sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Angel Cabernet Sauvignon 2013

A Angelus Estate, produtora do vinho de hoje, está localizada perto da barragem de Zhrebchevo, em Nova Zagora, na Bulgária. Possui 106,5 ha de vinhas que incluem as seguintes variedades: Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Syrah, Petit Verdot, Chardonnay, Sauvignon Blanc, Traminer e Viognier. A sala de fermentação está sob o solo, com escotilhas de acesso no chão. Desse modo, as uvas chegam aos tanques de fermentação usando apenas gravidade.Existem duas caves para envelhecimento de vinhos em barricas tonéis e com níveis controlados por temperatura. Tudo isso resulta em alguns dos mais emblemáticos vinhos oriundos deste país do leste europeu.


Falando agora do Angel Cabernet Sauvignon 2013, podemos ainda acrescentar que o vinho é produzido a partir de uvas 100% Cabernet Sauvignon com amadurecimento de alguns meses em barricas de carvalho. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e com alguma cor também se faziam presentes.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos maduros, especiarias, chocolate e algo de tostado. 

Na boca o vinho apresentou corpo médio a encorpado, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Mais uma boa opção de vinho búlgaro que tivemos o prazer de provar por aqui. Mais um vinho apresentado pelo clube de vinhos da Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Enobrasil 2017: O vinho nacional que surpreende

Como eu já disse a alguns posts atrás, o mercado de vinhos nacionais tem evoluído com uma velocidade muito interessante, transformando regiões até então impensáveis em produtores de vinho. Reforçando o que eu disse por lá, deixemos de lado ainda o termo terroir, empregado a locais "seculares" e que possuem toda uma cultura ancestral quando falamos de cultivo de uvas e produção de vinhos, coisa que o Brasil ainda não tem a curto e médio prazo. E não existe uma maneira melhor de ter contato com este "novo" mercado nacional de vinhos do que um evento como o Enobrasil 2017 que ocorreu no último mês de agosto e que tive a oportunidade de visitar.

A sommelière Mikaela Paim que dentre outras atividades, é sommelière desde 2007, Presidente da Confraria Vinhos do Brasil, colaboradora da Osteria Generale há 15 anos e ainda trabalha com consultorias e Eventos Enogastronômicos além de guiar grupos de viagens enoturísticas com a Agência Stell Tour Turismo, acerta novamente em trazer a um mesmo espaço produtores nacionais de vinhos, queijos, azeites e outros alimentos/bebidas que vem surgindo por todos os cantos do nosso país. Para se ter como base, tivemos vinhos que vinham do Sul (Rio Grande do Sul e Santa Catarina), Nordeste (Pernambuco), Sudeste (São Paulo e Minas Gerais) e por ai vai. E esse foi o mote do evento: a diversidade de produtos e regiões que o país produz e que ainda não temos acesso.


Mantendo o padrão que tenho aplicado por aqui, pretendo apontar vinhos e vinícolas que mais me surpreenderam durante o evento (afinal, somos um blog de vinhos). O maior exemplo que tive neste evento foi uma pequena vinícola do interior de São Paulo (mais especificamente de Amparo), a Vinícola Terrassos. O surgimento deste empreendimento em solos paulistas se deu em 2003 com o início da plantação das vinhas (cerca de 20 variedades viníferas foram testadas) e as primeiras garrafas começaram a sair em 2010. Existe ainda o curioso uso da casta Máximo, desenvolvida em solos paulistas pelo cruzamento de uvas Seibel 11342 e Syrah. O vinho apresentado, um blend de Syrah e Máximo, se mostrou rústico e instigante, com aromas de frutos vermelhos e especiarias, além de um certo toque terroso. Em boca corpo médio e taninos marcados. Pareceu bem gastronômico. 


Outro destaque positivo vem do nordeste com a Vinícola Rio Sol e o seu Rio Sal Gran Reserva Alicante Bouschet (não poderia ser diferente, afinal a empresa pertence a Global Wines, com sede na região do Dão, em Portugal, e usar uma casta portuguesa faz sentido aqui, dadas as devidas ponderações). O vinho resultante é de médio corpo, boa acidez e taninos macios. Aromas de frutos vermelhos, especiarias, flores, chocolate e algo de tabaco. Tende a agradar paladares diversos.


