quinta-feira, 30 de abril de 2020

Resgate: Netflix traz ação e luta como antigamente

Mais uma pausa nos vinhos para falar de algo que, assim como o anterior, também tem feito parte da minha vida ultimamente mais do que nunca: filmes e séries. Não que eu já não fosse um grande fã do meio, mas acho que a pandemia e a quarentena me aproximou ainda mais dessa paixão. Queria compartilhar com vocês hoje minha impressão sobre o filme Resgate, novo thriller de ação do serviço de streaming Netflix.


Resgate acerta em cheio ao, já me desculpando pelo trocadilho pobre, resgatar o gênero de ação em sua mais pura forma: ação frenética, lutas e tiroteios de tirar o fôlego unidos a um bom roteiro para amarrar tudo. Não que a premissa seja original nem nada disso, é apenas bem pensada e executada a perfeição. Tudo isso é premiado com um final que, se não é dúbio, deixa a imaginação da audiência a trabalhar e criar, como de praxe, diversas teorias sobre como o personagem principal termina o filme assim como a possibilidade de uma continuação.

O filme trata de um ex-militar, Tyler Rake, então vivido pelo astro do universo cinematográfico da Marvel Chris Hemsworth (Thor, Vingadores, etc.), que hoje em dia ganha a vida como mercenário. Em seu próximo trabalho, Tyler é contratado para resgatar o filho de um chefão do crime indiano, sequestrado por uma gangue rival. Falando assim tudo parece muito simples, mas a trama criada e o desenvolvimento da relação entre o menino e Hemsworth ajudam a amarrar a trama e abrem espaço para as longas cenas de perseguição, tiroteios e lutas sem entretanto deixar o filme cansativo e maçante. Tal relação serve também de redenção para o personagem principal, dados os fantasmas de seu passado e seus relacionamentos familiares.

Além disso, o longa chama atenção para uma realidade que pode até ser trazida para próximo de nós brasileiros, se pensarmos nas cidades mais pobres e periferias de grandes centros urbanos: como é a vida, principalmente para crianças, nestes locais onde existe uma grande desigualdade social, pobreza acentuada com domínio do tráfico de drogas e o crime organizado. Neste cenário as crianças acabam se tornando soldados destes impérios criminosos, sendo manipuladas e usadas como linha de frente numa guerra que invariavelmente não tem vencedores.

No fim, Resgate funciona com sua história simples deixando a ação como principal núcleo e centro das atenções. Depois do desfile de punhos, facas e armas de tiro, a redenção de Tyler parece inevitável. Se você é fã do gênero, tenho certeza que vai curtir.

Até o próximo!

terça-feira, 28 de abril de 2020

Beso de Vino Syrah & Garnacha 2017

Hoje venho aqui pedir licença para vocês, leitores do blog, e mudar um pouco o assunto da postagem. Na verdade, não exatamente o assunto pois ainda falaremos de vinho por aqui, mas viajaremos alguns milhares de quilômetros pelo globo e pousaremos na Espanha, mais especificamente na região de Aragão. Hoje iremos falar do Beso de Vino Syrah & Garnacha 2017.


O vinho de hoje é produzido pela GRANDES VINOS, que está localizada na D.O.P. Cariñena, Aragão, uma das mais antigas Denominações de Origem Protegida oficialmente reconhecidas na Espanha, em 1932, segunda depois de Rioja, embora produza vinho há mais de 2000 anos. A Vinícola foi fundada em 1997 com a união de mais de 700 famílias de viticultores e com a missão de tornar sustentável e rentável a videira em Cariñena, agrupando um terço da produção total da D.O.P. , estabelecendo o desenvolvimento nos mercados de exportação como estratégia de crescimento. Beso de Vino é a principal marca da GRANDES VINOS, presente em mais de 40 países e nos principais distribuidores mundiais. Indo além dos Certificados ambientais, a Inteligência Ambiental aplicada à agricultura de precisão, a otimização da irrigação da vinha, o tratamento completo de resíduos e o uso de um campo solar na vinícola para reduzir o consumo de energia durante o processo de produção e as emissões de C02 a atmosfera os torna uma empresa líder no setor em questões ambientais. São mais de 4.000 hectares de vinhedos espalhados nos 14 municípios do distrito de Campo de Cariñena, atribuídos à Denominação de Origem Protegida Cariñena, são a principal força da Companhia. Uma das mais ricas e amplas variedades de paisagens, com vinhas crescendo entre 320 e 850 metros, em diferentes tipos de solo com diferentes condições climatológicas, a partir das quais uma vinícola pode produzir vinhos. A característica mais exclusiva são os antigos solos de pedra, camadas de rochas, minerais e terra que deram nome à campanha promocional "vinhos criados em pedra". O vento local forte, seco e frequentemente frio "Cierzo" sopra do norte, ajudando a regular as vinhas e a mantê-las livres de doenças.

