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Tuesday, February 19, 2019

Casa Marin Miramar Vineyard Riesling 2008

Ontem tive uma experiência muito legal com um vinho e não poderia deixar de compartilha-la aqui com vocês. Nós enófilos sempre compramos mais vinhos do que consumimos e, vez ou outra, esquecemos uma garrafa no fundo da adega por algum tempo e quando os reencontramos, sempre bate aquele medo de que o vinho já tenha passado do ponto. Mas para nossa felicidade, o exemplo que trago aqui é de uma grata surpresa. Hoje falaremos do Casa Marin Miramar Vineyard Riesling 2008.


Antes, falemos um pouco sobre o produtor para relembrar. A famosa vinícola chilena Casa Marin na Provincia de San Antonio, com vinhedos muitos próximos ao oceano pacífico. A história da vinícola começa com o sonho de sua fundadora, proprietária e enóloga: María Luz Marín. Nada descreve melhor a vinícola do que a história desta mulher que lutou arduamente para criar uma vinha inovadora que expressa nos seus vinhos finos e exclusivos o único terroir de Lo Abarca. Marilú sempre quis estabelecer sua vinícola em Lo Abarca, mas teve que enfrentar muitos desafios antes de ser capaz de alcançá-lo devido ao clima extremo, falta de água e às dúvidas de seus pares no setor. Apesar de todas essas dificuldades, em 2000, Marilú tornou-se a única mulher a ser a proprietária fundadora e enóloga de um vinhedo na América do Sul. Conseguindo isso, criando uma empresa cujos vinhos foram reconhecidos e premiados internacionalmente, ajudando a posicionar o Chile como produtor de vinhos finos de alta qualidade e alto valor de mercado.

Falando novamente sobre o Casa Marin Miramar Vineyard Riesling 2008, podemos ainda acrescentar que o mesmo é feito com uvas 100% Riesling colhidas no vinhedo chamado Miramar, no Vale do Santo Antonio no Chile. Possui 12,5% de grau alcoólico e não passa por madeira. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração amarelo palha com reflexos dourados de média intensidade. Lágrimas finas, rápidas e incolores também fazem parte do aspecto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas lembrando parafina, flores brancas e frutos de polpa branca bem maduros. Toques de manteiga também se faziam notar com mais tempo na taça. Todos estes aromas muito bem misturados e se alternando na taça. Um verdadeiro perfume engarrafado.

Na boca foi onde o vinho mais me surpreendeu. No alto dos seus 11 anos de idade, manteve uma acidez deliciosa e que fazia salivar a cada gole, muito viva e acachapante. Corpo médio. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo e saboroso.

Como o mundo do vinho é delicioso, não acham? Eu não esperava que um vinho branco fosse se apresentar tão bem com 11 anos. Se tiverem uma garrafa por ai, provem e depois se puderem, compartilhem suas impressões comigo, eu ficarei imensamente grato. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Wednesday, February 13, 2019

Fiano di Avellino Campore Terredora 2009

A Terredora é considerada uma das melhores produtoras de vinho italianas, obtendo prêmios e mais prêmios de prestígio ao longo dos anos. Desde 1978 é a protagonista indiscutível do renascimento do vinho na Campania Italiana. Combinando experiência e tradição, introduziu o cultivo das uvas nativas milenares, inovações modernas, conhecimento técnico e implantes para melhorar o futuro, promovendo o retorno da viticultura à sua tradição mais antiga e mais qualificada.


Falando sobre o vinho de hoje, o Fiano di Avellino Campore Terredora 2009, podemos complementar que o vinho é feito com 100% de uvas Fiano de um vinhedo chamado Campore, na Itália. As uvas são colhidas bem maduras, quase como um "late harvest" seguida de cuidadosa vinificação com fermentação em baricas e cuidadoso envelhecimento "sur lie" por pelo menos 6 meses e posterior refino em garrafa por pelo menos 24 meses. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração dourada com bom brilho e limpidez. 

No nariz o vinho apresentou aromas de mel, frutas tropicais maduras, flores brancas e baunilha.

Na boca o vinho se mostrou gordo e, a despeito dos seus já 10 anos, uma acidez gostosa e que estimulava o próximo gole. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.


Um belíssimo vinho branco italiano, de uma uva e região pouco conhecidas de minha parte mas que agradou demais a despeito de já ser um senhor. Foi o fiel escudeiro de uma bela massa com camarões. Mais um vinho apresentado pelo clube de vinhos da Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

Thursday, March 1, 2018

WineNetwork apresentou belíssimos vinhos Chilenos em SP

No último mês de janeiro tive a oportunidade de participar de uma excelente degustação promovida pela Importadora Winetwork, que além de contar com uma marca própria no Chile (Viña Una Hectarea) trás ainda um mix muito interessante de produtos do país vizinho. Uvas pouco faladas por lá ou pouco utilizadas como variegais são as estrelas, como por exemplo Cabernet Franc, Grenache e Mourvèdre. O foco da importadora são vinhos chilenos de pequenos produtores e a tentativa de conexão importador cliente final. A degustação foi conduzida por Márcio Moualla, sócio proprietário da importadora, no restaurante Aranda Asador & Tapas.

A Viña Una Hectárea é um projeto familiar que pertence aos irmãos e enófilos Marcio e Samir Moualla, recente (tem origem em 2008) e que compreendeu de início um hectare de vinhas em cada um do vales chilenos, a saber: Casablanca, Maipo, Colchágua e Aconcágua. Hoje a vinícola expandiu seus territórios e já conta com mais de 14 hectares de vinhas, trabalhando basicamente com 9 tipos de uvas, dentre as quais se destacam as famosas Sauvignon Blanc, Cabernet Sauvignon e as nem tão famosas Petit Verdot e Mourvédre, por exemplo.

Como é de praxe por aqui, e com a intenção de deixar as postagens mais dinâmicas, selecionei dois vinhos para falarmos por aqui, um da própria Viña Una Hectárea e outro do mix de produtos da importadora, para destacar. Vamos a eles?


