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Tuesday, February 12, 2019

Lagoalva Azulejo Tinto 2016

A longa tradição da Quinta da Lagoalva como produtora de vinho é atestada em 1888, na Exibição Portuguesa de Indústria, onde esteve presente com 600 cascos de vinho. Os 45 hectares de vinhas da Quinta da Lagoalva estão implantados nos melhores “terroirs” do Tejo e são constituídos pelas castas nacionais e mundiais com melhores aptidões enologicamente comprovadas tais como, nos brancos: Sauvignon Blanc, Alvarinho, Arinto, Fernão Pires, Verdelho, Chardonnay; e nos tintos: Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta-Roriz, Cabernet Sauvignon, Shyrah, Tannat e Castelão. As vinhas da Quinta da Lagoalva se beneficiam de um moderno sistema de condução, tal como a adega, que conjuga uma vinificação eficaz com grande versatilidade de opções enológicas, baseadas no diálogo entre o modelo do “novo mundo” e opções tradicionais europeias. Pode por isso afirmar-se que os vinhos da Quinta da Lagoalva de Cima são resultado da filosofia do produtor, das características marcantes de castas de vincada personalidade resultante do seu microclima e “terroir”.


Falando especificamente do Lagoalva Azulejo Tinto 2016, podemos ainda dizer que o vinho é um corte das uvas portuguesas Touriga Nacional, Castelão e Touriga Franca com a fermentação malo-láctica ocorrendo em barricas de carvalho Francês e Americano, onde o vinho ainda virá a estagiar durante 6 meses. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e com boa coloração também se faziam presentes.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos maduros, baunilha e leve toque floral.

Na boca o vinho mostrou corpo médio, boa acidez, taninos redondos e macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Olha, não costumo elogiar em demasia os vinhos que provo mas este me proporcionou muito prazer no dia em que foi degustado, uma unanimidade na família. Ele é leve, fácil de beber e pede sempre o próximo gole. Foi o fiel escudeiro de uma boa pizza e valeu a prova, eu recomendo.

Até o próximo!

Tuesday, September 18, 2018

Convento da Vila Tinto 2016

Fundada em 1955, a Adega de Borba foi a primeira de uma série de Adegas constituídas no Alentejo, com o incentivo da então Junta Nacional do Vinho, numa altura em que o setor não tinha o protagonismo que hoje tem na economia regional. De fato, não fosse esse empurrão decisivo dado pelo referido organismo estatal, que assim permitiu uma organização comercial e de transformação para os vinhos do Alentejo, a cultura da vinha teria desaparecido completamente da região, pois todos os incentivos da época estavam virados para a cultura dos cereais, e fazer do Alentejo o celeiro do País era uma política mais que consolidada para a época. Após 3 décadas de resistência, em que só o grande valor das castas regionais e a excelência das condições naturais permitiram que a produção de vinho no Alentejo se mantivesse, chegou-se finalmente aos anos oitenta, em que todo o potencial da região para a produção de vinho pode ser avaliado e confirmado pelo consumidor. Beneficiou a região do fato da produção estar associada a Adegas de grande dimensão, e desta forma mais rapidamente se apetrechou em termos tecnológicos que outras regiões do País, dando o salto para os vinhos engarrafados de qualidade, numa altura em que o consumidor passou a ser mais exigente e a privilegiar mais a qualidade que a quantidade. É verdade que a constituição da região demarcada do Alentejo e a constituição de estruturas técnicas associativas que rapidamente divulgaram novas tecnologias junto do viticultor foram essenciais em todo o processo. Hoje a Adega de Borba reúne 300 viticultores associados que cultivam cerca de 2.000 hectares de vinha, distribuindo por 70% castas tintas e 30% de castas brancas.


Sobre o Convento da Vila Tinto 2016, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito a partir de um blend das castas Trincadeira, Aragonez, Castelão e Touriga Franca, típicas da região, sem passagem por madeira. Ambas a fermentação alcoólica e malolática ocorrem em tanques de inox. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos vermelhos, flores e leve toque herbáceo.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Mais um bom vinho português acessível que provamos por aqui. É dos vinhos de entrada mas que não fazem feio. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Tuesday, September 11, 2018

Quinta da Alorna Tinto 2015

A Quinta da Alorna nasceu em 1723, mais tarde D. Pedro de Almeida, o I Marquês de Alorna, após ter liderado a conquista da praça-forte de Alorna na Índia, conferiu à propriedade o nome que hoje tem. Na margem do Rio Tejo e com a entrada marcada por uma árvore magnífica e rara no mundo, conhecida por bela sombra, a Quinta da Alorna destaca-se não só pela qualidade dos vinhos que produz como também pelos seus espaços naturais. Com uma área total de 2.800 hectares, localizada no centro de Portugal, próxima de Santarém, a Quinta tem vindo a diversificar as suas áreas de negócio tendo como princípios a sustentabilidade, responsabilidade social e conservação da natureza.


Falando um pouco sobre o Quinta da Alorna Tinto 2015, podemos acrescentar que o vinho é produzido a partir do blend das castas Tinta Roriz, Castelão, Syrah e Alicante Bouschet passando por fermentação (alcoólica e malolática) em tanques de aço inoxidavel, onde também passa por um estágio para amadurecimento e estabilização. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, especiarias, chocolate e café.

Na boca o vinho apresentou corpo médio +, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Mais um bom vinho português que provamos por aqui, este vindo de uma promoção do Pão de Açúcar e que valeu o quanto foi pago. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Tuesday, September 12, 2017

Quinta de Camarate Tinto 2014

Falar da José Maria da Fonseca, produtora do vinho de hoje, é um tanto quanto difícil dado seu tamanho, importância e história no mundo do vinho de Portugal. Para se ter uma ideia, a empresa foi fundada em 1834 e a sua marca mais famosa de vinhos, a Periquita, lançada ainda em 1850. Nem mesmo a morte do fundador, o Sr. José Maria da Fonseca ainda em 1884, fez com que seu legado se perdesse e a família assumiu a empresa, desde então. A partir daí, diversas novas marcas e produtos foram lançados tanto no mercado português como também nos mercados internacionais (o Brasil incluído). Hoje é um dos líderes nas áreas da produção e comercialização de vinhos de mesa e generosos, encontrando-se as suas marcas presentes em mais de 70 países, possuindo mais de 30 marcas, distribuídas por vinhos de mesa, generosos e licorosos, e por cinco regiões: Península de Setúbal, Alentejo, Douro, Dão e Vinhos Verdes.


