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Sunday, December 28, 2014

Confraria Pane, Vinum Et Caseus: Itália em pauta!

Havia algum tempo que, entre muitos entreveiros, a Confraria Pane, Vinum Et Caseus não conseguia datas para se reunir e, mais do que isso, nós também não tínhamos tido oportunidades de casar as agendas e participar das escassas reuniões do ano. Entretanto, com o advento do final do ano, sempre é gostoso reunir as pessoas que gostamos e enfim, a reunião da confraria saiu e pudemos nos juntar a ela.


O presidente da Confraria, Fábio Barnes, e seus vices sempre preparam as reuniões de forma a que um tema seja explorado, sem que haja detrimento dos demais vinhos e/ou pratos degustados durante a noite. Desta vez, o tema seria: "Uma volta pela Itália". Como já é tradição da última confraria do ano, cada um traria um "pratinho" de comida e os vinhos seriam como sempre, as estrelas principais. As escolhas dos vinhos abrangeu principalmente as "grandes regiões" da Itália, a saber: Valpolicella, Toscana e Piemonte. Diferentemente do que costumo fazer, darei maior enfoque aos vinhos em detrimento das comidas, guloseimas e outros, disponibilizados também durante a reunião.


E a viagem começou com o Chianti Classico Principe Corsini Le Corti D.O.C.G 2009, um vinho da conhecida região Toscana de Chianti Clássico, produzido pela Tenuta Villa Le Corti, do grupo conhecido como Principe Corsini. A história de Chianti e Chianti Clássico já foi comentada por aqui e portanto, pouparei-os de meus comentários repetitivos. O vinho é feito com 95% de uvas Sangiovese e os outros 5% preenchidos com as uvas Canaiolo e Colorino. O vinho envelhece parte em cubas de cimento vitrificado e parte em grandes tonéis de madeira (os famosos botti italianos). Na taça o vinho apresentou um vinho rubi de média intensidade, algum brilho e boa transparência. No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, especiarias e toques florais. Fundo de taça apresentou também madeira. Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos finos. Retrogosto confirmou o olfato e o final era de média duração. Começávamos bem a noite italiana.


Num segundo ato da noite viajamos a região do Piemonte e a irmã menos famosa da Nebbiolo, a Barbera D'Alba com o Pietro Rinaldi Bricco Cichetta Barbera D'Alba Superiore 2010. Este vinho é um varietal 100% Barbera D'Alba produzido pela Azienda Agrícola Pietro Rinaldi, com uvas provenientes de vinhedos localizados em Madonna di Como, na região de Alba, no Piemonte. Maturação de 70% do vinho em barricas novas de carvalho francês e de 30% em barricas de segundo uso durante 16 meses. Na taça coloração rubi de média intensidade com bom brilho e boa transparência. Aromas de frutos vermelhos, especiarias e ligeira lembrança mineral ao fundo da taça. Corpo médio, boa acidez e taninos macios. Retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração. E mantínhamos o alto nível da noite.


A terceira etapa da noite trouxe um vinho que, quando bem feito, é espetacular. Estávamos agora na região de Valpolicella e o vinho? Um Ripasso da Azienda Agricola Monte del Frá. O Monte del Frá Valpolicella Classico Superiore Ripasso 2009 é composto por um corte de Corvina Veronese (80%) e Rondinella (20%) e é feito pela técnica de ripasso, que consiste em o vinho obtido como Valpolicella passar por um tempo de contato com a borra de vinificação que sobra dos vinhos Amarone, obtendo assim mais estrutura, complexidade e aromas. Na taça o vinho apresentou uma cor violácea de grande intensidade, algum brilho e pouca transparência. No nariz, aromas de frutos frescos e de licor de frutas além de especiarias doces como canela e cravo da índia. Na boca um vinho encorpado, boa acidez e taninos finos. Retrogosto confirma o olfato com uma leve doçura na entrada de boca. Final de longa duração. Estávamos subindo escada a cima, bebê!


O último e derradeiro capítulo da noite reservava uma grata surpresa. Voltaríamos a Toscana e provaríamos um vinho que é dos meus preferidos: o ColdiSole Brunello di Montalcino DOCG 2008, do grande grupo Lionello Marchesi. É um dos grandes vinhos tintos da Toscana e é parte da história destes, sendo o único - em termos de tradição e regulamentos - feito exclusivamente com uvas Sangiovese. Tem passagem de 36 meses em barricas de carvalho e mais 12 meses em garrafa antes de ser liberado ao mercado. Na taça uma coloração rubi com tendência granada, algum brilho e alguma transparência. No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos silvestres, especiarias, couro e toques de baunilha. Na boca o vinho era corpulento, musculoso, taninos mastigáveis e uma acidez incrivelmente deliciosa. Retrogosto confirma o olfato e o final era de longa e saborosa persistência. O ato final não poderia ser melhor.

E assim nos despedíamos de mais um grande encontro da Confraria Pane, Vinum Et Caseus onde pudemos além de conhecer vinhos novos, rever pessoas tão queridas e que já estávamos sentindo muitas saudades. E que venham as próximas reuniões.

Até o próximo!

Monday, April 7, 2014

Confraria Pane, Vinum Et Caseus: Santa Catarina em destaque!

Depois de um longo e tenebroso recesso, a Confraria Pane, Vinum Et Caseus estava as voltas com mais uma reunião. E desta vez, apesar dos inúmeros vinhos que provamos, histórias que dividimos e amizades que celebramos, resolvi contar a história de uma maneira um pouco diferente do habitual. Espero que gostem.

