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Friday, April 1, 2016

Casa Valduga Gran Reserva Heitor Villa-Lobos Cabernet Sauvignon 2006

Hoje é mais um daqueles dias em que eu me animo mais ainda para escrever aqui no blog, afinal é dia de uma brincadeira gostosa onde blogueiros ao redor do Brasil postam sobre vinhos que abordam um mesmo tema, escolhido por um dos confrades, é dia da #CBE - Confraria Brasileira de Enoblogs aqui no Balaio. E o tema deste mês foi escolhido pelo amigo Gustavo Kauffman, do blog Enoleigos. Ele andava meio sumido, mas aproveitou-se que era seu aniversário e foi pedido "um presente" para a CBE. A escolha foi: "Vinho Sul Americano com 10 anos de vida ou mais. Vamos ver como nossos vinhos, e de nossos hermanos, tem amadurecido!". De início fiquei um pouco tenso, pois não tinha um vinho com tais características em casa. Mas, como missão dada é missão cumprida, estamos aqui as voltas com o Casa Valduga Gran Reserva Heitor Villa-Lobos Cabernet Sauvignon 2006.


Pensei até em falar sobre a Casa Valduga, mas desculpe a heresia, seria chover no molhado. Um player gigante como este no mercado nacional não precisa de apresentações e portanto, ater-me-ei apenas ao vinho.

No ano do cinquentenário da morte do maior compositor erudito das Américas, a Casa Valduga selecionou as mais finas uvas Cabernet Sauvignon para compor uma verdadeira sinfonia de aromas e sabores em homenagem ao célebre maestro Heitor Villa-Lobos. Bem, isso é o que diz o site da vinícola. De qualquer maneira o Casa Valduga Gran Reserva Heitor Villa-Lobos Cabernet Sauvignon 2006 é um vinho feito com 100% de uvas Cabernet Sauvignon do Vale dos Vinhedos com amadurecimento de 12 meses em carvalho francês e mais 18 meses nas caves da vinícola antes de ser liberado ao mercado. Vamos ver qual é o resultado de tamanho primor nesta produção?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de grande intensidade com halo granada, algum brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas se faziam notar também.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas vermelhas em compota, especiarias, mentolado, chocolate e leve herbáceo.

Na boca o vinho se mostrou encorpado, com acidez ainda viva e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Mais um grande vinho nacional que provei para a CBE, este da Casa Valduga, o que só demonstra a dedicação com que esta família trata a vitivinicultura no Brasil. Se a idéia era verificar como os vinhos nacionais, ou melhor, sul americanos envelhecem, eu diria que a surpresa foi boa. O vinho estava muito vivo e no seu auge, mesmo com 10 anos de vida. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Wednesday, May 13, 2015

Bella Quinta Cabernet Sauvignon Reserva 2006

Eu gosto de ser surpreendido e quando isso acontece com um vinho que eu provo, é melhor ainda. Sabe que este vinho estava guardado em minha adega a algum tempo pois eu queria testar o envelhecimento do mesmo. E como o tempo deu uma boa esfriada nos últimos tempos aproveitei para fazer o teste. O vinho testado: Bella Quinta Cabernet Sauvignon Reserva 2006. Vamos ver no que deu?


A história do vinho em São Paulo se confunde com a história de São Roque, uma vez que a cidade já chegou a contar com mais de 100 vinícolas em sua época de fartura. É claro que quando falamos em vinho por lá, e até no Brasil de uma forma geral, muito vinho de garrafão (uvas não viníferas) está inserido nestes números, o que não descaracteriza no entanto o trabalho deste vinhateiros desde meados dos anos 20 / 30. E a Vinícola Bella Quinta não foge destas características. Chegando a quarta geração da família e em mais uma bem sucedida associação a vinícolas do sul do país (mais especificamente em Flores da Cunha) começam então em 2005 a fazer vinhos finos com uvas Cabernet Sauvigon. Mas o projeto é mais ousado e o Gustavo Borges, o proprietário da vinícola, e as pessoas que lá trabalham já fazem experimentos com uvas viníferas em solo paulista.

Sobre o Bella Quinta Cabernet Sauvignon Reserva 2006, podemos acrescentar ainda que passou aproximadamente 8 meses  em barricas de carvalho e mais um tempo em garrafa. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor rubi violácea de grande intensidade com ligeiro halo granada. Lágrimas finas, em pouca quantidade e incolores também se faziam notar.

Na nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos bem maduros em primeiro plano. Depois especiarias e leve toque herbáceo.

Na boca o vinho apresentou o tripé acidez, taninos e corpo muito equilibrado, sendo macio e fácil de beber. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Um bom vinho para o dia a dia, que mostra boa evolução e que envelheceu de forma muito boa durante seus quase 10 anos de vida. Eu gostei bastante e recomendo a prova.

Até o próximo!

Friday, April 10, 2015

Don Melchor 2006: Degustando um ícone em meio as comemorações!

Antes de mais nada só queria deixar bem claro que não estou aqui querendo dizer que o vinho só é bom, ou não, por que tem fama, nome e coisa do gênero. Nem sei se tais vinhos podem ser descritos e discutidos mas a questão é que quando se pensa em algumas comemorações que fazem parte de nossa vida, tais como aniversário, aniversário de casamento e coisas do gênero, procuro sempre degustar um vinho que considero especial e único, pois não é sempre que conseguirei prova-lo (se é que provarei de novo, dado preço e outras condições que o circundam). Dito isso, aproveitando que meu aniversário passou e que, além da Páscoa tinha também a comemoração pelos 2 anos do meu casamento, resolvi tirar o Don Melchor 2006 da adega por entender que era hora de conhecer o "mito".


O Don Melchor, como já é sabido pela maioria dos leitores que me acompanha, é produzido pela Viña Concha Y Toro (se você não sabia, que bom que pude apresentar uma informação nova pra você!), grande player vitivinícola (senão o maior) do Chile. Quando falamos de Concha Y Toro quase que obrigatoriamente falamos talvez um dos nomes/marcas mais famosas que existem no mundo com relação a produção e comercialização de vinhos. E talvez o Brasil seja um dos principais mercados que alimenta essa fama. Quando a exploração vitivinícola estava só começando no Chile, o grande político e empresário chileno Don Melchor Concha y Toro encarregou nobres cepas francesas da região de Bordeaux e plantou as vides em Pirque, Valle del Maipo. Além disso, contratou o exímio enólogo francês monsieur Labouchere para elaborar seus vinhos. Com este grande gesto visionário, a Vinha Concha y Toro foi fundada no ano de 1883. Ir além do que foi acima e tentar reproduzir a história desta gigante do mundo vitivinícola mundial nas linhas que se seguem me parece ser um erro, uma vez que sua história e linhas de produtos é devidamente conhecida e divulgada no mercado brasileiro de vinhos. Deixemos então de lados as "apresentações" sobre a Concha Y Toro e passemos a falar do vinho em si.

Segundo a própria Viña Concha Y Toro, o Don Melchor é um dos primeiros (senão o primeiro) vinhos ícones do Chile. Em meados dos anos 80, o Chile ainda caminhava a passos vagarosos rumo a produção de vinhos considerados de topo de gama, mas o trabalho na Viña Concha Y Toro tomava forma quando se juntaram à iniciativa visionária de Don Eduardo Guilisasti Tagle quem incitou seu filho Rafael e o enólogo da época, Goetz Von Gersdorff, a visitar, em Bordeaux, França, o reconhecido mestre francês Emile Peynaud, considerado o pai da enologia moderna e a reconhecida qualidade dos Cabernet Sauvignon provenientes do terroir de Puente Alto, no Chile. Nascia então o Don Melchor, um vinho composto de  96% de uvas Cabernet Sauvignon e um pequeno acréscimo de 4% de uvas Cabernet Franc (da safra 2006, a qual falamos aqui) provenientes do Vale do Maipo (Puente Alto). Além disso passa por 15 meses de envelhecimento em barricas de carvalho francês. Vamos então as impressões?