Situada em Azeitão, perto de Setúbal, a Quinta de Camarate foi adquirida por Antonio Soares Franco Jr. em 1914 e é hoje propriedade dos irmãos António e Domingos Soares Franco, os proprietários da José Maria da Fonseca. Esta quinta tem uma área de 120ha, 39 dos quais estão plantados com vinhas. A restante parte é utilizada para pasto das ovelhas que dão origem ao famoso queijo de Azeitão. As vinhas da Quinta de Camarate estão plantadas em solos argilocalcários, localizados no sopé da Serra da Arrábida. Nesta propriedade foram plantadas, para além das castas destinadas à produção de vinho, castas portuguesas e estrangeiras, que constituem a coleção ampelográfica da José Maria da Fonseca com mais de 560 castas. Com a replantação das vinhas iniciada em 1994 e a introdução de novas castas, foi possível modernizar o estilo dos vinhos lá produzidos.

Falando agora do Quinta de Camarate Tinto 2014, podemos afirmar que o vinho é feito a partir de um corte das castas Touriga Nacional (48%), Castelão (30%), Aragonês (17%) e Cabernet Sauvingon (5%) sem passagem por madeira. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de grande intensidade, bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e quase incolores se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, flores, especiarias, toques mentolados e de ervas. 

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Mais uma boa opção de vinho para o dia a dia trazido pelo Pão de Açúcar e que tende agradar os paladares dos iniciantes e dos mais experientes, por que não? Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Monday, July 3, 2017

Cabeça de Toiro Tinto Reserva 2012

Depois de um longo e tenebroso inverno (sem trocadilhos com a estação em que nos encontramos hoje) eis que voltamos a postar para a #CBE - Confraria Brasileira de Enoblogs. E o tema deste mês foi proposto pelos nossos colegas Maykel e Anna, do Vinho por 2, pensando justamente no pouco tempo que temos para escolher os vinhos. A sugestão deles foi a seguinte: "No ano de 2016 o segundo maior importador de vinhos do Brasil foi um supermercado. Por isso, nada melhor do que comentarmos o que tem de bacana nas gôndolas, falando de qualquer tipo de vinho, de qualquer faixa de preço, que seja encontrado em supermercado". E nós aqui do Balaio fomos de Cabeça de Toiro Tinto Reserva 2012.


O Grupo Enoport United Wines, dono da marca produtora do vinho de hoje (Caves Velhas), resultou da união de algumas das mais antigas e prestigiadas empresas de vinho portuguesas, todas elas com características familiares e cada uma delas detendo uma especialidade vincada e definida, que lhes valeu o reconhecimento nacional e internacional, tais como as Caves Velhas, Caves Dom Teodósio, Adegas Camillo Alves, Caves Acácio, Caves Monteiros e Caves Moura Basto. Unindo a experiência do passado com novas capacidades de gestão e tecnologia, novas empresas foram criadas com base em três grandes núcleos - Agroturismo / Produção / Distribuição - cada uma delas com objetivos de excelência e comprometimento com as atuais exigências dos mercados globais. A Enoport United Wines oferece vinhos de várias regiões de Portugal, de diferentes segmentos, premiados em vários concursos nacionais e internacionais.

Sobre o Cabeça de Toiro Tinto Reserva 2012, podemos ainda acrescentar que o vinho é feito a partir de um corte com as uvas Touriga Nacional e Castelão com estágio de 9 meses em barricas de carvalho francês. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de média intensidade com halo granada, bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e praticamente incolores também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, flores, baunilha e notas tostadas no fundo de taça.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Mais um bom portuga para o dia a dia, trazido pelo Pão de Açúcar, que aposta neste país para trazer vinhos exclusivos e de bom custo beneficio. Eu recomendo.

Até o próximo!

Friday, March 10, 2017

Sans Souci Bistrô: surpreendente e não-convencional

Eu gosto muito de dividir minhas experiências enogastronômicas com vocês, leitores aqui do blog, mesmo que eu não seja especialista no assunto (apesar dos cursos na área do vinho). De qualquer maneira, sei que ando em falta com o blog. Ando um pouco desanimado é verdade e as vezes falta inspiração para escrever. Mas, vez ou outra, aparecem oportunidades que reacendem, ainda que timidamente, a paixão por compartilhar algumas maravilhas que descobrimos por ai, como no caso do Sans Souci Bistrô, em Campos do Jordão, cidade da Serra da Mantiqueira no interior paulista muito conhecida pelo frio, pelas malhas vendidas por lá e é claro pela gastronomia.

O restaurante fica encrustado no prédio da malharia Genève (vejam só) onde os clientes se deparam primeiro com um pequeno café que mostra em suas vitrines pãezinhos, croissant e doces que parecem muito apetitosos, e depois com o salão onde fica o bistrô propriamente dito. A decoração do Sans Souci Bistrô é exagerada, fantasiosa, sentimental, em meio a xícaras, bibelôs e bichinhos de pelúcia, em sua maioria garimpados em antiquários e lugares afins. A filosofia da comida foi trazida com o chef e é conhecida como slow food, claramente num objetivo de que possamos saborear grandes pratos com uma maior apreciação da comida, valorização dos ingredientes e dos produtores da mesma.


No Sans Souci Bistrô somos recebidos com pequenos mimos como uma pipoca "gourmet", coberta de queijo parmesão e salsa trufada além de um pequeno "shot" de uma gelatina feita a base de vinho espumante com aquela pedrinhas de laranja que explodem na boca. Tudo isso já deixa a imaginação solta e o paladar muito aguçado.


Com o menu conciso do Sans Souci Bistrô, não foi muito difícil até de imaginar o que cada um de nós pediríamos neste jantar especial que estava só se iniciando. Eu como de costume optei pelo "Bourguignon de cordeiro com legumes da horta e couscous marroquino", já minha esposa foi de "Filé Mignon com molho de cogumelos, purê de batata com paris fresco e azeite trufado" ao passo que a baixinha foi na segurança com o "Ravioli com mussarela de búfala, molho de tomate fresco e manjericão". O que dizer? As carnes estavam no ponto em que foram solicitadas, tenras e muito saborosas. A massa perfeitamente al dente, cozida a perfeição e com um molho delicioso. Notava-se ainda que os sabores e os ingredientes eram harmônicos entre si e formavam pares muito elegantes (cordeiro e o couscous, filé mignon e os cogumelos além do ravioli o molho fresco, por exemplo).