O presidente da Confraria, Fábio Barnes, e seus vices sempre preparam as reuniões de forma a que um tema seja explorado, sem que haja detrimento dos demais vinhos e/ou pratos degustados durante a noite. Desta vez coube ao Confrade John a escolha do tema e seleção dos vinhos. E ele não teve dúvida: dada suas andanças por terras catarinenses, ele nos brindou e apresentou vinhos de Santa Catarina. No lado gastronômico, nosso eterno "chef" italiano Luiz Grandisoli nos proporcionou agradáveis momentos de esbórnia com pães caseiros com azeite e massa com molho de linguiça. Divinos!

Nos últimos anos, Santa Catarina tem se colocado como um dos melhores terroirs do Brasil para a produção de vinhos de qualidade. E motivos para tal não faltam. Ser uma região que conta com altitudes entre 900 e 1300 m, com temperaturas mais baixas e um comportamento peculiar do clima são apenas alguns deles. Lá é possível ainda observar uma maturação mais tardia das uvas, com a colheita se estendendo por meados de abril e as vezes começo de maio, ou seja, fora das chuvas do final da estação e já no início do outono, que naquelas altitudes já traz noites bem frias. Dentre as vinícolas mais conhecidas e já com pé fincado no mercado de vinhos nacionais, podemos citar a Quinta da Neve, Sanjo e mais recentemente a Abreu & Garcia, que serão alvos também dos vinhos comentados neste post.


Começamos então com a Vinícola Quinta da Neve e seu Quinta da Neve Cabernet Sauvignon/Merlot/Touriga Nacional 2011. Esta vinícola foi uma das pioneiros no investimento e produção de vinhos na região da Serra Catarinense, sendo que o início do plantio de uvas viníferas na propriedade começou no ano de 2000. Tem hoje em produção uma área de 15 hectares plantados com os cultivares Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Chardonnany, Merlot, Sangiovese e Sauvignon Blanc além de mais de uma dezena de outras variedades ainda em teste. Apostando nesta nova tendência e no crescimento da região, a Quinta da Neve acredita ainda no plantio de mais 20 hectares de uvas bem como expansão da área produtiva e no número de garrafas produzidas por ano para os próximos anos. Sobre o vinho provado na reunião da confraria, confesso que não guardei muita informação sobre o mesmo, mas vamos as impressões. De cor violácea de média intensidade, mostrou também lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas. Aromas florais, frutos maduros e especiarias. Na boca é redondo e macio, fácil de beber, acidez na medida. Retrogosto confirmando o olfato. Final de média duração. Na minha opinião, entre os catarinenses provados na reunião, o melhor. 


Passamos então a Vinícola Sanjo, que faz parte da Cooperativa Agrícola de São Joaquim, sendo que a implantação de vinhedos para a produção de vinhos finos se deu em 2002, com o auxílio das mais recentes tecnologias existentes até então. Provamos o vinho ícone da vinícola, o Sanjo Maestrale Cabernet Sauvignon 2007. Este vinho é produzido com uvas selecionadas cultivadas nos vinhedos mais altos, que ultrapassam os 1300 metros de altitude. Depois passa por amadurecimento em barris de carvalho francês durante doze meses, sedo que depois de engarrafado, segue o seu ciclo de maturação nas caves até estar pronto a ser liberado ao mercado. Já apresentava uma cor um pouco mais evoluída, tendendo a um rubi com halo granada. Aromas de frutos escuros, especiarias e toques herbáceos. Notas de tostado e baunilha também se faziam presentes. Corpo médio, boa acidez e taninos marcados, porém de boa qualidade. Retrogosto confirmando o olfato num final de média duração. Um vinho elegante, sem exageros e/ou defeitos, que vale conhecer.


Finalmente chegamos a Vinícola Abreu & Garcia. Movida pelo ideal e pelos sonhos de todos empreendedores que trabalham e vivem o vinho, a família Abreu Garcia escolheu sua propriedade em Campo Belo do Sul para o que esta se tornando mais uma vinícola de destaque no mercado brasileiro de vinhos. São empregados por lá o uso de moderno maquinário italiano na vinificação e o tratamento de resíduos, entre outras iniciativas. O vinho provado na reunião foi o Abreu & Garcia Cabernet Sauvignon/Melort. Este exemplar catarinense é produzido em um corte de 90% de uvas Cabernet Sauvignon e 10% Merlot, envelhecido por 12 meses em barrica. Cor violácea de grande intensidade. Aromas de frutos escuros, especiarias e toques florais. Coco em evidência, acaba dominando os aromas depois de determinado tempo. Taninos macios, corpo médio e acidez na medida. Retrogosto confirma o olfato. Final de média duração. Dos três vinhos provados na noite, a meu ver, o mais fraco. Madeira em demasia. Deve agradar o paladar médio do brasileiro, entretanto.

E assim nos despedíamos de mais um grande encontro da Confraria Pane, Vinum Et Caseus onde pudemos além de conhecer vinhos novos, rever pessoas tão queridas e que já estávamos sentindo muitas saudades. E que venham as próximas reuniões.

Até lá!

Wednesday, October 2, 2013

Confraria Pane, Vinum et Caseus: "un buon pranzo italiano"

Apesar da volta as atividades enofílicas, o domingo amanheceu cinzento, triste, lacrimoso, como se quisesse nos tirar a vontade de sairmos para mais uma orgia enogastronômica que se aproximava. Confesso que nem isso era suficiente pois além da saudade do pessoal, dos bons pratos e bons vinhos, minha recente "abstinência" em virtude da saúde (falta de) só fazia crescer a animação. Era dia de mais um encontro da Confraria Pane, Vinum et Caseus! E um encontro especial, afinal nossos anfitriões da tarde Marcelo e Rosangela faziam aniversário de casamento na mesma data.


Já comentei por aqui que no quesito receptividade e amabilidade nossos anfitriões fizeram pós graduação e costumam dar aula, o que não foi diferente desta vez. Fomos também recepcionados com alguns beliscos enquanto esperávamos a chegada dos demais membros. Entre estes beliscos amendoins, uvas passa, pães e uma bela caponata de berinjela que logo se tornou sucesso. 