Por fim, do Rio Grande do Sul (Campanha Gaúcha) vem o Cordilheira de Sant'Ana Tannat 2005. A vinícola homônima (Cordilheira de Sant'Ana) está localizada numa mesma latitude de grande áreas vinícolas de nossos hermanos mais reconhecidos mundialmente, o que já dá uma dica de que coisas boas podem vir daqui. Foi fundada em 1999 e os proprietários são o casal de enólogos Rosana Wagner e Gladistão Omizzolo. O vinho é muito escuro e denso, mesmo com tanto tempo em garrafa. Trouxe aromas de frutos escuros em compota, especiarias, flores, cacau e toques de minerais e animais. Em boca é encorpado com taninos domados e acidez na medida. Evoluído e elegante, um vinho que empolga.

E como era de se esperar, o Enobrasil 2017 cumpriu seu papel de forma magistral, apresentando o consumidor brasileiro aos produtos disponíveis em seu próprio país e que devem ser consumidos por aqui. Incrível é quebrar paradigmas e verificar que o Brasil pode sim fazer bons vinhos, em diversas regiões do país, e que pode sim competir com alguns de nossos vizinhos. O evento tende a crescer de tamanho e "conteúdo" já para o próximo ano, segundo a Mikaela. É o que nós esperamos. Vale a pena esperar até lá.

Até o próximo!

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Beau-Séant Merlot 2008

O vinho de hoje é produzido pela Stambolovo Winery, situada no sul da Bulgária, em estreita proximidade com as fronteiras com a Grécia e a Turquia. A região é de importância geográfica chave. O caminho mais curto da Europa para a Ásia e Ásia Menor passa por estas terras. Muito provavelmente esta foi a via pela qual as primeiras videiras foram trazidas para o que é hoje o território da Bulgária. Esse fato se deve, em grande certeza determinar a região como um dos primeiros centros de vinificação na Europa. Com uma história de quase 80 anos de atividade, atualmente a vinícola está entre os principais produtores de vinho na Bulgária. Devido às características benéficas climáticas e terroir da região, bem como a qualidade e tradição comprovada, hoje a marca Stambolovo é considerado pela maioria dos profissionais de negócios do mundo do vinho como a vinícola com os melhores, de maior qualidade e mais típicos vinhos Merlot na Bulgária.


Falando sobre o Beau-Séant Merlot 2008, podemos dizer que este vinho faz parte de uma coleção especial de vinhos, produzidos e engarrafados mediante marcação e licença sob o controle da Ordo Supremus Militaris Templi Hierosolymitani - Magnus Prioratus Magistralis Bulgariae, a ordem dos Templários, ordem militar de monges guerreiros foi fundada sob o nome de Os Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, posteriormente conhecida com o nome atual, Ordem dos Templários, cujo lema era: Non Nobis Domine, Non Nobis, Sed Nomini Tuo Da Gloriam (Não para nós, Senhor, não para nós, mas para o seu nome dar glória). 

Passando aos detalhes viticulturais do vinho, acrescentamos que o vinho é feito com uvas Merlot de uma microrregião controlada no sul da Bulgária, com amadurecimento em carvalho e posterior envelhecimento em garrafa, para liberação ao mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de grande intensidade com algum brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e incolores também faziam parte do aspecto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos maduros, especiarias doces, chocolate amargo e leve toque de tabaco.
Na boca o vinho apresentou corpo médio, acidez na medida e taninos fininhos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Mais um belo vinho que foi apresentado pelo Winelands Clube do Vinho, o clube que eu assino e recomendo. E mais vindo das terras de meus antepassados, alimentando minha vontade de um dia passar por lá e verificar tudo isso e muito mais in loco.

