quinta-feira, 14 de maio de 2020

O Farol: Isolamento, monotonia e loucura!

Voltando a dar dicas relacionadas a filmes e séries em meio a pandemia, eu venho hoje falar de um filme que, apesar de não ser fácil de digerir e de finalizar, me deixou pensando muito a respeito por alguns dias após te-lo assistido. Hoje vou falar do filme "O Farol" que está disponível na Amazon Prime.


Em linhas gerais, o filme trata do cotidiano de dois marinheiros (Willem Dafoe e Robert Pattison, quase irreconhecíveis em seus respectivos papéis), que são enviados a uma ilha remota no litoral da Inglaterra para um período de quatro semanas com o intuito de trabalharem como zeladores do farol presente na ilha, mantendo as instalações em ordem assim como assegurando o funcionamento do mesmo para direcionar as embarcações que passam pela região durante o período. Entretanto o isolamento e o tédio das atividades repetitivas começam a criar uma grande tensão entre ambos. Estas interações entre ambos sempre acontecem regadas a muito álcool, cigarros e conversas intimistas. Some-se a isso a curiosidade do novato (Pattison) em saber o que realmente acontece na sala principal do farol com alguns fenômenos estranhos que se passam a seu redor, temos um terror psicológico de primeira.

Mas o que, a meu ver, o filme quer mesmo demonstrar é como o comportamento humano e as relações que se derivam de tal comportamento podem se deteriorar com o isolamento e o cansaço mental. É quando os instintos mais obscuros e primórdios começam a florescer, gerando violência, segredos não compartilhados e culminando na deterioração do próprio ser humano. Mais do que isso, a sensação de que tudo isso possa ser um pesadelo prolongado faz com que a sensação incômoda se acentue.

Para fazer tudo isso, o diretor usa de ferramentas pouco ortodoxas em se tratando de cinema moderno: a fotografia em preto e branco (quase suja, como num VHS), uma tela menor do que a widescreen comumente utilizada, diálogos um me inglês arcaico, trilha sonora carregada, planos pouco usuais, luz dosada e claro, atuações perfeitas de ambos atores. Tudo isso para criar uma atmosfera sufocante e aprisionante, fazendo quase com que nos sentíssemos na ilha junto aos marinheiros.

E como eu havia dito no começo do texto, esse filme me deixou pensando muito a respeito do comportamento dos marinheiros pois, em épocas de pandemia, ficamos confinados por muito tempo convivendo com as mesmas pessoas sob o mesmo teto, gerando de alguma maneira uma nova realidade nem sempre fácil de lidar. Nos sentimos sobrecarregados, mentalmente exauridos e por muitas vezes sem vontade de mesmo conversar com o outro. E é normal que isso ocorra. O que não é normal e o que devemos evitar a qualquer custo é que as relações cotidianas, principalmente com nossa família, se deteriore ao ponto de gerar instintos primitivos, violência e falta de respeito.

Eu sei que este filme não será fácil de assistir e que nem todos aguentarão até o final, mas quem o fizer, gostaria imensamente que deixasse seus pensamentos na caixinha de comentários abaixo. 

Até o próximo!

terça-feira, 12 de maio de 2020

Hopes End Red Blend 2017

A história da Hopes End Wines começa com a viagem de um médico, Dr. William Thomas Angove, em 1886, de Londres na Inglaterra com direção a uma das mais distantes terras no planeta, a Austrália, em busca de uma vida melhor. Ao chegarem em Port Misery, ao sul da Austrália porém, se deparou com uma situação um pouco diferente da imaginada: um pântano escuro, uma terra sem leis e sem princípios, muito distante do que se imaginava por novos começos. Mas foi ai a grande sacada, imaginando que se fora o destino que havia o trazido pra lá, assim seria. E nomeou o lugar como "Hopes End", algo como sem esperanças em uma tradução livre de minha autoria. Este local se encontrava ficava no sopé de Adelaide. Depois de estabelecer uma prática médica, o Dr. Angove logo se viu experimentando a produção de vinho, inicialmente usando o que produzia como tônico para seus pacientes. Inicialmente, o Dr. Angove plantou 10 acres de vinha e produziu mesa seca e vinho fortificado. Ele logo encontrou uma crescente base de clientes rapidamente transformando seu hobby em um negócio.


Falando agora sobre o Hopes End Red Blend 2017, podemos dizer que o mesmo é um blend de uvas Syrah, Grenache, Petit Verdot e Malbec com alguma passagem por madeira, pequena é verdade. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração violácea de grade intensidade com bom brilho e muita limpidez .Lágrimas finas, de média velocidade e coloridas se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, couro, baunilha, chocolate e toques terrosos. 

Na boca o vinho apresentou corpo médio para encorpado, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo e saboroso. 

Esse vinho foi o fiel escudeiro de costelinha de porco assada e purê de batatas, posição esta que assumiu com honras e glória, fazendo bonito no quesito harmonização.

Até o próximo!