Antes que passássemos então ao almoço em si e aos vinhos porém, uma surpresa: iríamos brindar ao aniversário do casal anfitrião da tarde. E o presidente da confraria, Fabio, e seu faro apurado em garimpar vinhos nos trouxe a oportunidade de conhecermos a linha de espumantes Brut e Brut Rose da Vinícola Santa Augusta, que fica situada em Santa Catarina, no Sul do país. O mais curioso destes vinhos é que ambos possuem em sua composição grande porcentagem de uvas tintas como Cabernet Sauvignon e Merlot. Ambos muito frescos, cada qual com seus aromas de frutos (o brut puxa mais para as frutas brancas e o rosé para as vermelhas) com boa perlage e persistência, muito equilibrados e que agradam em cheio mesmo aos que não estão tão acostumados com o vinhos espumantes. Uma ressalva ainda para a sabragem feita pelo nosso presidente, mostrando que sabe tudo e mais um pouco de vinhos!



Depois deste começo sensacional passamos então a conhecer quais seriam os vinhos e os respectivos pratos para sua possível harmonização. O primeiro vinho da tarde era um Chianti simples porém ordinário, daqueles para se beber despretensiosamente acompanhando uma refeição. Era o Ponte Vecchio Chianti DOCG, contando com Sangiovese, Canaiolo entre as mais tradicionais uvas de seu corte, o vinho se mostrou alegre, com boa acidez, corpo leve e saborosamente agradável. Detalhe para a garrafa entrelaçada de palha uma homenagem aos produtores de antigamente. E o negócio começava a ficar sério quando o presidente mostrou o San Biagio Rosso di Montalcino, vinho produzido pela já conhecida Vinícola Camigliano e que se mostrou bem típico, feito com 100% de Sangiovese (seu clone grosso ou Brunello) e com seus aromas terciários florescendo, com toques animais e terrosos além de um tradicional floral. Pra mim, o preferido da tarde sem dúvida nenhuma. E quem achava que tinha acabado se deu mal, pois eis que o presidente tira da cartola o Podere Il Pozzo Canto Lupo 2007, um supertoscano interessante, com uvas francesas em corte com a Sangiovese e que trás um quê de novo mundo aos vinhos Toscanos. Toques de frutos escuros maduros e baunilha são os mais percebidos aqui. Outro grande vinho só que com outra proposta. De lambuja ainda abrimos um Barbaresco Batasiolo 2006, incrivel como este vinho sempre surpreende com frutas secas, floral e um final longo e saboroso.


Aqui você deve estar se perguntando quais os pratos para tanto vinho, certo? E não é que fomos de salada mista de folhas verdes, couscous marroquino, lasanha a bolonhesa com um toque de molho branco, penne aos quatro queijos e/ou molho de linguiça. Tudo incrivelmente preparado pela ala "italiana"da Confraria, capitaneados pelo nosso vice presidente Luiz. Massa al dente, molhos polpudos e recheados, tudo que não pode faltar em uma típica cozinha ítalo-brasileira. Confesso que do lado da minha família, a lasanha fez sucesso!

Já estávamos perto do final de mais uma tarde agradável em meio a pessoas amáveis, bons pratos e grandes vinhos quando fora servida a sobremesa: naked cake com ganache de chocolate e frutas e sorvete de queijo com calda quente de goiabada. E para surpresa geral da nação o presidente deu o golpe de misericórdia: um espumante Moscatel Santa Augusta, que feito pelo método Asti, acabou por deixar a todos em êxtase. Era o fim, mas, precisávamos de mais? 

Até o próximo!

Tuesday, August 20, 2013

Confraria Pane, Vinum et Caseus: Vinho e Golf "Harmonizam"?

Essa era a dúvida que deveria ser sanada na fria tarde de domingo em São Paulo. Era tarde de mais uma reunião da Confraria Pane, Vinum et Caseus e desta vez em um local diferente. Era a primeira vez (ao menos pra mim) que iríamos a um restaurante/bar anexo a um campo de golfe. O Local escolhido era o Eagle Golf Point, nas proximidades do aeroporto de Congonhas, em São Paulo. E para o cardápio, iguarias hermanas: bife de chorizo, chimichurri e papas fritas. Teríamos grande lotação, a maioria dos confreiros e confreiras havia confirmado presença. Vamos ver o que deu?


Chegando ao local já era possível ver as redes de proteção e os barulhos das tacadas. A vista do salão em que a confraria seria acomodada era incrível, dava a sensação de estarmos fora de São Paulo não fosse pelo barulhos espaçados dos aviões pousando em Congonhas. Muito verde em um espaço enorme davam a sensação de paz e tranquilidade necessários para que o encontro dos amantes do vinho se passasse da maneira mais agradável possível.


Fomos recebidos pelo "presidente" Fabio, que logo nos apresentou a alguns vinhos diferentes. Primeiro um exemplar vindo do Vale do Rhône, na França: Château d`Or et de Gueules Costières de Nîmes 2010. Com uma composição típica da região (corte de Grenache, Carignan, Syrah e Mourvèdre) o vinho se mostrou de cor rubi violácea escura, meio opaca e com lágrimas finas e sem cor; aromas um pouco fechados de frutas negras e toques terrosos; na boca um tanto quanto ligeiro, de corpo médio e com taninos finos e suaves. Em seguida, um vinho patrício: Quinta da Pedra Alta Tinto 2007, representante duriense que auxiliou nas boas vindas. Composição típica para um português de respeito (Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca e Touriga Franca). Mais fragrante que seu antecessor, mostrou toques de frutos silvestres, flores e ligeira lembrança de madeira. Em boca é de médio corpo, macio e fácil de beber. Como curiosidade, o vinho é feito em lagar com pisa a pé e envelhece por 6 meses em barrica. A partir daí foi um desfile de vinhos e comida.