Para acompanhar a refeição, não poderíamos fugir de um vinho, no caso o vinho português Porta 6 Tinto, um vinho produzido pela Vidigal Wines a partir das castas Aragonez, Castelão e Touriga Nacional, rotulado como um vinho regional de Lisboa e com ligeira passagem em madeira. Apresentava coloração violácea de grande intensidade, bom brilho e limpidez. Nos presentou com um nariz de frutos vermelhos frescos, toques florais e algo de nozes. Na boca mostrou corpo médio e uma ótima acidez, escoltada por taninos macios e sedosos. A escolha foi muito boa, caiu bem com os pratos sem sobrepujar ou sumir, na medida certa.


Uma bela refeição e um belo vinho para fechar uma noite de passeio em família de maneira magistral. Eu recomendo a prova, do Sans Souci Bistrô e do Porta 6. Quem ainda não foi, deve ir . Penso que não se arrependerá. Mas vá preparado, a conta não será barata. Entretanto, valerá cada centavo.

Até o próximo!

Thursday, November 3, 2016

Terra Chã Tinto 2014: Bom custo benefício para a #CBE

Depois de um mês tumultuado e sem conseguir postar para a #CBE - Confraria Brasileira de Enoblogs, eis que o Balaio do Victor volta com tudo com o vinho do mês. E o tema proposto desta vez foi feito pela Fabiana Gonçalves, do blog Escrivinhos, que não titubeou: "Sei que como apreciadores de vinhos, nós adoramos quando encontramos um rótulo de boa relação entre preço e qualidade. Tanto é que até no supermercado a gente tenta “garimpar” alguma coisa legal, com um precinho camarada. Então, que tal procurar nas prateleiras das lojas ou mercados uma boa oferta? O ideal é que seja até R$ 40. Vamos à caçada"! E como por aqui missão dada é missão cumprida, chegamos com o Terra Chã Tinto 2014.


O Terra Chã Tinto 2014 é produzido pela Sociedade Agrícola Casal do Conde, que tem a sua origem no início do séc. XX em Vila Chã de Ourique na Região do Ribatejo (Portugal). Com uma raiz familiar, esta Sociedade fundada pelo vinicultor Manuel Henriques, foi sempre caracterizada por um crescimento dinâmico que lhe permitiu chegar ao início do século XXI como uma das maiores produtoras vinícolas do Ribatejo. A sua estratégia de aquisição de algumas das melhores quintas e vinhas da região como a Quinta d’ Arrancosa e as vinhas da Correchana, foram acrescentando capacidade produtiva, e permitiram seguir uma filosofia de produção de vinhos de qualidade. Em 2009, a Sociedade Agrícola Casal do Conde foi adquirida por um grupo de investidores de capitais luso-angolanos que veio a modernizar os seus processos de gestão, a sua estratégia de marketing e o seu posicionamento comercial, dotando-a de uma forte capacidade de investimento. Atualmente, a Sociedade Agrícola Casal do Conde dispõem de 137,5 ha das melhores terras do Vale do Tejo, das quais 75 ha estão cobertos por vinhas. A sua adega localizada junto à povoação de Porto de Muge, tem acompanhado a evolução tecnológica do setor, apostando nos mais avançados processos de vinificação e engarrafamento, espelhando a tradição vinícola da empresa, num contexto de modernidade e confiança no futuro da região vinícola do Tejo como uma referência na produção de vinhos de qualidade em Portugal.

Já sobre o Terra Chã Tinto 2014, podemos ainda acrescentar que o vinho é um blend típico de uvas autóctones portuguesas e internacionais, a saber: Alicante Bouschet, Aragonês, Castelão, Merlot, Syrah e Touriga Nacional. Aparentemente não tem passagem por madeira. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de grande intensidade, bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas também se fizeram presentes.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos e escuros, flores e leve toque especiado.

Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez e taninos finos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Um bom vinho para o dia a dia, um bom custo benefício e que pode ser encontrado na rede Pão de Açúcar por menos de R$ 40,00 e que a meu ver, vale o investimento. Mais um vinho degustado para #CBE - Confraria Brasileira de Enoblogs. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Tuesday, May 10, 2016

Quinta de Chocapalha Tinto 2010

A Quinta de Chocapalha fica junto à Aldeia Galega, estendendo-se pelas colinas soalheiras do Alto Conselho de Alenquer, Região Demarcada a noroeste de Lisboa. As sua vinhas com longa historia, encontram-se referenciadas desde o século XVI pela sua excelência e pertenciam a Diogo Duff, escocês destinto com insignia "Torre e Espada"pelo Rei D. João VI. Alice e Paulo Tavares da Silva adquiriram-na na década de 80, tendo operado significativos investimentos nos 45 ha de vinhas. A introdução de novos métodos de cultivo, permitiu à família consolidar a qualidade e a reputação dos seus vinhos. A responsabilidade enológica está a cargo da filha do casal, a reputada Sandra Tavares da Silva. Só na vindima de 2000, momento em que as vinhas atingiram a sua maturidade e qualidade pretendida, decidiu-se proceder ao engarrafamento dos melhores vinhos aí produzidos. A charmosa casa sede desta quinta foi construída em 1780. A adega atual ficou pequena e tem 2 lagares com pisa a pé. Uma adega nova bem equipada, muito bonita e encravada no meio das vinhas, foi inaugurada nas vindimas de 2012. As tradições desta quinta foram preservadas. O número de lagares com pisa a pé foi aumentado para 4.


Já sobre o Quinta de Chocapalha Tinto 2010, podemos ainda acrescentar que é um corte das uvas Tinta Roriz, Touriga Nacional, Castelão, Alicante Bouschet e Syrah, sendo que a fermentação foi feita em lagares, durante 12 dias, e com utilização de robô para pisa. O vinho estagiou durante 18 meses em barricas de carvalho francês de segundo e terceiro usos. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi com reflexos granada, algum brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e em pouca quantidade também faziam parte do conjunto visual.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos escuros em compota, flores e algo que me fez pensar em mineral, embora não conseguisse identificar ao certo o que era.

Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez e taninos redondos. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo e delicioso.

Mais um ótimo vinho português que conhecemos por aqui, degustado no nosso restaurante português mais querido, o Ora Pois na Serra da Cantareira. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Tuesday, January 13, 2015

Vila Don Patto: Pedacinho de Portugal em São Roque-SP!