Falando um pouco mais do Beso de Vino Syrah & Garnacha 2017, podemos ainda dizer que o vinho é feito a partir de um corte das duas uvas já citadas, com vinhedos de altitude média de 500m variando entre 15 anos (Syrah) a 40 anos (Garnacha). Após a fermentação, o vinho amadurece por 3 meses em barricas de carvalho, 70% americanas e 30% francesas. Vamos finalmente as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de média para grande intensidade com bom brilho e limpidez.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros maduros, especiarias, fumaça e leve toque de baunilha.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Uma boa opção de custo benefício quando falamos de vinho espanhol, descontraído e até certo ponto surpreendente. Eu recomendo a prova. 

Até o próximo!

sábado, 25 de abril de 2020

Jackson-Triggs Proprietor's Selection Shiraz

No último post, trouxemos a primeira dica de vinho canadense por aqui, um vinho branco feito com a uva Chardonnay, fruto da paixão e comprometimento do proprietário da vinícola em criar vinhos de qualidade. Hoje traremos uma vinho tinto, fruto de uma das vinícolas mais tradicionais e premiadas aqui do Canadá. Hoje vai ser dia do Jackson-Triggs Proprietor's Selection Shiraz.


A Jackson-Triggs é uma vinícola canadense com vinhedos no vale de Okanagan, na Colúmbia Britânica e na Península de Niagara, em Ontário. Fundada em 2001, a Jackson-Triggs Niagara Estate Winery é uma das instalações de vinificação tecnologicamente mais avançadas do Canadá e emprega um sistema de vinificação assistida por fluxo de gravidade que elimina o bombeamento. Com ênfase na elaboração de vinhos VQA super e ultra premium, os 11,5 acres adjacentes à vinícola foram plantados apenas com os melhores clones e porta-enxertos de uvas viniferas, enxertados sob encomenda na França. Pinot Noir, Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Syrah são os mais cultivados no vinhedo de Delaine, enquanto variedades brancas como Chardonnay, Riesling, Sauvignon Blanc, Gewürztraminer e Sémillon completam as plantações. Além de fornecer uvas para o rótulo ultra-premium Jackson-Triggs Delaine Vineyard, o vinhedo também serve como um centro de pesquisa dedicado a maximizar a qualidade da fruta, rastreando o impacto de diferentes combinações de clones e porta-enxertos, técnicas de poda, solos e condições climáticas. variedade de variedades de uva.

Falando exclusivamente do Jackson-Triggs Proprietor's Selection Shiraz, podemos ainda dizer que é um vinho feito a partir do blend de uvas Syrah das melhores regiões produtoras de vinho no Canada e, até onde pude apurar, sem passagem por madeira. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e com alguma cor também se faziam notar.

No nariz o vinho trouxe aromas de frutos escuros maduros, algo de noz moscada, pimenta sob um ligeiro fundo mineral.

Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Um Syrah de clima frio, sem exageros de madeira e coisas do gênero que se torna uma boa opção por aqui para tomar despropositadamente com amigos e família (pós quarentena) ou mesmo acompanhando algum prato de carne sem exagero de temperos. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

terça-feira, 21 de abril de 2020

O'Leary Unoaked Chardonnay 2018

Já estou a algum tempo aqui no Canadá e, embora tenha falado sobre alguns restaurantes que aproveitei por aqui, ainda não parei para falar sobre os vinhos nacionais que tenho provado. Confesso que não conhecia muita coisa sobre os vinhos do Canadá, além dos já famosos Ice Wines, entretanto tenho feito o sacrifício hercúleo (é uma piada, caso não tenha soado como tal) de provar vários vinhos de diversas vinícolas e chegou a hora de compartilhar algumas impressões com vocês por aqui. Hoje falaremos do O'Leary Unoaked Chardonnay 2018, um vinho proveniente da região da Península de Niágara, na província de Ontário. 


Antes, alguns detalhes sobre a viticultura no Canadá. A Vintners Quality Alliance, ou VQA, é um sistema regulatório e de denominação que garante a alta qualidade e autenticidade da origem dos vinhos canadenses produzidos sob esse sistema nas províncias de Colúmbia Britânica e Ontário. É semelhante aos sistemas reguladores da França (AOC), Espanha (DO), Itália (DOC) e Alemanha (QmP). Já a Península de Niágara é a maior região produtora de vinho do país, com 101 vinícolas na região produzindo 2.047.481 caixas de nove litros de vinho no ano de 2018.

Voltando ao vinho de hoje, a O'Leary Fine Wines é fruto do amor e paixão de Kevin O'Leary, empresário, autor, político e personalidade de televisão (além de dono da vinícola). Segundo ele, seu padrasto foi quem o apresentou ao vinho e sendo assim, ele nunca mais olhou para trás. Na vida, teve a oportunidade de beber os melhores Bordeaux e Borgonha, tendo visitado quase todos os viticultores dos vales de Napa e Sonoma, na Califórnia, provando seus vinhos mais icônicos. Além disso, experimentou os vinhos de Chipre, norte da África e muitas outras grandes regiões produtoras de vinho, enquanto percorria por entre suas videiras. Criou então a O'Leary Fine Wines com o intuito de dar aos americanos acesso a vinhos incríveis por um preço incrível. Ainda segundo ele, 97% do vinho vendido nos Estados Unidos está abaixo de US $ 14,95 e, no entanto, quase todo o vinho não é o que ele beberia. Após meses de tentativas e erros, trabalhando e retrabalhando, seu Chardonnay é o xodó da vinícola e para O'Leary, já se tornou seu principal vinho branco para amigos e familiares. Além disso, muito se fala de seu Cabernet - a audácia arrogante do nariz e a abordagem suave e elegante no paladar foram surpreendentes, ainda segundo ele. Vejamos o que temos pra hoje.

O O'Leary Unoaked Chardonnay 2018 é um vinho feito a partir de uvas 100% Chardonnay da região de Niagara Peninsula, em Ontario, no Canada e segundo o rótulo, não tem passagem por madeira. Vamos finalmente as impressões sobre o vinho?

Na taça o vinho apresentou coloração amarelo palha com toques esverdeados, bem límpido e brilhante. Lágrimas um pouco mais gordinhas porém bem rápidas também estavam presentes.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos maduros variando entre tropicais e cítricos (abacaxi, pêssego e melão), leve toque de baunilha e mineral além de uma lembrança floral. 

Na boca o vinho apresentou um corpo médio e apesar de não ter passagem por madeira, deve ter se utilizado de um período em contato com as leveduras para um maior aporte de aromas e corpo, pois apresenta alguma cremosidade em boca, contrastando com uma acidez considerável, até um pouco acima do que eu esperaria em um Chardonnay. O final era de média para longa duração.

Um bom vinho branco e para mim particularmente, uma descoberta aqui em terras canadenses. Eu recomendo a prova, caso tenham a oportunidade. Foge um pouco do mundo comum que estamos acostumados quando falamos em Chardonnays norte americanos (principalmente Napa e arredores).

Até o próximo!

Kingdom: Melhor e Mais Relevante do Que Nunca!