Entre alguns petiscos e muita conversa, alguns outros vinhos nos foram servidos, sendo que a maioria já esteve por aqui em uma ou outra postagem e por isso pouparei meus leitores de muita repetição. O embate do almoço entretanto se daria entre dois argentinos: o Dolium Malbec 2010, um vinho que se mostrou jovem, bem violáceo e que trouxe no nariz aromas de frutas silvestres e lembrança de baunilha. Taninos macios e fácil de beber. Para o dia a dia; do outro lado vinha o Sotano Reserva da Família Malbec 2008, esse já conhecido por aqui e mais elaborado e afinado, trouxe bela cor violácea de grande intensidade, aromas de frutos escuros em compota, florais e chocolate ao fundo. Encorpado e redondo, se mostrou mais do que pronto pra beber. Acho que já tínhamos um vencedor. 

Ao final, o Sotano acabou por agradar a maior parte das pessoas e harmonizou de forma clássica com os pratos de bife de chorizo. E para adoçar a vida, um mousse de chocolate para encerrar com chave de ouro mais uma esbórnia enogastronomica. 

Vocês devem estar perguntando: Mas e o golfe? Confesso que depois de tudo isso, o golfe acabou sendo esquecido. Alguns corajosos ainda tentaram dar umas tacadas mas eu não sei a resposta se o este esporte e o vinho harmonizam. Quem sabe alguém possa nos ajudar?

E que venham as próximas reuniões da Confraria.

Até lá!

Monday, May 6, 2013

Confraria Panem, Vinum Et Caseus: Uma noite portuguesa com certeza!

Todos já sentiam falta das reuniões da confraria, que via de regra deveriam acontecer uma vez ao mês mas que por motivos diversos, ficou dois meses sem acontecer. E é claro que a confraria não poderia voltar em melhor estilo do que com um jantar com o tema "bacalhau". Isso mesmo prezados leitores, todos os pratos (petiscos, entrada e prato principal) eram baseados nesta iguaria, que apesar de não ser originária da região, fez sua fama na cozinha portuguesa.


Mais uma vez fomos recebidos pelos queridos anfitriões Anna e Luiz (mais conhecido como comandante), que sempre nos tratam com tanto carinho que as vezes nem percebemos se estamos em casa ou fora. A cozinha ficaria a cargo da confreira Lucinéia, e mais uma vez só teríamos elogios a fazer. Desde o patê de bacalhau, delicioso com muito azeite e salsinha que criava uma perfeita combinação com os pães e torradinhas dos petiscos, passeando pela salada de grão de bico com bacalhau que só fazia a fome aumentar e chegando ao arroz de bacalhau, incrivelmente saboroso com pedaços de queijo coalho que escortavam um ao outro de forma magistral. Ah, e eu não posso esquecer de um dos petiscos que eu mais gosto: o bolinho de bacalhau, que estava sequinho e com muito recheio, que a vontade era de ficar comente os comendo a noite toda. E as sobremesas então, o que falar da dupla Pudim de Claras com Papo de Anjo? A dupla perfeita para fechar um verdadeiro banquete! Um deleite para glutão nenhum botar defeito.


Mas qual é mesmo o motivo de todos os encontros além da comida e da boa companhia? Os vinhos é claro! E como o tema era voltado a Portugal, nada mais óbvio do que provarmos vinhos portugueses não é mesmo? E o confrade Fábio caprichou, nos apresentando 4 tintos vindos das terras de nossos patrícios. Nas próximas linhas vou comentar um pouco sobre os mesmos. O primeiro vinho apresentado foi o Reserva das Côrtes 2010, um vinho regional de Lisboa feito a partir das uvas Castelão, Tinta Roriz e Alicante Bouschet sem passagem por madeira, básico e frutado, com acidez bacana que deve ser consumido jovem; depois provamos o Reserva do Paço 2010, outro regional de Lisboa, também feito com as mesmas uvas mas envelhecido por 6 meses em barricas o que já lhe confere uma complexidade um pouco maior, onde além de frutas também podemos identificar um pouco de especiarias e toques de baunilha. De corpo médio também tem boa acidez e pode ser consumido tanto sozinho como acompanhando comida; já no terceiro vinho a brincadeira começava a ficar mais séria, o Udaca Touriga Nacional 2008, um vinho feito com a mais famosa casta portuguesa oriundo do Dão e com envelhecimento de 12 meses em madeira, o que já o torna um vinho mais encorpado, complexo e rico. Aromas de frutos escuros, especiarias, flores e toques de madeira. Acidez e taninos equilibrados num final de média duração; e para fechar a noite o último vinho foi o Leo d'Honor 2008, um vinho feito com uvas Castelão vindas de Palmela, um região portuguesa pouco conhecida aqui no Brasil. Um vinho encorpado, opulento com toques de frutos negros e especiarias em evidência, com leve lembrança de madeira ao fundo. Acidez bacana aliada a taninos redondos e macios faziam com que o vinho ficasse por um bom tempo na lembrança, um baita vinho com certeza.


E assim mais um agradável reunião da confraria se acabava com a certeza de que a demora só fez a vontade de que as reuniões aconteçam com mais frequência aumentasse e com a certeza cada vez maior de que os anfitriões, nossa costumeira confreira e chef e o presidente, quem escolhe os vinhos, são pessoas incríveis que fazem com que o encontro e os vinhos fiquem eternizados em nossas mentes e corações. Obrigado Luiz, Anna, Lucinéia e Fábio por mais este encontro delicioso e que venham os próximos!

Até lá!

Tuesday, November 6, 2012

Confraria Pane, Vinum et Caseus: curiosidades do leste Europeu.

