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Wednesday, May 6, 2020

Moonlight Harvest Pinot Grigio

Hoje voltamos a programação normal, voltamos a falar de vinhos, especialmente vinhos canadenses. E eu diria que no mínimo, é curioso a maneira como ele é produzido. Segundo o produtor, todos os seus vinhos tem suas uvas colhidas no período noturno, sob a luz do luar. Além de toda a mística que o produtor tenta passar com essa afirmação, de que o vinho acaba por capturar as essências e mistérios da noite, esse método de colheita normalmente é empregado em lugares mais quentes tentando fazer com que as uvas sejam colhida em temperaturas mais amenas, retardando assim o processo fermentativo durante a colheita e transporte das mesmas para a vinícola. Enfim, vamos ver se descobrimos um pouco mais sobre ambos, o produtor e o vinho.


A Copper Moon Wines produz seus vinhos em Kelowna, British Columbia, aqui no Canadá. Esta é uma marca popular de propriedade de Andrew Peller, Ltd. Tudo começou em 1927, quando Andrew Peller chegou ao Canadá vindo da Hungria. Tendo possuído uma série de negócios de sucesso, ele veio aqui para finalmente perseguir seu sonho. Ele imaginou um dia em que canadenses, como europeus, passariam a apreciar vinhos de alta qualidade e a compartilhá-los com familiares e amigos. Ele perseguiu seu objetivo e estabeleceu a Andrés Wines Ltd., a caçula das grandes vinícolas canadenses de Port Moody, B.C. em 1961. Desde então, passou a adquirir e inaugurar vinícolas nas mais renomadas áreas vitivinícolas do Canadá, passando por Manitoba e Ontário, por exemplo.

Voltando ao astro principal do nosso post de hoje, o Moonlight Harvest Pinot Grigio é um vinho feito a base de 100% uvas Pinot Grigio de suas plantações em BC. Não passa por madeira nem nada. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou coloração amarelo palha com reflexos esverdeados, bom brilho e limpidez.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos cítricos e tropicais, toques de flores brancas e leve lembrança de mel, com algum tempo em taça.

Na boca o vinho apresentou corpo leve aliado a uma ótima acidez. O retrogosto confirmou o olfato, dando a sensação de estar comenda frutas bem maduras e suculentas. O final era de média duração.

Mais uma boa opção para se conhecer neste vasto mundo vinícola canadense, um vinho para o dia a dia e com um preço bem acessível. Leve e descontraído, pode ser um bom companheiro de um bom papo ou mesmo para entradinhas mais leves. Vale provar.

Até o próximo!

Saturday, April 25, 2020

Jackson-Triggs Proprietor's Selection Shiraz

No último post, trouxemos a primeira dica de vinho canadense por aqui, um vinho branco feito com a uva Chardonnay, fruto da paixão e comprometimento do proprietário da vinícola em criar vinhos de qualidade. Hoje traremos uma vinho tinto, fruto de uma das vinícolas mais tradicionais e premiadas aqui do Canadá. Hoje vai ser dia do Jackson-Triggs Proprietor's Selection Shiraz.


A Jackson-Triggs é uma vinícola canadense com vinhedos no vale de Okanagan, na Colúmbia Britânica e na Península de Niagara, em Ontário. Fundada em 2001, a Jackson-Triggs Niagara Estate Winery é uma das instalações de vinificação tecnologicamente mais avançadas do Canadá e emprega um sistema de vinificação assistida por fluxo de gravidade que elimina o bombeamento. Com ênfase na elaboração de vinhos VQA super e ultra premium, os 11,5 acres adjacentes à vinícola foram plantados apenas com os melhores clones e porta-enxertos de uvas viniferas, enxertados sob encomenda na França. Pinot Noir, Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Syrah são os mais cultivados no vinhedo de Delaine, enquanto variedades brancas como Chardonnay, Riesling, Sauvignon Blanc, Gewürztraminer e Sémillon completam as plantações. Além de fornecer uvas para o rótulo ultra-premium Jackson-Triggs Delaine Vineyard, o vinhedo também serve como um centro de pesquisa dedicado a maximizar a qualidade da fruta, rastreando o impacto de diferentes combinações de clones e porta-enxertos, técnicas de poda, solos e condições climáticas. variedade de variedades de uva.