Do mix da importadora eu destaco o Garcia + Schwaderer Grenache Valle de Itata Piedra Lisa Vineyard 2013, "filho" de um projeto nascido em meados dos anos 2000 das mãos do casal de enólgos Felipe Garcia e Constanza Schwaderer (já conhecidos pelo excelente trabalho em grandes vinícolas chilenas). Decididos a mergulhar de cabeça em seu projeto pessoal, fizeram seu primeiro vinho, de acordo com o seu próprio gosto e ofereceram sua criação ao mundo. Este vinho é um blend de Grenache (85%) e Mourvèdre (15%) de vinhas centenárias sem paasagem por madeira. Como resultado é um vinho de aspecto rubi violáceo de grande intensidade, brilhante e limpido. Aromas de frutas escuras, especiarias e flores. Em boca é muito fresco e vibrante, de corpo médio e fácil de beber, com taninos firmes mas nada agressivos. Um vinho delicioso e fácil de beber.


Falando agora da produção própria da Una Hectárea, passamos ao Puro Instinto 2009, um blend de Syrah (60%), Cabernet Sauvignon (20%), Cabernet Franc (15%), Carignan (10%) e Petit Verdot (5%) com passagem de 18 meses em barrica de carvalho francës de primeiro uso. Como resultado temos um vinho de coloração violácea de grande intensidade com algum brilho e limpidez. Leve halo granada também presente. No nariz o vinho apresentou aromas de frutas vermelhas e negras, especiarias, mentolado, mineral e baunilha. Na boca o vinho se mostrou encorpado com taninos bem fininhos e acidez muito viva. Outro belo vinho, sem dúvida nenhuma.


Sem dúvidas nenhuma são vinhos diferenciados e que podem provocar boas surpresas. Um especial agradecimento ao André Travaglia, também sócio da importadora, pelo convite, e ao Restaurante Aranda, por nos proporcionar belos momentos antes, durante e após a degustação, com serviço e comidas impecáveis.

Até o próximo!

Tuesday, May 16, 2017

Val di Suga Brunello di Montalcino 2009

A Tenimenti Angelini é uma produtora italiana que conta com cinco vinícolas (Val di Suga, em Montalcino; Tre Rose, em Montepulciano; San Leonino, em Chianti; Puiatti, em Friuli-Venezia Giulia; e Collepaglia, em Ancona). No caso de hoje, focaremos na Val di Suga, localizada em Montalcino, que conta com terras em ambos os lados da cidade, gerando certa complexidade a seus vinhos, somando cerca 120 hectares, dos quais 55 estão plantados com vinhas. Com uma produção que visa a qualidade de cada exemplar fabricado, ela tem se tornado, ano após ano, uma grande referência na elaboração de produtos bastante especiais. Atualmente ela exporta seus vinhos para países localizados nos cinco continentes do mundo.


Sobre o Val di Suga Brunello di Montalcino 2009, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito 100% com uvas Sangiovese plantadas ao redor da abadia de Santo Antimo e região. Todos os vinhos Val di Suga passam ao menos 36 meses em barricas de carvalho, assim como este aqui que passa ainda mais 12 meses em garrafa antes de ser liberado ao mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de média intensidade com bom brilho, boa limpidez e algum halo granada principalmente em direção as bordas.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos negros bem maduros, toques mentolados, especiarias, tostados, florais e chocolate.

Na boca o vinho apresentou corpo médio para encorpado, ótima acidez e taninos macios e redondos. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo e saboroso.

Um belíssimo exemplar da Toscana que alia muita elegância e rusticidade típicas da região e da casta. Além de podermos considerá-lo um best buy dentro de sua faixa de mercado. Eu recomendo a prova, com toda certeza.

Até o próximo

Monday, September 26, 2016

Casa da Passarella O Oenólogo Vinhas Velhas 2009

Nossa, nem sei bem por onde começar, mas é óbvio que estive um tempo afastado do blog. Espero que assim como eu, vocês também tenham sentido saudades. Vivi um turbilhão de coisas em minha vida que me fizeram priorizar outras atividades mas, aos poucos, vamos colocando a vida em ordem. Hoje volto aos post com um vinho de um país que sou notadamente fã, Portugal, e quem já me conhece ou lê meu blog a algum tempo já sabe disso e quais os motivos para tal, por isso deixarei de lado esta parte sentimental e vamos ao que interessa, que é o vinho Casa da Passarella O Oenólogo Vinhas Velhas 2009.


Localizada em Lagarinhos, no sopé da Serra da Estrela, a Casa da Passarella tem 40 ha de vinhedos plantados e é constituída por sete vinhas, sendo fundada em 1892, anterior à demarcação da região do Dão, que data de 1908. Desde sua fundação, tornou-se uma das mais emblemáticas vinícolas de Portugal. O primeiro registro de engarrafamento é de um vinho da marca Villa Oliveira, com data de 1893. Essa marca esteve durante algumas décadas fora do circuito comercial, sendo resgatada em 2009 como forma de homenagear a história e o patrimônio da vinícola. Os vinhos com esse rótulo são produzidos apenas em anos de qualidade excepcional e em quantidades muito reduzidas, com garrafas numeradas. A marca Somontes presta homenagem a uma senhora aristocrata de origem espanhola, que comandou durante algumas décadas a Casa da Passarella. Eleito produtor revelação do ano pelo importante guia 'Vinhos de Portugal 2012'.

Já sobre o Casa da Passarella O Oenólogo Vinhas Velhas 2009, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito a partir de uma única vinha com 80 anos, conhecida como vinha velha, sendo que esta é um conjunto de videiras de cerca de 24 diferentes castas nativas (Baga, Touriga Nacional, Alvarelhão, Tinta Pinheira, Jaen, Alfrocheiro, Tinta Carvalha, incluindo algumas castas brancas) que, com o decorrer de quase um século, se adaptaram naturalmente àquela parcela. A fermentação de todo o blend de uvas é feita em cuba tradicional de cimento. Por fim, o vinho passa por 18 meses em barris de carvalho para envelhecimento. Vamos finalmente as impressões?

Na taça o vinho tinha coloração violácea de grande intensidade com algum brilho e boa limpidez. Lágrimas ligeiramente mais gordinhas, levemente coloridas e lentas faziam parte do conjunto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos e escuros, notas terrosas, de especiarias, flores, baunilha e um leve tostado de fundo.

Na boca o vinho se mostrou extremamente fresco, com taninos macios e bem encorpado. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo e delicioso.

Um belo vinho português que provamos por aqui, este ficou na memória e deixou saudades. Quem dera seu preço fosse mais acessível. Eu recomendo demais.

Até o próximo!