Narrar os encontros da Confraria Pane, Vinum et Caseus é sempre muito especial e marcante pra mim. E desta vez, de fato, o será mais ainda. Explico: depois de mais de ano participando da confraria (salvo ledo engano) estava de volta ao local de minha primeira reunião e onde eu criei todos os laços com o pessoal que me recebeu de maneira ímpar, a casa do Comandante e sua esposa! Por isso não estranhem se o texto hoje for mais carregado de emoções e menos de vinhos, afinal eu fico realmente emocionado com a lembranças e  com a maneira como sou sempre muito bem recebido e muito carinhosamente tratado nestas ocasiões, fazendo com que eu faça sempre o esforço de comparecer ao maior número de reuniões possíveis.

Desta vez a "temática" da reunião fora toda idéia do Comandante e sua esposa, uma vez que ambos voltaram recentemente de uma viagem ao Leste Europeu. Aliás, me desculpem se me geografia não estiver tão afiada assim. Estiveram visitando entre outros Hungria, República Tcheca, etc. 


Como já é de praxe fomos recepcionados com muitos petiscos e vinhos que teoricamente não faziam parte da seleção da confraria para a noite de sábado. Entre deliciosos patês de ricota com páprica ou de fígado de frango, ficamos a conversar com nossos confrades sobre amenidades. E o Comandante caprichou, trazendo vinhos Húngaros, pouco conhecidos e/ou encontrados por aqui, para nossa apreciação. Entre os três tintos apresentados, eu destaco um deles: o Egri Merlot Barrique 2006, do produtor Molnár Dinerszet, um vinho que apesar da idade apresentava uma bonita cor violácea com reflexos alaranjados, guiado por muita fruta e toques florais com bom corpo e taninos aveludados, excelente! Alem deste, um vinho de uma uva típica da Hüngria, o Vesztergombi Szekszárd Kadarka 2008 também não fez feio, um vinho simples, porém gostoso e que desce bem.


Para o jantar,o prato principal era um delicioso Goulash feito com alcatra, tenra e macia, acompanhado de batatas assadas e arroz branco. O tempero e o molho do Goulash estavam na medida e faziam com que cada garfada puxasse a outra. O vinho escolhido pela confraria para acompanhar foi o Clos Reserva,  um Rioja feito com Tempranillo e Mazuelo muito bacana e que levou bem o desafio da harmonização com o Goulash, levando em conta seus aromas/sabores frutados, especiados e com toques de baunilha no seu corpo médio e de boa acidez e taninos. E de sobremesa, mais um deleite: Strudel de maçã com sorvete de creme, um clássico que deixou a todos de queixo caído dado a crocância da massa folhada em contraponto com o recheio cremoso com toques de canela e o sorvete por cima, dando o toque final. Tudo maravilhosamente feito, com muito carinho e atenção por nossos confrades cozinheiros.

Evidentemente tivemos muitos outros vinhos servidos e muita conversa e comida compartilhados. Falar de tudo se torna muito difícil, lembranças ficam na memória e a certeza de que cada reunião é especial e única cada vez fica mais evidente. Ficamos a espera da próxima reunião! Mais uma vez agradeço aos anfitriões Comandante e sua esposa pela recepção calorosa em sua casa, além de todos os confrades pelas delícias e experiências trocadas!

Até o próximo!

Tuesday, October 2, 2012

Confraria Pane, Vinum et Caseus: Entre tapas & vinhos!

E chegamos àquela data especial de todo mês quando a confraria se reúne para degustar bons vinhos, comer belas comidas e mais do que isso, ter o convívio de pessoas incríveis e anfitriões de fazer você se sentir como se estivesse em casa conversando em família. O mais engraçado é que a cada mês o enfoque nos vinhos e na comida acaba sendo menor e as conversas, histórias e o enfoque na possibilidade de rever os amigos se torna mais evidente. E foi assim que fomos convidados a nos juntarmos para uma noite com apelo espanhol na Maison Piquet (apelido carinhoso que acabo de inventar).

O capricho e o carinho com que somos recepcionados desde o início da noite é de um prazer inenarrável aqui. Já que a temática da noite era espanhola, obviamente teríamos muitos vinhos e comidas típicas para apreciar. Mas nem por isso os recém iniciados no mundos dos vinhos ou que tem preferência pelo novo mundo são deixados de lado, com opções para todos os gostos. Eu seria muito pretensioso se quisesse discorrer sobre todos os vinhos por nós provados na noite, por isso resolvi apenas destacar alguns vinhos que me chamaram a atenção.


Começo então pelo rosé  Inurrieta Mediodía 2011, um vinho da região de Navarra e feito com a uva Garnacha, bem vivo e de coloração mais escura do que os rosés tradicionais, trazendo ainda aromas de frutas vermelhas em abundância com leves toques florais; já dos tintos uma boa pedida para o dia a dia foi o Paternina Banda Azul Crianza 2006, um Rioja bem típico feito com a uva Tempranillo e que apresentou aromas de frutos escuros, toques de especiarias e terrosos com um bom corpo e acidez na medida e segundo o "presidente da confraria" um vinho para algo em torno de 30 dinheiros, um baita custo benefício; para finalizar os vinhos destacados, o Pequeñas Bodegas Malbec, um bom exemplar de nossos hermanos (ainda sem importador aqui no Brasil), sem muita madeira aparente e com os típicos aromas de frutas escuras e flores em evidência, num corpo mediano com taninos já domados e boa acidez. Ainda tivemos muitos outros vinhos interessantes, mas estes foram meus destaques pessoais.


