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Thursday, February 1, 2018

Stellenrust Chenin Blanc 2016

Hoje no Balaio iremos falar de um vinho oriundo de um país que não é muito comentado por aqui mas que sempre trás boas surpresas com castas pouco usuais, também. Estou falando do Stellenrust Chenin Blanc 2016, um vinho sulafricano da região de Stellenbosch que impressionou por aqui. Vamos ver o que descobrimos sobre ele?


A Vinícola Stellenrust foi fundada em 1928 e já produziu alguns dos mais excelentes vinhos de qualidade que a região de Stellenbosch da África do Sul pode oferecer. Consiste em cerca de 400ha (200 ha plantadas), das quais a metade fica localizada sobre a área do Triângulo Dourado de Stellenbosch, reconhecida internacionalmente por alguns dos melhores vinhos tintos da África do Sul. A outra metade situa-se no alto das Montanhas Bottelares, conhecida pelo seu clima fresco e brisas do mar da tarde, saindo da Cidade do Cabo para nutrir os excelentes vinhos brancos e tintos. A Stellenrust orgulha-se hoje de ser uma das maiores propriedades vinícolas de propriedade familiar da África do Sul, gerando gerações de habilidades de vinificação e o legado de nosso lema "onde a excelência cumpre a vinificação" apresentada em cada garrafa.

Falando especificamente sobre o Stellenrust Chenin Blanc 2016, podemos ainda afirmar que o vinho é feito com uvas 100% Chenin Blanc de vinhas com idade variável, mas não menores de 30 anos e até 42 anos de idade. Cerca de 12% do vinho é fermentado em barricas de carvalho francês de 3º e 4º usos (o restante é fermentado em tanques de aço inoxidável). Após este processo, ambas as porções são mantidas por 5 meses em seus respectivos recipientes em contatos com as leveduras até o blend e finalização. Nos resta portanto, falar sobre as impressões a cerca deste vinho.

Na taça o vinho apresentou coloração amarelo palha com reflexos verdes com excelente brilho e limpidez.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos cítricos e tropicais (como limão siciliano, pera, manga e outros) além de um delicioso toque mineral, quase salino.

Na boca o vinho mostrou corpo médio aliado um excelente frescor. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Me parece que Chenin Blanc é algo que os vinicultores da África do Sul fazem muito bem, e este não é exceção. Muito Fresco, vibrante e com muita fruta, impressionante e convidativo. Eu recomendo a prova. É trazido pela Winebrands e vale o quanto custa.

Até o próximo!

Tuesday, December 13, 2016

Langtafel White Blend 2014

Eu gosto muito de variar os vinhos que bebo e, mais do que isso, procuro variar as regiões vinícolas que experimento para sempre poder aprender mais sobre os vinhos e suas peculiaridades. E hoje fomos até a um local que, na minha opinião, é até pouco explorado no nosso mercado mas que trás algumas gratas surpresas. Hoje falaremos de África do Sul e mais do que isso, falaremos de um bom vinho branco de lá com um corte não muito usual. Hoje é dia de Langtafel White Blend 2014.


O Langtafel White Blend 2014 é produzido pela Mooiplaas Wine Estate, situada entre as montanhas majestosas e férteis dos vales de Stellenbosch, na África do Sul. A propriedade é uma fazenda histórica cujos vinhedos estão plantados entre dois oceanos em encostas íngremes de antigos solos ricos em minerais nas ensolaradas colinas da região. É lá que Tielman e Louis Roos produzem uma gama de vinhos enraizados na tradição e técnicas artesanais que aproveitam ao máximo o terroir único da região. Uma das características mais marcantes da Mooiplaas é o terreno irregular, desde os prados no fundo do vale até a bacia hidrográfica no topo das colinas. Estes contrastes topográficos resultam em diferenças interessantes no microclima. Hoje, a Mooiplaas Wine State ocupa uma área de 243 hectares, dos quais cerca de 100 hectares são plantados com vinhas e 70 hectares dedicados a um parque natural privado.

Falando sobre o Langtafel White Blend 2014, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito a partir de um blend das uvas Chenin Blanc, Sauvignon Blanc e Semillon sem qualquer estágio em madeira. Vamos, finalmente, as impressões sobre o vinho?

Na taça o vinho apresentou coloração amarelo palha com reflexos levemente dourado com muito brilho e limpidez.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos cítricos e tropicais, aspargos e um toque mineral interessante no fundo.

Na boca o vinho apresentou corpo médio com boa acidez. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo e delicioso.

Um bom vinho para o dia a dia, mais um vez fugindo dos hermanos chilenos e argentinos. É excelente para se ampliar a litragem com vinhos de outros países menos consumidos por aqui além de ser super fácil de beber, daqueles que a garrafa seca logo. Eu recomendo a prova. Mais um vinho do clube de vinhos da Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

Wednesday, November 16, 2016

Goedverwacht Crane Red Merlot 2013

Hoje em dia muito se tem batido na tecla de que a uva Merlot pode ser considerada a uva simbolo brasileira, seja por ser largamente plantada ou por uma mera forçação de barra (você decide), embora eu discorde desta afirmação (acho que outras uvas trazem melhores resultados em vinhos tintos por aqui), existem outros lugares que fazem alguns vinhos bacanas com esta casta. E o vinho de hoje, o Goedverwacht Crane Red Merlot 2013, é um exemplo disso. 


Hoje, a Goedverwacht Wine Estate, produtora do vinho em questão, está situada no belo vale a partir do qual a pequena cidade Bonnievale leva seu nome, próximo a parte ocidental da Cidade do Cabo, na África do Sul. O centro de degustação de vinhos foi projetado por Derek Van Zyl e a adega/casa da fazenda recém-construídas se assemelham a um celeiro centenário, renovado com características holandesas da cidade do Cabo, como vigas expostas e acabamentos rústicos. Na década de 1960, Gabriel Hendrik du Toit, um engenheiro civil, seguiu o seu sonho de se tornar um viticultor através da compra de duas fazendas vizinhas, totalizando 70 ha, no belo Breede River Valley, entre Robertson e Bonnievale. Ele acrescentou uma terceira propriedade para começar uma fazenda de gado leiteiro e chamou-lhe Soek Die Geluk, uma vez que ele acreditava firmemente que iria encontrar a felicidade neste empreendimento. Entre 1989 e 2003, Jan du Toit, o atual proprietário, acrescentou mais três fazendas para as propriedades originais e, atualmente, as duas fazendas cobrir um total de 220 ha. Desse total, 180 ha estão sob irrigação.

Já sobre o Goedverwacht Crane Red Merlot 2013, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito com 100% de uvas Merlot e que, curiosamente, passa por estágio em tanque de inox com pedaços de carvalho (chips) por aproximadamente 7 meses até seu engarrafamento. Sem maiores delongas, vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, de velocidade moderada e ligeiramente coloridas também se faziam presentes.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, especiarias e toques de chocolate amargo. Com mais algum tempo em taça foi possível também se sentir notas de café torrado.