Falando exclusivamente do Jackson-Triggs Proprietor's Selection Shiraz, podemos ainda dizer que é um vinho feito a partir do blend de uvas Syrah das melhores regiões produtoras de vinho no Canada e, até onde pude apurar, sem passagem por madeira. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e com alguma cor também se faziam notar.

No nariz o vinho trouxe aromas de frutos escuros maduros, algo de noz moscada, pimenta sob um ligeiro fundo mineral.

Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Um Syrah de clima frio, sem exageros de madeira e coisas do gênero que se torna uma boa opção por aqui para tomar despropositadamente com amigos e família (pós quarentena) ou mesmo acompanhando algum prato de carne sem exagero de temperos. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Tuesday, April 21, 2020

O'Leary Unoaked Chardonnay 2018

Já estou a algum tempo aqui no Canadá e, embora tenha falado sobre alguns restaurantes que aproveitei por aqui, ainda não parei para falar sobre os vinhos nacionais que tenho provado. Confesso que não conhecia muita coisa sobre os vinhos do Canadá, além dos já famosos Ice Wines, entretanto tenho feito o sacrifício hercúleo (é uma piada, caso não tenha soado como tal) de provar vários vinhos de diversas vinícolas e chegou a hora de compartilhar algumas impressões com vocês por aqui. Hoje falaremos do O'Leary Unoaked Chardonnay 2018, um vinho proveniente da região da Península de Niágara, na província de Ontário. 


Antes, alguns detalhes sobre a viticultura no Canadá. A Vintners Quality Alliance, ou VQA, é um sistema regulatório e de denominação que garante a alta qualidade e autenticidade da origem dos vinhos canadenses produzidos sob esse sistema nas províncias de Colúmbia Britânica e Ontário. É semelhante aos sistemas reguladores da França (AOC), Espanha (DO), Itália (DOC) e Alemanha (QmP). Já a Península de Niágara é a maior região produtora de vinho do país, com 101 vinícolas na região produzindo 2.047.481 caixas de nove litros de vinho no ano de 2018.

Voltando ao vinho de hoje, a O'Leary Fine Wines é fruto do amor e paixão de Kevin O'Leary, empresário, autor, político e personalidade de televisão (além de dono da vinícola). Segundo ele, seu padrasto foi quem o apresentou ao vinho e sendo assim, ele nunca mais olhou para trás. Na vida, teve a oportunidade de beber os melhores Bordeaux e Borgonha, tendo visitado quase todos os viticultores dos vales de Napa e Sonoma, na Califórnia, provando seus vinhos mais icônicos. Além disso, experimentou os vinhos de Chipre, norte da África e muitas outras grandes regiões produtoras de vinho, enquanto percorria por entre suas videiras. Criou então a O'Leary Fine Wines com o intuito de dar aos americanos acesso a vinhos incríveis por um preço incrível. Ainda segundo ele, 97% do vinho vendido nos Estados Unidos está abaixo de US $ 14,95 e, no entanto, quase todo o vinho não é o que ele beberia. Após meses de tentativas e erros, trabalhando e retrabalhando, seu Chardonnay é o xodó da vinícola e para O'Leary, já se tornou seu principal vinho branco para amigos e familiares. Além disso, muito se fala de seu Cabernet - a audácia arrogante do nariz e a abordagem suave e elegante no paladar foram surpreendentes, ainda segundo ele. Vejamos o que temos pra hoje.

O O'Leary Unoaked Chardonnay 2018 é um vinho feito a partir de uvas 100% Chardonnay da região de Niagara Peninsula, em Ontario, no Canada e segundo o rótulo, não tem passagem por madeira. Vamos finalmente as impressões sobre o vinho?

Na taça o vinho apresentou coloração amarelo palha com toques esverdeados, bem límpido e brilhante. Lágrimas um pouco mais gordinhas porém bem rápidas também estavam presentes.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos maduros variando entre tropicais e cítricos (abacaxi, pêssego e melão), leve toque de baunilha e mineral além de uma lembrança floral. 

Na boca o vinho apresentou um corpo médio e apesar de não ter passagem por madeira, deve ter se utilizado de um período em contato com as leveduras para um maior aporte de aromas e corpo, pois apresenta alguma cremosidade em boca, contrastando com uma acidez considerável, até um pouco acima do que eu esperaria em um Chardonnay. O final era de média para longa duração.