Até o próximo.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Comenda Grande Tinto 2014

A exploração agrícola da Comenda Grande, produtora do vinho de hoje, foi iniciada por Maria José de Almeida Margiochi, neta de José Maria Eugênio de Almeida (hoje Fundação Eugênio de Almeida). Herdada pela senhora D. Maria Madalena de Noronha e seu marido D. João de Noronha, esta exploração agrícola de referência da casa Margiochi é hoje continuada por sua filha Maria de Lourdes S.A. de Noronha Lopes, pelo seu marido Eng. António Lopes e pelos filhos, compreendendo uma área de 750 hectares. Na vinha instalada, em que cerca de 36 hectares são castas tintas e 7 hectares castas brancas, privilegiaram-se as castas mais marcantes do Alentejo – Trincadeira e Aragonez nas tintas e Arinto e Antão Vaz nos brancos mas existem outras tais como Alfrocheiro, Tinta Caiada, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Syrah e Baga nas tintas, bem como Verdelho, Sauvignon Blanc e Roupeiro nas brancas. A Comenda Grande está sediada em Arraiolos, Alentejo, Portugal.


Falando sobre o Comenda Grande Tinto 2014 especificamente, podemos acrescentar que é um vinho feito a partir de um corte das uvas Aragonez, Alicante Bouschet e Trincadeira complementadas por Syrah, Tinta Caiada, Alfrocheiro e Cabernet Sauvignon. Após a fermentação o vinho passa por amadurecimento de 12 meses em barricas de carvalho francês e envelhecimento em garrafa de 6 meses. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de grande intensidade com ligeiro halo granada, bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas também faziam parte do conjunto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, especiarias doces, baunilha e flores.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, acidez na medida e taninos macios e redondos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Mais um bom vinho português degustado e aprovado por aqui que vale a prova, eu recomendo.

Até o próximo!

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Visitando a Vinícola Guaspari em SP

Eu confesso que sempre fui muito cético com vinhos nacionais, embora tenho visto uma boa evolução nos últimos anos, principalmente no tocante ao uso do termo terroir único e coisas correlatas. Afinal, mundo a fora, o termo terroir é empregado a locais "seculares" e que possuem toda uma cultura ancestral quando falamos de cultivo de uvas e produção de vinhos, coisa que o Brasil ainda não tem a curto e médio prazo. De qualquer forma, a descoberta de novas regiões produtoras de vinho de qualidade aqui no Brasil tem despertado atenção e portanto eu, como apreciador da bebida de Bacco, quis conhecer mais sobre o assunto. E em mais um "capítulo" da viagem enoturística adquirida junto a Stelltour Viagens, uma agência de viagens que tem como mote viagens com destinos relacionados ao vinho, fomos brindados com a visita a uma das vinícolas que muito tem se falado aqui no Brasil e também em alguns lugares do mundo, a Vinícola Guaspari.



A menos de 200 km de São Paulo encontramos a cidade de Espírito Santo do Pinhal, que possui aproximadamente 50.000 habitantes, onde está localizada a Vinícola Guaspari, uma das mais belas e premiadas vinícolas nacionais. O início da vinícola se deu em 2001, pelo menos conceitualmente, com a chegada de uma família muito ligada ao campo a esta região tradicionalmente cafeeira e identifica condições muito favoráveis à viticultura e depois fisicamente falando, com a aquisição de uma antiga propriedade, já em 2002. A altitude, clima seco, amplitude térmica elevada principalmente na época da colheita e demais característica do local foram o chamariz.




Na companhia de uma enólogo da casa, o passeio se inicia em frente a um imponente logo da empresa e segue até os vinhedos, que aprendemos mais tarde terem sido plantados em meados de 2006 com algumas mudas importadas da França, e que para obter-se o vinho ali, o sistema de dupla poda foi empregado, criando o que chamamos de "colheita de inverno". O termo "terroir de inverno" surge novamente. Aqui descobrimos que cerca de 80 ha da propriedade estão cobertas com vinhas, dentre as quais encontramos Sauvignon Blanc, Syrah, Cabernet Franc e Sauvignon, entre outras. Continuamos então a visita ao restante da vinícola, do recebimento das uvas a parte produtiva, tanques, engarrafamento, caves de envelhecimento em barricas e em garrafa até o derradeiro final na sala de degustação. Tudo com muita tecnologia empregada, afinal o investimento feito ali passa da casa do milhão de reais. Além disso, descobrimos também que a vinícola conta ainda com o enólogo-residente chileno Cristian Sepúlveda e consultoria do americano Gustavo González, que são quem assinam os rótulos. Além do visual acachapante da vinícola e da região, a hora mais esperada é a da degustação, e como de praxe por aqui, iremos destacar dois vinhos para vosso deleite.