A pouco mais de 50km da cidade de São Paulo fica situada a cidade de São Roque, conhecida principalmente no passado por abrigar mais de uma centena de vinícolas coloniais, daquelas que se produziam litros e litros de "vinhos" de garrafão. Isso se deu devido ao fato da vinda de imigrantes italianos e portugueses para a região, que cobriram as encostas dos morros com vinhedos, instalaram suas adegas e transformaram São Roque na famosa "Terra do Vinho". Depois de uma fase de decadência, hoje ainda existem algumas vinícolas por lá, muitas das quais a despeito do trabalho hercúleo para produzir algo com qualidade além dos vinhos de garrafão, firmaram negócios com vinícolas no sul do país e tem crescido de forma consistente e trazendo novidades ao mercado. E junto com este trabalho de resgate da história do vinho paulista, existe um grande investimento em turismo, com pousadas, hotéis, restaurantes, atrações, etc. E é sobre um desses locais que iremos falar aqui hoje, A Vila Don Patto.


A Vila Don Patto se intitula como um centro de gastronomia e diversão para toda a família, numa região muito verde e de muito contato com a natureza, na Rota do Vinho de São Roque. Claro que grande parte do fator gastronômico é focado na cozinha portuguesa, principalmente quando falamos do Restaurante Don Patto. Entre outras atrações disponíveis no complexo estão: adega onde você encontra vinhos nacionais e importados, além das exclusivas linhas de vinhos Don Patto com mais de cem anos de tradição em São Roque: Vinhos Pattão e Don Patto, vinhos exclusivos engarrafados na região do Douro em Portugal; empório com sua tradicional linha de produtos "gourmet"como doces, temperos, queijos e biscoitos; cafeteria onde você pode provar uma boa linha de cafés gourmet, onde você mesmo é responsável por coá-lo "old style"; sorveteria e chocolateria que oferece bombons, trufas, barras de chocolate e é claro, sorvetes em suas mais variadas formas; e por fim espaço kids e fazendinha, onde a criançada pode se divertir e visitar alguns bichinhos que não comumente encontrados em nossa vida urbana.


Mas gostaria mesmo é de focar no restaurante, pois foi onde escolhemos para fazermos nosso jantar. Como dito anteriormente, podemos encontrar a maioria dos pratos considerados tradicionais da culinária portuguesa, pelo menos em solo brasileiro: alheira, linguiça de bacalhau na chapa, bolinhos e pastéis de bacalhau, sardela ou alichela além dos deliciosos pratos à base de bacalhau, como o tradicional Bacalhau da Vila, Zé do Pipo, postas Don Patto e postas às natas entre outros. Optamos por algo um pouco mais ousado e, sem conhecermos muito bem, pedimos o Leitão da Bairrada a moda Don Patto. Apesar de me parecer não muito fiel a receita tradicional, confesso que o prato apresentado era muito gostoso. A carne de porco estava muito perfumada (graças em parte ao alecrim que fazia parte do tempero) e, embora crocante por fora, estava tenra e suculenta por dentro. Acompanhava ainda batatas assada e brócolis com azeitonas pretas. Era um banquete e tanto e servia com propriedade duas pessoas.


É claro que, para acompanharmos o prato, a escolha óbvia recaiu sobre um vinho português, ora pois. E o escolhido foi o EA Vinho Regional Alentejano Tinto 2012, produzido pela gigante e famosa Adega Cartuxa, parte do grupo Fundação Eugênio de Almeida, com sede em Évora, no Alentejo. A Instituição é também herdeira de uma longa história no setor vitivinícola, pois desde o final do século XIX que a cultura da vinha faz parte da tradição produtiva da Casa Agrícola Eugénio de Almeida. É um vinho feito a partir de um corte de Aragonez, Trincadeira, Alicante Bouschet e Castelão sem passagem por madeira. Vamos ver o que ele nos mostrou?


Na taça o vinho apresentou aquela coloração rubi violácea de grande intensidade, algum brilho e pouca transparência. As lágrimas eram finas, rápidas e em boa quantidade, mostrando também alguma cor. Já no nariz o vinho mostrou aromas de frutos escuros em compota e algo floral. Na boca o vinho mostrou médio corpo, taninos finos e em boa quantidade além de uma gostosa e refrescante acidez. O nariz se confirma na boca e o final era de média para longa duração. Acompanhou bem o leitão sem qualquer sombra de dúvida, foi uma boa pedida. Me pareceu um vinho com todas as características próprias de vinhos jovens, fáceis de beber e para consumo rápido acompanhando comida ou mesmo em um dia um pouco mais friozinho, em uma boa companhia. Já havia provado a versão branca dele na safra 2009 (aqui) e as impressões também foram boas. Enfim, recomendo a prova.


E assim nos despedimos de um dia sensacional e nos dirigimos para o merecido descanso, agradecendo a vida e brindando a cada momento. Se você estiver passando por São Roque e região, ou mesmo se quer um fazer um passeio em família, eu recomendo a visita a cidade e aos atrativos turísticos da Rota do Vinho. Desprenda-se das amarras e preconceitos, não vá em busca de vinhos do primeiro escalão da qualidade mas sim de diversão, boa comida e momentos perto da natureza que eu tenho certeza que fará um bom negócio.


Até o próximo!

Friday, July 25, 2014

Venâncio Costa Lima Vale Pereiro Tinto 2012: Um brinde português!

O sucesso tem como definição uma consequência favorável, um resultado bom, um acontecimento favorável, enfim, quando algo planejado sai como esperado ou excede as expectativas. O sucesso também tem sido motivo de brindes ao longo do tempo e o vinho que irei falar hoje nasceu de uma ocasião de sucesso. Lembram que a alguns dias atrás postei sobre uma degustação de vinhos portugueses que tive a oportunidade de participar na loja Vinhos de Bicicleta de São José dos Campos (relembrem aqui)? Então, devido ao grande sucesso que o evento foi (praticamente esgotado em seus dois dias), o proprietário da loja, Rodrigo Ronconi Ferraz, sacou o Venâncio Costa Lima Vale Pereiro Tinto 2012 e ao final do evento propôs um brinde para celebrar.


A Vinícola Venâncio da Costa Lima, produtora do Venâncio Costa Lima Vale Pereiro Tinto 2012, é uma das adegas mais antigas da região de Palmela, em Portugal, com início das atividades ainda em 1914. Sendo um negócio familiar, esta adega já estas nas mãos da quarta geração. Seu fundador, Venâncio da Costa Lima, nasceu em 1892 , na povoação de Quinta do Anjo e em 1914 fundou a Casa Agrícola de mesmo nome. Durante a sua vida, tornou-se pessoa muito considerada e estimada na região, ocupando inclusive a posição de prefeito de Palmela. É produtora de vinhos de mesa, Vinhos Certificados (Regional Península de Setúbal e DO Palmela) e Moscatel de Setúbal, tendo inclusive sido reconhecida recentemente como produtor do Melhor Moscatel do Mundo (Muscats du Monde 2011). Sobre o vinho, um corte de 80% de Aragonês e 20% de Castelão com estágio em madeira que lhe confere maior estrutura e complexidade. Atinge 13% de graduação alcoólica. Vamos às impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor rubi violácea de grande intensidade, bom brilho e pouca transparência. Lágrimas finas, rápidas e coloridas também faziam parte do conjunto visual.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos vermelhos maduros, baunilha e toques florais. 