Thursday, June 30, 2016

Palistorti Di Valgiano 2009: Um super toscano animal!

Sempre que posso, tento associar ao vinho sendo bebido, uma lembrança gostosa que este possa vir me trazer, além é claro do prazer atual. Mas como a maioria que me acompanha já sabe, temos um especial carinho pela Toscana e por consequência, seus vinhos. Assim sendo, sempre que um exemplar de lá aparece por aqui, acaba ganhando uma atenção maior. O Palistorti Di Valgiano 2009 é um destes casos pois além da lembrança, é um baita vinho. Vamos ver a seguir o por que destas afirmações?


A Tenuta di Valgiano, produtora do vinho de hoje, está localizada a uma altitude de 250 metros acima do nível do mar, na encosta, 10 km ao nordeste da encantadora cidade de Lucca, no norte da Toscana, não muito longe da costa do Tirreno. O clima é mediterrânico, com uma grande quantidade de luz que permite a maturação polifenólica ideal. As vinhas são conduzidas com as práticas agrícolas mais sensíveis, incluindo as práticas biodinâmicas, com o objectivo de obter a melhor qualidade das uvas que melhor pode expressar o terroir. As técnicas de vinificação são tradicionais, com a interferência tecnológica mínima. A intenção é produzir, da forma mais simples possível, o vinho é a expressão do lugar em que é cultivado: Valgiano! Desde 1994 a Tenuta di Valgiano está nas mãos de Moreno Petrini e sua esposa Laura di Collobiano, além do enólogo Saverio Petrilli. Depois de flertar com a agricultura orgânica por muitos anos, a Tenuta di Valgiano converteu todo seu plantio e produção em agricultura biodinâmica em 2001.

Sobre o Palistorti Di Valgiano 2009, podemos ainda acrescentar que é um vinho produzido a partir das castas Sangiovese (70%), Merlot (20%) e Syrah (10%) oriundas de vinhedos com faces voltadas ao sul e com alturas que variam entre 120 a 190 metros acima do nível do mar. Estes vinhedos tem idade média de 14 anos. As castas são fermentadas separadamente e, após a fermentação alcoólica, são transferidas para barricas de carvalho (5% novas), onde permanecem por 12 meses. Após este período, o corte é efetuado em cubas de cimento onde o vinho permanece por mais 6 meses antes de ser engarrafado. Vamos falar sobre o resultado?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de grande intensidade com algum brilho e limpidez. Halo granada presente na borda.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos e escuros bem maduros, especiarias, couro e leve toque de chocolate.

Na boca o vinho se mostrou encorpado com boa acidez e taninos redondos. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo e saborosíssimo.

Um belíssimo vinho italiano, sem dúvidas, gastronômico, elegante e complexo, tudo junto e misturado. Entendo que o vinho está próximo de seu ápice. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Thursday, June 16, 2016

Familia Deicas Preludio 2009

Que dias especiais merecem vinhos um pouco mais especiais, eu já disse várias vezes não é mesmo? Mas eu não canso de repetir esta frase que quase se tornou um mantra pra mim. Mais do que isso, ultimamente eu tenho tentado, na medida do possível, tomar bons vinhos e não me apegar a eles. Uns dizem que a vida é curta demais para bebermos vinhos ruins. Acho que acredito. E foi assim que as comemorações do Dia dos Namorados começaram lá em casa com o Familia Deicas Preludio 2009.


Juan Carlos Deicas nasceu em Montevidéu no dia 6 de setembro de 1937, tendo crescido no bairro de Piedras Blancas, estudou Ciências Econômicas e, antes de entrar no mundo vitivinícola, trabalhou como bancário. Casou-se em 1960 com Elida Heres, com quem teve dois filhos: Mariela e Fernando. Em 1979, Juan Carlos Deicas, fundou o Establecimento Juanicó, que hoje em dia é uma das principais vinícolas do Uruguai. Antes de ser propriedade da Família Deicas, as terras do Establecimiento Juanicó passaram por diferentes donos. Entre eles destacou-se Don Francisco Juanicó, quem em 1830 rompeu com a tradição da criação de gado na região e construiu uma cave subterrânea que lhe permitiu elaborar vinhos de grande qualidade, devido a sua climatização natural. Porém, a grande mudança produziu-se recentemente quando Fernando Deicas assumiu o controle da vinícola no começo dos anos 80. Com uma nova visão e uma “grande mudança de mentalidade” a Família Deicas incorporou novas tecnologias e fez um forte investimento industrial para enfrentar novos desafios e assim abrir as portas do novo mundo para a vinícola. As novas gerações têm contribuído com outras visões e enfoques mais modernos e internacionais. Em 2010, a Família Deicas decidiu separar a produção de certos vinhos especiais e nasceu então a vinícola Premium Família Deicas. Esta vinícola fica em Progreso, Canelones, e o seu ícone é um casarão antigo conhecido pelo nome de Domaine Castelar. Os vinhos da Família Deicas são produzidos em pequena escala, cuidando minuciosamente todo o processo, desde o vinhedo até a guarda. Hoje, três gerações desta família compartilham a mesma paixão: atingir o perfeito equilíbrio entre tradição e inovação.

Sobre o Familia Deicas Preludio 2009, podemos acrescentar que é um vinho feito a partir das castas Tannat, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot e Petit Verdot com passagem de 24 á 30 meses em barricas de carvalho. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou cor violácea de grande intensidade, bom brilho e boa limpidez. Lágrimas mais gordinhas e lentas, além de muito coloridas, também faziam parte do conjunto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos e negros bem maduros, baunilha, flores e toques de especiarias.

Na boca o vinho se mostrou encorpado, de boa acidez e com taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final e deixa a gostosa sensação de quero mais.

