindo um ciclo completo do vinhedo ao engarrafamento a fim de garantir a qualidade exigida em cada garrafa.

Já sobre o Oxford Landing Estates Shiraz 2011 podemos ainda acrescentar que é um vinho feito com uvas 100% Shiraz (Syrah, como também pode ser grafada) com passagem de 12 meses em tanques de aço inox antes de ser engarrafado e liberado ao mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de grande intensidade, bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, espaçadas e coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros maduros, especiarias, flores, chocolate e leve toque defumado.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, uma suculenta acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Um ótimo vinho Syrah australiano que degustamos por aqui, que fez com que nossa série de degustações desta uva em diferente locais começasse com  o pé direito! Mal posso esperar pelos próximo capítulos.

Até o próximo!