Em boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Outra grata surpresa vinda da África do Sul, tão pouco explorada por nós enófilos brasileiros. As razões são muitas e já bati bastante nesta tecla e por isso nem vale repetir. de qualquer maneira, se estiver buscando boas experiências com vinhos sul africanos, eu recomendo que provem o Goedverwacht Crane Red Merlot 2013. Este é mais um vinho do clube de vinhos da Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

Monday, December 7, 2015

Goedverwacht Crane White Colombar 2014: Um bacana vinho sul africano!

Quando começamos no mundo do vinho sempre procuramos vinhos que costumam ser "portos seguros", conhecidos da grande massa, fabricados como reloginhos e que normalmente não decepcionam paladares menos exigentes. Com o passar do tempo, entretanto, nosso paladar começa a ficar mais exigente e nossa curiosidade passa a aumentar, sendo ai quando começamos a buscar vinhos diferentes. E esse é o caso deste Goedverwacht Crane White Colombar 2014, um vinho branco sulafricano feito com uma uva pouco conhecida e usual: Colombar. Vamos ver o que descobrimos sobre este vinho?


Hoje, a Goedverwacht Wine Estate, produtora do vinho em questão, está situada no belo vale a partir do qual a pequena cidade Bonnievale leva seu nome, próximo a parte ocidental da Cidade do Cabo, na África do Sul. O centro de degustação de vinhos foi projetado por Derek Van Zyl e a adega/casa da fazenda recém-construídas se assemelham a um celeiro centenário, renovado com características holandesas da cidade do Cabo, como vigas expostas e acabamentos rústicos. Na década de 1960, Gabriel Hendrik du Toit, um engenheiro civil, seguiu o seu sonho de se tornar um viticultor através da compra de duas fazendas vizinhas, totalizando 70 ha, no belo Breede River Valley, entre Robertson e Bonnievale. Ele acrescentou uma terceira propriedade para começar uma fazenda de gado leiteiro e chamou-lhe Soek Die Geluk, uma vez que ele acreditava firmemente que iria encontrar a felicidade neste empreendimento. Entre 1989 e 2003, Jan du Toit, o atual proprietário, acrescentou mais três fazendas para as propriedades originais e, atualmente, as duas fazendas cobrir um total de 220 ha. Desse total, 180 ha estão sob irrigação.

Sobre o Goedverwacht Crane White Colombar 2014, podemos dizer que é um vinho feito 100% a partir da uva Colombar, que é uma variedade francesa pouco conhecida e muito utilizada na França para a produção de Cognac e Armagnac e é muito raro encontrar um varietal desta uva. Sem passagem por madeira. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração amarelo palha com reflexo esverdeados, muito brilhante e límpido.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos tropicais e frutos cítricos. Depois de um tempo aparece algo que lembra grama cortada, quase como nos Sauvignon Blanc chilenos, mas menos intenso.

Na boca o vinho se mostrou untuoso, de bom corpo e com uma bela acidez. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Outra grata surpresa vinda da África do Sul, tão pouco explorada por nós enófilos brasileiros. As razões são muitas e já bati bastante nesta tecla e por isso nem vale repetir. de qualquer maneira, se estiver buscando boas experiências com vinhos sul africanos, eu recomendo que provem o Goedverwacht Crane White Colombar 2014. Este é mais um vinho do clube de vinhos da Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

Thursday, September 10, 2015

Nederburg Action: 41ª edição do maior leilão de vinhos do Novo Mundo!



Considerado o maior leilão anual de vinhos do Novo Mundo, o Nederburg Auction, chega a sua 41º edição. Realizado anualmente na cidade de Paarl, em Westerm Cape, na África do Sul, o evento acontece nos dias 11 e 12 de Setembro e tem entre seus principais objetivos promover o vinho local, divulgar os avanços do país no cultivo das uvas e na produção do vinho, além de criar um canal para venda de safras antigas e recentes (quem sabe o Brasil pudesse aprender com ações como essas para promover seus produtos e vinhos, não?).

Exibindo

Promovido pela vinícola Nederburg, a primeira edição do Auction aconteceu em 1975, em conjunto com outras quatro vinícolas. Desde então, o número de participantes é cada vez maior. O evento, que é o mais antigo do Novo Mundo, está entre os principais do planeta, ao lado dos leilões de Hospice de Beaune na França e na Kloster Eberbach na Alemanha.

Ao todo, 67 vinícolas participarão do evento este ano disponibilizando vinhos para compras e provas. Os consumidores e especialistas, além de degustar a bebida e dar os seus lances, também podem acompanhar, entre um pregão e outro, eventos que valorizam a cultura sul-africana.


As vendas no Auction são divididas em sete categorias: Noble late Harvest, Semi-Sweet White, Port, Red, Cap Classic Sparkling, Fortified e Dry White. No ano passado, o leilão teve um novo recorde de vendas com um aumento em 68,5% em relação à edição de 2014 – quando preço médio por litro foi de R 597.36 (R$ 128,00) e total de vendas foi de R 7 milhões (R$ 1,5 milhão).

O Nederburg Auction também realiza uma ação beneficente em que parte das vinícolas participantes doam rótulos especiais para a venda. O valor arrecadado é destinado à Fundação Hope Through Action e ao Centro Breytenbach. Entre esses rótulos está o Nederburg Private Bin Edelkeur 1977

Superando as expectativas a cada edição, o Nederburg Auction tornou-se uma plataforma de expansão nacional e internacional dos vinhos sul-africanos. Além disso, o evento revela ao mundo o potencial da região como produtora de vinhos de qualidade. como indústria e a qualidade dos vinhos da região.

Confira a lista das vinícolas e seus respectivos rótulos que estarão à venda no Nederburg Auctionwww.nederburgauction.co.za/2015-wines-on-auction/

Num mar de noticias ruins em que o mundo se encontra, com intolerâncias de todos os modos, uma boa ação como a que também faz parte deste leilão, merece ser divulgada.

Até o próximo!

Tuesday, September 8, 2015

Goedverwacht Crane Rosé Brut 2013: Borbulhas vindas da África do Sul!

Hoje, a Goedverwacht Wine Estate está situada no belo vale a partir do qual a pequena cidade Bonnievale leva seu nome, próximo a parte ocidental da Cidade do Cabo, na África do Sul. O centro de degustação de vinhos foi projetado por Derek Van Zyl e a adega/casa da fazenda recém-construídas se assemelham a um celeiro centenário, renovado com características holandesas da cidade do Cabo, como vigas expostas e acabamentos rústicos. Na década de 1960, Gabriel Hendrik du Toit, um engenheiro civil, seguiu o seu sonho de se tornar um viticultor através da compra de duas fazendas vizinhas, totalizando 70 ha, no belo Breede River Valley, entre Robertson e Bonnievale. Ele acrescentou uma terceira propriedade para começar uma fazenda de gado leiteiro e chamou-lhe Soek Die Geluk, uma vez que ele acreditava firmemente que iria encontrar a felicidade neste empreendimento. Entre 1989 e 2003, Jan du Toit, o atual proprietário, acrescentou mais três fazendas para as propriedades originais e, atualmente, as duas fazendas cobrir um total de 220 ha. Desse total, 180 ha estão sob irrigação.


Sobre o Goedverwacht Crane Rosé Brut 2013 podemos ainda acrescentar que é um vinho espumante feito a partir de uvas Syrah (100%) pelo método Charmat, ou seja, com a segunda fermentação acontecendo em tanques de inox. Não consegui precisar o período de contato com as leveduras. Vamos as impressões?

