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Monday, January 15, 2018

Castillo Perelada Torre Galatea Reserva 2008

A elaboração de vinho na Castillo Perelada é documentada já na Idade Média, como evidenciado por vários documentos e pergaminhos do período que são mantidos na biblioteca. Quando Miguel Mateu comprou este complexo monumental em 1923, um dos seus principais objetivos foi a revitalização desta tradição vinícola, uma tradição que hoje está mais viva do que nunca e que incorporou a tecnologia mais moderna para produzir vinhos que aproveitam ao máximo as nuances dos solos e vinhas de Empordà, na Espanha.


Salvador Dalí e Miguel Mateu, empresário, patrono da cultura e fundador da Perelada, mantiveram uma estreita amizade ao longo de sua vida. O pintor universal do Empordà visitou com assiduidade o castelo que seu amigo havia adquirido em 1923 e pintou e deu discursos. O Castillo Perelada e a Fundação Gala-Salvador Dalí querem homenagear essa amizade com a Torre Galatea Reserva, um vinho que quer ser uma amostra da essência do Empordà, seus solos e seu clima. Um ambiente com o qual o artista coexistiu ao longo de sua vida e que foi uma fonte de inspiração para muitas de suas obras magistral. Uma parte dos lucros obtidos com a venda desta Perelada Torre Galatea Reserva são doados para a Fundação Gala-Salvador Dalí.

Falando finalmente sobre o Castillo Perelada Torre Galatea Reserva 2008 em si, podemos ainda acrescentar que o vinho é um corte feito a partir das castas Garnatxa (39%), Syrah (26%), Merlot (26%) e Cabernet Sauvignon (9%) com passagem de 21 meses em barris de carvalho americano e francês para amadurecimento. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de grande intensidade com algum brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, rápidas e coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, especiarias, tostado, baunilha e notas balsâmicas.

Na boca o vinho se mostrou encorpado de boa acidez e com taninos muito macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Um excelente vinho espanhol que provamos por aqui, uma bela pedida com boa complexidade e elegância. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Tuesday, September 26, 2017

Beau-Séant Merlot 2008

O vinho de hoje é produzido pela Stambolovo Winery, situada no sul da Bulgária, em estreita proximidade com as fronteiras com a Grécia e a Turquia. A região é de importância geográfica chave. O caminho mais curto da Europa para a Ásia e Ásia Menor passa por estas terras. Muito provavelmente esta foi a via pela qual as primeiras videiras foram trazidas para o que é hoje o território da Bulgária. Esse fato se deve, em grande certeza determinar a região como um dos primeiros centros de vinificação na Europa. Com uma história de quase 80 anos de atividade, atualmente a vinícola está entre os principais produtores de vinho na Bulgária. Devido às características benéficas climáticas e terroir da região, bem como a qualidade e tradição comprovada, hoje a marca Stambolovo é considerado pela maioria dos profissionais de negócios do mundo do vinho como a vinícola com os melhores, de maior qualidade e mais típicos vinhos Merlot na Bulgária.


Falando sobre o Beau-Séant Merlot 2008, podemos dizer que este vinho faz parte de uma coleção especial de vinhos, produzidos e engarrafados mediante marcação e licença sob o controle da Ordo Supremus Militaris Templi Hierosolymitani - Magnus Prioratus Magistralis Bulgariae, a ordem dos Templários, ordem militar de monges guerreiros foi fundada sob o nome de Os Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, posteriormente conhecida com o nome atual, Ordem dos Templários, cujo lema era: Non Nobis Domine, Non Nobis, Sed Nomini Tuo Da Gloriam (Não para nós, Senhor, não para nós, mas para o seu nome dar glória). 

Passando aos detalhes viticulturais do vinho, acrescentamos que o vinho é feito com uvas Merlot de uma microrregião controlada no sul da Bulgária, com amadurecimento em carvalho e posterior envelhecimento em garrafa, para liberação ao mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de grande intensidade com algum brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e incolores também faziam parte do aspecto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos maduros, especiarias doces, chocolate amargo e leve toque de tabaco.
Na boca o vinho apresentou corpo médio, acidez na medida e taninos fininhos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Mais um belo vinho que foi apresentado pelo Winelands Clube do Vinho, o clube que eu assino e recomendo. E mais vindo das terras de meus antepassados, alimentando minha vontade de um dia passar por lá e verificar tudo isso e muito mais in loco.

Até o próximo.

Wednesday, June 22, 2016

Craggy Range Single Vineyard Syrah 2008

Sei que ando meio em falta com vocês, leitores do blog, mas é que a semana passada foi bem corrida tanto com relação ao trabalho como também relativo aos vinhos com as visitas à Expovinis. Pretendo corrigir esta falha o quanto antes, e hoje trago pra vocês um vinho que provei lá na feira e que achei bacana compartilhar com vocês por aqui. Estou falando do vinho Craggy Range Single Vineyard Syrah 2008.


A história da vinícola Craggy Range começou com o desejo de criar um legado. O que aconteceu depois, superou até mesmo as expectativas desta família que iniciou tal projeto. Quando Terry Peabody chegou de uma viagem de negócios de quatro semanas, no outono de 1993, sua esposa Mary e sua filha Mary-Jeanne lhe prepararam o jantar. A refeição foi longa e agradável, mas não sem propósito. Terry não teria a permissão para sair da mesa até que ele concordasse em entrar no negócio dos vinhos. A única ressalva feita foi que a empresa nunca deveria ser vendida. Era para ser uma empresa familiar, um legado e um patrimônio duradouro. A busca por uma vinícola começou suficientemente tradicional - na França e na América, espalhando-se depois para a Austrália. Mas, por um acaso do destino, outros negócios acabaram levando-o para a Nova Zelândia. Lá chegando, ele viu o potencial que ainda não tinha visto em outro lugar. O clima excepcional do país, a juventude da indústria do vinho e do espírito pioneiro das pessoas alinhadas com a sua própria filosofia e desejo de cursar um caminho diferente. Gimblett Gravels em Hawke's Bay, na costa leste da Nova Zelândia era uma área com as condições de crescimento perfeitas para seus vinhos favoritos - os tintos de Bordeaux e particularmente, da uva Syrah. O espetacularmente belo vale Tuki Tuki tinha um solo muito adaptável para a uva Chardonnay e seria o lugar ideal para a construção de um novo tipo de adega. Estavam feitas as escolhas.

Falando um pouco do Craggy Range Single Vineyard Syrah 2008 especificamente, podemos acrescentar que é um vinho feito 100% a partir de uvas Syrah oriundas do vinhedo Gimblett Gravels e que além de ter parte do vinho fermentado em barricas, passa também por cerca de 16 a 18 meses de envelhecimento em madeira (cerca de 40% de primeiro uso) antes de ser liberado ao mercado. Vamos as impressões?

Em taça o vinho apresentou uma coloração rubi violácea profunda, de grande intensidade com algum brilho e limpidez.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos negros, especiarias, alcaçuz e toques minerais. Boa complexidade e potencial aromático.

Na boca o vinho se mostrou encorpado, com boa acidez e taninos potentes mas macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo.

Um belo vinho, a meu ver um vinho diferente dos feitos na Nova Zelândia que tendem a ser mais frescos e menos "robustos". Gostei e recomendo a prova.

Até o próximo.