Na taça o vinho apresentou um coloração rubi violácea de média para grande intensidade, ainda brilhante e límpida. Lágrimas finas, mais lentas e ainda coloridas também tingiam as paredes da taça e sinceramente, não demonstravam que o vinho já tinha 9 anos.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutas vermelhas, especiarias, mentol, grafite e toques de chocolate. O vinho mudava toda vez que colocava a taça no nariz dada sua complexidade.

Na boca o vinho se mostrou encorpado, com acidez ainda viva e taninos sedosos e macios. Retrogosto confirma o olfato e o final era de longa e saborosa duração.

O que falar de um mito? Sem acrescentar muita coisa, aprecie sem moderação. É sem dúvida um baita vinho chileno, sem discutirmos preço, disponibilidade e afins. Eu gostei. Se eu tiver outra chance como essa tomaria de novo.

Até o próximo!

Tuesday, November 4, 2014

Templar Knight Cabernet Sauvignon 2006: O cavaleiro búlgaro na taça!

Confesso que cada dia mais me impressiono com este tal de mundo do vinho. A cada descoberta, a cada garrafa desarrolhada e a cada gole de um vinho até então "exótico" por assim se dizer, mais conhecimento se agrega sobre o assunto. E ultimamente tenho provado muitos vinhos vindos de regiões pouco conhecidas e discutidas por aqui como Bulgária, Romênia e afins. E eu fico até orgulhoso, afinal, são terras dos meus antepassados. Enfim, não é diferente com o vinho de hoje, o cavaleiro templário da Bulgária ou, pelo nome de batismo, o Templar Knight Cabernet Sauvignon 2006.


O vinho é produzido pela Stambolovo Winery, situada no sul da Bulgária, em estreita proximidade com as fronteiras com a Grécia e a Turquia. A região é de importância geográfica chave. O caminho mais curto da Europa para a Ásia e Ásia Menor passa por estas terras. Muito provavelmente esta foi a via pela qual as primeiras videiras foram trazidas para o que é hoje o território da Bulgária. Esse fato se deve, em grande certeza determinar a região como um dos primeiros centros de vinificação na Europa. Com uma história de quase 80 anos de atividade, atualmente a vinícola está entre os principais produtores de vinho na Bulgária. Devido às características benéficas climáticas e terroir da região, bem como a qualidade e tradição comprovada, hoje a marca Stambolovo é considerado pela maioria dos profissionais de negócios do mundo do vinho como a vinícola com os melhores, de maior qualidade e mais típicos vinhos Merlot na Bulgária.

Sobre o vinho, encontrei pouca informação disponível, mas o suficiente para compartilhar com vocês, prezados leitores. um varietal 100% Cabernet Sauvignon da região de Suhindol, no sul da Bulgária. Passa por envelhecimento de 12 meses em barricas francesas e americanas, de 225 litros e 6 meses em garrafa antes de ser liberado ao mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho mostrou uma coloração rubi de média intensidade com tendência ao granada, já mostrando sua evolução, pouco brilho e alguma transparência. Lágrimas finas, rápidas e incolores também se faziam notar nas paredes da taça.

No nariz o vinho mostrou toda sua complexidade com frutos escuros, especiarias, tabaco, alcaçuz e notas mentoladas. 

Na boca o vinho se mostrou volumoso e guloso, com taninos amaciados pelo tempo e acidez ainda viva, mostrando frescor inesperado. Retrogosto confirma o olfato e o final é de longa duração.

Mais um belo vinho que foi apresentado pelo Winelands Clube do Vinho, o clube que eu assino e recomendo. E mais vindo das terras de meus antepassados, alimentando minha vontade de um dia passar por lá e verificar tudo isso e muito mais in loco.

Até o próximo.

Friday, October 17, 2014

Andeluna Cabernet Sauvignon Reserve 2006: Argentina na taça!

Nossos hermanos comprovadamente sabem fazer vinhos e dentre eles, belos tintos e brancos aromáticos são meus preferidos. E normalmente quando pensamos em vinho argentinos logo pensamos em Malbec pelo lado dos tintos e Torrontés no lado dos brancos (pelo menos eu tenho essa impressão). Mas não é que hoje falaremos de um belo vinho tinto que foge da Malbec? Estou falando do Andeluna Cabernet Sauvignon Reserve 2006.


O vinho é feito pela Andeluna Cellars, vinícola esta que é relativamente nova, sendo fundada em 2003 por H. Ward Lay dos EUA e Ricardo Reina Rutini (Argentina), mas pelo nível de seus vinhos, creio que pode ser considerada um caso de sucesso. Mantém como consultor o famoso "flying winemaker" Michael Rolland. A Andeluna Cellars cultiva variedades tradicionais, como Malbec, Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay e Cabernet Franc em seus vinhedos localizados em Tupungato, Mendoza a mais de 1.300 metros acima do nível do mar.

Já falando do Andeluna Cabernet Sauvignon Reserve 2006, o vinho é feito com uvas que vêm de seu vinhedo situado em Tupungato, Mendoza a mais de 1300 m de altitude sendo que o mesmo é envelhecido em barris de carvalho francês e americano por um período de seis meses, seguidos de pelo menos 6 meses em garrafa antes do lançamento ao mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi violácea de grande intensidade, pouco brilho e pouca transparência. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas compunham também os aspecto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos em compota, especiarias, chocolate e leve toque tostado.

Na boca o vinho se mostrou encorpado, com acidez ainda viva em face sua idade "avançada" e taninos macios. Retrogosto confirma o olfato e o final é de longa duração.

Um baita vinho argentino, gostoso e opulento que deve acompanhar bem carnes mais gordurosas e pratos mais encorpados. Apesar dos 15,4% de grau alcoólico não se faz sentir. Uma boa opção e me parece que sua faixa de preço seja adequada, embora tenha provado este em restaurante e não vi quanto foi pago. Eu recomendo.

Até o próximo!

Tuesday, March 18, 2014

Wine Class Bella Quinta: Parte final

Dando continuidade a postagem anterior, como eu vinha dizendo, continuávamos a aprender sobre o processo de vinificação e agora teríamos uma chance de ouro: provaríamos um vinho da uva Merlot que tinha acabado de passar pela fermentação alcoólica e não havia passado pela malolática. Era um recém nascido assim por se dizer. Em virtude da etapa do processo em que se encontrava o vinho, ainda não conseguíamos sentir os aromas que normalmente sentimos quando estamos com uma taça de vinho em nossas mãos. Ele tinha álcool sobrando e no nariz tinha um frutado mais voltado para o aroma das uvas ainda. Na boca tinha uma acidez um pouco mais agressiva, era quente (álcool sobressaindo) e tinha taninos bem marcados. Aliás a combinação álcool e taninos quando combinada e em excesso tende a crescer um pouco mais. Um quê de amargor no final que em determinado incomodou um pouco.

Cristais de tártaro nas paredes internas da cave, que antes foram utilizadas também como lagares
Passada a fase experimental e prática da aula, passaríamos então a uma área externa da vinícola, a mesma em que tivemos o privilégio de tomar o café da manhã, mas com uma vista ainda mais bonita: o céu nos brindara com um azul de brigadeiro e um sol bonito iluminando o dia que se seguia. Era hora de provar alguns vinhos que a vinícola produz e almoçar. Tentando não deixar o post cansativo e muito grande como o anterior, vou destacar aqui 3 vinhos.