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Moonlight Harvest Pinot Grigio

Hoje voltamos a programação normal, voltamos a falar de vinhos, especialmente vinhos canadenses. E eu diria que no mínimo, é curioso a maneira como ele é produzido. Segundo o produtor, todos os seus vinhos tem suas uvas colhidas no período noturno, sob a luz do luar. Além de toda a mística que o produtor tenta passar com essa afirmação, de que o vinho acaba por capturar as essências e mistérios da noite, esse método de colheita normalmente é empregado em lugares mais quentes tentando fazer com que as uvas sejam colhida em temperaturas mais amenas, retardando assim o processo fermentativo durante a colheita e transporte das mesmas para a vinícola. Enfim, vamos ver se descobrimos um pouco mais sobre ambos, o produtor e o vinho.


A Copper Moon Wines produz seus vinhos em Kelowna, British Columbia, aqui no Canadá. Esta é uma marca popular de propriedade de Andrew Peller, Ltd. Tudo começou em 1927, quando Andrew Peller chegou ao Canadá vindo da Hungria. Tendo possuído uma série de negócios de sucesso, ele veio aqui para finalmente perseguir seu sonho. Ele imaginou um dia em que canadenses, como europeus, passariam a apreciar vinhos de alta qualidade e a compartilhá-los com familiares e amigos. Ele perseguiu seu objetivo e estabeleceu a Andrés Wines Ltd., a caçula das grandes vinícolas canadenses de Port Moody, B.C. em 1961. Desde então, passou a adquirir e inaugurar vinícolas nas mais renomadas áreas vitivinícolas do Canadá, passando por Manitoba e Ontário, por exemplo.

Voltando ao astro principal do nosso post de hoje, o Moonlight Harvest Pinot Grigio é um vinho feito a base de 100% uvas Pinot Grigio de suas plantações em BC. Não passa por madeira nem nada. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou coloração amarelo palha com reflexos esverdeados, bom brilho e limpidez.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos cítricos e tropicais, toques de flores brancas e leve lembrança de mel, com algum tempo em taça.

Na boca o vinho apresentou corpo leve aliado a uma ótima acidez. O retrogosto confirmou o olfato, dando a sensação de estar comenda frutas bem maduras e suculentas. O final era de média duração.

Mais uma boa opção para se conhecer neste vasto mundo vinícola canadense, um vinho para o dia a dia e com um preço bem acessível. Leve e descontraído, pode ser um bom companheiro de um bom papo ou mesmo para entradinhas mais leves. Vale provar.

Até o próximo!

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Resgate: Netflix traz ação e luta como antigamente

Mais uma pausa nos vinhos para falar de algo que, assim como o anterior, também tem feito parte da minha vida ultimamente mais do que nunca: filmes e séries. Não que eu já não fosse um grande fã do meio, mas acho que a pandemia e a quarentena me aproximou ainda mais dessa paixão. Queria compartilhar com vocês hoje minha impressão sobre o filme Resgate, novo thriller de ação do serviço de streaming Netflix.


Resgate acerta em cheio ao, já me desculpando pelo trocadilho pobre, resgatar o gênero de ação em sua mais pura forma: ação frenética, lutas e tiroteios de tirar o fôlego unidos a um bom roteiro para amarrar tudo. Não que a premissa seja original nem nada disso, é apenas bem pensada e executada a perfeição. Tudo isso é premiado com um final que, se não é dúbio, deixa a imaginação da audiência a trabalhar e criar, como de praxe, diversas teorias sobre como o personagem principal termina o filme assim como a possibilidade de uma continuação.

O filme trata de um ex-militar, Tyler Rake, então vivido pelo astro do universo cinematográfico da Marvel Chris Hemsworth (Thor, Vingadores, etc.), que hoje em dia ganha a vida como mercenário. Em seu próximo trabalho, Tyler é contratado para resgatar o filho de um chefão do crime indiano, sequestrado por uma gangue rival. Falando assim tudo parece muito simples, mas a trama criada e o desenvolvimento da relação entre o menino e Hemsworth ajudam a amarrar a trama e abrem espaço para as longas cenas de perseguição, tiroteios e lutas sem entretanto deixar o filme cansativo e maçante. Tal relação serve também de redenção para o personagem principal, dados os fantasmas de seu passado e seus relacionamentos familiares.

Além disso, o longa chama atenção para uma realidade que pode até ser trazida para próximo de nós brasileiros, se pensarmos nas cidades mais pobres e periferias de grandes centros urbanos: como é a vida, principalmente para crianças, nestes locais onde existe uma grande desigualdade social, pobreza acentuada com domínio do tráfico de drogas e o crime organizado. Neste cenário as crianças acabam se tornando soldados destes impérios criminosos, sendo manipuladas e usadas como linha de frente numa guerra que invariavelmente não tem vencedores.

No fim, Resgate funciona com sua história simples deixando a ação como principal núcleo e centro das atenções. Depois do desfile de punhos, facas e armas de tiro, a redenção de Tyler parece inevitável. Se você é fã do gênero, tenho certeza que vai curtir.

Até o próximo!

terça-feira, 28 de abril de 2020

Beso de Vino Syrah & Garnacha 2017

Hoje venho aqui pedir licença para vocês, leitores do blog, e mudar um pouco o assunto da postagem. Na verdade, não exatamente o assunto pois ainda falaremos de vinho por aqui, mas viajaremos alguns milhares de quilômetros pelo globo e pousaremos na Espanha, mais especificamente na região de Aragão. Hoje iremos falar do Beso de Vino Syrah & Garnacha 2017.