Monday, November 23, 2015

Bárdos és Fia Mátrai Zenit Jégbor 2008: Desapego na #CBE

Mais um vez com certo atraso, chegamos para mais uma participação na #CBE - Confraria Brasileira de Enoblogs, naquela já conhecida e divertida brincadeira onde os membros postam todos sobre um mesmo tema escolhido por um deles. E neste mês foi um pouco diferente e numa data especial. Explico, ou melhor, reproduzo aqui as palavras de nossa confreira Rafaela Giordano: "Claudio faz aniversário neste mês. Para comemorar, escolheremos um vinho especial. Inspirados por esta situação, gostaríamos de sugerir como tema do mês da Confraria Brasileira de Enoblogs o seguinte desafio: qual vinho especial da sua adega você abriria para comemorar uma data importante? Por que não abrir agora?" Portanto, já que o casal responsável pelo Le Vin au Blog pediu, aqui estamos com a nossa singela contribuição. O vinho escolhido? O Bárdos és Fia Mátrai Zenit Jégbor 2008.


Antes de mais nada é bom relembrar que este vinho é também conhecido como icewine, ou seja, um tipo de vinho de sobremesa que foi produzido a partir de uvas congeladas ainda na videira (o mais usual, ao menos). A idéia aqui, entre outras, é de se ter uma uva mais concentrada em açúcares e materiais sólidos (que não congelam em contra partida da água presente no bago) para produzir o vinho. 

O Bárdos és Fia Mátrai Zenit Jégbor 2008 é produzido pela Vinícola Bárdos és Fia, uma das mais conceituadas da Hungria. É um projeto familiar que envolveu Bardos Benjami e seu filho, Thomas. A adega localizada em Farkasmály, já possui mais de 200 anos e já serviu de destino turístico para a burguesia da época em conjunto com as demais adegas históricas da região. É um vinho produzido a partir da cepa Zenit (autóctone) provenientes da região de Mátra. Sem maiores informações, vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração amarelo dourada bem brilhante e límpida. 

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos cítricos, frutos secos (damasco principalmente), mel e um leve toque floral.

Na boca o vinho era gordo, preenche bem a boca e tem a acidez um pouco abaixo do esperado, mas que faz bom contraponto a doçura sem tornar o vinho enjoativo. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo e saboroso.

Um bom vinho de sobremesa que mesmo sozinho, sem qualquer acompanhamento, fez bonito e fechou com chave de ouro uma noite ao lado de minha amada esposa. Eu recomendo a prova. E mais uma missão da #CBE - Confraria Brasileira de Enoblogs - cumprida por aqui.

Até o próximo!

Wednesday, August 26, 2015

Wines of Uruguay #TannatTourBrasil: Uruguay além da Tanat!

O Uruguay é um país cuja a produção vitivinícola quase que totalmente se baseia em produções familiares e colheitas manuais, o que faz com que sua produção não seja lá das mais expressivas em comparação com os outros gigantes mundias e até mesmo com nossos hermanos argentinos e chilenos. Mesmo assim, o Brasil abocanha quase que metade do que de lá se exporta, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Por isso o mercado brasileiro tem ganhado cada vez mais a atenção das ações de marketing e feiras itinerantes da Wines of Uruguay e das bodegas em si. E todos sabemos que em se tratando de Uruguay, a associação mais obvia que é feita é com os vinhos da uva Tannat. E isto não é por acaso, afinal o Uruguay resgatou esta uva francesa de origem na região do Madiran , no sul da França, e hoje conta com cerca de 3000 hectares plantados da uva em seu território, aproveitando alguns do seus melhores e únicos terroirs, sendo o maior produtor da uva no mundo. 

Entretanto, os produtores da Wines of Uruguay mostraram também novas facetas relacionadas a outras uvas que tem se adaptado muito bem ao seu terroir e, mesmo usadas em cortes ou sozinhas, tem começado a brilhar por lá também. E eu vou tentar fugir um pouco do comum e separei alguns poucos vinhos dentre os 24 produtores presentes no dia do evento para tentar demonstrar esta tese. Vamos a eles?


Garzón Albariño Varietales 2014: A uva Albariño tem se mostrado em plena forma em terras uruguaias e este vinho da Bodegas Garzón é um bom exemplo. Quando Alejandro Bulgheroni e sua esposa Bettina descobriram Garzón em 1999, viram nela sua “pequena Toscana em Uruguai”. Assim, entre olivedos e vinhedos, começaram a projetar Bodega Garzón em uma zona privilegiada do Uruguai, próxima a Punta del Este, La Barra e José Ignacio, o paraíso turístico uruguaio. Este exemplar feito com 100% de uvas Albariño também tem um diferencial: permanece sur lie por um período com o intuito de se agregar complexidade. Como resultado temos um vinho que se destaca por suas notas florais e de frutos como pera, abacaxi entre outros. Já em boca é mais gordo do que normalmente encontramos em um Albariño, com um quê mineral e sua bela acidez, que o tornam longo e saboroso.


Artesana Tannat Zinfandel Merlot Edición Limitada 2013: Aqui além deste corte pouco usual (Zinfandel no Uruguay?) temos uma curiosidade sobre a Artesana Winery: quem comanda a festa são apenas mulheres, duas enólogas para ser mais exato, Analía Lazaneo e Valentina Gatti. Situada na região de Canelones, a vinícola nasceu em 2007 nas mãos de um americano. Este vinho é composto por 55% Tannat, 25% Zinfandel e 20% Merlot, que são vinificados separadamente e envelhecidos por 24 meses em barricas de carvalho francês para enfim formarem o blend final. O resultado é um vinho encorpado, denso, com aromas de frutos escuros, tabaco, caramelo, bala toffee e algo de floral. Em boca seus taninos são macios com uma boa acidez e final de média duração. Pra mim, este foi o melhor vinho da masterclass que ante veio a degustação aberta.


Viña Progreso Sangiovese 2008: A Viña Progreso é o projeto experimental de Gabriel Pisano, onde ele está sempre tentando descobrir algum vinho ou técnica nova para aplicar a sua produção. Esta uva de origem italiana não é comumente utilizada no Uruguay mas aqui, Gabriel mostra toda sua paixão, utilizando uma plantação de alta densidade de plantas com produção baixissima por planta, concentrando mais os cachos e obtendo ótimos resultados. Um vinho 100% Sangiovese que após todo processo fermentativo (alcoólico) passa de 9 a 12 meses em barris de carvalho para fermentação malolática e envelhecimento. Resulta em um vinho de corpo médio e pronto para o consumo, mas que por sua estrutura (corpo, acidez e taninos) tende a ficar ainda melhor com tempo em garrafa. Trás aromas de frutos vermelhos, flores e leve toque de baunilha. Vale conhecer este e os outros vinhos deste Pisano "dissidente".


Sauvignon Gris 2015: Produzido pela Filguera Vinedos y Bodega, uma das poucas vinícola que me parece fugir desta imagem familiar e boutique, este vinho é produzido em Canelones com uma uva parente da Sauvignon Blanc (muitos dizem se tratar de uma mutação), a Sauvignon Gris (100%). Não passa por madeira. Temos então um vinho de uma cor quase prateada de tão clara que é, trazendo no nariz muitos frutos tropicais e cítricos com leve toque de flores brancas. Em boca é leve, muito fresco e com um final de média duração. Me pareceu muito a cara do Brasil e das temperaturas elevadas que por aqui temos, mesmo no inverno. 

É claro que existiam muitos outros vinhos interessantes por lá e bodegas a conhecer, mas a idéia aqui foi mostrar uma mínima parte de como o Uruguay pode ser conhecido muito além da uva Tannat. Espero que tenham gostado e se puderem, provem vinhos diferentes, uvas diferentes sem qualquer preconceito, é isto que faz do vinho um universo tão fascinante.

Até o próximo!