Cardápio do almoço
O primeiro vinho que gostaria de destacar é um exemplar curioso: apesar de ser um vinho considerado de mesa, em boca não demonstra tal vocação. Falo do Palmares Branco Seco Moscato. Vinho simples, fragrante e perfumado com toques de frutos e flores, é fresco na medida e agradável. Serve bem de aperitivo e para uma entradinha leve, tanto que com os petiscos e com a saladinha foi bem. Entrega o que promete sem cerimonias.


Depois a coisa ficou séria e um vinho que também tem a vocação de ser para o dia a dia, até pelo preço praticado, mas que também se mostrou companheiro de uma boa refeição. Era a vez do Bella Quinta Cabernet Sauvignon Reserva 2006. Vocês não leram errado não, era um vinho 2006 mesmo. Passou 8,5 meses em barricas de carvalho e mais um tempo em garrafa. Frutos vermelhos bem maduros em primeiro plano. Depois especiarias e leve toque herbáceo. Tripé acidez, taninos e corpo muito equilibrado. Macio e fácil de beber. Esse acompanhou de forma heróica suculentos bifes de filé mignon.


Por fim uma grande, e grata, surpresa. Um vinho de sobremesa incrível e inusitado. Falo do Branco Licoroso Niágara. E haja curiosidade também com este vinho. As uvas, de mesa e não viníferas, da primeira safra que compõe o vinho foram colhidas em 1990 e ficaram em um tonel de 1500 litros desde então, sendo sempre retiradas amostras do vinho e repostas a cada vez que isso ocorre. As uvas são dali mesmo, num parreiral que conseguíamos avistar e chegar bem perto. De coloração âmbar e com notas de frutos secos como damasco e toques de mel o vinho era doce mas não era enjoativo pois tinha uma acidez que conseguia fazer um contra ponto interessante. Esse foi companheiro de sorvete de creme e manjar branco.

Área externa da vinícola
E assim passamos mais um pedaço da tarde, curtindo a vista, a comida, a bebida e os amigos. Era o fim de uma grande experiência, de muito aprendizado e de uma oportunidade incrível de participar, mesmo que de maneira curta, no processo de produção de uma vinho. A quem nunca teve oportunidade, recomendo fortemente que o faça. O Gustavo, da Bella Quinta, costuma fazer isso sempre ao final da vindima e, tem projetos audaciosos para sua vinícola em São Roque. Quer transformar o lugar num espaço enoturístico aos moldes dos que já encontramos em regiões mais ao sul do país. Eu apoio a idéia e no que depender do blog, estaremos sempre prontos a divulgar e apoiar tais iniciativas.


Até o próximo!

Monday, April 1, 2013

Viña Honda Crianza 2006

Depois de um dia cansativo, fazendo mudança e coisas do gênero chegava a hora de curtir a primeira noite em casa, finalmente. E sem muito pensar, sem forças pra cozinhar ou pensar em alguma coisa mais elaborada apelamos para uma pizza pedida em alguma destas diversas pizzarias delivery de bairro. Evidentemente que independentemente do tipo de comida que iriamos saborear, o motivo de comemoração existia e a vontade de abrir mais um vinhozinho era imenso. E o escolhido da vez foi este espanhol, o Viña Honda Crianza 2006.


Sobre o produtor já conversamos anteriormente no blog (relembrem aqui), porém sobre o vinho, algumas diferenças. Este vinho é produzido na região de Jumilla, e é um corte de 3 uvas: 60% Monastrell, 30% Tempranillo e 10% Cabernet sauvignon. Passa por um estágio de 8 meses em barricas de carvalho. Vamos as impressões?

Na taça uma bonita cor rubi com toques violáceos e alguns levemente granada. Lágrimas finas, rápidas e incolores também puderam ser notadas.

No nariz o vinho mostrou aromas de especiarias, frutos vermelhos, baunilha e leve lembrança balsâmica. 

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos macios, suaves e bem redondos, prontos para o consumo. Retrogosto confirma o olfato e trouxe muita fruta, baunilha e toques balsâmicos mais acentuados. Final de média duração.

Mais um bom vinho apresentado pelo Smart Buy Wines Club. Foi bem com a pizza e deixou a noite mais suave. Eu recomendo.

Até o próximo!

Tuesday, March 5, 2013

França: da decepção a redenção!

Era mais um domingo na casa dos meus pais com um almoço especial, regado a um belo pernil suíno salada, aspargos frescos e cenouras baby no vapor. Tudo parecia ir de vento em popa e eu queria muito provar um vinho bacana junto desta refeição além de continuar no meu propósito de apresentar sempre novos vinhos e novas regiões a minha noiva quando me veio na cabeça a oportunidade de apresentá-la a uma das regiões mais famosas da França e quiçá do mundo do vinho: Bordeaux. 


A escolha recaiu então sobre o Château Calon Monatgne Saint-Emilion 2006, um vinho de corte típico da região (apelação Saint-Emilion) com 70% de Merlot, 15% de Cabernet Sauvignon e 15% de Cabernet Franc ainda com passagem de 18 meses em barricas. Não tinha como não ser bom. Mas não é que o pior aconteceu? Ao abrir o vinho a decepção: o mesmo estava estragado, intragável num aroma e gosto de papel molhado, mofo, sem quaisquer condições de consumo. Ainda insisti e resolvi deixar um tempo pra ver se o mesmo abria mas foi uma doce ilusão. Era a primeira vez que isso me acontecia. E tudo foi pelo ralo.


Ainda insistente na missão de apresenta-la a França dei mais uma chafurdada em minha adega e tirei de lá um trunfo: o Château des Estanilles Cuvée Prestige 2005, um tinto blend de Syrah, Grenache e Mouvédre vindo diretamente do Languedoc e que já foi falado um pouco neste blog em dois posts (relembrem aqui e aqui). Era a oportunidade de também reforçar ou não as sensações sobre este vinho desde a primeira vez em que o provei. Como já falei nos posts anteriores sobre a região, o produtor e detalhes do vinho, vou direto as impressões.

Na taça uma bonita cor rubi violácea brilhante e com pouca transparência. Lágrimas finas, rápidas e quase sem cor tingiam também a taça.

No nariz aromas terciários em primeiro plano: toques animais e terrosos. Ao fundo, especiarias e frutas escuras. Bastante complexidade.

Na boca um vinho de taninos firmes, boa acidez e corpo médio. Retrogosto confirma o olfato e ficava na lembrança num final de média para longa duração.

Ao final do almoço, ao menos a sensação de alívio e de dever cumprido (apesar de não ter sido o vinho dos sonhos da minha noiva) em poder ter lhe apresentado a mais uma nuance do mundo dos vinhos. Este é trazido pela Cave Jado e vale o quanto custa (cerca de 80 dinheiros).

Até o próximo!

Wednesday, November 7, 2012

Champagne Vollereaux Brut & Winebar: Eu conferi!

Este que vos fala se sente muito honrado em dizer que ontem teve a oportunidade de participar do Winebar realizado com as Champagnes Vollereaux tendo recebido uma garrafa da Champagne Vollereaux Brut, cortesia da importadora Chez France. E não poderia deixar de, em primeiro lugar, agradecer a oportunidade. Como no começo desta semana já comentei sobre o Winebar e seu funcionamento, hoje irei apenas me ater a comentar sobre minhas percepções sobre a champagne em si.