O vinho de hoje é produzido pela GRANDES VINOS, que está localizada na D.O.P. Cariñena, Aragão, uma das mais antigas Denominações de Origem Protegida oficialmente reconhecidas na Espanha, em 1932, segunda depois de Rioja, embora produza vinho há mais de 2000 anos. A Vinícola foi fundada em 1997 com a união de mais de 700 famílias de viticultores e com a missão de tornar sustentável e rentável a videira em Cariñena, agrupando um terço da produção total da D.O.P. , estabelecendo o desenvolvimento nos mercados de exportação como estratégia de crescimento. Beso de Vino é a principal marca da GRANDES VINOS, presente em mais de 40 países e nos principais distribuidores mundiais. Indo além dos Certificados ambientais, a Inteligência Ambiental aplicada à agricultura de precisão, a otimização da irrigação da vinha, o tratamento completo de resíduos e o uso de um campo solar na vinícola para reduzir o consumo de energia durante o processo de produção e as emissões de C02 a atmosfera os torna uma empresa líder no setor em questões ambientais. São mais de 4.000 hectares de vinhedos espalhados nos 14 municípios do distrito de Campo de Cariñena, atribuídos à Denominação de Origem Protegida Cariñena, são a principal força da Companhia. Uma das mais ricas e amplas variedades de paisagens, com vinhas crescendo entre 320 e 850 metros, em diferentes tipos de solo com diferentes condições climatológicas, a partir das quais uma vinícola pode produzir vinhos. A característica mais exclusiva são os antigos solos de pedra, camadas de rochas, minerais e terra que deram nome à campanha promocional "vinhos criados em pedra". O vento local forte, seco e frequentemente frio "Cierzo" sopra do norte, ajudando a regular as vinhas e a mantê-las livres de doenças.

Falando um pouco mais do Beso de Vino Syrah & Garnacha 2017, podemos ainda dizer que o vinho é feito a partir de um corte das duas uvas já citadas, com vinhedos de altitude média de 500m variando entre 15 anos (Syrah) a 40 anos (Garnacha). Após a fermentação, o vinho amadurece por 3 meses em barricas de carvalho, 70% americanas e 30% francesas. Vamos finalmente as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de média para grande intensidade com bom brilho e limpidez.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros maduros, especiarias, fumaça e leve toque de baunilha.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Uma boa opção de custo benefício quando falamos de vinho espanhol, descontraído e até certo ponto surpreendente. Eu recomendo a prova. 

Até o próximo!

sábado, 25 de abril de 2020

Jackson-Triggs Proprietor's Selection Shiraz

No último post, trouxemos a primeira dica de vinho canadense por aqui, um vinho branco feito com a uva Chardonnay, fruto da paixão e comprometimento do proprietário da vinícola em criar vinhos de qualidade. Hoje traremos uma vinho tinto, fruto de uma das vinícolas mais tradicionais e premiadas aqui do Canadá. Hoje vai ser dia do Jackson-Triggs Proprietor's Selection Shiraz.


A Jackson-Triggs é uma vinícola canadense com vinhedos no vale de Okanagan, na Colúmbia Britânica e na Península de Niagara, em Ontário. Fundada em 2001, a Jackson-Triggs Niagara Estate Winery é uma das instalações de vinificação tecnologicamente mais avançadas do Canadá e emprega um sistema de vinificação assistida por fluxo de gravidade que elimina o bombeamento. Com ênfase na elaboração de vinhos VQA super e ultra premium, os 11,5 acres adjacentes à vinícola foram plantados apenas com os melhores clones e porta-enxertos de uvas viniferas, enxertados sob encomenda na França. Pinot Noir, Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Syrah são os mais cultivados no vinhedo de Delaine, enquanto variedades brancas como Chardonnay, Riesling, Sauvignon Blanc, Gewürztraminer e Sémillon completam as plantações. Além de fornecer uvas para o rótulo ultra-premium Jackson-Triggs Delaine Vineyard, o vinhedo também serve como um centro de pesquisa dedicado a maximizar a qualidade da fruta, rastreando o impacto de diferentes combinações de clones e porta-enxertos, técnicas de poda, solos e condições climáticas. variedade de variedades de uva.

Falando exclusivamente do Jackson-Triggs Proprietor's Selection Shiraz, podemos ainda dizer que é um vinho feito a partir do blend de uvas Syrah das melhores regiões produtoras de vinho no Canada e, até onde pude apurar, sem passagem por madeira. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e com alguma cor também se faziam notar.

No nariz o vinho trouxe aromas de frutos escuros maduros, algo de noz moscada, pimenta sob um ligeiro fundo mineral.

Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Um Syrah de clima frio, sem exageros de madeira e coisas do gênero que se torna uma boa opção por aqui para tomar despropositadamente com amigos e família (pós quarentena) ou mesmo acompanhando algum prato de carne sem exagero de temperos. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

terça-feira, 21 de abril de 2020

O'Leary Unoaked Chardonnay 2018

Já estou a algum tempo aqui no Canadá e, embora tenha falado sobre alguns restaurantes que aproveitei por aqui, ainda não parei para falar sobre os vinhos nacionais que tenho provado. Confesso que não conhecia muita coisa sobre os vinhos do Canadá, além dos já famosos Ice Wines, entretanto tenho feito o sacrifício hercúleo (é uma piada, caso não tenha soado como tal) de provar vários vinhos de diversas vinícolas e chegou a hora de compartilhar algumas impressões com vocês por aqui. Hoje falaremos do O'Leary Unoaked Chardonnay 2018, um vinho proveniente da região da Península de Niágara, na província de Ontário. 