Thursday, August 13, 2015

Adaga Marselan 2008: Mais um bom vinho tinto nacional

A Cave de Pedra Winery é toda construída em pedra basalto (rocha matriz da região do Vale dos Vinhedos), com arquitetura que lembra os castelos medievais, daí o nome da vinícola e o título do post. E foi construída assim pois os proprietários, além do gosto pessoal pela época e por tal arquitetura, pensaram também em uma maneira ecológica e mais barata para favorecer a manutenção de temperaturas amenas, necessárias para o amadurecimento e envelhecimento dos vinhos. A Cave de Pedra Winery tem produção limitada de vinhos e espumantes, mantendo assim a tipicidade do terroir do Vale dos Vinhedos. Sua especialidade é a elaboração de espumantes pelo processo tradicional (segunda fermentação em garrafa). Possuí diversas linhas e estilos de vinificação, produção esta que está contida em cerca 45.000 garrafas anuais, que ainda pode variar de safra para safra, dependendo da qualidade das uvas. Tem como principal meio de vendas o varejo da própria vinícola. Conta ainda com um vinhedo "didático" na entrada da sede da vinícola para fins de visitação e degustação de uvas diretamente do pé (uma deliciosa brincadeira, diga-se de passagem), além de espaços que podem ser utilizados para eventos e degustações para grupos de até 300 pessoas.


Sobre o Adaga Marselan 2008 podemos acrescentar que é feito com 100% desta variedade de uva oriunda da Itália (Marselan, que segundo consta é um cruzamento de Cabernet Sauvignon e Grenache) que passa por amadurecimento em barricas de carvalho por oito meses. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor violácea de média intensidade, com algum brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, especiarias doces, toques terrosos e tostados. 

Na boca o vinho mostrou corpo médio, acidez gastronômica e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Mais um ótimo exemplo de vinho tinto nacional a um bom custo benefício e que, mostra que também fazemos vinhos tintos decentes, que duram e que podem agregar a qualquer refeição. Eu recomendo a prova, foi o vinho que brindamos ao dia dos pais lá em casa.

Até o próximo!

Friday, April 24, 2015

Vinícola Perini e sua linha de vinhos na #Expovinis

Eu sei que eu tenho muito material pra publicar por aqui mas, aos poucos vou tentando colocar a casa em ordem. E com toda a agitação da semana com o Encontro de Vinhos e com a Expovinis, fica tudo mais difícil. E por falar em Expovinis, estive no stand da Vinícola Perini, e é sobre eles que quero falar um pouco hoje.


Os imigrantes Antonio e Giuseppe Perini chegavam ao Brasil trazendo da Itália a arte de transformar a uva em vinho há mais de 130 anos atrás, no entanto, a produção vinícola teve início mais tarde, com João Perini em 1928, quando a partir daí começou a expansão e, gradativamente, o aprimoramento do processo de elaboração em todos os aspectos, desde o cultivo de novas variedades viníferas até o produto final. Foi em 1970 que Benildo Perini, neto de Giuseppe e atual diretor da vinícola, iniciou a transformação do pequeno empreendimento familiar em empresa, engarrafando seu vinho com a marca Jota Pe em homenagem ao seu pai João Perini. Já em Garibaldi, as atividades têm início em 1996, quando a Perini terceiriza uma infraestrutura para elaborar seus Espumantes Casa Perini e no mesmo ano, a marca Casa Perini é lançada também para os Vinhos Finos da Vinícola. Atualmente, a Vinícola Perini conta com 12 hectares de vinhedos localizados em Garibaldi e 80 hectares em Farroupilha, agregando uma área total de 92 hectares. (retirado do site do próprio produtor)

Hoje com uma linha muito diversificada, a Vinícola Perini aposta em descomplicar o vinho e trazer para o mercado em todas suas linhas produtos de excelente custo benefício e que tendem a agradar uma vasta gama de paladares do brasileiro. E por isso, vou destacar alguns produtos em diferentes linhas de produtos para quem for visitar a feira ou mesmo quiser prova-los depois.

Começo com o Espumante No 1 2008. É o primeiro espumante vintage da empresa, o que significa que foram selecionadas as melhores uvas da safra para compor este corte de Chardonnay e Pinot Noir em edição especial e limitada de apenas 600 garrafas. Complexo, aromático, evoluído com aromas tostados, frutos secos, florais e com uma acidez muito bacana. Final delicioso.

Passo agora ao Casa Perini Tannat 2012. Como fã confesso desta casta tão controversa e difícil, não poderia deixar de fora um vinho como este. Feito 100% com uvas Tannat da Serra Gaúcha, o vinho impressiona pela maciez. Cor violácea de grande intensidade, aromas de frutos escuros, chocolate e leve toque floral. Na boca os taninos são sedosos e calmos, acidez na medida e corpo médio. Pelo preço (cerca de 30 dinheiros) é pra ser um best seller!

Finalizando nosso passeio por aqui vamos falar do Perini Fração Única Merlot 2012. Como o nome sugere, são usadas uvas Merlot de parcelas especiais e selecionadas. Teve passagem de seis meses por carvalho francês. Resulta num vinho de coloração rubi violácea de média intensidade, aromas remetendo a frutos vermelhos, mentolado, especiarias e algo de baunilha. Final de média para longa duração. Vinho bem feito e muito agradável de se beber.

Conforme disse anteriormente, se estiver na Expovinis, que termina hoje, não deixe de visitar o stand da Vinícola Perini e se deliciar com seus vinhos bacanas. Se não conseguir, tenho certeza de que você deverá procura-los pois valerá a pena.

Até o próximo!

Wednesday, April 1, 2015

François Labet Vieilles Vignes Bourgogne Chardonnay 2008:Vinho da #CBE

E chegamos àquele dia que sempre esperamos com entusiasmo todos os meses, que é o primeiro dia do mês quando os membros da #CBE - Confraria Brasileira de Enoblogs numa gostosa brincadeira postam todos sobre um mesmo tema. Neste mês, o tema foi sugerido pelo amigo Silvestre Tavares Gonçalves, do blog Vivendo a Vida (entre muitas outras atividades deste mestre e grande conhecedor do mundo dos vinhos. Ah, o tema, estava até me esquecendo: "Vamos de branco da Borgonha até 150 reais". Como eu sempre digo por aqui, missão dada é missão cumprida (daquele famoso filme) e o vinho de hoje é o François Labet Vieilles Vignes Bourgogne Chardonnay 2008.


François Labet é um dos pioneiros da Borgonha em viticultura natural e maior detentor da vinha no Clos de Vougeot, com Château de la Tour. Ele também faz uma série de outros vinhos, sob o rótulo François Labet (como é o caso do vinho de hoje). Todos os vinhos seguem as exigências das AOC’s francesas. Após a vinificação, todos os vinhos são amadurecidos, engarrafados e envelhecem em Beaune antes da expedição para mais de 75 países onde os vinhos de François Labet podem ser encontrados. O desejo de Labet é brindar seus clientes com vinhos plenos de caráter, sem aditivos, que possam ser degustados com o mesmo prazer que ele tem, quando está em casa, entre amigos, na beira da piscina ou acompanhando um churrasco. (fonte: www.saintvinsaint.com.br).

Sobre o François Labet Vieilles Vignes Bourgogne Chardonnay 2008, podemos ainda acrescentar que é um vinho elaborado 100% com uvas Chardonnay da região de Côte de Beaune, na Borgonha e a fermentação alcoólica ocorreu em barricas de carvalho de 350 litros à 18ºC para 50% do vinho. Já a fermentação malolática acontece de forma espontânea e o vinho amadurece "sur lie" (sobre as leveduras) por 12 meses antes de ser liberado ao mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho já apresentava sinais de evolução com uma cor amarelo dourada, brilhante e bem limpida. Lágrimas finas, rápidas, espassadas e incolores também compunham o aspecto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos cítricos e tropicais, algo de damasco seco, toques de mel com própolis e também um fundo mineral.