Sobre a importadora, retirada de seu próprio site: "É uma empresa franco-brasileira cuja estratégia baseia-se na divulgação e comercialização de produtos e serviços franceses no Brasil que estejam associados ao conceito de "Art de Vivre". A Chez France é uma empresa web (portal), baseada no comércio eletrônico e redes sociais, que irá ofertar um conjunto de soluções (comunicação, vendas, logística, comércio exterior, administrativo/financeiro/tributário) para que as empresas francesas ligadas ao conceito "Art de Vivre" tenham um ambiente diferenciado para ofertar e comercializar os seus produtos e serviços no mercado brasileiro".

Contando um pouco também sobre o produtor, retirado também do site da importadora: "Nascido em uma família de viticultores, instalada em Pierry et Moussy desde 1805, foi após a 1ª Grande Guerra que Victor Vollereaux decidiu produzir, ele próprio, o seu champagne. Ele fez o seu primeiro engarrafamento em 1923 e propôs a sua produção ao seu círculo de amigos e conhecidos. Essa operação se renovou de ano em ano. Pouco a pouco, ele constituiu seu estoque e uma clientela fiel que são a base da futura S.A. Vollereaux. A evolução será contínua, graças ao trabalho de todos, de geração em geração: Victor, Paul-Jules, Paul, Jean-Marc, Pierre. Atualmente, a S.A. Vollereaux é dirigida por Pierre Vollereaux e ainda persiste a mesma cooperação entre os filhos no que se refere à organização e ao funcionamento da empresa familiar, para confirmar e, sem dúvida, aperfeiçoar a conquista de seus predecessores".

Agora nos voltamos para o vinho, um champagne que pode ser considerado um clássico, feito com 1/3 de cada tipo de uva (Pinot Noir, Pinot Meunier e Chardonnay) e também um blend de vinhos dos anos 2005, 2006 e 2007 (sendo o último seu maior constituinte) sendo ainda que passa por 3 anos de contato com as leveduras e amadurecendo. Vamos as impressões.

Na taça apresentou uma bonita cor amarelo dourada, brilhante e bem límpida. De perlage extremamente persistente, podia-se até ouvir a explosão de suas bolhas em determinados momentos, formando uma leve "colcha" no topo da taça.

No nariz abriu com aromas leves de fermentação/panificação logo alternando para frutas cítricas. Muito fragrante.

Na boca mostrou acidez marcante, um mousse delicioso formando um colchão de ar, e muita fruta cítrica também no paladar. De final longo e persistente, mostrou muito frescor.

É um champagne muito leve, fácil de beber e de extremo frescor. Eu me arrisco a dizer que tem muita relação com o paladar do brasileiro comum (e eu me incluo nesta faixa) e que se encaixa plenamente no clima quente do verão que se aproxima. Confesso que havia degustado o champagne dias antes por motivos diversos e que o mesmo serviu também para comemorar alguns novos horizontes que se abrem em minha vida. E só deixou o gostinho de quero mais. Além disso tem um ótimo posicionamento de preços proposto pelo importador, o que coloca este champagne como um belo custo benefício! Eu recomendo que provem. Meus agradecimentos finais aos organizadores do Winebar e a importadora Chez France pela oportunidade!

Até o próximo!

Tuesday, November 6, 2012

Confraria Pane, Vinum et Caseus: curiosidades do leste Europeu.

Narrar os encontros da Confraria Pane, Vinum et Caseus é sempre muito especial e marcante pra mim. E desta vez, de fato, o será mais ainda. Explico: depois de mais de ano participando da confraria (salvo ledo engano) estava de volta ao local de minha primeira reunião e onde eu criei todos os laços com o pessoal que me recebeu de maneira ímpar, a casa do Comandante e sua esposa! Por isso não estranhem se o texto hoje for mais carregado de emoções e menos de vinhos, afinal eu fico realmente emocionado com a lembranças e  com a maneira como sou sempre muito bem recebido e muito carinhosamente tratado nestas ocasiões, fazendo com que eu faça sempre o esforço de comparecer ao maior número de reuniões possíveis.

Desta vez a "temática" da reunião fora toda idéia do Comandante e sua esposa, uma vez que ambos voltaram recentemente de uma viagem ao Leste Europeu. Aliás, me desculpem se me geografia não estiver tão afiada assim. Estiveram visitando entre outros Hungria, República Tcheca, etc. 


Como já é de praxe fomos recepcionados com muitos petiscos e vinhos que teoricamente não faziam parte da seleção da confraria para a noite de sábado. Entre deliciosos patês de ricota com páprica ou de fígado de frango, ficamos a conversar com nossos confrades sobre amenidades. E o Comandante caprichou, trazendo vinhos Húngaros, pouco conhecidos e/ou encontrados por aqui, para nossa apreciação. Entre os três tintos apresentados, eu destaco um deles: o Egri Merlot Barrique 2006, do produtor Molnár Dinerszet, um vinho que apesar da idade apresentava uma bonita cor violácea com reflexos alaranjados, guiado por muita fruta e toques florais com bom corpo e taninos aveludados, excelente! Alem deste, um vinho de uma uva típica da Hüngria, o Vesztergombi Szekszárd Kadarka 2008 também não fez feio, um vinho simples, porém gostoso e que desce bem.


Para o jantar,o prato principal era um delicioso Goulash feito com alcatra, tenra e macia, acompanhado de batatas assadas e arroz branco. O tempero e o molho do Goulash estavam na medida e faziam com que cada garfada puxasse a outra. O vinho escolhido pela confraria para acompanhar foi o Clos Reserva,  um Rioja feito com Tempranillo e Mazuelo muito bacana e que levou bem o desafio da harmonização com o Goulash, levando em conta seus aromas/sabores frutados, especiados e com toques de baunilha no seu corpo médio e de boa acidez e taninos. E de sobremesa, mais um deleite: Strudel de maçã com sorvete de creme, um clássico que deixou a todos de queixo caído dado a crocância da massa folhada em contraponto com o recheio cremoso com toques de canela e o sorvete por cima, dando o toque final. Tudo maravilhosamente feito, com muito carinho e atenção por nossos confrades cozinheiros.

Evidentemente tivemos muitos outros vinhos servidos e muita conversa e comida compartilhados. Falar de tudo se torna muito difícil, lembranças ficam na memória e a certeza de que cada reunião é especial e única cada vez fica mais evidente. Ficamos a espera da próxima reunião! Mais uma vez agradeço aos anfitriões Comandante e sua esposa pela recepção calorosa em sua casa, além de todos os confrades pelas delícias e experiências trocadas!

Até o próximo!

Wednesday, October 10, 2012

Degustando Bodega Sottano na Vino & Sapore

Ah se toda segunda feira fosse assim, se toda semana começasse desta maneira! Fui convidado pelo grande João Filipe, dono da Vino&Sapore e blogueiro de vinhos para participar de um encontro promovido por ele em conjunto com o pessoal da MaxBrands, uma espécie de embate entre as uvas Cabernet Sauvignon e Malbec, com os vinhos da Bodega Sottano, de Mendoza, na Argentina. O João tem uma opinião de que a tempos os vinhos feitos com a uva Cabernet Sauvignon na Argentina tem superado e muito os famosos Malbecs da região. E a idéia do encontro era de compararmos, linha por linha, os varietais de cada uma delas e elegermos o que mais agradava a maioria. Foram convidados basicamente o pessoal que participa de blogs na internet, muitos dos quais me serviram de inspiração para a criação deste espaço, e por isso mesmo não poderia deixar de comparecer. Além disso, outro motivo para o encontro seria brindar o nosso amigo Deco Rossi, do blog Enodeco, por sua nova realização: ele será o "embaixador" da Wines of Argentina no Brasil, participando e planejando todas as ações envolvendo a entidade em terras brasilis. Uma pena que no final das contas ele não pode comparecer, mas deixo aqui mais uma vez meus parabéns e votos de sucesso na nova empreitada.