Hoje vou pedir licença a todos meus leitores para escrever sobre um assunto um pouco diferente do que eu tenho postado aqui, que são os vinhos e todo seu universo. No entanto, em face desta crise que a pandemia gerada por este vírus tem gerado, todos tivemos que buscar motivação e distração durante tempos de quarentena. Por aqui, já se vão quase 40 dias de quase nenhuma saída, a não ser para compras de mercado e farmácia. E os filmes e as séries tem sido um pilar desta fase. Eis que a poucos dias atrás assisti uma série que, embora se passe numa época muito diferente da nossa, me fez pensar muito sobre o que estamos passando e gostaria de compartilhar com vocês, se me permitem. Hoje falaremos de Kingdom, uma série disponível no sistema de streaming Netflix.

Foto orginal em https://www.rottentomatoes.com/tv/kingdom_2019

Kingdom é uma série sul-coreana ambientada em uma Coréia feudal regida pela Dinastia Joseon, em meados do século XVI. Nesta época esta dinastia, a última na Coréia fundamentada no confucionismo, já se encontrava desgastada e enfraquecida devido a recentes ataques do vizinho Japão,  entre outros, gerando uma política ainda mais dura com relação ao isolamento e a defesa do poder do rei e da família real. Em meio a este quadro, surgem boatos do adoecimento do rei e uma série de especulações sobre seu real estado físico. A ninguém é dada a permissão para visitas ao rei, nem mesmo de seu filho e possível herdeiro, o príncipe. No entanto a rainha e seu clã, tem outros planos de dominação política e social do que simplesmente levar ao trono o filho primogênito do rei. Com este pano de fundo de disputa política, descobre-se que na verdade uma praga que transforma humanos em zumbis tem se alastrado pela região e cabe ao príncipe herdeiro, agora tratado como traidor, desvendar e levar a dinastia a mais uma vitória.

Em linhas gerais, esta é a trama da série, que conta atualmente com duas temporadas (estamos na torcida pela terceira, é claro). Pode parecer boba ou simplista, talvez minha habilidade com as palavras não faça jus ao tanto que eu entendo que  série é boa e relevante mas, meu intuito aqui é fazer com que mais pessoas assistam e possam refletir sobre o atual momento vivido em alguns países do mundo. 

Você deve estar se perguntando aonde eu pretendo chegar com esta sugestão, mas a verdade é que eu vejo muito do mundo atual em que vivemos em convergência de idéias com o que eu vi na telinha. Uma praga (pandemia, por que não?) como pano de fundo para que políticos em países como o Brasil e EUA (apenas dois exemplos, mas tenho visto disputas em diversos outros) enveredem em suas batalhas particulares em busca de manutenção ou ascensão ao poder. O povo quarentenado e cada vez mais isolado, amedrontado e polarizado em torno de suas próprias crenças. Enfim, me parece que são muitas semelhanças com o que estamos passando que me fez parar para pensar sobre aonde iremos chegar no fim deste período sombrio que a nossa história impos, quando se levantarem as restrições e a vida voltar ao que chamaremos de normal daqui pra frente. As consequências sócio-econômicas advindas desta crise e as vidas que a mesma vai levar. E este foi o motivo pelo qual eu quis compartilhar este sentimento com vocês.

Em tempos de distanciamento físico, a internet e suas mídias sociais (acho que o blog entra ai também) são uma maneira de nos manter mais próximos e, precisando desabafar e conversar sobre diversos assuntos, devo usar mais estas ferramentas que estão ao meu alcance. Espero que continuem comigo, sem levar em conta que o assunto fugiu um pouco do que eu vinha me propondo por aqui. Se tiverem alguma idéia ou assunto que quiserem ver por aqui, deixem comentários abaixo.