Antes, alguns detalhes sobre a viticultura no Canadá. A Vintners Quality Alliance, ou VQA, é um sistema regulatório e de denominação que garante a alta qualidade e autenticidade da origem dos vinhos canadenses produzidos sob esse sistema nas províncias de Colúmbia Britânica e Ontário. É semelhante aos sistemas reguladores da França (AOC), Espanha (DO), Itália (DOC) e Alemanha (QmP). Já a Península de Niágara é a maior região produtora de vinho do país, com 101 vinícolas na região produzindo 2.047.481 caixas de nove litros de vinho no ano de 2018.

Voltando ao vinho de hoje, a O'Leary Fine Wines é fruto do amor e paixão de Kevin O'Leary, empresário, autor, político e personalidade de televisão (além de dono da vinícola). Segundo ele, seu padrasto foi quem o apresentou ao vinho e sendo assim, ele nunca mais olhou para trás. Na vida, teve a oportunidade de beber os melhores Bordeaux e Borgonha, tendo visitado quase todos os viticultores dos vales de Napa e Sonoma, na Califórnia, provando seus vinhos mais icônicos. Além disso, experimentou os vinhos de Chipre, norte da África e muitas outras grandes regiões produtoras de vinho, enquanto percorria por entre suas videiras. Criou então a O'Leary Fine Wines com o intuito de dar aos americanos acesso a vinhos incríveis por um preço incrível. Ainda segundo ele, 97% do vinho vendido nos Estados Unidos está abaixo de US $ 14,95 e, no entanto, quase todo o vinho não é o que ele beberia. Após meses de tentativas e erros, trabalhando e retrabalhando, seu Chardonnay é o xodó da vinícola e para O'Leary, já se tornou seu principal vinho branco para amigos e familiares. Além disso, muito se fala de seu Cabernet - a audácia arrogante do nariz e a abordagem suave e elegante no paladar foram surpreendentes, ainda segundo ele. Vejamos o que temos pra hoje.

O O'Leary Unoaked Chardonnay 2018 é um vinho feito a partir de uvas 100% Chardonnay da região de Niagara Peninsula, em Ontario, no Canada e segundo o rótulo, não tem passagem por madeira. Vamos finalmente as impressões sobre o vinho?

Na taça o vinho apresentou coloração amarelo palha com toques esverdeados, bem límpido e brilhante. Lágrimas um pouco mais gordinhas porém bem rápidas também estavam presentes.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos maduros variando entre tropicais e cítricos (abacaxi, pêssego e melão), leve toque de baunilha e mineral além de uma lembrança floral. 

Na boca o vinho apresentou um corpo médio e apesar de não ter passagem por madeira, deve ter se utilizado de um período em contato com as leveduras para um maior aporte de aromas e corpo, pois apresenta alguma cremosidade em boca, contrastando com uma acidez considerável, até um pouco acima do que eu esperaria em um Chardonnay. O final era de média para longa duração.

Um bom vinho branco e para mim particularmente, uma descoberta aqui em terras canadenses. Eu recomendo a prova, caso tenham a oportunidade. Foge um pouco do mundo comum que estamos acostumados quando falamos em Chardonnays norte americanos (principalmente Napa e arredores).

Até o próximo!

Kingdom: Melhor e Mais Relevante do Que Nunca!

Hoje vou pedir licença a todos meus leitores para escrever sobre um assunto um pouco diferente do que eu tenho postado aqui, que são os vinhos e todo seu universo. No entanto, em face desta crise que a pandemia gerada por este vírus tem gerado, todos tivemos que buscar motivação e distração durante tempos de quarentena. Por aqui, já se vão quase 40 dias de quase nenhuma saída, a não ser para compras de mercado e farmácia. E os filmes e as séries tem sido um pilar desta fase. Eis que a poucos dias atrás assisti uma série que, embora se passe numa época muito diferente da nossa, me fez pensar muito sobre o que estamos passando e gostaria de compartilhar com vocês, se me permitem. Hoje falaremos de Kingdom, uma série disponível no sistema de streaming Netflix.

Foto orginal em https://www.rottentomatoes.com/tv/kingdom_2019

Kingdom é uma série sul-coreana ambientada em uma Coréia feudal regida pela Dinastia Joseon, em meados do século XVI. Nesta época esta dinastia, a última na Coréia fundamentada no confucionismo, já se encontrava desgastada e enfraquecida devido a recentes ataques do vizinho Japão,  entre outros, gerando uma política ainda mais dura com relação ao isolamento e a defesa do poder do rei e da família real. Em meio a este quadro, surgem boatos do adoecimento do rei e uma série de especulações sobre seu real estado físico. A ninguém é dada a permissão para visitas ao rei, nem mesmo de seu filho e possível herdeiro, o príncipe. No entanto a rainha e seu clã, tem outros planos de dominação política e social do que simplesmente levar ao trono o filho primogênito do rei. Com este pano de fundo de disputa política, descobre-se que na verdade uma praga que transforma humanos em zumbis tem se alastrado pela região e cabe ao príncipe herdeiro, agora tratado como traidor, desvendar e levar a dinastia a mais uma vitória.

