quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Confraria Pane, Vinum et Caseus: "un buon pranzo italiano"

Apesar da volta as atividades enofílicas, o domingo amanheceu cinzento, triste, lacrimoso, como se quisesse nos tirar a vontade de sairmos para mais uma orgia enogastronômica que se aproximava. Confesso que nem isso era suficiente pois além da saudade do pessoal, dos bons pratos e bons vinhos, minha recente "abstinência" em virtude da saúde (falta de) só fazia crescer a animação. Era dia de mais um encontro da Confraria Pane, Vinum et Caseus! E um encontro especial, afinal nossos anfitriões da tarde Marcelo e Rosangela faziam aniversário de casamento na mesma data.


Já comentei por aqui que no quesito receptividade e amabilidade nossos anfitriões fizeram pós graduação e costumam dar aula, o que não foi diferente desta vez. Fomos também recepcionados com alguns beliscos enquanto esperávamos a chegada dos demais membros. Entre estes beliscos amendoins, uvas passa, pães e uma bela caponata de berinjela que logo se tornou sucesso. 



Antes que passássemos então ao almoço em si e aos vinhos porém, uma surpresa: iríamos brindar ao aniversário do casal anfitrião da tarde. E o presidente da confraria, Fabio, e seu faro apurado em garimpar vinhos nos trouxe a oportunidade de conhecermos a linha de espumantes Brut e Brut Rose da Vinícola Santa Augusta, que fica situada em Santa Catarina, no Sul do país. O mais curioso destes vinhos é que ambos possuem em sua composição grande porcentagem de uvas tintas como Cabernet Sauvignon e Merlot. Ambos muito frescos, cada qual com seus aromas de frutos (o brut puxa mais para as frutas brancas e o rosé para as vermelhas) com boa perlage e persistência, muito equilibrados e que agradam em cheio mesmo aos que não estão tão acostumados com o vinhos espumantes. Uma ressalva ainda para a sabragem feita pelo nosso presidente, mostrando que sabe tudo e mais um pouco de vinhos!



Depois deste começo sensacional passamos então a conhecer quais seriam os vinhos e os respectivos pratos para sua possível harmonização. O primeiro vinho da tarde era um Chianti simples porém ordinário, daqueles para se beber despretensiosamente acompanhando uma refeição. Era o Ponte Vecchio Chianti DOCG, contando com Sangiovese, Canaiolo entre as mais tradicionais uvas de seu corte, o vinho se mostrou alegre, com boa acidez, corpo leve e saborosamente agradável. Detalhe para a garrafa entrelaçada de palha uma homenagem aos produtores de antigamente. E o negócio começava a ficar sério quando o presidente mostrou o San Biagio Rosso di Montalcino, vinho produzido pela já conhecida Vinícola Camigliano e que se mostrou bem típico, feito com 100% de Sangiovese (seu clone grosso ou Brunello) e com seus aromas terciários florescendo, com toques animais e terrosos além de um tradicional floral. Pra mim, o preferido da tarde sem dúvida nenhuma. E quem achava que tinha acabado se deu mal, pois eis que o presidente tira da cartola o Podere Il Pozzo Canto Lupo 2007, um supertoscano interessante, com uvas francesas em corte com a Sangiovese e que trás um quê de novo mundo aos vinhos Toscanos. Toques de frutos escuros maduros e baunilha são os mais percebidos aqui. Outro grande vinho só que com outra proposta. De lambuja ainda abrimos um Barbaresco Batasiolo 2006, incrivel como este vinho sempre surpreende com frutas secas, floral e um final longo e saboroso.


Aqui você deve estar se perguntando quais os pratos para tanto vinho, certo? E não é que fomos de salada mista de folhas verdes, couscous marroquino, lasanha a bolonhesa com um toque de molho branco, penne aos quatro queijos e/ou molho de linguiça. Tudo incrivelmente preparado pela ala "italiana"da Confraria, capitaneados pelo nosso vice presidente Luiz. Massa al dente, molhos polpudos e recheados, tudo que não pode faltar em uma típica cozinha ítalo-brasileira. Confesso que do lado da minha família, a lasanha fez sucesso!

Já estávamos perto do final de mais uma tarde agradável em meio a pessoas amáveis, bons pratos e grandes vinhos quando fora servida a sobremesa: naked cake com ganache de chocolate e frutas e sorvete de queijo com calda quente de goiabada. E para surpresa geral da nação o presidente deu o golpe de misericórdia: um espumante Moscatel Santa Augusta, que feito pelo método Asti, acabou por deixar a todos em êxtase. Era o fim, mas, precisávamos de mais? 

Até o próximo!

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