Na boca o vinho apresentou corpo de médio para encorpado, boa acidez e taninos macios e redondos. Retrogosto confirma o olfato e o final é de longa e saborosa duração.

Mais um bom vinho português que provo por aqui, fechou com chave de ouro uma noite bem bacana. Eu recomendo.

Até o próximo!

Tuesday, July 22, 2014

Vinhos de Bicicleta apresentou: Noites Portuguesas!

Na noite do último dia 17 de julho, tive a oportunidade de participar de uma degustação pra lá de especial na loja Vinhos de Bicicleta, em São José dos Campos no interior do estado de São Paulo. Desta vez, o pessoal da Vinhos de Bicicleta receberia em seu espaço, um simpático casal de portugueses que desde quando vieram de Portugal, buscaram trabalhar com suas origens e montaram por aqui uma importadora de vinhos. Esses profissionais do mundo do vinho iriam conduzir uma degustação especial de rótulos lusitanos de alto padrão. Os vinhos selecionados são verdadeiras raridades no Brasil e expressam as diferentes faces do sul de Portugal. A harmonização fora feita com comidas portuguesas típicas, especialmente preparadas pela talentosíssima chef de cozinha, Adriana Rebouças.


A Vinhos de Bicicleta nasceu primeiramente como um clube de vinhos, depois de uma viagem de seu fundador, Rodrigo Ferraz, a Mendoza na Argentina. Esta viagem tinha como foco bodegas de pequeno porte, as chamadas bodegas boutique ou familiares (já falei sobre isso aqui) e a atmosfera intimista com os vinhos artesanais de cada lugar. Rodeado de história, aromas e sabores, inebriado pela paisagem percorrida, Rodrigo veio com a idéia de fundar um clube de vinhos com foco neste estilo de vinho, e começou a garimpar exemplares ao redor do mundo. Algum tempo depois conseguiu ainda abrir uma loja física com espaço para eventos/degustações e voilá, lá estávamos na sede da Vinhos de Bicicleta. E devo dizer que a loja física deles é muito bacana, uma boa seleção de rótulos, espaço aconchegante e muito bem localizada em São José dos Campos, no interior de São Paulo.


O primeiro vinho da noite foi o Casal do Cerrado Tinto 2012, vinho este produzido pela Vinícola Venâncio da Costa Lima, uma das adegas mais antigas da região de Palmela, em Portugal, com início das atividades ainda em 1914. Sendo um negócio familiar, esta adega já estas nas mãos da quarta geração. Seu fundador, Venâncio da Costa Lima, nasceu em 1892 , na povoação de Quinta do Anjo e em 1914 fundou a Casa Agrícola de mesmo nome. Durante a sua vida, tornou-se pessoa muito considerada e estimada na região, ocupando inclusive a posição de prefeito de Palmela. O vinho em questão é um corte de 80% Castelão e 20% Aragonez da região de Península de Setúbal, mas ao sul de Portugal e sem passagem por madeira. Sendo assim se mostrou um vinho jovem, fácil de beber, de coloração violácea e aromas de frutos vermelhos bem maduros, corpo médio e boa acidez. Um excelente vinho para o dia a dia. Este vinho foi harmonizado com uma releitura de uma torta típica portuguesa, que recebe presunto, cebola, ervilhas e ovo cozido em seu recheio. Começávamos a noite de maneira bacana.


O segundo vinho mostrado foi o Vidigueira Tinto, vinho este produzido pela Adega Cooperativa da Vidigueira, na região do Alentejo, em Portugal. A vinícola iniciou a sua atividade em 1963, porém a sua história vai muito além dos seus 50 anos de existência, tendo antigas raízes que se entrelaçam com a história da própria Vila da Vidigueira e da história da família dos Gama. Tanto é assim que o vinho faz parte de uma trilogia (Atos I, II e este, o III) que representam passagens das histórias dos navegantes portugueses e as rotas para as Índias. Pois bem, este vinho é um corte de Trincadeira, Aragonez e Alicante Bouschet, porém desta vez com estágio em carvalho. Já se apresenta com uma coloração rubi com tendências granada, aromas de frutos vermelhos, especiarias e toques de baunilha. Na boca possui corpo médio para encorpado, taninos redondos e uma boa acidez. Tem um final de média para longa duração. Eu diria que está no mesmo nível do primeiro porém um pouco mais complexo. Desta vez a harmonização se deu com um espeto de azeitona recheada e presunto cru. Delicioso!


O terceiro vinho da noite foi o Herdade da Figueirinha Reserva 2011, desta vez produzido pela Vinícola Monte Novo e Figueirinha, novamente na região do Alentejo, em Portugal. Foi fundada em 1998 e tem uma área de 300 hectares de terra plana e boa qualidade, perto de S. Brissos, a cerca de 5 km de Beja, no Alentejo, a região sul de Portugal. O Herdade da Figueirinha Reserva 2011 é um vinho Regional Alentejano produzido a partir das castas Trincadeira, Aragonêz, Alicante Bouschet, Syrah e Cabernet Sauvignon com passagem por carvalho. Possui coloração violácea de grande intensidade, bom brilho e pouca transparência. Aromas de frutos vermelhos em compota, pimenta e baunilha. Taninos presentes, macios, bom corpo e acidez refrescante. Continuávamos a subir o patamar dos vinhos apresentados. Harmonizado com salada de bacalhau e batatas, foi bem.


E chegávamos ao ápice da noite, o Fonte Mouro Reserva 2004, da mesma vinícola do vinho acima. Outro vinho Regional Alentejano, produzido a partir de uvas das castas Trincadeira, Aragonêz, Alfrocheiro, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon com estágio em barricas de carvalho francês e americano durante 12 meses. Detalhe: o vinho ficou respirando por cerca de uma hora em decanter antes da prova. Um vinho de coloração rubi com tendência granada e aromas que remetem a frutos escuros maduros, especiarias, notas de flores toques de baunilha. Em boca se mostrou encorpado e opulento, taninos já amaciados com o tempo e acidez ainda viva. Retrogosto confirma tudo até aqui descrito com um belo e longo final. Um baita vinho! Foi harmonizado com, opa, nem me lembro direito pois ele por si só já era um deleite!