Em linhas gerais, esta é a trama da série, que conta atualmente com duas temporadas (estamos na torcida pela terceira, é claro). Pode parecer boba ou simplista, talvez minha habilidade com as palavras não faça jus ao tanto que eu entendo que  série é boa e relevante mas, meu intuito aqui é fazer com que mais pessoas assistam e possam refletir sobre o atual momento vivido em alguns países do mundo. 

Você deve estar se perguntando aonde eu pretendo chegar com esta sugestão, mas a verdade é que eu vejo muito do mundo atual em que vivemos em convergência de idéias com o que eu vi na telinha. Uma praga (pandemia, por que não?) como pano de fundo para que políticos em países como o Brasil e EUA (apenas dois exemplos, mas tenho visto disputas em diversos outros) enveredem em suas batalhas particulares em busca de manutenção ou ascensão ao poder. O povo quarentenado e cada vez mais isolado, amedrontado e polarizado em torno de suas próprias crenças. Enfim, me parece que são muitas semelhanças com o que estamos passando que me fez parar para pensar sobre aonde iremos chegar no fim deste período sombrio que a nossa história impos, quando se levantarem as restrições e a vida voltar ao que chamaremos de normal daqui pra frente. As consequências sócio-econômicas advindas desta crise e as vidas que a mesma vai levar. E este foi o motivo pelo qual eu quis compartilhar este sentimento com vocês.

Em tempos de distanciamento físico, a internet e suas mídias sociais (acho que o blog entra ai também) são uma maneira de nos manter mais próximos e, precisando desabafar e conversar sobre diversos assuntos, devo usar mais estas ferramentas que estão ao meu alcance. Espero que continuem comigo, sem levar em conta que o assunto fugiu um pouco do que eu vinha me propondo por aqui. Se tiverem alguma idéia ou assunto que quiserem ver por aqui, deixem comentários abaixo.

Até o próximo!

quarta-feira, 8 de abril de 2020

A pandemia e a saúde mental

Enquanto o coronavírus fecha restaurantes em todo o mundo, muitos trabalhadores da área de serviços e hospitalidade ficam em estado de estresse, depressão, isolamento e ansiedade. Em qualquer dia anterior à pandemia de coronavírus, a indústria de restaurantes estava numa crise de saúde mental. Existem muitas razões para isso: as pessoas que lidam com problemas de saúde mental e dependência são atraídas para este trabalho, porque sempre foi um paraíso para as pessoas que existem à margem; os empregos em restaurantes têm horas brutais e geralmente pagam muito pouco e não oferecem assistência médica; existe fácil acesso ao álcool e substâncias ilícitas; e os trabalhadores são tradicionalmente recompensados ​​por seu masoquismo - cale a boca e cozinhe. As questões de saúde mental são parte integrante da cultura dos restaurantes, mas apenas nos últimos anos a indústria em geral começou a questionar abertamente por que isso foi tão prontamente aceito e a discutir os danos causados ​​por se varrer este assunto para debaixo do tapete.


A morte de Anthony Bourdain por suicídio em junho de 2018 foi um alerta para a indústria da hospitalidade. Essa perda inimaginável uniu indivíduos e comunidades para formar grupos de apoio e ter conversas desconfortáveis, mas necessárias, com colegas e amigos além de totalmente desconhecidos, e afastar parte do estigma em torno da saúde mental e do vício que iguala vulnerabilidade a fraqueza. Ainda havia um tremendo caminho a percorrer, mas a comunidade estava ao menos tropeçando juntos na direção certa desta estrada sem volta.

E então, no decorrer de alguns dias, tudo mudou. As medidas governamentais adotadas para impedir a propagação do COVID-19 forçaram os restaurantes a se adaptarem rapidamente. Dependendo do estado e da região, os bares que não servem comida foram obrigados a fechar, e inúmeros restaurantes rapidamente se movimentaram para oferecer entrega e coleta para evitar a transmissão do vírus. Centenas de milhares de funcionários de restaurantes e bares perderam seus empregos temporária ou permanentemente, muitos dos quais não se qualificam para receber benefícios de desemprego. Não há fim à vista e o futuro da indústria de restaurantes é um vasto desconhecido.

Não há ninguém que não esteja sofrendo e assustado no momento, e essa crise emocional coletiva pode cair especialmente sobre os trabalhadores da hospitalidade, que costumam estar na linha de frente de qualquer emergência. Quando ocorre um desastre natural ou causado pelo homem, os funcionários do restaurante são alguns dos primeiros a avançar. Eles descobrem uma maneira de alimentar as pessoas e oferecer sustento e consolo, porque é o que eles fazem e quem são. Na ausência da capacidade de fazer isso, e em uma posição de necessidade, cozinheiros, barmen, garçons e outros funcionários de restaurantes estão em crise no momento. Mesmo se não for uma pessoa propensa a problemas de saúde mental ou abuso de substâncias, isso não significa que depressão, ansiedade, obsessão, pensamentos de auto-mutilação e o desejo de automedicar ou quebrar a sobriedade possam aparecer.