Um belíssimo vinho uruguaio, que serviu o propósito de celebrar uma data tão bacana, que apesar dos apelos comerciais, serve de desculpa para celebramos o amor. Não é um vinho barato, mas vale o quanto custa. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Friday, June 10, 2016

Fèlsina Chianti Classico Riserva 2009

Foi em 1966, quando Domenico Poggiali Fèlsina deu um salto corajoso e comprou a propriedade, a Fattoria di Fèlsina, em um momento em que a viticultura italiana estava lutando para sobreviver, ainda mais em se falando de Chianti e a banalização pela qual a região havia passado, que tudo teve início. Ele optou por investir na qualidade do vinho e a experiência de uma equipa jovem. Sua paixão pelo vinho unida com as competências dos empresários, e sob a sua orientação, eles injetaram a modernidade necessária em seu plano de negócios, sem, contudo, abandonar o espírito da tradição. No espaço de alguns anos, os vinhedos já ocupavam mais de quarenta hectares, e a alma e organização da empresa mudou, também. Na segunda metade da década de 1970, Giuseppe Mazzocolin entrou no negócio da família com a tarefa de desenvolvimento comercial. Seu respeito pela Toscana e pela cultura italiana constituem a base para o crescimento da Fattoria di Fèlsina, abrindo o caminho para o início de seu reconhecimento internacional. Ao lado de produtores como Castello di Ama, Felsina foi uma das vinícolas responsáveis por colocar Chianti Classico no mesmo patamar de qualidade e prestígio do cultuado Brunello di Montalcino.


Sobre o Fèlsina Chianti Classico Riserva 2009, podemos dizer que é um vinho feito 100% com uvas Sangiovese oriundas de vinhedos de mais de 50 anos de idade na comuna de Castelnuovo Berardenga com passagem de 12 meses em barricas pequenas e médias de carvalho além de mais 6 meses em garrafa antes de ser liberado ao mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi violácea de média intensidade, bom brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos silvestres, flores, especiarias e toques minerais. 

Na boca o vinho tinha corpo médio para encorpado, excelente acidez e taninos macios e redondos. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo, elegante e incrivelmente saboroso.

Peço desculpas aos meus leitores mas, que puta vinho, impressionante. O vinho é elegante, complexo, saboroso, enfim. delicioso. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Tuesday, April 12, 2016

Peñalolen Azul Blend 2009: um vinhaço chileno!

A Viña Peñalolén, produtora do vinho de hoje, é famosa mundialmente por seus rótulos grandiosos e surpreendentes além de figurar entre as principais vinícolas chilenas. Localizada no famoso Vale do Maipo, aos pés da Cordilheira dos Andes, é propriedade de Ricardo Peña e de sua esposa, Isabel Peña, e conta com a administração cuidadosa do enólogo francês Jean Pascal Lacaze, que produz vinhos dentro da mesma técnica dos grandes Bordeaux. Jean Pascal também fez parte da criação do magnífico Stella Aurea, um dos grandes expoentes do Chile.


Sobre o Peñalolen Azul Blend 2009, podemos ainda acrescentar que o vinho é um corte de 60% Cabernet Sauvignon, 25% Cabernet Franc, 10% Petit Verdot e 8% Merlot. Segundo a vinícola, o nome remete a algo elevado. “O azul é algo superior, desde o tempo dos reis, onde o azul era a cor da Virgem Maria e símbolo de Majestade. Abundantes no mar e no céu, o pigmento azul é muito difícil de fabricar, azul é uma cor de nobreza e luxo, simboliza o infinito, o divino e o espiritual''. O vinho passa ainda por 18 meses de envelhecimento em barricas de carvalho de primeiro e segundo uso. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violáceo de grande intensidade, algum brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, rápidas e quase incolores também faziam parte do conjunto visual. 

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos e negros, especiarias, mentolado e chocolate.

Na boca o vinho era encorpado, com boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato, adicionando uma ponta mineral ao vinho e o final era de longa duração.

Um baita vinho chileno, complexo, elegante e delicioso. Fomos de "paprika schnitizel" para acompanhar, um prato alemão a base de medalhão de filé mignon, batata e molho picante com páprica. A combinação ficou interessante. Pra quem gosta de notas, recebeu 94 pontos no Guia Descorchados em sua safra 2011. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Thursday, March 31, 2016

Mastroberardino Aglianico Campania IGT 2009

A Mastroberardino é talvez a vinícola mais conhecida da Campania, no sul da Itália, e foi criada na década de 1750 pelo enólogo Pietro di Mastro Berardino. Pietro foi premiado com o título profissional de "Mastro", como premiação para suas habilidades na produção de vinho de qualidade, uma tradição que tem continuado sem interrupção durante dez gerações e que ainda continua até hoje. Localizada na cidade de Altripalda, na antiga região de Irpinia, esta empresa baseada na família Mastroberardino há muito tempo tem defendido as variedades autóctones da região: Aglianico, Falanghina, Fiano, Piedirosso, Greco e Coda di Volpe. Hoje, a Mastroberardino é universalmente reconhecida como tendo sido o mais importante guardião da herança da vinificação na Campania. Talvez mais conhecida pela cidade de Nápoles do que pelo vinho produzido, a Campania tem alguns vinhos que valem o reconhecimento. Em primeiro lugar, o branco conhecido como Greco di Tufo - uma variedade autóctone, a Greco, produz vinhos brancos secos com um sabor sutil de nozes. O vinho tinto mais conhecido por lá é o Taurasi, feito da uva Aglianico.


Sobre o Mastroberardino Aglianico Campania IGT 2009, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito com 100% de uvas Aglianico oriundas de vinhedos do terroir de Irpinia, que possui características únicas influenciadas pelo material vulcânico do Vesúvio. Tais vinhas possuem em média, 15 anos. Tem passagem de 10 meses em barricas de carvalho. Vamos as impressões sobre o vinho?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de média intensidade com bordas tendendo ao granada, algum brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e sem cor também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos e escuros, flores e especiarias.

Na boca o vinho era encorpado, com boa acidez e taninos aveludados. O retrogosto confirma o olfato e adiciona um ligeiro toque mineral. O final era de longa duração.

Um belíssimo vinho italiano sem qualquer dúvida e que foi muito bem com bisteca suína e couscous marroquino. Eu recomendo a prova!

Até o próximo!

Wednesday, January 6, 2016

Vizar Doze Meses 2009: Um baita vinho espanhol

Como fiz questão de deixar meu público, pequeno mas fiel, curioso com relação ao vinho provado durante o almoço realizado no restaurante Elle 5 (post anterior, aqui), chegou a hora de revelar todos os aspectos sobre o mesmo. E eis que surge seu nome: Vizar Doze Meses 2009. Vamos ver o que descobrimos sobre ele?