Para aquecermos as papilas gustativas, fomos recepcionados com o espumante italiano Batasiolo Millesimè 2006, um belo espumante muito aromático (flores, frutos, mel, panificação) feito pelo método clássico lá no Piemonte com 75% de Chardonnay e 25% de Pinot Noir, com um perlage persistente, uma bonita cor amarelo palha com tendencias ao dourado e muito fresco no paladar. Não poderíamos ter começado de maneira melhor.


Passamos então a linha de entrada da Bodega Sottano, chamada de Clássica, com vinhos feitos com 100% das uvas descritas em seus rótulos e com passagem de 8 meses em carvalho. Nesta linha, sinceramente a madeira sobressai sobre a fruta e deixa a sensação de que falta alguma coisa. Além disso, o álcool se mostra presente na boca (teores ao redor de 14,5%) e também se nota uma falta de acidez, o que deixa os vinhos cansativos. A presença de um leve amargor final prejudica também. Com preços girando em torno de 47 dinheiros, sinceramente não compensam o investimento.



Na sequência vieram os vinhos da linha Reserva, também com vinhos 100% Cabernet Sauvignon e 100% Malbec, com passagem de 12 meses em carvalho. Nesta linha começamos a diferenciar um pouco mais a fruta, com boa vantagem para o Cabernet Sauvignon, que apesar de apresentar toques herbáceos e balsâmicos, mostra um pouco mais de extrato. O que salva também o Cabernet é um pouco mais de acidez, ao contrário do Malbec, que continua um pouco cansativo. Madeira em excesso também aparece em ambos vinhos. Esta linha gira em torno dos 70 dinheiros, e talvez valha o investimento no Cabernet.


Finalizando o embate chegamos a linha Reserva da Família, onde ai sim, a brincadeira ficou mais séria. Mais uma vez nos deparamos com varietais 100% e com 12 meses de passagem por carvalho. Aqui os vinhos apresentaram maior equilíbrio, fruta se contrapondo a madeira, tostados e outros aromas mais secundários/terciários aliados a bom corpo e taninos domados. Ainda assim o Cabernet Sauvignon me pareceu mais pronto e mais equilibrado, com a acidez levanta Se não me engano esta linha ronda os 100 dinheiros, e talvez seja interessante pra se conhecer.


Depois do embate finalizado, era hora de provar a estrela da noite: Judas 2007, um vinho 100% Malbec top da Bodega Sottano. Esse passa por 18 meses em carvalho de primeiro uso. Um vinho equilibrado, macio, bastante fruta contraposta com camadas animais, tabaco, especiarias, muita complexidade num vinho de corpo médio/encorpado, pronto pra beber, taninos domados e redondos, enfim, como um vinho top deve ser. Porém, seu preço pode assustar. De qualquer maneira, vale conhecer.

Mas se achávamos que a noite acabaria aqui, nos enganamos. Ainda passamos muito tempo trocando idéias, contando histórias e apreciando a famosa pizza Obelix, que é feita com linguiça de javali e é realmente um espetáculo! Afinal, mais do que agradar o paladar, o vinho serve de agregador e como tempero de muitas amizades! Era um início de semana mais do que especial!

E que venham outros encontros!

Tuesday, October 2, 2012

Confraria Pane, Vinum et Caseus: Entre tapas & vinhos!

E chegamos àquela data especial de todo mês quando a confraria se reúne para degustar bons vinhos, comer belas comidas e mais do que isso, ter o convívio de pessoas incríveis e anfitriões de fazer você se sentir como se estivesse em casa conversando em família. O mais engraçado é que a cada mês o enfoque nos vinhos e na comida acaba sendo menor e as conversas, histórias e o enfoque na possibilidade de rever os amigos se torna mais evidente. E foi assim que fomos convidados a nos juntarmos para uma noite com apelo espanhol na Maison Piquet (apelido carinhoso que acabo de inventar).

O capricho e o carinho com que somos recepcionados desde o início da noite é de um prazer inenarrável aqui. Já que a temática da noite era espanhola, obviamente teríamos muitos vinhos e comidas típicas para apreciar. Mas nem por isso os recém iniciados no mundos dos vinhos ou que tem preferência pelo novo mundo são deixados de lado, com opções para todos os gostos. Eu seria muito pretensioso se quisesse discorrer sobre todos os vinhos por nós provados na noite, por isso resolvi apenas destacar alguns vinhos que me chamaram a atenção.


Começo então pelo rosé  Inurrieta Mediodía 2011, um vinho da região de Navarra e feito com a uva Garnacha, bem vivo e de coloração mais escura do que os rosés tradicionais, trazendo ainda aromas de frutas vermelhas em abundância com leves toques florais; já dos tintos uma boa pedida para o dia a dia foi o Paternina Banda Azul Crianza 2006, um Rioja bem típico feito com a uva Tempranillo e que apresentou aromas de frutos escuros, toques de especiarias e terrosos com um bom corpo e acidez na medida e segundo o "presidente da confraria" um vinho para algo em torno de 30 dinheiros, um baita custo benefício; para finalizar os vinhos destacados, o Pequeñas Bodegas Malbec, um bom exemplar de nossos hermanos (ainda sem importador aqui no Brasil), sem muita madeira aparente e com os típicos aromas de frutas escuras e flores em evidência, num corpo mediano com taninos já domados e boa acidez. Ainda tivemos muitos outros vinhos interessantes, mas estes foram meus destaques pessoais.


Já no lado das tapas, mais um deleite. A começar pela salada de frutos do mar com molho de limão siciliano sobre folhas de endívia preparada pela confrade Lucinéia, de cair o queixo com a textura dos moluscos/crustáceos utilizados (polvo/lulas/etc) e o toque amarguinho da endívia para quebrar um pouco da força do prato, passando por totillas preparadas pelo confrade John e sua esposa chegando ainda aos pães recheados (puxando o lado italiano da confraria, sempre presente) feitos pelo confrade Luiz, muito macios, recheados hora com calabreza, hora com queijo e presunto deixando a noite de todos muito agradável. E não foi só isso, ainda tivemos brusquetas deliciosas, embutidos típicos e deliciosas sobremesas feitas pelo casal anfitrião. Se eu fosse comentar individualmente de cada prato, precisaria de muitas outras linhas...

E assim que se passou mais uma agradável noite da confraria, com a certeza de que a cada reunião, amizades se fortalecem, descobertas gastronômicas e enofílicas são feitas e a vontade de que o mês se passe rápido para que a nova reunião aconteça. E eu estarei lá.

Só me resta agradecer mais uma vez aos anfitriões da noite por abrirem as portas de sua residência e nos receberem de uma forma tão calorosa e amigável, aos confrades pela oportunidade de nos reunirmos de novo e a todos envolvidos pela grande noite que tivemos.

Até o próximo!

Sunday, July 29, 2012

Faugères e as novidades da Cave Jado

Ontem foi mais um dia de esbórnia enogastronômica que começou cedo, diga-se de passagem. A uns dias atrás em um das degustações que participei com o Beto (Papo de Vinho), a Dorotheé (dona da importadora Cave Jado) havia me comentado que a importadora estava trazendo diversas novidades para os próximos dias e que nos próximos sábados aconteceriam sempre degustações bem especiais para mostrar ao consumidor tais novidades. E ela não estava de brincadeira. Este sábado pude comprovar em parte o que ela havia dito.