Como Steve Palmer mencionou em um recente podcast da Communal Table, "o isolamento é inimigo da sobriedade e da saúde mental" - mas só porque as pessoas não podem estar fisicamente juntas não significa que elas não podem ser uma comunidade. Como uma pessoa com muitos anos de sobriedade, e enfrentando as mesmas tensões e incertezas que o resto da indústria enfrenta, ele pede que as pessoas se conectem da maneira que puderem - textos, telefonemas, videoconferências, DMs, e-mails e tipos de reuniões de recuperação. Se você está checando alguém porque acha que ela precisa ou se é para seu próprio bem-estar, essas conexões são vitais para nossa existência e nos lembram que somos importantes, mesmo que as coisas pareçam inúteis no momento.

A mensagem principal que fica é: você ainda é um chef, um barman, um cozinheiro de linha, um garçom. Mesmo que seu restaurante ou bar tenha sido fechado, você ainda é a pessoa com essas habilidades e essa experiência. Quando a indústria de restaurantes se reconstruir - e eu tenho que acreditar que isso vai acontecer - você ainda será essa pessoa, com esse valor, com esse coração e as mãos que possui. Por enquanto se segure, tenha fé e lembre-se de quem você é. Ninguém nunca disse que seria fácil. Mas nós vamos superar mais essa.
Adaptado de www.foodandwine.com

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Tapas At Embrujo: Valentine´s Day e Winterlicious

Aproveitando que aqui na América do Norte o dia dos namorados é agora em Fevereiro e, conforme disse no post anterior, estávamos no meio de um festival gastronômico pelos lados aqui de Toronto, que resolvemos antecipar nossa comemoração e conhecer mais um restaurante aqui da cidade. O escolhido foi o Tapas At Embrujo.

Vinho Montecillo Crianza Rioja

O estilo rústico do Tapas At Embrujo nos remete aos gostos e sons da Espanha com uma excelente combinação entre flamenco, artes e culinária espanhola. O misto de restaurante e bar não é muito grande mas é muito aconchegante, a idéia é realmente focar em permanecer fiel à autêntica experiência de tapas como um todo, existindo ainda um palco onde apresentações de música flamenca também podem ser acompanhadas. A cozinha fica a cargo do chef José Salgado, que já foi destaque em diversas emissoras televisivas por aqui.

Detalhes da decoração rústica

Decoração rústica e arte espanhola

Como o menu era do festival Winterlicious, nossas escolhas eram limitadas, mas completamente adequadas e bem servidas, o que vale destacar, me parece ser um diferencial deste festival em comparação aos brasileiros, conforme comentei também no post anterior. As entradas já foram um show a parte e mostraram todo o potencial do que o restaurante iria nos apresentar durante a noite. Começamos então, ela com tâmaras embrulhadas em bacon, mel, amêndoas tostadas e eu com croquetes de frango crocantes e cremosos. A mistura agridoce das tâmaras com o mel e o bacon era algo untuoso e que ascendia aos sentidos de uma maneira incrível ao passo que os croquetes só tinham um defeito: eles acabavam.

Tâmaras embrulhadas em bacon & mel

Croquetes de frango cremoso

Passamos então aos pratos principais, como de costume no festival. E mais uma vez não nos decepcionamos com o que pedimos, ela foi de um belo contra filé de angus com molho de uísque em uma cama de batatas fritas e eu com a famosa paella valenciana. O que dizer? A carne desmanchava ao ponto de quase não precisar ser cortada, deliciosa e saborosa na boca e a paella com seu arroz no ponto, muitos frutos do mar e uma porção generosa. 

Paella Valenciana

Contra filé de angus em cama de fritas

Para fechar o menu, não fomos assim tão criativos e ambos fomos de Tarta de Santiago, um misto de torta de limão e amêndoas típica espanhola que realmente é de cair o queixo. O recheio a base de ovos e o toque cítrico do limão deixam a sobremesa muito interessante.

Tarta de Santiago

E claro que não poderia faltar um bom vinho para acompanhar, não é mesmo? Com um belo menu destes, não fugimos do óbvio: um bom Rioja crianza. O escolhido foi o Montecillo Crianza Rioja, com aromas de frutos escuros, couro, cedro e baunilha. No paladar mostrou bom corpo, taninos firmes e acidez delicada. A escolha não poderia ser melhor.

Enfim, mais uma bela descoberta gastronômica na cidade de Toronto, um mix entre romântico e rústico, para amar ou para consagrar amizades além é claro, de belos pratos de comida. Eu recomendo a visita.

Até o próximo!

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Winterlicious: Cibo Wine Bar, o que Toronto tem de melhor na culinária italiana.

A cidade de Toronto, em parceria com uma série de restaurantes e bares locais, criou a alguns anos uma espécie de festival gastronômico chamado Winterlicious (um mix de Winter com Delicious, ou inverno com delicioso), com o intuito de promover estes estabelecimentos e gerar uma oportunidade única para que as pessoas tenham acesso a restaurantes e pratos que normalmente não teriam. Tudo isso por que o festival tem menus com entrada, prato principal e sobremesa a preços fixos, que variam entre almoço e jantar. Assim, você não precisaria se preocupar com a conta uma vez que você já saberia o quanto iria pagar, e este valor é bem mais acessível do que o dia a dia nestes restaurantes. O valores giram em torno de 23 a 33 dólares no almoço (depende do nível do restaurante, assim por se dizer) e 33 a 53 dólares no jantar. Quem aí lembrou do Restaurant Week ai no Brasil? Pois é, eu diria que esta é uma versão aprimorada pois os restaurantes que provei estavam simplesmente sensacionais. O único problema, e eu peço desculpas mais uma vez a vocês, é que meu timing ainda não está acertado 100% com o blog e meus afazeres, e o festival deste ano já acabou (foi de 31 de Janeiro a 13 de Fevereiro). Mas como temos o festival todo ano, a idéia é se programar para aproveitar ainda mais o ano que vem. Hoje vou falar do primeiro dos restaurantes que visitei, o Cibo Wine Bar.

