segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Confraria Pane, Vinum Et Caseus: Vinho e Feijoada combinam?

E chegamos a mais um dia de encontro da confraria com muita curiosidade, afinal o desafio deste sábado seria realmente grande: como harmonizar este prato tipicamente brasileiro, a feijoada, com vinhos e ainda mais contando com o calor fora de época que vinha fazendo em São Paulo nestes últimos dias? Mas é assim que aprendemos e é o que torna o mundo do vinho tão surpreendente. E não é que tivemos boas surpresas?

O cenário mais uma vez era o receptivo ambiente externo do prédio da confreira Lucinéia, que faz questão de ser mais amável a cada vez que nos recebe em sua residência. Com o dia lindo que se formava no sábado, a escolha pelo ambiente externo se fez mais do que acertada, afinal estávamos em uma mesa única e grande, onde todos poderiam se sentar juntos e dividir as impressões sobre a tarde que se desenhava. Como já é de praxe, fomos recepcionados com uma repleta seleção de entradinhas entre patês (destaque para o já conhecido e imbatível patê de bacalhau), salgadinhos e outros. Para acompanhar as entradinhas nos foi servido o espumante nacional Casa Valduga Arte Elegance, um demi-sec com leve açúcar residual, essencialmente frutado e com uma deliciosa e refrescante acidez. O primeiro tiro foi no alvo!


Conforme o pessoal ia chegando e se acomodando, se aproximava a hora do grande desafio da tarde. Nosso "presidente", o Fabio (também blogueiro do vinhos-por-barnes.blogspot.com), competente e conhecedor que é nos presenteou então com uma pequena palestra sobre os vinhos e os tipos de harmonização que seriam testados na tarde que viria. Como sabemos, a feijoada é um prato com um peso grande, muita gordura, sal e pimenta em evidência. É portanto um prato de difícil harmonização com vinhos. E devido as características do prato, alguns vinhos foram escolhidos: o espumante Casa Valduga 130, o Terraza Isula Rosé, Anakena Single Vineyard Pinot Noir, Antonio Dias Tannat e finalmente o Sottano Gran Reserva Cabernet Sauvignon. Características como acidez, taninos e corpo foram levados em conta para tal desafio. 

Vale ressaltar que mais uma vez a Néia, nossa confreira e cozinheira da tarde, se superou e conseguiu entregar uma feijoada espetacular. Carnes tenras, sal na medida, gordura balanceada e acompanhamentos de tirar o fôlego de qualquer glutão, era de se imaginar que independentemente do vinho escolhido, o prazer seria garantido. E olha que os acompanhamentos eram também barra pesada: bistequinha frita bem sequinha e deliciosamente suculenta, couve cozida com bacon na medida (sem ficar seca nem tão pouco dura) e torresminhos de cair o queixo. E com tantos vinhos a escolher e provar juntamente com a feijoada, cada um tinha o seu preferido e a harmonização não gerou unanimidade. Desta vez, sem pretensão ou egoismo, irei falar por mim. Meu vinho preferido com a feijoada foi o Sottano Gran Reserva Cabernet Sauvignon, devido a sua estrutura, o tripé taninos, acidez e corpo fez com que o vinho não sumisse junto com a comida e ainda que não criasse o famoso terceiro sabor, fez bonito e acompanhou bravamente o prato. Ponto pros hermanos!

E para aqueles que acham que é pouco, ainda teríamos a sobremesa!! Mais uma vez fomos divinamente presenteados com um pudim de tapioca que me deixou numa sinuca de bico dada a falta de palavras para elogiar o prato tamanho o deleite causado pelo mesmo. Fico com o simples: que delícia! E a brincadeira só se encerrou quando provamos um vinho de sobremesa fortificado, estilo porto, feito em Santa Catarina que eu, como bom blogueiro que não sou, esqueci de tomar notas ou tirar fotos da garrafa. Uma pena que faltava um pouco de acidez ao vinho, mas tornou mais doce o final da reunião.

E que venha a próxima! O tema: ficará em segredo até o relato da reunião!

Cheers!

2 comentários:

  1. Victor, parabéns pelo post!! O bom no mundo dos vinhos é que as possibilidades e variações são tantas que agradam a todos os gostos. Por exemplo, vários dos vinhos degustados neste sábado foram considerados "o melhor vinho" pelos confrades.

    Para mim foi o 130! A feijoada estava, como vc disse, no ponto, mais cremosa q salgada.... O 130 fez a festa.

    Abs
    Fabio

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado pela força "presidente"!! É isso que sempre me encantou e que vem me encantando no mundo dos vinhos.

      Obrigado também por nos proporcionar tais experiências!

      Abração!

      Excluir