Na taça o vinho espumante mostrou uma coloração salmão mais escura, límpido e brilhante. Boa formação de perlage, fino, delicado e contínuo.

No nariz o vinho espumante apresentou aromas de frutas vermelhas, tuti-fruti e leve toque de fermentação ao fundo. 

Na boca o vinho espumante era cremoso e bem fresco.O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Um ótima descoberta de vinho espumante, de um local não tradicional pra este tipo de vinhos, mas que pode vir a ser uma boa opção para o dia a dia, para um papo com amigos ou mesmo para bebericar com uma boa companhia. Para acompanhar, neste dia resolvemos fazer um risoto de legumes (receita da Rita Lobo do canal por assinatura GNT) e uma roseta de pescada. Tudo ficou muito bom e o casamento se deu de maneira muito saborosa. Eu recomendo a prova. Este é mais um vinho do clube de vinhos da Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

Tuesday, August 25, 2015

Café Cabernet 2012: O que este curioso vinho sul africano tem?

Um vinho curioso que já te faz pensar e te induz a procurar determinados aromas e sabores. Será que funciona? É o que iremos verificar a seguir.


Este vinho é produzido pela Linton Park Wines na região do Cabo da Boa Esperança, na África do Sul. Sua história começa em 1699. Nesta época, a propriedade De Slangerivier, que leva seu nome em virtude do pequeno e sinuoso rio que flui do Monte Groenberg para a região onde a fazenda está situada, foi concedida ao francês Louis Fourie pelo então governador da época, Willem Adriaan van der Stel, sendo ele (Louis Fourie) o responsável pelo plantio das primeiras vinhas por lá. Em 1995, os planos foram elaborados para a restauração completa da propriedade, concluída algum tempo depois. Atualmente a fazenda cobre 294 hectares dos quais 100 hectares são cobertos com castas nobres, como Cabernet Sauvignon, Shiraz, Merlot, Pinotage, Chardonnay e Sauvignon Blanc. Os vinhedos estão situados nas encostas do Monte Groenberg com mais de 500m de altura, onde as temperaturas são muito mais frias e os solos ricos em um terroir único.

Já sobre o Café Cabernet 2012, podemos ainda acrescentar que é um vinho 100% feito com uvas Cabernet Sauvignon colhidas manualmente de videiras com idades por volta de 5 anos. É carinhosamente trabalhado com carvalho francês para aflorar os aromas alvo da proposta, no caso derivados do café. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração violácea de grande intensidade com bom brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, rápidas e coloridas também eram notadas nas paredes da taça.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, leve toque de especiarias, café com leite e café torrado. 

Na boca o vinho se mostrou de corpo médio, taninos finos e acidez na medida. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Um vinho bem feito, curioso e que realmente entrega o que promete. Recomendo a prova, principalmente pra quem quer e gosta de algo diferente. Recebi mais esse belo exemplar do Winelands Clube do Vinho, o clube que eu assino e recomendo.


Até o próximo!

Thursday, July 23, 2015

Goedverwacht Private Cellar Triangle 2011: África do Sul na taça!

Hoje, a Goedverwacht Wine Estate está situada no belo vale a partir do qual a pequena cidade Bonnievale leva seu nome, próximo a parte ocidental da cidade do Cabo, na África do Sul. O centro de degustação de vinhos foi projetado por Derek Van Zyl e a adega/casa da fazenda recém-construídas se assemelham a um celeiro centenário renovado com características holandesas da cidade do Cabo, como vigas expostas e acabamentos rústicos. Na década de 1960, Gabriel Hendrik du Toit, um engenheiro civil, seguiu o seu sonho de se tornar um viticultor através da compra de duas fazendas vizinhas, totalizando 70 ha, no belo Breede River Valley, entre Robertson e Bonnievale. Ele acrescentou uma terceira propriedade para começar uma fazenda de gado leiteiro e chamou-lhe Soek Die Geluk, uma vez que ele acreditava firmemente que ele iria encontrar a felicidade neste empreendimento. Entre 1989 e 2003, Jan du Toit, o atual proprietário, acrescentou mais três fazendas para as propriedades originais e, atualmente, as duas fazendas cobrir um total de 220 ha. Desse total, 180 ha estão sob irrigação.


Sobre o Goedverwacht Private Cellar Triangle 2011, podemos acrescentar que tem em sua composição um típico corte bordales com 57% de Cabernet Sauvignon, 35% de Cabernet Franc e 8% de Merlot. Passa por envelhecimento de 14 meses em barricas de carvalho francês. Vamos as impressões? 

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor rubi violácea de média intensidade com algum brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, isoladas e sem cor também se faziam notar.

No nariz o vinho se mostrou de boa complexidade num mix de frutos vermelhos e escuros, especiarias, tabaco, chocolate e um fundo de tostado.

Na boca o vinho se mostrou de corpo médio, boa acidez com taninos redondos e macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Outra grata surpresa vinda da África do Sul, tão pouco explorada por nós enófilos brasileiros. As razões são muitas e já bati bastante nesta tecla e por isso nem vale repetir. de qualquer maneira, se estiver buscando boas experiências com vinhos sul africanos, eu recomendo que provem o Goedverwacht Private Cellar Triangle 2011.

Até o próximo!

Friday, June 26, 2015

Bovlei Cellar Brut: Espumante Sul Africano com Chenin Blanc!

Muito falamos dos espumantes nacionais, evidentemente pela qualidade que apresentam, mas de vez em quando é bom descobrir novos exemplares de outras regiões do mundo e com diferentes castas empregadas em sua produção, não é mesmo? E é nessa categoria que enquadramos o vinho espumante de hoje: originário da África do Sul e feito a base de uma casta que faz algum sucesso por lá, que é a Chenin Blanc. Hoje é dia de falarmos do Bovlei Cellar Brut.


Na região de Wellington, na África do Sul, no sopé da majestosa cordilheira Hawekwa, uma jóia vínica nasceu em 1907 e é a segunda mais antiga adega cooperativa na África do Sul. Seu nome revela uma grande parte de sua receita para o sucesso, porque é certamente no solo que seus segredos se aninham - e que a diferença reside no vale. A Bovlei Wine Cellar, ou Boven Valley Wine Cellar como costumava ser conhecida, sabe muito bem como deleitar os enófilos com o fruto do seu trabalho a partir de seu vale. Os membros produtores de uvas (cerca de 32 membros) fornecem cerca de 9000 toneladas de uvas para a Bovlei Wine Cellar anualmente. Cada uma dessas fazendas, contribui com uvas para a fabricação de excelentes vinhos da Bovlei, e tem seus próprios tipos de solo e microclima especial. Uvas como Bukettraube, Sauvignon Blanc e Chenin Blanc são obtidas principalmente a partir dos declives mais frios das áreas de Bovlei e Leeuwrivier. Já as uvas Cabernet Sauvignon, Pinotage, Cinsault e Shiraz são cultivadas em solos quentes das encostas norte de Agter-Groenberg e também em partes das áreas de Bovlei e Leeuwrivier.

Já sobre o Bovlei Cellar Brut, podemos ainda acrescentar que esta é sua primeira safra (2012) e que é feito com 100% de uvas Chenin Blanc a partir do método Charmat (segunda fermentação em tanques de inox/autoclaves). Vamos finalmente as impressões?