A Bodegas Vizar, produtora do vinho em questão, está situada nos arredores de Valladolid, nas encostas do Rio Douro, do lado Espanhol e conta com 90 hectares de terras onde se encontram tanto a sede da vinícola como todos os seus vinhedos. Os vinhedos da propriedade são antigos e já testemunharam a passagem de diversas populações por ali. Vale lembrar que a propriedade já fora dos Duques de Alba e, em seguida, passaram por várias mãos ao longo dos séculos até agora pertencerem à família Zarzuela.

Sobre o Vizar Doze Meses 2009 podemos acrescentar que é um vinho composto de 81% Tempranillo, 12% Cabernet Sauvignon e 7% Syrah, com estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor rubi violácea de média intensidade, algum brilho e boa limpidez. Lágrimas finas e sem cor.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, flores, bala toffe e leve lembrança mineral. Ao fundo de taça, lembranças de aromas tostados.

Um ótimo vinho crianza espanhol com bela complexidade e que desfaz o mistério do post anterior. Acomphou de forma gloriosa o almoço e sinceramente mostrou muita qualidade. Tenho ainda as safras 2007 e 2008 deste vinho que pretendo provar em ocasiões que demandem vinhos mais complexos. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Tuesday, November 10, 2015

Nemea Reserve 2009: O que é que o vinho grego tem?

As vezes alguns vinhos ficam "perdidos" na adega e, em um daqueles dias que bate uma vontade arrebatadora de abrir alguma coisa diferente, faço uma pequena "expedição ao fundo da adega" pra procurar se existe algum destes vinhos escondidos. E neste final de semana, em meio a uma destas expedições, eu cheguei até o Nemea Reserve 2009.


O Nemea Reserve 2009 é produzido pela Cavino SA, um grupo grego que tem sua fundação ainda em meados dos anos 50 na região do Peloponeso, na Grécia, mas que passou por algumas grandes modificações em todo este caminho. Aparentemente o ano de 1999 é o que detém a marca mais recente na vinícola, quando começa a introduzir no mercado local e nos mercados internacionais, vinhos de alta gama no quesito qualidade. De lá pra cá contou com uma expansão forte em mais de 26 países e construiu uma linha de engarrafamento que dizem ser o estado da arte no quesito tecnologia, com capacidade de produção de 7000 garrafas por hora.

Falando sobre o Nemea Reserve 2009 propriamente dito, podemos acrescentar que é mais um exemplar feito 100% com uvas Agiorgitiko da região do Peloponeso, mais especificamente dentro da Denominação de Origem Nemea, de vinhedos com altitudes que variam entre 400 e 600 metros acima do nível do mar. Após a fermentação, o vinho é então colocado em barricas de carvalho americano e francês onde ocorre a fermentação malolática e onde ficam por mais 14 meses para envelhecimento. Por fim, depois de engarrafado, o vinho fica nas caves da vinícola por mais 12 meses antes de ser liberado ao mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi de média intensidade com algum brilho e limpidez. bordas já com tendências granada. Na garrafa pudemos notar boa presença de borras. Lágrimas finas, rápidas e incolores também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos silvestres, flores e toques de chocolate amargo. Ao fundo de taça algo de tostado também se fazia notar.

Na boca o vinho se mostrou de corpo médio com boa acidez e taninos finos e macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Um bom vinho para o dia a dia. Tem um quê de velho mundo, mais austero e elegante. Eu recomendo a prova. Mais um vinho do clube de vinhos da Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

Friday, September 11, 2015

Vinhos do Alentejo em SP: Herdade do Gamito

Ontem foi dia de provas alguns vinhos portugueses que ainda não conhecida e claro, de revisitar alguns outros tantos que já conheço e gosto. Mas me chamou atenção uma casa que, segundo o representante presente no stand, ainda não tinha importador para o Brasil e que, provando seus vinhos, acho um desperdício. Estou falando da Herdade do Gamito.

Do site do produtor: "A Herdade do Gamito está situada no Nordeste Alentejano, a 4 quilômetros do Crato, vila histórica que foi sede da Ordem de Malta em Portugal. Com 27 hectares de vinha, é propriedade de descendentes de uma antiga família tradicional, com raízes centenárias na região. Histórias e personagens deste passado áureo habitavam a imaginação de Gonçalo Sá da Bandeira, que em criança sonhava recuperar as terras ancestrais para delas viver. Um querer, que aliado ao amor pela terra e à paixão pelo vinho, o levou a comprar a seu pai uma pequena parcela de terreno, que restava de um patrimônio agrícola familiar. Foi com muito trabalho, persistência e ajuda da mulher e dos amigos, que alargou as fronteiras da sua propriedade e iniciou-se na arte de fazer vinho. Primeiro de forma artesanal, mais tarde adaptando a tradição às exigências da enologia moderna".


Durante o evento eles trouxeram 3 vinhos para degustação, mas nos parágrafos abaixo gostaria de destacar dois, na verdade um único, mas me pareceu que ficaria um post meio vazio e de última hora resolvi incluir o segundo. Em ordem de preferência, começarei com o intruso de última hora e fecho com meu preferido da Herdade do Gamito, se não o preferido da feira.

O primeiro vinho que destaco é o Herdade do Gamito 2009, considerado quase topo de gama da vinícola, este vinho é um corte de uvas Syrah, Alicante Bouschet, Trincadeira e Merlot com estágio de 12 meses em barricas francesas. Resulta em um vinho de cor violácea de boa intensidade, algum brilho e limpidez. Trás no nariz aromas de frutos escuros, algo floral e de especiarias. Na boca é gordo, encorpado e de taninos firmes com boa acidez. O retrogosto confirma o olfato e o final é um pouco curto. Bom vinho.

Chegamos então ao meu preferido, o Gamito Alicante Bouschet 2011, primeiro vinho monocasta da Herdade do Gamito (ALicante Bouschet, just in case). Também passa por 12 meses de estágio em barricas de carvalho francês. Resulta num vinho violáceo de grande intensidade com ligeiro halo granada com boa limpidez e algum brilho. Aromas de frutos escuros, chocolate e tostado. Em boca é cheio, encorpado, taninos macios, redondos e de ótima acidez. O retrogosto confirma o olfato e o final é longo e saboroso. Vinhaço!

Como dito anteriormente, ainda não tem importador aqui pro Brasil. Candidatos? Não percam a oportunidade, eu recomendo.

Até o próximo!

Tuesday, June 16, 2015

Vale do Chafariz Tinto Reserva 2009 & Pinhões: Festa junina em casa!