Já no lado das tapas, mais um deleite. A começar pela salada de frutos do mar com molho de limão siciliano sobre folhas de endívia preparada pela confrade Lucinéia, de cair o queixo com a textura dos moluscos/crustáceos utilizados (polvo/lulas/etc) e o toque amarguinho da endívia para quebrar um pouco da força do prato, passando por totillas preparadas pelo confrade John e sua esposa chegando ainda aos pães recheados (puxando o lado italiano da confraria, sempre presente) feitos pelo confrade Luiz, muito macios, recheados hora com calabreza, hora com queijo e presunto deixando a noite de todos muito agradável. E não foi só isso, ainda tivemos brusquetas deliciosas, embutidos típicos e deliciosas sobremesas feitas pelo casal anfitrião. Se eu fosse comentar individualmente de cada prato, precisaria de muitas outras linhas...

E assim que se passou mais uma agradável noite da confraria, com a certeza de que a cada reunião, amizades se fortalecem, descobertas gastronômicas e enofílicas são feitas e a vontade de que o mês se passe rápido para que a nova reunião aconteça. E eu estarei lá.

Só me resta agradecer mais uma vez aos anfitriões da noite por abrirem as portas de sua residência e nos receberem de uma forma tão calorosa e amigável, aos confrades pela oportunidade de nos reunirmos de novo e a todos envolvidos pela grande noite que tivemos.

Até o próximo!

Monday, August 27, 2012

Confraria Pane, Vinum Et Caseus: Vinho e Feijoada combinam?

E chegamos a mais um dia de encontro da confraria com muita curiosidade, afinal o desafio deste sábado seria realmente grande: como harmonizar este prato tipicamente brasileiro, a feijoada, com vinhos e ainda mais contando com o calor fora de época que vinha fazendo em São Paulo nestes últimos dias? Mas é assim que aprendemos e é o que torna o mundo do vinho tão surpreendente. E não é que tivemos boas surpresas?

O cenário mais uma vez era o receptivo ambiente externo do prédio da confreira Lucinéia, que faz questão de ser mais amável a cada vez que nos recebe em sua residência. Com o dia lindo que se formava no sábado, a escolha pelo ambiente externo se fez mais do que acertada, afinal estávamos em uma mesa única e grande, onde todos poderiam se sentar juntos e dividir as impressões sobre a tarde que se desenhava. Como já é de praxe, fomos recepcionados com uma repleta seleção de entradinhas entre patês (destaque para o já conhecido e imbatível patê de bacalhau), salgadinhos e outros. Para acompanhar as entradinhas nos foi servido o espumante nacional Casa Valduga Arte Elegance, um demi-sec com leve açúcar residual, essencialmente frutado e com uma deliciosa e refrescante acidez. O primeiro tiro foi no alvo!


Conforme o pessoal ia chegando e se acomodando, se aproximava a hora do grande desafio da tarde. Nosso "presidente", o Fabio (também blogueiro do vinhos-por-barnes.blogspot.com), competente e conhecedor que é nos presenteou então com uma pequena palestra sobre os vinhos e os tipos de harmonização que seriam testados na tarde que viria. Como sabemos, a feijoada é um prato com um peso grande, muita gordura, sal e pimenta em evidência. É portanto um prato de difícil harmonização com vinhos. E devido as características do prato, alguns vinhos foram escolhidos: o espumante Casa Valduga 130, o Terraza Isula Rosé, Anakena Single Vineyard Pinot Noir, Antonio Dias Tannat e finalmente o Sottano Gran Reserva Cabernet Sauvignon. Características como acidez, taninos e corpo foram levados em conta para tal desafio. 

Vale ressaltar que mais uma vez a Néia, nossa confreira e cozinheira da tarde, se superou e conseguiu entregar uma feijoada espetacular. Carnes tenras, sal na medida, gordura balanceada e acompanhamentos de tirar o fôlego de qualquer glutão, era de se imaginar que independentemente do vinho escolhido, o prazer seria garantido. E olha que os acompanhamentos eram também barra pesada: bistequinha frita bem sequinha e deliciosamente suculenta, couve cozida com bacon na medida (sem ficar seca nem tão pouco dura) e torresminhos de cair o queixo. E com tantos vinhos a escolher e provar juntamente com a feijoada, cada um tinha o seu preferido e a harmonização não gerou unanimidade. Desta vez, sem pretensão ou egoismo, irei falar por mim. Meu vinho preferido com a feijoada foi o Sottano Gran Reserva Cabernet Sauvignon, devido a sua estrutura, o tripé taninos, acidez e corpo fez com que o vinho não sumisse junto com a comida e ainda que não criasse o famoso terceiro sabor, fez bonito e acompanhou bravamente o prato. Ponto pros hermanos!

E para aqueles que acham que é pouco, ainda teríamos a sobremesa!! Mais uma vez fomos divinamente presenteados com um pudim de tapioca que me deixou numa sinuca de bico dada a falta de palavras para elogiar o prato tamanho o deleite causado pelo mesmo. Fico com o simples: que delícia! E a brincadeira só se encerrou quando provamos um vinho de sobremesa fortificado, estilo porto, feito em Santa Catarina que eu, como bom blogueiro que não sou, esqueci de tomar notas ou tirar fotos da garrafa. Uma pena que faltava um pouco de acidez ao vinho, mas tornou mais doce o final da reunião.

E que venha a próxima! O tema: ficará em segredo até o relato da reunião!

Cheers!

Wednesday, June 20, 2012

Confraria Pane, Vinum et Caseus: Uma tarde italiana

Domingo passado foi dia para mais um encontro da confraria, que se utilizando das dependências do prédio do confrade Luiz, criou mais um dia daqueles em que nada mais importa, apenas o prazer e a companhia de pessoas agradáveis. O tema deste encontro foi Itália, tanto na comida como nos vinhos, e a organização e preparação dos quitutes a cargo do Luiz. E ele se superou!


