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Tuesday, August 25, 2015

Café Cabernet 2012: O que este curioso vinho sul africano tem?

Um vinho curioso que já te faz pensar e te induz a procurar determinados aromas e sabores. Será que funciona? É o que iremos verificar a seguir.


Este vinho é produzido pela Linton Park Wines na região do Cabo da Boa Esperança, na África do Sul. Sua história começa em 1699. Nesta época, a propriedade De Slangerivier, que leva seu nome em virtude do pequeno e sinuoso rio que flui do Monte Groenberg para a região onde a fazenda está situada, foi concedida ao francês Louis Fourie pelo então governador da época, Willem Adriaan van der Stel, sendo ele (Louis Fourie) o responsável pelo plantio das primeiras vinhas por lá. Em 1995, os planos foram elaborados para a restauração completa da propriedade, concluída algum tempo depois. Atualmente a fazenda cobre 294 hectares dos quais 100 hectares são cobertos com castas nobres, como Cabernet Sauvignon, Shiraz, Merlot, Pinotage, Chardonnay e Sauvignon Blanc. Os vinhedos estão situados nas encostas do Monte Groenberg com mais de 500m de altura, onde as temperaturas são muito mais frias e os solos ricos em um terroir único.

Já sobre o Café Cabernet 2012, podemos ainda acrescentar que é um vinho 100% feito com uvas Cabernet Sauvignon colhidas manualmente de videiras com idades por volta de 5 anos. É carinhosamente trabalhado com carvalho francês para aflorar os aromas alvo da proposta, no caso derivados do café. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração violácea de grande intensidade com bom brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, rápidas e coloridas também eram notadas nas paredes da taça.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, leve toque de especiarias, café com leite e café torrado. 

Na boca o vinho se mostrou de corpo médio, taninos finos e acidez na medida. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Um vinho bem feito, curioso e que realmente entrega o que promete. Recomendo a prova, principalmente pra quem quer e gosta de algo diferente. Recebi mais esse belo exemplar do Winelands Clube do Vinho, o clube que eu assino e recomendo.


Até o próximo!

Thursday, July 23, 2015

Goedverwacht Private Cellar Triangle 2011: África do Sul na taça!

Hoje, a Goedverwacht Wine Estate está situada no belo vale a partir do qual a pequena cidade Bonnievale leva seu nome, próximo a parte ocidental da cidade do Cabo, na África do Sul. O centro de degustação de vinhos foi projetado por Derek Van Zyl e a adega/casa da fazenda recém-construídas se assemelham a um celeiro centenário renovado com características holandesas da cidade do Cabo, como vigas expostas e acabamentos rústicos. Na década de 1960, Gabriel Hendrik du Toit, um engenheiro civil, seguiu o seu sonho de se tornar um viticultor através da compra de duas fazendas vizinhas, totalizando 70 ha, no belo Breede River Valley, entre Robertson e Bonnievale. Ele acrescentou uma terceira propriedade para começar uma fazenda de gado leiteiro e chamou-lhe Soek Die Geluk, uma vez que ele acreditava firmemente que ele iria encontrar a felicidade neste empreendimento. Entre 1989 e 2003, Jan du Toit, o atual proprietário, acrescentou mais três fazendas para as propriedades originais e, atualmente, as duas fazendas cobrir um total de 220 ha. Desse total, 180 ha estão sob irrigação.


Sobre o Goedverwacht Private Cellar Triangle 2011, podemos acrescentar que tem em sua composição um típico corte bordales com 57% de Cabernet Sauvignon, 35% de Cabernet Franc e 8% de Merlot. Passa por envelhecimento de 14 meses em barricas de carvalho francês. Vamos as impressões? 

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor rubi violácea de média intensidade com algum brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, isoladas e sem cor também se faziam notar.

No nariz o vinho se mostrou de boa complexidade num mix de frutos vermelhos e escuros, especiarias, tabaco, chocolate e um fundo de tostado.

Na boca o vinho se mostrou de corpo médio, boa acidez com taninos redondos e macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Outra grata surpresa vinda da África do Sul, tão pouco explorada por nós enófilos brasileiros. As razões são muitas e já bati bastante nesta tecla e por isso nem vale repetir. de qualquer maneira, se estiver buscando boas experiências com vinhos sul africanos, eu recomendo que provem o Goedverwacht Private Cellar Triangle 2011.

Até o próximo!

Tuesday, October 9, 2012

Raka Figurehead 2004

Já faz um tempo que eu tenho voltado os olhos para os vinhos sul africanos e sua grande vocação no quesito custo benefício, além é claro da existência da Pinotage, que na minha humilde opinião faz vinhos muito bacanas, carnudos e potentes sem aquele apelo de suco de madeira existente em alguns dos vinhos de nosso hermanitos. De qualquer forma este é mais um exemplo de que estes vinhos ainda devem ser mais explorados, quando pensamos em colocar nosso suado dinheiro em vinhos importados.


Eu confesso que não conhecia este produtor mas como obtive muitas boas indicações sobre o mesmo, resolvi arriscar. A vinícola está situada próxima a cidade do Cabo, na fazenda da família Dreyer, que a adquiriu em meados dos anos 80, sendo que a plantação de vinhas teve início no final da década de 90 com as primeiras mudas de Cabernet Sauvignon. Passado este primeiro estágio, ano após ano mudas de vinhas de diversas variedades foram sendo acrescentadas criando o que hoje já se encontra em torno de 68 ha de vinhas plantadas. A proximidade do oceano e também de terrenos elevados/montanhas criam um ambiente deveras propicio para o cultivo de uvas de qualidade e o empenho dos enólogos trazem gratas surpresas.

Falando um pouco do vinho, o mesmo é feito num corte de 45% Cabernet Sauvignon, 15% Cabernet Franc,15% Merlot, 14% Pinotage 7% Malbec, 4% Petit Verdot e é maturado em carvalho francês por 12 meses, sendo que o engarrafamento aconteceu em junho do ano seguinte. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma cor rubi já tendendo ao granada, com leve halo aquoso. Lágrimas finas, rápidas e incolores completavam o conjunto visual.

No nariz o vinho mostrou-se evoluído e complexo, abrindo com aromas de frutos escuros, especiarias, passando depois a notas balsâmicas e toques animais. Quanto mais tempo o vinho permanecia aberto e na taça, mais você conseguia extrair de aromas. 

Na boca o vinho se mostrou de corpo médio para encorpado, taninos macios e redondos com uma acidez ainda viva, mostrando que o vinho aguentou bem o tempo em garrafa. Retrogosto trazendo lembrança das especiarias e frutos num final de média para longa duração.

Agradeço ao João Filipe da Vino& Sapore e ao Beto Acherboim pela indicação, afinal foi por causa deles que eu comprei o vinho. Valeu muito a pena, ainda mais que estava em promoção por volta de R$ 67,00. Eu pretendo provar outras safras e outros vinhos do produtor. Eu recomendo!

Até o próximo!