Na boca o vinho era gordo, untuoso e com uma acidez ainda viva. Retrogosto confirma o olfato e deixa mais evidente o toque mineral. Final de longa duração.

Um bom vinho da Borgonha, que a meu ver já caminha para o declínio (veja bem, a safra 2008) e se você tiver um garrafa destas em casa, recomendo bebe-la. De qualquer forma foi uma ótima experiência e mais uma missão cumprida com louvar para a #CBE.

Até o próximo!

Monday, March 16, 2015

La Collina Dei Re Barolo DOCG 2008: O rei foi para a mesa!

Com meu já batido mote "celebrar a vida sempre que possível, não precisamos de outros motivos" inaugurei mais um capítulo por aqui e trouxe pra nossa mesa um vinho que eu tenho uma verdadeira adoração, o Barolo. Considerado por muitos como o rei dos vinhos (ou vinhos dos reis) o Barolo é um vinho produzido na região do Piemonte, na Itália, com uvas Nebbiolo. O escolhido para o dia? O La Collina Dei Re Barolo DOCG 2008. Vejamos o que sabemos sobre ele.


A origem e criação da Azienda Vitivinícola La Collina Dei Re é um pouco confusa pois quanto mais voltamos no passado da história da família de Veglio Osvaldo, mais encontramos raízes na agricultura. Ainda em idos dos anos 1900, era seu avô quem comandava a propriedade, que explorava além do cultivo de vinhas, grãos e criação de animais. Desde então, muitas transformações tecnológicas se passaram por lá mas a empresa continuou nas mãos da família e agregou novas vinhas e outras variedades aos seus Dolcetto, Barbera e Nebbiolo originais. Com a exploração de outros mercados, hoje a maior parte de sua produção se destina às importações.

Para finalizamos, antes das impressões sobre o vinho, alguns detalhes sobre o La Collina Dei Re Barolo DOCG 2008 que podem enobrecer ainda mais nossa discussão até aqui. É feito, como dito anteriormente, com 100% de uvas Nebbiolo e com envelhecimento de 2 anos em barricas de carvalho de 5.000 litros e por 6 meses na garrafa. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi com tendências granada e ligeiro halo aquoso. Lágrimas finas, espassadas e em pouca quantidade também faziam parte do aspecto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos secos como ameixa preta e uvas passa, flores, chocolate e madeira. 

Na boca o vinho se mostrou encorpado, com taninos marcados, firmes e acidez salivante. Retrogosto confirma o olfato e o final era de longa e deliciosa duração.

O vinho é elegante e sutil mas poderoso, como um Barolo que se preze, contando com um bom fator custo benefício em relação a outros irmãos. Se você quer conhecer um Barolo (ou já conhece e gosta), recomendo que prove este. 

Até o próximo!

Tuesday, March 10, 2015

Ora Pois Restaurante: Bacalhau & Casal da Coelheira Tinto 2008

No último domingo, 08 de março, foi comemorado o Dia Internacional das Mulheres. A data entretanto, criada a partir de uma grande manifestação em uma fábrica de tecidos de Nova Iorque, é muito mais do que comemoração. O intuito é tentar diminuir e, quem sabe um dia, eliminarmos com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional. Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história. De qualquer forma achei justo que pudesse propor as mulheres de minha vida um almoço diferente. No dia anterior, almocei com minha mãe em sua casa e pedi comida para que ela não se preocupasse. Já do dia 8 mesmo, fui a um de meus restaurantes preferidos com minha mulher, filha e sogra: o restaurante português Ora Pois.


Localizado na charmosa e aconchegante Serra da Cantareira, o restaurante Ora Pois é uma filial de uma casa já aclamada que existe até hoje na Vila Madalena, bem junto ao burburinho característico da região. Fundada por dois Lisboetas sonhadores, a casa conta com pratos típicos a preços competitivos e uma carta de vinhos honesta e com algumas opções interessantes. E destas opções, escolhemos o vinho Casal da Coelheira Tinto 2008, sobre o qual iremos falar um pouco hoje.

O vinho é produzido pela Quinta do Casal da Coelheira, um ambicioso projeto no Ribatejo que nos dias de hoje é uma paixão familiar de três gerações, que crescendo nas margens do rio Tejo, junto à Vila de Tramagal, e que se estende por uma área com cerca de 250 hectares, distribuídos entre vinhas e diversas culturas arvenses protegidas por uma pequena área de pinhal. A diversidade paisagística da propriedade tem permitido a permanência de algumas espécies cinegéticas - a perdiz, o pato bravo, o javali e, muito especialmente, o coelho, espécie abundante que teria dado origem ao nome da propriedade - a Quinta do Casal da Coelheira.

Sobre o Casal da Coelheira Tinto 2008, podemos complementar dizendo que o vinho é um corte das castas Alicante Bouchet, Touriga Nacional e Touriga Franca que é parcialmente estagiado em carvalho Americano. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi violácea de grande intensidade, ligeiramente opaco e límpido. Lágrimas finas, rápidas, espassadas entre si e com alguma cor também compunham o aspecto visual.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos escuros, especiarias, flores e algo de tabaco. 

Na boca o vinho mostrou corpo médio, boa acidez com taninos finos e redondos. Retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Mais um bom vinho português que provamos por aqui, sem duvida foi muito bem com os pratos a base de bacalhau que escolhemos. Eu recomendo a prova, do vinho e do restaurante.

Até o próximo!

Thursday, February 26, 2015

Fiuza Ikon & Home made Burgers: show de harmonização!

Em mais uma noite enogastronômica inspirada lá em casa, resolvemos brincar de fazer hambúrgueres caseiros recheados de queijo cheddar, que seria colocados em pão com aveia e cobertos com crispies de alho poró. Como sempre, surgiu a missão de harmonizar estas iguarias com algum vinho que tivesse em casa. Depois de chafurdar um pouco minha adega, eis que surgiu o Fiuza Ikon 2008. Vamos ver o que aconteceu?


Este vinho, o Fiuza Ikon 2008, é produzido pela Fiuza & Bright, que possui terras localizadas dentro da região do Ribatejo, com uma área de produção de 120 hectares de vinha, distribuídos pelas zonas de Almeirim, Alcanhões, Romeira e Azambuja. Segundo o produtor os terrenos argilosos, argilo-calcários e arenosos aliados a microclimas específicos, reúnem ótimas condições para a obtenção de uma excepcional qualidade de uvas. O recurso a castas estrangeiras, nomeadamente francesas, implantadas numa das quintas, em conjunto com castas autóctones portuguesas de reconhecido valor, permitem a conjugação e obtenção de vinhos varietais e cortes impressionantes e pouco usuais.

Sobre o Fiuza Ikon, apenas resta dizer que é um varietal 100% Touriga Nacional, top da vinícola. O vinho tem seleção manual das uvas e fermentação em pequenos tanques abertos com remontagem manual. Depois é diretamente direcionado e estagia cerca de 8 meses em barricas novas de carvalho francês. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor violácea profunda, com algum brilho e quase sem transparência. Lágrimas finas, moderadamente lentas e com alguma cor também se faziam notar.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos vermelhos, especiarias, floral, chocolate e leve toque mineral.

Na boca o vinho se mostrou encorpado com boa acidez, taninos finos e macios. Retrogosto confirma o olfato e o final é de longa duração.

O que mais posso dizer? Um baita vinho sem duvida nenhuma e acompanhou divinamente a refeição. Minha esposa que costuma ser mais comedida, bebeu o vinho como água. Vale a prova!

Até o próximo!

Wednesday, February 11, 2015

Pangea Syrah 2008: Potência e elegância nesse vinho do Chile!