Detalhe da cozinha aonde os pratos são preparados no fundo do salão

Elegância e sofisticação são a marca do local

Detalhes para a arrumação da mesa

O Cibo Wine Bar é um dos maiores e mais novos restaurantes italianos na área de Uptown Yonge Street. Criado pelo Liberty Entertainment Group, conta com um ambiente arrojado e bonito, numa mistura do chique industrial rústico com um quê do moderno vindo do velho mundo. Sua culinária é dita como inspirada no sul da Itália, sempre fresca e detalhe, é feita aos olhos do cliente em um enorme balcão aberto nos fundos do salão. Possui ainda uma premiada sala climatizada de vinhos com dois andares e muito muito vidro e sofisticação. Como dito anteriormente, os valores do almoço eram ligeiramente mais acessíveis e então, aproveitamos que tínhamos esta opção e assim foi feito.

O menu do Cibo para o Winterlicious era composto conforme as opções abaixo:

Cardápio do Winterlicious

De entrada, fomos unânimes e escolhemos a berinjela a parmegiana, e como estávamos certos! Apesar de frita, é claro, a berinjela estava bem sequinha e crocante, com a milanesa devidamente grudada e sem desmontar. O molho de tomate estava delicioso e o queijo parmesão adicionava o sal necessário além de mais uma camada de crocância a receita. Uma folha de manjericão completava o conjunto adicionando cor e claro, muito perfume. Vejam por vocês mesmos:


Já os pratos principais foram bem divididos mas igualmente saborosos: as escolhas variaram entre Linguine ao molho pesto e frango; Tagliatelle com cogumelos, presunto cortado em juliene ao molho de vinho branco e por fim, um belo Panini recheado com short rib braseado, cebola crocante, rúcula e gorgonzola. Difícil dizer qual era o melhor. As massas são frescas e feitas na hora, cozidas al dente de maneira genial com molhos igualmente sensacionais e o panini parecia explodir de tanto recheio, de uma carne que derretia na boca. Mais uma vez, trago imagens pornográficas abaixo. Fiquem com elas:

Tagliatelle com presunto e cogumelos

Panini de short rib

Não tinha como ficar melhor. Pensando bem, ainda restava a sobremesa. Meus amigos e amigas, o que posso dizer sobre isso? Entre um "quase" mousse de chocolate branco com framboesas e pistache, um creme brulée com amaretto e um semi-freddo de chocolate meio amargo, salted caramel e laranja fica difícil eleger um vencedor, certo? Todas sobremesas muito bem preparadas, sem estarem muito doces ou enjoativas e fechando um almoço com chave de ouro.

White chocolate Pistachio Budino
 
Amaretto Creme Brulée

Dark Chocolate Semi-Freddo

Mas como eu poderia me esquecer? Teve vinho sim para acompanhar todo este banquete. O escolhido do dia foi o Cantine Due Palme Primitivo de Salento. Um vinho macio, com muita fruta escura, baunilha, chocolate e alguma especiaria. Taninos integrados com uma boa muito macia e com um final longo. Foi uma boa escolha, acompanhou bem os pratos. Eu recomendo a prova.

Cantine Due Palme Primitivo de Salento

Em suma, um belo restaurante com um ótimo ambiente, e claro, comida sensacional. Conhecer lugares como esse em oportunidades únicas faz valer cada centavo. Eu recomendo a visita.

Até o próximo!

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Little Italy e Trattoria Traverniti: um quê de Itália em Toronto

Assim como a maioria das grandes cidades do mundo, Toronto também é bastante conhecida por ser uma cidade cosmopolita e influenciada por uma infinidade de outras culturas, fruto de uma imigração intensa em épocas passadas, e nos dias atuais também. E um dos frutos desta imigração, se é que podemos chamar de fruto, são comunidades ou distritos em que pessoas de uma mesma ascendência costumam estar em maioria e criar raízes, gerando uma infinidade de negócios, bares, restaurantes e afins, com um "sotaque estrangeiro". Este é o caso de Little Italy, a comunidade italiana em Toronto.



Localizado a Oeste da rua College (College Street West) e apesar de não ser tão característico como outros distritos da cidade, possui forte ligação com a terra da bota e seus costumes. As lâmpadas da rua tem formato do mapa da Itália (a famosa bota), as placas com os nomes das ruas tem as cores da bandeira da Itália e existem uma série de restaurante e bares bem típicos, eu diria até que parecem ter saído de um filme. E hoje falaremos de um deles em especial, que é a Trattoria Traverniti.