Fomos recebidos no salão do prédio com uma entrada composta de pão italiano fatiado e uma bela caponata composta de berinjela, azeitonas bem graúdas, uvas passas e muito azeite. Estávamos começando bem, eu diria. O confrade John, como bom americano nos apresentou um belo exemplar de seu país, e discutimos um pouco sobre o mesmo. Como o assunto era Itália, talvez eu fale sobre este em outro post.

A medida que o tempo passava, mais e mais confrades chegavam. E a confraria começou a disponibilizar então os vinhos da tarde. O primeiro deles é um IGT Toscano, o Dogajolo 2009, chamado também de um baby super toscano pelo próprio produtor (Carpineto), um vinho feito com até 70% de Sangiovese e um mix de Cabernet Sauvignon e outras uvas tintas de até 30% (esta proporção pode variar de safra para safra) sendo que os vinhos são vinificados separadamente e depois feito o blend e envelhecidos em carvalho já na proporção final. Um vinho de corpo médio, acidez na medida, taninos finos e pouco presentes, extremamente frutado com toques de baunilha e especiarias. Agrada embora simples, mas nada mais do que isso.

Era chegada a hora do prato principal, e olha, não estávamos pra brincadeira. O confrade Luiz havia preparado um belo fuzili ao molho de calabresa especial! A massa se encontrava al dente e o molho com aquela picância característica da calabresa criando um casamento muito interessante. Para este prato a confraria apresentara dois vinhos, e sem maiores delongas, vamos a eles. O primeiro era um Dolceto D'Alba Arsigà 2008 da Batasiolo, um gigante player italiano. Este vinho é feito com uvas 100% Dolceto de 4 vinhedos na região de Alba e de Arsigà, criando um vinho único. Termina a fermentação em carvalho e passa por 4 a 5 meses em garrafa antes de ser comercializado. Mais encorpado do que comumente os Dolcetos os são, este vinho possuía aromas de frutos escuros com toques de baunilha,com taninos finos e domados mas com uma acidez deliciosamente refrescante, fazendo um casamento perfeito com o prato principal; o segundo vinho era um Barbaresco Batasiolo, o famoso vinho primo dos Barolos lá do Piemonte. Este vinho feito de uvas Nebbiolo, é envelhecido por um ano em carvalho antes de passar um ano em garrafa para ser então liberado para o mercado. Um vinho já com traços evoluídos, aromas de frutos secos com alguma coisa floral. Bom corpo, acidez e taninos presentes em quantidade perfeita, enfim, um belo vinho. Infelizmente porém, não foi o mais feliz com a comida apresentada.

Chegávamos então na hora da sobremesa e a esposa do nosso confrade, a Débora não queria deixar por menos e caprichou no doce: camada de pão de ló, frutas cristalizadas e uma camada de chocolate amargo por cima para dar o toque final. E assim terminávamos mais um encontro de forma deliciosa aguardando com ansiedade a próxima reunião.

Até o próximo!

Monday, March 26, 2012

Confraria Pane, Vinum Et Caseus: mais uma noite de gala

E foi neste final de semana que aconteceu o encontro mais esperado de todo mês, o encontro da Confraria Pane, Vinum et Caseus. E eu digo isso por que estes encontros são recheados de boas companhias, excelentes vinhos e muito comida de primeiríssima linha, sem nos esquecermos é claro dos anfitriões que sempre nos recebem maravilhosamente bem em sua casa. E não foi diferente neste final de semana.

As vezes, os confrades que normalmente tem o costume de chegar mais cedo, bem próximos ao horário marcado são recepcionados com um vinho especial. O desta noite foi um espanhol, o Dueto de Fontana 2004, um representante da região de La Mancha feito num corte 50/50 Cabernet Sauvignon e Merlot., vinhaço que trazia aromas marcantes de couro, frutas escuras e algo de tostado. De muita complexidade, mostrava também ótimo corpo e acidez, ainda com taninos finos e presentes. Já dava indícios que a noite seria uma beleza!


A partir dai entre a chegada de um confrade e a conversa sendo derramada por todos os cantos, alguns vinhos já conhecidos da confraria começaram a ser abertos e as taças começaram a trabalhar bastante nesta noite. Foi quando o primeiro escolhido para a noite fora desarolhado: o Montaia IGT Sangiovese 2006, vinho frutado, de corpo leve e boa acidez. Um vinho simples mas muito gostoso, e que abria com alegria a reunião da confraria. Mas o melhor ainda estaria por vir.


Era chagada a hora da estrela principal da noite. O jantar estava para ser servido e era composto de uma salada verde com peras e queijo gorgonzola, divinamente combinados com um molho honey mustard deixando a entrada já deliciosa. O sabor mais forte e salgado do queijo se contrapunha a leve doçura da pera e ao ácido do molho, formando um belo conjunto. Já o prato principal seria um Magret de Canard com Risoto de Abobrinhas e batata palha. O risoto estava divino, al dente e suculento ao mesmo tempo, ao passo que o pato estava realmente no ponto, sem ficar ressecado e com um sabor incrível! Mas e o(s) vinho(s) escolhido(s) para acompanhar tamanho banquete? A não poderia ser outra opção a não ser dois belos exemplares hermanos da Bodega Sotano: os Reserva da Família Cabernet Sauvingon e Malbec. A Bodega é conhecido por trabalhar no estilo boutique, com pequenas produções e foco na qualidade. E ambos os vinhos comprovaram a história: O Malbec mais potente, com aromas típicos de ameixas pretas, floral, toques achocolatados ao passo que o Cabernet um pouco mais sóbrio, herbáceo um pouco mais evidente, frutas em segundo plano e leve toque de baunilha. Muita tipicidade em ambos. E o casamento perfeito, a meu ver, foi do prato com o Malbec.




