Em mais uma noite dessas onde, depois de um dia extremamente cansativo de trabalho e afazeres do dia a dia, chegava a hora de relaxarmos. Então resolvemos comer algo gostoso e claro, acompanhar com um bom vinho. Como a vida é demasiada curta para ficarmos pensando e guardando vinhos, tratei de tirar da adega o Pangea Syrah 2008. Muitos vão dizer que era muito cedo pra abri-lo. Vamos ver o que podemos falar sobre ele? 


A Viña Ventisquero, uma velha conhecida do público brasileiro, começou suas atividades em 2000 e desde então com o lançamento de cada novo vinho, vem se consolidando como um grande player no mercado. Hoje a vinícola possui vinhedos em todas as grandes regiões vitivinícolas do Chile: Maipo, Casablanca, Leyda e Colchágua. Sobre o Pangea Syrah, podemos adicionar que é um varietal 100% Syrah com uvas provenientes do Vale do Colchágua e conta com passagem de 20 meses em barricas de carvalho francês e mais 24 meses em garrafa antes de ser liberado ao mercado.Impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi violácea de média intensidade, algum brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, espassadas e quase já sem cor se faziam notar pelas paredes da mesma.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, especiarias, toques minerais e de baunilha.

Na boca o vinho se apresentou boa acidez, taninos finos, macios, redondos e um bom corpo. Retrogosto confirma o olfato. Final de média para longa duração.

É um belo Syrah chileno sem dúvida alguma. O vinho está pronto para consumo mas ainda deve se beneficiar de algum tempo em garrafa. De acompanhamento tivemos costelinhas de porco grelhadas e brócolis cozido no vapor. E o prato se entendeu muito bem com o vinho, criando uma bela combinação. Eu recomendo a prova, do vinho.

Até o próximo!

Sunday, December 28, 2014

Confraria Pane, Vinum Et Caseus: Itália em pauta!

Havia algum tempo que, entre muitos entreveiros, a Confraria Pane, Vinum Et Caseus não conseguia datas para se reunir e, mais do que isso, nós também não tínhamos tido oportunidades de casar as agendas e participar das escassas reuniões do ano. Entretanto, com o advento do final do ano, sempre é gostoso reunir as pessoas que gostamos e enfim, a reunião da confraria saiu e pudemos nos juntar a ela.


O presidente da Confraria, Fábio Barnes, e seus vices sempre preparam as reuniões de forma a que um tema seja explorado, sem que haja detrimento dos demais vinhos e/ou pratos degustados durante a noite. Desta vez, o tema seria: "Uma volta pela Itália". Como já é tradição da última confraria do ano, cada um traria um "pratinho" de comida e os vinhos seriam como sempre, as estrelas principais. As escolhas dos vinhos abrangeu principalmente as "grandes regiões" da Itália, a saber: Valpolicella, Toscana e Piemonte. Diferentemente do que costumo fazer, darei maior enfoque aos vinhos em detrimento das comidas, guloseimas e outros, disponibilizados também durante a reunião.


E a viagem começou com o Chianti Classico Principe Corsini Le Corti D.O.C.G 2009, um vinho da conhecida região Toscana de Chianti Clássico, produzido pela Tenuta Villa Le Corti, do grupo conhecido como Principe Corsini. A história de Chianti e Chianti Clássico já foi comentada por aqui e portanto, pouparei-os de meus comentários repetitivos. O vinho é feito com 95% de uvas Sangiovese e os outros 5% preenchidos com as uvas Canaiolo e Colorino. O vinho envelhece parte em cubas de cimento vitrificado e parte em grandes tonéis de madeira (os famosos botti italianos). Na taça o vinho apresentou um vinho rubi de média intensidade, algum brilho e boa transparência. No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, especiarias e toques florais. Fundo de taça apresentou também madeira. Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos finos. Retrogosto confirmou o olfato e o final era de média duração. Começávamos bem a noite italiana.


Num segundo ato da noite viajamos a região do Piemonte e a irmã menos famosa da Nebbiolo, a Barbera D'Alba com o Pietro Rinaldi Bricco Cichetta Barbera D'Alba Superiore 2010. Este vinho é um varietal 100% Barbera D'Alba produzido pela Azienda Agrícola Pietro Rinaldi, com uvas provenientes de vinhedos localizados em Madonna di Como, na região de Alba, no Piemonte. Maturação de 70% do vinho em barricas novas de carvalho francês e de 30% em barricas de segundo uso durante 16 meses. Na taça coloração rubi de média intensidade com bom brilho e boa transparência. Aromas de frutos vermelhos, especiarias e ligeira lembrança mineral ao fundo da taça. Corpo médio, boa acidez e taninos macios. Retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração. E mantínhamos o alto nível da noite.


A terceira etapa da noite trouxe um vinho que, quando bem feito, é espetacular. Estávamos agora na região de Valpolicella e o vinho? Um Ripasso da Azienda Agricola Monte del Frá. O Monte del Frá Valpolicella Classico Superiore Ripasso 2009 é composto por um corte de Corvina Veronese (80%) e Rondinella (20%) e é feito pela técnica de ripasso, que consiste em o vinho obtido como Valpolicella passar por um tempo de contato com a borra de vinificação que sobra dos vinhos Amarone, obtendo assim mais estrutura, complexidade e aromas. Na taça o vinho apresentou uma cor violácea de grande intensidade, algum brilho e pouca transparência. No nariz, aromas de frutos frescos e de licor de frutas além de especiarias doces como canela e cravo da índia. Na boca um vinho encorpado, boa acidez e taninos finos. Retrogosto confirma o olfato com uma leve doçura na entrada de boca. Final de longa duração. Estávamos subindo escada a cima, bebê!


O último e derradeiro capítulo da noite reservava uma grata surpresa. Voltaríamos a Toscana e provaríamos um vinho que é dos meus preferidos: o ColdiSole Brunello di Montalcino DOCG 2008, do grande grupo Lionello Marchesi. É um dos grandes vinhos tintos da Toscana e é parte da história destes, sendo o único - em termos de tradição e regulamentos - feito exclusivamente com uvas Sangiovese. Tem passagem de 36 meses em barricas de carvalho e mais 12 meses em garrafa antes de ser liberado ao mercado. Na taça uma coloração rubi com tendência granada, algum brilho e alguma transparência. No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos silvestres, especiarias, couro e toques de baunilha. Na boca o vinho era corpulento, musculoso, taninos mastigáveis e uma acidez incrivelmente deliciosa. Retrogosto confirma o olfato e o final era de longa e saborosa persistência. O ato final não poderia ser melhor.

E assim nos despedíamos de mais um grande encontro da Confraria Pane, Vinum Et Caseus onde pudemos além de conhecer vinhos novos, rever pessoas tão queridas e que já estávamos sentindo muitas saudades. E que venham as próximas reuniões.

Até o próximo!

Monday, December 8, 2014

Da Vinci Chianti Classico 2008: Direto da Toscana para a #CBE

É mais uma vez aquela época do mês em que os enoblogueiros espalhados por este Brasil (e mundo) afora se unirem em mais uma degustação virtual, a já conhecida por aqui #CBE - Confraria Brasileira de Enoblogs. Neste mês a gente teve que escolher um "Um Chianti, valendo Classico, Riserva e qualquer sub região e sem limite de preço". Desta vez o culpado foi o Jorge Alonso, do blog Contando Vinhos. E o vinho que nós escolhemos por aqui? O Da Vinci Chianti Classico 2008.