Um bom vinho branco e para mim particularmente, uma descoberta aqui em terras canadenses. Eu recomendo a prova, caso tenham a oportunidade. Foge um pouco do mundo comum que estamos acostumados quando falamos em Chardonnays norte americanos (principalmente Napa e arredores).

Até o próximo!

Monday, February 17, 2020

Winterlicious: Cibo Wine Bar, o que Toronto tem de melhor na culinária italiana.

A cidade de Toronto, em parceria com uma série de restaurantes e bares locais, criou a alguns anos uma espécie de festival gastronômico chamado Winterlicious (um mix de Winter com Delicious, ou inverno com delicioso), com o intuito de promover estes estabelecimentos e gerar uma oportunidade única para que as pessoas tenham acesso a restaurantes e pratos que normalmente não teriam. Tudo isso por que o festival tem menus com entrada, prato principal e sobremesa a preços fixos, que variam entre almoço e jantar. Assim, você não precisaria se preocupar com a conta uma vez que você já saberia o quanto iria pagar, e este valor é bem mais acessível do que o dia a dia nestes restaurantes. O valores giram em torno de 23 a 33 dólares no almoço (depende do nível do restaurante, assim por se dizer) e 33 a 53 dólares no jantar. Quem aí lembrou do Restaurant Week ai no Brasil? Pois é, eu diria que esta é uma versão aprimorada pois os restaurantes que provei estavam simplesmente sensacionais. O único problema, e eu peço desculpas mais uma vez a vocês, é que meu timing ainda não está acertado 100% com o blog e meus afazeres, e o festival deste ano já acabou (foi de 31 de Janeiro a 13 de Fevereiro). Mas como temos o festival todo ano, a idéia é se programar para aproveitar ainda mais o ano que vem. Hoje vou falar do primeiro dos restaurantes que visitei, o Cibo Wine Bar.

Detalhe da cozinha aonde os pratos são preparados no fundo do salão

Elegância e sofisticação são a marca do local

Detalhes para a arrumação da mesa

O Cibo Wine Bar é um dos maiores e mais novos restaurantes italianos na área de Uptown Yonge Street. Criado pelo Liberty Entertainment Group, conta com um ambiente arrojado e bonito, numa mistura do chique industrial rústico com um quê do moderno vindo do velho mundo. Sua culinária é dita como inspirada no sul da Itália, sempre fresca e detalhe, é feita aos olhos do cliente em um enorme balcão aberto nos fundos do salão. Possui ainda uma premiada sala climatizada de vinhos com dois andares e muito muito vidro e sofisticação. Como dito anteriormente, os valores do almoço eram ligeiramente mais acessíveis e então, aproveitamos que tínhamos esta opção e assim foi feito.

O menu do Cibo para o Winterlicious era composto conforme as opções abaixo:

Cardápio do Winterlicious

De entrada, fomos unânimes e escolhemos a berinjela a parmegiana, e como estávamos certos! Apesar de frita, é claro, a berinjela estava bem sequinha e crocante, com a milanesa devidamente grudada e sem desmontar. O molho de tomate estava delicioso e o queijo parmesão adicionava o sal necessário além de mais uma camada de crocância a receita. Uma folha de manjericão completava o conjunto adicionando cor e claro, muito perfume. Vejam por vocês mesmos:


Já os pratos principais foram bem divididos mas igualmente saborosos: as escolhas variaram entre Linguine ao molho pesto e frango; Tagliatelle com cogumelos, presunto cortado em juliene ao molho de vinho branco e por fim, um belo Panini recheado com short rib braseado, cebola crocante, rúcula e gorgonzola. Difícil dizer qual era o melhor. As massas são frescas e feitas na hora, cozidas al dente de maneira genial com molhos igualmente sensacionais e o panini parecia explodir de tanto recheio, de uma carne que derretia na boca. Mais uma vez, trago imagens pornográficas abaixo. Fiquem com elas:

Tagliatelle com presunto e cogumelos

Panini de short rib

Não tinha como ficar melhor. Pensando bem, ainda restava a sobremesa. Meus amigos e amigas, o que posso dizer sobre isso? Entre um "quase" mousse de chocolate branco com framboesas e pistache, um creme brulée com amaretto e um semi-freddo de chocolate meio amargo, salted caramel e laranja fica difícil eleger um vencedor, certo? Todas sobremesas muito bem preparadas, sem estarem muito doces ou enjoativas e fechando um almoço com chave de ouro.