Na taça o vinho espumante apresenta uma bonita cor amarelo palha com reflexos verde claros, bom brilho, ótima limpidez e uma formação consistente e duradoura de pequenas borbulhas (perlage fino).

No nariz o vinho espumante apresentou aromas de frutas tropicais e frutas cítricas, tudo bem fresco. 

Na boca o vinho espumante é leve, fresco, algo de cremoso e saboroso. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração. 

Um ótima descoberta de vinho espumante, de um local não tradicional pra este tipo de vinhos, mas que pode vir a ser uma boa opção para o dia a dia, para um papo com amigos ou mesmo para bebericar com uma boa companhia (meu caso). Eu recomendo a prova. Este é mais um vinho do clube de vinhos da Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

Friday, May 8, 2015

Angels Tears Merlot Cabernet Sauvignon 2013: Lágrimas sul africanas!

Em mais um de nossas incursões ao mundo vitivinícola em busca de diferentes vinhos e regiões pouco faldas por aqui, viemos parar na África. Você poderá dizer, e eu não tiro a sua razão, de que a África do Sul já é sim comentada por aqui, em nosso mercado. Eu concordo com você, ao mesmo tempo que discordo ligeiramente. Sempre que pensamos em África do Sul, a primeira coisa que se vem a cabeça são vinhos da uva Pinotage, o que não é o caso aqui. E mais, eu ainda vejo que a oferta de vinhos da África do Sul é pequena, se compararmos a outras regiões do mundo como Argentina, Chile, Itália, França e por ai vai. Enfim, tudo isso pra falar que hoje é dia de Angels Tears Merlot Cabernet Sauvignon 2013 por aqui.


A história da Grande Provence Heritage Wine State, produtora do vinho, é muito bonita e comovente, como a história da África do Sul em geral. A aproximadamente 300 anos atrás, um francês protestante de nome Pierre Joubert escondeu sua bíblia dentro de um filão de pão e botou o pé na estrada, fugindo de perseguição religiosa chegando a um lugar chamado de Elephant's Corner, na África do Sul, mais tarde rebatizado de Franschhoek. Se casou durante a viagem e prosperou em sua fazenda, a Grande Provence Herritage Wine State, com vinho e outras culturas. Após seu falecimento seu legado continuou até que em 2004 a propriedade foi adquirida por homens de negócios da Bélgica e Holanda, que com seu interesse por comida e vinhos finos, mantiveram acesa a chama do negócio. 

A linha de vinhos Angels Tears tem seu nome relacionado a uma lenda local que diz que no século 17, entre as vinhas exuberantes da Cidade do Cabo, a colheita havia produzido um notável safra. Foi ai que anjos adentraram a adega e derramaram lágrimas de alegria quando este belo vinho tocou seus lábios. E cada gota deste vinho Angels Tears é um testemunho a esta lenda e a Grande Provence Wine State orgulhosamente abriga o legado de tal história. Sobre o Angels Tears Merlot Cabernet Sauvignon 2013, podemos acrescentar que é um blend baseado nas uvas Merlot e Cabernet Sauvignon sem envelhecimento em barricas. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor violácea de grande intensidade, muito brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, rápidas e coloridas também tingiam as paredes da taça.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos e toques de especiarias. 

Na boca o vinho se mostrou de corpo médio, boa acidez e taninos macios. Retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Uma boa opção de vinho para o dia a dia, que pode substituir as opções mais conhecidas (Argentina, Chile) e que vem a somar qualidade numa linha de vinhos de entrada disponíveis no mercado nacional. Eu recomendo a prova. Mais um vinho do clube de vinhos da Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo.

Monday, April 20, 2015

Veldfire Pinotage 2013: A África do Sul muito além de suas belezas

E cá estamos nós viajando por este nosso mundo do vinho e aportando nosso interesse na bela África do Sul. Conhecida por sua exuberante fauna e flora principalmente, poucos sabem que a África do Sul tem excelentes vinhos e até uma uva que por lá chamam de minha: a Pinotage. Chegou a vez de falarmos do Veldfire Pinotage 2013.


A uva Pinotage pode ser considerada ainda jovem no cenário vitivinícola mundial se comparada as grandes uvas europeias como Cabernet Sauvignon e Merlot, por exemplo, mas segundo especialistas é "filha" de duas outras européias: Pinot Noir e Cinsault (também chamada de Hermitage). Sim, prezados leitores, ela é oriunda de um cruzamento genético destas duas outras uvas, gerando mais do que uma união dos nomes das duas uvas (Pinot + Age) mas uma uva de mais fácil trato do que a Pinot Noir (mantendo algumas de suas características) e a resistência e fartura na colheita da Hermitage. Entretanto, a facilidade de amadurecimento e o rendimento elevado nas vinhas faz com que os enólogos tenham muito trabalho desde o plantio até a obtenção do caldo final. 

O vinho é produzido pela Stanford Hills State, uma fazenda que dentre outras atividades, se dedica também a produção de vinhos boutique (relembrem o que é vinícola boutique aqui). A Stanford Hills State se tornou reconhecida pela qualidade superior de seus vinhos da cepa Pinotage, produzidos em quantidades muito pequenas até mesmo nas suas gamas de vinhos mais simples, como o caso da linha Veldfire. A Stanford Hills Estate está situada perto da pitoresca aldeia de Stanford, as margens do Rio Klein. Esta aldeia fica a quase duas horas de carro da Cidade do Cabo e manteve a maior parte do seu charme do velho mundo, com suas casas de época e ruas largas.

Já sobre o Veldfire Pinotage 2013, podemos ainda acrescentar que é um vinho varietal produzido 100% com uvas Pinotage da região de Walker Bay, na apelação Stanford Foothills. A fermentação alcoólica e a fermentação malolática se dão em tanques de aço inox. Terminado este processo, o vinho é envelhecido por 6 meses me madeira antes de ser engarrafado e finalmente liberado ao mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor violácea de média para grade intensidade, bom brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, rápidas, ligeiramente coloridas e espassadas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, especiarias e toques florais. Fundo de taça com tostado.

Na boca o vinho mostrou corpo médio, boa acidez e taninos macios e sedosos. Retrogostos confirma o olfato e o final é de média para longa duração.

Uma boa opção de vinho para o dia a dia, para aqueles que como eu gostam de fugir do lugar comum e conhecer outras castas/países/vinhos. Recomendo a prova. Mais um vinho do clube de vinhos da Winelands, o clube de vinhos que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

Monday, February 2, 2015

Nederburg Foundation Sauvignon Blanc 2014: Aplacando o calor da #CBE

É mais uma vez aquela época do mês em que os enoblogueiros(as) espalhados por este Brasil (e mundo) afora se unirem em mais uma degustação virtual, a já conhecida por aqui #CBE - Confraria Brasileira de Enoblogs. Neste mês, mais uma vez, tive um pequeno atraso pelo qual já me desculpo com meus colegas enoblogueiros e enoblogueiras. O tema foi sugerido pelo próprio presidente da Confraria, o Alexandre Frias do blog Diário de Baco: "Desculpa o tremendo atraso neste mês, mas apara agilizar o processo, eu mesmo darei o tema do mês: Um vinho de Sauvignon Blanc sem limite de preço. Por incrível que pareça, este vinho perfeito para o verão, não aparece na CBE há mais de 2 anos! Bora refrescar?". E por aqui como missão dada é missão cumprida, chegamos com o vinho sul africano Nederburg Foundation Sauvignon Blanc 2014.