Ao final a noite, também era hora de aproveitarmos uma mesa com azeites, queijos e antepastos especialmente preparados para o evento. Era hora de nos despedirmos de mais um evento sensacional. E com alguns brindes em outros vinhos que relatarei depois, no tempo adequado, saímos com a sensação de quero mais. Se estiverem em São José dos Campos e ainda não conhecem a Vinhos de Bicicleta, recomendo que o façam.
Até o próximo!

Friday, November 1, 2013

Terras do Pó Tinto 2012

Em mais um jantar em família num dia qualquer, resolvi abrir um vinho simples para alegar ainda mais a nossa mesa. Desta vez voltaria a um de meus países favoritos no quesito vinhos: Portugal e este Terras do Pó Tinto 2012. Este também faz parte de minha primeira compra junto ao site Sonoma.


Este vinho é produzida pela gigante Casa Ermelinda Freitas, que possui diversas linhas de vinhos feitos com uvas colhidas em sua própria propriedade, localizada na região de Palmela, em Portugal. É uma região pouco conhecida no Brasil embora o produtor tenha diversos de seus produtos disponíveis por aqui. É um corte de 50% Castelão (Periquita), 30% Syrah e 20% Touriga Nacional que passa por 4 meses de envelhecimento em "meias pipas" de carvalho francês antes de estar disponível no mercado. Vamos as impressões.

Na taça o vinho tinha uma cor rubi violácea de média intensidade, algum brilho e pouca transparência. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas completavam o conjunto visual.

No nariz aromas de frutos vermelhos, algo de especiarias e toques de baunilha. Fruta em primeiro plano e mais fragrante.

Na boca o vinho tinha corpo leve, boa acidez e taninos finos, marcados e de boa qualidade. Retrogosto confirma o olfato num final de curta duração.

Um vinho simples, cumpre sua função e só. Talvez tenha me decepcionado um pouco, esperando encontrar meus bons e velhos companheiros portugueses. Mas vale conhecer.

Até o próximo!

Tuesday, July 2, 2013

Quinta de Bons-Ventos 2011

Nada melhor do que aproveitar o final de semana para uma viagenzinha relaxante para as montanhas,curtindo um friozinho, boas companhias, muita comida e diversão não é mesmo? E foi assim que aproveitei o meu com uma curta viagem para Campos de Jordão, no interior paulista, sempre regada a um vinhozinho para aplacar o frio e celebrar. E o escolhido desta vez foi o Quinta de Bons-Ventos, portuguesinho da região de Lisboa e produzido pela gigante Casa Santos Lima.


Falando sobre o vinho em si, é produzido num corte (como é e costume português, tendo em vista a enormidade de castas autóctones disponíveis por lá) das uvas Castelão (Periquita), Camarate, Tinta Miúda e Touriga Nacional sem proporções divulgadas. Envelhecimento parcial (3 a 4 meses) em meias-pipas de carvalho. Possui cerca de 13% em volume de álcool. Vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor violácea de média intensidade com algum brilho. Lágrimas finas, rápidas e levemente  coloridas ajudavam a tingir as paredes da taça.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, algo de especiarias e toques de chocolate. Aromas harmonicos e discretos, nada muito pujante.

Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez e taninos finos, marcados e de boa qualidade. Retrogosto confirma o olfato trazendo principalmente frutas escuras com um fundo especiado e leve toque de chocolate. Final de média duração. 

Vinho honesto, sem defeitos e que vale o quanto custa (algo em torno de 26 dinheiros no supermercado Pão de Açúcar). Para se tomar no dia a dia com refeições cotidianas ou mesmo para bebericar com amigos. Eu recomendo.

Até o próximo!

Monday, May 6, 2013

Confraria Panem, Vinum Et Caseus: Uma noite portuguesa com certeza!

Todos já sentiam falta das reuniões da confraria, que via de regra deveriam acontecer uma vez ao mês mas que por motivos diversos, ficou dois meses sem acontecer. E é claro que a confraria não poderia voltar em melhor estilo do que com um jantar com o tema "bacalhau". Isso mesmo prezados leitores, todos os pratos (petiscos, entrada e prato principal) eram baseados nesta iguaria, que apesar de não ser originária da região, fez sua fama na cozinha portuguesa.


Mais uma vez fomos recebidos pelos queridos anfitriões Anna e Luiz (mais conhecido como comandante), que sempre nos tratam com tanto carinho que as vezes nem percebemos se estamos em casa ou fora. A cozinha ficaria a cargo da confreira Lucinéia, e mais uma vez só teríamos elogios a fazer. Desde o patê de bacalhau, delicioso com muito azeite e salsinha que criava uma perfeita combinação com os pães e torradinhas dos petiscos, passeando pela salada de grão de bico com bacalhau que só fazia a fome aumentar e chegando ao arroz de bacalhau, incrivelmente saboroso com pedaços de queijo coalho que escortavam um ao outro de forma magistral. Ah, e eu não posso esquecer de um dos petiscos que eu mais gosto: o bolinho de bacalhau, que estava sequinho e com muito recheio, que a vontade era de ficar comente os comendo a noite toda. E as sobremesas então, o que falar da dupla Pudim de Claras com Papo de Anjo? A dupla perfeita para fechar um verdadeiro banquete! Um deleite para glutão nenhum botar defeito.


Mas qual é mesmo o motivo de todos os encontros além da comida e da boa companhia? Os vinhos é claro! E como o tema era voltado a Portugal, nada mais óbvio do que provarmos vinhos portugueses não é mesmo? E o confrade Fábio caprichou, nos apresentando 4 tintos vindos das terras de nossos patrícios. Nas próximas linhas vou comentar um pouco sobre os mesmos. O primeiro vinho apresentado foi o Reserva das Côrtes 2010, um vinho regional de Lisboa feito a partir das uvas Castelão, Tinta Roriz e Alicante Bouschet sem passagem por madeira, básico e frutado, com acidez bacana que deve ser consumido jovem; depois provamos o Reserva do Paço 2010, outro regional de Lisboa, também feito com as mesmas uvas mas envelhecido por 6 meses em barricas o que já lhe confere uma complexidade um pouco maior, onde além de frutas também podemos identificar um pouco de especiarias e toques de baunilha. De corpo médio também tem boa acidez e pode ser consumido tanto sozinho como acompanhando comida; já no terceiro vinho a brincadeira começava a ficar mais séria, o Udaca Touriga Nacional 2008, um vinho feito com a mais famosa casta portuguesa oriundo do Dão e com envelhecimento de 12 meses em madeira, o que já o torna um vinho mais encorpado, complexo e rico. Aromas de frutos escuros, especiarias, flores e toques de madeira. Acidez e taninos equilibrados num final de média duração; e para fechar a noite o último vinho foi o Leo d'Honor 2008, um vinho feito com uvas Castelão vindas de Palmela, um região portuguesa pouco conhecida aqui no Brasil. Um vinho encorpado, opulento com toques de frutos negros e especiarias em evidência, com leve lembrança de madeira ao fundo. Acidez bacana aliada a taninos redondos e macios faziam com que o vinho ficasse por um bom tempo na lembrança, um baita vinho com certeza.