White chocolate Pistachio Budino
 
Amaretto Creme Brulée

Dark Chocolate Semi-Freddo

Mas como eu poderia me esquecer? Teve vinho sim para acompanhar todo este banquete. O escolhido do dia foi o Cantine Due Palme Primitivo de Salento. Um vinho macio, com muita fruta escura, baunilha, chocolate e alguma especiaria. Taninos integrados com uma boa muito macia e com um final longo. Foi uma boa escolha, acompanhou bem os pratos. Eu recomendo a prova.

Cantine Due Palme Primitivo de Salento

Em suma, um belo restaurante com um ótimo ambiente, e claro, comida sensacional. Conhecer lugares como esse em oportunidades únicas faz valer cada centavo. Eu recomendo a visita.

Até o próximo!

Sunday, February 9, 2020

Little Italy e Trattoria Traverniti: um quê de Itália em Toronto

Assim como a maioria das grandes cidades do mundo, Toronto também é bastante conhecida por ser uma cidade cosmopolita e influenciada por uma infinidade de outras culturas, fruto de uma imigração intensa em épocas passadas, e nos dias atuais também. E um dos frutos desta imigração, se é que podemos chamar de fruto, são comunidades ou distritos em que pessoas de uma mesma ascendência costumam estar em maioria e criar raízes, gerando uma infinidade de negócios, bares, restaurantes e afins, com um "sotaque estrangeiro". Este é o caso de Little Italy, a comunidade italiana em Toronto.



Localizado a Oeste da rua College (College Street West) e apesar de não ser tão característico como outros distritos da cidade, possui forte ligação com a terra da bota e seus costumes. As lâmpadas da rua tem formato do mapa da Itália (a famosa bota), as placas com os nomes das ruas tem as cores da bandeira da Itália e existem uma série de restaurante e bares bem típicos, eu diria até que parecem ter saído de um filme. E hoje falaremos de um deles em especial, que é a Trattoria Traverniti.


O Trattoria Taverniti serve cozinha italiana autêntica e caseira no coração da Little Italy de Toronto. Uma verdadeira trattoria, este pequeno e acolhedor restaurante proporciona uma atmosfera intimista que te deixa a vontade, como se fossemos parte da família e estivéssemos todos na mesa em um almoço de domingo. Mesas de madeira? Presentes. Toalhas quadriculadas de vermelho e branco?Também.


O restaurante apresenta as receitas da família de Rosina Taverniti, a "nona" responsável pela cozinha. As vezes é possível ainda vê-la conversando com os clientes e discutindo os pratos e as impressões. O maior charme entretanto é que a massa é fresca e feita lá mesmo, com você quase como um espectador.Tudo é feito do zero e com ingredientes incrivelmente frescos e locais, quando possível.


A escolha não foi muito difícil e fomos de Spaghetti, eu com o meu preferido: carbonara; minha esposa nem pensou e amante dos camarões, pediu o "con Pomodori e Gamberi", ou seja, molho pomodoro e camarões. As porções são generosas e a massa, como era de se esperar, all dente no ponto. Simplesmente um deleite para os amantes da boa cozinha italiana. 

Além disso, eles tem uma seleção decente de vinhos (sim, conforme meu post anterior, este é um dos restaurante que tem licença especial para venda de bebidas alcoólicas). Escolhemos um típico Sangiovese Fantini do grupo Farnese, que foi o par perfeito com sua acidez pronunciada, aquele toque vinoso e taninos sempre contidos. Gostei da combinação.

Se estiver de passagem por Toronto e não souber onde almoçar, eu diria que a Trattoria Traverniti é um bom começo. E depois claro, venha nos contar o que achou. Isso se já não tiver passado por lá. Não perca tempo e divida conosco suas experiências.

Até o próximo!

Friday, February 7, 2020

Canadá, vinhos e mudança: um verdadeiro balaio!