Ainda hoje existe muita confusão entre Chianti em geral e Chianti Clássico, e no passado a região chegou a sofrer por excesso de fama, por um lado (com uma superprodução de vinhos demasiadamente comerciais, engarrafados naqueles típicos "fiascos" de palha) e, por outro lado, pelas regras excessivamente restritivas da denominação de origem. Os acontecimentos em Chianti Clássico nas últimas décadas marcaram indelevelmente o vinho italiano pra sempre - com o surgimento dos supertoscanos, a transformação das exigências da DOCG e o ressurgimento de Chianti Clássico como uma das mais prestigiosas e elegantes denominações de origem da Itália. Lá a Sangiovese brilha em plena elegância, em contrapartida à potência dos Brunellos di Montalcino, produzidos mais ao sul. A área entre Florença até Siena, toda coberta de vinhas e olivais, é uma das mais famosas regiões vitivinícolas do mundo. Embora feito a partir da uva Sangiovese local, vinhos Chianti podem variar muito de um para o outro. Alguns produtores adicionam frequentemente outras variedades de uva com a Sangiovese, enquanto outros preferem métodos mais tradicionais . Existem alguns nomes famosos , mas a melhor coisa a fazer é explorar a região e provar vinhos diretamente de pequenos produtores de vinho.

A Cantina Leonardo da Vinci (produtora do vinho em questão) é uma espécie de cooperativa, que nasceu da união de cerca de 30 fazendeiros que tomaram esta decisão buscando enfrentar de forma mais racional e conjunta os problemas que passavam nos anos 60. A partir daí o que se viu foi o crescimento da cooperativa e a busca pela qualidade e foco em vinhos de mais alta gama. A cooperativa possui diversos vinhedos na região da Toscana sendo que a sede operacional da mesma se encontra nos arredores de Vinci, onde o famoso inventor italiano Leonardo da Vinci nasceu (dai o nome em sua homenagem). Sobre o vinho em si, é um vinho feito com 95% de uvas Sangiovese e 5% de uvas Colarino. O vinho é envelhecido em barricas novas e usadas porém sem maiores informações sobre proporções e tempo de envelhecimento. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi violácea de média intensidade com alguma tendência granada (mostrando evolução), algum brilho e boa transparência. Lágrimas finas, espassadas, rápidas e incolores compunham também o aspecto visual.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos vermelhos com toques florais e de madeira.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, acidez ainda viva e salivante e taninos finos e macios. Retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Mais um ótimo vinho que provamos para a  #CBE - Confraria Brasileira de Enoblogs, este proveniente de uma das regiões que mais gosto do mundo, a Toscana na Itália! E que venham os próximos pois este eu recomendo.

Até o próximo!

Wednesday, October 1, 2014

Loma Larga Cabernet Franc 2008: Diretamente do Chile para a #CBE

É mais uma vez aquela época do mês em que os enoblogueiros espalhados por este Brasil (e mundo) afora se unirem em mais uma degustação virtual, a já conhecida por aqui #CBE - Confraria Brasileira de Enoblogs. Desta vez quem escolheu foi o Felipe Silva E Silva do blog BebadoVinho: "Um vinho 100% CABERNET FRANC, de qualquer país e faixa de preço". Como minha esposa estava em viagem pelo Chile e queria trazer uns vinhos que ela andou vendo por lá, enquanto ela me mandava as fotos eu a ajudava a escolher. E foi assim que o Loma Larga Cabernet Franc 2008 veio participar da festa.


Como já comentado anteriormente por aqui: "Don Manuel Escudero Joaquin Diaz Alvarez de Toledo, bisavô dos proprietários da Loma Larga Vineyards, trouxe pessoalmente em sucessivas viagens a Paris e Bordeaux, cepas as quais ele plantou com consultoria de enólogos também franceses, em sua propriedade agrícola "Chacra Victoria", localizada ao leste do que hoje é a rua Santa Rosa, da cidade de Santiago. Com o sonho de manter viva essa tradição vitivinícola, o que levou seus ancestrais a produzir vinhos de alta qualidade, que foram inclusive exportados para a Europa, a família começou a plantar as vinhas que existem atualmente na Loma Larga Vineyards ainda em 1999. Anteriormente porém, ainda em 1994 se iniciaram os estudos de clima e solos para entender o potencial do "Terroir" da Loma Larga".

Agora falando um pouco mais sobre o Loma Larga Cabernet Franc 2008, ele é um vinho com uvas colhidas na DO Vale da Casablanca que após a fermentação malolática passou por estágio de 14 meses em barricas francesas. Após este período não foi filtrado e foi engarrafado, estando liberado ao mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi violácea de grande intensidade com algum brilho e pouca transparência. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas tingiam as paredes da taça. 

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos escuros, toques de especiarias, flores e algo de coco.

Na boca o vinho se mostrou de corpo médio para encorpado, boa acidez e taninos macios e redondos. o retrogosto confirma o olfato e final era guloso e de longa duração.

Mais um bom vinho Chileno provado por aqui, este parte do desafio mensal da #CBE, desta vez cumprido dentro do prazo estabelecido. Eu recomendo.

Até o próximo!

Tuesday, July 8, 2014

Angheben Teroldego 2008: Comemorando mais uma vitória brasileira!

Para comemorar a passagem da seleção brasileira para as semi-finais da Copa do Mundo de 2014, nada mais justo e necessário do que tirar um belo vinho brasileiro da adega para acompanhar uma boa refeição. E o escolhido para esta "árdua" tarefa foi o Angheben Teroldego 2008.

Angheben Teroldego 2008

A história da Vinícola Angheben é bem bacana e curiosa. Explico. O seu Idalêncio Angheben, fundador da vinícola, trabalhou por 20 anos na Chandon, famosa fabricante de vinhos espumantes, mas que em determinado momento da vida, decidiu que queria prosseguir com um negócio que pudesse chamar de seu, fundando assim em 1999 a Vinícola Angheben. A vinícola não possui vinhedos próprios, pois entenderam que no momento a prestação de assessoria em vinhedos de terceiros traria maior vantagem e tempo/investimento dedicados a elaboração dos vinhos, com a ajuda de seu filho, Eduardo Angheben. Há controvérsias, mas me parece que no caso a decisão fora acertada dada a qualidade dos vinhos por lá produzidos. Aliando técnicas modernas de enologia com produções limitadas e de alta qualidade além do uso moderado e consciente da madeira (em média de 4 a 6 meses) os resultados demonstrados tem sido excelentes lembrando em muitas ocasiões mais vinhos do velho mundo do que do novo mundo.

Sobre o vinho, o Angheben Teroldego 2008 é varietal elaborado com uvas 100% Teroldego, originária da região de Trentino na Itália e que, segundo o produtor, também se adaptou bem ao terroir de Encruzilhada do Sul, de onde vem suas uvas. Passa por algo entre 6 a 8 meses em barricas de carvalho para afinamento e depois ainda um pouco nas caves antes de ser comercializado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de grande intensidade com algum brilho. Apresentava certo halo de evolução tendendo ao granada. As lágrimas eram lentas, finas e com quase nenhuma cor.

No nariz o vinho mostrou aromas de de frutas escuras (ameixa preta), couro, tabaco, especiarias e também de algo de terroso/fungos. Tudo muito austero, elegante, aquela sensação de vinho do velho mundo.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos marcados, porém macios e de boa qualidade. Confirma em boca tudo que foi encontrado no olfato.

Desta vez acompanhou uma boa pizza e o final de noite aqui em casa, além é claro de comemorar a vitória da seleção brasileira ante a colombiana. Um bom vinho sem dúvida nenhuma, o que me faz imaginar que estamos evoluindo também a nossa indústria quando falamos em vinhos tintos. Eu recomendo.

Até o próximo!