O primeiro vinho a destacarmos aqui é o Sauvignon Blanc Vale da Pedra 2015, um vinho que apesar de ser feito com uvas 100% Sauvignon Blanc, passa por um "blend" onde parte da fermentação foi realizada em tanques de inox e tanques de concreto em formato de ovo de concreto (tecnologia que proporciona a micro-oxigenação e uma fermentação mais delicada) e a a outra parte do vinho estagiou em barrica de carvalho francês de 600 litros. Após 12 meses, fez-se uma assemblage do tanque com a barrica. Como resultado temos um vinho de coloração amarelo palha bem clarinha com alguns reflexos dourados. No nariz aromas de frutos cítricos e tropicais, aspargos e uma leve lembrança floral. Na boca apresentou corpo leve para médio, acidez na medida e retrogosto marcado pelo cítrico, mas que confirma o olfato. Um bom vinho, mais equilibrado que muitos chilenos disponíveis por aqui. 


O segundo vinho foi o Syrah Vista da Serra 2014, considerado um dos ícones da vinícola. Como o próprio nome já diz, o vinho é feito com uvas 100% Syrah da parcela que dá nome ao vinho, "Vista da Serra", com amadurecimento de 20 meses em barricas de carvalho francês. Como resultado, observamos um vinho de coloração violácea profunda, escura, com algum brilho e limpidez. No nariz o vinho apresentou aromas de frutos negros em compota, especiarias, chocolate e algo que lembrava eucalipto. Em boca o vinho se mostrou encorpado com boa acidez e taninos redondos. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo e saboroso. Excelente vinho, bate de frente com a maioria de seus "concorrentes" chilenos e argentinos.



Incrível é quebrar paradigmas e verificar que o Brasil pode sim fazer bons vinhos, em diversas regiões do país, e que pode sim competir com alguns de nossos vizinhos. Tudo isso numa paisagem incrível e com muita organização, investimento e coisa e tal. O grande questionamento que eu deixo aqui é que, dadas todas as variáveis envolvidas no processo produtivo e de vendas de vinho (como a de taxação e impostos, a mais sensível no mercado nacional), o preço aplicado aos vinhos nacionais não me parecem compatíveis com o que o mercado consumidor está disposto a pagar, nem tem condições para tal. Gostaria de saber a opinião de vocês.

Conforme eu havia dito anteriormente, esta visita foi parte de um pacote de viagem enoturística preparada e apresentada pela Stelltour Viagens, uma agência de viagens que tem como mote viagens com destinos relacionados ao vinho. Atualmente a agência tem criado pacotes relacionados ao mundo do vinho no Brasil em conjunto com a sommeliére Mikaela Paim, que dentre outras atividades, podemos citar que é sommelière desde 2007, Presidente da Confraria Vinhos do Brasil, colaboradora da Osteria Generale há 15 anos e ainda trabalha com consultorias e Eventos Enogastronômicos. Eu recomendo tanto a visita como os pacotes de viagens da agência.

Até o próximo!

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

La Conreria Priorat 2010

La Conreria d'Scala Dei, produtora do vinho de hoje, nasce da vontade e do entusiasmo de um grupo de pessoas historicamente ligadas ao Priorat, com o desejo de compartilhar com o mundo os vinhos magníficos que são feitos nesta terra. O nome da adega contém em si uma história e um legado que nos levam a conhecer uma antiga tradição. Situada na antiga vila de Scala Dei, à direita do belo Montsant (montanha santa) e ao lado do mosteiro do século 12, Cartoixa d' Scala-Dei, é hoje o símbolo da região de Priorat. Da antiga propriedade da família Rialp, houve a modernização de suas instalações para fazer os vinhos e compartilhar o legado histórico desta terra e suas pessoas nos magníficos arredores de Scala dei e Priorat e com seus visitantes. Com uma cuidadosa seleção de videiras e clusters, dos 265 hectares arrendados e de propriedade, e com todo esforço por trás de cada uma das 85.000 garrafas que são produzidas anualmente, esses vinhos se tornam realidade com a marca peculiar de El Priorat.