E assim mais um agradável reunião da confraria se acabava com a certeza de que a demora só fez a vontade de que as reuniões aconteçam com mais frequência aumentasse e com a certeza cada vez maior de que os anfitriões, nossa costumeira confreira e chef e o presidente, quem escolhe os vinhos, são pessoas incríveis que fazem com que o encontro e os vinhos fiquem eternizados em nossas mentes e corações. Obrigado Luiz, Anna, Lucinéia e Fábio por mais este encontro delicioso e que venham os próximos!

Até lá!

Friday, January 4, 2013

Ora Pois Restaurante, Tinto da Talha 2010 & Monte Velho 2011: Um trio português com certeza!

Ainda como consequência de "ganhar" uma família nova (já explicado no post anterior) fui convidado juntamente com minha noiva pra uma noite dessas conhecer o restaurante português (acho que ainda sob o efeito Vitor, também explicado no post anterior) "Ora Pois"localizado na charmosa e aconchegante Serra da Cantareira.


O restaurante é uma filial de uma casa já aclamada que existe até hoje na Vila Madalena, bem junto ao burburinho característico da região. Fundada por dois Lisboetas sonhadores, a casa conta com pratos típicos a preços competitivos e uma carta de vinhos honesta e com algumas opções interessantes.

Antes de qualquer escolha de pratos, o pessoal já se adiantou e pediu porções de bolinhos de bacalhau, belamente dourados pelo processo de fritura, bem sequinhos e com bastante recheio de bacalhau.  O  próximo passo foi então a escolha do vinho, que primeiramente ficou a cargo do "primo" e xará de Portugal, que optou por um Alentejano interessante, o "Tinto da Talha 2010", aromas de frutos vermelhos e algo de especiarias, corpo médio, taninos finos e domados e acidez um pouco baixa, mas sem prejudicar o vinho. Só pela entrada já previa que a noite seria mais uma daquelas de esbórnia gastronômica.


Como previa o script e por eu ser muito previsível, quando passei os olhos sobre o cardápio, minha escolha seria um pouco óbvia: iria de bacalhau, afinal sou doido por este "peixe" misterioso. Brincadeiras a parte, um dos motivos também pelo qual escolhi um prato baseado em bacalhau era por que o mesmo servia duas pessoas e eu iria apreciá-lo em conjunto com minha noiva. A escolha seria então o modo de preparo do mesmo, e acabamos por optar pelo "bacalhau com natas", preparado de forma deliciosa com bacalhau desfiado em profusão num molho branco de natas e batatas palha gratinado no forno com queijo deixando aquela camadinha crocante por cima do prato. Era de comer lambando os dedos!

Como o vinho tinha acabado, recaiu sobre mim a escolha da próxima garrafa e eu vi na carta um velho conhecido, o "Monte Velho 2011" e optei pela segurança. E não é que o vinho agradou? Um pouco mais potente que o anterior e mais frutado, o vinho tinha um pouco mais de corpo e taninos e acidez mais equilibrados, caindo no gosto até das pessoas que não são grande apreciadores de vinhos. Para quem achava que era pouco, ainda optamos por um pastelzinho de Santa Clara de sobremesa para "rebater a umidade" e acalentar o coração. 

E a noite entre pessoas especiais, amor, família, foi se findando com o se aproximar da madrugada. E isso era só o começo das festividades de final de ano!

Até o próximo!

Ps.: Como vocês, meus caros leitores, devem ter percebido, a qualidade das fotos mudou. É que eu contratei uma nova fotógrafa, minha noiva Carolina, e ela tem feito um ótimo trabalho. Obrigado, amor!

Friday, November 16, 2012

Voyeur Carpe Noctem 2008: Observar ou ser observado?

Já se sentiu observado? No trânsito, no escritório, pela janela do seu quarto? De certeza que em alguma ocasião alguém tinha os olhos postos em si. Ninguém lhe tocou, mas foi alvo de desejo sem saber. À sua frente tem um objecto de prazer. Olhe bem... Não resista à provocação! Toque, sinta, cheire e beba. Não vai ter muitos momentos assim.


Assim está escrito no rótulo do vinho Voyeur, que pode ser considerado top de linha da Wines With Spirit, que degustamos no último winebar, dando sequência a meu post anterior. Este é um tinto elaborado com as uvas Castelão (48%), Touriga Nacional (28%) e Touriga Franca (24%) também na região de Península de Setúbal, em Portugal. É feito em edições especiais de 10 mil garrafas, se não me engano, e a minha era a de número 2853. Como já falei bastante sobre o projeto ou das linhas de produtos da Wine With Spirits no post anterior, me darei o direito de ir direto para as impressões sobre o vinho. Tenho certeza que vocês, meus leitores, irão achar melhor assim.

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor violácea escura, com bom brilho e pouco transparência. Lágrimas finas, rápidas e com pouca cor completam o aspecto visual.

No nariz o vinho se motrou muito aromático, trazendo aromas de frutas escuras, especiarias com pimenta em evidência e toques de chocolate e madeira.

Na boca o vinho tinha bom corpo, boa acidez e taninos finos e redondos mas bem marcados. Retrogosto de frutas escuras apimentado, num final longo e bem saboroso.

Um grande vinho, de muita qualidade e que valeu mais do que nunca a participação no Winebar. Se você ainda não provou, recomendo que o faça. Cada vez que provo um novo vinho português, fico mais fã ainda dos nossos patrícios no tocante a seus vinhos. 

Até o próximo!

Wednesday, November 14, 2012

Bastardo 2010: vinho português com muito bom humor

Ontem foi dia de mais um Winebar, desta vez com os vinhos portugueses da linha "Wine with Spirit" que estão sendo trazidos ao Brasil pelas mãos da importadora abflug e do competentíssimo Marcelo Toledo. 