Um pouco de história da Nederburg: "Em 1º de novembro de 1791, Philippus Bernadus Wolvaart, aos 42 anos recebeu a posse de uma propriedade que cobre o equivalente a 49 ha pela Companhia das Índias Orientais Holandesas (DEIC). Ele pagou a soma de 5600 florins pela a fazenda, que fica entre os rios Berg e Palmiet no distrito de Drakenstein (que hoje conhecemos como Paarl). Batizou a propriedade de Nederburgh. No entanto, o "h" parece ter sido retirado do nome muito cedo na história da fazenda. Ele começou imediatamente a limpar a terra, usando como mão de obra seus 10 bois e seis cavalos. ele estendia suas plantações um pouco a cada ano. Por volta de 1808 ele havia plantado 63 000 videiras e estava produzindo 23280 litros de vinho e outros 2328 litros de brandy. Seu foco, dedicação, espírito pioneiro, paciência e cuidado estabeleceram uma tradição na Nederburg, que se mantém até hoje. Depois disso e nos anos que vieram, após passar pelas mãos de alguns outros proprietários, a Nederburg chegou aos cuidados de Johann Georg Graue, sob os quais viveu altos e baixos mas viu sua fama se expandir e muitos prêmios ganhar com a ajuda do enólogo alemão Günter Brözel, que esteve a frente dos vinhos Nederburg até 1989, quando se aposentou. Desde então a Nederburg nomeou outros enólogos que mantiveram e expandiram a qualidade e o nome da vinícola na África do Sul e mundo afora.

A linha de vinhos Foundation, além de fazer referência ao fundados da vinícola (Philippus Bernadus Wolvaart), é uma linha de vinhos jovens, frutados e indicados para o consumo do dia a dia. O Nederburg Foundation Sauvignon Blanc 2014 é feito única e exclusivamente com uvas Sauvignon Blanc de regiões como Darling, Paarl e Philadelphia de idades que variam entre 50 e 15 anos de idade. Não passa por envelhecimento em barricas. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor amarelo palha com reflexos verdes, límpida e com muito brilho.

No nariz o vinho mostrou aromas discretos de frutas cítricas (maracujá) e grama recém cortada.

Na boca o vinho apresentou corpo leve e boa acidez. O retrogosto confirma o olfato e o final é ligeiro.


Para acompanhar o vinho, minha esposa chef fez rosetas de pescada com geléia de pimenta sobre cama de duxell de cogumelos e batata rústica. Show de bola. Infelizmente o vinho não esteve a altura, muito simples e discreto. As vezes agente erra. De qualquer maneira, fica ai o vinho do mês da confraria. E que venham as próximas.

Até lá!

Friday, May 9, 2014

Degustação de Vinhos Africanos na Vinhos de Bicicleta

Ontem a noite tive a oportunidade de participar de uma degustação bem bacana com vinhos africanos preparada pela Vinhos de Bicicleta, em São José dos Campos. A idéia principal da degustação era difundir um pouco mais os vinhos sul africanos, não tão bem conhecidos por aqui, e mostrar que existem diferenças de terroirs por lá também o que gera vinhos diferentes mesmo utilizando-se a mesma casta. E olha que a história vitivinícola africana é muito antiga, remetendo às tradições do Velho Mundo mas com a cara bastante influenciada pelos estilos do Novo Mundo.


A Vinhos de Bicicleta nasceu primeiramente como um clube de vinhos, depois de uma viagem de seu fundador, Rodrigo Ferraz, a Mendoza na Argentina. Esta viagem tinha como foco bodegas de pequeno porte, as chamadas bodegas boutique ou familiares (já falei sobre isso aqui) e a atmosfera intimista com os vinhos artesanais de cada lugar. Rodeado de história, aromas e sabores, inebriado pela paisagem percorrida, Rodrigo veio com a idéia de fundar um clube de vinhos com foco neste estilo de vinho, e começou a garimpar exemplares ao redor do mundo. Algum tempo depois conseguiu ainda abrir uma loja física com espaço para eventos/degustações e voilá, lá estávamos na sede da Vinhos de Bicicleta. E devo dizer que a loja física deles é muito bacana, uma boa seleção de rótulos, espaço aconchegante e muito bem localizada em São José dos Campos, no interior de São Paulo.


Todos os vinhos da noite seriam oriundos de uma região africana conhecida como "Western Cape", área esta litorânea mais ao sul do país que inclui a famosa Cidade do Cabo (sua capital) e que dentre outras características, é bastante influenciada pelas correntes marítimas vindas principalmente do Atlântico. Possui ainda solos graníticos na proximidade com o litoral o que acaba por transmitir ao vinho certa mineralidade. Passando aos vinhos degustados, postarei a seguir minha impressão sobre cada um deles. Vamos lá?


O primeiro vinho da noite foi o Out of Africa Pinotage 2012. Este vinho é da vinícola African Terroir, que possui diversas linhas de vinhos, mas talvez a mais conhecida no Brasil seja sua linha de entrada, a Tribal. O vinho em questão é um exemplar feito 100% com uvas Pinotage (cuja origem já foi discutida aqui) colhidas no período noturno(o clima notoriamente mais frio evita que a fermentação das uvas comece antes da entrada na adega). Ao que tudo indica não passa por madeira. De coloração violácea bem intensa, o vinho não apresentava qualquer halo de evoluação e denunciava sua jovialidade, contando ainda com lágrimas finas, rápidas, coloridas e abundantes. Aromas de frutos vermelhos silvestres e toques florais. Com algum tempo em taça evolui para compota de frutos vermelhos e algo de chocolate. Na boca o vinho tinha corpo leve para médio, acidez bastante pronunciada e taninos bem fininhos. Final de média duração com um leve toque mineral perceptível. Me pareceu um vinho bem gastronômico, apesar de estar um pouco desequilibrado, mas com tendência a evolução.


O segundo vinho provado foi o Quantum Pinotage 2011, vinho este que também é feito com uvas Pinotage só que desta vez nas mãos da cooperativa Du Toitskloof Winery. A cooperativa se estabeleceu em meados dos anos 60 com cerca de 6 produtores mas atualmente este número já supera os 20 cujos vinhedos estão todos dentro de um raio 10 quilômetros da adega. Está localizado perto da cidade de Rawsonville no vale do Rio Breede. Este já passa por 8 meses de barricas. A coloração não muda muito do primeiro vinho. Nos aromas a diferença é mais pronunciada, com aromas de frutas em compota, chocolate, baunilha e toques terrosos. Apresenta mais corpo, acidez mais regulada e taninos macios. Mais equilibrado que o anterior. O final decepciona, passa rápido pela boca. Não evolui muito com o tempo em taça. Declínio é rápido.