Monday, June 9, 2014

Valmarino Cabernet Franc XIII 2008: Um vinho brasileiro de sobrenome

Sexta feira cansativa, cidade caótica com manifestações, greves, confrontos, chuva e tudo para tornar um dia convencional em uma verdadeira maratona combinam com uma pizza e um bom vinho em casa, não é mesmo? E foi assim que demos início aos trabalhos numa sexta feira qualquer, sacando o telefone do disque-pizza e vasculhando a adega em busca de algo interessante. E foi assim que o Valmarino Cabernet Franc XIII 2008 saiu da adega e foi parar nas nossas taças.


A Vinícola Valmarino está localizada em Pinto Bandeira, distrito do município de Bento Gonçalves, em uma região também conhecida como vinhos de montanha, dada que a altitude média dos vinhedos está ao redor dos 700 metros acima do nivel do mar. Apesar de ter sido fundada por Orval Salton, neto de Antonio Domenico Salton, esta vinícola nada tem de relação com a gigante Salton, a não ser o sobrenome. Esta inclusive era uma confusão que eu fiz algumas vezes, e peço desculpas agora que conheço um pouco melhor sua história. O nome da vinícola, Valmarino, remete ao local de origem dos antepassados da família, em Treviso, na Itália. A vinícola tem uma linha mais simples de vinhos para o dia a dia em bag in box (Tre Fraddei) seguidos de vinhos varietais e uma linha reserva bem interessante.

Já falando sobre o vinho, o Valmarino Cabernet Franc XIII 2008 é da linha reserva e por ser considerado top da vinícola sempre foi alvo de minha curiosidade. Este vinho foi criado para comemorar os 13 anos da vinícola e é um deleite em boca, mesmo pra pessoas como eu, que como sabem não sou profundo conhecedor nem fanático pela uva. Elaborado portanto com 100% de uvas Cabernet Franc de vinhedos próprios, passou cerca de 17 meses em barricas (70% do vinho) e ainda algum tempo em garrafa antes de ser comercializado. Sem mais delongas, vamos ao que interessa, as impressões sobre o vinho.

Na taça o vinho apresentou rubi violácea de média intensidade, bom brilho com lágrimas finas, rápidas e quase incolores.

No nariz o vinho mostrou aromas de especiarias, frutos vermelhos e toques lácteos e herbáceos. 

Na boca o vinho se mostrou encorpado e com taninos marcados, porém é equilibrado e com pouco álcool, o que o torna leve e fácil de beber também por sua agradável e refrescante acidez. Final de longa duração.

Mais uma prova de que os vinhos brasileiros podem apresentar qualidade aliada a preços competitivos. Fechou com chave de ouro o que tinha tudo pra ser um dia para ser apagado. Eu recomendo.

Até o próximo!

Friday, May 9, 2014

Degustação de Vinhos Africanos na Vinhos de Bicicleta

Ontem a noite tive a oportunidade de participar de uma degustação bem bacana com vinhos africanos preparada pela Vinhos de Bicicleta, em São José dos Campos. A idéia principal da degustação era difundir um pouco mais os vinhos sul africanos, não tão bem conhecidos por aqui, e mostrar que existem diferenças de terroirs por lá também o que gera vinhos diferentes mesmo utilizando-se a mesma casta. E olha que a história vitivinícola africana é muito antiga, remetendo às tradições do Velho Mundo mas com a cara bastante influenciada pelos estilos do Novo Mundo.


A Vinhos de Bicicleta nasceu primeiramente como um clube de vinhos, depois de uma viagem de seu fundador, Rodrigo Ferraz, a Mendoza na Argentina. Esta viagem tinha como foco bodegas de pequeno porte, as chamadas bodegas boutique ou familiares (já falei sobre isso aqui) e a atmosfera intimista com os vinhos artesanais de cada lugar. Rodeado de história, aromas e sabores, inebriado pela paisagem percorrida, Rodrigo veio com a idéia de fundar um clube de vinhos com foco neste estilo de vinho, e começou a garimpar exemplares ao redor do mundo. Algum tempo depois conseguiu ainda abrir uma loja física com espaço para eventos/degustações e voilá, lá estávamos na sede da Vinhos de Bicicleta. E devo dizer que a loja física deles é muito bacana, uma boa seleção de rótulos, espaço aconchegante e muito bem localizada em São José dos Campos, no interior de São Paulo.


Todos os vinhos da noite seriam oriundos de uma região africana conhecida como "Western Cape", área esta litorânea mais ao sul do país que inclui a famosa Cidade do Cabo (sua capital) e que dentre outras características, é bastante influenciada pelas correntes marítimas vindas principalmente do Atlântico. Possui ainda solos graníticos na proximidade com o litoral o que acaba por transmitir ao vinho certa mineralidade. Passando aos vinhos degustados, postarei a seguir minha impressão sobre cada um deles. Vamos lá?


O primeiro vinho da noite foi o Out of Africa Pinotage 2012. Este vinho é da vinícola African Terroir, que possui diversas linhas de vinhos, mas talvez a mais conhecida no Brasil seja sua linha de entrada, a Tribal. O vinho em questão é um exemplar feito 100% com uvas Pinotage (cuja origem já foi discutida aqui) colhidas no período noturno(o clima notoriamente mais frio evita que a fermentação das uvas comece antes da entrada na adega). Ao que tudo indica não passa por madeira. De coloração violácea bem intensa, o vinho não apresentava qualquer halo de evoluação e denunciava sua jovialidade, contando ainda com lágrimas finas, rápidas, coloridas e abundantes. Aromas de frutos vermelhos silvestres e toques florais. Com algum tempo em taça evolui para compota de frutos vermelhos e algo de chocolate. Na boca o vinho tinha corpo leve para médio, acidez bastante pronunciada e taninos bem fininhos. Final de média duração com um leve toque mineral perceptível. Me pareceu um vinho bem gastronômico, apesar de estar um pouco desequilibrado, mas com tendência a evolução.


O segundo vinho provado foi o Quantum Pinotage 2011, vinho este que também é feito com uvas Pinotage só que desta vez nas mãos da cooperativa Du Toitskloof Winery. A cooperativa se estabeleceu em meados dos anos 60 com cerca de 6 produtores mas atualmente este número já supera os 20 cujos vinhedos estão todos dentro de um raio 10 quilômetros da adega. Está localizado perto da cidade de Rawsonville no vale do Rio Breede. Este já passa por 8 meses de barricas. A coloração não muda muito do primeiro vinho. Nos aromas a diferença é mais pronunciada, com aromas de frutas em compota, chocolate, baunilha e toques terrosos. Apresenta mais corpo, acidez mais regulada e taninos macios. Mais equilibrado que o anterior. O final decepciona, passa rápido pela boca. Não evolui muito com o tempo em taça. Declínio é rápido.


O terceiro vinho da noite foi o BlouVlei Red Blend 2008, quando a coisa começou a se tornar mais séria e deveras interessante. Este vinho é um corte das uvas internacionais Cabernet Sauvignon, Merlot, ShirazCabernet Franc produzido pela Mont du Toit Kelder. Seus vinhedos estão aos pés do monte Hawequa. Este vinho já passa por 18 meses em barricas de carvalho francês. A coloração já acusa um pouco da idade, sendo que o vinho mostrou cor rubi sem brilho e com certo halo tendendo ao granada. Lágrimas já quase incolores. Aromas de frutos negros e vermelhos em compota, chocolate, baunilha, pimenta e toques animais (couro). Na boca uma surpresa, encorpado, taninos mais presentes e acidez na medida. Retrogosto com algo vegetal, distanciando o paladar do olfato. Vinho interessante e saboroso. O preferido da noite, sem dúvida.