Eu como bom blogueiro, que não sou, não tirei fotos e portanto me utilizo da foto do release da própria Cave.

As novidades deste final de semana vinham diretamente do Languedoc, mais especificamente da apelação de Faugères, ao sul da França em um dos solos mais antigos do mundo. Todos os 5 vinhos apresentados são produzidos pelo Château Des Estanilles, que está situado numa região entre o Mediterrâneo e o sopé das montanhas de Espinouse e Cévennes, na aldeia de Lenthéric, sendo parte do município de Cabrerolles, uma das sete aldeias da denominação Faugères. As vinhas se estendem ao longo de 35 hectares de encosta, a 300 metros de altitude, sobre um dos solos a denominação de melhor qualidade, o nome do domaine vem da junção do nome das parcelas Estagnols e Fontanilles. O produtor sempre se utilizou de uma agricultura limpa, orgânica e sem químicos e defensivos agrícolas sendo que a partir de 2010 seus vinhos levarão no rótulos o selo de vinhos orgânicos/biodinâmicos. Mas sem mais delongas, vamos aos vinhos.

Começamos então com o Château des Estanilles Blanc 2007, um vinho feito num blend de 70% de uvas Marsanne e 30% de Roussanne sendo que parte do vinho fermenta e amadurece em barricas por 9 meses. Com coloração já dourada, o vinho mostra muita evolução com aromas cítricos e de mel com própolis. Na boca tem corpo médio, certa untuosidade e apesar da idade ainda apresenta uma acidez viva e deliciosa. O segundo vinho era o Château des Estanilles Tradition 2007, primeiro tinto da tarde, um blend de cinco uvas (Grenache, Cinsault, Syrah, Mourvédre e Carignan) sendo que 3 destas são vinificadas juntas e outras duas separadamente onde finalmente 20% do vinho passa por barrica para afinamento. Vinho essencialmente frutado, com aromas de frutas vermelhas, algo de especiarias e leve toque de madeira. Na boca corpo médio, boa acidez e taninos finos e macios além de uma lembrança mentolada. A partir daqui a coisa passaria a fica séria. O terceiro vinho foi o Château des Estanilles Cuvée Prestige 2005, tinto blend de Syrah, Grenache e Mouvédre sendo que o vinho já passa por um ano em madeira. É visível a mudança aqui com aromas mais evoluídos, muita especiaria, algo terroso e animal num vinho com mais corpo, boa acidez e taninos mais marcados, porém de excelente qualidade. Já o quarto vinho Château des Estanilles Gran Cuvée 2004, um vinho basicamente feito com Syrah e com 13 meses de barrica mostrando toda sua força, muito corpo, frutas escuras e pimenta, algo de couro e toques de madeira. Suculento, um grande vinho sem dúvida. E chegamos a estrela da degustação, o Les Clos de Fou 2006, outro vinho baseado na Syrah com envelhecimento em barricas porém com uma proposta diferente, mais intenso e potente tanto em aromas (notas animais, frutas escuras e muita especiaria) como no paladar, num vinho muito musculoso, encorpado e com taninos marcados e num final longo que fica na lembrança por muito tempo. É difícil porém elencar destaques, mas pensando no custo benefício apresentado, eu ficaria com o branquinho e com o cuvée prestige.

Mas para quem pensa que as surpresas paravam por aqui, um ledo engano. Tivemos também a participação especial do chef Nicolas Barbé com suas criações gourmet. De sua parte, nos deleitamos com pastéizinhos de pato deliciosamente preparados e delicadamente saborosos e uma sopa de cenoura com toques de limão siciliano sensacional. Sinceramente, comeria ao menos uma dúzia destes pastéis num piscar de olhos! O chef dá aulas de gastronomia e faz preparações especiais. Quem quiser entrar em contato com ele, escrevam para: contato@barbegastronomia.com.br .

Sou suspeito para falar da Cave Jado e da Dorothée pois como eu não canso de dizer, além de ter popularizado o acesso aos vinhos franceses, a Dorothée por si só é um doce e uma simpatia, sendo que este conjunto com certeza transforma a Cave em uma de minhas importadoras preferidas, se não for a preferida! Vale cada visita que faço a Cave. Eu recomendo que façam a visita, principalmente aos sábado quando temos degustações especiais, e se deixem levar com a conversa e os vinhos.

Até o próximo!

Tuesday, June 12, 2012

Avignonesi Desiderio 2006

Com o frio de São Paulo no último feriado, nada de melhor do que aquela velha combinação já manjada aqui do blog: vinho x boa comida x boas companhias. E esta relação se torna cada vez mais interessante quando o vinho apresentado é diferenciado, vindo diretamente da vinícola produtora e por ai vai.

Primeiro falemos um pouco da vinícola que produz tal vinho, a Avignonesi. A mesma se encontra na região de Montepulciano, na Toscana, e tem uma tradição familiar apesar de recentemente ter mudado de mãos. A partir dai, o emprego de técnicas de cultivo orgânico tem sido empregadas de maneira a buscar a expressão mais pura do terroir onde as vinhas estão plantadas.


O vinho propriamente em questão tem duas curiosidades: primeiramente vem de uma DOC pouco conhecida para nós, Cortona, uma pequena cidade Toscana, situada em uma colina verdejante com plantação de oliverias, vinhas e outras plantas ciprestes ao redor, criando uma paisagem singular e apaixonante; em segundo lugar o nome dado ao vinho, Desiderio, nome este dado ao vinho em homenagem a um touro multipremiado da região. Em seu corte, 85% é de uvas Merlot e 15% de uvas Cabernet Sauvignon colhidas de vinhas com idades entra 10 e 20 anos. Após o processo de fermentação, o vinho passa 24 meses em barricas francesas de primeiro e segundo uso. São produzidas em média 28 mil garrafas do vinho. Vamos as impressões.

Na taça, e apesar da idade, o vinho apresentou uma cor rubi violácea bastante forte e quase impenetrável, com lágrimas que tingiam todas as paredes da taça quase que num conjunto único. Ligeiro halo aquoso.

No nariz o vinho se mostrou fechado no início, mas quando foi vertido no decanter e passou lá um tempo se mostrou muito perfumado, com aromas de flores e frutas escuras. Depois de algum tempo um aroma meio "medicinal" podia ser sentido, lembrando vicky (eu supus que era algo mentolado, como aqueles aromas de sauna) num fundo de especiarias. 

Na boca o vinho apresentou um corpo de médio para encorpado, boa acidez e taninos finos porém presentes mas macios e redondos. Retrogosto trazia muita fruta e lembrança floral com leve toque tostado e de chocolate amargo. Final de média para longa duração.

Um grande vinho sem dúvida, muito saboroso e deliciosamente concentrado sem se tornar enjoativo. Vale a prova e deve ser degustado com tempo. Para quem gosta de pontuações, esse vinho recebeu 91 pontos da Wine Spectator e 88 pontos da Wine Advocate. Eu recomendo.

Até o próximo!

Sunday, May 6, 2012

Vesztergombi Kékfrankos Barrique 2006

Este é um vinho bem interessante. Já havia provado ele uma vez durante uma degustação direcionada para vinhos húngaros e ele foi um de meus destaques, tanto é que trouxe uma garrafa dele pra casa para fazer a prova depois de um tempo e verificar se realmente eu tinha acertado na escolha. E eu acho que sim!