Aproveitando esta época do ano em que muito pensamos em festas juninas e este tipo de entretenimento e também levando em conta que em São Paulo as coisas andam meio complicadas, seja por motivos financeiros, de segurança e outros, resolvi deixar aqui uma dica que eu coloquei em prática em casa e foi sucesso total: um "arraiá caseiro" com direito a pinhões e, aqui uma diferença, ao invés do vinho quente disponível nestas festas, um vinho alentejano delicioso, o Vale do Chafariz Tinto Reserva 2009. Vamos ver o que descobrimos sobre ele?


O vinho é produzido pela Herdade da Ajuda, uma vinícola que esta situada num dos melhores “terroir” do Alentejo. Dentre os cerca de 120 ha de vinhas plantadas em microclima excepcional, encontram-se as castas Cabernet Sauvignon, Syrah, Touriga Nacional, Aragonez, Alicante Bouschet, Castelão e Trincadeira. Mas engana-se quem pensa que a Herdade da Ajuda é um velho player no mercado: o empreendimento começou em 2007 com a aquisição da propriedade de mais de 400 ha e com a coragem e determinação de seus proprietários em produzir vinhos de alta gama. Assim sendo, com a aplicação de modernas técnicas de viticultura sob a batuta do enólogo Antonio Ventura e do viticultor João Maria Correa, a Herdade da Ajuda tem conquistado os mais exigentes consumidores mundo afora.

Sobre o Vale do Chafariz Tinto Reserva 2009, podemos ainda acrescentar que possui em sua composição as castas Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Syrah e Alicante Bouschet que passa ainda por estágio em barricas de 225 litros de carvalho francês e americano durante 6 meses. Sem mais delongas vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou um coloraçao rubi violácea de média intensidade, algum brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e incolores também se faziam notar.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos vermelhos e escuros, especiarias, flores e algo de baunilha.

Na boca o vinho é de corpo médio para encorpado, belíssima acidez e taninos que são um veludo de tão macios e redondos que se encontram. Retrogosto confirma o olfato e o marcante final é longo e saboroso.

Um belo vinho português do alentejo, e eu como fã incondicional do país e da região, não poderia deixar de indicar! Está prontíssimo para o consumo e, junto dos pinhões cozidos, fez a alegria aqui em casa.

Até o próximo!

Monday, May 11, 2015

Ovo e Uva: um excelente experiência enogastronômica!

Dia desses resolvi experimentar um restaurante que já estava em meu radar a algum tempo e devo dizer que, sem sombras de duvidas foi uma escolha acertada. O local escolhido foi o Ovo e Uva, um local que é um misto de restaurante, rotisseria, empório, mercearia e casa de vinhos, tudo em um mesmo ambiente.

O Ovo e Uva nasceu da união da vontade de dois sommeliers, João Renato da Silva e Fernando Perazza, com objetivos em comum: servir boa gastronomia aliada a bons vinhos. Lembro que quando o burburinho em torno da inauguração do lugar começou, eu lia o nome de um deles, João Renato da Silva, e sabia que existia algo de familiar. Depois de um tempo lembrei que costumava acompanha-lo pelas redes sociais e este foi mais um dos motivos pelos quais queria muito conhecer o local.


O Ovo e Uva fica num espaçoso salão em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo. Os rótulos de vinhos ficam expostos numa prateleira a sua esquerda, enquanto que um balcão onde são feitas massas frescas e os queijos, embutidos e afins ficam ao lado direito. Aliás este alinhamento da bebida com a comida é o que se sobressai logo que você entra no local. Quem aparecer por lá terá a disposição 220 rótulos de vinhos de treze importadoras e além de consumir as garrafas no recinto você poderá leva-las para casa também. Existe ainda a opção de vinhos em taças e outras bebidas como cervejas, sucos, etc. No tocante ao cardápio, podemos sentir a influência da culinária italiana e espanhola em sua maioria com uma pegada contemporânea, sem grandes floreios ou reinvenções. É um cardápio enxuto na medida, com opções de entradas e pratos que podem ser divididos, sem porções exageradas. O serviço é um show a parte, muito atencioso e preza por orientar e deixar o cliente a vontade. Aliás, no final do texto vou contar um episódio de minha visita que me surpreendeu positivamente.

Risotto de Agrião com Bombom de Rabada

Depois de tudo que falamos sobre o local, nada melhor do que saber o que comemos e bebemos naquela agradável tarde, não é mesmo? Começando com os pratos, eu escolhi um "risotto de agrião com bombom de rabada" com grãos bem al dente e uma untuosidade e sabores inigualáveis no bombom; já minha esposa optou pelo "risotto de aspargos e jamon crocante", que também estava com os grãos bem al dentes mas um pouco mais cremoso que o de agrião, com o jamon dando outra dimensão de textura e adicionando um toque mais salino, deixando a mistura deveras interessante. Ambos muito bem executados e incrivelmente deliciosos, com bastante atenção aos detalhes e a decoração. O único ponto negativo ficou por conta da sobremesa, um tiramisu que não empolgou tanto quanto os pratos anteriormente discutidos aqui.

Risotto de Aspargos e Jamon Crocante

Para acompanhar escolhemos o vinho Montirius Les Violettes VdP 2009, um vinho biodinâmico da região mais ao sul do Vale do Rhône, e é produzido pelo Domaine Montirius. A vinícola possui 58ha de vinhas compreendidas nas AOCs  Vacqueyras, Gigondas e Côtes du Rhône tendo convertido toda sua plantação/produção para biodinâmica desde 1996. O Montirius Les Violettes VdP 2009 é feito com uvas Syrah totalmente plantadas/cultivadas de maneira biológica e biodinâmica de vinhas com aproximadamente 60 anos de idade. Passa por envelhecimento em cubas de cimento de 6 a 12 meses, em seguida, em garrafa sem qualquer passagem por madeira. Tem um coloração rubi violácea de média intensidade com bom brilho e boa limpidez. No nariz apresentou aromas de frutos vermelhos maduros, especiarias e toques florais. Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez e taninos finos e suaves. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração. Um belo casamento com a comida, eu ouso dizer!