Sobre o La Conreria Priorat 2010, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito a partir das castas Garnacha, Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah e Cariñena com fermentação malolática acontecendo em barrica onde permanece para amadurecimento sobre as leveduras por aproximadamente 3 meses. Após, o vinho ainda envelhece 4 meses em garrafa antes de ser liberado para o mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de média para grande intensidade com algum brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e praticamente incolores também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, eucalipto, especiarias, ervas, tabaco e algo de café com leite.

Na boca o vinho se mostrou encorpado com boa acidez e taninos redondos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Um excelente vinho espanhol provado por aqui. elegante, complexo e que evolui com o tempo em taça. Creio estar em seu ápice. Eu recomendo a prova.

Até o próximo.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Quinta de Camarate Tinto 2014

Falar da José Maria da Fonseca, produtora do vinho de hoje, é um tanto quanto difícil dado seu tamanho, importância e história no mundo do vinho de Portugal. Para se ter uma ideia, a empresa foi fundada em 1834 e a sua marca mais famosa de vinhos, a Periquita, lançada ainda em 1850. Nem mesmo a morte do fundador, o Sr. José Maria da Fonseca ainda em 1884, fez com que seu legado se perdesse e a família assumiu a empresa, desde então. A partir daí, diversas novas marcas e produtos foram lançados tanto no mercado português como também nos mercados internacionais (o Brasil incluído). Hoje é um dos líderes nas áreas da produção e comercialização de vinhos de mesa e generosos, encontrando-se as suas marcas presentes em mais de 70 países, possuindo mais de 30 marcas, distribuídas por vinhos de mesa, generosos e licorosos, e por cinco regiões: Península de Setúbal, Alentejo, Douro, Dão e Vinhos Verdes.


Situada em Azeitão, perto de Setúbal, a Quinta de Camarate foi adquirida por Antonio Soares Franco Jr. em 1914 e é hoje propriedade dos irmãos António e Domingos Soares Franco, os proprietários da José Maria da Fonseca. Esta quinta tem uma área de 120ha, 39 dos quais estão plantados com vinhas. A restante parte é utilizada para pasto das ovelhas que dão origem ao famoso queijo de Azeitão. As vinhas da Quinta de Camarate estão plantadas em solos argilocalcários, localizados no sopé da Serra da Arrábida. Nesta propriedade foram plantadas, para além das castas destinadas à produção de vinho, castas portuguesas e estrangeiras, que constituem a coleção ampelográfica da José Maria da Fonseca com mais de 560 castas. Com a replantação das vinhas iniciada em 1994 e a introdução de novas castas, foi possível modernizar o estilo dos vinhos lá produzidos.

Falando agora do Quinta de Camarate Tinto 2014, podemos afirmar que o vinho é feito a partir de um corte das castas Touriga Nacional (48%), Castelão (30%), Aragonês (17%) e Cabernet Sauvingon (5%) sem passagem por madeira. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de grande intensidade, bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e quase incolores se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, flores, especiarias, toques mentolados e de ervas. 

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Mais uma boa opção de vinho para o dia a dia trazido pelo Pão de Açúcar e que tende agradar os paladares dos iniciantes e dos mais experientes, por que não? Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Visitando a Vinícola Casa Geraldo em MG

Após apenas dois anos da fundação da cidade de Andradas, no Sul de Minas Gerais, em 1892, as primeiras mudas de videiras começaram a ser plantadas por lá, trazidas por um imigrante italiano que viu na região condições ideais para a produção de uvas e a consequente mudança de vida com o dinheiro que viria do negócio. A partir daí se deu o desenvolvimento do que muitos chamam de a "Terra do Vinho" na região, com a criação de aproximadamente 56 adegas. A localização privilegiada aos pés da Serra da Mantiqueira, o clima seco, a amplitude térmica e a altitude da região criam um terroir diferenciado na região, o terroir de inverno como tem sido chamado hoje em dia.