Este vinho é feito com a uva autóctone Kékfrankos pelo produtor Vesztergombi Pince (um dos mais conceituados do país, pelo que pude apurar) na região de Szekszárd na Hungria. Se entendi direito, passa de 15 a 20 meses em barrica antes de ser engarrafado e liberado ao mercado. Como as poucas informações que tinha sobre o vinho vem do site da vinícola, somente em húngaro, vou deixar somente estas informações por aqui e vamos as impressões.


Na taça o vinho apresentou uma cor rubi com forte tendência ao grená, com lágrimas finas, rápidas e incolores.

No nariz, um vinho fechado de início mas que depois abre aromas vegetais, terrosos e de frutas escuras com ligeira lembrança de tostado. Tudo bem discreto e integrado, sem que um aroma se sobrepusesse aos outros.

Na boca um vinho de corpo leve para médio, acidez um pouco carente (até por que o vinho já era um pouco velho e talvez já estivesse numa curva descendente de vida) e taninos finos porém presentes e marcantes. Retrogosto com frutas escuras e vegetal. Final de curta para média duração.

Um bom vinho, que ajuda a expandir o paladar e a conhecer novas uvas e regiões vinícolas do mundo. Eu recomendo que você experimente, caso encontre uma safra mais nova talvez!

Até o próximo!

Thursday, May 3, 2012

Herderos Del Marqués de Riscal Reserva 2006

Com a chegada do frio e o feriado que tivemos no começo desta semana, nada melhor do que juntarmos coisas que gostamos de fazer: encontrar amigos e beber um bom vinho. E como não poderia deixar de ser, participei de mais um bela esbórnia enogastronômica neste final de semana e feriado prolongado. Começamos a noite com um velho conhecido de nós consumidores brasileiros, o Marques de Riscal Reserva, aquele mesmo da telinha dourada entrelaçada na garrafa. Só que esta garrafa veio diretamente da Espanha.

O vinho é produzido pela gigante espanhola Marqués de Riscal, cuja história de sua inauguração data de 1858 na região de Rioja, mais ao norte da península Ibérica e se confunde com a própria criação da DO da região, muito tempo depois. Conforme legislação vigente, tem em sua composição maior porcentagem (90%) de uvas Tempranillo de vinhas com mais de 15 anos e o restante (10%) complementados por uvas Graciano e Mazuelo. Por ter em seu rótulo a denominação reserva, passa 24 meses por envelhecimento em barricas de carvalho americano e depois mais 12 meses em garrafa antes de ser liberado para o mercado. Vamos então as impressões.


Na taça uma cor rubi violácea de média intensidade, com ligeiro halo de evolução nas bordas. Lágrimas finas, rápidas e abundantes também se faziam presentes. Confesso também que a luz não era a mais adequada para esta análise, mas caso já tenham degustado o vinho e discordem da minha análise, por favor estejam a vontade para comentar.

No nariz o vinho abriu com aromas de frutos escuros, algo de pimentas e ligeiro tostado ao fundo. Leve lembrança terrosa. Tudo muito discreto e em seu lugar, como os vinhos do velho mundo costumam se mostrar.

Na boca é que o vinho decepcionou um pouco. Corpo de leve para médio, boa acidez e taninos finos, macios e bem redondos. Ao que parece, faltava um pouco de extrato e força no meio da boca. Retrogosto essencialmente frutado, confirma os frutos escuros do nariz. Final de curta duração.

Um vinho correto mas que decepciona um pouco pela aparente fama que possui, criando uma expectativa um pouco maior. De qualquer forma não possui defeitos que fariam com que eu me negasse a prova-lo de novo.

Até o próximo!

Wednesday, May 2, 2012

Marchese Antinori Chianti Classico Reserva 2006

De vez em quando temos que nos dar ao direito de provar vinhos um pouco mais legais, certo? Este por exemplo foi provado com uma pizza especial da 1900 num sábado desses , em conjunção com um clima frio e agradável, que criou condições típicas para que a harmonização fosse perfeita.

A Marchesi Antinori é uma das gigantes italianas, famosa por seus vinhos IGT Toscanos e entre eles podemos citar o Tignanello, só pra mostrar a força deles. Entre todas estas preciosidades é que nasce o Chianti Classico Riserva, segundo eles somente produzido em anos de colheitas excepcionais e que possui em sua composição 90% de uvas Sangiovese proveninentes de vinhedos espalhados entre Tignanello, Badia a Passignano, and Pèppoli, na comuna de Mercatale Val di Pesa que são complementadas com outros 10% de Cabernet Sauvignon e alguma outras uvas tintas, dependendo de cada colheita, todas plantadas na região de Chianti Clássico. Além disso, os vinhos são fermentados separadamente, completando a fermentação malolática em barricas de segundo e terceiro uso, permanecendo ainda por 14 meses em barricas para envelhecimento. O vinho finaliza sua vida na adega em mais 12 meses de envelhecimento em garrafa antes de ser liberado ao mercado. Vamos as impressões.


Na taça uma bonita cor rubi de média intensidade, brilhante e com lágrimas finas, rápidas e quase sem cor. 

No nariz é um vinho muito frutado, remetendo a cerejas e morangos, além de exibir notas de café com leite e algo levemente herbáceo ao fundo. Tudo muito elegante e integrado entre si.

Na boca um vinho encorpado, de boa acidez e com taninos macios, suaves e bem redondos. Confirma o frutado e o café do nariz num final de longa duração.

Sem dúvida um excelente vinho, que vale o quanto custa e que com certeza degustaria mais vezes.


Até o próximo!

Monday, March 26, 2012

Confraria Pane, Vinum Et Caseus: mais uma noite de gala

E foi neste final de semana que aconteceu o encontro mais esperado de todo mês, o encontro da Confraria Pane, Vinum et Caseus. E eu digo isso por que estes encontros são recheados de boas companhias, excelentes vinhos e muito comida de primeiríssima linha, sem nos esquecermos é claro dos anfitriões que sempre nos recebem maravilhosamente bem em sua casa. E não foi diferente neste final de semana.

As vezes, os confrades que normalmente tem o costume de chegar mais cedo, bem próximos ao horário marcado são recepcionados com um vinho especial. O desta noite foi um espanhol, o Dueto de Fontana 2004, um representante da região de La Mancha feito num corte 50/50 Cabernet Sauvignon e Merlot., vinhaço que trazia aromas marcantes de couro, frutas escuras e algo de tostado. De muita complexidade, mostrava também ótimo corpo e acidez, ainda com taninos finos e presentes. Já dava indícios que a noite seria uma beleza!


A partir dai entre a chegada de um confrade e a conversa sendo derramada por todos os cantos, alguns vinhos já conhecidos da confraria começaram a ser abertos e as taças começaram a trabalhar bastante nesta noite. Foi quando o primeiro escolhido para a noite fora desarolhado: o Montaia IGT Sangiovese 2006, vinho frutado, de corpo leve e boa acidez. Um vinho simples mas muito gostoso, e que abria com alegria a reunião da confraria. Mas o melhor ainda estaria por vir.