O terceiro vinho da noite foi o BlouVlei Red Blend 2008, quando a coisa começou a se tornar mais séria e deveras interessante. Este vinho é um corte das uvas internacionais Cabernet Sauvignon, Merlot, ShirazCabernet Franc produzido pela Mont du Toit Kelder. Seus vinhedos estão aos pés do monte Hawequa. Este vinho já passa por 18 meses em barricas de carvalho francês. A coloração já acusa um pouco da idade, sendo que o vinho mostrou cor rubi sem brilho e com certo halo tendendo ao granada. Lágrimas já quase incolores. Aromas de frutos negros e vermelhos em compota, chocolate, baunilha, pimenta e toques animais (couro). Na boca uma surpresa, encorpado, taninos mais presentes e acidez na medida. Retrogosto com algo vegetal, distanciando o paladar do olfato. Vinho interessante e saboroso. O preferido da noite, sem dúvida.


E chegamos ao último vinho da noite, o Roodeberg Red Blend 2010, vinho este produzido pela KWV que também é uma cooperativa de produtores da África do Sul. No entanto, a própria KWV incentiva e permite que cada produtor mantenha as características dos seus vinhos, criando a possibilidade de se mostrar as características de cada pedacinho de terra da região. Este vinho nasce assim, um corte de Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah e Petit Verdot. Passa por 10 meses em barricas. Apresentou coloração violácea de boa intensidade, brilho e lágrimas finas e ligeiramente coloridas. Aromas de compota de frutas vermelhas e escuras, pimenta, chocolate e algum tostato. Vinho encorpado, taninos marcados e com boa acidez. Retrogosto confirmando o olfato. Final de longa duração. Grande vinho sem dúvidas.

Ao final a noite, depois também de aproveitarmos uma mesa com azeites, queijos e antepastos especialmente preparados para o evento, com o intuito de harmonizarmos com os vinhos, era hora de nos despedirmos de mais um evento sensacional. Além dos bons vinhos, pude conhecer pessoas interessantes como o próprio Rodrigo, proprietário da loja, ou Raul, português que trabalha trazendo vinhos lá da terrinha e desaguando por aqui. Ainda quero ter a oportunidade de provar seus vinhos. E espero também ter a oportunidade de visitar a Vinhos de Bicicleta novamente em breve. Eu mais do que recomendo!

Até o próximo!

Thursday, August 22, 2013

Decanter Wine Show 2013: Espetáculo, novidades e surpresas!

A edição 2013 do Decanter Wine Show estava de cair o queixo. Muitas vinícolas interessantes, enólogos entusiastas, produtores atenciosos e um espaço bem agradável. O evento tinha como foco o novo mundo e aconteceu no famoso e estiloso hotel Tivoli Mofarrej em São Paulo. A seguir algumas impressões e destaques da feira, sob minha ótica. Vale lembrar que existiam muito mais vinhos para serem provados mas que dentro do que pude degustar, estes valeram as linhas a seguir. Além disso tudo, tive a ilustre companhia do mestre Walter Tommasi (da revista Go Where Gastronomia e blogueiro) que me deu uma verdadeira aula de degustação!





 
Comecei meu giro pelo novo mundo por um produtor nacional que foi uma grata surpresa pra mim, pois nunca havia provado nada seu. Estou falando da vinícola Quinta da Neve, situada na Serra Catarinense, nascida em 1999 e pioneira na região na produção de vinhos. Deles, destaco dois vinhos muito agradáveis: o Sauvignon Blanc 2011, bem claro, brilhante e transparente com bastante tipicidade trazendo frutas cítricas, muito floral e extremamente fresco; e um belo Pinot Noir 2010 (segundo muitos o melhor vinho da vinícola) bem característico, coloração clarinha, transparente com muita fruta vermelha fresca no nariz e toques florais no nariz, leve, elegante e fácil de beber! Ah, e eles trouxeram um rosé pouco convencional também que ainda não foi lançado mas tem tudo pra fazer burburinho por ai.


Depois, fiz a volta ao mundo e fui parar na Nova Zelândia. Confesso que pouco bebi de vinhos vindos de lá, mas a vinícola Wild Rock me chamou atenção por seus vinhos bem feitos e de bom custo benefício. A Wild Rock veio com um Sauvignon Blanc, um Pinot Noir mas uma combinação pouco usual por lá foi o vencedor aqui. Eu estou falando do Wild Rock Gravel Pit Red 2008, um blend de Merlot e Malbec que segundo o pessoal da Decanter, vem de um solo pedregoso originário de um fundo de rio que trás muita elegância, complexidade e vivacidade para o vinho sem se tornar pesado ou cansativo, vale conhecer.




Voltando ao nosso continente, era hora de revisitar alguns vinhos que havia provado in loco, na vinícola El Principal e ainda ver o que de novo eles tinha para apresentar. E não me decepcionei pois as novas safras do Calicanto e do Memórias continuam incrivelmente deliciosas e consistentes com as que provei anteriormente. Mas daqui dois vinhos me chamaram a atenção, pois não os havia provado ainda: o Auqui Sauvignon Blanc 2012, um bom exemplar do Maipo com muito frescor, frutas e toques herbáceos e o top da casa, o El Principal 2008, composto de 95% Cabernet e 5% Carmenere se mostra ainda jovem, mas extremamente elegante, carnudo, frutas maduras, chocolate, especiarias num fundo balsâmico. Delicioso e que aguenta a garrafa por um bom tempo ainda.

 

Era hora de visitar os hermanos argentinos e coube a vinícola Riglos de Tupungato (ainda que com um chileno disfarçado trabalhando e apresentando a vinícola) fazer as honras da casa. E já vou avisando, vinhos extremamente elegantes, frescos e sem aquela pujância hermana podem ser encontrados aqui. Dois destaques pessoais tambem: o Riglos Quinto Sauvignon Blanc 2012, muito elegante, mineral (quase como lamber pedra molhada), fresco ao extremo sem lembrar aqueles vinhos cansativos e adocicados comuns na região e o Riglos Gran Cabernet Sauvignon 2009,  esse de uma estrutura e elegância ímpares, muita fruta escura, especiarias, toques de baunilha com taninos marcados e de excelente qualidade e acidez deliciosa e voluptuosa, pra mim o melhor sem dúvida!



Na sequência duas casas sul africanas. A primeira é a Glen Carlou, distante 35km da Cidade do Cabo com seus vinhos grandes e gulosos mas nem por isso deselegantes. Destaco aqui mais dois vinhos interessantíssimos: O Glen Carlou Quartz Stone Chardonnay 2010, grande, gordo, porém de extrema riqueza e elegância. Aromas de frutas brancas e tropicais, toques de madeira e mel com algo mineral ao fundo. Fresco e denso; e o Grand Classique 2008, este um blend tinto com 5 uvas (Cabernet Franc e Sauvignon, Merlot, Malbec e Petit Verdot) com um mix de frutas escuras e vermelhas, algo de coco e café torrado. O enólogo presente era extremamente solícito e trouxe de surpresa um chardonnay sem barricas que embora não seja comercializado por aqui, fez algum sucesso na feira. Depois a segunda casa sul africana era a Raka, com belos blends complexos e que precisam de tempo em garrafa (taça/decanter/etc.) pra mostrarem todo seu explendor. De lambuja, pude conhecer ainda a filha do produtor, Jorika Dreyer que muito atenciosa e simpática mostrou toda a linha disponível para degustação. Eu já havia provado um vinho deles, o Raka Figurehead, em sua safra 2004 (aqui) e só confirmei o quanto o vinho é delicioso. O meu destaque da feira então vai para o Raka Biography Shiraz, um belo exemplar com muito corpo, elegância, fruta madura e pimenta no nariz e em boca, além de um final pra ficar na memória, sem dúvida o meu preferido. Segundo Jorika, é o vinho de sua história de vida!