A Vinícola Casa Geraldo é sinônimo de tradição e está profundamente ligada também a história da cidade. Geraldo Marcon e seu pai dividiram experiências e, na busca de prosperidade econômica, viram na produção de uvas uma solução. Parte do processo entretanto consistia na aquisição de propriedades para abrigar estas produções. Foi ai que se deu a expansão territorial da vinícola em solo mineiro e as primeiras produções de vinho de garrafão para venda a granel. Tudo isso em meados dos anos 60. Com o falecimento de Geraldo Marcon, assume seu filho, Luis Marcon, e assim sucessivamente até chegarmos aos dias atuais com a quinta geração da família a frente dos negócios. Mas é com a entrada das novas gerações que a busca pela aplicação de novas tecnologias e a produção de vinhos finos aconteceu e se desenvolve até os dias atuais. São efetuadas duas podas e duas safras anuais, uma com as uvas americanas e outra com a uvas viníferas contando com a ajuda da Embrapa. Hoje são produzidos cerca de 2,5 milhões de litros de vinhos, ainda que numa divisão de 65% de vinhos de mesa e 35% de vinhos finos e espumantes, aproximadamente. Aliás, uma curiosidade aqui é que a Casa Geraldo pode ser considerada a pioneira na produção de vinhos espumantes feitos fora do Sul do país.



O visitante que se dispõe a vir até Andradas vai poder conhecer um pouco mais de perto como é o terroir da Serra da Mantiqueira, a história da vinícola até os dias atuais, todo processo produtivo da empresa além é claro de provar vinhos e produtos da região. As instalações da vinícola contam ainda com um bar, restaurante, auditório e loja. Os carros chefe da vinícola, no tocante aos vinhos finos (nosso foco aqui), são vinhos feitos a partir das castas Syrah e Sauvignon Blanc, castas estas que aparentemente melhor se adaptaram ao terroir de inverno de Andradas. Entretanto podemos ainda encontrar uvas como Cabernet Sauvignon e outras. Como de praxe por aqui, vou destacar alguns vinhos que entendo serem relevantes para vocês que acompanham o blog. Espero que gostem.


O primeiro vinho a comentarmos por aqui é o Casa Geraldo Relicário Rosé Brut, um vinho espumante feito com 100% de uvas Pinot Noir pelo método charmat (segunda fermentação em tanques de inox). Um espumante de coloração rosada um pouco mais escura que a casca de uma cebola com bom brilho, limpidez e formação de perlage consistente. Aromas de frutos vermelhos, leve toque de panificação e algo floral. Na boca é fresco, leve e com boa persistência. Grata surpresa.


O próximo vinho que iremos comentar aqui é o Casa Geraldo Family Reserve Cabernet Sauvignon 2012, um vinho feito a partir de um lote experimental de uvas Cabernet Sauvignon que passou por 18 meses em barricas de carvalho para amadurecimento. Feito, num primeiro momento, apenas para ser servido nas reuniões da família Geraldo, acabou sendo compartilhado e se tornou um "ícone". Como resultado temos aqui um vinho de coloração intensa com pouco brilho e boa limpidez. No nariz o vinho trás os aromas de frutos escuros maduros, especiarias, baunilha, tabaco e algo de tostado. Na boca o vinho encorpado de boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração. Bom vinho principalmente para acompanhar refeições.



Por fim, falaremos de outro espumante por aqui, este mais elabora e duma linha considerada superior. Estou falando do Espumante Casa Geraldo Memórias, um espumante feito com uvas 70% Chardonnay e 30% Pinot Noir através do método champenoise (segunda fermentação em garrafa) com cerca de 36 meses de contato com as leveduras. Como resultado temos um vinho espumante de coloração amarelo palha de boa limpidez e brilho. Excelente formação de uma perlage persistente e elegante. No nariz aromas de frutos cítricos e tropicais, panificação, mel e flores. Muito fresco e untuoso com um retrogosto que confirma o olfato. Final longo e saboroso. Ótima pedida.