O Trattoria Taverniti serve cozinha italiana autêntica e caseira no coração da Little Italy de Toronto. Uma verdadeira trattoria, este pequeno e acolhedor restaurante proporciona uma atmosfera intimista que te deixa a vontade, como se fossemos parte da família e estivéssemos todos na mesa em um almoço de domingo. Mesas de madeira? Presentes. Toalhas quadriculadas de vermelho e branco?Também.


O restaurante apresenta as receitas da família de Rosina Taverniti, a "nona" responsável pela cozinha. As vezes é possível ainda vê-la conversando com os clientes e discutindo os pratos e as impressões. O maior charme entretanto é que a massa é fresca e feita lá mesmo, com você quase como um espectador.Tudo é feito do zero e com ingredientes incrivelmente frescos e locais, quando possível.


A escolha não foi muito difícil e fomos de Spaghetti, eu com o meu preferido: carbonara; minha esposa nem pensou e amante dos camarões, pediu o "con Pomodori e Gamberi", ou seja, molho pomodoro e camarões. As porções são generosas e a massa, como era de se esperar, all dente no ponto. Simplesmente um deleite para os amantes da boa cozinha italiana. 

Além disso, eles tem uma seleção decente de vinhos (sim, conforme meu post anterior, este é um dos restaurante que tem licença especial para venda de bebidas alcoólicas). Escolhemos um típico Sangiovese Fantini do grupo Farnese, que foi o par perfeito com sua acidez pronunciada, aquele toque vinoso e taninos sempre contidos. Gostei da combinação.

Se estiver de passagem por Toronto e não souber onde almoçar, eu diria que a Trattoria Traverniti é um bom começo. E depois claro, venha nos contar o que achou. Isso se já não tiver passado por lá. Não perca tempo e divida conosco suas experiências.

Até o próximo!

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Canadá, vinhos e mudança: um verdadeiro balaio!

Primeiro, como de costume, muitos aqui já perceberam que eu dei uma sumida do blog não é mesmo? Pois bem, isto se deu principalmente em razão de dois fatores: o baixo engajamento que o blog vinha tendo e, o mais importante, eu estava planejando minha mudança de país. Isso mesmo, você leu direito. Para aqueles que ainda não descobriram eu me mudei para Toronto, no Candá, em meados de Dezembro do ano passado por algumas oportunidades que sempre sonhei na vida. E isto dá um certo trabalho, afinal existe muita coisa que se precisa planejar e tirar do papel para que esta grande mudança não traga mais barreiras do que o necessário. Pois bem, passado um tempo, já estamos adaptados e levando uma vida praticamente normal, resolvi voltar por aqui e compartilhar experiências que venho tendo por aqui as quais eu realmente espero que os leitores que ainda continuam por aqui possam curtir.


O primeiro assunto que eu gostaria de trazer por aqui só poderia ser relacionado a vinhos, afinal este tem sido o mote principal do blog a anos. E veja só, esta tem sido uma das maiores diferenças que tenho notado até agora em relação ao Brasil. Explico, aqui no Canadá você não pode comprar vinhos em qualquer supermercado, padaria ou afins. Falando ainda mais especificamente da província de Ontario, onde está localizada a cidade de Toronto (aonde moro atualmente), um dos poucos lugares que se pode comprar vinhos é em uma rede de lojas chamada LCBO. LCBO é a sigla para “Liquor Control Board of Ontario” – ou em português “Conselho de Controle de Álcool de Ontário”, que além de vender vinhos, vende todos os tipos de bebidas alcoólicas - cervejas, whiskies, licores e afins. Lá encontramos muitos vinhos locais (não sabia que o Canadá tinha uma produção tão grande de vinhos, além do já conhecido Icewine) além de vinhos do mundo todo.


Tudo isso se torna ainda mais engraçado quando pensamos no consumo de bebida alcoólica por aqui sendo que apenas alguns restaurantes possuem licença especial para venda de bebidas alcoólicas e com algumas normas bem restritivas que dizem respeito a horário de venda, horário de abertura, etc. E nem pense em consumir bebidas alcoólicas em locais públicos ou você pode acabar se dando mal. Soa um pouco estranho pra nós, brasileiros não é mesmo? Afinal de contas as grandes redes de supermercados sempre foram fontes primárias para garimpar boas oportunidades quando falamos de vinhos no Brasil. Tudo isso remete aos meados dos anos 20 e a lei seca, quando da criação de tal órgão (LCBO).


A parte boa disso tudo, no entanto, é que o preço acaba por ser tabelado e, diferentemente do Brasil, você acaba não sendo explorado por importadores e revendedores sem muitos excrúpulos. Além disso, as lojas costumam ser bem grandes e se tornam verdadeiras missões de exploração para adultos. Por fim, existem preços para todos os bolsos com vinhos começando por volta de 7 dólares canadenses, algo em torno de 26 reais no câmbio de hoje. O lado ruim é que não se encontra uma variedade tão grande de rótulos quanto as que víamos no Brasil, mas eu diria que é mais do que suficiente.


O que acham deste tipo de legislação e modo de compra de bebidas alcoólicas? Concordam, discordam? Se alguém tem experiência de morar aqui em Ontário ou mesmo de ter passado temporada por aqui, está mais do que convidado a deixar seu relato nos comenários do blog. Voltamos com mais novidade em breve.

Até o próximo!!