Voltando ao Chile, me deparei com a famosa por aqui De Martino e seus excelentes vinhos, seja qual for a linha selecionada para degustar, além é claro de Marcelo Retamal, o homem responsável pelo projeto "barricas free" que foi implantado na vinícola. Escolhi então destacar dois vinhos pouco usuais: o primeiro, o Viejas Tinajas Edición Especial 2012, vinificado em vasos de argila e feito para venda apenas no Chile na bodega, um blend tinto muito alegre, fresco e frutado e que faz parte das degustações nas visitas a bodega; e o Gallardia del Itata Cinsault 2013, que ainda estava nos tanques mas trouxeram alguns poucos exemplares para mostrarem na feira. Um vinho diferente, com maceração carbônica e que muito lembrou os gamays e beaujolais de boa qualidade. Framboesa fresca no nariz, muito frescor em um vinho para se beber de garrafa sem perceber.



Já era hora de fechar meu ciclo pelo novo mundo e minha última parada foi os EUA, onde destaco dois vinhos de vinícolas distintas. Primeiro a vinícola Sequana Vineyards e seu belo Pinot Noir Sundwang Ridge Vineyard do Russian River. Muita tipicidade, frutas frescas, fósforo, animal, num corpo médio e taninos macios e redondos, um vinho pronto para se beber. E pra finalizar, não poderia faltar um Cabernet do Napa Valley com o 19 Block Cuvée Mount Veeder 2008 , da Hess Collection, musculoso, voluptuoso, mentol, fruta escura, firme e complexo tanto no nariz como na boca, vinhaço!


O que dizer de um evento como esse? Sucesso absoluto! Grandes novidades e surpresas, muito vinho de qualidade e diversidade de paladares, mesmo se tratando do novo mundo. E olha que ainda tinha muito mais vinhos que provei e a se provar. Ansioso pelo próximo evento.

Até o próximo!

Friday, August 2, 2013

Curiosidade: A origem da uva Pinotage

A algumas semanas atrás tivemos um Winebar com vinhos sul africanos (relembrem aqui) e dentre os vinhos degustados havia um em especial, feito a partir da uva considerada símbolo do país no tocante ao plantio e produção de vinhos, a Pinotage. Depois do evento fiquei curioso em tentar descobrir um pouco mais sobre esta uva intrigante, que normalmente gera vinhos mais porrada mas que vem conquistando merecida atenção no mercado e fui atrás de mais informações sobre ela. Agora, venho ao blog dividir um pouco do que aprendi com vocês, caríssimos leitores.


A uva Pinotage pode ser considerada ainda jovem no cenário vitivinícola mundial se comparada as grandes uvas europeias como Cabernet Sauvignon e Merlot, por exemplo, mas segundo especialistas é "filha" de duas outras européias: Pinot Noir e Cinsault (também chamada de Hermitage). Sim, prezados leitores, ela é oriunda de um cruzamento genético destas duas outras uvas, gerando mais do que uma união dos nomes das duas uvas (Pinot + Age) mas uma uva de mais fácil trato do que a Pinot Noir (mantendo algumas de suas características) e a resistência e fartura na colheita da Hermitage. Entretanto, a facilidade de amadurecimento e o rendimento elevado nas vinhas faz com que os enólogos tenham muito trabalho desde o plantio até a obtenção do caldo final. 

Os vinhos desta uva tem ainda  algumas características geralmente associadas como por exemplo, taninos mais rústicos e difíceis de se controlar; aromas remetendo a frutas escuras e vermelhas, especiarias e em alguns casos florais e chocolate; não menos comum, a acidez é um pouco mais baixa do que o desejável tornando o vinho um pouco enjoativo entre as mais comumente encontradas.

Entretanto, com o crescimento do consumo e produção de vinhos na África do Sul, muito tempo, dinheiro e dedicação tem sido aplicado no campo vitivinícola do país em prol da obtenção de vinhos sedosos, aveludados, voluptuosos e de certa maneira, sedutores. Hoje no Brasil já existe uma boa gama de vinhos desta uva disponível no Brasil e um recente evento realizado em São Paulo, prova que esta evolução é real.

E vocês, prezados leitores, qual experiências tem com esta uva e com estes vinhos Sul Africanos? Tem mais informações a cerca desta uva? Dividam conosco aqui nos comentários ou mesmo se utilizando da Fan Page do blog no Facebook.

Até os próximos! 

Wednesday, July 24, 2013

Winebar com House of Mandela: Impressões!

Conforme eu havia avisado a vocês, queridos leitores (aqui), na noite de ontem aconteceu mais um Winebar ao vivo, desta vez com vinhos Sul Africanos da "House of Mandela" com a parceria da importadora Ravin. Para os mais desavisados, vale lembrar que o Winebar é um lugar na internet onde se promovem experiências únicas para os apaixonados pelo vinho e gastronomia através de transmissões AO VIVO, onde você pode provar junto com produtores, importadores, formadores de opinião e afins os melhores vinhos do mundo falando diretamente com eles, enviando seus comentários, dúvidas e tudo que achar pertinente.

Sobre a House of Mandela, complementando um pouco da informação dada no post anterior sobre o assunto, vale dizer que é uma marca criada pela família Mandela para licenciamentos relacionados ao vinho e que utiliza outras vinícolas do país para produção de seus vinhos, vinícolas estas criteriosamente selecionadas a fim de associar o nome da família a produtos de qualidade. Um ponto muito interessante e bonito também sobre a vinícola é que ela segrega parte dos lucros obtidos com a vendagem dos vinhos para auxiliar a fundação que leva o nome de Mandela no auxílio as famílias em dificuldades na África.

Os vinhos degustados na noite de ontem foram:

HOUSE OF MANDELA THEMBU COLLECTION SAUVIGNON BLANC 2012: vinho feito com uvas 100% Sauvignon Blanc da região de Western Cape, na África do Sul. Passa por um interessante e não usual processo de 4 meses de fermentação em tanques de inox antes de ser engarrafado. Na taça mostrou uma coloração amarelo palha bem clarinha, límpida e brilhante com lágrimas finas, rápidas e incolores. Já com relação aos aromas, dominado por frutas cítricas e tropicais além de toques de aspargos. Na boca é que o vinho realmente se mostra, com uma acidez crocante, corpo médio e muita fruta. Final de longa duração. Extremamente fresco, combinou perfeitamente com filets de Saint Peter temperados com limão siciliano, pimenta e sal assados em papelotes de papel alumínio e arroz com brócolis. Fácil afirmar que combina bem com frutos do mar, entradas e saladinhas além de ser ótimo pra se beber por si só!