Até o próximo!

quarta-feira, 8 de abril de 2020

A pandemia e a saúde mental

Enquanto o coronavírus fecha restaurantes em todo o mundo, muitos trabalhadores da área de serviços e hospitalidade ficam em estado de estresse, depressão, isolamento e ansiedade. Em qualquer dia anterior à pandemia de coronavírus, a indústria de restaurantes estava numa crise de saúde mental. Existem muitas razões para isso: as pessoas que lidam com problemas de saúde mental e dependência são atraídas para este trabalho, porque sempre foi um paraíso para as pessoas que existem à margem; os empregos em restaurantes têm horas brutais e geralmente pagam muito pouco e não oferecem assistência médica; existe fácil acesso ao álcool e substâncias ilícitas; e os trabalhadores são tradicionalmente recompensados ​​por seu masoquismo - cale a boca e cozinhe. As questões de saúde mental são parte integrante da cultura dos restaurantes, mas apenas nos últimos anos a indústria em geral começou a questionar abertamente por que isso foi tão prontamente aceito e a discutir os danos causados ​​por se varrer este assunto para debaixo do tapete.


A morte de Anthony Bourdain por suicídio em junho de 2018 foi um alerta para a indústria da hospitalidade. Essa perda inimaginável uniu indivíduos e comunidades para formar grupos de apoio e ter conversas desconfortáveis, mas necessárias, com colegas e amigos além de totalmente desconhecidos, e afastar parte do estigma em torno da saúde mental e do vício que iguala vulnerabilidade a fraqueza. Ainda havia um tremendo caminho a percorrer, mas a comunidade estava ao menos tropeçando juntos na direção certa desta estrada sem volta.

E então, no decorrer de alguns dias, tudo mudou. As medidas governamentais adotadas para impedir a propagação do COVID-19 forçaram os restaurantes a se adaptarem rapidamente. Dependendo do estado e da região, os bares que não servem comida foram obrigados a fechar, e inúmeros restaurantes rapidamente se movimentaram para oferecer entrega e coleta para evitar a transmissão do vírus. Centenas de milhares de funcionários de restaurantes e bares perderam seus empregos temporária ou permanentemente, muitos dos quais não se qualificam para receber benefícios de desemprego. Não há fim à vista e o futuro da indústria de restaurantes é um vasto desconhecido.

Não há ninguém que não esteja sofrendo e assustado no momento, e essa crise emocional coletiva pode cair especialmente sobre os trabalhadores da hospitalidade, que costumam estar na linha de frente de qualquer emergência. Quando ocorre um desastre natural ou causado pelo homem, os funcionários do restaurante são alguns dos primeiros a avançar. Eles descobrem uma maneira de alimentar as pessoas e oferecer sustento e consolo, porque é o que eles fazem e quem são. Na ausência da capacidade de fazer isso, e em uma posição de necessidade, cozinheiros, barmen, garçons e outros funcionários de restaurantes estão em crise no momento. Mesmo se não for uma pessoa propensa a problemas de saúde mental ou abuso de substâncias, isso não significa que depressão, ansiedade, obsessão, pensamentos de auto-mutilação e o desejo de automedicar ou quebrar a sobriedade possam aparecer.

Como Steve Palmer mencionou em um recente podcast da Communal Table, "o isolamento é inimigo da sobriedade e da saúde mental" - mas só porque as pessoas não podem estar fisicamente juntas não significa que elas não podem ser uma comunidade. Como uma pessoa com muitos anos de sobriedade, e enfrentando as mesmas tensões e incertezas que o resto da indústria enfrenta, ele pede que as pessoas se conectem da maneira que puderem - textos, telefonemas, videoconferências, DMs, e-mails e tipos de reuniões de recuperação. Se você está checando alguém porque acha que ela precisa ou se é para seu próprio bem-estar, essas conexões são vitais para nossa existência e nos lembram que somos importantes, mesmo que as coisas pareçam inúteis no momento.

A mensagem principal que fica é: você ainda é um chef, um barman, um cozinheiro de linha, um garçom. Mesmo que seu restaurante ou bar tenha sido fechado, você ainda é a pessoa com essas habilidades e essa experiência. Quando a indústria de restaurantes se reconstruir - e eu tenho que acreditar que isso vai acontecer - você ainda será essa pessoa, com esse valor, com esse coração e as mãos que possui. Por enquanto se segure, tenha fé e lembre-se de quem você é. Ninguém nunca disse que seria fácil. Mas nós vamos superar mais essa.
Adaptado de www.foodandwine.com