Esta linha de vinhos possui um conceito interessante, onde os vinhos são vendidos como emoções engarrafadas, sendo que cada um representa uma emoção e serviria para uma ocasião específica. Além isso, são feitas pesquisas exaustivas com relação a todos os aspectos que envolvem o vinho e sua comercialização, tais como elementos visuais, blend que mais se adequa ao vinho e assim por diante. Uma das principais jogadas de marketing da empresa foi a criação também do conceito de enotainment, ou seja, entretenimento tendo como pano de fundo o vinho, o consumo do mesmo e as emoções que ele ajuda a intensificar, ou esquecer. Esta comunicação ousada faz com que a empresa esteja hoje muito bem posicionada no mercado, atingindo diversos mercados na América do Sul, Ásia, Europa e buscando uma expansão contínua.


Na noite de ontem começamos provando o vinho Bastardo 2010, um rosé não muito usual, corte das uvas Castelão (45%), Aragonez (25%) e Trincadeira (30%) provenientes da região de Península de Setúbal, em Portugal. Vejam o que a Wine with Spirit coloca no contra rótulo do vinho: "Pessoas furiosas por amor terão prazer ao saborear um copo deste fluido mágico que anulará a existência deste ser. Escrever uma dedicatória no rótulo, em honra de uma determinada pessoa, vai ajudar a refrescar a temperatura e carregar um vídeo no micro site vai ajudar a arrefecer a raiva. A comunidade on-line de apreciadores de Bastardo! será uma ferramenta poderosa para revelar o lado feminino do vinho que aguarda a sua libertação. À tua Bastardo!". Precisa falar alguma coisa mais? Acho que não. Vamos então as impressões sobre o vinho.

Na taça apresentou uma cor mais escura do que os convencionais rosés de Provence com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, incolores completavam o aspecto visual.

No nariz o vinho se mostrou bem simples com aromas marcantes de frutas vermelhas frescas e algo que me lembrava açúcar queimado, calda de pudim sabe? Ao fundo leve toque floral. 

Na boca o vinho apresentou um corpo médio, mais do que esperado pra um rosé, uma acidez um pouco mais baixa do que eu gostaria mas sem comprometer e taninos bem finos e macios. Retrogosto marcado por muita fruta vermelha e uma lembrança de algodão doce. Achei engraçado mas foi isso que me lembrou. 

Um vinho simples, que acerta na proposta de bebida despretensiosa, sem muita frescura e que servirá muito bem pra um happy hour ou mesmo bebericar sem motivos. Até minha namorada, que não havia tido experiências anteriores com vinhos rosés, achou o vinho interessante e gostoso. A marca acerta em cheio no seu público alvo! Eu recomendo!

No próximo post continuamos com os vinhos do Winebar. Até lá!

Sunday, February 5, 2012

JP Azeitão Tinto 2010

Noite dessas em que não havia muito o que se fazer eu estava com muita vontade de tomar um vinhozinho simples só pra curtir o tempo passar. E eu me deparei com este vinho, que apesar de até então ser desconhecido, era da gigante Bacalhôa Vinhos de Portugal, que entre outros faz os ícones Palácio da Bacalhoa e o Quinta da Bacalhoa, sendo que o primeiro já foi comentado aqui (relembre o post). 

JP é a linha de entrada da vinícola, com a proposta de consumo rápido e jovem, o vinho é um corte de 60% Castelão, 30% Aragonez e 10% Syrah. Aliás, para quem ainda não associou o nome, Castelão é a famosa uva  conhecida também por Periquita, e dá nome a um dos mais famosos vinhos portugas em terras brasilis. Mas voltando ao nosso motivo do post, o vinho também não passa por madeira.


Na taça o vinho apresentou uma cor violácea bem escura, intensa e brilhante. Lágrimas finas, levemente coloridas e rápidas compunham o conjunto visual.

No nariz o vinho apresentou muita fruta, lembrando ameixas pretas, uvas passas e algo de goiaba. Um vinho bem explosivo, um pouco diferente do que eu esperava mas muito agradável.

Na boca o vinho mostrou taninos finos, quase imperceptíveis, acidez um pouco baixa mas sem desagradar e corpo de leve para médio. Trouxe frutas de novo no retrogosto, e manteve-se assim num final de curto para médio. 

Um vinho simples, sem defeitos e que deve agradar até as pessoas que não são consumidoras costumeiras de vinho, pois tem aquela sensação de dulçor durante a degustação. Eu recomendo.

Até o próximo!

Sunday, August 21, 2011

Portas de Lisboa 2008

Mais uma final de semana com frio e chuva em sampa, e eu impossibilitado de sair de casa, resolvi aproveitar para experimentar este vinho que eu já tinha ouvido certo burburinho. Ele participou daquela campanha/concurso de comida de buteco, em mais uma estratégia de sua importadora, a abflug, em democratizar o consumo de vinho.

Aliás, em um outro post relacionado a importadora esqueci até de comentar que cheguei a conhecer, de maneira um pouco rápida é verdade, um dos sócios da importadora, o Marcelo Toledo, e pelo pouco que conversei com ele senti que ele tem muita sinceridade e vontade de fazer a coisa acontecer, ao menos no discursso. Desejo realmente que tenham sucesso na empreitada.

Falando um pouco sobre o vinho em si, trata-se de um vinho regional de Lisboa, produzido pela Casa Santos Lima e tem em sua composição as uvas Castelão (mais conhecida aqui como periquita), Touriga Nacional e Syrah. Passa por envelhecimento em carvalho, porém não encontrei detalhes sobre quanto tempo, porcentagem do vinho que passa por carvalho e coisas do gênero. Vamos as impressões.

Na taça apresentou uma bonita cor violácea com ligerio halo aquoso, lágrimas finas e levemente coloridas, rápidas e em grande quantidade.
 

No nariz abriu com muita fruta vermelha madura, aquela sensação de doçura quase, com algo de especiarias e fundo levemente floral. Depois de um tempo mostrou ainda algo de baunilha. Mais complexo até do que eu poderia esperar.

Em boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez, taninos finos mas presentes e álcool bem integrado. Confirmou fruta e especiarias em boca e tinha ainda um final de média duração lembrando ainda caramelo e/ou bala toffee. Bem interessante.

Enfim, mais uma bela tentativa para se democratizar o consumo de vinho no país sendo que este vinho custou algo em torno de R$ 25,00, salvo engano, na rede Sam´s Club e valeu o investimento.

Atá o próximo.