Agora o causo que fiquei de contar ali em cima: como dito anteriormente, o serviço é muito cortes e tem como linha de conduta deixar o cliente a vontade, explicando tudo que acontece. Pois bem, quando escolhi o vinho e o atendente foi abri-lo, a rolha estava seca e se partiu, obrigando o pessoal a fazer de tudo pra salvar a garrafa e o precioso liquido. Explicaram que iriam empurrar a rolha pra dentro, decantar e filtrar para evitar contaminação. Confesso que fiquei apreensivo. Mas depois que o vinho veio pude verificar que não houve comprometimento com do líquido. Mas a surpresa positiva foi que, para "compensar" os problemas e o pequeno "stress" causado por toda a situação, no momento da sobremesa nos foi oferecido duas taças de vinho de sobremesa como cortesia da casa. Achei a atitude muito nobre e com certeza souberam agir para cativar o cliente. Ponto positivo com certeza!

Enfim, a experiência teve um saldo super positivo. Comida excelente, ótimos vinhos a preço justo, várias opções de vinho em taça, ambiente e serviço agradabilíssimos. Voltarei sempre que der!

Até o próximo!

Wednesday, April 22, 2015

Briego Tiempo Crianza 2009: Um belo Ribeira del Duero na taça!

Preciso confessar a vocês que me acompanham que eu estou descobrindo cada vinho bom vindo da Espanha que estou me surpreendendo. Como é difícil conhecer e escolher vinhos! É muita coisa de produtores diferentes, lugares diferentes, importadoras diferentes que fica impossível saber o que virá pela frente quando compramos um vinho. As indicações de amigos e de pessoas confiáveis é claro que fazem toda a diferença mas, mesmo assim, não paro de me surpreender. E hoje será dia de falarmos de mais uma destas boas surpresas espanholas, o Briego Tiempo Crianza 2009.


O vinho é produzido pela Bodegas Briego, na região de Valladolid, na Espanha, dentro da Denominação de Origem de Ribeira Del Duero. Os irmãos Hernando- Benito Gaspar, Fernando e Javier, desenvolveram o projeto da Bodegas Briego, recuperando assim a tradição que seu pai havia perseguido quase cinquenta anos atrás. Depois de reestruturar e restaurar as vinhas em ruínas, em 1988 foram realizadas novas plantações nos municípios de Curiel de Duero, Peñafiel e Fompedraza. Foi apenas em 1992 que o primeiro vinho da bodega é liberado ao mercado com o selo da DO Ribeira Del Duero: 20.000 garrafas de um vinho jovem com 6 meses em carvalho. A empresa familiar tem atualmente 77 hectares, todos eles da variedade Tempranillo, exceto uma pequena parcela de Merlot.

Por legislação, um vinho com a inscrição Crianza em seu rótulo, na região de Ribera del Duero (assim como em Rioja), necessita passar um mínimo de 12 meses em barricas de carvalho e outros 12 meses repousando em garrafas, antes de ser liberado ao mercado. No caso do Briego Tiempo Crianza 2009, esse período é de 14 meses em barricas francesas e americanas. Esse 100% Tempranillo tem ainda suas uvas colhidas de um vinhedo denominado Solanas. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração rubi violácea de média intensidade, bom brilho e boa limpidez. Ligeiro halo granada, denotando evolução. Lágrimas finas, rápidas, em pequena quantidade e quase incolores também podiam ser notadas nas paredes da taça.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros maduros, toques mentolados, chocolate e tostado.

Na boca o vinho mostrou corpo médio para encorpado, boa acidez e taninos macios e sedosos. Retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração. 

Mais um belo vinho espanhol que passou aqui pela minha taça e que eu fiz questão de comentar por que eu acho que os espanhóis estão cada vez mais trazendo boas opções para o nosso mercado. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Monday, April 6, 2015

Ovidio Garcia Esencia Crianza 2009: Belo vinho tinto espanhol

Abrindo os trabalhos do final de semana prolongado que se aproximava, mais uma vez me dirigi a minha adega em busca de algo que ainda não havia provado e que pudesse nos dar prazer e embalar a quinta feira a noite. E eis que me deparei com o Ovidio Garcia Esencia Crianza 2009 e resolvi traze-lo para a mesa. Vamos ver o que podemos falar dele?


O vinho em questão é produzido pela Bodega Ovidio Garcia, oriunda de Ribeira del Duero, na Espanha. A bodega nasceu em 1999, fruto dos sonhos da família Garcia em se tornar referencia na produção de vinhos de qualidade na região. Seus vinhedos se encontram nas cercanias da cidade de Cigales, sendo que as principais castas plantadas, em ordem de importância, são: Tempranillo e Garnacha. 

Sobre o  Ovidio Garcia Esencia Crianza 2009, podemos ainda acrescentar que é um varietal 100% elaborado com uvas Tempranillo que passa por 15 meses de envelhecimento em barricas, sendo que destas, 60% são francesas, 30% são americanas e 10% húngaras. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de média para grande intensidade,  bom brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, rápidas, em pequena quantidade e pouco coloridas também compunham o aspecto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, chocolate, toques minerais e tostados.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, acidez na medida e taninos macios. Retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Um bom vinho espanhol, trazido pela Vinea Vinhos e que tem uma boa relação custo benefício. Recomendo a prova.

Até o próximo.

Thursday, February 12, 2015

Gran Vinafoc Cabernet Sauvignon Reserva 2009: De buenas a primeras!

Nem só de vinhos brancos vive um enófilo em pleno verão senegalês. Vez ou outra da uma vontade de sacar um belo tinto da adega e, convenhamos, algumas comidas até ficam mais saborosas com um tinto. Além de minha predileção, é claro. Neste contexto que tentei vos descrever saiu da adega para a mesa o vinho espanhol Gran Vinafoc Cabernet Sauvignon Reserva 2009. Vamos ver o que descobrimos sobre ele?


Este vinho é produzido pela Spiritus Barcelona, um aclamado produtor de vinhos espanhóis, cuja tradição remonta a 1788, ano em que os ancestrais da família proprietária Vinyes, com grande tradição agrícola, iniciaram a plantação de vinhas em suas terras para atender a demanda crescente do setor vitivinícola na região, que estavam exportando para os mercados do norte da Europa. Desde então, nove gerações da mesma família foram ligados ao solo e ao cultivo da terra. No início de 2004, uma nova geração da família traçou um ambicioso plano para abrir amplamente o seu vinho para o mercado internacional. Foi em 2006, quando o projeto frutificou com a parceria financeira, que o projeto tomou dimensões mundiais.