E chegamos ao último vinho da noite, o Roodeberg Red Blend 2010, vinho este produzido pela KWV que também é uma cooperativa de produtores da África do Sul. No entanto, a própria KWV incentiva e permite que cada produtor mantenha as características dos seus vinhos, criando a possibilidade de se mostrar as características de cada pedacinho de terra da região. Este vinho nasce assim, um corte de Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah e Petit Verdot. Passa por 10 meses em barricas. Apresentou coloração violácea de boa intensidade, brilho e lágrimas finas e ligeiramente coloridas. Aromas de compota de frutas vermelhas e escuras, pimenta, chocolate e algum tostato. Vinho encorpado, taninos marcados e com boa acidez. Retrogosto confirmando o olfato. Final de longa duração. Grande vinho sem dúvidas.

Ao final a noite, depois também de aproveitarmos uma mesa com azeites, queijos e antepastos especialmente preparados para o evento, com o intuito de harmonizarmos com os vinhos, era hora de nos despedirmos de mais um evento sensacional. Além dos bons vinhos, pude conhecer pessoas interessantes como o próprio Rodrigo, proprietário da loja, ou Raul, português que trabalha trazendo vinhos lá da terrinha e desaguando por aqui. Ainda quero ter a oportunidade de provar seus vinhos. E espero também ter a oportunidade de visitar a Vinhos de Bicicleta novamente em breve. Eu mais do que recomendo!

Até o próximo!

Tuesday, April 22, 2014

Cavino Nemea Grande Reserve 2008: mais um grego por aqui!

Ao fim de uma semana brava, com direito a muito trabalho, visitas inesperadas e afins, tudo o que queremos é chegar em casa e ter uma boa refeição ao lado da família, não é mesmo? E muitas vezes esta refeição inclui não ter trabalho para prepara-la, certo? Ai entra aquele bom e velho telefone do disque pizza para o qual apelamos vez ou outra. E para acompanhar, nada melhor do que um bom vinho. E desta vez o escolhido foi o vinho grego Cavino Nemea Grande Reserve 2008.


Como já dito anteriormente por aqui, a Cavino Winery SA é um grupo grego que tem sua fundação ainda em meados dos anos 50 na região do Peloponeso, na Grécia, mas que passou por algumas grandes modificações em todo este caminho. Aparentemente o ano de 1999 é o que detém a marca mais recente na vinícola, quando começa a introduzir no mercado local e nos mercados internacionais vinhos de alta gama no quesito qualidade. De lá pra cá contou com uma expansão forte em mais de 26 países e construiu uma linha de engarrafamento que dizem ser o estado da arte no quesito tecnologia, com capacidade de produção de 7000 garrafas por hora.

Falando um pouco do vinho alvo deste post, é mais um exemplar feito 100% com uvas Agiorgitiko da região do Peloponeso, mais especificamente dentro da Denominação de Origem Nemea. As uvas vem de vinhas com mais de 40 anos de idade e altitude média de 850 metros. O vinho ainda estagia em barricas de carvalho francês e americano por 18 meses e em seguida permanece por mais 12 meses em garrafa antes de ser liberado ao mercado. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi intensa, com ligeiro halo granada. Lágrimas finas, rápidas e quase incolores complementavam o aspecto visual. 

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos vermelhos maduros, toques de especiarias e chocolate. Ao fundo da taça também notava-se um pouco de tostado. 

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos finos e marcados. Retrogosto confirma o olfato. Final de média duração.

Um vinho correto, bom para acompanhar a pizza do dia a dia, sem defeitos. Interessante conhecer vinhos como este, que vem de países pouco usuais para nós aqui no Brasil. Eu recomendo.

Até o próximo!

Wednesday, April 9, 2014

Vinícola Angheben: fechando o ciclo!

Finalizando hoje a série de relatos de visitas a vinícolas que fizemos em nossa última viagem a Serra Gaúcha, como não poderia deixar de ser, vamos falar um pouco da Vinícola Angheben. Esta já estava no radar antes mesmo de partirmos rumo ao Vale dos Vinhedos, em virtude de já ter passado por lá outra vez e além de contar com vinhos muito bons, o seu Idalêncio e seu filho Eduardo são pessoas fantásticas e que eu ansiava por revê-los e ouvir mais um pouco de histórias do mundo do vinho.

Lá chegando fomos prontamente recebidos pelo seu Idalêncio, que com aquele sorriso no rosto cativa desde o primeiro contato. O Eduardo, mais atarefado, corria de um lado pro outro só aguardando a chegada de mais uma leva de uvas para produção dos belos caldos. São ainda exemplos de produtores artesanais que levam muito amor e dedicação aos vinhos. Eduardo curiosamente chama seu Idalêncio de irmão mais velho, mostrando como a relação deles transcende a família e o trabalho. Como já conhecia um pouco da história deles, a conversa rolou descontraída sobre assuntos diversos. Mas vale relembrar um pouco sobre eles.


O seu Idalêncio trabalhou por 20 anos na Chandon, famosa fabricante de espumantes, mas que em determinado momento da vida decidiu que queria prosseguir com um negócio que pudesse chamar de próprio, fundando assim em 1999 a Vinícola Angheben. A vinícola não possui vinhedos próprios, pois entenderam que no momento a prestação de assessoria em vinhedos de terceiros traria maior vantagem e tempo/investimento dedicados a elaboração dos vinhos, com a ajuda de seu filho. Há controvérsias, mas me parece que no caso a decisão fora acertada dada a qualidade dos vinhos por lá produzidos. Aliando técnicas modernas de enologia com produções limitadas e de alta qualidade além do uso moderado e consciente da madeira (em média de 4 a 6 meses) os resultados demonstrados tem sido excelentes lembrando em muitas ocasiões mais vinhos do velho mundo do que do novo mundo.

Dito isso, passamos então a parte sensorial da visita: a degustação. Fomos apresentados a praticamente toda a linha de vinhos que eles possuem. Entre vinhos espumantes, brancos e tintos, pode-se dizer que a Vinícola Angheben tem um portfólio deveras interessante. A seguir vou destacar dois vinhos, seguindo mais ou menos a linha de postagem usada até aqui para falar sobre as visitas que fizemos.


O primeiro vinho que destaco é um branco, varietal e feito com 100% com a uva Gewürztraminer, que é o Angheben Gewürztraminer 2012. Tais uvas encontraram no terroir de Encruzilhada do Sul condições ideais para seu cultivo. E as impressões não poderiam ser melhores: um vinho de cor amarelo palha com tendência ao dourado, aromas de frutos tais como lichia e damasco com toques florais intensos sendo que em boca apresenta corpo médio, boa acidez e um final que deixa lembranças por um longo período. Sem dúvida um branco impressionante. 


Por fim, como não poderia deixar de ser, sem dúvidas meu vinho preferido: Angheben Teroldego 2008. Este vinho varietal é elaborado com uvas 100% Teroldego, originária da região de Trentino na Itália e que, segundo o produtor, também se adaptou bem ao terroir de Encruzilhada do Sul. Passa por algo entre 6 a 8 meses em barricas para afinamento e depois ainda um pouco nas caves antes de ser comercializado. Possui coloração violácea de grande intensidade. Nos aromas frutos escuros bem maduros, tons de baunilha, couro, tabaco e toques terrosos. Na boca tem corpo médio, boa acidez e taninos marcados, porém macios e de boa qualidade. Confirma em boca tudo que foi encontrado no olfato. E mais do que isso, continua tão bom quanto minhas memórias acusavam.

O que dizer quando fechamos assim, com chave de ouro, nossas visitas as vinícolas no Vale dos Vinhedos? Oportunidades de conhecer e rever pessoas incríveis, grandes vinhos provados, vistas e paisagens deslumbrantes e a certeza de que o Brasil me parece no rumo certo no tocante a produção de vinhos em solos gaúchos. Eu recomendo a você leitor que nunca teve oportunidade de estar por lá, ou mesmo para quem já esteve, de visitar o local, é interessante para toda a família!

Até o próximo!