Era chagada a hora da estrela principal da noite. O jantar estava para ser servido e era composto de uma salada verde com peras e queijo gorgonzola, divinamente combinados com um molho honey mustard deixando a entrada já deliciosa. O sabor mais forte e salgado do queijo se contrapunha a leve doçura da pera e ao ácido do molho, formando um belo conjunto. Já o prato principal seria um Magret de Canard com Risoto de Abobrinhas e batata palha. O risoto estava divino, al dente e suculento ao mesmo tempo, ao passo que o pato estava realmente no ponto, sem ficar ressecado e com um sabor incrível! Mas e o(s) vinho(s) escolhido(s) para acompanhar tamanho banquete? A não poderia ser outra opção a não ser dois belos exemplares hermanos da Bodega Sotano: os Reserva da Família Cabernet Sauvingon e Malbec. A Bodega é conhecido por trabalhar no estilo boutique, com pequenas produções e foco na qualidade. E ambos os vinhos comprovaram a história: O Malbec mais potente, com aromas típicos de ameixas pretas, floral, toques achocolatados ao passo que o Cabernet um pouco mais sóbrio, herbáceo um pouco mais evidente, frutas em segundo plano e leve toque de baunilha. Muita tipicidade em ambos. E o casamento perfeito, a meu ver, foi do prato com o Malbec.




















Mas quem pensa que este era o gran finale da esbórnia enogastronomica se enganou completamente. Ainda havia espaço para a sobremesa e mais uma surpresa na noite. A sobremesa era uma bela torta mousse de chocolate e nozes, divinamente acompanhada por salada de frutas e calda de groselha. Nem preciso dizer que dava água na boca e que a torta combinava a maciez do mousse com a crocância das nozes em sabores intraduzíveis para palavras. E para acompanhar a sobremesa, uma surpresa: um vinho de sobremesa francês, o Domaine Bordenave-Coustarret Jurançon 2008, feito a partir das uvas Petit Manseng e Gros Manseng, o líquido que lembrava ouro derretido tinha aromas cítricos, florais e algo empireumáticos, lembrando por vezes vinhos oriundos de uvas botritizadas (não sei se isso acontece neste vinho). Preenchia a boca e era quase mastigável, com sua doçura e corpo contrabalanceados a uma boa acidez. Mais um casamento delicioso.


Depois disso ainda ficamos ao som de nossos confrades ao karaoke, com muita conversa por vir e mais vinhos. Mas a partir daqui meu senso de discernimento não estava mais funcionando 100% e eu só guardo na memória os bons momentos que tive, aguardando os próximos encontros!

Até o próximo!

Wednesday, March 14, 2012

Cave Antiga Reserva Marselan 2006

E voltamos a falar de vinho nacional no blog. Já comentei diversas vezes que não sou ufanista e nem ferrenho defensor dos vinhos nacionais, mas que teno acompanhado uma boa evolução dos mesmos desde que comecei a me interessar por vinhos. Mas eu ainda acho que o vinho nacional precisa de tempo e mais atenção, e não protecionismos e selos fiscais. Mas esta já outra história.

O vinho de hoje tem uma história curiosa e eu tive acesso a ele através de uma promoção feita no Facebook. Eu particularmente não conhecia a vinícola e confesso que tive certa dificuldade em conhecer mais a seu respeito pois o website da empresa não funciona e existem comentários picados aqui e acolá a respeito da mesma. De qualquer forma descobri que a Cave Antiga é uma vinícola do Rio Grande do Sul, mais especificamente de Farroupilha na Serra Gaucha. Este exemplar é feitos com uvas Marselan e pelo que eu consegui descobrir tem um período de 6 meses de afinamento em barrica. Enfim, vamos as impressões.


Na taça uma cor tendendo ao atijolado já mostrando toda a sua evolução, afinal já é um vinho de 6 anos de idade. Lágrimas finas, rápidas e incolores também puderam ser notadas nas paredes da taça.

No nariz o vinho abriu com discreto aroma de frutas escuras, muita especiaria doce (lembrando nitidamente canela) e algo de tostado ao fundo. Discreto mas eu diria que elegante.

Na boca o vinho apresentou taninos finos, discretissimos mas ainda presentes. Acidez baixa, como era de se esperar mas não deixando o vinho pesado e/ou enjoativo. Retrogosto que lembrava aquelas balinhas redondas de canela, muito interessante. Algum tempo depois frutas escuras já meio passas eu diria. Final médio.

Enfim, ao que parece o vinho passou um pouco de seu apogeu e já estaria em declínio, porém mostrou qualidade e é uma boa opção para se conhecer, embora não tenha mais notícias sobre a vinícola e safras mais recentes. De qualquer maneira, gostei de ter conhecido.

Até o próximo!

Sunday, March 11, 2012

Degustando Itália na Vinea

Já devo ter comentado por aqui inúmeras vezes que algumas importadores/lojas de vinho costumam fazer degustação de alguns rótulos aos finais de semana e que estas degustações além de nos apresentarem a novos vinhos acabam se tornando boas oportunidades para conhecermos lugares novos e além disso podermos comprar alguns bons rótulos a preços promocionais (não necessariamente baratos, diga-se de passagem). Pois bem, recebi o emailmarketing da importadora Vinea sobre uma degustação que eles iriam promover nesta sexta e sábado com vinhos italianos. Até o momento não tinha dado muita importância, mas o convite de uma amiga pra nos reencontramos após muito tempo e a possibilidade de degustar um Barolo, o rei dos vinhos, fizeram com que eu mudasse de idéia. O local escolhido seria a unidade Alphaville da importadora, uma vez que eu já conhecia a outra unidade no Paraíso e a curiosidade sobre esta nova localização também fazia parte do pacote.

A Vinea possui ainda uma área externa muito bonita e aconchegante onde funciona um restaurante, que normalmente conta com um menu fechado por dia, com em geral 3 opções de entradas, pratos principais e sobremesas. Além disso possui algumas enomatics onde o cliente pode se servir de alguns vinhos em taças, podendo assim ampliar seu leque de opções pós degustação, por exemplo. E foi o que decidimos fazer, após a degustação, nos encostamos em uma mesa e almoçamos por lá mesmo. Depois conto mais sobre isso.

Voltando a degustação temática que constava de 4 vinhos italianos, nas próximas linhas irei descrever um pouco sobre os vinhos provados. O primeiro vinho foi um branco muito bacana e ue chamou a atenção de todos, o Cortese Alto Monferrato DOC 2007, feito 100% com a uva Cortese do Piemonte, com muita fruta branca e floral delicado, lembrando ainda algo empireumático e mineral. Frescor era a palavra chave para este vinho, apesar da idade. Final médio longo, enfim um branco muito legal; depois passamos para um vinho tinto mais simples, o Rosso Toscano IGT 2009 um vinho 100% sangiovese sem passagem por madeira, com lembranças de alcaparras e carne defumada, porém com um corpo leve para médio, acidez na medida e taninos ainda bem vivos e rascantes; a coisa começava a se tornar séria com o Stucchio IGT 2006, velho conhecido do blog e que já participou de uma das reuniões da Confraria do Meio (relembrem aqui). Vinho sério, 100% sangiovese, aromas de evolução como baú velho, torrefação, fumo, tudo aliado a uma boa fruta e estrutura de dar inveja; e tudo isso nos preparava para um gran finale, o rei dos vinhos, o Barolo DOCG Lecinquevigne 2004, evoluido, cor âmbar, aromas de frutas passas, fumo e cacau com uma grande estrutura, boa acidez e taninos ligeiramente rascantes, impressionante e de uma persistência incrívelmente deliciosa!!! Realmente uma oportunidade incrível de conhecer vinhos realmente de alto nível!

E ainda teve o almoço, que eu conto pra vocês outro dia. Mas em suma, eu recomendo muito a visita a Vinea, seja no Paraíso ou em Alphaville, pois é uma empresa séria e que trás vinhos diferenciados. Podem não ser muito para o dia a dia (como os desta degustação) mas vale a pena.

Até o próximo!