Sobre o Gran Vinafoc Cabernet Sauvignon Reserva 2009, podemos acrescentar que é um varietal 100% Cabernet Sauvignon de vinhedos do Penedes Central e Alto, na DO Catalunya. Amadureceu por 12 meses em barrica de carvalho novas. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou cor rubi violácea de média para grande intensidade, algum brilho e pouca transparência. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas tingiam as paredes da taça.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, especiarias, baunilha e madeira. 

Na boca o vinho se mostrou encorpado, de boa acidez, com taninos macios e redondos. Retrogosto confirma o olfato. Final de média duração.

Mais um bom vinho degustado por aqui, elegante e até certo ponto refrescante, se contrapondo aos Cabernets que temos visto aqui pelos lados do Novo Mundo. Mais uma boa opção apresentada pelo Winelands Clube do Vinho, o clube que eu assino e recomendo.

Até a próxima!

Friday, January 30, 2015

Lupé-Cholet Chablis Château de Viviers 2009: Queijos e vinho!

A França me encanta, não somente por todo romantismo e beleza por trás de suas cidades, mas também por que tem a maioria dos vinhos mais famosos do mundo sendo produzidos por lá e eu, em minha humilde ignorância, tenho certa dificuldade de separar o bom do ruim e muitas vezes opto em não comprar/beber um vinho de lá pelo medo de errar. Sim, este é um de meus defeitos, muitas vezes tenho medo do fracasso. Mas existem vezes em que, apostamos, e ganhamos as apostas. E foi assim com o Lupé-Cholet Chablis Château de Viviers 2009. Quer saber o por que? Fiquem com agente.


Este vinho é produzido por Lupé-Cholet na região da Borgonha, em suas propriedades desde 1903. Foi neste ano que Alexandre de Mayol de Lupe e Félix de Cholet decidiram unir forças para criar a marca por trás de vinhos que foca em deixar que o solo e a safra possam encontrar sua própria expressão. Possuem 25 hectares de vinhas em Chablis e Côte d'Or, também mantendo parcerias de longa data com vários produtores de vinho em toda Borgonha. O Château de Viviers está localizado a 12 km a oeste na região de Chablis, sendo este o ponto mais alto da vinhas de lá, o que proporciona um caráter muito forte e personalidade para os vinhos oriundos destas uvas.

Sobre o Lupé-Cholet Chablis Château de Viviers 2009, podemos dizer que é o vinho de entrada da vinícola mas que nem por isso peca em qualidade, pelo contrário. É de fato um 100% Chardonnay (conforme tradição e legislação) e passa de 6 a 8 meses em barricas "sur lie" previamente ao engarrafamento. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor amarelo dourada, brilhante e límpida.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos cítricos misturados a toques minerais e florais.

Na boca o vinho se mostra untuoso, fresco e delicioso. O retrogosto amplifica os toques minerais e confirma os demais aromas encontrados no nariz. O final é longo e saboroso.

Um belo vinho francês provado por aqui, este oriundo da Borgonha (Chablis) e que realmente me encantou. Não são vinhos baratos mas a meu ver, vale o quanto custa. Eu recomendo a prova. Este é da Vinea.

Para acompanhar, brincamos mais um vez de uma noite de queijos e vinhos, desta vez tentamos inclusive buscar mais quitutes de origem francesa como Gruyére e Brie, não esquecendo entretanto do Gorgonzola e provolone, por exemplo.

Até o próximo!

Thursday, January 29, 2015

Casa Marín Estero Vineyard Sauvignon Gris 2009

Eu sempre me pego tentando aprender mais e mais sobre o mundo dos vinhos bem como provando novos rótulos, novas castas, cortes, enfim, tentando me surpreender mais e mais com este incrível universo que se abre. Por isso eu acabei comprando e provando o Casa Marín Estero Vineyard Sauvignon Gris 2009. Confesso que nunca tinha ouvido falar da casta em questão (Sauvignon Gris) e fiz alguma pesquisa sobre. Vamos ver o que descobri?


A casta Sauvignon Gris, segundo o que pude apurar, é um mutação clonal da uva Sauvingon Blanc e também é oriunda da França, da região de Bordeaux. Seus bagos costumam ter uma coloração rosada. Normalmente origina vinhos menos aromáticos que sua irmã mais famosa, entretanto é conhecida pela elegância dos seus vinhos bem como a complexidade que estes podem adquirir, inclusive com envelhecimento em madeira.

O Casa Marín Estero Vineyard Sauvignon Gris 2009 é produzido pela famosa vinícola chilena Viña Casa Marín, na Provincia de San Antonio, com vinhedos muitos próximos ao oceano pacífico. A vinícola foi fundada em 2000 (uma jovem vinícola) por Maria Luz Marín, cujo objetivo principal era o de prover inovação e tecnologia aos vinhos do Chile. Desde o começo sua proposta era baseada em fazer os melhores vinhos de clima frio do mundo (ousadia e pretensão) dadas às qualidades do terroir único e as condições climáticas da região. Seu manuseio é especial e delicado. sendo que todos eles são single vineyard, ou seja, cada bloco de uvas são colhidas e vinificadas separadamente. Isso preserva as características únicas de cada bloco, resultando em muitos vinhos com personalidades marcadas e distintas. Não a toa a vinícola se tornou uma das mais premiadas no Chile desde então. Finalizando, o Casa Marín Estero Vineyard Sauvignon Gris 2009 é feito com 100% de uvas Sauvignon Gris, sendo que a fermentação de 70% do vinho ocorre em barricas por 6 meses. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração amarelo dourado, brilhante e límpida.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos cítricos, mel, flores brancas e leve toque de pimenta.

Na boca o vinho mostrou untuosidade e acidez ainda viva. Retrogosto confirma o olfato. Final de média para longa duração com algum amargor que a mim não incomodou muito.

Um vinho chileno diferente, apesar da proximidade com a Sauvignon Blanc, trouxe mais corpo e complexidade. Foi o escudeiro de um prato de espagueti integral ao molho de limão siciliano, azeite, parmesão ralado e folhas de manjericão com tilápia assada com tomates cereja. A combinação não foi a ideal, parece que a acidez e a citricidade do limão siciliano versus a do vinho brigaram um pouco. De qualquer maneira, recomendo a prova.

Até o próximo!