quinta-feira, 14 de maio de 2020

O Farol: Isolamento, monotonia e loucura!

Voltando a dar dicas relacionadas a filmes e séries em meio a pandemia, eu venho hoje falar de um filme que, apesar de não ser fácil de digerir e de finalizar, me deixou pensando muito a respeito por alguns dias após te-lo assistido. Hoje vou falar do filme "O Farol" que está disponível na Amazon Prime.


Em linhas gerais, o filme trata do cotidiano de dois marinheiros (Willem Dafoe e Robert Pattison, quase irreconhecíveis em seus respectivos papéis), que são enviados a uma ilha remota no litoral da Inglaterra para um período de quatro semanas com o intuito de trabalharem como zeladores do farol presente na ilha, mantendo as instalações em ordem assim como assegurando o funcionamento do mesmo para direcionar as embarcações que passam pela região durante o período. Entretanto o isolamento e o tédio das atividades repetitivas começam a criar uma grande tensão entre ambos. Estas interações entre ambos sempre acontecem regadas a muito álcool, cigarros e conversas intimistas. Some-se a isso a curiosidade do novato (Pattison) em saber o que realmente acontece na sala principal do farol com alguns fenômenos estranhos que se passam a seu redor, temos um terror psicológico de primeira.

Mas o que, a meu ver, o filme quer mesmo demonstrar é como o comportamento humano e as relações que se derivam de tal comportamento podem se deteriorar com o isolamento e o cansaço mental. É quando os instintos mais obscuros e primórdios começam a florescer, gerando violência, segredos não compartilhados e culminando na deterioração do próprio ser humano. Mais do que isso, a sensação de que tudo isso possa ser um pesadelo prolongado faz com que a sensação incômoda se acentue.

Para fazer tudo isso, o diretor usa de ferramentas pouco ortodoxas em se tratando de cinema moderno: a fotografia em preto e branco (quase suja, como num VHS), uma tela menor do que a widescreen comumente utilizada, diálogos um me inglês arcaico, trilha sonora carregada, planos pouco usuais, luz dosada e claro, atuações perfeitas de ambos atores. Tudo isso para criar uma atmosfera sufocante e aprisionante, fazendo quase com que nos sentíssemos na ilha junto aos marinheiros.

E como eu havia dito no começo do texto, esse filme me deixou pensando muito a respeito do comportamento dos marinheiros pois, em épocas de pandemia, ficamos confinados por muito tempo convivendo com as mesmas pessoas sob o mesmo teto, gerando de alguma maneira uma nova realidade nem sempre fácil de lidar. Nos sentimos sobrecarregados, mentalmente exauridos e por muitas vezes sem vontade de mesmo conversar com o outro. E é normal que isso ocorra. O que não é normal e o que devemos evitar a qualquer custo é que as relações cotidianas, principalmente com nossa família, se deteriore ao ponto de gerar instintos primitivos, violência e falta de respeito.

Eu sei que este filme não será fácil de assistir e que nem todos aguentarão até o final, mas quem o fizer, gostaria imensamente que deixasse seus pensamentos na caixinha de comentários abaixo. 

Até o próximo!

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