Depois de visitarmos todo complexo enoturístico da vinícola ainda pudemos provar e aproveitar o restaurante da mesma, onde o almoço é servido na forma de buffet self service além é claro, de todos os vinhos da vinícola. Ainda a noite participamos do que seria um dos eventos mais importantes da vinícola e da cidade: a festa da vindima. Muita musica italiana, muita comida e muito mais diversão no restaurante da vinícola.

Esta visita foi parte de um pacote de viagem enoturística preparada e apresentada pela Stelltour Viagens, uma agência de viagens que tem como mote viagens com destinos relacionados ao vinho. Atualmente a agência tem criado pacotes relacionados ao mundo do vinho no Brasil em conjunto com a sommeliére Mikaela Paim, que dentre outras atividades, podemos citar que é sommelière desde 2007, Presidente da Confraria Vinhos do Brasil, colaboradora da Osteria Generale há 15 anos e ainda trabalha com consultorias e Eventos Enogastronômicos. Eu recomendo tanto a visita como os pacotes de viagens da agência.

Até o próximo!

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Atelier Mavro Kalavritino Cabernet Sauvignon 2015

A Cavino Winery SA, produtora do vinho em questão, é um grupo grego que tem sua fundação ainda em meados dos anos 50 na região do Peloponeso, na Grécia, mas que passou por algumas grandes modificações em todo este caminho. Aparentemente o ano de 1999 é o que detém a marca mais recente na vinícola, quando começa a introduzir no mercado local e nos mercados internacionais vinhos de alta gama no quesito qualidade. De lá pra cá contou com uma expansão forte em mais de 26 países e construiu uma linha de engarrafamento que dizem ser o estado da arte no quesito tecnologia, com capacidade de produção de 7000 garrafas por hora.


Já sobre o Atelier Mavro Kalavritino Cabernet Sauvignon 2015, podemos ainda acrescentar que o vinho faz parte da linha premium da Cavino Winery e que é feito a partir de um corte das uvas Cabernet Sauvignon (40%) e a autóctone Mavro Kalavritino (60%). A vinificação de cada variedade é feita separadamente com o corte sendo feito após a fermentação alcoólica e malolática. Por fim, cerca de 40 a 50% do vinho passa por 6 a 8 meses de amadurecimento em barricas de carvalho. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de média para grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas também se faziam presentes.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, baunilha, coco, tostados e algo de balsâmico. 

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos suaves. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Mais um interessante vinho grego provado por aqui, com predominância de uma uva autóctone até então desconhecida por mim e que aparentemente nem na Grécia é muito utilizada, tornando este vinho especial. Vale a prova, eu recomendo. Mais um vinho do clube de vinhos da Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Grand Estates Columbia Crest Cabernet Sauvignon 2013

Situada ao longo do rio Columbia, no leste de Washington (Estados unidos), a Columbia Crest Winery (produtora do vinho de hoje) abriu as suas portas no coração do aclamado Horse Heaven Hills, em 1983. Ano após ano, a vinícola mantém seu compromisso com a qualidade, tradição e inovação no cultivo da uva e produção excepcional de vinhos artesanais. O estado de Washington e o Columbia Valley representam o terroir perfeito para o cultivo de uvas , desde o clima ao solo onde estão plantados os vinhedos. Estas condições de cultivo, juntamente com práticas de viticultura em circulação e de vinificação, permitem a Columbia Crest Winery criar vinhos de alta qualidade que são fiéis ao seu caráter varietal.


Sobre o Grand Estates Columbia Crest Cabernet Sauvignon 2013, podemos ainda acrescentar que o vinho é feito com cerca de 75% de Cabernet Sauvignon com pequenas quantidades de Merlot e Cabernet Franc. Os varietais são fermentados separadamente e após a fermentação malolática, o corte ocorre e o vinho é transferido para barricas de carvalho, onde permanece para amadurecimento por cerca de 6 meses antes de ser liberado ao mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros em compota, chocolate, baunilha, especiarias doces e algo de mentolado.

Na boca o vinho mostrou corpo médio tendendo a encorpado, boa acidez com taninos suaves e macios. O retrogosto confirmou o olfato e o final era longo e saboroso.