Primeiro, como de costume, muitos aqui já perceberam que eu dei uma sumida do blog não é mesmo? Pois bem, isto se deu principalmente em razão de dois fatores: o baixo engajamento que o blog vinha tendo e, o mais importante, eu estava planejando minha mudança de país. Isso mesmo, você leu direito. Para aqueles que ainda não descobriram eu me mudei para Toronto, no Candá, em meados de Dezembro do ano passado por algumas oportunidades que sempre sonhei na vida. E isto dá um certo trabalho, afinal existe muita coisa que se precisa planejar e tirar do papel para que esta grande mudança não traga mais barreiras do que o necessário. Pois bem, passado um tempo, já estamos adaptados e levando uma vida praticamente normal, resolvi voltar por aqui e compartilhar experiências que venho tendo por aqui as quais eu realmente espero que os leitores que ainda continuam por aqui possam curtir.


O primeiro assunto que eu gostaria de trazer por aqui só poderia ser relacionado a vinhos, afinal este tem sido o mote principal do blog a anos. E veja só, esta tem sido uma das maiores diferenças que tenho notado até agora em relação ao Brasil. Explico, aqui no Canadá você não pode comprar vinhos em qualquer supermercado, padaria ou afins. Falando ainda mais especificamente da província de Ontario, onde está localizada a cidade de Toronto (aonde moro atualmente), um dos poucos lugares que se pode comprar vinhos é em uma rede de lojas chamada LCBO. LCBO é a sigla para “Liquor Control Board of Ontario” – ou em português “Conselho de Controle de Álcool de Ontário”, que além de vender vinhos, vende todos os tipos de bebidas alcoólicas - cervejas, whiskies, licores e afins. Lá encontramos muitos vinhos locais (não sabia que o Canadá tinha uma produção tão grande de vinhos, além do já conhecido Icewine) além de vinhos do mundo todo.


Tudo isso se torna ainda mais engraçado quando pensamos no consumo de bebida alcoólica por aqui sendo que apenas alguns restaurantes possuem licença especial para venda de bebidas alcoólicas e com algumas normas bem restritivas que dizem respeito a horário de venda, horário de abertura, etc. E nem pense em consumir bebidas alcoólicas em locais públicos ou você pode acabar se dando mal. Soa um pouco estranho pra nós, brasileiros não é mesmo? Afinal de contas as grandes redes de supermercados sempre foram fontes primárias para garimpar boas oportunidades quando falamos de vinhos no Brasil. Tudo isso remete aos meados dos anos 20 e a lei seca, quando da criação de tal órgão (LCBO).


A parte boa disso tudo, no entanto, é que o preço acaba por ser tabelado e, diferentemente do Brasil, você acaba não sendo explorado por importadores e revendedores sem muitos excrúpulos. Além disso, as lojas costumam ser bem grandes e se tornam verdadeiras missões de exploração para adultos. Por fim, existem preços para todos os bolsos com vinhos começando por volta de 7 dólares canadenses, algo em torno de 26 reais no câmbio de hoje. O lado ruim é que não se encontra uma variedade tão grande de rótulos quanto as que víamos no Brasil, mas eu diria que é mais do que suficiente.


O que acham deste tipo de legislação e modo de compra de bebidas alcoólicas? Concordam, discordam? Se alguém tem experiência de morar aqui em Ontário ou mesmo de ter passado temporada por aqui, está mais do que convidado a deixar seu relato nos comenários do blog. Voltamos com mais novidade em breve.

Até o próximo!!

Tuesday, January 15, 2019

Henry of Pelham Riesling 2017

Bom dia prezados leitores. Depois de um longo período de abstinência aqui no blog (e só por aqui, por que beber nós continuamos de maneira normal) estamos de volta. Peço desculpas pela ausência sem aviso mas, um mix de bloqueio criativo e uma série de outras situações em minha vida particular e profissional fez com que eu me afastasse neste período, período este que espero ter acabado. E voltamos por aqui com um vinho até então nunca degustado por aqui: um Riesling canadense. Vamos ver o que descobrimos sobre ele por aqui?