Mas quem pensa que este era o gran finale da esbórnia enogastronomica se enganou completamente. Ainda havia espaço para a sobremesa e mais uma surpresa na noite. A sobremesa era uma bela torta mousse de chocolate e nozes, divinamente acompanhada por salada de frutas e calda de groselha. Nem preciso dizer que dava água na boca e que a torta combinava a maciez do mousse com a crocância das nozes em sabores intraduzíveis para palavras. E para acompanhar a sobremesa, uma surpresa: um vinho de sobremesa francês, o Domaine Bordenave-Coustarret Jurançon 2008, feito a partir das uvas Petit Manseng e Gros Manseng, o líquido que lembrava ouro derretido tinha aromas cítricos, florais e algo empireumáticos, lembrando por vezes vinhos oriundos de uvas botritizadas (não sei se isso acontece neste vinho). Preenchia a boca e era quase mastigável, com sua doçura e corpo contrabalanceados a uma boa acidez. Mais um casamento delicioso.


Depois disso ainda ficamos ao som de nossos confrades ao karaoke, com muita conversa por vir e mais vinhos. Mas a partir daqui meu senso de discernimento não estava mais funcionando 100% e eu só guardo na memória os bons momentos que tive, aguardando os próximos encontros!

Até o próximo!

Monday, February 6, 2012

Confraria, frutos do mar, vinhos e amigos!

Este final de semana tivemos mais um encontro da Confraria Pane Vinum Et Caseus e foi mais uma noite digna de rememorar por um bom tempo. Entre muita boa comida, bons vinhos e amizades, é sempre bom participar destas reuniões. Sem dizer que sempre somos muito mais do que bem recebidos pelos anfitriões, o que por si só já vale a visita.


Já na chegada fomos recepcionados com dois vinhos rosés interessantíssimos, com propostas bem diferentes e de regiões bem diferentes: um da Ilha da Córsega e um do calorão lá dos patamares do Douro, em Portugal. O primeiro era o Terraza D’Isula Sciaccarellu-Gris de Cinsault, se mostrou mais austero e com toques minerais, mais leve e com uma sensação mais tânica enquanto que o segundo, o Rosé Caves Santa Marta Duro 2008, muito mais macio, aromático, muita fruta porém com um pouco menos de acidez, nada que faça entretanto o vinho ser pior ou melhor. Dois vinhos interessantes e que servem como bons vinhos para aperitivo, recepcionando seus convidados ou para comidas mais leves.


Logo depois a coisa começou a ficar um pouco mais sério e a ala portuguesa da confraria (sim, a confraria conta com uma legião de lusitanos) começou a mostrar seus dotes mais uma vez. Se utilizando de um "equipamento"vindo diretamente da terrinha (que mais uma vez eu esqueci de fotografar) começaram a preparam um chouriço autenticamente português, flambado em álcool. Por fora ligeiramente tostadinho e por dentro uma bela e tenra porção de carnes de caça deliciosa. Foi aqui que começaram a servir alguns vinhos tintos interessantíssimos e começamos a assistir um embate Alentejo x Douro. De um lado um vinhaço da Herdade do Esporão, o Esporão Private Selection Tinto 2007, feito com uvas Alicante Bouschet e Aragonês, o vinho se mostrava carnudo, volumoso, com compota de frutas, floral, tudo muito exuberante e final longo e do outro o Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo Grande Reserva 2007, feito com touriga nacional e o restante de vinhas velhas, trazendo aromas que remetem mais ao velho mundo, couro, baú, corpo médio, boa acidez com um grande final. E fomos assim, curtindo o chouriço e os vinhos enquanto aguardávamos as pessoas que ainda não haviam chegado. Eu confesso que preferi o Douro, mas a maioria foi de Alentejo. De qualquer maneira, dois baita vinhos só pra começar a noite.




Algum tempo depois, todos já haviam chegado e o jantar iria ser servido. Aqui realmente subimos de patamar. Para o jantar tínhamos de entrada mousse de salmão e cuscuz de camarão. Ambos incrivelmente preparados e saborosíssimos. O mousse com uma consistência incrível e o salmão podia ser sentido a cada mordida, já o cuscuz muito saboroso, camarões em profusão com uma leve sensação de pimenta dando alma pro prato. Já o prato principal era composto de camarão na moranga com arroz branco, muito cremoso e fresco, com catupiri dando um toque mais do que especial e o leve dulçor da moranga contrapondo com os sabores fortes do prato. Para acompanhar os pratos foram escolhidos dois vinhos: os Chablis 1er cru Fourchaume 2006 Château de Maligny e o Chablis 1er cru Monteé de Tonnerre 2006 Château de Maligny, ambos do Domaine Jean Durup et Fils e feitos como manda a tradição/legislação da Borgonha, exclusivamente com uvas chardonnay. Confesso que minha pouca experiência com Chablis e 1er Crus além do nível alcoólico que já me encontrava a esta altura impediam de uma análise mais precisa, mas ambos os vinhos tinham uma vivacidade ainda interessante pela idade, já apresentando coloração tendendo ao dourado e traziam aromas de frutas brancas e algo de mineral, lembrando giz e talco. Além disso eram bem gordinhos e preenchiam a boca ajudando a limpar as papilas gustativas entre uma garfada e outra. Eu sinceramente adorei ambos os vinhos.


Para fechar a noite viria a sobremesa, ah a sobremesa, esta não poderia faltar. Um belíssimo e delicioso mousse de chocolate com nozes, incrivelmente tenro e com sabores inenarráveis aqui. Para acompanhar ainda teríamos uma linda surpresa: um belíssimo Porto LBV Taylor's 2005 servido em copinhos de chocolate, simplesmente atingimos os céus!!!


E assim fechamos mais um belo encontro da confraria com louvor. Agradeço a todos pela receptividade e aguardo ansiosamente os próximos encontros.

Até o próximo!