segunda-feira, 7 de abril de 2014

Confraria Pane, Vinum Et Caseus: Santa Catarina em destaque!

Depois de um longo e tenebroso recesso, a Confraria Pane, Vinum Et Caseus estava as voltas com mais uma reunião. E desta vez, apesar dos inúmeros vinhos que provamos, histórias que dividimos e amizades que celebramos, resolvi contar a história de uma maneira um pouco diferente do habitual. Espero que gostem.

O presidente da Confraria, Fábio Barnes, e seus vices sempre preparam as reuniões de forma a que um tema seja explorado, sem que haja detrimento dos demais vinhos e/ou pratos degustados durante a noite. Desta vez coube ao Confrade John a escolha do tema e seleção dos vinhos. E ele não teve dúvida: dada suas andanças por terras catarinenses, ele nos brindou e apresentou vinhos de Santa Catarina. No lado gastronômico, nosso eterno "chef" italiano Luiz Grandisoli nos proporcionou agradáveis momentos de esbórnia com pães caseiros com azeite e massa com molho de linguiça. Divinos!

Nos últimos anos, Santa Catarina tem se colocado como um dos melhores terroirs do Brasil para a produção de vinhos de qualidade. E motivos para tal não faltam. Ser uma região que conta com altitudes entre 900 e 1300 m, com temperaturas mais baixas e um comportamento peculiar do clima são apenas alguns deles. Lá é possível ainda observar uma maturação mais tardia das uvas, com a colheita se estendendo por meados de abril e as vezes começo de maio, ou seja, fora das chuvas do final da estação e já no início do outono, que naquelas altitudes já traz noites bem frias. Dentre as vinícolas mais conhecidas e já com pé fincado no mercado de vinhos nacionais, podemos citar a Quinta da Neve, Sanjo e mais recentemente a Abreu & Garcia, que serão alvos também dos vinhos comentados neste post.


Começamos então com a Vinícola Quinta da Neve e seu Quinta da Neve Cabernet Sauvignon/Merlot/Touriga Nacional 2011. Esta vinícola foi uma das pioneiros no investimento e produção de vinhos na região da Serra Catarinense, sendo que o início do plantio de uvas viníferas na propriedade começou no ano de 2000. Tem hoje em produção uma área de 15 hectares plantados com os cultivares Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Chardonnany, Merlot, Sangiovese e Sauvignon Blanc além de mais de uma dezena de outras variedades ainda em teste. Apostando nesta nova tendência e no crescimento da região, a Quinta da Neve acredita ainda no plantio de mais 20 hectares de uvas bem como expansão da área produtiva e no número de garrafas produzidas por ano para os próximos anos. Sobre o vinho provado na reunião da confraria, confesso que não guardei muita informação sobre o mesmo, mas vamos as impressões. De cor violácea de média intensidade, mostrou também lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas. Aromas florais, frutos maduros e especiarias. Na boca é redondo e macio, fácil de beber, acidez na medida. Retrogosto confirmando o olfato. Final de média duração. Na minha opinião, entre os catarinenses provados na reunião, o melhor. 


Passamos então a Vinícola Sanjo, que faz parte da Cooperativa Agrícola de São Joaquim, sendo que a implantação de vinhedos para a produção de vinhos finos se deu em 2002, com o auxílio das mais recentes tecnologias existentes até então. Provamos o vinho ícone da vinícola, o Sanjo Maestrale Cabernet Sauvignon 2007. Este vinho é produzido com uvas selecionadas cultivadas nos vinhedos mais altos, que ultrapassam os 1300 metros de altitude. Depois passa por amadurecimento em barris de carvalho francês durante doze meses, sedo que depois de engarrafado, segue o seu ciclo de maturação nas caves até estar pronto a ser liberado ao mercado. Já apresentava uma cor um pouco mais evoluída, tendendo a um rubi com halo granada. Aromas de frutos escuros, especiarias e toques herbáceos. Notas de tostado e baunilha também se faziam presentes. Corpo médio, boa acidez e taninos marcados, porém de boa qualidade. Retrogosto confirmando o olfato num final de média duração. Um vinho elegante, sem exageros e/ou defeitos, que vale conhecer.


Finalmente chegamos a Vinícola Abreu & Garcia. Movida pelo ideal e pelos sonhos de todos empreendedores que trabalham e vivem o vinho, a família Abreu Garcia escolheu sua propriedade em Campo Belo do Sul para o que esta se tornando mais uma vinícola de destaque no mercado brasileiro de vinhos. São empregados por lá o uso de moderno maquinário italiano na vinificação e o tratamento de resíduos, entre outras iniciativas. O vinho provado na reunião foi o Abreu & Garcia Cabernet Sauvignon/Melort. Este exemplar catarinense é produzido em um corte de 90% de uvas Cabernet Sauvignon e 10% Merlot, envelhecido por 12 meses em barrica. Cor violácea de grande intensidade. Aromas de frutos escuros, especiarias e toques florais. Coco em evidência, acaba dominando os aromas depois de determinado tempo. Taninos macios, corpo médio e acidez na medida. Retrogosto confirma o olfato. Final de média duração. Dos três vinhos provados na noite, a meu ver, o mais fraco. Madeira em demasia. Deve agradar o paladar médio do brasileiro, entretanto.

E assim nos despedíamos de mais um grande encontro da Confraria Pane, Vinum Et Caseus onde pudemos além de conhecer vinhos novos, rever pessoas tão queridas e que já estávamos sentindo muitas saudades. E que venham as próximas reuniões.

Até lá!

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