No final do século XVIII, o tataravô de Henry, Nicholas, recebeu a título de doação a terra em que se encontra a vinícola atualmente por seus serviços prestados durante a revolução, e mesmo tendo avançado seis gerações, a vinícola se mantém na mesma fazenda da família. O vinhedo de 300 hectares da Henry of Pelham está localizado no Short Hills Bench, sub-denominação da Península de Niágara, em Ontário, no Canadá. A vinícola foi nomeada Henry of Pelham a partir de Henry, cujo senso de humor bem seco, criou o apelido “Henry of Pelham” a partir de um primeiro-ministro britânico. Ele era um grande empreendedor, construindo uma pousada e taberna na propriedade e operando uma estrada de pedágio. Ele criou ovelhas. E cultivou uvas - algumas das primeiras a serem plantadas no Canadá. A sala de degustação e loja de vinhos estão na casa de carruagens de Henry. O Short Hills Bench é o mais oriental das sub-denominações localizadas dentro da Niagara Escarpment. Ela abrange a terra que se eleva da planície da península ao sul da Estrada Regional 81 até a Escarpment e situada entre o Twelve Mile Creek e o Fifteen Mile Creek. As colinas ondulantes e vales das Colinas Curtas, que repousam sobre um antigo vale enterrado que uma vez cortou o Niagara de Escarpa e ligado as bacias do Lago Ontário e do Lago Erie, proporcionam longas encostas suaves com excelente drenagem e exposição solar. Os dias quentes e ensolarados e as noites frias características desta área são perfeitos para desenvolver os intensos sabores da uva derivados de seus complexos solos. Todas as uvas dos vinhos Henry of Pelham Estate e Speck Family Reserve são cultivadas na sub-denominação Short Hills Bench.

Falando agora sobre o Henry of Pelham Riesling 2017, podemos ainda afirmar que o vinho é feito exclusivamente com uvas Riesling oriundas das vinhas mais velhas da Henry of Pelham (30+ anos) da região de Short Hills Bench fermentado em tanques de aço inoxidável. Vamos finalmente as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração amarelo palha com reflexos ligeiramente dourados, muito brilho e limpidez.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas  cítricas e tropicais, toques florais e minerais adicionando boa complexidade.

Na boca o vinho apresentou corpo médio com um acidez crocante e vibrante. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Um belo vinho sem dúvidas nenhuma, muito saboroso e de um local de onde ainda não havia provado vinhos. Fez par com comida japonesa e se saiu muito bem. Eu recomendo a prova. Veio na mala em minha última viagem a NY.

Até o próximo!

Friday, June 10, 2011

Provincia de Ontário quer limitar peso das garrafas de vinho

Mais uma notícia que tem ligação com o meio ambiente e sustentabilidade. Retirada também do site da revista Decanter. Tradução livre feita por mim. Após a leitura, deixem suas opiniões nos comentários do blog. Reportagem de Rebecca Gibb.

A província canadense de Ontário está liderando um movimento que vai de encontro com a diminuição do peso de engarrafamento colocando um limite para o peso máximo dos vinhos que aprova.

O órgão governamental Liquor Control Board of Ontario (LCBO) diz que não irá mais estocar qualquer vinho que tenha sido engarrafado em vasilhames que possirem mais de 420g a partir de 1o de janeiro de 2013.

Em uma carta vista por um reporter da Decanter, o vice presidente de vendas e marketing do órgão diz: O peso máximo para o vasilhame de vidro será de 420 gramas para vinhos envasados em garrafas comuns de 750 ml que tenham preço máximo de 15 dólares canadenses.

Champagnes e vinhos vendidos a preços superiores a 15 dólares canadenses não terão a necessidade de cumprir com tal requisito num primeiro momento, mas o órgão adimite que empresas que utilizarem garrafas mais leves em seus vinhos top também terão uma vantagem mercadológica importante sobre seus concorrentes. O órgão ainda constata que deve se encorajar os fornecedores de garrafas para os vinhos considerados tops a seguir tal movimento uma vez que o impacto ambiental associado com a produção, distribuição e reciclagem do vidro poderia ser reduzido com a redução de peso destes vasilhames também. Finaliza ainda dizendo que apesar de não existir o limite para peso dos vinhos mais caros, considerações mais positivas serão dadas a quem já apresentar seus produtos em vasilhames mais leves.

Uma iniciativa interessante uma vez que vivemos em uma época em que muito se discute escasses de recursos, reciclagem, impactos ambientais (aquecimento global), sustentabilidade e outros como necessidades para os anos vindouros. Não sou expert mas apóio idéias que podem ser de grande valia neste nosso mundo atual. E você, o que acha da iniciativa?

Até o próximo!