HOUSE OF MANDELA THEMBU COLLECTION PINOTAGE 2012: vinho feito com uvas 100% Pinotage da mesma região do vinho anterior com maturação de 6 meses em barricas de carvalho. Na taça mostrou cor violácea de média intensidade, pouca transparência e bom brilho. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas completavam o visual do vinho. No nariz o vinho apresentava aromas de frutos escuros e especiarias. Na boca taninos firmes, marcados mas de boa qualidade somados a um corpo médio e boa acidez. Retrogosto confirma olfato com fruta escura em evidência e leve picância num final de média duração. Vinho sem defeitos mas na minha opinião inferior ao branco, principalmente se levarmos em conta o custo x benfício. Harmonizou bem com uma maminha assada com batatas. 


Dois vinhos bacanas e com muita história por trás. Existe quem critique a exploração do nome Mandela, ainda mais com sua atual situação de saúde, mas acho válido principalmente por destinar parte do lucro para ajudar a um povo extremamente sofrido. Aproveitou ainda o boom do consumo de vinho que a Copa do Mundo de 2010 ajudou a promover por lá. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Monday, June 3, 2013

Namaqua Cabernet Sauvignon 2008

Com mais um feriado por aqui, nada melhor do que aventuras culinárias e um bom vinho, certo? Com isso, nasce este nosso post com este vinho sul africano, simples, para o dia a dia mas que agrada e vai bem acompanhando comida. Já comentei sobre a vinícola e a região em outro post por aqui e por isso não vou me alongar com isso (relembrem aqui), pulando para os "finalmentes"deste vinho.

Como esqueci de tirar a foto do vinho, segue imagem retirada do site oficial da vinícola (www.namaquawines.com)

Na taça uma bonita cor rubi com tons violáceos, bom brilho e alguma transparência. Fechando o conjunto visual, lágrimas finas, levemente coloridas e bem rapidinhas também se faziam notar na taça.

No nariz, aromas de frutos negros (groselha  de pele escura, em sua maioria), toques de especiarias e lembrança de baunilha (embora eu não tenha certeza de que o vinho passe por barricas, me pareceu que este aroma estava presente).

Na boca o vinho mostrou corpo médio, taninos finos e redondos e acidez ligeiramente abaixo do que eu esperava, sem comprometer o resultado final. Retrogosto confirma o olfato e a lembrança do vinho se mantém num período de média duração.

Um bom vinho, para o dia a dia, acompanhou bem um filet mignon ao molho gorgonzola e batata assada. Vale conhecer.

Até o próximo!


Wednesday, March 27, 2013

Namaqua Sauvignon Blanc 2011

Sempre em busca de novas experiências e novas sensações no mundo vitivinícola, fico satisfeito quando faço uma aposta que me agrada. Sem muito conhecer a respeito deste vinho sul africano, resolvi encara-lo depois de algumas pesquisas pelo mundo virtual. E ainda bem que o fiz. 


Este vinho é produzido pela Namaqua Wines na região de Matzikama, na África do Sul, região conhecida por sua vasta fauna e flora e também por sua diversidade climática e de terrenos. Se aproveitando desta diversidade, a Namaqua vem se destacando na produção vinícola da região e da África do Sul em geral. Feito com 100% de uvas sauvignon blanc, este vinho não passa por madeira e tem teor alcoólico em torno de 13,5%. Vamos as impressões.

Na taça uma bonita e brilhante cor amarelo palha com traços verdeais. Lágrimas finas, rápidas e incolores também puderam ser notadas.

No nariz aromas de grama recém cortada, maracujá e toques minerais. Todos aromas bem integrados e sem atropelos.

Na boca o vinho mostrou uma deliciosa e refrescante acidez juntamente com um corpo médio. O retrogosto confirma o nariz e trouxe muita fruta (maracujá principalmente) e um final de média duração lembrado levemente aquela salinidade marinha.

Mais uma boa descoberta, este vinho foi adquirido através do portal enogastronomico Selo Reserva. Aliás, o portal é uma boa dica. Os mantenedores do site buscam ofertas de produtos gastronômicos e/ou enológicos e trazem para os "assinantes"do site com condições interessantes. Fora isso, detalham bastante as informações pertinentes a cada um destes produtos e possuem também uma área com receitas, artigos e textos relacionados aos assuntos principais do site. Vale a visita. Eu recomendo.

Até o próximo!

Thursday, January 24, 2013

Risoto de Gorgonzola com Presunto Parma e Fleur Du Cap Bergkelder Selection Chardonnay 2011

Devaneios culinários de uma quarta-feira a noite


Em mais um incursão culinária com minha noiva resolvemos arriscar mais um risoto, prato pelo qual nutrimos verdadeira paixão. E desta vez escolhemos como ingredientes o presunto parma e o queijo gorgonzola. De acompanhamento um belo medalhão de filet mignon. E é claro que como a preparação do prato pede, escolhi um vinho branco sul africano bacana por dois motivos: um para realçar o sabor do prato e dois pra mostrar pra minha noiva que existem vinhos fora do eixo Argentina-Chile que são muito interessantes. Vamos aos resultados.

O risoto é bem simples de se fazer se forem utilizados os ingredientes corretos e na sequência ideal. Primeiro  frita-se o arroz (carnaroli) com cebola picada no azeite. Em paralelo prepara-se um litro de caldo de carne para o cozimento do arroz. Coloque uma xícara de vinho branco e vá acrescentando aos poucos o caldo e provando a "textura" e cozimento do arroz. Quando o mesmo estiver próximo de al dente, você pode incluir então o presunto parma picado e o gorgonzola esfarelado e continuar a misturar na panela para que o arroz pegue o gosto dos ingredientes e para que o mesmo termine de cozer. Finalize com um pouco de manteiga e queijo grana padano. Voilá! E não é por que fomos nós que fizemos, mas o prato ficou uma delícia: arroz al dente, sal na medida, cremosidade dos queijos fundidos de dar inveja e o sabor marcante do parma: era de se comer de joelhos! E para acompanhar um delicioso medalhão de filet mignon frito no azeite, bem suculento e ainda rosado em seu interior.


Agora falarei um pouco da vinícola e do vinho. O vinho escolhido foi o Fleur Du Cap Bergkelder Selection Chardonnay 2011, produzido pela vinícola homônima que é um braço do grupo Distell, grupo este considerado líder do país na produção de vinhos e bebidas "espirituosas". A famosa adega chamada "Bergkelder" se encontra encravada nas montanhas da região de Stellenbosch, notadamente uma das mais famosas regiões vinícolas da África do Sul. Como não encontrei muito sobre o vinho e sua produção, passarei direto então as impressões.


Na taça o vinho mostrou uma coloração amarelo palha bem clara, límpida e transparente com lágrimas finas, rápidas e bem esparsadas. Ligeiro reflexo esverdeado.

No nariz o vinho mostrou aromas de abacaxi, cítricos e toques de fósforo. Leve lembrança de mel ao fundo.

Na boca uma deliciosa e salivante acidez, corpo médio, bom equilíbrio de álcool com boa estrutura geral. Retrogosto trazendo cítricos, mel e leve toque mineral (lembrando um pouco de salinidade). Final de curta pra média duração com ligeiro amargor (sem comprometer).

Uma bela combinação para uma quarta a noite junto de meu amor. Tanto o vinho como os pratos foram muito bem e deixaram a noite ainda mais prazerosa. E que venham muitas outras.

Até o próximo!