Um ótimo vinho americano provado por aqui, mesmo sendo um vinho de entrada, onde a mescla fruta/barrica é muito bem feita e não torna o vinho pesado ou enjoativo, mas a meu ver, muito atraente para os diversos paladares. Eu recomendo a prova. Este vinho é trazido pela Winebrands e vale o quanto custa. 

Até o próximo!

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Wines of Uruguay Tannat Tasting Tour 2017

Atualmente, dos países vizinhos que produzem vinhos, o Uruguay tem sido o que mais me surpreende. E isto tem se devido principalmente a "domesticação" da rústica Tannat à descoberta de blends bem interessantes (usando até mesmo castas pouco usuais por estes lados) que tem sido criados por lá. E foi o que pude presenciar mais uma vez no Masterclass do Tannat Tasting Tour São Paulo, que aconteceu no Museu de Arte Contemporânea de São Paulo no último dia 22 de agosto, evento este organizado pela Wines of Uruguay


Não há como negar que, até como parte de um case de sucesso de marketing, a uva Tannat se tornou símbolo do país vizinho e, como não deveria deixar de ser, o mote da Masterclass é o uso da casta, seja em vinhos varietais e em cortes. Até grandes críticos do mundo do vinho acabaram por se render aos vinhos tintos vindos do Uruguay, como a aclamada Jancis Robinson, por exemplo. E o Brasil tem uma grande parcela contribuinte no consumo de vinhos vindos do nosso vizinho: cerca de 60% das exportações uruguaias tem como destino o nosso mercado, chegando a volumes que ultrapassam os 2 milhões de litros.


Sobre o evento em si, estavam disponíveis mais de 125 rótulos diferentes de vinhos além de representantes dos importadores e vinícolas, sempre solícitos no contato com o público em geral. O local escolhidos não poderia ser melhor: o visual de fim de tarde da cobertura do Museu de Arte Contemporânea de São Paulo (mesmo em um dia onde o clima não foi o parceiro ideal) adicionou um quê artístico ao tasting. Nas linhas abaixo vou destacar dois vinhos que me chamaram a atenção na Masterclass. Espero que tenham sido do agrado de vocês também.


O primeiro vinho que eu vou destacar é o Alto de La Ballena Tannat Viognier 2013, produzido por uma vinícola boutique localizada em Maldonado (Alto de La Ballena), muito próximo ao balneário de Punta Del Leste, numa belíssima serra da região. O vinho é feito a partir de um corte de Tannat (85%) e Viognier (15%). O interessante aqui é que as uvas Tannat são fermentadas em conjunto com as cascas da Viognier e o mosto da Viognier é fermentado separadamente. O vinho resultante do corte fica 9 meses em barricas de carvalho americano para amadurecimento. Temos como resultado um vinho de coloração rubi violácea de grande intensidade com bom brilho e limpidez. No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, flores, chocolate, especiarias e um fundo mineral. Na boca  o vinho se mostrou de corpo médio para encorpado, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo. Um vinho elegante e potente.

Por último falaremos do Don Julio Ariano Tannat/Merlot/Syrah 2013, um vinho feito a partir de uvas Tannat selecionadas de uma parcela especial acrescidas de Merlot e Syrah. O vinho estagia por 18 meses em barricas francesas e americanas para amadurecimento. Além disso, antes da liberação ao mercado, o vinho passa por 12 meses em garrafa para envelhecimento. Este vinho foi criado em homenagem a Don Julio Ariano, um dos pioneiros da família na propriedade. Como resultado temos um vinho de coloração violácea profunda, brilhante e límpida. Trouxe no nariz aromas de frutas em compota, chocolate, flores, baunilha, especiarias doces e leve toque de tabaco. Na boca é encorpado, carnudo, de boa acidez e taninos redondos. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo e saboroso. Baita vinho!

Foi isso que eu quis trazer pra vocês, meus prezados leitores, entretanto caso você tenha participado da Masterclass ou da feira, deixem nos comentários suas impressões, vinhos que mais gostaram e afins. Fico no aguardo.

Até o próximo!